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	<title>Arquivos Rede Ater NE - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 22 Dec 2025 17:31:29 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos Rede Ater NE - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<item>
		<title>A peleja da agricultura familiar contra os salgadinhos e sucos de caixinha</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Dec 2025 17:31:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura Familiar]]></category>
		<category><![CDATA[alimentos saudáveis]]></category>
		<category><![CDATA[Centro Sabiá]]></category>
		<category><![CDATA[Cumaru]]></category>
		<category><![CDATA[Rede Ater NE]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É hora da merenda na escola rural do Sítio Campos Novos, zona rural de Cumaru. Por alguns minutos, os 14 alunos deixam a sala de aula climatizada e seguem para o refeitório junto à cozinha, onde uma refeição com galinha guisada, macarrão e feijão-mulatinho acaba de ficar pronta. Três meninos, no entanto, recusam o que [&#8230;]</p>
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<p>É hora da merenda na escola rural do Sítio Campos Novos, zona rural de Cumaru. Por alguns minutos, os 14 alunos deixam a sala de aula climatizada e seguem para o refeitório junto à cozinha, onde uma refeição com galinha guisada, macarrão e feijão-mulatinho acaba de ficar pronta.</p>



<p>Três meninos, no entanto, recusam o que é servido, preferindo “lanchar” aquilo que trouxeram numa bolsa: sódio, gordura e açúcar em forma de salgadinhos industrializados em pacotes coloridos e suco ou achocolatado de caixinha.</p>



<p>Em Cumaru, a comida servida na escola é a merenda propriamente dita. O que os meninos levam de casa é chamado de lanche.</p>



<p>A princípio, a coordenadora da escola e as nutricionistas da secretaria municipal de Educação ficaram sem jeito, afinal a equipe da Marco Zero estava ali na manhã daquela terça-feira de dezembro para conhecer e fotografar a merenda saudável da rede municipal de ensino de Cumaru.</p>



<p>Pouco depois, mais à vontade, a coordenadora Edla da Silva Souza, de 36 anos, explica que a maior resistência à mudança dos hábitos alimentares vem das próprias famílias dos estudantes que, ironicamente, são agricultores: “no início deste ano fizemos oficinas com as mães, conversamos com os alunos sobre os problemas de saúde provocados pelos alimentos ultraprocessados, porém ainda há quem ceda à facilidade de colocar na lancheira um saco de salgadinho comprado no atacarejo”.</p>



<p>Coincidência ou não, nenhum morador de Campos Novos fornece alimentos para o PNAE. De acordo com a agroecóloga do Centro Sabiá, Íris Maria da Silva, isso faz muita diferença, pois as famílias que vendem para o PNAE acabam se envolvendo mais com o que filhos e netos comem na escola.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:31% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="533" height="799" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Cumaru-iris-vertical.jpg" alt="" class="wp-image-73948 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Cumaru-iris-vertical.jpg 533w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Cumaru-iris-vertical-200x300.jpg 200w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Cumaru-iris-vertical-150x225.jpg 150w" sizes="(max-width: 533px) 100vw, 533px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Formada em Agroecologia pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Íris tem bastante experiência na assessoria técnica à agricultura familiar, afinal, enquanto fazia seu curso superior, ela já trabalhava como técnica agrícola na ONG Caatinga, no sertão do Araripe, uma das instituições pioneiras nessa área em Pernambuco.</p>
</div></div>



<p></p>



<p>Com tanta bagagem, ela acredita que “não basta implantar a política pública e garantir o acesso à política pública, é necessário oferecer formação para o público beneficiado por essa mesma política pública”. No caso de Cumaru, além das merendeiras terem sido capacitadas para lidar com os ingredientes saudáveis, o Centro Sabiá atuou diretamente junto a centenas de famílias, mas a resistência de algumas mães e pais exige mais tempo para ser superada.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/articulacao-entre-ong-e-prefeitura-eliminou-ultraprocessados-da-merenda-escolar-em-cumaru/" class="titulo">Articulação entre ONG e prefeitura eliminou ultraprocessados da merenda escolar em Cumaru</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/educacao/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Educação</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading">Embutidos fora</h2>



