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	<title>Arquivos vila esperança - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 10 Apr 2025 18:05:29 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos vila esperança - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Obra do habitacional no Monteiro está parada há dois meses</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Apr 2025 18:05:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[habitação]]></category>
		<category><![CDATA[moradia]]></category>
		<category><![CDATA[Ponte Jayme Gusmão]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A construção da Ponte Engenheiro Jaime Gusmão, inaugurada em agosto de 2024, mudou drasticamente a vida de dezenas de famílias da Zeis Vila Esperança, no bairro do Monteiro, zona norte da cidade. A obra, executada pela Autarquia de Urbanização do Recife (URB), resultou na desapropriação de 51 imóveis e expôs mais uma vez a insegurança [&#8230;]</p>
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<p>A construção da Ponte Engenheiro Jaime Gusmão, inaugurada em agosto de 2024, mudou drasticamente a vida de dezenas de famílias da Zeis Vila Esperança, no bairro do Monteiro, zona norte da cidade. A obra, executada pela Autarquia de Urbanização do Recife (URB), resultou na desapropriação de 51 imóveis e expôs mais uma vez a insegurança da posse vivida por moradores de territórios populares e das Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis).</p>



<p>Segundo a Prefeitura do Recife, todas as famílias tiveram suas moradias negociadas. Catorze delas optaram por uma unidade no habitacional que está sendo construído no próprio bairro. Porém, a entrega das novas moradias, prevista inicialmente para abril de 2025, foi adiada para o segundo semestre, sem nenhuma justificativa da prefeitura. Enquanto isso, as famílias seguem recebendo um auxílio-moradia no valor de R$ 300.<em> </em>Confira a nota completa da prefeitura no final do texto<em>. </em></p>



<p>Na última segunda-feira, 7 de abril, a reportagem esteve no local da obra do habitacional, constatando que não havia nenhum operário trabalhando na construção. De acordo com informações dos moradores da rua Dezenove de Abril, bem em frente ao habitacional, há dois meses as obras estão completamente paradas.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p><strong>Zeis I</strong> &#8211; Zonas Especiais de Interesse Social I são áreas de assentamentos habitacionais de população de baixa renda, surgidos espontaneamente, existentes, consolidados, carentes de infraestrutura básica e que não se encontram em áreas de risco ou de proteção ambiental, passíveis de regularização urbanística e fundiária.</p>
<p><strong>Zeis II</strong> &#8211; Zonas Especiais de Interesse Social II, são áreas de Programas Habitacionais de Interesse Social propostos pelo Poder Público, dotadas de infraestrutura e serviços urbanos e destinadas, prioritariamente, às famílias originárias de projetos de urbanização.</p>
        </div>
    </div>



<p>Ainda de acordo com os moradores, a espera tem sido marcada por abandono e promessas não cumpridas. “Já fazem meses que a prefeitura não vem até a comunidade dar uma satisfação”, denuncia Juciara Maria, moradora do Monteiro e uma das pessoas que aguardam por uma das unidades no habitacional. “Eles [representantes da prefeitura] disseram que os moradores da rua Dezenove de Abril não seriam despejados por conta da ponte, mas que algumas casas seriam retiradas por causa da construção do habitacional. Então, temos essa promessa de receber um apartamento, mas não temos nenhuma garantia&#8221;.</p>



<p>Mãe de duas crianças de um e dois anos, Juciara convive com a insegurança e o medo de não saber se será despejada, nem para onde irá com seus filhos. “Estamos convivendo com falta de energia constante desde que começaram as obras do habitacional. Crianças, idosos, toda uma comunidade sofrendo com isso. E agora, com essa obra parada e sem solução a gente não sabe mais o que fazer”, lamenta. No local onde deveria haver ritmo acelerado de construção, o cenário é de abandono. </p>



<p>De acordo com a prefeitura, o habitacional que está sendo construído com investimento de R$ 10,5 milhões contará com 75 apartamentos de cerca de 40 m², distribuídos em dois blocos. Ainda segundo a gestão, todas as unidades serão regularizadas em nome das famílias beneficiadas. Mas, até lá, as incertezas permanecem.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/04/habitacional-3.jpg" alt="A imagem apresenta uma placa de obra da Prefeitura de Recife, dividida em duas cores principais: verde na parte superior e azul na parte inferior. À direita, está o logotipo vermelho da Prefeitura de Recife. O texto da placa informa: Mais uma obra da Prefeitura - Objeto: Contratação de Empresa para Execução da Obra do Habitacional Vila Esperança. Valor Total da Obra: R$ 10.447.920,18. Município: Recife/PE. URB: Empresa de Urbanização do Recife. Início da Obra: Outubro de 2023. Final da Obra: Abril de 2025. Ao fundo, pode-se observar um prédio em construção, com andaimes e materiais de construção visíveis, complementando o contexto da obra mencionada na placa." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Habitacional deveria ter sido entregue este mês
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	

	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">A explicação da Prefeitura do Recife</span>

		<p>&#8220;A Autarquia de Urbanização do Recife (URB) informa que a Ponte Engenheiro Jaime Gusmão, inaugurada em agosto de 2024, representa um marco na mobilidade urbana do Recife. Ligando os bairros da Iputinga e do Monteiro, a nova estrutura cruza o Rio Capibaribe e cria uma nova rota entre as zonas Norte e Oeste da cidade, beneficiando diariamente cerca de 60 mil pessoas, entre pedestres, ciclistas, usuários do transporte público e motoristas.</p>
<p>Para viabilizar o sistema viário da ponte, foi necessária a desapropriação de 51 imóveis, conforme previsto no projeto. Todos os processos foram negociados, e 14 famílias optaram por morar no habitacional que está sendo construído pela Prefeitura do Recife. Enquanto aguardam a conclusão das obras, essas famílias recebem auxílio-moradia. Apenas um caso precisou ser concluído judicialmente, com o valor já definido e pago.</p>
<p>Todo o processo seguiu as leis de desapropriação, garantindo os direitos dos moradores, incluindo compensação justa e tempo adequado para realocação. A escolha das áreas para intervenção foi baseada em estudos técnicos, priorizando a rota mais eficiente e segura, com menor impacto possível às comunidades locais. O projeto também preservou a Escola Estadual Silva Jardim, a Praça do Monteiro e incorporou as estacas cravadas anteriormente.</p>
<p>Como alternativa de moradia para as famílias da ZEIS Vila Esperança/Cabocó, afetadas pela obra, a URB está construindo um conjunto habitacional com 75 apartamentos &#8211; o investimento gira em torno de R$ 10,5 milhões. O habitacional conta com dois blocos – um com 40 unidades e outro com 35 –, além de jardim, horta comunitária, playground e bicicletário. Os apartamentos terão aproximadamente 40 m², e os prédios seguirão o modelo térreo mais quatro pavimentos. A obra está em fase final e a previsão de entrega é no início do segundo semestre de 2025. Todas as unidades habitacionais serão regularizadas em nome das famílias beneficiadas. A comunidade também ganhará uma creche.</p>
<p>Sobre as desapropriações, a gestão municipal reforça que esse é um instrumento essencial para o desenvolvimento de obras de interesse público, aplicado em âmbitos municipal, estadual e federal. Esse mecanismo é utilizado para a construção de infraestrutura, parques, habitacionais, escolas, hospitais e outros equipamentos que beneficiam a população.</p>
<p>Como em todas as desapropriações realizadas pela Prefeitura do Recife, cada imóvel foi avaliado individualmente e recebeu um valor que varia de acordo com questões como existência de documentação legal, área construída e benfeitorias realizadas pelos moradores. Os valores oferecidos são baseados em tabela atualizada anualmente e validada pelos órgãos de controle, como Tribunal de Contas do Estado e Caixa Econômica Federal&#8221;.</p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading"></h2>
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		<title>“Era só um pedacinho, agora querem tudo”, desabafa morador da Vila Esperança ao saber que será despejado</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 May 2024 15:23:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[João Campos]]></category>
		<category><![CDATA[ponte Jaime Gusmão]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Era só um pedacinho, agora querem tudo”. O borracheiro Manoel Agripino dos Santos, de 72 anos, mora na Vila Esperança, no bairro de Monteiro, há 38 anos e trabalha em uma borracharia localizada ao lado da Escola de Referência Silva Jardim, mas seus dias de trabalho estão comprometidos e, agora, vive preocupado e inseguro. Em [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>“Era só um pedacinho, agora querem tudo”. O borracheiro Manoel Agripino dos Santos, de 72 anos, mora na Vila Esperança, no bairro de Monteiro, há 38 anos e trabalha em uma borracharia localizada ao lado da Escola de Referência Silva Jardim, mas seus dias de trabalho estão comprometidos e, agora, vive preocupado e inseguro.</p>



<p>Em meio às obras para a construção da ponte Jaime Gusmão, a borracharia de Manoel é um dos poucos imóveis que continuam de pé e podem ser visto da avenida Dezessete de Agosto, na Zona Norte. Mas isto deve mudar nos próximos dias. Ao lado do estabelecimento estão as máquinas e os destroços das casas que foram demolidas para dar espaço ao projeto viário da gestão municipal e, há cerca de 15 dias, o trabalhador autônomo recebeu o aviso de que seu imóvel também precisará ser desocupado.</p>



<p>“Eu só quero trabalhar, não quero sair daqui de jeito nenhum, se eu sair vai ser contra a minha vontade. Eu sou borracheiro há 60 anos, eu sou especialista em pneus”, declarou Manoel Agripino.</p>



<p>“Não tinha nenhum aviso de que a borracharia seria demolida e de repente chegaram aqui me dizendo que eu precisava ir lá [na Autarquia de Urbanização do Recife] negociar o valor que eu vou receber, mas é muito pouco, não vai dar para nada e eu nem faço questão, eu só quero continuar aqui para poder trabalhar fazendo o que eu sei fazer”, concluiu o borracheiro.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/05/Borracha-3.jpg" alt="A imagem retrata um canteiro de obras em uma área urbana. O solo parece estar sendo escavado ou nivelado, com marcas de pneus visíveis. Há um trabalhador vestindo capacete e colete de segurança, observando a cena. No centro da imagem, uma máquina pesada amarela está operando. Ela provavelmente está envolvida na preparação ou reparo do terreno. Além do trabalhador em primeiro plano, outros trabalhadores estão espalhados pelo local, ocupados com várias tarefas relacionadas à construção. À direita da imagem, há um caminhão vermelho estacionado. Ele pode estar transportando materiais ou equipamentos para o canteiro de obras. Os edifícios baixos e muros brancos formam o perímetro do canteiro de obras. O céu acima está nublado, criando uma atmosfera sombria." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Máquinas e escombros estão em torno da borracharia de Manoel Agripino. 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Despejado pela segunda vez</strong></h2>



