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	<title>Arquivos corrupção - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<link>https://marcozero.org/tag/corrupcao/</link>
	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 25 Jul 2025 15:39:11 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos corrupção - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<item>
		<title>Governo estadual cria novas regras para tentar evitar mais fraudes no programa Leite Para Todos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Jul 2025 15:39:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[corrupção]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Natural da Vaca]]></category>
		<category><![CDATA[Raquel Lyra]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O caso de polícia envolvendo a indústria de laticínios Natural da Vaca é um tema espinhoso para Raquel Lyra (PSD). Apesar da maior parte das fraudes ter ocorrido durante os oito anos do governo Paulo Câmara, foi em 2014, durante a breve gestão do seu pai, João Lyra Neto, que se deu a assinatura do [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O caso de polícia envolvendo a indústria de laticínios Natural da Vaca é um tema espinhoso para Raquel Lyra (PSD). Apesar da maior parte das fraudes ter ocorrido durante os oito anos do governo Paulo Câmara, foi em 2014, durante a breve gestão do seu pai, João Lyra Neto, que se deu a assinatura do convênio com a cooperativa “fantasma” Coopeagri. Não bastasse isso, a empresa e seu sócio majoritário têm vínculos tanto com sua família quanto com integrantes do primeiro escalão do governo estadual.</p>



<p>Em 2023, a Marco Zero publicou que as operações policiais sobre as fraudes da empresa contra o programa Leite para Todos não foram o bastante para evitar a renovação dos benefícios e isenções fiscais da Natural da Vaca por parte do Governo de Pernambuco. Essa história você relembrar clicando no link abaixo:</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/mesmo-depois-de-operacao-policial-raquel-lyra-renovou-beneficios-e-isencoes-fiscais-para-a-natural-da-vaca/" class="titulo">Mesmo depois de operação policial, Raquel Lyra renovou benefícios e isenções fiscais para a Natural da Vaca</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/poder/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Poder</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p><br>Desta vez, o governo evitou constrangimentos e se cercou de cuidados antes de anunciar a expansão, no dia 10 deste mês, do programa Leite para Todos. De acordo com a equipe da Secretaria de Desenvolvimento Agrário, houve “vistoria em todas as etapas, sanando os pontos críticos e implementando etapas fiscalizadoras de controle, em relação aos produtores, aos beneficiários e a qualidade do leite a ser entregue à população”.</p>



<p>Entre os novos procedimentos de controle, o governo assegura que está fazendo o acompanhamento do Cadastro do Agricultor Familiar (CAF), que é emitidos por instituições federais como o Incra, estaduais como o IPA e o Iterpe, municípios u sindicatos, desde que habilitados junto ao Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). Segundo a equipe da secretaria, são feitas visitas <em>in loco</em> aos produtores para conferir a idoneidade destes CAFs.</p>



<p>A coleta do leite e o beneficiamento de leite também são etapas sob fiscalização direta. Uma veterinária e fiscais da SDA estão responsáveis por esse trabalho junto aos pequenos produtores, incluindo o transporte até o laticínio onde é feito o beneficiamento. Para assumir a pasteurização, embalagem e entrega as empresas e cooperativas precisam ter cadastro atualizado junto a Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária do Estado de Pernambuco (Adagro).</p>



<p>Uma das fases cruciais em qualquer contato público é o processo de pagamento. De acordo com a Polícia Federal, a vulnerabilidade dessa etapa foi decisiva para que a Natural da Vaca desviasse os recursos do programa recebidos pelas cooperativas “fantasmas”.</p>



<p>Segundo o governo, as entidades contratadas enviam os recibos junto com os comprovantes de transações bancárias, com pagamento apenas por PIX ou TED. “A equipe técnica de acompanhamento do Leite para Todos verifica o valor recebido por cada produtor confrontando com a litragem fornecida”, informa a nota da SDA.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Entenda como funcionava a fraude, segundo a PF</span>

		<p><span style="font-family: Tox Typewriter, monospace;"><span style="font-size: medium;"><span style="color: #212529;">O</span><span style="color: #212529;"> </span><span style="color: #212529;">Programa de Aquisição de Alimentos/Leite (PAA/Leite)</span> <span style="color: #212529;">prevê que </span><span style="color: #212529;">governos estaduais contrat</span><span style="color: #212529;">e</span><span style="color: #212529;">m organizações da agricultura familiar para </span><span style="color: #212529;">fazer a </span><span style="color: #212529;">coleta, pasteurização, embalo e transporte do leite para os pontos de distribuição. O leite deve ser distribuído para “famílias em insegurança alimentar e nutricional” e merenda escolar.</span> Ou seja, os recursos do programa que em Pernambuco recebeu o nome de Leite Para Todos é destinado para pequenos produtores, não para financiar o agronegócio ou grandes indústrias.</span></span></p>
<p><span style="font-family: Tox Typewriter, monospace;"><span style="font-size: medium;">De acordo com o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE), a Polícia Federal, a Controladoria Geral da União (CGU) e a Receita Federal, a Natural da Vaca, com ajuda da Planus Representações, se apropriou de, no mínimo, R$ 93,7 milhões que seriam destinados á agricultura familiar. Para isso, as empresas contaram com três cooperativas “de fachada”, que foram contratadas pelo Governo do Estado entre 2014 e 2023, mas que, com inúmeros documentos e recibos falsos, repassavam os recursos para as duas empresas. </span></span></p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading">Novas cooperativas</h2>



<p>Por enquanto, só duas cooperativas de produtores estão habilitadas pelo governo estadual para fornecer os atuais 12 mil litros de leite distribuídos para a população vulnerável de 29 municípios pernambucanos. Uma delas é a Cooperativa Dos Produtores Rurais de Luanda (Coopal), sediada em Serra Talhada, que realiza todo o processo internamente, ou seja, compra o leite dos produtores, faz o beneficiamento, o envase e a entrega do leite pronto para o consumo.</p>



<p>A outra é a Cooperativa Mista da Agricultura Familiar de Pernambuco (Coomaf), localizada em Buíque, terceiriza o processamento e o beneficiamento do leite. Ela compra o leite diretamente dos produtores e encaminha para uma beneficiadora parceira, devidamente certificada e regularizada. A Coomaf também tem o selo do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal, do Ministério da Agricultura e Pecuária.</p>



<p>Para ampliar o programa, que passará a distribuir 68 mil litros de leite em 184 municípios, o governo lançou um <a href="https://www.peintegrado.pe.gov.br/Portal/Pages/LicitacoesEmAndamento.aspx?ncdmodulo=21&amp;sdsprocesso=3939.2025.0001.SDAAPP&amp;nCdProcesso=59438&amp;nCdSituacao=14">edital</a> para conveniar novas cooperativas dentro das novas regras. O investimento do governo nessa expansão será de R$ 94 milhões, praticamente o mesmo valor desviado pelas empresas Natural da Vaca e Planus.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Essas são as reportagens publicadas nesta semana:</strong></li>
</ul>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/fraudes-da-natural-da-vaca-continuaram-mesmo-apos-operacao-policial-diz-pf/" class="titulo">Fraudes da Natural da Vaca continuaram mesmo após operação policial, diz PF</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/poder/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Poder</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/dono-da-natural-da-vaca-era-o-maior-beneficiario-de-desvio-do-dinheiro-do-leite-para-todos-aponta-a-pf/" class="titulo">Dono da Natural da Vaca era o maior beneficiário de desvio do dinheiro do Leite Para Todos, aponta a PF</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/poder/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Poder</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p></p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Essas foram as reportagens publicadas pela Marco Zero em 2023 a respeito das operações policiais contra o esquema de fraudes contra o programa Leite Para Todos:</strong></li>
</ul>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/o-esquema-criminoso-da-natural-da-vaca-para-desviar-recursos-publicos-segundo-a-policia-federal/" class="titulo">O esquema criminoso da Natural da Vaca para desviar recursos públicos, segundo a Polícia Federal</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/poder/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Poder</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/investigacao-da-pf-identificou-a-funcao-de-cada-um-dos-acusados-na-fraude-da-natural-da-vaca/" class="titulo">PF identificou quem é quem na fraude da Natural da Vaca</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/poder/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Poder</a>
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	            </div>
        </div>

		


        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/mesmo-depois-de-operacao-policial-raquel-lyra-renovou-beneficios-e-isencoes-fiscais-para-a-natural-da-vaca/" class="titulo">Mesmo depois de operação policial, Raquel Lyra renovou benefícios e isenções fiscais para a Natural da Vaca</a>
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			        </div>
	            </div>
        </div>

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			</item>
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		<title>Fraudes da Natural da Vaca continuaram mesmo após operação policial, diz PF</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Jul 2025 15:50:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[corrupção]]></category>
		<category><![CDATA[desvio de dinheiro público]]></category>
		<category><![CDATA[Leite para Todos]]></category>
		<category><![CDATA[Natural da Vaca]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Federal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O esquema criminoso da indústria de laticínios Natural da Vaca para se apropriar de recursos públicos continuou agir mesmo depois de duas operações conjuntas da Polícia Federal (PF), Controladoria Geral da União (CGU) e Receita Federal (RFB). Para permanecer desviando dinheiro do Programa Leite Para Todos, do Governo de Pernambuco, os responsáveis pela fraude contavam [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O <a href="https://marcozero.org/o-esquema-criminoso-da-natural-da-vaca-para-desviar-recursos-publicos-segundo-a-policia-federal/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">esquema criminoso</a> da indústria de laticínios Natural da Vaca para se apropriar de recursos públicos continuou agir mesmo depois de duas operações conjuntas da Polícia Federal (PF), Controladoria Geral da União (CGU) e Receita Federal (RFB). Para permanecer desviando dinheiro do Programa Leite Para Todos, do Governo de Pernambuco, os responsáveis pela fraude contavam com, pelo menos, mais duas cooperativas “de fachada”. Uma delas não interrompeu suas operações após a investigação ser veiculada pela mídia.</p>



<p>Essa é uma das constatações do relatório final assinado pela delegada federal Bianca Alves de Oliveira e remetido para a 24ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco.</p>



<p>Depois de três anos investigando a “organização criminosa”, a <a href="https://marcozero.org/investigacao-da-pf-identificou-a-funcao-de-cada-um-dos-acusados-na-fraude-da-natural-da-vaca/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">PF indiciou 40 pessoas</a>, incluindo Paolo Avallone, sócio majoritário da Natural da Vaca, e Francisco Garcia Filho, da Planus Administração e Participações, fornecedora de merenda escolar da rede estadual de ensino. Os empresários são apontados como os dois “líderes” do esquema fraudulento.</p>



<p>A partir de irregularidades constatadas por uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE), a PF confirmou que o desvio de recursos federais do Programa de Aquisição de Alimentos/Leite acontecia por meio do contrato entre o Governo de Pernambuco e uma cooperativa “fantasma” no município de Itaíba, no Agreste, a Coopeagri. </p>



<p>Assim, R$ 68,2 milhões destinados a remunerar pequenos produtores de leite da agricultura familiar acabaram nas contas bancárias da Natural da Vaca e dos demais participantes do esquema.</p>



<p>O resultado parcial das investigações levou a Justiça Federal a autorizar duas operações policiais no final de 2022 e em junho de 2023, com quebra sigilos e seis prisões preventivas. Com isso, o governo estadual teve de romper o contrato com a Coopeagri e cancelar pagamentos — ao todo, R$ 95,3 milhões chegaram a ser empenhados pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Agrário. Mesmo assim, a fraude continuou.</p>



<p>Na época, a PF não sabia, mas outras duas supostas organizações de agricultura familiar faziam parte do esquema montado por Avallone e Garcia, a Cooperativa de Agricultores de Panelas (Coopepan) e o Instituto de Integração Social e Desenvolvimento Sustentável (Integrar), com endereço cadastrado na zona rural de Maraial, na Mata Sul de Pernambuco.</p>



<p>Se a Coopeagri foi a instituição que mais recebeu dinheiro do Leite Para Todos entre 2014 e 2022, a Coopepan ocupava a segunda posição nessa lista, com R$ 49 milhões empenhados a seu favor e R$ 20,1 milhões efetivamente pagos. O último pagamento feito pelo governo estadual à Coopepan foi realizado em maio de 2023, sete meses após a primeira operação policial.</p>



<p>Assim como a Coopeagri, a Coopepan e a Integrar só existiam no papel. Documentos da cooperativa de Panelas, por exemplo, foram encontrados no pen drive do empresário Francisco Garcia, que também pagou pela análise de laboratório do leite que teria sido fornecido pela Coopepan. </p>



<p>Aliás, a delegada Bianca Oliveira faz uma ressalva sobre o conteúdo encontrado nas pastas do computador de Garcia: “Ainda é causa de estranhamento a existência de outras entidades nos documentos de controle de Francisco Garcia, contudo, fogem ao escopo da investigação”.</p>



<p>Domingos Sávio Neves, funcionário da Planus também indiciado pela PF e apontado como um dos “gerentes” da organização criminosa, aparece como contato dessa cooperativa.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Chefe de gabinete e &#8220;dono&#8221; de cooperativa</h2>



<p>O relatório final da PF aponta que a terceira cooperativa usada como fachada pelos criminosos, o Instituto de Integração Social e Desenvolvimento Sustentável (Integrar), era controlada por Ademilton de Goes Bezerra Filho, que exerceu a função de chefe de gabinete da Secretaria de Desenvolvimento Agrário por dois anos, de janeiro de 2019 a janeiro de 2021. </p>



<p>A contratação do Integrar pela secretaria estadual aconteceu após a exoneração de Bezerra Filho do cargo de confiança, mas a instituição foi estruturada formalmente enquanto ele estava na pasta.</p>



<p>O Integrar recebeu mais de R$ 5,4 milhões entre maio de 2021 e setembro de 2022. Ao todo, a organização criminosa recebeu indevidamente do governo estadual mais de R$ 93,7 milhões, contabilizando as três instituições contratadas. A Polícia Federal considera também os valores que chegaram a ser empenhados, ou seja, bloqueados pela Secretaria de Desenvolvimento Agrário, o que eleva o valor desviado para quase R$ 150 milhões.</p>



<p>Para a PF, Ademilton teria se incorporado ao grupo de fraudadores “em período mais recente”, afinal seu nome aparece em 2019, quando o grupo comandado pelos sócios da Natural da Vaca e da Planus já atuava há cinco anos.</p>



<p>No computador e no celular de Ademilton — cujo telefone era o mesmo informado pelo instituto à Receita Federal —, a polícia encontrou mensagens e planilhas indicando que ele pagava R$ 1 mil mensais a um “laranja” que emprestava seus documentos para aparecer como presidente de uma cooperativa em cuja conta bancária movimentavam quantias milionárias.</p>



<p>Em seu relatório final, a delegada Bianca Oliveira afirma que o Integrar não existe de fato, seria mais uma organização fantasma criada para drenar dinheiro público para as empresas dos líderes do esquema. Equipes de policiais foram aos dois endereços fiscais do instituto, no sítio Abismo, em Marial, e no centro daquela cidade, mas não encontraram nada que indicasse a existência da cooperativa.</p>



<p>A convicção da delegada é reforçada por outros achados da sua investigação. A organização, por exemplo, tem apenas 17 filiados, mas apenas oito são cadastrados como agricultores familiares.</p>



<p>A maior parte dos fornecedores de leite relacionados para participar do programa governamental são de Itaíba, mesmo município da Coopeagri, a 216 quilômetros de sua suposta sede em Maraial. Outra &#8220;coincidência&#8221; está no fato de que a gestão da remuneração desses produtores era feita por um dos sócios de Avallone, também indiciado pela PF.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>A defesa de Ademilton de Goes Bezerra foi procurada, mas preferiu não se posicionar até o momento.</p>
        </div>
    </div>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Dinheiro das cooperativas para a Natural da Vaca</strong></h2>



<p>As investigações da polícia também revelaram transferências de milhões de reais das cooperativas para a Natural da Vaca e a Planus, assim como acontecia com a Coopeagri, conforme <a href="https://marcozero.org/o-esquema-criminoso-da-natural-da-vaca-para-desviar-recursos-publicos-segundo-a-policia-federal/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">reportagem</a> publicada pela <strong>Marco Zero</strong> em julho de 2023.</p>



<p>No relatório, a delegada registra que “ocorreu uma transferência significativa de recursos da Coopepan para as empresas Natural da Vaca e Nexus, sem uma contrapartida aparente uma vez que não existe emissão de notas fiscais dessas empresas tendo como destinatário a Coopepan”. A Nexus é uma das empresas de Avallone com participação ativa na lavagem de dinheiro do esquema.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/o-esquema-criminoso-da-natural-da-vaca-para-desviar-recursos-publicos-segundo-a-policia-federal/" class="titulo">O esquema criminoso da Natural da Vaca para desviar recursos públicos, segundo a Polícia Federal</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/poder/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Poder</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>De acordo com o relatório final, foram mais de R$ 10,4 milhões em transferências, das quais R$ 5,4 milhões sem nota fiscal ou qualquer justificativa contábil.</p>



<p>No caso do Integrar, os policiais identificaram diálogos e trocas de mensagens entre Avallone e seu sócio Geraldo Lobo Nogueira “a respeito de TED do Integrar que deveria ser realizada por Ademilton Filho”.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p><strong>TED </strong>significa Transferência Eletrônica Disponível, que é a movimentação de dinheiro entre contas de bancos diferentres sem restrição de valor.</p>
        </div>
    </div>



<p>No dia seguinte, realmente há duas transferências do Integrar para a empresa, uma no valor de R$ 296 mil e a segunda de R$ 316 mil. A PF concluiu que isso “reforça os indícios de que Ademilton realiza o controle financeiro do Integrar e de que, mais uma vez, a Natural da Vaca Alimentos executaria as duas etapas da contratação pública, tanto no tocante à fase de pagamentos do leite in natura que deveria ser fornecido pelos pequenos produtores rurais, quanto ao beneficiamento do produto, denotando a falta de capacidade operacional da associação para execução contratual”.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Defesa de Avallone reafirma presunção de inocência e questiona investigação</h3>



<p>Responsável pela defesa de Paolo Avallone, da Natural da Vaca e dos funcionários da empresa indicados pela PF, a advogada Sandrele Jorge, do escritório cearense Valença e Associados, respondeu aos questionamentos da <strong>Marco Zero</strong>. </p>



<p>Ela questionou o relatório da PF como sendo &#8220;mero relatório de indiciamento, sustentado por elementos frágeis e questionáveis, sem contraprova técnica ou metodologia adequada na coleta de provas&#8221;.</p>



<p>Segundo a defensora, &#8220;o que existe até o momento são indícios não consolidados, muitos deles obtidos sem observância aos critérios legais e científicos necessários para comprovar irregularidades. A defesa apresentará, nos autos, a contestação detalhada desses pontos, demonstrando a inocência dos<br>investigados&#8221;. </p>



<p>Na mesma nota, reproduzida na íntegra abaixo, a advogada critica a Polícia Federal pelo que considera ser um &#8220;vazamento seletivo de informações&#8221;. &#8220;A espetacularização de uma investigação que deveria tramitar em sigilo está causando danos irreparáveis à imagem de pessoas inocentes, colocando em risco empregos e a sobrevivência de uma empresa legítima&#8221;, afirma.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Leia abaixo a nota da defesa de Paolo Avallone e da Natural da Vaca:</span>

		<p>Em nota oficial, a defesa dos sócios da empresa Natural da Vaca rebate as acusações veiculadas na imprensa sobre suposta participação em fraude alimentar, organização criminosa e irregularidades em contratos públicos. Os advogados destacam que as alegações repousam sobre um mero relatório de indiciamento, sustentado por elementos frágeis e questionáveis, sem contraprova técnica ou metodologia adequada na coleta de provas.</p>
<p>Desse modo, o que existe até o momento são indícios não consolidados, muitos deles obtidos sem observância aos critérios legais e científicos necessários para comprovar irregularidades. A defesa apresentará, nos autos, a contestação detalhada desses pontos, demonstrando a inocência dos investigados.</p>
<p>A Natural da Vaca, seus sócios e funcionários construíram reputação ao longo de anos de trabalho, com um portfólio diversificado de clientes — inclusive de grande porte — sendo que os contratos com a cooperativa (esta que tinha contratos com ente público e não a empresa) representavam menos de 10% do faturamento mensal antes da operação, a qual inclusive causou crise em parte dos negócios. A espetacularização de uma investigação que deveria tramitar em sigilo está causando danos irreparáveis à imagem de pessoas inocentes, colocando em risco empregos e a sobrevivência de uma empresa legítima.</p>
<p>As contestações técnicas aos laudos apresentados, incluindo a impugnação de eventuais irregularidades processuais, estão sendo adotadas com a observância do devido processo legal.</p>
<p>Por fim, a defesa critica o vazamento seletivo de informações, reforçando que a presunção de inocência é um princípio constitucional e confia que, ao final, a Justiça reconhecerá a ausência de fundamento nas acusações e a inocência dos sócios, que sempre agiram dentro da legalidade, da transparência, com respeito à saúde pública, regras sanitárias e jamais coadunaria com qualquer conduta diferente disso.</p>
	</div>



