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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Quando fugir vira “resistir”: Zambelli, o exílio estratégico e a velha arte de culpar a Justiça</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Jun 2025 15:03:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Carla Zambelli]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Tereza Amorim* &#8220;Não é um abandono do país, não é desistir da minha luta. Muito pelo contrário: é resistir.&#8220; A frase, pronunciada recentemente pela deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), poderia ter saído da boca de dezenas de políticos brasileiros &#8211; ou latino-americanos &#8211; que, acuados por decisões judiciais, decidiram sair de cena. Não para [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Tereza Amorim*</strong></p>



<p><em>&#8220;</em>Não é um abandono do país, não é desistir da minha luta. Muito pelo contrário: é resistir.<em>&#8220;</em> A frase, pronunciada recentemente pela deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), poderia ter saído da boca de dezenas de políticos brasileiros &#8211; ou latino-americanos &#8211; que, acuados por decisões judiciais, decidiram sair de cena. Não para enfrentar a Justiça, mas para, de longe, narrar sua própria versão dos fatos: a de que não fogem, resistem.</p>



<p>Zambelli anunciou que deixou o Brasil “já faz alguns dias”, buscando, segundo ela, tratamento médico, mas, agora, pedirá afastamento do cargo. Em nota, atacou a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou sua prisão preventiva, classificando-a como “ilegal, inconstitucional e autoritária”. Para a deputada, sua imunidade parlamentar foi “rasgada” e a democracia, “violentada”.</p>



<p>O <em>script</em> é velho e conhecido. Quando o poder já não protege, quando o foro privilegiado não basta, quando a Justiça bate à porta, resta recorrer àquilo que decidi chamar de &#8220;Asilo Político Contemporâneo”: fugir do país sob o manto de uma resistência que, na prática, é puro instinto de autopreservação.</p>



<p>Do ponto de vista neurocognitivo, não é difícil explicar o fenômeno. Quando confrontada com uma realidade que ameaça sua identidade &#8211; no caso, a de parlamentar forte e combativa &#8211; a pessoa tende a ajustar a narrativa para reduzir a dissonância cognitiva. Assim, a fuga não é uma demonstração de medo, mas um ato de coragem; não é capitulação, mas resistência.</p>



<p>Já pela ótica da neuropolítica, o discurso busca mobilizar emoções básicas: medo, raiva, pertencimento. O político acusado se apresenta como vítima de uma estrutura injusta, o que facilita manter sua base de apoio ativa e indignada. Não por acaso, Zambelli falou em “ditadura” que impõe “amarras” e a impede de “falar o que quer”.</p>



<p>Carla Zambelli não está sozinha nessa tradição. Henrique Pizzolato, condenado no Mensalão, fugiu para a Itália em 2013, alegando perseguição política e injustiça processual. Salvatore Cacciola, banqueiro envolvido em fraudes financeiras, também buscou refúgio na Itália no início dos anos 2000, apresentando-se como vítima de um complô judicial.</p>



<p>Até figuras que ajudaram a instaurar regimes autoritários acabaram recorrendo à fuga. Carlos Lacerda, ex-governador da Guanabara e um dos arquitetos do golpe de 1964, depois de romper com os militares, acabou cassado e, por um breve período, procurou refúgio no exterior. O ciclo irônico se repetia: quem clamava por ordem e força, depois clamava por proteção.</p>



<p>Na América Latina, o caso mais emblemático talvez seja o de Alberto Fujimori, ex-presidente do Peru. Fugiu para o Japão em 2000, enviou sua renúncia por fax e, de longe, tentou sustentar a narrativa de que era vítima, e não algoz. Mais recentemente, Jeanine Áñez, ex-presidente interina da Bolívia, acusada de conspiração, não conseguiu concretizar sua fuga, mas o discurso de perseguição foi o mesmo.</p>



<p>E ainda Rafael Correa, ex-presidente do Equador, hoje exilado na Bélgica, também sob o argumento de perseguição política, embora condenado por corrupção.</p>



<p>Em todos esses casos, o enredo se repete: políticos acuados pela Justiça transformam uma saída estratégica em um gesto heroico. Apontam o dedo para o sistema, acusam-no de autoritário e posam como vítimas. A fórmula funciona porque explora emoções básicas, reforçadas pelas redes sociais e pelo ativismo digital.</p>



<p>No caso brasileiro, a ironia é ainda mais saborosa &#8211; ou trágica, dependendo do ponto de vista. Muitos dos que hoje clamam contra a “ditadura do Judiciário” foram, até ontem, defensores de ações punitivistas, aplausos ao STF e à Lava Jato. Quando a roda girou, bastou ajustar a narrativa.</p>



<p>No fundo, a pergunta que resta é simples: Zambelli resistiu ou escapou? A resposta, talvez, esteja na prática e não na retórica. Quem resiste, enfrenta; quem escapa, justifica. Transformar a fuga em resistência é um movimento clássico, tão clássico quanto previsível.</p>



<p>O Brasil já viu essa peça muitas vezes. E, provavelmente, verá de novo. Porque, ao fim e ao cabo, a memória política é curta, mas os roteiros da autopreservação são longos, cínicos e, frequentemente, muito bem ensaiados.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*</strong><span style="font-size: medium;">Tereza Amorim</span><span style="font-size: medium;"> é jornalista e analista de discurso político, com especialização em neurociência cognitiva e neuropolítica.</span></p>
    </div>
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		<title>Encontros com a dor e a coragem</title>
		<link>https://marcozero.org/encontros-com-a-dor-e-a-coragem/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Samarone Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Apr 2023 14:24:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo Crônico]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[Dom Paulo Evaristo Arns]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de 1964]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de estado]]></category>
		<category><![CDATA[jornal O São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[tortura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Segundo texto de Samarone Lima, a respeito de suas pesquisas sobre a resistência à ditadura no Brasil e nos países da América do Sul. Por essas reviravoltas que o mundo dá, em 1996 eu estava morando em São Paulo, me virando com frilas. Estava num mato sem cachorro, quando alguém me indicou para o jornal [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Segundo texto de Samarone Lima, a respeito de suas pesquisas sobre a resistência à ditadura no Brasil e nos países da América do Sul.</strong></p>



<p>Por essas reviravoltas que o mundo dá, em 1996 eu estava morando em São Paulo, me virando com frilas. Estava num mato sem cachorro, quando alguém me indicou para o jornal O São Paulo, da Arquidiocese comandada pelo lendário Dom Paulo Evaristo Arns, adversário ferrenho da ditadura militar de 1964.<br><br>Fui à redação, na Avenida Higienópolis, 890, local simbólico para quem lutou pelos Direitos Humanos naqueles anos desumanos. A redação ficava na parte de baixo, após uma descida rodeada de plantas, e parecia um <em>minibunker</em>, com uma equipe de jornalistas extremamente simpáticos.<br><br>Saí de lá com uma pauta sobre o Dia Mundial da Fome, que me rendeu uma página inteira no jornal e o convite para cobrir a vaga de um dos jornalistas, que estava saindo de férias.<br><br>Durante dois anos, cobri a área de Direitos Humanos do jornal, assunto que sempre esteve no meu farol, desde a primeira matéria que fiz. Estava no centro da memória da resistência. Na parte dos fundos, funcionava a Comissão Justiça e Paz e o Centro Santo Dias de Direitos Humanos.<br><br>Numa das muitas conversas com a velha guarda da resistência, geralmente num dos botecos ali da Santa Cecília, onde morava, comecei a escutar os relatos sobre as ações de um grupo chamado Clamor, que teve uma atuação extremamente importante na luta pela defesa dos Direitos Humanos no Chile, Uruguai e Argentina.<br><br>Em alguns momentos, as histórias eram tão inacreditáveis, que eu acreditava que as cervejas ajudavam a torná-las mais absurdas. O tempo me mostraria que a verdade era muito mais sombria que qualquer relato.<br><br>Já estava concluindo meu primeiro livro, o <em>Zé</em>, quando fui fazer uma pauta no gigantesco arquivo da Cúria. Naquele labirinto, encontrei uma sala cheia de caixas com o nome Clamor, e pedi para dar uma olhada. Estavam cheias de cartas desesperadas, fotografias, relatos, de pessoas dos países vizinhos, que viviam o momento mais trágico de suas ditaduras. Estavam no poder, após golpes militares sangrentos, Rafael Videla, na Argentina, Augusto Pinochet, no Chile, e a Junta Militar, no Uruguay.<br><br>Voltei para a redação e fui conversar com os ex-integrantes do Clamor. Estava nascendo meu segundo livro, agora sobre a conexão dos que lutaram pelos Direitos Humanos, em quatro países.</p>



<p>Uma coisa me recomendaram desde o início:<br><br>“Você precisa entrevistar Dom Paulo Evaristo”<br><br>Eu quase nunca o via, por causa dos horários e de sua agenda sempre lotada. O contato maior foi na confraternização de um final de ano, em que ele estava lá, bem sorridente. Sempre fui azarado em sorteios, comentei isso com os amigos, até que sortearam uma linda cafeteira, Dom Paulo puxou meu número, ficaram chamando meu número, e me abestalhei, olhando para aquele homem, cheio de fé, mas transbordante de coragem. Chamaram outro. Quando fui reclamar o prêmio, era tarde.<br><br>Fui à sua secretária, pouco tempo depois, marcar uma entrevista. Ele tinha audiências que duravam exatamente 15 minutos.<br><br>Não sei exatamente a data, mas em algum momento de 1998, estava na sala de trabalho de Dom Paulo, entrevistando-o sobre ditaduras e solidariedade na América do Sul.<br><br>São esses, os momentos em que o jornalismo se torna algo especial na minha vida. Quando ele transborda, sai do cotidiano das notícias, e cria memória.<br><br>Foram 45 minutos de conversa, que serviram de base para um livro que começava a ser pensado &#8211; Clamor.<br><br>Um ano depois, estava na sede das Abuelas de Plaza de Mayo, em Buenos Aires, entrevistando Stella de Carlotto, presidente da entidade, que, desde 1977, reúne avós em busca de seus netos, sequestrados pela ditadura da Argentina.<br><br>A repressão no país atingia não apenas os militantes, mas toda a família. Quando um “patota”, grupos paramilitares armados, invadiam uma casa para prender alguém considerado “subversivo”, levava o casal &#8211; incluindo mulheres grávidas ou com bebês. Segundo estimativa das Abuelas, cerca de 500 crianças foram sequestradas durante a ditadura (quando ainda eram pequenas ou logo após o nascimento), entre 1976 e 1983.<br><br>Stella, uma mulher extremamente amorosa, com as palavras de esperança, explicou-me como funcionava a organização, a luta, durante tantos anos, e ao final da entrevista, me revelou seu sonho: encontrar o neto. Quando sua filha Laura foi presa, em 1979, estava grávida, e nunca mais foi encontrada. Ela teve seu filho no centro clandestino La Cacha, e depois foi assassinada. Os familiares nunca souberam o destino do bebê.<br><br>“É meu sonho, encontrá-lo”<br><br>Depois de um silêncio profundo, como se lembrasse de tantas dores, completou:<br><br>“Não quero morrer sem esse abraço”.<br><br>Estava com 69 anos.<br><br>No dia 5 de agosto de 2014, o que parecia impossível aconteceu. As Abuelas convocaram uma entrevista coletiva para anunciar que Stella havia encontrado seu neto, após 36 anos de buscas.<br><br>Os dois apareciam juntos, sorridentes.<br><br>“Tudo isso que está acontecendo parece maravilhoso e mágico para mim”, disse a avó.<br><br>Ignácio Urban, era o nome oficial do neto. Mas nas poucas horas em que ficou com seu filho, a mãe o havia chamado de Guido, apelido do avô, nome do marido de Stella.<br><br>Entre 1998 e 2002, entrevistei 43 pessoas e viajei diversas vezes para a Argentina, Uruguai e Chile, para uma dissertação de mestrado sobre a solidariedade entre os grupos de Direitos Humanos durante as ditaduras do Cone Sul.<br><br>O Brasil, que estava saindo da fase mais brutal de sua ditadura, teve uma importante atuação na denúncia internacional das violações nos países vizinhos.<br><br>Foi Dom Paulo quem disse a frase que serviu como norte para os grupos de Direitos Humanos nos anos seguintes:<br><br>“Solidariedade não tem fronteiras”.</p>
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		<title>Cúpula do Exército tem responsabilidade nos ataques de 8 de janeiro, diz coronel da reserva</title>
		<link>https://marcozero.org/cupula-do-exercito-tem-responsabilidade-nos-ataques-de-8-de-janeiro-diz-coronel-da-reserva/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Jan 2023 18:18:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Exército]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de estado]]></category>
		<category><![CDATA[Marcelo Pimentel]]></category>
		<category><![CDATA[terrorismo em Brasília]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No rescaldo das violentas invasões e ataques de 8 de janeiro, o foco das investigações que buscam encontrar os conspiradores e financiadores da tentativa de tomar o poder por meio da força se concentra no governo do Distrito Federal, nas pessoas do entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro e nas centenas de pessoas presas no acampamento [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>No rescaldo das violentas invasões e ataques de 8 de janeiro, o foco das investigações que buscam encontrar os conspiradores e financiadores da tentativa de tomar o poder por meio da força se concentra no governo do Distrito Federal, nas pessoas do entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro e nas centenas de pessoas presas no acampamento bolsonarista em Brasília. No entanto, o coronel do Exército na reserva Marcelo Pimentel Jorge de Souza alerta para o outro alvo que estaria no centro da complô: o Alto Comando do Exército brasileiro.</p>



