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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>&#8220;Resistir acabou se tornando um modo de vida&#8221;, diz feminista afro-equatoriana</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Sep 2019 19:55:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Equador]]></category>
		<category><![CDATA[ocupa politica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ativista social de direitos humanos, feminista, Juana Carol Francis Bone atuou como assessora legislativa na Assembleia Nacional do Equador. Além de ser cofundadora do Movimento Mujeres de Asfalto, trabalha no campo das eleições de mulheres e lideranças sociais com recorte afrodescendente no Equador. Juana participou do Ocupa Política no último sábado (31) no debate Combate [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/selo-ocupa-política-e1565906338505.png"><img decoding="async" class="alignleft wp-image-18264" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/selo-ocupa-política-300x201.png" alt="selo ocupa política" width="165" height="111"></a>Ativista social de direitos humanos, feminista, Juana Carol Francis Bone atuou como assessora legislativa na Assembleia Nacional do Equador. Além de ser cofundadora do Movimento Mujeres de Asfalto, trabalha no campo das eleições de mulheres e lideranças sociais com recorte afrodescendente no Equador. Juana participou do <a href="http://marcozero.org/confira-a-programacao-do-encontro-ocupa-politica-no-recife/">Ocupa Política</a> no último sábado (31) no debate<strong> Combate ao Racismo: resistência e ancestralidade</strong>.&nbsp; Para ela, os custos para construir uma nova forma de fazer política&nbsp;valem a pena quando estão de acordo com práticas de resistência e construção que dialogam com a base da sociedade. &#8220;Não quero dizer que tudo na política atual é inútil, só quero tentar ser clara: custa muito em uma sociedade racista ser mulher na política, ser uma mulher negra rural, ser uma mulher negra, rural e pobre. E estar nesses espaços não para preencher, mas para re-existir como atores políticos&#8221;, afirma.</p>
<p>&#8220;Está na hora de desenvolver estratégias, às vezes talvez seja preciso ceder, mas sobretudo precisamos não perder a raiz. O último processo eleitoral nos marcou ao vermos a diferença que o reconhecimento dessa diversidade de organizações sociais progressistas traz, e a mudança para a militância da organização política progressista à esquerda que se recusava a se reinventar tanto discursivamente como organicamente em suas práticas&#8221;, provoca Juana.</p>
<p>Confira abaixo a entrevista que ela concedeu à Marco Zero Conteúdo.</p>
<p><strong>Qual é o contexto do debate sobre raça, gênero e sexualidade no Equador</strong>?</p>
<p>O principal contexto é de desigualdade, da precariedade da vida nos últimos tempos, com as medidas racistas do Estado. Existe o temor de colocar essas pautas na agenda pública. O Equador é um país racista que não gosta de ser perturbado por interpelações desse tipo. O tempo passa e uma das coisas que mais encontramos é a naturalização da violência, a invisibilidade do Estado e a falta de políticas. Colocar&nbsp;o debate de gênero e sexualidade na agenda pública tem sido historicamente uma tarefa árdua das diferentes organizações sociais.</p>
<p><strong>Onde estão as mulheres negras na política no Equador</strong>?</p>
<p>As mulheres negras no Equador estão em várias trincheiras resistindo a partir do território à nossa estética, nossos sentidos e sentimentos. Veja o <em>cimarronaje</em> (fenômeno de resistência contra o sistema colonial) como ideologia política e memória social contínua.</p>
<p>As organizações políticas (movimentos e partidos políticos) continuam sem dimensionar seu papel em um sistema democrático que comercializa estritamente a questão eleitoral. As mulheres estão lá, mas muitas vezes como objeto e não como sujeitos de direitos. Essa realidade pode parecer um pouco cruel, mas ainda existe uma dívida histórica no setor de participação cidadã e seus mecanismos eficazes de inclusão.</p>
<p><strong>Como está ocorrendo esse debate no Equador, que tem uma população afro-equatoriana ou negra de 7%?</strong></p>
<p>Temos uma população auto-reconhecida que cresce, mas o debate e a resistência ocorrem a partir dessas dimensões, longe do público, do Estado. No último período, intensificou-se o relacionamento das organizações afro com o Estado, com o caso do assassinato de Gavis Moreno, um funcionário público. O Estado foi responsabilizado, mas não implementou protocolos de segurança. Passaram-se alguns meses e, em uma manifestação, Andrés Padilla é morto pelas costas por um policial. Os territórios historicamente do povo afro são abandonados e a vida é precária, a impunidade em processos judiciais também é um problema.</p>
<p>Não há debate quando a maquinaria estatal é usada para invisibilizar. O que resta das bases organizacionais é resistir. Não se trata de esgotar a palavra resistência, é que acabou se tornando um modo de vida.</p>
<p><strong>A esquerda quebra ou aumenta quando os padrões de gênero e raça entram em cena?</strong></p>
<p>No Equador, a esquerda é fraca pelos vícios do poder, além de sustentar que &#8220;as prioridades do debate público não são gênero e raça&#8221;.&nbsp;Isso é tão arcaico que alguns deles falam&nbsp;que&nbsp;a crise da &#8220;luta de classes&#8221; seria o feminismo comunitário que&nbsp;tem servido como instrumento político para tornar visíveis as vozes, o território e as novas agendas políticas.</p>
<p><strong>O que a esquerda ganha ao apostar na inclusão dos excluídos historicamente?</strong></p>
<p>Mais do que ganhar é tornar o seu discurso mais empático com as realidades. As distâncias percorridas pelas organizações políticas e sociais com a esquerda são o reflexo de não construir uma agenda que nos represente. O desgaste dos partidos de esquerda e o formato dos movimentos progressistas e seu crescimento baseiam-se na geração dessa empatia com os territórios.</p>
<p><strong>Existe uma falsa controvérsia neste debate sobre identidade e luta de classes?</strong></p>
<p>Passa pela empatia, existe uma controvérsia sobre as distâncias de atualização das reflexões com uma abordagem prática da interseccionalidade. Mara Viveros nos convida a atravessar esse filtro. O desenho da política mestiça (mista) como estratégia para homogeneizar todo o problema acaba levando novamente o tema da esquerda para as periferias do debate e da reflexão, permitindo que apenas alguns estejam na cena pública.</p>
<p>Isso apenas me faz pensar como é necessário que a luta do feminismo negro materialize o mapeamento do poder e onde estamos ou onde isso nos coloca.</p>
<p><strong>O que os críticos das agendas de identidade dizem para defender a ideia de que enfraquecem a esquerda?</strong></p>
<p>Eles não dizem nada. Os intelectuais nas novas investigações realizadas não dizem nada, e não dizer nada é continuar o jogo da invisibilidade política ou responder estritamente à agenda de cooperação internacional. A complacência da academia com o Estado.</p>
<p>Reinventar a esquerda na região é reconhecer uma memória histórica racista, sexista e xenófoba, da qual nossas organizações políticas, academia e Estado foram cafetões sem compaixão.</p>
<p><strong>Qual a importância de trazer sua experiência para discutir em Ocupar Política no Brasil?</strong></p>
<p>A oportunidade de estar no Ocupa Política não é apenas um espaço para contar uma experiência (sem a necessidade de romantizar), mas também para me alimentar da agenda internacional dos avanços e desafios do que significa fazer interseções políticas democráticas e de como enfrentar sistemas racistas sexistas, xenófobos.</p>
<p>É da construção dessas novas alianças que surgiram estratégias das organizações sociais para fazer parte das estratégias nas organizações políticas.</p>
<p><strong>Você acha que existem semelhanças entre o contexto do Brasil e do Equador?</strong></p>
<p>Sim, estamos em crise. É preciso encarar a convulsão que a região está enfrentando com o avanço dos anti-direitos. Eles são mais eficazes na internacionalização de uma agenda racista e xenofóbica. Eles alimentam a cultura do medo com as estratégias mais progressistas e sustentam o discurso de segurança. É uma crítica hipócrita da supremacia das convergências dos excluídos. Precarizam a vida das comunidades negras e indígenas, desapropriam o território e usam o aparato estatal para tornar essa agenda eficaz.</p>
<p>No entanto, o panorama de resistência se torna visível com a diversificação das vozes. Ainda temos esperanças (e trabalhamos para elas desde as bases) na elaboração de uma política diferente.</p>
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		<title>Comunicação e política: como conseguir engajamento e conquistar (e)leitores</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Sep 2019 15:00:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>
		<category><![CDATA[ocasio]]></category>
		<category><![CDATA[ocupa politica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em tempos de eletrizantes fake news, às vezes parece que o jornalismo político e social é sem graça. Perdido em conceitos, sem energia, com textos quilométricos que não geram impacto. O mesmo pode ser dito de algumas campanhas políticas de esquerda: candidatos que debatem teorias que nunca conseguem alcançar o cotidiano das pessoas. Falar com [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/selo-ocupa-política-e1565906338505.png"><img decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-18264" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/selo-ocupa-política-e1565906338505.png" alt="selo ocupa política" width="150" height="101"></a>Em tempos de eletrizantes <em>fake news</em>, às vezes parece que o jornalismo político e social é sem graça. Perdido em conceitos, sem energia, com textos quilométricos que não geram impacto. O mesmo pode ser dito de algumas campanhas políticas de esquerda: candidatos que debatem teorias que nunca conseguem alcançar o cotidiano das pessoas.</p>
<p>Falar com propriedade sobre temas importantes, conquistar a atenção das pessoas e fazer tudo isso com qualidade e ética dentro do jornalismo ou da política é um grande desafio da comunicação. Oficinas e rodas de diálogos no encontro do <strong>Ocupa Política</strong>, que durante três dias movimentou o Recife, perpassaram sobre esse tema: como, enfim, engajar as pessoas e conquistar a atenção?</p>
<p>As respostas e questionamentosparaessa pergunta servem tanto para candidatos quanto para os meios de comunicação. No debate sobre <em>Comunicação e Mobilização por Direitos</em> no último dia do Ocupa Política, comunicadores de vários estados do Brasil e do Uruguai explanaram sobre novas formas de resistência e política por meio da comunicação.</p>
<p>A experiência mais exitosa, em termos de audiência, posta na roda de diálogo foi a do jornal uruguaio <a href="http://ladiaria.com.uy" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>La Diaria</em></a> &#8211; assim mesmo, no feminino. Impresso de segunda a sábado, o jornal nasceu há 13 anos, como uma cooperativa de jornalistas independentes. Hoje, é o segundo jornal mais lido do país, emprega mais de 130 pessoas, e consegue ter 80% da sua receita por meio de assinaturas. Os 20% restantes vêm da publicidade. A meta é, em breve, ficar 100% livre de anúncios.</p>
<p>Para a editora do La Diaria Denisse Legrand, a chave do sucesso é o laço de confiança que ele mantém com seu público. É um jornal com posicionamento, à esquerda, mas que não deixa de ser crítico, diz ela. &#8220;Temos uma missão claramente progressista e um alto nível de confiança entre os leitores. Nos últimos anos temos apostado no jornalismo especializado, gerando editorias específicas como Educação, Saúde, Trabalho, Ciência e Feminismo. Somos referência para o sistema político, por sermos um espaço de confiança, apresentando a pauta política com muita qualidade informativa&#8221;, diz.</p>
<p>Para Bruna Souza, do coletivo Chama, do Rio de Janeiro, para conseguir se comunicar de forma eficaz com a população é preciso traduzir conceitos e abstraçõesem exemplos práticos do dia a dia. &#8220;O debate que está acontecendo deve ser trazido para o chão. Trazer para a base. Entender como isso afeta o dia a dia. Levar a comunicação para o povo, para questões práticas. É um trabalho de formiguinha&#8221;, diz Bruna, que também trabalha no mandato da deputada federal Talíria Petrone, no Rio de Janeiro.</p>
<p>Fazer uma comunicação relevante e de impacto, claro, éum conceito que varia de público para público. E uma campanha política ou um meio de comunicação tem que estabelecer com quem quer se comunicar prioritariamente. Foi focando em descobrir qual o seu público alvo que Flávia Moreira, que trabalhou na campanha vitoriosa da Bancada Ativista na Assembleia do Estado de São Paulo, deu uma oficina voltada para comunicação digital.</p>
