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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Espancado em praça pública, presidente do PT de Abreu e Lima denuncia ter sido vítima de ataque homofóbico</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Nov 2023 20:28:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O estudante de economia Cleyton Manoel, secretário estadual de juventude do PT e presidente do diretório municipal do partido em Abreu e Lima, foi espancado e xingado com ofensas homofóbicas por um desconhecido na noite de sábado (11). Por telefone, o jovem contou que as agressões iniciaram enquanto fazia compras na loja de conveniência de [&#8230;]</p>
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<p>O estudante de economia Cleyton Manoel, secretário estadual de juventude do PT e presidente do diretório municipal do partido em Abreu e Lima, foi espancado e xingado com ofensas homofóbicas por um desconhecido na noite de sábado (11). Por telefone, o jovem contou que as agressões iniciaram enquanto fazia compras na loja de conveniência de um posto de gasolina, no centro de Abreu e Lima, na Região Metropolitana do Recife. </p>



<p>O agressor passou a proferir xingamentos lgbtfóbicos contra ele, que preferiu sair antes e seguiu de volta para casa sozinho para evitar confusão, sem a companhia dos amigos que tinham chegado no posto de gasolina com ele. Enquanto caminhava, foi seguido pelo homem. De acordo com Cleyton, na altura da principal praça da cidade, o desconhecido o atacou com socos no rosto e aplicou o golpe conhecido como &#8220;mata-leão&#8221;, que o deixou desacordado. O militante petista foi socorrido para a UPA de Igarassu pelos amigos que chegaram na praça logo depois. </p>



<p>As agressões foram denunciadas na página pessoal do instagram. “Hoje venho relatar a vocês que, infelizmente, entrei nas estatísticas da violência LGBTfóbica que oprime, agride e mata nossa população diariamente”, relatou. Além das agressões, o jovem ainda teve os óculos quebrados e o celular roubado.  </p>



<p>Cleyton contou que, neste momento, está na casa da mãe, recebendo cuidados de parentes e amigos. No entanto, ainda são grandes as marcas deixadas pela agressão. “Apesar da dor mais profunda é a que parte da sensação de impunidade daqueles que nos agridem e matam. O ódio que foi instalado na sociedade precisa ser combatido diariamente, para que nenhuma mais sofra e para que nenhuma mais morra”.</p>



<p>Muito abalado, ainda não procurou a delegacia para prestar queixa, contudo, vai registrar uma denúncia formal na Polícia Civil assim que estiver recuperado física e emocionalmente.</p>



<p>O PT Pernambuco se posicionou em apoio ao jovem: &#8221; Lamentavelmente, Cleyton se tornou mais uma vítima dessa triste estatística que agride e mata a nossa população diariamente. Exigimos que os órgãos competentes investiguem e punam, conforme a Lei, o responsável por mais esse ato violento de LGBTfobia.</p>



<p>Infelizmente, esse episódio gravíssimo não é um fato isolado, sendo mais uma manifestação violenta da homofobia que estrutura as relações sociais no Brasil, líder mundial nas estatísticas de assassinatos de pessoas LGBTQIAP+, segundo relatório da Transgender Europe (TGEU).</p>



<p>Expressamos nossa total solidariedade ao companheiro Cleyton Manoel e colocamo-nos à disposição para garantir que seus direitos sejam respeitados.&#8221;</p>





<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><br><strong>Uma questão importante!</strong></p><p><em>Se você chegou até aqui, já deve saber que colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa </em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a> </strong><em>ou, se preferir, usar nosso </em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em></p><p><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></p></blockquote>
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		<title>Negro e gay, o sargento da PM que &#8220;luta pela existência das pessoas&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Nov 2023 12:31:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[lgbtfobia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Cristian Goés, do portal Mangue Jornalismo “A minha pele preta é meu manto de coragem, impulsiona o movimento e envaidece a viadagem”. Esta frase, da música Bixa Preta, de Linn da Quebrada, abre a conclusão da dissertação de Mestrado em Sociologia de Tiago Damasceno Pereira na Universidade Federal de Sergipe (UFS). Esse trabalho é [&#8230;]</p>
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]]></description>
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<p><strong>por Cristian Goés, do portal <a href="https://manguejornalismo.org/negro-e-gay-policial-militar-se-debrucou-sobre-o-ciclo-de-violencia-contra-corpos-pretos-de-almas-coloridas-e-trabalho-e-finalista-de-premio-nacional/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Mangue Jornalismo</a></strong></p>



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<p>“A minha pele preta é meu manto de coragem, impulsiona o movimento e envaidece a viadagem”. Esta frase, da música Bixa Preta, de Linn da Quebrada, abre a conclusão da dissertação de Mestrado em Sociologia de Tiago Damasceno Pereira na Universidade Federal de Sergipe (UFS). Esse trabalho é um dos finalistas do mais importante prêmio acadêmico do Brasil, o da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs).</p>



<p>Tiago Damasceno é sargento da Polícia Militar em Sergipe há 18 anos e buscou uma outra trajetória nesse campo. Fez Administração e Psicologia na UFS, é mestre em Sociologia e doutorando nessa mesma área e instituição. O policial é também membro da Rede Nacional de Operadores em Segurança Pública LGBTQIA+ (Renosp) e realiza pesquisas políticas públicas, LGBTQIA+, racismo, preconceito e discriminação, saúde mental, trabalhando com minorias, diferenças, desigualdades e conflitos sociais.</p>



<p>“Ser policial militar, declaradamente gay, não é fácil. […] Como agente da segurança pública, como ativista de movimento social, como cidadão, tenho o dever em lutar pela existência das pessoas”, respondeu Tiago Damasceno à entrevista<strong>da Mangue Jornalismo</strong>no final da manhã de ontem.</p>



<p>A dissertação dele, que é finalista do prêmio da Anpocs, recebeu o título de “Negro e gay: do fetiche à discriminação”. O trabalho foi orientado pelo professor Petrônio José Domingues e também já foi transformado em livro pela editora da Secretaria de Estado da Educação e Cultura. O livro está disponível gratuitamente em formato digital. <strong><a href="https://drive.google.com/file/d/1FefnNzJpsPhJUWsm1oV-9EMo9A6DP565/view">Baixe aqui</a></strong>.</p>



<p>Em seu trabalho, Tiago “questiona os processos de invisibilização do ser negro e gay aos vínculos afetivos, perpassando ao seu apagamento nos movimentos sociais, findando às excludentes nas políticas públicas”. Para ele, “numa sociedade racista, capitalista e patriarcal, discutir sobre afetividades negras configura-se como um elemento importante no processo de descolonização do pensamento e, sobretudo, de resgate à humanidade que lhes foi negada em séculos de escravidão”.</p>



<p>Na entrevista para a Mangue, Tiago afirma que “a cor da pele e a orientação sexual influenciam significativamente as relações afetivas, no acolhimento dos movimentos sociais, assim como o acesso à saúde, à educação e aos serviços sociais básicos, reforçando, assim, o ciclo de violências em que o negro gay vem sofrendo no Brasil”.</p>



<p class="has-text-align-center"><strong>***</strong></p>



<p><strong>Mangue Jornalismo – O que motivou você, quais incômodos, percepções, problemas fizeram o sujeito-pesquisador mergulhar no tema do racismo e da lgbtfobia?</strong></p>



<p><strong>Tiago Damasceno</strong> – A luta das minorias sociais faz parte da minha trajetória pessoal, profissional e acadêmica enquanto psicólogo (voluntário de ONGs da comunidade LGBTQIA+) e policial militar do estado de Sergipe, além de membro do movimento social – Renosp (Rede Nacional de Operadores de Segurança Pública – LGBTQIA+), com a perspectiva em investigar o enfrentamento e sobrevivência a todo e qualquer preconceito e discriminação. Ainda na graduação em psicologia, realizei uma pesquisa inerente ao preconceito explícito e implícito de policiais militares heterossexuais contra policiais militares homossexuais e suas manifestações de discriminação dentro da corporação. Os achados apontaram para a não manifestação de preconceito e discriminação explícito, até aqui confirmando a tese que o combate à intolerância é uma das mais importantes áreas de avanço do Direito característico das modernas democracias ocidentais. Porém, ao aprofundar os estudos, foi evidenciado o preconceito implícito e suas práticas excludentes dentro da corporação. Esta trajetória de pesquisas sobre preconceito e discriminação teve continuidade, assistir ao documentário de Dagmar Schultz <em>Audre Lorde – The Berlin Years 1984 to 1992 (2012)</em>. Audre Geraldine Lorde é uma escritora caribenha-americana, feminista, negra, lésbica e ativista dos direitos civis. Ao estudar sobre racismo, abri os olhos para a maior violência humana.</p>



<p><strong>Como você encara essa pesquisa sendo sargento da Polícia Militar? Ao que parece, estamos falando de um local historicamente atravessado de preconceito e discriminação seja contra o negro e, talvez com maior força, contra gays. É isso?</strong></p>



<p>Ser policial militar, declaradamente gay, não é fácil. Entretanto, sendo de classe média, pardo, comportamento heteronormativo, traz alguns privilégios de pertencimento. Como agente da segurança pública, como ativista de movimento social, como cidadão, tenho o dever em lutar pela existência das pessoas e a academia é um veículo que dissemina informação, ciência, mas também, propaga resistências. Precisamos desafiar os sistemas para podermos avançar em todas as esferas, sociais, políticas, econômicas, culturais e encorajar outros. Este é um exercício do movimento social do qual faço parte, a Renosp.</p>



<p><strong>O que a relação negro e gay indica em termos de fetiche na sociedade brasileira? O que você chama de fetiche? Você avalia que isso é estrutural em nossa sociedade?</strong></p>



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<p>A palavra “fetiche” foi empregada pela primeira vez em 1756, pelo escritor francês Charles de Brosses. Desde então, a concepção pelo que é fetichismo variou muito. Derivada da palavra portuguesa &#8216;fetisso&#8217; (atualmente, feitiço), a noção proposta pelo francês era atinente aos cultos africanos e aos símbolos que deixavam os colonizadores impressionados. Mais tarde, o termo foi resgatado por pensadores como Marx, Freud, Kant, entre outros, e aos poucos um novo sentido foi adquirido. Segundo a psicanálise, “fetiche” é o desvio do interesse sexual para o corpo, ou partes deste, do parceiro (a), com a função fisiológica, para cenários ou locais inusitados, para fantasias de simulação. Na pesquisa trouxemos a realidade do negro gay, ao ser tipificado na categoria de não afeminado (hipermasculinidade) ou estereotipar a preferência sexual e seu dote, que seja o “fetiche”, que seja o brinquedo, trazendo o gay negro como o forte e reprodutor da época da escravidão, mantendo-o ainda hoje como símbolo de virilidade e potência, ou até mesmo no uso da expressão “não curto negros”.</p>



<p><strong>A gente poderia dizer que numa escala avaliativa de preconceito e discriminação social, o que mais sofre é o negro gay? E isso também ocorreria nos ambientes que deveriam ser de acolhimento, como movimentos negros ou comunidade LGBTQIA+?</strong></p>



