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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Em vitória inédita, mobilização popular paralisa parque eólico em Pernambuco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Feb 2025 19:10:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[CPT]]></category>
		<category><![CDATA[energia eólica]]></category>
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		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
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		<category><![CDATA[parques eólicos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Após dois dias de ocupação do prédio da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe), no bairro das Graças, na zona norte do Recife, e de quase seis horas de uma reunião tensa, famílias agricultoras do Agreste e indígenas Kapinawá conseguiram fechar um acordo com o Governo de Pernambuco para reduzir os impactos de empreendimentos [&#8230;]</p>
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<p>Após dois dias de <a href="https://marcozero.org/agricultores-e-povo-kapinawa-ocupam-predio-do-governo-em-mais-um-protesto-contra-eolicas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">ocupação do prédio</a> da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe), no bairro das Graças, na zona norte do Recife, e de quase seis horas de uma reunião tensa, famílias agricultoras do Agreste e indígenas Kapinawá conseguiram fechar um acordo com o Governo de Pernambuco para reduzir os impactos de empreendimentos eólicos no interior do estado. Essa é a primeira vez que uma mobilização garante a paralisação de um parque eólico no país. </p>



<p>Trabalhadores e trabalhadoras rurais de Caetés e Vertentes, indígenas e representantes de movimentos sociais que se uniram à ocupação conseguiram a garantia de que o governo Raquel Lyra (PSDB) não irá apoiar a instalação de aerogeradores em território Kapinawá e também não renovará a licença de operação do complexo Ventos de São Clemente. Uma parte das turbinas já foi desligada.</p>



<p>No caso do complexo Ventos de Santa Brígida, será instaurado um comitê de crise com participação das comunidades atingidas para a construção de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).</p>



<p>Também ficou pactuada a reabertura do Grupo de Trabalho, incluindo a participação de lideranças sociais, para a inclusão na instrução normativa da CPRH que regulamenta o licenciamento ambiental de empreendimentos eólicos em Pernambuco de uma regra de distanciamento mínimo entres as torres e as casas. Uma das queixas das famílias camponesas é que a instrução normativa publicada no ano passado não determina essa distância, e, sim, estabelece a discussão caso a caso.</p>



<p>O acordo foi firmado na noite desta terça-feira, 18 de novembro, em reunião com representantes das Secretarias de Meio Ambiente e Desenvolvimento Social, além da Casa Civil, da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e da Defensoria Pública da União (DPU).</p>



<p>A ocupação começou na segunda (17) pela manhã. Mais uma vez, o objetivo era denunciar os impactos dos empreendimentos eólicos, principalmente perda de territórios, remoções forçadas, contratos abusivos e danos ambientais e à saúde das famílias que vivem próximas aos aerogeradores.</p>



<p>“Não dá para voltar atrás do que se necessita. Foi uma grande vitória”, resumiu o educador popular e agente pastoral da Comissão Pastoral da Terra (CPT) João do Vale. Ele informa que a ocupação se desfez após os encaminhamentos, mas que o grupo segue vigilante. “Deixamos claro que é uma trégua diante das promessas que o governo estadual fez. Caso não ele cumpra, seja para a Adepre ou outro lugar do Governo do Estado”, disse João.</p>



<p>Por meio da assessoria de imprensa, a CPRH reforçou que o licenciamento ambiental em território indígena cabe ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e que, diante do acordo firmado junto à ocupação, o governo estadual garante que será contrário a autorização desse tipo de empreendimento nessas localidades — até porque a CPRH não pode adentrar numa competência que não é dela.</p>



<p>Sobre Santa Brígida e São Clemente, a CPRH detalhou que ambos estavam em processo de renovação de licença de operação. Santa Brígida respondeu à CPRH sobre as condicionantes, apresentando um plano de ação com cronograma do que poderia ser feito para redução dos impactos na população. Já São Clemente se recusou a cumprir os aspectos legais. Por isso o órgão decidiu não renovar a licença.</p>



<p>Na noite desta quarta (20), o Governo de Pernambuco emitiu uma nota sobre o assunto, através da Secretaria de Meio Ambiente. Confira na íntegra: </p>



<p><strong>NOTA À IMPRENSA</strong></p>



<p>O Governo de Pernambuco reafirma o seu compromisso em aliar o desenvolvimento econômico a uma transição energética verde e justa. Desta forma, um Grupo de Trabalho (GT) foi criado há um ano, de forma pioneira, para a elaboração do Licenciamento Socioambiental de Energias Renováveis. O GT culminou na publicação, em outubro de 2024, da instrução normativa para empreendimentos de energia renovável, cujo intuito é trazer regras mais claras e segurança jurídica, garantindo, assim, os direitos das famílias impactadas pelos empreendimentos, bem como assegurando um bom ambiente de negócios que passe a prosperar a implantação de energias renováveis no estado. </p>



<p>Desde o início das manifestações, o Governo do Estado tem se colocado aberto ao diálogo, junto ao Ministério Público, com as lideranças das comunidades rurais (Caetés e Venturosa) e os povos indígenas Kapinawá. Na última terça-feira, um termo de entendimento foi construído e assinado entre as partes contemplando a adoção de medidas imediatas pelo Governo do Estado para salvaguardar as famílias impactadas na região.</p>



<p>Entre os pontos acordados no termo de entendimento, estão:</p>



<p>&#8211; o indeferimento, pela CPRH, do pedido de renovação da licença operacional do Complexo Eólico São Clemente; </p>



<p>&#8211; a construção de proposta de termo de ajustamento de conduta, a ser analisado pelo MPPE e pela empresa responsável pelo Complexo Eólico Santa Brígida; </p>



<p>&#8211; a reabertura do grupo de trabalho de Energias Renováveis, a fim de discutir a possibilidade de inclusão, na instrução normativa que regulamenta o licenciamento ambiental dos empreendimentos eólicos de Pernambuco, de regras de distanciamento mínimo entre os aerogeradores e as edificações.</p>



<p><em>Matéria atualizada em 20 de fevereiro de 2025, às 12h29</em></p>
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		<title>Relatório da CPT aponta maior número de conflitos no campo dos últimos 40 anos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Apr 2024 19:33:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[CPT]]></category>
		<category><![CDATA[Pastoral da Terra]]></category>
		<category><![CDATA[sem terra]]></category>
		<category><![CDATA[violência no campo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Comissão Pastoral da Terra (CPT) lançou nesta semana o relatório Conflitos no Campo Brasil, que apontou o maior número de conflitos no campo desde o primeiro levantamento, em 1985. A 38ª edição revelou que, em quase quatro décadas acompanhando os dados de violências ligadas a questões agrárias no país, também houve o aumento no [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A <a href="https://www.cptnacional.org.br/">Comissão Pastoral da Terra (CPT)</a> lançou nesta semana o relatório<em><a href="https://www.cptnacional.org.br/downlods?task=download.send&amp;id=14308:conflitos-no-campo-brasil-2023&amp;catid=41"> Conflitos no Campo Brasil</a>, </em>que apontou o maior número de conflitos no campo desde o primeiro levantamento, em 1985. A 38ª edição revelou que, em quase quatro décadas acompanhando os dados de violências ligadas a questões agrárias no país, também houve o aumento no número de vítimas de violência, violência contra indígenas e mulheres.</p>



<p>Ao total, foram registrados 2.203 conflitos em 2023, 7,46% maior que o ano anterior, que registrou 2.050 casos. O relatório foi dividido em três eixos principais: terra, água e trabalho. A maioria das ocorrências registradas foram por terra, com 1.724 casos, seguidos de ocorrências de trabalho escravo rural, com 251 casos e conflitos pela água, com 225.</p>



<p>Desse total, foram 950.847 pessoas envolvidas, na disputa por quase 60 milhões de hectares (exatos 59.442.784 ha), em todo o Brasil. O número de pessoas é 2,8% maior em relação às 923.556 envolvidas em 2022, no entanto, a área em disputa é 26,8% menor do que os pouco mais de 81 milhões de hectares disputados no mesmo período de comparação.</p>



<p>Em todos os eixos, há a categoria violência contra a pessoa, com informações para os indivíduos diretamente afetados nos territórios. Foram 554 ocorrências, que afetaram 1.467 pessoas. Representando o terceiro maior número de casos nos últimos dez anos, se comparado ao ano anterior, houve um aumento de 36,4% no número de vítimas e uma redução de 1,2% nos números total de ocorrências.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>A construção do relatório <em>Conflitos no Campo Brasil</em> é feita pela equipe de documentalistas do Centro de Documentação Dom Tomás Balduíno (CEDOC), a partir do trabalho de agentes pastorais da CPT, lotados nas equipes regionais que atuam em comunidades rurais de todo o Brasil, além de reunir as informações de apuração de denúncias, documentos e notícias, ao longo do ano.</p>
        </div>
    </div>



<p>Quando direcionado ao perfil das maiores vítimas, são os indígenas que ocupam a etnia mais atingida, foram 25,5% do total de pessoas vitimadas em 2023. Em seguida, estão os pequenos proprietários com 20,3%, os sem terra com 20,1%, os posseiros com 13,5%, os quilombolas com 3,9%, e os seringueiros com 3,75%. </p>



<p>Chama atenção o aumento de 81,7%  em relação a 2022 nos casos dos pequenos proprietários. De acordo com o documento, isso aconteceu por causa da contaminação por agrotóxico em Belterra, no Pará. Os seringueiros também tiveram um aumento expressivo de 5.400% nos números de ocorrências, passando de 1 pessoa em 2022, para 55 no ano passado.</p>



<p>O relatório considera diferentes tipos de violência contra as pessoas. A de maior incidência foi a contaminação por agrotóxico, com 21 ocorrências e 336 pessoas vitimadas, representando um aumento de 74% em relação a 2022. A segunda com mais vítimas foi a ameaça de morte, com 218 pessoas e um aumento de 4,3% em relação às 209 registradas no ano anterior.</p>



<p>Em terceiro lugar estão os casos de intimidação que somam 194 pessoas vitimadas e um aumento de 41,6% nos registros. Em seguida, os casos de criminalização com 160 vítimas, detenção com 135 vítimas, agressão com 115 vítimas, prisão com 90 casos e de cárcere privado com 72 vítimas.</p>