<p>Pouco antes de Bolsonaro vencer a eleição presidencial de 2018, Pimentel começou a se tornar um personagem notório nas redes sociais por ser, provavelmente, o único oficial das Forças Armadas a posicionar-se publicamente contra a politização do Exército, Aeronáutica e Marinha. Foi ele quem criou a expressão “partido militar” para definir a atuação coesa e articulada de generais e coronéis para voltar ao poder e ocupar espaços na vida política do país.</p>



<p>Em seu perfil no Twitter, ele afirma taxativamente que os generais que compõem a maior instância de comando do Exército estimulou e está diretamente relacionada às ações que tiveram como desfecho as depredações nas sedes dos três poderes. Em um longo fio com 24 tuítes, Pimentel diz que “foi a ação protagonista de cúpulas hierárquicas das Forças Armadas, do Exército Brasileiro em particular, em diversos papéis, que fez civis se mobilizarem nos quartéis para pedir que os quartéis rompam a Constituição &#8211; de uma forma que nem eles sabem &#8211; em nome da ‘liberdade’.”</p>



<p>Para o oficial da reserva, o papel dos generais no esforço para ignorar os resultados das urnas ficou claro no dia 11 de novembro, quando o Alto Comando publicou a nota intitulada “Ao povo e às instituições”. A nota legitimou aquilo que, até então, parecia ser apenas manifestações de inconformados com a vitória de Lula, porém ele aponta que as “manifestações eram estranhamente sincronizadas (planejadas por quem?), já (&#8230;) ocupando áreas militares defronte a quartéis”. Logo depois da nota, “houve um incremento enorme nas aglomerações, que adquiriram caráter ‘permanente’.”</p>



<p>Como desdobramento da nota, generais da ativa fizeram discursos “para suas tropas fazendo juízo de valor sobre a validade das manifestações políticas e declarando, literalmente, que ‘protegeria’ os manifestantes ‘ainda que houvesse ‘ordem de outros poderes’ em sentido contrário”.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Generais ao megafone</strong></h2>



<p>Por telefone, Marcelo Pimentel, que é pernambucano e voltou a morar no Recife após deixar o serviço ativo, não só confirmou o teor das postagens, como acrescentou outros comentários: “os coronéis, generais da reserva e capitães da Marinha só apareceram para o público em geral nos vídeos gravados no domingo, mas esses militares estiveram todo esse tempo nos acampamentos na frente dos quartéis”.</p>



<p>Tal comportamento seria, na ótica militar detalhada pelo oficial, “muito grave, pois até outro dia eles estavam do lado de dentro do quartel, comandando, então ainda exercem influência sobre seus antigos subordinados”.</p>



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	                                        <p class="m-0">Militares na reserva e seus parentes lotaram acampamento em frente ao QG em Brasília. Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil</p>
	                
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                    </figure>

	


<p>Seu perfil no Twitter, também aborda esse aspecto, descrevendo cenas em que “generais na reserva tuitaram e foram pra calçada de quartel, de megafone em punho, incentivar as manifestações”. Um deles [sem citar o nome, ele se refere ao general Eduardo Villas Bôas, que era comandante do Exército quando postou tuítes pressionando o STF a não libertar Lula, em abril de 2018], citou a própria nota de 11 de novembro, se referindo a ela como aval para as manifestações.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-twitter wp-block-embed-twitter"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="twitter-tweet" data-width="500" data-dnt="true"><p lang="pt" dir="ltr">Hoje, foram divulgadas imagens de alguns coronéis e generais nas manifestações q vandalizaram patrimônio público.<br><br>Algumas coisas devem ser ditas. E vou dizer c/clareza. E será a última postagem sobre isso.<br><br>Desde o dia em q os Comandantes das Forças expediram Nota “ao POVO…+</p>&mdash; Marcelo Pimentel JS (@marcelopjs) <a href="https://twitter.com/marcelopjs/status/1612591973654732803?ref_src=twsrc%5Etfw">January 9, 2023</a></blockquote><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>
</div></figure>



<p>A partir de então, parentes de militares passaram a gravar vídeos para WhatsApp e Instagram direto de locais nevrálgicos do setor militar em Brasília: “frente do QG e das sedes do BGP (Batalhão da Guarda Presidencial) e do BPEB (Batalhão de Polícia do Exército de Brasília), responsáveis, respectivamente, pela segurança do Palácio do Planalto (…) ao lado das residências oficiais dos generais de Exército (os do Alto Comando q residem em Brasília) e do Centro de Inteligência do Exército (CIEx), que assessora diretamente o Comandante como órgão central do sistema de inteligência do Exército”.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Bolsominions ou legalistas?</strong></h3>



<p>Entre os vídeos gravados pelos militares durante as ações golpistas de 8 de janeiro, um deles viralizou. Na filmagem, o coronel Adriano Camargo Testoni chama diversas vezes de filho da puta e manda tomar no cu seus colegas de turma que chegaram ao generalato e ao Alto Comando. E cita alguns nomes: Ridauto, Pontual e Pinto Sampaio são alguns deles.</p>



<p>Então, seriam esses homens livres da influência de Bolsonaro ou do general Augusto Heleno? “Nada disso, pelo contrário. General Ridauto [Ridauto Lúcio Fernandes] foi o braço-direito de Pazuello no Ministério da Saúde durante a pandemia, citado na CPI da covid e tudo mais. Os outros também não. Eu os conheço bem”. Pontual e Pinto Sampaio são os generais-de-visão Carlos Duarte Pontual, secretário-geral do Exército, e Adriano Pinto Sampaio.</p>



<p>Então, surge a pergunta óbvia? Há algum general que não seja bolsonarista no Exército brasileiro? “Se você conhecer algum, por favor me apresente”, brinca Pimentel, que explica conhecer todos, tanto de churrascos e festas de aniversário, quanto na vida na caserna ou em grupos de WhatsApp. “Eles são mais do que bolsonaristas, são bolsominions mesmo, porém todos muito competentes no que fazem, excelentes líderes e, por incrível que pareça, legalistas”. Como assim? “Sim, não são pessoas interessadas em dar golpes de Estado, mas em atuar politicamente. É o partido militar”.</p>





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		<title>PSOL pede ao STF para investigar relação de Clarissa e Júnior Tércio com invasões em Brasília</title>
		<link>https://marcozero.org/psol-pede-ao-stf-para-investigar-relacao-de-clarissa-e-junior-tercio-com-invasoes-em-brasilia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Jan 2023 16:54:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonarismo]]></category>
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		<category><![CDATA[Clarissa Tércio]]></category>
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		<category><![CDATA[Júnior Tércio]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=53483</guid>

					<description><![CDATA[<p>A bancada federal do PSOL pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que investigue possíveis vínculos da deputada federal eleita Clarissa Tércio e do seu marido, o deputado estadual eleito Júnior Tércio (ambos filiados ao PP), com as invasões às sedes dos três poderes e à tentativa de golpe de Estado cometida pelos seguidores do ex-presidente [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A bancada federal do PSOL pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que investigue possíveis vínculos da deputada federal eleita Clarissa Tércio e do seu marido, o deputado estadual eleito Júnior Tércio (ambos filiados ao PP), com as invasões às sedes dos três poderes e à tentativa de golpe de Estado cometida pelos seguidores do ex-presidente Jair Bolsonaro, no domingo, 8 de janeiro. O pedido foi assinado pelo presidente do partido, Juliano Medeiros, e 14 parlamentares em exercício ou que assumirão seus mandatos no dia 1º de fevereiro.</p>



<p>De acordo com a petição protocolada no STF e direcionada para o ministro Alexandre de Moraes, relator dos inquéritos 4.874 e 4.879, que apuram a disseminação de <em>fake news </em>e a organização dos atos antidemocráticos, Clarissa Tércio compartilhou “vídeo feito por uma terrorista que furou bloqueio policial para invadir o teto do Congresso Nacional, endossando a mensagem que o Poder fora ‘tomado pelo povo’.” Outro argumento usado foi o fato de que “Clarissa Tércio e seu marido inseriram nas imagens compartilhadas da invasão créditos com os endereços de suas próprias redes sociais”.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/raquel-lyra-e-joao-campos-condenam-invasoes-mas-casal-tercio-e-coronel-feitosa-declaram-apoio-a-terroristas/" class="titulo">Raquel Lyra e João Campos condenam invasões, mas casal Tércio e coronel Feitosa declaram apoio a terroristas</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/democracia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Democracia</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Ainda na noite de domingo, a Marco Zero informou que o casal Tércio postou vídeos com imagens dos bolsonaristas no Congresso Nacional, mas sem nenhuma ressalva ou qualquer tipo de recriminação à violência política. Nas postagens expressaram à tentativa de tomar o poder pelo uso da força, postando “Brasília hoje, oremos pelo nosso Brasil!”</p>



<p>Na manhã seguinte, 9 de janeiro, a deputada editou a postagem e postou no twitter informando ser contrária à depredação de patrimônio. Ao mesmo tempo, enviou nota para a equipe da MZ solicitando alteração na reportagem publicada na véspera com esse novo conteúdo, o que foi feito.</p>



<p>Além dos fundamentalistas evengélicos pernambucanos, a bancada do PSOL solicitou a inclusão de outros nove parlamentares bolsonaristas de diversos estados: André Fernandes (PL-CE), Silvia Waiãpi (PL-AP), Magno Malta (PL-ES), Ricardo Barros (PP-PR), Sargento Rodrigues (PL-MG), José Medeiros (PL-MT), Coronel Tadeu (PL-SP), Carlos Jordy (PL-RJ) e Ana Compagnolo (PL-SC).</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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<p>Solicitamos à equipe da assessoria de Clarissa Tércio posicionamento sobre a petição da bancada do PSOL. Eventuais opiniões ou defesa da deputada serão acrescentadas assim que a demanda seja atendida.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Mudança de narrativa articulada</strong></h2>



<p>Durante a invasão, a empolgação dos parlamentares citados pelo PSOL era idêntica a dos criminosos que depredavam as instalações do Senado, da Câmara dos Deputados e do STF. Antes do Governo Federal reagir e as forças de segurança assumirem o controle da situação, o tom das postagens era de celebração pela tomada do poder, além de culpar o ministro Alexandre de Moraes pelo que estava acontecendo em Brasília.</p>



<p>O tom da cobertura das emissoras de TV, principalmente Globo News e a Band, e a péssima repercussão tanto na comunidade internacional quanto nas redes sociais, se somaram no início da noite às imagens do esvaziamento da praça dos Três Poderes e do registro das prisões realizadas às dezenas. A partir daquele momento, segundo o analista de dados de redes sociais, Pedro Barciela, o conteúdo das postagens bolsonaristas começou a mudar, incluindo aquelas feitas pelos parlamentares identificados pelo PSOL. </p>



<figure class="wp-block-embed aligncenter is-type-rich is-provider-twitter wp-block-embed-twitter"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="twitter-tweet" data-width="500" data-dnt="true"><p lang="pt" dir="ltr">Vale observar como o bolsonarismo conduziu o discurso sobre o ataque terrorista de ontem. A narrativa bolsonarista inicial prega defesa dos terroristas, enaltecimento das invasões e apoio aos ataques contra instituições. Porém, por volta das 20:30h, tentam uma mudança brusca. + <a href="https://t.co/AD6z3e9N5Q">pic.twitter.com/AD6z3e9N5Q</a></p>&mdash; Pedro Barciela (@Pedro_Barciela) <a href="https://twitter.com/Pedro_Barciela/status/1612429459960877057?ref_src=twsrc%5Etfw">January 9, 2023</a></blockquote><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>
</div></figure>



<p>“A narrativa bolsonarista inicial prega defesa dos terroristas, enaltecimento das invasões e apoio aos ataques contra instituições. Porém, por volta das 20:30h, tentam uma mudança brusca”, publicou Barciela em seu perfil no Twitter.</p>



<p>Segundo o analista, a o que ele chama de contra-narrativa bolsonarista “passa a condenar os ataques, critica os terroristas e chega até mesmo a difundir a falsa informação de que seriam ‘infiltrados’. Foram inúmeros casos de influenciadores apagando conteúdos, excluindo publicações e deletando stories”.</p>