<p>Estas são as outras duas reportagens publicadas pela Marco Zero sobre o assunto em julho de 2023:</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/investigacao-da-pf-identificou-a-funcao-de-cada-um-dos-acusados-na-fraude-da-natural-da-vaca/" class="titulo">PF identificou quem é quem na fraude da Natural da Vaca</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/poder/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Poder</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/mesmo-depois-de-operacao-policial-raquel-lyra-renovou-beneficios-e-isencoes-fiscais-para-a-natural-da-vaca/" class="titulo">Mesmo depois de operação policial, Raquel Lyra renovou benefícios e isenções fiscais para a Natural da Vaca</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/poder/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Poder</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		<p>O post <a href="https://marcozero.org/fraudes-da-natural-da-vaca-continuaram-mesmo-apos-operacao-policial-diz-pf/">Fraudes da Natural da Vaca continuaram mesmo após operação policial, diz PF</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Dono da Natural da Vaca era o maior beneficiário de desvio do dinheiro do Leite Para Todos, aponta a PF</title>
		<link>https://marcozero.org/dono-da-natural-da-vaca-era-o-maior-beneficiario-de-desvio-do-dinheiro-do-leite-para-todos-aponta-a-pf/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Jul 2025 00:58:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[corrupção]]></category>
		<category><![CDATA[Leite para Todos]]></category>
		<category><![CDATA[Natural da Vaca]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Polícia Federal indiciou 40 pessoas pela formação de organização criminosa especializada em fraudar e desviar recursos federais do Programa de Aquisição de Alimentos/Leite, o Leite Para todos, gerido em Pernambuco pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Agrário. Em seu relatório final, a delegada Bianca Alves de Oliveira afirma que, pelo menos desde 2014, o grupo [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A Polícia Federal indiciou 40 pessoas pela formação de <a href="https://marcozero.org/o-esquema-criminoso-da-natural-da-vaca-para-desviar-recursos-publicos-segundo-a-policia-federal/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">organização criminosa</a> especializada em fraudar e desviar recursos federais do Programa de Aquisição de Alimentos/Leite, o Leite Para todos, gerido em Pernambuco pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Agrário.</p>



<p>Em seu relatório final, a delegada Bianca Alves de Oliveira afirma que, pelo menos desde 2014, o grupo se estruturou “em núcleos, cada qual com seu distinto papel e posição”, cometendo delitos contra a saúde pública, corrupção passiva e ativa, peculato, estelionato, falsidade documental, obstrução à justiça e lavagem de dinheiro.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/fraudes-da-natural-da-vaca-continuaram-mesmo-apos-operacao-policial-diz-pf/" class="titulo">Fraudes da Natural da Vaca continuaram mesmo após operação policial, diz PF</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/poder/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Poder</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Remetido para a 24ª Vara Federal de Pernambuco como parte do processo 0801794-30.2024.4.05.8302, o relatório confirma e aprofunda aquilo que a delegada havia adiantado à Justiça para justificar os mandados de prisão, busca e apreensão na <a href="https://marcozero.org/investigacao-da-pf-identificou-a-funcao-de-cada-um-dos-acusados-na-fraude-da-natural-da-vaca/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">segunda operação policial</a>, realizada em junho de 2023.</p>



<p>Os dois principais núcleos apontados no relatório são formados por seis homens. O grupo dos “líderes” é, na verdade, uma dupla de empresários: Paolo Avallone e Francisco Garcia Filho. A PF os indiciou por eles desempenharem “papel de proeminência na organização criminosa, não só confabulando o esquema delituoso, mas dele possuindo total domínio dos fatos, desde o nascedouro”. A atenção e os esforços dos policiais se concentraram sobre esses dois.</p>



<p>Abaixo deles na hierarquia da organização, estão os “gerentes”. São outros quatro nomes: Geraldo Fernandes Lobo Nogueira, Domingos Sávio Neves Tavares, Marcelo Ladislau Pereira de Alcântara, Márcio Mastroiane Lins da Costa. Ligados diretamente aos empresários “líderes”, eles seriam “os responsáveis por gerir o esquema criminosa e mantê-lo em pleno andamento”.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Entenda como funcionava a fraude, segundo a PF</span>

		<p><span style="font-family: Tox Typewriter, monospace;"><span style="font-size: medium;"><span style="color: #212529;">O</span><span style="color: #212529;"> </span><span style="color: #212529;">Programa de Aquisição de Alimentos/Leite (PAA/Leite)</span> <span style="color: #212529;">prevê que </span><span style="color: #212529;">governos estaduais contrat</span><span style="color: #212529;">e</span><span style="color: #212529;">m organizações da agricultura familiar para </span><span style="color: #212529;">fazer a </span><span style="color: #212529;">coleta, pasteurização, embalo e transporte do leite para os pontos de distribuição. O leite deve ser distribuído para “famílias em insegurança alimentar e nutricional” e merenda escolar.</span> Ou seja, os recursos do programa que em Pernambuco recebeu o nome de Leite Para Todos é destinado para pequenos produtores, não para financiar o agronegócio ou grandes indústrias.</span></span></p>
<p><span style="font-family: Tox Typewriter, monospace;"><span style="font-size: medium;">De acordo com o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE), a Polícia Federal, a Controladoria Geral da União (CGU) e a Receita Federal, a Natural da Vaca, com ajuda da Planus Representações, se apropriou de, no mínimo, R$ 93,7 milhões que seriam destinados á agricultura familiar. Para isso, as empresas contaram com três cooperativas “de fachada”, que foram contratadas pelo Governo do Estado entre 2014 e 2023, mas que, com inúmeros documentos e recibos falsos, repassavam os recursos para as duas empresas. </span></span></p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading">Um chefe influente e participativo</h2>



<p>O empresário Paolo Avallone é dono de cinco empresas e já teve como sócios primos e um tio da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD). Até 2021, foi casado com a atual procuradora-geral do estado, <a href="https://www.pge.pe.gov.br/QuemEQuem.aspx">Bianca Ferreira Teixeira</a>, prima de Raquel. O casal está divorciado há, pelo menos, três anos.</p>



<p>De acordo com a PF, todas as empresas do <em>holding </em>Natural da Vaca foram usadas para fraudar e lavar dinheiro público obtido ilegalmente.</p>



<p>No relatório, fica evidente que a polícia não tem dúvidas de que Avallone não era um sócio distante, alheio ao que acontecia no seu grupo empresarial: “a cadeia do processo produtivo da Natural da Vaca Alimentos Ltda, por meio do qual são praticadas fraudes na composição do leite integral, com o consequente fornecimento de produto de qualidade nutricional baixa, está sob controle de Paolo Avallone”.</p>



<p>O tal “processo produtivo” da Natural da Vaca está no centro do processo judicial porque, segundo a delegada Bianca Oliveira, “por meio desta empresa que são praticadas as outras condutas criminosas, como falsidade documental, crime contra saúde pública, obstrução à Justiça, demonstradas em relatório parcial anterior, além de estelionato, peculato, corrupção e lavagem de dinheiro”.</p>



<p>As perícias nos documentos e equipamentos eletrônicos que estavam em poder do empresário, apreendidos nas operações policiais de novembro de 2022 e junho de 2023, teriam abastecido os investigadores com provas em fartura. Com as informações obtidas, foi possível determinar que ele atuava diretamente e era o maior beneficiário das fraudes.</p>



<p>Avallone controlava o caminho dos milhões que saíam dos cofres do governo estadual para as contas das cooperativas do esquema, controlada por funcionários de sua empresa ou da Planus, e, de lá, para as contas de suas empresas. O dinheiro pago a Coopeagri, por exemplo, depois de várias transferências, retornava para outra conta da instituição no Banco do Brasil.</p>



<p>Ao final, era retirado em diversos saques de até R$ 4.999,00 numa agência em Chã Grande, município a 265 quilômetros de Itaíba. Esse procedimento era adotado para confundir fiscais e auditores, algo típico de operações ilegais. As mensagens trocadas por Avallone com os “gerentes” da organização criminosa e seu principal cúmplice, Francisco Garcia, segundo a PF, não deixam dúvidas de que ele coordenava tudo.</p>



<p>Mesmo assim, em seus depoimentos, o empresário tentou colocar a culpa no presidente da cooperativa “fantasma” de Itaíba, Severino Pereira da Silva. Porém, a PF afirma ter encontrado provas de que esse homem era remunerado para atuar como “testa de ferro” da organização. Pereira da Silva também figura na lista de indiciados e, ao ser interrogado, desmentiu o empresário: “o presidente da Coopeagri afirma quem teria ficado com o dinheiro era Paolo”.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:39% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="484" height="391" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/07/Paolo-foto.jpeg" alt="" class="wp-image-71746 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/07/Paolo-foto.jpeg 484w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/07/Paolo-foto-300x242.jpeg 300w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/07/Paolo-foto-150x121.jpeg 150w" sizes="(max-width: 484px) 100vw, 484px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Outras mensagens indicam que Avallone autorizou a “compra” de 200 cadastros falsos de agricultores familiares forjados por um funcionário do Instituto de Pesquisa Agronômica (IPA). Cada cadastro custava R$ 50,00. O servidor também está entre os 40 indiciados no inquérito. Os cadastros eram usados para simular pagamento a pequenos agricultores.</p>
</div></div>



<p>A PF encontrou grande quantidade de recibos em branco, já assinados com assinaturas falsificadas, nos escritórios da Natural da Vaca. Muitos desses recibos estavam em nome de produtores de leite falecidos há décadas – esse aspecto secundário do esquema, aliás, mereceu mais atenção da <a href="https://jc.uol.com.br/colunas/seguranca/2025/07/07/grupo-usou-nomes-de-produtores-rurais-mortos-para-desvio-milionario-em-programa-social-de-pernambuco-diz-pf.html">mídia pernambucana</a> do que o fato da fraude ter sido executada com o uso de uma das maiores indústrias de laticínios do estado.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Defesa reafirma inocência e questiona investigação</strong></h2>



<p>Responsável pela defesa de Paolo Avallone, da Natural da Vaca e dos funcionários da empresa indicados pela PF, a advogada Sandrele Jorge, do escritório cearense Valença e Associados, respondeu aos questionamentos da <strong>Marco Zero</strong>. Ela questionou o relatório da PF como sendo &#8220;mero relatório de indiciamento, sustentado por elementos frágeis e questionáveis, sem contraprova técnica ou<br>metodologia adequada na coleta de provas&#8221;.</p>



<p>Segundo a defensora, &#8220;o que existe até o momento são indícios não consolidados, muitos deles obtidos sem observância aos critérios legais e científicos necessários para comprovar irregularidades. A defesa apresentará, nos autos, a contestação detalhada desses pontos, demonstrando a inocência dos<br>investigados&#8221;. </p>



<p>Na mesma nota, reproduzida na íntegra abaixo, a advogada critica a Polícia Federal pelo que considera ser um &#8220;vazamento seletivo de informações&#8221;. &#8220;A espetacularização de uma investigação que deveria tramitar em sigilo está causando danos irreparáveis à imagem de pessoas inocentes, colocando em risco empregos e a sobrevivência de uma empresa legítima&#8221;, afirma.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Leia abaixo a nota da defesa de Paolo Avallone e da Natural da Vaca:</span>

		<p>Em nota oficial, a defesa dos sócios da empresa Natural da Vaca rebate as acusações veiculadas na imprensa sobre suposta participação em fraude alimentar, organização criminosa e irregularidades em contratos públicos. Os advogados destacam que as alegações repousam sobre um mero relatório de indiciamento, sustentado por elementos frágeis e questionáveis, sem contraprova técnica ou metodologia adequada na coleta de provas.</p>
<p>Desse modo, o que existe até o momento são indícios não consolidados, muitos deles obtidos sem observância aos critérios legais e científicos necessários para comprovar irregularidades. A defesa apresentará, nos autos, a contestação detalhada desses pontos, demonstrando a inocência dos investigados.</p>
<p>A Natural da Vaca, seus sócios e funcionários construíram reputação ao longo de anos de trabalho, com um portfólio diversificado de clientes — inclusive de grande porte — sendo que os contratos com a cooperativa (esta que tinha contratos com ente público e não a empresa) representavam menos de 10% do faturamento mensal antes da operação, a qual inclusive causou crise em parte dos negócios. A espetacularização de uma investigação que deveria tramitar em sigilo está causando danos irreparáveis à imagem de pessoas inocentes, colocando em risco empregos e a sobrevivência de uma empresa legítima.</p>
<p>As contestações técnicas aos laudos apresentados, incluindo a impugnação de eventuais irregularidades processuais, estão sendo adotadas com a observância do devido processo legal.</p>
<p>Por fim, a defesa critica o vazamento seletivo de informações, reforçando que a presunção de inocência é um princípio constitucional e confia que, ao final, a Justiça reconhecerá a ausência de fundamento nas acusações e a inocência dos sócios, que sempre agiram dentro da legalidade, da transparência, com respeito à saúde pública, regras sanitárias e jamais coadunaria com qualquer conduta diferente disso.</p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O outro nº 1</strong></h2>



<p>Avallone e Francisco Garcia Filho, o outro empresário que comandava o esquema, já se conheciam. A PF constatou que a Natural da Vaca fornecia laticínios para a Planus na época em que a empresa era contratada pelo Programa Fome Zero, de 2003 a 2010, e como fornecedora de merenda escolar da rede de ensino de Pernambuco.</p>



<p>Para se ter ideia do grau de confiança que existe na relação entre eles, ao longo do período em que a organização chefiada pela dupla atuou desviando dinheiro público, R$ 47,5 milhões foram transferidos da indústria de laticínios para a Planus de Garcia. </p>



<p>Sem nota fiscal que atestasse a razão de tamanha movimentação financeira, a delegada Bianca Oliveira quis saber o porquê, mas “Paolo Avallone não soube esclarecer a razão de remeter dinheiro de sua empresa para a empresa de Garcia”. Foi o que o industrial respondeu e está registrado no relatório.</p>



<p>Por isso, a Polícia Federal cravou que Garcia Filho “tem posição de superior hierárquico na esfera de tomada de decisões, destacando-se ainda como um dos maiores beneficiados com os recursos desviados”.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:28% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="171" height="243" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/07/Garcia-foto-1.jpeg" alt="" class="wp-image-71750 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/07/Garcia-foto-1.jpeg 171w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/07/Garcia-foto-1-150x213.jpeg 150w" sizes="(max-width: 171px) 100vw, 171px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Com experiência em contratos com órgãos públicos, a função de Garcia Filho era cuidar de tudo que dizia respeito à Coopeagri: receber recursos da Secretaria de Desenvolvimento Agrário em nome da cooperativa, prestar de contas, pagar impostos, manter documentação atualizada, fazer a contabilidade e fazer os pagamentos de R$ 10 mil mensais a Severino Pereira da Silva, que, ao menos “no papel”, presidia a instituição.</p>
</div></div>



<p>Garcia era o procurador da Coopeagri junto à secretaria estadual e o escritório da Planus no bairro do Cordeiro, zona oeste do Recife, garantia a estrutura para a existência jurídica da pequena cooperativa de Itaíba. A PF resume assim: “a gestão da documentação da Coopeagri era direcionada a partir de orientações de Francisco Garcia, mediante o uso da estrutura da Planus Administração&#8221;.</p>



<p>No inquérito policial, as provas disso estariam em “inúmeros documentos e mensagens de celular em que o próprio Garcia trata com seus funcionários sobre títulos e pagamentos que precisam ser efetuados mediante dinheiro da Coopeagri”.</p>



<p>Nem sempre a relação com o presidente da instituição de Itaíba foi amena. Áudios e mensagens encontradas nos celulares dos participantes do esquema indicam que, em novembro de 2020, quando a fraude era cometida há seis anos, Pereira da Silva se mostrava insatisfeito, sentindo-se usado por Avallone. </p>



<p>Veja a transcrição dos áudios obtidos pela PF:</p>





<h3 class="wp-block-heading">O que diz a defesa de Francisco Garcia</h3>



<p>João Vieira Neto, advogado que representa Francisco Garcia e a empresa Planus no processo, respondeu ao pedido de qual seria o posicionamento dos seus clientes. Por meio de nota, o defensor afirma ter recebido “com surpresa o teor do relatório policial, vem esclarecer que todos os fatos serão devidamente debatidos perante a Justiça Federal, nas cercanias do devido processo legal, da ampla defesa e do efetivo contraditório, de modo a acreditar fielmente na justiça, com o condão de demonstrar a lisura, execução efetiva e idoneidade da empresa e de seu sócio”.</p>



<p>Leia abaixo a nota da defesa de Francisco Garcia Filho:</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

		<p>O Advogado João Vieira Neto, que patrocina os interesses e a defesa da empresa PLANUS ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA e do Sr. Francisco Garcia Filho, por tudo o quanto veiculado na imprensa local sobre a investigação conduzida pela Polícia Federal, em Pernambuco, relativa à contratação, prestação de serviço e o fornecimento de leite, por programa governamental, recebendo com surpresa o teor do relatório policial, vem esclarecer que todos os fatos serão devidamente debatidos perante a Justiça Federal, nas<br />
cercanias do devido processo legal, da ampla defesa e do efetivo contraditório, de modo a acreditar fielmente na justiça, com o condão de demonstrar a lisura, execução efetiva e idoneidade da empresa e de seu sócio.</p>
<p>Recife-PE, 17 de julho de 2025.</p>
	</div>



<p>Essas são as reportagens publicadas pela Marco Zero em 2023 a respeito das operações policiais contra o esquema de fraudes contra o programa Leite Para Todos:</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/o-esquema-criminoso-da-natural-da-vaca-para-desviar-recursos-publicos-segundo-a-policia-federal/" class="titulo">O esquema criminoso da Natural da Vaca para desviar recursos públicos, segundo a Polícia Federal</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/poder/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Poder</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/investigacao-da-pf-identificou-a-funcao-de-cada-um-dos-acusados-na-fraude-da-natural-da-vaca/" class="titulo">PF identificou quem é quem na fraude da Natural da Vaca</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/poder/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Poder</a>
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        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/mesmo-depois-de-operacao-policial-raquel-lyra-renovou-beneficios-e-isencoes-fiscais-para-a-natural-da-vaca/" class="titulo">Mesmo depois de operação policial, Raquel Lyra renovou benefícios e isenções fiscais para a Natural da Vaca</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/poder/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Poder</a>
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					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/dono-da-natural-da-vaca-era-o-maior-beneficiario-de-desvio-do-dinheiro-do-leite-para-todos-aponta-a-pf/feed/</wfw:commentRss>
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		<title>Falta transparências nas assembleias legislativas, comprova levantamento nacional</title>
		<link>https://marcozero.org/falta-transparencias-nas-assembleias-legislativas-comprova-levantamento-nacional/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 May 2023 10:34:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[alepe]]></category>
		<category><![CDATA[corrupção]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[ranking]]></category>
		<category><![CDATA[transparência]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A organização não governamental Transparência Internacional &#8211; Brasil fez um levantamento das 27 casas legislativas do Brasil para analisar a transparência da atuação dos parlamentares e da administração das assembleias. O resultado foi desolador: 23 casas tiveram resultados considerados insatisfatórios e nenhuma delas pontuou como “ótima”. A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) ficou como “regular”, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A organização não governamental Transparência Internacional &#8211; Brasil fez um <a href="https://indice.transparenciainternacional.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">levantamento das 27 casas legislativas do Brasil </a>para analisar a transparência da atuação dos parlamentares e da administração das assembleias. O resultado foi desolador: 23 casas tiveram resultados considerados insatisfatórios e nenhuma delas pontuou como “ótima”. A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) ficou como “regular”, com uma nota de 45,2 de 100 pontos possíveis, ficando em 11ª entre as 27 casas analisadas.</p>



<p>Essa foi a primeira vez que a ONG avaliou os legislativos estaduais. Para elaborar o ranking, oito quesitos &#8211; ou dimensões, como são chamados no estudo &#8211; foram avaliados: Legislação, Plataformas, Governança, Transparência Legislativa, Transparência Administrativa, Comunicação, Participação e Engajamento, e Transformação Digital.</p>



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<p>Duas dimensões ganharam destaque:</p>



<p><strong>Transparência Administrativa</strong>: que diz respeito à gestão fiscal das assembleias, contratos, salários, licitações, despesas e receitas.</p>



<p><strong>Legislação: </strong>como vota cada parlamentar, quais as bancadas temáticas, as comissões que existem, os projetos de lei que estão sendo votados.</p>



<p>“Olhamos se todas essas informações estão públicas e se estão no formato adequado: se estão atualizadas, se há série histórica, se os dados estão disponíveis de forma aberta, em planilhas que possam ser comparadas com outras planilhas”, explica a coordenadora do Programa de Integridade e Governança Pública da Transparência Internacional &#8211; Brasil, Maria Dominguez.</p>



<p>Dez estados zeraram a pontuação em todos os itens sobre Legislação: Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Rondônia, Santa Catarina, Sergipe, Amazonas, Rio de Janeiro, Piauí e Acre.</p>



<p>Os principais pontos negativos da Assembleia Legislativa de Pernambuco, segundo Maria Dominguez, estavam presentes na maioria das assembleias do Brasil. “Os salários dos parlamentares de Pernambuco não são publicados nos formatos ideais. Só Ceará, Espírito Santo, Goiás e Mato Grosso publicam esses dados importantes de parlamentares e servidores com série histórica, que dá para fazer comparações ao longo do tempo, em dados abertos, gratuitos e com possibilidade de download. Pernambuco tem alguns dados abertos, mas outros não”, explica.</p>



<p>Outro dado importante para a transparência e que <a href="https://www.alepe.pe.gov.br/despesas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">não é encontrado na Alepe</a> são as informações sobre as cotas de exercício parlamentar: os gastos que deputados e deputadas podem fazer com viagens, acomodação, transporte, alimentação. Esses custos não estão disponíveis para o público em geral. </p>



<p>O estudo também verificou que nenhuma casa legislativa do Brasil tem leis sobre lobby. “É uma regulamentação que dá transparência para as reuniões entre os parlamentares e os grupos de interesse, que podem influenciar nas tomadas de decisões. Em uma democracia, não há problema que empresários, lobistas, sindicatos ou organizações da sociedade civil apresentem para os parlamentares os seus interesses e tentem influenciar o debate. O problema é a falta de transparência sobre essas reuniões. Quando esses encontros não são apresentados ao público, tornam o ambiente mais propício à influência indevida”, comenta a coordenadora.</p>