<p>Apesar do número crescente de vítimas de violência contra a pessoa e de conflitos no campo, o número de assassinatos em conflitos caiu 34% se comparado ao ano anterior, foram 31 vítimas em 2023 contra 47 em 2022. Destas, 14 eram indígenas, nove eram sem terra, quatro eram posseiros, três eram quilombolas e um era funcionário público. O estudo aponta que a violência contra os indígenas começou a crescer exponencialmente a partir de 2016 e, a partir de 2019, eles se tornaram asmaiores vítimas desse tipo de violência.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/04/Grafico_page-0001.jpg" alt="Gráfico intitulado Panorama dos conflitos no campo 2023, elaborado pela Comissão Pastoral da Terra com dados e estatísticas de violência no campo." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                
                                            <span>Crédito: CPT</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Mulheres na mira da violência</strong></h2>



<p>Considerando o recorte de gênero, é possível identificar que também houve uma crescente de casos de violência contra as mulheres: das quase 1.500 pessoas que sofreram algum tipo de violência, foram identificadas 180 mulheres, um aumento de 25% em relação a 2022. Entre elas, as indígenas foram as maiores vítimas, com 41,1% dos casos registrados, seguidas pelas sem terra com 13,3%, posseiras com 13,3%, assentadas com 9,4% e quilombolas com 8,3%.</p>



<p>Os assassinatos aumentaram em 16,7% em relação ao ano anterior, com 7 mortes em 2023. Acompanhando a linha dos dados gerais, as indígenas também foram as maiores vítimas fatais, com quatro casos, seguidas por uma posseira, uma sem terra e uma quilombola &#8211; Mãe Bernadete Pacífico, liderança e ialorixá executada a tiros no Quilombo de Pitanga dos Palmares (BA), em 17 de agosto de 2023, em um caso que repercutiu em todo o país.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/lideranca-quilombola-e-do-candomble-assassinada-na-bahia-havia-pedido-protecao-ao-stf/" class="titulo">Liderança quilombola e do candomblé assassinada na Bahia havia pedido proteção ao STF</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
            
		            </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Entre as diversas violências no contexto dos conflitos no campo, foram 45 vítimas de ameaça de morte, 36 de intimidação, 30 de estupro e a 13 de tentativa de assassinato. O mais alarmante é o aumento nos casos de estupro e o grupo social alvo desse tipo de crime: foram 2.900% dos registros de estupro a mais que em 2022, saindo de um para 30 casos. Todos esses crimes aconteceram contra mulheres do povo yanomami, vítimas de garimpeiros que estão em suas terras.</p>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>A cada quatro horas, um conflito por terra acontece no Brasil</title>
		<link>https://marcozero.org/a-cada-quatro-horas-um-conflito-por-terra-acontece-no-brasil/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Jul 2023 14:33:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[conflitos agrários]]></category>
		<category><![CDATA[conflitos no campo]]></category>
		<category><![CDATA[CPT]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em 2022, o Brasil registrou a média de um conflito por terra a cada quatro horas totalizando 2.018 casos no ano. Em Pernambuco, foram registradas 65 ocorrências envolvendo 31.056 pessoas. Os números foram apresentados pela Comissão Pastoral da Terra na publicação “Conflitos no Campo Brasil”, levantamento que reúne os dados de violências e violações de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em 2022, o Brasil registrou a média de um conflito por terra a cada quatro horas totalizando 2.018 casos no ano. Em Pernambuco, foram registradas 65 ocorrências envolvendo 31.056 pessoas. Os números foram apresentados pela Comissão Pastoral da Terra na <a href="https://www.cptnacional.org.br/downlods/download/41-conflitos-no-campo-brasil-publicacao/14302-livro-2022-v21-web" target="_blank" rel="noreferrer noopener">publicação “Conflitos no Campo Brasil”</a>, levantamento que reúne os dados de violências e violações de direitos ocorridas no campo.</p>



<p>De acordo com a pesquisa da CPT, os conflitos no campo que ocorreram no Brasil em 2022 envolveram 909.450 pessoas e 80.165.951 de hectares de terra. O número de camponeses assassinados no período foi 30,55% maior em comparação a 2021, com o registro de 47 mortes. Já as tentativas de assassinato cresceram 273% em comparação a 2021 e atingiram 123 pessoas, o maior número registrado pela CPT desde o início da realização do levantamento, em 1985.</p>



<p>Os povos indígenas foram os principais afetados pelos conflitos por terra no país, com 28% das ocorrências de violências e violações, seguidos dos posseiros, com 20%, quilombolas com 16%, sem-terra, com 11%, outras categorias, com 16%, e assentados/as, com 9%.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Zona da Mata é a região </strong>com maior número de conflitos por terra em Pernambuco</h3>



<p>Em fevereiro de 2022, Jonathas Oliveira, de 9 anos, foi assassinado a tiros no Engenho Roncadorzinho em Barreiros, na Zona da Mata de Pernambuco, local onde vive uma comunidade de posseiros em situação de conflito por terra. O crime expôs o contexto violento em que vivem famílias de posseiros no estado e chamou atenção para a luta por garantia de direitos da população camponesa.</p>



<p>De acordo com dados da CPT, em 2022, a Zona da Mata foi a região pernambucana que registrou o maior número de conflitos por terra, reunindo 52,3% das ocorrências, seguida da Região Metropolitana do Recife, com 20%, Agreste, com 18,5%, e Sertão, com 9,2%.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/emocao-das-criancas-e-revolta-da-comunidade-com-hipotese-da-policia-marcam-ato-em-barreiros/" class="titulo">Emoção das crianças e revolta da comunidade com hipótese da Polícia marcam ato em Barreiros</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/conflitos-agrarios/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Conflitos Agrários</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Segundo o agente pastoral e coordenador regional da CPT, Geovani Leão, o alto percentual no número de conflitos registrados na Zona da Mata de Pernambuco é consequência do avanço extensivo da pecuária na região. “Diversos empresários estão arrendando ou arrematando em leilões, a preços vis, terras de Usinas falidas ou desativadas para impulsionarem a criação de gado”, afirmou Leão. Ainda de acordo com o agente, estes empresários vêm sendo denunciados sob a acusação de esbulho de posse (quando o direito de posse de um bem é retirado do possuidor contra a vontade deste), ameaças, perseguições, destruição de lavouras e outros tipos de violência contra comunidades e famílias de agricultores posseiros.</p>



<p>A publicação da CPT revelou ainda que a categoria que mais sofreu com os conflitos por terra, em 2022, foram os posseiros, afetados por 37% das ocorrências, seguidos das famílias sem-terra e de comunidades pesqueiras, ambas afetadas em 19% dos registros, famílias quilombolas, em 14%, pequenos proprietários, em 5%, e indígenas e assentados, ambos presentes em 3% das ocorrências. Também de acordo com os dados da CPT, em Pernambuco, no ano de 2022, 665 famílias foram vítimas de pistolagem; 235 tiveram suas terras ou territórios invadidos; 652 sofreram ameaças de despejo; e 321 roças foram destruídas.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Conflitos por água crescem em Pernambuco</strong></h3>



<p>A metodologia utilizada no levantamento da Comissão Pastoral da Terra subdividiu as ocorrências no campo que aconteceram em Pernambuco em 2022 em três categorias: conflitos por terra, com 47 registros, conflitos pela água, com 16 registros, e conflitos trabalhistas, com dois registros.</p>



<p>Os conflitos pela água destacam-se por apresentar um aumento de 220%, em 2022, em comparação com o ano de 2021, quando foram registradas cinco ocorrências. De acordo com a CPT, nos conflitos por água ressaltam-se os casos de contaminação por agrotóxicos. O uso dos venenos como arma química tem sido denunciado pelas populações afetadas como uma estratégia para inviabilizar a permanência delas na terra ou no território em que vivem.</p>



<p>Casos de envenenamento na água ocorreram nas comunidades dos Engenhos Fervedouro e Barro Branco, localizadas no município de Jaqueira, Mata Sul de Pernambuco. As famílias agricultoras posseiras da localidade foram repetidas vezes surpreendidas com a pulverização de agrotóxicos, por meio de drones, em suas lavouras e fontes de água. Nos conflitos pela água, destacaram-se ainda casos de impedimento do acesso à água, controle e apropriação, além de poluição que afetaram populações pesqueiras, povos e comunidades no Agreste, no Sertão e na Região Metropolitana do Recife.</p>



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		<title>Governo estadual desapropria engenho onde criança foi assassinada e agricultores vão ficar com as terras</title>
		<link>https://marcozero.org/governo-estadual-desapropria-engenho-onde-crianca-foi-assassinada-e-agricultores-vao-ficar-com-as-terras/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Aug 2022 13:56:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Barreiros]]></category>
		<category><![CDATA[CPT]]></category>
		<category><![CDATA[engenho Roncadorzinho]]></category>
		<category><![CDATA[Fetape]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo Câmara]]></category>
		<category><![CDATA[violência no campo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O engenho Roncadorzinho, em Barreiros, onde o menino Jonatas Oliveira, de 9 anos, foi assassinado a tiros na noite de 10 de fevereiro, foi desapropriado pelo Governo de Pernambuco. O decreto de desapropriação foi publicado na manhã desta sexta-feira no Diário Oficial. As terras pertencem à massa falida da usina Santo André do Rio Una, [&#8230;]</p>
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<p>O engenho Roncadorzinho, em Barreiros, onde o menino Jonatas Oliveira, de 9 anos, foi assassinado a tiros na noite de 10 de fevereiro, foi desapropriado pelo Governo de Pernambuco. O decreto de desapropriação foi publicado na manhã desta sexta-feira no Diário Oficial.</p>



<p>As terras pertencem à massa falida da usina Santo André do Rio Una, pertencente à família Bezerra de Melo, e estavam arrendadas para a empresa agropecuária Javari, que cobrava na Justiça a reintegração de posse e o despejo das 77 famílias que ocupavam o engenho na Zona da Mata sul.</p>



<p>A decisão de desapropriar o engenho havia sido informada pelo governador Paulo Câmara aos agricultores na noite de quarta-feira, 17 de agosto, ao fim de uma manifestação organizada pela Comissão Pastoral da Terra e da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado de Pernambuco (Fetape). O anúncio durante a reunião realizada com representantes das famílias camponesas e das duas entidades.</p>