<p>Em 2025, enlatados e embutidos como mortadela, salsicha, salame e presunto foram eliminados da merenda escolar do município. Para se chegar a esse resultado, a equipe do Sabiá e das famílias agricultoras que se transformaram em fornecedoras de alimentos contaram com o reforço do conhecimento técnico das quatro nutricionistas da secretaria municipal de Educação.</p>



<p>Amanda Joelly Bezerra Gonçalves, de 25 anos, é uma dessas profissionais responsáveis por montar o cardápio de acordo com a faixa etária de cada escola, definir o que deverá ser comprado nas licitações e fiscalizar todos os itens que são entregues pelos fornecedores. Ela garante que “não há pressão por parte dos atacadistas ou distribuidores, pois alguns itens, necessariamente, continuam a ser comprados de grandes empresas”. É o caso do arroz, macarrão, extrato de tomate e óleo de soja, por exemplo.</p>



<p>Ao lado da colega Nadjane de Moura, de 24 anos, Amanda explica que a rede municipal de ensino tem 4.122 matrículas, mas isso não quer dizer que sejam 4.122 crianças e adolescentes. “Quem está matriculado em tempo integral, ou seja, fica para o programa de fortalecimento escolar no turno da tarde, conta como duas matrículas”. O vínculo duplo se explica porque alunos e alunas do ensino fundamental que recebem essas aulas de reforço fazem três refeições completas na escola.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Cumaru-nutricionistas.jpg" alt="A foto mostra Amanda Joelly e Nadjane de Moura em frente à Escola Municipal Inês Maria da Conceição. Amanda, à esquerda, veste uma blusa branca e sorri suavemente. Nadjane, à direita, usa uma camiseta azul escura e também está sorridente. As duas estão atrás de um portão azul, com a fachada da escola ao fundo — pintada em branco, azul e rosa, com telhado de cerâmica. A placa da escola está visível acima delas, destacando o nome da instituição e o logotipo da prefeitura." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Amanda e Nadjane elaboram cardápios e fiscalizam os produtos entregues
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	

    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>Esta reportagem foi produzida em parceria com a <a href="https://redeaterne.org.br/">Rede Ater Nordeste</a>.</p>
    </div>
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		<title>Articulação entre ONG e prefeitura eliminou ultraprocessados da merenda escolar em Cumaru</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Dec 2025 17:20:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[alimentos saudáveis]]></category>
		<category><![CDATA[Centro Sabiá]]></category>
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		<category><![CDATA[merenda escolar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cumaru (PE) &#8211; A macarronada praticamente sem molho vinha acompanhada de uma coisa enlatada chamada kitut, feita com sobras de carnes e impregnada de produtos químicos como tripolifosfato de sódio, corante, antioxidante eritorbato de sódio e conservante nitrito de sódio. Se não tivesse o tal kitut no estoque da prefeitura, a opção seria sardinha com [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Cumaru (PE)</strong> &#8211; A macarronada praticamente sem molho vinha acompanhada de uma coisa enlatada chamada kitut, feita com sobras de carnes e impregnada de produtos químicos como tripolifosfato de sódio, corante, antioxidante eritorbato de sódio e conservante nitrito de sódio. Se não tivesse o tal kitut no estoque da prefeitura, a opção seria sardinha com óleo, também em lata. Para completar, biscoito de maisena.</p>



<p>Essa era a merenda com a qual Martilene Iraci do Nascimento acostumou-se quando era aluna da rede escolar de Cumaru, no início dos anos 2000. Na época, havia até uma barraquinha dentro da escola que vendia biscoitos recheados, salgadinhos, pirulitos e confeitos.</p>



<p>Hoje, aos 35 anos, ela e suas vizinhas produzem e fornecem as hortaliças, macaxeira, inhame e frutas oferecidas aos seus filhos e às outras crianças nas escolas do município.</p>



<p>“Sabe como a comida industrializada entra na mesa das famílias? Pela merenda das crianças, que pedem para os pais comprarem aquilo que comem na escola. Agora, está acontecendo o contrário, as famílias estão começando a optar por frutas frescas, por exemplo, porque os filhos e netos estão dando o exemplo”, garante Martilene, mãe de Gabriel, de 10 anos, e Gabrielly, de cinco.</p>



