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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>&#8220;Danilula&#8221;: no interior de Pernambuco, Lula reforça o apoio para Danilo Cabral</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Jul 2022 23:55:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O primeiro dia de pré-campanha de Lula em Pernambuco foi para consolidar o apoio à candidatura de Danilo Cabral. Vestindo camisa branca e calça jeans &#8211; a &#8220;farda&#8221; do PSB criada por Eduardo Campos &#8211; o ex-presidente fez discuros semelhantes em Garanhuns e Serra Talhada, deixando claro que apoia apenas Danilo Cabral na disputa pelo [&#8230;]</p>
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<p>O primeiro dia de pré-campanha de Lula em Pernambuco foi para consolidar o apoio à candidatura de Danilo Cabral. Vestindo camisa branca e calça jeans &#8211; a &#8220;farda&#8221; do PSB criada por Eduardo Campos &#8211; o ex-presidente fez discuros semelhantes em Garanhuns e Serra Talhada, deixando claro que apoia apenas Danilo Cabral na disputa pelo governo estadual. &#8220;Eu não confundo a minha relação pessoal com a minha relação política. O PT tem um compromisso nacional com o PSB&#8221;, afirmou em Garanhuns, sem citar o nome de Marília Arraes (SD), que saiu do PT para se candidatar ao governo e também usa a imagem do ex-presidente no seu material de campanha. &#8220;E eu quero cumprir o compromisso com o PSB e quero que o PSB cumpra o compromisso com o PT&#8221;, continuou.</p>



<p>Lula defendeu as diferenças ao falar da aliança com o PSB, que votou em peso no impeachment de Dilma Rousseff, em 2016. &#8220;Nós não precisamos professar a mesma religião. Nós não precisamos torcer pro mesmo time. Nós não precisamos gostar da mesma praia. O que nós precisamos aprender é gostar de gente. É gostar do ser humano. É respeitar a diversidade. Por isso eu tinha que vir aqui dizer que eu tenho candidato em Pernambuco e esse candidato chama-se Danilo Cabral&#8221;, reforçou. O mesmo discurso pró aliança nacional foi repetido em Serra Talhada.</p>



<p>Nem em Garanhuns, nem em Serra Talhada o nome de Marília Arraes foi citado no palco, exceto por uma quase gafe da pré-candidata ao Senado Teresa Leitão (PT), que hesitou ao chamar o sobrenome de uma outra pré-candidata também chamada Marília.</p>



<p>Mais bem colocada nas pesquisas, Marília Arraes emitiu uma nota por sua assessoria de comunicação dizendo que não iria fazer comentários, mas já comentando: a pré-candidata disse lamentar &#8220;que o PSB submeta o presidente Lula a tamanho constrangimento em Pernambuco&#8221;, diz a nota.</p>



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	                                        <p class="m-0">Lula recebe gibão de couro observado por aliados do PSB e lideranças do PT. Crédito: Géssica Amorim/MZ Conteúdo</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading">Os discursos de Lula e de Danilo Cabral</h2>



<p>Em Serra Talhada, Lula começou a falar às 20h, quando o evento estava marcado para começar às 16h. Pediu desculpas: &#8220;Sei que nem todos têm minha disposição&#8221;, brincou, antes de iniciar um discurso de 40 minutos sem pausas. Lembrou que nunca perdeu uma eleição para presidente em Serra Talhada e recebeu 90.8% dos votos na última eleição, maior percentual entre as cidades brasileiras. Falou do orçamento secreto, do aumento da fome, do desemprego, da necessidade do acesso à cultura, da miséria e da paixão por Janja, sua esposa, que cantou o &#8220;Lula lá&#8221; nas duas cidades.</p>



<p>Mostrando que não perdeu nem um pouco do carisma e da conexão com o eleitorado, Lula falou sobre tomar uma caninha, uma cervejinha, comer buchada e churrasco. Lula também falou do aumento do Auxílio Brasil como uma ação eleitoreira de Bolsonaro, afirmando que há dois anos o PT defende o aumento do Bolsa Família. &#8220;Se aparecer dinheiro na conta de vocês, pegue. Peguem o dinheiro, compre a comida, compre o que precisam. E na hora de votar deem uma banana para ele e votem em quem vai resolver o problema de vocês&#8221;, disse. Destacou bastante a questão da fome e da alimentação na fala. Lula também defendeu o voto eletrônico. &#8220;Se pudessem roubar na urna eletrônica, vocês acham que Lulinha seria eleito em 2002?&#8221;</p>



<p>&#8220;Não estamos fazendo uma eleição comum. Essa eleição é diferente: não estamos fazendo disputa entre dois candidatos, entre dois partidos. É entre uma candidatura que defende a democracia, a questão dos direitos humanos, e estamos com outro candidato que é um negacionista, um desumano, que não soltou uma lágrima pelas vítimas da covid nem foi visitar as crianças orfãs por esse vírus&#8221;, afirmou, lembrando também da calamidade dos desabamentos após as chuvas no grande Recife. &#8220;Ele veio ver os alagamentos no Recife, sobrevoou, não falou com ninguém, e foi andar de <em>jet ski</em> em Santa Catarina&#8221;, criticou.</p>



<p>As chamadas pautas identitárias não foram destacadas. Apesar de, em Garanhuns, Lula ter falado rapidamente em &#8220;respeitar a diversidade&#8221;, a fala foi em um contexto mais de diferenças políticas. As questões indígenas foram levantadas apenas em Garanhuns, onde lideranças de vários povos estiveram no palco e fizeram um ritual de proteção para Lula. Os quilombolas foram lembrados por Marquinhos Xukuru, que puxou uma bandeira quilombola que estava na plateia. E foi só.</p>



<p>Temas como os direitos LGBTQIA+ não foram citados pelo candidato &#8211; ou nenhum outro político no palco de Serra Talhada, apesar de várias bandeiras do movimento na plateia.</p>



