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	<title>Arquivos igreja catolica - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Wed, 15 Oct 2025 20:14:31 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos igreja catolica - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Morro da Conceição sai do azul para o bege e pintura causa discórdia na comunidade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Oct 2025 19:34:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[emlurb]]></category>
		<category><![CDATA[igreja catolica]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quem passa pela avenida Norte e sobe o olhar em direção ao Morro da Conceição pode achar que está faltando algo. O topo pontiagudo da capela apontando para o céu ainda está lá, mas quase não dá para ver. Há pouco mais de duas semanas a pequena capela começou a ser pintada: agora em um tom de bege opaco substituindo o azul vibrante que, por tantos anos, marcou a identidade visual da comunidade. Combinando com as linhas retas e as cores sóbrias da igreja recentemente reformada, a capela já está quase toda pintada no tom mais sem graça da paleta, faltando apenas uma pequena parte do batente que a circunda.</p>



<p>No Morro da Conceição, zona norte do Recife, a mudança da cor virou motivo de conversas nas calçadas, posts nas redes sociais e pode até parar no Ministério Público de Pernambuco (MPPE).</p>



<p>O pátio do Morro da Conceição é um Imóvel Especial de Preservação (IEP) desde 1997 e, por lei, as mudanças físicas na capela do santuário de Nossa Senhora da Conceição deveriam ser acompanhadas pela gerência de preservação do patrimônio cultural da Prefeitura do Recife. Não se sabe ainda se isso ocorreu, mas há indícios que não.</p>



<p>Na comunidade, a mobilização pela volta do azul e branco está sendo feita pelo coletivo <a href="https://www.instagram.com/casaamarelaeobairro/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Casa Amarela é O bairro</a>. “A cor azul já faz parte da identidade do Morro da Conceição. Pelo período de construção, de 1907, a primeira cor da capela certamente era branca. Mas, ao longo do tempo, ganhou esse azul, que tem uma representação muito forte dentro da comunidade”, afirma a arqueóloga Pollyana Calado, moradora à frente do coletivo.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/54844881497_6009225d5f_c.jpg" alt="A foto mostra uma avenida movimentada em um bairro urbano. Na pista, passam um caminhão branco, um carro prata e uma motocicleta conduzida por um homem de capacete. À direita e à esquerda da via há calçadas, postes e fios de energia. As construções ao longo da rua são simples, com fachadas desgastadas e coberturas de telha, abrigando pequenos comércios, como uma loja chamada “JP Veículos” e outra com o letreiro “Peniel”. Ao fundo, em uma encosta, aparecem muitas casas amontoadas, formando uma comunidade densa, e ao centro do horizonte se destaca a ponta branca de uma torre de igreja. O céu está azul com algumas nuvens, e a luz do sol é forte, indicando um dia claro e quente." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">De longe, cor opaca não favorece a visualização da capela
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Para ela, a atual gestão do santuário – há três padres, sendo um hierarquicamente superior, intitulado de reitor – não tem diálogo algum com a comunidade. “Já fizeram barbaridades como gradear a praça para as crianças não jogarem bola. A comunidade tem tido vários problemas desde que essa gestão chegou. É uma forma, inclusive, de tentar apagar o que foi construído politicamente dentro da própria igreja. Para você ter noção da disputa política, quando o <a href="https://marcozero.org/velorio-do-padre-reginaldo-veloso-acontece-ao-lado-da-igreja-do-morro-da-conceicao-de-onde-ele-foi-expulso/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">padre Reginaldo morreu em 2022</a>, por exemplo, não permitiram que ele fosse velado dentro da igreja”, conta a arqueóloga. “Tem que haver sensibilidade (dos padres) para entender que a imagem que está ali, a santa, tem uma representatividade que ultrapassa a fronteira do catolicismo, porque é um bem da comunidade. Os padres passam, a comunidade fica”, pontua.</p>



<p>Além da mobilização online nas redes sociais do coletivo, Pollyana Calado fez um pedido formal de informação para que a gerência de preservação do patrimônio cultural da Prefeitura do Recife explique como foi o estudo para essa mudança de cor. Mas ela acredita que a Emlurb, órgão da prefeitura que está fazendo a reforma, não enviou o pedido de autorização da obra para a área técnica de patrimônio da prefeitura.</p>



<p>“É uma prática rotineira. Nos bens da prefeitura que são protegidos, via de regra, a Emlurb toma decisões sobre eles sem consultar a gerência de patrimônio. E eu digo isso com muita segurança, muita tranquilidade. O mercado de Casa Amarela, que é uma ZEP (Zona Especial de Preservação), foi reformado e não tinha sequer um profissional de patrimônio para fazer uma fiscalização. Quem dirá decisões”, denuncia.</p>



<p>O coletivo também pretende acionar a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), que em 2022 colocou a festa do Morro como patrimônio imaterial do Estado. “Apesar de não proteger as edificações em si, do ponto de vista da imaterialidade, alguns elementos, como a cor, fazem parte da constituição simbólica e por isso também deveriam estar no inventário e no plano de salvaguarda da festa”, acredita.</p>



<p>A preocupação de Pollyana é de que, quando a festa do Morro começar, tudo ainda esteja bege. “A depender da resposta que receberemos da prefeitura, iremos fazer uma denúncia ao Ministério Público de Pernambuco para reverter a descaracterização da capela”, avisa.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Foto de paroquiano é usada como justificativa</h2>



<p>Nem todos os moradores concordam com o coletivo <em>Casa Amarela é O bairro</em>. O pintor de paredes Josiel Carias da Silva mora há mais de 50 anos na comunidade – a vida toda – e gostou tanto da nova cor que fez questão de vasculhar as fotografias que tem em casa à procura de uma prova daquilo que sua mente lembra. “Essa capela já foi de outras cores, foi amarela e já foi até rosa. Estão querendo fazer confusão com o padre”, reclama. Encontrou uma foto em que ele uns amigos posam na frente da capela. Está lá: a capela pintada de amarelo ovo.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:36% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="697" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/WhatsApp-Image-2025-10-10-at-18.42.52-697x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-72804 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/WhatsApp-Image-2025-10-10-at-18.42.52-697x1024.jpeg 697w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/WhatsApp-Image-2025-10-10-at-18.42.52-204x300.jpeg 204w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/WhatsApp-Image-2025-10-10-at-18.42.52-768x1128.jpeg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/WhatsApp-Image-2025-10-10-at-18.42.52-1045x1536.jpeg 1045w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/WhatsApp-Image-2025-10-10-at-18.42.52-150x220.jpeg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/WhatsApp-Image-2025-10-10-at-18.42.52.jpeg 1089w" sizes="(max-width: 697px) 100vw, 697px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Josiel não perdeu tempo: pegou a foto, a protegeu em um plástico, e a deixou na secretaria da igreja para quem fosse reclamar do fim do azul. Ele deixou um recado na secretaria para que não deixassem tirar foto da foto, mas generosamente abriu uma exceção para a reportagem da Marco Zero. “Os jovens querem fazer confusão sem saber da história daqui”, reclama. &#8220;Mas o azul também era bom, era a cor da santa&#8221;, admite.</p>
</div></div>



<p>Apesar de Josiel não lembrar o ano exato da foto, há uma pista de que se trata do final dos anos 90 ou começo dos anos 2000: a presença ao fundo de um orelhão da não muito saudosa Telemar – empresa de telefonia criada em 1998. Fato curioso é que há uma foto um pouco mais antiga (de 1996), dos arquivos da prefeitura, com a capela em cor azul, que está na <a href="https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/2988/1/arquivo178_1.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">dissertação de mestrado </a>do arquiteto e urbanista José Nilson de Andrade Pereira sobre os IEPs do Recife.</p>



<p>Na lanchonete colada ao bar da Geralda, dois amigos de Josiel, também moradores da vida toda no Morro, reclamam das reclamações. “Você bateu na porta certa”, dizem Rildo Umbelino da Silva e Ademir Barbosa. “Aqui a gente é tudo morador antigo e sabe que já teve outras cores. Quem chega criticando (a mudança de cor), pega um time desse aqui e aí fica sem saber o que dizer”, ironizam. Apesar de gostarem da nova cor bege, o tom preferido da dupla é o amarelo bem forte, igual ao da foto que repousa na secretaria da igreja. Ambos, porém, concordam que o azul se destacava mais na paisagem. Já Josiel discorda: diz que dá para ver a capela, mesmo toda bege clarinho, até de São Lourenço da Mata. “Fui lá essa semana e vi a ponta, de longe”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/54845738321_12df80b29c_c.jpg" alt="A foto mostra dois homens em um pequeno comércio de paredes pintadas de rosa. O homem à esquerda está de pé, encostado em um balcão, usando boné vermelho, óculos escuros e camiseta preta com estampa de tigre. Ele olha para a câmera com expressão calma. O homem à direita está sem camisa, usa um cordão com crucifixo e está atrás do balcão, dentro do espaço do comércio, onde há prateleiras com garrafas e sacos plásticos empilhados. A iluminação natural vem da rua, destacando os tons claros das paredes e do piso branco." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Rildo e Ademir dizem que a capela já foi de várias cores e defendem nova pintura
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Para a arqueóloga Pollyana Calado, o que está acontecendo também tem a ver com o perfil do padre Emerson Borges, o responsável pelo santuário. Jovem, ordenado padre em 2015, o reitor natural de Escada (PE) chegou no Morro da Conceição há aproximadamente três anos e estaria dando mais atenção aos turistas e visitantes de fora do que à comunidade. “Se você chegar no Morro num dia domingo, vai ver que os carros que estão lá estacionados para a missa são de um outro lugar”, diz Pollyana.</p>



<p>Tendo esse perfil mais voltado, digamos assim, para a burguesia, o padre estaria privilegiando cores e formas mais amenas aos olhos, agradando esse novo público. A Marco Zero não conseguiu falar com o padre Emerson Borges, pois ele está em Portugal acompanhando fieis em uma romaria. </p>



<p>Há quem veja uma questão política na troca de cores, já que o azul estaria mais associado à governadora Raquel Lyra (PSD) – o que teria incomodado a base do prefeito João Campos (PSB), apegada ao amarelo. Existe, ainda, uma hipótese mais prosaica. Pollyana notou que o bege opaco é o mesmo usado pela Emlurb na pintura da igreja de Santo Amaro há algum tempo. Ou seja, segundo essa tese a tinta que sobrou teria sido aprovada pelo padre e usada na capela. Uma questão de economia.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/Captura-de-tela-2025-10-13-003100-300x248.png">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/Captura-de-tela-2025-10-13-003100.png" alt="A foto mostra o Largo do Morro da Conceição, no Recife, em 1996. Em destaque, no centro da imagem, está o monumento da torre pontiaguda de cor bege, com detalhes brancos e azuis nas molduras e janelas em arco, típico do estilo neogótico. O monumento fica em uma área cercada por muro baixo e grade branca. À direita, há uma construção ampla com telhado escuro e muros claros. Na frente do largo, o chão é de terra batida e uma rua pavimentada passa ao lado. Duas crianças caminham próximas ao monumento, e o céu está azul com nuvens brancas espalhadas, indicando um dia ensolarado." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">O DPSH é o nome anterior da Diretoria de Preservação do Patrimônio Cultural.
</p>
	                
                                            <span>Crédito: acervo DPSH/José Nilson de Andrade Pereira</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Com o reitor viajando, a Marco Zero tentou saber o motivo da mudança de cor pela assessoria de comunicação do santuário. Não conseguimos a resposta, mas nos foi encaminhada uma nota da Emlurb confirmando que a alteração foi um pedido da paróquia, “mas que não houve descaracterização do bem, posto que o Santuário já apresentou, historicamente, cores diversas, conforme atesta a foto em anexo”. E qual a foto que veio como atestado, com um aviso de “encaminhada frequentemente”? A de Josiel.</p>



<p>Ou seja, a justificativa para a mudança de cor usada pela prefeitura e pela paróquia parece ter sido arranjada depois da celeuma instaurada.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Prefeitura não responde sobre acompanhamento técnico</span>

		<p><!-- wp:heading --><!-- /wp:heading --><!-- wp:paragraph -->A Marco Zero também questionou a prefeitura do Recife sobre o acompanhamento técnico da equipe de preservação, já que se trata de um IEP. A prefeitura não respondeu, encaminhando apenas a nota da Emlurb, novamente anexando a foto do paroquiano Josiel — o que não deixa de ser estranho, já que a antiga Diretoria de Preservação do Patrimônio Cultural, que virou gerência ano passado, teoricamente possui um acervo de fotos e documentos sobre todos os IEPs da cidade.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph -->A nota da prefeitura também lembra que “além da preservação já existente como IEP, por ocasião da nova LPUOS, sancionada no dia 03 de outubro, sua preservação em nível municipal foi ampliada como sítio histórico na nova categoria de Patrimônio Imaterial das Zonas Especiais de Preservação do Patrimônio Histórico-Cultural (ZEPH)”. A nova LPUOS, porém, só começa a valer 60 dias a partir da sanção.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --></p>
	</div>



<p>Após a publicação desta reportagem, o Santuário enviou a nota abaixo: </p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

		<p>O Santuário Nossa Senhora da Conceição do Morro, por meio da Comunidade Redentorista do Morro da Conceição, informa que as obras de restauro da torre do Morro da Conceição, um dos marcos históricos e religiosos mais importantes do Recife, acontece em parceria com a Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb) da Prefeitura do Recife.</p>
<p>Entre as intervenções realizadas, está a mudança da cor da torre, que passou do tom azul para o bege. Essa alteração não é uma decisão meramente estética, mas sim resultado de um estudo técnico de restauro, conduzido com acompanhamento especializado e orientado por princípios de preservação histórica.</p>
<p>Durante o processo de recuperação, foram identificadas camadas de pintura originais que indicavam tonalidades mais próximas ao bege, o que orientou a definição da nova cor, e dessa forma, buscando resgatar as características originais da construção,<strong> mas que não implica num outro momento o retorno da tonalidade azul à torre</strong>.</p>
<p>O Santuário e a Comunidade Redentorista reafirmam o compromisso com a preservação do patrimônio histórico, religioso e cultural do Morro da Conceição, espaço de fé e devoção profundamente enraizado na história da capital pernambucana.</p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading"></h2>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/oito-ou-mais-pontos-que-voce-precisa-saber-sobre-a-nova-lei-de-uso-do-solo-do-recife/" class="titulo">Oito (ou mais) pontos que você precisa saber sobre a nova Lei de Uso do Solo do Recife</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/mobilidade/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Mobilidade</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