<p>Esta não é a primeira vez que a borracharia de Manoel Agripino é demolida pela Prefeitura do Recife. Antes, o estabelecimento funcionava próximo à praça de Casa Forte, no terreno que foi desocupado para a construção de um novo shopping chamado Burle Garden Mall, do empresário Ítalo Santos. Ele foi realocado para a Vila Esperança há pouco mais de três anos.</p>



<p>“Eu já tinha minha casa aqui na Vila, então quando recebi da prefeitura o imóvel onde a borracharia funciona hoje foi ótimo, mas agora eu não sei mais como vai ser depois que derrubarem aqui”, disse o borracheiro.</p>



<p>Em nota enviada à Marco Zero &#8211; leia na íntegra ao final da reportagem &#8211; , a Autarquia de Urbanização do Recife (URB) da Prefeitura do Recife afirmou que “para construir este sistema viário, será necessário desapropriar 54 imóveis &#8211; algo que já estava previsto desde o início do projeto. Deste total, 37 foram negociados &#8211; dos quais 25 já receberam a indenização, 15 optaram por morar no habitacional que está sendo construído pela Prefeitura do Recife. Outros dois não aceitaram o valor e judicializaram a negociação”.</p>



<p>Na Vila Esperança, o clima entre os moradores que permaneceram no local é de insegurança por não terem detalhes do projeto da construção da ponte e por não terem certeza se outros imóveis serão demolidos. Além disso, algumas casas estão muito próximas das estradas que estão sendo construídas.</p>



<p>Enquanto aguarda um retorno da Prefeitura do Recife, Manoel Agripino afirma que não pretende negociar sua borracharia: “eu posso até sair, mas não vou sair conformado não”. </p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"> Nota da URB na íntegra</span>

		<p><span style="font-weight: 400;">A Autarquia de Urbanização do Recife (URB) esclarece que as obras da ponte Engenheiro Jaime Gusmão, que cruzará o Rio Capibaribe para interligar os bairros da Iputinga e do Monteiro, beneficiando diretamente cerca de 60 mil pessoas, seguem avançadas. A etapa principal dos trabalhos foi finalizada em dezembro do ano passado. Nesta fase, foram feitas as fundações, os pilares e o tabuleiro da ponte, além das implantações dos passeios, e guarda-corpos. Por fim, será realizado o asfaltamento e a ciclovia. </span><b>Para execução do serviço, foram necessárias desapropriações de 52 imóveis da comunidade Vila Esperança- todos já foram desocupados e as indenizações pagas &#8211; apenas dois estão em processo de pagamento, uma vez que foram negociados por via jurídica. </b><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já a segunda etapa diz respeito à ligação da ponte com o solo, devendo ser entregue no segundo semestre deste ano, junto com a primeira fase. </span><b>Estão sendo investidos R$ 40 milhões na construção deste sistema viário.</b><span style="font-weight: 400;"> Do lado do bairro da Iputinga, foram feitos os passeios em concreto, assentamento de meio-fio, drenagem das ruas principais, muro de escamas e aterro da terra armada. Já do lado do Monteiro, estão sendo executados, neste momento, o muro de escamas, aterro da terra armada e a reforma da praça do bairro. Além disso, já foram concluídos os asfaltamentos de duas ruas. </span></p>
<p><b>Para construir este sistema viário, será necessário desapropriar 54 imóveis &#8211; algo que já estava previsto desde o início do projeto. Deste total, 37 foram negociados &#8211; dos quais 25 já receberam a indenização, 15 optaram por morar no habitacional que está sendo construído pela Prefeitura do Recife. Outros dois não aceitaram o valor e judicializaram a negociação.</b><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A URB aproveita para explicar que cada imóvel é avaliado individualmente e recebe um valor que varia de acordo com questões como existência de documentação legal, área construída e benfeitorias realizadas pelos moradores. Os valores oferecidos são baseados em tabela atualizada anualmente e validada pelos órgãos de controle, como Tribunal de Contas do Estado e Caixa Econômica Federal. </span><b>No local, a URB também está construindo um conjunto habitacional, com 75 apartamentos, como opção de moradia para que as famílias residentes na Zona Especial de Interesse Social (ZEIS) Vila Esperança/Cabocó, afetadas pela construção da Ponte Jaime Gusmão, possam permanecer no local. A obra já está em andamento, com investimentos em torno de R$ 10,5 milhões. Além disso, a comunidade ganhará também uma creche.</b></p>
<p>&nbsp;</p>
	</div>
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			</item>
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		<title>Uma semana depois, Prefeitura do Recife segue demolindo a Vila Esperança</title>
		<link>https://marcozero.org/uma-semana-depois-prefeitura-do-recife-segue-demolindo-a-vila-esperanca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Mar 2024 16:04:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[João Campos]]></category>
		<category><![CDATA[ponte Jaime Gusmão]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[vila esperança]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Não bastasse ter sido despejada no dia 7 de março, a moradora de Vila Esperança, Maria Célia Almeida, teve seus pertences retirados de seu ponto comercial e levados a um depósito de forma forçada na última segunda-feira (11).Tudo teria acontecido sem qualquer aviso prévio por parte da Autarquia de Urbanização do Recife (URB), segundo a [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Não bastasse ter sido despejada no dia 7 de março, a moradora de Vila Esperança, Maria Célia Almeida, teve seus pertences retirados de seu ponto comercial e levados a um depósito de forma forçada na última segunda-feira (11).Tudo teria acontecido sem qualquer aviso prévio por parte da Autarquia de Urbanização do Recife (URB), segundo a moradora.</p>



<p>Após ter sua casa demolida, a idosa voltou para a cidade de Santa Maria do Cambucá, no agreste de Pernambuco, onde vivem parentes seus. No entanto, Maria Célia havia deixado muitos de seus pertences no ponto comercial do qual é proprietária, e que também seria demolido pela Prefeitura do Recife para dar passagem às obras do acesso à ponte Jaime Gusmão, no bairro de Monteiro.</p>



<p>“Eu consegui um caminhão lá em Santa Maria para pegar as coisas que estavam no ponto comercial e levar para o interior, mas quando eu estava a caminho da Vila Esperança para pegar as coisas, minha vizinha me ligou dizendo que estavam colocando minhas coisas em um caminhão. E eu implorei para que eles esperassem eu chegar, mas não esperaram, só retiraram tudo e levaram”, contou a idosa.</p>



<p>De acordo com a moradora, seus pertences foram levados até um depósito da PCR localizado no bairro de Santo Amaro. “Eu perguntei como eles conseguiram entrar no ponto se só eu tinha a chave. Ou seja, arrombaram, tiraram tudo e demoliram sem a minha presença. Eu queria ter tirado as portas, as madeiras, as telhas, tudo isso que eu poderia reaproveitar foi destruído”, concluiu Maria Célia.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">&#8220;Arrombaram, tiraram tudo e demoliram sem a minha presença. Tudo o que eu poderia reaproveitar foi destruído”</p>
</div>


<p>Em nota enviada à reportagem da Marco Zero, a Autarquia de Urbanização do Recife (URB) afirmou que a idosa recebeu a indenização de seus imóveis &#8211; a casa e o ponto comercial &#8211; em março de 2023 e que, por isso, já deveria ter realizado a desocupação. No entanto, a moradora entrou com um processo judicial para questionar o valor das indenizações e, por isso, garantiu ainda não ter recebido nada. O processo corre em juízo.</p>



<p>O mesmo acontece com a moradora Adelaide Lopes, que, em março de 2023, recebeu da Prefeitura do Recife um valor abaixo daquele que foi estimado por um avaliador particular, contratado por ela e por sua irmã, Gilvanilda Lopes, e por isso resolveu acionar a Justiça. Apesar da URB afirmar que realizou o pagamento a Adelaide, com o processo em juízo, a moradora afirma não ter tido acesso ao montante.</p>



<p>Adelaide e Gilvanilda possuem casas conjugadas. Enquanto Adelaide aguarda a conclusão de seu processo, Gilvanilda entrou em acordo com a URB e já recebeu a sua indenização, por isso, a PCR pretende realizar a demolição do imóvel o quanto antes. No entanto, demolir a casa de Gilvanilda resultará no comprometimento da casa de sua irmã. Além disso, Gilvanilda, que recebeu sua indenização em dezembro do ano passado, ainda não conseguiu concluir a compra do novo imóvel para onde pretende se mudar.</p>



<p>“Eu estou tentando agilizar para sair logo, mas estou esperando resolver as coisas da documentação no cartório. Enquanto isso, eu vou ficar na casa da vizinha, fazer o quê? Já comecei a levar minhas coisas para colocar na garagem dela porque sei que, da próxima vez que eles (agentes da prefeitura) vierem, será pra derrubar a minha casa. Mas me preocupa muito a situação da minha irmã”, disse Gilvanilda Lopes. A PCR estabeleceu como prazo final para que a casa fosse desocupada a próxima segunda-feira, 18 de março.</p>



<p>Já Maria Célia Almeida tentará negociar para que a Prefeitura do Recife garanta o transporte de seus pertences até a cidade de Santa Maria do Cambucá. “É o mínimo que podem fazer, ‘né’? Porque no dia que eu vim buscar as coisas eles colocaram tudo em um depósito sem a minha autorização”, disse a idosa.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Prefeitura deu prazo até 18 de março para moradora que já recebeu indenização desocupar casa.
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p></p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">O que diz a URB</span>

		<p><!-- wp:heading --></p>
<p>De acordo com a URB, “a todos os moradores de Vila Esperança, foi ofertada uma Unidade Habitacional no complexo que será construído no local”. Todavia, parte dos moradores da Vila Esperança questionam o tamanho dos imóveis do habitacional, tendo em vista que as casas que estão sendo desapropriadas e demolidas eram ocupadas muitas vezes por mais de quatro pessoas de uma mesma família.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Ainda de acordo com a Prefeitura do Recife, o habitacional contará com apartamentos 40m², em média. E, segundo informações da plataforma de negócios imobiliários <a href="https://www.quintoandar.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Quinto Andar</a>, geralmente apartamentos nessas dimensões possuem apenas um quarto e são destinados para duas pessoas.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>A Autarquia de Urbanização do Recife declarou ainda que “cada imóvel é avaliado individualmente e recebe um valor que varia de acordo com questões como existência de documentação legal, área construída e benfeitorias realizadas pelos moradores”. Porém, os moradores de Vila Esperança questionam o método de avaliação uma vez que estão em uma área de Zona Especial de Interesse Social (ZEIS) e por isso muitos não possuem as escrituras de posse dos imóveis, documento que deveria ter sido fornecido pela próprio poder público municipal.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --></p>
	</div>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/com-pressa-e-sem-aviso-prefeitura-do-recife-derruba-casas-e-despeja-idosa-na-vila-esperanca/" class="titulo">Com pressa e sem aviso, Prefeitura do Recife derruba casas e despeja idosa na Vila Esperança</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/moradia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Moradia</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		<p>O post <a href="https://marcozero.org/uma-semana-depois-prefeitura-do-recife-segue-demolindo-a-vila-esperanca/">Uma semana depois, Prefeitura do Recife segue demolindo a Vila Esperança</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Com pressa e sem aviso, Prefeitura do Recife derruba casas e despeja idosa na Vila Esperança</title>
		<link>https://marcozero.org/com-pressa-e-sem-aviso-prefeitura-do-recife-derruba-casas-e-despeja-idosa-na-vila-esperanca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Mar 2024 15:35:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[demolição]]></category>
		<category><![CDATA[despejo]]></category>
		<category><![CDATA[ponte do monteiro]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[vila esperança]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vizinhas, as irmãs Gilvanilda Lopes Freire, 56 anos, e Adelaide Lopes Freire, 62 anos, foram surpreendidas às 8h desta quinta-feira por agentes do grupo especial da Grupo de Controle Urbano Tático da Guarda Municipal para despejá-las das casas onde moram há décadas. As irmãs são moradoras da Vila Esperança, no bairro do Monteiro, que está [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Vizinhas, as irmãs Gilvanilda Lopes Freire, 56 anos, e Adelaide Lopes Freire, 62 anos, foram surpreendidas às 8h desta quinta-feira por agentes do grupo especial da Grupo de Controle Urbano Tático da Guarda Municipal para despejá-las das casas onde moram há décadas. As irmãs são moradoras da Vila Esperança, no bairro do Monteiro, que está sendo destruída para a construção da ponte e dos acessos viários que vão ligar as zona norte e oeste do Recife.</p>