<p>Percebemos que as mulheres negras foram excluídas das pautas no Movimento Negro em decorrência do machismo, assim como foram preteridas no Movimento Feminista devido ao racismo, levando-as a uma nova trajetória política e práticas mobilizatórias em prol de suas especificidades. Do mesmo modo, percebemos o percurso dos homens negros gays, os quais sofrendo racismo no Movimento LGBTQIA+ e lgbtfobia no Movimento Negro estão se articulando em novos coletivos, numa perspectiva interseccional, a fim de compreender os melhores processos ao atendimento real de seus dilemas e reivindicações. O não acolhimento dos sujeitos justapostos, invisibilizados aos movimentos “tradicionais”, vêm provocando a construção de novos grupos de luta, fomentando a tese que os indivíduos acumuladores de condições minoritárias tendem a se organizar entre aqueles que se identificam em todo o conjunto do seu eu, entre o aglomerado de suas subjetividades, viabilizando suas existências perante o afeto, às lutas sociais e o pertencimento enquanto cidadãos.</p>



<p><strong>A gente poderia falar numa tripla e profunda camada de preconceito e discriminação diante de uma pessoa negra, gay e pobre? Ou seja, você chegou a perceber no seu trabalho a condição de classe?</strong></p>



<p>As políticas de afirmação do negro continuamente incidiram à questão da mobilidade social. Seus defensores asseguram que desalinhando a disfunção de classes, solucionaria o problema do negro, o qual teria mais acesso à educação e à profissionalização, por exemplo. Mas, segundo Kabengele Munanga, a discriminação racial é um dos obstáculos fundamentais à mobilidade, pois alguns são preteridos, apenas por seus atributos físicos. O racismo é uma “desumanização”, o que aloca a vítima em um arranjo inferior sempre que acareada com um branco. Existem inúmeras formas de relacionar questões como raça, classe, gênero, identidade sexual e uma série de outras categorizações sociais, que não são binárias e que na maioria das vezes são impostas por grupos para exercer poder sobre determinados sujeitos. Diante dos papéis presumíveis que a sociedade pode expor, Foucault nos proporciona duas tecnologias de poder, divididas em duas séries: série corpo — organismo/disciplina/instituições, que são os mecanismos disciplinares e a série população — processos biológicos (que são os mecanismos regulamentares)/Estado. Não tem como não correlacionar a condição de classe com esta temática.</p>



<p><strong>Na vida, o que implica a relação do corpo negro e gay, por exemplo, no campo das políticas pública, no acesso à saúde, à educação, à segurança e aos serviços sociais básicos? Estamos falando de sujeitos e políticas invisíveis?</strong></p>



<p>Sob este segmento de políticas públicas, trago em meu artigo “Percepção de professores LGBTQIA+ negros acerca da lgbtfobia e do racismo no mundo do trabalho”, pesquisa apresentada em julho de 2020, no 20º Congresso Brasileiro de Sociologia, uma análise acerca da identidade social e a conjuntura organizacional sob a ótica da discriminação em local de trabalho direcionada a professores LGBTQIA+ negros de escolas públicas e privadas. Quanto à saúde pública, de acordo com meu artigo “Da população LGBTQI+ negra, covid-19 e crise da democracia”, trabalho apresentado ao III Seminário Nacional de Sociologia do PPGS/UFS, em outubro de 2020, desde dezembro de 2019, o mundo vinha registrando crescentes casos de infecção respiratória por um novo vírus, o Sars-CoV-2, o qual causa a COVID-19, as pessoas LGBTQIA+ negras continuam a sofrer discriminação, atitudes hostis e falta de entendimento tanto de funcionários quanto do sistema de saúde em si e, como resultado, muitos relutam em procurar atendimento médico, exceto em situações que parecem urgentes – e talvez nem quando a este nível. Quanto à Segurança Pública, segundo meu artigo “Interlocução policial: critérios na escolha dos abordados”, trabalho apresentado no XLIV encontro anual da Anpocs, percebe-se que, em sua essência, as ações, metas e planos de governo não são democráticos (não atendem, efetivamente, aos grupos minoritários), particularmente no combate à lgbtfobia e racismo estrutural.</p>



<p><strong>Uma questão que sempre se apresenta é a desmilitarização da polícia. Como sujeito que é agente de segurança, negro e gay, você acha que a desmilitarização da polícia teria efeitos práticos na forma como esse aparato estatal tem historicamente lidado com pessoas LGBTQIA+ e pretas?</strong></p>



<p>A desmilitarização da polícia traria mudanças significativas para a sociedade. Para que seja tomada tal medida teria que ser bem planejada, devendo, em um primeiro momento, ter a união dos Governos Federal, Estaduais e Municipais para que se estabeleça uma nova estrutura organizacional da polícia, diminuindo os gastos com armamentos e investindo em inteligência e tecnologia. E, por fim, investir mais na educação, de modo que se faça mais atuante nesse processo, nas escolas e na mídia, através de programas e debates, buscando aproximar os policiais e a sociedade, gerando mais respeito e segurança para ambos.</p>



<p><strong>Se você pudesse apontar, quais as três principais conclusões que você chegou ao seu trabalho?</strong></p>



<p>Essa pesquisa nos permitiu apreender os variados aspectos acerca do preconceito e discriminação sofridos pelas minorias sociais em nosso país. Resistência, renascimento e empoderamento são as perspectivas em que os negros homossexuais vêm se amoldando. No sentido em pauta, as entrevistas nos indicaram um quadro amplamente crítico nesse viés, ou seja, a cor da pele e a orientação sexual influenciam, significativamente, as relações afetivas e o acolhimento dos movimentos sociais, assim como o acesso à saúde, à educação e aos serviços sociais básicos, reforçando, assim, o ciclo de violências em que o negro gay vem sofrendo no Brasil. No campo do indivíduo e suas afetividades foi corroborada a hipótese em que a sociedade institui estereótipos sobre corpos e comportamentos, construindo um traçado simplista, mas sustido de modo apurado e que não se baseia fundamentalmente em expressivas vivências direta.</p>



<p><strong>Como foi receber a notícia de que sua dissertação é finalista de um dos prêmios mais importantes no país no campo da Sociologia?</strong></p>



<p>Fui tomado pela surpresa, pois fui inscrito pela PPGS/UFS, ou seja, o programa de pós-graduação em Sociologia acreditou na temática, apostou na importância da pesquisa e submeteu ao edital. Eu e o meu orientador, o professor Petrônio Domingues comemoramos o status de finalistas e acreditamos no potencial da dissertação. A dissertação já está no formato de livro impresso e digital, por meio de uma política pública do estado de Sergipe, por meio da editora SEDUC, ou seja, já temos o conteúdo disponível nas bibliotecas das escolas públicas de todo nosso estado. Esse era meu objetivo com o mestrado, ultrapassar as fronteiras da UFS.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><p><em>Se você chegou até aqui, já deve saber que colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa </em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a> </strong><em>ou, se preferir, usar nosso </em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em></p><p><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></p></blockquote>
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		<item>
		<title>Em Pernambuco, maioria das candidaturas ao governo ignora LGBTI+ nos seus planos</title>
		<link>https://marcozero.org/em-pernambuco-maioria-das-candidaturas-ao-governo-ignora-lgbti-nos-seus-planos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Sep 2022 14:57:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[eleições Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[lgbtfobia]]></category>
		<category><![CDATA[LGBTI+]]></category>
		<category><![CDATA[pessoas trans]]></category>
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		<category><![CDATA[políticas de gênero]]></category>
		<category><![CDATA[travestis]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Raíssa Ebrahim (Marco Zero) e Camilla Figueiredo (Agência Diadorim) Em Pernambuco, um dos estados brasileiros com maior índice de violência contra LGBTI+, sete dos 11 candidatos ao governo não citam propostas para essa população nos seus programas. É isso que aponta uma análise feita pela Agência Diadorim e a Marco Zero Conteúdo, com base [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Por Raíssa Ebrahim (Marco Zero) e Camilla Figueiredo</strong> (<strong><a href="https://www.adiadorim.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Agência Diadorim</a></strong>)</p>



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<p>Em Pernambuco, um dos estados brasileiros com maior índice de violência contra LGBTI+, sete dos 11 candidatos ao governo não citam propostas para essa população nos seus programas. É isso que aponta uma análise feita pela Agência Diadorim e a Marco Zero Conteúdo, com base nos documentos protocolados por cada candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).</p>



<p>A pesquisa Ipec divulgada na última quarta-feira (21) para o governo estadual mostra que a candidata Marília Arraes (SD) segue na liderança, com 33% das intenções de voto, cinco pontos percentuais a menos do que no levantamento anterior do instituto, divulgado no dia 6. Na segunda colocação, Danilo Cabral (PSB), Raquel Lyra (PSDB), Miguel Coelho (União Brasil) e Anderson Ferreira (PL) estão numericamente empatados, todos com 11%. A margem de erro da pesquisa é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.</p>



<p>Na liderança da corrida eleitoral, Marília Arraes não cita uma só vez a sigla LGBTI+ em seu plano de governo. Ela deixou de fora esse grupo até mesmo no trecho em que afirma “combater as desigualdades, especialmente aquelas estruturadas pelo racismo, o machismo e a discriminação de classe.&#8221; &#8220;Nosso estado será de todas as cores, de todas as pessoas! Igualdade de gênero, raça, direito à diversidade de pensamento e crença, serão tratados como garantias constitucionais, conquistas do estado brasileiro”, diz o texto da candidata.</p>



<p>Danilo Cabral, por sua vez, apoiado pelo atual governador do estado, Paulo Câmara, incluiu em um eixo dedicado à “proteção e emancipação social, garantia de direitos e políticas específicas” um tópico em “defesa dos direitos, atenção específica e condições para inclusão socioeconômica da população LGBTQIA+&#8221;. A proposta, porém, é genérica e não explica quais serão as ações efetivas.</p>



<p>Já Raquel Lyra, ex-prefeita de Caruaru, no Agreste pernambucano, reconhece em seu programa de campanha que pessoas vítimas de preconceito “simplesmente por serem quem são” sofrem com “a exclusão social e o ultraje da violência”, mas não propõe qualquer projeto de reverter essa realidade.</p>



<p>Os candidatos Anderson Ferreira, correligionário do presidente Jair Bolsonaro, e Miguel Coelho, excluíram completamente LGBTI+ das suas propostas de gestão encaminhadas ao TSE.</p>



<p>Dos 11 postulantes ao cargo de chefe do Executivo de Pernambuco, seis não passaram de 1% na pesquisa do Ipec. Desses candidatos, três têm propostas diretas para a população LGBTI+ do estado: Claudia Ribeiro (PSTU), João Arnaldo (PSOL) e Jones Manoel (PCB), principalmente nas áreas de educação, saúde e segurança. Embora reconheça a necessidade de enfrentar “divisões” e “preonceito”, o pastor Wellington (PTB) não cita qualquer plano para isso. Jadilson Bombeiro (PMB) e Ubiracy Olímpio (PCO) ignoraram completamente a pauta.</p>



<p>Entre todas as candidaduras ao governo de Pernambuco, a campanha de Jones Manoel é a que mais tem propostas para lésbicas, gays, bissexuais, trans, travestis e intersexo: são quase oito páginas de programa dedicadas a essa população, no tópico intitulado “Programa LGBTQ+”.</p>



<p>Dentre as 19 propostas do representante do Partido Comunista Brasileiro, estão criar casa de atenção integral a travestis e pessoas trans, com espaços formativos para empregabilidade, seguindo modelo da carta-proposta da RATTs, com assistência financeira por tempo de atividade dentro da casa; aprovar lei de cota de trabalho trans e travesti no setor público; promover campanhas de conscientização e educação sexual; ampliar programas de saúde no SUS; criar conselho popular LGBTI+ dentro da Secretaria de Saúde, composto pela própria população, além de questões de acolhimento, atenção psicossocial, formação, geração de estatísticas, entre outras.</p>



