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	<title>Arquivos Lula 2022 - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos Lula 2022 - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>O dia D para a democracia no Brasil</title>
		<link>https://marcozero.org/o-dia-d-para-a-democracia-no-brasil/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Laércio Portela]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 Oct 2022 01:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonarismo]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2022]]></category>
		<category><![CDATA[Lula 2022]]></category>
		<category><![CDATA[pesquisa eleitoral]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mais de 156 milhões de brasileiros e brasileiras estão aptos a votar neste domingo (30) para eleger o próximo presidente da República. A maioria (53%) de mulheres. Em 12 estados, incluindo Pernambuco, eleitores e eleitoras também vão às urnas escolher o governador ou governadora nesse segundo turno. Uma eleição atípica em que o presidente e [&#8230;]</p>
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<p>Mais de 156 milhões de brasileiros e brasileiras estão aptos a votar neste domingo (30) para eleger o próximo presidente da República. A maioria (53%) de mulheres. Em 12 estados, incluindo Pernambuco, eleitores e eleitoras também vão às urnas escolher o governador ou governadora nesse segundo turno.</p>



<p>Uma eleição atípica em que o presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) passou meses desqualificando o processo eleitoral, questionando as urnas eletrônicas e <a href="https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/redacao/2022/10/27/bolsonaro-reforca-ataques-ao-tse-para-tentar-terceiro-turno-se-perder.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">atacando ministros</a> do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)<a href="https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/redacao/2022/10/27/bolsonaro-reforca-ataques-ao-tse-para-tentar-terceiro-turno-se-perder.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">.</a> Mais até: incentivando a desobediência à lei e incitando apoiadores a praticar atos de violência.</p>



<p>As <a href="https://g1.globo.com/rj/sul-do-rio-costa-verde/noticia/2022/10/23/roberto-jefferson-resiste-a-ordem-de-prisao-do-stf-e-fere-a-tiros-policiais-federais.ghtml">rajadas de tiros de fuzil</a> do ex-deputado e presidente do PTB, Roberto Jefferson, <a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/politica/eleicoes/noticia/2022/10/bolsonaro-diz-que-nao-tem-uma-foto-com-roberto-jefferson-mas-e-desmentido-por-imagens-que-circulam-nas-redes-sociais-cl9luxr0j004b014u73p385a0.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aliado de primeira hora de Bolsonaro</a>, contra policiais federais que cumpriam mandado de prisão contra ele são o exemplo mais emblemático e prático da combinação entre o discurso de ódio e a política armamentista bolsonarista.</p>



<p>A propagação de fake news e desinformação, especialmente nas redes sociais, whatsapp, telegram e nos púlpitos das igrejas evangélicas, foi novamente o maior desafio para as autoridades eleitorais. A conhecida pressão dos pastores bolsonaristas sobre os fiéis se ampliou para grupos de empresários e comerciantes que ameaçaram <a href="https://piaui.folha.uol.com.br/eleicoes-2022/crescem-denuncias-de-empresarios-chantageando-empregados-e-fornecedores-votar-em-bolsonaro" target="_blank" rel="noreferrer noopener">demitir funcionários</a> que não votassem em Bolsonaro.</p>



<p>Para o cientista político Túlio Velho Barreto, essa é uma eleição de uma importância sem precedente no país desde o processo de redemocratização nos anos 1980. “Da primeira eleição direta para presidente, em 1989, até agora, jamais a democracia esteve tão ameaçada”, afirma, lembrando o caminho político percorrido para chegarmos até aqui: do questionamento das regras do jogo por <a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2014/10/psdb-pede-ao-tse-auditoria-para-verificar-lisura-da-eleicao.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Aécio Neves em 2014,</a> que abriu as portas para <a href="https://jornalggn.com.br/noticia/historia-do-breve-golpe-de-2016/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o golpe contra Dilma</a>, em 2016, ao protagonismo da extrema-direita <a href="https://esquerdaonline.com.br/2018/11/02/a-extrema-direita-mundial-parabeniza-jair-bolsonaro/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">a partir de 2018</a>.</p>



<p>Túlio afirma que o governo Bolsonaro e suas lideranças agiram à margem da lei desde que chegaram ao poder em 2019 e sem um projeto para o país. A referência histórica do bolsonarismo é a ditadura civil-militar de 1964-1985 e ele atua com o intuito de destruir a Constituição Federal de 1988 e o seu legado.</p>



<p>O cientista político acredita que Bolsonaro aposta no segundo mandato para construir um arranjo institucional autoritário e exercer um poder sem os limites hoje impostos pela Constituição e o controle dos poderes Legislativo e Judiciário. O presidente citou, inclusive, a possibilidade de encaminhar projeto ao Congresso para ampliar o número de ministros do STF e garantir maioria. A última vez que isso aconteceu foi justamente na <a href="https://noticias.uol.com.br/eleicoes/2022/10/11/stf-historia-ministros-jair-bolsonaro-ditadura-militar-venezuela-hungria.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">ditadura militar</a>. Com a repercussão negativa, tem se comprometido a manter o total de 11 cadeiras na Corte.</p>