<p>Gilvanilda está com processo de desapropriação correndo e já recebeu uma parte da indenização. Porém, sem ainda ter para onde ir, solicitou à prefeitura mais uma semana para resolver a questão da mudança.</p>



<p>Já Adelaide garante não ter recebido qualquer indenização da prefeitura e nem sequer houve o início da negociação. Há três meses, ela foi procurada por um oficial de justiça, que informou que ela tinha , então, apenas uma semana para deixar a casa. Ela está com um processo contra a prefeitura para ser indenizada pela casa onde mora há 20 anos com o filho.</p>



<p>As casas das irmãs são coladas uma na outra, parede com parede. Ou seja, se derrubarem a de casa de Gilvanilda, a de Adelaide fica comprometida.</p>



<p>Quem também afirmou não ter recebido nenhum aviso sobre a demolição da casa dela nem qualquer indenização foi a moradora Maria Célia Almeida, de 62 anos. “Cheguei aqui em 1990. Eu chegava na prefeitura e era escorraçada, passei mal. Disseram que não iam me indenizar porque eu não pagava imposto. Mas que imposto? Quando eu chegava lá, não tinha imposto para pagar. A gente não pagava imposto porque era Zeis. Não fiz acordo, fui para o judiciário”, conta Maria Célia, que possui dois imóveis na Vila Esperança, um ponto comercial e a casa onde mora.</p>



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	                                        <p class="m-0">Desolada, Maria Célia foi amparada por vizinhos. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“A juíza disse que tinha R$ 200 mil para mim, a prefeitura disse que pagava R$ 140 mil, e ainda descontava os impostos. Querem me pagar agora R$ 72 mil desse ponto (comercial) e R$ 32 mil da casa. Não aceitei. Estou sendo despejada hoje e não recebi nada, nada. Está tudo em juízo. Vieram aqui hoje, derrubaram dentro, tiraram as coisas”, reclamou Maria Célia, ainda de pijamas. Com a luz cortada, sem indenização e sem ter para onde ir, ela vai ficar abrigada na casa de uma vizinha.</p>



<p>A Marco Zero chegou hoje à Vila Esperança quando os moradores ainda tentavam negociar com a polícia para que as casas não fossem demolidas. O cenário é de destruição: as demolições são feitas, mas os entulhos não foram removidos. Uma retroescavadeira está derrubando as casas.</p>



<p>Moradores também reclamam que como a prefeitura chega para fazer as demolições sem aviso prévio, eles não conseguem retirar todos os pertences das moradias. Furtos e roubos estão sendo constantes na Vila Esperança, em meio às demolições, com esgoto a céu aberto e muito lixo acumulado.</p>



<p>Há ainda uma série de reclamações sobre o processo das indenizações. Gilvanilda diz que foi lesada, que a medição da casa dele foi feita aquém da real dimensão. “Minha casa foi medida duas vezes e tem 64 m<sup>2</sup> construídos, mas colocaram 34 m<sup>2</sup> construídos para não pagarem o certo. É por isso que estou sofrendo até agora para encontrar um lugar digno para morar, só encontro lugar destruído. Não tenho mais dinheiro para construir, já estava terminando minha casa aqui”, diz a mulher, que mora no local há 33 anos.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                                        <p class="m-0">Quatro imóveis foram derrubados nesta quinta-feira, 7 de março. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo
</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>“Todo mundo está saindo daqui chutado, a pulso. Estão colocando a gente para fora à força. Eu lutei para ter minha casa, sou mãe de família. E agora estou passando por essa situação por causa do prefeito João Campos. Aquele viaduto não era dentro da nossa comunidade, mas do outro lado da escola Silva Jardim, e João Campos colocou dentro da nossa comunidade, destruindo a vida da gente”, desabafa.</p>



<p>Por hoje, Gilvanilda conseguiu salvar a casa dela. Os agentes da Prefeitura do Recife deram um novo prazo para a demolição, no dia 18 de março. De acordo com ela, a Prefeitura do Recife não quer indenizar sua irmã, Adelaide Lopes, alegando que o imóvel é um só e que as casas são conjugadas. Contudo, a moradora está correndo atrás na Justiça para conseguir que sua irmã seja indenizada. &#8220;Eles querem pagar só R$ 22 mil pela casa da minha irmã, é muito pouco&#8221;, diz.</p>



<p>Já a casa de Maria Célia já foi completamente desocupada e os agentes da prefeitura iniciaram imediatamente o processo de demolição do imóvel.</p>



<p>Em nota enviada à reportagem, a Prefeitura do Recife afirmou que as indenizações de Maria Célia Almeida e Gilvanilda Lopes já foram pagas. Confira o pronunciamento da PCR na íntegra: </p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">A prefeitura do Recife explica:</span>

		<p>A Autarquia de Urbanização do Recife (URB) esclarece que, desde 16/03/23 Maria Célia Almeida foi indenizada integralmente. Já à Givanilda Lopes Ferreira, também foi pago, em 14/12/23, o valor integral determinado como indenização. A gestão municipal esclarece que, de acordo com a Legislação vigente, após os pagamentos dos valores os imóveis devem ser desocupados em um prazo de cinco dias úteis, o que foi informado por diversas vezes às ocupantes, que são acompanhadas pela equipe social da URB que atua na região. Em relação à Adelaide Lopes Freire, no dia 16/03/23, recebeu parte da quantia total mediante acordo judicial, restando apenas um pequeno montante a ser quitado. No mais, os 49 imóveis restantes já foram devidamente quitados e seus moradores já desocuparam o local. A todos os moradores de Vila Esperança, foi ofertada uma Unidade Habitacional no complexo que será construído no local, sendo que as três personagens da matéria declinaram da oferta.</p>
<p>A URB explica que cada imóvel é avaliado individualmente e recebe um valor que varia de acordo com questões como existência de documentação legal, área construída e benfeitorias realizadas pelos moradores. Os valores oferecidos são baseados em tabela atualizada anualmente e validada pelos órgãos de controle, como Tribunal de Contas do Estado e Caixa Econômica Federal. No local a URB está construindo um conjunto habitacional, com 75 apartamentos, como opção de moradia para que as famílias residentes na Zona Especial de Interesse Social (ZEIS) Vila Esperança/Cabocó, afetadas pela construção da Ponte Jaime Gusmão, possam permanecer no local. A obra já está em andamento, com investimentos em torno de R$ 10,5 milhões. Além disso, a comunidade ganhará também uma creche.</p>
<p>O habitacional será construído num terreno desapropriado pela Prefeitura do Recife, vizinho à ZEIS e terá dois blocos, um com 40 unidades e o outro com 35, contando com jardim, horta comunitária, playground e bicicletário. Os apartamentos medirão cerca de 40 m2 e os prédios terão tipologia do tipo térreo mais quatro pavimentos.</p>
	</div>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/uma-vila-perdida/" class="titulo">Uma Vila perdida</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		            </div>
	            </div>
        </div>

		


<p><strong>Com colaboração de Maria Carolina Santos</strong></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Uma Vila perdida</title>
		<link>https://marcozero.org/uma-vila-perdida/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jan 2024 12:12:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[memória]]></category>
		<category><![CDATA[ponte Engenheiro Jaime Gusmão]]></category>
		<category><![CDATA[vila esperança]]></category>
		<category><![CDATA[ZEIS]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Marília Felix* Quanto vale a memória? Quanto vale o local em que toda a sua vida foi construída? Quanto vale morar numa comunidade em que se sente acolhido? Quanto vale a sua própria personalidade? Para muitas pessoas, a moradia é apenas uma questão transitória. É só um endereço, uma residência ou um número. Mas, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Por Marília Felix</strong>*</p>



<p>Quanto vale a memória? Quanto vale o local em que toda a sua vida foi construída? Quanto vale morar numa comunidade em que se sente acolhido? Quanto vale a sua própria personalidade? Para muitas pessoas, a moradia é apenas uma questão transitória. É só um endereço, uma residência ou um número. Mas, para os moradores da Vila Esperança, as suas casas iam além de uma habitação, elas se tornaram a sua própria identidade.</p>



<p>Depois de dois anos de luta, a Vila Esperança se transformou numa guerra perdida. Sem forças para resistir às pressões da esfera municipal, os moradores precisaram aceitar as baixas ofertas de indenizações ou as sentenças das decisões judiciais. O resultado foi um misto de casas derrubadas, ruas vazias e um sentimento de tristeza permanente no ar. A esperança da Vila se foi.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Uma luta pela memória</strong></h3>



<p>A Vila Esperança é reconhecida como uma Zona Especial de Interesse Social (ZEIS) desde 1994. A comunidade está situada no bairro do Monteiro, na Zona Norte do Recife, às margens do Rio Capibaribe de um lado, próximo à Avenida 17 de Agosto do outro e aos fundos da Escola de Referência Silva Jardim.</p>



<p>Inserida num dos bairros mais ricos da capital pernambucana, a Vila se projeta como um refúgio em meio aos prédios de classe média alta erguidos no seu entorno. Sem portarias ou playgrounds, as crianças da comunidade brincam com os vizinhos na rua. Não há a rigidez dos apartamentos e dos salões de festa para os encontros, as conversas acontecem nos portões das casas, na rua e na mercearia de Seu Luiz, o comerciante mais antigo do local.</p>



<p>Mas, desde o anúncio da construção de uma ponte próxima à Vila, os moradores foram forçados a aceitar um preço pelas suas memórias. Almejada durante muitos anos, a ponte que ligaria o bairro do Monteiro ao bairro da Iputinga, através do Rio Capibaribe, foi intitulada como a salvação para o problema crônico do trânsito entre as Zonas Norte e Oeste da cidade.</p>