<p>Por sua vez, o candidato de Lula seguiu na mesma direção, focando o discurso em trabalho, educação e renda. Com uma camisa vermelha em Serra Talhada, Danilo Cabral lembrou das vitórias da Frente Popular &#8211; que há 16 anos governa Pernambuco &#8211; e de Eduardo Campos, elogiou Paulo Câmara e criticou Bolsonaro. Falou mais das mazelas nacionais e não tocou muito em assuntos mais locais.</p>



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	                                        <p class="m-0">Danilo Cabral falou bom tempo de costas para o público e se dirigindo a Lula. Crédito: Géssica Amorim/MZ Conteúdo</p>
	                
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<p>Citou Eduardo Campos como o maior governador de Pernambuco e que foi com ele que &#8220;aprendi tudo que sei&#8221;. Elencou também todo seu currículo, como ter sido secretário de governo e vereador do Recife. &#8220;Eu sonho em construir um Pernambuco que olhe para o povo do interior&#8221;, disse, afirmando que conhece todos os municípios do estado. Falou que vai criar um &#8220;pacto pela água&#8221;, coordenado por ele mesmo, para diminuir perdas e levar água para zona rural.</p>



<p>Em vários momentos, e por vários minutos, Danilo Cabral ficou de costas para o público, falando diretamente para Lula. &#8220;Tenha certeza de que estou preparado para esse desafio&#8221;, afirmou para o ex-presidente, ao entregar uma bandeira de Pernambuco, como se estivesse sendo entrevistado para um novo emprego.</p>



<p>Outro ponto que perpassou os discursos no palco foi a necessidade das esquerdas ocuparem às ruas. O senador pelo Amapá Randolfe Rodrigues (Rede), que é de Garanhuns e discursou na cidade, insistiu na posição de levar à oposição para as ruas. Em Serra Talhada, a candidata à vice na chapa de Danilo Cabral, Luciana Santos, repetiu o &#8220;não vamos nos intimidar&#8221;.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Câmara vaiado, Alckmin poupado</h2>



<p>Nas duas cidades, o governador Paulo Câmara (PSB) foi vaiado ao ser anunciado no palco. Também sobraram vaias na entrada para Danilo Cabral e o prefeito do Recife, João Campos, mas não com o mesmo vigor. Em Garanhuns, porém, os ânimos se acalmaram e os três já não foram (tão) vaiados quando pegaram o microfone.</p>



<p>Em Serra Talhada, a plateia foi mais resistente. Ao iniciar sua fala, Paulo Câmara voltou a receber uma saraivada de vaias, misturado com aplausos da militância. Para evitar o climão, Lula se levantou e se posicionou ao lado do governador, encerrando os protestos.</p>



<p>O candidato à vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) passou incólume pelas vaias. Nas duas cidades, enfatizou ser a primeira vez que pisava nelas. Em Garanhuns, fez um discurso rápido em que repetia o bordão &#8220;Volta, Lula&#8221;. Em Serra Talhada, chamou o atual presidente de &#8220;bozo&#8221; e disse que ele não gosta do povo. E que tudo melhorará com a volta de Lula.</p>



<p>Antes do ato público em Garanhuns, Lula visitou a réplica da casa de infância em Caetés, cidade vizinha. Amanhã Lula tem um encontro com artistas no Teatro do Parque, seguido de almoço na casa de Danilo Cabral. Fechando a agenda em Pernambuco, o pré-candidato recebe a militância nesta quinta-feira no Classic Hall, em Olinda, a partir das 17h.</p>



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	                                        <p class="m-0">Multidão esperou quatro horas pelo discurso de Lula. Crédito: Géssica Amorim/MZ Conteúdo</p>
	                
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<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado como esse da cobertura das Eleições 2022 é caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa<a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">página de doação</a>ou, se preferir, usar nosso<strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong>.<br><strong><br>Nessa eleição, apoie o jornalismo que está do seu lado.</strong></cite></blockquote>