<p>Historicamente, parte importante de todo projeto autoritário é descredibilizar, atacar e calar a imprensa. Não à toa, durante os quatro anos de governo, Bolsonaro, seus filhos, ministros e principais autoridades públicas federais <a href="https://marcozero.org/normalizacao-de-ataques-a-imprensa-e-parte-da-erosao-da-democracia-no-pais/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">pressionaram e ameaçaram</a> sistematicamente profissionais da comunicação, especialmente as mulheres jornalistas.</p>



<p>“O que está em jogo na eleição desse domingo é a defesa da liberdade de expressão, da liberdade de imprensa nesse país, onde em setembro do 2022 aconteceram mais de 250 ataques contra jornalistas e comunicadores de modo geral. O que está em jogo é a defesa da liberdade das pessoas que atuam no campo dos direitos humanos”, enfatiza Ana Veloso, professora de comunicação da Universidade Federal de Pernambuco, coordenadora do Observatório de Mídia e integrante do coletivo Intervozes.</p>



<p>A <a href="https://marcozero.org/retrospectiva-a-pandemia-que-nao-deixou-2020-comecar-ou-terminar/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">política negacionista</a> e a falta de empatia com as vítimas da pandemia de Covid-19 se conformou como a experiência mais radical vivida no governo Bolsonaro que dá a medida do projeto autoritário citado por Túlio e Ana. O Brasil contabiliza 688 mil mortes. O <a href="https://especiais.gazetadopovo.com.br/coronavirus/casos-no-mundo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">segundo país no mundo</a> em números absolutos de óbitos por Covid, perdendo apenas para os Estados Unidos, que superaram a marca de 1 milhão de vítimas fatais. Com 3% da população mundial, o Brasil possuiu 10% do total de mortos por Covid-19 no planeta.</p>



<p>“Tivemos uma altíssima mortalidade de indígenas, uma maioria de negros, idosos e pobres. Somos o último país a ter um governante a ainda negar a gravidade do que foi e do que ainda é a pandemia. Ele se recusou a reconhecer luto nacional, continua a fazer propaganda de produto sem eficácia, incentivou a invasão de hospital, agressão a profissionais de saúde, e sabotou todas as respostas possíveis para o enfrentamento da pandemia, desdenhou do sofrimento e da morte”, critica Bernadete Perez, médica sanitarista, professora da UFPE e vice-presidenta da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).</p>



<p>A <a href="https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2022/01/volta-do-brasil-ao-mapa-da-fome-e-retrocesso-inedito-no-mundo-diz-economista.shtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">volta do Brasil ao Mapa da Fome</a> é também um dos símbolos mais gritantes da falta de empatia com os mais pobres e de políticas continuadas e consistentes, como o aumento real do salário mínimo e o apoio à agricultura familiar, de combate à desigualdade. Dados de junho do 2<sup>o</sup> Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar apontavam o número de 33,1 milhões de brasileiros sem ter o que comer diariamente. Uma volta aos anos 1990.</p>



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	                                        <p class="m-0">Eleitora de Lula mostra cartaz de apoio em caminhada do ex-presidente na cidade de São Gonçalo, Rio de Janeiro. Crédito Ricardo Stuckert</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Pesquisas de véspera dão vantagem a Lula</strong></h2>



<p>Duas pesquisas divulgadas na noite do sábado (29), véspera da votação, confirmaram a vantagem de Lula nas intenções de voto dos eleitores na reta final do segundo turno. No <a href="https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2022/pesquisa-eleitoral/noticia/2022/10/29/ipec-lula-tem-54percent-dos-votos-validos-2o-turno-e-bolsonaro-46percent.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Ipec</a>, encomendada pela TV Globo e realizada entre quinta e sábado, Lula obteve 54% dos votos válidos contra 46% de Bolsonaro. Os dois aparecem com os mesmos percentuais da pesquisa anterior, de 24 de outubro.</p>



<p>No <a href="https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2022/pesquisa-eleitoral/noticia/2022/10/29/datafolha-lula-tem-52percent-dos-votos-validos-no-2o-turno-e-bolsonaro-48percent.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Datafolha</a>, encomendado pela Globo e pela Folha de SP, a diferença é menor e caiu na margem de erro na comparação com a anterior. Agora, Lula tem 52% dos votos válidos contra 48% de Bolsonaro. Os dois aparecem, portanto, empatados no limite da margem de erro de dois pontos para mais ou para menos. No levantamento anterior, a diferença era de 53% para 47%.</p>



<p>Considerando os votos totais no Datafolha, Lula aparece com os mesmos 49% de antes e Bolsonaro oscilou positivamente de 44% para 45%. Quatro por cento das pessoas ouvidas disseram votar em branco ou que vão anular o voto e 2% seguiam indecisos. Os dados do Datafolha também revelam que essa é uma eleição de rejeições, do antipetismo contrta o antibolsonarismo: 46% dos eleitores dizem não votar de jeito nenhum em Lula e 50% dizem o mesmo sobre Bolsonaro.</p>