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			</item>
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		<title>A cruzada religiosa do segundo turno</title>
		<link>https://marcozero.org/a-cruzada-religiosa-do-segundo-turno/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Oct 2022 18:48:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[fundamentalismo cristão]]></category>
		<category><![CDATA[igreja catolica]]></category>
		<category><![CDATA[igrejas neopentecostais]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[religião e eleições]]></category>
		<category><![CDATA[religião e política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Bia Pankararu Estamos a pouco mais de uma semana do segundo turno das eleições e, numa sociedade cada vez mais fundamentalista, os noticiários e campanhas mais parecem uma cruzada cristã e religiosa para ver quem realmente tem o Todo Poderoso Deus escalado em seu time de governo. Trazer religião e política tão emaranhadas, onde [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Por Bia Pankararu</strong></p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/06/Marca-Eleicoes-2-300x169.png">
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<p>Estamos a pouco mais de uma semana do segundo turno das eleições e, numa sociedade cada vez mais fundamentalista, os noticiários e campanhas mais parecem uma cruzada cristã e religiosa para ver quem realmente tem o Todo Poderoso Deus escalado em seu time de governo. Trazer religião e política tão emaranhadas, onde a gente não consegue ver quando começa uma e termina a outra, sempre foi um anúncio certo de retrocesso democrático.</p>



<p>Bolsonaro vem numa investida feroz e descontrolada tentando vincular toda e qualquer manifestação religiosa como palco de campanha eleitoral. Ele esteve no último dia 8 no Círio de Nazaré, a maior festa religiosa do mundo, no estado do Pará, onde participou da romaria fluvial e em nenhum momento chegou perto da imagem de Nossa Senhora de Nazaré. Sua presença causou muito incômodo, tanto aos fiéis, à classe política e à própria Igreja Católica. A Arquidiocese de Belém (PA) lançou nota alegando que não permitiria qualquer utilização de caráter político ou partidário junto às atividades da celebração, nem convidou qualquer autoridade política para os festejos, sejam políticos de esferas municipais, estaduais ou federal.</p>



<p>Dito católico, mas atuante junto aos evangélicos, Bolsonaro seguiu usando festas tradicionais como agenda de campanha. Sua passagem pela cidade de Aparecida no dia 12 de outubro, dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, causou mais que incômodo, causou um verdadeiro tumulto, um show de horrores e ataques à imprensa e ao arcebispo Dom Orlando que, em sua pregação, disse que deveríamos ter uma “pátria amada, e não armada”. O que se viu em seguida, tanto em Aparecida, quanto em várias igrejas pelo país, foram ameaças, xingamentos, ofensas, missas interrompidas por apoiadores de Bolsonaro que entendem como “discurso de esquerda” quando os padres trazem temas como fome, caridade, justiça, verdade, amor e paz. Ataques em missas e nas redes sociais nos últimos dias estão intensos. O sentimento lunático, absurdo e descabido dos bolsonaristas já chegou ao nível de termos o Cardeal Dom Odilo tendo de explicar que o vermelho do traje que ele usa não tem a ver com o comunismo, mas é a cor tradicional das vestimentas dos cardeais.</p>



<p>A onda de violência nas igrejas não está apenas nas católicas. Chegam à mídia inúmeros relatos de intimidação e perseguição nas igrejas evangélicas, onde pastores pregam em nome de Deus e do “Messias”. Aqueles que se manifestam contrários são coagidos, ameaçados e têm até de deixar de frequentar a mesma igreja. Pastores julgando quem seriam os bons os maus cristãos a depender de em quem votariam para presidente nada mais é que o cabresto pela bíblia. Mas não podemos colocar todos os pastores e igrejas no mesmo balaio. Uma onda de revolta entre os fiéis se intensificou nos últimos dias. A adoração a Bolsonaro, cega e inquestionável, escancarou um sistema cruel de domínio pela fé e crença das pessoas e esse viés segue forte na corrida eleitoral, inclusive, também na campanha de Lula.</p>



<p>Foram diversas <em>fake news</em> da campanha bolsonarista alegando que, se eleito, Lula fecharia igrejas, perseguiria cristãos, implantaria banheiros unissex nas escolas, ideologia de gênero e todos os delírios possíveis, mas a resposta veio com um “recordar é viver”: em 2003, Lula sancionou a lei de liberdade religiosa; instituiu o Dia Nacional da Marcha para Jesus em 2009; em 2010 sancionou outra lei criando o Dia Nacional do Evangélico. Ou seja, não existe nenhum fundamento para alegar que os evangélicos e cristãos correm algum tipo de perigo, nem hoje, nem na história do nosso país.</p>



<p>Se olharmos nossa história, um dos primeiros atos da invasão portuguesa foi, justamente, fincar uma cruz em uma terra indígena, celebrar uma missa e assim iniciar o processo de catequização, apagamento e perseguição às culturas e crenças que já existiam aqui. Em 1500, a igreja justificava a escravização, perseguição e execução dos indígenas alegando que não teríamos alma, logo, seríamos como animais aos olhos europeus. A cruzada cristã em 1500 dizimou dezenas de povos e culturas, escravizou e matou milhares de indígenas, violentou, marginalizou e criminalizou nossos modos de vida e essa investida segue até os dias de hoje, de outras formas e com outros nomes, mas a colonização ainda está em curso.</p>



<p>São 522 anos em que o cristianismo chegou nessas terras e, desde então, não houve um momento da história em que a igreja e os preceitos religiosos cristãos não foram dominantes em termos de poder e decisões políticas. Não consigo aceitar a ideia de que exista alguma ameaça à liberdade dos cristãos, pois essa liberdade sempre foi e segue protegida e vigiada de perto pelo Estado. Gente como eu, que vem de tradições religiosas racializadas, sejam indígenas ou afro-brasileiras, sabe desde cedo o que é ter sua religiosidade perseguida e demonizada. A violência contra terreiros de candomblé, centros de umbanda, territórios indígenas e suas tradições, violências que acontecem há séculos, está no DNA da nossa sociedade onde se aceita um Jesus de olho verde e se demoniza Exu e Tupã, o que é um grande equívoco, afinal, o Diabo não existe em nenhuma das religiões de matrizes africanas e indígenas, apenas na cristã.</p>



<p>Não existe qualquer possibilidade de enfraquecimento das instituições religiosas cristãs, mas as instituições democráticas estão enfraquecidas há tempos quando não conseguimos ter, de fato, um Estado laico. Quando temos a bíblia mais consultada do que a Constituição para nortear e fundamentar aspectos políticos que afetam toda população, independente da religião a que pertença, temos um atraso significativo na nossa tão recente democracia. Ter a religião tão enraizada na nossa sociedade dificulta avanços sociais importantes em respeito à igualdade de direitos étnicos, raciais, sexuais, reprodutivos, de gênero e na ciência. Teremos muito caminho pela frente para chegarmos perto de uma classe política menos fundamentalista, ainda mais num país que foi “fundado” em torno de uma cruz.</p>



<p>Seguiremos para o segundo turno no próximo dia 30 com a certeza de que nem Deus e nem o Diabo irão declarar seus apoios políticos. Enquanto isso, vamos ficando do lado da verdade, do amor, do respeito e da coerência. Se formos pautar projeto político com os valores cristãos, sem dúvida, Lula é o candidato que traz o olhar do povo para o povo, a vontade de transformar, de novo, a vida da classe trabalhadora e encher de esperança o coração daqueles que acreditam num país mais justo e que respeite toda e qualquer crença. Seja com Deus, Buda ou Alá, seja com Exu, Malunguinho ou a Jurema, vamos tirar Bolsonaro da presidência e devolver ao Brasil a nossa fé mais genuína, que é a fé na nossa gente de bem, honesta, da gentileza e do acolhimento. Profetizei.</p>



<p>*<strong>Bia Pankararu tem 28 anos, é mulher indígena, sertaneja, mãe de Otto, LGBT+, técnica em enfermagem e produtora cultural e audiovisual. Ativista pelos direitos humanos e ambientais. Comunicadora da rede @povopankararu.</strong></p>



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		<title>Velório do padre Reginaldo Veloso acontece ao lado da igreja do Morro da Conceição, de onde ele foi expulso</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 May 2022 14:25:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vítima de um câncer, o ex-padre Reginaldo Veloso faleceu no final da noite de quinta-feira, 19 de maio, aos 84 anos. O velório do religioso, que foi um dos expoentes da teologia da libertação em Pernambuco, está acontecendo na no Morro da Conceição, na Escola Estadual Padre João Barbosa, Morro da Conceição, exatamente por trás [&#8230;]</p>
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<p>Vítima de um câncer, o ex-padre Reginaldo Veloso faleceu no final da noite de quinta-feira, 19 de maio, aos 84 anos. O velório do religioso, que foi um dos expoentes da teologia da libertação em Pernambuco, está acontecendo na no Morro da Conceição, na Escola Estadual Padre João Barbosa, Morro da Conceição, exatamente por trás da imagem da santa e da igreja de onde ele foi expulso pelo arcebispo dom José Cardoso, em 1889. Veloso deixa um filho, João José, e a esposa, Edileuza Osório Pereira Veloso, com quem era casado desde 1994. O horário e local do sepultamento ainda não foram divulgados.</p>



<p>O local do velório foi alterado de última hora. Inicialmente marcado para ocorrer na sede do Movimento dos Trabalhadores Cristãos, no bairro da Boa Vista, acabou acontecendo na escola do Morro da Conceição em razão da mobilização de lideranças políticas e de setores católicos. Apesar do salão da igreja onde ele foi pároco não ter recebido o velório, as celebrações religiosas estão acontecendo no templo.<br><br>Nascido em São José da Lage, em Alagoas, a vida pública do ex-pároco foi ligada ao Morro da Conceição e aos trabalhos sociais. Desenvolveu por anos trabalhos de base na comunidade, recebendo o apoio e a admiração do então arcebispo de Olinda e Recife dom Hélder Câmara.<br><br>Após estudar em Roma na década de 1950, Reginaldo Veloso voltou ao Brasil sentindo a necessidade de aproximar a igreja das comunidades e ajudar as pessoas de forma mais efetiva, com conscientização política. Em maio de 1973, foi um dos divulgadores do documento &#8220;Eu Ouvi os Clamores do Meu Povo&#8221;, considerado revolucionário na trajetória política da igreja Católica no Brasil ao denunciar o desemprego, a miséria, a falta de liberdade e outras mazelas sociais durante a ditadura militar.</p>





<p><br>Por conta disso, Reginaldo Veloso foi perseguido pela ditadura e chegou a ser preso para interrogatório. &#8220;Me despiram e colocaram numa jaula que tinha um metro e meio quadrado. Era um cubículo. Fui interrogado por três militares que queriam saber quem havia escrito o documento. Na época, coloquei nomes de figurões da extrema-direita como autores do texto&#8221;, contou, no documentário <em>Reginaldo Veloso: O Amor Mais Profund</em>o, curta-metragem de Daniela Kyrillos.</p>



<p>Ao longo do dia, vários personagens que são referências dos movimentos sociais e dos grupos de católicos progressistas, como o monge e teólogo Marcelo Barros e o frade franciscano Aloísio Fragoso, comentaram sobre a importância do papel desempenhado por Veloso nas lutas sociais em Pernambuco. &#8220;Deixou-nos órfãos de uma voz profética, no sentido mais bíblico da palavra, sempre coerente, colocando o Bem do Povo de Deus acima das suas conveniências&#8221;, resumiu frei Aloísio.</p>



<p>Ativista católica, Maria Tereza Braga de Morais é integrante do Comitê Católico de Luta pela Vida, que está colaborando na organização das missa solene em homenagem ao padre. &#8220;Ele sempre esteve ao lado dos mais pobres, dos mais necessitados. Na próxima semana, a oração do terço contra a fome e favor da democracia que fazemos todas as sextas na calçada da igreja de Santo Antônio, no centro do Recife, será em sua homenagem&#8221;, afirmou.</p>



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	                                        <p class="m-0">Velório aconteceu na escola a poucos metros da igreja de onde Veloso foi expulso pelo arcebispo. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading">Expulsão do Morro da Conceição</h2>



<p>Um episódio bastante conhecido da vida do ex-padre ocorreu quando foi expulso da igreja do Morro da Conceição. Em 1985, Dom Helder Câmara renunciou à arquidiocese de Olinda e Recife. No lugar dele assumiu o conservador dom José Cardoso Sobrinho, que perseguiu alguns padres progressistas, entre eles, Reginaldo Veloso.<br><br>Em 1989, o arcebispo destituiu o padre Reginaldo da Paróquia do Morro da Conceição. Também o suspendeu dos exercícios de sacerdócio, alegando insubordinação. A comunidade, porém, se uniu contra a decisão de dom José e ficou ao lado do padre Reginaldo, que se recusou a deixar a igreja.<br><br>A situação chegou a tal ponto que a Polícia Militar foi chamada para retirar o padre da igreja, cumprindo ordem judicial. Há um episódio, quase anedótico, que é contado também no documentário: quando a polícia chegou, os moradores esconderam a chave da igreja em um balão, que soltaram no céu. Retirado à força da paróquia, padre Reginaldo abandonou a igreja e se casou em 1994. Até o fim da vida se manteve ativo nos trabalhos sociais do Morro da Conceição, que permaneceu ao lado do ex-padre.</p>



