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	<title>Arquivo de Cultura - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 16 Mar 2026 19:55:57 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivo de Cultura - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>O Agente Secreto tratou o Recife como se fosse Paris</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Mar 2026 19:45:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Avenida Guararapes]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[O Agente Secreto]]></category>
		<category><![CDATA[Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Silvia Macedo* Existe uma ferida específica que as cidades do interior do Brasil &#8211; e Recife, que insiste em ser metrópole e ao mesmo tempo carrega dentro de si toda a intimidade de uma cidade pequena, sabe bem disso &#8211; carregam há décadas. Não é a ferida da pobreza, embora ela exista e doa. [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Silvia Macedo*</strong></p>



<p>Existe uma ferida específica que as cidades do interior do Brasil &#8211; e Recife, que insiste em ser metrópole e ao mesmo tempo carrega dentro de si toda a intimidade de uma cidade pequena, sabe bem disso &#8211; carregam há décadas. Não é a ferida da pobreza, embora ela exista e doa. É outra coisa, mais difícil de nomear: é a ferida de não ser levada a sério. De ter seus ritmos, suas lendas, seu sotaque, sua maneira torta e generosa de estar no mundo tratados como curiosidade folclórica, como exotismo para consumo alheio, nunca como matéria-prima para a arte mais alta. O Recife aprendeu cedo, e a contragosto, que as coisas que importavam &#8211; as coisas que mereciam câmera, atenção, eternidade &#8211; aconteciam em outro lugar.</p>



<p>O cinema pernambucano chegou e desfez esse ensinamento. Não suavemente.</p>



<p>Em <em>O Agente Secreto</em>, Kléber Mendonça Filho não fez uma carta de amor à cidade no sentido piegas da expressão. Fez algo mais violento e mais verdadeiro: tratou o Recife como se fosse Paris. Com a mesma exigência, a mesma seriedade, a mesma convicção de que cada ângulo de uma rua, cada letreiro gasto, cada fachada marcada pela umidade do mar continha dignidade suficiente para a tela grande. O Recife virou um personagem a mais no filme, assim como o seu elenco. E quando uma cidade se vê tratada assim, quando percebe que sua existência cotidiana foi considerada arte, algo se move nela que não é apenas orgulho. É uma espécie de reparação.</p>



<p>O que aconteceu nas ruas depois não foi só entusiasmo. Foi reconhecimento. E reconhecimento, quando ocorre numa cidade que foi sistematicamente ensinada a se diminuir, tem a textura de um abalo sísmico que ninguém vê mas todos sentem.</p>



<p>O sotaque local, vários rostos conhecidos, expressões populares e os espaços onde a vida acontecia &#8211; e ainda acontece &#8211; ocuparam um lugar nas telonas que, para o público mais amplo, cabia apenas a cidades como Paris, Nova York ou Londres. Isso pode parecer uma observação simples. Não é. Há décadas de subalternidade cultural acumulada nessa constatação. Há uma geração inteira de recifenses que cresceu acreditando &#8211; não conscientemente, mas nas fibras mais fundas do que se acredita sem saber que se acredita &#8211; que o lugar onde nasceu era provisório. Que a vida de verdade acontecia em outro eixo geográfico. Que o sotaque era coisa a ser perdida, a frase longa e sinuosa do nordestino, coisa a ser encurtada, a referência à Perna Cabeluda, à La Ursa, ao frevo de bloco, coisas íntimas demais para o espaço público da cultura nacional.</p>



<p>O filme devolveu tudo isso. Não como museu. Como urgência.</p>



<p>Ao ver sua cidade, seus costumes e sua cultura projetados para o mundo, parte do público reagiu com orgulho e entusiasmo, é o orgulho recifense, como se costuma dizer, em linha reta. Mas havia, por baixo desse orgulho em linha reta, algo mais complexo &#8211; uma torção, uma perturbação, como quem encontra numa gaveta antiga uma fotografia de si mesmo que não sabia que existia e precisa parar para reconhecer o próprio rosto. O encantamento dos pernambucanos estava ligado a um sentimento de pertencimento e orgulho.</p>



<p>A crítica internacional identificou no filme uma obra capaz de articular história, tensão e ironia sem perder o contato com a realidade que representa &#8211; e reconheceu nele uma forma própria, insubstituível, de falar sobre violência, repressão e território. O mundo olhando para o Recife e dizendo: isto aqui é universal. Não porque o Recife deixou de ser particular. Ao contrário, porque foi particular o suficiente para se tornar universal. Porque foi fundo o bastante na sua própria especificidade para tocar o que é de todos. Uma produção que atingiu um contingente mais amplo, não os cinéfilos de sempre, mas o motorista de aplicativo, a funcionária dos Correios, o rapaz que vende mingau na avenida Guararapes, que estava de repente torcendo para um filme como quem torce para o Santinha, Sport ou Náutico.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/Silvinha-4-1024x683.jpeg" alt="A foto mostra uma equipe de filmagem trabalhando em uma rua. Em primeiro plano, aparecem dois carros antigos: um Fusca azul e outro carro vermelho com pneus marcados com “Cooper Cobra”. Ao redor deles, várias pessoas da produção estão em ação — um homem agachado ao lado do Fusca, uma mulher de camisa rosa e calça branca, e outro homem com fones de ouvido. Acima, vê-se um microfone de boom captando o som. Mais ao fundo, há equipamentos e membros da equipe sob guarda-sóis azuis, compondo o ambiente típico de bastidores de um set de filmagem." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Abordagem de Kléber Mendonça Filho levou recifenses a redescobrirem o que já conheciam
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Divulgação</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>O público pernambucano passou a torcer pelo filme como quem torce por um time ou por um bloco de Carnaval. A comparação não é retórica. É sociológica. No Recife, a identidade coletiva se forja nas disputas: o bloco contra o outro bloco, o time contra o outro time, a cidade contra o descaso do sul. Quando o filme entrou nessa estrutura afetiva &#8211; quando passou a ser “o nosso” filme, não um filme sobre nós, mas nosso &#8211; ele se tornou veículo de algo que a cidade precisava e não encontrava espaço para expressar. A certeza de que existir aqui é suficiente. Que não é preciso ir embora para ser levado a sério.</p>



<p>E então aconteceu uma coisa estranha e linda: as pessoas começaram a redescobrir o que já conheciam.</p>



<p>Os lugares que serviram como cenário para o longa passaram a ser procurados por turistas e pela própria população local, que tem redescoberto a história da cidade. A avenida Guararapes, o Cinema São Luiz voltaram a ficar nos olhos e na boca do povo. Voltaram &#8211; essa palavra importa. Não chegaram. Voltaram. Como se tivessem estado sempre ali, na periferia do que se vê, esperando que alguém os olhasse com atenção suficiente para que os outros também vissem. Isso é o filme funcionando como espelho, não o espelho liso que reflete o que já sabemos, mas o espelho levemente torto que mostra o que estava ali e não víamos porque era óbvio demais para ser visto.</p>



<p>O Ginásio Pernambucano, fundado em 1825, teve como alunos ilustres Clarice Lispector e Ariano Suassuna. Clarice Lispector, que nasceu na Ucrânia e veio para o Recife quando ainda não tinha dois meses de vida, que aprendeu a ler português nessas ruas antes de partir para o Rio e de lá para a língua &#8211; Clarice, que talvez seja a escritora brasileira que mais visceralmente escreveu sobre o que significa pertencer a um lugar que não se pode explicar. Ela foi aluna do Ginásio Pernambucano. O mesmo Ginásio que Kleber usou como cenário. A cidade que a fez está na cidade que ele filmou. Não é saudade. É continuidade. É a prova de que há uma linha subterrânea que conecta todas as formas de amor por esse lugar específico, e que esse amor, quando encontra expressão pública à altura de sua intensidade, produz nos que o reconhecem uma espécie de tremor.</p>



<p>A socióloga e folclorista Rúbia Lóssio diz que cidade portuária, ponto de passagem de diferentes povos, o Recife absorveu influências judaicas, portuguesas, africanas e indígenas — um caldeirão de efervescência criativa cuja construção social é pautada pela manifestação do fantástico. O fantástico que Kleber trouxe para a tela &#8211; a Perna Cabeluda como alegoria do medo de Estado, a lenda urbana que o jornalismo de 1975 inventou e amplificou até que virasse verdade coletiva &#8211; não é exotismo. É arqueologia. É ir fundo o suficiente numa cidade para encontrar onde sua psicologia coletiva se formou, e mostrá-la sem pudor e sem condescendência.</p>



<p>No Carnaval de 2026, a imagem que ficará não será a do presidente no desfile do Galo da Madrugada, nem o coração de Dom Helder Câmara na escultura da Boa Vista. Será a camisa retrô da Pitombeira, a mesma que Wagner Moura veste no filme, produzida em série, copiada aos milhares, transformada em brinde, vestida por milhares de pessoas na torcida pelo Oscar. Uma camisa de troça carnavalesca fundada em 1947, patrimônio vivo de Pernambuco, virando símbolo de uma disputa global de cinema. Há nisso uma dignidade que nenhum planejamento cultural inventaria: ela surge quando uma cultura que sempre foi rica e nunca foi suficientemente reconhecida finalmente encontra o canal por onde pode transbordar.</p>



<p>Mesmo não recebendo as estatuetas do Oscar, o filme fez história. Os debates urbanos que dele eclodem e os sentimentos de apropriação da cidade talvez sejam conquistas ainda mais duradouras do que qualquer prêmio.</p>



<p>Sim. Porque o que <em>O Agente Secreto</em> fez não se guarda numa prateleira. Guarda-se no gesto do recifense que parou na frente do Cinema São Luiz e o olhou como se o visse pela primeira vez &#8211; sendo que o havia passado por ele 300 vezes sem ver. Guarda-se na criança que foi levada aos passeios pelas locações e perguntou ao pai o que era aquele prédio, e o pai soube responder, e os dois ficaram um pouco em silêncio depois. Guarda-se em tudo o que uma cidade descobre de si mesma quando alguém, finalmente, decide olhá-la com o sério e o terno que ela sempre mereceu.</p>



<p>Há coisas que uma cidade carrega por décadas sem saber que carrega.<em> O Agente Secreto</em> foi a mão que abriu a gaveta.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*</strong>Arquiteta formada na UFPE, mestre em Teoria da Arquitetura e Urbanismo e PhD em Film Studies na Universidade de Reading (Reino Unido). No Brasil, trabalhou como diretora de arte no audiovisual, teatro e televisão. Atualmente vive na Inglaterra, onde finaliza seu documentário UK-Ukrainians — sobre a presença ucraniana no Reino Unido — e investiga as relações entre cinema e cidade em sua pesquisa de pós-doutorado no King&#8217;s College London.</p>
    </div>
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		<title>Carnaval de Olinda em crise, risco para festa e para o patrimônio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Mar 2026 14:34:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[urbanismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Bruno Firmino* Quando vai chegando o fim do carnaval, ouvimos com mais frequência os versos que Lídio Macacão compôs em 1957 para a troça Donzelinhos dos Milagres: “Adeus, carnaval de Olinda/Cidade tradicional”. Além da particularidade de ser um frevo regresso, aquele que as agremiações tocam quando finalizam seus desfiles, o termo “cidade tradicional” também [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Bruno Firmino*</strong></p>



<p>Quando vai chegando o fim do carnaval, ouvimos com mais frequência os versos que Lídio Macacão compôs em 1957 para a troça Donzelinhos dos Milagres: “Adeus, carnaval de Olinda/Cidade tradicional”. Além da particularidade de ser um frevo regresso, aquele que as agremiações tocam quando finalizam seus desfiles, o termo “cidade tradicional” também traz um peso poético, apontando para o cruzamento entre o patrimônio material — arrumamento, igrejas e sobrados, e patrimônio imaterial — e manifestações culturais.</p>



<p>É desse cruzamento que são geradas belas imagens do multicolorido de céu azulado, casarios, telhados, quintais, pessoas, adereços e toda a sorte de elementos que o olho consegue captar ou imaginar. Descendo e subindo as ladeiras fantasiados de euforia e embebidos pelo desejo de festejar, forma-se um mar de gente onde o poeta descansa o olhar, uma paisagem em movimento que alimenta os sonhos em forma de folia.</p>



<p>Porém, todo esse mundo de animação não consegue esconder os sofrimentos a que estão submetidos os patrimônios edificados e as manifestações culturais, que, ultimamente correm risco e ainda não sucumbiram pela teimosia e paixão de quem faz.</p>



<p>Os riscos são negligenciados por uma gestão pública que tem como projeto asfixiar nossa principal vitrine pro mundo, que nos define enquanto povo, que é o carnaval. Afinal de contas, não fazer e não cuidar é uma escolha, portanto é um projeto.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Lixo acumulado nas ruas foi uma constante no carnaval de Olinda. 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Bruno Firmino</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Quem brinca no carnaval olindense há tempos vem acompanhando a degradação devido à ausência de planejamento urbano e gestão urbana. Essas duas escalas do urbanismo são fundamentais para uma boa convivência entre patrimônio edificado, patrimônio imaterial, interesses comerciais, alto fluxo de pessoas e uma festa dinâmica. <a href="https://marcozero.org/previas-de-olinda-planejamento-urbano-para-a-salvaguarda-da-folia-e-do-patrimonio/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Conforme já abordei em texto para esta Marco Zero</a>, a ausência também é sentida no período de prévias.</p>



<p>Na virada entre os anos 90 e 2000 a folia olindense também sofria com uma série de dinâmicas que colocavam em risco suas práticas. Para coibir essas ações foi criada a Lei do Carnaval (Lei Municipal nº 5.306, de 28 de dezembro de 2001) que buscou assegurar a manutenção das manifestações culturais proibindo o uso de som mecânico, seja de agremiações ou em imóveis, casas camarotes e polos não oficiais. A lei assegurava cachês e o protagonismo para as manifestações culturais nos palcos e a criação de uma comissão permanente do carnaval.</p>



<p>Anos depois, mais especificamente a partir da gestão do Professor Lupércio, todo esse esforço foi colocado por água abaixo e sendo minado pela omissão. Hoje, o cenário nas ladeiras é pior do que aquele encontrado na virada do século. Há uma degradação e arruinamento da parte edificada, enquanto que as manifestações culturais sofrem diversos ataques que dificultam a sua atividade em plenitude.</p>