<p></p>
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		<title>Outdoors desafiam lei eleitoral e expõem ambição dos políticos do interior para eleitores da capital</title>
		<link>https://marcozero.org/outdoors-desafiam-lei-eleitoral-e-expoem-ambicao-dos-politicos-do-interior/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Feb 2022 11:23:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Desde o final do ano passado, eles estão em toda parte. Nas entradas e saídas do Recife, no caminho para o litoral norte, no caminho do litoral sul. Por boa parte da BR-232 que corta Pernambuco. Nas ruas da capital. Os outdoors com agradecimentos, elogios e parabenizações a políticos são práticas recorrentes no final e [&#8230;]</p>
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<p>Desde o final do ano passado, eles estão em toda parte. Nas entradas e saídas do Recife, no caminho para o litoral norte, no caminho do litoral sul. Por boa parte da BR-232 que corta Pernambuco. Nas ruas da capital. Os outdoors com agradecimentos, elogios e parabenizações a políticos são práticas recorrentes no final e no início de cada ano. Quando tem disputa eleitoral, então, eles se multiplicam. Mas a lei permite isso?<br><br>Outdoors e eleições têm sido um território nebuloso. Desde 2006 não é permitido qualquer tipo de propaganda eleitoral em outdoors, em qualquer época. &#8220;Propaganda em outdoor é uma propaganda cara. Os partidos menores alegavam que não teriam como competir financeiramente com os maiores e, em 2006, a lei 11.300 proibiu todo tipo de propaganda eleitoral em outdoors&#8221;, conta o procurador regional eleitoral em Pernambuco, Roberto Moreira de Almeida.<br><br>A pergunta muda: o que, então, é considerado propaganda eleitoral? Lembrando que, propaganda política pode, mas eleitoral não. Continua uma área nebulosa.<br><br>Há um vai e vem de interpretações por parte do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Até 2016, era entendimento no TSE que outdoors com congratulações e agradecimentos não eram propaganda eleitoral: não traziam projeto ou plano político, número de candidato, promessas ou pedido de votos.<br><br>A situação mudou em abril de 2019, durante um julgamento da eleição de 2018. O caso emblemático foi a denúncia de um candidato a deputado estadual em Pernambuco que espalhou 23 outdoors com os dizeres &#8220;Manoel Jerônimo: o defensor do povo! Seus amigos se orgulham por sua luta pelos invisíveis”. Ele recebeu uma multa de R$ 5 mil.<br><br>No mesmo dia, o Ministério Público Eleitoral levou ao TSE o caso da prefeita de Brejão, Beta Cadengue (PSB), que instalou um outdoor em uma festa com o nome de João Campos (PSB), que seria o candidato a prefeito do Recife pelo seu partido no ano seguinte. O TSE também condenou a prefeita a multa de R$ 5 mil, o mínimo previsto em lei.<br><br>No entanto, pouco antes, em 2018, o presidente do TSE, o ministro Luiz Fux, havia rejeitado um pedido de liminar do Ministério Público que solicitou a retirada de outdoors que diziam: “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos. Bolsonaro. Pela honra, moral e ética. Paulo Afonso &#8211; BA”. Fux baseou sua decisão afirmando que não estavam &#8220;presentes os elementos caracterizadores da propaganda eleitoral extemporânea&#8221;.<br><br>O que tem acontecido desde as eleições de 2018 é uma análise de caso a caso, com votações apertadas no TSE. Esta semana, por exemplo, o Partido Novo foi absolvido da denúncia propaganda eleitoral irregular durante a campanha eleitoral das Eleições Municipais de 2020. Foi uma votação de 4 x 3.<br><br>&#8220;É uma grande discussão, que tem ensejado várias decisões das cortes eleitorais de Pernambuco e do TSE. Em tese, o TSE entende que propaganda eleitoral é diferente de uma mera mensagem de felicitação. É necessário analisar caso a caso, ver se há referências, ainda que subliminares, há eleição e planos de governo&#8221;, comenta o procurador Roberto Moreira de Almeida.<br><br>Para a advogada eleitoralista Yanne Teles a propaganda em outdoors é um risco. &#8220;Eu, como advogada, digo para clientes que não façam esse tipo de propaganda. Geralmente não tem problema com elegibilidade, mas tem multa&#8221;, diz, acrescentando que, por ser uma penalidade branda, há quem arrisque. &#8220;Teve o deputado Romero Albuquerque que colocou vários outdoors no Recife na campanha da esposa. Pagou multa, mas conseguiu elegê-la vereadora&#8221;, diz.<br><br>O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) condenou em agosto de 2020 o deputado e a esposa, Andreza Romero, ambos do PP, a pagar uma multa de R$ 15 mil.<br><br>Essa foi a única penalidade para o casal nesse caso, mas o procurador Roberto Moreira lembra que a justiça pode ir além. &#8220;Pode ser aberta uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral. E, caso seja constatado que houve abuso de poder econômico ou político, por exemplo, a candidatura pode ser cassada e o pré-candidato ficar inelegível por até 8 anos&#8221;, cita.<br><br>Para o cientista político Túlio Velho Barreto, da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), esses outdoors não passam de uma forma de burlar a lei. &#8220;Ninguém está aparecendo nesses outdoors por vaidade. Estão com um objetivo claro, que é o de se manter ou se colocar em evidência. Estão lá para serem lembrados pelo eleitorado&#8221;, comenta.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>O que diz a lei</strong><br><br>&#8220;<em>É vedada a propaganda eleitoral mediante outdoors, sujeitando-se a empresa responsável, os partidos, coligações e candidatos à imediata retirada da propaganda irregular e ao pagamento de multa no valor de 5.000 (cinco mil) a 15.000 (quinze mil) UFIRs.</em></p><p><br><a href="https://www.tre-pe.jus.br/o-tre/ouvidoria" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>As denúncias podem ser feitas pelo site do TRE-PE</strong></a></p></blockquote>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O interior tem chances para o governo?</strong></h2>



<p>Raquel Lyra, Miguel Coelho, Anderson Ferreira, Luciano Bivar, Waldemar Borges, Romero Albuquerque, José e Wolney Queiroz, Túlio Gadelha e André de Paula foram alguns dos políticos estampados em outdoors que a reportagem da Marco Zero encontrou, além de Heleno Araújo, Presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). Na BR-232, no sentido para o interior, a profusão de outdoors era tamanha que dá para fazer ponderações sobre as próximas eleições. Será que há uma chance para um candidato do interior?<br><br>Túlio Velho Barreto considera que essa próxima disputa ao governo será aberta como há tempos não se via, sem favoritismos tão evidentes. Apontado como candidato do governo, Danilo Cabral (PSB) ainda não disputou majoritárias, nem ocupou cargos executivos.<br><br>&#8220;Hoje já há um distanciamento de Eduardo Campos do momento político que vivemos, já não existe uma escolha direta dele. Se o candidato fosse Geraldo Júlio, seria mais próximo, mas tudo leva a crer que será mesmo Danilo Cabral. Depois de um período longevo na prefeitura do Recife e no Governo do Estado, essa eleição tem um prognóstico menos evidente para que o PSB possa se impor a partir das heranças de Eduardo Campos e Miguel Arraes&#8221;, diz o cientista político.</p>



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	                                        <p class="m-0">Outdoors na BR-232 divulgam políticos do interior e da capital para eleitorado do estado. Crédito: Maria Carolina Santos/MZ Conteúdo </p>
	                