<p>Em setembro de 2021, a Prefeitura do Recife anunciou a retomada das obras da ponte, agora nomeada como Engenheiro Jaime Gusmão. O que foi intitulado como um sonho para  o trânsito da cidade se tornou um pesadelo para os moradores da Vila Esperança.</p>



<p>A princípio, 53 casas seriam desapropriadas e demolidas para a primeira etapa da construção da ponte. Mas, <a href="https://jc.ne10.uol.com.br/pernambuco/2022/08/15057664-exclusivo-projeto-da-ponte-monteiro-iputinga-no-recife-preve-quase-cinco-vezes-mais-desapropriacoes-do-que-o-divulgado.html">segundo documento obtido pelo Jornal do Commercio</a> e enviado à Defensoria Pública de Pernambuco pela Autarquia de Urbanização do Recife (URB), órgão responsável pela obra, mais 255 famílias da Vila vão precisar ser retiradas para a implantação do anel viário, a segunda etapa da construção.</p>



<p>As ofertas de indenizações pelas casas abriram as rodadas exaustivas de negociações entre a Prefeitura e os moradores. As residências acabaram recebendo valores bem abaixo do avaliado pela região em que está situada e os residentes são praticamente forçados a negociar algo que não colocaram à venda.</p>



<p>Com as expectativas frustradas, os moradores esperavam a proteção da Vila por ter o título de ZEIS (Zona Especial de Interesse Social). De acordo com a lei nº 15.926 do ano de 1994, assinada pelo então prefeito do Recife, Jarbas Vasconcelos, as áreas que compreendem as localidades da Vila Esperança e o Cabocó, outra comunidade próxima, foram transformadas em ZEIS pelo “fato da ocupação apresentar condições de permanência física, com perspectivas de melhorias a partir da execução do seu Plano Urbanístico e de Regularização Jurídica que venha favorecer a implantação de infraestrutura, demonstrando assim a sua viabilidade de consolidação e melhoria prevista por lei.”</p>



<p>Nas negociações, os moradores sentem que a validação do local como ZEIS não é levado em consideração. Além disso, mesmo que o Direito à Moradia esteja assegurado no artigo 6º da Constituição Brasileira, é como se nem isso estivesse garantido. O que resta é o clima de melancolia que se instala na Vila Esperança. Andando pelas ruas calmas do local, o comum é ver destroços das casas já demolidas. Aquelas que, um dia, foram palco de aniversários, ceias de Natal e conversas alegres no portão.</p>



<p>Mesmo assim, no que restou da Vila, ainda pode-se avistar crianças jogando bola, vizinhos conversando na esquina e cumprimentos de todos os lados. Junto com Dona Dalvinha, uma das moradoras do local, nós andamos pela Vila como exploradores em lugares desconhecidos. Conheça a Vila Esperança conosco através do vídeo abaixo:</p>





<p>Todas as casas da Vila são um conjunto de memórias e histórias de vida que irão se perder em meio ao asfalto e ao futuro trânsito de passageiros que talvez nem saibam o que um dia esteve ali. Mas, aqui, a própria história da Vila Esperança será contada através das vidas de sete moradores. Aqueles que nunca perderam a esperança.</p>





<hr class="wp-block-separator"/>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Cada casa, uma história</strong></h2>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Seu Leto</strong></h3>



<p>O nome dele é Wellington Lira, mas todo mundo na Vila Esperança o conhece como Leto. Morava na Vila desde que nasceu, há quase 60 anos. Era o terceiro morador mais antigo da comunidade. Seria impossível contar a sua história sem falar da Vila Esperança ao mesmo tempo. Os principais momentos da sua vida, as brincadeiras de infância, as aventuras de adolescente e as responsabilidades de adulto foram nas ruas do local.</p>



<p>A Vila hoje é o resultado de muitas ocupações ao longo do tempo. Terras de um antigo engenho da região, o local tinha cerca de dez casas antigas por volta da década de 1960. As pessoas que ali moravam pagavam aluguéis a um homem chamado Nelson Temporal &#8211; coincidência ou não, o nome da rua principal da Vila é Rua Ilha do Temporal. Depois de um tempo, esse Nelson desapareceu, os moradores ficaram sem saber quem era o novo dono das casas e continuaram morando.</p>



<p>Foi nesse cenário que a avó de Leto, Porcina Maria, chegou na Vila Esperança. Rezadeira e natural de Palmeira dos Índios, município de Alagoas, ela veio para Recife na busca de uma nova vida. E foi na comunidade que Porcina encontrou a possibilidade de uma moradia tranquila. Um ano depois da sua chegada, a filha Alaíde também começou a morar no local.</p>



<p>Em 1964, Wellington nasceu conquistando cada pedaço da Vila. Andava pela rua principal que ainda não era pavimentada. Tomava banho no riacho que atravessava os terrenos da região. Olhava a pequena horta que a sua avó cultivava ao lado da sua casa. Ia pegar água no chafariz que ficava próximo à Avenida Dezessete de Agosto. Brincava com os trilhos da via férrea. Observava com admiração as lavadeiras que desciam dos morros ao redor e abriam as suas saias para lavar as roupas no Rio Capibaribe.</p>



<p>Nos anos 1980, a Vila Esperança começou a se expandir. Os terrenos vazios foram ocupados por outras pessoas que chegavam e construíam as suas moradias. Essas ocupações também foram marcadas por tensões. Chegou a acontecer uma ação da polícia no local para dispersar os novos moradores. Mas, por pressão de alguns movimentos sociais e políticos, as pessoas conseguiram continuar lá. Foi nesse momento que a comunidade ganhou o nome de Vila Esperança. Era a esperança de permanecer e conquistar um novo espaço que os motivaram.</p>



<p>Como não é possível contar a história de Leto sem a Vila, também foi no início dos anos 90 que ele e o cunhado resolveram construir as casas da família no mesmo terreno onde ficava a horta da avó. Três anos depois, a Vila Esperança se tornou uma ZEIS, um título que daria segurança a todos os moradores. Mas, a segurança os deixou desde que a construção da ponte voltou.</p>



<p>No vídeo abaixo, Leto fala emocionado do significado da Vila Esperança na sua vida e da situação atual da sua moradia diante da construção da Ponte Engenheiro Jaime Gusmão:</p>





<p>Em outubro de 2021, os moradores da Vila Esperança foram surpreendidos com funcionários da URB marcando as suas residências e dizendo que seriam chamados para fazer acordos indenizatórios. Todas as casas da família de Wellington foram marcadas, inclusive a da sua mãe, que tem mais de 80 anos. Ele sabe que a ponte é um problema de mobilidade, mas argumenta: “tem dois problemas sérios aqui no Recife, um é a mobilidade, e o outro mexe com muito mais pessoas, que é a camada mais pobre, que é a moradia”.</p>



<p>A partir disso, Seu Leto encampou a luta e a resistência para permanecerem. Em março de 2023, ele foi eleito o 2º líder da Vila Esperança na Comissão de Urbanização e Legalização de Posse da Terra (COMUL). Contudo, o papel de liderança na comunidade acabou ficando estremecido quando Leto foi forçado a negociar a sua casa. Como a própria residência está vinculada às outras da família, a permanência ficaria inviável depois que os parentes decidiram negociar.</p>



<p>Com o valor da indenização, seu Leto adquiriu uma casa em outro local. Ele explica que não aguentaria ver o cenário de destruição que ficou após as demolições, com apenas os destroços das casas da família. Os entulhos não significam apenas tijolos, telhas e portões, é como se a sua própria história estivesse misturada à poeira. Ali, estão simbolizadas as brincadeiras de infância, as refeições em família e a construção de uma vida.</p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Dona Dalvinha</strong></h3>



<p>Dalvinha é o apelido de Lindalva do Carmo Veríssimo de Sousa. Uma mulher branca, baixa, com os cabelos lisos e brancos que carrega muita história nos seus passos. Natural de Itapetim, cidade do sertão pernambucano, ela chegou à Vila com a esperança que já é natural dos moradores da comunidade.</p>



<p>Da infância sofrida no sertão à juventude esperançosa, ela veio para o Recife definitivamente em 1988 porque precisou cuidar da irmã que morava na Vila Esperança. Após se casar em 1994, como não tinha um lugar certo para morar, passou um tempo pagando aluguel até a irmã ligar e anunciar que tinha uma casa na própria Vila para vender. O local da nova residência era às margens do Rio Capibaribe, no valor de R$ 2.500. Mas, para Dalvinha, era uma oportunidade única.</p>



<p>Mesmo sem o dinheiro completo, entrou em acordo com o então dono para quitar o valor da casa de forma parcelada. E, assim, ela e o marido passaram de 1997 até 1999 pagando o novo lar em prestações conforme o que recebiam dos trabalhos. Até hoje, os recibos dos pagamentos são guardados como artigos de ouro.</p>



<p>Hoje, Dalvinha coleciona mais de 25 anos morando na Vila Esperança. Com o tempo, a casa foi ganhando a forma atual. O cunhado ajudou a erguer as paredes de alvenaria nos cômodos, ela fez uma nova cozinha na parte de trás da casa e comprou todas as grades das portas e janelas com o dinheiro que ganhava lavando roupa para fora.</p>



<p>Contudo, o retorno da obra da ponte tira o sono de Dalvinha. A dúvida e a insegurança chegam. E a possibilidade de indenização não a tranquiliza: “eu tenho medo deles dizerem que vai dar tanto e a gente não encontrar um canto para comprar que dê o dinheiro, um canto que preste, em encosta de barreira, de todo o jeito a gente se aperreia”.</p>



<p>Dona Dalvinha conta que, no mês de agosto, encontrou com uma funcionária da Prefeitura que lhe perguntou: “vocês vão querer habitacional ou auxílio moradia?”. Uma pergunta que pode parecer banal, mas para Dalvinha é a proclamação de uma sentença. Nenhuma das duas opções agrada. Tem receio de habitacional, devido aos casos de desmoronamento de prédios no Grande Recife, e aluguel soa como uma volta assustadora a um passado incerto.</p>



<p>Emocionada, Dona Dalvinha nos fala o que a Vila Esperança simboliza para ela e quais são os seus sentimentos com a perda da própria casa:</p>





<p>O maior desejo de Dalvinha era ficar. “Aqui é um pedacinho do céu para a gente”, ela diz em meio à resposta do porquê gosta de morar ali. Consegue tudo o que precisa na Vila: é fácil pegar um ônibus, é perto da feira, tem bom atendimento no posto de saúde da comunidade e, o principal, se sente numa família. “Aqui, se precisar de um, todos chegam”. Para ela, umas das maiores vantagens do local são as pessoas que moram ali, o sentimento de pertencimento que não se acha em qualquer lugar.</p>