<p>Não é difícil circular e ver casas, estabelecimentos comerciais e comerciantes informais com caixas de som interferindo no percurso das agremiações, seja por abafar as orquestras, seja por gerar pontos de aglomeração como polos informais.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/a-farra-dos-caches-do-carnaval-de-olinda-na-gestao-de-mirella/" class="titulo">A farra dos cachês do Carnaval de Olinda na gestão de Mirella</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/cultura/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Cultura</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>O som mecânico também aparece como problema nos grupos percussivos que fazem uso de paredões de som que funcionam com verdadeiros minitrios elétricos: interrompem o som e o percurso de agremiações tradicionais que fazem uso de orquestras e gerando um nível de vibração fora de contexto que põe em risco o casario. Tudo isso utilizando como passarela principal a prefeitura e com a anuência da atual gestora Mirella Almeida que posa com a roupa de um desses grupos.</p>



<p>A mesma negligência de controle urbano acontece com os imóveis que se disfarçam de <em>day use</em>, mas funcionam como casas camarotes, gerando segregação social, interferindo na rua com o som mecânico dos seus shows, tudo isso capturando o capital simbólico do verdadeiro carnaval e se beneficiando da infraestrutura pública montada para o período.</p>



<p>Convive-se no carnaval de Olinda com o avanço predatório das propagandas que agora ocupam espaços públicos, fachadas dos imóveis, dificultando a leitura do patrimônio por quem está na folia, e pela distribuição desmedida de brindes que no final do dia fortalece o acúmulo de lixo. Há uma batalha pela atenção de quem está nas ruas que transforma o folião em um ativo de alcance, custe o que custar.</p>



<p>A Velha Olinda, que também é reconhecida pela sua produção nas artes plásticas, teve seu legado deixado para trás com uma decoração carnavalesca genérica e que não traz diálogo com a paisagem e o acontecimento da folia, transformando o espaço em mero outdoor. A vista de quem caminha nas ruas era atravessada apenas por publicidade de bets, bebidas ou alimentos ultraprocessados, restando a decoração para um conjunto esteticamente pobre de fitas coloridas, que no final das contas atrapalha as evoluções dos estandartes e bonecos gigantes, ou pelos banners alocados na fachada da prefeitura sem nenhum cuidado compositivo e material. Além da ausência de decoração, somou-se à falta de sinalização adequada de equipamentos, serviços, banheiros e pontos de interesse que facilitariam a locomoção no meio das ladeiras.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/com-prefeitura-omissa-moradores-de-olinda-sofrem-com-desequilibrio-entre-festas-e-preservacao/" class="titulo">Com prefeitura omissa, moradores de Olinda sofrem com desequilíbrio entre festas e preservação</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/bem-viver/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Bem viver</a>
			        </div>
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        </div>

		


<p>Um ponto sensível e que vem chamando bastante atenção nos últimos anos é a insuficiência de banheiros que, para testar o amor do folião que vai brincar nas ruas, ficam durante todo o período do carnaval sem receber limpeza e sem uma sinalização adequada que ajude a encontrá-los. O resultado é uma série de banheiros impróprios para uso e que logo nos primeiros dias são abandonados e utilizados como amparo para que as necessidades fisiológicas sejam feitas nas ruas, promovendo um ambiente insalubre e gerando poças que botam a saúde de visitantes e moradores em risco.</p>



<p>Os dias de festa representam uma oportunidade de renda e trabalho para uma parcela da população. É na intensidade de circulação de pessoas e consumo de produtos que faz com que o carnaval seja convertido em um montante financeiro. No espírito que junta necessidade e vontade, centenas de vendedores informais ocupam as ruas, antes dos dias de folia já estão dormindo nas calçadas ao relento e sem lugar adequado para higienização, muitas vezes famílias inteiras, para garantir o local físico de trabalho ou a segurança das mercadorias.</p>



<p>Parte desses trabalhadores pagam uma taxa à Prefeitura para receber autorização de comercialização e treinamentos, que não se refletem na realidade. São chamados pelos gestores municipais de “empreendedores”: uma tentativa neoliberal de escamotear a verdadeira face de população vulnerabilizada que é esquecida à própria sorte e que serve apenas como soleira para a empresa de bebida patrocinadora fazer lucro, afinal de contas, são os únicos que saem realmente ganhando.</p>



<p>Além da situação degradante que são jogados, não há qualquer tipo de ordenamento ou de estudo prévio de localização para os ambulantes, promovendo riscos para quem está trabalhando ou brincando. A falta de ordenamento também cria atritos com moradores, que para resguardar seus espaços e cientes do desamparo da Prefeitura no controle urbano, cercam suas calçadas como pequenos camarotes que espremem mais as já estreitas ruas e põem em risco quem está passando pelo tipo de estrutura utilizada.</p>



<p>Os catadores, trabalhadores que também são fundamentais, mais uma vez enfrentaram situações degradantes sem a distribuição de equipamentos de proteção individual, espaço para descanso ou pernoite e pontos de apoio para hidratação, banheiro ou chuveiro. Como de costume, foram invisibilizados enquanto indivíduos, mas o trabalho fruto dos seus esforços foi utilizado pela prefeita nas redes sociais para enaltecer a enorme quantia recolhida de latas de alumínio.</p>



<p>Na entrevista coletiva do balanço de carnaval, a gestão atual trouxe números de redução de circulação de veículos graças ao adesivo chipado, similar àqueles utilizados em acesso livre de pedágios, que reconhecem de imediato os veículos.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:40% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="576" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-26-at-11.35.31-576x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-74742 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-26-at-11.35.31-576x1024.jpeg 576w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-26-at-11.35.31-169x300.jpeg 169w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-26-at-11.35.31-768x1365.jpeg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-26-at-11.35.31-864x1536.jpeg 864w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-26-at-11.35.31-150x267.jpeg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-26-at-11.35.31.jpeg 900w" sizes="(max-width: 576px) 100vw, 576px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Só que a realidade foi outra, em todos os dias e horários foi comum ver carros e motos cortando as ruas, com ou sem adesivo, interrompendo o fluxo das agremiações e colocando as pessoas em risco. Vários desses carros e motos estavam transportando produtos para abastecer o comércio de bebidas, trazendo um risco adicional pelo somatório de excesso de peso e ladeiras escorregadias.</p>



<p></p>
</div></div>



<p>Também foram vistos vários veículos estacionados nos corredores e folia. Importante observar que não eram de moradores que costumeiramente retiram os seus dias antes da festa e levam para fora do Sítio Histórico, estes veículos estavam sendo utilizados por comerciantes e visitantes que sem o menor pudor circulavam e estacionavam de maneira livre. Alguns estavam adesivados, demonstrando que a burocracia e a tecnologia computacional também precisam vencer a tecnologia social de quem quer burlar. Também virou uma cena comum, principalmente à noite, motos de aplicativos circulando livremente pela área que deveria ser restrita.</p>



<p>A ausência da zeladoria também ficou latente: buracos, bueiros sem tampas ou entupidos, fossas transbordando, postes provocando choques, fiações caídas, ruas escuras; foram cenas cotidianas para quem vivenciou as ladeiras de olindenses. A crise da coleta de lixo que já vinha se arrastando encontrou seu ponto alto nos dias de festa, formando montanhas de lixo que se acumulavam de um dia para outro. O cenário se agravou com a junção da lama de urina que escorria pelo calçamento e bueiros entupidos, transformando o desfile carnavalesco em corrida de obstáculos para testar o apego à nossa cultura de quem saiu de casa.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O carnaval como chave para conservação do Patrimônio</h2>



<p>Apesar do cenário desolador do carnaval olindense, há caminhos que podem reverter a situação. Para que isso ocorra é necessário investimento contínuo em corpo técnico capacitado, educação patrimonial e escuta permanente. A Lei do Carnaval, por exemplo, institui a necessidade de instalação de uma Comissão Permanente do Carnaval que serviria como um grupo que permitiria o diálogo constante entre população, fazedores de cultura e gestores públicos.</p>



<p>A partir de boas práticas urbanas implementadas em outras cidades e a vivência acumulada entre folião e carnavalesco, é possível apontar alguns caminhos preliminares que podem trazer novos cenários para a folia olindense.</p>



<p>A primeira delas pede um planejamento que crie um plano de ocupação, levando em contas as necessidades de algumas atividades e os espaços que carregam potenciais de resolução.</p>



<p>Um bom começo seria levar parte das atividades para a borda do Sítio Histórico, instalando palcos na parte próxima à beira mar, a exemplo da Praça do Fortim, Praça do Jacaré e Praia dos Milagres. O primeiro foi um polo nos início dos anos 2000, enquanto o segundo era um tradicional palanque nos anos 70 e 80. Com essa medida, diminuiria presença ostensiva de público nas ladeiras, dinamizaria outras áreas e permitiria que os espaços atuais utilizados para palcos fossem voltados para alamedas de serviço, com comercialização de comidas e bebidas.</p>



<p>Por exemplo, seria possível transformar a Praça do Carmo em um espaço para essa finalidade. Além de outros espaços menores, com a Laura Nigro, Largo de São Bento e Praça João Alfredo. Todos esses espaços também poderiam servir como pontos de hidratação. Esse ano havia dois pontos de hidratação e que estavam sempre com extensas filas, demonstrando a necessidade da solução.</p>



<p>Levar os palcos para as bordas do Sítio Histórico também contribuiria para retomar o circuito carnavalesco da avenida Sigismundo Gonçalves, induzindo a passagem das agremiações com um palco-passarela, e com isso interromper a passagem de veículos na avenida, que mesmo no carnaval possuía um tráfego intenso. Enquanto que o controle de veículos dentro do perímetro do Sítio Histórico poderia ser induzido com horários de carga e descarga definidos e um maior controle para obtenção da licença de livre acesso.</p>



<p>A medida de transformar alguns espaços em alameda de serviços poderia ser complementada com a alocação de trabalhadores informais nas ruas transversais, liberando espaços nas ruas que servem com passarelas naturais do carnaval. Esses trabalhadores poderiam ter sua presença reduzida em número e escolhida por sorteio, para que recebessem um aporte de infraestrutura para que migrassem dos isopores para espaços maiores que trariam mais rentabilidade, além de priorizar a mão-de-obra do entorno a partir de um cadastro prévio, mantendo a circulação de renda concentrada mais na população local. Assim como é preciso dotar esses trabalhadores com treinamentos de boas práticas e instalar fábricas de insumos como gelo, garantindo a segurança sanitária de quem consome.</p>



<p>Outra medida diz respeito ao uso do som mecânico. É preciso atualizar a Lei do Carnaval incorporando a portabilidade que a tecnologia trouxe e as novas práticas, como os grupos percussivos que desfilam nas ladeiras. Limitando o uso de som mecânico, puxado ou não por veículo motorizado. Vetar som em quintais ou limitá-los a um padrão de decibéis que não atrapalhe as manifestações nas ruas ou que acumule pessoas como pólos alternativos e dificulte a passagem das agremiações. Soluções que são muito simples e pedem mais a presença de agentes de controle urbano na rua do que grandes medidas.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
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            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Em pleno carnaval, veículos disputavam espaço com agremiações e foliões
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Xirumba Amorim/Cortesia</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Parte da questão do som mecânico com os grupos percussivos também é passível de resolução, levando-os para desfilar na Avenida Sigismundo Gonçalves ou criando um novo circuito na beira-mar, incrementando o movimento nos estabelecimentos dessa área e mantendo as manifestações tradicionais que funcionam de maneira acústica salvaguardadas.</p>



<p>Dentro desse plano de ocupação os banheiros seriam instalados em partes das áreas atuais, nas bordas das alamedas de serviço e em quintais alugados. Além da limpeza periódica para garantir um uso adequado, viabilizar o aluguel de quintais e evitar riscos sanitários — medidas óbvias e básicas — há a possibilidade de banheiros em cabines onde os dejetos são bombeados para a rede de saneamento básico, tornando-se uma solução mais adequada ecologicamente do que os banheiros químicos e fazendo uso da infraestrutura já presente no local para que os resíduos sejam tratados da maneira correta. Essa solução já é utilizada em diversos festivais de músicas em capitais brasileiras. A área externa dos banheiros também poderia ser utilizada para exploração publicitária, ajudando a mitigar os custos da iniciativa.</p>



<p>É preciso desenvolver um plano de zeladoria urbana que integre Compesa, Neoenergia e a secretaria de infraestrutura para vistorias e manutenção complementar por equipes de plantão para que urgência fossem sanadas, evitando riscos de choques, entupimento sanitário e de pontos de acúmulo de lama e pequenos alagamentos. Dentro dessas iniciativas, estaria um protocolo de limpeza urbana com lavagem das ruas e calçadas nas madrugadas com escovação e coleta seletiva com os demais materiais descartáveis, garantindo uma destinação adequada e ainda com a possibilidade de gerar renda para cooperativas de catadores.</p>



<p>Escolas poderiam servir como área de acolhimento temporário para catadores de materiais recicláveis ou para realização de atividades recreativas e de creche com os filhos desses trabalhadores, garantindo um ambiente seguro para essa população tão especial. Outros equipamentos como o Mercado Eufrásio Barbosa e o Clube Atlântico serviriam também como alameda de serviços, centro de venda de adereços e fantasias, centro de atendimentos para secretarias públicas ou praças de alimentação. Mantendo um uso ativo nos dias de folias e servindo de suporte para a população.</p>



<p>E para servir de ponte entre essas diversas iniciativas, a decoração traria o diálogo entre o estético e o funcional, combinando arte com um sistema informacional que indicaria os espaços e onde estariam alocados serviços (banheiros, pontos de carros de aplicativo, centro de atendimento ao folião, alameda de serviços, etc), facilitando a navegação no meio da folia. É importante retomar o caráter artístico de Olinda, incorporando a produção de seus artistas na decoração com elementos que trazem um brilho de beleza, sem que comprometa a evolução de um estandarte ou a dança de um boneco gigante.</p>



<p>Finda a festa, parte desse material poderia ganhar nova vida, transformando lonas dos banners em bolsas e utensílios, garantindo circularidade para o material, renda e trabalho para a mesma população que costura a beleza das fantasias do carnaval. Do mesmo modo que alguns equipamentos poderiam ser reutilizados em outras situações, como já aconteceu com o Pavilhão Louisiana Hamlet em Nairobi (Quênia) que, depois das funções artísticas, se converteu em espaço escolar. Ou o material da expografia da 34º Bienal de Arquitetura de São Paulo que, passada a exposição, foi reutilizado com cobertura de quadra na Ocupação 9 de Julho do Movimento Sem Teto do Centro.</p>



<p>Todo o caminho trilhado nesse texto só foi possível por um cruzamento de vivências entre a prática profissional e a prática foliã, a prática foliã e a prática de fazedor de cultura e a prática de fazedor de cultura e a profissional. Esses caminhos tornam-se encruzilhada na leitura do fenômeno carnavalesco numa cidade histórica, uma paisagem patrimonial e cultural que muito nos ensina.</p>



