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	<title>Arquivos variantes - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 22 Feb 2024 12:45:26 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos variantes - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>As recomendações para mais um fim de ano de pandemia da covid-19</title>
		<link>https://marcozero.org/as-recomendacoes-para-mais-um-fim-de-ano-de-pandemia-da-covid-19/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Dec 2021 20:24:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[covid]]></category>
		<category><![CDATA[fim de ano]]></category>
		<category><![CDATA[Natal]]></category>
		<category><![CDATA[omicron]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nas festas de fim de ano de 2020 a recomendação dos especialistas era para esperar a vacinação, fazer reuniões virtuais ou uma seguir uma série de precauções que incluíam isolamento ou testagem antes dos eventos. Foi um ano duro: a variante Gama mudou os rumos da pandemia no Brasil e foi responsável pela maioria das [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nas festas de fim de ano de 2020 a recomendação dos especialistas era para esperar a vacinação, fazer reuniões virtuais ou uma seguir uma série de precauções que incluíam isolamento ou testagem antes dos eventos. Foi um ano duro: a variante Gama mudou os rumos da pandemia no Brasil e foi responsável pela maioria das mais de 620 mil mortes registradas no país. Mas 2021 também trouxe sopros de esperança com o avanço da vacinação e a desaceleração das mortes.<br><br>Neste finalzinho do ano, porém, mais incertezas. A variante Ômicron, identificada em novembro, se espalha pelo mundo em uma velocidade sem precedentes e surtos de gripe desafiam uma população já muito cansada da pandemia e das medidas de restrição. Para completar, os governos estaduais estão com flexibilizações já nos últimos estágios e com poucas intenções de apertar a fiscalização. Mas nesse cenário de incertezas, as precauções ainda são necessárias, principalmente com os mais vulneráveis, como doentes crônicos, idosos e imunossuprimidos, e os que ainda não podem se vacinar, como as crianças.<br><br>Uma das recomendações para um fim de ano mais seguro que o físico Vitor Mori, que estuda a transmissão do coronavírus, acha mais importante é a de evitar aglomerações de pessoas de cidades diferentes, que vão ter que passar por viagens longas antes dos encontros. &#8220;Principalmente pessoas de cidades grandes que viajam para cidades menores nessa época do ano, onde a situação epidemiológica pode ser bem mais tranquila&#8221;, disse Mori, em conversa online promovida pelo International Center for Journalists (ICJ).</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/em-meio-a-apagao-de-dados-veja-o-que-voce-precisa-saber-sobre-os-novos-surtos-do-virus-da-gripe/" class="titulo">Em meio a apagão de dados, veja o que você precisa saber sobre os novos surtos do vírus da gripe</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>O que mais preocupa nesse ano é a rápida disseminação da Ômicron. Estudos iniciais apontam que pode não infligir doença mais severa, mas já se sabe que é muito mais transmissível. &#8220;Vários aspectos podem tornar uma variante mais transmissível. Ela pode ter mais facilidade de entrar nas nossas células, ou seja, a quantidade de partículas que tem que entrar no nosso corpo para infectá-lo é menor. Uma exposição menor, mais curta, já pode causar uma infecção. Pode ser também que a pessoa infectada emita mais partículas infecciosas. Ou pode ser que a pessoa infectada consiga transmitir por um período maior de tempo&#8221;, explica.<br><br>&#8220;Para a Ômicron, temos dados iniciais que mostram uma maior transmissibilidade. Em termos práticos, o espalhamento é mais rápido. Agora, os mecanismos que levam a isso ainda está sendo estudado&#8221;, completa Mori.<br><br>Variante dominante no Brasil, a Delta, por exemplo, fica mais estável dentro de aerossóis &#8211; partículas microscópicas que ficam suspensas no ar e podem infectar as pessoas. &#8220;O vírus não viaja sozinho. Ele viaja envelopado dentro de uma partícula muito pequena de saliva, água ou outros líquidos. A Delta consegue ser mais estável nesse envelope: essa partícula fica infecciosa por mais tempo&#8221;, alerta.<br><br>A testagem em massa, que nunca foi realmente implantada no Brasil, poderia dar uma tranquilidade a mais nas festas de fim de ano, mas as dificuldades logísticas atrapalham. &#8220;Valeria a pena fazer teste, mas no Brasil não temos disponibilidade de testes para fazer em casa. Testes RT-PCR ou rápido de antígenos ainda têm preços proibitivos. O teste rápido de antígeno mais barato não sai por menos de R$ 100. Então se vai se fazer um encontro de uma família de quatro indivíduos com outra família de quatro indivíduos, cada uma vai gastar R$ 400 só nisso. Com a crise econômica, é uma recomendação distante da realidade&#8221;, lamenta.<br><br>Mori aposta em recomendações mais possíveis como fazer o encontro em lugares abertos e bem ventilados. E no uso de máscaras de boa qualidade, como as PFF2. E, claro, na vacinação de todas as pessoas do encontro, incluindo a dose de reforço, para todos que tiverem indicação.<br><br>Para 2022, Mori evita fazer projeções e acredita que muitos fatores podem influenciar o terceiro ano da pandemia. &#8220;Se acreditou que a delta poderia ser catastrófica e o Brasil segurou bem. Para a Ômicron, particularmente, acho que o Brasil é um dos países mais preparados para lidar com ela, por conta da enorme adesão da população à vacinação. E temos, infelizmente, uma quantidade muito grande de pessoas que já foram infectadas, o que diminui a quantidade de suscetíveis&#8221;, afirmou.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Recomendações práticas da Fiocruz</h2>