<p>A Alepe também não oferece nenhuma proteção para quem quer fazer uma denúncia, seja um cidadão comum, um servidor ou parlamentar. Nas transmissões de audiências públicas, com participação popular, a Alepe tirou uma pontuação parcial, que significa que tem o dado, mas não no formato adequado. Vale lembrar que a Alepe passou alguns meses sem transmitir as reuniões online. </p>



<p>Dos poucos pontos positivos na Alepe, há a facilidade em encontrar as comissões existentes e as bancadas temáticas. “É importante para saber quais os grandes temas que dividem os parlamentares nas assembleias. Encontramos também os assuntos que vão para votações do plenário, inclusive com alguma antecedência. Isso é bom para que o cidadão interessado possa acompanhar”, comenta Dominguez.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Governos foram avaliados no ano passado</h2>



<p>No ano passado, em junho, a <a href="https://indice.transparenciainternacional.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Transparência Internacional &#8211; Brasil fez um levantamento parecido</a>, avaliando a transparência dos governos dos estados. Na ocasião, o executivo de Pernambuco pontuou melhor que o legislativo, ficando na oitava colocação, com 74,3 pontos de cem, recebendo o conceito “bom”. Ao contrário do legislativo dos estados, cinco governos conseguiram o conceito &#8220;ótimo&#8221;.</p>



<p>“Depois dessa avaliação, agora em maio, o Governo de Pernambuco e a Controladoria Geral do Estado publicaram uma nova política de transparência que está em consulta pública. Há sinais de que há um investimento maior, um comprometido em aprimorar ainda mais a transparência do executivo”, diz Dominguez.</p>



<p>A especialista não vê uma correlação entre os resultados dos executivos e dos legislativos no Brasil. “Não tem uma relação muito clara, porque são poderes independentes, que podem ter lideranças bem diferentes. Mas em alguns estados vimos que ambos os poderes são muito transparentes. Por exemplo, no Espírito Santo e em Minas Gerais. Ambos foram primeiro e segundo lugares na avaliação do poder executivo e foram segundo e terceiro lugares na avaliação do poder legislativo. Mas, de modo geral, não dá para encontrar uma relação”, diz Maria.</p>



<p>No Nordeste, apenas o Ceará levou “bom” na avaliação do poder legislativo, ficando no quarto lugar do ranking. A Transparência Internacional &#8211; Brasil não fez nenhum cruzamento dos dados do ranking com o Produto Interno Bruto (PIB) ou o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), mas há pistas sobre a influência desses indicadores na transparência das casas legislativas.</p>



<p>“Por exemplo, quando olhamos para os dez estados do fim do ranking, vemos que só o Rio de Janeiro não é das regiões Norte e Nordeste. Essa relação, porém, não é determinante. Há estados como Rondônia, que é pequeno, e ficou em quarto lugar no ranking do poder executivo, em 2022. E São Paulo, que tem o maior PIB do país, ficou no meio da lista. Quando existe vontade política, mesmo um estado não sendo rico e tendo um nível de maturidade institucional menor, é capaz de tornar as políticas de transparência melhores”, diz.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Metodologia da avaliação</h3>



<p>Desenvolvido pela própria ong, o Índice de Transparência e Governança Pública (ITGP) foi lançado em 2021. No ano passado, o índice foi usado para avaliar, além das casas legislativas e dos governos estaduais, mais de 180 municípios de sete estados: Bahia, Espírito Santo, Pará, Paraná, Piauí, Rio Grande do Sul e São Paulo.</p>



<p>“A ideia do ITGP é avaliar qual a transparência daquele ente público, naquele determinado momento. Internacionalmente tem um índice bastante conhecido chamado IPC, Índice de Percepção da Corrupção, que compara mais de 180 países e territórios. No Brasil, vimos também a importância de trabalhar com entes subnacionais, justamente porque muitas vezes são esses governos estaduais e municipais que recebem menos fiscalização, controle social e monitoramento. Menos atenção de jornalistas e órgãos de controle. E é também onde existem mais falhas e lacunas na promoção da transparência”, explica Maria Dominguez.</p>



<p>Para a análise das casas legislativas, as informações foram buscadas em diversas fontes: portal oficial, portal da transparência, canais para pedidos de acesso à informação e denúncias (por exemplo, e-SIC, Ouvidoria e Fala.BR), portais de dados abertos, de licitações, de contratos e perfis em redes sociais e plataformas de mensagens. E também houve busca na legislação das casas.</p>



<p>A primeira etapa, de coleta, foi até dezembro do ano passado. Em março deste ano a Transparência Internacional entrou em contato com todas as casas legislativas para mostrar o resultado da avaliação e para que as casas pudessem apresentar pedidos de correção e/ou atualização dos dados.</p>



<p>No caso da Assembleia Legislativa de Pernambuco, a avaliação foi enviada para a ouvidoria e para a presidência da casa, comandada pelo deputado Álvaro Porto (PSDB). Não houve resposta ou pedido de retificação de nenhuma das duas instâncias.</p>



<p>“É um desafio que também estamos propondo: que as mesas diretoras, que foram eleitas recentemente, peguem esse relatório como um ponto de partida para a melhoria dos resultados”, afirma Maria Dominguez.</p>



<p><a href="https://comunidade.transparenciainternacional.org.br/itgp-legislativo-estadual-distrital-nota-metodologica" target="_blank" rel="noreferrer noopener">A metodologia completa poder ser baixada aqui. </a></p>



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<p></p>
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		<title>Por que Lula deve restaurar mecanismos de combate à corrupção e transparência desmontados por Bolsonaro</title>
		<link>https://marcozero.org/porque-lula-deve-restaurar-mecanismos-de-combate-a-corrupcao-e-transparencia-desmontados-por-bolsonaro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Dec 2022 18:49:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[controle]]></category>
		<category><![CDATA[corrupção]]></category>
		<category><![CDATA[governo Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[transparência]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Pedro Paz* O tema da corrupção foi, mais uma vez, expressivo nas majoritárias brasileiras deste ano. Para se ter uma ideia, nos dois turnos, de 16 de agosto a 30 de outubro, o assunto foi citado em 140 das 8.184 postagens do clã Bolsonaro nas redes sociais digitais Facebook, Twitter, Youtube, Instagram, Telegram e [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Pedro Paz*</strong></p>



<p>O tema da corrupção foi, mais uma vez, expressivo nas majoritárias brasileiras deste ano. Para se ter uma ideia, nos dois turnos, de 16 de agosto a 30 de outubro, o assunto foi citado em 140 das 8.184 postagens do clã Bolsonaro nas redes sociais digitais Facebook, Twitter, Youtube, Instagram, Telegram e Pinterest, segundo levantamento realizado no banco de dados Bolsodata, na plataforma <a href="http://metamemo.info/">Metamemo</a>, sistema que coleta, armazena, processa e visualiza as publicações de qualquer perfil.</p>



<p>Nos 30 dias seguintes, houve um apagão, uma queda vertiginosa de publicações da família que representa a extrema direita no país e que, agora, com menos poder e aliados, teme ter seus perfis suspensos. Foram exatamente 273 e nenhuma com referência ao assunto, o que reforça, que nunca houve uma preocupação real com a questão e que a temática tem sido instrumentalizada para desqualificação de opositores e instigar e fornecer material de campanha para sua base, com fins apenas eleitoreiros.</p>



<p>Até porque o clã Bolsonaro nunca foi flor que se cheire. Os integrantes da família são envolvidos em inúmeros casos de corrupção. Em contraponto aos seus sistemáticos ataques, o <a href="https://institutolula.org/">Instituto Lula</a> listou 17 episódios em outubro, de propina no pneu a ônibus superfaturado, passando por rachadinha e 51 imóveis comprados com dinheiro vivo.</p>



<p>De todo modo, a corrupção deve permanecer em pauta na esfera pública brasileira e não só pelo fato de terroristas brancos e de classe média desconsideraram a anulação das condenações do Lula e insistirem em não aceitar o resultado do pleito. Sob o fantasma da Lava Jato, que culminou na sua prisão de 580 dias, o presidente eleito se tornou alvo de críticas por viajar à COP27 em um jatinho do empresário José Seripieri Filho, fundador da Qualicorp e dono da QSaúde, preso em julho de 2020, em um desdobramento da operação liderada pelo ex-juiz federal Sérgio Moro.</p>



<p>Nesta transição entre governos, também já foi apontado que a equipe de transição de Lula tem ex-ministros presos ou denunciados por corrupção, como Guido Mantega e Paulo Bernardo. Em seu discurso de diplomação, no dia 12 de dezembro, Lula foi acusado de silenciar sobre a temática. Em entrevista à Folha de SP, na quinta-feira, 15, a deputada federal reeleita Tábata Amaral (PSB-SP), da base do Lula, cobrou dele combate à corrupção. Afinal, como deve ser tratada a corrupção no governo Lula 3?</p>



<p>Para o professor associado do Departamento de Ciências Sociais e do Programa de Pós-graduação em Ciência Política e Relações Internacionais da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), José Henrique Artigas de Godoy, o tema da corrupção deve ser enfrentado de forma racional e republicana, ou seja, de maneira habitual e democrática, adequada aos parâmetros modernos e institucionais, no sentido de restaurar mecanismos de transparência e de controle desmontados pelo governo Bolsonaro.</p>



<p>Seguindo uma plataforma de promoção de <em>accountability</em>, no entendimento de Artigas, deve ser recomposta a plataforma Transparência Brasil, de acompanhamento de gastos do governo em tempo real, assim como devem ser derrubados os decretos de sigilo, que contraditam o princípio republicano. Na mesma direção, devem ser recompostos os meios de garantia de acesso à informação e reforçados os instrumentos de controle da Controladoria-Geral da União (CGU) e das corregedorias das polícias.</p>



<p>Não obstante, o papel de controle, no ponto de vista do cientista político, não pode se dar apenas com esforços do Executivo, visto que o Ministério Público (MP) e o Judiciário também devem ter ações de recomposição ou aperfeiçoamento de mecanismos de controle. Contudo, segundo José Henrique Artigas de Godoy, nenhuma reforma do Judiciário está em pauta e não há que se ter esperanças de exercício do controle por parte do Ministério Público Federal, ao menos não enquanto Augusto Aras permanecer à frente da Procuradoria Geral da República. Afinal, ele já deixou evidente não ter nenhum interesse em investigar as centenas de denúncias apresentadas ao órgão que dirige.</p>



<p>“De forma absolutamente nítida o referido procurador vem, desde o início de seu mandato, agindo como se fosse um representante do governo e não do Estado, como prescrito na Carta constitucional, de forma que sua ação vem sendo omissa, leniente, complacente e, em muito grau, cúmplice das reiteradas ilegalidades executadas pelo presidente e seus aliados”, critica Artigas.</p>



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	                                        <p class="m-0">José Henrique de Godoy. Crédito: Acervo pessoal</p>
	                
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<p>Na avaliação do também líder do Grupo de Estudos e Pesquisas em Pensamento Social e Político Brasileiro, também não há como esperar que, nestes poucos dias antes do fim do mandato de Bolsonaro, seja dado início à investigação de denúncias encaminhadas à mesa diretora da Câmara sobre crimes de responsabilidade executados pelo presidente, visto que, após mais de 150 denúncias, o presidente Arthur Lira não levou a cabo qualquer ação no sentido de apurar denúncias de corrupção.</p>



<p>“Não o fará no apagar das luzes do governo. Também não se pode esperar que órgãos de controle, como o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), exerçam seus papéis de controle como prescreve a Constituição e as normas reguladoras do MP. Estes órgãos jamais executaram ações efetivas de controle. Desde suas criações, ambas as instituições não promovem <em>accountability</em>, não executam controle e não punem os membros de suas corporações”, desaprova o professor e pesquisador da federal paraibana.</p>



<p>Artigas de Godoy destaca que esses órgãos não fomentam meios de transparência, de controle ou responsabilização. “São órgãos a serviço dos interesses corporativos dos membros do MP e da magistratura e não dos interesses da República, chancelando toda sorte de abusos de poder ou corrupção, fomentando a impunidade e, com isso, estimulando a ação ilegal reiterada dos membros das corporações que deveriam controlar, como já comprovado em estudos publicados por reconhecidos acadêmicos que estudaram sistematicamente as ações do CNMP e do CNJ desde a criação destas instâncias que deveriam ser de controle, mas nunca assumiram, de fato, este papel”.</p>



<p>Assim, se o Legislativo, via Congresso e Tribunal de Contas, não teve qualquer ação republicana de controle desde o governo Temer, não há que se esperar que agora passe a ter, na opinião de Artigas. E quanto à próxima legislatura, na concepção dele, não há como saber de antemão qual será a ação dos novos deputados e senadores, o que em grande medida dependerá da recondução ou não de Lira e Pacheco à frente das mesas diretoras da Câmara e do Senado, respectivamente.</p>



<p>“Se não há nenhuma indicação de que o Legislativo ou o MP venham a executar efetivamente seus respectivos papéis até, pelo menos, a substituição de Lira e Aras, tampouco pode-se esperar uma mudança de procedimentos de órgãos como o CNMP e o CNJ, restando apenas a expectativa de que os esforços do novo governo conduzam a um reforço dos meios de controle e responsabilização, alterando a composição da Polícia Federal (PF), da CGU e das Corregedorias, tornando-as mais efetivas no combate à corrupção, contraditando a omissão interessada, complacente, anuente e cúmplice de crimes contra a administração pública, como caracterizada nos últimos anos, sob os governos de Temer e, principalmente, Bolsonaro”, aponta o acadêmico.</p>



<p>Na análise de Artigas de Godoy, pode-se esperar do próximo Executivo uma ação mais condizente com o combate à corrupção, contudo, nada sugere que o mesmo possa ser afirmado quanto às perspectivas futuras de controle a serem executadas pelo Legislativo, pelo MP ou pelo Judiciário.</p>



<p>“Sem reformas que permitam um efetivo papel de controle do CNMP ou do CNJ, só poderemos esperar destes órgãos mais do mesmo, qual seja, mais impunidade e corporativismo, na contramão da <em>accountability</em>. Espera-se uma melhora relativa no tangente ao exercício da transparência, controle e responsabilização, mas apenas na arena das ações do Poder Executivo pois, no campo dos demais Poderes, infelizmente, teremos certamente que conviver com a complacência com o crime por parte de agentes públicos, inclusos promotores, procuradores e magistrados”, finaliza o cientista político.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Uma espécie de panaceia</strong></h2>



<p>Tássia Rabelo de Pinho é professora-adjunta do mesmo departamento e programa de pós-graduação em que Godoy leciona. Na visão dela, Bolsonaro mobiliza o discurso anticorrupção tal como Carlos Lacerda mobilizava contra Getúlio, o PSDB contra o PT e o próprio PT, na sua primeira década e meia fazia em relação à elite política.</p>



<p>“Trata-se de uma espécie de panaceia, causadora de todos os males que, caso venha a ser enfrentada, resolverá todos os problemas do país, o que sabemos não ser real. A corrupção precisa ser investigada e punida, e não tratada como espetáculo e trampolim eleitoral”, afirma a docente.</p>



<p>Tássia Rabelo de Pinho recupera que o pleito de 2022 guarda muitas diferenças em relação ao anterior, mas também semelhanças. A primeira diferença notável, não apenas em relação ao anterior, mas em relação à toda história do Brasil, foi a disputa entre o atual presidente da república e um ex-presidente, fato inédito com resultado também inédito, posto que nenhum candidato no cargo de presidente jamais perdeu a eleição.</p>



<p>Outra diferença que ela destaca é em relação às condições em que Bolsonaro chegou à disputa. Aquele candidato de um partido nanico, com poucos segundos de TV e rádio, que dizia que não faria o que chamava de “toma lá dá cá” em relação aos partidos e atacava o Centrão, não existia mais.</p>



<p>“Bolsonaro entrou no jogo e, após ficar dois anos sem partido, se filiou ao PL do Valdemar da Costa Neto. Entretanto, mesmo com a máquina, a caneta, o orçamento secreto, recursos vultosos e o próprio PL, Bolsonaro seguiu conseguindo se fazer reconhecer como um candidato anti-establishment. Algo que foi fundamental na construção da sua persona no pleito anterior e para a sua conexão com aqueles que são contra 1tudo isso que está aí’”, examina a professora da UFPB.</p>



<p>Tássia Rabelo de Pinho explica que a narrativa anticorrupção serviu ao aumento do antipetismo, a esse ressentimento de antigos apoiadores do PT, mas não está ancorada na concretude dos fatos e pode ser facilmente escanteada em nome de outros aspectos que constituem a liga do Bolsonarismo. “O que quero dizer é que a corrupção tem um papel importante do ponto de vista retórico, para justificar as posições tomadas, mas não me parece ser o fator de amálgama do bolsonarismo”.</p>



<p>A professora e pesquisadora da UFPB reconhece que, quando há investigações, há também um maior acesso à informação em relação à corrupção, que não necessariamente significa o aumento do fenômeno, mas da sua exposição. Entretanto, para ela, essa é apenas uma parte da história.</p>



<p>“Não podemos deixar de lembrar do papel que o oligopólio da mídia cumpriu ao longo de quase duas décadas na espetacularização de investigações tratadas como sentenças, e na ausência do questionamento em relação aos abusos cometidos ao devido processo legal. A solução para isso não é simples, particularmente porque hoje a produção de conteúdo não é mais monopolizada pelos veículos de comunicação tradicional que há muito deveriam ter sido regulamentados.”</p>



<p>A disseminação de <em>fake news</em> e a lógica imediatista e superficial das redes sociais contribuem, na concepção de Tássia Rabelo de Pinho, para o aprofundamento dessa lógica que, se antes, visava a audiência, para além de interesses diretamente econômicos e políticos, agora está ancorada na economia da atenção, nos <em>clickbaits</em> (ou “caça-clique”, conteúdo da internet que é destinado à geração de receita de publicidade on-line) e, mais uma vez, em interesses econômicos e políticos.</p>



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	                                        <p class="m-0">Tássia Rabelo de Pinho. Crédito: Acervo pessoal</p>
	                
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<p>Especificamente sobre Bolsonaro, a cientista política julga que ele não é uma ameaça e sim um agente de desconstrução da democracia. “Ao defender torturadores e a ditadura civil-militar brasileira, aprofunda ainda mais o déficit que temos em relação ao direito à memória, verdade e justiça. Ao questionar a legitimidade do processo eleitoral e se calar diante da vitória de Lula, coloca uma sombra sobre o sistema dado que, como aponta Dahl, o consenso em relação às regras do jogo e o reconhecimento da derrota por parte dos perdedores são elementos fundamentais para continuidade da democracia”. O Dahl mencionado pela entrevistada é o norte-americano <a href="https://www.conjur.com.br/2012-nov-18/embargos-culturais-ameircano-robert-dahl-conceito-poliarquia">Robert Dahl</a>, cientista político da Universidade de Yale, falecido em 2014.</p>



<p>Para além desses fatos, ela ressalta inúmeras atitudes durante sua gestão que poderiam ser consideradas antidemocráticas, o que inclusive é reconhecido pelo relatório do <a href="https://freedomhouse.org/"><em>Freedom House</em></a>. “De maneira sintética poderíamos citar o sigilo de cem anos, a desconstrução de mecanismos de participação social, os diversos incentivos, retóricos e materiais, à violência política, intimidações à Suprema Corte, entre outros”.</p>



<p>A defesa da democracia, ainda que tenha sido parte central do processo de mobilização de parte das forças progressistas, é um conceito abstrato para grande parte das pessoas, eleitoras de Bolsonaro ou não, entende a professora. “Por mais que existam setores fascistas dentre aqueles que apoiam o presidente derrotado, parte considerável da sua base vota em função de outros aspectos que constituem seu discurso, tais como a defesa da família, da religião, o populismo penal”.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><br><strong>Crise ética e estética</strong></h3>



<p>De modo geral, as 140 postagens do clã Bolsonaro nas redes sociais sobre corrupção, durante as eleições deste ano, visaram desqualificar a campanha do Lula, com uso de imagens de divulgação do opositor ou do jornalismo de referência como a Folha de S. Paulo. Eram publicadas em diferentes horários, principalmente à noite, quando a base mão estava mais em horário de trabalho e, consequentemente, disponível para disseminar as mensagens. A depender da rede social, as reações ultrapassavam a casa das 400 mil, com mais de 30 mil comentários e compartilhamentos, com a ajuda, evidentemente, de influenciadores e apoiadores.</p>



<p>Para Isabella Valle, Professora Adjunta do Departamento de Comunicação e do Programa de Pós-graduação de Comunicação da UFPB, a atuação de Jair Bolsonaro em redes sociais digitais pode ser caracterizada por uma crise ética e estética, que permeia conteúdos deliberadamente falsos e contraditórios e que ludibria sobretudo um tipo de público não nativo do ambiente digital. “São sugestões, montagens, negações, pouco sutis, que visam a convencer e incutir o estado de crise nas pessoas. Ele instaura o caos, a desconexão, e vem caoticamente se colocar como solução, como única conexão possível”.</p>



<p>No entendimento dela, o discurso anticorrupção nas comunicações do Bolsonaro em redes sociais digitais é hipócrita propositadamente porque cria associações rápidas e fáceis para o juízo popular (tipo lula-presidiário ladrão), apaga qualquer transparência de sua gestão e performa como se o tema não abrangesse nenhuma complexidade.</p>



<p>Os algoritmos das redes sociais, inclusive, reforçam a chegada de certo discurso a públicos-alvo específicos, no entanto tivemos nova resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que acelerou a retirada de <em>fake news</em> de sites e redes sociais, um importante legado destas eleições. No entanto, Isabella Valle afirma que falta educação digital.</p>



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	                                        <p class="m-0">Isabella Valle. Crédito: Acervo pessoal</p>
	                