<p>Ao longo da eleição, as pesquisas mostraram que Lula possui mais votos entre as mulheres, os católicos e a população com renda abaixo de 2 salários mínimos. A região mais petista do Brasil é o Nordeste. Já Bolsonaro tem mais votos entre os homens, evangélicos e nos estratos de renda acima de 2 salários mínimos. A região mais bolsonarista é o Sul do Brasil.</p>



<p>No entanto, a que mais mobilizou a atenção dos dois candidatos no segundo turno foi a Sudeste, onde estão os três maiores colégios eleitorais do país e Bolsonaro ganha nos válidos por 52% a 48% na pesquisa de véspera do Datafolha.</p>



<p>Em Pernambuco, as duas pesquisas dão vantagem para Raquel Lyra (PSDB) na disputa com Marília Arraes (Solidariedade). No Ipec, Raquel tem 54% contra 46% de Marília nos votos válidos. Mesmo percentual da pesquisa Datafolha. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Frente ampla contra o bolsonarismo</h2>



<p>No segundo turno, Lula conseguiu ampliar significativamente a <a href="https://www.terra.com.br/noticias/eleicoes/lula-ganha-apoio-formal-de-tebet-e-fhc-e-amplia-leque-de-aliancas-para-2-turno,6dc3a96b84cf4184524094699989987d4hdoi1w0.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">frente pela democracia</a> com o engajamento e apoio de Simone Tebet (MDB-MS), do PDT de Ciro Gomes, da ex-ministra Marina Silva, da maior parte do PSDB, incluindo ex-ministros da Economia e presidentes do Banco Central do governo Fernando Henrique Cardoso. O próprio FHC, e até o ex-senador José Serra, declararam voto em Lula nesse segundo turno.</p>



<p>Artistas globais e não globais também aderiram em peso à campanha, incluindo ex-lavajatistas arrependidos como o ator Marcelo Serrado e o deputado Alexandre Frota. O arco de apoios cresceu a ponto de incluir grandes empresários alinhados à centro-direita, representantes do mercado financeiro e figuras políticas como J<a href="https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/deutschewelle/2022/10/15/joao-amoedo-declara-voto-em-lula-no-segundo-turno.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">oão Amoêdo</a>, candidato a presidente do Novo em 2018. Houve também um movimento importante de religiosos – evangélicos, católicos e de matriz africada – em defesa da democracia e declarando o voto em Lula para se contrapor às mentiras difundidas nas igrejas contra o ex-presidente.</p>



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	                                        <p class="m-0">Marina Silva, Lula, Simone Tebet e Janja em agenda em ato de campanha na Grande Belo Horizonte. Crédito: Ricardo Stuckert</p>
	                
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<p>Bolsonaro contabilizou o apoio dos atuais <a href="https://recordtv.r7.com/fala-brasil/videos/governadores-do-sudeste-declaram-apoio-a-bolsonaro-no-segundo-turno-05102022" target="_blank" rel="noreferrer noopener">governadores dos três estados do Sudeste</a>: Romeu Zema (Novo) em Minas, de Claúdio Castro (PL), no Rio, ambos reeleitos, e do governador de São Paulo Rodrigo Garcia (PSDB), terceiro colocado no primeiro turno. Também declararam votos em Bolsonaro o jogador Neymar Jr. e alguns dos principais <a href="https://g1.globo.com/df/distrito-federal/eleicoes/2022/noticia/2022/10/17/bolsonaro-cantores-sertanejos-brasilia.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">representantes da música sertaneja</a>, como Leonardo, Zezé de Carmargo, Chitãozinho, Gustavo Lima e Sula Miranda.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Projeto de reconstrução nacional</h2>



<p>São dois os desafios postos para os democratas no Brasil. Primeiro, derrotar Bolsonaro nas ruas, depois construir maiorias para tocar uma agenda de reconstrução nacional. “É isso o que está em jogo agora: impedir em definitivo a morte da democracia, sequestrada e torturada que foi com a ascensão da extrema-direita ao poder, ou ter que enfrentar um regime autocrático e terrorista ainda que construído a partir de eleições, o que lhe daria um fajuto verniz de democracia”, analisa Túlio Velho Barreto.</p>



<p>“Trata-se de impedir, em última instância, a barbárie; para dar início à reconstrução do projeto civilizatório propiciado pela Constituição Federal de 1988, aprofundado nas décadas de 1990, mas, sobretudo, na primeira década deste século (durante os dois mandatos de Lula)”, argumenta.</p>



<p>Túlio acredita que uma vitória de Lula por uma pequena margem deve ser seguida de um questionamento legal e político pelo atual presidente e seus apoiadores – nos moldes de Aécio Neves em 2014 &#8211; e não descarta o que chama de ações terroristas como a praticada por Roberto Jefferson. “Essas duas bombas de efeitos retardados foram montadas por Jair Bolsonaro e aliados durante todo o seu mandato. E dão consequências ao modus operandi da linha-dura que atuou na ditadura e na reação ao retorno da democracia, da qual alguns militares do governo  fizeram parte ou são tributário de seu legado terrorista”.</p>