<p>Das grades da cozinha, aos fundos da casa, ela enxerga os avanços da construção da ponte, os guindastes e as duas cabeceiras sendo erguidas às margens do rio. Diariamente, os avanços da obra parecem um relógio avisando a Dalvinha que a hora dela sair chega mais perto. Indignada, ela diz: “a gente não tem força para quem tem dinheiro”.</p>



<p>Lindalva é a mulher que carrega no corpo as cicatrizes da desigualdade social e do tanto que precisou se esforçar para chegar aonde chegou. Ela sorri quando se lembra da própria trajetória: “eu já passei por tanta coisa, mas estou aqui de pé”. Sem esperança de continuar na Vila, ela aguarda o dinheiro da indenização para adquirir uma nova casa em regiões próximas e, quem sabe, ser tão feliz quanto foi na Vila.</p>



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<h3 class="wp-block-heading"><strong>Seu Luiz</strong></h3>



<p>Luiz é o dono do comércio mais conhecido da Vila Esperança. Quase como um patrimônio, o Mercadinho de Seu Luiz é um ponto cardeal da comunidade. Lá, ele vende de tudo: gás de cozinha, alimentos não perecíveis, chupeta de criança, refrigerante e por aí vai. Além das vendas, o local também é um ponto de conversa e encontros animados entre os moradores da Vila.</p>



<p>Mas, antes da Vila Esperança, Luiz era um homem em busca de um lar. Nascido em Feira Nova, cidade do agreste pernambucano, ele já trabalhou nas lavouras da região e como faxineiro, porteiro e vigia quando morou em São Paulo. Por lá, ele se casou e teve dois filhos. Mas, quando surgiu a oportunidade de voltar, juntou o dinheiro que tinha e regressou à capital pernambucana.</p>



<p>Aqui, começou uma pequena mercearia do Alto Santa Isabel, comunidade da Zona Norte de Recife. Era o início da profissão que marcaria a sua vida. Ele trabalhava por lá quando soube da Vila Esperança e sentiu desejo de morar no local. A oportunidade apareceu no ano de 1983 quando Luiz comprou um terreno na avenida principal da Vila e decidiu construir o novo lar. Finalmente, ele encontrou o local que fincou raízes.</p>



<p>A construção foi feita aos poucos e com os próprios esforços de Seu Luiz. Comprou barro para aplainar o terreno e levantou a casa com taipa. A rotina da época era pesada: fechava a mercearia às 18h, jantava e ia trabalhar na obra até a meia-noite. O resultado foi que a casa já estava pronta depois de um mês. Em busca do que fazer, Seu Luiz resolveu seguir o conselho do seu fornecedor e iniciou um pequeno negócio na Vila Esperança. E começou do jeito que dava mesmo: abriu uma janelinha para a rua num dos quartos, fez uma pequena coberta do lado de fora e encheu as prateleiras com os primeiros produtos.</p>



<p>Aos poucos, a comunidade aumentou e a clientela da mercearia também cresceu. Mas a estrutura da casa de taipa não aguentou o crescimento. Depois de quatro anos, as prateleiras e as paredes caíram. A partir disso, Luiz entendeu que era hora de construir as paredes com tijolo e cimento.</p>



<p>Ele abria a mercearia às 5h da manhã e vendia enquanto ajudava os pedreiros na obra. Trabalhava nos dois locais até a meia-noite, desgastando o corpo e a mente. Mas o esforço valeu a pena. Hoje, a casa tem o espaço da frente destinado ao comércio, mais a sala, a cozinha, o banheiro e três quartos. No vídeo abaixo, Seu Luiz explica um pouco da sua história com a Vila Esperança e o sentimento de pertencimento que tem com o local.</p>





<p>O Mercadinho de Seu Luiz, como é conhecido, é o resultado do trabalho de toda uma vida. Com a renda do local, ele sustentou a casa e ajudou a criar os dois filhos, que hoje moram em outros estados. Seu Luiz está prestes a completar 68 anos e sente prazer não só em vender, mas em ter contato com as pessoas da comunidade. Sabe de tudo o que acontece na região sem sair de casa e é conhecido por todos da Vila Esperança. Viu crianças crescerem, se casarem e levarem os filhos para comprar na mercearia.</p>



<p>Por muito tempo, Seu Luiz também foi o conselheiro da vizinhança. Bastava qualquer problema e as pessoas iam saber a sua opinião. Ele pensava, analisava e dizia o caminho que parecia certo. Mas essa questão chegou ao ponto de preocupá-lo tanto que ele pediu para as pessoas não pedirem mais os seus conselhos. Mesmo assim, ele não desistiu das pessoas da Vila. Aquele local representa a vida para ele: “A Vila é a minha família, todo mundo me conhece e eu conheço todo mundo”. Ele diz com orgulho que pode ir à casa de qualquer morador que será bem recebido.</p>



<p>Mas a retomada da construção da Ponte Engenheiro Jaime Gusmão e a desapropriação das casas da Vila significam a desintegração dessa família. Luiz acredita que o seu comércio deve acabar com a grande diminuição das pessoas na comunidade. Ele conta que a primeira saída de moradores do local já representa uma perda de 52 clientes. E, mesmo que a sua moradia ainda não tenha sido marcada para a demolição ou chamada para um acordo, sabe que não vai ficar por muito tempo ali: “se eu for obrigado a sair, vou fazer o quê?”. A destruição do lugar não será só a perda da Vila para Seu Luiz, será a perda de uma família.</p>



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<h3 class="wp-block-heading"><strong>Dona Gil</strong></h3>



<p>As casas da Vila Esperança representam mais do que apenas residências, representam conquistas. E para Dona Gil não seria diferente. A casa onde mora é resultado do próprio suor e das noites em claro. Por isso, o pedido de desapropriação representa a perda da própria história de vida.</p>



<p>A trajetória de Givanilda Lopes com a Vila Esperança começou há 33 anos, numa casa de taipa situada aos fundos da comunidade. Depois de certo tempo, ela comprou outra residência na avenida principal da Vila. A nova casa precisava de uma reforma completa e, como não tinha condições de pagar trabalhadores para isso, foi a própria Gil que colocou a mão na massa.</p>



<p>Em várias madrugadas, ela assentou pedras de cerâmica nos cômodos e deixou a casa toda arrumada para que pudesse morar com a família. Além disso, Dona Gil também construiu uma pequena sala onde trabalha como manicure. O piso inferior da residência também tem terraço, sala, cozinha, dois quartos e um banheiro. Já no piso superior, ela construiu duas pequenas casas para os familiares.</p>



<p>O local representa a moradia para Gil, seus dois filhos, dois sobrinhos e o ex-marido, além da casa da irmã que fica ao lado da sua. A segurança que sente ao morar no local vem não só de estar perto dos parentes, mas da sensação de bem-estar que a Vila Esperança lhe garante. Givanilda se preocupa com o local onde mora por causa de um dos seus filhos, que tem deficiência mental. Ela assegura que precisa residir numa comunidade tranquila, sem agitação e que lhe dê segurança para deixar o seu filho em casa. A Vila Esperança cumpre todos esses requisitos e, por isso, revolta tanto que precisa sair do local.</p>



<p>Além disso, a localização da Vila garante o deslocamento rápido para o Centro Médico Ermírio de Moraes, onde faz tratamento de oftalmologia e ortopedia, e fica próximo aos médicos que o filho precisa. Caso precise se deslocar a um local distante, o ponto de ônibus está a 130 metros da sua residência. A centralidade da comunidade também auxilia Gil no seu empreendimento, pois facilita quando as clientes se dirigem ao comércio ou nos atendimentos domiciliares.</p>



<p>A própria casa tem um valor inestimável para Givanilda. As lágrimas e a emoção transbordam quando ela relembra como conquistou o local e os benefícios que consegue morando na Vila Esperança, confira no vídeo abaixo.</p>





<p>O modo como as desapropriações das casas da Vila Esperança estão sendo feitas revolta Dona Gil. Ainda sem entender como a retomada da construção da ponte iria impactar a vida dos moradores, ela se deparou com a própria casa sendo marcada por funcionários da URB. Foi o pontapé para uma disputa que se arrasta até hoje: “eles vieram com um valor muito irrisório, que não dá para eu comprar uma moradia”.</p>



<p>Com o valor oferecido pela URB, Dona Gil não conseguiria comprar outra moradia semelhante para acomodar todos os familiares que moram no mesmo terreno hoje. Desesperada, ela apela para que o traçado da ponte seja modificado e possa permanecer no local que lutou a vida inteira. “Se for possível mesmo, eu quero ficar na minha casa. Não tem preço nenhum que eu venda a minha casa”, é a fala de Gil como um pedido desesperado.</p>



<p>Mesmo vendo as casas vizinhas serem demolidas, Givanilda diz que não vai desistir até a garantia de um local seguro para morar. A perda que sente é maior do que qualquer valor ofertado, mas sabe que é seu direito ter uma indenização justa e compatível com a residência atual. Afinal de contas, uma moradia digna não é favor ou boa vontade, é direito.</p>



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<h3 class="wp-block-heading"><strong>Dona Bernadete</strong></h3>



<p>A casa de Dona Bernadete é como a porta de entrada da Vila Esperança. Entre as antigas construções do local, ao lado da Praça do Monteiro, emerge uma parede verde com a estrutura porta e janela. Não raro uma figura simbólica aparecia sentada no batente frontal da casa: era a própria Dona Bernadete. Uma mulher idosa, baixa, com os cabelos meio alourados e cheia de história para contar.</p>



<p>Moradora da Vila Esperança há 32 anos, a filha de Bernadete foi a primeira da família a chegar ao local, juntamente com o esposo e dois filhos. Quando a filha ficou viúva, Bernadete decidiu morar na comunidade para ajudar no cuidado com os netos e nunca mais saiu. A convivência gerou amor pela Vila. Emocionada, diz que ali “não é uma comunidade, é uma irmandade”.</p>



<p>Dentre os motivos que escolheu para continuar na Vila, a segurança foi o principal deles. Ela se sentia segura de ficar só em casa e ser socorrida por qualquer um dos vizinhos caso ocorresse algum problema. Também era atendida pelo mesmo médico de outras moradoras da comunidade, na unidade de saúde do Poço da Panela, um dos bairros próximos.</p>



<p>Além disso, também sentia segurança pela sua casa. Ela conta duas histórias marcantes para exemplificar isso. A primeira ocorreu quando esqueceu de trancar a grade na frente da residência ao dormir e ninguém entrou no local. A segunda aconteceu ao sair de casa e não ter fechado a porta, quando retornou havia três rapazes a esperando para garantir que ninguém iria invadir a residência.</p>



<p>Bernadete Miranda conta, no vídeo abaixo, qual é a sensação de morar na Vila Esperança e como se sente com os processos de desapropriações.</p>