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<p>“Temos uma era pós-massiva na comunicação funcionando ainda sob uma mentalidade de massa. Por isso ainda afeta deste modo. Não acho que isso é verdadeiro para qualquer público. Os jovens, nativos digitais, já entendem melhor como é viver na era da pós-verdade, o que atenua a força das <em>fake news</em>. Mas o pensamento moderno, massivo, ainda é predominante e tudo que cola nele serve como uma luva para disseminar falsidades”.</p>



<p>Acusação de censura à rádio Jovem Pan e de suposto favorecimento ao ex-presidente Lula nas inserções de rádio no Nordeste mostraram que meios de comunicação tradicionais como o rádio ainda são relevantes e retomam a necessidade de debate sobre a regulação da mídia, em um contexto de desertos de notícias e de 30 milhões de pessoas sem acesso à internet.</p>



<p>“O rádio é uma mídia superimportante, nunca deixou de ser, inclusive ganha força com a cultura de podcasts. A oralidade é a forma de comunicação mais amiga, mais simpática. A falsa ideia de censura é fruto de um descaso governamental em relação à regulação da mídia. Há uma revolução midiática em curso e uma crise também das instituições tradicionais, não do jornalismo em si. É preciso repensar tudo, liberar a imprensa, mas mantendo seu compromisso público, que é informar, checar, mediar”.</p>



<p>Iniciativas de checagem de fatos ganharam destaque nestas eleições também. Contudo, principalmente nos debates televisivos, eleitores cobraram que o que é dito passe por checagem instantânea. Na avaliação da professora e pesquisadora da UFPB, a checagem em tempo real é possível porque normalmente os fatos apresentados nos debates são previsíveis. “Mas esse não seria o ‘futuro’ do jornalismo, porque [a checagem] é sua própria alma, desde sempre, sua permanência, sua sobrevivência, seu sentido de existir”.</p>



<p>Em algum momento, nós, eleitores, parecíamos incomodados, exaustos e, em algum grau, adoecidos com uma campanha tão longa, agressiva e com excesso de informações. “O mundo vive uma era dos excessos, de trabalho, de informação, de consumo. Isso tudo nos tira do eixo, do centro e afeta porque nos deixa vulneráveis. É menos custoso ir pelo caminho mais fácil, que demanda menos energia, depois de investirmos tanta força na validação de nossa existência neste mundo, nesta era”.</p>



<p>*<strong>Pedro Paz é jornalista e doutorando em Antropologia pela UFPB e produziu esta reportagem especial com uma bolsa da Metamemo, em parceria com a Associação Brasileira de Imprensa (ABI).</strong></p>



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		<title>Chuva não atrapalha e protesto Fora Bolsonaro já está nas avenidas do centro do Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/chuva-nao-atrapalha-e-protesto-fora-bolsonaro-ja-esta-nas-avenidas-do-centro-do-recife/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 03 Jul 2021 13:57:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Choveu a madrugada toda em Recife. A chuva persistiu até pouco antes do horário marcado para o início da concentração. Mas, bastou um pouco de sol para que os manifestantes começassem a chegar na praça do Derby para participar do protesto “Fora Bolsonaro” deste 3 de julho. O primeiro grupo a marcar presença com suas [&#8230;]</p>
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<p>Choveu a madrugada toda em Recife. A chuva persistiu até pouco antes do horário marcado para o início da concentração. Mas, bastou um pouco de sol para que os manifestantes começassem a chegar na praça do Derby para participar do protesto “Fora Bolsonaro” deste 3 de julho.</p>



<p>O primeiro grupo a marcar presença com suas camisas bandeiras azuis, pouco depois das 8h, foi o dos jovens da União dos Estudantes de Pernambuco (UEP). A presidente da entidade, Stephannye Vilela, esteve no ato de entrega do superpedido de impeachment de Jair Bolsonaro, e disse ser favorável à participação da centro e da direita não bolsonarista junto com as organizações de esquerda: “Nesse momento, o que importa é tirar do poder esse presidente irresponsável. Se você é a favor disso, então venha, junte-se a nós”.</p>



<p>O motorista Givaldo Ferreira, de 63 anos, nem chegou a escutar o convite da presidente da UEP. Pela primeira vez na vida, ele decidiu ir às ruas protestar contra um governante e levou junto a filha Suellen, de 32 anos, e a neta Júlia, de 13 anos, que também estrearam em um protesto. “Eu não sou de me manifestar, mas desta vez eu vir porque a vida não importa pra quem tá dirigindo o país. Ele primeiro disse que pra a gente ir comprar vacina na casa da mãe e perguntou pra que tanto vexame pra comprar vacina, mas aí agora a gente vê que tinha gente do governo se beneficiando com isso”, disse Ferreira.</p>



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	                                        <p class="m-0">Pela primeira vez na vida, Givaldo Ferreira e a família participaram de um protesto de rua contra o governo. (Crédito: Laércio Portela/MZ)</p>
	                
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<p>Às 10h10min, Ferreira e sua família ergueram os cartazes artesanais que fizeram em casa e se juntaram à passeata que começou a se mover, atravessando a avenida Agamenon Magalhães em direção ao centro do Recife. Ao redor da família novata na manifestação, predominavam faixas e símbolos sempre presentes nos atos contra o governo Bolsonaro: Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MTST), movimento estudantil, organizações indígenas, grupos de mulheres, militantes antirracistas, partidos de esquerda e centro-esquerda.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Clima de paz no início</h2>



<p>Mais uma vez, agentes de conciliação da ouvidoria da Secretaria de Defesa Social (SDS-PE) também estavam presentes usando jalecos e em contato com os advogados voluntários para dar assistência jurídica em caso de violência policial. Todos os policiais usavam tarjeta de identificação e os Batalhões de Choque e de Radiopatrulha não foram mobilizados para atuar na segurança do protesto.</p>



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		<title>Em Angola, a Odebrecht no espelho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Feb 2016 19:31:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Como a empreiteira brasileira tornou-se sustentáculo do regime autoritário de José Eduardo dos Santos por Eliza Capai, Natalia Viana para Agência Pública Do seu amplo escritório no oitavo andar do prédio que sedia a operação da Odebrecht em Angola, Antônio Carlos Dahia Blando observa, numa manhã de setembro de 2015, as avenidas circulares do bairro [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr" style="line-height: 1.74545; margin-top: 10pt; margin-bottom: 0pt; text-align: left;"><em><span style="font-size: 18.6667px; font-family: Arial; color: #434343; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Como a empreiteira brasileira tornou-se sustentáculo do regime autoritário de José Eduardo dos Santos</span></em></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 2.4; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: left;"><span style="font-size: 16px; font-family: Arial; color: #434343; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">por </span><a style="text-decoration: none;" href="http://apublica.org/autor/eliza-capai/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Arial; color: #e15a2d; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Eliza Capai</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Arial; color: #434343; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">, </span><a style="text-decoration: none;" href="http://apublica.org/autor/natalia-viana/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Arial; color: #e15a2d; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Natalia Viana</span></a></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 2.4; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: left;"><span style="font-size: 16px; font-family: Arial; color: #434343; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">para <a href="http://apublica.org" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Agência Pública</a></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Do seu amplo escritório no oitavo andar do prédio que sedia a operação da Odebrecht em Angola, Antônio Carlos Dahia Blando observa, numa manhã de setembro de 2015, as avenidas circulares do bairro de Talatona, a zona sul de Luanda, apinhada de Toyotas 4×4 prateados que margeiam os prédios de luxo, envidraçados, ao lado dos quais um exército de gruas anuncia os empreendimentos que estão por vir. “Luanda Sul é nossa criação”, diz. Pouco antes, ao chegar ao local, o executivo solta galanteios a todas as funcionárias – faz piadinhas, beija as mãos da secretária, faz questão de tomar os braços da jornalista – enquanto avisa: “Tenho que sair às 11h30, reunião com o ministro da Administração do Território. Um homem muito bom, muito capaz mesmo”.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Dahia, superintendente da gigante brasileira em Angola, é um homem moreno, de óculos, com um sorriso suave que encarna o “espírito de servir”, mandamento número um da companhia que tem no país africano sua segunda maior operação fora do Brasil. O mandamento, ali, significa servir bem o seu principal cliente, o governo do presidente José Eduardo dos Santos, no poder há 36 anos. Segundo maior exportador de petróleo da África, Angola é tido como um dos países </span><a style="text-decoration: none;" href="http://www.voaportugues.com/content/transparencia-internacional-coloca-angola-no-grupo-dos-paises-mais-corruptos-do-mundo/3164814.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">mais corruptos</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"> do mundo, </span><a style="text-decoration: none;" href="http://www.africaneconomicoutlook.org/en/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">tem quase 36%</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"> da população vivendo abaixo da linha da pobreza, e possui a pior taxa de </span><a style="text-decoration: none;" href="http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2015/05/06/rica-em-petroleo-angola-tem-a-pior-taxa-de-mortalidade-infantil-do-mundo.htm" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">mortalidade infantil</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">, ao mesmo tempo que a filha primogênita do presidente, Isabel dos Santos, é celebrada como a mulher mais rica do continente.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">No país desde 1984, ano em que assinou o contrato para construir a hidrelétrica de Capanda, a Odebrecht conquistou uma invejável fidelidade do Estado angolano. Construiu muitas das principais obras estratégicas depois da independência e é, ainda hoje, a maior empregadora privada do país, com 12 mil funcionários, além de 5 mil subcontratados, segundo seu relatório anual. Em 2014, US$ 1 em cada US$ 10 dólares gastos pelo governo em infraestrutura foi parar nos bolsos da Odebrecht. “Ano passado o governo angolano investiu US$ 15 bilhões em infraestrutura. A gente teve uma atuação importante: US$ 1,5 bilhão é um número significativo, basicamente em função de projetos grandes como Cambambe, Laúca e a refinaria de Lobito”, detalha Dahia.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Cambambe é a segunda maior hidrelétrica do país, em processo de renovação e ampliação. A refinaria de Lobito traz a promessa de finalmente Angola produzir derivados do petróleo em vez de apenas exportar o óleo cru. Laúca é a cereja do bolo: maior obra de construção civil no país, promete dobrar a capacidade de fornecimento de energia. Hoje, apenas 30% da população tem luz, e mesmo assim recalcitrante, obrigando quase toda a economia a rodar à base de geradores. “A gente cresceu cerca de 30%, 35% graças aos empreendimentos da área de energia”, diz Dahia. “Mas nesses 30 anos foram os pequenos projetos onde colocamos a bandeira Odebrecht, Odebrecht, Odebrecht que fizeram a nossa história.”</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Essas “bandeiras” estão por toda parte. Os varredores das ruas do bairro da Maianga, no centro de Luanda, trazem uniformes laranja com o logotipo da Odebrecht. Nos outdoors por toda a cidade, o logo ilustra anúncios de condomínios de luxo onde uma casa pode custar US$ 3 milhões para os filhos da pequena elite e diretores de multinacionais estrangeiras. Na baía de Luanda, diante das demolições de antigas favelas, ou </span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; font-style: italic; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">musseques</span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">, lá está de novo a placa da Odebrecht, contratada para construir a nova avenida Marginal. Aliás, boa parte da capital foi erguida por ela: construiu as principais estradas de Luanda – Via Expressa, Estrada do Samba, autoestrada periférica – e fez o parco sistema de saneamento e distribuição de água. A rede de supermercados Nosso Super, espalhada por todo o país, é sua concessão. Ela é uma das donas da maior operação diamantífera angolana, a quarta maior mina de diamante kimberlito do mundo. É dela o único açúcar fabricado no país – da marca “Kapanda”, embalado em saquinhos brancos e vermelhos, produto da usina Biocom, uma sociedade com a estatal Sonangol e um influente general.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Dahia despede-se da reportagem lendo com candura um trecho da TEO,</span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; font-style: italic; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Tecnologia Empresarial Odebrecht</span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">, livro escrito pelo patriarca Norberto Odebrecht no século passado, a bíblia do núcleo duro do conglomerado empresarial, que ele guarda num armário do escritório, com anotações nos cantinhos das páginas. Em três volumes, a TEO versa sobre “a tarefa empresarial de identificar, conquistar, satisfazer o cliente e com este criar laços duradouros” e ensina: “O ato mais nobre de um Ser Humano é servir a seu semelhante”.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Todo ano o patrono Emílio Odebrecht se reúne com o presidente angolano no palácio, em Luanda, por cerca de duas horas para prestar contas sobre os negócios em andamento. Suas declarações à saída são assunto de manchete dos veículos oficiais. “Uma vez ao ano nos encontramos com o Presidente da República, para o ponto de situação das metas traçadas no ano anterior e perspectivar os próximos 12 meses”, afirmou ao portal </span><a style="text-decoration: none;" href="http://www.portalangop.co.ao/angola/pt_pt/noticias/politica/2014/8/38/Angola-Presidente-Republica-inteira-desempenho-Odebrecht,ecb23249-9679-442f-b643-1e1fa5e7d535.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Angop</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"> em setembro de 2014.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">A Odebrecht integra também </span><a style="text-decoration: none;" href="http://www.fesa.og.ao/fundacao/orgaos.htm" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">a Assembleia Geral</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"> e o Conselho Fiscal da Fundação Eduardo dos Santos, a Fesa, a maior ONG de Angola, fundada pelo mandatário com a missão de consolidar o progresso social, cultural e científico. Além da companhia brasileira, o conselho fiscal da fundação é integrado por três estatais angolanas e a petrolífera Texaco, entre outras. “Não vemos conflito de interesses, tendo em vista que a Fesa é uma instituição sem fins lucrativos voltada para o desenvolvimento do povo angolano, sob diversas vertentes, e que não está subordinada ao governo”, diz a empresa.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">A parceria de longa data rendeu uma homenagem inesperada em meados de 2013, quando o reservado presidente, na sua </span><a style="text-decoration: none;" href="http://jornaldeangola.sapo.ao/entrevista/entrevista_na_integra_do_chefe_de_estado_a_sic" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">primeira entrevista</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"> em 22 anos, citou uma – apenas uma – empresa: a Odebrecht. “De Angola saíram muitos escravos que foram enviados para o Brasil, portanto, há uma participação angolana na formação da nação brasileira. Há afinidades de vário tipo, por conseguinte há relações pessoais entre os dois países. Por isso as relações são de forte amizade, de alguma cumplicidade. E são relações econômicas que se estendem em várias áreas de atividade. Estão aqui empresas fortes, como sublinhou, como é o caso da Odebrecht, desde os tempos mais difíceis da guerra e que tem dado uma contribuição enorme no processo de construção de Angola. Participou no grande esforço de reconstrução nacional e agora tem procurado reinvestir parte do que ganha cá para realizar vários negócios que são úteis, naturalmente, para Angola.” O estatal </span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; font-style: italic; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Jornal de Angola</span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">, único diário do país, em sua versão impressa suprimiu a menção “relações pessoais” e “alguma cumplicidade”.</span></p>
<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/02/a2.jpg"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1667" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/02/a2.jpg" alt="a2" width="964" height="542"></a>
<h3 dir="ltr" style="line-height: 1.2; margin-top: 15pt; margin-bottom: 30pt; text-align: center;"><span style="font-size: 24px; font-family: 'Trebuchet MS'; color: #333333; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Alguma cumplicidade</span></h3>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">“O dia foi de festa em Capanda. Nessa época do ano, ao amanhecer uma espécie de névoa encobre a barragem e as águas revoltas do rio Kwanza e cria uma atmosfera de sonho. Os que se tinham empenhado com teimosia para a realização daquele projeto faziam contas à vida e não despregavam a vista do local. Angola estava finalmente em paz e havia a perspectiva de desenvolvimento com disponibilidade de energia.” Assim o vistoso livro publicado pela Odebrecht em celebração dos 25 anos no país descreveu o enchimento do reservatório da hidrelétrica de Capanda em 2002. As cerimônias não acabaram aí; em 2005, duramente os eventos de celebração de 30 anos desde a independência, José Eduardo dos Santos e diversos ministros </span><a style="text-decoration: none;" href="http://www.portalangop.co.ao/angola/pt_pt/especiais/historico/angola-30-anos/2005/10/45/Primeira-fase-barragem-Capanda-inaugurada-pelo-Chefe-Estado-angolano,6a01b4cc-8cb2-44b0-909d-a3b075b04ab6.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">inauguraram</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"> a primeira fase da barragem da hidrelétrica. Cinco anos depois, em 2010, o presidente </span><a style="text-decoration: none;" href="http://www.gamek.co.ao/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=48:presidente-da-republica-inaugura-primeira-fase-da-central-hidroelectrica-de-capanda&amp;catid=16:capanda" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">voltou</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"> para inaugurar o arranque das primeiras turbinas.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">A promessa, como já se viu, não se concretizou: mais de dois terços da população angolana seguem sem luz. Mas a história de Capanda, primeira grande obra da empreiteira no país, ainda hoje é recontada em tons épicos na literatura institucional da Odebrecht.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Para ganhar o contrato, a empresa contou com apoio da ditadura brasileira durante os governos dos generais Ernesto Geisel e João Batista Figueiredo. “É uma empreiteira brasileira que cresceu na ditadura. O grande salto da Odebrecht foi início da década de 1970, durante o governo Geisel”, explica o historiador Pedro Campos, autor do livro </span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; font-style: italic; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Estranhas catedrais – As empreiteiras brasileiras e a ditadura civil-militar</span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">. Ele mostra que a construção das usinas nucleares de Angra valeu à Odebrecht a confiança dos generais. “São obras do escopo da segurança nacional, contratos que os militares não deixariam para qualquer um. Era a empresa em que os militares confiavam para fazer isso.”</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Em 1975, o governo Geisel havia sido o primeiro a reconhecer a independência de Angola. Ao mesmo tempo, a Odebrecht começava a se internacionalizar, a partir de um contrato no Peru. Mas Capanda foi um salto e tanto: para viabilizá-la, a Odebrecht literalmente convenceu o governo ditatorial a financiar a operação.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">“A superação da questão do financiamento da obra foi alcançada quando Marc Altit, que atuava como diretor de desenvolvimento de negócios na área internacional da Odebrecht, estruturou um contrato inovador, com muitas variáveis e um mecanismo de garantia: o petróleo produzido em Angola. A ideia foi apresentada ao governo brasileiro, que, embora resistisse à novidade, via com bons olhos a perspectiva de contar com uma fonte fiável de petróleo numa fase em que os preços internacionais estavam elevados e havia grande disputa pelo produto”, relata Luiz Almeida, que na época era vice-presidente de Desenvolvimento Internacional da Odebrecht, em uma publicação institucional. O atual</span><a style="text-decoration: none;" href="http://odebrecht.com/sites/default/files/ra-odebrecht-2014-final_pdf_site_pt.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">membro</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"> do Conselho de Administração prossegue: “Em abril de 1983, o ministro Delfim – o mais importante membro da comitiva do presidente do Brasil, João Batista Figueiredo, em visita oficial ao México – fez a gentileza de me receber no hotel em que estava hospedado, em Cancún, e afirmou que, ao regressar ao Brasil, formalizaria a autorização para a operação de crédito para Capanda, a ser compensado com </span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; font-style: italic; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">barter</span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"> de petróleo angolano para a Petrobras.” Segundo </span><a style="text-decoration: none;" href="http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/35078/000794257.pdf?se" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">a tese de doutorado</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"> de Joveta José, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a linha de crédito brasileira para a construção de Capanda acabou absorvendo recursos superiores a US$ 1,5 bilhão. Outros contratos semelhantes haviam sido estruturados pela ditadura no Iraque. O país enviava petróleo e recebia em troca obras de infraestrutura.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Do lado de lá, a Odebrecht convenceu o governo angolano de que seria mais proveitoso construir uma nova hidrelétrica do que ampliar a de Cambambe, já em funcionamento. “Trabalhamos para mostrar ao governo angolano que o investimento prioritário deveria ser em Capanda. Quando a decisão foi tomada, fui convidado ao gabinete do ministro do Plano, Lopo do Nascimento, que me deu pessoalmente a notícia de que Capanda tinha sido colocada como prioridade, porque fora convencido por nossos argumentos”, descreve Luiz Almeida. Outro argumento irrecusável era a oferta do governo russo de financiar os serviços e o equipamento enviado pela empresa estatal Technoexport, que já era sócia da Odebrecht no Peru. Faltava ainda algo essencial: construir o próprio cliente. Luiz relata ter convencido o ministro de Energia e Petróleos a estabelecer uma autarquia estatal para ser responsável pela obra. E facilitou um convênio com a estatal Furnas para auxiliar tecnicamente na implementação da nova entidade, o Gamek – Gabinete de Aproveitamento do Médio Kwanza.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="color: #111111; font-family: Calibri; font-size: 16px; white-space: pre-wrap; line-height: 1.38;">Angola estava, àquela altura, em meio a uma guerra civil em que diferentes guerrilhas disputavam o controle do território. A Unita, apoiada pelas forças do governo do apartheid, na África do Sul, e pelos Estados Unidos, controlava parte do leste do país, enquanto o governo marxista do MPLA tinha controle sobre a capital, Luanda, com apoio cubano. Uma empreitada no interior do país só seria possível com amplo apoio do lado que seria o vencedor militar da guerra. “Autorizado por Emílio Odebrecht, liguei para o coronel António dos Santos França N’Dalu, então chefe do Estado-Maior das Fapla [Forças Armadas Populares de Libertação de Angola], amigo com quem eu compartilhava conversas e histórias”, prossegue o relato de Luiz Almeida. N’Dalu se tornaria o “general dos generais”, servindo duas vezes como vice-ministro da Defesa.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="color: #111111; font-family: Calibri; font-size: 16px; white-space: pre-wrap; line-height: 1.38;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">“Após um breve silêncio, o coronel N’Dalu afirmou que implementaria as medidas necessárias para a segurança da construção da usina. E assim, finalmente, chegamos a Capanda”, descreve Luiz Almeida. N’Dalu estabeleceu um gabinete militar comandado pelo capitão Jorge Silva “Sapo”, </span><a style="text-decoration: none;" href="http://angola-luanda-pitigrili.com/angola-luanda-pitigrili/a-primeira-vitoria-sobre-as-forcas-sul-africanas/2015/10/africa-2/angola" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">membro</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"> do Estado-Maior da Frente Centro da Fapla. Com a nova posição estratégica, “Sapo” foi promovido a major (tem fotos dele).</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Capanda era alvo estratégico na guerra e chegou a ser interrompida duas vezes. Em novembro de 1992, foi ocupada por tropas da Unita. Oito funcionários foram sequestrados, e as negociações para a soltura foram encabeçadas pelo próprio Emílio Odebrecht, com apoio da Cruz Vermelha e de dois aviões Hércules C-130 das Forças Armadas Brasileiras.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Em 1997, as equipes da Odebrecht voltaram à área para recuperar o estaleiro. Em 1999 a obra foi novamente interrompida por causa de bombardeios. Retomadas em 2000, culminaram com o enchimento do reservatório em 2002, no fim da guerra civil. No meio tempo, Jorge Silva “Sapo” tornou-se ainda mais que um aliado da Odebrecht – em, 1992 o angolano </span><a style="text-decoration: none;" href="http://www.odebrechtonline.com.br/edicaoonline/2014/06/23/as-voltas-da-vida/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">ingressou</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"> nos quadros da Odebrecht e foi enviado para Cuba, para trabalhar num posto de confiança junto ao Superintendente da empresa no país.</span></p>