<p>Jair Bolsonaro, por exemplo, só rompe o silêncio às 21h17min, quando estava claro que seu golpe de Estado havia fracassado e se fazia necessário se desvincular do que estava acabara de acontecer na praça dos Três Poderes, a 5.600 quilômetros do condomínio de luxo onde ele está, na Flórida.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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<p></p>
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		<title>Democratas vão às ruas contra a tentativa de golpe de Estado</title>
		<link>https://marcozero.org/democratas-vao-as-ruas-contra-a-tentativa-de-golpe-de-estado/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Jan 2023 23:21:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[defesa da democracia]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de estado]]></category>
		<category><![CDATA[povo nas ruas]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade civil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Foi necessário vencer a exaustão da meses da campanha eleitoral mais tensa da história e anos no esforço contra um governo que se aliou ao vírus que matou quase 800 mil. A tentativa de golpe de Estado por milhares de terroristas de extrema-direita levou torcidas organizadas a deixarem a rivalidade de lado mais uma vez, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Foi necessário vencer a exaustão da meses da campanha eleitoral mais tensa da história e anos no esforço contra um governo que se aliou ao vírus que matou quase 800 mil. A tentativa de golpe de Estado por milhares de terroristas de extrema-direita levou torcidas organizadas a deixarem a rivalidade de lado mais uma vez, a profissionais liberais interromperem as férias, estudantes saíram de casa, militantes a tirarem as surradas camisas vermelhas do guarda-roupas e fiéis de várias religiões a juntarem seus cânticos e rezas aos gritos por democracia. </p>



<p>No Recife e em dezenas de cidades, o povo voltou às ruas. Desta vez, a mobilização de centrais sindicais, movimentos sociais e organizações da sociedade civis não foi motivada por uma ameaça abstrata nem pela concretude de prédios invadidos, vidraças estilhaçadas, obras de arte destruídas e estátuas depredadas. </p>



<p>Quem chegava dizia estar ali porque era necessário fazer algo em defesa da vida e da paz. Os atos terroristas do domingo, 8 de janeiro, em Brasília, demonstraram que extremistas de direita estão dispostos contra as instituições e as vidas de quem pensa ou age diferente. </p>



<p>Talvez, por isso, a quantidade de pessoas que foram até a praça do Derby, numa tarde de segunda-feira do mês mais modorrento do ano, surpreendeu até os coordenadores das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, da Coalizão Negra por Direitos e da Convergência Negra. </p>



<p>O jovem Luan Silva, da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, resumiu assim o motivo de estar no Derby por serem inaceitáveis as atrocidades que os fascistas cometeram. &#8220;A democracia brasileira foi construída com várias mãos que tombaram em defesa dela. Por isso, precisamos dar essa resposta&#8221;.</p>



<p>Do Derby, a multidão seguiu pelo tradicional corredor da avenida Conde da Boa Vista até a ponte Duarte Coelho, onde fez uma curva à esquerda rumo ao monumento Tortura Nunca Mais. O encerramento da passeata não poderia ter um local mais simbólico.</p>



<p>Antes do Hino Nacional, que fechou a manifestação, o diretor da Central Única dos Trabalhadores, Paulo Rocha, disse emocionado: &#8220;Somos os verdadeiros patriotas&#8221;.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                                        <p class="m-0">No Derby, multidão começa a se formar em torno da bandeira do Brasil. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa <a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a> </strong>ou, se preferir, usar nosso <strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong>.<br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong>.</cite></blockquote>
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		<title>YouTube e extremistas ganharam dinheiro com transmissões ao vivo das ações terroristas</title>
		<link>https://marcozero.org/youtube-e-extremistas-ganharam-dinheiro-com-transmissoes-ao-vivo-das-acoes-terroristas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Jan 2023 22:03:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonarismo]]></category>
		<category><![CDATA[extrema-direita]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de estado]]></category>
		<category><![CDATA[google]]></category>
		<category><![CDATA[monetização]]></category>
		<category><![CDATA[terrorismo]]></category>
		<category><![CDATA[YouTube]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Extremistas de direita usaram o YouTube durante semanas para convocar os bolsonaristas e ganharam dinheiro transmitindo ao vivo as invasões terroristas ao Congresso Nacional, ao Supremo Tribunal Federal e ao Palácio do Planalto neste domingo, 8 de janeiro. Depois de servir por anos como catalisadora de narrativas falsas, incitamento de ódio e teses negacionistas contra [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Extremistas de direita usaram o YouTube durante semanas para convocar os bolsonaristas e ganharam dinheiro transmitindo ao vivo as invasões terroristas ao Congresso Nacional, ao Supremo Tribunal Federal e ao Palácio do Planalto neste domingo, 8 de janeiro. Depois de servir por anos como catalisadora de narrativas falsas, incitamento de ódio e teses negacionistas contra saúde pública, a plataforma de vídeos do Google foi usada neste domingo, sem interferência do algoritmo ou de moderadores, para promover o mais violento ataque da história contra a democracia brasileira.</p>



<p>Em horas e horas de transmissão ao vivo, a destruição do patrimônio público e a tentativa de depor um governo eleito democraticamente, foram apresentados como atos patrióticos, protagonizados por “heróis da nação&#8221;. As <em>lives </em>do golpe permanecem no ar, monetizadas a partir anúncios publicitários de empresas como a chinesa Shein, de videogames, Magazine Luiza ou da marca de remédios Engov.</p>



<p>Além do patrocínio dos anunciantes do YouTube, alguns desses canais contam com clubes de assinatura para membros interessados em financiar suas produções. Só neste domingo, a Marco Zero Conteúdo acessou quatro canais de conteúdo bolsonarista que utilizam o YouTube há, pelo menos, quatro anos e contam com milhares de inscritos e visualizações, todos eles realizaram transmissões ao vivo da invasão à Esplanada dos Ministérios.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Lives</strong> e convocatórias</h2>



<p>Administrado pelo YouTuber Genival Fagundes, candidato a deputado federal pelo PL em Goiás nas últimas eleições, o canal Política Sem Curva fez uma live de 5 horas e 25 minutos da invasão deste domingo. Participante do ato de terrorismo, Genival Fagundes fez questão de filmar tudo que realizou e testemunhou, exibindo para os mais de 77 mil inscritos do seu canal. A live conta com 668 mil visualizações.</p>



<p>O canal Endireita Tocantins, que se apresenta como uma organização política, também fez uma live direto da invasão da Esplanada dos Ministérios. Com duração de 5 horas e 5 minutos, o vídeo tem 149 mil visualizações.</p>



<p>Já os responsáveis pelos canais Eu&amp;Ela Curiosa e Ed Produções Gospel fizeram lives com imagens ao vivo de parceiros que estavam na Esplanada e na Praça dos Três Poderes participarando do ato, enquanto comentavam com os telespectadores no formato <em>react</em>. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/01/golpe-YT2-210x300.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/01/golpe-YT2-717x1024.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/01/golpe-YT2-717x1024.jpeg" alt="Print de tela de live da invasão ao Congresso com propaganda do remédio Engov" class="" loading="lazy" width="245">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Crédito: reprodução YouTube</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>O canal Eu&amp;Ela Curiosa, da professora de canto Elaine Helena Roque e sua filha Amada Roque, possui 83,8 mil inscritos e teve 44 mil visualizações na live da invasão. A página é conhecida por realizar lives todas as noites com conversas descontraídas entre Elaine e o público, que, ao analisar os comentários, parece ser majoritariamente feminino. Nos últimos meses, a professora passou a se colocar como porta-voz da causa “patriota” e do bolsonarismo, em defesa da “família”.</p>



<p>Já o canal Ed Produções Gospel se apresenta como “um canal cristão voltado para as pessoas que buscam ter mais intimidade com Deus, através de pregações da Bíblia Sagrada e ensinamentos de Pastores e Pastoras mais conhecidos do meio evangélico”. Porém, apesar da maioria dos vídeos do canal conter conteúdos religiosos, a página, que possui 74,2 mil inscritos, foi utilizada para transmitir os atos terroristas deste domingo.</p>



<p>Vale salientar que, das páginas mencionadas, o Política Sem Curva e a Eu&amp;Ela Curiosa contam com um canal de assinaturas com valores de doação mensal entre R$ 7,99 e R$29,99, além de solicitarem doações através de pix. Dos quatro canais apresentados, apenas o de Elaine Helena Roque possui anúncios em suas lives.Todos os vídeos disponibilizados na plataforma após o fim da transmissão contam com anúncios do Google.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Cifrões</strong></h3>



<p>A Marco Zero recorreu à SocialBlade, uma ferramenta bastante conhecida de rastreamento de estatísticas e análises de mídias sociais, para calcular quantos esses canais golpistas faturam anualmente no YouTube. Alguns deles, como Política Sem Curva, do extremista goiano Genival Fagundes, chega a faturar quase R$ 137 mil. Nos últimos 30 dias, alcançou quase 2,9 milhões de visualizações com vídeos estimulando o golpe de Estado.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/01/golpe-YT1-211x300.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/01/golpe-YT1.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/01/golpe-YT1.jpeg" alt="" class="" loading="lazy" width="266">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Crédito: reprodução YouTube</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A <a href="https://tecnoblog.net/responde/como-funciona-a-monetizacao-do-youtube/#:~:text=A%20monetiza%C3%A7%C3%A3o%20do%20Youtube%20%C3%A9,outra%20%C3%A9%20do%20canal%20parceiro." target="_blank" rel="noreferrer noopener">monetização do Youtube</a> é feita pela exibição de anúncios durante os vídeos. Caso o anúncio seja assistido e não pulado, o valor é pago integralmente. Do valor de cada exibição, uma parte vai para o Youtube e a outra é do canal parceiro. Para ter direito a isso, o canal precisa alcançar 10 mil visualizações totais nos vídeos do canal, manter, pelo menos, 1.000 inscritos no canal e  4.000 horas visualizadas a cada 12 meses.</p>



<p>Se a <a href="https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2023/01/09/meta-vai-bloquear-conteudo-pro-invasao-em-brasilia-das-redes-sociais.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Meta, empresa que controla o Instagram, o Facebook e o WhatsApp, se posicionou contra a tentativa de golpe de Estado</a> e prometeu barrar os conteúdos favoráveis à invasão, o mesmo não se aplica ao Google/YouTube.</p>



<p>Procuramos a equipe de assessoria de Imprensa da empresa, uma das maiores do planeta, e recebemos esta resposta: “Nosso compromisso com os usuários do YouTube tem como ponto de partida as diretrizes da comunidade. Elas definem o que é permitido ou não e valem para todos os tipos de conteúdo na plataforma, incluindo vídeos, comentários, links e miniaturas. Dito isso, você teria algum trecho específico dos vídeos que você acredita representar violações às nossas políticas? Como são vídeos longos, nos ajudaria se você puder fornecer mais detalhes”. </p>



<p>A equipe da Marco Zero esclarece que, por motivos óbvios, não se dará ao trabalho de apontar quaisquer “trechos específicos” para uma empresa que admite se guiar por suas próprias “diretrizes” e não pelo respeito à Constituição brasileira. Também não adicionaremos links para os canais citados neste texto.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa<a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a></strong>ou, se preferir, usar nosso<strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong>.<br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong>.</cite></blockquote>
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		<title>&#8220;Passou da hora de pedir a prisão preventiva do ex-presidente&#8221;, avisa pesquisador e oficial da PM paulista</title>
		<link>https://marcozero.org/passou-da-hora-de-pedir-a-prisao-preventiva-do-ex-presidente-avisa-pesquisador-e-oficial-da-pm-paulista/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Jan 2023 03:04:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Adilson Paes de Souza]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Distrito Federal]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de estado]]></category>
		<category><![CDATA[policia militar]]></category>
		<category><![CDATA[prisão ilegal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A primeira vez que a Marco Zero entrevistou o doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP) e tenente-coronel na reserva da PM paulista, Adilson Paes de Souza, foi alguns dias após o ataque dos policiais do Batalhão de Choque às milhares de pessoas que participavam de uma manifestação antibolsonaro no centro do Recife, [&#8230;]</p>
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<p>A primeira vez que a Marco Zero entrevistou o doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP) e tenente-coronel na reserva da PM paulista, Adilson Paes de Souza, foi alguns dias após o ataque dos policiais do Batalhão de Choque às milhares de pessoas que participavam de uma manifestação antibolsonaro no centro do Recife, em maio de 2021. Na ocasião, ele explicou que as PMs “seguem a lógica do Bolsonaro de esticar a corda, cada vez mais ampliar e romper os limites democráticos e pregar o confronto”.</p>



<p>Desde então, Paes de Souza vem alertando em debates, seminários acadêmicos, entrevistas e artigos publicados para o risco da ruptura democrática acontecer com a ajuda das polícias estaduais. Hoje, antes mesmo das emissoras de TV abertas iniciarem a transmissão ao vivo das invasões e destruição das sedes dos três poderes da República por milhares de bolsonaristas organizados e financiados por empresários, voltamos a conversar sobre o assunto.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Adilson Paes fez vários alertas de que PM iria aderir ao golpismo de Bolsonaro. Crédito: Ponte Jornalismo</p>
	                