<p>A primeira dica que ela ofereceu é que é preciso saber como se comporta o seu público. Não é um bicho de sete cabeças: gênero, faixa etária, localização geográfica e tipo de celular estão a um clique com softwares gratuitos de monitoramento. Flávia alertou que é necessário fazer um acompanhamento estratégico desses dados, testando formas de abordar os assuntos que o candidato defende. Traduzindo esses assuntos &#8211; novamente a mesma tecla &#8211; em exemplos práticos que afetam o cotidiano das pessoas.</p>
<p>A política contemporânea, assim como a comunicação, tem que ser relevante, forte e direta, para atingir mentes e corações ocupados (distraídos?) demais com umaenxurrada de informação. O verdadeiro pulo de gato é identificar oqueesses adjetivossignificam para o público alvo de cada candidato, ouveículode comunicação. Ao contrário do que otítulo deste texto e tantos livros de marketingafirmam, nãohá uma fórmula pronta para o sucesso.</p>
<h2>&#8220;Os candidatos devem ser contadores de histórias&#8221;</h2>
<p><em><strong>Entrevista Ilona Duverge / Movement School</strong></em></p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignleft size-medium wp-image-18656" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/ilonaduverge-300x200.jpg" alt="ilonaduverge" width="300" height="200">Quem viu o documentário <strong>Virando a mesa do poder</strong> (<em>Knock down the house</em>), da Netflix, percebeu que não dá para ficar inerte quando a deputada democrata Alexandria Ocasio-Cortez fala sobre suas ideias. Ela é contundente, emotiva e, principalmente, muito clara e direta. A ativista norte-americana Ilona Duverge participou da campanha vitoriosa de Ocasio e aprendeu muito no período. Ela é uma das fundadoras da Movement School, organização criada para dar treinamento a pessoas que trabalham em campanhas políticas. Ilona foi uma das convidadas do <strong>Ocupa Política</strong> no Recife e conversou com a <strong>Marco Zero</strong>.</p>
<p><strong>Quais as principais lições que você aprendeu trabalhando na campanha de Alexandria Ocasio-Cortez?</strong><br />
Foi que as pessoas que estão na posição de poder não ligam para indígenas, negros, latinos. Eles só ligam para pessoas brancas, ricas e, geralmente, homens. É por isso que o congresso norte-americano é formado por homens brancos e ricos. Até os democratas. Às vezes eu acho que os democratas são piores (que os republicanos), por conta do silêncio deles. Especialmente agora que os democratas têm a maioria no congresso, o silêncio deles é ainda mais destrutivo para nós. Eles deveriam ser ousados e apoiar as grandes ideias que estão vindo da esquerda, e eles não estão fazendo isso. Com a campanha de Alexandria nós criamos um movimento, algo que incluía pessoas que nunca haviam sido alcançadas antes pela política. Muitas vezes essas pessoas são as que mais são afetadas negativamente pela política. Não é que elas não votem porque não querem: é porque ninguém nunca usou seu tempo para explicar para elas a importância do voto, que é como você pode fazer uma mudança ocorrer.</p>
<p><strong>Você acha que existe uma desconexão entre o que as pessoas enfrentam em suas vidas cotidianas e como elas votam nas eleições?</strong><br />
Sim, totalmente. E isso acontece porque a política não é acessível para todo mundo. É muito elitizada. Nos Estados Unidos, a votação é em um dia comum de trabalho. Pessoas como meus pais, por exemplo, não podem deixar de trabalhar por duas horas, porque isso significa menos dinheiro, o que significa menos comida, menos roupas&#8230;e para que? Para ajudar a eleger um político corrupto que não vai fazer nada pela sua vida? E muitas pessoas decidem na fila em que elas vão votar, por que acham que é simplesmente uma coisa que elas têm que fazer. E pegam a cédula, votam em quem tiver concorrendo pelo partido Democrata, sem saber o que aquele candidato está propondo e quem ele é. E, como já disse, os democratas hoje são um problema para nós até maior que os republicanos, porque o silêncio deles está nos prejudicando. Eles têm a voz para apoiar o <em>green new deal</em> (reforma ambientalista proposta por Ocasio), o Medicare (sistema de saúde norte-americano) para todos, faculdade gratuitas&#8230;e eles não estão fazendo isso.</p>
<p><strong>Como então engajar as pessoas para ficarem mais atentas à política?</strong><br />
Você tem que encontrar as pessoas onde elas estão. Você tem que ir até as pessoas em suas comunidades. Você tem que falar com elas sobre coisas que realmente importem para elas. Tudo que fazemos envolve política. Mas o jeito que se fala de política é muito elitizado. E assim não se atinge o povo. É necessário ter conversas francas sobre as preocupações das pessoas e como podemos resolvê-las. Nos Estados Unidos, durante a campanha, há comunidades em que as ruas ficam lotadas de panfletos e outras em que não há panfleto algum, e essas são geralmente comunidades negras e pobres. Onde a falta de assistência prejudica mais. São as pessoas que os políticos deveriam conversar mais, e isso não acontece. Isso vai soar engraçado, mas a política hoje em dia não é <em>sexy</em>. Você vê o Congresso norte-americano e é um monte de homem velho e branco. Não há representatividade. Não há agitação. Os congressistas não estão lutando apaixonadamente pelas pessoas. É muito <em>blá blá blá</em> (faz voz de tédio). As pessoas não estão se engajando? Então vamos colocar arte, vamos colocar música, vamos colocar teatro, vamos colocar as coisas que as pessoas se importam. E vamos encontrar uma interseção entre o ativismo e o poder do voto. Temos que fazer com que as pessoas se vejam na política.</p>
<p><strong>No documentário <em>Virando a mesa do poder</em>, todas as candidatas têm pautas muito claras e específicas que têm impacto direto na vida das pessoas. E Ocasio sabe comunicar as pautas dela muito bem. Qual o papel da comunicação nessa nova onda politica?</strong><br />
Eu acho que você tem que ser um contador de histórias. Porque a política não tem apelo para as pessoas quando é um monte de homem branco falando em um só tom, sem uma mensagem real e clara. Especialmente os democratas. Uma coisa que os republicanos fazem bem é repassar a mensagem deles: família, finanças, religião. Democratas ficam falando em círculos e perdem o foco. Falam de coisas teóricas, abstratas, não há um plano real e tangível. O que Alexandria faz é trazer planos tangíveis. Ela é capaz de se conectar com as pessoas por que ela passou por muita coisa, ela viveu o que as pessoas que são mais afetadas pela política vivem.</p>
<p><strong>Há no Brasil e nos EUA a ideia do &#8220;cidadão comum&#8221; indo ocupar espaços na política. É uma faca de dois gumes. Há candidatos que querem realmente lutar pelas suas comunidades, mas há também aproveitadores &#8211; até Trump usou o discurso de não ser um político de carreira. Como separar o joio do trigo?</strong><br />
Vamos pegar o exemplo de Trump, que se colocou como alguém contrário a um político de carreira. Mas Trump representa uma porção muito pequena de pessoas nos EUA, que são os bilionários. Uma fatia grande do eleitorado de Trump são pessoas brancas pobres em áreas rurais que se sentem representadas por ele. E como isso pode acontecer, como um bilionário pode representar essas pessoas? A única conexão de Trump &#8211; e um dos motivos pela qual a presidência dele é tão temerosa &#8211; com essas pessoas é que ele é racista, misógino e está trabalhando nesse sistema de opressão: ele é um supremacista branco. Ele atinge pessoas que pensam assim e antes não diziam que pensavam assim, mas agora dizem: &#8220;ele me representa porque ele diz o que estava na minha mente e que eu não podia expressar, porque a sociedade não deixava&#8221;. É assim que acontece essa relação. Não é porque ele é um cidadão normal, não é porque ele não é um político de carreira. É a retórica que ele usa para se conectar com sua base. Essa é a parte mais assustadora, porque você vê essa base deleemergindo e negando os princípios pelos quais os Estados Unidos foram fundados.</p>
<p><strong>E como combater isso?</strong><br />
Precisamos nos organizar. Precisamos criar um movimento que inclua todas as pessoas. É por isso que eu tenho esperança: nos Estados Unidos, apenas uma pequena fração das pessoas votam. Então temos que falar com essas outras pessoas, porque elas estão em maior número. E falando com elas você vai descobrir que elas concordam com muitas das nossas pautas, mas ainda não apareceu ninguém que se conecte com essas pessoas, essas que não votam. E eu acredito que as jovens mulheres que estão renovando o congresso dos EUA fazem essa conexão, e por isso que está aumentando o número de pessoas que votam. Esta é minha esperança.</p>
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		<title>Ações de redes e ruas mobilizam apoio eleitoral a candidaturas de ativistas na América Latina</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Mariama Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Sep 2019 13:41:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[bancada ativista]]></category>
		<category><![CDATA[Frente Amplio]]></category>
		<category><![CDATA[ocupa politica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A mexicana Susana Ochoa concorreu ao cargo de deputada no México, durante as eleições de 2018. Ela integra o movimento Wikipolítica, que reúne jovens de esquerda e, em 2015, elegeu o ativista Pedro Kumamoto para o Congresso de Jalisco, um dos estados mexicanos. Pedro foi o primeiro candidato independente a se eleger para o legislativo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/selo-ocupa-política-e1565906338505.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18264 alignleft" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/selo-ocupa-política-e1565906338505.png" alt="selo ocupa política" width="150" height="101"></a>A mexicana Susana Ochoa concorreu ao cargo de deputada no México, durante as eleições de 2018. Ela integra o movimento Wikipolítica, que reúne jovens de esquerda e, em 2015, elegeu o ativista Pedro Kumamoto para o Congresso de Jalisco, um dos estados mexicanos. Pedro foi o primeiro candidato independente a se eleger para o legislativo local.<br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O movimento ao qual Susana e Pedro pertencem é considerado uma experiência inovadora no México, tanto pelas estratégias de financiamento, quanto pelas abordagens de engajamento do eleitorado. A campanha de Susana, por exemplo, contou com doações simbólicas de apoiadores. A experiência dela aponta caminhos para viabilizar candidaturas sem muitos recursos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;">Tinha gente que doava US$ 1”, lembrou durante sua participação no Ocupa Política 2019, no Recife. Entre micro e macro doações, a candidata conseguiu mobilizar US$ 9 milhões para a campanha, mesmo existindo um limite de US$ 7 mil por doador, no México. A campanha também mobilizou o trabalho voluntário de seis mil pessoas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As candidaturas independentes, como no caso mexicano, não fazem parte da realidade do Brasil porque a legislação eleitoral daqui exige a filiação partidária. Mas alguns exemplos locais guardam semelhanças com os modelos inovadores experimentados nesse e em outros países da América Latina. Depois da proibição</span>&nbsp;de doações de pessoas jurídicas e das mudanças de regras para a distribuição de recursos no Brasil, outras alternativas de arrecadação como o financiamento coletivo de campanhas (crowdfunding) passaram a ser exploradas.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um exemplo de uso desses recursos é a Bancada Ativista de São Paulo, um movimento pluripartidário que busca colocar ativistas na política institucional. No ano passado, a Bancada Ativista elegeu uma candidatura coletiva com nove ativistas de diferentes territórios e áreas de atuação para a Assembleia Legislativa de São Paulo, um modelo parecido com o das codeputadas Juntas (Psol), eleitas deputadas estaduais em Pernambuco em 2018.<br />
</span></p>
<div id="attachment_18671" style="width: 594px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/bancada-ativistaa.png"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18671" class="wp-image-18671 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/bancada-ativistaa.png" alt="bancada ativistaa" width="584" height="367"></a><p id="caption-attachment-18671" class="wp-caption-text">A candidatura coletiva da Bancada Ativista conquistou o mandato na Assembleia Legislativa de São Paulo fazendo uma campanha de &#8220;baixo custo e alta intensidade&#8221;</p></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A antiga fórmula de ouro da política, uma soma de dinheiro mais apoio partidário, está ultrapassada, na opinião de Caio Tendolini, um dos fundadores do movimento. Para ele, é possível eleger com poucos recursos e sem o apoio majoritário da legenda, porque “os partidos têm suas filas de candidatos&#8221;.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ele listou alguns elementos essenciais para uma campanha de “baixo custo e alta intensidade”. “O primeiro é a construção de uma narrativa forte. Por exemplo, no nosso caso optamos pela linha da esperança em oposição ao medo&#8221;, explicou.</span></p>