<p>Para a médica sanitarista Bernadete Perez, é preciso afirmar que os brasileiros e brasileiras não estão condenados ao retrocesso civilizatório dos últimos anos, mas à possibilidade real da mudança. “O que a gente tem que fazer imediatamente é por fim democraticamente a esse pesadelo. Precisamos recuperar a vontade das pessoas, dos grupos, dos coletivos para a construção de projetos críticos e alternativos à descrença, ao pessimismo, às redes frias de violação dos direitos humanos e pra isso a gente precisa de esperança, reencantamento, práxis dos territórios, alegria dos territórios, diversidade cultural e de resistência insistente e criativa. A ocorrência de transformações depende sempre do desejo também, de imaginar futuros e novas utopias possíveis”.</p>



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		<title>Coletivos populares viram votos para Lula na reta final da eleição</title>
		<link>https://marcozero.org/coletivos-populares-viram-votos-para-lula-na-reta-final-da-eleicao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Laércio Portela]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Oct 2022 14:25:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[coletivos populares]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação popular]]></category>
		<category><![CDATA[Lula 2022]]></category>
		<category><![CDATA[Lula presidente]]></category>
		<category><![CDATA[material de campanha]]></category>
		<category><![CDATA[periferia com Lula]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A falta de material de campanha, o discurso violento de Bolsonaro e o clima de tensão no ar. Nada disso foi capaz de sufocar a iniciativa de coletivos populares do Recife e Região Metropolitana de ir pras ruas de suas comunidades disputar o voto em Lula na reta final do segundo turno. Isso não significa [&#8230;]</p>
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<p>A falta de material de campanha, o discurso violento de Bolsonaro e o clima de tensão no ar. Nada disso foi capaz de sufocar a iniciativa de coletivos populares do Recife e Região Metropolitana de ir pras ruas de suas comunidades disputar o voto em Lula na reta final do segundo turno. Isso não significa que os coletivos não tinham ou tenham receito de ser hostilizados por bolsonaristas, mas colocaram em primeiro lugar a urgência do combate à fome, a defesa da democracia e o resgate e ampliação de direitos perdidos e por conquistar.</p>



<p>Alguns desses coletivos se manifestaram abertamente por uma candidatura nas redes e nas ruas pela primeira vez na sua história. Foi o caso do Coletivo Força Tururu, de Paulista, com 14 anos de existência. O engajamento pró-Lula veio ainda no primeiro turno. “Decidimos entrar de cabeça na campanha um mês e meio antes do primeiro turno. Primeiro, formamos um grupo para dialogar com pessoas que pensam igual a gente, ou seja, votam em Lula e, posteriormente, montamos estratégias para trabalhar com pessoas que pensam diferente da gente, indecisos ou até mesmo quem vota em Bolsonaro`, explica André Fidélis, do coletivo.</p>



<p>Os integrantes do Força Tururu sentiram a necessidade de criar uma marca, foi então que surgiu o #TururuTáComLula. Depois, eles investiram em elaborar um material que tivesse a” cara e o sentimento da comunidade”. Foram 1.500 “preguinhas”, 800 adesivos de carro e portão e um banner. E mais: produziram dois spots para anuncicleta &#8211; anúncio em aúdio para bicicleta &#8211; que já circularam por 20 horas, com vozes dos próprios moradores do Tururu.</p>



<p>Nas últimas semanas, o coletivo realizou sete reuniões com grupos diferentes da comunidade, uma caminhada pelas ruas do Tururu, um ato de serigrafia de camisa e, no próximo sábado (29), fará um evento para estampar camisas e visibilizar a candidatura de Lula na véspera da votação do segundo turno. André confessa que, antes de realizarem a caminhada, os integrantes do coletivo estavam com muito receio de sofrerem algum tipo de violência dos bolsonaristas mais extremistas, mas o que viram foi uma recepção muito positiva dos moradores, pedindo adesivos e material.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Produção própria de material</h2>



<p>Aliás, material de campanha é um tema à parte. Na verdade, a falta de material para ser distribuído nas comunidades. Problema enfrentado pelo Coletivo Fala Alto, que atua nas comunidades do Alto do Pascoal, Córrego do Deodato, Bomba do Hemetério e adjacências. Eles têm tentado obter material com partidos e organizações e pedido doações. Conseguiram TNT, um pouco de cetim e uma tela para serigrafia em camisa.</p>



<p>“Foi uma maneira que a gente achou de produzir material próprio porque quando a gente anda pela comunidade e o povo vê uma praguinha no peito, um adesivo, uma bandeira na bicicleta ou no carro, sempre perguntam onde é que tem, onde é que conseguem e, na verdade, não tem. Às vezes é até difícil a gente conseguir pra gente”, conta Kayo Na Real. Por conta disso, o Fala Alto decidiu fazer uma ação para pintar camisas.</p>



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	                                        <p class="m-0">Camisas produzidas pelo coletivo Fala Alto. Crédito: Divulgação</p>
	                