<p>Mesmo assim, as ideias são passíveis de questionamentos e aprimoramentos, principalmente porque todo o arcabouço de soluções precisam estar embasadas no diálogo constante entre todos os atores envolvidos. Arriscaria dizer que os atributos das soluções dialogariam diretamente com Ítalo Calvino e suas seis propostas de arte para o novo milênio (leveza, rapidez, exatidão, visibilidade, e multiplicidade). Essas categorias literárias oferecem lentes analíticas potentes para interpretar dinâmicas urbanas, transformando a cidade, uma das mais belas e complexas invenções humanas, em um texto vivo cujas estruturas e fluxos revelam toda a riqueza que só os dias de folias podem transvestir, ignorando toda a aspereza do dia a dia.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*Bruno Firmino</strong> é arquiteto e urbanista, mestre e doutorando. É pesquisador e professor universitário, diretor do Instituto de Arquitetos do Brasil e do Clube Carnavalesco Misto Elefante de Olinda.</p>
    </div>
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		<title>Pás e Vassourinhas explicam como frevo nasceu do suor dos trabalhadores</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Feb 2026 20:13:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[carnaval de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[Clube das Pás]]></category>
		<category><![CDATA[frevo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A história de dois dos clubes carnavalescos mais antigos do Brasil, o Clube das Pás e o Vassourinhas, ajudam a entender como o ritmo que é a marca registrada do carnaval pernambucano foi criado por trabalhadores negros de bairros da periferia do Recife. Criadas no final do século XIX como associações que representavam categorias profissionais, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A história de dois dos clubes carnavalescos mais antigos do Brasil, o Clube das Pás e o Vassourinhas, ajudam a entender como o ritmo que é a marca registrada do carnaval pernambucano foi criado por trabalhadores negros de bairros da periferia do Recife. Criadas no final do século XIX como associações que representavam categorias profissionais, as duas agremiações seguem varrendo o tempo como guardiãs da cultura popular.</p>



<p>Mais conhecido por seus bailes notunos e pela tradicional gafieira em seu salão de dança no coração de Campo Grande, bairro da zona norte do Recife, o Clube das Pás é bem mais do que um espaço para dançar. O que muitos recifenses talvez não saibam é que ele é o clube carnavalesco mais antigo em atividade na capital pernambucana, que desfila desde 1988 como clube pedestre nos desfiles oficiais organizados pelo poder público.</p>



<p>Fundado em 19 de março de 1888, uma segunda-feira de carnaval, antes mesmo da abolição da escravatura no Brasil, o clube nasceu após um grupo de carvoeiros, trabalhadores que faziam carregamento de carvão, abastecerem um navio durante um período de greve de portuários e escravos de ganho &#8211; pessoas escravizadas que trabalhavam nas ruas fazendo diferentes serviços ou vendendo mercadorias, obrigados a dar parte dos seus rendimentos aos “senhores”.<br><br>Os trabalhadores fizeram o serviço e foram comemorar, com suas pás nas costas, o salário recebido no Clube dos Caiadores, no bairro de São José. Com alguns trocados no bolso e em pleno carnaval, eles tinham motivos para festejar, tanto que decidiram criar o Clube Carnavalesco Misto das Pás.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:44% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="533" height="799" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/55087217389_25e8aee7d0_c.jpg" alt="" class="wp-image-74620 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/55087217389_25e8aee7d0_c.jpg 533w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/55087217389_25e8aee7d0_c-200x300.jpg 200w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/55087217389_25e8aee7d0_c-150x225.jpg 150w" sizes="(max-width: 533px) 100vw, 533px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>“O clube passa, em todos os momentos históricos e políticos do Brasil, 1888, 19 de março, em 13 de maio, a libertação dos escravos. Depois vem a república, o estado novo, a ditadura militar em 64, vem a redemocratização e em todos os momentos, o Clube das Pás participa efetivamente aqui no estado de Pernambuco”, conta Álvaro Melo, diretor de promoções e eventos do Clube das Pás, que é apaixonado pelo clube desde quando o conheceu, há 30 anos. </p>
</div></div>



<p></p>



<p>Hoje, o clube continua desfilando e ganhando prêmios com suas apresentações no grupo especial do Recife. Todos os preparativos acontecem na sede da agremiação, em um espaço acima do famoso salão de dança, com uma equipe de dez pessoas que começa a se preparar até seis meses antes do carnaval. Lá são confeccionadas roupas e adereços.</p>



<p>Os carros alegóricos também são construídos pela própria equipe do Clube das Pás, que, este ano, desfilará no domingo à noite, na passarela da avenida Dantas Barreto concorrendo com outros cinco clubes de frevo &#8211; Reizado Imperial, Amante das Flores, Guaiamum na Vara, Girassol da Boa Vista e o já mencionado Vassourinhas.</p>



<p>Carnavalesca e administradora do barracão, Gislaine Cordeiro, está na função há dois anos e é a pessoa que comanda o espaço e comanda o desenho dos desfiles. “É muita luta, a gente corre muito, a gente tem aquela dinâmica de chegar cedo pra terminar cedo, o mais breve possível. Mas sabe onde é que a gente sente alegria? Quando bota na avenida, até as apresentações pela prefeitura são gratificantes, você se sente feliz é uma emoção, porque você sabe que aquele trabalho saiu de todo um conjunto de pessoal”, conta.</p>



<p>Já quem cuida dos figurinos é Hilário da Silva, carnavalesco responsável pela parte de criação e confecção dos figurinos e adereços, também participa de todos os processos. Na função há 11 anos, ele conta que existe um processo do tema ao protótipo para chegar na confecção e que todos eles são feitos com muita dedicação. “Eu amo, adoro fazer carnaval. Quando eu começo, dedico minha vida, porque se você não se dedicar de corpo e alma, a coisa não sai. Então, quando a gente gosta de carnaval, a gente tem o sangue na veia mesmo, a gente já está pensando no próximo trabalho”, diz.</p>



<p>Mas o clube não é feito apenas por essa equipe, existem centenas de pessoas envolvidas para que as apresentações aconteçam, são entre 250 e 300 pessoas que vão para a avenida em dia de desfiles.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/Pas-2-300x171.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/Pas-2-1024x582.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/Pas-2-1024x582.jpeg" alt="A cena mostra um desfile carnavalesco cheio de cores e detalhes. No centro, há um grande estandarte ornamentado com franjas douradas e símbolos de pás cruzadas, trazendo inscrições que remetem a um clube fundado em 1888. Ao redor do estandarte, pessoas vestem fantasias elaboradas, em tons vivos de amarelo, com enfeites de estrelas e flores nas cabeças. Ao fundo, espectadores assistem sentados diante de uma parede multicolorida." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Clube das Pás e Vassourinhas desfilam na avenida Dantas Barreto, no domingo de Carnaval.
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Acervo Clube das Pás</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">“O frevo não é uma brincadeira inocente”</h2>



<p>Um ano depois do surgimento do Clube das Pás, em 1889, um outro grupo de trabalhadores decidiu criar o Vassourinhas, tão importante para a história do frevo por ter como o hino a Marcha nº 1.<br><br>Entre as várias versões que existem sobre o surgimento do grupo, a que mais apresenta evidências históricas, segundo o diretor Thomás Ricardo, conta que um grupo de amigos se reuniu após o trabalho, próximo à Igreja de Nossa Senhora do Carmo, no bairro de São José, na festa do Dia de Reis, em 6 de janeiro, a primeira depois da abolicão.<br><br>“O Clube Vassourinhas vai surgir justamente no final do século XIX, início do século XX num contexto pós-abolição, num contexto de proclamação da república, onde os populares vão cada vez mais, apesar ainda de muitas restrições impostas, mas esses dois condicionantes, esse contexto vai favorecer para que o clube surja, assim como outras agremiações também vão surgir”, conta Thomás.</p>



<p>Diferente do Clube das Pás, todos os trabalhadores não necessariamente eram varredores de rua, apesar de também existirem em bom número no grupo. Thomás afirma que eles exerciam diferentes funções, mas como era uma tendência da época nomear um clube carnavalesco com o nome de algum instrumento de trabalho ou então com o nome de alguma categoria profissional, assim o fizeram.</p>



<p>“É muito importante a gente sempre reverenciar e destacar que o frevo, ele não é uma brincadeira inocente. O surgimento desse clube não vai ser uma brincadeira pura e simplesmente inocente, não”, reforça Thomás. “As elites não queriam que os populares tivessem direito de acesso às ruas, só que os populares não vão aceitar, assim como também os fundadores do Vassourinhas, eles vão cada vez mais conquistando as ruas, cada vez mais conquistando adeptos, até se transformar no grande clube carnavalesco que vai surgir e que vai justamente conquistar o Brasil”, continua.</p>



<p>Durante o século XX, o clube consolidou sua força. Em 1909, Joana Batista e Matias da Rocha, ambos negros e vindos das periferias do Recife, compuseram o hino que se tornaria quase um sinônimo de frevo, a Marcha nº1.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>Clique <a href="https://www.youtube.com/watch?v=fRPS-Ud-DpU" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui para escutar uma gravação de 1945</a> ou <a href="https://www.youtube.com/watch?v=5pLhkCBo1fY" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui para a versão antológica que levanta multidões</a> já nos primeiros acordes.</p>
        </div>
    </div>



<p>Nos anos 1950, em uma viagem ao Rio de Janeiro para se apresentar oficialmente, a excursão que reuniu aproximadamente 60 músicos da banda da Polícia Militar de Pernambuco, além de fantasias e estandartes, fez uma escala em Salvador que transformou o percurso em um momento histórico.</p>



<p>Segundo Thomás Ricardo, “a cidade de Salvador realmente enlouqueceu com aquela apresentação. Eles nunca tinham visto o frevo, nunca tinham visto um carnaval sendo feito daquela forma”. A multidão se reuniu para assistir ao espetáculo, e o impacto foi tão grande que alguns músicos se machucaram em meio à aglomeração. Para garantir a segurança, surgiu a ideia de colocar os músicos sobre um carro, como solução improvisada que inspiraria Dodô e Osmar na criação do trio elétrico.</p>



<p>Esse detalhe mostra como o Vassourinhas não apenas consolidou o frevo como expressão pernambucana, mas também influenciou diretamente o carnaval baiano. “O Clube Vassourinhas realmente possui uma história muito bonita, que se confunde com a história do Carnaval do Brasil”, resume Tomás, reforçando o papel da agremiação como ponte entre tradições regionais e como catalisadora de novas formas de festa popular.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Próximo objetivo é retomar as ruas</strong></h3>



<p>Hoje, assim como o Clube das Pás, o Vassourinhas de Recife desfila no Grupo Especial do Concurso de Agremiações do Carnaval do Recife, mas o desejo da diretoria é retomar os desfiles de rua que, outrora, foram a marca desses clubes.</p>



<p>Historicamente, os clubes centenários realizavam arrastões pelas ruas da cidade, mas com o tempo, ao migrarem para sedes próprias nas periferias do Recife, ficaram mais restritos a bailes e concursos oficiais. Ele defende que essa prática precisa ser retomada: “eu acho que é muito importante que as agremiações do Recife tenham (seus arrastões). Não só o Vassourinhas, mas eu queria que os Lenhadores, o Clube das Pás também tivessem seus arrastões, porque se a gente for ver nos jornais antigos, essas agremiações faziam arrastão.”</p>



<p>Tomás cita exemplos de Olinda, onde os Lenhadores e o Vassourinhas mantêm seus arrastões, e reforça que o Vassourinhas do Recife, o original, fundado em 1889, deveria seguir essa tradição. Para ele, os arrastões são uma forma de devolver os clubes às ruas, aproximando-os dos foliões e reafirmando sua identidade popular.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/55078594301_fa543fb2fc_c.jpg" alt="A imagem mostra Thomás Ricardo, um homem em pé, de braços cruzados, diante de dois estandartes festivos e ornamentados. Ele veste uma camiseta amarela com desenhos que combinam com os símbolos dos estandartes, indicando ligação com o grupo representado. Os estandartes são ricamente decorados em cores vivas como dourado, azul e vermelho, trazendo inscrições que mencionam “Vassourinhas” e “Recife”, além de figuras e emblemas. O conjunto transmite orgulho cultural e celebração de tradições locais." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading"><strong>Agremiações pedestres que contam a história de um tempo</strong></h3>



<p>Luiz Vinícius Maciel, historiador e coordenador de memória do Paço do Frevo, conta a importância da existência desses clubes até hoje. São agremiações pedestres que contam a história de um tempo e que permanecem resistindo aos desafios enfrentados ao longo dos anos.</p>



<p>“Essa trajetória longa que esses clubes têm, que diante de muitos desafios continua existindo até hoje, é valiosa não só para um lugar de salvaguarda e cuidado com a tradição do que é o frevo, de muitos elementos que vêm do passado, de recontar essas histórias, de transmitir essas histórias, esses saberes de como geriam a agremiação e como é que a manifestação acontece na rua, da dança, da música”, aponta o historiador.</p>



<p>Maciel também aponta a importância desses clubes para as comunidades que estão inseridas até hoje. “São agremiações que nasceram no centro do Recife, mas que por mil motivos, ao longo da história da cidade, foram se espalhando para as periferias. Você tem o Clube das Pás está em Campo Grande, o Vassourinhas está em Afogados, os Lenhadores estão na Mustardinha. E são espaços que muitas vezes vai ter o brega do fim de semana, vai ter a festa da terceira idade, vai ter o velório de alguém, tem situações, às vezes, da escola quebrou o ar-condicionado, a turma vai ter aula no clube. Então, são espaços importantes também para aquelas comunidades de troca social, de sociabilidade, até hoje, em 2026”, reflete.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/pas-e-vassourinhas-explicam-como-frevo-nasceu-do-suor-dos-trabalhadores/">Pás e Vassourinhas explicam como frevo nasceu do suor dos trabalhadores</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>O regresso das multidões do Elefante de Olinda</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Feb 2026 20:06:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval de Olinda]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Era domingo de Carnaval, há mais de dez anos, quando o minguado — porém, ainda vivo — Elefante de Olinda passou pouco aclamado pelo povo e sem nenhum ardor pela avenida Joaquim Nabuco, no Varadouro. Com quase nenhum esplendor, mas ainda exaltando suas tradições, a agremiação desfilava ao som de apenas dois clarins, uma faixa [&#8230;]</p>
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<p>Era domingo de Carnaval, há mais de dez anos, quando o minguado — porém, ainda vivo — Elefante de Olinda passou pouco aclamado pelo povo e sem nenhum ardor pela avenida Joaquim Nabuco, no Varadouro. Com quase nenhum esplendor, mas ainda exaltando suas tradições, a agremiação desfilava ao som de apenas dois clarins, uma faixa de tecido desgastado, uma orquestra de dez músicos, um pequeno grupo de foliões e desfilantes com fantasias velhas. Com no máximo 25 pessoas, aquele era o retrato do declínio do clube carnavalesco fundado em 1952 que, por muito tempo, arrastou multidões e cujo hino se confunde com o hino do Carnaval de Olinda.</p>