<h3>A força do on-line e a presença nas ruas</h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Campanhas nos moldes das realizadas por esses novos grupos políticos quase sempre se tornaram possíveis por um fator em comum: a força da internet e das redes sociais. &nbsp;Mas a inovação não surge ou pode se restringir apenas ao ambiente on-line. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“É importante ter uma base de suporte estabelecido no off-line para que a campanha cresça no ambiente digital”, considerou Caio&nbsp;Tendolini, destacando que a capilaridade da internet precisa andar junto da estratégia de rua.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante sua participação no Ocupa Política 2019, Rodrigo Echecopan, do movimento Frente Amplio, do Chile, lembrou que é importante conquistar o apoio de indivíduos, &#8220;mas também dos movimentos que estão trabalhando pelo interesse coletivo”.</span></p>
<div id="attachment_18672" style="width: 860px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/Rodrigo-Echecopar.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18672" class="wp-image-18672 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/Rodrigo-Echecopar.jpg" alt="Rodrigo Echecopar" width="850" height="400"></a><p id="caption-attachment-18672" class="wp-caption-text">Rodrigo Echecopan, da Frente Amplio do Chile, defende a busca de apoio eleitoral de movimentos com causas coletivas</p></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Sim, a internet amplia as oportunidades de conquista do eleitorado, concordam os ativistas e candidatos. Porém,&nbsp; esses canais trazem novos desafios. &#8220;Na primeira campanha que realizamos, em 2012, fizemos uso massivo do WhatsApp e do Facebook. Já em 2018 essas ferramentas foram amplamente utilizadas por candidaturas de direita. Inclusive o uso de dados dos usuários dessas redes para fins eleitorais estão sendo questionados atualmente&#8221;, lembrou Alejandra Parra, </span><span style="font-weight: 400;">ativista mexicana que atuou no gabinete de campanha de Pedro Kumamoto, do Wikipolitica.</span></p>
<h3><b>O desafio de criar um partido </b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">A mobilização de recursos é um dos grandes desafios enfrentados pelos novos atores políticos. Não o único. Outros fatores como a burocracia e o engessamento de leis eleitorais atravancam, por exemplo, a criação de novos partidos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Atenas Vargas, do movimento Soberanía y Libertad, foi a candidata mais jovem da Bolívia nas eleições de 2009. Em cinco anos de existência o Soberania já elegeu 25 pessoas, mas para se estabelecer enquanto partido precisava colher 120 mil assinaturas. “É exigido o preenchimento de formulários que depois são analisados. Conseguimos mais do que o necessário, contudo nem todos os formulários foram aceitos porque somos oposição.”</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para ser registrado, o Futuro, um partido regional formado a partir do Wikipolitica, no México, precisa colher 20 mil assinaturas. “ Até agora conseguimos a metade. Também temos que cumprir a exigência de realizar assembleias em dois terços dos municípios do estado em um ano, o que é grande um desafio logístico. Estamos correndo para completar metade das assembleias até dezembro&#8221;, conta <span style="font-weight: 400;">Alejandra Parra</span>. </span></p>
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		<title>Avanço da religião sobre a política tem reforçado o racismo, criticam ativistas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Helena Dias]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 31 Aug 2019 22:20:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[ocupa politica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A presença da religião na política significa um projeto de poder de viés conservador que está muito bem estruturado no Brasil. Neste contexto, a mídia tradicional tem exercido um papel que reforça estereótipos e normaliza o não cumprimento da laicidade do Estado, garantida na Constituição de 1988. As narrativas de combate a esse projeto foram [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/selo-ocupa-política-e1565906338505.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18264 alignleft" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/selo-ocupa-política-e1565906338505.png" alt="selo ocupa política" width="150" height="101"></a>A presença da religião na política significa um projeto de poder de viés conservador que está muito bem estruturado no Brasil. Neste contexto, a mídia tradicional tem exercido um papel que reforça estereótipos e normaliza o não cumprimento da laicidade do Estado, garantida na Constituição de 1988. As narrativas de combate a esse projeto foram o assunto da roda de diálogo &#8220;Direito à expressão religiosa x Defesa do estado laico&#8221;, que aconteceu na manhã deste sábado (31) no colégio João Barbalho, na Boa Vista.</p>
<p>A conversa fez parte da programação do último dia do Ocupa Política e contou com a presença da deputada estadual Mônica Francisco (PSOL-RJ), da integrante do Coletivo de Juristas Negras de Pernambuco Ciani Neves e do jornalista e cofundador do movimento SP Invisível, Vinícius Lima. A mediação ficou a cargo da pesquisadora do Instituto de Estudos da Religião (Iser), Carô Evangelista.</p>
<p>&#8220;Como nós, enquanto esquerda, pretendemos lidar com o racismo?&#8221;, essa foi a pergunta de Ciani Neves, após explicar as diversas formas de expressão do racismo na política e sobre o quanto ele se fortalece no discurso religioso de muitos políticos que exercem cargos públicos no país. Para ela, tem sido cada vez mais difícil tratar do assunto frente ao atual cenário político conservador, em que a &#8220;perseguição e demonização&#8221; das religiões de matriz africana estão ainda mais evidentes.</p>
<p>Na visão da Ciani, o campo político da esquerda precisa estabelecer estratégias de enfrentamento mais firmes e pautar o assunto como prioridade. Os movimentos negros e de religiões afro têm buscado se fortalecer internamente de diversas maneiras. &#8220;Dentro dessa linha, a gente tem atuado nos terreiros com formações política e jurídica dos direitos e do estado laico propriamente dito. É por causa dos recentes tipos de práticas racistas que essas formações vêm acontecendo com intensidade&#8221;.</p>
<div id="attachment_18636" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/IMG-20190831-WA0051.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18636" class="wp-image-18636 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/IMG-20190831-WA0051-1024x575.jpg" alt="Crédito: Helena Dias" width="702" height="394"></a><p id="caption-attachment-18636" class="wp-caption-text">Crédito: Helena Dias/MZ Conteúdo</p></div>
<p>Dar prioridade ao assunto também é uma peça-chave na visão da deputada estadual Mônica Francisco. Segundo ela, o embate entre os campos progressista e o &#8220;neofascismo&#8221; expresso nas manifestações mais conservadoras dos grupos evangélicos é uma questão de disputa de narrativas. Não dá para desconstruir a demonização das religiões africanas, sem entender os meios pelos quais o racismo tem se fortalecido no contexto atual.</p>
<p>&#8220;O nosso desafio é colocar essa narrativa como centro da luta política institucional. Disputando a narrativa da linguagem e da estética. Porque Bolsonaro aparece sendo batizado no Rio Jordão e Magno Malta rezando na televisão, enquanto os ministros de Trump vêm ao Brasil&#8221;. Mônica é enfática quando diz que nada é em vão quando se trata de misturar religião com política.</p>
<p>Estas disputas de narrativas de linguagem e estética passam também pela abordagem midiática sobre o racismo, as religiões afro e o estado laico. O jornalista e cofundador do movimento SP Invisível, Vinícius Lima, se posicionou como evangélico que não respalda a onda conservadora e falou sobre a importância da comunicação na desmistificação desse enfrentamento.</p>
<p>Para ele, dar visibilidade ao tema é uma solução. &#8220;Na igreja, a luta é bem difícil. A igreja sempre silenciou mulheres. Sempre silenciou negros e negras&#8221;, disse. E a questão seria &#8220;como contar essas histórias&#8221;. Vinícius considera a disputa narrativa como o primeiro passo para a garantia dos direitos humanos.</p>
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		<title>Experiências de resistência nos territórios fortalecem ativismo político</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 31 Aug 2019 00:55:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Por Débora Britto, Maria Carolina Santos e Raíssa Ebrahim Partindo da ideia de que não dá para pensar o ativismo político sem pensar na potência das vivências nos territórios, o Ocupa Política se espalhou pela periferia do Recife e de Olinda na tarde e noite da sexta&#160; (30), realizando oficinas, conversas e atividades culturais no [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Débora Britto, Maria Carolina Santos e Raíssa Ebrahim</strong><em><strong><br />
</strong></em></p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/selo-ocupa-política-e1565906338505.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18264 alignleft" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/selo-ocupa-política-e1565906338505.png" alt="selo ocupa política" width="150" height="101"></a>Partindo da ideia de que não dá para pensar o ativismo político sem pensar na potência das vivências nos territórios, o Ocupa Política se espalhou pela periferia do Recife e de Olinda na tarde e noite da sexta&nbsp; (30), realizando oficinas, conversas e atividades culturais no Centro, no Coque, na comunidade do Bode, na Ilha de Deus e em Xambá. Em comum, a afirmação das identidades locais como caminhos de resistência e a construção de estratégias para subverter os espaços institucionais de poder.</p>
<h3>Bairro do Recife</h3>
<p>O Bairro do Recife concentrou o maior número de oficinas, oito, com temas variados. No Museu Afro, o Coletivo Humanista de Pernambuco realizou uma encontro com técnicas de fortalecimento pessoal para ativistas. Em dias em que as notícias ruins parecem superar em muito as boas, a oficina mostrou a necessidade do autocuidado. O coletivo também dá aulas de não violência em escolas. Vinícius Pereira e Domênica Rodrigues foram os facilitadores. &#8220;É impossível não ser afetado, mas ativistas têm que entender que as dores são nossas, mas não nos pertencem&#8221;, disseram.</p>
<p>Para quem pensa em sair candidato nas próximas eleições, a Oficina de Comunicação Digital para Campanha Política foi de grande importância, com Flávia Moreira, que trabalhou na vitoriosa campanha da Bancada Ativista à Assembleia Legislativa de São Paulo. Na aula, ela mostrou estratégias para se comunicar efetivamente com o eleitor. Uma dica preciosa foi que é preciso definir quem é seu público e quem quer se candidatar no próximo ano deve correr: é preciso começar desde já a movimentar suas redes sociais, produzir conteúdo e, mais importante, saber quem é seu público alvo e expandi-lo.</p>
<p>A oficina IndianizaBH teve que mudar de lugar e de horário. Ao chegar na Praça do Arsenal, local previamente marcado, a oficineira Avelin Buniaca Kambiwa considerou o lugar inadequado. A oficina foi então para o Incitti, pertinho do lugar previamente marcado. Avelin apresentou o trabalho que faz junto ao mandato coletivo da Gabinetona, em Belo Horizonte. É um projeto de letramento indígena nas escolas, onde ela repassa conhecimentos indígenas e faz o que chama de &#8220;contracolonização&#8221;. &#8220;Ou nos pintam como o indígena ingênuo, a Iracema, ou como o indígena alcoólatra, doido, o capeta. A nossa condição de ser humano é negada. Quem deve decidir o que os indígenas querem, o que é bom ou ruim para os indígenas são os indígenas, e mais ninguém&#8221;, afirmou Avelin.</p>
<div id="attachment_18621" style="width: 690px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18621" class="size-full wp-image-18621" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/indiginiza.jpg" alt="Oficina sobre letramento indígena" width="680" height="510"><p id="caption-attachment-18621" class="wp-caption-text">Oficina sobre letramento indígena</p></div>
<h3>Coque</h3>
<p>No caminho entre o centro e a zona sul, o Coque é um território que sofre há décadas com o estigma da violência. Fato refletido inclusive no corriqueiro ato de se pegar um uber ou um táxi: muitos recusam a corrida. A comunidade, no entanto, não desiste e segue na resistência por uma vida mais tranquila. O Núcleo Educacional Irmãos Menores de Francisco de Assis (Neimfa) é um dos espaços dessa resistência e foi o local que acolheu as oficinas do Ocupe Política.</p>