<p>Na semana passada a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) lançou uma cartilha com recomendações práticas para as festas de fim de ano. &#8220;Estamos num cenário mais favorável do que no ano passado, mas ainda temos que nos manter alertas, especialmente diante das incertezas relacionadas à nova variante e à intensidade de circulação de pessoas nesse período do ano&#8221;, afirmou o coordenador do Observatório Covid-19 da Fiocruz, Carlos Machado, no lançamento da cartilha.<br><br>&#8220;Reforçamos que o principal cuidado neste fim de 2021 é garantir que todos estejam vacinados com o esquema completo, incluindo a dose de reforço, caso a pessoa já tenha essa indicação. Quem ainda não está com o esquema completo, recomendamos que vá ao posto de saúde 14 dias antes do evento para que possa estar protegida e ajudar a proteger os outros também. Essa é uma mensagem que gostaríamos que fosse muito compartilhada e incentivada nos grupos de família e amigos do WhatsApp”, ressaltou Machado.<br><br>Devem evitar participar dos encontros pessoas que não se vacinaram, pessoas que estão com sintomas gripais, pessoas que tiveram contato com casos confirmados nos últimos 14 dias e quem está aguardando o resultado de exames para covid-19, mesmo que não esteja com sintomas.<br><br>Confira abaixo as principais recomendações para um encontro com todas as pessoas vacinadas. <a href="https://portal.fiocruz.br/sites/portal.fiocruz.br/files/documentos/cartilha_fim_de_ano.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">E confira aqui a cartilha completa.</a></p>



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	                                        <p class="m-0">Fonte: Fiocruz</p>
	                
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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero…</strong></p><p>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.</p><p>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.</p><p>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.</p><p>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.</p><p><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">É hora de assinar a Marco Zero</a></p></blockquote>



<p><br><br></p>
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		<title>Variante delta cresce em Pernambuco e já é predominante no Brasil</title>
		<link>https://marcozero.org/variante-delta-cresce-em-pernambuco-e-ja-e-predominante-no-brasil/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Sep 2021 22:11:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[delta]]></category>
		<category><![CDATA[FioCruz]]></category>
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		<category><![CDATA[vigilância genômica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) divulgou hoje mais uma rodada de sequenciamento genético de amostras de pacientes confirmados para a Covid-19 feito pelo Instituto Aggeu Magalhães (IAM/Fiocruz PE). Das 22 amostras sequenciadas, 15 (68,1%) foram de pacientes infectados com a linhagem Delta. Isso quer dizer que a delta já é predominante no estado? Ainda [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) divulgou hoje mais uma rodada de sequenciamento genético de amostras de pacientes confirmados para a Covid-19 feito pelo Instituto Aggeu Magalhães (IAM/Fiocruz PE). Das 22 amostras sequenciadas, 15 (68,1%) foram de pacientes infectados com a linhagem Delta. Isso quer dizer que a delta já é predominante no estado? Ainda não.<br><br>É preciso avaliar com clareza os dados. Essa pequena amostra, de apenas 22 pacientes, não foi escolhida aleatoriamente, como os sequenciamentos de rotina. &#8220;Essa rodada foi focada em amostra inusitadas, ou seja, sobre as quais já havia uma suspeita prévia do Lacen-PE e/ou SES-PE de que poderiam estar infectadas pela variante delta. Dessa forma, essa amostragem provavelmente não representa a frequência real da delta no estado&#8221;, explica o pesquisador da Fiocruz-PE Gabriel Wallau, que trabalha na vigilância genômica.<br><br>No total, Pernambuco já identificou 29 casos da variante delta. Dessas 15 novas confirmações, 14 são de pacientes das cidades pernambucanas de Araçoiaba (1), Caruaru (4), Escada (1), Jaboatão dos Guararapes (1), Jataúba (2), Quipapá (1), Recife (3) e Fernando de Noronha (1), além de um pacientes de São Paulo/Ubatuba, turista que foi testado e notificado por Fernando de Noronha.<br><br>Das últimas 15 amostras, 14 foram de pacientes leves. O único paciente grave foi a óbito no dia 23 de agosto. De acordo com a SES-PE, era um morador do Recife, de 75 anos, com comorbidades como diabetes, doença cardiovascular crônica e portador de marcapasso. A secretaria não informou se ele havia recebido as duas doses da vacina contra a covid-19.<br><br>Originária da Índia, a variante delta foi inicialmente identificada em Pernambuco em meados de julho, em tripulantes de um navio filipino que ancorou no Recife. Pesquisas apontam que a delta é mais transmissível e também há indícios de que cause doença mais grave. No Brasil, tem se espalhado mais lentamente que a variante gama, identificada originalmente no Amazonas.</p>