<p>Professora aposentada do Estado de Pernambuco após 31 anos de trabalho, Bernadete esperava usufruir do descanso no lugar que escolheu para viver. Mas, o processo de desapropriação a fez perder o sossego. A sua casa é uma das escolhidas para sair desde o início da obra.</p>



<p>Há alguns meses, ficar com Dona Bernadete na calçada era observar que todos os vizinhos a cumprimentavam. Ela sabia quem tinha nascido na comunidade, conhecia os familiares de cada um e até mesmo a filha pequena de um dos vizinhos a chamava de vó. Pedia a quem passar para comprar o pão ou ir ao comércio de Casa Amarela quando estava indisposta. É essa comunidade que não se encontra com dinheiro de indenizações ou construções de moradias distantes.</p>



<p>Bernadete também é pastora da Igreja Quadrangular, de Casa Amarela, e é na sua fé que encontrava forças para resistir. Perdia noites de sono e sentia medo do futuro. Mas o futuro não tardou a chegar. Depois de tantas pressões, Bernadete e a filha tiveram a ordem de despejo decretada e aceitaram a indenização para sair do local. Hoje, a casa de Bernadete é um local abandonado: a figura imponente não está mais na calçada e a porta, que sempre permanecia aberta, está fechada.</p>



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<h3 class="wp-block-heading"><strong>Seu Juca</strong></h3>



<p>Imagina acordar por anos na mesma rua, falando com os mesmos vizinhos e fazendo o mesmo trajeto para resolver os compromissos? Pois essa foi a rotina de Seu Juca pelos últimos 37 anos. Um dos símbolos mais antigos da Vila Esperança, ele se refere ao local como parte essencial da sua história. Lá, ele construiu família, casa e as amizades. Agora, olha tudo virar destroços.</p>



<p>No ano de 1986, o avô materno de Juca comprou uma nova casa para ele e a família na Rua Pinto Campos, número 108, no bairro do Monteiro. Mas o endereço representou mais do que uma residência, de lá ele começou a constituir uma família. Primeiro, acabou se casando com a filha da vizinha Jaidete, Valéria. Segundo, o seu sogro presenteou o casal com uma casa na mesma Rua Pinto Campos, no número 106. E detalhe: a nova residência ficava situada entre a moradia da mãe de Juca e a da sua sogra.</p>



<p>Cercado de familiares, Juca e Valéria transformaram a casa de meia porta em três imóveis, que hoje acomodam o casal, dois filhos e um neto. As reformas foram resultados de muito esforço, trabalho duro e luta. Mas, a transformação da Vila Esperança em ZEIS, no ano de 1994, não garantiu à família a titularidade do terreno. Foi, então, alguns anos depois que o pesadelo começou.</p>



<p>Com o primeiro anúncio da construção da ponte, em 2012, a sua rua foi um dos principais alvos do projeto. Na época, Seu Juca e a família aceitaram a negociação, mas, como a obra foi paralisada, não tiveram mais notícias do acordo. Em 2021, a construção voltou como um furacão ao acordar com funcionários da URB marcando as suas casas sem qualquer explicação.</p>



<p>A marcação deu início às rodadas de negociação. Com propostas de valores insuficientes pela sua residência, Seu Juca resistia a negociar até que encontrasse um valor para comprar uma nova casa. Em agosto deste ano, Juca falou como estava acontecendo todo o processo e os seus sentimentos no vídeo abaixo:</p>





<p>Entre os imóveis da família, a casa da mãe de Seu Juca já foi negociada por se tratar de herança entre os irmãos. No dia dessa gravação, antes da demolição, ele tentava aproveitar algum material da residência, como as telhas e as portas. Mesmo assim, os destroços de uma casa impactam mais que a perda financeira.</p>



<p>Profundamente abalado com todo o processo, Seu Juca desenvolveu transtorno de ansiedade nos últimos tempos e precisa utilizar medicamentos antidepressivos. Ele explica: “agora, por exemplo, você deita, fecha o olho e fica pensando onde você vai viver. Ou seja, seus hábitos vão mudar, tudo vai mudar. Minha esposa trabalha a dois quilômetros daqui, eu trabalho a dois quilômetros daqui. Aí vai mudar tudo. Então isso está deixando a gente doente”.</p>



<p>Juca não entende como ele e os vizinhos precisam sair, enquanto nenhum dos condomínios do entorno será afetado. Até mesmo, um terreno em frente à sua casa, que serve apenas como estacionamento, ficará intacto. Ele se revolta e fica triste porque o local onde cresceu vai acabar.</p>



<p>Cerca de dois meses depois, o processo da casa de Juca foi judicializado e o morador precisou aceitar o valor oferecido pela URB. Depois do pagamento, teve início uma nova pressão para sair do local com o prazo de cinco dias. Juca conta que o período da mudança de casa foi traumático, feito às pressas e sem direito a caminhão para ajudar no transporte.</p>



<p>A indenização recebida precisou ser dividida entre a família. Juca adquiriu uma nova casa num local mais distante e o filho precisou se mudar para Paulista. O percurso até o trabalho da esposa de Juca também foi modificado e é necessário sair da residência até uma hora mais cedo, comparado a quando morava na Vila Esperança. Hoje, Juca e a família tentam reconstruir a vida, superar os traumas e encontrar um novo futuro, com a esperança de que a história da Vila não seja esquecida.</p>



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<h3 class="wp-block-heading"><strong>Leninha</strong></h3>



<p>Ao andar pelas ruas estreitas da Vila Esperança, Maria Helena cumprimenta todos os moradores pelo nome e é reconhecida por eles. Sabe identificar quem mora na maioria das casas. Leninha, como é conhecida entre os vizinhos, é um dos símbolos de luta da Vila Esperança. Nascida e criada no lugar, ela é a responsável por administrar a página no Instagram, fazer reuniões na Associação de Moradores e articular a resistência com outros vizinhos.</p>



<p>Em março de 2023, Helena foi eleita a 1ª representante da comunidade na Comissão de Urbanização e Legalização de Posse da Terra (COMUL). Mais do que isso, Leninha também é uma âncora para quem ainda está à deriva em relação ao processo de construção da ponte. Não raro, os vizinhos a param na rua e perguntam sobre algo que não sabem ou não entendem das negociações.</p>



<p>Ela sabe de cada passo da disputa porque sente na pele a incerteza do futuro. Leninha mora no primeiro andar construído em cima da casa dos seus pais e ambas as residências foram uma das primeiras a serem chamadas para a desapropriação. Com valores insuficientes para uma nova residência e indignados com a falta de escuta, Helena e os pais não aceitaram as ofertas e os processos foram judicializados. Diante da revolta familiar, Lenina entendeu que a luta não era só dela, mas coletiva. Ela precisava resistir para manter as suas memórias de infância, a convivência com os vizinhos e o seu local de trabalho. Ela precisava resistir para manter a Vila Esperança viva.</p>



<p>A sua história com a comunidade começou antes mesmo de nascer. Os seus pais, Luiz e Valdilene, foram morar no local assim que casaram. A primeira casa foi pequena, numa das regiões mais próximas ao rio, foi lá que Helena nasceu. Depois de uma chuva forte na época, as águas acabaram invadindo o local e forçaram seu Luiz a procurar outra casa. A escolhida foi uma residência na entrada da Vila Esperança, na Rua Ilha do Temporal, onde mora há 30 anos.</p>



<p>Lá, Helena cresceu e colecionou memórias. Brincava na rua calma e tranquila com as crianças que moravam perto, conhecia todos os vizinhos, ia e voltava do colégio andando. Quando a mãe precisava se ausentava à noite, ela ficava sob os cuidados das pessoas que moravam na sua rua. No Natal da Vila Esperança, era mais do que natural cada vizinho visitar os outros para confraternizar, compartilhar as comidas e comemorar o final de mais um ano. A convivência coletiva se transformava numa realidade distante do mundo elitizado à sua volta.</p>



<p>A Vila continua sendo o lar de Helena até hoje. Quando se casou, decidiu construir a sua própria casa em cima da residência dos pais. Além disso, ela ergueu o seu local de trabalho numa sala confortável na varanda, onde realiza serviços de sobrancelhas e maquiagem. A boa localização da casa representa mais possibilidades de atrair a clientela e manter o seu negócio. Por isso, se mudar para outro local é também uma questão de renda.</p>



<p>Helena nos contou mais da sua sensação com as desapropriações da Vila Esperança no vídeo abaixo:</p>





<p>Quando Leninha é perguntada sobre como a Vila Esperança formou a sua personalidade, a emoção e as lágrimas vêm ao rosto. Não é só um local. É nascer, desenvolver, brincar, estudar, crescer, conviver, casar e trabalhar numa só comunidade. É como se a sua personalidade e a Vila Esperança se confundissem ao longo do tempo.</p>



<p>Por isso, a desapropriação das casas da Vila revolta tanto. Com uma visão crítica e ampla, Helena expõe que a retirada das pessoas do local é um reflexo de uma questão maior. Não é só a ponte. Não é só a Vila. É a política de uma cidade. “O que acontece na Vila Esperança não é só em Vila, é na cidade de Recife”, ela diz em meio ao desejo de que mais recifenses entendessem a luta da comunidade.</p>



<p>No último dia 08 de agosto, a justiça decretou a imissão de posse para a Prefeitura do Recife na casa de Helena, assim como a determinação de que o oficial de justiça possa requisitar a força policial para efetivar o cumprimento da ordem judicial. Ela resistiu e entrou com um recurso, que não foi acatado. Sem forças diante de tanta pressão, ela e os pais acabaram negociando as casas.</p>



<p>Como os valores foram insuficientes para garantir duas moradias adequadas, a família decidiu juntar as duas indenizações e comprar um imóvel para os pais. Helena e o seu esposo, que construíram com tanto esforço e dedicação a primeira residência, agora não sabem onde irão morar. Mesmo com a incerteza do futuro, eles só pensam em seguir em frente. Helena, que sempre morou na Vila Esperança e sentia a comunidade como o seu lar, agora não reconhece mais o local: “olhar pra Vila hoje não é encontrar pertencimento, o local está desfigurado, infelizmente”.</p>



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<h3 class="wp-block-heading"><strong>A resposta</strong></h3>