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<h2 class="wp-block-heading"><strong>“Precisamos de pertencimento”</strong></h2>



<p>“Estamos fartas de inclusão, precisamos de pertencimento”. A afirmação é de Caia Maria, conselheira estadual dos direitos da população LGBT em Pernambuco. “A grande diferença entre as duas coisas é que, no pertencimento, nós não somos apenas ouvidas. Nós queremos estabelecer um diálogo político, com resultado concreto das nossas falas, com respostas”, explica ela, que é articuladora política e vice-coordenadora da Nova Associação de Travestis e Pessoas Trans de Pernambuco (Natrape) e também faz parte da Rede Autônoma de Travestis e pessoas Trans de Pernambuco (RATTs-PE).</p>



<p>Caia concorda que a falta de aprofundamento das pautas LGBTI+ nos planos de governo tem a ver com o cenário político atual no Brasil, uma vez que candidatos e candidatas estão precisando conquistar votos de grupos mais conservadores. “Que concessões são necessárias fazer para o conservadorismo e para as igrejas evangélicas em nome de uma eleição?”, questiona.</p>



<p>E mais: será que o <a href="https://marcozero.org/candidaturas-trans/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">recorde de candidaturas de pessoas trans</a> nestas eleições acontece por causa do reacionarismo bolsonarista ou apesar dele?, provoca Caia novamente. Ela comenta que a resistência a Bolsonaro também acontece através de outras formas de organização política e que é preciso introjetar que as pessoas trans possam trabalhar politicamente sem esse cenário. “Qual é realmente o cenário estimulante para essas candidaturas? É o cenário conservador? Eu acredito que não, acredito que o cenário estimulante deve ser um menos conservador, com uma esquerda progressista e realmente aliada, que faça um debate qualificado. O que está acontecendo agora não é exatamente uma proliferação de candidaturas trans, é uma aposta radical na ocupação da institucionalidade”, reflete.</p>



<p>Na avaliação de Caia, há algum tempo, a esquerda cisgênera e alguns espaços de discussão, inclusive de parte do movimento LGBTI, se veem, de certa forma, “imunes a todas as críticas ao conservadorismo”. E isso, diz ela, repercute em candidaturas de um modo geral. Ao mesmo tempo em que a agenda política LGBTI tem se tornado um coletivo de pautas incontornáveis e isso tem levado candidaturas e as próprias pessoas que constroem internamente as candidaturas e os partidos a olhar para essas vidas, isso tem acontecido de uma maneira ainda muito pouco sofisticada. “É uma inclusão que acontece muito de uma maneira meramente formal”, define.</p>



<p>Nesse ponto, Caia toca na preocupação com a revisão do vocabulário político, da gramática política e das referências utilizadas, uma vez que isso significa um comprometimento com a qualidade do debate. Nestas e nas últimas eleições, observou-se uma “salada” de siglas. Muitas campanhas inserem a maior quantidade possível de letras como se isso fosse sinônimo de inclusão. Mas muita gente talvez nem saiba o significado de todas as letras. E pior: nem sempre as candidaturas têm propostas para as pessoas representadas pelas letras que usam.</p>



<p>“Algumas identidades estão sendo instrumentalizadas em nome de uma inclusão falsa, porque essa inclusão não aparece nos programas políticos”, reforça Caia, lembrando que, inclusive, não identidades estão sendo tratadas como identidades, como é o caso queer, que baseia a letra “Q” na sigla LGBTQI+. Além disso, pouco ou nada se fala sobre as pautas da transmasculinidade dentro das casas legislativas e dos executivos, incluindo os debates sobre aborto e a ocupação dos espaços de poder e decisão.</p>



<p>Em relação à sigla do movimento, Caia, que usa LGBTI (sem o mais), demonstra uma preocupação com a desorganização política e também a falta de conferências nacionais, que pactuam essa questão e tantas outras e funcionam como referenciais. As últimas conferências aconteceram em 2016, quando ficou definido o uso da sigla LGBTI. Desde então, não houve mais eventos. O último não aconteceu por causa da pandemia de covid-19. “Um novo governo Lula deve ter como demanda prioritária da população LGBTI a realização de uma nova conferência”, diz. Sobre o “+”, ela comenta que não gostaria de ser referenciada dessa forma, portanto o não utiliza.</p>



<p>Para o representante da ONG Leões do Norte Welington Medeiros, as pautas LGBTI+, quando tratadas nos planos de governo, apareceram de forma “muito genérica, sem intimidade nem profundidade”. “As pessoas parece que não sabem o que está acontecendo e as assessorias, que não se inteiram, não conhecem”, comenta.</p>



<p>“Talvez isso seja também porque os cargos que as pessoas ocupam na Prefeitura do Recife e no Governo do Estado não são militantes, não têm inserção na militância. É uma pauta que não tem muita mudança. Isso também se deve ao fato de não haver verba”, complementa, citando o caso do Centro de Referência LGBT, hoje Centro Estadual de Combate à Homofobia (CECH).</p>



<p>Na avaliação de Welington, é preciso ir além da questão do preconceito. Pautar, por exemplo, a descentralização dos serviços e das políticas públicas de olho no interior do Estado, a renda e empregabilidade &#8211; o que inclui dialogar com empresários e comerciantes, sobretudo para colocar as pessoas trans e travestis no mercado. Além disso, ele cita a violência, o atendimento à saúde, a qualificação do debate na mídia e como os temas são tratados nas escolas. “Há muitas especificidades que precisam ser discutidas”, reforça.</p>



<p>“Quantas vezes o governo estadual recebeu a população LGBTI+?, questiona Welington. “A pauta do segmento não pode servir para negociação com a ala conservadora política do Estado, não podemos ser essa moeda”, crava.</p>



<p>Na semana passada, a ONG Leões do Norte cancelou o debate que faria com candidatos ao governo de Pernambuco, porque nenhum dos concorrentes convidados confirmou presença.</p>



<blockquote class="instagram-media" data-instgrm-captioned="" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/p/Cif5SmnJjri/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14" style=" background:#FFF; border:0; border-radius:3px; box-shadow:0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width:540px; min-width:326px; padding:0; width:99.375%; width:-webkit-calc(100% - 2px); width:calc(100% - 2px);"><div style="padding:16px;"> <a href="https://www.instagram.com/p/Cif5SmnJjri/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" background:#FFFFFF; line-height:0; padding:0 0; text-align:center; text-decoration:none; width:100%;" target="_blank" rel="noopener"> <div style=" display: flex; flex-direction: row; align-items: center;"> <div style="background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; flex-grow: 0; height: 40px; margin-right: 14px; width: 40px;"></div> <div style="display: flex; flex-direction: column; flex-grow: 1; justify-content: center;"> <div style=" background-color: #F4F4F4; 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margin-bottom:0; margin-top:8px; overflow:hidden; padding:8px 0 7px; text-align:center; text-overflow:ellipsis; white-space:nowrap;"><a href="https://www.instagram.com/p/Cif5SmnJjri/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:normal; line-height:17px; text-decoration:none;" target="_blank" rel="noopener">Uma publicação partilhada por Movimento LGBT Leões do Norte (@leoesdonortelgbt)</a></p></div></blockquote> <script async="" src="//www.instagram.com/embed.js"></script>



<p>Em 2021, Pernambuco teve 735 casos de violência contra LGBTI+, entre crimes de lesão corporal, homicídio e estupro, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Foram 131 registros a mais em comparação com 2020.</p>



<p>Em setembro do ano passado, a <strong>Diadorim</strong> e a <strong>Marco Zero</strong> revelaram que o estado <a href="https://adiadorim.org/especial/2021/09/com-politicas-publicas-esvaziadas-pernambuco-enfrenta-onda-de-ataques-transfobicos/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">vive um apagão nas políticas de combate à LGBTIfobia</a>. Com apoio metodológico da Plataforma Justa, a reportagem apurou que desde 2018 os orçamentos da gestão Paulo Câmara (PSB) destinados a essa população foram esvaziados ou contingenciados. Situação que, segundo especialistas, resultou em uma “onda de ataques transfóbicos”.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/em-pernambuco-maioria-das-candidaturas-ao-governo-ignora-lgbti-nos-seus-planos/">Em Pernambuco, maioria das candidaturas ao governo ignora LGBTI+ nos seus planos</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Festival de Inverno de Garanhuns volta a censurar espetáculo e artistas LGBTQIA+</title>
		<link>https://marcozero.org/festival-de-inverno-de-garanhuns-volta-a-censurar-espetaculo-lgbtqia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Jul 2022 01:31:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Acuenda]]></category>
		<category><![CDATA[censura]]></category>
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<p>O post <a href="https://marcozero.org/festival-de-inverno-de-garanhuns-volta-a-censurar-espetaculo-lgbtqia/">Festival de Inverno de Garanhuns volta a censurar espetáculo e artistas LGBTQIA+</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quatro anos após a suspensão do monólogo<em> O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu</em>, da atriz, diretora e dramaturga Renata Carvalho, o Festival de Inverno de Garanhuns (FIG) volta ao centro de um caso de censura envolvendo artistas LGBTQIA+, novamente em ano eleitoral. Uma peça do coletivo Acuenda, da periferia paulista, foi cancelada ontem. Após uma chuva de reações indignadas nas redes sociais, hoje a Secretaria de Cultura de Pernambuco e a Fundarpe, realizadoras do festival, <a href="http://www.cultura.pe.gov.br/canal/fig2022/nota-coletivo-acuenda/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">emitiram nota</a> afirmando que o grupo &#8220;nunca foi excluído da grade artística da 30ª edição, que segue disponível para consulta pública no portal www.cultura.pe.gov.br&#8221;.</p>



<p> O coletivo Acuenda considerou a nota mentirosa. E uma das provas da censura é de que, até o fechamento desta matéria, o horário das 19h, do dia 21 de julho, no teatro do Sesc, permanece como &#8220;aguardando definição&#8221; na programação oficial. No lançamento da grade, era o nome da peça do Acuenda que estava escrita neste mesmo dia e horário, como comprovam vários sites que colocaram a programação no ar.</p>



<p>Ontem, um dos integrantes do grupo, David Costa, recebeu a ligação de uma pessoa chamada Irene, da gerência de política cultural, afirmando que a entrada do espetáculo <em>Cabaré d&#8217;água: nosso corpo é político</em> na grade de programação foi um erro e que outro espetáculo iria ficar no lugar deles, no dia 21, às 19h. &#8220;Em nenhum momento mandaram algum e-mail ou mensagem oficializando a saída. Disseram que houve uma nova reunião da comissão de seleção e que, na verdade, o espetáculo tinha ficado em 20º lugar, e não em segundo lugar. Eu disse a ela que nós iriámos atrás dos nossos direitos e solicitei a ata dessa reunião. Ela disse que não poderia enviar, mesmo sendo um documento público&#8221;, afirma David, em entrevista à Marco Zero. &#8220;Quando Irene me ligou ontem, ela não conseguia completar as informações. Eu perguntava o motivo disso estar acontecendo agora e ela não respondia diretamente, ficava enrolando. Disse que, se algum grupo caísse ou tivesse substituição, entrariam em contato&#8221;.</p>