<div id="attachment_1668" style="width: 736px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/02/a4.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-1668" class="size-full wp-image-1668" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/02/a4.jpg" alt="Membros da Odebrecht e das Fapla visitam o local onde Capanda será construída. No centro, Jorge Silva “Sapo” . Foto: Odebrecht" width="726" height="399"></a><p id="caption-attachment-1668" class="wp-caption-text">Membros da Odebrecht e das Fapla visitam o local onde Capanda será construída. No centro, Jorge Silva “Sapo” . Foto: Odebrecht</p></div>
<h3 dir="ltr" style="line-height: 1.2; margin-top: 15pt; margin-bottom: 30pt; text-align: center;"><span style="font-size: 24px; font-family: 'Trebuchet MS'; color: #333333; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Na guerra pelos diamantes</span></h3>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Quatro anos depois do início das obras de construção de Capanda, a Odebrecht iniciava seu segundo negócio no país, em uma indústria que a empresa até hoje opera só em Angola – a exploração de diamantes. Os episódios dessa atuação merecem bem menos destaque na propaganda institucional, mas permitem entender a profunda conexão da empresa brasileira com o alto escalão e o generalato angolanos.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Um dos poucos relatos foi dado por Paulo Lacerda, diretor da Odebrecht em Angola entre 1988 e 1992: “Com o objetivo de ampliar a geração de divisas para Angola, apresentamos à Endiama [estatal diamantífera] o projeto de Luzamba, para exploração de minas de diamantes na Lunda Norte, contrato que foi assinado em abril de 1991. Após 16 meses, em agosto de 1992, a produção de Luzamba duplicou a exportação de diamantes de Angola”, diz.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">A operação durou apenas 15 meses, até ser alvo da Unita. Numa área de 3 quilômetros no rio Cuango, era a maior unidade de produção de diamantes do país, mostrando-se importante fonte de divisas durante a guerra civil – e marcando de vez a empresa brasileira como não apenas parceira do governo, mas parte interessada na guerra.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Na mesma época, relata Renato Baiardi, um executivo antigo, de confiança da família Odebrecht, que hoje é membro do Conselho de Administração. “Quando o conflito foi retomado em 1992, perguntei às autoridades locais como poderíamos apoiá-los. Eles pediram que enviássemos com urgência alimentos para a tropa e a população, especialmente de Luanda. Contratamos, então, um Boeing 747 nos Estados Unidos, que pousou em Luanda, carregado de alimentos, para atender ao pedido”, diz ele. “Esse caso é útil para demonstrar que nosso relacionamento com Angola extrapola qualquer outro, o que nos faz comprometidos e nos leva também a investir no país.”</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">O controle das áreas diamantíferas pela Unita, após a expulsão dos brasileiros, foi o que deu sobrevida à guerra civil angolana após a derrota do regime do apartheid.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Expulsa de Luzamba, no final daquele mesmo ano, a Odebrecht entrou definitivamente no ramo diamantífero ao assinar em 1993 o contrato para a implantação da mina de Catoca, em outra região, na Lunda Sul, da qual participa até hoje, com 16,4%, em sociedade com a Endiama, o grupo estatal russo Alrosa e o grupo israelense Lev Leviev. Catoca, hoje, é o primeiro kimberlito em exploração em Angola e a quarta maior mina de diamantes desse tipo do mundo. </span><a style="text-decoration: none;" href="http://www.catoca.com/upload/RelatorioCatoca2014.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Segundo relatório de 2014</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">, Catoca vendeu 82 milhões de quilates, respondendo por 84,7% do volume de produção em Angola, e teve um lucro líquido de US$ 126 milhões.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Segundo o pesquisador Mathias Alencastro, autor da tese de doutorado </span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; font-style: italic; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">A política do diamante na periferia de Angola</span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">, da Universidade de Oxford, a entrada da Odebrecht na mina de Catoca obedecia a uma demanda estratégica do MPLA. “Era uma região tomada por produção artesanal, porque Catoca tinha a particularidade de os diamantes estarem muito perto da superfície. O MPLA precisava de uma empresa que fosse o braço industrial do Exército. O que eles criaram ali é um mecanismo de governança do território que passava pelo controle da mina de diamantes. Basicamente o MPLA angolano privatizou para a Odebrecht a responsabilidade de reconstruir o Estado nessa região.”</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Para Mathias, a entrada no ramo dos diamantes foi fundamental para a trajetória da empreiteira. “A Odebrecht no final da guerra civil era considerada uma ‘muleta’ do Estado. Isso se deve essencialmente a dois grandes, digamos, sacrifícios, que foram Capanda e Catoca. Esse legado de legitimação do Estado angolano no momento em que ele era considerado por investidores internacionais não só marxista-leninista, mas beligerante, é muito mais importante do que o legado industrial da Odebrecht.”</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Se há poucas informações sobre a atuação da Odebrecht em Catoca, ainda menos se sabe sobre outra parceria com a </span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Endiama, a Sociedade de Desenvolvimento Mineiro de Angola (SDM), instituída por decreto presidencial em 25 de agosto de 1995 (</span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; font-weight: bold; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Baixe aqui o decreto e a ata de constrituição da SDM: Página </span><a style="text-decoration: none;" href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2016/02/scan0021.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; font-weight: bold; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">1</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; font-weight: bold; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">, </span><a style="text-decoration: none;" href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2016/02/scan0022.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; font-weight: bold; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">2</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; font-weight: bold; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"> e </span><a style="text-decoration: none;" href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2016/02/Paginas-finais.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; font-weight: bold; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">3</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">), numa divisão de 50% para cada empresa – a Odebrecht investiu US$ 20 milhões na época. A SDM assumiu as antigas operações de Luzamba abandonadas em 1992, na região de Lunda Norte. A área, </span><a style="text-decoration: none;" href="http://www.odebrechtonline.com.br/materias/00301-00400/381/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">de cerca</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"> de 3 mil km2, foi durante anos o segundo maior produtor de diamantes de Angola.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">A partir de 2006, violações brutais de direitos humanos na área administrada pela SDM foram sistematicamente denunciadas pelo jornalista investigativo angolano Rafael Marques. Um de seus relatórios, “Operação Kissonde”, relata como, em fevereiro de 2005, empresas privadas de segurança assumiram a responsabilidade de combater o garimpo ilegal no Cuango. A empresa Alpha-5, então contratada pela SDM, controlava a sede municipal, punindo de maneira perversa quaisquer garimpeiros artesanais que encontrasse. “No caso particular da Alfa-5, documentam-se vários casos em que as vítimas são obrigadas a ter relações homossexuais entre si, tendo chegado ao extremo de se forçar um genro a violar o seu sogro”, diz o relatório (baixe a íntegra aqui). Todas as violações são identificadas com data, local e nome das vítimas e testemunhas. Os relatos são assombrosos. Algumas vítimas contam ter sido obrigadas a trabalhar nuas dentro da sede da empresa mineira da Odebrecht. Outras mencionaram ter sido obrigadas a fazer sexo entre si por “33 efetivos da Alfa-5, 7 soldados das Forças Armadas e 5 elementos da Segurança Industrial da SDM”. A Alpha-5, na época, mantinha um posto de controle dentro da sede da SDM.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">A Odebrecht negou veementemente as denúncias. “Em relação às operações da empresa mineira SDM na região do Cuango, na província de Lunda Norte, é necessário mencionar que nem a SDM nem a Odebrecht têm nenhum registro da ocorrência de situações descritas como ‘violações de direitos humanos’ no relatório”, </span><a style="text-decoration: none;" href="http://www.reports-and-materials.org/sites/default/files/reports-and-materials/Odebrecht-response-re-alleged-abuses-by-security-firms-Angola-18-Sep-2006.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">afirmou em comunicado</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"> o então superintendente em Angola, Luiz Mameri. Questionada pela </span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; font-weight: bold; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Pública</span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"> sobre a sociedade, a Odebrecht afirmou que a sociedade ainda existe, mas está inativa há cinco anos. Em 2006, a mina </span><a style="text-decoration: none;" href="http://www.odebrechtonline.com.br/materias/00301-00400/381/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">se exauriu</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">. Ninguém foi punido pelos abusos de direitos humanos registrados.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Em outro investimento diamantífero que figura </span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; font-style: italic; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">em passant</span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"> na </span><a style="text-decoration: none;" href="http://www.odebrechtonline.com.br/materias/00301-00400/381/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">literatura</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"> institucional da Odebrecht, a empresa brasileira manteve sociedade com dois filhos do presidente angolano – Welwitschea José dos Santos, a Tchizé, e José Eduardo Paulino dos Santos, o cantor Córeon Dú – e um genro, conforme comprovam registros do </span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; font-style: italic; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Diário da República </span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">(</span><a style="text-decoration: none;" href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2016/02/Projecto-Muanga-15853.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">baixe aqui, em PDF</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">) e do registro da empresa (</span><a style="text-decoration: none;" href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2016/02/Tchiz%C3%A9-Di-Oro.jpg" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">baixe aqui</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">) obtidos pela </span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; font-weight: bold; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Pública</span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">. A lei angolana estabelece que toda empresa estrangeira tem que ter um sócio nacional. Aprovado por decreto presidencial em 27 de maio de 2005, o Consórcio Muanga era uma sociedade entre a Endiama (51%), a Odebrecht Mining Services (19%), a SDM (20%) e a Di Oro Sociedade de Negócios Limitada (10%), dos filhos de José Eduardo dos Santos. A empresa, que antes era do ramo de “alta-costura”, adaptou-se para a assinatura do contrato, que previa um investimento mínimo de US$ 10 milhões das duas empresas da Odebrecht, que assumiram “inteiramente o investimento por sua conta e risco”. Em 2010, o consórcio recebeu, por decreto presidencial, mais dois anos para operar a mina. A produção de diamante aluvião, que </span><a style="text-decoration: none;" href="http://www.portalangop.co.ao/angola/pt_pt/noticias/economia/2006/3/17/Projecto-Muanga-inicia-producao-diamante-Julho-deste-ano,3cb9a23d-4d60-40da-baf1-9d2336949362.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">chegou a ser anunciada</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"> para 2006, nunca se concretizou, segundo a Odebrecht. Procurada pela reportagem, a empresa negou a sociedade: “A Odebrecht não é, nem nunca foi, sócia dos filhos do Presidente da República de Angola. As campanhas de pesquisa diamantífera realizadas no Projeto Muanga demonstraram a sua inviabilidade económica e a concessão não foi desenvolvida”, escreveu a assessoria de comunicação.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">“Os generais, hoje, são milionários. E eles entraram nos negócios através do petróleo e dos diamantes. As empresas privadas que operavam nas Lundas eram dos generais. Foi uma privatização da segurança do Estado”, explica Mathias Alencastro.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">É o caso do general António dos Santos França N’Dalu, o “general dos generais”, antigo conhecido da direção da Odebrecht, que, depois de ter servido como embaixador nos Estados Unidos, virou homem de negócios, atuando, em especial, no ramo de diamantes. Desde 2005, N’Dalu é o </span><a style="text-decoration: none;" href="http://www.idexonline.com/FullArticle?id=24694" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">presidente não executivo</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"> da operação angolana da De Beers, a maior empresa diamantífera do mundo. É um dos sócios da empresa de segurança Teleservice (10% das ações) com outros generais, empresa acusada de violações de direitos humanos na região das Lundas. A Teleservice chegou a ser contratada pela Odebrecht para fazer a segurança patrimonial durante a construção de um condomínio em Luanda, o Kizomba, para a petrolífera Esso em 2012.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Angola é o quinto produtor mundial de diamantes, gerando 8% da produção mundial. Em 2014, a produção chegou a 8,6 milhões de quilates, alcançando um total de US$ 1,2 bilhão, </span><a style="text-decoration: none;" href="http://pt.euronews.com/2015/10/30/angola-produz-mais-de-90m-em-diamantes-em-setembro/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">segundo</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"> o Ministério da Geologia e Minas. Os diamantes são o segundo maior produto de exportação, atrás do petróleo com larga distância.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Depois de ter anunciado a intenção de se afastar do setor diamantífero, no fim da década passada, a Odebrecht abriu uma nova sociedade com a Endiama para explorar a mina de diamantes do Luaxe, na região de Lunda Sul, que pode duplicar a produção nacional. A</span><a style="text-decoration: none;" href="http://www.sapo.pt/noticias/sete-empresas-parceiras-juntam-se-para_563b381b42309b5b536b367f" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"> Odebrecht tem 7,5% </span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">das ações. Luaxe, considerada a maior mina de kimberlito do mundo, fica a apenas 20 quilômetros de Catoca.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.92; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: center;"><span style="font-size: 24px; font-family: 'Trebuchet MS'; color: #111111; font-weight: bold; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">De mãos dadas com o Estado</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Depois de anos estudando o comportamento das construtoras brasileiras durante a ditadura e o seu processo de internacionalização, o historiador Pedro Campos chegou à seguinte conclusão: “São empresas que vivem da relação com o Estado”. Para ele, a principal vantagem da Odebrecht não é a qualidade da sua engenharia. Longe disso. “A marca da Odebrecht não é essa. É ser uma potência política. Ela sabe desenvolver relações com o aparelho do Estado e ser atuante em muitas frentes – como é o caso com as Forças Armadas, Congresso, partido. A expertise está mais nisso”, diz.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Em uma economia como a angolana, controlada por um Estado autoritário, a Odebrecht tem uma trajetória comum às maiores empresas internacionais que passa, necessariamente, por uma profunda aliança com as elites. “Em Angola, se uma companhia se torna íntima do poder, vai ter acesso a praticamente qualquer oportunidade que apareça”, explica o pesquisador português Ricardo Soares de Oliveira, professor da Universidade de Oxford, na Inglaterra. “Podem ser oportunidades da sua área de especialização inicial, por exemplo, a construção civil, mas podem ser diamantes, podem ser restaurantes, podem ser hotéis, pode ser </span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; font-style: italic; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">import/export</span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">, pode ser agricultura, pode ser o que for”, diz o autor, que dedicou os últimos dez anos a entender a dinâmica econômica do país após o fim da guerra civil.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Esse </span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; font-style: italic; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">modus operandi</span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"> não ocorre por acaso. O autor do aclamado livro </span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; font-style: italic; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Magnífica e miserável: Angola desde a guerra civil</span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"> vê uma estratégia planejada de concentração de poder pelo presidente José Eduardo dos Santos dentro de um estado autoritário que lhe rendeu um controle sem paralelo na África. “A economia política da reconstrução gerou muitas oportunidades, muitos contratos, e esses contratos foram adquiridos por pessoas próximas do poder. É claro que a Odebrecht, sendo uma presença já muito antiga no país, e tendo uma relação particularmente privilegiada com o palácio presidencial, teve acesso a essas oportunidades a uma escala muito diferente de outros operadores em Angola.”</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Talvez o mais cristalino resumo sobre como funciona a economia angolana venha de uma descrição da ex-embaixadora brasileira Ana Lucy Cabral Petersen. Ao detalhar as oportunidades para empresários brasileiros, ela escreveu em um despacho diplomático de 13 de março de 2011: “Boas conexões e parceiros locais influentes são fundamentais para a concretização de investimentos em Angola. Sócios locais estratégicos, como a Sonangol, ex-ministros, generais e empresários próximos ao Presidente, facilitam a aprovação de projetos e dirimem entraves burocráticos. Bons contatos na Agência Nacional de Investimento Privado (ANIP), que dá o aval a grandes projetos de investimento, são também fundamentais”.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.92; margin-top: 23pt; margin-bottom: 0pt; text-align: center;"><span style="font-size: 24px; font-family: 'Trebuchet MS'; color: #111111; font-weight: bold; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">As ligações da Odebrecht em Angola</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.92; margin-top: 23pt; margin-bottom: 0pt; text-align: center;"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/02/a6.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1669" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/02/a6.jpg" alt="a6" width="964" height="542"></a></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.92; margin-top: 23pt; margin-bottom: 0pt; text-align: center;"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/02/a7.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1670" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/02/a7.jpg" alt="a7" width="964" height="542"></a></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.92; margin-top: 23pt; margin-bottom: 0pt; text-align: center;"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/02/a8.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1671" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/02/a8.jpg" alt="a8" width="964" height="542"></a></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Para a pesquisadora Anna Saggioro, do Laboratório Interdisciplinar de Estudos em Relações Internacionais (Lieri), da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, é impossível dissociar o poder do presidente com o poder da Odebrecht. “A gente vê o grau de autoritarismo do governo angolano, e a gente não pode escolar a Odebrecht desse autoritarismo. A Odebrecht atua junto com o governo angolano em uma série de empreendimentos e também nas suas ligações internas. Não podemos simplesmente dizer que é apenas uma empresa que segue as regras”, avalia.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Ricardo Soares diz que, como pesquisador, é muito difícil analisar a atuação da Odebrecht no país, pois há pouca informação e transparência. “As especulações sobre a relação da Odebrecht com a elite angolana são inteiramente legítimas. Se a Odebrecht está preocupada com a sua reputação, só tem que clarificar a natureza dessas relações. Até que ponto eles são lucrativos, qual é a lógica desses projetos? Por exemplo, eu gostava que a Odebrecht colocasse disponível uma lista exaustiva de seus negócios. Tenho uma lista de exemplos, e não há mês que passe que não venham dizer que a Odebrecht está, afinal, metida aqui ou ali.”</span></p>

<h3 dir="ltr" style="line-height: 1.2; margin-top: 15pt; margin-bottom: 30pt; text-align: center;"><span style="font-size: 24px; font-family: 'Trebuchet MS'; color: #333333; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Um país em obras</span></h3>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">De fato, são tantos os contratos e investimentos públicos e privados que é muito difícil obter uma lista completa dos empreendimentos da Odebrecht em Angola, ou avaliar os lucros auferidos ao longo de tantos anos. A reportagem pediu essa listagem, mas não foi atendida. A receita total da empresa no país não consta do seu </span><a style="text-decoration: none;" href="http://odebrecht.com/sites/default/files/rsodebrechtangola2014_1.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">relatório anual 2014</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">, diferentemente do valor gasto com projetos sociais e ambientais, nitidamente visível: US$ 17 milhões em 2014. O que consta, ali, é apenas o “valor econômico distribuído” – impostos, salários, pagamento de fornecedores, investimentos na comunidade, custos operacionais e de financiamentos – no total de US$ 1.851.780.000. À </span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; font-weight: bold; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Pública</span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">, a assessoria de comunicação da Odebrecht afirmou que a receita foi da ordem de US$ 1,8 bilhão. Ou seja, nenhum lucro. Sobre esse questionamento, a empresa retrucou: “A conclusão não é correta. A Odebrecht teve lucro em Angola e tem todas as suas contas auditadas por auditor independente. Como se sabe, as operações da Odebrecht em Angola são executadas por companhia de capital fechado e não está sujeita à obrigação de publicar as suas contas. De qualquer forma, as contas consolidadas do negócio de Engenharia e Construção da Odebrecht são disponibilizadas para os seus stakeholders”.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.92; margin-top: 10pt; margin-bottom: 10pt;"><a style="text-decoration: none;" href="http://apublica.org/2016/02/as-palavras-da-odebrecht/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 18.6667px; font-family: Georgia; color: #e15a2d; font-weight: bold; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Leia aqui todas as respostas da Odebrecht</span></a></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Ao longo de meses de pesquisa, a </span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; font-weight: bold; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Pública</span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"> elaborou uma lista extensa – porém provavelmente não exaustiva – dos contratos e investimentos da empresa brasileira ao longo de 32 anos em Angola. Veja na linha do tempo:</span></p>
<iframe loading="lazy" src="//cdn.knightlab.com/libs/timeline3/latest/embed/index.html?source=1gmlv3YBOrckSxWrcvUOsNbwbxnl6MaYIsI6ARHi-Xnw&amp;font=Default&amp;lang=en&amp;initial_zoom=2&amp;height=650" width="100%" height="650" frameborder="0"></iframe>