<p>A qualidade começou a mudar em 2020, quando a prefeitura passou a comprar os produtos para a merenda com recursos do Programa Nacional de Alimentação Escolar, o PNAE, que impõe aos municípios comprarem da agricultura familiar pelo menos 30% dos produtos. A mudança foi acelerada graças a uma soma de esforços pouco comum no Brasil: o poder público e entidades ligadas ao movimento social.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>A partir de 1º de janeirode 2026, de acordo com a nova <a href="https://www.gov.br/mec/pt-br/assuntos/noticias/2025/outubro/lei-amplia-compra-da-agricultura-familiar-para-o-pnae">lei federal 15.226</a>, esse percentual será de 45%. Como o orçamento do programa para 2026 é de R$ 5,5 bilhões, isso significa que R$ 2,4 bilhões serão destinados à agricultura familiar.</p>
        </div>
    </div>



<p>Como 76% das 2,4 mil propriedades rurais desse município de 16 mil habitantes no agreste pernambucano têm menos de cinco hectares, abriu-se uma janela de oportunidade com potencial para aumentar a renda das próprias famílias dos estudantes.</p>



<p>O problema é que, àquela altura, poucos agricultores estavam aptos a vender seus produtos ao poder público. O secretário de agricultura do município, Rogério Jerônimo da Silva, contou que, ao assumir o cargo em 2023, pouco menos de 500 agricultores tinham o CAF, o Cadastro de Agricultor Familiar. Sem esse documento, não é possível participar dos editais do PNAE. &#8220;Isso inviabilizava qualquer tentativa de implementar uma política pública&#8221;, explica o gestor.</p>



<p>Esse era o caso da maior parte das famílias de Lagoa de Aninha, onde vivem Martilene e sua vizinha Maria Aparecida da Silva, a Cida, presidente da associação de agricultores da localidade. Elas estão entre as mais de 2 mil camponesas e camponeses de Cumaru que, agora, possuem o CAF e estão habilitados a participar do PNAE e de outros programas governamentais, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).</p>



<p>O resultado desse incremento pode ser constatado nas planilhas de repasses do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação para o município. Em 2024, do total de R$ 307 mil usados na compra de alimentação escolar, 38,36% foram para a agricultura familiar, ou seja, acima do mínimo estabelecido pela lei. Até setembro de 2025, <a href="https://www.fnde.gov.br/pls/simad/internet_fnde.liberacoes_result_pc">foram mais de R$ 493 mil repassados ao município</a>.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Cumaru-Martilene.jpg" alt="Martilene do Nascimento está em um curral pequeno, ao lado de vários cabritos que se alimentam em um cocho de madeira. Ela sorri e veste uma camiseta laranja com estampa branca e shorts bege. O espaço tem piso de madeira ripada, cobertura de telha metálica e paredes de concreto com aberturas para ventilação. A cena mostra um ambiente rural simples, destacando o cuidado com os animais e o trabalho no campo." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Com o cadastro no CAF, Martilene pôde vender produtos para a merenda escolar 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">As mulheres são as protagonistas</h2>



<p>Ao mesmo tempo em que a prefeitura procurou ampliar a quantidade de agricultores cadastrados, as organizações sociais que atuam na região passaram a mobilizar as famílias, principalmente as mulheres, para incrementarem e diversificarem a produção. O Centro Sabiá, organização não governamental que faz parte da Rede de Assistência Técnica e Extensão Rural de Agroecologia (Rede Ater Nordeste), é uma dessas entidades.</p>



<p>Presente em Cumaru desde 2004, o Sabiá trabalhou diretamente com 200 famílias em que as mulheres estavam à frente da propriedade, cultivando, cuidando dos filhos, dos animais de criação e fazendo a gestão da água nas cisternas. Pelo menos 100 dessas mães e esposas se habilitaram a fornecer produtos para a merenda durante os dois anos (2024-2025) em que as famílias receberam assessoria técnica da entidade.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p><!-- wp:paragraph -->As atividades do Centro Sabiá em Cumaru neste período foram desenvolvidas junto com a organização de cooperação internacional Pão para o Mundo (Brot für die Welt, em alemão) e financiadas pelo ministério da Agricultura, Alimentação e Identidade Regional da Alemanha.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph -->O mesmo projeto apoiou ações em seis estados nordestinos &#8211; Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe -, algumas delas já abordadas pela Marco Zero na série de reportagens <em>A reinvenção do Nordeste.</em></p>
        </div>
    </div>