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                    </figure>

	


<p class="has-text-align-left">Marco Zero – <strong>Quais os sinais que os policiais militares vinham dando e não foram percebidos pelo Poder Público de que iriam aderir a um golpe mobilizado por Jair Bolsonaro? E o que não foi feito para contê-los?</strong></p>



<p><strong>Adilson Paes</strong> – De três anos para cá, foram vários os sinais dos efeitos nefastos do bolsonarismo nas polícias. Estava evidente que a atuação das polícias seria por omissão, deixando que as coisas acontecessem. Em relação a esses atos terroristas de hoje, lembro que, no último dia 12 de dezembro, quando aconteceu aqueles atos de terrorismo no centro de Brasília e nada aconteceu, ficou evidente para os terroristas que havia um canal aberto, um caminho pavimentado para praticarem o que quisessem. O governo do Distrito Federal não fez nada, a Polícia Militar do Distrito Federal não fez nada e ninguém dessas duas instituições foi responsabilizado por essas omissões. Então, instalou-se um ambiente de impunidade, de estímulo pra toda e qualquer prática omissiva por parte das autoridades responsáveis. É importante frisar que o governo atual, o Governo Federal também foi omisso, foi incompetente. Flávio Dino tinha alguma informação, se limitou a respeito de notas dizendo que a Força Nacional de Segurança estava à disposição, que acreditava que os cidadãos seriam ordeiros ou coisa do tipo, que não ia ter violência. E o ministro José Múcio, da Defesa, disse recentemente que tinha amigos e parentes lá nos quartéis, nos acampamentos e que tudo ia ser pacífico. E a gente sabe que muitos desses atos foram gestados e fomentados também nesses acampamentos dos quartéis. Então, nós temos atitudes terroristas por parte das autoridades e nós temos a incompetência e a omissão por parte de ministros do atual governo.</p>



<p><strong>O senhor acredita que pode haver alguma reação da PM do Distrito Federal contra a intervenção federal na área de Segurança do governo de Brasília?</strong><br><br>Eu não acredito que possa ter um outro tipo de reação da polícia de Brasília, até mesmo porque eles estão atuando pela omissão. E, com a repercussão do fato acontecido, acho que eles atingiram o objetivo deles. E está tendo uma forte repercussão internacional. sobretudo. Então, não creio que possa ter mais alguma ação da polícia de Brasília contra o Governo Federal. E o governador de Brasília não pode contemporizar com isso. Creio também que já é hora de pedir a preventiva, já passou da hora de pedir a preventiva, do ex-presidente da República, do ex-ministro da Justiça que é o atual secretário de Segurança Pública de Brasília [a entrevista aconteceu com os fatos ainda acontecendo, antes, portanto, da notícia da exoneração de Anderson Torres, do cargo de secretário] Enfim, tem que começar a prender com base na lei, porque já há elementos, senão a coisa vai ganhar cada vez mais contorno.</p>



<p><strong>Uma intervenção de três semanas, até 31 de janeiro, e apenas na área de segurança pública, será o bastante para mudar a Polícia Militar de Brasília, além de punir os responsáveis pelo comportamento criminoso dos policiais que estavam de serviço durante a invasão?</strong></p>



<p>Considero que a intervenção somente na segurança pública, e por esse prazo de três semanas, não vai resolver muita coisa não. Primeiro, a intervenção deveria ser em todo o governo do Distrito Federal. Não dá pra excluir a responsabilidade do governador Distrito Federal no que aconteceu. Em segundo lugar, três semanas não é um não é um prazo crível, razoável, para que se possa resolver o problema da insegurança causada em Brasília. Eu não entendi, não sei se é uma necessidade dar uma resposta rápida à nação ou o que é, mas eu não entendo o porquê essa medida é tão restrita.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">PMs conversam e tomam água de coco enquanto terroristas atuam. Crédito: redes sociais</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p><strong>Os recursos para custear a Polícia Militar de Brasília são de um fundo federal, o <a href="https://www.seplad.df.gov.br/sobre-o-fundo-constitucional/">Fundo Constitucional do DF</a>, que financia e paga os salários das polícias do DF. Seria o caso de cortar os salários dos policiais que colaboraram com os atos de terrorismo?</strong></p>



<p>Não acho que isso não é cabível e nem é possível, apesar do Governo Federal ser responsável pela folha de pagamento da polícia.</p>



<p><strong>E quais os desdobramentos que os atos de hoje podem ter nas forças policiais dos outros estados?</strong></p>



<p>Tudo vai depender de como será tratado a questão de Brasília. Se não tomarem as medidas drásticas severas, todas as que são cabíveis, poderá mostrar um sinal de fraqueza e poderá servir de estímulos pra que outras polícias atuem no mesmo sentido, além de servir de estímulo pra que outros manifestantes atuem em cada estado, provocando o caos com mais atos terroristas. Tudo vai depender de como a questão de Brasília for tratada.</p>



<p><strong>É correto afirmar que houve uma conspiração ou complô para viabilizar uma tentativa de golpe de Estado? Será possível, no andamento das investigações, se chegar aos nomes dos líderes e financiadores desse complô golpista?</strong></p>



<p>Sim, acredito que pode ser sim uma conspiração. Tudo vai depender do como é que o caso de Brasília vai ser tratado, mas acredito que o termo ‘conspiração’ é correto da forma como está sendo empregado pela imprensa. Não é de hoje que esses atos vem sendo preparados. O silêncio do Bolsonaro ajudou a estimular esses atos, as palavras cifradas que ele proferiu também ajudaram. Teve gente que foi pra Miami, fez reunião com ele e depois saiu falando que, dentro em breve, aconteceria algo. Há elementos sim. Há responsabilidade. Houve e há uma conspiração, sim, inclusive a omissão das Forças Armadas em retirar os manifestantes da frente dos quartéis a partir do dia 2 de janeiro, nada justifica essa omissão. Então, alguns conspiraram deliberadamente, querendo conspirar e outros contribuíram com a omissão. Bom, a imagem do Brasil sai a mais arranhada, a mais danificada possível. E tudo vai depender de como tratar esse caso de Brasília. Se as autoridades tomarem todas as medidas, por mais severas que sejam contra quem financiou, quem planejou, quem o orquestrou e quem executou esses atos de terrorismo, talvez a gente consiga reverter um pouco o dano à imagem do Brasil. Caso contrário, a nossa imagem será muito danificada.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/pm-ataca-manifestantes-e-provoca-crise-no-governo-do-estado/" class="titulo">PM ataca manifestantes e provoca crise no Governo do Estado</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/violencia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Violência</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


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		<title>Raquel Lyra e João Campos condenam invasões, mas casal Tércio e coronel Feitosa declaram apoio a terroristas</title>
		<link>https://marcozero.org/raquel-lyra-e-joao-campos-condenam-invasoes-mas-casal-tercio-e-coronel-feitosa-declaram-apoio-a-terroristas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Jan 2023 00:50:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonarismo]]></category>
		<category><![CDATA[golpe]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de estado]]></category>
		<category><![CDATA[invasão do Congresso]]></category>
		<category><![CDATA[Invasão do STF]]></category>
		<category><![CDATA[Palácio do Planalto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na tarde deste domingo, milhares de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram prédios do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Palácio do Planalto em ações terroristas para viabilizar um golpe de Estado. Com a conivência da Polícia Militar do Distrito Federal, invadiram as sedes dos três poderes, vandalizando e depredando o patrimônio [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Na tarde deste domingo, milhares de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram prédios do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Palácio do Planalto em ações terroristas para viabilizar um golpe de Estado. Com a conivência da Polícia Militar do Distrito Federal, invadiram as sedes dos três poderes, vandalizando e depredando o patrimônio público. Não demorou para que a maior parte dos políticos e personalidades públicas condenassem a invasão e cobrassem a prisão e punição dos participantes. </p>



<p>Pelo menos três bolsonaristas eleitos em 2022 publicaram mensagens de apoio aos terroristas. Foi o caso do pastor Júnior Tércio (PP) e Alberto Feitosa (PL), que conquistaram suas vagas na Assembleia Legislativa em outubro, e a deputada federal eleita Clarissa Tércio (PP), que postaram vídeos com imagens dos manifestantes chegando à Esplanada dos Ministérios, mas sem nenhum tipo de recriminação à violência política em andamento. <a href="https://www.instagram.com/p/CnK2RJwjHyK/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Os Tércio, inclusive, demonstraram apoio aos atos ao publicar vídeo com a legenda: “Brasília hoje, oremos pelo nosso Brasil!”</a>. Já Feitosa continuou a elogiar os terroristas bolsonaristas, os qualificando como &#8220;patriotas&#8221;.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Postagem do Instagram de Clarissa Tércio (PP). Crédito: reprodução/ Instagram</p>
	                
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<p></p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Postagem do deputado estadual Alberto Feitosa (PL). </p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading">Tentativa de golpe é condenada pela maioria</h2>



<p>O também apoiador de Bolsonaro, presidente do PL em Pernambuco e ex-candidato a governador, Anderson Ferreira, <a href="https://www.instagram.com/p/CnK2nlSIyc8/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">repostou em sua rede social um vídeodo PL Nacional em repúdio aos atos deste domingo</a>.&#8221;QUERO DIZER A VOCÊS QUE CONDENAMOS VEEMENTEMENTE ESTE TIPO DE ATITUDE.&#8221;, consta na legenda da publicação. </p>



<p>Outros políticos pernambucanos, como a governadora Raquel Lyra (PSDB) e o prefeito João Campos (PSB), também se posicionaram nas redes sociais condenado de maneira veemente a tentativa de golpe de Estado contra o governo do presidente Lula. Confira as postagens de repercussão dos atos antidemocráticos deste domingo:</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Postagem do Instagram de Anderson Ferreira (PL). Crédito: reprodução/ Instagram</p>
	                
                                    </figcaption>
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<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-twitter wp-block-embed-twitter"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="twitter-tweet" data-width="500" data-dnt="true"><p lang="pt" dir="ltr">Manifestações fazem parte do jogo democrático. Mas as cenas de vandalismo que vemos agora em Brasília são inaceitáveis. Democracia e eleições são valores inegociáveis. Só teremos um estado e um país mais fortes quando todos respeitarem a lei e as regras que regem a República.</p>&mdash; Raquel Lyra (@raquellyra) <a href="https://twitter.com/raquellyra/status/1612169809361502208?ref_src=twsrc%5Etfw">January 8, 2023</a></blockquote><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>
</div><figcaption>Governado de Pernambuco, Raquel Lyra (PSDB)</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-twitter wp-block-embed-twitter"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="twitter-tweet" data-width="500" data-dnt="true"><p lang="pt" dir="ltr">Não dá para admitir o que está ocorrendo em Brasília! Invadir e depredar as sedes dos Poderes não é exercer o direito de livre manifestação, é um crime contra a democracia. Todas as pessoas envolvidas nos atos golpistas devem ser identificadas e responsabilizadas o quanto antes.</p>&mdash; João Campos (@JoaoCampos) <a href="https://twitter.com/JoaoCampos/status/1612180661456064513?ref_src=twsrc%5Etfw">January 8, 2023</a></blockquote><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>
</div><figcaption>Prefeito do Recife, João Campos </figcaption></figure>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-twitter wp-block-embed-twitter"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="twitter-tweet" data-width="500" data-dnt="true"><p lang="pt" dir="ltr">Atos de violência e vandalismo praticados agora em Brasília, mais do que destruir o patrimônio público, ameaçam frontalmente o Estado Democrático de Direito, razão pela qual devem ser repelidos de modo exemplar p/ preservar legalidade e as instituições garantidoras da democracia.</p>&mdash; Priscila Krause (@priscilakrause) <a href="https://twitter.com/priscilakrause/status/1612171913983303680?ref_src=twsrc%5Etfw">January 8, 2023</a></blockquote><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>
</div><figcaption>Vice-governadora, Priscila Krause </figcaption></figure>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-twitter wp-block-embed-twitter"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="twitter-tweet" data-width="500" data-dnt="true"><p lang="pt" dir="ltr">Se o governador do Distrito Federal é conivente diante de um ato terrorista na capital do país, cabe a intervenção federal para que a Força de Segurança Nacional assuma o controle e restabeleça a ordem em Brasília. Por aqui, estamos prontos para autorizar a intervenção.</p>&mdash; Túlio Gadêlha (@tuliogadelha) <a href="https://twitter.com/tuliogadelha/status/1612187915437711371?ref_src=twsrc%5Etfw">January 8, 2023</a></blockquote><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>
</div><figcaption>Deputado Federal, Túlio Gadêlha </figcaption></figure>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-twitter wp-block-embed-twitter"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="twitter-tweet" data-width="500" data-dnt="true"><p lang="pt" dir="ltr"><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f6a8.png" alt="🚨" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" />ABSURDO! Vândalos bolsonaristas invadem o Congresso Nacional pedindo seu fechamento. Isso não é manifestação, é um atentado contra a democracia. Que sejam tratados com o rigor da lei.</p>&mdash; Marília Arraes (@MariliaArraes) <a href="https://twitter.com/MariliaArraes/status/1612159881489879041?ref_src=twsrc%5Etfw">January 8, 2023</a></blockquote><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>
</div><figcaption>Candidata a governadora pelo de Pernambuco pelo Solidariedade nas últimas eleições, Marília Arraes </figcaption></figure>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-twitter wp-block-embed-twitter"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="twitter-tweet" data-width="500" data-dnt="true"><p lang="pt" dir="ltr">Acompanho com preocupação os atos com manifestantes no Congresso Nacional. Toda manifestação ordeira, pacífica e que respeite a Constituição é legítima. Destruir o patrimônio público, intimidar pessoas e atacar os poderes constituídos foge da esfera legal, bem como do bom senso.</p>&mdash; Miguel Coelho (@miguelcoelhope) <a href="https://twitter.com/miguelcoelhope/status/1612179834397925385?ref_src=twsrc%5Etfw">January 8, 2023</a></blockquote><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>
</div><figcaption>Candidato a governador de Pernambuco pelo União Brasil nas últimas eleições, Miguel Coelho</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-twitter wp-block-embed-twitter"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="twitter-tweet" data-width="500" data-dnt="true"><p lang="pt" dir="ltr">O Brasil vive cenas lamentáveis hoje, em atos de vandalismo que atentam contra o Estado Democrático de Direito de forma inaceitável. Exercer a discordância é um direito de cada brasileiro, mas é preciso respeitar as nossas instituições para que possamos viver em harmonia.</p>&mdash; Eriberto Medeiros (@DepEriberto) <a href="https://twitter.com/DepEriberto/status/1612188811466883073?ref_src=twsrc%5Etfw">January 8, 2023</a></blockquote><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>
</div><figcaption>Presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, Eriberto Medeiros </figcaption></figure>