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<p>A deliberação saiu do comitê que o coletivo criou. A ideia surgiu da inquietação de moradores da comunidade que sentiram a necessidade de convencer os eleitores indecisos e pessoas que votaram em outros candidatos no primeiro turno. Mostrar a importância da classe trabalhadora votar em Lula. Kayo diz que esse era um trabalho historicamente feito pelos partidos de esquerda, mas que deixaram de lado. “Esse trabalho de estar dentro da comunidade, de falar pra massa. Diferente de chegar no Centro da cidade quando a galera está com a cabeça no trabalho ou querendo chegar em casa. Não que não seja importante fazer ato no Centro, mas só focar nisso não tem dado certo”.</p>



<p>“A gente passou por um golpe contra uma presidenta eleita, a gente passou por diversas reformas durante o governo golpista de Michel Temer e sempre se falou em greve geral, em se parar tudo e nada aconteceu. Então, assim, a gente tem esse intuito de fazer (o debate) dentro da comunidade pra trazer de volta essa raiz que a esquerda tradicionalmente tinha e deixou, essa essência. De sair daqui pra fora e não o inverso. A ideia é essa”, enfatiza.</p>



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	                                        <p class="m-0">Arrastão pró-Lula nas comunidades do Alto do Pascoal e da Bomba do Hemetério. Crédito; Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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<p>Nessa quinta (28), o grupo realizou o ato mais importante desse segundo turno na comunidade. Um Arrastão cultural que saiu da Caixa d´água, passou na frente do Compaz e desceu pra Bomba do Hemetério. Aproveitaram a ação para distribuir o máximo de material possível para os moradores e encorajá-los, pelo exemplo, a avermelhar a comunidade. “A gente vê muito o 22, a gente vê muito a bandeira do Brasil, mas que se for avermelhar, a gente consegue cobrir esses tons aí que estão do lado fascista da eleição. A ideia é essa, que quem tem seu paninho vermelho, sua camisa vermelha, bote pra fora, pendure nas janelas”, explica.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Divergência e posicionamento público</h2>



<p>O Fala Alto e o Força Tururu têm trabalhado, cada um, de forma unificada contra Bolsonaro, mas para alguns jovens moradores e moradoras de periferia que atuam em coletivos e apoiam Lula, a disputa começou a ser travada dentro de suas próprias organizações. É o caso de Martihene Oliveira e Gilberto Luiz, fundadores do Coletivo Sargento Perifa, da comunidade do Córrego do Sargento, Zona Norte do Recife.</p>



<p>Foi muito duro para Martihene ver integrantes do grupo fazendo campanha para Bolsonaro no domingo do primeiro turno. Os dias que se seguiram foram angustiantes e ela compartilhou essa dor com o também jornalista Gilberto Luiz. No dia 11, os dois fizeram uma postagem no instagram oficial do coletivo assumindo publicamente o apoio a Lula para presidente. Foram incentivadas por outros integrantes também pró-Lula incomodados com a situação.</p>



<p>Antes, avisaram no grupo de zap do coletivo. O Perifa toca mais de 10 projetos que mobilizam dezenas de pessoas na comunidade. “Tem pessoas que são pilares para o coletivo e não votam em Lula. Não podíamos abrir mãos delas. Tivemos que puxar a bala pro peito da gente mesmo e dizer que nossa posição era enquanto jornalistas do Perifa. Essa foi a melhor estratégia que a gente teve e eu faria tudo de novo”.</p>



<p>A jornalista, a primeira de sua família a obter o diploma de ensino superior, é neta do fundador já falecido da Assembleia de Deus no Córrego do Sargento e ela mesma era referência religiosa local até deixar a igreja em 2019, já como uma resposta ao avanço do discurso conversador a partir da eleição de Bolsonaro em 2018. Na postagem, Martihene e Gilberto enumeram os motivos porque votam em Lula e defendem a coerência do seu posicionamento para gerar reflexão. Foram dezenas de comentários positivos e muito poucas pessoas deixaram de seguir o Perifa.</p>



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<p>Martihene criou um grupo de zap para debater com pessoas da comunidade que se aproximaram dela depois do seu posicionamento público. A jornalista tem feito porta a porta confrontando a fala de Bolsonaro e suas mentiras com a vida real das pessoas. Quando ele disse que não existia fome no Brasil, ela foi em algumas casas e perguntou aos moradores se tinham comida na geladeira. Eles deixaram ela entrar e mostraram a escassez de alimentos na casa. “Tenho certeza que consegui votos levando essa consciência política”.</p>



<p>Martihene aposta no porta a porta para convencer os eleitores quando os temais são mais delicados, como é o caso do abordo, ainda mais numa comunidade como o Córrego do Sargento, majoritariamente evangélica. “Eu preciso conscientizar a moradora sobre a diferença entre o que é ser a favor do aborto e o que é entender o aborto como uma questão de saúde pública. Quem aqui não conhece alguém que já abortou clandestinamente mesmo não sendo a favor do aborto, correndo sérios riscos? Isso tem feito as mulheres refletirem porque todas têm um caso próximo conhecido”.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Realizações e propostas nas redes sociais</h2>