<p>“Meu marido trabalha num condomínio em Caruaru [a 64 quilômetros de distância], eu fico aqui cuidando de tudo nos quatro hectares que divido com minha cunhada. Quando precisa, eu mando Gabriel cortar palma para dar para os animais”, explica Martilene, se referindo ao filho mais velho. O protagonismo gerou relevância no trato com as autoridades municipais. Considerada uma das lideranças das agricultoras, ela ocupa a vice-presidência do Conselho de Desenvolvimento Sustentável de Cumaru.</p>



<p>Cida mora a menos de um quilômetro do sítio de Martilene. De temperamento mais reservado, ela supera a timidez para compartilhar com a amiga o papel de liderança dos agricultores familiares da Lagoa de Aninha e Queimada. Mãe de Diogo Fábio, de 15 anos, e Ana Beatriz, de 10, ela sente orgulho de ser uma das fornecedoras de alimentos para as escolas onde os filhos estudam: “na minha época de estudo era só kitut e sardinha, hoje eles comem inhame, batata e carne que o pessoal daqui produz”.</p>



<p>Ao falar sobre o passado recente, Cida conta que seu temperamento a atrapalhava até para ganhar um dinheiro extra. “Eu faço dudu [o mesmo que sacolé ou dindim, em outras regiões] de frutas da região para vender, mas tinha vergonha de oferecer, de levar para vender. Foi o pessoal do Sabiá que mudou meu jeito de pensar, pois nos eventos que eles realizavam na cidade, pediam para eu fazer mais para que pudessem comprar e servir no lanche”, recorda.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                                        <p class="m-0">Cida aumentou sua renda com a venda de picolés caseiros e bolos que produz
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Ao receber R$ 4.600,00 do projeto tocado pela organização não-governamental, ela comprou um freezer vertical capaz de armazenar e preservar a produção de dudus. “Antes eu apertava no congelador da geladeira, dava para uns 20, no máximo. Agora, posso fazer 200 ou 300 que tenho onde guardar”, explica a agricultora.</p>



<p>Segundo a coordenadora territorial do Sabiá, Juliana Peixoto, a entidade “contribuiu fortemente para que mais gente pudesse ficar sabendo que o edital do PNAE estava aberto e que mais famílias poderiam se inscrever, além disso trabalhamos para uma maior aproximação da secretaria municipal de Agricultura com as comunidades rurais”.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O poder do intercâmbio</strong></h2>



<p>Cida, no entanto, garante que não foi só a insistência para vender os picolés caseiros que quebrou a resistência imposta pela timidez. “O melhor do projeto do Sabiá foi poder conhecer o que outras mulheres fazem em outros lugares, poder participar de congressos de Agricultura Familiar em Brasília, em Juazeiro da Bahia”, afirma.</p>



<p>Foi em uma dessas viagens de intercâmbio que elas conheceram na Paraíba o fogão agroecológico, que gera mais calor com menos lenha. “Todas as mulheres daqui querem um igual, pois a gente viu na Paraíba como a vida de Maria Helena mudou depois do fogão”, conta Marcilene, sem saber que Maria Helena foi protagonista de uma das reportagens da Marco Zero em 2024. </p>



<p>Na Paraíba, elas também aprenderam que não precisam esperar pelo poder público ou por projeto de uma ONG para adquirir um fogão agroecológico – ou qualquer outra estrutura para suas propriedades. “Lá, tudo quanto é comunidade tem um fundo rotativo, que é uma espécie de consórcio. Nós vamos começar um com dez mulheres que estão interessadas no fogão e em telas para galinheiro”, revela Cida. O Centro Sabiá informou que irá ajudar com recursos para os dois primeiros fogões.</p>



<p>Para conhecer a história de Maria Helena e o fundo rotativo, é só clicar no link abaixo: </p>