<p>Outro integrante do coletivo, Bruno Fuziwara, conta à Marco Zero que o grupo havia comprado material para a apresentação no FIG. Os ensaios também já estão ocorrendo. O cachê do festival é de R$ 10 mil e a peça conta com oito artistas e duas pessoas para a parte técnica. &#8220;Para mim, o que acontece é censura, por sermos um grupo LGBTQIA+, por sermos <em>drag queens</em>. A nota diz que nunca saímos da programação, querem colocar a gente como mentirosos, mas é só entrar no site e ver que nos retiraram sim. Até o presente momento a gente não sabe se vai ou não participar, compramos figurino, perucas, maquiagem, materiais de cena…nossa peça é para falar de que nós,<em> drag queens</em>, somos um ato político. Nosso corpo é um corpo politico por estar ocupando esses espaços e não sermos invibilizados, por estarmos mostrando força e potência&#8221;, diz Bruno.</p>



<p>Após as denúncias de censura nas redes sociais, David Costa recebeu mensagens do diretor do festival, André Brasileiro. Nas mensagens, André fala em &#8220;retomar o diálogo&#8221; e repete o conteúdo da nota, que também cita que &#8220;as tratativas (com o Acuenda) se resumiram à solicitação de documentos para confirmação do processo de contratação do referido grupo&#8221;. &#8220;Não foi nada disso, foi bem claro de que estávamos fora do festival. O FIG exige uma burocracia enorme de documentação e quem está resolvendo isso é uma produtora nossa, que tem enviado por e-mail os documentos solicitados&#8221;, diz David.</p>



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	                                        <p class="m-0">Print do site G1, com a programação divulgada pelo FIG. Abaixo, print de como está hoje no site oficial do festival</p>
	                
                                    </figcaption>
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<h2 class="wp-block-heading">Curador confirma 2º lugar</h2>



<p>A peça do coletivo Acuenda entrou na grade de programação do FIG por meio do edital. E ficou em segundo lugar na classificação de espetáculos ao ar livre, de acordo com o curador de Teatro e Dança do festival e presidente da Comissão de Seleção de Teatro e Ópera, José Neto Barbosa. Ele foi exonerado no dia 14 de junho da Secretaria de Cultura, mas deixou a programação já pronta, antes de sair. O tema da curadoria foi &#8220;<em>A re-existência do teatro: mulheridades, diversidades, corpos políticos e imaginário popular</em>&#8220;.</p>



<p>O espetáculo do Acuenda entrou na categoria de teatro ao ar livre porque, inicialmente, previa um cortejo de <em>drag queens</em> pelas ruas do centro da cidade, antes da peça ser encenada no teatro do Sesc Garanhuns. Com a saída de José Neto, o Acuenda foi informado de que a apresentação seria apenas dentro do teatro. </p>



<p>&#8220;Há um conservadorismo muito forte em Garanhuns. Há um medo dos corpos <em>drag queens</em>, porque é um personagem que tem a ver com o protesto, com o teatro de revista, com a contestação. E isso dentro de um ano eleitoral…foi claramente uma pressão política para a saída da peça&#8221;, diz José Neto. A exoneração dele, que fazia a curadoria de teatro desde 2017, ocorreu também de forma controversa. &#8220;Em uma ligação de menos de um minuto disseram que eu iria ser exonerado, porque a nova gestão queria o cargo para um quadro do grupo político. Foi sem qualquer diálogo&#8221;, conta José Neto, que ocupava o cargo de assessor de Teatro e Ópera desde 2017. No começo de maio, Oscar Barreto, do PT, assumiu a secretaria de Cultura do estado, na movimentação de alianças para as eleições.</p>



<p>Para o Acuenda, foi a possibilidade de que o caso ganhasse a projeção nacional do caso de Renata Carvalho que fez com que a Secult e a Fundarpe emitissem nota desmentindo a retirada da peça. David inclusive estava com Renata quando ela apresentou, de forma independente, o monólogo em Garanhuns. &#8220;Na época, a Fundarpe em si não fez nada, só queria que a gente fosse embora da cidade. Foi bem triste&#8221;, lembra. &#8220;Naquela época e agora, se trata de questões políticas. Eles querendo poupar a cidade de uma atração que talvez nem a cidade queira se poupar disso. De algo novo, de algo que está chegando com o festival, que traz diversidade, que traz a cultura LGBTQIA+. Mais uma vez querem empurrar um teatro convencional, um teatro muito certinho. Tenho certeza que tem interferência da política&#8221;, afirma David.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Cena da peça Trans(passar), que busca apoio para ir a Garanhuns. Foto: Divulgação</p>
	                
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<h3 class="wp-block-heading"><strong>Onde estão as pessoas trans?</strong></h3>



<p><strong> </strong>Também nas redes sociais, o grupo teatral Agridoce lançou a pergunta: Onde estão as pessoas trans na programação do FIG? O grupo, formado por dois homens cis gays e duas mulheres trans, foi habilitado no edital, mas não passou da fase da curadoria. Agora, fazem uma <a href="https://l.instagram.com/?u=https%3A%2F%2Fwww.vakinha.com.br%2F2953794&amp;e=ATNpgTaqcmwFU-eWcASmUAluNeJPZh_iR0ob4FZU1GCrYBXJBsPffqHpd3JtLHK0r2-roQ_BX_ztYXJvzkyp&amp;s=1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">campanha para arrecadar</a> R$ 1,3 mil para exibir o espetáculo <em>Trans(passar)</em> em Garanhuns, nos dias em que acontece o FIG. &#8220;Contamos nos dedos quantas produções locais, de Pernambuco, estão presentes no FIG&#8221; , reclama a atriz Sophia Williams, integrante do Agridoce.</p>



<p>Sophia também denuncia a forma como pessoas e artistas trans são tratadas pelo festival. &#8220;É como se nossas pautas não fossem interessantes. A LGBTobia está escancarada desde o que aconteceu com Renata Carvalho. A bancada evangélica é muito forte em Garanhuns e, mesmo indo fora da programação, Renata foi atacada. Eu não vejo como um problema ter um palco gospel, para mim isso não é uma questão. Mas quando usam a religião como desculpa para LGBTfobia, para cancelar um espetáculo que eles não aprovam, é algo muito nocivo&#8221;, diz.</p>



<p>Para a crítica de teatro Ivana Moura, do <a href="https://www.satisfeitayolanda.com.br/blog/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">blog Satisfeita Yolanda</a>, é inadmissível que um festival que chega aos 30 anos de estrada se comporte desta maneira. &#8220;O episódio descredita o FIG e sua curadoria, prejudica os artistas e toda a cadeia produtiva envolvida com o espetáculo. Não é um caso isolado. É um retrocesso sempre com os mesmos alvos: os corpos LGBTQIA+, os corpos trans. Tem que ter um basta para esses manés, coronéis, políticos que querem sempre se aproveitar da situação, de manipular politicamente. A cultura não é objeto para servir aos interesses dessas figuras. A cultura merece e exige respeito. A proibição da peça da atriz Renata Carvalho foi um trauma. Deixou profunda marcas negativas nos envolvidos. É um episódio que envergonha Pernambuco e ainda hoje é citado quando se fala nos casos de censura no país&#8221;, afirma.</p>



<p>Para não correr o risco de ameaças e violências, Sophia Williams conta que a peça <em>Trans(passar)</em> só vai ter o local e o horário divulgados horas antes. O espetáculo conta história de várias mulheres trans e travestis na perspectiva de uma escritora que cria uma personagem que tem como sonho ser tirada para dançar. &#8220;Vamos levar a peça para Garanhuns como um ato de resistência. Para que nossos corpos sejam vistos e nossas histórias sejam contadas de outra forma, não só de forma agressiva, não só pelo viés da violência ou da prostituição. Mas que nós somos também cidadãs, nós pagamos impostos e nós temos sonhos. Vamos para dizer que estamos vivas e vamos continuar sonhando&#8221;, diz Sophia.</p>



<p>Com a expectativa de ter o nome de volta à programação oficial do FIG, o coletivo Acuenda também quer transformar a participação no festival em uma mobilização com artistas LGBTQIA+ locais. &#8220;Está tudo muito recente, mas vamos conversar com os artistas e tentar fazer se não um cortejo pela cidade, pelo menos uma entrada na frente do teatro&#8221;, diz Bruno.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/outdoors-de-cineclube-lgbtqia-sao-retirados-da-frente-de-escola-religiosa-em-garanhuns/" class="titulo">Outdoors de cineclube LGBTQIA+ são retirados da frente de escola religiosa em Garanhuns</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/genero/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Gênero</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


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<p></p>
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		<title>Outdoors de cineclube LGBTQIA+ são retirados da frente de escola religiosa em Garanhuns</title>
		<link>https://marcozero.org/outdoors-de-cineclube-lgbtqia-sao-retirados-da-frente-de-escola-religiosa-em-garanhuns/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Jul 2022 21:57:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[cineclube]]></category>
		<category><![CDATA[diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[garanhuns]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Era um outdoor sem polêmicas. Em letras grandes, coloridas, estava escrito &#8220;Diversiclube &#8211; foi um sucesso!&#8221;. Abaixo, enumerava as conquistas do cineclube da diversidade em 2022: &#8220;cultura; acessibilidade; respeito, inclusão e diversidade; emprego e renda para Garanhuns&#8221;. A propaganda do Diversiclube, um cineclube que exibe filmes com temática LGBTQIA+, custou R$ 1,2 mil, por cada [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Era um outdoor sem polêmicas. Em letras grandes, coloridas, estava escrito &#8220;Diversiclube &#8211; foi um sucesso!&#8221;. Abaixo, enumerava as conquistas do cineclube da diversidade em 2022: &#8220;cultura; acessibilidade; respeito, inclusão e diversidade; emprego e renda para Garanhuns&#8221;. A propaganda do Diversiclube, um cineclube que exibe filmes com temática LGBTQIA+, custou R$ 1,2 mil, por cada outdoor. Foram colocados dois na cidade do Agreste Meridional, pagos com dinheiro público, já que o cineclube foi aprovado pelo <a href="https://www.cultura.pe.gov.br/editais/edital-funcultura-geral-2021-2022/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Funcultura</a>, do Governo do Estado, pois esse valor já estava previsto no projeto para o pagamento de dois outdoors. </p>