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<p>E é provável que duas forças do interior, com rostos estampados em outdoors na BR 232, sejam oposição ao PSB na disputa do governo. Raquel Lyra (PSDB), prefeita de Caruaru, e Miguel Coelho (do recém-formado União Brasil, fusão do PSL com o DEM), prefeito de Petrolina, se saírem candidatos, terão que quebrar uma hegemonia de décadas para ter sucesso.<br><br>Desde a redemocratização do Brasil não houve um governador que tivesse alcançado o Palácio do Campo das Princesas a partir do interior do estado. O último foi Nilo Coelho &#8212; da família oligárquica de Petrolina da qual Miguel é herdeiro &#8211;, que foi governador biônico entre 1967 e 1971, na ditadura militar. &#8220;Houve uma época em que para ser governador era um quase pré-requisito ter sido prefeito do Recife&#8221;, lembra Túlio, citando Miguel Arraes, Joaquim Francisco e Jarbas Vasconcelos. &#8220;Eduardo Campos quebrou essa lógica&#8221;, diz.<br><br>O cientista político Rodolfo Costa Pinto, do <a href="https://www.poder360.com.br/category/poderdata/">PoderData</a>, também cita a dificuldade territorial de uma candidato do interior. &#8220;Nunca é fácil para um candidato se inserir sem que já tenha tido uma vida política no Recife. Você transformar uma gestão municipal no interior, mesmo que em cidades importantes como Caruaru e Petrolina, como algo que mostre cacife para ser gestor estadual é algo difícil&#8221;, pondera Rodolfo. &#8220;Algumas pesquisas qualitativas mostram que o eleitor da Região Metropolitana do Recife tem uma resistência aos candidatos do interior&#8221;, afirma.<br><br>Mas, para Rodolfo, tudo vai depender das alianças políticas que poderão ser construídas por Raquel e Miguel nos próximos meses. Sobre Danilo Cabral, ele acha prudente esperar mais. &#8220;Prefiro aguardar as pesquisas para ver o real tamanho. É um candidato competitivo, e independentemente do nome, o PSB tem o grande trunfo de contar com o apoio de Lula&#8221;, diz.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Distância de Bolsonaro no cenário local</h3>



<p>Se o candidato do PSB pode sair já com o apoio de Lula, os demais devem manter distância do presidente Bolsonaro, se quiserem ter mais chances. &#8220;As eleições municipais já mostraram que não é uma boa ideia ter associação com Bolsonaro em Pernambuco&#8221;, avalia Túlio Velho Barreto.<br><br>Os dois possíveis candidatos do interior têm ligações bolsonaristas. Anderson Ferreira, prefeito de Jaboatão que também está em vários outdoors, é cotado para compor a chapa com Raquel Lyra, provavelmente para o senado. Ambos compõem o movimento de oposição Levanta Pernambuco. Recentemente, Anderson foi elogiado por Bolsonaro como &#8220;um excelente nome&#8221; para o governo de Pernambuco. É um apoiador de primeira hora do presidente e ambos estão hoje no mesmo partido, o PL.<br><br>Já Miguel Coelho &#8211; filho do senador Fernando Bezerra Coelho (MDB), que até dois meses atrás era líder do governo no senado &#8211; afirmou que permanece apoiando o Governo Federal. Mas também sinalizou um possível apoio a uma candidatura do ex-juiz Sérgio Moro &#8211; o Podemos, partido de Moro, é aliado de Coelho. Recentemente, o prefeito de Petrolina tem falado que não quer palanque exclusivo com nenhum candidato à presidência.<br><br>É esse discurso, de independência na eleição presidencial, que Túlio Velho Barreto aposta que será o utilizado pelos candidatos da direita em Pernambuco. &#8220;É um desgaste muito grande para esses candidatos optarem por apoiar uma reeleição que está batendo no teto de 25% de intenção de voto. É mais provável que optem por uma neutralidade na disputa nacional&#8221;, diz, lembrando que Raquel Lyra, Miguel Coelho e Anderson Ferreira estão em uma posição até confortável. &#8220;Nenhum dos três perde o cargo, já que são prefeitos. A posição de apoiar abertamente a reeleição de Bolsonaro em Pernambuco deve ficar com uma candidatura mais periférica, mais da extrema-direita&#8221;, afirma.</p>



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<p></p>
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		<title>Gravatá, a 81km: Se for, vá na paz</title>
		<link>https://marcozero.org/gravata-a-81km-se-for-va-na-paz/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Jul 2020 19:11:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[agreste]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[gravatá]]></category>
		<category><![CDATA[interior]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Gravatá &#8211; É quase um acontecimento diário. Toda vez que a Prefeitura de Gravatá posta o boletim do coronavírus na cidade, chovem comentários culpando os turistas pela disseminação da doença. Uns dizem que eles trouxeram o vírus para cá. Outros que eles vagueiam pela cidade sem usar máscaras. Uns denunciam as festas em condomínios. Há [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Gravatá &#8211; </strong>É quase um acontecimento diário. Toda vez que a Prefeitura de Gravatá posta o boletim do coronavírus na cidade, chovem comentários culpando os turistas pela disseminação da doença. Uns dizem que eles trouxeram o vírus para cá. Outros que eles vagueiam pela cidade sem usar máscaras. Uns denunciam as festas em condomínios. Há até quem culpe o prefeito Joaquim Neto (PSDB) por não ter fechado a cidade no começo da pandemia, para manter os forasteiros longe da cidade. <br><br>Ao ver a publicação do dia 20 de junho, com 25 mortes confirmadas (hoje já são 28) Valéria Castro Pereira ficou indignada. &#8220;O prefeito não fechou as entradas da cidade, deu nisso. Eu já sabia que isso iria acontecer. Falei várias vezes para a prefeitura e a resposta que tive foi que não podia proibir os donos de suas casas entrarem. Sim, e o exemplo de Fernando de Noronha? Lá zerou o número de pessoas doentes&#8221;.  Outra gravataense rebateu: &#8220;Já falei isso também. Todos têm suas casas fixas. Então que ficassem nelas!&#8221;.<br><br>A prefeitura de Gravatá se justifica afirmando que não tem como impedir a chegada dessas pessoas, pois muitos são proprietários em Gravatá. &#8220;Estamos fazendo o possível para tentar conter o vírus. Estamos informando o tempo inteiro da gravidade, através de boletins, carro de som, internet e rádio. É necessário a consciência de cada um. Estamos orientando, proibindo, mas não temos como proibir a saída de cada um&#8221;, responde, nos perfis das redes sociais. </p>