<p>Alguns anos depois dessa cena, o gigante acordou e, no Carnaval de 2026, e se prepara para, mais uma vez, arrastar uma multidão de 30 mil desfilando seu recorde: seis alas de fantasias, abre-alas, faixa, dois porta-estandartes, duas companhias de dança, vários clarins e duas orquestras. Nesta quinta-feira, 12 de fevereiro, o clube comemora 74 anos com uma nova diretoria que atuou para revibrar corações de amor a sonhar, numa Olinda sem igual. Atualmente o Elefante realiza quatro desfiles carnavalescos: o Trote, o Baile Encarnado, o Elefantinho e o desfile oficial, sempre aos domingos.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-12-at-16.18.50-2-1024x682.jpeg" alt="Essa imagem mostra uma celebração noturna de rua, provavelmente ligada ao carnaval ou a um festival cultural. No centro, há um grande estandarte bordado com a inscrição “Elefante de Olinda”, destacando os anos 1952 e 2023, em referência aos 71 anos desse grupo tradicional. O estandarte é colorido e ornamentado com desenhos de sol, palmeiras e paisagem. Abaixo dele, uma multidão de pessoas festeja com braços erguidos, enquanto confetes ou espuma caem sobre elas. As ruas estão enfeitadas com fitas coloridas e iluminadas, criando um ambiente alegre e vibrante de comemoração coletiva." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Elefante de Olinda desfila a frente de 30 mil pessoas no Carnaval de Olinda. Crédito: Hugo Muniz
</p>
	                
                                            <span>Crédito Hugo Muniz</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“Estávamos na calçada, na casa da minha sogra, quando, de repente, vi a faixa ‘Elefante de Olinda’. Eu gritei &#8216;minha gente, corre, é o Elefante de Olinda&#8217;. E sai desfilando com meu companheiro, Anax Botelho”. Quem revive essa história em detalhes é Juliana Serretti, 36 anos, que hoje compõe a diretoria do clube.</p>



<p>“Como pode a gente passar o Carnaval todo cantando o hino do Elefante, que virou até um grande clichê, e a agremiação estar desse jeito? Precisamos fazer alguma coisa”, pensou Juliana. Foi quando ela e Anax — cujos pais se conheceram e se apaixonaram durante um desfile do Elefante — começaram a buscar quem estava à frente da agremiação.</p>



<p>“Aí conhecemos seu João, já falecido e um dos homenageados do Elefante no Carnaval 2026. Ele foi, por muitos anos, presidente e carregou o clube nas costas. É graças à teimosia de seu João que ainda estamos aqui”, relembra ela. O Elefante, mesmo à míngua, nunca deixou de desfilar um só Carnaval. “Depois começamos a chamar várias pessoas que sabíamos que têm amor pela folia e algum vínculo com o Elefante, sempre frisando para seu João que a gente não queria cachê nem tomar o poder dele. Nosso desejo era realmente levantar o clube”, detalha.</p>



<p>Uma dessas pessoas é Rafael Antônio, 36 anos, neto de Élcio, um dos fundadores da agremiação, e que hoje também faz parte da diretoria e é porta-estandarte. “Minha família sempre alugou casa em Olinda no Carnaval e, quando eu era pequeno e vinha uma troça muito grande, as pessoas lá de casa colocavam as crianças e as cadeiras para dentro. O Elefante, quando chegou uma vez, minha avó, ainda viva, ficou muito triste porque, na época, o clube passou já muito pequeno. Não passou gigante como era antes, quando as fantasias, inclusive, eram feitas na casa dela”, recorda ele, dizendo que, depois disso, nunca mais viu a agremiação passar novamente.</p>



<p>Rafael também relembra o motivo do nome “Elefante”: “Antigamente, havia as festas que o pessoal chamava de assustado. As pessoas entravam na casa dos outros, que ofereciam comes e bebes. Num desses assustados, Chuquinha, um dos fundadores, pegou um pequeno elefante de biscuit em cima da geladeira e guardou no bolso. A turma comeu, bebeu e foi embora. Quando chegaram nos Quatro Cantos de Olinda, Chuquinha colocou o elefantinho na cabeça e começou a dançar”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-12-at-16.18.50-1024x643.jpeg" alt="Essa imagem mostra uma festa popular realizada à noite em uma rua cheia de pessoas. A multidão veste roupas festivas, muitas em vermelho, e duas bandeiras grandes e ornamentadas se destacam no centro. Uma delas traz o nome “Cariri” com bordados em azul e dourado; a outra celebra os 70 anos do grupo “Elefante de Olinda”, com bordados coloridos e a figura de um elefante sob o sol. Acima da rua, há fitas verdes e amarelas penduradas, e também um letreiro em forma de coração com a palavra “Paz”. O clima é alegre, vibrante e transmite a energia de uma celebração cultural tradicional brasileira." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Elefante e Cariri juntos no Carnaval de Olinda. Crédito: Hugo Muniz
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Hugo Muniz</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>E as cores? “O Elefante usa vermelho e branco porque, no seu primeiro desfile, o grupo jogava no Bonfim Futebol Clube, em que meu tio era goleiro. As cores do time eram vermelho e branco e o pessoal saiu para desfilar vestindo as camisas do Bonfim”.</p>



<p>A reportagem também perguntou sobre a rivalidade com a Pitombeira dos Quatro Cantos, que já foi motivo de muita violência com brigas e facadas, mas hoje tornou-se mais um motivo de brincadeira. A dupla da diretoria conta, rindo, a origem dessa rivalidade. Num desfile, há muitas décadas, uma pessoa levou uma plaquinha escrita “A Pitombeira não morreu, está doente”, porque, naquele ano, a troça não saiu no Carnaval. No ano seguinte, ela também não desfilou e essa mesma pessoa exibiu a plaquinha “A Pitombeira morreu, aqui jaz”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Juliana e Rafael, da diretoria do Elefante. Crédito: Arnaldo Sete/MZ</p>
	                
                                    </figcaption>
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<h2 class="wp-block-heading">O financiamento do regresso</h2>



<p>Rafael comenta que o ressurgimento do Elefante de Olinda manteve uma outra tradição: a de ser composto por amigos-foliões. O ano era 2017 quando o grupo conquistou totalmente a confiança de seu João e ele passou a diretoria para a nova geração.</p>



<p>“E aí o nosso grande orgulho foi quando as pessoas começaram a dizer novamente ‘recolhe que o Elefante vem aí’&#8221;, comemoram, explicando, em seguida, que as coisas não aconteceram de uma hora para outra. Foi através da venda de produtos como camisa, boné, bolsa e, este ano, meias (que esgotaram rapidamente) que a diretoria foi conseguindo mais verba, além do <a href="https://marcozero.org/a-farra-dos-caches-do-carnaval-de-olinda-na-gestao-de-mirella/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">cachê pequeno</a> pago pela Prefeitura de Olinda, este ano de apenas R$ 48 mil para três exibições.</p>



<p>Mesmo com pouca verba pública, o Elefante mantém o baile como um evento gratuito, em que só se toca frevo e nada além disso. O clube conta com um patrocínio de R$ 10 mil da Pitú e não aceita dinheiro das bets, apesar de algumas empresas já terem oferecido. O desfile do domingo de Carnaval, o maior de todos, não sai por menos de R$ 60 mil.</p>



<p>Quem também chegou junto com força nessa história foi o maestro Oséas Leão, da Furiosa: “Ele também é responsável por esse renascimento. Ter a orquestra de Oséas no Elefante foi uma grande conquista, no nosso primeiro Trote. Mas isso porque ele topou cobrar um cachê que conseguíamos pagar”, afirma Juliana.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-12-at-16.18.50-1-1024x682.jpeg" alt="Essa imagem mostra uma celebração de rua à noite, cheia de cores e detalhes festivos. No centro, há uma pessoa vestida com uma fantasia elaborada de elefante: cabeça grande com presas, coroa e roupas bordadas com pedras e enfeites brilhantes. Ao lado dela, aparece um estandarte ricamente decorado com bordados coloridos e franjas, trazendo a inscrição “Elefante de Olinda – 70 anos – 1952 2022”, além da figura de um elefante dourado sob o sol, cercado por palmeiras. Ao fundo, outras pessoas em trajes festivos participam da comemoração, reforçando o clima alegre e cultural de um carnaval ou festa tradicional brasileira." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Um dos estandartes do clube com o Elefante símbolo da agremiação. Crédito: Hugo Muniz
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Hugo Muniz</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading">O hino &#8220;Regresso do Elefante&#8221;</h3>



<p>Ao longo das décadas em que o Elefante esteve adormecido, muito da sua história se perdeu. Uma dessas perdas foi a partitura do hino <a href="https://www.youtube.com/watch?v=klKix-hvcCk" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Regresso do Elefante</a>, que era (e agora voltou a ser) tocado quando a orquestra recolhe, ao final dos desfiles. Tradicionalmente a agremiação encerra com esse frevo e inicia com o frevo <a href="https://www.youtube.com/watch?v=E5XuKm_PKhk" target="_blank" rel="noreferrer noopener">A chave de tudo é o segredo</a>. Isso faz parte da mística do Elefante, é quando Oséas faz, com as mãos, um sinal de que está girando uma chave.</p>



<p>“Mas ninguém sabia nem como era esse frevo, nunca tínhamos ouvido. Sabíamos apenas uns trechos da letra graças à Newtinho, do bloco Dez de Xarque e uma Latinha. Por sorte, Célio Gouveia, também da diretoria do Elefante, encontrou um vinil super antigo, num sebo, e lá estava o Regresso do Elefante&#8221;, conta Juliana. O grupo entregou o vinil à Lúcio, maestro da Orquestra Henrique Dias, que conseguiu refazer a partitura.</p>



<p>“Às vezes, estou varrendo a sala de casa quando ouço as orquestras, no Clube Vassourinhas, perto da minha casa, ensaiando e tocando novamente o Regresso do Elefante. É quando penso ‘ele está vivo’, compartilha.</p>



<p>Essa é uma das várias histórias sobre o ressurgimento do clube presentes no documentário recém-lançado Elefante Encarnado, de Juliana Beltrão, um filme da memória viva do Elefante e do amor de um povo que transforma tradição em alegria e resistência.</p>



<p>“A gente está no Elefante, mas a gente passa. O Elefante fica. O elefante veio antes, estamos aqui durante e ele vai continuar depois. Então o Elefante não é nosso, não é de ninguém, mas é de todo mundo junto”, declara Juliana ao final da entrevista.</p>



<p>Uma coisa é certa: mesmo nos anos mais difíceis, quem algum dia brincou o Carnaval nas ladeiras de Olinda cantou o hino do Elefante, talvez a música mais tocada da folia em Pernambuco e que se tornou quase um hino não oficial tanto da festa quanto da própria cidade.</p>



<p>Cliquei abaixo para escutar com arranjo e regência do maestro Duda.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="ratio ratio-16x9"><iframe title="Maestro Duda e Sua Orquestra - Elefante de Olinda" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/Bl_2eRGpsdQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
</div></figure>



<p><br><br></p>
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		<title>Frevo pede passagem em carta sobre baterias de samba no Carnaval de Olinda</title>
		<link>https://marcozero.org/frevo-pede-passagem-em-carta-sobre-baterias-de-samba-no-carnaval-de-olinda/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Feb 2026 19:01:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[frevo]]></category>
		<category><![CDATA[Mirella Almeida]]></category>
		<category><![CDATA[Olinda]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Após diversos episódios de baterias de samba com som amplificado tomando o lugar do anfitrião e grande responsável pela tradição do Carnaval de Olinda — o frevo —, a associação que representa as agremiações do mais pernambucano dos ritmos resolveu ir a público pedir passagem (literalmente). Além de disputar espaço com as orquestras, algumas baterias [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Após diversos episódios de baterias de samba com som amplificado tomando o lugar do anfitrião e grande responsável pela tradição do Carnaval de Olinda — o frevo —, a associação que representa as agremiações do mais pernambucano dos ritmos resolveu ir a público pedir passagem (literalmente). Além de disputar espaço com as orquestras, algumas baterias contam com mais verba da Prefeitura de Olinda do que as agremiações (veja, mais abaixo, alguns cachês).</p>



<p>Um ponto sobre a festa, no entanto, é unânime e une frevo, samba e foliões: o caos de se fazer qualquer desfile no Sítio Histórico de Olinda por causa da falta de ordenamento urbano por parte da prefeitura da cidade. Sobram depoimentos e imagens de bateria e orquestra se cruzando nas ladeiras e ruas estreitas. Mas também não faltam provas de que ambas precisam, a todo tempo, driblar ambulantes, carros de mão, veículos estacionados, motos e até caminhões.</p>





<p>Nesta terça-feira, 10 de fevereiro, a Associação das Agremiações de Frevo de Olinda (Afrevo) publicou uma carta aberta sobre as baterias de samba. “A crescente presença de baterias de samba com paredões de som de alta potência, além de descaracterizar o ambiente sonoro do Carnaval olindense, interfere diretamente no desfile das agremiações tradicionais”, diz trecho do texto.</p>



<p>A Afrevo, em defesa do ritmo, argumenta que “a crescente presença de baterias de samba com paredões de som de alta potência, além de descaracterizar o ambiente sonoro do Carnaval olindense, interfere diretamente no desfile das agremiações tradicionais. Atropela os pulmões acústicos dos músicos das orquestras, bloqueia cortejos históricos de forma inadvertida, ameaça o patrimônio material em razão da potência sonora e agride o mais aclamado patrimônio carnavalesco de Pernambuco: o frevo”.</p>



<p>“Não se trata de disputa entre culturas, mas de adequação ao território cultural e à legislação de proteção do patrimônio material e imaterial, especialmente quanto à utilização de sistemas amplificados de som. Todo mundo é bem-vindo em Olinda, desde que respeite os modos de fazer do anfitrião responsável por tornar esse Carnaval conhecido no mundo”, expõe a associação. </p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Confira, na íntegra, a nota a Afrevo</span>