<p>A propaganda foi colocada na quarta-feira da semana passada, dia 29 de junho. Deveria passar duas semanas em exibição, mas na segunda-feira passada, 4 de julho, os responsáveis pelo cineclube foram surpreendidos com os outdoors arrancados.<br><br>O idealizador do cineclube, Joesile Cordeiro, não tem dúvidas: a retirada foi por homofobia. Ele alerta que os dois outdoors retirados ficavam na frente e atrás do Colégio Presbiteriano XV de Novembro, instituição cristã de ensino tradicional em Garanhuns. Em 2020, o colégio virou <a href="https://midianinja.org/news/alunos-de-garanhuns-pe-acusam-professor-de-lgbtfobia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">notícia nacional</a> após alunos denunciarem a questão de uma prova. O enunciado pedia que os alunos escrevessem uma resposta &#8220;sem que que os mesmos sejam taxados de preconceituosos, mas que que a resposta seja firme quanto aos princípios bíblicos&#8221;. A pergunta era &#8220;sua amiga te chamou em particular e te confessou que se sente atraída por outra menina, o que você diria e como apontaria os textos bíblicos neste diálogo?&#8221;.<br> <br>Com a polêmica, a escola <a href="https://www.instagram.com/p/B_--z5wpKGu/?igshid=YmMyMTA2M2Y%3D" target="_blank" rel="noreferrer noopener">emitiu uma carta aberta </a>em que afirmava que &#8220;ensinamos a nossos estudantes que visões distintas são possíveis de coexistirem no âmbito de nossos relacionamentos e que precisamos saber lidar com elas&#8221;.<br><br>É no XV de Novembro também que acontece, há anos, um festival de música gospel durante o Festival de Inverno de Garanhuns (FIG). Neste ano, o festival do colégio foi absorvido pelo FIG: é a prefeitura quem vai pagar o cachê dos artistas evangélicos no dez dias de festival, além da estrutura de som, palco e iluminação. Antes, era o próprio colégio e as igrejas que arcavam com os custos.<br><br>Não há dúvidas, portanto, de que se trata de um colégio influente. Causou estranheza para o cineclube quando a Stampa, empresa responsável pelos outdoors, entrou em contato com o Diversiclube e afirmou que os outdoors foram retirados porque não poderiam mais ficar ali. À Marco Zero, a representante da Stampa em Caruaru, que atende também Garanhuns, afirmou que o que aconteceu não tem &#8220;nada a ver com homofobia&#8221; e que não foi um pedido do colégio a retirada dos outdoors. Afirmou que os espaços já haviam sido vendidos para outra empresa e foi um erro a colocação deles ali. Quando perguntada se foi a própria Stampa que fez a retirada da propaganda, disse apenas que a retirada foi &#8220;autorizada&#8221; pela Stampa.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Layout do outdoor retirado sem da frente do Colégio XV de Novembro. Crédito: Divulgação Diversiclube</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p><br><br>Para Joesile, tudo não passa de uma estratégia. &#8220;É uma fala paliativa, para que não ocorra nenhuma tensão entre a empresa e a escola. No fim das contas, recebemos a ligação de que fomos proibidos de comprar os espaços que ficam no circuito da escola. São seis outdoors que ficam no terreno do colégio, na frente e atrás dele. Então já é estranho. Afirmam que o espaço (onde estavam os dois outdoors do projeto) já haviam sido vendidos, mas eles continuam lá sem publicidade alguma. Como trabalham por quinzena, só deve entrar outro ali quando passar essa semana, que era nossa&#8221;, diz.<br><br>O cineclube Diversiclube contou com oito sessões, no Sesc de Garanhuns, de novembro do ano passado até junho. Exibiu filmes como <em>Recife é um ovo</em>, de Gus Arruda Lins, e o videoclipe <em>Lamento de força travesti</em>, de Renna. Contava também com debates e performances. Teve algumas sessões com ingressos esgotados. &#8220;O projeto foi tão grande que repercutiu fora da cinema, foi um evento de fortalecimento muito bacana. A cada sessão tentamos trabalhar uma letra da sigla [do LGBTQIA+], trazer novas narrativas para debater no contexto da cidade, se reunir e se pautar, debater com pessoas também de fora da comunidade, para sair do preconceito e ir para o respeito&#8221;, explica Joesile.<br><br>Apesar de não poder mais ocupar os seis pontos perto da escola, que fica em uma área central da cidade, em frente à fonte luminosa, o Diversiclube ainda manteve a compra dos espaços. O cineclube terá sua propaganda exposta em dois locais, um deles na Avenida Rui Barbosa, próximo, mas nem tanto, da escola. &#8220;Quem vive na cidade sente mais fortemente, seja de forma micro ou macro, a homofobia. Mas também somos uma comunidade gigante, uma comunidade que tem demanda para esse tipo de projeto. Precisamos ir contra essa narrativa hegemônica e resistir, lutar. Por isso, vamos continuar com a publicidade, mesmo que seja em outros locais. Para mostrar que estamos aqui e que vamos seguir com nosso trabalho&#8221;, afirme Joesile.<br><br>A Marco Zero tentou entrar em contato com o colégio XV de Novembro por telefone, e-mail e Whatsappp, mas não obteve resposta.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa <a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">página de doação</a> ou, se preferir, usar nosso <strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong>.<br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong>.</cite></blockquote>
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		<title>Leões do Norte lança livro para celebrar 20 anos de lutas em defesa das pessoas LGBTQIA+</title>
		<link>https://marcozero.org/leoes-do-norte-lanca-livro-para-celebrar-20-anos-de-lutas-em-defesa-das-pessoas-lgbtqia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Mar 2022 20:23:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Leões do Norte]]></category>
		<category><![CDATA[LGBT]]></category>
		<category><![CDATA[lgbtfobia]]></category>
		<category><![CDATA[LGBTQIA+]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando foi criado para lutar pelos direitos da população LGBT, nos primeiros anos do século XXI, o Movimento Leões do Norte era visto como uma entidade um tanto folclórica. Vinte anos depois, os Leões do Norte irão ocupar nesta sexta-feira, 25 de março, às 9h, o principal auditório da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) para [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quando foi criado para lutar pelos direitos da população LGBT, nos primeiros anos do século XXI, o Movimento Leões do Norte era visto como uma entidade um tanto folclórica.</p>



<p>Vinte anos depois, os Leões do Norte irão ocupar nesta sexta-feira, 25 de março, às 9h, o principal auditório da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) para celebrar a trajetória que fez o grupo se tornar referência no campo dos direitos humanos, de formação de lideranças LGBTQIA+ e de contribuição na construção de políticas públicas.</p>



<p>A celebração será solene. O Movimento irá lançar um livro para contar a histórias dos 20 anos de lutas e de existência. O grupo também homenageará as entidades parceiras que incluem sindicatos, ONGs, entidades governamentais, órgãos de classe, políticos, imprensa, além de ativistas e lideranças que contribuíram na causa. A Marco Zero Conteúdo faz parte dessa lista de parceiros a serem homenageados.</p>



<p>O Movimento Leões do Norte se define como &#8220;uma organização da sociedade civil, de promoção, apoio e defesa de direitos humanos, em especial de pessoas lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, intersexuais e outras expressões afetivo-sexuais, tendo como missão atuar na luta contra o preconceito e a discriminação, visando contribuir na construção de climas favoráveis ao respeito e efetivação da cidadania da população de pessoas LGBTQIA+, bem como exercer o controle social das políticas públicas do segmento em todo o estado&#8221;.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                </figure>

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		<title>Torcedores LGBTQIA+ fortalecem a luta contra a discriminação nas arquibancadas</title>
		<link>https://marcozero.org/torcedores-lgbtqia-fortalecem-a-luta-contra-a-discriminacao-nas-arquibancadas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kleber Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 May 2021 20:47:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[gil do vigor]]></category>
		<category><![CDATA[lgbtfobia]]></category>
		<category><![CDATA[lgbtfobia no futebol]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O doutor em economia e ex-BBB Gilberto Nogueira, 29 anos, nunca tinha ido a um estádio de futebol. Homossexual, Gil do Vigor sempre viveu sua paixão pelo Sport Club do Recife bem longe da Ilha do Retiro por medo de ser agredido nas arquibancadas. Dias depois se sair do reality, o receio do rubro-negro se [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><br>O doutor em economia e ex-BBB Gilberto Nogueira, 29 anos, nunca tinha ido a um estádio de futebol. Homossexual, Gil do Vigor sempre viveu sua paixão pelo Sport Club do Recife bem longe da Ilha do Retiro por medo de ser agredido nas arquibancadas. Dias depois se sair do reality, o receio do rubro-negro se confirmou, junto com a realização do sonho de ir ao campo, e ele foi vítima de homofobia por parte de integrantes do conselho do clube.<br><br>A exposição e o repúdio que o episódio teve chamam a atenção para um movimento silencioso que tem crescido apesar do barulho que a LGBTfobia faz nos espaços das torcidas. São grupos ou torcedores LGBTQIA+ que estão lutando para terem o direito de torcer pelo time do coração sem medo de serem xingados ou agredidos fisicamente. <br><br>Com apoio da internet, essas iniciativas estão aproveitando o debate para que os estádios se tornem ambientes mais seguros para todos no retorno às arquibancadas, quando a pandemia de Covid-19 permitir. Contudo, mesmo nas redes sociais, os torcedores LGBTQIA+ temem se expor. Sem torcida ou coletivo formalizado, os rubro-negros contam com o perfil no Twitter “Sport Recife LGBTQ”. A conta é administrada por um torcedor que tem receio de sair do anonimato.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-twitter wp-block-embed-twitter"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="twitter-tweet" data-width="500" data-dnt="true"><p lang="qme" dir="ltr"><a href="https://twitter.com/hashtag/ForaKoury?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#ForaKoury</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/GILMERECERESPEITO?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#GILMERECERESPEITO</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/NewProfilePic?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#NewProfilePic</a> <a href="https://t.co/YT806PiNjm">pic.twitter.com/YT806PiNjm</a></p>&mdash; Sport Recife LGBTQ<img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f3f3-fe0f-200d-1f308.png" alt="🏳️‍🌈" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f534.png" alt="🔴" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/26ab.png" alt="⚫" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> (@SportRecifeLGBT) <a href="https://twitter.com/SportRecifeLGBT/status/1393296761544925185?ref_src=twsrc%5Etfw">May 14, 2021</a></blockquote><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>“Orgulho além das três cores”</strong></h2>



<p>A publicitária June Silva, 23 anos, herdou do pai o amor pelo Santa Cruz e, assim como ele, embora morando na Bomba do Hemetério, há poucos quilômetros do estádio do Arruda, acompanhava o time da sala de casa. Em 2010 realizou o sonho de conhecer o campo tricolor e então passou a frequentar o espaço assiduamente por três anos consecutivos.<br><br>Depois de um hiato por causa da faculdade e outras obrigações, June quis retornar ao Arruda em 2019, mas junto com a vontade de torcer voltou o medo. “Conheci o Movimento Coralinas e comecei a ir para o estádio junto com elas para me proteger do ambiente machista que é a arquibancada. Já respondi alguns comentários ofensivos de outros torcedores, mas percebi que não seria bom ficar reagindo na hora da raiva, precisava fazer outra coisa para acabar com o preconceito”, conta.<br><br>Após uma ação de marketing do Santa Cruz, a campanha “Santa Cruz de Todos”, em conversa com outros torcedores, June teve a ideia de criar a Coral Pride, camisa 24 &#8211; primeiro e por enquanto o único coletivo LGBTQIA+ de arquibancada em Pernambuco. O grupo completou um ano em março e atua nas redes sociais para garantir um espaço mais acolhedor aos tricolores LGBTQIA+ sob o lema “Orgulho além das três cores”.<br><br>“O que aconteceu com Gil acontece com a gente todos os dias e precisamos debater sobre isso para que a arquibancada seja um lugar de acolhida para todos que amam o seu time. Estamos sempre dialogando com o clube. É uma luta que vai além das quatro linhas e está acima de qualquer rivalidade”, afirma June.</p>





<p><br></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>&#8220;É o amor que move a gente&#8221;</strong></h2>



<p>Há pelo menos 10 anos, a estudante Alice do Monte, 24 anos, vai a campo de futebol apoiar o Clube Náutico Capibaribe com amigos que fez nas arquibancadas. A relação se distanciou quando o clube trocou os Aflitos pela Arena de Pernambuco em 2013, onde mandou jogos até 2018.<br><br>“Quando o Náutico voltou para os Aflitos, quis voltar também para a arquibancada, mas senti medo da LGBTfobia. Minha companheira, que é tricolor, se voluntariou para ir comigo e, mesmo com medo de sermos agredidas, voltei a frequentar o estádio”, relembra.</p>