<p>Alvaneide Carvalho conversou sobre política e artes com crianças de 1 até 13 anos. &#8220;Fui mostrando desenhos de pessoas e explicando que política é feita por pessoas. E deve ser feita para todas as pessoas&#8221;, afirmou. O coletivo Manguecrew deu uma oficina de grafitagem tendo como tela o muro do Neimfa. Quinze jovens participaram da ação, entre eles Beatriz da Silva e Daniele de Oliveira. &#8220;Nós desenhamos um personagem negro. Um personagem forte e resistente&#8221;, descreveu Beatriz. No encerramento, o maracatu Estrela Dalva encheu de batuque a noite no Coque.</p>
<h3>Bode e Ilha de Deus</h3>
<p>A tarde da sexta no Bode foi para discutir &#8220;A macropolítica da cultura periférica de aquilombamento&#8221;. A comunidade de tradição pesqueira está cravada no bairro do Pina e integra a paisagem da Zona Sul do Recife junto com shopping, empresariais e espigões condominiais. Lá, cerca de 7 mil famílias &#8211; sendo que mil delas ainda vivem em palafitas &#8211; aguardam há décadas por requalificação e conjunto habitacional, no terreno do antigo aeroclube do Recife, às margens da expressa Via Mangue.</p>
<p>Para Gilmara Santana, da Articulação Nacional de Negras Jovens Feministas (ANJF), o tema da macropolítica tem que ser visto como forma de subversão de poder, para sobrevivência e salvação. &#8220;O único instrumento de política que tenho é a minha voz. E a minha democracia é o meu corpo em trânsito&#8221;, diz ela, lésbica, do Cabo de Santo Agostinho e também integrante da Rede de Mulheres Negras de Pernambuco.</p>
<p>O acelerador social local Stilo, do Coletivo Pão e Tinta, reforça que &#8220;a institucionalidade foi feita para nos manter longe, mas é nosso lugar também”. “Não queremos mais ser público-alvo, queremos estar nos lugares de decisão. Em 2020, queremos saber quais são as campanhas pretas e periféricas que vão colocar a cara nos santinhos&#8221;. O encontro aconteceu na Livroteca Brincante do Pina, um marco da resistência do Bode, que ficou abandonado por mais de uma década em consequência de disputas políticas. Hoje o local é ocupado pela população e por iniciativas locais como o Pão e Tinta e o Palafitt Produções.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/yfMsbdRluUE" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Já na Ilha de Deus, com a forte presença da resistência feminina, o tema do encontro foi &#8220;Território e regularização fundiária&#8221;. À beira da Bacia do Pina, a comunidade fica num dos maiores parques de manguezais urbanos do Brasil.</p>
<p>&#8220;Nossa experiência de capilaridade política e habilidade de construir comunidades, que a gente trouxe nos navios negreiros, é o que tentamos resgatar com nossos mandatos coletivos e na política, na importância de resgatar a memória de uma cultura que continua viva&#8221;, disse Andreia de Jesus, deputada estadual da Muitas em Minas Gerais.</p>
<h3>Xambá</h3>
<div id="attachment_18620" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18620" class="size-large wp-image-18620" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/WhatsApp-Image-2019-08-30-at-16.32.13-1024x576.jpeg" alt="Terreiro de Xambá" width="702" height="394"><p id="caption-attachment-18620" class="wp-caption-text">Terreiro de Xambá</p></div>
<p>No território do Terreiro de Xambá, em Olinda, a programação do Ocupa Política trouxe a história de resistência do primeiro quilombo urbano do Nordeste, que tem a família da nação Xambá de candomblé à frente desde a década de 30. Desde a perseguição à religiosidade de matriz africana até a conquista do Centro Cultural de Xambá, espaço que também foi ameaçado pela construção de um terminal de ônibus no bairro.</p>
<p>Além de conhecer o terreiro e a história, uma roda de conversa sobre fé, feminismo e política colocou no mesmo espaço os anseios e reflexões de anciãs do terreiro e jovens evangélicas progressistas.</p>
<p>Marileide Alves, produtora cultural e filha de Santo do Terreiro de Xambá, citou a resistência materializada pelas mãos das mulheres como a força da casa Xambá. &#8220;O terreiro é de Iansã e foi pelas mulheres que se chegou aos dias atuais por conta de suas articulações politicas, na comunidade, entre os filhos e as filhas de santo&#8221;.</p>
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		<title>Ocupa Política defende mais diversidade nos espaços institucionais de poder</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Aug 2019 18:59:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[diversidade na política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Helena Dias e Mariama Correia Ativistas políticos da América Latina e da Europa abriram o primeiro dia de debates do Ocupa Política no Recife, na manhã desta sexta-feira (28). A sala de exibição do cinema São Luiz, no Centro da cidade, recebeu o evento, que se apresenta como uma articulação nacional para estimular candidaturas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Helena Dias e Mariama Correia</strong></p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/selo-ocupa-política-e1565906338505.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18264 alignleft" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/selo-ocupa-política-e1565906338505.png" alt="selo ocupa política" width="150" height="101"></a>Ativistas políticos da América Latina e da Europa abriram o primeiro dia de debates do Ocupa Política no Recife, na manhã desta sexta-feira (28). A sala de exibição do cinema São Luiz, no Centro da cidade, recebeu o evento, que se apresenta como uma articulação nacional para estimular candidaturas de coletivos e ativistas e ampliar a participação da sociedade na política institucional.</p>
<p>Mas, se a política muitas vezes se apresenta como uma fonte de decepções, sobretudo no Brasil atual, por que ocupá-la? Esta foi a pergunta fundamental direcionada às mesas de debates. A primeira foi composta por Beatriz Sanchez, do Chile; Marcelo Expósito, da Espanha; Márcia Santacruz, da Colômbia e Carmen Silva, de Pernambuco. A mediação foi feita pela deputada federal Áurea Carolina (Psol), da Gabinetona, de Minas, que ocupa, além do mandato em Brasília, espaços na Câmara de Belo Horizonte e na Assembleia do estado.</p>
<p>Já a segunda mesa foi composta pela candidata a deputada federal pelo PCB de Pernambuco nas eleições de 2018, Amanda Palha; o vereador do Recife Ivan Moraes (PSOL); a deputada estadual de São Paulo, Marina Helou (Rede); a secretária nacional da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), Selma Deodina; Elaine Mineiro, dos movimentos da periferia e da cultura de São Paulo; e pela liderança indígena Darupü’üna, da etnia Tikuna.</p>
<h3><strong>Política de proximidade</strong></h3>
<p>Beatriz Sánchez, que foi candidata à presidência do Chile pela Frente Amplio em 2017, usou sua experiência de campanha para falar sobre a ideia de “política de proximidade” como forma de enfrentar a onda conservadora mundial. “Não vamos falar para nós mesmos. A política precisa ser feita para fora, para a rua onde as pessoas vivem”, considerou.</p>
<div id="attachment_18602" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/IMG-20190830-WA0033.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18602" class="wp-image-18602 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/IMG-20190830-WA0033-1024x682.jpg" alt="IMG-20190830-WA0033" width="702" height="467"></a><p id="caption-attachment-18602" class="wp-caption-text">O cinema São Luiz recebeu centenas de ativistas para o primeiro dia de debates do Ocupa Política. Crédito: Beto Figueiroa</p></div>
<p>As novas direitas radicais que estão ganhando força no cenário global não são apenas um movimento de retrocesso, na avaliação do ativista e político espanhol, Marcelo Expósito. “São a tentativa de fazer renascer um passado de escravidão, de ditaduras e de falta de direitos”, disse. Ele acredita que as frentes de direita são uma resposta aos governos populares que surgiram nos últimos anos, sobretudo na América Latina, e que é preciso assumir uma postura mais ativa, não apenas de defesa, diante do avanço dessas forças. “Não devemos menosprezar a capacidade das direitas radicais de oferecer falsas soluções para os problemas da população”, lembrou.</p>
<p>Afrofeminista e presidente do Amigos da UNESCO, a colombiana Márcia Santacruz usou o cenário político no seu país como exemplo de como é importante fortalecer movimentos que se opõem ao radicalismo na política. &#8220;Precisamos recuperar vozes diversas. A política precisa reconhecer a luta de classes como um caminho para a diversidade”.</p>
<div id="attachment_18600" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/IMG-20190830-WA0026.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18600" class="wp-image-18600 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/IMG-20190830-WA0026-1024x682.jpg" alt="IMG-20190830-WA0026" width="702" height="467"></a><p id="caption-attachment-18600" class="wp-caption-text">Márcia Santacruz, da Colômbia, a pernambucana Carmen Silva, a deputada federal por Minas Áurea Carolina, a ex-candidata a presidente do Chile Beatriz Sanchez e o ativista Marcelo Expósito, da Espanha, formaram a primeira mesa de debate no São Luiz. Crédito: Divulgação Ocupa Política</p></div>
<p>Essa diversidade é comprometida pela agenda ultraneoliberal dos governos de extrema direita, muito relacionada aos radicalismos religiosos, que não dialoga com as tradições culturais, avaliou Carmen Silva, pernambucana e representante da Articulação Feminista Marco Sul e do grupo SOS Corpo.</p>
<p>O &#8220;fascismo&#8221; que caracterizaria governos de políticos como o presidente brasileiro Jair Bolsonaro (PSL) não tem mais características nacionalistas como no passado, e sim o predomínio dos interesses das corporações mundiais, na opinião de Carmen. Esses interesses se sobrepõem a conquistas sociais e trabalhistas, que estão sendo esvaziadas no Brasil. “A gente quer construir um mundo melhor para nós e para as futuras gerações. Por isso que a gente se envolve na política”, considerou.</p>
<p>Diferente da primeira mesa de discussão, em que o intercâmbio internacional se fez presente, o segundo debate foi feito entre vozes brasileiras de diversos estados. A pergunta seguiu sendo “Por que ocupar a política?” e foi dirigida aos integrantes da mesa, que trouxeram reflexões de lugares bem distintos politicamente.</p>
<h3>Subversão da ordem</h3>
<p>Ao falar do combate à onda conservadora que toma conta do mundo, Amanda Palha classificou como uma “furada” a segmentação do campo político da esquerda entre &#8220;pautas identitárias e pautas de classe”. Para ela, o país vive uma retomada do colonialismo que é “primeiramente, racista e machista” e que deve ser combatido com a “subversão total da ordem”.</p>
<p>O cenário político e social ao qual Amanda se refere começou a ser desenhado mais concretamente e internacionalmente a partir da crise econômica de 2008 e, nos anos mais recentes, sustenta o quadro de recessão e estagnação da economia nacional que tem causado impactos profundos nas políticas voltadas para a área social. Na opinião da ex-candidata, o governo Jair Bolsonaro (PSL) legitima esse processo. “Enquanto o governo dá certo e facilita a gerência internacional no país, o conservadorismo avança”.</p>
<div id="attachment_18599" style="width: 1034px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/IMG-20190830-WA0024.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18599" class="wp-image-18599 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/IMG-20190830-WA0024.jpg" alt="IMG-20190830-WA0024" width="1024" height="683"></a><p id="caption-attachment-18599" class="wp-caption-text">Amanda Palha defendeu a &#8220;subversão total da ordem&#8221; para enfrentar o conservadorismo que avança no Brasil sob o governo Bolsonaro. Crédito: Divulgação Ocupa Política</p></div>
<p>Em uma linha mais voltada para as experiências do fazer política no formato dos mandatos coletivos e de todas as forças que compõem o Ocupa Política, o vereador do Recife, Ivan Moraes (PSOL), afirmou a necessidade das pessoas se fazerem presentes dentro da vida partidária e institucional. “Não estou dizendo que a via institucional é que vai salvar a gente, mas não podemos ignorar. Começamos a entender que nós podemos ocupar esses lugares, nos filiamos a partidos e começamos a disputar as eleições. Depois foi aprender a fazer o mandato e fazer as coisas acontecerem. Tudo o que nos é proposto pelos movimentos e a gente pode dizer abertamente nas ruas, a gente faz”.</p>
<h3>A política feita a partir do território</h3>
<p>Foi justamente sobre a rua e as movimentações políticas que são feitas nela, que a integrante dos movimentos de periferia e cultura da cidade de São Paulo, Elaine Mineiro, trouxe reflexões. Ela defende que as novas formas de fazer política passam pelas conquistas já alcançadas e que as periferias são essenciais no fortalecimento e na construção de novos quadros, já que “o território nosso constrói a gente como político”.</p>
<p>Como uma das conquistas já alcançadas, ela destacou a lei de fomento à periferia, aprovada em São Paulo sob forte pressão popular. “A gente tem vocação para fazer uma política limpa que irradia, mas temos dificuldades em transferir isso para a representação política”.</p>