<figure class="wp-block-embed-wordpress wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-marco-zero-conteudo"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="bqn4DokBXQ"><a href="https://marcozero.org/agreste-pode-virar-epicentro-da-covid-19-em-pernambuco/">Agreste pode virar epicentro da Covid-19 em Pernambuco</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Agreste pode virar epicentro da Covid-19 em Pernambuco&#8221; &#8212; Marco Zero Conteúdo" src="https://marcozero.org/agreste-pode-virar-epicentro-da-covid-19-em-pernambuco/embed/#?secret=Wtwp8zt1XZ#?secret=bqn4DokBXQ" data-secret="bqn4DokBXQ" width="500" height="282" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>
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<p>No começo de abril, não havia nenhum caso confirmado na cidade. A primeira confirmação se deu no dia 13 daquele mês, após a Semana Santa. O primeiro óbito foi confirmado em 25 de abril. O boletim desta quinta-feira aponta 205 casos e 29 óbitos.  Desempregado, Luiz Oliveira trabalhava em um grande hotel, que dispensou todos os funcionários por conta da pandemia. Para ele, o aumento de casos é herança dos feriados: Semana Santa e o período junino. &#8220;A prefeitura afrouxou o laço para que os turistas fizessem da cidade um refúgio. E nós, que moramos na cidade, pagamos o pato&#8221;, diz, em entrevista à Marco Zero. <br><br> Ele critica uma medida recente, adotada na semana prévia do São João, que esticou o horário de funcionamento de supermercados de 15h para as 17h. &#8220;Aumentaram o tempo de funcionamento para agradar aos turistas. Mas deveria ser o contrário: os turistas têm que se adaptar à cidade. Sei que o turismo é a principal fonte de renda do município, mas não nesse momento. O correto deveria ser diminuir o fluxo de pessoas no município. É uma situação triste, mas não tem o que se fazer&#8221;, acredita. <br><br> Em nota, a prefeitura confirma que a mudança no horário foi mesmo para atender a maior demanda na cidade. &#8220;Considerando a  data véspera de feriado, considerando a limitação do numero de pessoas permitidas dentro dos supermercados e o aumento do fluxo da população no comércio&#8221;, diz</p>



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	                                        <p class="m-0">Cidade cheia no fim de semana do São João. Foto: MCS/MZC</p>
	                
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<p>O prefeito Joaquim Neto minimiza as queixas dos moradores. &#8220;Isso aconteceu mais no começo da quarentena. Essa questão já foi muito debatida. Agora as pessoas já entendem  a importância para a economia: as pessoas de fora se abastecem na cidade e voltam paras suas casas. Temos muitos serviços com delivery. As pessoas de fora garantem a geração de renda e compras no comércio. E não existem turistas aqui: existem pessoas que são gravataenses e pessoas que estão aqui. Há muito tempo que Gravatá não pertence apenas aos gravataenses, mas a todos&#8221;, diz.<br><br>Em Gravatá, há 250 condomínios, pelos cálculos da prefeitura. Hoje, quem quiser encontrar uma casa para alugar vai encontrar dificuldade. Com aluguel médio de R$ 3 mil por mês, uma casa de três quartos é artigo disputado. &#8220;A procura aumentou em 100%, a cidade está cheia. Só temos disponibilidade de casas agora para outubro, ou se alguém por acaso entregar uma casa antes. O público é uns 80% de pessoas do Recife, que não aguentaram ficar essa quarentena em apartamentos. Tem o perigo dos elevadores, de sempre encontrar pessoas no prédio&#8221;, conta o corretor imobiliário Anderson Oliveira, há oito anos trabalhando com aluguel e compra de imóveis na cidade. <br><br>Nesses quatro meses de crise sanitária, ele calcula que alugou umas 80 casas. E alugaria mais, se houvesse casas disponíveis. &#8220;Mas aluguel não dá dinheiro para corretor. O que dá é venda, e ainda está fraco o movimento. Mas acredito que muita gente por conta dessa pandemia vai passar a valorizar mais ter espaço e vai querer morar em uma casa&#8221;, diz ele. O preço médio de uma casa em condomínio em Gravatá gira em torno dos R$ 250 mil.  </p>



<h2 class="wp-block-heading">Combate ao coronavírus</h2>



<p>Mesmo os que pedem que a cidade seja fechada, reconhecem o trabalho preventivo da Prefeitura. Ele é ostensivo: a principal praça no Centro está fechada com grades. Há totens com pias e sabão perto da prefeitura e no mercado público. Há barreiras sanitárias que abordam os carros nas principais vias de acesso à cidade, com questionário e medição de temperatura. São 167 profissionais envolvidos. <br><br>A fila da Caixa Econômica, para os saques do auxílio emergencial, tem marcações. E há distribuição de máscaras nas filas e na feira livre &#8211; que teve seu horário reduzido. Tirando a semana anterior ao São João, o comércio de serviços essenciais funciona até às 15h, exceto padarias e farmácias. Nas ruas do centro, a reportagem encontrou a grande maioria da população usando máscaras. <br><br> A ordem no centro contrasta com o que se vê nas regiões onde há condomínios. Passeios a cavalo, grupos fazendo caminhadas sem máscara e barulho alto de festas são comuns aos fins de semana. Com quase 80 anos, Josefa Silva deixou o Recife com o marido para passar a quarentena em uma casa em condomínio. Queria levar sol, o que era difícil no apartamento em que mora no Recife. &#8220;A área de lazer está fechada, mas no São João escutamos barulho de festa&#8221;, conta.  </p>