<p>O decreto estabelece que as terras desapropriadas “destinam-se à manutenção de colônias ou cooperativas de povoamento e trabalho agrícola”. O documento também prevê a regularização fundiária “em favor das famílias residentes na localidade”.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/crianca-de-9-anos-filho-de-lider-rural-e-assassinada-na-mata-sul-e-entidades-exigem-rigor-nas-investigacoes/" class="titulo">Criança de 9 anos, filho de líder rural, é assassinada na Mata Sul e entidades exigem rigor nas investigações</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/conflitos-agrarios/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Conflitos Agrários</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


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		<title>Mortes por causa de conflitos no campo disparam em 2021</title>
		<link>https://marcozero.org/mortes-por-causa-de-conflitos-no-campo-disparam-em-2021/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Apr 2022 21:05:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[conflitos agrários]]></category>
		<category><![CDATA[conflitos no campo]]></category>
		<category><![CDATA[CPT]]></category>
		<category><![CDATA[Pastoral da Terra]]></category>
		<category><![CDATA[violência no campo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As violências no campo não param de crescer sob o Governo Bolsonaro, atingindo trabalhadores e trabalhadoras rurais, indígenas, quilombolas e demais povos tradicionais do campo, das águas e das florestas. O Brasil registrou 35 assassinatos em consequências de conflitos no campo no ano de 2021. O número alarmante é 75% maior que o de 2020, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>As violências no campo não param de crescer sob o Governo Bolsonaro, atingindo trabalhadores e trabalhadoras rurais, indígenas, quilombolas e demais povos tradicionais do campo, das águas e das florestas. O Brasil registrou 35 assassinatos em consequências de conflitos no campo no ano de 2021. O número alarmante é 75% maior que o de 2020, segundo o novo relatório anual da Comissão Pastoral da Terra (CPT), lançado nesta segunda-feira, 18 de abril, em Brasília. Somente nos estados da Amazônia Legal, foram 28 assassinatos, 80% do total.</p>



<p>Assista <a href="https://www.youtube.com/watch?v=nNMNUOtdT_U" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a> a live de lançamento da 36ª edição do relatório. Entre os participantes, estava Geovane da Silva Santos, pai do menino Jonatas, <a href="https://marcozero.org/crianca-de-9-anos-filho-de-lider-rural-e-assassinada-na-mata-sul-e-entidades-exigem-rigor-nas-investigacoes/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">morto a tiros</a> em 10 de fevereiro na Zona da Mata Sul de Pernambuco. Na análise da CPT, “a violência nessa região reflete não só a ferocidade da grilagem e do latifúndio como também o emparelhamento protetor do Estado brasileiro ao setor ruralista”, em decorrência da atuação da “pistolagem sob encomenda” e das “agromilícias”.</p>



<p>O país registrou dois massacres em 2021. Um deles matou pelo menos três indígenas Moxihatëtëa, classificados como indígenas isolados, na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. O outro deixou três sem-terra ou “acampados” mortos no acampamento Ademar Ferreira, em Rondônia. </p>



<p>Em 2022, ainda em dados parciais, já são 14 assassinatos, sendo quatro no Pará, onde aconteceu o primeiro massacre em conflitos no campo deste ano, no município de São Félix do Xingu.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Mortes crescem 1.100%</strong></h2>



<p>Segundo o levantamento da CPT, 2021 registrou um total de 109 mortes em consequência desses conflitos no campo. São mortes, por exemplo, como a das duas crianças Yanomami, de 4 e 7 anos, sugadas por uma draga de exploração do garimpo ilegal na Terra Indígena em outubro do ano passado. Trata-se de um crescimento de 1.100% em relação a 2020. Desse total, 101 mortes ocorreram somente no território Yanomami, em decorrência da ação de garimpeiros.</p>



<p>Também foram registradas 27 tentativas de assassinato, 132 ameaças de morte, 75 agressões físicas com ferimentos diversos, um sem-número de intimidações e tentativas humilhantes de subjugação e 13 ocorrências de tortura praticadas principalmente por agentes privados designados como “fazendeiros”. “Esses delitos de homicídio são deliberados e atingem notadamente lideranças de comunidades e sindicalistas, que resistem à usurpação”, denuncia a pastoral.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Segundo a análise do antropólogo Alfredo Wagner incluída no relatório, “os agressores aumentam de forma perversa e desumana a dor e o sofrimento das vítimas, que não têm meios de se defender por estarem em uma posição fragilizada pela perda das condições de moradia digna e da terra para cultivo e, além disso, necessitarem do Estado para sua proteção. Constata-se que somente nos códigos penais modernos são suavizadas as medidas punitivas e superados os instrumentos de violência explícita tais como guilhotina, esquartejamento, forca e fuzilamento. Ao contrário, nas relações sociais de produção no campo brasileiro, consultando-se as séries apresentadas nas últimas décadas pela CPT, o corpo não desaparece como alvo principal das violências praticadas. Verifica-se que há uma frequência nos danos físicos e letais infligidos nos corpos das vítimas por modalidades de justiça privada tanto no plano individual quanto no coletivo, voltadas para os que se encontram em posições de subjugação histórica. O mais assustador é que esse tipo de violência aparece disseminada no país em diferentes regiões e afetando diferentes unidades sociais classificadas como subalternas”.</p></blockquote>



<p>Outras violências como o trabalho escravo também tiveram aumento em 2021. O número de resgatados dessa prática mais do que dobrou no campo no último ano, com a maior quantidade desde 2013 (1.726 pessoas). Os casos aumentaram 76% (foram 169).</p>



<p>Pela primeira vez, a publicação<em> Conflitos no Campo Brasil</em> apresentou informações sobre a orientação sexual e a expressão de gênero das vítimas. Em 2021, cinco pessoas LGBTI+ foram vítimas de diversos tipos de violências, como humilhação e prisão, assassinato, intimidação e tortura.</p>



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		<title>Agricultor é libertado e entidades apontam criminalização da luta pela terra na Mata Sul</title>
		<link>https://marcozero.org/agricultor-e-libertado-e-entidades-apontam-criminalizacao-da-luta-pela-terra-na-mata-sul/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Helena Dias]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Sep 2020 18:08:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Agropecuária Mata Sul S/A]]></category>
		<category><![CDATA[conflito fundiário]]></category>
		<category><![CDATA[CPT]]></category>
		<category><![CDATA[Engenho Fervedouro]]></category>
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		<category><![CDATA[Usina Frei Caneca]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Após 34 dias de prisão, Ernande Vicente Barbosa da Silva, de 52 anos, finalmente foi libertado. Para a Comissão Pastoral da Terra (CPT), a detenção do agricultor representou mais um capítulo da criminalização da luta legítima pelo direito à terra na antiga Usina Frei Caneca, localizada no município de Jaqueira, na Mata Sul de Pernambuco. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Após 34 dias de prisão, Ernande Vicente Barbosa da Silva, de 52 anos, finalmente foi libertado. Para a Comissão Pastoral da Terra (CPT), a detenção do agricultor representou mais um capítulo da criminalização da luta legítima pelo direito à terra na antiga Usina Frei Caneca, localizada no município de Jaqueira, na Mata Sul de Pernambuco. Cerca de 75 famílias que vivem no Engenho Fervedouro desde os anos 1970 estão sendo pressionadas, pela empresa Agropecuária Mata Sul S/A, a deixar suas terras e casas numa escalada de violência que tem mobilizado a sociedade civil organizada do campo.</p>



<p>Ernande teve a prisão decretada pela Justiça, no dia 21 de agosto, a pedido do delegado Flávio Sorolla como um dos suspeitos pelo atentado a Alisson Manoel da Silva, funcionário da Agropecuária Mata Sul S/A, praticado no dia 22 de junho. Alisson estava dirigindo em uma estrada que cruza o Engenho Amaraji, em Ribeirão, quando dois homens numa moto dispararam tiros em direção ao seu carro. Ele conseguiu sair da situação sem ser atingido e prestou queixa. Ernande nega qualquer participação no episódio. Com o fim das investigações, o delegado pediu o relaxamento da prisão e a Justiça libertou o agricultor que estava detido no Presídio Rorenildo da Rocha Leão, em Palmares.</p>



<p>O detalhe é que Ernande foi preso justamente quando procurava a Delegacia de Jaqueira, por estar se sentindo ameaçado. Na manhã daquele dia, quando estava pronto para ir ao trabalho, um carro da Agropecuária Mata Sul S/A, com os vidros escurecidos, fez a volta lentamente em frente à sua casa, em uma rua de difícil acesso que não tem circulação de automóveis. Para quem não acompanha os conflitos fundiários que envolvem o Engenho Fervedouro, onde mora o agricultor e sua família, a breve visita não diz muita coisa, mas para Ernande soou como uma ameaça real.</p>



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	                                        <p class="m-0">Ernande e um dos advogados responsáveis pela sua defesa, Rui Rodrigues, na saída do Presídio Rorenildo da Rocha Leão, em Palmares. Crédito: Divulgação/CPTNE2 </p>
	                
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                    </figure>

	


<p class="has-large-font-size"><strong>Trabalhadores rurais na mira de delegado</strong></p>



<p>O delegado Flávio Sorolla também está à frente de uma investigação por tráfico de drogas e armas na região e colocou na sua mira os agricultores que lutam pelas terras em Fervedouro, entre eles o próprio Ernande e mais nove outros trabalhadores rurais. Alisson, o funcionário da Mata Sul S/A que sofreu o atentado, é citado como uma das testemunhas ouvidas sobre as acusações de associação ao tráfico de armas e drogas atribuídas a estes agricultores, em inquérito policial.</p>



<p>Nesse mesmo período começou a circular denúncias de que haveria uma lista de agricultores marcados para morrer, informação repassada por uma fonte anônima a entidades da sociedade civil.</p>



<p>No dia 16 de junho, a Polícia Civil cumpriu um mandado de busca e apreensão nas casas das dez famílias nomeadas no inquérito. Neste dia, três agricultores e uma agricultora tiveram que prestar esclarecimentos na Delegacia de Jaqueira sobre o suposto envolvimento com tráfico de drogas e armas. Na ocasião, os agricultores José Severino Elias da Silva e Adson Michael da Silva foram presos, mas soltos após alguns dias.</p>



<p>Um mês depois, o agricultor Edeilson Alexandre Fernandes da Silva, de 24 anos, sofreu uma tentativa de homicídio em Fervedouro. Foi alvejado com sete tiros e internado em estado grave em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Hoje, Edeilson não reside mais em Fervedouro porque não se sentia mais seguro no local após o ocorrido.</p>



