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	<title>Arquivo de Trabalho - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Wed, 15 Apr 2026 16:29:55 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivo de Trabalho - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>A luta de uma mulher com deficiência para ser nomeada professora no Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Apr 2026 16:16:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[concurso público]]></category>
		<category><![CDATA[pessoa com deficiência]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Mariana Clarissa, do site Eficientes O que começou como um inchaço no joelho transformou-se em uma jornada de 17 anos de cirurgias, radioterapia e dores agudas para Milena Barros Gomes, hoje professora de Geografia. Aos 19 anos, ela enfrentou uma sinovite vilonodular pigmentada, uma inflamação rara tratada como tumor, que desgastou sua cartilagem e [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Mariana Clarissa, do site <a href="https://eficientes.org.br/2026/04/14/pessoas-com-deficiencia-enfrentam-obstaculos-para-nomeacao-na-prefeitura-do-recife/">Eficientes</a></strong></p>



<p>O que começou como um inchaço no joelho transformou-se em uma jornada de 17 anos de cirurgias, radioterapia e dores agudas para Milena Barros Gomes, hoje professora de Geografia. Aos 19 anos, ela enfrentou uma sinovite vilonodular pigmentada, uma inflamação rara tratada como tumor, que desgastou sua cartilagem e a fez usar muletas até a implantação de uma prótese de joelho em 2023. Ironicamente, a maior barreira que ela encontrou não foi a doença, mas o poder público.</p>



<p>Após ser aprovada no concurso da Prefeitura do Recife, em 2023, para as vagas reservadas a pessoas com deficiência (PcD), Milena foi desclassificada em uma perícia médica que, de acordo com ela, durou poucos minutos. Segundo a professora, a médica da banca sequer analisou o raio-X que mostrava a prótese metálica em sua perna, alegando que sua condição era meramente estética. O caso de Milena não é isolado e ilustra o capacitismo estrutural que permeia as instituições brasileiras, onde a lei de cotas é frequentemente contornada por interpretações subjetivas e restritivas.</p>



<p>O conceito de deficiência no Brasil, consolidado pela Lei Brasileira de Inclusão (LBI), deveria seguir o modelo biopsicossocial, que considera não apenas o impedimento físico, mas as barreiras que impedem a participação plena do indivíduo na sociedade. Na prática, porém, as bancas examinadoras, como a do <a href="https://www.cebraspe.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Cebraspe</a>, no caso de Milena, muitas vezes recuam para um modelo puramente médico e, por vezes, negligente.</p>



<p>A justificativa de que uma prótese total de joelho, que impede a candidata de correr, pular ou ficar longos períodos em pé, seria uma questão estética ignora o caráter funcional e permanente da deficiência. &#8220;Ao negar minha condição, nega-se quem eu sou, o meu corpo, as minhas dores, tudo o que vivi&#8221;, afirma Milena. Esse tipo de avaliação é apontado por especialistas como uma forma de violência institucional, onde a sobrecarga da prova recai sobre a pessoa com deficiência.</p>



<p>A resistência em reconhecer direitos estende-se ao Poder Judiciário. No processo movido por Milena contra a Prefeitura do Recife e o Cebraspe, o Ministério Público opinou pela realização de uma nova perícia médica para sanar as dúvidas. Enquanto Milena concordou prontamente, tanto o município quanto a banca organizadora se posicionaram contra o novo exame, alegando que a decisão administrativa deveria prevalecer. Os advogados do Cebraspe, no entanto, teriam perdido um prazo e o caso seguirá com uma nova perícia médica.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/04/Milena-Eficientes-decisao-819x1024.jpeg" alt="Documento oficial do Poder Judiciário do Tribunal de Justiça de Pernambuco. Tribunal de Justiça de Pernambuco. Poder Judiciário. 5ª Vara da Fazenda Pública da Capital. AUTOR(A): MILENA BARROS GOMES. RÉU: CEBRASPE, MUNICIPIO DO RECIFE. DECISÃO: Vistos, etc … Decreto a revelia do Cebraspe, ante a intempestividade da contestação, deixando, contudo, de aplicar os efeitos materiais da presunção de veracidade, nos termos do art. 345, I, do CPC. Acolho o parecer ministerial e, mantendo a coerência com a decisão de ID [suprimido], que fixou a competência deste Juízo pela complexidade da causa, DEFIRO a produção de prova pericial médica. Quanto ao nome do perito, deve a Secretaria deste juízo escolher entre os nomes cadastrados, por ordem alfabética e, antes de formalizar qualquer termo, tentar manter contato com o mesmo para fins de anuência. Definido o nome do perito e tomado o compromisso, intimem-se as partes para indicarem seus assistentes e quesitos. Quanto ao pedido de reconsideração da decisão que indeferiu o pedido de antecipação da tutela (Id [suprimido]), postergo a análise do pedido para após a entrega do laudo pericial. Cumpra-se! RECIFE, 11 de fevereiro de 2026." class="" loading="lazy" width="629">
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	                                        <p class="m-0">Justiça acatou pedido de Milena e determinou nova perícia
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Reprodução</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Essa postura revela uma contradição profunda: o mesmo Estado que emite uma identidade oficial de pessoa com deficiência para Milena, por meio da Secretaria de Defesa Social, é o que tenta barrar sua entrada no serviço público sob o argumento de que ela não se enquadra nos requisitos legais. Para a candidata, a lentidão e a insensibilidade do poder público funcionam como um adiamento deliberado de um direito conquistado no mérito das provas.</p>