<figure class="wp-block-embed-wordpress wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-marco-zero-conteudo"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="JT5wLFd6hy"><a href="https://marcozero.org/especialistas-alertam-ainda-e-cedo-para-reabrir-economia-em-pernambuco/">Especialistas alertam: ainda é cedo para reabrir economia em Pernambuco</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Especialistas alertam: ainda é cedo para reabrir economia em Pernambuco&#8221; &#8212; Marco Zero Conteúdo" src="https://marcozero.org/especialistas-alertam-ainda-e-cedo-para-reabrir-economia-em-pernambuco/embed/#?secret=VTCWv9bWOM#?secret=JT5wLFd6hy" data-secret="JT5wLFd6hy" width="500" height="282" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>
</div><figcaption>Movimento intenso no centro comercial da cidade (Foto: MCS/MZC)</figcaption></figure>



<p>A prefeitura afirma que a fiscalização nos condomínios é feita pelas Vigilâncias Sanitária e Ambiental através de barreiras itinerantes. Há também ouvidoria da prefeitura e do Ministério Público de Pernambuco. Mesmo assim, as denúncias são poucas.<br><br>Assim como muitos prefeitos do interior,  Joaquim Neto é um crítico à quarentena rígida que atinge hoje Caruaru e Bezerros. &#8220;Vitória de Santo Antão está cheia de casos e não tem <em>lockdown</em>. Por que?&#8221;, questiona, insinuando motivações políticas. Para ele, Gravatá não precisa de medidas mais rígidas. &#8220;Estamos com um trabalho muito bom na atenção básica. Fizemos kits e as pessoas com os sintomas leves que podem ser cuidadas em casa têm remédios e acompanhamento&#8221;, diz. </p>



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	                                        <p class="m-0">Grade fechando a praça. Foto: MCS/MZC</p>
	                
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<p>Na cidade, há 21 Unidades Básicas de Saúde. Só casos graves são testados, mas a prefeitura está tentando uma parceria com a Fundação Oswaldo Cruz para fazer uma pesquisa sorológica na população.<br><br> Único hospital de Gravatá, o Hospital Municipal Doutor Paulo da Veiga Pessoa não tem leitos de UTIs. São 20 leitos de enfermaria disponibilizados para os casos de Covid-19. Casos graves são encaminhados para o Recife. Uma nova ambulância foi comprada para uso exclusivo de casos de Covid-19. </p>



<h3 class="wp-block-heading"> Turismo médico</h3>



<p>Nas primeiras décadas do século XX, cidades como Gravatá, com clima mais amenos, eram bastante procuradas para tratar doenças pulmonares. &#8220;Acreditava-se que o ar mais puro e frio da serra contribuía para recuperar a saúde dos enfermos, principalmente de quem tinha tuberculose. E assim cidades como Gravatá e Garanhuns, por exemplo, tinham hospitais de repouso que recebiam essas pessoas&#8221;, conta o historiador e doutorando na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Diomedes Oliveira.<br><br> &#8220;É curioso, então, ver que décadas depois, em uma pandemia de um vírus que ataca o sistema respiratório, que as pessoas voltem a procurar Gravatá como um refúgio&#8221;, diz Diomedes, que também é gravataense.<br><br> O historiador lembra que o turismo tal qual como se vê hoje apareceu em Gravatá com a vinda do suíço José Luiz Truan. Ele chegou na cidade no final da década de 1960 e abriu aqui o primeiro restaurante de fondue do Nordeste, o Taverna Suíça, que existe até hoje. Ele também  inaugurou o Hotel da Serra, o primeiro da cidade com o conceito de hotel fazenda.</p>
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		<title>No meio de disputa entre municípios, quilombolas ficam sem médicos em plena pandemia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Helena Dias]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jun 2020 21:43:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[comunidades quilombolas]]></category>
		<category><![CDATA[covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[interior]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há três anos, os agentes de saúde sumiram e o clínico-geral deixou de fazer as visitas mensais à comunidade do quilombo Barro Branco, em Belo Jardim, no agreste pernambucano. Consequência de um conflito territorial entre o município e o vizinho São Bento do Una, a medida causou transtornos para os moradores. Com a pandemia de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há três anos, os agentes de saúde sumiram e o clínico-geral deixou de fazer as visitas mensais à comunidade do quilombo Barro Branco, em Belo Jardim, no agreste pernambucano. Consequência de um conflito territorial entre o município e o vizinho São Bento do Una, a medida causou transtornos para os moradores. Com a pandemia de covid-19, a ausência do serviço de saúde multiplicou a angústia das 80 famílias quilombolas. Mesmo assim, nenhum dos municípios assumiu a tarefa de oferecer assistência médica. </p>



<p>Curiosamente, se o assunto fosse educação, é possível que a prefeitura de Belo Jardim se prontifique a identificar e sanar problemas. Mas quando questionada a respeito da assistência em saúde, o posicionamento é de que o quilombo não faz parte da cidade e que pertence ao município de São Bento do Una, já que as terras quilombolas ficam localizadas exatamente na divisa entre as duas cidades.</p>



<p>Essas informações foram dadas pela própria prefeitura  de Belo Jardim em notas distintas das secretarias de Saúde e Educação. Pouco antes, a liderança e vice-presidenta da associação de moradores do quilombo, Elaine Lima, já havia alertado sobre a realidade de desassistência: “Não temos estrutura básica. Há três anos tiraram a agente de saúde que nos acompanhava e, com isso, o médico clínico geral que fazia visitas mensais também parou de vir. Quando a gente vai na prefeitura reivindicar, eles dizem que não somos mais do município”.</p>