<p>Curiosamente, o site da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), organismo que representa a hierarquia eclesiástica no país, informou <a href="https://www.cnbb.org.br/faleceu-o-compositor-reginaldo-veloso/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">a morte do &#8220;compositor&#8221; Reginaldo Veloso</a> e o apresentou como &#8220;mestre em Teologia e História, escritor, compositor e especialista em liturgia (&#8230;) colaborou com a Igreja no Brasil oferecendo diversas músicas que animaram celebrações e atividades pastorais em todo o Brasil no pós-concilio&#8221;. Nem uma palavra sobre seus vínculos com as lutas do setor progressista da igreja ou o episódio da expulsão da paróquia, um dos mais marcantes de sua vida e na história da igreja Católica em Pernambuco.</p>



<p><em><strong>As imagens desta reportagem foram produzidas com apoio do <a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do <a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project.</a></strong></em></p>



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<p><br></p>
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		<title>Para Frei Betto, bispos católicos agem como &#8220;reis&#8221;, mas continuarão a perder espaço para evangélicos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2020 01:00:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[bispo de Caruaru]]></category>
		<category><![CDATA[comunismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Aos 76 anos, o mineiro Carlos Alberto Libânio Christo é um dos escritores mais produtivos do país. No início da quarentena, ainda no mês de março, lançou O Diabo na Corte, seu 68º livro, escrito ao longo de 2019 sobre a eleição e o primeiro ano de Bolsonaro na presidência da República. Sete meses depois, [&#8230;]</p>
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]]></description>
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<p>Aos 76 anos, o mineiro Carlos Alberto Libânio Christo é um dos escritores mais produtivos do país. No início da quarentena, ainda no mês de março, lançou <em>O Diabo na Corte</em>, seu 68º livro, escrito ao longo de 2019 sobre a eleição e o primeiro ano de Bolsonaro na presidência da República. Sete meses depois, está prestes a lançar mais uma obra com título autoexplicativo: <em>Diário de Quarentena</em>.</p>



<p>Mesmo com bibliografia tão vasta, poucos conhecem o frade dominicano Frei Betto por seu nome de batismo. Foi a ele que a Marco Zero Conteúdo recorreu para interpretar qual seria significado da nota do bispo de Caruaru, dom José Ruy Gonçalves, pedindo votos contra o &#8220;comunismo&#8221; no cenário de tensão interna da Igreja Católica e na disputa de espaço com os evangélicos.</p>



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<h3 class="wp-block-heading">A entrevista</h3>



<p><strong>Há motivos para que um bispo use a Doutrina Social da Igreja como base para declarar &#8220;a aversão da igreja ao comunismo&#8221; e pedir voto contra a esquerda, como fez o bispo de Caruaru?</strong></p>



<p>Os bispos são, de certa forma, reis em suas dioceses. Não precisam estar de acordo com o papa, exceto em questões fundamentais de fé e moral, e muito menos com a CNBB, a conferência episcopal. E nesse sentido a Igreja Católica é uma instituição democrática, apesar de sua estrutura formalmente autoritária. Qualquer bispo, padre ou religioso tem o direito de ter e manifestar suas opiniões políticas e ideológicas. Inclusive partidárias. O que discordo é pretender impor esta opinião para o conjunto dos católicos e, o que é pior, condenar as demais como se fossem heréticas&#8230; Discordo também de se usar o púlpito para pedir votos para este ou aquele candidato. Nosso papel deve ser pedagógico, ou seja, propagar os valores do Evangelho e deixar que cada fiel tire as suas conclusões. Mas, pessoalmente, estou convencido de que o Evangelho nos traz uma nova proposta civilizatória que não condiz com o capitalismo e nos leva, sim, ao socialismo. Todos nós cristãos somos discípulos de um prisioneiro político: Jesus de Nazaré. Ele foi assassinado na cruz por dois poderes políticos, o romano e o judaico, por anunciar, dentro do reino de César, um outro reino possível, o de Deus, que se baseia em dois pilares &#8211; nas relações pessoais, o amor; nas sociais, a partilha dos bens da Terra e dos frutos do trabalho humano. Vide meus livros <em><a href="https://www.freibetto.org/livraria/um-homem-chamado-jesus?search=Um%20homem%20chamado%20Jesus">Um homem chamado Jesus</a> </em>(Rocco), <em><a href="https://www.freibetto.org/livraria/parabolas-de-jesus-eticas-e-valores-universais?search=Par%C3%A1bolas%20de%20Jesus">Parábolas de Jesus &#8211; ética e valores universais</a></em> (Vozes) e <em><a href="https://www.freibetto.org/livraria/o-marxismo-ainda-e-util?search=O%20marxismo%20ainda%20%C3%A9%20%C3%BAtil%3F">O marxismo ainda é útil?</a></em> (Cortez)</p>



<p><strong>É correto dizer que as palavras do bispo de Caruaru parecem aproximar a Igreja Católica mais dos evangélicos eletrônicos e fundamentalistas do que da prática do papa Francisco?</strong></p>



<p>Toda palavra que defende a primazia do capital sobre os direitos coletivos é contrária ao Evangelho e faz eco aos fundamentalistas das Igrejas eletrônicas. O compromisso do cristão deve ser o mesmo de Jesus &#8211; lutar para &#8220;que todos tenham vida e vida em abundância&#8221; (João 10,10). Ou seja, defender os direitos dos oprimidos e excluídos.</p>



<p><strong>O que leva um bispo, como o de Caruaru, a não perceber que a política de morte de Bolsonaro é tão distante do amor à vida pregado pela fé cristã?</strong></p>



<p>A ideologia, esse conjunto de ideias que temos por trás dos olhos e, no entanto, nos servem de óculos para encarar a realidade. E assim como não vemos os óculos que usamos e, no entanto, eles nos ajudam a enxergar, também a maioria das pessoas não se dá conta da ideologia que traz na cabeça. E como dizia o velho Marx, a ideologia que predomina em uma sociedade tende a ser a ideologia da classe que domina essa sociedade. Também grandes genocidas, como Mussolini e Hitler, foram apoiados por bispos e padres católicos.</p>



<figure class="wp-block-embed-wordpress wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-marco-zero-conteudo"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="xKwIOxk6MB"><a href="https://marcozero.org/bispo-de-caruaru-pede-votos-contra-comunismo-e-catolicos-progressistas-reagem/">Bispo de Caruaru pede votos contra comunismo e católicos progressistas reagem</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Bispo de Caruaru pede votos contra comunismo e católicos progressistas reagem&#8221; &#8212; Marco Zero Conteúdo" src="https://marcozero.org/bispo-de-caruaru-pede-votos-contra-comunismo-e-catolicos-progressistas-reagem/embed/#?secret=pv1qdtDNTR#?secret=xKwIOxk6MB" data-secret="xKwIOxk6MB" width="500" height="282" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>
</div></figure>



<p><strong>Recentemente, 152 bispos publicaram uma carta-manifesto contra a política de morte de Bolsonaro. Em sentido oposto, os setores mais à direita dos bispos pretendem disputar com os evangélicos fundamentalistas o espaço político no campo conservador?</strong></p>



<p>A carta-manifesto dos 152 bispos é um documento primoroso e merece ser divulgada ao máximo. Eis aí a voz profética da Igreja. Mas os bispos conservadores querem sim disputar espaço com os evangélicos fundamentalistas, mas estão longe de avançar. Enquanto o clericalismo, tão denunciado pelo papa Francisco, perdurar na Igreja Católica, ela perderá espaço para os evangélicos. Para formar um pastor católico (padre) são precisos oito anos de estudos, quatro de filosofia e quatro de teologia, e ainda a heroica virtude do celibato. Um pastor evangélico se forma em oito meses&#8230; e com a vantagem de não tirá-lo de seu meio. Se mora em uma favela, ali ele implanta sua comunidade de culto. Já o padre é sempre alguém que vem de fora da favela&#8230;</p>



<p><strong>Qual o peso da parcela mais reacionária da Igreja Católica no episcopado brasileiro? Essa parcela desafia as mudanças que o papa Francisco tenta conduzir?</strong></p>



<p>O episcopado católico era hegemonicamente progressista nas décadas de 1970-1990. No Brasil, lutou bravamente contra a ditadura militar. Porém, os 34 anos de pontificados conservadores (26 de João Paulo II e 8 de Bento XVI) desarticularam o movimento progressista e abriram espaço aos conservadores. Hoje, a CNBB é marcada por uma enorme diversidade. Predominam os moderados que, em momentos cruciais, tendem a somar com os progressistas, cujo contingente tem aumentado graças às mazelas necrófilas do governo BolsoNero.</p>



<p><strong>Como os bispos e sacerdotes mais progressistas irão ou deveriam atuar nos processos eleitorais em 2020 e 2022?</strong></p>



<p><strong>J</strong>amais apoiando este ou aquele candidato ou partido, mas se empenhando em promover a alfabetização política de nosso povo pela divulgação dos valores do Evangelho quanto à justiça, aos direitos dos pobres, à crítica à riqueza e ao poder tirânico etc. É o que trato em meu livro <em><a href="https://www.freibetto.org/livraria/um-deus-muito-humano?search=Um%20Deus%20muito%20humano">Um Deus muito humano</a></em> (Companhia das Letras).</p>



<p><strong>Quais os espaços políticos para os católicos progressistas e de esquerda, para além dos períodos eleitorais? Faço essa pergunta lembrando da afirmação de João Pedro Stédile de que a esquerda institucional se tornou mais interessada na eleição de deputados do que a realizar um trabalho permanente de organização popular.</strong></p>



<p>Nunca deveria haver um partido cristão ou católico. Nossa fé não pode ser afunilada numa proposta partidária. E um partido não deve jamais ser confessionalizado. Deve ser laico e ter as portas abertas a todo tipo de pessoas, sejam elas crentes ou ateias, desde que sintonizadas com o programa do partido. Portanto, nos períodos eleitorais os católicos devem apoiar, não necessariamente candidatos católicos (Hitler se considerava católico!), e sim candidatos e candidatas identificados e comprometidos com a defesa dos direitos humanos, dos excluídos e marginalizados, e de uma sociedade de justiça e paz alternativa à sociedade capitalista.</p>



<p><strong>Li entrevistas em que o senhor diz que não há razão para disputar espaço com os evangélicos fundamentalistas, mas sim voltar a fazer trabalho de base. O que seria esse trabalho de base nesse contexto de luta contra o autoritarismo?</strong></p>



<p>Fora do trabalho de base a esquerda não tem salvação. Temos de retornar às favelas, às periferias, ao campo, aos movimentos de negros, indígenas, mulheres, LGBTodos e Todas etc. Como fizemos nas décadas de 1970-1990, adotando a pedagogia de Paulo Freire. Uma esquerda descolada da base popular está condenada ao fracasso. E não devemos ficar reféns dos períodos eleitorais. Temos que oferecer um projeto de Brasil ao nosso povo.</p>



<p><strong>O cristianismo está preparado para lidar com o protagonismo da mulher e as causas feministas? O mesmo vale para a luta antirracista.</strong></p>



<p>O cristianismo, como instituição, ainda é muito machista e patriarcal. Na Igreja Católica, enquanto as mulheres não puderem ser sacerdotes, bispos, papa, isso haverá de perdurar. Já o racismo não é tão acentuado entre os católicos, mas existe como atitude predominante do brasileiro, um racismo disfarçado e favorecido pelo fato de os negros, no Brasil, serem duplamente discriminados &#8211; por serem negros e por serem pobres.</p>



<p></p>
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		<title>Bispo de Caruaru pede votos contra comunismo e católicos progressistas reagem</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Sep 2020 01:23:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[bispo de Caruaru]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2020]]></category>
		<category><![CDATA[igreja catolica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na véspera do início oficial da campanha eleitoral e em um estilo desprovido de sutileza, o bispo católico de Caruaru, dom José Ruy Gonçalves Lopes, publicou uma nota orientando os fiéis a votarem contra o comunismo. A publicação agradou aos grupos e candidatos de extrema-direita, que logo postaram o documento em seus blogs e redes [&#8230;]</p>
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<p>Na véspera do início oficial da campanha eleitoral e em um estilo desprovido de sutileza, o bispo católico de Caruaru, dom José Ruy Gonçalves Lopes, publicou uma nota orientando os fiéis a votarem contra o comunismo. A publicação agradou aos grupos e candidatos de extrema-direita, que logo postaram o documento em seus blogs e redes sociais, e provocou reações indignadas entre grupos de católicos progressistas.</p>



<p>A maior parte da nota da diocese de Caruaru é insípida, com recomendações genéricas para o período eleitoral. Mas, logo no segundo parágrafo, o bispo recorre ao jargão bolsonarista para demarcar sua posição: &#8220;A Igreja Católica possui grande simpatia pela Democracia e grande aversão ao comunismo, diz a sua doutrina (DSI, 160). Por isso o voto consciente é a melhor forma não apenas de reivindicar, mas de determinar o futuro da sociedade”.</p>



<p>O assessor de imprensa da diocese, padre Jefferson Adelino, confirmou a veracidade da nota, mas garante que seu conteúdo não significa um posicionamento partidário. “A Diocese não se posiciona em favor ou contra qualquer partido. Portanto, não se refere a nenhum partido, mas um ao sistema político comunista, explicou o padre-assessor”.</p>



<p>Questionado se o texto do parágrafo mencionado não poderia ser confundido com o discurso dos grupos de extrema-direita que acusam o próprio papa Francisco de ser comunista, o padre Jefferson rechaçou essa possibilidade: “O papa Francisco ensina o que a Doutrina a Igreja ensina. A nota está de acordo com a Doutrina Social da Igreja, e desse modo, de acordo com o Papa Francisco. Quem fala que o Papa é comunista certamente não vai a fundo do seu pensamento ou da Doutrina Social da Igreja”.</p>



<p>Dom José Ruy tem 53 anos e assumiu a diocese em setembro do ano passado. Logo ao chegar em Caruaru, deixou claro na homilia durante a solenidade de sua posse (ou consagração, no jargão católico) que as causas sociais não seriam a prioridade de seu episcopado, totalmente voltado aos trabalhos “espirituais”. </p>