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	                                        <p class="m-0">Crescimento da delta (roxo) no Brasil. Imagem: Fiocruz</p>
	                
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<p>A delta já é a variante predominante no Brasil, de acordo com dados da <a href="http://www.genomahcov.fiocruz.br/dashboard/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Rede Genômica da Fiocruz</a>. No mês de agosto, 62,4% das amostras da vigilância genômica do Sars-CoV-2 no Brasil (que inclui a Fiocruz e outras instituições) correspondiam à variante delta. No Nordeste, a gama ainda prevalece sobre a delta, de acordo com os dados de agosto: das 106 amostras, 34 eram de delta e o restante de gama. Em Pernambuco, das 60 amostras de agosto, apenas 10% foram de delta.</p>



<p>O pesquisador Gabriel Wallau afirma que para se ter uma ideia melhor de como está a delta em Pernambuco é preciso esperar o processamento das amostras selecionadas aleatoriamente. O resultado deve sair até o final da próxima semana e abarca cerca de 100 amostras. &#8220;Ainda assim, (pelo resultado das 22 amostras divulgado hoje) pode se concluir que o aumento expressivo da delta em outros estados brasileiros está influenciando uma maior transmissão da delta para Pernambuco e, possivelmente, outros estados do Nordeste&#8221;, alerta.<br><br>Os números da covid-19 em Pernambuco pararam de cair e agora estão estabilizados. De acordo com a SES-PE, na semana que terminou no dia 04 de setembro o estado registrou 380 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag), sete casos a mais do que na semana anterior.</p>



<h2 class="wp-block-heading">UTIs quase lotadas no Rio de Janeiro</h2>



<p>Com uma quantidade muito maior de amostras sequenciadas, é o Sudeste que mostra um amplo predomínio da delta. No Rio de Janeiro, foram 371 amostras sequenciadas em agosto, das quais 349 eram da delta e apenas 22 das demais. Considerado o estado epicentro da variante no Brasil, houve um novo pico de casos há quatro semanas no Rio de Janeiro, mas nas duas últimas semanas houve uma redução de 26% nas internações. <br><br>O momento, porém, ainda é crítico, com a capital fluminense sendo a única com ocupação de UTI covid-19 acima dos 90% &#8211; estava com 94% de ocupação na semana de 29 de agosto a 4 de setembro, de acordo com a Fiocruz. Mesmo assim, o governo e a prefeitura do Rio de Janeiro relaxaram nas medidas de prevenção e autorizaram eventos-teste, como a liberação de público no estádio do Maracanã a partir do dia 15.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/a-variante-delta-chegou-e-agora/" class="titulo">A variante delta chegou. E agora?</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


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		<title>Papéis se invertem e, agora, idosos vacinados precisam tomar cuidado para não infectar os mais jovens</title>
		<link>https://marcozero.org/papeis-se-invertem-e-agora-idosos-vacinados-precisam-tomar-cuidado-para-nao-infectar-os-jovens/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Apr 2021 22:46:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[cuidados]]></category>
		<category><![CDATA[idosos]]></category>
		<category><![CDATA[Vacina]]></category>
		<category><![CDATA[vacinação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mesmo com a vacinação caminhando a passos lentos no Brasil, cresce o número de relatos de idosos contaminados pela covid-19 após as duas doses do imunizante. A boa notícia é que, em geral, são quadros leves ou assintomáticos, o que atesta a eficácia da vacina. Diferente do início da pandemia, agora são os idosos que [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Mesmo com a vacinação caminhando a passos lentos no Brasil, cresce o número de relatos de idosos contaminados pela covid-19 após as duas doses do imunizante. A boa notícia é que, em geral, são quadros leves ou assintomáticos, o que atesta a eficácia da vacina. Diferente do início da pandemia, agora são os idosos que precisam ter cuidado para não passar a doença para os mais jovens.</p>



<p>Pesquisadores e profissionais da saúde têm reiterado a importância de se manter os cuidados mesmo após a dose de reforço. Até que o país atinja ao menos 70% da população vacinada, está fora de cogitação abrir mão da máscara e do distanciamento social, com atenção redobrada por conta das variantes. Afinal, sem controle, o Brasil transformou-se num laboratório mundial de mutações do Sars-CoV-2.</p>