		<p>O Carnaval de Olinda é uma das mais importantes expressões da identidade cultural brasileira, enquanto sua principal trilha sonora, o frevo, é patrimônio imaterial da humanidade reconhecido pela Unesco. Um bem cultural dessa magnitude exige responsabilidade coletiva de preservação.</p>
<p>O frevo arrasta multidões nas ruas estreitas da cidade, nascido e criado com uma formação musical própria para execução acústica, sem a necessidade de amplificação mecânica. As orquestras desfilam há mais de um século em harmonia com os modos de vida do Sítio Histórico de Olinda.</p>
<p>A crescente presença de baterias de samba com paredões de som de alta potência, além de descaracterizar o ambiente sonoro do Carnaval olindense, interfere diretamente no desfile das agremiações tradicionais. Atropela os pulmões acústicos dos músicos das orquestras, bloqueia cortejos históricos de forma inadvertida, ameaça o patrimônio material em razão da potência sonora e agride o mais aclamado patrimônio carnavalesco de Pernambuco: o frevo.</p>
<p>Não se trata de disputa entre culturas, mas de adequação ao território cultural e à legislação de proteção do patrimônio material e imaterial, especialmente quanto à utilização de sistemas amplificados de som. Todo mundo é bem-vindo em Olinda, desde que respeite os modos de fazer do anfitrião responsável por tornar esse Carnaval conhecido no mundo.</p>
<p>Na nossa terra, junto com o frevo, convivem amorosamente maracatus de baque virado, maracatus rurais, caboclinhos, papangus, caretas e tantas outras manifestações da cultura popular, inclusive o samba quando celebrado harmonicamente com nossas tradições.</p>
<p>O frevo é código-fonte do Carnaval pernambucano. É algo que nos torna únicos no planeta. Nossa impressão digital.</p>
<p>A maestria do frevo no ciclo momesco é generosa e multicultural, mas também é bravia e vigilante nas trincheiras da resistência clássica do povo pernambucano.</p>
<p>A fala do Maestro Oséas sobre a dificuldade frente às baterias de samba amplificadas é um alerta necessário. Proteger o frevo não é conservadorismo pueril. É compromisso com a memória, com a cidade e com o futuro do nosso Carnaval.</p>
<p>Da madeira que o cupim foge do cheiro, é feito o frevo. Eterno!</p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Os cachês das baterias de samba</strong></h2>



<p>Na esteira das críticas à invasão das baterias, a<strong> MZ</strong> levantou, no Portal da Transparência de Olinda, os cachês dos cinco grupos que mais receberam verba da gestão Mirella Almeida (PSD) na festa de 2025: Auê (R$ 60 mil, por três apresentações), Cabulosa (R$ R$ 66 mil por três apresentações), D’breck (40 mil, por duas apresentações), Fábrica de Samba (R$ 70 mil por quatro apresentações) e Patusco (R$ 60 mil, por três apresentações).</p>



<p>Alguns dos valores estão acima do que receberam algumas das mais tradicionais agremiações de frevo da cidade para realizarem várias saídas carnavalescas no ano passado: Elefante de Olinda (R$ 42 mil), Ceroula (R$ 54 mil), Cariri (R$ 40 mil), Boi da Macuca (R$ 27 mil), John Travolta (R$ 40 mil), Vassourinhas (R$ 43 mil), Menino da Tarde (R$ 12 mil) e Flor da Lira (R$ 12 mil).</p>



<p>A <strong>Marco Zero</strong> mostrou, em reportagem publicada nesta segunda-feira, 9 de fevereiro, que muitos cantores e bandas de pequeno porte sem qualquer histórico na cena cultural de Pernambuco receberam cachês bem mais altos que agremiações tradicionais. Leia <a href="https://marcozero.org/a-farra-dos-caches-do-carnaval-de-olinda-na-gestao-de-mirella/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a>. Vários desses pagamentos também são mais altos do que o das baterias de samba.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Prefeitura de Olinda publica decreto</h3>



<p>De 2001, a chamada Lei do Carnaval de Olinda (5309/2001) regulamenta a questão do som, impedindo sons potentes em pontos fixos que não sejam os polos oficiais. São permitidas freviocas e trios desde que haja autorização. A lei, porém, não versa especificamente sobre as baterias de samba, uma vez que, naquela época, essa não era uma problemática.</p>



<p>Após diálogo com o frevo e o samba, a prefeitura publicou, na tarde desta quarta-feira, 11 de fevereiro,  em seu site, um <a href="https://www.olinda.pe.gov.br/prefeitura-de-olinda-regulamenta-uso-de-equipamentos-de-som-no-carnaval-2026/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">decreto temporário (008/2026)</a>, válido para este ano, que regulamenta a utilização de equipamentos móveis de sonorização durante o Carnaval. Entre as medidas, estão: &#8220;as passarelas naturais terão prioridade para a circulação contínua de foliões e, especialmente, das agremiações tradicionais, como blocos de frevo, maracatus e afoxés. Fica proibido o uso de equipamentos sonoros que impeçam ou dificultem a evolução dessas manifestações, bem como qualquer obstrução física ou sonora que comprometa o caráter tradicional da festa.</p>



<p>A utilização de equipamentos móveis de sonorização dependerá de autorização prévia e expressa da Prefeitura. As agremiações interessadas deverão protocolar requerimento com antecedência mínima de 24 horas antes do início do período carnavalesco, apresentando documentação completa, descrição técnica do equipamento, roteiro e cronograma do desfile, além de termo de responsabilidade. A autorização poderá ser suspensa ou cassada a qualquer momento em caso de descumprimento das normas estabelecidas.</p>



<p>O descumprimento das regras poderá resultar na apreensão imediata do equipamento, aplicação de multa inicial de R$ 10 mil, além da perda de incentivos financeiros municipais e responsabilização administrativa, cível ou criminal&#8221;.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Samba reclama da falta de ordenamento urbano</strong></h4>



<p>Em entrevista à <strong>Marco Zero</strong>, o representante da Associação do Samba de Olinda, Deco Guimarães, do Patusco, fundado há 64 anos, disse temer que o acirramento termine em episódios de violência, uma vez que, segundo ele, alguns grupos de samba vêm recebendo ameaças na internet. “São pessoas dizendo que vão quebrar os carros e se juntar para atrapalhar os desfiles”, reporta.</p>



<p>“A questão não é o samba, é o som. Realmente houve um crescimento de baterias, dos blocos de samba e todas utilizam seu som. Mas isso tomou uma proporção tão grande e desnecessária que está se tornando até perigosa para a gente o samba”, comentou, dizendo que agora tudo virou culpa do samba. Na avaliação de Deco, a questão, que se tornou uma “perseguição”, “vai ter que ser resolvida de todo jeito”, mas as mudanças agora “só serão possíveis para o Carnaval 2027”, uma vez que a abertura da folia já é nesta quinta-feira, 12 de fevereiro, e, há anos, o assunto vem sendo debatido sem surtir qualquer transformação.</p>



<p>Na avaliação do presidente da associação, não há desrespeito ao frevo, e, sim, dificuldade em conciliar todos os ritmos por falta de organização. “O que acontece é que, às vezes, a rua está muito congestionada de ambulantes, carros sem adesivo, carros de serviço, em pleno horário da folia. O problema mais é estrutural”. A sugestão de Deco é também que a prefeitura criasse “corredores da folia”, nos principais pontos de desfile, como Largo do Guadalupe, Ribeira, Ladeira da Prefeitura e Quatro Cantos.</p>



<p>Deco frisa que a associação tem interesse em chegar a um “denominador comum que seja bom para todo mundo”. Deco disse que não vê problema em desfilar na parte baixa de Olinda ou em um polo dedicado ao samba, desde que haja estrutura para isso. </p>



<p>Sobre os cachês pagos pela gestão Mirella, o presidente defende que as agremiações de frevo, sobretudo as mais tradicionais e que arrastam mais foliões, precisam receber mais verba municipal.</p>



<p>A bateria Cabulosa anunciou, nesta terça-feira, 10 de fevereiro, que já este ano não desfilará mais pelas ladeiras. O grupo realizará seu desfile na parte baixa da cidade, na Av Sisnundo Gonçalves, em frente ao Colégio São Bento, com concentração na Praça do Jacaré.</p>



<p>“Diante das últimas notícias, entrevistas e informações que vêm gerando debates entre baterias, foliões, admiradores do frevo, blocos e orquestras, a Bateria Cabulosa optou, de forma consciente e responsável, por evitar embates e transtornos, realizando seu primeiro desfile em um espaço que também é belíssimo, simbólico e plenamente adequado para o Carnaval de Olinda”, diz a nota. Confira <a href="https://www.instagram.com/bateriacabulosa/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a> a íntegra.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/frevo-pede-passagem-em-carta-sobre-baterias-de-samba-no-carnaval-de-olinda/">Frevo pede passagem em carta sobre baterias de samba no Carnaval de Olinda</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Empresários apagam vídeos das bandas da &#8220;farra dos cachês&#8221; no Carnaval de Olinda</title>
		<link>https://marcozero.org/empresarios-apagam-videos-das-bandas-da-farra-dos-caches-de-olinda/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Feb 2026 18:45:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[a farra dos cachês]]></category>
		<category><![CDATA[cachês do carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval de Olinda]]></category>
		<category><![CDATA[Prefeitura de Olinda]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vídeos que comprovam a realização dos shows das bandas e dos cantores de pouca expressão que receberam cachês de valores elevados no Carnaval de Olinda em 2025 já não estão disponíveis no YouTube. As peças começaram a ser retiradas do ar no início da tarde desta segunda-feira, 9 de fevereiro, horas após a reportagem sobre [&#8230;]</p>
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<p>Vídeos que comprovam a realização dos shows das bandas e dos cantores de pouca expressão que receberam <a href="https://marcozero.org/a-farra-dos-caches-do-carnaval-de-olinda-na-gestao-de-mirella/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">cachês de valores elevados no Carnaval de Olinda em 2025</a> já não estão disponíveis no YouTube. As peças começaram a ser retiradas do ar no início da tarde desta segunda-feira, 9 de fevereiro, horas após a reportagem sobre a farra dos cachês, publicada pela <strong>Marco Zero</strong>. A <strong>MZ</strong>, no entanto, baixou e salvou a maioria dos filmes e fez um compilado dos &#8220;melhores momentos&#8221;. Confira:</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Compilado shows (Reportagem Farra dos Cachês)" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/IlYsLYhzT8U?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p><br><br>Os primeiros vídeos a serem retirados foram do cantor Maurinho e banda, que tinha as imagens de suas apresentações postadas na página da empresa M. Lira Produções. Maurinho recebeu R$ 120 mil em cachê por três shows em Rio Doce. Dois deles foram em festas promovidas por blocos e outro no polo oficial da prefeitura. Para efeitos de comparação, a tradicional Pitombeira dos Quatro Cantos recebeu R$ 123 mil por vários desfiles ao longo de todo o ano de 2025.</p>



<p>A M. Lira pertence ao empresário Marcos Pinheiro de Lira Júnior. De acordo com o site <a href="https://tomeconta.tcepe.tc.br/fornecedor/?cpfCnpj=13444210000110&amp;nomeFornecedor=M%20LIRA%20PRODUCOES%20LTDA&amp;tipoCredorPessoa=2" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Tome Conta</a>, do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE), a produtora forneceu camisetas para um festival de teatro patrocinado pela prefeitura em 2012, mas só voltou a prestar serviços para o poder público em Pernambuco em 2024. A empresa participou de 17 licitações em Pernambuco, gerando em seu favor 24 empenhos municipais das prefeituras de Goiana, Gravatá, Jucati e Olinda, além de outros quatro empenhos emitidos pelo Governo do Estado.</p>



<p>Em 2025, a prefeitura de Olinda emitiu 11 empenhos em favor desse CNPJ, dos quais nove foram efetivamente pagos, todos direcionados para fazer pagamentos a atrações do Carnaval: Rabo da Gata, Pegada Prime e o já mencionado Maurinho.</p>



<p>À noite, foram retirados os vídeos da banda Arreda e Dance, que tocou cinco vezes no último Carnaval, a um cachê de R$ 50 mil para cada apresentação, totalizando R$ 250 mil pagos com verba pública. Todos os shows tinham comprovação publicada no Youtube. Em contato com o produtor da banda, a reportagem questionou quanto seria o cachê para uma suposta festa particular. Recebeu como resposta a informação que seria entre R$ 5 mil e R$ 6 mil.</p>



<p>De acordo com o <a href="https://tomeconta.tcepe.tc.br/fornecedor/?cpfCnpj=36486990000167&amp;nomeFornecedor=BRENO%20NASCIMENTO%20DE%20ANDRADE%20PRODUCOES&amp;tipoCredorPessoa=2">site do TCE</a>, a produtora da Arreda e Dance, a AO Produções, foi beneficiária de 25 empenhos de duas prefeituras, todos no ano de 2025. Desse total, 14 empenhos são da prefeitura de Goiana e 11, de Olinda. Entre os empenhos de Olinda, cinco foram pagos e seis deles acabaram sendo anulados e substituídos em seguida pelos outros que foram efetivamente pagos, tendo como objetivo o pagamento das bandas Amarula e Forrozão Arreda e Dance.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/a-farra-dos-caches-do-carnaval-de-olinda-na-gestao-de-mirella/" class="titulo">A farra dos cachês do Carnaval de Olinda na gestão de Mirella</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/cultura/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Cultura</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading">&#8220;Não tenho nada a ver com Mirella e Lupércio&#8221;</h2>



<p>A AO Produções, junto com outras três empresas cujas bandas foram beneficiadas por contratos com cachês no valor em torno de R$ 50 mil por apresentação, dividem o mesmo endereço, o número 1000 da rua Maria Luiza da Silva, em Igarassu, Região Metropolitana do Recife.</p>



<p>De acordo com o empresário Anderson Oliveira, pai do responsável jurídico pela produtora, o jovem Breno Nascimento de Andrade, as bandas Amarula e Arreda e Dance apenas cumpriram aquilo que dizia o edital da prefeitura. Segundo ele, seu maior desconforto com a publicação da reportagem &#8220;foi ver meu nome como se eu estivesse metido com Mirella e Lupércio, pois eu nem gosto desses dois, não tenho nada a ver com essa mulher e esse homem. Politicamente para mim é péssimo vocês terem me colocado junto com esses dois&#8221;. Anderson diz ser comunista, do PCdoB, há 25 anos.</p>