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	                                        <p class="m-0">Com o apoio da companheira e da torcida antifascista alvirrubra, a Brigada Popular do Náutico, Alice voltou a frequentar os Aflitos e a se sentir mais protegida e acolhida. Crédito: Arquivo Pessoal</p>
	                
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<p><br><br>O receio diminuiu quando Alice conheceu a Brigada Popular Alvirrubra, torcida antifacista do Náutico. A estudante então começou a ir junto com os membros para o estádio, já que o clube ainda não conta com um coletivo LGBTQIA+. “Conhecer essa galera foi perfeito porque o fato de eu ser uma mulher lésbica não muda em nada o tratamento. Eles também não cantam músicas homofóbicas e lutam por essa pauta de um futebol mais aberto a todos”, diz.<br><br>Alice, que levanta a bandeira do respeito à diversidade, foi uma das duas pessoas escolhidas para a primeira campanha do Dia Internacional contra a Homofobia promovida pelo clube há exatamente um ano. “Participar desse capítulo histórico do Náutico é muito importante. O futebol é o esporte mais popular do mundo, por isso não faz sentido criar barreiras contra as pessoas LGBTQIA+. Podemos ser diferentes, mas é o mesmo amor que move a gente”, argumenta.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/app-pioneiro-no-nordeste-registra-episodios-de-violencia-contra-pessoas-lgbtqia/" class="titulo">App pioneiro no Nordeste registra episódios de violência contra pessoas LGBTQIA+</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/genero/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Gênero</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>Esta reportagem é uma produção do Programa de Diversidade nas Redações, realizado pela Énois – Laboratório de Jornalismo Representativo, com o apoio do Google News Initiative”.</em></p></blockquote>



<p><br></p>
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		<title>Casais homoafetivos correm aos cartórios para acelerar casamentos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Nov 2018 10:57:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O presidente eleito defende que filho gay é falta de porrada e já prometeu “colocar um ponto final em todos os ativismos” no país onde a LGBTQfobia mata pelo menos uma pessoa a cada 19 horas. Diante do radicalismo de Jair Bolsonaro (PSL), muitos casais homoafetivos correm para formalizar o casamento em cartório, seja para [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[O presidente eleito defende que filho gay é falta de porrada e já prometeu “colocar um ponto final em todos os ativismos” no país onde a <a href="https://homofobiamata.files.wordpress.com/2017/12/relatorio-2081.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">LGBTQfobia mata pelo menos uma pessoa a cada 19 horas</a>. Diante do radicalismo de Jair Bolsonaro (PSL), muitos casais homoafetivos correm para formalizar o casamento em cartório, seja para garantir direitos e privilégios, por planos de sair do Brasil ou pela atitude política que esse passo representa no contexto de ódio e repressão que começou a ganhar corpo ainda durante a campanha do candidato de postura fascista.

A legislação brasileira ainda é atrasada, a população LGBTQ não tem direitos assegurados pela constituição, o que existe é a jurisprudência através de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) &#8211; saiba mais no final da matéria. Por ser uma questão que ainda incomoda profundamente os setores mais conservadores, que ajudaram a eleger o militar da reserva, o receio é que, na prática, haja uma pressão para que o Congresso coloque em votação Projetos de Leis que sejam um retrocesso nesse campo.

<strong>LEIA TAMBÉM:</strong>&nbsp;<a href="http://marcozero.org/movimentos-sociais-tracam-estrategias-para-o-governo-bolsonaro/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Movimentos sociais traçam estratégias para o governo Bolsonaro</a>

Nos últimos dias, a <a href="https://www12.senado.leg.br/ecidadania/visualizacaomateria?id=112745" target="_blank" rel="noopener noreferrer">consulta pública</a> no site do Senado sobre vetar ou não o casamento homoafetivo passou a contabilizar milhares de &#8220;não&#8221;. A pergunta é se o cidadão brasileira aprova o <a href="file:///C:/Users/marin/Downloads/sf-sistema-sedol2-id-documento-14749.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Projeto de Decreto Legislativo&nbsp;nº 106 de 2013</a>, de autoria do senador <a href="https://www25.senado.leg.br/web/senadores/senador/-/perfil/631" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Magno Malta (PR-ES)</a>, que pretende &#8220;sustar&nbsp;os efeitos da Resolução nº 175, de 2013, do CNJ, que dispõe sobre a habilitação, celebração de casamento civil ou de conversão de união estável em casamento, entre pessoas de mesmo sexo&#8221;. O placar, até o fechamento desta matéria, estava em quase 410 mil &#8220;não&#8221; contra menos de 27 mil &#8220;sim&#8221;, revelando o clima de mobilização entre os LGBT.

Em Pernambuco, a Defensoria Pública deve ter dois dias bem bastante movimentados: a instituição irá promover nos dias 7 e 8 de novembro um mutirão para encaminhar e acelerar o casamento civil de casais LGBT. Os interessados devem procurar o Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria, na rua do Imperador, 307, das 13h às 17h, com RG, CPF e comprovante de residência (ao menos um dos cônjugues deve ser comprovar residência em Recife).

A iniciativa soa como uma resposta às palavras de Maria Berenice Dias, desembargadora aposentada e presidenta da Comissão da Diversidade Sexual da Ordem dos Advogados (OAB) do Brasil chegou a recomendar esta semana que casais se antecipem para preservar direitos garantidos “à pensão, previdência e partilha de bens”.

“Diante do cenário sombrio, numa sociedade que está se mostrando cada vez mais conservadora e em que as pessoas brigam para que os outros não tenham os mesmos direitos,&nbsp;nos vimos&nbsp;obrigados a correr para formalizar o casamento para evitar um possível cenário em que tenhamos nossos direitos dificultados”, conta Douglas Deó, 34 anos, num relacionamento há quase uma década com Jairo Francisco, 36 anos.

<div id="attachment_11736" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/11/douglas_jairo.jpeg"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-11736" class="wp-image-11736 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/11/douglas_jairo-1024x769.jpeg" alt="Douglas (e) e Jairo (d) estão juntos há dez anos, têm união estável, mas agora se viram pressionados a casar no papel" width="702" height="527"></a><p id="caption-attachment-11736" class="wp-caption-text">Douglas (e) e Jairo (d) estão juntos há dez anos, têm união estável, mas agora se viram pressionados a casar no papel</p></div>

Eles já têm declaração de união estável desde 2012. O casamento estava nos planos, mas não era urgência. Porém, diante do quadro e da facilidade para reverter a união em casamento (é basicamente uma conversão de documentos), resolveram se resguardar por garantias legais.

Em uma entrevista à revista Playboy em 2011, Bolsonaro chegou a declarar que “Seria incapaz de amar um filho homossexual. Não vou dar uma de hipócrita aqui: prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí. Para mim ele vai ter morrido mesmo”.

“Muita gente saiu do armário do ódio”, avalia Maria Cireno, 29 anos, que só pretendia casar formalmente com Maria Eduarda Melo, 22 anos, quando elas estivessem com dinheiro sobrando, até para ser possível comemorar com uma festa. Mas, juntas há dois anos e já dividindo casa, começaram a ficar com medo e, logo após a eleição de domingo (28), resolveu antecipar a burocracia. Ter um filho estava nos planos para 2019, mas agora elas estão com medo e planejam sair do país para concretizar isso.

“O sentimento é de frustração, porque estávamos planejando inclusive abrir um novo negócio e agora estamos avaliando abandonar. É um sentimento de que temos que tentar reconstruir nossa vida em outro lugar”, desabafa Maria. Atualmente elas, que já&nbsp;foram vítimas de ataques verbais na rua, trabalham juntas num restaurante no Recife e passaram a ver “a comemoração do casamento com um misto de sentimento”.

Quem trabalha com o movimento LGBT espera que haja minimamente um discernimento, “afinal o governo que chega está se propondo a unificar e pacificar o país”, como lembra Maria Goretti Soares Mendes, presidente da Comissão de Diversidade Sexual e de Gênero da seccional pernambucana da OAB. “Esperamos que haja reflexão para que não haja retrocesso de direitos e esse tipo de perseguição a uma população já tão sofrida e vulnerabilizada”, torce.

Dilla Machado e Paula Arraes, ambas com 31 anos, estão juntas há três e morando juntas há um ano e meio. Elas tinham o plano de concretizar o casamento civil somente em 2019, mas resolveram antecipar ainda antes do primeiro turno, com Bolsonaro liderando as pesquisas e os discursos de ódio se espalhando. Por ser servidora pública, Dilla conta com alguns privilégios, como pensão em caso de morte, e que podem beneficiar a futura esposa. Mas, para elas, o casamento neste momento é também um ato político: “Queremos ser uma estatística boa, não uma estatística de morte”.

“O que me assusta mais hoje é a ‘pequena’ violência cotidiana, do homem armado na rua, do homofóbico na parada de ônibus, das pessoas que estão se inflando e se legitimando com o discurso de Bolsonaro. Porque a polícia, sabemos, sempre foi violenta”, conta Paula, lembrando o caso em que foram verbalmente agredidas num bar no Rio de Janeiro esse ano, num contexto de tensão por conta da intervenção militar, “só por estarem ali existindo”. Outro receio são os Projetos de Lei que podem ser colocado em pauta no Congresso contra minorias e ativistas.

A ideia de formalizar a união em cartório começou a tomar forma quando elas pegaram um Uber com uma motorista que relatou a missão para conseguir visitar a esposa doente na UTI porque a família não a deixava entrar nem tomar qualquer decisão. Assim que a companheira melhorou, elas deram entrada no cartório. Dilla e Paula estão estudando a possibilidade de voltar a morar no interior e, apesar de não terem planos de sair do país, estão se organizando para atualizar o passaporte.

<strong>Legislação</strong>

Casamentos homoafetivos ainda não são um direito garantido por lei no Brasil, isto é, ainda não estão na constituição. O que existem é apenas a jurisprudência, através de resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) e norma do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que estabelecem a celebração de casamento civil e a conversão de união estável em casamento entre pessoas de mesmo sexo. O direito à formalização da união é garantido pelo STF desde 2011.

O Projeto de Lei do Senado nº 612, de 2011, de autoria de <a href="https://www25.senado.leg.br/web/senadores/senador/-/perfil/5000" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Marta Suplicy (MDB-SP)</a>, propõe que o casamento homoafetivo seja assegurado pela legislação brasileira. Atualmente, só é reconhecida como entidade familiar “a união estável entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família”. O projeto altera os artigos 1.723 e 1.726 do Código Civil para permitir o reconhecimento legal “entre duas pessoas”, sem fazer distinção de sexo.

A proposta também garante que a união “poderá converter-se em casamento, mediante requerimento dos companheiros ao oficial do Registro Civil, no qual declarem que não têm impedimentos para casar e indiquem o regime de bens que passam a adotar, dispensada a celebração”. Além disso, vários outros artigos serão alterados, com a retirada dos termos “homem” ou “marido” e “mulher”, para a adequação da proposta.

O projeto foi aprovado pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado somente no ano passado. Em dezembro, a votação do projeto foi adiada no Plenário do Senado por falta de quórum. Ele chegou a ser colocado em votação, mas o senador Magno Malta, contrário à matéria, pediu verificação de quórum, que não atingiu o mínimo necessário de 41 senadores presentes.