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<blockquote class="twitter-tweet" data-width="500" data-dnt="true"><p lang="pt" dir="ltr">Urgente !!! Terroristas invadem e depredam sede dos Três Poderes!! Cadê o Governo do GDF?? A União precisa agir!!</p>&mdash; Teresa Leitão <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/2b50.png" alt="⭐" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Senadora (@teresaleitao_) <a href="https://twitter.com/teresaleitao_/status/1612166022131318784?ref_src=twsrc%5Etfw">January 8, 2023</a></blockquote><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>
</div><figcaption>Senadora eleita pelo PT-PE, Teresa Leitão</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-twitter wp-block-embed-twitter"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="twitter-tweet" data-width="500" data-dnt="true"><p lang="pt" dir="ltr">As imagens que estamos vendo em Brasília são o retrato do desprezo que a extrema direita tem pela democracia e pela vontade da maioria. A eleição acabou. Bolsonaro perdeu. O país precisa ser pacificado e não pode haver anistia ao golpismo.</p>&mdash; Dani Portela (@daniportelapsol) <a href="https://twitter.com/daniportelapsol/status/1612165178996432896?ref_src=twsrc%5Etfw">January 8, 2023</a></blockquote><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>
</div><figcaption>Deputada estadual pelo PSOL-PE, Dani Portela </figcaption></figure>



<h3 class="wp-block-heading">Recuo dos Tércio</h3>



<p>(atualizado às 15h12min de segunda-feira, 9 de janeiro)</p>



<p>A deputada federal eleita Clarissa Tércio e seu marido, o vereador e deputado estadual eleito pastor Júnior Tércio, editaram a postagem de ontem no Instagram.</p>



<p>Originalmente, o vídeo da invasão terrorista ao Congresso Nacional foi publicado acompanhado apenas da frase “Brasília hoje, oremos pelo nosso Brasil”, conforme mencionado acima, com print da postagem antes de ser editada. A péssima repercussão dos ataques às sedes dos Três Poderes, levou os Tércio a recuarem. Além da modificação da postagem, a assessoria da deputada enviou uma nota informando fazer “questão de reafirmar nosso posicionamento”, com texto similar àquele adicionado à postagem e que é, na verdade, um recuo e não uma reafirmação.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Segue a íntegra da nota enviada:</strong></li></ul>



<p>“Em virtude da repercussão na imprensa sobre a manifestação que aconteceu ontem, em Brasília, fazemos questão de reafirmar nosso posicionamento.<br><br>Entendemos que a Constituição Federal nos garante o direito à livre manifestação, desde que seja de forma ordeira e pacífica.<br><br>E em alinhamento com o Ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, ratificamos que somos totalmente contrários a qualquer ato de violência, vandalismo ou de destruição do patrimônio público, que venha ameaçar a nossa democracia.<br><br>Desta forma, repudiamos toda e qualquer tentativa de sermos tachados de apoiadores de atos violentos e anticonstitucionais.<br><br>Nosso país precisa de muita oração!<br><br>Recife, 09 de janeiro de 2023.<br><br>Deputada Federal eleita, Clarissa Tércio e Deputado Estadual eleito, Pastor Júnior Tércio”</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa<a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>ágina de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a></strong>ou, se preferir, usar nosso<strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong>.<br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong>.</cite></blockquote>
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		<title>Manifestação 24J no Recife virou reação contra militares e ameaças de golpe</title>
		<link>https://marcozero.org/manifestacao-24j-no-recife-virou-reacao-contra-militares-e-as-ameacas-de-golpe/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Jul 2021 18:08:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A manifestação Vacina no Braço, Comida no Prato, Fora Bolsonaro deste sábado, 24 de julho, foi a quarta no intervalo de 56 dias. E, no Recife, foi a primeira debaixo de sol forte e sem as chuvas que acompanharam os três protestos anteriores. Como era previsível, o #24J acabou se transformando também numa reação às [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A manifestação Vacina no Braço, Comida no Prato, Fora Bolsonaro deste sábado, 24 de julho, foi a quarta no intervalo de 56 dias. E, no Recife, foi a primeira debaixo de sol forte e sem as chuvas que acompanharam os três protestos anteriores. Como era previsível, o #24J acabou se transformando também numa reação às ameaças de golpe de Estado por parte do presidente da República e dos generais que ocupam cargos no governo.</p>



<p>A quantidade de faixas e cartazes bem humorados exibidos pelos manifestantes sugere que, longe de inspirar medo, as ameaças de militares como o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, ou do comandante da Aeronáutica, Carlos Almeida Baptista Júnior, se tornaram motivo de deboche.</p>



<p>Já na concentração na praça do Derby, a partir das 9h30min, era possível perceber que o clima estava mais descontraído, sem a tensão que marcou o ato de 19 de junho, por exemplo, o primeiro após os ataques da Polícia Militares que cegaram duas pessoas. A maior quantidade de pessoas vacinadas também ajudou a dar o tom mais festivo da manifestação, que seguiu animada por grupos de percussão, arte circense, fantasias e até pelo hino de Pernambuco, executado por um improvável saxofonista na calçada da avenida Conde da Boa Vista.</p>



<p>Em meio ao som dos atabaques e palavras de ordem repetidas exaustivamente pelos militantes, um cartaz simples, feito à mão, lembrava que o luto e o sofrimento causados pelas ações e palavras de Jair Bolsonaro eram o motivo para que milhares de pessoas voltassem às ruas, em pelo menos 187 cidades do Brasil e do exterior: Diogo Simões, professor de Bioquímica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), caminhava erguendo com as duas mãos a cartolina de papel pardo onde havia escrito com tinta as palavras “Sem ciência é a treva – Fittipaldi presente”.</p>



<p>“É minha homenagem ao amigo Ivon Fittipaldi”, explicou. Professor de Física da UFPE, Fittipaldi morreu de covid-19 no dia 29 de dezembro do ano passado, quando vários países pelo mundo afora já tinham começado a vacinação de suas populações com o imunizante da Pfizer, cujas ofertas foram repetidamente rejeitadas pelo presidente Bolsonaro e pelo ex-ministro da Saúde, o general Eduardo Pazuello.</p>



<p>Apesar da descontração geral, empenhar energia para reagir às ameaças de um eventual golpe violento contra a democracia foi o assunto principal dos militantes e lideranças dos movimentos sociais entrevistados pela Marco Zero.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Povo na rua para garantir democracia</h2>



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	                                        <p class="m-0">Ailce Moreira. Crédito: Laércio Portela/MZ Conteúdo</p>
	                
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<p>“É fundamental travar o diálogo com os evangélicos e as evangélicas do Brasil, pois essa parcela da população foi decisiva em 2018 e também é agora. O desafio é fazer uma contranarrativa daquilo que vem sendo pregado pelo Governo Federal. Para nós, essa contranarrativa está nos princípios do Evangelho, como o amor, a dignidade humana e a liberdade. Vamos dialogar com nossos irmãos e irmãos, na linguagem que nós já conhecemos, para barrar o discurso de morte. Vamos pregar a vida plena, a vida em abundância. Essa conversa pode ser decisiva para que a gente não venha a sofrer um golpe, pois a medida que essas falas golpistas ganhem força entre os evangélicos, isso pode acontecer” &#8211; <strong>Ailce Moreira, da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito e da Coalizão Evangélica Contra Bolsonaro.</strong></p>



<p></p>



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	                                        <p class="m-0">Carmen Silva. Crédito: Laércio Portela/MZ Conteúdo</p>
	                
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<p></p>



<p></p>



<p>“Essas ameaças, que tanto Bolsonaro quanto o ministro da Defesa fazem, são respaldadas pelas Forças Armadas, pois, se não há contestação, há respaldo. A gente promover essas manifestações e o Brasil todo se mobilizar, inclusive setores que tradicionalmente não costumam vir para as ruas, é muito importante, pois é a forma que a sociedade civil tem de resistir. Não estou dizendo que Bolsonaro tenha forças para dar o autogolpe, mas essa força pode surgir. No entanto, não acredito que, se ele tentar, saia vitorioso. De qualquer forma, o risco está colocado, então temos de nos expressar em defesa da democracia” &#8211; <strong>Carmen Silva, integrante da organização feminista SOS Corpo e do Fórum de Mulheres de Pernambuco.</strong></p>



<p></p>



<p></p>



<p></p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Grupo de militantes da geração 68 presente na manifestação do 24J no centro do Recife. Crédito: Laércio Portela/MZ Conteúdo</p>
	                
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<p>“Nós lutamos contra o golpe de 1964, que se implantou no momento em que João Goulart anunciou reformas sociais e políticas no país. Hoje, o que estamos vendo é a tentativa de desconstrução de tudo que se acumulou e se corporificou na Constituição de 1988 depois da anistia e da campanha das Diretas. Mesmo numa democracia burguesa com limites, somamos pontos, mas agora estão tentando destruir tudo isso para implantar o neofascismo no Brasil. Por isso, estamos aqui com poesia, prazer, amizade e humor na conjuntura que for&#8221; &#8211; <strong>Marcelo Mário Melo, jornalista , poeta e representantes da geração de 1968</strong></p>



<p></p>



<p></p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Paulo Mansan. Crédito: Laércio Portela/MZ Conteúdo</p>
	                
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                    </figure>

	


<p>“A nossa grande tarefa neste momento é organizar mais gente, botar mais gente na rua. Cada vez mais, temos de engrossar os atos para mostrar ao governo genocida que não permitiremos qualquer arroubo autoritário. Além disso, temos de juntar o máximo de forças possíveis, inclusive dos outros poderes, que já deram as primeiras respostas, mas o Judiciário e o Congresso precisam dar respostas mais firmes. Nossa tarefa é pressionar os poderes para evitar qualquer loucura de Bolsonaro, que não pode se esconder atrás da incompetência dele” &#8211; <strong>Paulo Mansan, da coordenação estadual do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST)</strong></p>



<p></p>



<p></p>



<p></p>



<p></p>



<p></p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Wellington Medeiros. Crédito: Laércio Portela/MZ Conteúdo</p>
	                
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                    </figure>

	