<p>A Prefeitura do Recife foi questionada através de email sobre as alegações apresentadas nesta reportagem. As perguntas enviadas procuravam saber como está a atual situação das desapropriações e indenizações das casas da Vila Esperança; como os valores indenizatórios das casas foram calculados; qual a posição da Prefeitura sobre os depoimentos dos moradores da Vila Esperança a respeito de funcionários municipais exercendo pressão para a saída deles; se a Prefeitura ofereceu algum suporte, como caminhão, para a mudança dos moradores; se a Prefeitura disponibilizou ajuda psicológica para os moradores durante esse processo de desapropriação; por que os destroços das casas já demolidas não foram recolhidos imediatamente e se o habitacional anunciado para os moradores da Vila Esperança tem previsão de entrega.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Confira a íntegra da nota enviada pela Prefeitura do Recife com as respostas:</strong></p><p>“A Autarquia de Urbanização do Recife (URB) informa que a ponte Jaime Gusmão beneficiará diretamente cerca de 60 mil pessoas, criando uma nova ligação entre as zonas Oeste e Norte da cidade. É a primeira ponte a ser entregue na capital pernambucana em quase duas décadas e já está com 95% de conclusão em sua etapa principal de obras, correspondente ao “tabuleiro” sobre o rio.</p><p>A construção da ponte Jaime Gusmão requer a desapropriação de 50 imóveis no Monteiro. Todos já estão negociados e 44 foram pagos. A URB esclarece que cada imóvel é avaliado individualmente e recebe um valor que varia de acordo com questões como existência de documentação legal, área construída e benfeitorias realizadas pelos moradores. Os valores oferecidos são baseados em tabela atualizada anualmente e validada pelos órgãos de controle, como Tribunal de Contas do Estado e Caixa Econômica Federal.</p><p>Quando solicitada, a URB dá apoio na mudança das famílias que tiveram as casas desapropriadas. A Diretoria de Integração Urbanística da URB dá todas as orientações necessárias aos moradores e continua à disposição para dirimir dúvidas. O material das casas já demolidas será retirado à medida que as obras avancem.</p><p>A URB está construindo um conjunto habitacional, com 75 apartamentos, como opção de moradia para que as famílias residentes na Zona Especial de Interesse Social (ZEIS) Vila Esperança/Cabocó, afetadas pela construção da Ponte Jaime Gusmão, possam permanecer no local. A obra já está em andamento, com investimentos em torno de R$ 13 milhões. Além disso, a comunidade ganhará também uma creche.</p><p>Os equipamentos serão construídos num terreno desapropriado pela Prefeitura do Recife, vizinho à ZEIS. O habitacional será dividido em dois blocos, um com 40 unidades e o outro com 35, contando com jardim, horta comunitária, playground e bicicletário. Os apartamentos medirão cerca de 40 m2 e os prédios terão tipologia do tipo térreo mais quatro pavimentos.”</p></blockquote>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Uma ponte para quem?</strong></h3>



<p>No evento de inauguração da ponte, estarão presentes autoridades, a imprensa, representantes dos poderes públicos e quem mais queira assistir. Será alardeado como a obra é importante para o trânsito da cidade, a eficiência da Prefeitura em concluir um projeto prometido há tantos anos e como representa a modernização do Recife. Os discursos serão bonitos, entusiastas e alegres com a conclusão da Ponte Engenheiro Jaime Gusmão.</p>



<p>Do outro lado, estará uma Vila que chora. Ela vê os filhos que cuidou desde pequenos irem embora sem a certeza de moradia. As histórias, os momentos felizes, as vidas foram esquecidos pela necessidade da modernidade. A ponte vai passar, o anel viário vai passar, as vias de acesso vão passar, os carros vão passar, as bicicletas vão passar, os pedestres vão passar, todos irão passar pela Vila Esperança como se ela não fosse nada. </p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/condenada-pela-prefeitura-do-recife-vila-esperanca-recusa-se-a-desaparecer/" class="titulo">Condenada pela Prefeitura do Recife, Vila Esperança recusa-se a desaparecer</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/moradia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Moradia</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>O novo asfalto pode até brilhar, mas não vai sorrir como Dona Dalvinha. O trânsito dos carros vai fazer barulho, mas não será igual às conversas com Dona Bernadete. As pessoas vão andar, mas não irão parar para conversar com Seu Luiz. A alça de acesso à ponte estará erguida, mas não com o cuidado que Leninha construiu a própria casa. As ciclofaixas serão importantes, mas não lembrarão do passado como Seu Leto. A Avenida 17 de Agosto poderá estar mais bonita, mas não terá Dona Gil andando para chegar em casa. Os novos espaços de convivência atrairão a vizinhança, mas não haverá o terraço de Seu Juca para receber quem chega.</p>



<p>A perda da Vila Esperança e dos seus moradores será inestimável para qualquer um. É mais do que desapropriações, despejos e demolições, é a política de uma cidade. Simboliza como um território coletivo é pensado e ocupado. O que importa mais: as pessoas ou os carros? Retratar as injustiças contra a Vila Esperança é também mostrar o que acontece com outras comunidades que são expulsas diariamente, seja pelo poder público ou privado. Lutar pela Vila Esperança é lutar por nós mesmos, para que a cidade seja pensada a partir da coletividade e do direito de moradia digna para todos.</p>



<p>Eu, a jornalista em formação que vos escreve, não conhecia a Vila Esperança até janeiro deste ano. A experiência de conviver com as pessoas da comunidade, que contagiam e acolhem como se você fosse a âncora que irá lhes salvar do naufrágio, é única. A construção desta reportagem me deu a oportunidade de praticar um jornalismo humano que olha para cada pessoa como se ela representasse todo o país. Talvez eu não salve ninguém, mas a história de cada um estará marcada. Quem sabe ela nos faça olhar além da Vila Esperança, mas também para tantas outras comunidades que lutam para não ter o mesmo destino.</p>



<p><em>* Reportagem multimídia apresentada como Trabalho de Conclusão de Curso em Jornalismo da Universidade Federal de Pernambuco &#8211; 2023.1, da aluna Marília Felix de Carvalho. <strong>Produção e reportagem</strong>: Marília Felix de Carvalho // <strong>Orientação</strong>: Yvana Fechine // <strong>Coorientação</strong>: Jadeanny Arruda // <strong>Imagens em vídeo</strong>: Nildo Ferreira e Tião Possidônio // <strong>Montagem dos vídeos:</strong> Beto Farias</em></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><p><em>Se você chegou até aqui, já deve saber que colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa</em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a></strong><em>ou, se preferir, usar nosso</em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em></p><p><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></p></blockquote>
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			</item>
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		<title>As dúvidas e críticas que cercam o parque em Casa Forte anunciado de surpresa por João Campos</title>
		<link>https://marcozero.org/as-duvidas-e-criticas-que-cercam-o-parque-em-casa-forte-anunciado-de-surpresa-por-joao-campos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Apr 2023 17:54:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Casa Forte]]></category>
		<category><![CDATA[Fundaj]]></category>
		<category><![CDATA[João Campos]]></category>
		<category><![CDATA[planejamento urbano]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Foi de supetão: o prefeito João Campos (PSB) postou nas redes sociais &#8211; “em primeira mão” &#8211; que o imenso terreno na avenida Dezessete de Agosto, na altura do número 2000, viraria um parque. Já havia até imagens de projeção da mais nova área verde da zona norte e um nome: Jardim do Poço. Alvo [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Foi de supetão: o prefeito João Campos (PSB) postou nas redes sociais &#8211; <a href="https://www.instagram.com/p/Cq5Lq0Ru3kG/?hl=en" target="_blank" rel="noreferrer noopener">“em primeira mão”</a> &#8211; que o imenso terreno na avenida Dezessete de Agosto, na altura do número 2000, viraria um parque. Já havia até imagens de projeção da mais nova área verde da zona norte e um nome: Jardim do Poço. Alvo de disputas, processos judiciais e protestos há mais de uma década, o imóvel foi desapropriado na terça-feira passada (11) em nome da “utilidade pública”. </p>



<p>No terreno, ainda está o outdoor que anuncia ali a construção de um novo Atacado dos Presentes, um “empreendimento integrado com o bairro e a natureza &#8211; as 82 árvores serão preservadas”. Uma praça ou um parque nunca é demais em uma cidade como o Recife, mas há várias dúvidas sobre o projeto e críticas sobre as prioridades da prefeitura.</p>



<p>Uma pergunta óbvia que ainda não tem resposta é sobre quanto a prefeitura do Recife vai gastar com a desapropriação do local. São na verdade oito terrenos, que, juntos, somam mais de 12 mil metros quadrados, ou 1,2 hectare. Isso na avenida que cruza os bairros mais nobres da zona norte.</p>



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	                                        <p class="m-0">Os terrenos desapropriados pela Prefeitura do Recife que compõem o imóvel. Imagem: Diário Oficial do Recife</p>
	                
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<p>Questionada pela Marco Zero, a prefeitura do Recife não informou quanto estima gastar com a indenização da desapropriação. No Diário Oficial, consta que as despesas decorrentes da desapropriação vão sair da conta da secretaria municipal de Planejamento, Gestão e Transformação Digital. E que os possíveis débitos tributários dos oito imóveis que compõem o terreno serão abatidos do valor da indenização. </p>



<p>De acordo com a prefeitura do Recife, o parque só deverá começar a ser construído no próximo ano. No local, o vigia do terreno, que está lá há dois anos, afirmou que só soube que o terreno não era mais da empresa quando a polícia chegou, na terça-feira (11), com um ofício. A Marco Zero entrou em contato com o Atacado dos Presentes, mas não obteve resposta.</p>



<p>A professora do Laboratório da Paisagem da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Ana Rita Sá Carneiro lembra que o Recife, como um todo, tem poucos parques e de tamanhos diminutos. Ela celebra que a capital vai ter mais um parque, mas não deixa de reconhecer os privilégios dos bairros nobres. “As praças e parques no Recife surgem pela reivindicação dos moradores da área. poi assim como a Praça de Dois Irmãos, por exemplo, que está precisando de atenção. Há praça em frente ao antigo Aeroporto também, entre muitas outras”, diz.</p>



<p>Historicamente, não faz tanto tempo assim que se começou a reivindicar uso público para o terreno da Dezessete de Agosto, que é cercado de edifícios altíssimos. Só foi em 2019 que a vizinhança se uniu para não aceitar a construção do Atacado dos Presentes e, ao mesmo tempo, pedir um parque. Bairros nobres, como o Poço da Panela, têm mais poder de reivindicação. “A cobrança de moradores dessas áreas tem mais peso, disso sabemos. Cadê o parque da Tamarineira, por exemplo? Que é uma reivindicação mais antiga, já perto de Casa Amarela e que já teve até concurso para o que vai ser feito ali, mas segue sem nada”, questiona Ana Rita. </p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

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                <a href="https://marcozero.org/construcao-de-atacado-dos-presentes-e-a-nova-polemica-do-poco-da-panela/" class="titulo">Construção de Atacado dos Presentes é a nova polêmica do Poço da Panela</a>
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                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/territorio/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Território</a>
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<p>Em carta aberta, o <a href="https://www.instagram.com/p/Cq_jlPALWR5/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Instituto dos Arquitetos do Brasil em Pernambuco (IAB-PE) </a>critica as prioridades de investimento da Prefeitura do Recife sob a gestão de João Campos. “Enquanto bairros que concentram moradores de alta renda ganham equipamentos dignos com mobiliários de qualidade, localidades com população mais carente recebem pinturas em escadarias e muros. Essas intervenções figuram muito bem nas redes sociais, mas são literalmente superficiais”, diz um trecho.</p>