<p>Dona Gelsomina Pecorelli, de 82 anos, já devidamente imunizada, testou positivo 18 dias após a segunda dose da Coronavac depois que o genro, que mora no mesmo apartamento em Piedade, Jaboatão dos Guararapes, também positivou alguns dias após almoçar com um amigo infectado. Ele teve sintomas leves. Ela, nenhum sintoma. Graças à testagem, Dona Gelsomina soube que estava contaminada e se isolou no quarto por 14 dias para não contaminar outras pessoas da família. &#8220;Provavelmente o que salvou mamãe foi a vacina”, comemora a filha, Rosana Pecorelli.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/nao-consigo-nem-imaginar-ate-onde-vamos-chegar-desabafa-cientista/" class="titulo">&#8220;Não consigo nem imaginar até onde vamos chegar&#8221;, desabafa cientista</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
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	            </div>
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<p>Dados de Pernambuco já apontam uma redução na casa de 20% de internações em UTI e de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag) entre a população de mais de 85 anos. Das pouco mais de um milhão de primeiras doses aplicadas em Pernambuco, cerca de 758 mil foram em idosos a partir de 64 anos e também naqueles que vivem em instituições de longa permanência.</p>



<p>Os imunizantes pretendem diminuir a taxa de transmissão do vírus e evitar que pessoas infectadas desenvolvam formas mais graves da doença, sobrecarreguem a rede de saúde e venham a óbito. Por isso, especialistas alertam: ainda não existe uma solução 100% eficaz. O cansaço da população e a necessidade de sair às ruas para trabalhar têm sido fatores de preocupação na manutenção das medidas de prevenção.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O caso do ator Stênio Garcia</h2>



<p>Nesta terça-feira, 13 de abril, o Brasil acompanha na mídia o caso do ator Stênio Garcia, de 88 anos, que, mesmo após receber as duas doses da vacina, testou positivo para a covid-19, segundo sua esposa, a atriz Marilene Saade. <a href="https://www.instagram.com/p/CNfQANpnQ-I/">Ela postou sobre o assunto nas redes sociais, mas defendeu o imunizante como a solução da pandemia</a>.</p>



<p>O epidemiologista Rafael Moreira, pesquisador na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e professor na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), explica que, à medida que a quantidade de pessoas vacinadas aumenta, cresce também casos como o de Stênio Garcia. No último domingo (11), o Instituto Butantan mostrou que a eficácia da Coronavac pode chegar a 62,3% quando o intervalo entre as duas doses for de 21 a 28 dias.</p>



<p>Acontece que cada organismo reage de um jeito diferente, a depender de fatores como idade e o próprio sistema imunológico. Segundo o Butantan, em geral, duas semanas após a segunda dose a pessoa está protegida, isto é, já deu tempo para o corpo criar os anticorpos contra o vírus. Mas, por uma questão de segurança, Rafael recomenda que se estenda esse prazo por 30 dias. “Mas não é aguardar para poder se expor”, alerta. “É necessário manter as medidas. Até porque a população não tem ainda imunização em massa, estamos convivendo com variantes e pode haver variantes que ainda nem conhecemos”, detalha.</p>



<p>O surgimento das mutações é um fator de preocupação, acrescenta o especialista. Como há poucas medidas de intervenção, “o vírus tem seguido sua própria história, estamos criando uma verdadeira experiência natural no Brasil”, afirma Rafael, com preocupação.</p>



<p>O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que diz ter assumido o cargo para acelerar o processo de vacinação, já admitiu que o primeiro semestre será de dificuldade nas ofertas. Em entrevista a jornalistas na terça (13), ele evitou projetar metas ao ser questionado sobre quando o Brasil atingiria a capacidade máxima de vacinação do Plano Nacional de Imunização (PNI), prevista em 2,4 milhões de doses por dia. O governo Bolsonaro agora amarga as consequências de ter rejeitado as 70 milhões de doses da Pfizer e às 46 milhões de doses da Coronavac em 2020.</p>



<p>Na ocasião, o ministério apontou que, segundo levantamento próprio, cerca de 1,5 milhão de brasileiros que tomaram a primeira dose da vacina ainda não receberam a segunda.</p>



<p>Citando que algumas projeções estimam que o Brasil ainda irá levar um ano para atingir os 70% de imunizados, o epidemiologista Rafael comenta que “o cenário é de total incerteza em relação à estimativa de prazo”. Por conta do ritmo lento e da quantidade de imprevistos, esse tipo de previsão temporal, de fato, é “muito vago”. Por enquanto, nacionalmente a vacinação ainda não fez efeito nenhum. O que se observa até agora são resultados em grupos específicos, os grupos prioritários.</p>



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		<title>Tudo o que você queria saber sobre vacinas contra a covid-19 e não tinha a quem perguntar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Feb 2021 20:50:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[amazonas]]></category>
		<category><![CDATA[coronavac]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
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		<category><![CDATA[Vacina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>…ou quase tudo.Se tem algo com uma enxurrada de novidades a cada dia é o desenvolvimento de vacinas contra o novo coronavírus e todas as burocracias e trâmites que uma nova vacina exige. &#8220;Também estamos falando de vacinas que foram aprovadas em menos de 12 meses. Há muitas perguntas que estão sem respostas porque ainda [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>…ou quase tudo.<br><br>Se tem algo com uma enxurrada de novidades a cada dia é o desenvolvimento de vacinas contra o novo coronavírus e todas as burocracias e trâmites que uma nova vacina exige. &#8220;Também estamos falando de vacinas que foram aprovadas em menos de 12 meses. Há muitas perguntas que estão sem respostas porque ainda não há tempo suficiente para tê-las&#8221;, explica o pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Rafael Dhalia, nosso entrevistado.</p>