O primeiro passo para formalizar o casamento é ir a um cartório da sua região para dar entrada no pedido, levando duas testemunhas, com os respectivos RGs, certidão de nascimento das noivas ou dos noivos e comprovante de residência. É preciso pagar duas taxas &#8211; de casamento e de proclamas -, num total de cerca de R$ 260. Daí a data do casamento é marcado no fórum. As meninas foram ao cartório em setembro e conseguiram vaga no Fórum Joana Bezerra para novembro.<p>O post <a href="https://marcozero.org/casamento-lgbt/">Casais homoafetivos correm aos cartórios para acelerar casamentos</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Sob a mesma bandeira, dia da luta contra LGBTfobia marca avanços e debate mais maduro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 May 2018 17:24:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[17 de maio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A LGBTfobia pode ser definida como aversão e hostilidade a pessoas com orientações sexuais &#160;e identidades de gênero que estão fora do padrão heteronormativo. Lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais são alvos da discriminação e violências &#8211; psicológicas, sociais, físicas &#8211; motivadas pelo ódio. Em 2017, um levantamento realizado pelo Grupo Gay da Bahia identificou [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[A LGBTfobia pode ser definida como aversão e hostilidade a pessoas com orientações sexuais &nbsp;e identidades de gênero que estão fora do padrão heteronormativo. Lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais são alvos da discriminação e violências &#8211; psicológicas, sociais, físicas &#8211; motivadas pelo ódio.

Em 2017, um levantamento realizado pelo Grupo Gay da Bahia identificou o assassinato de 445 lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBTs) relacionados à sexualidade ou identidade de gênero. O estudo chegou à conclusão de que a cada 19 horas uma pessoa LGBT é morta no Brasil.

<b>[pullquote]</b>

<b>HISTÓRIA
</b>A data surge como Dia Internacional de Combate à Homofobia, em celebração ao dia 17 de maio de 1990 – 28 anos atrás &#8211; &nbsp;quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou o &#8220;homossexualismo&#8221; da Classificação Internacional de Doenças (CID) como um distúrbio mental. Atualmente, fazer referência ao &#8220;homessexualismo&#8221; demonstra ignorância sobre a questão (na saúde o sufixo &#8220;ismo&#8221; determina condição de patologia, doença). A afirmação da homessexualidade de maneira positiva, na contramão da depravação, vem sendo construída pelos movimentos LGBT desde então. A demonização na orientação sexual homossexual com respaldo da medicina foi responsável, no passado, por &#8220;tratamentos&#8221; que previam realização de castração, choques elétricos, lobotomia e outras métodos de tortura para curar o que é apenas expressão da sexualidade de alguém.&nbsp;<b>[/pullquote]</b>

Pernambuco ocupa o quinto lugar neste assustador ranking nacional, com registro de 27 homicídios. Apesar disso, ativistas apontam que a subnotificação e deficiência no registro e atendimento a violências contra pessoas LGBT pode esconder a real dimensão do problema. Rivânia Rodrigues, uma das coordenadoras do Fórum LGBT pelos segmentos de lésbicas e bissexuais, lembra que Pernambuco não tem nenhum legislação que puna a discriminação ou violência contra população LGBT.

Com o tema “LGBTFobia dói, machuca e mata!”, o Fórum Estadual LGBT realiza, hoje, data que marca o Dia Internacional de Luta contra a LGBTfobia, um ato em frente à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Com teor diferente do Dia do Orgulho Gay, celebrado em setembro, mais do que comemoração, os movimentos e coletivos que compõem o Fórum Estadual LGBT reforçam a necessidade de cobrar políticas pública que garantam segurança, qualidade de vida e saúde à população LGBT. Para Tiago Rocha, da coordenação colegiada do Fórum pelo segmento gay, a falta de investimento para efetivação de políticas é um sinal de que ainda há muito a ser feito. Como prova, a necessidade de retomar todos os anos a pauta da segurança. “Ainda temos medo de sair para as ruas e não voltarmos. Não existe publicização efetiva de casos de violência com motivação homofóbica”, diz.

Outra crítica do movimento é o enfraquecimento dos espaços de participação da sociedade. Rocha denuncia que o Conselho Estadual LGBT, por exemplo, não foi empossado desde a eleição de que definiu sua composição. &nbsp;Segundo Tiago, o Governo do Estado, apesar de não ter oficializado no Diário Oficial a nova gestão do conselho, lançará o plano estadual de políticas LGBT. “A gente não consegue entender como pode lançar um plano construído pela gestão anterior sem empossar a nova”, questiona.

Para Well Leal, integrante do Fórum pelo segmento gay, e do Coletivo RUA, apesar de a data nascer como um dia de luta da comunidade gay, a transformação na luta contra a LGBTfobia fortalece a cobrança política por direitos. “É uma coisa muito doida a gente comemorar que a gente não morreu. No dia 17 é importante uma mobilização política de cobrança”, defende. Apesar de diferentes bandeiras, ativistas dos segmentos concordam que o avanço das violências contra a população LGBT reforça a importância de atuarem juntos pela efetivação de políticas que combatam o ódio.

<b>&#8220;A gente precisa efetivamente construir formas de participação direta na política&#8221;</b>

Com objetivo de efetivar a participação de travestis e transexuais das decisões políticas, Amanda Palha, travesti e estudante da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), decidiu lançar sua pré-candidatura à deputada federal pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB). &#8220;Historicamente a gente sempre dependeu muito das verbas de saúde para poder tocar as pautas das pessoas trans e travestis”, explica a jovem, que lembra que as vitórias do movimento são resultado da pressão e organização da pressão unificada.

<div id="attachment_8835" style="width: 460px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/?attachment_id=8835"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-8835" class="wp-image-8835" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/05/15055782_1780903222163387_4294404858746208371_n-300x268.jpg" alt="15055782_1780903222163387_4294404858746208371_n" width="450" height="403"></a><p id="caption-attachment-8835" class="wp-caption-text">Foto: Thiago An</p></div>

“É possível construir junto sem apagar as diferenças e demandas específicas dos grupos que compõem a sigla LGBT”, defende. Segundo a pré-candidata, conquistas como a retificação do nome social de pessoas trans e travestis são importantes, mas não basta que sejam alcançadas apenas no judiciário. “Minha candidatura para o legislativo federal pretende pressionar para que leis que já existem sejam de fato efetivadas e avancemos na participação da sociedade. Não é só nos consultar, é que nossa opinião seja legitimada para construir o que precisa ser construído, independente de quem está lá num mandato [executivo]&#8221;, explica.

<strong>Como c</strong><b>ombater expressões de ódio</b>

Afirmar as identidades LGBT ainda é um desafio diário. Para Daniela Marreira, 23 anos, estudante do curso de Rádio, TV e Internet, expressar sua sexualidade – considerado por muitas pessoas algo do âmbito privado – é um ato político. Mulher negra e lésbica, ela aponta caminhos para afirmar sua identidade como legítima, natural. No dia a dia, ações como não se furtar a fazer referência à namorada ou andar de mãos dadas são atos de resistência e afronta ao preconceito. &#8220;Isso acontece também com a família da minha namorada. Quando estamos juntas sempre me apresentam como a namorada de Gabriela, algo natural&#8221;, explica a jovem. Apesar da determinação em afirmar o relacionamento lésbico em locais públicos e dentro de casa, o temor por sofrer violência a acompanha. Em fevereiro deste ano, uma mulher foi baleada na perna na Avenida Boa Viagem quando passeava com sua namorada. A suspeita de lesbofobia (termo para o ódio contra lésbicas) foi levantada sobre o caso.

Rivânia alerta para a vulnerabilidade em especial das mulheres que sofrem não apenas com o ódio pela sexualidade, mas com o machismo. Segundo ela, muitos casos de estupros corretivos (ato de violar uma mulher para “ensinar a gostar de homem”) acontecem em ambientes da vida familiar e, portanto, são silenciados. Existe, ainda, dificuldade de acessar dados da segurança pública sobre essas violências.

<div id="attachment_8838" style="width: 360px" class="wp-caption alignright"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/05/1013346_967407816676900_8826519030281408424_n.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-8838" class="wp-image-8838" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/05/1013346_967407816676900_8826519030281408424_n-300x300.jpg" alt="1013346_967407816676900_8826519030281408424_n" width="350" height="350"></a><p id="caption-attachment-8838" class="wp-caption-text">Daniela e a companheira defendem a afirmação do relacionamento para combater o ódio. Foto: acervo pessoal.</p></div>

Well Leal acredita que&nbsp; o combate ao ódio passa necessariamente pela abertura ao diálogo. Diferente da ideia de aceitação ou convencimento, ele defende que a luta por direitos tem que estabelecer contato com segmentos da sociedade para além das pessoas LGBT. “Para você se afirmar como questão política você também tem que se assumir, dar a cara a tapa. Nós precisamos de aliados nesse processo político. Nosso processo de luta, de conquista não se dá só por nós mesmos”, explica.

“A gente fica muito assustado com o crescimento de Bolsonaro. A juventude sente isso, fica meio desesperada com o cenário. Não gosto de dizer que a gente vive um momento de polarização porque acho que a gente sempre viveu uma polarização. Mas eu acho que temos que chamar as pessoas para um debate político que seja compreensível”, argumenta.

No diálogo com a sociedade, Rivânia destaca outras pautas que muitas vezes são determinantes na afirmação da população trans na sociedade: investimentos em educação, emprego e acesso a tratamentos de saúde que garantem outros direitos, a exemplo da garantia de inseminação artificial pelo SUS para casais homoafetivos. “Depois de tudo que o Brasil está passando com o golpe, com a crise, o mercado de trabalho se fecha primeiro para a nossa população. E muitas vezes o público LGBT está muito nessas empresas de call center, onde o trabalho é precário”, reflete. Na opinião de Amanda Palha, focar em educação e acesso ao mercado de trabalho formal&nbsp;é estratégico também para a população T. &#8220;Mais de 90% da população é profissional do sexo, não porque gosta, e sim porque muitas vezes é a única possibilidade de sobrevivência. Precisamos garantir formação profissional e entrada no mercado formal, avançando na discussão sobre condições mínimas de trabalho para profissionais do sexo”, pontua.<p>O post <a href="https://marcozero.org/sob-a-mesma-bandeira-dia-da-luta-contra-lgbtfobia-marca-avancos-e-debate-mais-maduro/">Sob a mesma bandeira, dia da luta contra LGBTfobia marca avanços e debate mais maduro</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Assustada e revoltada, comunidade LGBT exige ações concretas de proteção da UFPE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Mar 2018 22:57:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Na segunda-feira (26), diversas estudantes, ativistas e movimentos participaram do ato-aula &#8220;Somos Todxs Dália&#8221; contra a lgbtfobia e em repúdio ao ataque à estudante Dália Celeste, acontecido na última sexta-feira (23), dentro do campus da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O choque com o caso se tornou rapidamente em mobilização por resposta efetivas de proteção [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[Na segunda-feira (26), diversas estudantes, ativistas e movimentos participaram do ato-aula &#8220;Somos Todxs Dália&#8221; contra a lgbtfobia e em repúdio ao<a href="http://marcozero.org/mulher-sofre-ataque-transfobico-apos-evento-de-boas-vindas-lgbt-dentro-da-ufpe/"> ataque à estudante Dália Celeste, acontecido na última sexta-feira (23)</a>, dentro do campus da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O choque com o caso se tornou rapidamente em mobilização por resposta efetivas de proteção à comunidade LGBT – lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e intersexuais. O evento aconteceu entre os prédios do Centro de Educação e Centro de Filosofia e Ciências Sociais, perto de onde Dália sofreu a agressão por dois homens ainda não identificados.