<p>“A rua é o espaço mais importante para a gente manter o direito que ainda temos hoje, que é o direito de nos manifestar. Então, se a gente continuar botando mais gente na rua em campanha pela importância da democracia e de escolher, inclusive um verme feito Bolsonaro, então estamos no caminho certo. Nós, os LGBT, não somos apenas um segmento que faz a Parada LGBT, mas que estamos na rua para lutar por direitos políticos e sociais sem medo de levar nossa bandeira pra a rua” &#8211; <strong>Wellington Medeiros, do Movimento LGBT Leões do Norte</strong></p>
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		<title>“As milícias bolsonaristas não vão aceitar a derrota e as esquerdas precisam se precaver”, diz historiador</title>
		<link>https://marcozero.org/entrevista-daniel-aarao-reis/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Laércio Portela]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 May 2020 12:57:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonaro]]></category>
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		<category><![CDATA[extrema direita]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Bolsonaro constituiu um dispositivo de milicianos e paramilicianos ligados às polícias militares que não vão aceitar a alternância de poder em caso de derrota no projeto de reeleição do atual presidente. A análise é do historiador Daniel Aarão Reis, professor da pós-graduação em História na Universidade Federal Fluminense (UFF), especialista em revoluções socialistas no século [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p> Bolsonaro constituiu um dispositivo de milicianos e paramilicianos ligados às polícias militares que não vão aceitar a alternância de poder em caso de derrota no projeto de reeleição do atual presidente. A análise é do historiador Daniel Aarão Reis, professor da pós-graduação em História na Universidade Federal Fluminense (UFF), especialista em revoluções socialistas no século XX e pesquisador das esquerdas e da ditadura de 1964 no Brasil.  </p>



<p>
Aarão Reis compara o que pode acontecer em 2022 com a ação dos
grupos radicais que se mobilizaram no final dos anos 1970 para
desestabilizar o processo de transição para a democracia no país,
praticando uma série de atentados. “É um pessoal truculento,
agressivo e tá muito autoconfiante. Têm armas na mão e,
provavelmente, vão usá-las se não forem dissuadidos”. 
</p>



<p> Autor de livros de referência sobre a ditadura militar no Brasil, Daniel Aarão Reis critica, em entrevista à Marco Zero Conteúdo, a postura dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma Rousseff em relação às Forças Armadas brasileiras. “Nunca houve uma investida séria em chamar as Forças Armadas para discutir seu papel na democracia e reformular os seus currículos. Os governos sempre foram muito lenientes e civicamente covardes de enfrentar essas coisas”, analisa o historiador, contrapondo o Brasil ao que aconteceu no governo Néstor Kirchner, na Argentina, quando <a rel="noreferrer noopener" aria-label=" (abre numa nova aba)" href="https://noticias.uol.com.br/ultnot/efe/2004/03/24/ult1766u2638.jhtm" target="_blank">o Estado pediu desculpas públicas pelos crimes cometidos durante o regime de exceção</a>.</p>



<p> Para Aarão, existem pelo menos três dimensões de análise para entender a ascensão de Bolsonaro até a Presidência da República: as tradições estruturais do autoritarismo no Brasil, a longa conjuntura (a partir do processo de redemocratização até 2018) e a conjuntura curta (a eleição presidencial propriamente). Teria contribuído decisivamente para a derrota, o fato de as esquerdas subestimarem o debate em torno da corrupção e da segurança pública. “São temas que extravasaram a classe média e atingem hoje as camadas populares. Questões de vida e morte&#8230; porque afetam a saúde, a educação, a democracia”.</p>



<p>Aarão lança uma provocação: “Todo mundo fala em derrubar o Bolsonaro, mas para fazer o que exatamente? Para voltar a aquelas alianças com as forças do atraso? As forças democráticas têm que apresentar um programa que seduza a população… A minha esperança é que venham articulações para defender a educação pública, para defender a ciência, políticas alternativas para enfrentar as desigualdades. Esse é o desafio das esquerdas e eu sou cético das possibilidades dos partidos, a chamada esquerda de Estado. Ou a esquerda social – sociedade civil, fóruns &#8211; vai formular e implementar essas alternativas ou então nós estamos mal”. </p>



<p></p>



<p>Leia a entrevista:</p>



<p><strong>O quanto nossa transição democrática conciliatória – lenta, gradual e segura – que não questionou e debateu abertamente os crimes da ditadura militar tem a ver com a retomada desse discurso da extrema direita no Brasil e os pedidos de intervenção militar? </strong> </p>



<p>Eu venho há muitos anos tentando chamar atenção para as correntes autoritárias da sociedade brasileira, que inclusive atravessam a sociedade de alto a baixo, não estão só presentes nas elites sociais. Uma tendência geral que é muito autoritária e estrutural. A partir do bolsonarismo, as pessoas passaram a reconhecer essa evidência. Eu fico feliz. É difícil você superar um problema quando sequer admite a existência dele. No entanto, a partir daí gerou-se uma perspectiva que não é muito construtiva porque vai de um extremo para outro. Antes, as tendências autoritárias sequer eram reconhecidas, agora passam a ideia de que esse país tem o autoritarismo na veia, de sorte que se elimina a política da história, como se o bolsonarismo fosse uma expressão mecânica dessa tradição. O que é uma incongruência porque essa mesma sociedade elegeu e reelegeu Fernando Henrique Cardoso, elegeu e reelegeu Lula, elegeu e reelegeu Dilma. Foi quando muita gente disse que as tendências autoritárias tinham acabado. Teriam sido absorvidas pelo processo da democratização. Antes disso, nos anos 1970, em seminários no Brasil e na América Latina, atribuíam-se as ditaduras no Brasil às nossas tradições ibéricas. Isso era então muito desanimador porque, se a gente está preso às tradições ibéricas, a gente não vai sair dessas tradições tão cedo. Até que a península ibérica, tanto a Espanha quanto Portugal, passaram por processos de democratização. E agora, vamos dizer então que as tradições ibéricas foram eliminadas? Não, elas continuam presentes. Mas ao tratar das questões estruturais você não pode eliminar a política da história. As tradições estruturais pesam, mas elas não resumem a história em termos exaustivos.  </p>



<p><strong>E como essa
reflexão pode explicar o bolsonarismo?</strong></p>



<p>Para a compreensão do bolsonarismo eu tenho introduzido a necessidade de refletir sobre duas outras dimensões, sem desprezar essa tradição estrutural. Uma delas é o que eu chamo da grande conjuntura, que vai desde o processo da transição para a democracia até o ano de 2018, quando houve as eleições que consagraram Bolsonaro. É uma grande conjuntura de 30 anos, no contexto da qual você teve muitas decisões políticas que foram contribuindo gradativamente para, de um lado, a manutenção dessas tradições autoritárias e, de outro lado, uma certa desilusão do sistema que foi sendo construído com base na Constituição de 1988. Esse sistema já teve muito prestígio, já teve muita adesão, mas progressivamente a confiança nele foi sendo corroída e isso, ao meu ver, deveu-se ao fato de que o nosso processo de redemocratização, a chamada Nova República, gerou dois partidos com vocações reformistas, o PT e o PSDB. Esses dois partidos nasceram anunciando projetos reformistas e, ao longo do tempo em que governaram, apesar de terem realizados algumas coisas bem positivas, eles não conseguiram empreender as reformas que anunciavam e que a população esperava. Reformas que pudessem realmente transformar esse país, que apresenta índices de desigualdade dos mais extremados no mundo. A reforma política é um exemplo. Um amigo meu, o Carlos Vainer (sociólogo e economista), cunha uma expressão com a qual eu comecei a trabalhar. Referindo-se às esquerdas institucionais, aos partidos políticos, ele fala de uma “esquerda de Estado” à qual ele antepõe uma “esquerda social”. A esquerda de Estado foi essa esquerda que se deixou recrutar, cooptar pelo jogo institucional, pelos calendários eleitorais. E foi perdendo gradativamente o contato com a sociedade. Eu trabalhei 35 anos na universidade, ainda trabalho na pós-graduação, e fui observando essa gradual perda de esperança da juventude. Isso também é muito claro nos estratos populares.  </p>



<p><strong>Uma desilusão&#8230;</strong></p>



<p>O PT e o PSDB não foram capazes de articular uma aliança entre eles e cada um deles, ao seu modo, procurou o que havia de pior nas tradições brasileiras para se fortalecer no jogo institucional e foram contaminados por isso. De partidos reformistas se transformaram em partidos gestores, sempre com a ressalva de que eles, ao gerenciar a sociedade, fizeram melhor do que as chamadas forças do atraso, mas ao se alinharem a essas forças do atraso perderam a perspectiva de uma reforma política, de uma reforma econômica, de uma reforma tributária, uma reforma das polícias, do sistema penitenciário… Esse tipo de comportamento foi fazendo com que eles acabassem sendo compreendidos como um entre os outros.  </p>



<p><strong>Perdendo
aderência na sociedade?</strong></p>



<p>Eles foram perdendo o capital daquilo que os diferenciava. Eles nunca se interessaram em abrir uma discussão na sociedade sobre a ditadura, sobre as tradições autoritárias, sobre as Forças Armadas. As Forças Armadas mantiveram-se afastadas, remoendo seus ressentimentos, e <a href="http://marcozero.org/os-generais-em-seu-labirinto/" target="_blank" rel="noreferrer noopener" aria-label="formando as suas lideranças em padrões totalmente anacrônicos e autoritários (abre numa nova aba)">formando as suas lideranças em padrões totalmente anacrônicos e autoritários</a>. Nunca houve uma investida séria em chamar as Forças Armadas para discutir seu papel na democracia e reformular os seus currículos. Os governos sempre foram muito lenientes e civicamente covardes de enfrentar essas coisas. A ideia era: deixemo-las de lado e com o tempo a gente vai fazendo as mudanças.  As mudanças iam acontecer naturalmente, mas nada na história acontece naturalmente. A intervenção humana é fundamental e eles ficaram lá remoendo esses ressentimentos. Eu me lembro a primeira vez que fui impactado por isso, nos anos 1990, quando li no jornal que os cadetes da Academia das Agulhas Negras escolheram como patrono o general <a rel="noreferrer noopener" aria-label="Médici (Emílio Garrastazu MédicI, general-presidente entre 1969 e 1974) (abre numa nova aba)" href="https://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/governo-medici-1969-1974-milagre-economico-e-a-tortura-oficial.htm" target="_blank">Médici (Emílio Garrastazu MédicI, general-presidente entre 1969 e 1974)</a>. Como os jovens que estão se formando podem ter como patrono o que a ditadura tinha de mais sinistro? Isso significa que está havendo zero de discussão democrática dentro das Forças Armadas. Os governos civis não exigiram que isso fosse feito, de sorte que as Forças Armadas voltassem a ser o que eram antes de 1964, Forças Armadas plurais, onde havia uma discussão, onde havia tendências políticas diferenciadas. Mas a ideia era fazer que nem avestruz: meter a cabeça no chão e fingir que não havia um processo altamente deletério.  </p>



<p><strong>Ignorar o passado
acabou fortalecendo a posição das Forças Armadas no presente?</strong></p>



<p>A tal da GLO, <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Garantia_da_lei_e_da_ordem" target="_blank" rel="noreferrer noopener" aria-label="Garantia da Lei e da Ordem (abre numa nova aba)">Garantia da Lei e da Ordem</a>, que foi um princípio autoritário inscrito na nossa Constituição e permite aos presidentes dos poderes chamar as Forças Armadas para garantir a lei e a ordem, pois bem, os governos petistas cansaram de fazer isso, inclusive colaborando com que as Forças Armadas fossem reobtendo um prestígio, vistas como aquelas “forças impolutas” – que faz muito o ideário das Forças Armadas brasileiras desde a proclamação da República. Os militares sempre se viram como vetores da República, como anjos da guarda da República, e isso é totalmente antirepublicano e antidemocrático. Ao invés dos governos do PSDB e do PT lidarem com isso, enfrentarem isso, enquanto eles tinham força e enquanto os generais de direita nas Forças Armadas não tinham força, eles não se mexeram. Isso foi feito com muita coragem cívica na Argentina. O Kichnner (Néstor Kirchner, presidente argentino entre 2003 e 2007), quando assumiu, chamou lá o ministro e disse: “você vai pedir desculpas à sociedade pelas arbitrariedades, pelos assassinatos..” e o ministro se recusou, foi demitido e veio outro… E daí por diante, quando veio o oitavo, o oitavo decidiu “eu acho isso razoável, eu não estou comprometido com essas matanças e acho que as Forças Armadas fizeram mal” e pediu desculpas. Aí você tem um processo de outra natureza. Não houve uma discussão dessas tendências autoritárias no Brasil, inclusive muitos acadêmicos que hoje reconhecem essas tendências dizem que antes não viram. Não viram porque não quiseram. Diziam que a democracia estava consolidada. Lula, Dilma, políticos, acadêmicos viviam dizendo isso, sem perceber que ali estavam as células autoritárias, cancerosas, à espera de um momento que lhes fosse favorável e esse momento chegou a partir da crise de 2008.  </p>



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	                                        <p class="m-0">Kirchner manda retirar os quadros de generais ditadores da parede da Escola Militar de El Palomar, em 24 de março de 2004, aniversário do golpe na Argentina </p>
	                
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                    </figure>

	


<p><strong>A crise de 2008
criou as condições para a volta do protagonismo do autoritarismo?</strong></p>



<p>A crise de 2008 aprofundou as questões econômicas, o desemprego, a insegurança&#8230; Isso tudo foi contribuindo gradativamente para que a extrema-direita voltasse a ter voz. Ela, que nunca tinha exatamente desaparecido, ganhou força.  </p>