<p>Segundo o empresário, sua empresa ainda tem dinheiro a receber da prefeitura de Olinda. Realmente, de acordo com o Tome Conta, um empenho de R$ 50 mil relativo a um show da banda Amarula aparece como liquidado, mas com o pagamento ainda em aberto. Questionado diretamente pela <strong>MZ</strong> se teve de dividir o valor dos cachês com algum vereador ou gestor municipal de Olinda, ele negou: &#8220;não trabalho com isso, não&#8221;.</p>



<h3 class="wp-block-heading">&#8220;Trabalhismo e profissionalismo&#8221;</h3>



<p>A única artista citada na reportagem que entrou em contato com a <strong>Marco Zero</strong> foi a cantora Natália Rosa. Agenciada pela MSC Promoções, ela tem 24,5 mil seguidores em seu perfil de Instagram. Segundo o portal da transparência da Prefeitura de Olinda e o <a href="https://tomeconta.tcepe.tc.br/fornecedor/?cpfCnpj=47534968000161&amp;nomeFornecedor=MSC%20PROMOCOES%20LTDA&amp;tipoCredorPessoa=2">portal do TCE</a>, ela fez dois shows no Carnaval 2025 com cachês de R$ 70 mil cada, recebendo, portanto, R$ 140 mil da gestão. As apresentações foram nos blocos Rainha e Urso do Pote de Ouro.</p>



<p>De acordo com sua assessoria de imprensa, “o cachê atualmente praticado pela artista Natalia Rosa é fruto de um processo contínuo de construção de carreira, pautado pelo trabalho, profissionalismo e investimento em divulgação e posicionamento artístico”.</p>



<p>Com presença em programas de televisão em Pernambuco e na Paraíba, “além de citações e matérias publicadas na Folha de Pernambuco”, ela teria – sempre de acordo com a assessoria -, conquistado um “histórico de visibilidade, aliado ao crescimento do público e à consolidação de sua atuação no mercado musical, compõe critérios objetivos e legítimos para a definição de cachê, conforme as práticas adotadas no setor cultural”.</p>
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		<title>Dia do Frevo: o ritmo que surgiu na folia do povo negro do Recife e faz Pernambuco ferver</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Feb 2026 12:59:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[carnaval 2026]]></category>
		<category><![CDATA[carnaval de Pernambuco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Embriaga, entra na cabeça, toma o corpo e acaba no pé e é um dos maiores orgulhos dos pernambucanos. Comemorado no dia 9 de fevereiro, o frevo, mais que um ritmo ou uma dança, é uma expressão cultural que remete à luta política e social desde o século XIX. A data foi escolhida por causa [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Embriaga, entra na cabeça, toma o corpo e acaba no pé e é um dos maiores orgulhos dos pernambucanos. Comemorado no dia 9 de fevereiro, o frevo, mais que um ritmo ou uma dança, é uma expressão cultural que remete à luta política e social desde o século XIX. A data foi escolhida por causa do primeiro registro na imprensa, assinado pelo jornalista Oswaldo Oliveira no Jornal Pequeno, em 1907, encontrado nos anos 1990 pelo historiador e pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, Evandro Rabelo.</p>



<p>O historiador e coordenador de Memória do Paço do Frevo, Luiz Vinícius Maciel, explicou como ocorreu essa descoberta e a importância da relação entre o frevo e a imprensa para o reconhecimento dessa identidade cultural.<br><br>“Em 9 de fevereiro de 1907, o Clube Empalhadores do Feitosa, lá entre os bairros do Hipódromo e Encruzilhada, anunciava seu repertório &#8216;vamos apresentar a marcha tal, a marcha tal, e uma delas se chamava o Frevo&#8217;. Então, provavelmente, não era o frevo &#8211; como expressão cultural -, era uma marcha chamada O Frevo. Esse foi, durante muito tempo, o registro mais antigo que a gente tinha sobre o frevo, de algum documento histórico”, conta o historiador.</p>



<p>Após essa descoberta, o frevo passou a ter um dia só pra ele instituído em Pernambuco. O que não se imaginava naquele momento é que, em 2015, outro pesquisador, Luiz Santos, funcionário do Paço do Frevo, encontraria mais um registro enquanto realizava sua pesquisa em jornais digitalizados na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. A notícia havia sido publicada no Diário de Pernambuco e era ainda mais antiga.</p>



<p>“Ele buscou por &#8216;frevo&#8217; e encontrou uma data anterior. Era a troça Tome Farofa, em 11 de janeiro de 1906, anunciando seu repertório também e lá tinha a mesma marcha: O Frevo. Então essa canção da época, essa marcha, O Frevo que o Empalhadores do Feitosa apresentou em 1907, o Tome Farofa também saiu com ela no ano anterior”, conta.</p>



<p>Apesar disso, a data continua com essa primeira descoberta. Ela marca um tempo, mas é uma manifestação que já estava envolvendo os recifenses. Maciel analisa que “se chegou no jornal, é porque já está na rua há muito tempo. As pessoas já falavam sobre isso há muito tempo, provavelmente. O trânsito entre a boca das pessoas na rua, a oralidade, e isso até virar notícia de jornal tem um percurso”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Luiz Maciel acredita que o frevo existia nas ruas antes de chegar aos jornais
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Da boca do povo aos jornais</strong></h2>



<p>O frevo surge entre o final do século XIX e o início do século XX, em um momento em que o Brasil e o Recife viviam um contexto de industrialização e reforma do porto, com a chegada de muito mais navios cargueiros. Maciel relembra que foi nesse momento também foi o de pós-abolição, em que parte da população negra começou a migrar, inclusive, para grandes centros comerciais, como o Recife, vindo de locais de produção agrícola, dos canaviais ao redor da cidade.</p>



<p>“A cidade que está com a população nova, se encontrando e produzindo culturalmente, vai ter um trânsito cultural de expressões vindo de fora, mas também de expressões culturais aqui de Pernambuco. E é nesse contexto que o frevo começa a aparecer, sobretudo nos bairros centrais do Recife. Isso é muito importante destacar. São José é, vamos dizer assim, o coração pulsante e originário do frevo, por ser um bairro muito comercial e também muito residencial, com uma concentração de população trabalhadora”, pontua.</p>



<p>E foi assim que o Frevo se popularizou entre os trabalhadores e caiu na boca do povo e da imprensa local. Na época, o Recife tinha vários jornais, como o Jornal Pequeno, a Província, Correio da Manhã, Diário da Noite, Diário do Pernambuco, o mais antigo deles. Responsáveis por informar a população e, sobretudo, difundir o carnaval.</p>



<p>Maciel lembra de uma figura importante para essa difusão, o jornalista Oswaldo Almeida. Um homem negro, formado na faculdade de Direito que, pela sua trajetória de vida e os locais que começou a acessar, usava o pseudônimo de Pierrot para fazer as vezes de interlocutor entre esse carnaval popular, que acontecia em bairros distantes ou em localidades mais empobrecidas, com a grande imprensa.</p>



<p>“E ele foi uma figura super importante pra dizer onde vai ter o ensaio, qual é o repertório. Muitas vezes as agremiações se organizavam para mandar a lista dos componentes e a data do ensaio, mandando pra ele na redação. A publicação nos jornais era um momento também de autorreconhecimento, de autoestima para essas populações”, destaca.</p>



<p>Além dos jornais tradicionais daquele tempo, muitas agremiações tinham seus próprios jornaizinhos. “O Vassourinhas editava ‘A vassoura’. Os espanadores editavam ‘O espanador’. Os caiadores editavam ‘O caiador’. Eram pequenos jornais efêmeros de quatro folhas distribuídos às vezes na rua, falavam do repertório do ano, faziam piada, crítica social, falavam mal do abastecimento de água, falavam mal da limpeza pública urbana”, diz o historiador.</p>



<p>Esse espaço da imprensa se torna, então, também um espaço para a população incidir politica e socialmente. O coordenador de Memória do Paço do Frevo também destaca que isso ocorria, muitas vezes, através dos diretores e presidentes das agremiações que eram, em sua maioria, homens negros formados no Liceu de Artes e Ofícios, ou exerciam outras profissões como operários de gráfica, de tipografia, onde aprendiam a ler e escrever. </p>



<p>E assim, o Frevo que é reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), e como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura(UNESCO), segue até hoje na boca do povo e no coração dos foliões. </p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">História preservada</span>

		<p>Quem tem interesse em conhecer a história do Frevo de perto, pode ir até o Paço do Frevo, espaço mantido pela Prefeitura do Recife, na Praça do Arsenal, no Recife Antigo, que salvaguarda e perpetua o legado do ritmo com exposições permanentes e temporárias, escolas de dança e música, além de um centro de documentação, um estúdio de gravação e uma rádio online. As atividades do Paço acontecem o ano todo e os ingressos custam R$ 10, inteira, e R$ 5, meia entrada, nas terças-feiras a entrada é gratuita.</p>
	</div>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/frevo.jpg" alt="Foto de um palco durante uma apresentação musical ao vivo. Ao centro, uma passista de frevo em pleno salto no ar, com fantasia verde brilhante e grande adorno de cabeça, pernas abertas e braços erguidos. Ao fundo, uma banda com vários músicos tocando instrumentos de sopro diante de estantes de partitura. À direita, um cantor idoso usa boné azul e segura o microfone enquanto se inclina para o público. Luzes fortes iluminam a cena e um painel colorido com a inscrição “Pátio de São Pedro” aparece ao fundo." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">A história do frevo é a história do povo negro e trabalhador do Recife
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
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<p></p>
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		<item>
		<title>A farra dos cachês do Carnaval de Olinda na gestão de Mirella</title>
		<link>https://marcozero.org/a-farra-dos-caches-do-carnaval-de-olinda-na-gestao-de-mirella/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Feb 2026 09:33:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[a farra dos cachês]]></category>
		<category><![CDATA[cachês no carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval de Olinda]]></category>
		<category><![CDATA[Prefeitura de Olinda]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Enquanto dez das mais tradicionais agremiações de frevo de Olinda receberam, juntas (e com atraso), menos de R$ 500 mil em cachês no Carnaval do ano passado, a prefeitura de Mirella Almeida (PSD) empenhou quase R$ 3 milhões para aproximadamente 30 artistas e bandas de pequeno porte sem qualquer histórico na cena cultural do Estado. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Enquanto dez das mais tradicionais agremiações de frevo de Olinda receberam, juntas <a href="https://marcozero.org/agremiacoes-de-frevo-temem-mais-um-carnaval-de-atrasos-apos-mirella-vetar-prazo-para-caches/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">(e com atraso)</a>, menos de R$ 500 mil em cachês no Carnaval do ano passado, a prefeitura de Mirella Almeida (PSD) empenhou quase R$ 3 milhões para aproximadamente 30 artistas e bandas de pequeno porte sem qualquer histórico na cena cultural do Estado.</p>



<p>A <strong>Marco Zero</strong> analisou, no portal da transparência do município e na ferramenta Tome Conta, do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE), os 407 contratos artísticos da festa de 2025 e encontrou um padrão: diversas contratações desse tipo por cachês bastante altos. Em sua maioria, no valor de R$ 50 mil — mas até de R$ 70 mil — para apresentações em polos descentralizados e blocos da periferia, vários ligados a políticos locais, incluindo o vereador Felipe Nascimento (PSD), marido de Mirella, e o ex-prefeito Lupércio Nascimento (PSD), tio de Felipe.</p>



<p>Além disso, a reportagem encontrou, ao longo da apuração, relações de parentesco entre os sócios de algumas das produtoras que mais receberam pagamento no Carnaval e que agenciaram esse tipo de show. Sendo que quatro dessas empresas estão cadastradas num mesmo endereço, uma rua sem asfalto em Igarassu, na Região Metropolitana do Recife (confira detalhes ao longo deste texto).</p>



<p>São grupos como o <a href="https://www.instagram.com/arredaedanceofc/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Forró Arreda e Dance</a>, que tocou cinco vezes no último Carnaval, a um cachê de R$ 50 mil, totalizando R$ 250 mil pagos com verba pública. Todos os shows têm comprovação publicada no Youtube. A <strong>MZ</strong> conseguiu o contato do produtor da banda e telefonou para saber quanto seria o cachê para uma suposta festa particular. A resposta: entre R$ 5 mil e R$ 6 mil.</p>



<p><em><strong>Após a publicação da reportagem, diversos vídeos foram apagados do Youtube.</strong></em></p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/image-1-1024x574.png" alt="A imagem mostra uma tela escura com um ícone circular contendo um ponto de exclamação. No centro, aparece uma mensagem em português informando que o vídeo não está disponível porque foi removido pelo próprio usuário que o havia publicado." class="" loading="lazy" >
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                                            <span>Crédito: Reprodução</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<figure class="wp-block-embed aligncenter is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://www.youtube.com/watch?v=iSL6KFLedDU&#038;t=105s
</div></figure>



<p>Outra questão que chamou a atenção no levantamento da <strong>MZ</strong> é que, em sua maioria, os termos de autorização das contratações da folia de 2025 foram assinados pela secretária de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Tecnologia, Gabriela Campelo, à frente da pasta de Cultura na segunda gestão Lupércio (2021-2024). O orçamento da secretaria, no entanto, sequer menciona a palavra “Carnaval”, conforme pode ser verificado nas páginas 134 e 135 da<a href="https://www.olinda.pe.leg.br/institucional/projeto-de-lei/projetos-de-lei-2024/pl-69-2024-autor-poder-executivo-loa.pdf"> lei orçamentária de 2025</a>. Todo o orçamento da festa, pouco mais de R$ 13,6 milhões, está concentrado na Secretaria de Patrimônio, Cultura e Turismo.</p>



<p>As apresentações do Forró Arreda e Dance aconteceram no Polo Tabajara e em quatro blocos da periferia, todos bancados com verba pública pela atual gestão. Dois desses blocos estão ligados ao vereador Felipe Nascimento, com apoio cultural de Lupércio. Um desses dois blocos é o <a href="https://www.youtube.com/watch?v=iSL6KFLedDU&amp;t=105s" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Rouxinol</a>, em Rio Doce, reduto eleitoral dos Nascimento. O nome de Felipe e de Lupércio aparece em diversas postagens no <a href="https://www.instagram.com/p/DUJMInbkeQW/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Instagram</a>.</p>



<p>O outro bloco é o Priquitudas. Neste <a href="https://www.youtube.com/watch?v=vidCLSr_6oI" target="_blank" rel="noreferrer noopener">vídeo</a> do show do Arreda e Dance, o apresentador do palco menciona expressamente os apoios. Ele diz assim: “Com vocês, para vocês, um oferecimento da Prefeitura de Olinda, vereador Felipe Nascimento e Professor Lupércio no palco das Priquitudas”.</p>