<p>O IAB-PE também cobra transparência sobre o processo de desapropriação. “O que mais nos surpreende é a divulgação da desapropriação já com imagens do parque, mas ainda sem diálogo e transparência sobre o processo. Ao decidir e agir dessa maneira, a prefeitura se afasta da sua função de mediar conflitos e distorções sociais. Na verdade, ela passa a amplificá-los. Ora, quais são as prioridades de uma cidade que tem a maioria da sua população vivendo em situação de vulnerabilidade?“</p>



<p>O arquiteto e urbanista Cristiano Borba, doutor em desenvolvimento urbano, lembra que o empreendimento do Atacado dos Presentes já estava com uma série de entraves para a sua construção. A Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), que fica a poucos metros do terreno, pediu em 2020 a ampliação da atual Zona Especial de Preservação do Patrimônio Histórico-Cultural do Poço da Panela (ZEPH nº 5) para incluir o campus Casa Forte da Fundaj e afirmou que a construção do Atacado iria prejudicar o processo tombamento do conjunto arquitetônico. Pouco depois, a Prefeitura do Recife revogou a licença prévia de construção do empreendimento. </p>



<p>Para Cristiano Borba, a desapropriação e a consequente apresentação do projeto foi brusca, deixando mais perguntas que respostas. &#8220;A questão é: por quê esse tipo de investimento? É estranho a prefeitura não negociar com o investidor. Não seria mais barato cobrar contrapartidas do que um investimento da própria prefeitura? Será que um armazém é tão vulgar a ponto de ser impossível conciliar com aquele perfil de vizinhança? Não é que a vida toda ali foi um terreno vazio, era um hospital. Por que de uma hora para outra fazer esse investimento, que não é barato?&#8221;, diz o urbanista, lembrando que há parques e praças próximos, como a praça de Casa Forte, o Jardim Secreto, o Parque Santana e o de Apipucos, que permanece sem uso, de portões sempre fechados. </p>



<p>Em 2019, Borba escreveu um <a href="https://marcozero.org/avenida-dezessete-de-agosto-2069-poco-da-panela-monumento-a-derrota-nossa-de-cada-dia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">artigo sobre a demolição da Casa de Saúde São José</a>, que ocorreu em 2009.</p>



<p>Em nota, a Prefeitura do Recife afirmou que no último ano o procedimento de desapropriação foi realizado “mais de uma dezena de vezes nas mais diversas localidades da cidade como Areias, Campo Grande, Bongi, São José, Beberibe e Santo Amaro, entre outras, para contemplar a construção de diversos equipamentos públicos como unidades educacionais, o Hospital da Criança, as futuras obras de urbanização da Bacia do Pina e do Rio Tejipió, além da instalação de uma casa de acolhimento para pessoas idosas, entre outras obras”.</p>



<p>A prefeitura affirmou também que o Recife conta com mais de 660 áreas verdes, entre praças, parques e refúgios. &#8220;Apenas nos últimos dois anos, a Prefeitura requalificou 90 praças, além de fazer manutenção nos outros espaços, a exemplo da recém-entregue Praça da Infância, na Encruzilhada. A cidade também ganhou equipamentos novos desde 2021, como a segunda etapa do Parque das Graças, e haverá obras para um parque no Pina, que irá beneficiar, sobretudo, moradores das ZEIS Encanta Moça/ Pina, Brasília Teimosa e Ilha do Destino. Importante lembrar que o Programa de Requalificação e Resiliência Urbana em Áreas de Vulnerabilidade Socioambiental (Promorar), também prevê obras de urbanização em 40 diferentes comunidades da cidade do Recife e incluem espaços públicos de lazer como praças”.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/antonio-campos-entra-em-cena-e-mobiliza-moradores-do-poco-da-panela-contra-atacado-dos-presentes/" class="titulo">Antônio Campos entra em cena e mobiliza moradores do Poço da Panela contra Atacado dos Presentes</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/bem-viver/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Bem viver</a>
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<h2 class="wp-block-heading">Quem vai ser &#8220;o dono&#8221; do Jardim do Poço?</h2>



<p>Assim como o vigia do terreno, os moradores do Poço da Panela também foram pegos de surpresa <a href="https://www.instagram.com/p/Cq5IAnKOp4w/?hl=en" target="_blank" rel="noreferrer noopener">pelas imagens do Jardim do Poço</a>. Houve muita comemoração, claro. Era o que queriam há muitos anos: mantém o sossego e a paz do bairro, valorizando ainda mais as propriedades.</p>



<p>Mas o desenho do projeto não agradou a todos. O corte de árvores &#8211; a prefeitura afirmou que vai manter 69% da área natural, enquanto o Atacado dos Presentes dizia que não ia derrubar nenhuma das 82 árvores no terreno &#8211; foi um ponto de discórdia. A falta de pesquisa prévia com os futuros usuários do parque também é criticada por especialistas.</p>



<p>Os moradores, porém, estão confiantes de que o projeto pode mudar para se adaptar aos interesses da vizinhança. Já conseguiram o mais difícil, que era o disputadíssimo terreno. O advogado Elvânio Jatobá, que, lá atrás, deu início, junto com a Ordem dos Advogados do Brasil em Pernambuco (OAB-PE), à Ação Civil Pública por conta da demolição da Casa de Saúde São José, acredita que será possível um diálogo com a prefeitura. </p>



<p>“Era uma burrice o Atacado construir ali. Não pode se jogar um trânsito de 3 mil, 4 mil veículos por dia em um bairro como o Poço da Panela, que não sustenta nem 5 mil veículos. A desapropriação foi uma medida sensata e positiva da prefeitura. O melhor é um parque. Muita gente que andava na praça de Casa Forte não anda mais, tem carro estacionado dos dois lados. Tem que ter uma pista de cooper bem feita, como tem no parque da Macaxeira. Não acho que a prefeitura precisa discutir com ninguém antes para fazer o projeto, mas se deve haver adaptações, discussões. Não tem problema. O importante é que será para a comunidade, para a coletividade&#8221;, afirmou o advogado. </p>



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<p>Em nota, a Prefeitura do Recife afirma que o projeto apresentado “trata-se de uma concepção preliminar e contempla estacionamento, bem como mobiliário e equipamentos voltados para uma tendência urbanística internacional de nome <em>880 Cities</em>, linha que entende que uma cidade cujos espaços públicos sejam pensados para pessoas de 8 a 80 anos é acolhedora para todos”.</p>



<p>Para a professora Ana Rita, os parques e praças funcionam melhor quando tem um pertencimento, a cara do frequentador. Foi assim com a concepção do Parque da Jaqueira e do Parque das Graças Lúcia Moura, que tiveram pesquisas &#8211; ou reivindicações &#8211; para o projeto. Na Jaqueira, havia no projeto inicial a construção de quadras poliesportivas. A população foi contra, pela preservação da área verde. No Lúcia Moura, houve pesquisa anterior para o desenvolvimento dos equipamentos para crianças pequenas. Vive cheio, sendo plenamente utilizado.</p>



<p>Ana Rita conta que, quando estava fazendo uma pesquisa no Parque Santana, ouviu de uma frequentadora que ali era um “parque sem dono”. “Ou seja, significa que é um parque que não tem a cara dos moradores, das pessoas que frequentam. Um parque precisa ter essa identidade com a vizinhança. Como a prefeitura anuncia a desapropriação e no mesmo dia já aparece com imagens do parque? tem que haver uma pesquisa, saber que uso o parque vai ter. Essa imposição padronizada de coisas já estabelecidas, eu acho errado”, afirma a professora.</p>



<p>Como mau exemplo dessa falta de escuta ela aponta o parque de Apipucos. “Ali era uma grande área onde não era para ter sido construídos aqueles prédios. O parque ficou praticamente isolado. Os moradores do Alto Santa Isabel mal frequentam. É um espaço cheio de concreto, que não tem o espírito do lugar porque não teve escuta da comunidade”, diz.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Espaço para a Vila Esperança</h3>



<p>Nos dias após a notícia da desapropriação, a sociedade civil organizada apontou um caminho mais democrático. Não é o parque que a prefeitura e os moradores da área nobre querem, mas também não é o Atacado dos Presentes com tráfego de caminhões e barulho. É a ideia de que a o terreno tenha um uso misto: um parque e moradia popular, atendendo quem viveu por ali a vida toda. </p>



<p>A moradia popular seria destinada para as famílias da Zeis Vila Esperança, que fica a menos de um quilômetro do terreno. As mais de 300 famílias da vila serão removidas por conta da obra da ponte Monteiro-Iputinga. Apenas 75 famílias têm a promessa de receber apartamentos em um local próximo, um terreno de cerca de 3 mil metros quadrados — o equivalente a 25% da área do Jardim do Poço.</p>



<p>“É bem possível conciliar área verde pública com habitação popular para que mais pessoas removidas da Vila Esperança sigam vivendo a 10 minutos de caminhada do local. Para tal, da mesma forma que a Prefeitura já fez acertadamente para o Parque Capibaribe, esse processo deverá passar por um concurso público de arquitetura. Esse é o caminho rumo ao ponto de encontro entre transparência, qualidade urbana e compromisso social”, diz a carta aberta do IAB-PE.</p>



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<p>Juntos, o Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social (Cendhec), o Partido Comunista Brasileiro (PCB), o Centro Popular de Direitos Humanos (CPDH), a CAUS Cooperativa e o Coletivo ZEIS Vila Esperança Resiste foram além. Na defesa da mesma proposta, <a href="https://www.cpdh.org.br/blog/post/ef9c1884-1a8c-465e-ba61-87284462b4ed" target="_blank" rel="noreferrer noopener">fizeram uma projeção de como poderia ser o terreno com uso misto</a> &#8211; e sem construir espigões, como os prédios vizinhos com mais de 30 andares.</p>



<p>Elaborada pela CAUS e pelo CPDH, a proposta conta com edifícios de apenas cinco pavimentos, preservando 8.800m² de área verde &#8211; ou 73%, mais do que os 69% do projeto da prefeitura &#8211; e a grande maioria das árvores. Os prédios teriam um total de 232 unidades de habitação de interesse social, com 55m² cada apartamento. “E isso sem esgotar os parâmetros da lei dos 12 bairros (SRU3), que nortearam esse estudo e ainda permitiriam chegar a oito pavimentos”, diz o documento.</p>



<p>A carta aberta pede o fim do racismo ambiental na região &#8211; a expulsão dos moradores da Vila Esperança e mais um parque para a área nobre &#8211; e defende que a Vila Esparança e o parque não estão em nenhuma competição. “Ao contrário: é perfeitamente possível conciliar habitação de interesse social e áreas verdes de qualidade nesse mesmo terreno e, com isso, minimizar drasticamente o impacto sobre as famílias da Vila Esperança. Assim como seria possível modificar o projeto da ponte e poupar dezenas de casas, como é reivindicado desde o início. Basta que o norte da prefeitura seja a garantia de direitos e não de privilégios.”</p>



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