<p>A reportagem solicitou à Polícia Civil atualização sobre o andamento do inquérito que investiga os dez agricultores sobre associação ao tráfico de armas e drogas. Em nota, o órgão afirmou que “todas as diligências necessárias estão sendo realizadas, tais como cumprimentos de Mandados de Busca e Apreensão e oitivas de acusados e testemunhas. O inquérito está em fase de conclusão, mas a PCPE só se pronunciará após a finalização do procedimento.”.</p>



<figure class="wp-block-embed-wordpress wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-marco-zero-conteudo"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="CPYQNH8a5m"><a href="https://marcozero.org/em-jaqueira-pernambuco-a-violencia-no-campo-nao-fica-de-quarentena/">Em Jaqueira (PE), a violência no campo não respeita quarentena</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Em Jaqueira (PE), a violência no campo não respeita quarentena&#8221; &#8212; Marco Zero Conteúdo" src="https://marcozero.org/em-jaqueira-pernambuco-a-violencia-no-campo-nao-fica-de-quarentena/embed/#?secret=c67TOAvHcZ#?secret=CPYQNH8a5m" data-secret="CPYQNH8a5m" width="500" height="282" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>
</div></figure>



<p class="has-large-font-size"><strong>Criminalização do direito à terra</strong></p>



<p>Segundo a advogada da equipe jurídica da Comissão Pastoral da Terra no Nordeste (CPTNE2), Mariana Vidal, que está acompanhando de perto os casos, não havia qualquer prova para embasar a prisão de Ernande por nenhum dos dois inquéritos, incluindo o do atentado a Alisson.</p>



<p>“O que eu acredito é que esse aparelho do Estado, que é a Polícia Civil, vem sendo em grande medida instrumentalizado para criminalizar a comunidade de Fervedouro e outras comunidades que estão vivenciando um conflito fundiário com a empresa Agropecuária Mata Sul, que quer se apropriar dos territórios dessas comunidades. Criminalização é uma estratégia que esses grupos econômicos vem se utilizando há muito tempo quando querem minar as forças de uma comunidade. A criminalização de Ernande não está isolada, ela faz parte de um conjunto de tentativas de criminalização.”.</p>



<p>A defesa de Ernande está sendo feita pela Defensoria Pública do Estado, a equipe jurídica da CPTNE2 e pelo Observatório Popular de Direitos Humanos. A fala de Mariana reforça o posicionamento da própria comissão e outras organizações da sociedade civil que ingressaram com uma representação na Corregedoria da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS-PE) contra o delegado Flávio Sorolla.</p>



<p>O documento aponta fraudes, arbitrariedades e ilegalidades que teriam sido praticadas pelo delegado durante a condução do inquérito policial, principalmente durante a operação realizada no dia 16 de junho.</p>



<p>A disputa pela terra, travada entre as famílias agricultoras e a empresa Agropecuária Mata Sul S/A, que ocorre desde 2013, já foi abordada em reportagem anterior da Marco Zero Conteúdo.</p>



<p>Apesar de não ser o titular oficial da empresa, o fazendeiro e empresário pernambucano Guilherme Cavalcanti Petribú Albuquerque Maranhão é quem se faz presente nas terras da falida Usina Frei Caneca, se colocando como tal. Foi registrado um boletim de ocorrência contra ele por tentativa de atropelamento a um grupo de agricultores, no dia 24 de abril desse ano. Ernande estava entre os trabalhadores que fizeram a denúncia. Guilherme é irmão de Marcello Maranhão (PSB), prefeito do município de Ribeirão.</p>



<p>São muitas as denúncias de violação dos direitos contra os moradores do Engenho Fervedouro e outros engenhos existentes nas terras da Frei Caneca. A situação de violentos conflitos fundiários, que expressam acirramento da disputa pela terra no período de pandemia, tem assolado boa parte da Mata Sul de Pernambuco.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
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<figure class="wp-block-embed-wordpress aligncenter wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-marco-zero-conteudo"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://marcozero.org/ameacadas-por-dono-de-imobiliaria-familias-agricultoras-estao-sob-pressao-na-mata-sul/
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		<title>Em Jaqueira (PE), a violência no campo não respeita quarentena</title>
		<link>https://marcozero.org/em-jaqueira-pernambuco-a-violencia-no-campo-nao-fica-de-quarentena/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Helena Dias]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 May 2020 20:11:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura Familiar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Eram 21h50 da última terça-feira (19) quando a Marco Zero recebeu mais uma das muitas denúncias de violência contra trabalhadores rurais nas terras da falida Usina Frei Caneca, localizada no município pernambucano de Jaqueira, na Zona da Mata Sul. A reportagem aguardava um retorno da Comissão Pastoral da Terra (CPTNE2) para obter os contatos de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Eram 21h50 da última terça-feira (19) quando a Marco Zero recebeu mais uma das muitas denúncias de violência contra trabalhadores rurais nas terras da falida Usina Frei Caneca, localizada no município pernambucano de Jaqueira, na Zona da Mata Sul. A reportagem aguardava um retorno da Comissão Pastoral da Terra (CPTNE2) para obter os contatos de alguns moradores do local que haviam sido vítimas de agressões, na semana anterior, quando foi surpreendida por mais uma notícia de ataque. Tratava-se do novo episódio de uma velha história que remonta a antigas narrativas de conflitos entre senhores, capatazes e trabalhadores de engenho. História que apresenta uma face invisibilizada da pandemia: a violência no campo não respeita quarentena.</p>



<p>Os conflitos passam por uma disputa judicial e vêm sendo mediados desde 2018 pela CPT, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e com algumas intervenções do Governo do Estado. Na última terça-feira não foi diferente. Segundo relatos recebidos pela própria Comissão, por volta das 7h cerca de vinte funcionários da Agropecuária Mata Sul S/A destruíram dez mil pés de banana plantados por uma família agricultora da comunidade do Engenho Fervedouro.</p>



<p>Nesta comunidade moram cerca de 75 famílias e é onde os conflitos acontecem com mais frequência. Ao todo, 1.200 famílias residem nas mediações dos 5 mil hectares da falida usina e representam 40% dos habitantes de Jaqueira, assim como a extensão de terra da Frei Caneca corresponde a cerca de 50% da área total do município. Ao todo, são sete comunidades: Fervedouro, Barro Branco, Caixa D’Água, Guerra, Laranjeiras, Rampa e Várzea Velha. </p>



<p>A Marco Zero estava em contato com a Comissão desde a segunda (18) para apurar informações sobre uma investida policial que aconteceu na quarta-feira, dia 13, também em Fervedouro. Policiais alegavam o cumprimento de reintegração de posse da empresa Agropecuária Mata Sul S/A, em uma área que possui plantações comunitárias e uma cacimba onde as famílias costumam se abastecer de água. Os moradores locais relataram tensão e medo motivadas pela postura da Polícia Militar.</p>



<p>Por causa da resistência dos agricultores, o desfecho do ocorrido se deu com alguns funcionários da Mata Sul S/A reerguendo cercas que já estavam no local, mas sem inviabilizar o acesso das famílias à fonte de água. A polícia acompanhou o processo inteiro como se estivesse resguardando os funcionários e alguns agricultores tiveram que retirar seus animais que pastavam na área a ser cercada.</p>



<p>Por e-mail, a Marco Zero solicitou à Secretaria de Justiça e Direitos Humanos de Pernambuco informações sobre &#8220;as providências que o governo tomou ou pretende tomar para mediar o acirramento do conflito rural durante este momento de pandemia&#8221;, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. </p>



<p><strong><em>(Atualização no final do texto)</em></strong></p>



<h4 class="wp-block-heading">“Ele passou, entrou na viatura e olhou para mim: ‘tô com tanta vontade de dar uma pisa nessa nega’. E eu disse: ‘Venha dar!’.”</h4>



<p></p>



<p>O relato acima é da agricultora familiar moradora do Engenho Fervedouro, Maria Janaína da Silva, de 28 anos. Ela conta que a frase foi dita por um policial durante a tentativa de despejo no último dia 13.  “Eles falam que a gente devia se juntar com o homem (proprietário das terras da Usina Frei Caneca) porque seria melhor para a gente, porque o homem tem dinheiro e a gente não&#8221;, relata.</p>



<p>&#8220;Eu mesma fui agredida verbalmente por um policial porque veio me gritar na frente de todos, disse que se eu falasse me levava presa, quando eu nem estava direcionando a fala para ele. Estava falando com meus companheiros de luta, dizendo que a liminar de despejo era falsa e que não deveríamos deixar cumprir. Ai ele veio pra mim e disse: ‘Você está causando tumulto e bagunça. Você tem que se calar porque se não vou prender a senhora’. Ai eu também me calei e recuei. Não vou bater de frente com um policial.”, explica Janaína, mais conhecida como Pretinha.</p>



<p>Segundo ela, a Polícia Militar chegou dizendo que estava ali para fazer a segurança dos moradores e dos funcionários da empresa, mas tratou as famílias agricultoras com “ignorância, arrogância, apontando armas de alto calibre e spray de pimenta”. Em um contexto que orienta o isolamento social e outras medidas de prevenção para conter a disseminação do novo coronavírus, Pretinha diz se sentir exposta quando esses episódios acontecem e pessoas de fora invadem as comunidades desta maneira.</p>



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	                                        <p class="m-0">Registro feito pelas famílias agricultoras do Engenho Fervedouro, durante a tentativa de reintegração de posse ocorrida no dia 13 de maio. Crédito: Arquivo CPT</p>
	                
                                    </figcaption>
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<h3 class="wp-block-heading"><strong>Poder Público </strong></h3>



<p>Questionado pela reportagem sobre o comportamento dos policiais militares, o Ministério Público de Pernambuco informou que o “31º promotor de Justiça de Defesa da Cidadania da Capital, Edson José Guerra, com atuação na Promotoria de Justiça da Promoção da Função Social da Propriedade Rural, recebeu a representação do mencionado episódio como notícia de fato nº 02054.000.004/2020.”</p>



<p>O órgão solicitou “informações detalhadas” e “providências urgentes” à Secretaria de Justiça e Direitos Humanos; Secretaria Executiva de Justiça e Direitos Humanos; Secretaria de Agricultura e Reforma Agrária; ao Instituto de Terras e Reforma Agrária do Estado de Pernambuco (Iterpe); Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra); e à Polícia Militar (Batalhão de Palmares/PE e Batalhão Especializado de Policiamento do Interior – BEPI)&#8221;.</p>