<p>Em 2014, quando era bispo de Jequié, na Bahia, já havia emitido outra nota, daquela vez contrária à chamada &#8220;ideologia de gênero&#8221; com uma menção explícita ao PT, dizendo &#8220;se manifestar peremptoriamente contrária a esta ideologia do partido que governa a nação que deseja &#8216;impor&#8217; pela maioria de sua base aliada um projeto que quer eliminar a ideia de que os seres humanos se dividem em dois sexos&#8221;.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que diz a doutrina</strong></h2>



<p>O item 160 da Doutrina Social da Igreja não inclui nenhuma menção ao comunismo, socialismo ou a qualquer simpatia ideológica do Vaticano. De acordo com o site oficial da Cúria Romana, eis o que diz o trecho usado como referência por dom José Ruy:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Os princípios permanentes da doutrina social da Igreja constituem os verdadeiros e próprios gonzos do ensinamento social católico: trata-se do princípio da dignidade da pessoa humana ― já tratado no capítulo anterior ― no qual todos os demais princípios ou conteúdos da doutrina social da Igreja têm fundamento, do bem comum, da subsidiariedade e da solidariedade. Estes princípios, expressões da verdade inteira sobre o homem conhecida através da razão e da fé, promanam «do encontro da mensagem evangélica e de suas exigências, resumidas no mandamento supremo do amor com os problemas que emanam da vida da sociedade». A Igreja, no curso da história e à luz do Espírito, refletindo sapientemente no seio da própria tradição de fé, pôde dar-lhes fundamentação e configuração cada vez mais acuradas, individualizando-os progressivamente no esforço de responder com coerência às exigências dos tempos e aos contínuos progressos da vida social.</p></blockquote>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Pecado da soberba</strong></h3>



<p>Se a direção do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) preferiu não comentar o documento da diocese, o presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Leonardo Bulhões, criticou a tomada de posição do bispo da cidade. “Penso que a gente está num momento em que a dicotomia não é entre comunistas e não comunistas, mas sim em quem defende a vida e quem se nega a realizar políticas em defesa dela”, comentou.</p>



<p>Bulhões recordou também à visita do ex-presidente Lula ao papa Francisco “pra falar sobre a defesa dos mais pobres, do combate à fome e pela vida.&nbsp; As pessoas cristãs sabem quem está defendendo a vida e quem não está. E isso passa longe de quem é comunista ou não”.</p>



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	                                        <p class="m-0">Monge Marcelo Barros identifica &#8220;soberba&#8221; na nota do bispo (Crédito: site Marcelo Barros)</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Entre os católicos progressistas, a nota provocou reações mais enérgicas do que entre os políticos de esquerda. A convite do grupo Encontro da Partilha, a Marco Zero Conteúdo acompanhou uma celebração online na tarde deste domingo, 27. O assunto foi lembrado por vários participantes.</p>



<p>Para o monge beneditino e teólogo Marcelo Barros, a nota merece ser criticada “tanto pelo conteúdo quanto pelo método. É inadmissível que um bispo transforme sua opinião pessoal em posição da igreja. O papa vem pedindo para que os bispos não façam isso. A nota é ridícula”. Mencionando o trecho do Evangelho de São Mateus em que Jesus Cristo enfrenta o sumo sacerdote judeu, Barros diz que oferecer a própria posição como sendo a da igreja é “fruto da soberba”.</p>



<p>Barros, especialista em estudos bíblicos e autor de oito livros de teologia, lembrou que a única referência explicitamente anticomunista da igreja data do direito canônico de 1918, em reação ao fato da Revolução Russa ter considerado o ateísmo como um dogma.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Karl Marx e os apóstolos</strong></h4>



<p>Após a celebração online, os integrantes do grupo que, antes da pandemia, costumava realizar os encontros na igreja das Fronteiras, comentaram a nota da diocese. Uma das coordenadoras do grupo, Rejane Menezes, afirma que problema vai além do bispo de Caruaru: “O rei Luiz XIV, na França do século XVIII, dizia ‘O Estado sou eu’. Hoje os bispos continuam a dizer ‘A Igreja sou eu’. Não, a Igreja é povo. O povo de Deus é maior que a instituição. Só a hierarquia da Igreja Católica ainda não percebeu isso”.</p>



<p>Um dos organizadores do Grito dos Excluídos, Alexandre Fragoso acredita que  dom José Ruy precisa ler mais o Novo Testamento. “Karl Marx, por exemplo, leu e foi buscar no capítulo 2 dos Atos dos Apóstolos a inspiração para sua famosa frase ‘De cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades’.” O trecho da bíblia citado por Teles diz que “Todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum / E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister.”</p>



<p>Leia a nota da diocese de Caruaru na íntegra:</p>



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https://diocesedecaruaru.org/diocese-de-caruaru-divulga-nota-publica-sobre-eleicoes-2020/
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<p></p>
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		<title>Religiosos reinventam rituais para acolher fiéis durante a pandemia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Mar 2020 21:54:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[igreja catolica]]></category>
		<category><![CDATA[religiosidade]]></category>
		<category><![CDATA[terreiros]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em momentos críticos, multidões recorrem à religiosidade. É entre símbolos religiosos, pastores, pais de santos, padres e congregados que milhões encontram conforto. A pandemia do coronavírus, porém, não permite que esses rituais coletivos e milenares prossigam. Os religiosos, assim como todos nós, têm que se reinventar.Desde a semana passada, terreiros de candomblé de Pernambuco não [&#8230;]</p>
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<p>Em momentos críticos, multidões recorrem à religiosidade. É entre símbolos religiosos, pastores, pais de santos, padres e congregados que milhões encontram conforto. A pandemia do coronavírus, porém, não permite que esses rituais coletivos e milenares prossigam.  Os religiosos, assim como todos nós, têm que se reinventar.<br><br>Desde a semana passada, terreiros de candomblé de Pernambuco não fazem mais cerimônias e atividades públicas. No terreiro nagô Axé Talabi, em Paratibe, Paulista, só estão sendo feitos os rituais internos entre as pessoas que já moram no terreiro e cumprem juntas a quarentena. <br><br>&#8220;Neste momento, o que eu peço é que as pessoas tenham fé nas divindades e tentem ao máximo se cuidar&#8221;, diz a yalorixá Mãe Lu. Um dos problemas em Paratibe é que o local não recebe água com frequência. Em pleno início da escalada da pandemia, o bairro passou dez dias sem água. <br><br>&#8220;Chegou água nas torneiras domingo de meia-noite e acabou às 5h. Como o terreiro tem um trabalho social forte, as pessoas ligam para ver se aqui tem água. Com todos os cuidados, tentamos ajudar&#8221;, conta a yalorixá, que lembra que o problema da falta d&#8217;água é antigo e que não há solução por parte da Compesa. <br><br>O Pai Júnior de Odé, também do terreiro Axé Talabi, lembra que o isolamento social, medida recomendada pelo Ministério da Saúde, nem sempre é uma opção. &#8220;Os frequentadores do terreiro são do subúrbio e, entre nosso povo, nem todo mundo tem o privilégio de não trabalhar. Os mais velhos estão no mercado informal, os mais jovens trabalhando com entregas, não estão podendo se isolar totalmente. A liderança espiritual acaba tendo uma responsabilidade maior&#8221;, afirma.<br><br>Ele diz também que os pedidos de doação já aumentaram. &#8220;Dobraram os casos de pedidos por alimentos, Nosso papel na comunidade, não é só religioso, é um espaço socioafetivo. Acaba virando uma casa de mãe onde se busca alimento, uma folha ou uma reza para melhorar a saúde&#8221;, diz. <br><br>No candomblé, a passagem do tempo deve ser vivenciada sem angústias. &#8220;Temos uma relação sagrada com o tempo. A nossa preocupação não é se essa pandemia vai demorar 3 ou 6 meses. É que tenhamos força e responsabilidade com os mais velhos. Nossas cantigas e nossos saberes são de tradição oral. Enquanto a sociedade desrespeita e coloca os avós no asilo, a gente não os abandona. Eles são os detentores dos saberes. Essa questão do tempo não nos traz medo. Nossa preocupação é com a segurança e a saúde&#8221;, diz o religioso.<br> <br>Para que seguidores e seguidoras do candomblé não se sintam sozinhos com a suspensão das atividades públicas, as redes sociais do terreiro publica mensagens de cuidados e de conforto. Nacionalmente, se criou uma corrente: toda segunda-feira, às 18h, os adeptos fazem uma oração a Omulu Ọbalúayé, orixá das doenças e das curas.</p>



<h2 class="wp-block-heading">A solidão do padre</h2>



<p>É nas redes sociais também que a Igreja Católica vem se comunicando com seus fiéis. Desde o dia 18, a Arquidiocese de Recife e Olinda suspendeu as missas e outras celebrações. <br><br>É sozinho na igreja da Paróquia Bom Jesus do Arraial, em Casa Amarela, que o padre Adriano liga o celular para fazer a transmissão online de missas e terços. &#8220;Algumas paróquias contam com uma pequena equipe de ministros para a liturgia. Mas eu e muitos padres fazemos tudo só&#8221;, diz.</p>



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	                                        <p class="m-0">Padre Adriano, em missa solitária</p>
	                
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<p>Para o padre Adriano, é o momento da igreja, mesmo de longe, levar conforto aos fiéis. &#8220;Nós também somos humanos e sofremos muito com essa situação. Sabemos que a fé é importante neste momento para que as pessoas não esmoreçam. Vários estudos mostram como a fé ajuda também na cura. Continuamos firmes celebrando as nossas missas, para que as pessoas tenham um horizonte de esperança&#8221;, diz o padre, lembrando que pedidos de oração chegam agora por mensagens e vídeos.<br><br>Todo começo de mês, a paróquia de Casa Amarela distribui cestas básicas para os mais pobres. Ainda não houve aumento de pedidos, mas o padre está preocupado porque as doações à igreja diminuíram. <br><br>&#8220;Em Casa Forte, o grupo de samaritanos está saindo para fazer entregas às pessoas na rua. Se não vier muita gente no começo do mês, ainda temos condições de continuar as doações&#8221;, diz o padre, que fez postagens nas redes sociais da igreja com a opção de doação por transferência bancária.<br><br>&#8220;Muitos brasileiros ainda não compreenderam que se deve ficar em casa. Mas também temos que pensar naquelas pessoas que estão nas ruas e não têm para onde ir&#8221;, diz o padre. <br><br>Nas igrejas neopentecostais, a situação está um pouco diferente. Contrariando as recomendações do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS), o pastor Silas Malafaia afirmou que as igrejas iriam continuar abertas. A justiça de São Paulo já pediu o fechamento dessas igrejas.<br><br>Ontem, com o decreto do governador Paulo Câmara reduzindo para dez o número de pessoas reunidas em Pernambuco, as igrejas evangélicas daqui foram obrigadas a parar com os cultos. Nas Igrejas Universal dos bairros de Candeias e da Torre, por exemplo, decidiram suspender os cultos ontem,  após o decreto. As igrejas continuam abertas, mas com restrição a até 10 pessoas por vez, como determina o decreto. Cultos e orações online também se proliferaram.<br><br>Políticos ligados à religião têm se dividido. O pastor Cleiton Collins (PP), deputado estadual, gravou um vídeo no dia 17 de março sobre a pandemia do coronavírus e falando para as pessoas ficarem em casa.<br><br>Também da bancada evangélica, a deputada Clarissa Tércio (PSC), que faz parte da congregação de Silas Malafaia, foi e incentivou fiéis a irem para as manifestações do dia 15 de março contra o Congresso e o STF. Depois, criticou o governo de Pernambuco pelos &#8220;ônibus lotados&#8221;, postou foto com a possível candidata à prefeitura do Recife delegada Patrícia Domingues, e só há 3 dias começou a divulgar lives de cultos e orações, se mostrando em isolamento com a família.<br><br>Na Coréia do Sul, a resistência das igrejas à quarentena foi responsável por dois grandes focos de disseminação da doença. O maior, responsável por até 60% dos casos no país, foi na Igreja Jesus de Shincheonji. O líder da igreja está respondendo a uma acusação de homicídio pelo fato de não ter colaborado com as autoridades para identificar os fieis que poderiam ter participado dos cultos.  Outro templo sul coreano, o Grace River, registrou 46 casos de coronavírus</p>
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		<title>Ivone Gebara: &#8220;Precisamos rever a luta pelo Estado Laico e o papel das religiões&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Jul 2019 20:06:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[fé]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[igreja catolica]]></category>
		<category><![CDATA[Ivone Gebara]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Teóloga, freira e feminista são palavras recorrentes na biografia e descrição de Ivone Gebara. No entanto, elas não dão ideia de como a intelectual coloca mais perguntas do que respostas em uma roda de debates. Gebara acrescenta mais um item em sua ficha pessoal: é uma livre pensadora. Como tal, gera a inquietude de quem [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[Teóloga, freira e feminista são palavras recorrentes na biografia e descrição de Ivone Gebara. No entanto, elas não dão ideia de como a intelectual coloca mais perguntas do que respostas em uma roda de debates. Gebara acrescenta mais um item em sua ficha pessoal: é uma livre pensadora. Como tal, gera a inquietude de quem coloca em dúvida suas próprias certezas &#8211; e a de quem a escuta. Surpreende pela clareza com que expõe ideias, revisita conceitos e prega pela mudança de estratégias da luta feminista no diálogo com as religiões, com o Estado e com a sociedade. &#8220;Os conceitos se gastam. Estamos em uma espécie de círculo vicioso, principalmente nós, da esquerda. Precisamos começar a pensar de novo&#8221;, diz.

Uma das principais provocações, com relação à luta histórica pelo Estado laico, pauta levantada principalmente pelo movimento feminista, ela propõe virar a mesa, ampliando o conceito: &#8220;Quando falamos de Estado laico, eu tenho receio de que estamos sendo simplistas. O país não é laico, o país é religioso. Precisamos rever a luta pelo Estado Laico e o papel das religiões, a fim de incluir diferentes modos de ver e se situar no mundo&#8221;. Para ela, isso pode ajudar o deter a força do fundamentalismo.