<h3 class="wp-block-heading">Infraestrutura: o gargalo</h3>



<p>Sexta-feira sim, sexta-feira não, uma picape da prefeitura vai às comunidades de Lagoa de Aninha e Quebradas para levar as agricultoras e dezenas de engradados cheias de hortaliças, frutas, mel, bolos, carne de bode, ovos e tubérculos como inhame e macaxeira até a lateral da igreja matriz, no centro de Cumaru. Quando as mulheres chegam ao raiar do dia, as barracas já estão lá, montadas pela equipe da prefeitura, como um “puxadinho” da feira livre tradicional que acontece no largo formado pelas avenidas Pailu e Manoel Gonçalves de Lima.</p>



<p>A agroecóloga Íris Maria da Silva sabe como é importante a participação na feira da agricultura familiar. Assessora técnica do Centro Sabiá, ela passou os dois últimos anos acompanhando o cotidiano das agricultoras do município e via a necessidade de um espaço para comercializar aquilo que era produzido em suas terras. Afinal, as vendas para o PNAE não acontecem todo dia. “Já houve uma feira desse tipo no passado, mas só há pouco tempo foi possível reativá-la com ajuda da gestão municipal”, explica.</p>



<p>Viabilizar a feira é uma das maneiras encontradas pela prefeitura para compensar a falta de infraestrutura de um pequeno município nordestino.</p>



<p>Rogério Jerônimo, o secretário de agricultura, é quem explica: “a feira é uma conquista recente, mas é necessário apoiar o agricultor familiar também nas etapas anteriores. Na época de arar a terra, disponibilizamos 10 tratores que vão de sítio em sítio até fazer a aração completa. Quando chega a época de fazer a forragem, os agricultores têm acesso às quatro ensiladeiras da prefeitura”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Cumaru-secretario-300x200.jpg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Cumaru-secretario.jpg" alt="Rogério Jerônimo está sentado em um sofá marrom acolchoado, em uma sala com paredes brancas e uma pequena janela com persianas verticais. Ele veste uma camisa polo azul-marinho com detalhes vermelhos e brancos na gola e nas mangas. Na camisa, há um logotipo com quatro quadrados coloridos e a palavra “CUMARU”. Rogério parece estar conversando ou sendo entrevistado, gesticulando com as mãos enquanto fala" class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Prioridade é cadastrar agricultores para garantir acesso a programas federais, afirma Rogério
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Cumaru não é um município rico. Longe disso.</p>



<p>De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), seu Produto Interno Bruto (PIB) per capita o coloca em 123º lugar entre os 184 municípios pernambucanos. Já o seu IDH de 0,572 o classifica como de “baixo desenvolvimento humano”. Para efeitos de comparação, a média do estado é 0,673. Em um país com 5.570 municípios, Cumaru está na 4.802ª posição no <a href="http://www.atlasbrasil.org.br/ranking">ranking nacional de desenvolvimento humano</a>.</p>



<p>Segundo Íris Silva, com mais estrutura seria possível absorver ainda mais a produção dos agricultores locais no PNAE. Uma situação vivida por Maria Aparecida Silva ilustra bem isso. No segundo semestre de 2025, Cida vendeu 100 frangos para a merenda escolar, mas ainda não recebeu o dinheiro da venda. E por que isso tem a ver com a infraestrutura precária?</p>



<p>“Cumaru não tem abatedouro municipal de aves, então precisa fazer o abate em Caruaru, passando a depender da burocracia do outro município para fazer os pagamentos de acordo com a legislação do PNAE”, explica a agroecóloga do Centro Sabiá.</p>



<p>O leite e os ovos oferecidos aos alunos nas escolas cumaruenses não são produzidos nos sítios de lá. Mais uma vez, a explicação está na infraestrutura. “Aqui ainda não tem o SIM, o Selo de Inspeção Municipal”, resume Íris Silva. O SIM é uma exigência do PNAE.</p>



<p>O secretário Rogério Jerônimo garante, que, sozinho, o município não resolverá essas questões: “o Brasil precisa de mais políticas de incentivo e fomento com olhar para a agricultura familiar”.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Água da transposição está perto</span>