<span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Entre as obras, há diversos “elefantes brancos”, imensas construções que não geraram a prometida riqueza às suas populações. Para o pesquisador Mathias Alencastro, a multiplicação de projetos da Odebrecht em Angola cumpre um papel estratégico. “Ela cria a sensação de um movimento de reconstrução permanente, de que o país está mudando, que é a grande retórica que o MPLA criou para sufocar as contestações, legitimando seu poder autoritário. O que importa é que os projetos sejam anunciados, não que sejam bem-sucedidos”, analisa.</span>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Em 2006, a Odebrecht aceitou mais um pedido presidencial ao entrar em uma nova área de negócios: supermercados. Inicialmente, o contrato cobria a construção e implementação da Rede Nosso Super, com 32 lojas em todas as províncias do país e dois centros de distribuição e logística. O objetivo era nobre: prevista para ser operada pelo Estado angolano, a rede deveria absorver a produção local de camponeses. Não foi o que ocorreu. Executado ao abrigo do Programa de Reestruturação do Sistema de Logística e Distribuição (Presild), com assessoria da Odebrecht, a rede acabou entrando em crise por má gestão, sofrendo </span><a style="text-decoration: none;" href="http://www.voaportugues.com/content/angola-supermercados-reabrem-voa-134458573/1262512.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">desabastecimento</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">, com </span><a style="text-decoration: none;" href="http://www.angonoticias.com/Artigos/item/27672/%E2%80%9Cnosso-super%E2%80%9D-nao-faliu-gomes-maiato" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">boatos de falência</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">, e suas lojas foram fechadas no fim de 2011. O programa, da forma como estava concebido, não era sustentável, pois tinha custos bastante elevados,</span><a style="text-decoration: none;" href="http://www.angonoticias.com/Artigos/item/32406/nosso-super-reabre-em-breve" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"> reconheceu</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"> a ministra do Comércio, Idalina Valente. Seis anos depois de ter entregado as lojas ao governo, a Odebrecht </span><a style="text-decoration: none;" href="http://www.macauhub.com.mo/pt/2011/09/14/grupo-brasileiro-odebrecht-vai-assumir-a-gestao-de-rede-nosso-super-em-angola/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">recebeu a concessão</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">de exploração da rede, na qual grande parte dos produtos é importada. Segundo reportagem do jornal </span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; font-style: italic; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">O País</span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">, há incapacidade de fornecimento de produtos nacionais. “O abastecimento tem sido débil. Temos recebido produtos, uma vez ou outra. No Nosso Super sempre foi assim. O fornecimento e o abastecimento continuam a ser os mesmos. Nada mudou. Só subiram os preços”, </span><a style="text-decoration: none;" href="http://opais.co.ao/supermercados-reclamam-da-in-capacidade-de-fornecimento-pelos-produtores-nacionais/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">informou</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"> ao jornal uma funcionária do Nosso Super.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Outro exemplo de investimento frustrado é o aeroporto internacional de Catumbela, na província de Benguela, oeste do país, que fica a apenas 20 quilômetros de outro aeroporto, o 17 de Setembro, este encravado na zona mais elevada da cidade. O aeroporto “internacional” foi inaugurado em 27 de agosto de 2012 com fanfarra: </span><a style="text-decoration: none;" href="http://www.portalangop.co.ao/angola/pt_pt/noticias/politica/2012/7/35/Inaugurado-aeroporto-Catumbela,705ffef7-928a-4a0d-ba88-0319caa9e9df.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">o próprio presidente</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"> foi ao local para o evento, realizado a quatro dias das eleições presidenciais. Ambicioso, o projeto previa colocar Benguela no mapa internacional, com rotas de voo de diversos países e capacidade para atender mais de 900 pessoas por hora. O investimento total, segundo o site Rede Angola, foi de US$ 250 milhões – metade garantido via empréstimo do BNDES. Mas, dois anos depois da inauguração, </span><a style="text-decoration: none;" href="http://www.portalangop.co.ao/angola/pt_pt/noticias/transporte/2014/1/6/Aeroporto-Catumbela-aguarda-certificacao-Inavic,565c120a-44ec-4247-98be-d07d5ad57c50.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">faltavam ainda</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"> o terminal de carga, instalações para alfândega e montagem de equipamentos. Por isso, até hoje a Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA) não certificou o aeroporto. Hoje, atende apenas voos domésticos para Luanda. “Não temos voos suficientes para aproveitar o potencial que existe na província de Benguela”, reconheceu o ministro de Transportes no ano passado. O outro aeroporto, que antes atendia vôos nacionais, hoje só abre alguns dias da semana e é usado por autoridades e vôos privados.</span></p>


<div id="attachment_1672" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/02/a5.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-1672" class="size-full wp-image-1672" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/02/a5.jpg" alt="Aeroporto de Catumbela. Foto: José Alves/ Rede Angola" width="790" height="494"></a><p id="caption-attachment-1672" class="wp-caption-text">Aeroporto de Catumbela. Foto: José Alves/ Rede Angola</p></div>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Uma obra contratada para revolucionar a baía de Luanda – a Marginal Sudoeste – também está parada. O primeiro projeto, a construção de pontes para permitir a construção da marginal </span><a style="text-decoration: none;" href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2016/02/scan0008.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">(baixe aqui o decreto presidencial)</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">, recebeu financiamento de R$ 21 milhões do BNDES. Mas a marginal, em si, nunca saiu do papel. Hoje, o trecho reservado a ela, de 8 quilômetros entre a praia do Bispo e o largo da Corimba, na baía da capital angolana, parece um cenário apocalíptico: onde antes havia um </span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; font-style: italic; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">musseque</span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"> com milhares de pessoas, o bairro da Chicala, sobraram destroços das casas, derrubadas violentamente por tratores por noites a fio; sobre elas, alguns antigos moradores fizeram barraquinhas para vender comida e refrigerantes.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">“A construção da Via Marginal Sudoeste foi dividida em duas etapas. A primeira, objeto do financiamento citado, foi concluída em agosto de 2012. A Construtora Norberto Odebrecht também foi contratada para execução da segunda etapa do empreendimento, que contempla os trabalhos de aterro hidráulico, proteção costeira, pavimentação, iluminação pública e outros. Esta etapa ainda não foi iniciada”, explicou por e-mail o coordenador de sustentabilidade da Odebrecht, Paulo Campos.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Foi Paulo, um elegante e gentil executivo carioca, quem ciceroneou a reportagem durante uma viagem de quatro dias, em setembro do ano passado, à maior zona contínua de atuação da empresa no país, às margens do caudaloso rio Kwanza. Um verdadeiro mergulho no coração da Odebrecht em Angola.</span></p>

<h3 dir="ltr" style="line-height: 1.2; margin-top: 15pt; margin-bottom: 30pt; text-align: center;"><span style="font-size: 24px; font-family: 'Trebuchet MS'; color: #333333; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Passeio no rio da Odebrecht</span></h3>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">O carro 4×4, cinza-chumbo, chega antes das 6 horas da manhã. A saída de Talatona, cujo traçado urbano é composto de longos desvios nas suas avenidas de mão única, não ajuda. Antes de conseguirmos sair de Luanda, engarrafamento, caos, atropelamento – passa pelo menos uma hora. Aos poucos, a paisagem se transforma, os </span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; font-style: italic; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">musseques</span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">, candongueiros (vans) e zungueiras (mulheres que vendem verduras nas bacias que trazem à cabeça) vão dando lugar a terrenos secos, repletos de embondeiros, ou baobás, árvore-símbolo de Angola.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Chegar à província de Malanje, onde corre o médio Kwanza, a bordo de um carro da Odebrecht significa a certeza de acesso não só aos canteiros de obras como às comunidades nas redondezas. Acesso que parece fechado para todos aqueles que não contam com tal sorte. E não é que a reportagem não tenha tentado. “Não temos nenhum trabalho nas comunidades afetadas”, explicou-me por telefone a representante da ONG Adra – Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiente, que defende direitos dos camponeses. “Mas apresentamos um projeto para a Odebrecht e, quem sabe, vamos começar em breve um trabalho lá.” No mesmo dia, um jornalista local desculpou-se por não poder nos levar até as comunidades: apenas visitas registradas e autorizadas pelo governo podem circular livremente.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">A estrada é errática: no começo, uma pista foi desativada pela construtora chinesa, enquanto as duas mãos dividem um espaço exíguo. De repente, o asfalto acaba. “A empresa que ia construir faliu”, explica o motorista Frederico Huambo, que viaja toda semana diversas vezes para o leva e traz da Odebrecht. O asfalto volta no último terço, construído pela Odebrecht.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Chegando à usina de Cambambe, um vistoso paredão marca a última etapa da reabilitação, com elevação de 30 metros do dique e ampliação da represa em 2 km2.</span></p>


<div id="attachment_1675" style="width: 974px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/02/a1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-1675" class="size-full wp-image-1675" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/02/a1.jpg" alt="As turbinas de Cambambe. Foto: Eliza Capai/Agência Pública" width="964" height="542"></a><p id="caption-attachment-1675" class="wp-caption-text">As turbinas de Cambambe. Foto: Eliza Capai/Agência Pública</p></div>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">A obra promete aumentar em dez vezes a capacidade da usina, construída pelos portugueses na época colonial,</span><a style="text-decoration: none;" href="http://www.odebrechtonline.com.br/edicaoonline/2011/11/26/da-usina-para-a-sala-de-estar/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">chegando</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"> a uma potência máxima de 960 MW de energia.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Somos recebidas com um farto café da manhã no restaurante VIP da obra. Lá fora, um belo deque de madeira dá vista para o reservatório e a parte de trás do vertedouro. O consórcio liderado pela Odebrecht, junto às empresas Voith, Alstom e Engevix, recebeu o maior desembolso feito até agora pelo BNDES para Angola: US$ 464,4 milhões. De repente, nos apressam: “Precisamos ir, temos muito o que ver”. Ao nos aproximarmos de um edifício branco, alguém comenta: “As crianças estão esperando”. Quando abrem a porta – somos um grupo de cerca de dez pessoas, incluindo os diretores –, cerca de 20 crianças estão de pé olhando para nós. Ato contínuo, começam a cantar forte, desafinadas, batendo palmas num esforço treinado para nos impressionar. “Sejam bem-vindos, vossa presença é um prazer”.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">A professora acompanha com um pandeiro. “Uma salva de palmas. As crianças do projeto Xalenu Kyambote são todas aqui da vila, temos a sala de alfabetização para crianças, temos curso também de informática, inglês e francês”, diz a professora, sob aplausos. As crianças continuam cantando quando fechamos a porta. Na sala contígua, três mulheres estão sentadas à máquina de costura, entretidas. Ganhamos um caderno e uma bonequinha de pano como lembrança. O desfile de projetos sociais segue: a Odebrecht beneficia 67 famílias com um programa de agricultura familiar, o PAF. “Todos os vegetais dos refeitórios vêm daqui”, diz o gerente de contrato Gustavo Belitardo. “Fazer hidrelétrica pra quem precisa é a maior satisfação que pode ter.”</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">No início da noite, chegamos a Laúca, uma cidade inteira no meio da savana. De longe, se vê o clarão amarelado de energia elétrica, onde não há nem uma chama em quilômetros. Somos hospedadas na espaçosa casa de convidados, com quartos luxuosos, ar-condicionado, TV de tela plana – e um cartãozinho de boas-vindas, ao lado de uma caixinha do Boticário com um sabonete rosado e hidratante de </span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; font-style: italic; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">marshmallow</span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">.</span></p>

<h3 dir="ltr" style="line-height: 1.2; margin-top: 15pt; margin-bottom: 30pt; text-align: center;"><span style="font-size: 24px; font-family: 'Trebuchet MS'; color: #333333; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">“Tá parada”</span></h3>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Numa manhã calorenta, o </span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; font-style: italic; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">tour</span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"> do dia será conhecer a Biocom, principal e mais vistoso empreendimento do Pólo Agroindustrial de Capanda, projeto considerado prioritário pelo governo angolano, com uma área de 411 mil hectares. A Odebrecht foi contratada para administrar o pólo por US$ 49 milhões, em abril de 2011, segundo o </span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; font-style: italic; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Diário da República</span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"> (</span><a style="text-decoration: none;" href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2016/02/scan0026.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">baixe aqui o decreto</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">). A cerimônia de assinatura teve a presença dos ministros da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pesca e Urbanismo e Construção, amplamente divulgada na controlada imprensa angolana.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">No entanto, a paisagem desoladora – os pequenos vilarejos de casas de barro dão lugar a um imenso vazio – demonstra que o projeto está longe de render os frutos prometidos. De repente, avistamos uma fazenda – a placa que indica “Pugo Andongo”. Paulo Campos pergunta para o motorista Frederico Huambo: “Não tá acontecendo nada aí na Fazenda Pungo Andongo, né?” “Tá parada”, responde Frederico.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">A fazenda, de 33 mil hectares, chegou a ser o cartão-postal do pólo. Foi inaugurada em 2006 – novamente com a presença do presidente José Eduardo dos Santos. A promessa de revolucionar a agricultura angolana ganhou destaque nos jornais, e uma parceria com a Embrapa, para a reprodução de sementes e treinar técnicos angolanos em experimentação agrícola, foi bastante celebrada na</span><a style="text-decoration: none;" href="http://www.odebrechtonline.com.br/complementos/02401-02500/2453/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">comunicação</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"> institucional da Odebrecht. </span><a style="text-decoration: none;" href="http://www.gesterra-angola.com/resultados.php" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">O site oficial</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"> mostra como últimos “resultados” da Pungo Andongo a safra de 2010-2011, que produziu cerca de 5 mil toneladas de milho. O que aconteceu depois? Não se sabe. “Não existem informações oficiais sobre a execução desse projeto nem sobre o que se está a produzir”, critica Carlos Cambuta, coordenador de projetos da Adra. “A verdade é que estamos a caminhar para o terceiro, quarto, quinto ano do PAC e ainda não temos visto os resultados. Pode ser que tenham estudado, mas os resultados não foram compartilhados.”</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">A Embrapa explicou à </span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; font-weight: bold; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Pública</span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"> que assinou um memorando em 2008 com a Odebrecht para viabilizar o convênio, mas ele venceu em 2013 sem ser executado. A Odebrecht limitou-se a informar que “a fazenda Pungo Andongo é objeto de uma concessão para implantação de um pólo avícola e está em fase de estudos”.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">á a Biocom nos recebe em pleno funcionamento. A usina de cana-de-açúcar nasceu grandiosa, em 2008, com a promessa de</span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">produzir 60% do açúcar consumido em Angola, uma produção de 256 mil toneladas por ano. Somente seis anos e US$ 1 bilhão de investimentos depois, ela fez sua primeira plantação experimental, de </span><a style="text-decoration: none;" href="https://www.jornalcana.com.br/usina-na-angola-entra-na-segunda-safra/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">3,2 milhões</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"> de toneladas em 2014. Mas a grande estrela do Pólo Agroindustrial ganhou triste notoriedade no Brasil nos últimos anos: em junho de 2014, depois de uma </span><a style="text-decoration: none;" href="http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2013/12/131219_odebrecht_inferno_jf_lk" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">reportagem do jornalista João Fellet</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">, da BBC, foi </span><a style="text-decoration: none;" href="http://s.conjur.com.br/dl/mpt-acusa-odebrecht-suposta-exploracao.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #e15a2d; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">denunciada pelo Ministério Público do Trabalho</span></a><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"> no Brasil por manter cerca de 400 empregados brasileiros em condições análogas à escravidão, mediante aliciamento e tráfico internacional de pessoas. Os trabalhadores denunciaram sujeira nos banheiros e cozinha, longas jornadas de trabalho e o isolamento – no meio do PAC, eram vigiados por seguranças armados.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Em 1o de setembro de 2015, a Odebrecht foi condenada a pagar uma indenização de R$ 50 milhões aos trabalhadores. No dia seguinte, chegamos à usina. Fernando Koch, diretor de sustentabilidade da Biocom, um brasileiro com anos de trabalho na Odebrecht, está irritadíssimo. “Isso é um absurdo. Não é verdade”, repete. “Os angolanos estão com vergonha da nossa imprensa”, diz. O telefone toca diversas vezes, com mais pedidos de entrevistas sobre o caso. Ele vocifera: “As provas que nós juntamos no processo não foram em momento algum mencionadas pelo juiz”. A Odebrecht recorreu, negando todas as acusações.</span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"></span></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">No entanto, o fato mais grave – e reconhecido pela empresa – tem raiz na profunda aliança com o Estado angolano. Contratados para trabalhar durante alguns meses, os operários chegavam a Angola com um visto ordinário, e seus passaportes eram entregues ao Serviço de Migração e Estrangeiros de </span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; font-style: italic; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;">Angola</span><span style="font-size: 16px; font-family: Calibri; color: #111111; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"> (SME). Sem os passaportes, os funcionários alegaram ter cerceado seu direito de mobilidade. “A lei que diz que empresas de interesse nacional têm o direito de expatriar pessoa com o visto ordinário para que o visto de trabalho seja tramitado em Angola”, conta Koch. “O período que a pessoa fica sem o passaporte, ela tem um recibo do SNE que tá lá dizendo que ele pode circular tranquilamente pelo país.”</span></p><div style="position:absolute;left:-5645px;top:-3697px;">Vezi fete care se fut in filme porno si vezi doar materiale de calitate! Filme XXX online din Romania cu femei ce primesc muie si sex anal pe toate le gasesti la noi <a href="https://pornofilmexxx.net/daniela-in-69-se-masturbeaza-cu-dildo/">https://pornofilmexxx.net/daniela-in-69-se-masturbeaza-cu-dildo/</a><a href="https://pornofilmexxx.net/am-doua-vecine-tinere-care-vor-sa-ma-linga-la-pula-si-sa-invete/">https://pornofilmexxx.net/am-doua-vecine-tinere-care-vor-sa-ma-linga-la-pula-si-sa-invete/</a><a href="https://pornofilmexxx.net/ii-place-sa-se-futa-in-grup-cu-mai-multi-barbati-in-toate-gaurile/">https://pornofilmexxx.net/ii-place-sa-se-futa-in-grup-cu-mai-multi-barbati-in-toate-gaurile/</a><a href="https://pornofilmexxx.net/escorte-luate-de-la-scoala-si-futute-acasa-imediat/">https://pornofilmexxx.net/escorte-luate-de-la-scoala-si-futute-acasa-imediat/</a><a href="https://pornofilmexxx.net/pizda-mica-de-fetita-rasfatata-de-o-pula-mare/">https://pornofilmexxx.net/pizda-mica-de-fetita-rasfatata-de-o-pula-mare/</a><a href="https://pornofilmexxx.net/gagici-lesbiene-care-fac-dragoste-dimineata/">https://pornofilmexxx.net/gagici-lesbiene-care-fac-dragoste-dimineata/</a><a href="https://pornofilmexxx.net/bruneta-tatuata-fututa-extrem-de-tare-in-cur-si-la-final-stropita-cu-sperma-in-gura/">https://pornofilmexxx.net/bruneta-tatuata-fututa-extrem-de-tare-in-cur-si-la-final-stropita-cu-sperma-in-gura/</a><img decoding="async" src="https://pornofilmexxx.net/media/60425941117ca.jpg" alt="https://pornofilmexxx.net/media/60425941117ca.jpg"><img decoding="async" src="https://pornofilmexxx.net/media/608d128e3ed05.jpg" alt="https://pornofilmexxx.net/media/608d128e3ed05.jpg"><img decoding="async" src="https://pornofilmexxx.net/media/63af500497c6d.webp" alt="https://pornofilmexxx.net/media/63af500497c6d.webp"><img decoding="async" src="https://pornofilmexxx.net/media/62c4bce67c5c0.jpg" alt="https://pornofilmexxx.net/media/62c4bce67c5c0.jpg"><img decoding="async" src="https://pornofilmexxx.net/media/650a22c0af92e.webp" alt="https://pornofilmexxx.net/media/650a22c0af92e.webp"><img decoding="async" src="https://pornofilmexxx.net/media/629a8cebb02e5.jpg" alt="https://pornofilmexxx.net/media/629a8cebb02e5.jpg"></div>
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		<title>Por que mataram meu pai</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Sep 2015 18:58:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Por Valério Luiz de Oliveira Filho Para Agência Pública Até 2012 eu era só um advogado tributarista. Não que ignorasse as questões da segurança pública e da violência, mas as pensava de forma abstrata, como qualquer pessoa. Após ter concluído o curso de Direito pela Universidade Federal de Goiás (UFG), passei um ano trabalhando em [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
				Por <a href="http://apublica.org/autor/valerio-luiz-de-oliveira-filho/" rel="tag">Valério Luiz de Oliveira Filho</a>
Para <a href="http://apublica.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Agência Pública</a>

Até 2012 eu era só um advogado tributarista. Não que ignorasse as questões da segurança pública e da violência, mas as pensava de forma abstrata, como qualquer pessoa. Após ter concluído o curso de Direito pela Universidade Federal de Goiás (UFG), passei um ano trabalhando em um grande escritório do Recife. Retornei a Goiânia com o objetivo de montar banca própria, incentivado por meu pai. Naquele ano, voltei a morar com ele.

Estava esperando por ele quando recebi o fatídico telefonema, às 14h22 do dia 5 de julho de 2012. Na véspera ocorrera nossa última conversa. Ele entrara na sala de televisão para me perguntar rapidamente sobre uma empresa que havia me contatado e fora dormir. No dia seguinte saiu cedo, não o vi. Fui almoçar em casa para conversarmos melhor depois do seu programa.

Meu pai era radialista e jornalista, comentava futebol das 12h00 às 14h00 na Rádio Jornal 820 AM, atual Rádio Bandeirantes. Era conhecido como “o mais polêmico do rádio” por não medir palavras nas ácidas críticas que dirigia às gestões dos cartolas goianos; citava nomes e fatos concretos, fugindo dos comentários genéricos adotados por outros profissionais.

Num dia normal, no máximo às 14h15, seu Ford Ka preto já teria estacionado no portão; a rádio ficava ali perto. Passaram alguns minutos, olhei o relógio do celular, mas não me preocupei. Eis que o aparelho toca. “Valerinho, pelo amor de Deus, vem aqui pra rádio que seu pai tomou um tiro”, disse Lorena, minha madrasta, aos prantos. Antes que eu fizesse qualquer pergunta, a ligação caiu, ou ela desligou. Não sei.