Convidada para a mesa de abertura do curso Caleidoscópio: Corpos livres, Estado Laico &#8211; Feministas contra o fascismo e o fundamentalismo, realizado pela organização feminista SOS Corpo, Gebara participou atentamente de todos os momentos dos três dias de evento. Como se fosse uma jovem curiosa, não houve um espaço em que a senhora de 73 anos não tomasse notas e prestasse atenção a tudo dito &#8211; desde os debates sobre cultura periférica e fundamentalismo, a relação da religiosidade indígena, de matriz africana e as igrejas neopentecostais.

Sendo uma das fundadoras da Teologia Feminista, católica, e referência no campo de luta de mulheres religiosas que defendem o aborto, os direitos sexuais e reprodutivos, convidamos Ivone a refletir sobre os desafios do presente para as feministas no diálogo interreligioso e geracional. Confira na entrevista abaixo.
<blockquote><strong>Leia mais
</strong><a href="http://marcozero.org/tres-religiosas-de-maos-dadas-contra-o-fundamentalismo-e-os-preconceitos/"><strong>Três religiosas de mãos dadas contra o fundamentalismo e os preconceitos</strong></a></blockquote>
<p style="color: #000000;"><b>O que é a teologia feminista e, nos dias de hoje, o que a teologia feminista pode trazer para o movimento feminista neste contexto de avanço do fundamentalismo, muito vinculado à figura de Bolsonaro, e tendo as religiões neopentecostais evangélicas também como expoentes?</b></p>
<p style="color: #000000;">A Teologia Feminista nasce inspirada pelo movimento feminista, ou seja, nasce do momento em que algumas mulheres interessadas pelo feminismo e militando na causa feminista percebem o quanto as religiões &#8211; especialmente as de corte monoteísta como o cristianismo, o islamismo e o judaísmo &#8211; fundamentam uma opressão das mulheres, um controle dos corpos femininos. Eu militei muito tempo na Teologia da Libertação e ela não denunciava isso, e eu não percebia enquanto não me aproximei do feminismo. O que a Teologia Feminista faz é mostrar que aquilo que a Teologia oficial, digamos patriarcal, chama de Deus, de Ordem, de Natureza são construções e construções que são marcadas por poderes. Um poder de homens sobre homens, mas um poder de homens sobre mulheres. Também poderes de raças, por exemplo, etnias brancas contra negras.</p>
<p style="color: #000000;">Então essa percepção a gente tinha na sociedade, mas a gente não percebia que ela se reproduzia na religião também. E a religião, por sua vez, dá todo um suporte, digamos, teórico, metafísico, transcendental, para a manutenção de uma ordem injusta.</p>
<p style="color: #000000;">A Teologia Feminista é importante porque ela desconstrói essa masculinidade do divino e essa ordem essencializada, de que tem que ser assim, a ordem da sexualidade, da maternidade. Ela desconstrói os modelos estabelecidos como modelos próprios da natureza ou modelos queridos por Deus. Evidentemente, essa Teologia não é do agrado da política atual, nem mesmo das religiões marcadas pelo patriarcalismo.</p>
<p style="color: #000000;">Nós frisamos muito mais as relações éticas, em vez de ficar o tempo todo falando que Jesus é a segunda pessoa da trindade, o filho de Deus, “está sentado à direita de Deus Pai todo poderoso”. Ou seja, “eu tive fome e me deste de comer, eu tive sede e me deste de beber”. Isso é uma relação ética. “Eu estava nu, você me cobriu. Eu estava com fome, você partilhou seu pão, eu estava sem casa, você me hospedou”. O que nós fazemos é em vez de relacionar ao aspecto mágico, próprio muitas vezes da religião, que tem seu valor, o aspecto mítico, mas nós reinterpretamos à luz de relações éticas, solidárias, que ajudam as construções das relações humanas.</p>
<p style="color: #000000;"><b>Observando o mundo hoje, quais seriam as grandes bandeiras que o feminismo, junto com a contribuição que a Teologia Feminista traz, precisam enfrentar? São bandeiras diferentes daquelas que a senhora e outras mulheres que pensaram a Teologia Feminista inicialmente? O que mudou e o que permanece desde aquelas pautas originárias?</b></p>
<p style="color: #000000;">Acho que mudou porque o contexto dos anos 1980mudou. Eu comecei a ser teóloga feminista naquela época, mas antes de mim havia outras, por exemplo, na Alemanha. Eu li muito uma teóloga que se chama Dorothee Sölle e ela me impressionou muito porque fez uma crítica do nazismo a partir da crítica feminista. Quando li um texto dela, que saiu numa revista que se chama Concilium, eu fiquei impressionada porque eu nunca pude imaginar o quanto os ditadores da América latina precisavam da imagem de um Deus todo poderoso. Então, ela falava da Alemanha, de como muitos cristãos não fizeram absolutamente nada. Teve alguns que foram até presos porque criticaram o nazismo, mas as igrejas cristãs não se posicionaram de uma maneira categórica, mesmo sabendo da quantidade de judeus que morreram nos campos de concentração, nas câmaras de gás. E o nazismo é cristão, imagine isso. Quer dizer, nós começamos a perceber que esse esquema de autoridade que se reproduzia de muitas formas, às vezes menos drásticas, mas se reproduzia no controle dos nossos corpos. E também na exclusão dos corpos pobres, miseráveis e a gente continuava dizendo “Deus pai todo poderoso, criador do céu e da terra”. E olha aí os favelados, as pessoas que vivem debaixo de viadutos, crianças sem escola, crescimento de inúmeros imigrantes que tem que sair dos seus países. São outras formas atualizadas de extermínio. Não é mais o campo de concentração, mas é um extermínio que se move, em que se mata nos mares.</p>
<p style="color: #000000;"><b>Sistemático, não é?</b></p>
<p style="color: #000000;">Mata de fome. É outro tipo de extermínio. Essa luz que ela me deu me fez pensar uma porção de coisas e me faz pensar, hoje também. Mas é interessante, as pessoas não gostam de Teologia Feminista porque a gente não situa o poder lá em cima. A gente diz assim: o poder está aqui. Quer dizer, se nós duas víssemos cinco crianças famintas entrando aqui, o divino entre nós está em acolher essas crianças.</p>
<p style="color: #000000;">O divino é a capacidade de sair de mim e acolher o outro. Então é o divino humano, mas também é outra coisa. O divino é essa beleza desse sol iluminando essas árvores, essas plantas. É divino também, de repente, a gente se encontrar e a gente estar conversando e sentindo que tem coisas que a gente se entende. Então, nós tiramos a verticalidade do divino e colocamos o divino numa circularidade muito maior, a tal ponto de que a gente não vê, a gente não sabe o princípio e o fim. E a gente não diz mais as coisas que a tradição filosófica dizia, porque a tradição da fé continua a mesma. “Eu tive fome e me deste de comer, eu tava nu e&#8230;”. Essa é a fé. “Eu estava na prisão e você me visitou”. O mundo vai ter gente que vai para a prisão justa ou injustamente, aliás, a gente pode criticar o sistema prisional, e eu critico. Tem gente que vai pra prisão, mas qual é a minha obrigação em relação aqueles que estão na prisão? Vou deixar morrer de fome? O divino é a percepção de que somos coletividade.</p>
<p style="color: #000000;"><b>Com relação à questão das pautas que tocam o corpo da mulher, como você analisa hoje as pautas dos direitos reprodutivos das mulheres, do aborto na relação com a igreja Católica. Houve avanços?</b></p>
<p style="color: #000000;">O avanço que houve foi na consciência das mulheres. Houve avanço, mas pouquíssimo na oficialidade das igrejas. Por exemplo, na Igreja Católica, onde me situo, já se fala na possibilidade de dar uma segunda chance para divorciados. São migalhas. Mas, do ponto de vista das mulheres, houve um crescimento. Muitas mulheres que eu conheço, que são divorciadas, que são lésbicas, permanecem na igreja porque elas querem, porque gostam, porque se sentem bem. Outras não, se mandaram. Tem uma diversidade de pertenças. Tem gente que é feminista, mas não consegue sair do hábito de frequentar celebrações. Eu não tenho, não sou assídua frequentadora, eu vou quando eu preciso ir por solidariedade a algumas pessoas. Mas o tipo de devoção que eu tinha quando era jovem já não tenho mais.</p>
<p style="color: #000000;"><b>Você, que tem a perspectiva histórica de diversas lutas, que conviveu com Dom Helder e morou em Pernambuco, percebe o florescimento da Teologia da Libertação como um momento singular e muito importante na história brasileira de formação política das bases. Você acha que hoje existe outro movimento que se assemelha?</b></p>
<p style="color: #000000;">Hoje já não existe mais. Eu vivi 34 anos aqui, trabalhei com Dom Helder, trabalhei no Instituto de Teologia, fiz muitas assessorias pelo campo, pela cidade Nordeste afora e havia, sem dúvida, não só Dom Helder, mas Dom José Maria Pires, Dom Fragoso e vários outros. Existiam vários bispos que assumiam a causa da libertação dos pobres, que liam o evangelho a partir do favorecimento da vida dos pobres. Recife, por exemplo, foi um foco de luz iluminador. Claro que tinha a figura de Helder Câmara, mas havia várias outras. Tinha o Instituto de Teologia liderado pelo padre Humberto Plumen, tinha aqui a Pastoral Operária, a Pastoral Rural. Todo mundo muito preocupado. Mas temos que dizer que esse florescimento do movimento mais religioso era ligado a todo um florescimento dos movimentos sociais contra as ditaduras militares.</p>
<p style="color: #000000;">Por que eu tô contando isso para você? Porque eu acredito que coisas ruins podem inspirar o nascimento de coisas boas. Então, naquela época, muita coisa ruim estava acontecendo para que a gente se organizasse para fazer nascer coisas boas. E muita coisa boa nasceu, inclusive, por exemplo, o PT nasce de todos esses movimentos. No Sul, mas evidentemente com lideranças nordestinas. Lula é pernambucano, mas grande parte das lideranças do PT foram nordestinas. Quem são os herdeiros de Dom Helder Câmara? Não sei dizer, tem aqui no Recife o movimento que se chama Igreja Nova, que são leigos da minha geração, que se acham um pouco herdeiros. Podem ser herdeiros porque publicam cartas de Dom Helder, mas eu não acredito que essas coisas estão revivendo.</p>
<p style="color: #000000;">Acredito que vai acontecer, mas o quê, eu não sei. Provavelmente o que virá, não virá mais de nós. Virá da sua geração e das novas gerações. A gente encerrou um ciclo, que foi muito legal, mas que agora começa um outro super desagradável, mas que vai exigir das pessoas uma retomada do que querem fazer nesse mundo. O que essa nova geração está pretendendo? E aí entra também o feminismo.</p>