		<p>Ao menos para solucionar o histórico problema de falta de água na área urbana, há, pelo menos, uma perspectiva, pois a água da transposição do rio São Francisco está para chegar a Riacho das Almas, a 29 quilômetros de distância. O próximo município seria Cumaru.</p>
<p>A área rural conta com 1.181 cisternas de 16 mil litros para o consumo doméstico, e de 322 cisternas com capacidade de armazenar 52 mil litros de água destinadas à produção. A maioria dessas cisternas foi construída pela Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA), rede da qual o Centro Sabiá também integra.</p>
	</div>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>Esta reportagem foi produzida em parceria com a <a href="https://redeaterne.org.br/">Rede Ater Nordeste</a>.</p>
    </div>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/articulacao-entre-ong-e-prefeitura-eliminou-ultraprocessados-da-merenda-escolar-em-cumaru/">Articulação entre ONG e prefeitura eliminou ultraprocessados da merenda escolar em Cumaru</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/articulacao-entre-ong-e-prefeitura-eliminou-ultraprocessados-da-merenda-escolar-em-cumaru/feed/</wfw:commentRss>
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			</item>
		<item>
		<title>A reinvenção do Nordeste</title>
		<link>https://marcozero.org/a-reinvencao-do-nordeste/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Jun 2024 01:18:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Rede Ater NE]]></category>
		<category><![CDATA[semiárido brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[sertão nordestino]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por séculos, as únicas tragédias provocada pelo clima no Brasil eram as “secas do Nordeste”, como diziam as manchetes dos jornais e os noticiários da televisão. As imagens de crianças famintas, migração em massa e gado morto construíram o estereótipo da região como um peso para o resto do país. As elites locais reforçavam esse [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/a-reinvencao-do-nordeste/">A reinvenção do Nordeste</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Por séculos, as únicas tragédias provocada pelo clima no Brasil eram as “secas do Nordeste”, como diziam as manchetes dos jornais e os noticiários da televisão. As imagens de crianças famintas, migração em massa e gado morto construíram o estereótipo da região como um peso para o resto do país. As elites locais reforçavam esse estigma com seus líderes políticos sempre exigindo mais verbas do Governo Federal.</p>



<p>Por isso, soou assustadora a projeção de que o Nordeste brasileiro será uma das três regiões do planeta que mais irá sofrer com secas prolongadas e aumento do calor provocado pelo aquecimento global – as outras duas são o sul da Europa e da Austrália.</p>



<p>Os efeitos das mudanças climáticas já são percebidos, mas o cenário não é de tragédia. Para entender o que está acontecendo, entre o final de maio e os primeiros dias de junho, equipes da Marco Zero visitaram comunidades na Bahia, Ceará e Paraíba em parceria com a Rede de Assistência Técnica e Extensão Rural de Agroecologia (Rede Ater NE).</p>



<p>O resultado dessas viagens será apresentado na série de reportagens<strong>A reinvenção do Nordeste</strong>. Nas próximas semanas vamos contar como a sociedade civil se articulou de maneira inédita na história do país para construir soluções capazes de, ao mesmo tempo, gerar renda, produzir alimentos e conservar o ambiente.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Leia todas as reportagens do especial:</h2>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/o-nordeste-se-reinventa-para-enfrentar-o-aquecimento-global/" class="titulo">O Nordeste se reinventa para enfrentar o aquecimento global</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/clima/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Clima</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>“A vida aqui melhorou 100%. Economicamente nem se fala, mas melhorou mesmo porque estamos mais organizados e, agora, temos mais conhecimento da realidade”. A afirmação do agricultor Antônio José da Silva, conhecido pelos vizinhos como Antônio Cadete, de 61 anos, parece desconectada dos efeitos das mudanças climáticas no semiárido, a exemplo da mais longa seca da sua história de 2012 a 2018; maior irregularidade das chuvas; calor até três graus acima da média histórica durante o verão e registro de um extenso território que passou para a condição de aridez.</p>
</blockquote>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/solucoes-coletivas-transformam-destinos-e-comunidades/" class="titulo">Soluções coletivas transformam destinos e comunidades</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/semiarido/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Semiárido</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><strong>Solânea (PB)</strong> &#8211; Maria Helena passou fome na infância, só aprendeu a ler e escrever na adolescência. Hoje ela é uma liderança ativa entre as 100 famílias que vivem nos sítios Bom Sucesso, Goiana, Palma e Cacimba da Várzea, em Solânea, no interior da Paraíba, a 145 quilômetros de João Pessoa.</p>