Os sentimentos de medo e impotência se misturam aos de revolta. As falas de solidariedade e acolhimento à Dália, que já registrou boletim de ocorrência no fim de semana, também cobraram medidas urgentes da universidade para acompanhar a investigação e rever a política de segurança para a comunidade LGBT. Durante o espaço, estudantes aproveitaram para denunciar tentativas e casos de estupros e de violência contra lésbicas e gays que não chegaram a despertar atenção porque muitas pessoas sequer têm coragem de prestar queixa.

Henrique Costa, mestrando de Serviço Social na UFPE e integrante da ONG Boa Vista, uma das pessoas que abriu a aula pública, foi enfático ao cobrar a responsabilidade da Reitoria da UFPE para realizar ações preventivas contra LGBTfobia no campus, destacando que o contexto de violências no campus é uma realidade da qual pouco se fala. &#8220;O caso de Dália não é isolado na UFPE. A gente não pode cair no discurso punitivista e dizer que a culpa é só do agressor de Dália. É claro que o sujeito tem culpa, mas a universidade tem que fazer a mea culpa&#8221;, disse.

Para o estudante, apesar da Diretoria LGBT ser um avanço e um &#8220;espaço de resistência&#8221; na universidade, a instituição tem um histórico de negligência com a comunidade LGBT que precisa ser revisto. &#8220;Não há uma atenção por parte da reitoria em considerar essa diretoria&#8221;, diz. &#8220;A gente tem uma diretoria e uma política que é reconhecida nacionalmente, mas que do ponto de vista material e do cotidiano a gente não se sente assegurado nos nossos direitos, na nossa integridade física&#8221;, explica, deixando claro a importância do órgão e de uma formação qualificada de profissionais da universidade. Segundo ele, é preciso dar um passo atrás e voltar às ações da política para a população LGBT que foram prometidas pela atual gestão e não chegaram a acontecer.

&#8220;A gente que instituição que nos proteja, a gente quer estado que garanta nossa existência, a gente quer reitoria &#8211; que foi eleita pela população LGBT &#8211; que garanta nossos direitos. Nós sempre nos cuidamos, mas jogar para nós a responsabilidade por uma atitude transfóbica, que é estrutural, é desonesto. Os nossos poderes de agência contra essa violência é infinitamente menor do que essa instituição pode fazer&#8221;, cobrou.

<strong>&#8220;Eu sou Dandara Viva&#8221;&nbsp;</strong>

<div id="attachment_7822" style="width: 360px" class="wp-caption alignright"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/03/dáliaok.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-7822" class="wp-image-7822" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/03/dáliaok-242x300.jpg" alt="dáliaok" width="350" height="433"></a><p id="caption-attachment-7822" class="wp-caption-text">Estudante Dália Celeste</p></div>

Emocionada, mas firme, Dália fez referência à Dandara dos Santos, travesti cearense que foi espancada e morta e teve o nome levado aos jornais porque uma filmagem da violência que sofreu mobilizou a sociedade. &#8220;Eu sofri agressão porque eu existo, eu não fiz nada&#8221;, disse, e destacou a sorte de sobreviver ao ataque e agora poder falar por ela e por outras pessoas trans que se foram. &#8220;Eu estou falando por mim e por todas essas mulheres e rapazes, essa população LGBT. Esse caso não foi o caso de Dália, foi o caso de várias mulheres. É um caso de transfobia, é a realidade do que passamos diariamente&#8221;, afirmou.

Além da agressão verbal e física, ela também foi assediada sexualmente, por meio de uma apalpada, durante a agressão. Agora, pelas redes sociais vem sofrendo ataques por ter a força de se levantar contra a violência da qual foi vítima. Resiliente, promete que não vai desistir até obter justiça. &#8220;A gente sempre espera a notícia de outras pessoas&#8221;, diz ela, que até o ataque não se sentia insegura dentro do campus. Sobre o que espera da sociedade e da UFPE, ela&nbsp;quer um olhar específico para as mulheres negras, trans e periféricas como ela.

&#8220;Eu não vou pedir para ninguém abrir os olhos, porque eles já enxergam, mas passam pano porque é sempre melhor calar do que falar sobre. Eu só quero que seja feita algum procedimento. que sejam tomadas atitudes e que parem de tentar tapar o sol com a peneira. Dessa vez tentaram me calar, eu não calei e hoje vão me ouvir&#8221;.

<strong> Diretoria LGBT&nbsp;</strong>

À frente da Diretoria LGBT da UFPE, a professora Luciana Vieira esteve presente no evento e respondeu às críticas sobre segurança explicando que não pode responder pela&nbsp;assunto&nbsp;na universidade, mas que para o evento o departamento foi notificado e esteve presente. &#8220;No evento, a cultural, a gente teve todo o suporte da segurança&#8221;, afirmou.

Segundo ela, a política institucional para a população LGBT também prevê a formação do corpo de funcionários – inclusive os terceirizados – para lidar com a comunidade LGBT. Em janeiro foi realizada capacitação de 300 servidores. A segurança é um dos grupos que ainda deverá passar pela capacitação. &#8220;Foi nesse momento (da agressão) que a gente estava desenhando a agenda da capacitação. A nossa gestão tem como meta capacitar a universidade inteira&#8221;, diz.

A política para a população LGBT, no entanto, ainda espera pela formalização dentro da universidade como uma política institucional. Segundo Luciana, devido a questões burocrática e de tempo. &#8220;A gente tem que garantir que a política LGBT seja institucional e não de gestão A ou B. A UFPE não está fora do que estamos vivendo no Brasil&#8221;, explicou, mostrando preocupação com o cenário do avanço conservador que está presente também na universidade.

Recentemente, a Diretoria LGBT foi denunciada ao Ministério Público Federal (MPF) por supostamente dar privilégios a estudantes LGBT – a diretoria tem bolsistas que trabalham nas ações educativas e preventivas. Ela vê nesse processo um possível ataque de grupos organizados lgbtfóbicos que desejam fragilizar o órgão e a comunidade LGBT.

Como continuidade da mobilização, a Diretoria LGBT chamou novo evento para discutir quais ações precisam ser tomadas daqui para frente. A reunião deliberativa sobre casos de LGBTfobia na UFPE acontecerá na próxima terça-feria (3), às 14h, em frente ao CFCH, no campus Recife. Luciana explica que a ideia é ouvir estudantes e movimentos para construir propostas para a segurança da comunidade. &#8220;A ideia é que a diretoria seja essa canal do que a gente pode fazer – a partir da escuta – para melhorar a segurança da universidade&#8221;.

<strong>Rotina de medo e adoecimento</strong>

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/03/ok.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-7823" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/03/ok-300x225.jpg" alt="ok" width="550" height="413"></a>&#8220;O que Dália está fazendo agora não é só um ato de coragem, mas um ato de risco&#8221;, disse um estudante trans durante o evento. A declaração sintetiza o sentimento partilhado por muitas e muitos estudantes LGBT que preferiram não se identificar. Com medo de represálias e perseguições, o ambiente em que deveriam se sentir seguros para construir conhecimentos e reflexões sobre o mundo tem sido uma ameaça à saúde mental – e física – de várias pessoas.

A estudante de filosofia Gabriela Oliveira, 20 anos, estava no evento cultural e presenciou grupos, segundo ela, com atitude suspeitas e hostis especialmente com mulheres lésbicas e trans. Sua companheira, naquela mesma noite, foi abordada por um homem que a constrangeu e pressionou com insinuações. &#8220;Eu não me sinto segura nem dentro de casa. Diante disso, eu não sei se posso dizer que eu me sinto segura em algum lugar. Mas existem momentos e ambientes que eu esqueço da insegurança ao meu redor e a Federal definitivamente não é um desses lugares&#8221;, revela a estudante, que na convivência com o medo, evita até andar de mãos dadas com a namorada dentro do campus.

Para Morsi Barbosa, 18 anos, estudante de História, a sensação, a partir de agora, é de puro medo. Apesar dos avanços, a agressão após um evento construído pela comunidade LGBT acende um alerta para o futuro: mesmo com a Diretoria LGBT, como proteger de fato as pessoas trans no campus?&nbsp;&#8220;Existiam muitas pessoas que estavam intimidando pessoas LGBT (na sexta-feira). O sentimento que fica é que nem naquele ambiente que foi construído por nós, pessoas LGBT, a gente podia se sentir segura. Enquanto eu estava lá, antes do assédio verbal que Dália sofreu, eu me senti intimidada&#8221;, conta.

Chegar e sair da universidade diariamente é conviver com a insegurança também no entorno do campus que, segundo ela, é muitas vezes hostil às pessoas trans. &#8220;Tenho medo de, às vezes, passar um batom, de colocar uma saia para vir para a faculdade. Eu tenho que respirar fundo para vir. Isso porque a gente pensa que a universidade é um universo diferente. Na rua isso é muito pior&#8221;, revela. &#8220;Já não basta a gente estar com toda a pressão da saúde mental dos estudantes e ainda ter que lidar com essas coisas&#8221;.

<strong>Cobrança externa</strong>

<div id="attachment_7825" style="width: 510px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/03/ok3.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-7825" class="wp-image-7825" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/03/ok3-300x201.jpg" alt="ok3" width="500" height="335"></a><p id="caption-attachment-7825" class="wp-caption-text">Colegas do pré-vestibular solidário fizeram manifestação de apoio a Dália</p></div>

Muitas organizações e movimentos para além do estudantil estiveram no ato, com falas, apoio e cobrança à universidade por ações que mudem o cenário de insegurança instalado no campus. Foi o caso da Amotrans (Articulação e Movimento para Travestis e Transexuais de Pernambuco), NATRAPE (Nova Associação de Travestis e Transsexuais de Pernambuco), Fonatrans-PE (Fórum de Pessoas Travestis e Transexuais Negras e Negros), Conselho LGBT de Pernambuco, ANTRA (Associação Nacional de Travestis e Transexuais), Grupo FRIDA (Unicap) e outros. Como continuidade da mobilização, a Diretoria LGBT chamou novo evento para discutir que ações pecisam ser tomadas daqui para frente. A reunião deliberativa sobre casos de LGBTfobia na UFPE aocntecerá na próxima terça-feria (3), às 14h, em frente ao CFCH, no campus Recife.

<strong>O que diz a UFPE</strong>

De acordo com nota publicada no site institucional , a Susperintendência de Segurança Institucional da UFPE (SSI) foi informada pela Diretoria LGBT e planejou a segurança do evento por meio da Diretoria de Operações da SSI, segundo ela &#8220;tendo atuado no evento quatro setores da segurança: Grupo Tático Operacional (GTO), Divisão de Investigação e Perícia (DIP), Diretoria de Fiscalização e Controle Urbano e a TKS vigilância&#8221;.

Além disso, também informam que o setor de investigação da SSI está acompanhando de perto as investigações de forma integrada com a Política Civil para identificar os agressores da estudante. “Estamos trabalhando de forma integrada com a Polícia Civil desde que tomamos conhecimento do ocorrido, na noite da sexta-feira”, afirmou o superintendente de Segurança Institucional, Armando Nascimento.<p>O post <a href="https://marcozero.org/assustada-e-revoltada-comunidade-lgbt-exige-acoes-concretas-de-protecao-da-ufpe/">Assustada e revoltada, comunidade LGBT exige ações concretas de proteção da UFPE</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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