<p>Também foram solicitadas a “apresentação de maiores informações” para a Associação dos Moradores do Engenho Fervedouro – Jaqueira/PE e a Comissão Pastoral da Terra – CPT, além da consulta no sistema do Processo Judicial Eletrônico &#8211; PJE do Tribunal de Justiça de Pernambuco sobre a existência ou não de ordem judicial que teria justificado a operação.</p>



<p>Em texto publicado no site oficial da CPT na última terça-feira (19), a comissão afirma que vem alertando os órgãos públicos a respeito do acirramento dos conflitos, mas nenhuma medida efetiva foi tomada até então.</p>



<p> “Conforme ressalta um dos camponeses da localidade, ‘as comunidades estão pedindo clemência. Nossas crianças ficam em tempo de morrer com essa situação. Hoje em dia, acordamos e abrimos as portas de nossas casas com medo. Nascemos naquelas terras, ajudamos a construir aquele lugar, é lá que temos que viver’”, relata publicação da Comissão Pastoral da Terra reproduzindo depoimento de morador da região.</p>



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<h3 class="wp-block-heading">  Histórico </h3>



<p> Analisando as denúncias publicadas no site da CPT desde 2018, a reportagem chegou a algumas constatações baseadas nas informações publicizadas pela Comissão. Neste ano, é possível lembrar dois episódios em que a mesma cacimba de água foi motivo de duas denúncias. Nos dias 19 e 20 de março, assim como no dia 3 de abril, funcionários da empresa de agropecuária tentaram cercar a fonte de água e foram impedidos pelas famílias agricultoras.</p>



<p>Apenas em 2020 foram publicadas no site da Comissão Pastoral da Terra dez denúncias de ações violentas contra os trabalhadores rurais nas terras da Usina Frei Caneca. Entre elas estão ameaças de morte, tentativas de homicídio e atropelamento. Também o lançamento de veneno nas plantações por meio de helicóptero. Fora a intimidação constante da população feita por seguranças privados que atuam como milícias no local.</p>



<p>O mês de fevereiro e o início de março foram marcados por momentos importantes na história do conflito. No dia 27 de fevereiro, o Governo do Estado enviou uma petição à Comarca de Maraial para ingressar no processo judiciário que envolve a empresa Agropecuária Mata Sul S/A e as famílias agricultoras que residem na Usina Frei Caneca, algumas desde a década de 1970. A empresa não é proprietária das terras da falida usina, mas apenas arrendatária.</p>



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	                                        <p class="m-0">Tentativa de reintegração de posse no Engenho Fervedouro, no dia 13 de maio de 2020. Crédito: Arquivo CPT</p>
	                
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<p>Em reportagem, o site <a href="https://deolhonosruralistas.com.br/">De Olho nos Ruralistas </a>detalha informações sobre o arrendamento das terras da Usina Frei Caneca e aponta táticas jurídicas utilizadas por usineiros pernambucanos que estão à beira da falência visando manter a propriedade da terra.</p>



<p>As famílias residentes na área são posseiras da terra e lutam junto à CPT para se tornarem proprietárias e garantirem seus direitos antes mesmo da empresa agropecuária solicitar na Justiça o pedido de reintegração de posse em 2018. </p>



<p>Na petição feita em fevereiro deste ano, o governo estadual reconhece que a proprietária das terras, a Usina Frei Caneca S/A, “possui 18 (dezoito) débitos fiscais com o Estado de Pernambuco que somam R$ 61.506.085,94, em valores atualizados até o dia 27/02/2020. Os imóveis rurais objeto das escrituras públicas de arrendamento e cessão estão penhorados em razão das execuções fiscais movidas, em trâmite perante este D. Juízo, muitas com embargos à execução fiscal já transitado em julgado em favor do Estado de Pernambuco”.</p>



<p>De acordo com o Banco Nacional de Devedores Trabalhistas (BNDT), a Usina Frei Canca S/A está entre os 100 maiores devedores da Justiça do Trabalho de Pernambuco. Com 123 processos em execução, segundo o Tribual Superior do Trabalho (TST)</p>



<p><strong><em>Atualização feita às 17h10 da sexta-feira (22 de maio de 2020)</em></strong></p>



<p><em>*A nota à imprensa da  Secretaria de Justiça e Direitos Humanos de Pernambuco chegou por e-mail às 10h46 da sexta (22) e segue na íntegra: </em></p>



<p> A Secretaria de Justiça e Direitos Humanos de Pernambuco  (SJDH/PE) informa que, em atuação integrada com as secretarias de  Defesa Social (SDS), de Desenvolvimento Agrário (DAS), de Meio Ambiente e  Sustentabilidade (SEMAS), de Desenvolvimento Social Criança e Juventude  (SDSCJ) e com a Procuradoria Geral do Estado (PGE), com o objetivo de  desenvolver esforços para a resolução pacífica da situação, estão sendo  realizadas diversas ações, articulações e orientações relacionadas aos  conflitos agrários existentes no Município de Jaqueira, Zona da Mata Sul  de Pernambuco, na perspectiva da proteção à vida, segurança, moradia,  subsistência e mobilidade das famílias residentes nas localidades não  somente do Engenho Fervedouro, mas também dos Engenhos Barro Branco,  Várzea Velha e Caixa D’água.</p>



<p><br>A  SJDH acrescenta, ainda, que todos os acontecimentos ocorridos nesta  região seguirão acompanhados atentamente, mesmo em meio à situação  pandêmica que enfrentamos atualmente, causada pelo novo coronavírus, com  as tomadas de providências e medidas necessárias ao arrefecimento dos  ânimos das partes envolvidas e à resolução pacífica dos conflitos  existentes. </p>
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		<title>&#8220;Criminosos preparam terreno para agronegócio&#8221;, acusa coordenador da Pastoral da Terra</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Sep 2019 14:58:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[CPT]]></category>
		<category><![CDATA[MST]]></category>
		<category><![CDATA[Pastoral da Terra]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Montezuma Cruz, de Porto Velho (RO) Um dos coordenadores nacionais da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Paulo César Moreira dos Santos, saiu em defesa do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), contra a ofensiva jurídico e policial, principalmente no Paraná, onde ocorreram sete despejos em menos de dois meses, e em Pernambuco, onde [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<strong>por Montezuma Cruz, de Porto Velho (RO)</strong>

Um dos coordenadores nacionais da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Paulo César Moreira dos Santos, saiu em defesa do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), contra a ofensiva jurídico e policial, principalmente no Paraná, onde ocorreram sete despejos em menos de dois meses, e em Pernambuco, onde o Centro de Formação Paulo Freire, em Caruaru, está ameaçado.

Paulo César lembra que “a maior produção de arroz orgânico da América Latina é mérito do MST”. Enquanto isso, queimadas e desmatamento na Amazônia se constituem uma combinação fatal na abertura de fronteira agrícola, e isso ocorre, conforme a CPT, sobre terras públicas nos estados do Acre, Pará, Rondônia e Mato Grosso. Nesses estados, “ações criminosas intencionam limpar o terreno para as futuras atividades econômicas, ligadas ao agronegócio. O governo brasileiro assumiu o papel de despachante do capital”.

<div id="attachment_19251" style="width: 885px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/Paulo-CPT.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-19251" class=" wp-image-19251" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/Paulo-CPT.jpg" alt="Foto: Facebook" width="875" height="656"></a><p id="caption-attachment-19251" class="wp-caption-text">Foto: Facebook</p></div>

<strong>Qual a importância do MST na vida brasileira e de sua luta pela reforma agrária popular?</strong>

O MST começou a surgir num momento em que o País vivia a opressão da ditadura militar, em que a violência e a impunidade eram expressões latentes do projeto político implantado no campo, de agravamento da concentração de terra e poder. E, não havia como pensar numa sociedade menos desigual sem buscar desconcentrar a terra e enfrentar o latifúndio, problema que ainda sangra em nossa frágil democracia. A sociedade havia que agir diante de tantas injustiças e tantas famílias abandonadas. Foi fundamental para a luta democrática o nascimento de um movimento de luta pela terra, porque sem organização popular e sem coragem para enfrentar as injustiças o que restava ao povo do campo, principalmente às famílias que esperavam pelo direito a um pedaço de terra, era a fome e a morte lenta e certa.

<strong>&nbsp;E para combater o MST veio a UDR&#8230;</strong>

Sim, foi nesse contexto que também surgiu a União Democrática Ruralista, como braço político dos grandes fazendeiros, que atuou de forma cruel e perversa contra a luta democrática no campo. Foi um período de muitas perseguições e assassinatos. Contra toda a criminalização que o movimento sofre, precisamos conhecer a vida de milhares de famílias em muitos assentamentos, a dignidade restituída através da condição de produtor de alimentos, de cultura e de sabedoria. Precisamos conhecer também a maior produção de arroz orgânico (sem agrotóxicos) da América Latina, que é um mérito do nosso MST. Como desconsiderar a importância da luta do povo pela criação de assentamentos rurais num País em que a terra nunca foi distribuída pelos poderes estabelecidos? É preciso enfrentar, a cada dia, a segregação naturalizada pelas elites brasileiras que vivem à base da exploração e demonização do índio, do negro, do pobre. E que cria, em sua forma mais cruel de dominação, a necessidade de grupos se organizarem a partir da negação dos seus direitos: sem-terra, sem-teto, sem-trabalho.

<strong>As ocupações de terras feitas pelo MST durante 35 anos seriam a única maneira de vencer a chamada burguesia agrária?</strong>

As ocupações de terra nasceram como forma de denunciar a injusta situação que o Brasil vive há séculos, iniciada com a invasão portuguesa e a consequente escravidão indígena e negra. Posteriormente, surge ainda a Lei de Terras, em 1850, que impossibilitou que os escravos libertos pudessem ter acesso à terra. Ou seja, temos no País um histórico de expropriação legalizada, que revela como a elite política e fundiária vê e trata o povo empobrecido e excluído. É justamente a perpetuação dessa injustiça que continua promovendo a existência de milhares de famílias à beira de estradas e morando em lonas pretas. Outra dimensão importante das ocupações de terra é a pressão sobre os órgãos públicos para que busque efetivar a tão esperada Reforma Agrária. “Ocupar, resistir e produzir” foi o lema que o movimento assumiu para mostrar ao Brasil que a terra deve ser para quem nela vive e produz, que o latifúndio e o agronegócio se alimentam da concentração de terra, muitas delas griladas, concentração de água e muito veneno. Unida a esses problemas, temos a situação das terras improdutivas, que seguem sem nenhuma revisão legal e continuam sendo blindadas pelos políticos e ruralistas de plantão, impedindo o cumprimento da sua função social, prescrita na Constituição. Esse cenário nos expõe uma chaga social, onde um país imensamente rico de bens naturais não consegue o mais básico compromisso social: democratizar suas terras.