<p>A deputada estadual de São Paulo pela Rede, Marina Helou, também trouxe suas experiências como parlamentar progressista em meio à onda conservadora. Comparando uma fotografia que ela havia visto, em que um barco aparecia sozinho em mar aberto diante da nuvem de fumaça formada pelas queimadas na Amazônia, Marina disse que muitas vezes se sente solitária no legislativo paulista. Mas ela lembrou que é importante não fazer dessa onda algo maior do que ela realmente é.</p>
<p>“Esse bolsonarismo racista, armamentista, preconceituoso não é desse tamanho todo. Ele se apropriou do ressentimento das pessoas, do quanto é difícil hoje ter uma boa vida”. Para ela, a necessidade de entender como o bolsonarismo funciona é importante na ocupação da política e na construção de soluções para quando a onda conservadora passar.</p>
<p>A secretária nacional da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), Selma Deodina, começou sua fala com dados. O Brasil possui 6 mil quilombos e Pernambuco é o quinto estado com mais comunidades quilombolas do país. Selma iniciou sua declaração falando sobre resistência em um cenário de enfraquecimento dos conselhos populares que dão vozes à sociedade na formulação das políticas públicas.</p>
<p>Atualmente, de acordo com ela, comunidades quilombolas têm passado por mais dificuldades para serem reconhecidas como tal. Selma lembra do desmonte do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e da Fundação Cultural Palmares que tem sido intensificado pelo atual governo. “Ele (o governo) não fecha, ele faz pior&#8230; Ele tira o dinheiro”. Assim como Amanda Palha, ela defendeu uma convergência no campo da esquerda, mas direcionou o pedido para as questões raciais. “Esquerda racista conosco não vai ter vez”.</p>
<p>No mesmo tom de resistência, a liderança indígena Darupü’üna, da etnia Tikuna, foi enfática ao se referir às queimadas que tomaram conta da região amazônica. “A Amazônia está sendo enterrada viva e os indígenas também”. Ela, que participa das lutas ativistas pelos direitos do seu povo desde os cinco anos, quando acompanhava o pai nos processos de demarcação de terra, acredita que a sua presença no Ocupa Política serve para a construção de um “novo caminho com a população e os parlamentares para descolonizar e desvincular a política do padrão”.</p>
<p>Ao fim do evento, Darupü’üna convidou todos a dançarem e baterem palmas acompanhando o seu canto aos ancestrais em sua língua raiz. O momento marcou o fim da primeira manhã de debates do Ocupa Política. Na tarde dessa sexta-feira, a programação segue com oficinas nas comunidades do Bode, Coque, Ilha de Deus e Xambá.</p>
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		<title>Estamos listas! As colombianas que estão prontas para ocupar o legislativo de Medellín</title>
		<link>https://marcozero.org/estamos-listas-as-colombianas-que-estao-prontas-para-ocupar-o-legislativo-de-medellin/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Aug 2019 11:28:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[colombia]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[ocupa politica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma pequena revolução acontece em Medellín, na Colômbia. Lá, mais de duas mil mulheres decidiram dar um basta na hegemonia masculina da política local. Juntas, criaram um movimento político que vai disputar vagas no conselho da cidade – no sistema brasileiro, seria algo como a câmara de vereadores. A proposta do Estamos listas – estamos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-18264" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/selo-ocupa-política-e1565906338505.png" alt="selo ocupa política" width="150" height="101">Uma pequena revolução acontece em Medellín, na Colômbia. Lá, mais de duas mil mulheres decidiram dar um basta na hegemonia masculina da política local. Juntas, criaram um movimento político que vai disputar vagas no conselho da cidade – no sistema brasileiro, seria algo como a câmara de vereadores. A proposta do <strong>Estamos listas</strong> – estamos prontas, em português – é construir uma plataforma coletiva e mostrar que as mulheres devem estar presentes em todas as esferas do poder político.</p>
<p>“Pensamos em começar pelo local e depois nos espalhar. Por enquanto, estamos prontas para chegar à assembleia legislativa do município de Medellín. Também estamos prontas para trabalhar a partir das instâncias legislativas e locais. E, depois, para muitas outras coisas: cuidar das finanças públicas, cuidar da população, cuidar do meio ambiente”, afirma uma das integrantes do movimento, Isabel Pérez, que participa, junto com a também integrante Marta Lopez, do encontro Ocupa Política, que começa nesta quinta-feira (29). Aqui no Recife, elas vão trocar experiências com outros movimentos e participar da roda de diálogo “<em>Atuando em frentes: valorizar o que nos une por um objetivo comum</em>” neste sábado pela manhã.</p>
<blockquote><p><a href="http://marcozero.org/confira-a-programacao-do-encontro-ocupa-politica-no-recife/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><strong>Confira a programação do encontro Ocupa Política no Recife</strong></a></p></blockquote>
<p>O Estamos listas não é um partido político. É um movimento de cidadãos, uma figura política que existe na Colômbia e que pode participar de eleições, se tiver determinado número de assinaturas. A cada eleição, é preciso colher as assinaturas. Desta vez, foram necessárias 15 mil para que o Estamos Listas pudesse concorrer. As eleições acontecem no dia 27 de outubro.</p>
<div id="attachment_18534" style="width: 310px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18534" class="size-medium wp-image-18534" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/estamoslistas2-300x224.jpg" alt="Ação do Estamos listas em Medelín. Foto: Divulgação" width="300" height="224"><p id="caption-attachment-18534" class="wp-caption-text">Ação do Estamos Listas em Medelín. Foto: Divulgação</p></div>
<p>O movimento ainda é novo, começou a ser pensado em 2017 e tomou forma no ano passado. “Surgiu de um pequeno grupo de mulheres, que sentiram a necessidade de se verem representadas na política de Medellín”, conta a ativista pelas mulheres negras Marta Lopez. “Historicamente as mulheres, os negros e os povos indígenas ficam excluídos da política”, diz. Em Medellín, quase 53% da população é formada por mulheres, mas elas ocupam apenas 5 das 21 cadeiras do conselho. “Vimos nestas eleições uma oportunidade de fazer uma representação feminista”,conta Lopez.</p>
<p>Na campanha para as eleições, que acontecem no dia 27 de outubro, <a href="https://twitter.com/Estamos_Listas/status/1043630226381725696" target="_blank" rel="noopener noreferrer">o movimento defende sete pontos</a>, dispostos em um manifesto lançado em setembro do ano passado. Em uma cidade profundamente desigual, a pauta de segurança perpassa quatro desses pontos, como a prevenção ao feminicídio e a luta pelos direitos humanos. As Estamos Listas também defendem a educação sexual e afetiva nas escolas e políticas públicas relacionadas aos direitos reprodutivos das mulheres. “Nós acreditamos em uma política que cuide de todos e de todas. Que seja a favor da vida e da ética&#8221;, afirma Marta.</p>
<blockquote><p><strong><a href="https://marcozero.org/ocupa-politica-chega-ao-recife-para-inspirar-candidaturas-coletivas-e-de-ativistas/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Mandatos coletivos se estruturam para vencer resistência no Legislativo</a></strong></p></blockquote>
<p>Para fortalecer o movimento e crescer mais rápido, e também garantir as 15 mil assinaturas, a estratégia adotada pelas Estamos Listas se assemelha a um esquema de pirâmide: cada mulher foi convocada a chamar mais cinco e assim por diante. Assim, foram formados 37 “círculos de confiança”, hoje compostos por entre 30 e 100 mulheres. “São mulheres que se conhecem de alguma maneira. Nos une a vontade de participar da vida política e também o amor pela cidade, o desejo de poder viver bem nela”, diz Marta.</p>
<p>Como não é um partido, o Estamos Listas tem mais dificuldade em conseguir financiamento. A maioria do trabalho de divulgação e de ações do movimento é feito de forma voluntária. Cada mulher que se inscreve para participar do movimento também paga uma pequena taxa de 20 mil pesos, algo em torno de R$ 24. Outra parte do financiamento vem da venda de <em>souvenirs</em> e de bebidas nos eventos promovidos pelas Estamos Listas. Há tambémalgumas doações, que no caso de associações políticas, não podem ultrapassar os R$ 1 mil. “É uma campanha bastante austera, feita realmente da solidariedade e do coletivo”, resume Isabel.</p>
<h2>Homens são cotistas no Estamos Listas</h2>
<p>A eleição dos conselhos municipais da Colômbia é feita por legenda e se dá por meio de uma lista fechada: os nomes mais acima têm mais chances de serem eleito e são escolhidos pelo partido ou movimento. O conselho de Medellín – uma metrópole com mais de 2,5 milhões de habitantes – é formado por 21 cadeiras. A intenção do Estamos Listas é conseguir eleger pelo menos uma das 14 mulheres que estão na disputa – Isabel Pérez é uma delas. Assim como no Brasil, a Colômbia mantém um sistema de cotas por gênero nas candidaturas.: 30% da lista deve ser de um dos gêneros.</p>
<p>No caso do Estamos listas, dos 20 nomes da lista (escolhidos em votação interna), seis são de homens, o que equivale a 33% dos nomes em disputa pelo movimento. Os homens ficaram no final da lista, ou seja, com pouquíssimas chances de serem eleitos. “Foram homens escolhidos por nós e que da sua parte se dispuseram a estar neste lugar. Ou seja,ocuparos últimos lugares da lista e contribuir, dali, com o movimento de mulheres”, comenta Isabel.</p>
<blockquote><p><a href="https://marcozero.org/os-desafios-das-candidaturas-e-mandatos-lgbti-dentro-e-fora-do-brasil/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><strong>Os desafios das candidaturas e mandatos LGBTI dentro e fora do Brasil</strong></a></p></blockquote>
<p>Ao contrário do Brasil, no entanto, não há cota para financiamento – desde as últimas eleições, a legislação brasileira também garante a reserva por gênero de no mínimo 30% do financiamento. “Consideramos que as cotas de gênero são importantes, são uma vitória dentro do processo de incluir mais mulheres na política, mas são insuficientes. Em geral, a cota é mal gerida: serve só para ter mulheres dentro das listas, mas são mulheres que têm menos financiamento, que têm menos marketing e têm menos <em>know how</em> de como fazer política. Estar na lista não significa que realmente elas tenham possibilidades reais de chegar aos cargos”, diz Isabel.</p>
<p>Para as representantes do Estamos Listas, é necessário representação, leis que favoreçam a participação política e um ambiente menos machista para que mais mulheresentrem na política institucional. “As mulheres têm que ver que é possível chegar lá, mulheres normais, que fazem outras coisas, mas se interessam por política. Temos que modificar a forma de fazer política e abrir espaço, mostrar que também é um lugar de mulheres. E a partir de movimentos que realmente se mostrem democráticos, que respeitem e não sejam só letra miúda dentro dos estatutos dos partidos, que não seja só lei de cota, mas um esforço e um comprometimento real”,acredita Isabel.</p>
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		<title>Pré-Ocupa Política promove debates e ações culturais nas periferias do Grande Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Aug 2019 15:04:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[catuca]]></category>
		<category><![CDATA[coletivos]]></category>
		<category><![CDATA[fala alto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A programação do Ocupa Política começa oficialmente no dia 29 de agosto, a próxima sexta-feira. Mas, até lá, a periferia do Grande Recife vai respirar política e cultura com as atividades do Pré-Ocupa: uma forma de levar os debates para os territórios e para chamar a população para o evento principal. A partir deste sábado [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-18264" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/selo-ocupa-política-e1565906338505.png" alt="selo ocupa política" width="150" height="101">A <a href="http://marcozero.org/confira-a-programacao-do-encontro-ocupa-politica-no-recife/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">programação do Ocupa Política </a>começa oficialmente no dia 29 de agosto, a próxima sexta-feira. Mas, até lá, a periferia do Grande Recife vai respirar política e cultura com as atividades do Pré-Ocupa: uma forma de levar os debates para os territórios e para chamar a população para o evento principal. A partir deste sábado e até a véspera do encontro, quatro comunidades irão receber debates, rodas de diálogo e manifestações culturais. Confira a programação.</p>
<h2>Igarassu</h2>