<p>Aos 11 anos, Dhalia começou a estudar em um campus universitário, no Colégio de Aplicação da UFPE, e não saiu mais. Em 2005, ao terminar o doutorado em Biologia Molecular na Universidade de Brasília, com um ano de estudos na Universidade de Cambridge, ele entrou no mundo das vacinas. Foi por acaso. &#8220;Estava ficando angustiado com o fim do doutorado e fui apresentado ao pesquisador e imunologista Ernesto Marques, do Laboratório de Virologia e Terapia Experimental do <a href="https://www.cpqam.fiocruz.br/">Instituto Aggeu Magalhães – Fiocruz/PE</a>&#8220;, lembra.</p>



<p>Logo depois, passou em um disputado concurso para a Fiocruz. É o inventor, junto com Ernesto Marques, de uma vacina de DNA contra a Febre Amarela, com patente internacional, e desenvolveu vacinas de DNA contra os vírus Zika e Chikungunya. Hoje, é coordenador local dos testes Fase III da vacina tetravalente contra a Dengue, desenvolvida pelo <a href="https://butantan.gov.br/">Instituto Butantan</a> junto com o NIH (National Institutes of Health, agência de fomento à pesquisa dos Estados Unidos). </p>



<p>Ciente das dificuldades que a ciência enfrenta no Brasil, nem cogitou começar uma pesquisa para desenvolver uma vacina contra a Covid-19. &#8220;Achei que não ia mais ter relevância quando chegasse ao mercado. Hoje temos no Brasil mais de 20 vacinas sendo desenvolvidas, cinco em estágios mais avançados, embora todas ainda em fases pré-clínicas&#8221;, diz.</p>



<p>O cientista lembra também que o Instituto Butantan e Biomanguinhos, da Fiocruz, são responsáveis, juntos, por 75% das vacinas disponibilizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). &#8220;Mas nenhuma delas com desenvolvimento 100% nacional. A vacina da febre amarela, por exemplo, que é da década de 30, é fruto de uma transferência tecnológica da Fundação Rockefeller (EUA). Há muitos entraves&#8221;, lamenta.</p>



<p>Na pandemia, Dhalia tem se dedicado a uma outra tarefa também essencial: a divulgação científica. &#8220;Nunca fui de dar entrevistas, mas é tanta desinformação, tanta idiotice sendo fomentada, que abracei a missão de tentar passar informação científica em uma linguagem mais acessível&#8221;, conta Dhalia, que se atualiza diariamente sobre o desenrolar das vacinas contra a Covid-19.</p>



<p class="has-text-align-center">***</p>



<p><strong>Parecia que o Sars-Cov-2 era visto como um vírus que tinha poucas mutações significativas. Mas do fim de 2020 para cá, temos visto notícias preocupantes de variantes da África do Sul, do Reino Unido, do Brasil, da Califórnia. O que aconteceu?</strong><br>Na verdade, estamos correndo contra o tempo. As coisas vão acontecendo e só vemos que é um problema quando analisamos retrospectivamente. De março para abril de 2020, no começo da pandemia, a cepa que veio de Wuhan, surgida em dezembro de 2019, já foi praticamente substituída por uma nova variante no mundo todo: a cepa D614G, que já apresentava um aumento na capacidade do vírus em se dividir. Com essa mutação, ele conseguia se multiplicar mais rápido que a cepa original de Wuhan. Então isso aumentou também a sua transmissibilidade, já que ele conseguia alcançar uma maior carga viral. Mas, por outro lado, não teve alteração de seu reconhecimento pelos anticorpos induzidos pelas vacinas. Aí, em agosto de 2020, veio a nova variante do Reino Unido.</p>



<p><strong>Essa que começamos a ouvir falar no final do ano?<br></strong>Isso, o pico da transmissão foi entre novembro de 2020 e janeiro de 2021, mas não quer dizer que ela começou aí. Ela foi identificada primeiro em agosto, mas para se observar o efeito da mutação e até a substituição por outra cepa, você só consegue ver lá na frente. Estamos sempre atrasados contra o vírus. As cepas que são transmitidas mais rápido se disseminam mais, é natural que elas ganhem espaço na concorrência. Vai ficando mais prevalente, e as outras cepas vão sumindo. Quando o vírus menos transmissível chega na pessoa, ela já está contaminada pela outra cepa. Essa variante britânica foi rapidamente detectada em outros países, com a mutação N501Y. É uma mutação na proteína spike, porém, não está na região crucial da proteína, a que o vírus usa para entrar na célula. Foram feitos testes com as vacinas da Pfizer e Moderna e, até aí, não havia maiores impactos nas eficácias dessas vacinas em relação à esta variante.</p>