<strong>A distribuição de terras não é a ideal, o que fazer no atual governo que demoniza o campo?</strong>

O que se conseguiu de distribuição de terras tem sido feito com muita coragem e luta, tristemente com muito sangue também, num País de tantos assassinatos e chacinas no campo e a consequente impunidade. Enfim, sabemos que o governo atual não respeita a vida dos povos do campo e seus direitos, que não considera a Constituição, muito menos a ordem democrática e que é preciso se organizar de todas as formas para não continuar perdendo direitos elementares, como já estamos presenciando. Povos do campo e da cidade, uni-vos.

<strong>Como o senhor vê essa escalada de ataques e despejos em acampamentos e assentamentos de sem-terra, notadamente no Estado do Paraná, onde ocorreram sete em dois meses?</strong>

Há uma determinada ofensiva sobre os territórios e seus povos. O governo brasileiro assumiu o papel de despachante do capital, principalmente internacional, representado pelos EUA. Com isso, expropriar e violentar povos e comunidades é a ordem, explorar a natureza até a exaustão é o dito progresso. Sem uma política clara e organizada, o governo segue omitindo sua responsabilidade e impulsionando a ilegalidade. O discurso é de criminalização contra os povos e organizações que se preocupam com a preservação da floresta, utilizando a estratégia de desmonte dos órgãos públicos de fiscalização e emitindo uma série de pronunciamentos que visam incentivar o avanço sobre as terras públicas, como um salvo-conduto para o apossamento de terras de parques e de áreas indígenas.

<div id="attachment_19252" style="width: 946px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/despejpPR.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-19252" class="wp-image-19252" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/despejpPR.jpg" alt="despejpPR" width="936" height="624"></a><p id="caption-attachment-19252" class="wp-caption-text">Foto: MST-PR</p></div>

<strong>Nesse sentido, está criando, também, condições para que o próprio judiciário se sinta autorizado para emitir decisões de despejo de uma forma extremamente injusta, como é o caso do pedido de reintegração de posse contra o Centro de Formação Paulo Freire, em Caruaru.</strong> <strong>E tantos outros despejos em várias partes do País contra as famílias camponesas.&nbsp;</strong>

De outro lado, na Amazônia, desmatamento e queimadas se tornaram o caminho para a nova política. A combinação entre estes dois eventos aponta para uma singularidade dos incêndios florestais, como parte do processo de abertura de fronteira, incidindo especialmente sobre terras públicas, considerando que os desmatamentos e incêndios ocorrem em especial em terras sob domínio do estado. Estados como Pará, Acre, Rondônia e Mato Grosso, dentre outros, são gravemente afetados por estas ações criminosas que intencionam limpar o terreno para as futuras atividades econômicas, ligadas ao agronegócio.

<strong>Enfim, uma situação para lá de grave, mas quais seriam as saídas?</strong>

Vivemos um momento de muitos riscos para a sociedade como um todo e precisamos contrapor veementemente contra essa política de morte implantada. Há muitas esperanças nas comunidades tradicionais e povos indígenas, na produção agroecológica dos assentamentos e tantas outras iniciativas. Todas e todos atentos ao Sínodo da Amazônia que se aproxima e que já mostrou que pode ser um momento iluminado de importantes mudanças para a Igreja e a sociedade.<p>O post <a href="https://marcozero.org/criminosos-preparam-terreno-para-agronegocio-acusa-coodenador-da-pastoral-da-terra/">&#8220;Criminosos preparam terreno para agronegócio&#8221;, acusa coordenador da Pastoral da Terra</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>PT no Desenvolvimento Agrário não empolga organizações do campo</title>
		<link>https://marcozero.org/pt-no-desenvolvimento-agrario-nao-empolga-organizacoes-do-campo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 12 Jan 2019 13:32:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura Familiar]]></category>
		<category><![CDATA[CPT]]></category>
		<category><![CDATA[Fetape]]></category>
		<category><![CDATA[MST]]></category>
		<category><![CDATA[PSB]]></category>
		<category><![CDATA[PT]]></category>
		<category><![CDATA[Semiárido]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Houve um tempo em que a nomeação de um filiado ao PT para comandar uma secretaria encarregada de conduzir a política agrária seria motivo de celebração para os movimentos sociais do campo. Isso, no entanto, faz parte do passado: em 2019, o fato do petista Dilson Peixoto ser o novo secretário estadual de Desenvolvimento Agrário [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[Houve um tempo em que a nomeação de um filiado ao PT para comandar uma secretaria encarregada de conduzir a política agrária seria motivo de celebração para os movimentos sociais do campo. Isso, no entanto, faz parte do passado: em 2019, o fato do petista Dilson Peixoto ser o novo secretário estadual de Desenvolvimento Agrário não gerou manifestações de entusiasmo na sociedade civil.

A maior crítica das lideranças do campo &#8211; área em que a organização social mais avançou nos últimos anos no Nordeste – não são dirigidas ao nome do secretário, mas à forma “tradicional e fechada” adotada pelo governador Paulo Câmara (PSB) e pelo PT para definir a escolha.

Essa foi uma unanimidade entre as entidades ouvidas pela Marco Zero Conteúdo: havia uma expectativa de diálogo, principalmente depois do apoio explícito do MST e da Fetape à campanha eleitoral de Câmara.

<div id="attachment_12716" style="width: 267px" class="wp-caption alignright"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/01/Doriel-Barros-campo.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-12716" class="wp-image-12716" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/01/Doriel-Barros-campo-300x225.jpg" alt="Doriel Barros campo" width="257" height="193"></a><p id="caption-attachment-12716" class="wp-caption-text">Doriel Barros</p></div>

Deputado estadual eleito com quase 67 mil votos, Doriel Barros tem seu a maior parte do seu eleitorado entre agricultores familiares e trabalhadores assalariados do campo. Na posse desse capital político, ele reforça as críticas das organizações sociais:

&#8211; A indicação de Dilson Peixoto partiu exclusivamente do senador Humberto Costa (PT). Acredito que, sim, o governador Paulo Câmara deveria ter dado mais atenção aos movimentos sociais que se mobilizaram para ajudar a elegê-lo logo no primeiro turno. As entidades, principalmente o MST e a Fetape, alimentaram expectativas que não foram confirmadas. Agora, eu espero que Dilson leve para a secretaria alguns quadros técnicos oriundos das entidades que podem contribuir bastante.
<h2><strong>Conheça um pouco mais da posição de cada uma das organizações do campo: </strong></h2>
<h3><strong> MST</strong></h3>
Coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) em Pernambuco, Jaime Amorim não esconde suas ressalvas:

&#8211; O anúncio do nome de Dilson nos surpreendeu. Não houve conversa conosco. As conversas devem ter ocorrido no âmbito interno do PT. Poderia ter sido diferente, afinal nós e a Fetape estávamos apoiando a candidatura de Marília Arraes, mas não hesitamos em participar da campanha do governador – afirmou Jaime Amorim.

O coordenador do MST, no entanto, assegura não ter nada contra o secretário, com quem já travou um primeiro contato no início dessa semana e de quem espera que aproveite as propostas que a sociedade civil elaborou nos últimos anos para a reestruturação da Zona da Mata. Jaime acredita que a região tem tudo para se transformar num cinturão verde, produzindo alimentos para todo estado a partir do fomento às cadeias produtivas locais e a iniciativas como agroindústrias comunitárias ou familiares.
<h3><strong>Fetape</strong></h3>
Apesar de viver no assentamento Poço do Serrote, em Serra Talhada, a presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado de Pernambuco (Fetape), Cícera Nunes, também acredita que a Zona da Mata deve ser a prioridade do governo estadual:

&#8211; Até as igrejas Católica e evangélicas participaram da discussão das organizações sociais que gerou um plano para reestruturar a Zona da Mata, uma região com grandes engenhos improdutivos, abandonados e com dívidas bilionárias junto aos governos estadual e federal.

Cícera também não gostou da falta de diálogo, mas, ao mesmo tempo em que minimiza o fato, faz uma observação ainda mais ácida sobre as gestões do PSB em Pernambuco:

&#8211; Em 2006, quando Eduardo Campos foi eleito, as organizações participaram da discussão que tirou Aldo Santos da coordenação do Centro Sabiá e o levou à secretaria executiva de Agricultura Familiar. Depois, ele virou até secretário da Agricultura, mas não aconteceu nada. Em 12 anos de governo do PSB, não houve avanço nenhum para a agricultura familiar em Pernambuco, estamos muito atrás dos outros estados do Nordeste. Quem sabe agora, sem diálogo nem construção coletiva, alguma coisa possa acontecer – ironiza.
<h3><strong>ASA</strong></h3>
Sobrou diálogo nas gestões anteriores e faltaram resultados concretos. Quem confirma as palavras da presidente da Fetape é Alexandre Pires, coordenador-executivo da Articulação do Semiárido (ASA), a maior rede de organizações do campo no País. Para ele, o maior desafio de Dilson Peixoto será criar uma política estadual de fomento à agricultura familiar em Pernambuco, algo que já é realidade em outros estados da região, a exemplo da Bahia, Ceará, Paraíba e Sergipe.

&#8211; Nossa expectativa é que essa política seja construída com as organizações e redes da sociedade civil. Esse construção, porém poderia ter começado no processo de escolha do secretário. Para nós da ASA, seria natural que as lideranças do Partido dos Trabalhadores travassem uma discussão com movimentos, afinal a agenda da secretaria está no seio de uma sociedade civil bastante organizada.