<div id="attachment_17460" style="width: 460px" class="wp-caption alignright"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/07/Curso-Caleidoscópio-SOS-Corpo-Foto-Catarina-de-Angola-4.jpeg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-17460" class="wp-image-17460" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/07/Curso-Caleidoscópio-SOS-Corpo-Foto-Catarina-de-Angola-4-300x224.jpeg" alt="Curso Caleidoscópio SOS Corpo Foto Catarina de Angola (4)" width="450" height="337"></a><p id="caption-attachment-17460" class="wp-caption-text">Teólogo feminista no curso Caleidoscópio, organizado pela ONG feminista SOS Corpo. Foto: Catarina de Angola/Terral Coletivo</p></div>
<p style="color: #000000;"><b>Como combater o desânimo do aparente retrocesso que existe muito forte, principalmente, numa geração mais jovem, que não é a sua?</b></p>
<p style="color: #000000;">A gente não volta para trás. A gente vai sempre para a frente. Eu acho que a história é essa espiral. Nem sempre ela vai para cima. A espiral pode ter vários movimentos ascendentes e descendentes, mas não volta para o mesmo lugar.</p>
<p style="color: #000000;">Eu acho que vocês já estão dando resposta a esse desânimo. Eu trabalhei muito ano passado partilhando reflexões mensais com um grupo de teatro jovem que se chama Companhia do Tijolo que, inclusive, apresentou uma peça sobre Dom Helder Câmara. Foi assim que me aproximei deles. Fui assistir à peça e não aparecia figuras femininas desse processo que se deu no Recife. Quando acabou, eles começaram a conversa, tipo teatro de Arena, e eu falei que eu vivi no recife mais de 30 anos e que havia mulheres em torno de Dom Helder &#8211; aqui tinha vários movimentos liderados por mulheres &#8211; quer dizer, as paróquias não eram lideradas por mulheres, mas muitas catequeses eram. Dom Helder tinha um monte de amigas e, quando estava no Concílio, ele escrevia para elas e não para os padres. Aqui mesmo, quantas mulheres trabalham com ele? Tinha a secretária dele, tinha a que cuidava das finanças, a bibliotecária, até o final da vida dele esse homem é o que é porque havia muitas mulheres extraordinárias que estavam junto. Daí eles começaram a reformular a peça.</p>
<p style="color: #000000;">A novidade é essa. De repente eles estão aparecendo, eles estão fazendo teatro de rua. O que eu quero dizer é que está existindo na arte, no teatro, nas músicas, nas universidades, nos secundaristas. Não vai ser depressa, mas vocês estão fazendo. Você fazendo um tipo de jornalismo engajado, comprometido. Isso é trabalho de formiguinha, mas vocês estão construindo outra página que vai ser diferente da minha. Não dá para ver ainda tudo, mas alguma coisa já dá para ver, sim.</p>
<p style="color: #000000;"><b>O tema do curso traz as bandeiras do &#8220;Estado laico, Corpos Livres&#8221; e a senhora fez pontuações importantes sobre essas duas pautas. Ainda é estratégico reivindicar o Estado laico no contexto atual?</b></p>
<p style="color: #000000;">Não como nós estamos reivindicando. Nós temos que reivindicar, mas não dessa forma. Vamos dizer assim: achar que, ingenuamente, os governantes não são guiados por suas opções religiosas. É impossível. Eu se fosse presidente da república, eu sei que eu guardo sim as minhas opções éticas, que me vieram do cristianismo. A gente pode falar de Estado Laico, mas a gente tem que insistir também numa outra relação com as religiões. As religiões estão na sociedade. As religiões constituem comunidades que buscam sentido, e essas comunidades têm o direito de se expressar. Então, eu diria assim: conservar essa luta pelo Estado Laico, porém ressignificá-la introduzindo nessa questão do Estado Laico uma participação democrática das diferentes religiões.</p>
<p style="color: #000000;">Por exemplo, a representante dos Pankararus fala dos encantados, e ela tem que falar. Ela não pode dizer que a luta dela tem que ser laica. A luta dela não é laica no sentido que a gente dá para laico. Ou seja, as lutas são marcadas por expressões políticas, mas também por expressões religiosas.</p>
<p style="color: #000000;">Os quilombolas também têm uma tradição Africana que você não pode negar. Por exemplo, tem uma socióloga boliviana que se chama Silvia Rivera Cusicanqui que mostra os limites que, às vezes, o mundo ocidental tem em relação às crenças. Ela vive falando e “mascando erva” [coca], ela masca isso, ela usa o chapéu. Ela reaprendeu o aymara, ela é aymara. Então, você pode desligar isso das crenças? Na força das plantas, do sol? Não, não pode. Existem crenças que fazem parte. Então, acho que a forma como nós, às vezes, inclusive nós feministas, falamos do Estado Laico é para reivindicar algumas coisas, como a legalização do aborto, corpos livres, a diversidade sexual, mas isso não significa que você esteja excluindo as crenças religiosas. Então, eu diria assim, conserva, mas alarga. Alarga como a necessidade de uma discussão democrática plural, que não existe, mas tem que começar a existir.</p>
<p style="color: #000000;"><b>Como as Católicas pelo Direito a Decidir estão inseridas hoje no debate e luta pelos direitos reprodutivos? Existe perseguição à instituição e às mulheres que integram o movimento?</b></p>
<p style="color: #000000;">As Católicas pelo Direito a Decidir é uma instituição, ONG feminista, mas não é aceita como instituição da igreja católica. Então, nós somos católicas, sem reconhecimento da instituição, da igreja católica, liderada por figuras masculinas. Têm algumas figuras masculinas, digo do clero, que mantém um certo contato conosco, mas, institucionalmente, têm alguns bispos que fazem questão de exigir que a gente retire o nome “católicas” porque não condiz com a igreja católica. Mas nós discutimos muito se colocávamos cristãs pelo direito a decidir em vez de católicas, mas até agora não, a gente está querendo guardar o nome católicas para dizer assim: na comunidade das pessoas que cresceram no meio católico, que algumas ainda frequentam esses meios católicos, tem gente que é pela diversidade sexual, tem gente que é pelo direito ao aborto, tem gente que é pela legalização do aborto, tem gente que é pelo casamento gay. Embora faça uma adesão à tradição de Jesus, a gente adere também à essas novas reivindicações da cultura, a gente adere à essa diversidade, a gente adere a esses apelos novos do mundo. Então, a gente guarda o nome de Católicas porque a gente não vê uma contradição. A gente vê a contradição da instituição, mas eu sendo católica e admitir, por exemplo, que uma transexual possa presidir uma celebração litúrgica, eu não tenho problema com isso.</p>
<p style="color: #000000;">Eu não tenho problema com o casamento gay, eu posso discutir se é necessário, às vezes eu acho que pode não ser necessário, mas tudo isso é discutível. Eu posso admitir tranquilamente a homossexualidade. Então, esse espaço não contradiz a minha “catolicidade”. Por isso, eu digo que somos católicas pelo direito a decidir como ONG, mas nós não somos reconhecidas como uma instituição ou como um grupo pela igreja institucionalizada.</p>
<p style="color: #000000;"><b>Você sofre ainda algum tipo de perseguição pelo trabalho que faz?</b></p>
Eu não diria perseguição, diria ocultamento em todas essas discussões sobre aborto etc. Os bispos não nos chamam como pessoas representativas que refletiram e refletem sobre essas questões da sexualidade. Provavelmente vão chamar um padre moralista para discutir. Então, não nos perseguem. O meu caso foi diferente, eu não fui condenada porque era das católicas pelo direito a decidir, mas porque publicamente eu dei uma entrevista na Veja e isso criou aquelas confusões todas e me silenciaram e me fizeram retomar meus estudos, passei um tempo na Europa. Então, eu não fui condenada pelas Católicas, mas pela minha atuação individual.



<strong>*Este texto faz parte de cobertura colaborativa entre a Marco Zero Conteúdo (Débora Britto) o <a href="https://medium.com/@terral.comunicacao">Terral Coletivo de Comunicação Popular</a> (Catarina de Angola) e o <a href="https://www.brasildefato.com.br/">Brasil de FatoPernambuco</a>(Monyse Ravenna).</strong><p>O post <a href="https://marcozero.org/ivone-gebara-precisamos-rever-a-luta-pelo-estado-laico-e-o-papel-das-religioes/">Ivone Gebara: &#8220;Precisamos rever a luta pelo Estado Laico e o papel das religiões&#8221;</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Itacuruba se mobiliza contra usina nuclear no sertão nordestino</title>
		<link>https://marcozero.org/itacuruba-se-mobiliza-contra-usina-nuclear-no-sertao-nordestino/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Jun 2019 21:23:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Eduardo Campos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Entre a casa da cacique Evani Tuxá, a 16 quilômetros de distância do centro da pequena Itacuruba, e a fazenda Jatinã há uma larga estrada de terra batida. Costumava ser uma via estreita, mas foi alargada há 10 anos, para muito além da sua necessidade. Ali, a população de Itacuruba começou a perceber que algo [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[Entre a casa da cacique Evani Tuxá, a 16 quilômetros de distância do centro da pequena Itacuruba, e a fazenda Jatinã há uma larga estrada de terra batida. Costumava ser uma via estreita, mas foi alargada há 10 anos, para muito além da sua necessidade. Ali, a população de Itacuruba começou a perceber que algo estava acontecendo. No mês de dezembro do ano passado, teve início uma série de movimentações estranhas nas imediações da fazenda, observada por índios Pankarás e Tuxás. Há relatos até de exercícios do Exército. A movimentação deixou não só os indígenas, mas boa parte dos cinco mil moradores da cidade do sertão de Itaparica, em Pernambuco, de olhos bem abertos: adormecido e quase esquecido, o plano para a construção de uma usina nuclear na cidade voltou com tudo.

A confirmação das suspeitas veio no mês de abril quando o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Reive Barros, disse em um evento no Rio de Janeiro que o Plano Nacional de Energia 2050 (PNE 2050), que deve ser lançado &#8220;em breve&#8221;, deve indicar a construção de novas usinas nucleares, além de determinar a finalização de Angra 3. O presidente da empresa estatal EletroNuclear, Leonam Guimarães, citou nominalmente o município de Itacuruba como o local em que já havia estudos de viabilidade para implantação da usina, a um custo de R$ 30 bilhões.

O centro do município de Itacuruba não fica na beira do rio São Francisco (que está a pelo menos quatro quilômetros), nem nas margens de uma rodovia. Para se chegar lá, existe apenas uma estrada, a PE-422, com extensão de 13 quilômetros, que liga o município à BR-316. Itacuruba é descrita por muitos como uma cidade triste, onde há altos índices de depressão e suicídio. “Quando você entra na cidade a primeira coisa que você vê são muitas pessoas na praça em frente à igreja, sem fazer nada. A qualquer hora do dia”, conta o padre Luciano, que celebra as missas na Igreja Matriz Nossa Senhora do Ó.

<div id="attachment_16901" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-16901" class="size-large wp-image-16901" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/06/atocontrausinaitacuruba-1024x682.jpg" alt="Ato contra usina nuclear em Itacuruba. Foto: CPT" width="702" height="467"><p id="caption-attachment-16901" class="wp-caption-text">Ato contra a instalação de usina nuclear em Itacuruba. Foto: CPT</p></div>

Em 2007, uma pesquisa do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) apontou que Itacuruba tinha uma taxa de suicídio dez vezes maior que a média nacional. O fenômeno era atribuído ao alto índice de desocupação e à mudança territorial dos moradores. Em 1988, a antiga cidade foi inundada para a construção do lago de Itaparica, necessário para a construção da hidrelétrica. A população deixou seu território, à beira do rio, para uma cidade planejada no meio do nada, com uma extensa avenida e loteada em retângulos. E longe das margens do Velho Chico, que era fonte de lazer e renda.

“A população sofreu muito com a inundação feita pela Chesf e agora com a transposição, que está prejudicando a pesca e a vida do São Francisco. Foram decisões tomadas de cima para baixo, sem consultar o que a população quer. Nossa preocupação agora é que não aconteça o mesmo com essa usina nuclear”, diz o padre Luciano.

A igreja católica é uma das principais ativistas contra a usina em Itacuruba. Dezenas de outras instituições e órgãos também já se posicionaram contra o projeto. Há quase dez anos as entidades se uniram na Articulação Sertão Antinuclear. Mesmo com os hiatos de informações do governo, o grupo promoveu ao longo dos anos seminários, passeatas e reuniões com políticos para barrar a construção da usina.

&#8220;É preciso levar em consideração não só o impacto ambiental de um empreendimento deste porte, mas o impacto social e na saúde física e mental dos moradores de Itacuruba&#8221;, avalia a professora da Universidade de Pernambuco Clarissa Marques, coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas Transdisciplinares sobre Meio Ambiente e Diversidade, que também luta contra a usina.

Para os povos tradicionais que habitam a região há séculos, existe ainda o agravante das terras ainda não serem demarcadas. Há duas etnias indígenas – Pankarás e Tuxás – e dois povos remanescentes de quilombos. “Pelo Rio São Francisco aparecem barcos dizendo que estão fazendo pesquisas. E também aparecem carros desconhecidos. Eles tentam fazer as coisas sem a gente ter conhecimento. Nosso principal medo com essa usina é o impacto que a radiação pode causar”, diz Evani Tuxá, dos Tuxás de Campos. “Temos medo de perder o rio e nossas origens. Estamos aqui desde os nossos tataravôs”.

A antropóloga Vânia Fialho, coordenadora do Núcleo de Pernambuco do Projeto Nova Cartografia Social, acompanha a situação em Itacuruba há anos. Ela entende que a instalação da usina nuclear pode ser uma sentença de que as terras não serão demarcadas. “Pode trazer limitações para o reconhecimento dos povos tradicionais. É uma violência alimentando outra”, diz Vânia.

Para ela, o mais grave é a falta de informação. “Para os grandes empreendimentos se instalarem em áreas onde há indígenas e quilombolas, tem que haver uma consulta. Isto está previsto na convenção 69 da Organização Internacional do Trabalho, assinada pelo Brasil”, alerta.

Outro fator lembrado por quase todos os entrevistados para esta reportagem é o impacto ambiental que a usina pode ter nas águas do rio, mesmo que nunca haja nenhum vazamento radioativo. A água seria utilizada para resfriar os reatores e depois voltaria para o rio – sem material radioativo, mas com a temperatura pelo menos 5 graus acima do normal. Isso poderia mudar a fauna e a flora fluvial, já castigada pela transposição.

Moradora da vizinha Floresta, a coordenadora da Associação Provida, Claudia Leal, ajudou a organizar manifestações em Itacuruba no final de semana passado. “Sabemos que essa usina pode trazer muito sofrimento. Tem alguns moradores ainda iludidos, achando que a usina pode trazer desenvolvimento para a cidade, com empregos. Mas quem vai trabalhar em uma usina nuclear não são as pessoas da cidade, são pessoas de fora, muito especializadas”, diz.
<h2>Por que uma usina nuclear no Sertão?</h2>
A ideia de construir uma usina nuclear em Pernambuco é antiga e há registros sobre o tema desde a década de 1980. Mas começou a tomar forma no primeiro mandato de Eduardo Campos como governador de Pernambuco. Em 2009, a EletroNuclear, que tem sede no Rio de Janeiro e representação apenas em Brasília, abriu um escritório no Recife. Na época, a intenção era construir a usina em algum lugar na faixa litorânea que vai de Salvador até o Recife. Na disputa política com o então governador baiano Jaques Wagner, Pernambuco foi o escolhido para receber o empreendimento.

Primeiramente, o governo pernambucano queria colocar a usina nuclear na região de Suape. Mas o local foi descartado devido à instabilidade do solo.

Toda usina nuclear precisa ficar próxima de uma fonte abundante de água, seja do mar ou de rios, para que haja a refrigeração dos reatores. Com a exclusão do litoral, as atenções se voltaram ao único rio perene do semiárido brasileiro, o São Francisco. Levando em conta, além da oferta de água, aspectos como a baixa densidade populacional (10 habitantes por km²), presença de linhas de transmissão já existentes (da Chesf) e a estabilidade do solo, uma região na divisa de Belém do São Francisco e Itacuruba foi selecionada.

Entre 2009 e 2011 a área foi visitada por técnicos da EletroNuclear, que fizeram relatórios sobre o lugar. O Plano Nacional Energético previa para a área de oito quilômetros quadrados à beira do Velho Chico, supostamente já adquirida pela EletroNuclear, a instalação da Central Nuclear do Nordeste.

A Central contaria com capacidade física para até seis reatores, embora a previsão inicial fosse de instalação de dois. Com seis reatores, a capacidade instalada seria de 6.600 MegaWhats e uma produção anual bruta de 50,58 milhões de MW. Para efeito de comparação, a Chesf, responsável por 95% da energia gerada noNordeste, tem capacidade instalada de 10.615 MW e produção anual bruta de 46,40 milhões de MWh.