<p style="font-weight: 400;"><img decoding="async" class="_1ift _1ifu img" style="color: #ffffff;" src="https://static.xx.fbcdn.net/images/emoji.php/v9/f16/1/32/1f5d3.png" alt="">&nbsp;<strong>Sábado&nbsp;(24)</strong>,<strong> a partir das 16h20</strong><br />
<strong> <img decoding="async" class="_1ift _1ifu img" style="color: #ffffff;" src="https://static.xx.fbcdn.net/images/emoji.php/v9/fe7/1/32/1f4cd.png" alt=""><em>&nbsp;Praça de Cruz de Rebouças</em></strong></p>
<p style="font-weight: 400;">Morador da comunidade do Pancó, Otho faz parte do coletivo Catucá, um grupo de 20 pessoas que se juntou no ano passado. Em um cenário nacional de perda de direitos, o grupo surgiu do anseio e da necessidade da construção do debate político em Igarassu. &#8220;Por mais que houvesse um esforço, o debate estava muito concentrado na capital. As cidades da região metropolitana, da mata norte e do litoral também têm suas próprias necessidades de pauta política&#8221;, diz Otho. &#8220;A gente percebeu que a gente precisava criar um processo de auto-estima para nossa quebrada. É muito difícil não ter voz na nossa cidade, ter que fazer os corres no Recife.&nbsp;O&nbsp;processo de perda de direitos se reflete diretamente em quem permanece no chão da fábrica. Há, sim, um crescente desemprego e informalidade, mas por aqui a indústria ainda é muito forte por conta do pólo da Fiat. Os jovens de Igarassu saem da escola para as fábricas&#8221;, conta.</p>
<div id="attachment_18416" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18416" class="wp-image-18416 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/coletivoCatuca-1024x690.jpg" alt="O coletivo catucá, de Igarassu" width="702" height="473"><p id="caption-attachment-18416" class="wp-caption-text">O coletivo Catucá, de Igarassu</p></div>
<p style="font-weight: 400;">O tema do debate em Igarassu vai ser o nepotismo. Um tema que voltou ao debate nacional com a vontade de Bolsonaro indicar o filho Eduardo, para a embaixada dos Estados Unidos. &#8220;Mas temos no campo estadual essa romantização, inclusive da esquerda, de João Campos, que hoje é deputado, mas foi chefe de gabinete do Governo do Estado sem ter experiência alguma. Aqui em Igarassu, o prefeito Mário Ricardo (PTB), ligado a Armando Monteiro e que apoiou Bolsonaro no segundo turno, colocou o filho para concorrer a deputado estadual. Ele não ganhou, mas já é apontado como sucessor do pai na prefeitura&#8221;, detalha Otho.</p>
<p>Participam do debate a professora de história Milena Cristina, o doutorando em religião e integrante do Catucá, Maílson Cabral, e a integrante do coletivo Fala Alto, Rafa Ramos. Na parte musical, vai ter batalha com 12 MCs de Igarassu, Abreu e Lima e Goiana, com&nbsp;a participação da Batalha do Sítio Histórico, Batalha Histórica, Batalha do Núcleo e Batalha da Cruz.</p>
<h2>Alto Santa Terezinha</h2>
<p><img decoding="async" class="_1ift _1ifu img" style="color: #ffffff;" src="https://static.xx.fbcdn.net/images/emoji.php/v9/f16/1/32/1f5d3.png" alt="">&nbsp;<strong>Domingo (25)</strong>,<strong> a partir das 16h20</strong><br />
<strong> <img decoding="async" class="_1ift _1ifu img" style="color: #ffffff;" src="https://static.xx.fbcdn.net/images/emoji.php/v9/fe7/1/32/1f4cd.png" alt="">&nbsp;<em>Rua Aníbal Benévolo, 715</em></strong></p>
<p>O coletivo Fala Alto também é recém-formado, com atuação que começou em 2018. O tema escolhido para o debate poderia ter sido escolhido por várias outras comunidades pobres: &#8220;Só vem quando tem voto&#8221;. &#8220;É o que a gente vive. E fazer resistência política na base é a forma que a gente tem de conversar com o outro, da periferia. Mesmo os políticos de esquerda não chegam para ter interesse de conversar, de coligar&#8221;, diz Priscila Melo, integrante do coletivo.</p>
<p>Com pouco mais de sete mil moradores, o Alto Santa Terezinha é um bairro pobre na Zona Norte do Recife, onde a renda domiciliar é, em média, de um salário mínimo. Há três anos, o Alto recebeu o primeiro Compaz do Recife, mas ainda não tem uma creche, uma reivindicação dos moradores que já ultrapassa uma década. &#8220;A prefeitura comprou o imóvel no Córrego do Deodato, que hoje está em ruínas, e não fez nada lá&#8221;, reclama Pricila.</p>
<p>O Fala Alto tem apenas seis pessoas e atua pontualmente na conscientização sobre a reforma da previdência e junto com o Gajop, instruindo sobre processos jurídicos. A ideia do grupo é desenvolver uma conversa contínua com a comunidade da qual faz parte. No debate do Pré-Ocupa, vão participar também Otho, do coletivo Catucá e Beatriz Santos do coletivo Cara Preta. As atrações culturais são os grupos O tem som de U, Coco da Bomba e Andynho, com rock, coco e pagode.</p>
<h2>Água Fria</h2>
<p><img decoding="async" class="_1ift _1ifu img" style="color: #ffffff;" src="https://static.xx.fbcdn.net/images/emoji.php/v9/f16/1/32/1f5d3.png" alt="">&nbsp;<strong>Terça-feira&nbsp;(27),&nbsp;a partir das 16h20</strong><br />
<strong><img decoding="async" class="_1ift _1ifu img" style="color: #ffffff;" src="https://static.xx.fbcdn.net/images/emoji.php/v9/fe7/1/32/1f4cd.png" alt="">&nbsp;<em>Campo do Barreirão, no Alto no Pereirinha<br />
</em></strong></p>
<p>No Campo do Pereirinha, em Água Fria, as terças-feiras rotineiramente são movimentadas pelo <a href="http://marcozero.org/poesia-falada-flecha-politica-e-mobilizacao-na-periferia-do-recife/">Recital Boca no Trombone</a>, que reúne jovens da comunidade e de outros lugares que aparecem para acompanhar as batalhas de poesia. No dia 27, o Pré-Ocupa se integra à dinâmica local.</p>
<p>O tema da batalha será “Tempos difíceis, era bostanaro” e o recital propõe o mote de “O corre da vida delas”. Nada é por acaso, explica Larissa Themonia, do Recital Boca no Trombone e da Aquilomba, coletivo que reúne mulheres e grupos de periferia na região metropolitana. A ideia é falar de maneira simples, do jeito como a juventude se expressa, sobre questões políticas que dizem respeito a todo mundo. &#8220;O corre de todo dia é conseguir sobreviver nessa conjuntura política em que lidamos com o desmonte de políticas, com o racismo e machismo”, explica.</p>
<div id="attachment_18430" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/24989757947_51e76bd4dc_b.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18430" class="wp-image-18430" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/24989757947_51e76bd4dc_b.jpg" alt="Recital Boca no Trombone. Foto: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="702" height="468"></a><p id="caption-attachment-18430" class="wp-caption-text">Recital Boca no Trombone. Foto: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div>
<p>Para ela, o Ocupa Política é a chance de aprender a ocupar e atuar nos espaços políticos institucionais. Sair da periferia com as pautas e o modo de fazer político da periferia. “Tanto a gente pode aprender a incidir efetivamente com candidaturas coletivas, fazer conexões, trocas de experiência com essas pessoas para aprender como chegar lá, como também podemos oferecer à nova política um aprendizado de chegar no território, conversar com a galera, com diálogo que as pessoas entendam”, comenta.</p>
<h2>Ibura</h2>
<p><img decoding="async" class="_1ift _1ifu img" style="color: #ffffff;" src="https://static.xx.fbcdn.net/images/emoji.php/v9/f16/1/32/1f5d3.png" alt="">&nbsp;<strong>Quarta-feira&nbsp;(28),&nbsp;a partir das 16h20</strong><br />
<strong><img decoding="async" class="_1ift _1ifu img" style="color: #ffffff;" src="https://static.xx.fbcdn.net/images/emoji.php/v9/fe7/1/32/1f4cd.png" alt="">&nbsp;<em>Praça da UR11, Jaboatão dos Guararapes</em></strong></p>
<p>O Pacote Anticrime proposto pelo ministro da justiça Sérgio Moro é o tema escolhido para a atividade no Ibura, bairro do Recife que convive com a violência e ineficiência do poder público e forças de segurança.&#8221;O tema foi pensado pelo fato do Ibura ter um índice de violência com a juventude negra, e o pacote anti-crime&nbsp; nos atinge diretamente, acelerando o encarceramento em massa”, explicaram as integrantes do Coletivo Periféricas. O pacote também vem sendo criticado de modo organizado pelo movimento negro brasileiro &#8211; em fevereiro, uma denúncia formal foi feita na Comissão Interamericana de Direitos (CIDH), órgão autônomo da Organização dos Estados Americanos (OEA).</p>
<p>Em 2018, o bairro viveu meses de terror quando uma guerra entre o tráfico e milícias deflagrou uma <a href="http://marcozero.org/o-que-esta-acontecendo-no-ibura/">escalada de violência que assustou moradores</a>. O bairro vem sendo gradualmente ocupado por coletivos e movimentos que utilizam a arte e educação para mudar a realidade local. O Coletivo Periféricas, Espaço Cultural das Marias, Ibura+Cultura, Favela LGBT, UR11 Free Style, Recital Revolta da Periferia, Coco do Besouro e Aquilomba são alguns desses e estão na organização do evento.</p>
<p>Conectadas e em diálogo com outros bairros, afirmam que o tema de Santa Terezinha, por exemplo, também&nbsp; seria estratégico no Ibura. &#8220;Pelo fato da velha política estar presente nos parlamentares que são eleitos pelo nosso território”, explica.</p>
<p>Articulados, os coletivos têm afirmado também que o Ocupa Política é uma oportunidade de fortalecer as experiências e sujeitos locais, mas com participação e protagonismo de quem está fora dos centros de poder. &#8220;O ocupa vem com uma proposta muito estratégica que é viabilizar a informação, e como coletivo o que sempre tivemos a oferecer sempre foi o nosso quilombo”, conta.</p>
<p>O recado vale não só para esta mobilização, mas para a política em geral. &#8220;É uma experiência inovadora, porém é importante pessoas negras e de favela estarem participando das tomadas de decisões em cada processo no qual somos diretamente atingidos”, explicam.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/pre-ocupa-politica-promove-debates-e-acoes-culturais-nas-periferias-do-grande-recife/">Pré-Ocupa Política promove debates e ações culturais nas periferias do Grande Recife</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Os desafios das candidaturas e mandatos LGBTI dentro e fora do Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Aug 2019 20:12:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>
		<category><![CDATA[inclusao]]></category>
		<category><![CDATA[LGBT]]></category>
		<category><![CDATA[lgbti]]></category>
		<category><![CDATA[ocupa politica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Débora Britto e Maria Carolina Santos Na Assembleia do Distrito Federal, o gabinete 24 sempre foi uma piada. Quando novos deputados chegavam, se fazia um sorteio: nenhum deputado homem queria pegar o tal gabinete. Ao assumir como o primeiro deputado abertamente gay da casa, Fábio Félix (Psol) escolheu logo o gabinete 24, que ficou [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Por Débora Britto e Maria Carolina Santos</strong></em></p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/selo-ocupa-política-e1565906338505.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-18264" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/selo-ocupa-política-e1565906338505.png" alt="selo ocupa política" width="165" height="111"></a>Na Assembleia do Distrito Federal, o gabinete 24 sempre foi uma piada. Quando novos deputados chegavam, se fazia um sorteio: nenhum deputado homem queria pegar o tal gabinete. Ao assumir como o primeiro deputado abertamente gay da casa, Fábio Félix (Psol) escolheu logo o gabinete 24, que ficou fora da disputa. “É uma piada, mas tem uma conotação preconceituosa e estigmatizante”, diz Fábio. O episódio é um entre tantos percalços e constrangimentos que candidaturas e mandatos LGBT enfrentam no Brasil. A resistência, porém, cresce. Nas últimas eleições, houve um aumento de 386% em candidaturas LGBTI no país, segundo a Aliança LGBTI+, chegando a 160. Oito foram eleitos.</p>
<p>São seis representantes em casas legislativas estaduais e distrital, um senador e um deputado federal. O fato da pauta LGBTI ser colocada por uma pessoa LGBTI faz toda a diferença, acredita Fábio Félix. “Um exemplo: só o fato de eu estar aqui ocupando uma cadeira, há sete meses, fez com que nenhum parlamentar falasse sobre esse assunto de maneira negativa e que a gente não tivesse até agora matérias na casa que fossem para retroagir nos direitos da causa LGBT. Isso porque os parlamentares sabem o impacto que isso vai ter, sabem que a gente vai fazer um debate de qualidade e um contraponto forte”, conta Fábio.</p>
<p>O mandato dele não se limita às pautas LGBTI. “Discutimos muito direitos humanos de uma forma ampla, a questão dos direitos das crianças e adolescentes, o direito à cidade, o enfrentamento ao racismo, combate à intolerância religiosa. São pautas fundamentais e que têm que andar juntas”, defende o deputado distrital, que criou um fórum permanente com grupos LGBTI para avalizar projetos na área.</p>
<p>Apesar de nem toda pessoa LGBT colocar como principal bandeira a questão da sexualidade ou a identidade de gênero, é difícil que o tema não ganhe atenção em suas candidaturas e mandatos.</p>