<p>De acordo com a certificação da Fundação Palmares, dada ao quilombo Barro Branco em 2010, a comunidade está localizada de fato em São Bento do Una. Mas as relações políticas e de assistência desta população giram todas em torno de Belo Jardim e nenhuma decisão para sanar de vez essa contradição foi tomada efetivamente pelos dois municípios. </p>



<p>Belo Jardim argumenta em nota que a agente de saúde foi tirada da comunidade em resposta a um ofício feito por São Bento do Una solicitando a “retirada da agente das terras deles”. Contudo, na nota há diversos registros de ações feitas pela prefeitura no quilombo. Ações que comprovam um vínculo estabelecido entre população e poder público. Já a secretaria de Educação informa que há uma obra em processo de licitação destinada à única escola existente na comunidade. Ou seja, se a obra na escola for construída por Belo Jardim, os moradores entendem que estão sob jurisdição desse município.</p>



<p>Entre uma dificuldade e outra, a população quilombola segue sem saber em qual espaço reivindicar soluções para diversos problemas.</p>



<p>Elaine conta que a situação tomou uma proporção maior com a pandemia da Covid-19, porque a população tem dificuldades de fechar as entradas do quilombo, como orienta a Coordenação Estadual de Articulação de Comunidades Quilombolas de Pernambuco (CEACQ) para a restrição do acesso de não moradores às comunidades. O espaço do quilombo não está claramente delimitado, tem um histórico de invasões por parte de fazendeiros locais e está rodeado de outras comunidades.</p>



<p>“As pessoas não são quilombolas, mas moram por aqui e têm bares. É um entra e sai de gente e o que mais me deixa aflita é não poder fechar a comunidade e se proteger. Tivemos que ir até a prefeitura, no centro de Belo Jardim, para pedir que a campanha de vacinação contra a gripe chegasse em Barro Branco.”, acrescenta Elaine. No primeiro contato da reportagem com o quilombo, há duas semanas, a liderança comentou que havia acabado de levar uma pessoa da comunidade para ser socorrida no Recife. Felizmente, o caso não foi confirmado como covid-19.</p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Magda Silva</p>
	                
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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>LEIA TAMBÉM: <a href="https://marcozero.org/em-jaqueira-pernambuco-a-violencia-no-campo-nao-fica-de-quarentena/">Em Jaqueira (PE), a violência no campo não respeita quarentena</a></p></blockquote>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Belo Jardim tem até escola em obras</strong></h2>



<p>A obra em licitação citada pela prefeitura de Belo Jardim é da Escola Municipal Maria Bezerra e Renovato, a única existente no quilombo e que dá conta apenas de estudantes que estão no Ensino Fundamental I. Lá, as aulas têm que ser suspensas nos períodos de chuva, porque o telhado já não dá conta do recado. A unidade escolar é recente, foi construída há dois anos. Em nota, Belo Jardim diz que tem aproveitado o período de pandemia para visitar as escolas do município e “implementar pequenas reformas”.</p>



<p>Estudantes do Ensino Fundamental II do quilombo Barro Branco estão matriculados em São Bento do Una, na Escola Municipal Manoel Rodrigues. Já os do Ensino Médio saem da comunidade e vão até Belo Jardim para ter aulas. Questionada sobre a possibilidade da oferta para o Ensino Fundamental II dentro do quilombo, a prefeitura afirma se comprometer “a buscar formas de sanar essa dificuldade encontrada”, mas lembra que o poder público oferece transporte para levar estes estudantes também para a rede de Belo Jardim.</p>



<p>A oferta para o Ensino Médio fica a cargo do governo estadual.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>LEIA TAMBÉM: <a href="https://marcozero.org/quilombolas-temem-impacto-do-coronavirus-e-sofrem-com-descaso/">Quilombolas temem impacto do coronavírus e sofrem com descaso</a></p></blockquote>



<h3 class="wp-block-heading">Sem água, a<strong>gricultores têm apoio de ONG</strong></h3>



<p>O Centro Diocesano de Apoio ao Pequeno Produtor (Cedapp), que tem sede em Pesqueira, dá assessoria e assistência técnica aos agricultores do quilombo Barro Branco. Há nove anos, realiza o trabalho de fortalecimento associativo, gerenciamento dos recursos naturais disponíveis no local e incentivo à geração de renda junto à comunidade. Ao todo, são 40 famílias quilombolas associadas que mantém plantações diversificadas e criações de animais de pequeno porte. Isso voltado primeiramente para a subsistência. A necessidade da fome é urgente, já que nem as cestas básicas da Fundação Palmares tem chegado ao local há mais de um ano.</p>



<p>“A dificuldade maior é a da falta de água lá no quilombo. As famílias só conseguem produzir em tempos de chuva. Estamos incentivando a criação de caprinos no momento, já que elas criam muitos suínos.”, explica o técnico de referência do Cedapp responsável pela comunidade, Leandro dos Santos Silva.</p>



<p>Segundo o centro, sete famílias associadas faltam receber cisternas para uso humano. A organização não tem um levantamento sobre cisternas voltadas para a agricultura, mas atenta para o fato de que a falta de abastecimento d&#8217;água é um grande percalço para a geração de renda. Barro Branco participa da feira da Agricultura Familiar de Belo Jardim, mas não tem condições de participar de programas de aquisição de alimentos porque a falta de água dificulta a regularidade e constância da produção.</p>