<p>No Ibura, um dos maiores e mais populosos bairros do Recife, as integrantes do coletivo Ibura Mais Cultura decidiram investir suas forças nas redes sociais e no whatsapp nesse segundo turno a partir da percepção de que as fake news espalhadas pelos bolsonaristas têm confundido os eleitores e aumentado o apoio ao atual presidente. Isso ficou evidente nas conversas presenciais com os moradores ainda no primeiro turno e na grande quantidade de eleitores e eleitoras com bandeiras do Brasil e vestindo amarelo nas seções eleitorais da comunidade no dia 1 de outubro.</p>



<p>Integrante do coletivo, Lídia Lins diz que parte desse apoio vem do processo de “alienação que acontece dentro das igrejas” espalhadas pelo bairro. Apesar disso, ela explica que muita gente, embora tenha uma visão crítica do PT, vai votar em Lula porque está sentindo o peso no próprio bolso, especialmente mulheres chefes de família.</p>



<p>A aposta nas redes faz sentido porque a maior parte dos seguidores do coletivo é do próprio bairro. O público, em sua maioria de jovens, cresceu também em outras faixas etárias a partir da atuação do coletivo na pandemia e no apoio às vítimas das chuvas no inverno desse ano. As postagens agora chegam para mais gente. A estratégia é divulgar os avanços do governo Lula, os investimentos e as políticas públicas que beneficiaram diretamente as populações periféricas. Relembrar o que foi feito de positivo no passado por Lula e Dilma para confrontar o discurso antipetista.</p>



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<p>“A gente fez essa escolhas entendendo que em 2018 a gente errou muito, nós no sentido amplo da esquerda, do campo progressista, que acaba dando muito palco ao discurso bolsonarista, compartilhando todos os absurdos que Bolsonaro e seus apoiadores acabavam propagando. Por isso decidimos dar evidência ao que já foi feito por Lula e às suas propostas. A onda antipetista fez com que muita coisa fosse esquecida e não repercutisse”, analisa Lídia, alertando que os mais jovens já pegaram algumas políticas em andamento e não têm noção histórica das mudanças e de como elas foram impactando no tempo.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Arrebentando barreiras invisíveis</h2>



<p>Na comunidade do Coque, quem está à frente da mobilização política anti-bolsonarista nesse segundo turno é o Movimento Arrebentando Barreiras Invisíveis, o Mabi. Criado em 2000 por um grupo de amigos que curtiam e tocavam rock, o Movimento nasceu com a ideia de descriminalizar a periferia e a pobreza. O estigma do bairro ficou evidente já no início quando decidiram realizar eventos fechados e parte do público e mesmo algumas outras bandas que curtiam o movimento não queriam ir ao Coque. Foi quando decidiram fazer os shows e eventos próximo à Estação Joana Bezerra e facilitar a chegada e saída de todos.</p>



<p>Em 2005, em parceria com alunos e professores da UFPE produziram um jornal local, que depois se transformou num fanzine. A ideia era abrir uma possibilidade de o mundo escutar a voz do Coque, explica Procópio Silva, do coletivo, mas acabaram escrevendo sobre tudo, e caindo mais no terreno da arte. Entre 2010 e 2012, alguns dos integrantes do Mabi entraram na universidade pública. Um fez psicologia, outro fez sociologia. Procópio entrou em ciências sociais. Foi quando perceberam que além de focar no trabalho de descriminalização da pobreza, eles poderiam contribuir com a entrada de pessoas periféricas no ensino superior público.</p>



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	                                        <p class="m-0">Grafitagem do Mabi no Coque. Crédito: Divulgação</p>
	                
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<p>Hoje têm uma sede numa casa alugada com três salas, sendo um estúdio, um espaço para guardar os equipamentos musicais e uma outra onde dão aulas preparatórias para o pré-vestibular a moradores da comunidade. No ano passado, 50% dos alunos conseguiram entrar na universidade pública federal. E é nessa sala em que o coletivo agora está realizando rodas de diálogo com moradores e moradoras para defender o voto em Lula nesse segundo turno. Foi a disputa eleitoral, inclusive, que depois de tanto tempo, motivou a criação de uma página específica do coletivo no Instagram.</p>



<p>Procópio divide a história do Mabi em quatro fases, a última é a do Movimento Arrebentando Barreiras Invisíveis em Estado de Exceção, já sob o governo Bolsonaro. “Frente a esse fascismo bolsonarento, a gente do Mabi não poderia ficar calado e a gente tá utilizando a voz que a gente tem, não sabemos o impacto dessa nossa voz dentro do Coque, mas a gente tem uma voz, e a gente vem utilizando ela para se posicionar contra esse fascismo bolsonarento. A partir desse entendimento a gente criou uma série de estratégias. Fizemos mutirão de grafite, roda de diálogo, cine coque, além das nossas redes sociais e do boca a boca”, explica Procópio.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Campanha de escuta e comparação</h2>