<p>As outras duas apresentações do Arreda e Dance foram no bloco <a href="https://www.youtube.com/watch?v=CcNbJE9lR1Y&amp;list=RDCcNbJE9lR1Y&amp;start_radio=1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">O Tabacudo do Vizinho</a>, ligado ao vereador <a href="https://www.instagram.com/p/DP_hDbADWk4/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Ricardo Sousa</a> (Avante), pai da secretária de Comunicação de Olinda, Dandara Maryanna, jornalista recém-formada e nomeada para o cargo, no final do ano passado, com apenas 22 anos. E no bloco <a href="https://www.youtube.com/watch?v=jE8PEpx5tf0" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Os Chegados</a>, apoiado pelo vereador <a href="https://www.instagram.com/p/DGig1zCxa_p/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Milcon Rangel</a> (MDB).</p>



<p>Outra banda dentro desse padrão encontrado pela reportagem no portal da transparência de Olinda é a Farra Boa, que realizou quatro apresentações no último Carnaval, com cachês de R$ 40 mil cada, totalizando R$ 160 mil. A Farra Boa se apresentou na <a href="https://www.youtube.com/watch?v=XgLScs3He7M" target="_blank" rel="noreferrer noopener">TCM Acorda Tu</a>, apoiada pelo <a href="https://www.instagram.com/p/C3LRJ13gcjO/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">vereador Biai</a> (Avante), em seu nono mandato consecutivo; no <a href="https://www.youtube.com/watch?v=mlXb_WYDX8A" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Bloco Menina de Rio Doce</a>, apoiado pelo ex-vereador <a href="https://www.instagram.com/p/Co_EQMbsYUN/?img_index=1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Tonny Magalhães</a> (PSB); Os Papudinhos do Santa; e no <a href="https://www.youtube.com/watch?v=ST41o_X-bUc" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Polo de Rio Doce</a>.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Um negócio em família</h2>



<p>A empresa agenciadora da banda Arreda e Dance é a AO Produções, registrada em nome de Breno Nascimento de Andrade. Breno é um jovem dono de uma oficina de motos na Várzea, zona oeste do Recife, e filho de Anderson Oliveira, produtor cultural, cujas iniciais dão nome à produtora (AO). Somente em 2025, a Prefeitura de Olinda empenhou um total de R$ 600 mil e pagou R$ 302 mil à AO até a data de publicação desta reportagem.</p>



<p>O endereço de cadastro da empresa — rua Maria Luiza da Silva, 1000, em Igarassu — é o mesmo de outras três agenciadoras de bandas de pequeno porte e sem histórico na cena cultural do estado que fecharam contrato com a gestão Mirella no último Carnaval. São elas: P2 Produções, Argos e Bereshit.</p>



<p>A P2 Produções somou R$ 1,5 milhão em empenho e R$ 882 mil em valores pagos. Entre suas agenciadas, está a banda Farra Boa. Quem comanda a P2 é Leo Pimentel. A empresa está registrada no nome do pai dele, Aurides de Sousa Pimentel, falecido em julho de 2025. Já a mãe de Leo, Maria Linete Soares da Fonseca, é o nome que aparece no registro da Argos Produções, agenciadora da Brasil Nambuco, uma orquestra de seis integrantes.</p>



<p>A Brasil Nambuco fez três apresentações no Carnaval 2025, cada cachê foi R$ 50 mil: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=_YGiMVuALT4" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Bloco do Rouxinol</a>, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=B_GqAACQadI" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Bloco Cachorro Teimoso</a>, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ov63p45t_hg" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Bloco dos Churros</a> e <a href="https://www.youtube.com/watch?v=m2jj1UUdEjg" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Polo Guadalupe</a>. Ainda segundo o portal da transparência, a gestão Mirella empenhou R$ 863 mil para a Argos e pagou, até agora, R$ 341 mil.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://www.youtube.com/watch?v=_YGiMVuALT4
</div></figure>



<p>A quarta e última empresa com o mesmo endereço na rua sem asfalto na periferia de Igarassu é a Bereshit (nome hebraico), uma produtora especializada em eventos gospel. O registro da Bereshit está em nome de Paulo Luiz Correia do Carmo, barbeiro e fiel da igreja evangélica Embaixada da Comunhão, em Maranguape, município de Paulista, Região Metropolitana do Recife, cujo pastor sênior é Leonardo Martins, que aparece em posts <em>collab</em> com Leo Pimentel no Instagram.</p>



<p>Uma das bandas agenciadas pela Bereshit na festa do ano passado foi a Bregueço do Brasil, que somou três shows e um total de R$ 150 mil cachês. O grupo se apresentou nos blocos <a href="https://www.youtube.com/watch?v=AV3LvPRhwO8&amp;list=RDAV3LvPRhwO8&amp;start_radio=1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Menina de Rio Doce</a>, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=qvSiNZwKYTg" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Cachorras de Jatobá</a> e <a href="https://www.youtube.com/watch?v=i_NKVgJ5rpU&amp;list=RDi_NKVgJ5rpU&amp;start_radio=1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Gato Mia</a>.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="ratio ratio-16x9"><iframe loading="lazy" title="Banda Bregueço  do Brasil no bloco Menina de Rio doce dia 04/03/2025" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/AV3LvPRhwO8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
</div></figure>



<p>A reportagem tentou contato com Leo Pimentel por telefone e WhatsApp, mas não teve retorno até o fechamento desta publicação.</p>



<p>Além das bandas que receberam seus cachês por meio de pagamentos feitos às quatro produtoras de Igarassu, os mais de 400 contratos analisados indicam que outras bandas e cantores pouco conhecidos receberam valores acima dos praticados no mercado. Foram os casos de um cantor chamado <a href="https://www.youtube.com/watch?v=z96X9KMqRS8">Maurinho</a>, das banda Rabo da Gata, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=ivKeojwcLu4" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Amarula</a>, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=RdcwYiTAeZY" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Furacão do Arrocha</a>, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=DTA2tHWmPO8" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Som Brasileiro</a>, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=H8HlHhCSbmw&amp;list=RDH8HlHhCSbmw&amp;start_radio=1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Espartilho</a>, além da autointitulada rainha do bregocha, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=JnItEIp9RbY&amp;list=RDJnItEIp9RbY&amp;start_radio=1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Natália Rosa</a>.</p>



<p>Todos com cachês acima de R$ 30 mil por cada apresentação em festas de blocos ou nos acanhados palcos de bairro. Outra cantora, Luanny Vital aparece como beneficiária de R$ 80 mil referentes a dois shows, mas os empenhos aparecem como anulados tanto no portal da transparência quanto no site do TCE.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Agremiações pedem mais investimento público</h3>



<p>Enquanto isso, agremiações tradicionais receberam, para realizar vários desfiles, cachês bem mais baixos do que a soma de muitas dessas bandas citadas pela reportagem, a exemplo de Elefante de Olinda (R$ 42 mil) — para três desfiles: Trote, abertura do Carnaval e desfile oficial —; Pitombeira (R$ 123 mil); Ceroula (R$ 54 mil); Cariri (R$ 40 mil); Boi da Macuca (R$ 27 mil); Homem da Meia Noite (R$ 80 mil por quatro apresentações em eventos oficiais); John Travolta (R$ 40 mil); Vassourinhas (R$ 43 mil); Menino da Tarde (R$ 12 mil); e Flor da Lira (R$ 12 mil).</p>





<p>Para uma agremiação ir para rua, é preciso mobilizar uma grande cadeia produtiva, que passa pelos clarins, carregadores de faixa, seguranças, passistas, porta-estandarte, orquestra e confecção de fantasias. Para além desses elementos unânimes em quase todas elas, existem custos operacionais durante o ano e atividades formativas que algumas agremiações assumem, como aulas e cursos. </p>



<p>A <strong>MZ</strong> apresentou dados do levantamento do Portal da Transparência à Associações das Agremiações de Frevo de Olinda (Afrevo), disse ter recebido as informações com “espanto”. “Nós recebemos com espanto esses dados, porém isso só comprova o nosso sentimento de que a maior fatia dos investimentos públicos em contratações durante o Carnaval já não era para as tradicionais agremiações de rua. Mesmo entendendo a importância dos polos descentralizados e das atrações dos mais variados gêneros durante o Carnaval, como forma de tornar plural e acessível o contato com a cultura em todas áreas da cidade, é preciso que a maior parte dos investimentos públicos sejam destinados para os fazedores de cultura tradicionais da nossa cidade”, afirmou em nota.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O que diz a Prefeitura de Olinda</strong></h3>



<p>Questionada, a gestão Mirella respondeu através de nota. Confira na íntegra:</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

		<p><!-- wp:paragraph --></p>
<p>A Prefeitura de Olinda esclarece que todas as contratações artísticas realizadas para o Carnaval seguem rigorosamente os princípios da legalidade, da transparência, da impessoalidade e do interesse público, por meio de convocatória pública amplamente divulgada, com regras, critérios técnicos e limites financeiros previamente estabelecidos.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Os valores pagos às atrações artísticas são definidos a partir de critérios objetivos previstos em edital público, que incluem a comprovação de preço de mercado, o detalhamento completo dos custos envolvidos, a quantidade de apresentações autorizadas e as características específicas de cada formato de evento.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>É fundamental destacar que não existe um valor único ou padronizado para apresentações artísticas, pois cada contratação considera variáveis como número de integrantes, equipe técnica envolvida, estrutura de produção, logística, tempo de apresentação e responsabilidades tributárias. Dessa forma, comparações diretas entre atrações de naturezas distintas, como bandas de palco, orquestras itinerantes e cortejos de cultura popular, não refletem adequadamente a complexidade de cada contratação.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Os valores divulgados nos contratos correspondem ao valor global da contratação, que engloba cachê artístico, pagamento de músicos, equipe técnica, produção, logística, impostos e encargos legais. Esse modelo assegura formalização, rastreabilidade dos recursos públicos e fiscalização administrativa de toda a cadeia produtiva envolvida.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Além disso, todas as propostas passam por análise técnica e administrativa, com possibilidade de negociação e adequação de valores, conforme previsão expressa no edital, sempre observando os valores praticados no mercado e a disponibilidade orçamentária.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Pernambuco, e Olinda, em especial, é reconhecido nacionalmente como um celeiro de talentos, com uma produção artística diversa, contínua e em permanente renovação. A política cultural do Carnaval de Olinda prioriza a valorização do artista pernambucano, diretriz expressa na convocatória pública, que estabelece que no mínimo 95% da programação seja composta por atrações do Estado.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Embora não exista qualquer obrigatoriedade de repetição de artistas entre um ano e outro, é natural que determinados nomes voltem a integrar a programação, especialmente nos polos descentralizados e eventos de bairro, pensados para ampliar oportunidades, fortalecer trajetórias locais e garantir circulação artística nos territórios.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>A eventual recorrência de atrações decorre exclusivamente da habilitação regular nos editais, do atendimento aos critérios técnicos e do interesse público, não havendo qualquer forma de indicação política, privilégio ou direcionamento, sendo vedada, inclusive, a contratação de artistas que afrontem as normas legais e os dispositivos de prevenção ao nepotismo.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>A Prefeitura de Olinda reconhece a centralidade histórica e cultural das agremiações de frevo para a identidade do Carnaval da cidade. Por esse motivo, após o Carnaval, a gestão municipal já alinhou com a Associação do Frevo a realização de um seminário específico, com o objetivo de avaliar, discutir e realinhar os parâmetros de cachês das agremiações, considerando suas particularidades, custos reais, sustentabilidade das entidades e a valorização do patrimônio cultural imaterial.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>A iniciativa reforça o compromisso da Prefeitura com o diálogo permanente com o setor cultural e com o aprimoramento contínuo dos instrumentos de fomento e contratação artística.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>A participação de artistas em edições posteriores do Carnaval de Olinda está sempre condicionada ao cumprimento integral das regras da convocatória vigente, à apresentação de documentação atualizada, à análise técnica e à negociação administrativa prevista nos instrumentos normativos.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Não há recondução automática de atrações, tampouco garantia prévia de contratação, sendo todas as participações submetidas aos critérios legais, técnicos e orçamentários da Administração Pública.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>No Carnaval de 2025, foi adotada uma organização administrativa integrada, com divisão de responsabilidades entre secretarias, visando garantir maior eficiência, controle e capacidade de execução de um evento de grande porte.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>A produção executiva dos palcos dos polos ficou sob responsabilidade da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo, Inovação e Tecnologia, enquanto a Secretaria de Patrimônio, Cultura e Turismo concentrou sua atuação nos cortejos de cultura popular, nas agremiações tradicionais e nas expressões diretamente vinculadas ao patrimônio cultural imaterial da cidade.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Essa divisão foi formalizada por decreto municipal, com abertura de crédito específico e definição clara das competências de cada pasta, não representando desvio de finalidade nem sobreposição de funções, mas sim uma estratégia administrativa de gestão integrada do evento.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>A Prefeitura de Olinda reafirma seu compromisso com a transparência, a valorização da cultura local, o fortalecimento da economia criativa e o uso responsável dos recursos públicos. Todas as contratações passam por controle documental, prestação de contas e fiscalização administrativa, estando disponíveis para consulta nos canais oficiais de transparência.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>A gestão municipal permanece à disposição para prestar esclarecimentos adicionais, sempre com base em dados oficiais, documentos públicos e nos instrumentos legais que orientam a política cultural do município.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --></p>
	</div>



<ul class="wp-block-list">
<li>A diretoria do Homem da Meia Noite informa que recebeu R$ 80 mil por quatro apresentações em eventos promovidos pela prefeitura de Olinda e não R$ 100 mil, conforme publicado originalmente. Por essa razão, o texto foi modificado às 15h45min do dia 9 de fevereiro de 2026.</li>
</ul>



<p><strong>*Colaborou Inácio França</strong></p>



<p><em>Reportagem atualizada em 10/02/2026, às 01h38</em></p>
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		<title>Guia Comum do Centro do Recife traz curiosidades, ruínas e memórias</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Feb 2026 18:56:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[centro do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[guia do centro do recife]]></category>
		<category><![CDATA[livro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um edifício chamado Coelho. E com uma linda escultura de um coelho no topo dele. Uma loja que praticamente só vende cadarços: tem de todos os tipos, de todas as cores. Se você quiser um pão em formato de jacaré, tem. Se preferir com a forma de uma tartaruga, também tem. Uma ponte que é [&#8230;]</p>
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<p>Um edifício chamado Coelho. E com uma linda escultura de um coelho no topo dele. Uma loja que praticamente só vende cadarços: tem de todos os tipos, de todas as cores. Se você quiser um pão em formato de jacaré, tem. Se preferir com a forma de uma tartaruga, também tem. Uma ponte que é chamada de giratória, mas fica sempre ali, paradinha. Árvores inteiras – com galhos, troncos e raízes – que (sobre)vivem emparedadas em prédios há muito abandonados. Uma livraria em que o roubo de livros era visto com parcimônia e um mural de um dos maiores artistas brasileiros do século 20.</p>