<div id="attachment_16845" style="width: 1005px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-16845" class="wp-image-16845 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/06/itacuruba2.jpg" alt="Local pré-selecionado para a instalação da usina nuclear. Imagem: Google Maps" width="995" height="583"><p id="caption-attachment-16845" class="wp-caption-text">Local pré-selecionado para a instalação da usina nuclear. Imagem: Google Maps</p></div>

Pelo relatório da EletroNuclear, feito lá no final de 2011, a construção de uma usina demandaria cerca de cinco anos e uma força de trabalho de mais de 2 mil pessoas, no pico. A fase anterior, de projetos e licenças, mais quatro anos. Quando entrasse em operação, cerca de 500 pessoas seriam empregadas na usina.

Professor titular do Departamento de Energia Nuclear da Universidade de Federal de Pernambuco (UFPE) Carlos Alberto Brayner foi cedido em março para ser diretor do Centro Regional de Ciências Nucleares do Nordeste (CRCNN), que faz parte da Comissão Nacional de Energia Nuclear. Evidentemente, é um entusiasta da instalação da usina em Itacuruba.

“O Nordeste já sofreu apagões por conta da crise energética. Não há mais onde se construir hidrelétricas na região. Apenas 1,7% da energia brasileira é nuclear, quando o ideal seria de pelo menos 10%. A energia solar e a eólica são boas alternativas, mas são intermitentes, dependem da natureza para funcionar. A nuclear é uma energia limpa e perene”, afirma.

A Central Nuclear do Nordeste custaria R$ 30 bilhões e teria que ser aberta uma licitação internacional, já que o Brasil não detém a tecnologia &#8211; mas a construção em si poderia ser feita por uma empresa brasileira. Em Angra 3, por exemplo, a Odebrecht estava responsável pelas obras, que foram paralisadas pela Lava Jato por conta de denúncias de corrupção.

Brayner chegou a ver os relatórios feitos em 2011 pela EletroNuclear, mas o único documento que se tornou público foi um <a href="https://www.slideshare.net/blogdejamildo/o-documento-oficial-da-eletronuclear" target="_blank" rel="noopener noreferrer">power point que foi publicado no blog de Jamildo</a>. De 2011 até hoje, há um hiato de informações. O diretor do CRCNN lembra que após o acidente nuclear na usina de Fukushima I, no Japão, ainda em 2011, houve um arrefecimento do projeto. “O governador Eduardo Campos deixou de tocar no assunto da usina”, lembra.

Fukushima I foi mais um ponto de inflexão na história das usinas nucleares. Após o acidente, causado por um erro no projeto, o Japão desativou toda sua energia nuclear. A Alemanha tentou seguir o mesmo caminho. “Mas é algo muito difícil para se fazer. O Japão mesmo já reativou algumas usinas. Hojeelas são mais seguras. Para haver vazamento é necessário que ocorra uma conjunção de fatores, nunca há apenas uma causa”, diz, afirmando que o descarte dos rejeitos nucleares é outro desafio da indústria.

Em Angra I e Angra 2, por exemplo, os rejeitos ficam armazenados dentro da própria usina, já que o descarte é caro e precisa ser feito em lugares bastante seguros. O mesmo acontece em países como a França, onde quase 70% da energia consumida é nuclear. Na Suécia, o lixo atômico das usinas fica em caixas de chumbo depositadas em cavernas marítimas subterrâneas.

<div id="attachment_16846" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-16846" class="wp-image-16846 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/06/usinanuclearitacuruba-1024x640.jpg" alt="Projeção da Eletronuclear, feita em 2011, para a usina em Itacuruba. " width="702" height="438"><p id="caption-attachment-16846" class="wp-caption-text">Projeção da Eletronuclear, feita em 2011, para a usina em Itacuruba, com seis reatores</p></div>

Professor aposentado de Engenharia Elétrica do Centro de Tecnologia e Geociências (CTG) da UFPE, o físico Heitor Scalmabrini discorda radicalmente da necessidade do Brasil usar energia nuclear. Ainda mais no sertão, onde há baixo volume de chuvas e mais de 300 dias de sol por ano – um prato cheio para a energia solar.

“Não vejo nada de bom em relação a uma usina nuclear. Países que foram importantes para o desenvolvimento da tecnologia já estão abandonando-a ou buscando outras formas de energia. É uma tecnologia que traz intrínseca com ela a possibilidade de acidentes que produzem efeitos devastadores. Se há vazamento do interior do reator para o meio ambiente, como ocorreu em Chernobyl, as consequências se prolongam por milhares e milhares de anos. Podemos correr esses riscos com o São Francisco? Um rio que tem uma bacia de 2.700 quilometros, que corta sete estados e 506 municípios, onde moram 20 milhões de pessoas?”, questiona.

Para o especialista em energia, como os países europeus estão buscando opções mais seguras, as empresas que constroem os reatores estão agora com os olhos voltados para a América Latina. “É muito lobby de multinacionais, de políticos, de acadêmicos que querem financiamento para pesquisas. Não é só Itacuruba, é um contexto mais amplo do Brasil, que envolve a geopolítica e a militarização do país. A energia nuclear é inclusive mais cara, se não for a mais cara que tem, e naturalmente haveria um aumento da conta de energia para a população”, diz.

Scalambrini vai mais longe e verbaliza o que muitos que são contra as usinas nucleares brasileiras acreditam: “Não duvido de que isso seja um ensaio para que o Brasil tenha uma bomba atômica”.

Em nota à Marco Zero, a EletroNuclear afirmou que espera a publicação do Plano Nacional de Energia 2050 (PNE 2050), “que vai determinar qual será a contribuição da energia nuclear na matriz elétrica. Dependendo do que for indicado pelo PNE-2050, a empresa poderá dar sequência a essa tarefa.”

A nota também afirma que o PNE-030, publicado em 2007, “indicava a necessidade de se construir de 4 a 8 usinas nucleares, além de Angra 3. Uma das regiões previstas para ter uma central nuclear era o Nordeste. Por conta disso, a EletroNuclear realizou um trabalho de prospecção de sítios com condições de sediar novas usinas. Na época, foram encontradas 40 áreas aptas em todo o país. Porém, esse trabalho foi interrompido.”
<h3>Constituição de Pernambuco e royalties da usina</h3>
Mesmo com dez anos de ações para a construção da usina no Sertão, um empecilho permanece: o artigo 216 da Constituição Pernambucana barra a energia nuclear no estado até que todas as outras fontes de energia sejam esgotadas.

No começo desta semana, a Igreja Católica promoveu um encontro sobre o tema no Recife. O deputado estadual Isaltino Nascimento (PSB), líder do governo na Assembleia Legislativa de Pernambuco, garantiu que o estado é contra a construção e sinalizou que um projeto para revogar este artigo não passaria na casa.

Outro receio dos ativistas é um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados que destina 10% do faturamento bruto da exploração de energia nuclear para estados, municípios-sede e municípios vizinhos e onde forem depositados rejeitos nucleares.

Com a volta das movimentações para novas usinas nucleares no Brasil, o projeto poderia ser desarquivado e o dinheiro dos royalties poderia convencer estados e prefeituras a receberem os empreendimentos. “É um projeto de 2011, que ficou esquecido, mas já está caminhando rápido. Em dezembro mesmo houve movimentação. Imagina quanto dinheiro é 10% do faturamento de uma usina?”, questiona a advogada Gabriela Santos, da Comissão da Pastoral da Terra. Em 2011, a previsão para a Central Nuclear do Nordeste era de um faturamento de R$ 1,2 bilhão ao ano, com margem de lucro de R$ 683 milhões.<p>O post <a href="https://marcozero.org/itacuruba-se-mobiliza-contra-usina-nuclear-no-sertao-nordestino/">Itacuruba se mobiliza contra usina nuclear no sertão nordestino</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>&#8220;O presidente trata quem tem outra opinião como inimigo e idiota&#8221;, diz dom André de Witte, da CPT</title>
		<link>https://marcozero.org/o-presidente-trata-quem-tem-outra-opiniao-como-inimigo-e-idiota-diz-dom-andre-de-witte-da-cpt/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joel Santos Guimarães]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 May 2019 17:23:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[conflitos no campo]]></category>
		<category><![CDATA[dom André de Witte]]></category>
		<category><![CDATA[igreja catolica]]></category>
		<category><![CDATA[Pastoral da Terra]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Joel Santos Guimarães (colaborou Inácio França) Os graves problemas sociais e econômicos que assolam o país e seu povo não “estão entre as preocupações do presidente, que nestes quase cinco meses de governo demonstrou despreparo para a função”. Quem afirma é dom André de Witte, bispo da diocese de Rui Barbosa (Bahia) e presidente [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<strong>por Joel Santos Guimarães (colaborou Inácio França)</strong>

Os graves problemas sociais e econômicos que assolam o país e seu povo não “estão entre as preocupações do presidente, que nestes quase cinco meses de governo demonstrou despreparo para a função”. Quem afirma é dom André de Witte, bispo da diocese de Rui Barbosa (Bahia) e presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Para ele, Bolsonaro “vem agindo como se pudesse mandar e desmandar em tudo, considerando e tratando quem tem outra opinião como inimigo e idiota”.

Em entrevista à Marco Zero Conteúdo, o presidente da CPT faz duras críticas à Reforma da Previdência por entender que, se ela vier a ser aprovada “será um desastre para os trabalhadores”. E diante da chantagem que ela é necessária, “pergunto se não terá o mesmo sucesso da reforma trabalhista para o emprego?&#8221;

O bispo define comportamento autoritário quando o presidente classifica os movimentos sociais como organizações terroristas e ainda manda que sejam tratados como tal.

Dom André de Witte nasceu na pequena Scheldewindeke, na Bélgica, em 31 de dezembro de 1944, quando a cidade estava em ruínas, destruída pelos nazistas em fuga. Seus pais, os camponeses Armand de Witte e Agnes Delbeke, tiveram outros quatro filhos. Aos 18 anos, emtrou no Colégio para a América Latina, em Lovaina, onde estudou Filosofia e Teologia.

Após ser ordenado padre, em Julho de 1968, ingressou na universidade de Lovaina e, aos 29 anos, formou-se engenheiro agrônomo. Passou dois anos como vigário cooperador na paróquia de Zwijndrecht, perto do porto de Antuérpia. Em fevereiro de 1976, chegou ao Brasil para trabalhar na diocese de Alagoinhas. Começou logo a fazer parte da equipe da Pastoral Rural.

Em abril de 2018, foi eleito presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e, logo ao assumir a função, afirmou que a Igreja “deve cuidar de todo o trabalho &#8211; liturgia, a Bíblia e catequese -, mas ao mesmo tempo saber que em todo trabalho da CPT deveria mostrar sua opção pelos pobres”. Nesta entrevista, dom André aprofunda suas críticas e reafirma a necessidade de resistência:

<div id="attachment_15869" style="width: 415px" class="wp-caption alignright"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/05/dom-andré-e-os-camponeses.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-15869" class=" wp-image-15869" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/05/dom-andré-e-os-camponeses.jpg" alt="Dom André de Witte entre trabalhadores e trabalhadoras rurais (Foto; CPT)" width="405" height="405"></a><p id="caption-attachment-15869" class="wp-caption-text">Dom André de Witte entre trabalhadores e trabalhadoras rurais (Foto; CPT)</p></div>

<strong>Que balanço senhor faz dos primeiros meses do governo do presidente Bolsonaro?</strong>

Infelizmente não apareceram sinais, exemplos de alguma melhora para o Brasil e o povo brasileiro, nem para a situação social, econômica, o desemprego, a desigualdade, a violência, a fama do Brasil em âmbito mundial. E isto nem parece estar entre as primeiras preocupações do presidente, que manifesta um despreparo para a função, agindo como se pudesse mandar e desmandar em tudo, como se não tivesse Constituição, considerando e tratando quem tem outra opinião como inimigo e idiota. Como candidato não chegou a debater sobre um programa construtivo; nestes primeiros meses só aparecem sinais de vontade de desconstrução, de servir, em primeiro lugar, aos Estados Unidos e não ao Brasil. Juntamente com alguns ministros prejudica terrivelmente a imagem do Brasil a nível internacional.

<strong>Quais as conseqüências que a reforma da Previdência, se aprovada, terá na vida dos trabalhadores brasileiros e, principalmente, que efeito ela terá sobre a vida dos trabalhadores rurais? </strong>

Em poucas palavras: esta reforma será um desastre para os trabalhadores. E diante da chantagemde que ela é necessária para “sair do fundo o poço”, pergunto se não terá o mesmo sucesso da reforma trabalhista para o emprego? Mas tem outros caminhos para discutir. Penso no <a href="http://iserassessoria.org.br/paulo-guedes-nos-levara-ao-fundo-do-poco/">artigo de Ivo Lesbaupin do ISER</a>.

<strong>Há quem afirme que a reforma da previdência vai beneficiar ainda mais os bancos ao mesmo tempo em que vai tirar dinheiro dos pobres. Essa também é a sua previsão? Por quê?</strong>

Realmente, concordo com esta opinião. O projeto de sociedade neoliberal ou ultraliberal tem esta opção capitalista. “Há cinco meses, só se fala em cortes. Não dos lucros dos banqueiros, que, este ano, “já tiveram lucros maiores que no ano passado, no mesmo período)”, como diz Ivo Lesbaupin, no artigo já citado.

<strong>O senhor acredita que o atual governo tem colocado em prática a promessa do então candidato Bolsonaro de que, se eleito, em seu governo os movimentos sociais, como MST, MTST e as centrais sindicais seriam tratados como “organizações terroristas”? Qual o ambiente entre as entidades dos trabalhadores do campo em relação a isso?</strong>

Acho autoritário um presidente, por ele considerar estes movimentos organizações terroristas, mandar que sejam tratados como tal. Mas, num estado de Direito, quem define os critérios?

E como fica a discussão sobre uma possível ilegitimidade de propriedade e sua função social? E sobre uma reforma agrária para garantir o direto à propriedade para quem dela precisar para viver? A obsessão por armas e a liberação de sua posse e uso, juntamente com a ideia de impunidade, criam e fortalecem na sociedade um ambiente de violência que fará aumentar a apreensão entre os trabalhadores do campo.