Apesar da crítica, Alexandre acredita que Dilson Peixoto tem compromisso com as causas do “campo popular e democrático”.
<h3><strong>Pastoral da Terra</strong></h3>
Enfático, o agente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Plácido Júnior, diz que o hermético processo de escolha de Dilson é “um retrato do que se transformou o PT”:

&#8211; O PT reproduziu os métodos da velha e atrasada política de submeter ao loteamento de cargos uma pasta que deveria ser estratégica para a produção de alimentos saudáveis e enfrentamento da capangagem e do uso indiscriminado de agrotóxicos – afirma Plácido.

Segundo ele, para a Pastoral da Terra, a cúpula do PT se distanciou da discussão com a sociedade, pois deveria ter invertido o processo, chamando as entidades para discutir um projeto, depois formular as políticas para alcançar esse projeto e, por fim, indicar um nome para a secretaria.
<h2><strong>Saiba o que pensa o secretário Dilson Peixoto</strong></h2>
<div id="attachment_12720" style="width: 298px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/01/Dilson-Peixoto.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-12720" class="wp-image-12720" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/01/Dilson-Peixoto-300x231.jpg" alt="Dilson Peixoto" width="288" height="222"></a><p id="caption-attachment-12720" class="wp-caption-text">Dilson Peixoto</p></div>

Dilson Peixoto acredita que os movimentos sociais irão se sentir contemplados a partir de fevereiro, quando pretende promover uma seminário de definição de rumos e prioridades com todas as entidades do campo.

&#8211; Vamos juntar todo mundo. Espero dar respostas práticas, identificado recursos financeiros disponíveis e como alocá-los. Tenho consciência do tamanho do desafio de dialogar com um setor tão combativo, com resultados tão expressivos. Por um lado, tudo aquilo que for negociado deverá ser considerado como de um peso muito grande para o governador Paulo Câmara. No entanto, será difícil atender a todas as expectativas do setor. Uma coisa tenho de admitir: nunca imaginei atuar como gestor nessa área, já estou vivendo um aprendizado inédito em minha vida, tão ligada às questões urbanas.

Dilson também antecipou algumas das ações que pretende implemetar na sua pasta:
<ul>
 	<li><strong>Encontrar alternativas para a população que sofre as consequências da redução do cultivo da cana-de-açúcar na Zona da Mata.</strong></li>
</ul>
<ul>
 	<li><strong>Implementar R$ 20 milhões já alocados resultantes de convênio com o Banco Mundial e com o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida) para cooperativas, associações e gestão de estrutura hídrica na Zona da Mata.</strong></li>
</ul>
<ul>
 	<li><strong>Realizar a licitação das obras das adutoras que devem levar água para as comunidades distantes até cinco quilômetros dos canais da transposição do São Francisco. Para isso, a secretaria dispõe de R$ 70 milhões.</strong></li>
</ul>
<ul>
 	<li><strong>Reforçar a estrutura da gerência de pesquisa de agroecologia do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA).</strong><strong>Implementar o Programa Água Doce, do Governo Federal, para garantir água potável para 68 mil pessoas de quase 300 comunidades.</strong></li>
</ul><p>O post <a href="https://marcozero.org/pt-no-desenvolvimento-agrario-nao-empolga-organizacoes-do-campo/">PT no Desenvolvimento Agrário não empolga organizações do campo</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
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		<title>ENTREVISTA // Paulo César Moreira: &#8220;O capital rural implantou o terror sobre milhares de famílias no campo&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joel Santos Guimarães]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 02 Jun 2018 14:50:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[CPT]]></category>
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		<category><![CDATA[traabalhadores rurais]]></category>
		<category><![CDATA[violência no campo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O constante aumento no número de massacres de camponeses na zona rural brasileira revela que este tipo de crime é mais uma estratégia do capital para expulsar os povos (camponeses, índios e quilombolas) de suas terras e ocupa-las para explorar as riquezas destes solos. De fato, de acordo com o documento Conflitos no Campo, organizado [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[O constante aumento no número de massacres de camponeses na zona rural brasileira revela que este tipo de crime é mais uma estratégia do capital para expulsar os povos (camponeses, índios e quilombolas) de suas terras e ocupa-las para explorar as riquezas destes solos.

De fato, de acordo com o documento Conflitos no Campo, organizado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), dos 71 assassinatos ocorridos no campo, no ano passado, 28 deles foram massacres, o que corresponde a 44% do total de camponeses assassinados naquele período.

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/06/cpt-paulo-cesar2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-9124" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/06/cpt-paulo-cesar2-255x300.jpg" alt="cpt paulo cesar2" width="400" height="470"></a>

E este capital a que se refere a CPT tem cara, garante Paulo César Moreira, membro da Coordenação Nacional da CPT, depois de lembrar que no campo o investimento para especulação, tornou-se um negócio lucrativo e vantajoso colocado acima da vida e dos direitos das comunidades.

“Dessa forma, existem diversos grupos (latifundiários, empresas ligadas ao agronegócio, madeireiras e mineradoras) avançando sobre essas riquezas e com total apoio governamental para implantar o terror do capital rural sobre milhares de famílias no campo”, afirma o coordenador da CPT.

De acordo com ele, o terror é o modus operandi de fazendeiros, grileiros, latifundiários e empresários rurais para garantir seus privilégios.

Em sua opinião, é que nesta lógica, em vários momentos de acirramento social em que setores ruralistas ou do agronegócio querem mostrar sua força, a violência contra os povos em luta toma formas mais cruéis, não apenas seletiva, direcionada a lideranças, mas com ataques a coletividades, a grupos, com os massacres.

“E ao mesmo tempo os crimes cometidos, em sua grande maioria, dificilmente são investigados e punidos”, lamenta Paulo César Moreira.

De fato, em 32 anos (1985 a 2017), a CPT registrou 1438 casos de conflitos no campo em que 1904 pessoas foram assassinadas. Deste total apenas 113 casos foram julgados. Ou seja, apenas 8% com 31 mandantes e 94 executores condenados.

<strong>No levantamento dos conflitos no campo a CPT constatou um aumento expressivo no número de massacres na zona rural brasileira e classificou este tipo de crime “uma das estratégias do capital para expulsar os povos de suas terras e territórios”, Isso continua acontecendo? Em que regiões?</strong>

A realidade agrária do Brasil é herdeira de um passado de colonização, expropriação e violência contra os povos do campo, principalmente indígenas e negros. Esta herança perversa garantiu a concentração da terra, impediu o acesso através da Lei de terra de 1850 e, com isso, o poder nas mãos de uma parcela bem pequena e privilegiada, em detrimento dos direitos de milhões de pessoas. Os povos do campo, em sua diversidade buscam, desde então, democratizar esta situação e diminuir a concentração tão injusta.

<strong>E qual é a consequência prática desta luta entre camponesa e os latifundiários?</strong>

Nesta luta, a violência tem sido o modus operandi de fazendeiros, grileiros, latifundiários e empresários rurais para garantir seus privilégios. Nesta lógica, em vários momentos de acirramento social em que setores ruralistas ou do agronegócio querem mostrar sua força, a violência contra os povos em luta toma formas mais cruéis, não apenas seletiva, direcionada a lideranças, mas com ataques a coletividades, a grupos, com as chacinas. Como exemplo temos os anos de 1985, na abertura democrática, que tivemosdez casos de massacres, em 1987, quando tivemos seis casos e em 2017, com cinco massacres, sendo que quatro deles foram na Amazônia.

<strong>Qual é a cara deste capital, que ameaça transformar o campo num mar de sangue?</strong>

No Brasil, a partir da crise iniciada em 2016, com o impeachment e o golpe político-parlamentar-midiático, se desfechou um projeto que objetiva internacionalizar as principais riquezas do país, a saber: as terras agricultáveis, reservas minerais, as reservas de petróleo e os mananciais de água. Dessa forma, no campo, o investimento em grandes extensões de terras, também para a especulação, tornou-se um negócio lucrativo e vantajoso, colocado acima da vida e dos direitos das comunidades. E, por isso, temos a expansão da soja, da pecuária de corte, da exploração minerária e da madeira. Ou seja, a prioridade do governo atual tem sido a valorização do agronegócio e da exploração de inúmeros recursos naturais. Dessa forma, temos diversos grupos avançando sobre as riquezas e com total apoio governamental para implantar o terror sobre milhares de famílias no campo. Ao mesmo tempo que os crimes impetrados, em sua grande maioria, são dificilmente investigados e punidos.

<strong>Os capitalistas são os mandantes dos massacres que acontecem no campo e quem são os executantes destes assassinatos? Ou seja, quem puxa o gatilho?</strong>

É evidente que a violência que acontece no campo depende, também, da efetivação ou não dos direitos dos povos. O ano de 2017 é um exemplo claro que os programas do governo, com políticas contrárias a Reforma Agrária e a demarcação dos territórios das comunidades e povos tradicionais, com retrocessos graves, fortaleceu os ruralistas, aumentou a grilagem de terras e impulsionou a violência de uma forma brutal. De outro lado, geralmente, a implementação da violência sobre povos e comunidades faz parte de uma articulação entre as oligarquias dominantes (políticos, empresários e grandes proprietários), mas, no entanto, na atuação direta da violência, quem de fato aparece são os chamados “jagunços”ou “pistoleiros”, contratados para perseguir e assassinar lideranças e comunidades. Em vários casos, esta articulação se dá, também, com policiais, ou seja, o braço armado do estado agindo como executor, como foi o caso do massacre de Pau D’arco, no Pará.

<strong>Levantamento da CPT mostrou que nos últimos 32 anos (1985 a 2017) o campo foi palco de 46 massacres que tiraram a vida de 226 camponeses em nove estados brasileiros. Todos estes conflitos foram provocados apenas pela disputa pela terra? Qual era o perfil das vítimas? Sem- terra? Posseiros? Meeiros? Índios? Quilombolas?</strong>

Os massacres no campo, em sua grande maioria, são frutos de uma tentativa cruel de eliminar de vez o sonho dos povos e comunidades ao acesso a terra e a uma vida digna, como também de, através do medo, fazer a limpeza das áreas em disputa e se apropriarem dessas criminosamente. A disputa pela terra e território tem sido o mote que prevalece nessas violências. No entanto, vale observar que tem crescido substancialmente os conflitos pela água e os conflitos nas regiões de exploração minerária, ainda que não se tenha evidenciado massacres. No caso do ano de 2017, os 05 massacres foram pela disputa pela terra e território. O perfil mais comum das vítimas são de posseiros e sem terra, mas também quilombolas, categorias de pessoas que buscam a regularização fundiária e o acesso à terra, dificultada pela concentração e a grilagem.