<p><strong>E quando isso muda e as variantes começam a pressionar as vacinas?<br></strong>Isso muda agora, na verdade já mudou. Porque essas variantes vão dando origem a outras variantes. A mudança de agora foi em cima de outra, que já tinha acontecido. As variantes que estão dando problema agora, surgiram a partir da variante N501Y. Não teríamos esse problema hoje se a pandemia tivesse sido melhor controlada. Quanto mais o vírus se espalha, mais mutações ele pode sofrer. Hoje temos pelo menos três variantes preocupantes. Uma é a da Califórnia, que começa a apresentar mutações na parte da proteína spike que se liga às células humanas, chamada de RBD. Essa mutação é a L452Y, mas ainda não foi estudado o impacto da eficácia das vacinas em relação a ela. Uma bronca é a variante identificada na África do Sul, a N501Y.V2, uma variante que vem da cepa do Reino Unido. O problema da cepa sul africana é que ela tem mais modificações dentro do RBD ou muito perto dele. Em tese, afeta o reconhecimento por parte dos anticorpos que as vacinas induzem. Porque alguns anticorpos das vacinas são específicos contra esse RBD, para bloquear a entrada do vírus na célula. Quando essa região começa a ter modificações, pode ser que as vacinas não controlem tão bem o vírus.</p>



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                <a href="https://marcozero.org/e-impossivel-que-vacina-cause-alteracoes-geneticas-garantem-especialistas/" class="titulo">É impossível que vacina cause alterações genéticas, garantem especialistas</a>
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<p><strong>Já foram feitos testes para conferir a eficácia das vacinas na cepa de Manaus?<br></strong>Ainda não. A de Manaus é bem parecida com a da África do Sul, o que é um problema. A Moderna fez testes com a cepa sul africana e viu que a eficácia de sua vacina é seis vezes menor, em relação a essa variante. Tem testes de uma nova vacina de subunidade proteica desenvolvida nos Estados Unidos, da Novavax, que deu 90% de eficácia contra a cepa do Reino Unido, mas só 49% contra a sul africana. Fica abaixo do que a Anvisa quer, mas essa taxa é polêmica. Porque existe a taxa de controle da doença, de contaminação, e a taxa para reduzir casos graves. Resumindo: não dá para falar que as vacinas atuais não vão servir contra as novas variantes. Sabemos que há uma queda nos anticorpos neutralizantes, mas não é possível dizer só com isso que as vacinas não são eficientes, porque a resposta de anticorpos é um dos tipos de resposta imune. Há também a resposta celular, que ainda não foi avaliada para essas novas cepas. E outra: mesmo que haja redução de anticorpos, não quer dizer que os que restam não sejam capazes de impedir a infecção. É preciso mais estudos.</p>



<p><strong>Vamos precisar de vacinas atualizadas?</strong><br>Pela lógica, à medida que o vírus for acumulando mutações, provavelmente seja necessário atualizar as vacinas. Porque essas mutações estão ocorrendo uma em cima da outra. Chega uma hora que são tantas mutações acumuladas que o repertório todo da vacina não é possível mais para aquele vírus, como acontece com a vacina da gripe, que é reformulada todo ano.</p>



<p><strong>Das duas vacinas que temos aqui no Brasil, a de vírus inativado, que é a Coronavac, e a de Oxford/ AstraZeneca, que usa um vetor de adenovírus, qual a que teoricamente se comportaria melhor contra as novas variantes?</strong><br>Ainda não dá para dizer hoje, qual das duas seria melhor. Agora se houver a necessidade de adaptar a vacina para uma cepa nova, é muito mais fácil fazer isso com a de Oxford. Porque a vacina de adenovírus é parecida com a de RNA: ao invés de carregar um RNA ela carrega um DNA da proteína Spike, que é inserido no núcleo da célula. E é muito mais fácil você alterar um pedacinho do DNA para que aquela proteína fique semelhante à Spike do vírus que está circulando na natureza, do que você modificar o vírus inteiro.</p>



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                <a href="https://marcozero.org/falta-de-estrategia-nacional-pode-prejudicar-vacinacao-no-brasil/" class="titulo">Falta de estratégia nacional pode prejudicar vacinação no Brasil</a>
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<p><strong>A atualização tem um processo mais rápido de testes?</strong><br>Acredito que sim. Mas o que precisamos fazer agora é vacinar rapidamente, respeitando os intervalos entre a primeira e a segunda dose. Porque se você não respeita esse intervalo, é o mesmo de estar jogando fora as doses. Como não sabemos hoje qual será o verdadeiro impacto dessas vacinas nas novas cepas, temos que acelerar a imunização, porque isso já vai diminuir a transmissão, independentemente se for variante ou não. Estamos muito devagar.</p>