Telefonei então para o administrador da emissora, Pedro Gomes, que atendeu de pronto. “Pedro, que história é essa de que meu pai tomou um tiro?” “Onde você está?”, perguntou ele. “Em casa”, respondi. “Vou mandar um carro da rádio aí, que seu pai levou uns tiros.”
O plural me apavorou. Alguns minutos depois chegou o Fiat Uno plotado. Sentei no banco do passageiro e Elisvânia, a coordenadora financeira da Jornal, do banco de trás passou a mão em meu ombro, numa condolência. No caminho parentes e amigos me ligavam, mas ninguém dizia nada específico. Só perguntavam se estava tudo bem. Quando o carro chegou na esquina da Teixeira de Freitas, rua da emissora, não conseguiu seguir devido ao acúmulo de gente. Desci e continuei o trajeto a pé até avistar a cena que mudaria minha vida pra sempre: a esquina onde, cercado por faixas de isolamento, o Ford Ka preto estava parado na diagonal, com as duas portas abertas e os vidros crivados de balas.

<div id="attachment_1144" style="width: 610px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/09/ValérioLuiz.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-1144" class="size-full wp-image-1144" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/09/ValérioLuiz.jpg" alt="Valério Luiz na rádio 820" width="600" height="600" /></a><p id="caption-attachment-1144" class="wp-caption-text">Valério Luiz na rádio 820</p></div>

Um detalhe me perturbou particularmente: o pé do meu pai pendendo pra fora do carro, com seu tênis cinza e aquela meia levantada da qual eu sempre caçoava. Não tive coragem de me aproximar. Fiquei parado, incrédulo. As vozes e as imagens pareciam oriundas de outro mundo. Ainda assim, precisei dar a notícia à minha irmã caçula, que ligava sem parar: “Nosso pai morreu, Laura”.

Minutos depois chegou meu avô Manoel de Oliveira, radialista e jornalista há 50 anos. “Mataram meu filho!”, gritou. O choro e os brados daquela voz poderosa – e conhecidíssima dos goianos – delinearam no rosto de todos a mesma consternação: como as coisas chegaram a este ponto?

<div id="attachment_1145" style="width: 610px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/09/Valério-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-1145" class="size-full wp-image-1145" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/09/Valério-1.jpg" alt="Na cena do crime, o carro cravado de balas" width="600" height="383" /></a><p id="caption-attachment-1145" class="wp-caption-text">Na cena do crime, o carro cravado de balas</p></div>
<h3><strong>Cresce a tensão</strong></h3>
Em depoimentos na Delegacia Estadual de Homicídios (DIH), todos os colegas de meu pai, tanto da Rádio Jornal quanto da PUC-TV, onde era comentarista do programa Mais Esportes, concordaram em um ponto: recentemente houvera uma escalada nas severas críticas do jornalista à diretoria do Atlético Clube Goianiense, que numa ascensão meteórica saíra da série C para a série A do Campeonato Brasileiro, mas encontrava-se em má fase na competição de 2012.

Uma figura em particular se destacava: o poderoso empresário Maurício Sampaio, então vice-presidente do time, cargo que ocuparia até o fim de junho, ou seja, apenas dias antes do assassinato. Ele era velho conhecido do meu pai.

Cinco temporadas antes, em 2007, meu pai viajara ao Piauí para narrar, pela TV Brasil Central, afiliada da Cultura em Goiás, o jogo Barras (PI) vs. Atlético (GO), que valia classificação ao quadrangular <a href="https://www.youtube.com/watch?v=pLr0gLU0dfQ" data-rel="lightbox-video-0">final do Campeonato Brasileiro na série C daquele ano</a>. Hospedado no mesmo hotel do clube goianiense, ele afirmou ter descoberto uma tentativa de compra da partida. Duas temporadas depois, em 2009, Valério denunciou o uso de drogas por alguns jogadores nas dependências do clube. Foi processado. Quem compareceu à audiência foi o próprio Maurício, mas a ação judicial não seguiu adiante.

Nada se compara, porém, àquele sinistro primeiro semestre de 2012, quando as críticas à diretoria rubro-negra se intensificaram, chegando a uma tensão pública e notória. “Uma vaca na árvore”, dizia o jornalista sobre a presença do Dragão na elite do futebol brasileiro. “Se um dia você estiver andando e vir uma vaca na árvore, pode até não saber como ela subiu lá, mas sabe que vai cair.” O time de Campinas – bairro mais antigo de Goiânia, precedente, aliás, à construção da capital – era figura constante na zona de rebaixamento do campeonato. “O Atlético está na série A, mas não é time de série A, não”, disparava meu pai em seus programas.

O jornalista atribuía a escalada do clube campineiro a uma injeção de dinheiro oriunda de “patrocinadores tenebrosos”, como a Linknet, envolvida no escândalo que derrubou José Roberto Arruda do Governo do Distrito Federal <a href="http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI130177-15223,00.html">após a Operação Caixa de Pandora</a>, da Polícia Federal, e a Delta Construções, protagonista da famosa <a href="http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,construtora-delta-e-alvo-de-operacao-da-pf,1080761">Operação Monte Carlo</a>, que resultou na cassação do então senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

Não por acaso, Valdivino de Oliveira, enquanto presidente do Atlético Goianiense, foi secretário da Fazenda do governo Arruda e posteriormente eleito deputado federal pelo PSDB. Outro deputado federal, Jovair Arantes, líder do PTB na Câmara e principal articulador da “bancada da bola”, era membro do Conselho Deliberativo do Dragão Campineiro. Já Carlinhos Cachoeira e Demóstenes Torres, então acusados de lobistas da Delta em Goiás, eram – e ainda são – amigos pessoais de Maurício Sampaio.

Em suma, meu pai, torcedor do Atlético, afirmava que a diretoria atleticana usava o brasão do clube para captar dinheiro escuso e criticava Sampaio, em particular, por supostamente utilizar recursos para a aquisição de jogadores que mal seriam testados em campo e serviriam apenas de lucro nas futuras negociações com outros cartolas.

Em 2012, com 49 anos de idade, meu pai tinha 35 de carreira, trabalhara em praticamente todos os veículos de rádio e televisão de Goiás como repórter convencional ou comentarista esportivo. Começara ainda adolescente, puxando fio de microfone no campo do Estádio Serra Dourada, e sempre levou o jornalismo a sério. No fundo, era só isso. Já que estava comentando futebol, comentaria de verdade. Afinal, para que discutir a qualidade técnica de um jogador que mal seria utilizado?

O trabalho do meu pai seria só comentar futebol, se esse fosse apenas futebol. Acontece que não é. Os clubes no Brasil se transformaram em agremiações de velhos políticos, coronéis. Escondem verdadeiras máfias. Não bastasse a triste campanha no Brasileirão de 2012, o Atlético perdeu a final do Campeonato Goiano. A diretoria do Dragão culpou a Federação Goiana de Futebol, acusando-a de escolher árbitros favoráveis ao time adversário. Comentando a polêmica na PUC-TV, em meados de junho, meu pai reabriu uma antiga ferida: “Querem que a Federação roube o título pra vocês? O problema é que lá no Atlético tem muito disso, nego acostumado a fazer mutreta, a tentar comprar resultado, como lá em Piauí, né, senhor Maurício Sampaio?”.

As críticas prosseguiram nos programas seguintes. Meu pai comentava, em debates ao vivo com outros jornalistas, boatos de que Sampaio chegara a pagar a torcida organizada rubro-negra para pichar os muros do próprio clube com xingamentos a jogadores, e até a dirigentes, se ocasionalmente caíssem no desagrado do vice-presidente. Logo as represálias começaram, atingindo, primeiro, outro profissional da imprensa.

Também comentarista esportivo, Charlie Pereira era colega do meu pai na PUC-TV e trabalhava para Maurício na Rádio 730 AM. Sim, o cartola e então cartorário era, e ainda é, “dono” de rádio. Adquiriu o controle da emissora no início de 2012, em sociedade com o advogado Neilton Cruvinel Filho e o apresentador Joel Datena, filho do popular apresentador José Luiz Datena.

A 730 é a rádio mais tradicional do jornalismo esportivo goiano. Meu avô, com sua popular “Equipe do Mané”, manteve uma bem-sucedida programação esportiva na então Rádio Clube durante os anos 1980. Em 1997, a emissora foi reinaugurada por Jorge Kajuru sob a alcunha “Rádio K do Brasil”, em homenagem a Juca Kfouri. Só em 2003 ela foi batizada de “730”, referência à frequência da onda de transmissão. E foi na 730 que Charlie recebeu o ultimato: ou ficava na rádio ou na TV. Sampaio não queria nenhum dos “seus” dividindo bancada com meu pai.

<div id="attachment_1146" style="width: 410px" class="wp-caption alignright"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/09/valerioluiz2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-1146" class="size-full wp-image-1146" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/09/valerioluiz2.jpg" alt="O jornalista na PUC-TV" width="400" height="249" /></a><p id="caption-attachment-1146" class="wp-caption-text">O jornalista na PUC-TV</p></div>

O jornalista deixou então a PUC, fazendo com que um dos coordenadores do programa, Daniel Santana, procurasse Maurício na intenção de dissuadi-lo da absurda exigência. O encontro se deu no 1º Tabelionato de Protestos e Registro de Pessoas Jurídicas, Títulos e Documentos de Goiânia, vulgo “Cartório WSampaio”, que o cartola ocupava interinamente (sem concurso) desde 1988, ano do falecimento do antigo tabelião, seu pai, Waldir Sampaio. “Quem não está comigo está contra mim”, foi sua resposta segundo Daniel.

Ainda em meados de junho de 2012 surgiram boatos de que Maurício deixaria a diretoria do Dragão em razão de desavenças financeiras com o clube. Instado a comentar o assunto, meu pai afirmou que o “deselegante” e “aborrecido” Sampaio era “descartável” e, por fim, pronunciou a expressão que seria celebrizada pelas crônicas policiais: “Meu amigo, você pode ver em filme de aventura, quando o barco está enchendo de água, os ratos são os primeiros a pular fora”.

A frase acirrou ainda mais os ânimos. No dia 19 de junho, o Atlético Clube Goianiense <a href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2015/09/carta-do-Atl%C3%A9tico-Goianiense.pdf">enviou cartas</a> à PUC-TV e à Rádio 820 proibindo-as de entrar nas suas dependências, vestiários ou em quaisquer instalações ocupadas pelo time. O documento, assinado pelo presidente Valdivino de Oliveira e o vice Maurício Sampaio, classificava meu pai como “persona non grata”.

A partir daí meu pai começou a demonstrar uma incomum ansiedade. Falava em abandonar o jornalismo e passou a portar, secretamente, uma pistola taser. Um dia eu o flagrei guardando o objeto. “Para proteção”, disse, constrangido. Um jornalista seu amigo, André Isac, conta tê-lo procurado naqueles dias com uma denúncia séria contra o Atlético, um furo de reportagem. “Ele parecia mais carregado e disse: ‘Olha, vou te pedir uma coisa: não fala disso não, porque não vale a pena. Essas pessoas são muito perigosas’”, relatou André.

Dias depois, minha madrasta <a href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2015/09/link-5.compressed.pdf">diria à Polícia Civil</a> ter ouvido do esposo que Maurício “estava fazendo de tudo para que fosse demitido da rádio e da TV, inclusive oferecendo patrocínios mensais”.
<h3><strong>Uma carta anônima</strong></h3>
Meu pai foi sepultado na manhã do dia 6 de julho, com presença massiva da imprensa goiana, de familiares, amigos e autoridades, inclusive o governador de Goiás e o prefeito da capital. Lembro de, ao me aproximar do caixão, fixar-me na sua mão esquerda, que estava enfaixada. Uma bala a atingira quando ele fez “posição de defesa”, segundo os peritos e legistas. A maior referência da minha vida estava ali, envolta em flores. Meu pai, a quem devo meu nome.

Desde aquela manhã a imprensa só falava sobre o crime. Todos os parentes, amigos e conhecidos eram gentis comigo, fazendo o possível para me distrair. Mas isso ficou ainda mais difícil quando <a href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2015/09/link-6.compressed.pdf">uma carta anônima</a> chegou às redações de todos os jornais de Goiânia.

Com o título “Nada muda na PM goiana”, a denúncia foi amplamente divulgada e caiu como uma bomba tanto na Secretaria de Segurança Pública quanto em meu coração. Dizia: “O assassinato do jornalista Valério Luiz, filho do Mané de Oliveira, tem ligação direta com o Tenente Coronel (e se ‘deus’ abençoar e o Governador assinar, futuro coronel) Urzeda que todos sabem é intimamente ligado à diretoria do Atlético, uma das principais vítimas dos comentários da vítima [meu pai]”.

A seguir, o texto era ainda mais preciso: “Quem executou o jornalista foi o SD Figueiredo do CME2, se houver um reconhecimento do mesmo pelas testemunhas não haverá dúvidas. Estão organizando uma acusação contra um menor de idade, que ou irá assumir, ou irá morrer, e a arma do crime será plantada com esse indivíduo, podem anotar isso aí, se não der tempo dessa informação chegar no comandante Urzeda”.

Depois de lê-la, lembro de perambular horas a fio pelo parquinho do prédio da minha tia, pensando. Sentia-me ridiculamente pequeno e impotente. Era horrível a sensação de que forças muito maiores, inclusive do Estado, se movimentaram para matar meu pai. Não hesitariam, pensei, em atingir a mim e à minha família. Decidi sair à rua o mínimo possível.

O tal tenente-coronel Urzeda era não só “intimamente ligado à diretoria do Atlético” como foi diretor de relações públicas do time até as vésperas do assassinato. <a href="http://apublica.org/2015/09/por-que-mataram-meu-pai/carta-de-urzeda-ao-atletico/" rel="attachment wp-att-19209">Renunciou no dia 19 de junho, por escrito</a>, em solidariedade a Maurício Sampaio, a quem chamou de “homem de personalidade forte, leal, amigo, de conduta ilibada”. Mesmo assim, em constantes entrevistas, inclusive no velório, prometia “ajudar nas investigações”. Em resposta, minha família mostrou a delicada posição do tenente-coronel e pediu seu afastamento do caso. Fomos atendidos.

<div id="attachment_1147" style="width: 610px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/09/valerio3.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-1147" class="size-full wp-image-1147" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/09/valerio3.jpg" alt="Manifestação que ocorreu 21 de julho de 2012" width="600" height="450" /></a><p id="caption-attachment-1147" class="wp-caption-text">Manifestação que ocorreu 21 de julho de 2012</p></div>

Ainda em julho, no dia 21, fizemos um<a href="https://www.youtube.com/watch?v=PiyspxmoAGo" data-rel="lightbox-video-1"> protesto</a> por justiça no Estádio Serra Dourada, antes do jogo Goiás (GO) vs. Avaí (SC), que valia pelo Campeonato Brasileiro da série B de 2012. Os jogadores do Verdão entraram em campo vestindo camisetas estampadas com a foto do meu pai e a inscrição: “Não deixem que o povo esqueça esse crime”. Faixas da Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de Goiás (Aceeg) exigiam resposta das autoridades.

Semanas e semanas se passaram, no entanto, sem nenhum avanço.

Outubro, novembro e dezembro foram marcados pela troca do secretário de Segurança Pública e por audiências com o governador Marconi Perillo, que, em duas ou três oportunidades, convocou ao Palácio das Esmeraldas os delegados encarregados do inquérito e, na presença do meu avô, requereu empenho. A imprensa não só lembrava constantemente o caso como fazia uma espécie de diário das investigações, principalmente o Jornal Opção, através de renitentes notas de seu editor-geral, Euler Fagundes de França Belém.

Em fevereiro de 2013, sete meses depois do crime, quando a ansiedade já ficava insuportável para mim, foi o próprio Euler que me ligou. “Valério, está sabendo das prisões no caso do seu pai?” Corri para a delegacia.

Era meio-dia, e jornalistas se amontoavam em volta da delegada Adriana Ribeiro. Ela falou sobre um açougueiro, Marcus Vinícius Pereira Xavier; um sargento da PM, Djalma Gomes da Silva; e um empregado de Maurício Sampaio, Urbano de Carvalho Malta. Comentava-se que o assassinato fora organizado pelo sargento e por Urbano. Mas faltava uma peça no quebra-cabeça.

Na manhã seguinte, li a notícia na internet, incrédulo. Maurício Sampaio acabara de ser preso.

Ao cabo de quase oito meses de investigação, a Polícia Civil encerrou o inquérito, indiciando o cabo Ademá Figuerêdo Aguiar Filho como o autor dos disparos, o açougueiro como partícipe, o sargento Djalma como primeiro operador, Urbano de Carvalho Malta como o segundo operador. O empresário e cartola Maurício Borges Sampaio foi apontado como mandante. Eis o que diz o inquérito.
<h3><strong>Como se mata um jornalista</strong></h3>
Marcus Vinícius Pereira Xavier, vulgo Marquinhos, possuía um açougue no bairro Parque Amazonas, em Goiânia, e tinha como cliente o sargento Djalma Gomes da Silva. Paralelamente ao açougue, mantinha uma vida criminosa, com passagens pela polícia por assalto e roubo de carros. Devido à amizade com o PM, era acobertado e em troca repassava informações sobre outros bandidos.

Segundo Marquinhos, Da Silva o procurou no açougue solicitando ajuda a “um amigo”. Dias depois, em 3 de julho, reapareceu na companhia de Urbano de Carvalho Malta. Precisavam “passar um susto” em um indivíduo, disseram, a mando do “patrão de Urbano”. Pediram que Marcus arrumasse uma motocicleta – a sua foi rejeitada por ser amarela, chamativa. Providenciou então a Honda CG preta de seu pai, além de uma camiseta velha e um capacete. Mais tarde, Da Silva voltou ao açougue sozinho e deixou um revólver calibre 357 carregado. Dois dias depois, era chegada a hora.

Naquela manhã, Marquinhos foi avisado que Figuerêdo passaria perto das duas da tarde. O policial chegou em um Fiat Palio azul-escuro, vestiu a camiseta, o capacete, pôs o revólver na cintura e acelerou com a moto rumo à Rádio Jornal 820 AM, ali perto. Não muito depois, os objetos e a Honda foram devolvidos. Marcus queimou a camiseta. A arma estava descarregada.

O inquérito relata que uma das testemunhas viu um motoqueiro parado na contramão da avenida T-5, como se esperasse algo. Ele dobrou na estreita rua da emissora ao mesmo tempo que a testemunha, que desacelerou a moto, com medo, e foi ultrapassada. Em segundos soaram os estampidos. Um comentarista da Jornal, Alípio Nogueira, saiu para checar o barulho. Ouviu uma voz dizer “liga pro Da Silva”.

A voz era de Urbano de Carvalho Malta, que, logo após a fuga do atirador, abriu a porta do carro e se inclinava sobre a vítima ainda agonizante. “Vou ligar pra ambulância”, respondeu Alípio, sem entender. Os primeiros a chegar, contudo, foram equipes especializadas da Polícia Militar. Segundo relatos de uma testemunha, intimidaram trabalhadores braçais de uma construção contígua, que poderiam ter visto demais.

Da Silva fazia segurança para Maurício em dias de jogos. Em troca, recebia dinheiro e isenção de mensalidade para os filhos numa escola de propriedade do cartola. Assim como o colega, Figuerêdo costumava acompanhar o ex-vice do Atlético ao Estádio Serra Dourada. Tanto o cabo quanto o sargento eram seguranças também de Joel Datena. Na véspera do homicídio, Urbano de Carvalho Malta se mudara para um casebre em frente à Rádio Jornal, onde não pagava aluguel e mantinha vigilância sobre a rotina de meu pai. O imóvel pertence a Maurício Sampaio. Nos depoimentos do inquérito, consta que Urbano chegou a levar Marquinhos até lá e dizer “esta é a casa em que eu trabalho”.

O tráfego de ligações foi intenso entre todos os acusados naquele 5 de julho, tendo sido identificada até mesmo uma chamada feita da cena do crime, de Urbano para o cartório WSampaio. Estava clara a circunstância: à medida que se aproximavam as 14h, Urbano se colocou na calçada e, por celulares “bodinhos” – comprados e registrados num CPF laranja apenas para o crime –, comunicou-se com Figuerêdo, deixando-o de sobreaviso. Quando meu pai saía da emissora, uma última e curta ligação, de 10 segundos, registrada às 13h59min17s, deu a ordem fatal.

Meses depois, o pai de Marcus relatou que o filho lhe confessou a participação no assassinato numa ocasião em que assistiam a notícias a respeito. O irmão dele também confirmou, e um primo acrescentou que, segundo Marcus, o mandante foi Maurício Sampaio.
<h3><strong>Duelo nos jornais, duelo nos tribunais</strong></h3>
Já no dia 28 de fevereiro foi julgado o primeiro habeas corpus (HC) impetrado a favor de Maurício Sampaio. A sala de sessões da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça mal comportava tanta gente. O relator, o desembargador José Paganucci Júnior, votou pela manutenção da prisão temporária, mas outro desembargador, Gerson Santana Cintra, surpreendeu a todos.

Gerson Santana, que sempre atuara no cível e apenas havia dias estava na 1ª Câmara Criminal, expôs uma fundamentação mais longa que a sustentação oral do advogado de defesa e votou pela soltura. O voto foi acompanhado pelo presidente da sessão, Ivo Fávaro, ao passo que a desembargadora Avelirdes Pinheiro optou por manter a prisão. Um quinto magistrado, Itaney Francisco Campos, chegou atrasado e não pôde votar. Como o empate beneficia o réu, por dois votos a dois o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) concedeu o habeas corpus.