<strong>A própria Igreja Católica têm sido alvo permanente de críticas de Bolsonaro e seus ministros. O presidente chegou a afirmar que a “Igreja católica brasileira tem uma banda podre” referindo-se aos padres e bispos que atuam em defesa dos movimentos sociais. Vale lembrar ainda que o general Heleno Nunes determinou que os agentes da Abin monitorem bispos e padres brasileiros que participarão do Sínodo em outubro. Por que o presidente teme tanto a ação da Igreja em favor dos excluídos?</strong>

<strong></strong>Jesus vem para salvar a todos, mas ele começa do lado dos pobres, dos pequenos. Está do lado dos pequenos. Se identifica com eles. Assim os discípulos de Jesus, como ele, devem lutar para que todos tenham vida. E isto é o contrário da sociedade onde o capital, o lucro, o enriquecimento às custas dos que são empobrecidos impera. O presidente considera inimigo quem não pensa como ele; parece continuar em campanha e não se colocar a serviço da sociedade inteira com toda a diversidade que ela tem.

<strong>Como o senhor vê a presença do ex-presidente da UDR, Luiz Nahan, como Secretário Especial para Assuntos Fundiários, portanto responsável pelas políticas de Reforma Agrária?</strong>

<strong></strong>É a raposa cuidando do galinheiro! Na sociedade tem diversidade de grupos e de interesses. O caminho da democracia exige respeito para o diferente, diálogo, equilíbrio, preocupação com o bem comum. Precisa pessoas “preparadas” para as respectivas funções, mas será que representantes do latifúndio e do agronegócio que têm interesses diferentes e até opostos dos sem-terra, das populações tradicionais, da agricultura familiar saberão cuidar (também) dos interesses dos pequenos?

<strong>Como o senhor avalia a suspensão das vistorias de imóveis rurais? Essa medida paralisou a reforma agrária já que sem vistorias não é possível desapropriar imóveis rurais e, em consequência, criar novos assentamentos?</strong>

É exatamente um dos sinais que querem mesmo inviabilizar a Reforma Agrária; dificultar o acesso à terra para os pequenos, para os que lutam para a terra que precisam para trabalhar e viver, para a agricultura familiar. Mas todo o interesse do sistema está ao lado do latifúndio e do agronegócio. com todas as vantagens, incentivos e perdão de dívidas, que já receberam e continuam recebendo, ameaçando com a possibilidade de legalizar a invasão de territórios das populações tradicionais. É a redução do Bem Natural, que é a terra, destinado para todos, ao seu aspecto meramente econômico de recurso natural mercantilizado, a ser explorado e superexplorado, nas mãos dos donos do poder e do capital.

<strong>Agronegócio e reforma agrária são assuntos excludentes? Por quê?
</strong>

Negócios agropecuários podem ser executados por pequenos, médios e grandes produtores rurais. Com os grandes, no latifúndio, vamos encontrar mais as monoculturas, os transgênicos, os agrotóxicos, produção de <em>commodities</em> para exportar. Com os pequenos, a agroecologia, a agricultura orgânica, o objetivo de uma agricultura ambientalmente sustentável, produção de alimentos para o mercado interno. Pela terra disponível no Brasil não deveria faltar para nenhuma família que queira nela trabalhar, mas precisa – e falta – vontade política para reformar a situação agrária.

Na diocese de Alagoinhas, onde trabalhava como padre, o levantamento feito pela pastoral rural, há 40 anos, apresentava 21.000 propriedades rurais declarados no INCRA. 14.000 eram minifúndios (menos do módulo médio da região, que era 30 hectares). 600 proprietários tinham mais de 500 ha.

Se 500 há fosse o teto máximo para um proprietário e só o excedente fosse desapropriado, daria para todos os minifúndios ter 30 há. Se fosse para dar 10 hectares a cada família, daria para criar mais outras 14.000 propriedades. Quem nesta região precisaria migrar por falta de terra? Então diziam: “Mas padre, uma lei assim nunca vai passar porque a maioria dos deputados tem milhares de hectares&#8230;!”<strong>
</strong>

<strong>O astrólogo Olavo de Carvalho, guru do presidente, e que estaria orientando o presidente no seu desejo de destruir a rede pública de universidades por considerar que elas não servem para proporcionar conhecimento aos alunos, mas para formar gente com ideias comunistas. Olavo de Carvalho não seria uma espécie de Rasputin tupiniquim?
</strong>

No pouco que sei de um e de outro, sei que se autoproclamaram, santo um e filósofo outro; que os dois tiveram influência política, num czar e czarina um, e num presidente o outro. E que os dois foram taxados de loucos.

<strong>Em sua opinião, como será possível a CPT e os povos do atravessar os próximos três anos e meio que resta de mandato nesse contexto político? E como superar essa visão de mundo que hoje está no Poder?</strong>

Os povos do campo, os povos originários, com sua história secular de opressão e resistência, com as raízes de sua fé e experiência, irão continuar a resistir e a nos dar o seu exemplo de como cuidar da Casa Comum e, com isto, nos fortalecendo.

A nós, na CPT, nas pastorais do campo, nas pastorais sociais, nas comunidades eclesiais, é dado caminhar junto com estes povos e com os movimentos populares, somando forças, seguindo e testemunhando Jesus Cristo que veio para que todos tenham vida, que nos diz “o vosso coração não se perturbe”. Do Papa Francisco, recebemos não somente o respaldo da luta que assumimos, mas o incentivo das suas palavras e atitudes que nos impulsionam: a preocupação com a Casa Comum, a Ecologia integral, a Amazônia, uma economia diferente&#8230;

Com fé estamos caminhando para o nosso V Congresso: “Romper as cercas do capital na terra e territórios ameaçados e tear as teias do bem viver na casa comum. ”

<strong>Em 2019, Campanha da Fraternidade foi “Fraternidade e Políticas Públicas” e o tema “serás libertado pelo direito e pela justiça”. A campanha teve algum resultado prático? Qual?</strong>

Nesta altura só posso expressar a esperança que pelo Brasil afora o tema tenha inspirado as comunidades para análise da realidade que estão vivendo, as necessidades que estão sofrendo e como estão enfrentando ou pretendendo enfrentar. E que tenha crescida a coleta da solidariedade permitindo aos fundos diocesanos e ao fundo nacional realizar projetos significativos.


<blockquote>
<h2>Avanço conservador aumenta número de assassinatos de camponeses</h2>
Quando a CPT foi fundada, em junho de 1975, durante uma reunião de bispos da Amazônia em Goiânia (GO), o Brasil estava imerso na ditadura militar. Imediatamente, a Comissão tornou-se uma voz capaz de denunciar a grave situação vivida pelos trabalhadores rurais, especialmente na região amazônica, explorados no trabalho (com frequência escravo) depois de ter sido expulsos das suas terras.

O vínculo com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) ajudou a CPT a realizar o seu trabalho e a se manter no período em que a repressão atingia agentes de pastoral e lideranças populares. Logo, porém, adquiriu caráter ecumênico, tanto no sentido dos trabalhadores que eram apoiados, quanto na incorporação de agentes de outras igrejas cristãs, destacadamente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil.

<div id="attachment_15872" style="width: 397px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/05/dom-André-massacre-d-carajás-sebastião-salgado.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-15872" class=" wp-image-15872" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/05/dom-André-massacre-d-carajás-sebastião-salgado-1024x684.jpg" alt="Famosa foto de Sebastião Salgado do velório das vítimas do massacre de Eldorado dos Carajás" width="387" height="258"></a><p id="caption-attachment-15872" class="wp-caption-text">Famosa foto de Sebastião Salgado do velório das vítimas do massacre de Eldorado dos Carajás</p></div>

A CPT mantém atualizados os registros dos assassinatos e de massacres no campo, ocorridos de 1985 até os dias atuais. Esse tipo de crime sempre ocorreu no campo brasileiro, apesar de apenas alguns terem ganhado destaque no cenário nacional. De acordo com sua metodologia, a CPT reconhece como &#8220;massacre&#8221; casos em que um número igual ou maior que três pessoas foram mortas na mesma ocasião.

O levantamento mostra que, de 1985 a 2018,a CPT registrou 1438 casos de conflitos no campo em que 1904 pessoas foram assassinadas. Deste total, apenas 113 casos foram julgados, com 31 mandantes e 94 executores condenados. Ou seja, apenas 8% dos crimes foram a julgamento.

Vale ressaltar que, entre 2009 e 2014, a média de camponeses assassinados foi de 32,5, mas já em 2015, quando começou a ofensiva conservadora, saltou para 50 mortes. Em 2016, ano do impeachment de Dilma, foram 61 homicidios. Com Temer no poder, os esquadrões da morte ficaram ainda mais à vontade, assassinando 71 pessoas. No ano seguinte, foram mais seletivos: cometeram 28 homicídios, porém a maior parte eram lideranças. Neste ano, apenas nos quatro primeiros meses do governo Bolsonaro, 11 agricultores já foram mortos.</blockquote><p>O post <a href="https://marcozero.org/o-presidente-trata-quem-tem-outra-opiniao-como-inimigo-e-idiota-diz-dom-andre-de-witte-da-cpt/">&#8220;O presidente trata quem tem outra opinião como inimigo e idiota&#8221;, diz dom André de Witte, da CPT</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Missa na Igreja das Fronteiras homenageia luta de Manoel Mattos</title>
		<link>https://marcozero.org/missaa-na-igreja-das-fronteiras-homenageia-luta-de-manoel-mattos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Jan 2019 12:12:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[direitos humanos]]></category>
		<category><![CDATA[igreja catolica]]></category>
		<category><![CDATA[Manoel Matos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Felizes os humildes, pois eles receberão a terra por herança. Felizes os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos” Os primeiros versículos do capítulo 5 do evangelho de Mateus foram lidos pelo padre Fábio Potiguar na Igreja das Fronteiras, durante a missa em homenagem ao ativista e advogado Manoel Mattos, na noite [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>“Felizes os humildes, pois eles receberão a terra por herança.</em>
<em> Felizes os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos”</em>

Os primeiros versículos do capítulo 5 do evangelho de Mateus foram lidos pelo padre Fábio Potiguar na Igreja das Fronteiras, durante a missa em homenagem ao ativista e advogado Manoel Mattos, na noite desta quinta-feira (24). <a href="https://marcozero.org/direitos-humanos-homenagens-marcam-os-10-anos-do-assassinato-de-manoel-mattos/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Assassinado há dez anos por denunciar grupos de extermínio que atuavam na fronteira entre Pernambuco e Paraíba</a>, a história de vida do ativista se faz mais forte em um momento em que o Brasil passa por “uma noite escura”, como afirmou o padre.

No sermão, o religioso, que faz parte da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Olinda e Recife, relembrou trecho da canção cristalizada na voz de Nara Leão, que era cantada por seminaristas na ditadura militar: “faz escuro, mas eu canto, porque o amanhã vai chegar”. “Esse dia vai ser lindo de se viver. Talvez, como Moisés, nem chegaremos a vê-lo, só na comunhão final”, disse o padre, que também criticou “um cristianismo desvinculado da realidade e do compromisso com Jesus”.
<blockquote><a href="https://marcozero.org/direitos-humanos-homenagens-marcam-os-10-anos-do-assassinato-de-manoel-mattos/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Federalização do assassinato foi pioneira para ativistas dos direitos humanos</a></blockquote>
“Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça. Por que nós temos essa fome e essa sede, e não a indiferença? Porque a dor do outro é também a nossa. Manoel Mattos era muito crente em Deus, e isso o animava na luta pelos direitos humanos. Mas temos o direito de sermos ateus ou agnósticos e termos essa mesma sede de igualdade e fraternidade. E não nos acostumarmos. Nós estamos aqui, mesmo tomados pelo medo, porque não dá pra ser indiferente. Tenham coragem”, disse.

Residência de Dom Hélder Câmara durante muitos anos, a Igreja das Fronteiras chegou a ter o muro metralhado em outubro de 1968. O fato foi lembrado pelo ex-deputado federal Fernando Ferro, de quem Manoel Mattos foi assessor parlamentar.

“Eram tempos de ódio e violência. Quando a gente conseguia chegar a Dom Hélder, ele trazia essa mensagem de esperança: &#8216;Quanto mais fria a madrugada, mais perto o dia está de chegar&#8217;. Manoel Mattos era um jovem advogado que defendia os negros, os trabalhadores rurais, os homossexuais. Os mais sofridos. Nessa hora, em que novamente estamos vivendo com medo, com defensores como Marielle Franco sendo assassinados, a importância do que Manoel Mattos fez pela vida digna cresce, e temos o compromisso de continuar homenageando sua história”, afirmou Ferro, um dos amigos que falaram durante a missa.

Um momentoemocionante foi quando a ativista Eleonora Pereira pegou o microfone e se dirigiu à mãe de Manoel Mattos, dona Nair Ávila. Eleonora perdeu o filho caçula em 2010: o produtor cultural José Ricardo, 24 anos, foi espancado e faleceu no hospital dois dias depois, em um crime que foi o primeiro no Brasil a ser classificado como assassinato por homofobia. Desde então, Eleonora se tornou um ativista da causa LGBT.

Com o microfone na mão, Eleonora falou que entendia o sentimento de dona Nair. “Muitas vezes deixamos nossas casas para cuidar da nossa luta. E muitos não acreditam, falam por trás. Mas nós vamos para frente. Hoje não é só uma homenagem a Manoel Mattos, mas também à senhora, dona Nair, que tanto lutou pela justiça”, disse.

As homenagensa Manoel Mattos também aconteceram em Itambé, cidade onde ele atuou e onde se concentrava o grupo de extermínio que ele denunciou às CPIS de pistolagem nos anos 2000. Por lá, a missa aconteceu pela manhã desta quinta-feira (24) no assentamento que leva o nome do advogado e onde hoje moram cerca de 150 famílias. Na ocasião, foi inaugurada uma capela.<p>O post <a href="https://marcozero.org/missaa-na-igreja-das-fronteiras-homenageia-luta-de-manoel-mattos/">Missa na Igreja das Fronteiras homenageia luta de Manoel Mattos</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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