<p><strong>Há quem diga que a Coronavac poderia ser mais eficiente contra as novas variantes, porque usa o vírus inteiro. Isso faz sentido?</strong><br>Pode ser que sim. Pois na superfície do vírus inativado além da proteína Spike (S), tem a proteína M (membrana) e a proteína envelope (E). Nesse caso, a resposta imune vai ser produzida contra essas 3 proteínas: S, M e E. Então mesmo que tenha variações em S que diminuam o seu reconhecimento, talvez anticorpos adicionais contra M e E possam compensar. Mas prefiro aguardar os testes para ter certeza, ou não. A Sinovac, desenvolvedora da Coronavac, tem a intenção de fazer um mix das variantes na sua próxima reformulação, fazer uma mistura desses novos vírus e inativar tudo junto. Demora um pouco e a intenção é iniciar daqui a uns 2 meses.</p>



<p><strong>Todos os estados do Norte do Brasil estão com alta na média móvel de mortes. Pode se atribuir isso à nova cepa?</strong><br>Com certeza. O vírus está sendo transmitido com muito mais força. Ainda não dá para dizer que é uma cepa mais virulenta, embora haja indícios. Como ela tem facilidade de entrar nas células, entram mais vírus e se multiplicam mais rápido. Os médicos do Amazonas estão relatando que em uma semana os pacientes já estão com pneumonia grave. Isso aumenta muito o número de mortes. Tem também uma mudança de perfil, acometendo um percentual maior de jovens. Mas o aumento de mortes não necessariamente significa dizer que o vírus mudou e está matando mais, mas que como ele consegue contaminar mais gente, pode infectar mais vulneráveis e também vai superlotar hospitais e, consequentemente, maior número de número mortos. Estamos vendo a alta no Norte como se não fosse chegar aqui.</p>



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<p><strong>Vemos que vários países estão fechando as portas para o Brasil. Parece que há uma preocupação maior lá fora do que aqui com essa variante de Manaus. O que o governo deveria fazer?</strong><br>As principais recomendações não só para o Brasil, mas para qualquer país, são pelo menos cinco. A primeira é rastrear indivíduos vacinados. Acompanhar essas pessoas e ver quem se infecta. Se algum vacinado tiver a doença, é necessário isolar o vírus para estudar se há resistência, ver a vacina que tomou, para checar se é um vírus que está ou não resistindo às vacinas. Depois, é preciso manter um sistema de sequenciamento viral, que a gente não tem no Brasil. A gente fica falando de cepa tal, mas só sabe isso porque alguém isolou e sequenciou o vírus. Tem que ser algo intensivo, até para dar suporte para as novas vacinas. Outro ponto é manter um banco sorológico dos vacinados. Pegar a pessoa que já recebeu a segunda dose e 15 dias depois, já com anticorpos, coletar uma amostra de sangue dela. Qual a importância disso? Ver se os anticorpos induzidos são capazes, ou não, de neutralizar uma determinada variante do vírus. Aí você consegue ver quais as vacinas que estão funcionando melhor. A quarta é investir em vacinas de RNA e adenovírus, que são as mais rapidamente modificáveis, como alternativas de intervenções mais emergenciais. A última são as medidas de prevenção e distanciamento social, incluindo <em>lockdown</em>. Infelizmente o governo brasileiro é um péssimo exemplo em relação ao combate da pandemia. Somos corresponsáveis pelo aumento da circulação das variantes. O discurso de imunidade de rebanho via infecção natural, que não existe porque há reinfecção, foi um paraíso para as novas cepas.</p>



<p><strong>Se uma pessoa tomar uma dose da Coronavac e outra dose da Oxford/AstraZeneca tem efeito?</strong><br>Não há nenhum estudo sobre o uso dessa combinação. Em tese, teria efeito sim. E me parece algo inevitável. Como a quantidade de vacinas é limitada no mundo todo, vai chegar uma hora que vai ter combinação de vacinas sim. O que é que a vacina Coronavac está levando para o sistema imune? A proteína Spike. O que a de Oxford está levando? Um DNA que se transforma num RNA, que vai virar a proteína Spike. Então, no final das contas, quem está induzindo a resposta imune é a proteína Spike. Eu tomaria, mas ainda não posso recomendar como pesquisador, porque não há estudos com essas duas vacinas juntas.</p>



<p><strong>Por que as vacinas contra o novo coronavírus são com duas doses?<br></strong>Porque quando você dá a dose de reforço, estimula o sistema imune a criar mais células de memória. E essas células de memória permanecem mais tempo no sistema imune do que as induzidas por uma infecção natural. A vacina fica mais eficaz com a dose de reforço. Tanto é que as vacinas que estavam sendo testadas para serem dadas em dose única, aparentemente funcionam melhor com duas doses. Até a vacina dose única de adenovírus da Janssen, por exemplo, também vem testando o regime de duas doses. A da Cansino, também de adenovírus, diz que é dose única, mas há poucas informações sobre essa vacina (inclusive a sua eficácia ainda não foi divulgada). Existe uma corrida mercadológica muito grande.</p>