<p>Mas a história que vamos contar aqui não é a da superação ou das conquistas individuais dessa agricultora de 41 anos. Este relato é sobre solidariedade, ajuda mútua, trabalho coletivo e decisões compartilhadas por toda a comunidade.</p>
</blockquote>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/lute-como-uma-paraibana/" class="titulo">Lute como uma paraibana</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/genero/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Gênero</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><strong>Solânea (PB)</strong>– Produção de alimentos orgânicos, gestão coletiva de equipamentos e insumos, decisões tomadas em comunidade, cuidado com os recursos naturais e a biodiversidade. Para quem não conhece a serra da Borborema, na Paraíba, essa parece a descrição de uma utopia, mas é assim que milhares de famílias da região estão melhorando de vida enquanto enfrentam o aumento do calor e a diminuição das chuvas, principais efeitos do aquecimento global no semiárido brasileiro.</p>



<p>E isso não acontece por acaso nem surgiu do nada. A explicação está na luta das mulheres paraibanas.</p>
</blockquote>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/no-sertao-do-ceara-algodao-organico-fez-irapua-renascer/" class="titulo">No sertão do Ceará, algodão orgânico fez Irapuá renascer</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/semiarido/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Semiárido</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><strong>Nova Russas (CE) –</strong>Na entrada do hotel em que a equipe da Marco Zero ficou hospedada em Nova Russas, no sertão de Crateús, no Ceará, há um mosaico com fotos antigas, em tons de sépia, que mostram um passado de pujança. São fotos de armazéns e caminhões cheios de algodão. Fundada na primeira metade do século XX, Nova Russas cresceu apoiada no plantio do algodão, que estampa até a bandeira da cidade.</p>
</blockquote>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/conheca-as-mulheres-cearenses-que-se-uniram-para-reinventar-o-croche/" class="titulo">Conheça as mulheres cearenses que se uniram para reinventar o crochê</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/trabalho/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Trabalho</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><strong>Nova Russas (CE</strong>) – Andando pelas ruas da comunidade de Irapuá, em Nova Russas, não é difícil encontrar uma mulher no terraço de casa ou na calçada fazendo crochê. Até nas reuniões da associação da comunidade, as mulheres ficam com as mãos ocupadas, fazendo vestidos, blusas, decorações para as casas.</p>



<p>Mas nem sempre valeu a pena financeiramente para as mulheres de Irapuá fazer crochê.</p>
</blockquote>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/mulheres-transformam-quintais-em-fonte-de-renda-e-alimentos-no-interior-do-ceara/" class="titulo">Mulheres transformam quintais em fonte de renda e alimentos no interior do Ceará</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/genero/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Gênero</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><strong>Nova Russas (CE) –</strong>As mulheres da comunidade de Irapuá se animaram quando viram que o algodão orgânico produzido pelos seus primos, maridos e irmãos estava indo bem. Um grupo delas decidiu então se juntar: conseguiram com um primo um pedaço de terra para plantar o algodão. Dividiram as tarefas e os dias em que cada uma iria cuidar da roça. Oito mulheres de várias idades participaram daquela empreitada.</p>



<p>“Em 2018 uma colega nossa foi em uma formação e viu que em outras localidades as mulheres já plantavam e vendiam algodão, e aqui não. Passamos mais de um ano amadurecendo a ideia&#8221;.</p>
</blockquote>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/em-se-plantando-tudo-vende/" class="titulo">Em se plantando, tudo vende</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/semiarido/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Semiárido</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><strong>Campo Alegre de Lourdes (BA) –</strong>Nelita Pereira dos Passos, agricultora da Comunidade Carolino, em Campo Alegre de Lourdes (BA), tem planos ousados para os próximos meses. Ela pretende investir na ampliação da área do seu quintal produtivo para atender ao crescimento da clientela.</p>