<p>É claro que estamos falando do centro do Recife, também chamado simplesmente de “cidade”. Em pouco mais de 100 páginas, o livro <em>Guia Comum do Centro do Recife </em>apresenta uma cidade que já foi e ainda é, mesmo que seja somente na memória, única e cheia de descobertas surpreendentes. Lançado em 2015, por meio de um projeto do Funcultura, o livro ganhou uma reimpressão por meio de um financiamento coletivo e será relançado neste sábado (07), das 09h às 13h, no Chá Mate Brasília.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/brunarafaella-1024x727.png">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/brunarafaella-1024x727.png" alt="A foto mostra o interior de uma pequena lanchonete com balcão metálico e decoração simples. Atrás do balcão está um homem de uniforme branco e boné, provavelmente funcionário do local. Do outro lado, uma mulher sorri enquanto conversa com ele, transmitindo um clima descontraído e acolhedor. Sobre o balcão há uma garrafa de vidro de Coca-Cola. Ao fundo, vê-se um painel com cardápio em português, relógio de parede e equipamentos como liquidificador e dispensador de sucos, reforçando o ambiente típico de um ponto tradicional de bebidas e lanches." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Bruna Rafaella com José Pinheiro, sócio e atendente do tradicional Chá Mate Brasília.
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Isabela Cunha/Divulgação</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Assim como a cidade é múltipla, o <em>Guia</em> também é. Na equipe, há artistas, designers, ilustradores, urbanistas, jornalistas e fotógrafos explorando diferentes linguagens – tem poema, reportagem, partitura musical, muitas ilustrações e fotos – para fazer um <em>tour</em> poético e político pela identidade urbana do centro do Recife. O índice poético do livro traz 15 categorias que propõem diferentes passeios como “lugares para levantar o olhar”, “lugares para baixar o olhar”, “lugares invisíveis”, “lugares que são becos”, “lugares para comer pão em formato de bicho”.</p>



<p>“O centro, de todas as cidades, é o espaço da vida pública. É o espaço de circulação das novas ideias, das trocas com o diferente. É onde você vai encontrar gente do interior, como eu, circulando, onde você vai encontrar gente de várias gerações. Onde se vê os ciclos da cidade: agora são as compras de pré-carnaval e início de aulas. Não é só o consumo no sentido do poder aquisitivo, é o da circulação desse ciclo da vida, dessa passagem de estudar, trabalhar, comer, se divertir. É como se o centro convergisse todo esse ciclo de vida”, conta a artista visual e pesquisadora Bruna Rafaella Ferrer, idealizadora e organizadora do livro.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/distrito-guararapes-vai-ter-873-kitnets-com-metro-quadrado-mais-caro-que-a-media-do-recife/" class="titulo">Distrito Guararapes vai ter 873 kitnets com metro quadrado mais caro que a média do Recife</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/moradia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Moradia</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Inicialmente, o projeto era para falar das ruínas do centro do Recife. Ao longo de dois anos de pesquisa, se transformou no Guia. Como não é uma nova edição, não há atualização das informações – virou também um retrato de como era aquele centro de dez anos atrás. De lá pra cá, houve mais permanências que mudanças, mas parece que a cidade se aproxima mais daquela ideia inicial de ruína. “Há lugares que estão no meio do caminho entre existir e não existir ou na iminência de não existirem mais, mas que ainda persistem seja materialmente no espaço seja simbolicamente na memória afetiva das pessoas”, conta Bruna Rafaella.</p>



<p>Nos últimos meses, ela fez algumas ativações do Guia, fazendo <em>tours</em> pelos lugares da cidade que constam no livro. “Tem lugares que eu não tinha ido novamente em 10 anos. Eu acho que o ponto de partida da ruína viva está mais forte ainda agora, dez anos depois. Eu tinha muita curiosidade, por exemplo, na casa do cadarço, que era algo muito específico, muito inusitado. Eu fui lá e deu uma dó, tinha só uns cadarçozinhos lá pendurados, mas eu não tive coragem nem de bater para saber se tinha alguém dentro. Muitos lugares do Guia ainda estão vivos, mas é como se o esqueleto estivesse mais à vista do que a carne”, disse.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/Foto_-Rafael-Ceu-300x199.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/Foto_-Rafael-Ceu-1024x680.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/Foto_-Rafael-Ceu-1024x680.jpg" alt="A foto mostra um livro aberto, segurado por duas mãos. As páginas são impressas em papel cor-de-rosa. À esquerda, há um título em destaque: “Gárgulas do Mercado de São José”, acompanhado de uma ilustração de gárgula e um texto em português que fala sobre a arquitetura e a história do mercado no Recife. À direita, aparece uma fotografia em preto e branco da parte superior de um edifício, onde duas gárgulas estão posicionadas nos cantos. Abaixo da foto, há informações práticas sobre o local, como endereço e horários de funcionamento." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Ilustrações e fotos também contam a história do centro do Recife no livro. 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Rafael Céu/Divulgação</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Natural de Vitória de Santo Antão, Bruna Rafaella cresceu visitando o Recife e se surpreendendo e encantando pela avenida Guararapes, com seus sebos de discos e livros debaixo das marquises dos prédios. Toda a atual discussão política e econômica sobre os rumos do centro do Recife foi um incentivo a mais para a reimpressão do livro, mas a ideia é fazer um projeto de financiamento para uma segunda edição atualizada do guia.</p>



<p>O preço do livro, R$ 100, é salgado porque a reimpressão foi toda custeada pela venda dos exemplares, que são poucos. “Todos os serviços de produção como gráfica, confecção de camisetas e compra de materiais foram realizados em estabelecimentos no centro da cidade. É um projeto concebido do centro para o centro”, conta Bruna.</p>



<p>Como ao longo desses dez anos o livro tem sido usado em sala de aula, há a possibilidade de professores e professoras conseguirem o livro de forma gratuita. Quem quiser saber mais detalhes, pode entrar em contato pelo Instagram do guia:<a href="https://www.instagram.com/guiacomumdorecife" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@guiacomumdorecife</a>.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Serviço</span>

		<p>Relançamento do <em>Guia Comum do Centro do Recife</em></p>
<ul>
<li><strong>Quando:</strong> Amanhã (07/02), das 09h às 13h</li>
<li><strong>Onde:</strong> Chá Mate Brasília (R. Alarico Bezerra, 279 &#8211; Loja 28, Santo Antônio)<br />
Conversa com a organizadora do livro e DJ set do artista e curador Aslan Cabral. Também terá entrega do livro para quem comprou na campanha de financiamento, lançamento de um novo sabor de chá mate (chá de erva mate com limão, abacaxi e hortelã) e de cartões postais do Guia.<br />
O acesso é gratuito e o Guia Comum do Centro do Recife estará à venda por R$ 100</li>
<li><strong>Mais informações:</strong> <a href="https://www.instagram.com/guiacomumdorecife" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@guiacomumdorecife </a></li>
</ul>
	</div>



<p></p>



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		<title>Fátima e Índia no coração do Agente Secreto</title>
		<link>https://marcozero.org/fatima-e-india-no-coracao-do-agente-secreto/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Jan 2026 16:01:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[O Agente Secreto]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Lua Lacerda* O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, surge em um momento significativo da produção cultural brasileira, quando o país tem sido compelido, histórica, política e simbolicamente, a encarar um de seus maiores traumas: a ditadura militar de 64. Essas narrativas dialogam com um presente em que golpistas e militares foram investigados, julgados [&#8230;]</p>
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<p>por Lua Lacerda*</p>



<p>O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, surge em um momento significativo da produção cultural brasileira, quando o país tem sido compelido, histórica, política e simbolicamente, a encarar um de seus maiores traumas: a ditadura militar de 64. Essas narrativas dialogam com um presente em que golpistas e militares foram investigados, julgados e condenados por tentativas recentes de ruptura democrática. Esse movimento histórico nos força a olhar “para trás”. A ditadura deixa de ser um capítulo encerrado e passa a ser algo que precisa ser constantemente rememorado, remexido, redito. Trata-se de um passado que não se esgota e que, talvez, nunca deva se esgotar.</p>



<p>Nesse contexto, O Agente Secreto se impõe como um filme fundamental. Não porque simplesmente retome a temática da repressão, mas porque o faz a partir de um lugar singular, tanto do ponto de vista estético quanto narrativo. Kleber Mendonça Filho trabalha com uma linguagem cinematográfica sofisticada, marcada por camadas, silêncios, deslocamentos e tensões internas. O filme não se limita a contar uma história, pois pensa o próprio modo de narrar. Seu movimento temporal, com constantes rupturas, retornos e infiltrações do presente, mimetiza o funcionamento da memória, que não se organiza de forma cronológica, mas por fragmentos, lapsos e insistências. É nesse gesto formal que o filme se afasta do relato histórico convencional e se constitui, ele próprio, como uma investigação sobre memória, arquivo e ausência.</p>



<p>Isso tem consequências diretas no modo como a narrativa se organiza e no lugar de onde ela é contada. Um dos aspectos mais relevantes do filme é, justamente, seu caráter profundamente local. A história se passa em Recife, e o personagem de Wagner Moura, Armando, é um professor universitário cuja experiência com a ditadura é situada e marcada pelas tensões regionais e pela xenofobia dos fascistas do Sul. Isso é fundamental. Durante muito tempo, as narrativas sobre o período ditatorial no Brasil se concentraram em certos centros, como Rio e São Paulo, e em experiências tomadas como universais, majoritariamente masculinas e brancas, apagando especificidades regionais, como as do Nordeste racializado. O Agente Secreto reivindica a importância dessas histórias locais como parte do processo de elaboração do trauma. Sem essas histórias faltosas, o trauma não pode ser completamente elaborado. A identificação do público recifense com o filme não é apenas afetiva. Ela também é política. Trata-se de uma forma de reparação simbólica, de reconstrução da memória a partir de um território específico.</p>



<p>Essa lógica se desdobra também no contraste entre diferentes gerações e diferentes modos de lidar com o passado, representado de forma precisa pelas duas jovens personagens pesquisadoras da atualidade. De um lado, a distração, a preguiça de olhar os jornais, de escutar os áudios, de se deter sobre aquilo que gera incômodo. Do outro, a figura da jovem curiosa, “danada”, insistente, elogiada pelo personagem Fernando por sua vontade de cavar arquivos, ouvir registros e buscar rastros. Esse contraste espelha uma tensão contemporânea muito real entre o esquecimento confortável e o trabalho ativo da memória. Essas pessoas que escavam o passado existem, nós somos elas e o próprio diretor também se coloca nesse lugar.</p>



<p>No entanto, um dos núcleos mais importantes do filme tem passado despercebido: a forma como são construídas duas personagens fundamentais, Fátima, interpretada por Alice Carvalho, e a mãe de Armando, conhecida apenas pelo apelido de “Índia”. Embora ocupem lugares muito distintos na narrativa, essas duas mulheres organizam, em camadas diferentes, o debate mais profundo que o filme propõe sobre memória e violência no Brasil. É a partir delas que O Agente Secreto desloca seu eixo da repressão política para algo anterior, estrutural. Uma história mais antiga e mais recalcada no inconsciente do país.</p>



<p><br>Fátima, esposa de Armando e mãe de Fernando, ocupa no filme um lugar tão decisivo quanto paradoxal. Mulher negra e politicamente consciente, ela aparece pouco, quase nunca como presença contínua no enredo, mas retorna de forma insistente como lembrança. Fátima está nas fotografias, na imagem que Armando carrega consigo, na memória do filho. Sua existência no filme se constrói menos pela ação direta do que pela permanência da ausência. Há apenas uma cena em que ela aparece corporalmente, em retrospectiva, no jantar com Armando e Girote. Nela, Fátima se impõe, fala com firmeza, xinga os fascistas. Essa breve aparição é suficiente para afirmar sua força e, ao mesmo tempo, evidenciar algo fundamental: Fátima é uma presença que o filme escolhe manter à margem do presente narrativo.</p>



<p>Parte da recepção tende a reduzi-lo a “mais um filme sobre a ditadura”. Sim, mas também trata-se de um filme que constrói uma longa investigação em torno da história da mãe de Armando, uma busca que atravessa toda a narrativa, inclusive em escolhas aparentemente laterais, como o local de trabalho do personagem. Ao final, o que se revela é silenciosamente violento: essa mulher era chamada de “Índia” porque era, de fato, indígena; foi violentada ainda muito jovem, aos 14 anos, quando vivia em condição de exploração doméstica, como escrava de uma família. Não há documentos, não há registros, não há arquivos. Tudo o que sabemos dela é a forma como era chamada (não o seu nome, mas o nome que lhe foi dado pelos outros).</p>



<p>Entre Fátima e a “Índia” se desenha uma gradação da violência brasileira: da mulher negra cuja presença persiste como ausência, ainda deixando vestígios na memória e nas imagens, à mulher indígena cuja história foi quase inteiramente apagada. Por isso elas estão no coração do filme: porque, embora seja possível narrar a ditadura, investigar seus crimes e reconstituir seus mecanismos de violência, há uma violência fundante, mais antiga e talvez mais decisiva, que permanece inalcançável. A violência colonial, o genocídio indígena e a exploração sexual e racial que estruturam a formação do Brasil não deixaram arquivos organizados, não cabem nos jornais, não aparecem nas gravações. Elas existem como ausência, como lacuna, como trauma sem nome e, ao mesmo tempo, como uma chave possível para compreender a violência que se desdobra posteriormente nesse território.</p>



<p>O gesto mais radical de O Agente Secreto está justamente naquilo que ele não consegue resolver. O filme olha para o passado na tentativa de compreendê-lo, mas reconhece seus próprios limites. Talvez seja justamente aí que ele se torne brilhante: ao admitir que as respostas mais importantes estão naquilo que não pode ser plenamente contado. Trata-se, portanto, de um filme sobre memória, mas também sobre o fracasso da memória. Um filme que investiga, que escava, que é danado e que, ao final, nos confronta com a constatação de que há uma violência fundante da história brasileira que não está nos registros. É nessa ausência, nessa ferida aberta, que o filme encontra sua força mais profunda.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>Jornalista e escritora, doutoranda em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). É autora dos livros Ultramar (Editora da União, 2023) e Redemunho (Editora UFPB, 2019).</p>
    </div>
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