<p><strong>E o bolsonarismo?</strong></p>



<p>Para entendermos o bolsonarismo, precisamos de uma terceira dimensão, além dessa da grande conjuntura. Uma dimensão mais concreta que é a conjuntura eleitoral do ano de 2018. Se você observar bem, em agosto de 2018, <a href="https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2018/eleicao-em-numeros/noticia/2018/08/22/pesquisa-datafolha-lula-39-bolsonaro-19-marina-8-alckmin-6-ciro-5.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener" aria-label="Bolsonaro ainda tinha de 15 a 20% de votos (abre numa nova aba)">Bolsonaro ainda tinha de 15 a 20% de votos</a> e muita gente não acreditava que ele pudesse crescer tanto a ponto de ganhar, e aí é que entra a necessidade de analisar a conjuntura curta. Temos as tradições autoritárias, a longa conjuntura, e a conjuntura curta que foi decisiva. Ao meu ver, a gente precisa discutir os erros que aconteceram na esquerda e os acertos de Bolsonaro para entendermos a vitória dele. Ele realmente tem aquele núcleo duro da extrema-direita que as pesquisas fixam em 12, 15, algumas dizem 20%, mas não passa disso. Acontece que ele <a href="https://www1.folha.uol.com.br/poder/eleicoes/2018/apuracao/2turno/brasil/" target="_blank" rel="noreferrer noopener" aria-label="ganhou as eleições com mais de 50% (abre numa nova aba)">ganhou as eleições com mais de 50%</a>. O principal erro das esquerdas foi subestimar a força do bolsonarismo. A insistência em manter a candidatura Lula, depois fizeram do Haddad, no primeiro turno, um boneco do Lula. Todo mundo colocava a máscara do Lula no Haddad ou nas suas próprias figuras, de sorte que isso aí acabou tendo um efeito negativo. Eu penso que a incapacidade das esquerdas comporem uma frente para enfrentar o perigo bolsonarista foi muito decisiva para explicar a ascensão da extrema-direita.  </p>



<p><strong>O discurso de
Bolsonaro obteve mais adesão do que o das esquerdas.</strong></p>



<p>Foi decisiva a subestimação de alguns problemas que foram se tornando centrais e para os quais Bolsonaro apresentava falsas soluções, mas dizia que iria solucioná-los. Dois problemas que afetavam muito as classes populares e as classes médias. A questão da corrupção e a questão da segurança. As esquerdas sempre subestimaram a questão da corrupção, dizendo que essa questão era uma questão das elites, <a href="http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete-tematico/uniao-democratica-nacional-udn" target="_blank" rel="noreferrer noopener" aria-label="uma tradição da UDN (abre numa nova aba)">uma tradição da UDN</a>, e era mesmo, só que extravasou muito além das classes médias para atingir as camadas populares. Essa ideia do sistema político brasileiro como corrupto, apodrecido, isso é um consenso que se estabelece muito para além da classe média. As esquerdas poderiam ter tido uma crítica a isso e uma autocrítica. É uma questão de vida e morte. Aqui no Rio de Janeiro, por exemplo, <a href="https://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2018-02-26/sergio-cabral.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener" aria-label="desviaram os recursos da saúde (abre numa nova aba)">desviaram os recursos da saúde</a> para o bolso dos políticos ligados a Sérgio Cabral (ex-governador do Rio entre 2007 e 2014). Em muitos outros lugares do Brasil isso aconteceu, então é uma questão que impacta a educação, é uma questão que impacta a democracia porque desmoraliza a democracia. Fica parecendo que o sistema político é um sistema ocupado por ladrões. Bolsonaro surge &#8211; apesar de todas as evidências que o comprometiam com processos de corrupção &#8211; como o salvador da pátria. Nesse ponto de vista, reeditando discursos que tinham sido feitos no Brasil por <a href="http://memoria.oglobo.globo.com/jornalismo/primeiras-paginas/o-caccedilador-de-marajaacutes-8952245" target="_blank" rel="noreferrer noopener" aria-label="Collor (abre numa nova aba)">Collor</a> (Fernando Collor de Melo, presidente entre 1990 e 1992) e pelo <a href="https://historiahoje.com/corrupcao-a-vassourinha-de-janio-quadros/" target="_blank" rel="noreferrer noopener" aria-label="Jânio Quadros (abre numa nova aba)">Jânio Quadros</a> (presidente eleito em 1960 e que renunciou em 1961). E esse não é um discurso só de classe média, é um discurso que tem ressonância popular.  </p>



<p><strong>E a questão da
segurança?</strong></p>



<p>A segurança passou a ser, nos grandes centros urbanos, e não só neles, o grande problema. Se as classes médias e as elites conseguem colocar grades e vigilantes nos condomínios, as classes populares estão à mercê dos bandidos e dos traficantes e sofrem demais com isso. Esses bandidos atacam também as camadas populares, quando entram em conflito entre eles mesmo, matando gente, interrompendo as aulas nas escolas, fechando os postos de saúde. Você não pode imaginar que uma criança e um jovem que deixam de ir à escola por causa de um tiroteio num dia, no dia seguinte vão à escola como se nada tivesse acontecido. Há um trauma. As esquerdas tinham uma ênfase justa nos direitos humanos, mas elas não contemplaram reformas no sistema penitenciário e reformas no sistema da ação da polícia. Se você faz uma comparação, os governos de esquerda não se distinguem dos governos de direita do ponto de vista da ação da Polícia Militar, do combate ao tráfico de drogas. E Bolsonaro vinha com uma proposta absolutamente absurda, primária &#8211; “a gente mata os bandidos” -, fazendo aquele gesto da arminha toda hora, e aquilo impactou muito.</p>



<p><strong>A esquerda deixou
de fazer outros debates importantes?</strong></p>



<p>O terceiro elemento que eu acho que foi muito pouco discutido pelas esquerdas foi o diálogo com as igrejas evangélicas, que cresceram muito no país. As esquerdas fizeram como fizeram com as Forças Armadas. Esses grandes caciques das igrejas evangélicas, os Malafaia da vida, foram aquinhoados com meios de comunicação. O Lula, a Dilma e o Fernando Henrique Cardoso iam lá beijar as mãos deles, legitimar a liderança dessa gente.  Ao invés de entrar em discussão, porque os milhares de pastores dessas igrejas <a href="https://www.cartacapital.com.br/sociedade/os-pastores-progressistas-dispostos-a-discutir-tabus/" target="_blank" rel="noreferrer noopener" aria-label="não são todos necessariamente de direita (abre numa nova aba)">não são todos necessariamente de direita</a> e desempenham um papel importante. Na medida em que o Estado deixa de aparecer em algumas regiões, eles ali vão criando redes de apoio mútuo de solidariedade que são muito importante. E aí você oblitera uma dimensão da realidade fundamental para ficar lá com seus próprios preconceitos. Esses erros todos foram se acumulando e corroendo as bases eleitorais das esquerdas, enquanto Bolsonaro foi muito rápido em constituir alianças, tanto do ponto de vista da luta contra a corrupção quanto do ponto de vista da luta pela segurança e também articulou o apoio do capital financeiro junto com o Paulo Guedes. A vitória de Bolsonaro não estava dada, ela foi construída, apoiada nas grandes tradições autoritárias, mas também na progressiva corrosão da confiança no sistema político, na grande conjuntura, e, finalmente, na curta conjuntura. É da união dessas três dimensões que podemos entender porque esse homem tão tosco e absurdamente grosseiro assumiu a Presidência da República.</p>



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	                                        <p class="m-0">O então presidente Lula participa do lançamento da Record News com o pastor Edir Macedo em 2007/Divulgação</p>
	                
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                    </figure>

	


<p><strong>Até que ponto uma derrota de Donald Trump na eleição presidencial deste ano nos Estados Unidos pode impactar os governos autoritários pelo mundo e, especificamente, o governo Bolsonaro no Brasil? </strong> </p>



<p>Nós estamos vivendo desde os anos 1960 um processo profundo de desestruturação geral da economia, da sociedade, da cultura, da política, a revolução digital, da informação. Outro dia o Márcio Pochmann (economista, ex-presidente do Ipea) dizia que o Brasil de uns 40 anos pra cá mudou completamente. Ele começava com a análise do berço operário do Lula, lá no ABC Paulista, e que hoje desapareceu. Aquelas empresas já foram quase todas elas robotizadas, ou migraram para outros lugares. Essa revolução digital está desestruturando tudo. As pessoas sentem o chão tremer, vacilar, e esse é um processo mundial que está favorecendo em toda parte o crescimento de tendências autoritárias porque elas crescem nessas ocasiões de desespero, de desesperança, de crise de identidade. Você tem milhões e milhões de pessoas jogadas no desespero, e essa gente tem um potencial grande de apoiar os líderes salvacionistas, que aparecem em toda a parte, às vezes até responsabilizando o capital financeiro, os plutocratas, responsabilizando a riqueza, os comunistas, qualquer coisa, de modo a que você tenha ali uma tábua de salvação. O crescimento das governanças autoritárias é um fenômeno mundial e o Trump está nesse contexto e, ele ganhando, potencializa enormemente o contexto em função da importância dos Estados Unidos. Bolsonaro é a expressão radical desse processo aqui no Brasil e isso se vê na sua atitude muito dependente, sabuja mesmo, com o Trump. Essa coisa de bater continência à bandeira norte-americana, de estar sempre ali adulando o Trump, de uma maneira até constrangedora… Evidentemente uma derrota do Trump vai ter um impacto bastante positivo para as forças democráticas em toda a parte aqui da América Latina e do Brasil em particular.  </p>



<p><strong>O sr. acha que as
esquerdas ainda vivem a “utopia do impasse” como no começo da
ditadura de 1964, quando apostavam que o regime militar não ia se
sustentar, que estava fadado a cair. Muitos setores da esquerda hoje
parecem pensar assim sobre o governo Bolsonaro, como pensaram antes
sobre o governo Temer. </strong>
</p>



<p>Quando formulei essa ideia da “utopia do impasse” foi muito para entender aquela esquerda que a gente tinha e que se formou logo depois do golpe de 1964 e que foi uma esquerda que passou a alimentar um ceticismo muito grande a qualquer hipótese de mudança na ditadura que não fosse na luta armada. A ideia que a gente tinha, e <a href="https://www.youtube.com/watch?v=cR1aP0QRCNU" target="_blank" rel="noreferrer noopener" aria-label="eu fui um militante daquela época (abre numa nova aba)">eu fui um militante daquela época</a>, era de que a ditadura tendia a piorar cada vez mais. Nesse sentido, quando veio o <a href="https://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/FatosImagens/AI5" target="_blank" rel="noreferrer noopener" aria-label="AI-5 (abre numa nova aba)">AI-5</a>, até a gente achou que estávamos certos e que ia piorar. Mas não vimos ali duas coisas, que aquele sistema podia sim evoluir em outras circunstâncias e, segundo, que a sociedade, as camadas populares, principalmente, não estavam a fim de nos acompanhar no enfrentamento armado. A gente não teve essa sensibilidade. A ideia que a gente tinha era a de que o povo estava nos cascos, pronto a nos acompanhar se houvesse uma ação de vanguarda. Foi um raciocínio completamente equivocado e por isso nós pagamos caro.  </p>



<p><strong>E no caso do
governo Bolsonaro?</strong></p>



<p>Às vezes me impressiona muito essa obsessão com Bolsonaro. Ela é uma imposição das circunstâncias, mas às vezes as esquerdas ficam muito a reboque disso, sempre comentado a última do Bolsonaro, quando a gente tem que investir na recomposição das forças democráticas, na recomposição das alianças e da formulação de um programa alternativo ao Bolsonaro.  Todo mundo fala em derrubar o Bolsonaro, mas para fazer o que exatamente? Para voltar o lulismo? Para voltar aquela política de ampla conciliação de classes da esquerda petista? Para voltar a aquelas alianças com as forças do atraso? As forças democráticas têm que apresentar um programa que seduza a população. A população hoje está aí encurralada com a pandemia, mas mesmo assim é impressionante como <a href="https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/05/avaliacao-negativa-do-governo-bolsonaro-sobe-de-31-para-434-aponta-cntmda.shtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener" aria-label="Bolsonaro mantém 30% de apoio da população (abre numa nova aba)">Bolsonaro mantém 30% de apoio da população</a>. Você tem que apresentar uma alternativa. Tudo bem, é preciso denunciar o Bolsonaro, mas o que é que a gente tem a dizer de novo, de alternativo?  </p>



<p><strong>O sr. acredita na
capacidade dos partidos de esquerda de formularem essa alternativa?</strong></p>