<p>Por meio de articulação do Cedapp, o quilombo foi contemplado com um projeto que vai construir uma sede para a associação. Atualmente, há um “Espaço Sagrado”, como chama a liderança Elaine Lima, que fica impossibilitado de acolher as reuniões e os momentos coletivos da população quilombola quando o período de chuvas chega. “Tudo o que é nosso, todas as nossas reuniões e e encontros acontecem debaixo dessa tenda”.</p>



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	                                        <p class="m-0">Visita da Secretaria de Cultura de Belo Jardim ao quilombo Barro Branco, para ação de fabricação de peças de barro feita com os moradores. Crédito: Prefeitura de Belo Jardim</p>
	                
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<p>A reportagem da Marco Zero também procurou a secretaria de Cultura de Belo Jardim para coletar respostas sobre quais medidas serão tomadas para estruturar o espaço que tem significado cultural e político para Barro Branco. Em nota, a pasta afirma que entrará em contato Elaine e “estudará a melhor forma de atender as necessidades da Comunidade Remanescente Quilombo Barro Branco”. Ainda, acrescenta que não pode “dar um prazo” para solucionar, apenas quando for feita a “diagnose”. </p>



<p>A nota da área Cultura sequer mencionou uma suposta indefinição territorial.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>LEIA TAMBÉM: <a href="https://marcozero.org/pl-da-grilagem-pode-ampliar-conflitos-e-mudancas-climaticas-no-nordeste/">“PL da grilagem” pode ampliar conflitos e mudanças climáticas no Nordeste</a></p></blockquote>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Organização política e conflitos</strong></h3>



<p>Acompanhando a comunidade nos últimos dois anos, Leandro dos Santos Silva fala que Barro Branco é marcado por antigos conflitos de terra e invasões que consequentemente levaram a falta de delimitação sobre o território quilombola. Elaine Lima fala que há uma dificuldade ainda muito grande da própria população se reconhecer como remanescente de quilombo e isso acarreta a falta de mobilização diante da luta pelos direitos de seu povo. Contudo, em nenhum momento da entrevista, a liderança se mostra desacreditada de que pode mudar a realidade atual.</p>



<p>“Estamos aqui há mais de 100 anos, temos pessoas ainda muito antigas. Quando fomos certificados pela Fundação Palmares foi por causa da nossa ancestralidade”.</p>



<p>Esta mesma comunidade tem se sentido ameaçada com o comportamento recente de alguns capatazes das fazendas locais que andam de cavalo pelas terras, ostentando armas, e fazendo a proteção de cercas que foram erguidas ao longo dos anos dentro do território quilombola.</p>



<p>Quando a prefeitura de São Bento do Una se posicionar, o texto será atualizado.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/no-meio-de-disputa-entre-municipios-quilombolas-ficam-sem-medicos-em-plena-pandemia/">No meio de disputa entre municípios, quilombolas ficam sem médicos em plena pandemia</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Agreste pode virar epicentro da Covid-19 em Pernambuco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carol Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 May 2020 19:58:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[contágio Covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
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<p>Casos da Covid-19 estão em ritmo acelerado no interior do estado, particularmente em direção ao Agreste, região que apresenta hoje a maior expansão no número de casos e pode vir a ser o novo epicentro da pandemia em Pernambuco. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (13) pelo Centro Integrado de Estudos Georreferenciados (Cieg) da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), a partir de um levantamento realizado com os números de casos confirmados entre 27 de abril e 11 de maio.</p>



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	                                        <p class="m-0">Gráfico mostra as cidades com as 20 maiores variações percentuais de casos confirmados Covid-19 entre 27 de abril e 11 de maio em Pernambuco. Fonte: Fundaj</p>
	                
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<p>“O somatório de casos nas cidades do Agreste, no limite até Arcoverde, faz com que o epicentro seja atraído para esta região. Recife, apesar de ainda ter a maior quantidade de casos em números absolutos, perde força no ritmo de expansão e passa a chamar a atenção o crescimento do contágio nas pequenas e médias cidades do entorno de Caruaru, por exemplo”, explica o coordenador do Cieg, Neison Freire, destacando os municípios de Pesqueira e Bezerros, que apresentaram variações de 500% e 400%, respectivamente.</p>



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	                                        <p class="m-0">Gráfico mostra variação percentual de número de casos em Pernambuco. Fonte: Fundaj</p>
	                
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<p>Os dados também alertam para casos isolados, como a cidade de Itapissuma, no litoral Norte da Região Metropolitana do Recife, que passou de três para 22 casos em 15 dias, uma variação de 633%, a maior registrada no estudo. Em seguida, vieram Ibimirim, no sertão, e Passira, na Zona da Mata Norte, com variação de 600% cada. “Esses casos precisam ser avaliados em função das ações públicas ou coletivas que estejam sendo realizadas e possíveis características territoriais, como o isolamento geográfico, menor circulação de pessoas e mercadorias e menor densidade populacional, por exemplo”, completa.</p>



<figure class="wp-block-embed-youtube aligncenter wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="ratio ratio-16x9"><iframe title="Interiorização de casos de Covid-19 em PE" width="500" height="375" src="https://www.youtube.com/embed/DtIzOhtmbHU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
</div><figcaption>Evolução dos casos no estado de 06 de abril a 06 de maio em vídeo cedido pela Fundaj</figcaption></figure>



<p>Para Neison Freire, é preciso avaliar estes crescimentos e planejar ações a partir das características de cada território de um estado bastante extenso e que tem características da rede urbana completamente diferentes, com ampla desigualdade social. Hoje, há registro de casos em 142 dos 185 municípios do Estado e a estimativa é de que até o final de maio todas as cidades de Pernambuco tenham pelo menos um caso registrado. “Isso traz riscos à população. Os graus de risco podem ser aumentados em função das precariedades de acesso à saúde, especialmente à saúde pública nas regiões mais isoladas, o que causa grandes preocupações em função dos tratamentos intensivos que são necessários para o tratamento da Covid-19”, aponta.</p>
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