<p><strong>A resposta imune de uma vacina é mais forte do que pela infecção?</strong><br>Sim, também por conta da dose de reforço. Em relação às vacinas de material genético, adenovírus e de subunidade proteica, existe ainda o fato de a proteína Spike ser expressa na sua forma de pré-fusão estabilizada. A forma de pré-fusão é a forma que essa proteína se apresenta antes de entrar na célula. Quando ela se liga ao receptor ACE-2 (por onde o novo coronavírus entra na célula humana) ela assume a forma de pós-fusão. Então estabilizando ela na forma de pré-fusão, você induz a produção de anticorpos para neutralizar os vírus antes de eles mudarem de conformação e entrar nas células, o que é o ideal. A forma estabilizada é muito mais eficiente de induzir a formação de anticorpos neutralizantes. Se você não estabilizar nessa forma, a proteína Spike fica flexível. O que significa dizer que ela vai assumir diversas conformações, inclusive a de pré-fusão (é o que acontece quando nos contaminamos com o vírus). Dessa forma, vamos produzir anticorpos sim, mas contra várias conformações da proteína Spike, incluindo a de pré-fusão. Se a gente estabiliza a proteína, para se apresentar unicamente na forma de pré-fusão a resposta contra o vírus é muito mais eficiente, entende? Resumindo, uma grande vantagem dessas vacinas, em relação ao vírus, é apresentar a proteína Spike na forma de pré-fusão estabilizada. Esse é o principal fator que pode ser atribuído as altas eficácias observadas em relação as vacinas de RNA, adenovírus e de subunidade proteica.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

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                <a href="https://marcozero.org/o-que-podemos-esperar-para-o-segundo-ano-da-pandemia-no-brasil/" class="titulo">O que podemos esperar para o segundo ano da pandemia no Brasil?</a>
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<p><strong>É verdade que as vacinas de RNA são as mais eficazes já produzidas?</strong></p>



<p>Eficácia é um parâmetro que se mede ao longo do tempo… O que está sendo visto hoje são eficácias preliminares, que são muito boas. Mas precisamos saber como se comportarão ao longo do tempo e para isso, o tempo tem que passar. Medir a eficácia semanas após a segunda dose, seria o mesmo que medir anticorpos semanas depois que a pessoa contraiu o vírus. A vacina da Febre Amarela, por exemplo, que vem sendo utilizada desde a década de 30, oferece uma proteção de 10 anos. Só depois de 10 anos você precisa de uma dose de reforço. Será que essas vacinas contra Covid-19 vão nos dar uma proteção tão duradoura? Eu acho improvável… Embora o mérito científico de se chegar tão rápido em 20 vacinas na fase 3, com sete delas em uso emergencial e três liberadas para vacinação em massa, tenha de ser fortemente reconhecido!</p>



<p><strong>Se o Brasil não tiver uma vacinação ampla e rápida contra o coronavírus poderemos viver em um <em>looping</em> sem fim de novas cepas?</strong></p>



<p>Sim, mas é pior do que isso. A partir do momento que uns países começam a tomar mais cuidados e outros não, a política externa vira um desastre. Não adianta Israel chegar à imunidade rebanho em abril e chegar lá um brasileiro, com uma cepa nova. Pode botar a perder o plano de Israel. Aí ninguém vai querer brasileiro. Já não podemos ir para Portugal, Argentina, Inglaterra, Estados Unidos, Israel, etc. O que pode acontecer é um isolamento do Brasil: os leprosos do século XXI. Vamos começar a sofrer uma pressão internacional muito grande. E o amiguinho de Bolsonaro, Trump, não está mais no poder. E Biden já vem sinalizando que não está muito contente com o governo brasileiro. Se o Brasil não se cuidar, passa a ser um problema mundial. O Brasil pode ser foco de novos surtos e a partir do momento que um brasileiro sair daqui, pode se iniciar um novo ciclo. Vai chegar uma hora que, querendo ou não, o Brasil vai ter que controlar o vírus. Não é mais um problema de país, mas de mundo.</p>



<p><strong>Então é urgente que o Brasil acelere a vacinação.<br></strong>Quanto mais o Brasil vacinar, mais vai impedir a circulação do vírus, inclusive de novas variantes. Mesmo que a eficácia da vacina caia, ela não fica zerada. Estamos com 20 vacinas atualmente na fase 3. Vão chegar novas vacinas, ainda mais eficientes e adaptadas. Todas as vacinas, sem exceção, são e serão importantes. Temos que começar de algum ponto, mas isso é uma corrida e saímos atrás. Só temos essas duas vacinas hoje por conta do Butantan e da Fiocruz, duas instituições seculares muito importantes para a história do Brasil. Temos que vacinar com a vacina que for. Precisaríamos de algo em torno de 8 milhões de doses por semana no Brasil, durante 10 meses, para poder chegar à imunidade de rebanho, com cerca de 150 milhões de pessoas vacinadas. Dependemos de política de governo para isso, e a atitude do Governo Federal é genocida.</p>
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