<strong>Das pessoas assassinadas no campo, no ano passado, quantos foram vítimas de massacres? E em que estados eles aconteceram?</strong>

Das 71 pessoas assassinadas em 2017, 31 foram vítimas de massacres. Esses aconteceram em Pau D´Arco, no Pará (10 mortos), Colniza, no Mato Grosso (9 mortos), Vilhena, em Rondônia (3 mortos), Canutama, no Amazonas (3 mortos) e Lençóis, na Bahia (6 mortos).

<strong>Em 2016 um estudo da Ong Global Witness revelou que o Brasil é o país que mais mata ativistas que lutam por terra, defesa do meio ambiente e o direito a terem acesso a água nas áreas que cultivam. O senhor acha que o Brasil continuará mantendo a liderança neste que pode ser classificado de ranking do terror?</strong>

Infelizmente sim. Vivemos um momento extremamente grave na implementação de políticas que diminuem ou retiram direitos conquistados e que tem sido geradora do aumento expressivo da violência no campo, mas também na cidade. O governo brasileiro tem se tornado refém das forças do capital nacional e internacional e, com isso, se comprometido em tornar as riquezas nacional, principalmente a terra, livres para o mercado. Dessa forma, estão sucateando órgãos importantes, diminuindo recursos e/ou, praticamente, extinguindo programas importantes para a agricultura familiar.

<strong>O senhor poderia dar um exemplo do retrocesso dessas políticas públicas?</strong>

Apenas para ficar na Agricultura Familiar, citaria a extinção do Programa de Aquisição de Alimento – PAA, e o Programa Nacional da Alimentação Escolar – PANAE, tornando a vida no campo insustentável, ao mesmo tempo que oferece absoluto apoio ao agronegócio. Os dados dos conflitos nos últimos três anos (2015 – 2017), período que se inicia o processo de ruptura política, demonstram o que significa esse modelo de governança. De acordo com os dados do Centro de Documentação dom Tomás Balduino, da CPT, há uma relação direta entre o aumento da violência das políticas implantadas e a violência física causada pelas classes proprietárias. No caso dos assassinatos no campo, em 2014 foram 36, em 2015, 50, em 2016, 61, e em 2017, 71. Números que apontam para o aumento da violência.

<strong>A reforma trabalhista aprovada pelo Congresso Nacional melhorou ou piorou as condições de vida e de trabalho dos trabalhadores rurais?</strong>

Piorou e muito as condições dos trabalhadores e trabalhadoras, é um verdadeiro golpe nas lutas históricas. As suas consequências são muitas porque objetiva a desconstrução de direitos, promove a desestruturação do mercado de trabalho, aumenta gravemente a fragilização dos sindicatos e sua vulnerabilidade, a deterioração das condições de vida e de saúde do trabalhador, como também o comprometimento do financiamento da seguridade social e a ampliação da desigualdade e da exclusão social.São medidas que asseguram as condições dos patrões e fragilizam totalmente a vida dos empregados/as. Alguns dos pontos graves são: a predominância do negociado sobre o legislado, que prevê os acordos entre as partes sem o devido respaldo das garantias legais; o pagamento do trabalhador com moradia ou alimentação como parte do salário, incluindo também a possibilidade de pagamento com parte da produção ou concessão de terra, dentre outros absurdos.

Nas justificativas citadas pelo setor ruralista para essa reforma está a necessidade de modernização das relações no campo, o aumento dos lucros, redução dos custos e geração de novos postos de trabalho.

<strong>E qual foi a consequência desta reforma para os trabalhadores rurais? </strong>

Com isso, os empresários do campo impõem sobre os trabalhadores os riscos que haviam que assumir, garantindo o aumento da concentração de renda e deteriorando ainda mais as condições do trabalho no campo.

<strong>No governo Dilma, o programa da reforma agrária já vinha devagar, quase parando. Segundo o MST, já no governo Temer, o governo federal vem promovendo o desmonte da reforma agrária no país. Nenhuma área teria sido desapropriada e nenhuma família assentada em 2017 e 2018. O desmonte do programa da Reforma Agrária contribui para o acirramento dos conflitos no campo? Por que?</strong>

A Reforma Agrária e a luta das milhares de famílias por acesso à terra foi, não somente abandonada pelo governo Temer, como também atacada nos seus pequenos avanços históricos. Esta situação produz uma instabilidade grave na vida dessas famílias como também potencializa os conflitos, porque de um lado força grupos a abandonarem o campo, provocando êxodo rural e, de outro lado, fortalece os promotores das violências, as milícias armadas, fazendeiros e grileiros de terras. Portanto, podemos afirmar que reforma agrária, direito garantido na Constituição aos trabalhadores rurais, não faz parte da política da maioria dos governos estaduais nem do governo federal. Com isso, o que se constata é que os conﬂitos e os assassinatos que ocorrem indicam não só o descaso da política de reforma agrária, mas a prioridade que este governo tem dado aos grupos econômicos, latifundiários, fazendeiros e empresários rurais que, como no passado, avançam violentamente para garantir seu domínio sobre a propriedade e sobre a renda da terra.


<blockquote>
<h1>Mar de sangue no campo</h1>
<div id="attachment_9121" style="width: 625px" class="wp-caption alignright"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/06/massacre-paudarco-foto-antonio-carlos-reporter-brasil.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-9121" class="wp-image-9121 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/06/massacre-paudarco-foto-antonio-carlos-reporter-brasil.jpg" alt="massacre paudarco foto antonio carlos reporter brasil" width="615" height="300"></a><p id="caption-attachment-9121" class="wp-caption-text">Foto: Antônio Carlos / Repórter Brasil</p></div>

Em 32 anos (1985 a 2017) a Comissão Pastoral da Terra (CPT) registrou 46 massacres no campo, que resultaram na morte de 220 pessoas em nove estados brasileiros. Neste período, a CPT constatou também 1438 casos de conflitos em que 1904 pessoas foram mortas. Deste total, apenas 113 casos foram julgados. Ou seja, apenas 8% com 31 mandantes e 94 executores condenados.

O baixo número de julgamentos destes crimes demonstra a morosidade e, em alguns casos, a cumplicidade da justiça com os mandantes destes crimes. No caso especifico de um dos massacres registrados pela CPT, os carrascos-aqueles que puxaram o gatilho- foram policiais. Ou seja, o braço armado do estado. Trata-se daquele que ficou conhecido como “o Massacre de Pau D´Arco”que completou um ano no dia 24 de maio último.

Naquele dia, dez trabalhadores rurais que haviam ocupado uma pequena área da fazenda Santa Lúcia, no município de Pau D’Arco, no Pará,foram mortos a tiros e outros dois ficaram feridos. Os crimes foram praticados por um grupo de policiais militares e civis de Redenção, sob o pretexto de cumprir 14 mandados de prisão preventiva e temporária.

De acordo com nota assinada por diversos movimentos sociais (MST,Grupo Tortura Nunca Mais, CPT entre outros) conforme o que se apurou no inquérito da Polícia Federal (PF) e no curso da ação penal, dos 29 policiais que participaram da operação, 17 deles (sendo 13 militares e 4 civis) foram os responsáveis pela execução dos trabalhadores.

A nota diz ainda que todos eles foram denunciados pelo Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) e presos por decisão do juiz da Comarca de Redenção. Em relação ao processo criminal, todos os acusados já foram interrogados e as testemunhas de defesa e acusação também já foram ouvidas. Após essa fase, acredita-se que o juiz da comarca de Redenção pronunciará os acusados e os encaminhará para o Tribunal do Júri, o que deverá ocorrer em 2019.

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/06/Gráfico-massacre.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-9133 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/06/Gráfico-massacre.png" alt="Gráfico massacre" width="567" height="255"></a>
<h3><strong>E os mandantes?</strong></h3>
Os movimentos sociais lamentam que passado um ano do massacre, as investigações não conseguiram, ainda, identificar os supostos mandantes da operação criminosa. O inquérito instaurado pela Polícia Federal para apurar o suposto financiamento da operação por latifundiários da região corre em segredo de justiça não foi concluído e nenhum mandante foi até agora identificado e indiciado.

De acordo com o signatários do documento, “a impunidade que beneficia os mandantes dos crimes é também uma das causas da continuidade da violência no campo”.

Um ano depois das mortes, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e o Instituto de Terras do Pará (ITERPA) não conseguiram esclarecer, de forma conclusiva, a legalidade da documentação da Fazenda Santa Lúcia, que foi palco do conflito. Em razão dessa indefinição, o processo de aquisição do imóvel para o assentamento das famílias continua parado. Essa circunstância agrava os conflitos na área. Nas regiões sul e sudeste do Pará, área de abrangência do INCRA de Marabá, existem hoje 160 fazendas ocupadas por cerca de 14 mil famílias.

De acordo com os movimento sociais ,&#8221;o Governo do Estado do Pará, nesse período, não implementou qualquer ação de amparo e apoio às famílias das vítimas do massacre. Nenhuma delas recebeu pensão ou indenização por parte do Estado”.

Conforme dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), em 2017 foram assassinadas 71 pessoas em conflitos no campo no Brasil – sendo que 21 foram mortas apenas no estado do Pará. É o maior número de mortes no campo desde o ano de 2003.

Ainda de acordo com a CPT, dos 846 assassinatos ocorridos no Pará desde 1980, 65% deles sequer foram investigados. E dos casos investigados, apenas 14 mandantes dos crimes foram condenados pela Justiça do Pará.

Os movimentos sociais que assinaram a nota contudo entendem que diante desse quadro,”” é medida de Justiça que as investigações do Massacre de Pau D´Arco responsabilizem os executores e mandantes do crime, bem como que o Estado garanta indenização e amparo às famílias das vítimas e que o INCRA promova o assentamento das mesmas na Fazenda Santa Lúcia, palco do massacre. A impunidade e o abandono continuam a rondar insistentemente os crimes em conflitos no campo”.</blockquote><p>O post <a href="https://marcozero.org/entrevista-paulo-cesar-moreira-o-capital-rural-implantou-o-terror-sobre-milhares-de-familias-no-campo/">ENTREVISTA // Paulo César Moreira: &#8220;O capital rural implantou o terror sobre milhares de famílias no campo&#8221;</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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