<p>Eu me pergunto é se os partidos políticos de esquerda vão ser capazes disso. Eu estou cada vez mais achando que é da chamada esquerda social que a gente deve esperar um movimento decisivo. A minha esperança vai mais é para que a sociedade civil, fóruns, articulações da sociedade civil, comecem a se formar, porque elas terão uma credibilidade muito maior do que os partidos de esquerda, que estão muito envolvidos no calendário eleitoral, nesses conchavos. A minha esperança é que venham articulações para defender a educação pública, para defender a ciência, políticas alternativas para enfrentar as desigualdades. Esse é o desafio das esquerdas e eu sou cético das possibilidades dos partidos, a chamada esquerda de Estado. Ou a esquerda social vai formular e implementar essas alternativas ou então nós estamos mal. Essa é minha esperança em relação às esquerdas.</p>



<p><strong>O que acha do
modus operandi de Bolsonaro? Ele está sempre tensionando as
instituições, promovendo uma retórica de que o Executivo está
tendo seus preceitos constitucionais invadidos pelo Supremo Tribunal
Federal e pelo Congresso Nacional. Chegou a dizer que ele é a
Constituição e que detém o apoio das Forças Armadas. Está em
curso um autogolpe? Nos moldes de um Estado de direito autoritário,
como o sr. apontou no primeiro momento do regime militar de 1964,
antes da fase da ditadura escancarada?</strong></p>



<p>Você vê essa perspectiva em muitos lugares do mundo. Na Rússia, na Hungria&#8230; As lideranças autoritárias, sem golpear a Constituição, às vezes vão mudando as coisas… Você veja que o primeiro-ministro da Hungria (Viktor Orbán) conseguiu passar no Parlamento, onde ele tem maioria, um <a rel="noreferrer noopener" aria-label="decreto que prorroga por tempo indeterminado os plenos poderes (abre numa nova aba)" href="https://www.cartacapital.com.br/mundo/hungria-se-aproxima-de-ditadura-ao-dar-poderes-especiais-a-orban/" target="_blank">decreto que prorroga por tempo indeterminado os plenos poderes</a>. Ele não mudou a Constituição, mas aprovou medidas que acabam concentrando nas suas mãos muito poder. Acho que a gente está arriscado realmente a viver isso. A democracia no Brasil está em risco. Bolsonaro está fazendo no Brasil muitas coisas nesse sentido, de emparedar as outras instituições, sempre com esse argumento, que é o argumento que ele vai usar na campanha eleitoral de 2022, de que “eu quis fazer mas não deixaram&#8230;”. Os líderes salvacionistas sempre recorrem a essa coisa. Como eles são eleitos na base de um programa muito simplista, que não funciona, quando se veem emparedados, eles tendem a esse discurso. Aconteceu com Jânio Quadro, com Collor…  Então Bolsonaro vai utilizar esse tipo de discurso intensamente em 2022, se a gente chegar até lá. “Não me deixaram governar, me deem um voto de confiança” e vai, naturalmente, propor que ele tenha uma concentração de poderes para aprovar o que for necessário no Parlamento. </p>



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	                                        <p class="m-0">Bolsonaro participa de manifestação contra o Congresso Nacional e o Supremo em frente ao Palácio do Planalto</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p> </p>



<p><strong>Vê a
possibilidade de um autogolpe antes das eleições?</strong></p>



<p>Eu penso que, para a conjuntura atual, um golpe ou um autogolpe não seja muito viável, mas se houver uma conflagração social, sim, essa hipótese pode se atualizar. Mas no momento atual eu acho que não. Eu até estou surpreso com isso. Eu imaginava que Bolsonaro ia tratorar o Congresso e o Supremo. E está acontecendo o contrário, você tá vendo que, muito timidamente, tanto o Congresso quanto o Supremo, cortaram as asas dele, para impedir que ele vá mais longe. Naturalmente, ele vai utilizar isso depois: “eu quis fazer e não deixaram.” Para vencer esse discurso, as esquerdas estão desafiadas a apresentar um programa alternativo e não apenas denunciar Bolsonaro.  </p>



<p><strong>O sr. vê outras
ameaças à ordem democrática?</strong></p>



<p>Sim. Eu penso que Bolsonaro constituiu um dispositivo militar, que são as milícias e as paramilícias dentro das Polícias Militares e ele tem ali um apoio muito substancial.  Eu estou seguro que esse dispositivo não vai aceitar pacificamente uma alternância de poder. Eu tenho a impressão de que, se Bolsonaro perder as eleições de 2022, essa gente vai partir pra ignorância. Vai partir pra uma explosão semelhante a aquela que as forças de segurança promoveram no final dos anos 1970, <a rel="noreferrer noopener" aria-label="tentando impedir o processo de transição no Brasil (abre numa nova aba)" href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2020/01/joao-figueiredo-conduziu-a-transicao-em-meio-aos-atentados-da-linha-dura.shtml" target="_blank">tentando impedir o processo de transição no Brasil</a>, explodindo bombas, matando gente… Eu acho que esse dispositivo militar, que não é propriamente o dispositivo das Forças Armadas legais, mas é  um dispositivo informal que é muito poderoso, está muito extremado, é muito agressivo e não vai hesitar em partir pra violência. As forças democráticas precisam se preparar para enfrentar isso porque se elas não se prepararem corremos o risco de ver muitas das nossas lideranças ceifadas, assassinadas, porque não tiveram a sabedoria de se precaver. Você vê muitas vezes o discurso dessa gente nas redes sociais. É um pessoal truculento, agressivo e tá muito autoconfiante. Têm armas na mão e, provavelmente, vão usá-las se não forem dissuadidos.  </p>



<p><strong>O sr. acredita na
reeleição de Bolsonaro?</strong></p>



<p>Do jeito que as coisas vão, eu não acredito na reeleição. Eu acho que Bolsonaro está lá com seu núcleo duro, mas tá perdendo gradativamente suas bases, na direita democrática e no centro, e que foram muito pra ele em função do anti-petismo. Mas as forças em torno dele não vão aceitar uma transição democrática tranquila.</p>



<p><strong>E quanto às Forças Armadas? Hoje <a href="https://www1.folha.uol.com.br/colunas/maria-herminia-tavares/2020/02/perigo-no-terceiro-piso.shtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener" aria-label="são nove os militares no primeiro escalão (abre numa nova aba)">são nove os militares no primeiro escalão</a> e mais de 2 mil militares nos segundo e terceiro escalões do governo Bolsonaro. Numa situação de confrontação aberta e de possível ruptura institucional de que lado elas vão ficar? </strong> </p>



<p>Eu sinto nos próprios especialistas em Forças Armadas uma certa perplexidade. Como aqueles pilotos que estão num vôo cego. Essa característica que você falou aí é verdade, centenas de oficiais do Exército migraram para órgãos de poder, mas isso quer dizer que as instituições vão estar do lado do Bolsonaro, por exemplo, num processo golpista? Nas circunstâncias atuais, eu acho difícil. Agora, também me recinto muito de uma informação minuciosa, mais clara, a respeito de como andam os humores, as tendências das Forças Armadas. A verdade é que a grande maioria dos militares votou em Bolsonaro, mas muito mais animadas pelo anti-petismo e com a expectativa de que elas iriam domesticar o homem. Essa perspectiva hoje está completamente vencida. Bolsonaro já mostrou que ele é incontrolável. Agora, as Forças Armadas vão ficar a reboque dele? Até quando? Até que limite? Isso é um ponto de interrogação que se coloca aí. Alguns argumentam que mesmo que elas fiquem neutras, você pode ter um golpe efetuado pelas milícias. Num padrão boliviano. Lá, as Forças Armadas ficaram nos quartéis, a polícia também. E atuaram as milícias.  </p>



<p><strong>Acha possível
essa postura no Brasil?</strong></p>



<p>Eu acho que o Brasil
é um país muito complexo para isso. Se as milícias atuam, elas vão
querer depois ter uma força correspondente e esse é um nó que tem
aí entre as forças de apoio ao Bolsonaro porque as Forças Armadas
são as forças que detêm formalmente o monopólio das armas e elas
estão vendo, nós estamos vendo, crescer esse poder paralelo das
milícias, que é um poder armado também e que começa a determinar
a vida de inúmeras comunidades Brasil afora. Então eu penso que
isso aí é uma contradição que pode implodir a frente
bolsonarista.</p>



<p><strong>Existem também
divergências do ponto de vista da economia no campo bolsonarista?</strong></p>



<p>A aliança do Bolsonaro com os ultraliberais é muito impressionante porque a tradição das Forças Armadas é nacional estatista. Conversei outro dia com um pesquisador, que tem um estudo sobre as Forças Armadas, e ele me disse que isso se alterou gradativamente. Ele apontou o exemplo do Chile, em que as Forças Armadas fecharam os olhos a um processo ultraliberal porque lhes foi concedido um estatuto particular na sociedade: sistema de saúde próprio, remunerações próprias, gratificações. Hoje, a Constituição do Chile reserva às Forças Armadas um <a href="https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2017/08/04/interna_internacional,889360/forcas-armadas-chilenas-mantem-privilegios-heranca-da-ditadura.shtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener" aria-label="percentual fixo obtido com as exportações do cobre (abre numa nova aba)">percentual fixo obtido com as exportações do cobre</a>, que é a principal riqueza chilena, e com isso elas mantêm um sistema que as diferencia radicalmente do conjunto do funcionalismo público civil. Esse processo poderia acontecer no Brasil? A reforma da Previdência deu indicação nesse sentido. As mudanças que impactaram no funcionalismo civil preservaram as Forças Armadas, que tiveram inclusive reajustes salariais. A verdade também é que o ultraliberalismo do Guedes ainda não foi à prática, houve a aprovação da reforma da Previdência, à qual ele teve que fazer uma série de concessões, e as privatizações e os avanços da reforma Tributária que ele quer fazer ainda não foram para frente, assim como a reforma administrativa.</p>



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	                                        <p class="m-0">Bolsonaro abraça Paulo Guedes em evento no Palácio sob o olhar e o sorriso de Sérgio Moro, em 2019. Crédito:  Valter Campanato/Agência Brasil </p>
	                
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                    </figure>

	


<p><strong>E com a pandemia
essa agenda pode ficar comprometida, não é?</strong></p>



<p>A resistência a isso fica muito grande. E foi muito impressionante surgir, agora, no contexto da pandemia, esse <a href="https://economia.uol.com.br/noticias/estadao-conteudo/2020/04/22/sem-representante-da-economia-governo-lanca-programa-pro-brasil-para-retomada.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener" aria-label="plano do Pró-Brasil (abre numa nova aba)">plano do Pró-Brasil</a>, que é um plano que tem a ver com a tradição nacional estatista das Forças Armadas. Me lembro quando Bolsonaro nomeou Guedes e Moro para o seu Ministério e vozes experientes da política brasileira disseram que era um erro, nomear um ministro que você não possa demitir. Os dois eram vistos como indemissíveis. Um já foi. O Moro. E o outro já é cogitado para ser demitido caso essa política ultraliberal não dê certo. E parece que não vai dar mesmo porque o pós-pandemia aponta em todo mundo para os nacionalistas crescerem e não o ultraliberalismo. Guedes então vai se achar, de repente, numa situação anacrônica porque o programa dele se encaixa no contexto da globalização e a globalização pode sofrer fortes impactos com a pandemia.</p>



<p><strong>O sr. acha </strong><strong>a
centro-direita vai construir uma candidatura para fazer frente a
Bolsonaro em 2022?</strong> 
</p>



<p>Acho que sim. Eles estão manobrando nesse sentido. E têm dois potenciais candidatos, Moro e Dória (João Dória, governador de São Paulo). Os dois já vêm trabalhando nesse sentido. Mas o fato é que a gente não tem um quadro claro do pós pandemia. Estão anunciando aí uma grande crise econômica internacional, com impactos evidentemente no Brasil, e isso vai fazer crescer uma demanda muito grande por Estado. Claro que os liberais vão dizer que não são contra o Estado, desde que o Estado sirva à educação, à segurança, e dizer que eles são contra o Estado que se imiscua na economia, mas essa vai ser uma exigência para enfrentar o pós pandemia. Há muitas variáveis aí que a gente não domina, mas a tendência é o crescimento do Estado e isso é contra o Guedes, contra a linha liberal do Guedes. Eu penso que a centro-direita, sobretudo se Bolsonaro se inclinar para essas políticas estatistas, vai efetivamente tentar jogar uma alternativa. Existem forças muito consideráveis entre as elites que estão insatisfeitas com Bolsonaro. Aliás, as últimas pesquisas dão uma queda muito grande na aprovação ao governo exatamente nas elites sociais, entre aqueles que recebem mais de 10 salários mínimos. Já Moro vai ficar aí como uma reserva moral a ser acionada e pode realmente ter resultados bem expressivos. Sendo assim, Bolsonaro pode ser empurrado de novo para aquele nicho de 12, 15 e 20%, que é a extrema-direita no Brasil.  </p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/entrevista-daniel-aarao-reis/">“As milícias bolsonaristas não vão aceitar a derrota e as esquerdas precisam se precaver”, diz historiador</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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