<p>Esse compromisso é vivenciado por Renya Medeiros (PP), prefeita de Passira, cidade do Agreste de Pernambuco, distante 79 quilômetro do Recife. Ela nunca escondeu que é lésbica, casada com uma mulher, mas durante a campanha eleitoral esse não era o foco de sua plataforma política, embora a pauta LGBTI seja uma bandeira sua.</p>
<p>&#8220;Para além de ser prefeita, sou mulher e LGBT. Tenho, como representante do povo, que saber o meu lugar de fala, e defender o direito de todos e todas. Principalmente por ser a única prefeita lésbica do Norte e Nordeste, carrego uma responsabilidade que deve e precisa ser diferenciada. É um orgulho ser representante LGBT mesmo com todo o conservadorismo da sociedade&#8221;, conta.</p>
<p>Renya tem incluído pautas LGBT na gestão municipal. &#8220;Trabalhamos pautas inclusivas com a comunidade LGBTI do município junto ao Coletivo LGBT de Passira, pensando nas necessidades especificas de cada um e cada uma, ouvindo as lideranças locais no processo de construção das propostas que contemplem a todos e todas&#8221;, explica.</p>
<p>Segundo Renya, que é filiada ao Partido Progressista – legenda do campo conservador em que boa parte dos integrantes defende abertamente pautas contrárias aos movimentos LGBT -, a sexualidade não foi motivo para ser desrespeitada dentro do partido. Por outro lado, reconhece que o fato de ser mulher impôs dificuldades para se firmar na política. A diversidade de candidaturas, para ela, fortalece a democracia.</p>
<h3>Disputa por espaço, recursos e votos</h3>
<p>Segundo o <a href="https://www.votelgbt.org/">coletivo #VoteLGBT</a>, o aumento de candidaturas LGBT não significa, automaticamente, que exista um fortalecimento do movimento e o aumento de LGBTs eleitos. O VoteLGBT é uma plataforma que desde 2014 realiza ações para fortalecer a representatividade LGBT, com foco na política.</p>
<p>A contradição se dá, segundo o grupo, pelo sistema eleitoral brasileiro, que privilegia os candidatos que tiveram mais votos em cada coligação ou partido. &#8220;Se as candidatas LGBT+ saíram em partidos diferentes, elas disputaram votos. E se elas saíram pelo mesmo partido, elas também competiram por votos internamente, afinal, só as mais votadas são eleitas. Nesse sentido, parece que mais candidatas LGBT+ resulta em menos LGBT+ eleitas&#8221;, explicam.</p>
<p>O lado positivo, no entanto, é a visibilidade que as campanhas ganham. O efeito se espalha e a pluralidade LGBT dá a oportunidade de mais pessoas se identificarem com as candidaturas. &#8220;Até pouco tempo atrás, a maior parte das candidatas LGBT+ era composta de homens cis gays brancos. À medida que outras LGBT+ se candidataram em 2018 (mulheres transexuais, lésbicas, bissexuais, homens gays negros, muitos comprometidos também com outros movimentos além das LGBT+), conseguiram votos que aqueles homens gays cis brancos não conseguiriam jamais&#8221;, analisam.</p>
<p>O financiamento das campanhas é mais um problema. &#8220;O partido normalmente dedica a maior parte da grana aos candidatos (sim, candidatos, no masculino) com mais chance de vencer ou mais alinhados com os caciques da legenda, que não costumam ser as pessoas LGBT+&#8221;, afirma o coletivo. Um dos principais desafios, então, se torna a arrecadação de recursos. &#8220;Sem doações nem recursos dos partidos, resta às candidatas LGBT+ depender de apoio voluntário e da criatividade, especialmente nas redes sociais&#8221;, afirmam.</p>
<p>Outro desafio é o que chamam de &#8220;LGBTfobia internalizada&#8221;. Em outras palavras, a dificuldade de convencer até mesmo eleitores LGBT de que políticos LGBT podem fazer um bom trabalho.</p>
<h3>Aproximações e diferenças</h3>
<p>Entre lésbicas, gays, bissexuais, trans e mais, as pessoas LGBTs não estão isentas de desigualdades de outras ordens. Para o #VoteLGBT, não dá para ignorar as diferenças que atravessam as candidaturas, como questões de raça e classe social, apesar de todas sofrerem com alguma forma de sexismo. &#8220;Embora os membros da sigla sofram elas mesmas uma expressão de sexismo, é óbvio que pessoas masculinas têm privilégio relativamente a pessoas femininas, assim como pessoas cissexuais também não sofrem a discriminação enfrentada por pessoas transexuais&#8221;, explicam.</p>
<p>Para as mulheres lésbicas, bissexuais e trans, por exemplo, o sexismo se manifesta quando, no imaginário da sociedade, homens são mais aptos a ocupar posições de poder. Não à toa, a quantidade de mulheres candidatas que assumem a identidade e levantam a bandeira LGBT é bem menor em comparação aos homens gays. &#8220;De qualquer forma, embora alguns segmentos da sigla sejam privilegiados, todos continuam a enfrentar grande discriminação em várias instâncias, as quais são empecilhos importantes para seu sucesso eleitoral&#8221;, analisa o coletivo.</p>
<h3>Candidaturas trans</h3>
<div id="attachment_18355" style="width: 460px" class="wp-caption alignright"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/44242756411_5e38c3b939_h.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18355" class="wp-image-18355" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/44242756411_5e38c3b939_h-300x200.jpg" alt="Joana Casotti, durante campanha para deputada estadual em 2018" width="450" height="300"></a><p id="caption-attachment-18355" class="wp-caption-text">Joana Casotti, durante campanha para deputada estadual em 2018</p></div>
<h3></h3>
<p>Nas eleições passadas, Pernambuco teve um recorde. Pela primeira vez, três candidatas trans concorreram ao Legislativo. Joana Casotti (PCdoB) e Robeyoncé Lima (Psol), do coletivo Juntas (Psol), disputaram uma vaga na Assembleia, e Amanda Palha (PCB), na Câmara Federal. O crescimento ocorreu no Brasil todo, saindo de cinco candidaturas em 2014 para 54 no ano passado.</p>
<p>Amanda, Joana e Robeyoncé incorporavam pautas específicas para pessoas trans nas suas campanhas, mas iam além, com propostas nas áreas de saúde, emprego, habitação. Apenas as Juntas foram eleitas, com Robeyoncé hoje integrando o gabinete coletivo com mais quatro mulheres.</p>
<p>Para Joana, a eleição foi um período exaustivo, tanto física quanto emocionalmente. Sem muito apoio do partido, ela conta que sofreu assédio sexual, e que não pensa em se candidatar novamente. Um dos pontos que a fez permanecer na campanha foi o de falar para fora do movimento trans. “Porque muitas vezes ficamos presas em um círculo, falando para as mesmas pessoas e grupos, debatendo nossas pautas somente entre nós. Isso nos fortalece, mas não nos amplia&#8221;, critica.</p>
<p>Para homens e mulheres trans, não existe a possibilidade de levantar ou não bandeiras. “Quando eu entro em qualquer lugar, já estou me posicionando”, diz Joana. Apesar de achar que representatividade é fundamental, ela acredita que tem que se ir além quando se ocupa um cargo eletivo. “Adoro Robeyoncé, acho que as Juntas estão fazendo um papel importante de escuta dos movimentos e circularam bastante nesses meses, fazendo palestras. Mas é preciso atingir as pessoas no seu dia a dia. Não vi nenhum projeto delas ainda para as mulheres ou para as pessoas LGBT”, diz.</p>
<p>Com apenas sete meses de mandato, as Juntas apresentaram cinco projetos, nenhum deles, realmente, relacionado às pautas LGBTI ou das mulheres. Robeyoncé explica que o primeiro semestre foi um momento de escuta dos movimentos e das Juntas também entenderem o funcionamento da Alepe. “A gente aprendeu quem era quem no jogo do bicho. Fazer articulações é muito importante quando se é independente. Não somos governo, nem tampouco nos juntamos com a oposição, que é conservadora e alinhada com o governo Bolsonaro”, explica Robeyoncé.</p>
<p>Depois do momento de ouvir os movimentos, os próximos passos são as elaborações de projetos de lei que atendam as demandas das pessoas LGBT. “Porém, temos que saber nossos limites de atuação. Nem tudo pode virar projeto. Às vezes a gente trabalha fazendo articulação para as demandas serem resolvidas pelo Poder Executivo”, diz Robeyoncé.</p>
<p>Uma das lutas para as pessoas LGBTI é a criação de uma frente parlamentar estadual. Por enquanto, 27 dos 49 nove mandatos assinaram uma carta de intenção para a criação da frente. “Essa assinatura, porém, não é garantia de votos. Precisamos que os movimentos cheguem junto, na Assembleia, para fazer pressão pela aprovação da Frente. Somos cinco, mas somos apenas um voto”, diz Robeyoncé. A criação da Frente Parlamentar LGBT ainda não tem data para ir à votação.</p>
<p>Primeira mulher trans na Assembleia Legislativa de Pernambuco, Robeyoncé diz que não sofre preconceito lá. “Dentro da casa, não sofri. O que a gente esbarra é no não reconhecimento de um mandato coletivo”, explica.</p>
<blockquote>
<div id="attachment_18279" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18279" class="wp-image-18279 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/E.M.-R.L-WashingtonDC-Dic2018-1024x683.jpg" alt="Conferência do Victory Institute em Washington, com a presença de Erika Malunguinho e Robeyoncé. Foto: Divulgação" width="702" height="468"><p id="caption-attachment-18279" class="wp-caption-text">Conferência do Victory Institute em Washington, com a presença de Erika Malunguinho e Robeyoncé. Foto: Divulgação</p></div>
<p><strong>&nbsp;</strong></p>
<h4>Entrevista// Alheli Partida, do Victory Institute</h4>
<h3>&#8220;Candidatos LGBTI enfrentam mais ataques relacionados à sua vida pessoal e problemas de segurança&#8221;</h3>
<p>O&nbsp; Instituto Victory, com sede nos Estados Unidos, atua desde 1993 no treinamento de pessoas LGBTI que tenham interesse de concorrer a cargos públicos. Em 2003, expandiu sua atuação para diversos países em desenvolvimento, como Índia, Equador e os países Bálcãs. Também promovem conferências e pesquisas com candidatos e políticos eleitos LGBTI.</p>
<p>Gerente de projetos internacionais do instituto, Alheli Partida explica na entrevista abaixo, feita por e-mail, como funciona a atuação da entidade e quais os principais desafios e diferenças de candidaturas LGBTI ao redor do mundo.&nbsp; Ela participa no final de agosto do encontro Ocupa Política, aqui no Recife.</p>
<p><strong>Quais são os principais fatores para considerar uma campanha como uma “campanha LGBTI”? Estamos falando de ser abertamente LGBTI, levantar bandeiras, o quê?<br />
</strong>Estamos falando de ser um candidato abertamente LGBTI. E isso vem com desafios muito específicos. Um candidato abertamente LGBTI não se concentrará apenas em questões LGBTI, deve estar ciente dos problemas que a comunidade que está tentando representar enfrenta, tem que ter boas propostas para resolver estes problemas, assim como qualquer outro candidato. Mas, acima de tudo, eles experimentaram todas as barreiras que uma pessoa abertamente LGBTI enfrenta, e isso os torna mais conscientes do que outros grupos sub-representados podem enfrentar diariamente. Sabemos que quando as pessoas LGBTI ocupam um cargo eleito, elas humanizam a vida LGBTI para seus colegas, influenciam o debate legislativo e levam a uma legislação mais inclusiva.</p>
<p><strong>Quais são as diferenças entre as campanhas LGBTI e cis heteronormativas?</strong><br />
A principal diferença é a percepção que a sociedade, especialmente a parte conservadora, tem sobre um candidato LGBTI. Candidatos abertamente LGBTI enfrentam mais ataques relacionados à sua vida pessoal, e até mesmo sua moralidade é injustamente investigada por serem quem são. Os candidatos LGBTI também enfrentam mais problemas de segurança, especialmente os candidatos trans, que muitas vezes são ameaçados e se tornam vítimas de violência quando estão sob os olhos do público. E uma terceira diferença é que alguns eleitores acham que os candidatos LGBTI só se preocupam com as questões LGBTI &#8211; o que não é de todo o caso. Alguns candidatos LGBTI podem ser inspirados a concorrer porque querem promover a igualdade, o que é ótimo, mas, para a maioria, seus problemas prioritários não são relacionados à comunidade LGBTI. Eles podem querer abordar a falta de moradia, melhorar o transporte ou trabalhar nas políticas de resiliência climática para suas comunidades.</p>
<p><strong>Qual é a rede de apoio que os candidatos LGBTI recebem do Victory Institute?</strong><br />
O LGBTQ Victory Institute é uma organização sem fins lucrativos com sede nos EUA que trabalha nacional e internacionalmente com parceiros locais para fornecer acompanhamento e serviços para líderes LGBTI que desejam se envolver e participar do processo democrático. No centro de nosso trabalho está o treinamento de pessoas para serem cidadãos ativos e engajados e concorrer a cargos. Treinamos milhares de líderes LGBTI nos EUA e em todo o mundo. Entre eles, Diane Rodriguez, uma congressista trans no Equador, Tammy Baldwin, senadora dos EUA, e Aldo Dávila, membro do Congresso na Guatemala. Oferecemos vários espaços para aprendizagem mútua, rede e suporte. Um exemplo é a nossa Conferência Internacional de Líderes LGBTQ, realizada em Washington DC todos os anos, assim como a Conferência LGBTI de Liderança Política das Américas, realizada a cada dois anos em um país diferente das Américas.</p>