<p>Na quarta-feira (26), um carro de som passava pela Av Norte anunciando uma “super carreata” de Bolsonaro na Guabiraba. Assim como outros locais de morro na Zona Norte do Recife, lá também virou alvo das investidas bolsonaristas. No primeiro turno, chamou a atenção as propagandas de Alberto Feitosa, que foi reeleito deputado estadual. No segundo turno, o que tem se visto são bandeiras de Raquel Lyra (PSDB) ao lado das de Bolsonaro, ainda que a candidata não tenha declarado apoio à reeleição do presidente.</p>



<p>“O pai de Priscila Krause (Gustavo Krause, que foi do partido de sustentação da ditadura militar no Brasil) reativou essas bases antigas que tinha nos morros, de campanhas anteriores”, diz Tatiane Gâmboa, militante do Movimento Sem Terra que tem passado os dias em campanha nas ruas da Zona Norte.</p>



<p>É em ruas de comércio, como a principal de Nova Descoberta, que Tatiane diz se concentrar a propaganda bolsonarista nos morros. “Mas quando se entra mesmo nas comunidades, na parte da escadaria, só dá Marília Arraes e Lula”, diz. A campanha que Tatiane está levando para as ruas é feita de luta e esperança. Na falta de material, os próprios militantes e movimentos estão confeccionando panfletos e bandeiras em mutirões. “Temos que avermelhar a cidade”, diz.</p>



<p>Nas passeatas e panfletagens, Tatiane conta que o importante é ouvir o que as pessoas ainda indecisas sobre o voto têm a dizer. “E depois eu falo sobre o que vai ter impacto na vida da pessoa. Salário mínimo, saúde, educação…muitos dizem que vão votar em Lula quando fazem a comparação”, diz. Com a enxurrada de mentiras despejadas nesta eleição, Tatiane também aprendeu a desmentir as notícias falsas que vê repetidas nas abordagens. “Se o percentual de votos para Lula foi de mais de 60% agora no segundo turno vai ser mais de 70% em Pernambuco”, acredita.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Sem tempo a perder</h2>



<p>Apesar da maior parte dos eleitores e eleitoras informarem aos institutos de pesquisa que já decidiram o voto, ainda há uma margem de eleitores indecisos que podem fazer a diferença na reta final da disputa. Por isso, muitos coletivos populares que atuam nos territórios periféricos têm agendadas ações para essa sexta (28) e sábado (29) em suas comunidades. Na sexta, o Mabi vai fazer um cine debate na Academia da Cidade, no Coque, a partir das 16h, para discutir as fake news. No sábado, pela manhã, o Força Tururu realiza pintura de camisa e adesivaço no Campo do Tururu, em Paulista. Nesse mesmo dia, véspera da eleição, integrantes do Sargento Perifa vão ocupar a avenida principal da Linha do Tiro para estampar camisas de Lula Presidente.</p>



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			</item>
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		<title>Esperançar. Seguimos dias de esperança, apesar dos pesares</title>
		<link>https://marcozero.org/esperancar-seguimos-dias-de-esperanca-apesar-dos-pesares/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Oct 2022 23:58:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[bancada no Congresso]]></category>
		<category><![CDATA[esperançar]]></category>
		<category><![CDATA[Lula 2022]]></category>
		<category><![CDATA[Marília Arraes]]></category>
		<category><![CDATA[militância]]></category>
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		<category><![CDATA[religião e política]]></category>
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<p><strong>Por Bia Pankararu*</strong></p>



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<p>Após a ressaca do primeiro turno das eleições, trago alguns pontos dos resultados para refletir sobre o cenário político atual. De cara, por mais que haja uma expressiva eleição para a bancada bolsonarista, é importante lembrar que a esquerda também teve vitórias significativas e ampliou sua representação política. E antes de qualquer narrativa de vitória bolsonarista, é preciso deixar claro que está acontecendo o maior esquema de compra de votos de todos os tempos. Bolsonaro teve ao seu lado e na sua mão um orçamento secreto bilionário para compartilhar com seus apoiadores. Mesmo com a máquina pública ao seu dispor, um show de <em>Fake News</em> e o fantasma do comunismo, Bolsonaro ficou atrás de Lula em 6 milhões de votos válidos.</p>



<p>As pesquisas que apontavam uma possível vitória de Lula ainda no primeiro turno, deixaram um gosto de decepção nos mais de 57 milhões de brasileiros que votaram em Lula, e reforçaram os discursos de boicote e sabotagem aos órgãos de pesquisa entoados pelos militantes de Bolsonaro. A verdade é que, mesmo depois de quatro anos de escândalos após escândalos, Bolsonaro recebeu mais de 51 milhões de votos válidos. Foi a eleição com maior participação popular e mais acirrada entre os candidatos à Presidência da República. Mesmo acirrada, nunca antes um candidato à reeleição ficou atrás do seu adversário e, também, nunca antes o segundo colocado conseguiu virar no segundo turno.</p>