No dia seguinte, o juiz Lourival Machado da Costa, da 2ª Vara Criminal de Goiânia, substituiu a prisão temporária por prisão preventiva, e em 2 de março o cartola estava encarcerado novamente. A essa altura, segundo jornalistas amigos nos contaram, funcionários da Rádio 730 haviam sido acionados para defender o patrão em rasgados editoriais. Nas páginas dos jornais, nos digladiávamos com o então chefe de jornalismo da emissora, Nilson Gomes, ex-assessor de Demóstenes Torres e detentor da língua mais ferina de Goiás.

“Liberdade para Maurício Sampaio é o mínimo a se fazer pela democracia”, chamava o título de um dos seus artigos no jornal Diário da Manhã. <a href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2015/09/link-9.pdf">Respondi com dureza, dias depois, no mesmo jornal</a>: “’Pela democracia?’ Talvez o pior defeito das palavras seja não poderem se defender quando usadas cretinamente […]. Não precisamos que nos ensine o que é democracia. Nós nos lembramos da Constituição e não confundimos seus artigos, incisos e alíneas com os do Código Civil, Parte Especial, Livro I, Título VI, Capítulo I: ‘Da Compra e Venda’”. A tréplica chamou-me de acusador e analfabeto.

No meio desse turbilhão, um segundo habeas corpus foi impetrado. O julgamento aconteceu em tempo recorde. Muito criticado pelo atraso no julgamento anterior, que resultou na soltura do cartola, o desembargador Itaney justificou-se e dessa vez proferiu <a href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2015/09/acordao-mauricio.pdf">extenso voto mantendo a prisão preventiva</a>. Uma tremenda vitória, inesperada. Pensei que a situação estava estabilizada pelo menos até o interrogatório dos réus. Por isso, foi com surpresa e curiosidade que ouvi, ainda em abril, sobre o terceiro habeas corpus.

Ao folhear a petição, me assombrou a engenhosidade da manobra. Em entrevista a um jornal goianiense, a viúva do meu pai comentara ter ouvido “que pessoas ligadas a Maurício Sampaio estariam procurando Marcus Vinícius […], oferecendo dinheiro”. Aproveitando a deixa, um dos advogados de defesa, Ruy Cruvinel Neto, requereu ao 4º Distrito Policial de Goiânia a instauração de investigação de calúnia por parte de Lorena.

O responsável pelo distrito, delegado Manoel Borges de Oliveira, esperou alguns dias e mandou seu adjunto, Everaldo Vogado da Silva, instaurar inquérito. Então Manoel Borges foi até a carceragem onde se encontrava Marquinhos e pediu para conversar “informalmente” com ele. Sem a presença de advogado, ao açougueiro foi requisitado assinar <a href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2015/09/Corregedoria-instaura-processo-contra-policiais-Cidades-O-Popular.compressed.pdf">termo de depoimento</a> no qual constava a frase: “Que não tem conhecimento da participação de Maurício Sampaio no episódio que resultou na morte de Valério Luiz”. Manoel Borges não assinou a diligência de próprio punho, solicitou que o adjunto assinasse em seu lugar e repassou tudo à defesa de Maurício.

A partir desse momento, a estratégia foi esperar as férias do desembargador Itaney. No dia 30 de abril, início do descanso do magistrado, foi protocolado o famigerado habeas corpus sob a justificativa do novo depoimento de Marquinhos. O desembargador substituto submeteu-o a julgamento e, por três votos a dois, Sampaio foi solto mais uma vez.

Com a grande repercussão negativa, o delegado-geral da Polícia Civil de Goiás afastou Manoel Borges do 4º Distrito Policial de Goiânia e determinou a investigação da sua conduta. Teve então início outro episódio folclórico: afirmando-se injustiçado, o delegado convocou coletiva de imprensa e apresentou um vídeo, a gravação do clandestino depoimento tomado de Marcus Vinícius na Delegacia Estadual de Homicídios. Aos repórteres, alegou ter gravado a ocasião “para se preservar”, pois já antevia “perseguições futuras”.

<a href="https://youtu.be/jWQ_KUL4tHA?t=5m10s" data-rel="lightbox-video-2">As imagens, feitas por um celular e sem o consentimento do depoente</a>, ironicamente serviram de prova tanto contra o delegado quanto contra o ex-vice do Atlético, pois não corroboraram o termo de depoimento usado no habeas corpus: não continham a frase que teoricamente inocentava Maurício Sampaio. Os corregedores concluíram que Manoel Borges inseriu informações falsas em documento público (depoimento de inquérito) visando beneficiar Sampaio. Até hoje, no entanto, nenhuma punição administrativa foi aplicada ao delegado, que hoje comanda o 7º Distrito Policial de Goiânia.
<h3><strong>Os pecados do padre</strong></h3>
Na véspera do julgamento de um embargo contra o último habeas corpus concedido a Maurício, um inusitado encontro no TJ estadual me deixou boquiaberto. Envolveu um padre muito popular em Goiânia, Luiz Augusto, que não só visitara Maurício Sampaio na cadeia como testemunhara em seu favor, relatando as gordas doações oferecidas à paróquia, e dera até entrevistas apregoando a inocência do réu.

Estava eu visitando os gabinetes de todos os desembargadores da 1ª Câmara Criminal e entregando memoriais explicativos sobre como o delegado Manoel Borges, em conluio com a defesa de Sampaio, os induzira a erro. Ao chegar a vez da desembargadora Avelirdes Pinheiro, pediram-me que esperasse na recepção, pois ela estava com alguém na sala. Minutos depois, aparecia a magistrada no corredor, acompanhada do padre Luiz Augusto, para orar com os servidores.

Ao me avistarem, ficaram brancos. Num gesto constrangido, o religioso chamou-me para junto aos outros. Neguei balançando a cabeça. Daquela oração eu não participaria, pois mandar padre conversar com desembargadora católica fervorosa um dia antes de ela votar embargos sobre a soltura de um assassino definitivamente não era obra de Deus. Ao fim do pai-nosso, Luiz Augusto e Avelirdes vieram conversar comigo.

Por ironia, o padre é quem tinha pecados a confessar. Justificou-se alegando não ter condições de saber se Maurício é culpado ou inocente. “Mas em entrevistas o senhor afiançou a inocência”, respondi, acrescentando que a condição de religioso conferia credibilidade a tais declarações perante os fiéis. O pároco prometeu então jamais tocar no assunto novamente. Hoje, responde a processo por receber salário da Assembleia Legislativa goiana como funcionário fantasma, conforme revelou <a href="http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2015/06/deputados-estaduais-usam-colecao-de-fraudes-para-desviar-dinheiro-publico.html">uma reportagem especial do Fantástico</a>.
<h3><strong>Uma canetada, a liberdade e o Facebook</strong></h3>
Com Maurício solto, em 27 de maio iniciaram-se as audiências de instrução. Eu e dois promotores de justiça fazíamos as perguntas da acusação. Do outro lado amontoavam-se advogados que conversavam na orelha uns dos outros sem parar.

No segundo dia de audiência, 28 de maio, os advogados de Da Silva, Figuerêdo, Urbano e Marquinhos, ancorados no habeas corpus concedido a Sampaio, pediram a soltura de seus clientes. O Ministério Público requereu vista dos autos para se manifestar, mas o juiz negou. Então, em 30 de maio, um dia antes de entrar de férias, o juiz Antônio Fernandes de Oliveira revogou todas as prisões preventivas, numa canetada só. Critiquei publicamente a decisão, pois o interrogatório dos réus não estava concluído e um deles, o açougueiro, disse em seu depoimento ter sido ameaçado de morte por Da Silva.

Com a soltura dos réus, Marcus Vinícius não compareceu em juízo para ser interrogado. Desapareceu.

Meses mais tarde recebi uma ligação de uma senhora do Real Conquista, periferia de Goiânia, dando pista do seu paradeiro. A sogra do açougueiro possui um salão de beleza naquele bairro e comentara com clientes que a família estaria em Portugal.

Como saber com certeza e provar isso para a Justiça? Foi quando soube que a esposa de Marquinhos mantinha uma conta no Facebook. Entrei no perfil sem grandes expectativas, mas, acreditem, estava tudo lá: fotos do casal na tranquila região de Caldas da Rainha. Uma delas continha até agradecimentos a Deus pela “segunda chance”. Imprimi as imagens imediatamente, enviei à imprensa e pedi nova prisão preventiva. Sem demora, o juiz Lourival Machado me atendeu.

O mandado de prisão foi entregue às autoridades lusitanas e o nome Marcus Vinícius Pereira Xavier, incluído entre os procurados pela Organização Internacional de Polícia Criminal, <a title="" href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2015/09/Captura-de-Tela-2014-06-20-%C3%A0s-19.19.22.png" data-rel="lightbox-3">a Interpol</a>. Em 7 de agosto de 2014, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras português capturou o fugitivo. Seguiu-se o processo de extradição, que só foi finalizado em 28 de novembro de 2014, com a chegada do açougueiro ao Brasil. Hoje ele está detido no Complexo Prisional Odenir Guimarães, em Aparecida de Goiânia, e ainda não se sabe com que dinheiro transportou a família inteira para a Europa, onde viveram por mais de um ano.
<h3><strong>Ligações também no Judiciário</strong></h3>
A cada ano completado desde o covarde homicídio do meu pai, realizamos uma manifestação pelas ruas de Goiânia. <a href="https://www.youtube.com/watch?v=Vu5dPY7xy44" data-rel="lightbox-video-3">No primeiro deles</a>, 5 de julho de 2013, centenas de pessoas ocuparam a Praça Cívica para homenageá-lo e pedir justiça. Em 3 de outubro daquele ano, realizamos na Assembleia Legislativa de Goiás uma audiência pública chamada “Imprensa por Valério”, exigindo a proteção dos profissionais da imprensa. Visitamos duas vezes a Secretaria Nacional de Direitos Humanos, em reuniões com as ministras, além da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Fizemos, ainda, um pedido pela federalização do caso, em reunião com o procurador-geral da República.

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<div id="attachment_1149" style="width: 610px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/09/valerio4.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-1149" class="size-full wp-image-1149" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/09/valerio4.jpg" alt="Valério Luiz Filho no 6º Forum Liberdade de Imprensa e Democracia" width="600" height="400" /></a><p id="caption-attachment-1149" class="wp-caption-text">Valério Luiz Filho no 6º Forum Liberdade de Imprensa e Democracia</p></div>

Participei do 6º Fórum Liberdade de Imprensa e Democracia, realizado em Brasília, com a presença do Committee to Protect Journalists (CPJ), que, no mesmo dia, entregou à presidente Dilma Rousseff <a href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2015/09/Relat%C3%B3rio-CPJ.pdf">um relatório com 12 episódios de jornalistas assassinados no exercício da profissão</a> desde a sua posse em janeiro de 2011. Entre as mortes listadas, a do meu pai.

Tantos esforços de divulgação do caso foram engendrados em razão de um temor específico: o peso da influência de Maurício Sampaio no Tribunal de Justiça de Goiás. Afinal, <a href="http://oglobo.globo.com/brasil/cartorios-faturam-1-bilhao-por-mes-no-brasil-11337663">eram quase 25 anos à frente de um cartório milionári</a>o, o WSampaio, que em 2013 foi o 4º cartório mais rentável do Brasil, chegando a faturar R$ 5 milhões por mês.

Soube mais sobre os meandros das ligações do tabelionato ao buscar uma fiscalização do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) daquele ano. Encontrei graves irregularidades identificadas no cartório WSampaio, o que me levou a redigir uma Ação Popular pedindo o afastamento de Sampaio. Entre elas, pagamento de notas fiscais frias emitidas por empresas de fachada, algumas abertas por funcionários do próprio cartório; cobrança de emolumentos acima das tabelas fixadas pela Corregedoria do Tribunal de Justiça, lesando milhares de consumidores; registros de documentos em sistema paralelo, fora dos livros oficiais; e até a assunção de despesas do Atlético Clube Goianiense, segundo consta no relatório do CNJ.

Mesmo assim, magistrados do TJ de Goiás mantinham no cargo cartorários interinos, como Maurício Sampaio, passando por cima das determinações do CNJ.

Num exemplo marcante, uma série de decisões de um famoso juiz local, Ari Ferreira de Queiroz – que, na TV, chegou a criticar a prisão preventiva de Maurício Sampaio pelo assassinato –, concedeu uma espécie de monopólio de registro de veículos ao Cartório WSampaio.

Eis o que aconteceu: o Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO) estava anotando em seus registros os novos veículos financiados que saíam às ruas. Maurício Sampaio, então, ajuizou ação visando impedir o Detran de realizar tais registros antes que os contratos de financiamento (alienação fiduciária e arrendamento mercantil) fossem registrados primeiro nos Tabelionatos de Protesto e Documentos de Goiânia. O juiz Ari concedeu <a href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2015/09/link-17.compressed.pdf">liminar </a>determinando que todos os contratos de financiamento de veículos do estado de Goiás fossem obrigatoriamente registrados em um dos Tabelionatos de Documentos da Capital. Na prática, existiam apenas dois, mas o segundo, por alguma razão, negou-se a fazer os registros. Como consequência, se alguém financiasse um carro fosse em Goiânia ou Terezinha de Goiás, extremo norte do estado, teria de registrar o contrato com o tabelião Maurício Borges Sampaio.

Com essa série de decisões, o rendimento da serventia multiplicou-se. Dizem que o dinheiro seria repartido em propinas, mas nunca consegui informações aprofundadas. Sei, no entanto, que Sampaio desenvolveu até um software de comunicação direta com o Detran. O sistema informava ao órgão quais contratos já estavam registrados no tabelionato. Na época, o presidente do Detran era Edivaldo Cardoso, flagrado pela Polícia Federal em comprometedores diálogos com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, de quem Sampaio é amigo. A rede parecia não ter fim.

Finalmente, em junho de 2013, o Ministério Público propôs uma Ação Civil Pública por ato de improbidade administrativa, pedindo o afastamento de Maurício e o bloqueio de quase R$ 16 milhões em seus bens. A esta altura, a liminar de Ari Queiroz que concedera o monopólio estava suspensa pela presidência do Tribunal de Justiça e se desenrolavam no CNJ procedimentos tanto contra o suspeito juiz quanto contra Sampaio. Não tardou até o cartorário ser afastado, e o juiz, aposentado compulsoriamente.
<h3><strong>A última batalha</strong></h3>
Finalmente, em 30 de abril de 2015, Marcus Vinícius, Urbano Malta, Ademá Figuerêdo, Djalma da Silva e Maurício Sampaio <a href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2015/09/Acusados-da-morte-de-Val%C3%A9rio-Luiz-v%C3%A3o-a-j%C3%BAri-popular-em-Goi%C3%A1s-_-ABI.pdf">foram mandados a júri popular</a> pela unanimidade do Tribunal de Justiça de Goiás. Mas ainda não há data para o julgamento. No momento, encontram-se em tramitação os recursos especiais e extraordinários dos réus para os tribunais superiores (STJ e STF), última fase antes do júri. Com exceção de Marquinhos, os acusados continuam livres e agora utilizam outras estratégias na batalha.

Entristece-me ainda hoje ouvir pessoas repetindo: “Santo, não era”; ou “Se morreu, alguma coisa fez”. Esse preconceito foi inflado por páginas anônimas e perfis fake na internet. Acusaram meu pai de envolvimento com mulheres casadas, drogas, prostituição, infantilmente tentando enquadrá-lo em quaisquer estereótipos sociais que afastassem o apoio popular na nossa luta por justiça. Num momento de particular inspiração para a crueldade, <a href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2015/09/05-de-janeiro-2015.pdf">usaram a expressão “Valério Cheira-pó Luiz”</a>. Em 19 de fevereiro de 2015, conseguimos <a href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2015/09/Decis%C3%A3o-concedenco-liminar.pdf">decisão liminar</a> na 2ª Vara Cível de Goiânia para tirar do ar uma das páginas.

Mas, para azar dos detratores, meu pai, apesar de intempestivo, era testemunha de Jeová desde os 25 anos e homem de hábitos espartanos. Além disso, era profissional renomado, com trajetória conhecida por todos, e filho do maior nome do jornalismo esportivo de Goiás, Manoel de Oliveira, meu avô, hoje o deputado estadual mais votado da história. Não seria fácil estereotipar Valério Luiz, e não conseguiram.

Ainda assim, é sintomático que, para conseguirmos o indiciamento, a denúncia e um curso normal de processo, tenhamos precisado confrontar diretamente militares, um tenente-coronel, um delegado, dois juízes de direito, setores da imprensa e até um padre. É surreal como um só homem conseguiu instrumentalizar tantos agentes públicos a seu favor.

A cooptação de policiais é especialmente problemática. Aqui em Goiás é comum as classes ricas arregimentarem parte da tropa para bicos como seguranças, não raro pagando mais que a corporação e assim pervertendo as relações normais de lealdade dos militares no seio social. “Maurício Sampaio, amigo da Rotam”, essa era a inscrição de uma camiseta encontrada na sua casa durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão em 2013 – a Rotam é um destacamento especializado da Polícia Militar goiana inspirado na Rota paulista. E, pra mim, ela simboliza as bases da nossa sociedade subdesenvolvida: dinheiro e arma.

Lembram-se de que Figuerêdo chegou ao açougue de Marquinhos em um Fiat Palio azul-escuro? Pois bem. Inadvertidamente, Da Silva, em sua defesa prévia, juntou aos autos <a href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2015/09/link-21.pdf">um documento restrito do comando</a> ao qual pertencia (Comando de Missões Especiais – CME) cujo teor discrimina o contingente e as viaturas descaracterizadas do grupo em 2012, entre as quais justamente um Palio azul. Para mim, isso sugere que a própria estrutura oficial do comando foi usada no crime.

Em janeiro deste ano, Maurício Sampaio retornou à diretoria do Atlético Clube Goianiense, dessa vez não na condição de vice-presidente, mas de presidente. A cerimônia de posse contou com as presenças de Valdivino de Oliveira e do tenente-coronel Wellington Urzeda, atualmente comandante de um recém-criado Batalhão de Operações Especiais – Bope. Indignada, parte da imprensa local anunciou um boicote ao clube,<a href="http://esportes.terra.com.br/atletico-go/atletico-go-presidente-reu-por-homicidio-enfrenta-boicote,d8bd11482b0ca410VgnVCM10000098cceb0aRCRD.html"> fato repercutido nacionalmente</a>.

Há uma ironia nessa história, que meros comentários sobre futebol tenham atingido um grupo de poder inteiro. Isso porque, como já disse, o futebol não é só futebol. Meu pai nem imaginava a profundidade das conexões aqui narradas, mas, quando o cartola e agora ex-cartorário, do alto da soberba, ordenou tão escandaloso assassinato, atraiu os olhares para si e deixou aparentes esquemas, que por isso ruíram. Como consentiam em dar tanta força a um homem só, a ponto de o deixarem se julgar em condições para decidir sobre vida e morte?

Fiz essa pergunta repetidamente a mim mesmo, enquanto lembrava do meu pai envolto em flores no caixão. Em lugares patrimonialistas, corruptos, dominados por máfias e ranços coronelistas, a segurança individual existe até não cruzarmos o caminho de algum “coronel”, que, infiltrado nas instituições, pode neutralizá-las para fazer valer a lei da força.

A Morte Rubra invadira o castelo da nossa família, era preciso sair, influir no lado de fora: criei uma associação de apoio a vítimas de assassinato, o Instituto Valério Luiz, e ingressei numa pós-graduação em Criminologia e Segurança Pública pela Universidade Federal de Goiás. Assim segue a nossa luta, enquanto esperamos a definição de uma data para o júri popular a fim de obtermos, no caso do meu pai, justiça, e não o acréscimo dos absurdos índices de impunidade do Brasil quando se trata de jornalistas assassinados.

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		<title>Os cinco gigantes do futebol uruguaio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Jun 2015 19:21:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Para os torcedores de cinco pequenos times uruguaios, a operação que prendeu os dirigentes da FIFA, da Conmebol e da Concacaf não foi surpresa nenhuma. Há três anos, os dirigentes do Cerro, Cerro Largo, El Tanque Sisley, Miramar Misiones e Rentistas resolveram enfrentar os gigantes e exigiram que o presidente da Associação Uruguaia de Futebol (AUF) [&#8230;]</p>
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				Para os torcedores de cinco pequenos times uruguaios, a operação que prendeu os dirigentes da FIFA, da Conmebol e da Concacaf não foi surpresa nenhuma. Há três anos, os dirigentes do Cerro, Cerro Largo, El Tanque Sisley, Miramar Misiones e Rentistas resolveram enfrentar os gigantes e exigiram que o presidente da Associação Uruguaia de Futebol (AUF) solicitasse à Conmebol toda a documentação referentes aos contratos firmados pela confederação.

É óbvio que os cartolas não lhes deram ouvidos. Então, em dezembro de 2013, os representantes dos clubes deram um passo ousado: entraram com uma ação criminal para o Juizado do Crime Organizado uruguaio investigar os contratos, a contabilidade e as atividades irregulares da Conmebol.Isto incomodou.

Os clubes passaram a ser ameaçados de expulsão e terem suas atividades de futebol encerradas caso não retirassem a denúncia. Sem contar os incontáveis pênaltis inexistentes e impedimentos não marcados dentro de campo. Mesmo, assim, não recuaram.

Os investigadores uruguaios não foram tão rápidos como os norte-americanos, mas agora os cinco clubes – chamados pela mídia local de &#8216;Os cinco que não esquecem&#8217; – já avisaram que querem mais: estão cobrando que a justiça realize uma devassa nas relações da AUF com a empresa Full Play, dos empresários Hugo Jinkis, seu filho Mariano e Alejandro Burzaco, todos os três indiciados pelo FBI. A Full Play possui os direitos de transmissão dos jogos da Celeste Olímpica.

Coincidência ou não, o Cerro é o time de coração do ex-presidente Pepe Mujica.		<p>O post <a href="https://marcozero.org/os-cinco-grandes-gigantes-do-futebol-uruguaio/">Os cinco gigantes do futebol uruguaio</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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