<p>A ideia é ocupar um terreno, ainda sem irrigação, contínuo ao que já produz hortaliças e algumas frutas. “Nós queremos ampliar para poder plantar mais, fazer os canteiros para produzir mais coentro e tomates, que já estou com uns ali no ponto de mudança e não tenho espaço.”</p>
</blockquote>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/serra-das-almas-a-reserva-natural-onde-a-caatinga-e-exuberante-como-voce-nunca-viu/" class="titulo">Serra das Almas, a reserva natural onde a caatinga é exuberante como você nunca viu</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/biodiversidade/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Biodiversidade</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><strong>Crateús (PE) &#8211; </strong>A caatinga é um bioma único que só existe no Brasil – e quase todo no Nordeste. Quem o associa a um local sem vida é porque não conhece a potência dessa floresta. Ou a conhece apenas na sua forma agredida pelo homem: estima-se que pode haver de 9 milhões de hectares (pouco mais de 18% do total) a 26,7 milhões de hectares (quase 54%) de vegetação degradada na caatinga, segundo dados do<a href="https://brasil.mapbiomas.org/2024/07/05/ate-25-da-vegetacao-nativa-do-brasil-pode-estar-degradada/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Mapbiomas</a>divulgados no começo deste mês.</p>



<p>Por isso, quem chega na Reserva Natural Serra das Almas se depara com um oásis: uma caatinga preservada em quase 6,3 mil hectares entre Buriti dos Montes, no Piauí, e Crateús, no Ceará. Nos meses de seca, o significado do nome tupi da caatinga se mostra: a mata branca, com árvores e arbustos secos ou quase sem folhas.</p>
</blockquote>
</blockquote>
</blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/gado-com-asas-abelhas-aumentam-a-renda-dos-sertanejos-e-ajudam-a-proteger-a-caatinga/" class="titulo">&#8220;Gado com asas&#8221;: abelhas aumentam a renda dos sertanejos e ajudam a proteger a caatinga</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/biodiversidade/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Biodiversidade</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		</blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>“Abelha é sinônimo de ganho maior e proteção do meio ambiente”. O autor dessa definição é um rapaz de 25 anos que passa boa parte do seu tempo convivendo com vizinhos e vizinhas bem mais velhos que ele nas atividades da associação de pequenos produtores, pessoas na casa dos 70 anos que enfrentaram tanto as grandes secas da segunda metade do século passado, quanto a prosperidade trazida pelas cisternas e pelos programas governamentais a partir dos anos 2000.</p>
</blockquote>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/recaatingamento-e-a-formula-baiana-para-recuperar-meio-ambiente-com-geracao-de-renda/" class="titulo">Recaatingamento é a fórmula baiana para recuperar meio ambiente com geração de renda</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/semiarido/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Semiárido</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><strong>Curaçá (BA) e Uauá (BA) </strong>&#8211; Era uma vez três ou quatro mulheres que entraram na caatinga para catar umbu.</p>



<p>Enquanto faziam a colheita, conversavam, contavam histórias e comentavam coisas de suas vidas, o que deixava a tarefa mais leve. Então, uma delas constatou algo que todas já tinham percebido: já não havia umbuzeiros jovens onde elas costumavam ir. As árvores eram sempre as mesmas, todas adultas, as mesmas de onde elas colhiam as frutas desde que eram meninas.</p>



<p>Aquele era um sinal claro que a vegetação não estava se renovando.</p>
</blockquote>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/como-reuso-da-agua-do-banheiro-e-da-cozinha-melhora-a-producao-agricola-e-a-saude-dos-sertanejos/" class="titulo">Como reúso da água do banheiro e da cozinha melhora a produção agrícola e a saúde dos sertanejos</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/semiarido/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Semiárido</a>
			        </div>
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        </div>

		


<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>Durante as duas décadas em que foi dono de uma loja, José Nilton Pereira de Souza, de 57 anos, nunca deixou de sonhar com o dia em que voltaria a morar na roça. Com o tempo, juntou as economias e comprou um sítio de oito hectares com uma casinha mal cuidada na comunidade do Frade, não muito longe do Riacho Seco, distrito do município de Curacá, no sertão do São Francisco, onde vivia e trabalhava em sua revenda de peças de motos.</p>



<p>No início, a propriedade era quase um passatempo, onde José Nilto, que é conhecido pelos vizinhos pelo sugestivo apelido de Zé Nosso, passava os finais de semana mais dedicado aos reparos na casa do que a cuidar da incipiente lavoura. Mudar-se em definitivo estava fora de questão, tanto pela impossibilidade de produzir sem contar com um fonte d’água, tanto para a agricultura quanto para consumo da família, além do desconforto que seria viver sem saneamento básico.</p>
</blockquote>
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