<p>O resultado das eleições mostraram como a democracia no Brasil, apesar dos pesares, segue funcionando. Uma participação expressiva nas urnas, mas ainda é preciso olhar para aquela população que entre pagar a multa ao TSE e os custo de deslocamento, deixa de votar por não ter condições financeiras, por não ter com quem deixar os filhos ou por não se sentir parte importante no processo democrático de escolha política. A militância do PT, por muitas vezes, se mostra mais POP que popular. Com apoio em massa de artistas, encontros nos grandes centros e uma militância festiva de boteco e redes sociais, faltou a militância que atua junto das periferias, comunidades rurais e nos interiores onde a política coronelista tende ao bolsonarismo. São esses espaços onde as igrejas ganham domínio de narrativa e conquistam um verdadeiro rebanho de votos através do domínio pela fé.</p>



<p>Essa semana se iniciou com as campanhas para o segundo turno a todo vapor. Onde esperávamos um aprofundamento de debates e a atenção para os apoios e coligações políticas, uma onda religiosa e cristã tomou conta das redes sociais. Um vídeo sensacionalista alegando que, se Lula fosse eleito, ele entregaria o país ao próprio satanás, mexendo assim com o eleitorado evangélico e dito cristão. Em contrapartida, uma enxurrada de respostas de como Lula garantiu o direito de liberdade religiosa, criando leis e mecanismos para o pleno exercício da fé. O que já parecia uma cruzada entre bons e maus fiéis de Deus, ganhou novo capítulo quando Bolsonaro se tornou o principal assunto dos últimos dias ao circular um vídeo dele em um encontro Maçônico. A maçonaria é atribuída por muitos ao anticristo e teorias satânicas, logo, choveu uma montanha-russa de notícias, memes, sátiras e começamos o segundo turno debatendo quem realmente fez um pacto com o demônio, ou satanás, e como em outros momentos da história, Deus e o Diabo foram envolvidos na política interna de um país, até então, laico.</p>



<p>Por hora, nem Deus e nem o Diabo disseram de que lado estão, mas Simone Tebet e Ciro Gomes já sinalizaram apoiar a candidatura de Lula para o pleito presidencial. Simone Tebet fez um posicionamento caloroso e confiante, afirmando ser uma defensora da democracia e que estaria ao lado do povo e de Lula para a eleição. Ciro Gomes se conteve em dizer que seguia o posicionamento do seu partido, o PDT, e sem citar o nome de Lula em nenhum momento, também disse defender a democracia e que essa seria a única opção possível. Em resumo, o pódio da corrida presidencial se une para derrotar Bolsonaro e eleger Lula.</p>



<p>Em Pernambuco, iremos para o segundo turno com Marília Arraes e Raquel Lyra disputando o Palácio do Campo das Princesas, sede do Governo pernambucano. Um cenário já mostrado como possível pelas últimas pesquisas. Nos resta agora esperar um maior entendimento das campanhas, o que vai levar um tempo e tom diferenciado. A morte súbita do marido de Raquel Lyra, o empresário Fernando Lucena, abala profundamente toda a família, amigos e o decorrer da campanha, tanto que a coligação de Raquel pediu o adiamento do horário eleitoral em virtude do seu luto. Marília, que está grávida, vem pegando leve nas agendas, no entanto, irá iniciar sua campanha em programa eleitoral a partir desta sexta-feira (7).</p>



<p>Teremos, pela primeira vez, o estado governado por uma mulher, de sobrenomes conhecidos e um debate aguardado entre as duas candidatas. Marília e Raquel já protagonizam uma disputa histórica. Enquanto o partido de Marília, o Solidariedade, declara apoio a Lula e a campanha enfatiza isso o tempo inteiro como a campanha de Lula, o PSDB de Raquel deixou seus filiados livres para declarar apoio tanto a Lula quanto a Bolsonaro. A verdade é que políticos de partidos como PL, MDB e o também candidato ao Governo Miguel Coelho, agora abertamente apoiador de Bolsonaro, declara apoio à candidatura de Raquel. Vai se desenhando uma narrativa de que Marília seria a candidata de Lula e Raquel de Bolsonaro, apesar de Raquel, nem sua campanha, ter se manifestado sobre o assunto. Fortes emoções nos esperam nos próximos 20 e poucos dias.</p>



<p>Preciso trazer a importância que foi a eleição de pessoas como Rosa Amorim e Dani Portela para a Alepe. A vitória de Sônia Guajajara e Célia Xakriabá na Câmara Federal como guardiãs das pautas climáticas. A eleição de Érika Hilton e Duda Salabert, primeiras mulheres trans na Câmara em Brasília. O MST elegeu dois deputados federais e quatro estaduais. Sigo acreditando que temos mais motivos para seguirmos confiantes de estarmos do lado certo da história e dia 30 não será definitivo. Ainda teremos muita luta pela frente. Independente do presidente que for eleito, teremos ainda um Congresso e um Senado ainda mais conservadores, fundamentalistas e dispostos a entregar o Brasil à barbárie, mas também teremos novas forças, energias e disposição para resistir e transformar a realidade da nossa gente. E a esperança, meus amigos, nunca há de acabar.</p>



<p>*<strong>Bia Pankararu tem 28 anos, é mulher indígena, sertaneja, mãe de Otto, LGBT+, técnica em enfermagem e produtora cultural e audiovisual. Ativista pelos direitos humanos e ambientais. Comunicadora da rede @povopankararu.</strong></p>



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