<p><strong>O Victory Institute está presente em países tão diversos quanto os EUA, a Índia e a Colômbia. Existem agendas políticas comuns entre ativistas com diferentes origens culturais? Quais são os problemas mais recorrentes?</strong><br />
O contexto político e cultural é único para cada país. É por isso que trabalhamos com parceiros locais para nos ajudar a entender melhor as barreiras e desafios específicos que os líderes LGBTI enfrentam em um país ou região. Mesmo que algumas lutas sistemáticas possam ser as mesmas nos EUA e na Colômbia, sempre devemos levar em consideração outros aspectos culturais e históricos para poder ajudar os líderes LGBTI com estratégias realistas de acordo com o lugar onde vivem. Como somos o mais importante repositório de conhecimento sobre a participação política LGBTQ no mundo, identificamos problemas que cada um dos líderes que treinamos, uma vez que decidam concorrer, enfrentam independentemente do lugar onde moram. Um exemplo é como responder aos ataques anti-LGBT de seus oponentes ou da mídia conservadora. Outra é o número de perguntas pessoais que eles enfrentam. Nenhum outro candidato é perguntado a todo momento sobre suas vidas privadas do mesmo modo que os candidatos LGBTI (e mulheres candidatas). As pessoas trans também têm barreiras adicionais que os candidatos cisgêneros não enfrentam. Como exemplo, uma de nossas estagiárias em Honduras, uma mulher trans chamada Rihanna Ferrera, teve que se registrar com seu nome atribuído no nascimento, que não é seu nome de identidade. Portanto, ela fez campanha com o nome dela, enquanto a cédula tinha outro nome.</p>
<p><strong>Quais são os efeitos positivos que a inclusão de candidatos LGBTI e políticos eleitos têm no fortalecimento da democracia?</strong><br />
Acreditamos que a representatividade é importante &#8211; que toda comunidade em nossa sociedade merece um lugar à mesa. Certamente precisamos de pessoas LGBTI no cargo para garantir que a legislação de igualdade seja impulsionada, mas a realidade é que quase todas as políticas afetam a comunidade LGBTI de uma forma única &#8211; na saúde, mudanças na polícia e leis tributárias. É fundamental ter um pessoal LGBTI em posições de poder para que eles possam ver políticas e legislação através de uma lente LGBTI &#8211; compartilhando com seus colegas legisladores como eles impactam nossa comunidade. Essa é a receita para acabar com a discriminação e a exclusão, mas ainda temos um longo caminho pela frente.</p>
<p><strong>Como é o treinamento para os candidatos LGBTI no Victory Institute? Quais desafios eles enfrentam?</strong><br />
Nosso treinamento é uma oportunidade transformadora para os líderes LGBTI obterem o conteúdo teórico e prático necessário para se tornarem candidatos políticos, ingressarem em partidos políticos ou melhorarem suas habilidades de liderança. Normalmente, o programa é estruturado em quatro ou cinco módulos que duram dois dias e meio cada. Em cada módulo, eles aprendem sobre um tópico diferente relacionado ao seu envolvimento na política: habilidades de comunicação, técnicas de campanha eleitoral e sobre o sistema político de seus países. Como mencionei antes, cada treinamento é feito sob medida para as necessidades especiais de cada grupo, com o apoio de nossos parceiros locais.</p>
<div id="attachment_18346" style="width: 310px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18346" class="wp-image-18346 size-medium" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/Alheli-Partida-300x300.jpg" alt="Alheli Partida" width="300" height="300"><p id="caption-attachment-18346" class="wp-caption-text">Alheli Partida, do Victory Institute</p></div>
<p><strong>Quantos candidatos o Victory Institute apoiou até agora? Quantos foram eleitos?</strong><br />
O Victory Institute treina e conecta líderes LGBTI em todo o mundo. Nós não endossamos candidatos. Equipamos os líderes com as habilidades necessárias, caso decidam concorrer. Em 2018, durante nosso treinamento na América Central, treinamos um ativista gay da Guatemala, Aldo Dávila. Ele é agora o primeiro homem abertamente gay eleito para o Congresso daquele país. Também temos dois ex-participantes de nosso treinamento disputando eleições na República Dominicana. Desde que começamos nosso trabalho internacional há sete anos, o número de candidatos LGBTI aumentou consideravelmente nos países com os quais trabalhamos. Esse foi o caso em Honduras, onde passamos de zero candidatos abertamente LGBTI em 2013 para seis em 2016. Atualmente, temos uma rede de mais de 2000 pessoas LGBTI em todo o mundo que participaram de nossos programas. Nossa organização irmã Victory Fund é uma organização política que endossa candidatos LGBTI abertos nos Estados Unidos.</p>
<p><strong>O Victory Institute tem algum plano de operar no Brasil?</strong><br />
Há um movimento significativo que tenta retomar a democracia no Brasil por meio da participação política, canalizando energia em oposição às políticas regressivas do presidente. Centenas de mulheres, afrodescendentes, povos indígenas e pessoas LGBTI estão se preparando para concorrer às eleições, e temos amplificado essas vozes através de nossa conferência nos EUA e na América Latina. Estamos abertos para colaborar nesses esforços, mas, por enquanto, não temos planos concretos.</p></blockquote>
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		<title>Confira a programação do encontro Ocupa Política no Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Aug 2019 20:54:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Encontro]]></category>
		<category><![CDATA[ocupa politica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A programação dos três dias do encontro Ocupa Política foi divulgada nesta quinta-feira. O evento deve reunir mais de quatrocentos inscritos em rodas de diálogo, manifestações culturais, oficinas e trocas de experiências. O Ocupa Política é uma articulação nacional que busca inspirar e fortalecer a candidatura de ativistas e coletivos sociais, para que eles estejam [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/selo-ocupa-política.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-18264" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/selo-ocupa-política-300x201.png" alt="selo ocupa política" width="165" height="111"></a>A programação dos três dias do encontro Ocupa Política foi divulgada nesta quinta-feira. O evento deve reunir mais de quatrocentos inscritos em rodas de diálogo, manifestações culturais, oficinas e trocas de experiências. O Ocupa Política é uma articulação nacional que busca inspirar e fortalecer a candidatura de ativistas e coletivos sociais, para que eles estejam preparados para entrar na política institucional. Atualmente, 16 mandatos fazem parte do Ocupa, a grande maioria do Psol, mas também com alguns representantes na Rede Sustentabilidade. O encontro acontece entre os dias 29 e 31 de agosto.</p>
<p>Com uma proposta descentralizada, o Ocupa vai promover quatro encontros até o fim de semana de programação oficial. &#8220;São quatro encontros, cada um em um lugar diferente, com uma dinâmica própria. O primeiro, em Igarassu, vai ser um debate sobre nepotismo. No Alto Santa Terezinha, ainda estamos fechando o tema do debate. No dia 27, em Água Fria, vamos ter um recital poético e uma batalha de hip hop. No Ibura, um debate sobre o pacote anti-crime&#8221;, detalha um das integrantes da organização do evento, Daiane Dultra, do coletivo Agora é com a gente.</p>
<blockquote><p><a href="https://marcozero.org/ocupa-politica-chega-ao-recife-para-inspirar-candidaturas-coletivas-e-de-ativistas/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Ocupa Política chega ao Recife para inspirar candidaturas coletivas e de ativistas</a></p></blockquote>
<p>O Ocupa Política nasceu em 2016 e teve edições em 2017 e 2018. No ano passado, o Ocupa aconteceu em São Paulo e apresentou setenta propostas de candidaturas. Doze foram eleitas, entre elas os mandatos coletivos da Bancada Ativista (SP) e das Juntas (PE).</p>
<p>O encontro no Recife será bem mais amplo do que as edições anteriores. Isso porque a programação traz 20 ativistas estrangeiros, a maioria da América Latina, que irão compartilhar suas experiências. Há representantes de movimentos que trabalham com campanhas digitais e de baixo custo, que apoiam candidaturas LGBTI, feministas e etnicamente diversas.</p>
<blockquote><p><a href="https://marcozero.org/ocupa-politica-chega-ao-recife-para-inspirar-candidaturas-coletivas-e-de-ativistas/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Mandatos coletivos se estruturam para vencer resistência no Legislativo<br />
</a></p></blockquote>
<p>Entre os mais de 20 nomes estrangeiros, o encontro recebe Ilona Duverge, representante da Movement School, a escola de formação de candidatos que apoiou a campanha da deputada democrata Alexandria Ocasio-Cortez nos EUA; a jornalista Beatriz Sánchez, candidata à presidência do Chile pela Frente Amplio em 2017; Alheli Partida, da organização internacional LGBTI Victory Institute; o fenômeno feminista Estamos Listas, que reúne mais de duas mil mulheres para enfrentar as eleições de outubro na Colômbia.</p>
<p>Além da participação de ativistas estrangeiros, representantes de todos os 16 mandatos estarão presentes no Ocupa Política. A programação com os nomes de quem vai participar de cada ação deve ser divulgada na próxima semana. As inscrições já foram encerradas, mas há várias atividades que irão acontecer em espaços públicos, com acesso livre. Confira abaixo a programação.</p>
<blockquote><p><strong><br />
PROGRAMAÇÃO OCUPA POLÍTICA RECIFE 2019</strong><br />
<em>PRA TODO MUNDO VIVER BEM!</em></p>
<p><iframe loading="lazy" src="//www.slideshare.net/slideshow/embed_code/key/AFBTgvXhPldwTm" width="668" height="714" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no" style="border:1px solid #CCC; border-width:1px; margin-bottom:5px; max-width: 100%;" allowfullscreen=""> </iframe></p>
<div style="margin-bottom:5px"> <strong> <a href="//www.slideshare.net/carolinasantos32/programao-ocupa-poltica-2019" title="Programação Ocupa Política 2019" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Programação Ocupa Política 2019</a> </strong> from <strong><a href="//www.slideshare.net/carolinasantos32" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Maria Santos</a></strong></div>
<p><strong>ESQUENTA OCUPA</strong><br />
<em>Começando sempre às 16h20</em></p>
<p>24 de agosto | sábado<br />
em Igarassu<br />
Praça de Cruz e Rebouças</p>
<p>25 de agosto | domingo<br />
no Alto de Santa Terezinha</p>
<p>27 de agosto | terça-feira<br />
em Água Fria</p>
<p>28 de agosto | quarta-feira<br />
no Ibura</p>
<p><strong>OCUPA</strong></p>
<h3><strong>29 de agosto | quinta-feira</strong></h3>
<p>18h às 22h &gt;&gt;&gt; Ocupa se Apresenta<br />
Abertura do #OcupaPolítica + Vídeo de apresentação do Ocupa Política<br />
Slam das Minas + Rayssa Dias + Leilão em Chamas + Bongar</p>
<h3><strong>30 de agosto | sexta-feira</strong></h3>
<p>8h30 às 12h &gt;&gt;&gt; Ocupa se posiciona: Análise de conjuntura<br />
Por que ocupar a política? // Insurgindo frente à onda de conservadorismo<br />
Mundo + Brasil<br />
Teamu + Resta 1<br />
14h às 18h&gt;&gt;&gt;Ocupa Territórios e Oficinas Autogestionadas<br />
Bode + Coque + Ilha de Deus + Xambá + Centro</p>
<h3><strong>31 de agosto | sábado</strong></h3>
<p>Miró + Involuntário<br />
<strong>10h às 13h </strong><br />
&gt;&gt;&gt; Rodas de diálogo: PRA TODO MUNDO VIVER BEM // COMO CONSTRUIR HOJE O BEM VIVER?<br />
Mulheres no Poder: movendo as estruturas + Combate ao Racismo: resistência e ancestralidade + Atuando em Frentes: o que nos une por um objetivo comum + A cidade governada por nós + Comunicação e Mobilização por Direitos + Pé na Porta: estratégias de campanhas eleitorais + Direito à expressão religiosa x defesa do Estado Laico + Antiproibicionismo como estratégia de defesa da vida + LGBTQI: Re-existindo e ocupando + Território como espaço-tempo da construção do Bem Viver + Nossas Cidades não estão à venda! + Cultura Viva + Enfrentando a ultra-direita: nossas lutas não serão interrompidas! + Diálogos entre territórios e institucionalidades.</p>
<p><strong>14h às 22h &gt;&gt;&gt; OCUPA AURORA</strong></p>
<p><strong>14h às 17h30</strong><br />
Mesa de Glosar &gt; “Eles odeiam Poesia”<br />
Pinga Fogo = Microfone Aberto<br />
Mandatos Ocupa Política<br />
A dor e a delícia dos mandatos coletivos + A palavra é participação + Metendo a<br />
mão na massa (ou: como um mandato legislativo pode impactar na vida das<br />
pessoas) + Ninguém vai falar por nós</p>
<p><strong>18h às 22h &#8211; Som na Rural</strong><br />
Batalha de Vogue “quartas de final”* + Samba de Coco Toype do Orurubá + Batalha<br />
de Vogue “semifinal” + Coco do Coque* + Batalha de Vogue “final” + Femigang* convida Marolas Crew* + Batucada Cordão da Bruta flor + Caboclo Mestiço.</p>
<p><strong>13h às 22h &#8211;</strong> Feirinha do Ocupa: cultural, agroecológica e de economia<br />
solidária</p></blockquote>
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