<p>Enquanto a decisão judicial não vem, o custo é emocional e financeiro. Como arrimo de família, Milena precisa se desdobrar em até três empregos e a espera gera uma situação de vulnerabilidade que afeta a autonomia e o planejamento de vida.</p>



<h1 class="wp-block-heading">O custo da exclusão</h1>



<p>Embora a Constituição Federal e a LBI garantam a reserva de vagas (que pode chegar a 20% em alguns editais), a implementação dessas cotas é cercada de armadilhas burocráticas. A sensação descrita por quem passa por esse processo é de que o sistema é desenhado para que os candidatos percam a força de insistir em ocupar seus lugares por direito.</p>



<p>O caso de Milena e tantas outras pessoas expõe que o cumprimento da Lei de Cotas está refém de bancas que executam falhas na transparência e vão de encontro à realidade clínica dos candidatos. A docente destaca que quem hoje se prepara para concursos públicos sendo PcD, a orientação é amarga. &#8220;Prepare-se para precisar de justiça e contar com a sorte&#8221;.</p>



<p>A reportagem enviou questionamentos detalhados à Prefeitura do Recife e ao Cebraspe sobre os critérios técnicos que levaram à desclassificação de Milena, a qualificação dos profissionais da banca e os motivos para a resistência em realizar a nova perícia médica sugerida pelo Ministério Público. Até o fechamento deste texto, não obtivemos resposta de nenhum dos órgãos citados. O espaço permanece aberto para que as instituições enviem seus esclarecimentos sobre os pontos questionados.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Atualização 15/04/2026, às 13h30min:</strong> após a publicação desta reportagem, o Cebraspe enviou nota informando que os questionamentos da candidata são tratados no âmbito de ação judicial e que, por essa razão, os esclarecimentos são feitos exclusivamente nos autos do processo.</li>
</ul>



<p></p>
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		<title>Com &#8220;dízimo&#8221; de 10% e gentrificação, gestão privada altera comércio popular nos parques do Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Mar 2026 20:34:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[concessão]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[viva parques]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Dona Maria David, de 75 anos, começou a trabalhar no parque da Jaqueira há 40 anos com uma carrocinha, vendendo doces. Depois, arranjou um fiteiro de lata. Até que em 1996 veio o ganha pão que ajudou a criar os filhos: um quiosque na calçada da rua do Futuro. Ela conta que, durante todos esses [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Dona Maria David, de 75 anos, começou a trabalhar no parque da Jaqueira há 40 anos com uma carrocinha, vendendo doces. Depois, arranjou um fiteiro de lata. Até que em 1996 veio o ganha pão que ajudou a criar os filhos: um quiosque na calçada da rua do Futuro. Ela conta que, durante todos esses anos, em reuniões com as gerências do parque ou na prefeitura do Recife, a barraca dela era tratada como uma “doação” – assim, entre aspas, porque nunca recebeu documento algum. Pelo quiosque, nunca pagou nenhum aluguel ou taxa pelo uso do solo. “Só diziam que a gente poderia ficar aqui pelo tempo que quisesse. Quando não quisesse mais, era para entregar para a prefeitura”, lembra.</p>



<p>Com a concessão privada dos parques da Jaqueira, Santana, Dona Lindu e Apipucos, que completou um ano neste mês, a situação de dona Maria vai mudar, assim como a de comerciantes de mais cinco quiosques e uma banca na Jaqueira, nove quiosques no parque Dona Lindu e de outros nove no parque Santana. Isso porque a concessionária Viva Parques, que ganhou a licitação da gestão de João Campos (PSB) para gerir os quatro parques por 30 anos, é quem agora é responsável pela gestão e operação de todos esses quiosques.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/quem-frequenta-a-jaqueira-teme-elitizacao-do-parque-sob-controle-de-empresa-privada/" class="titulo">Quem frequenta a Jaqueira teme elitização do parque sob controle de empresa privada</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/bem-viver/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Bem viver</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Desde o ano passado, comerciantes de três parques começaram a ser avisados das mudanças. Para os da Jaqueira, houve uma reunião em agosto do ano passado em que os comerciantes da rua do Futuro ficaram sabendo do plano da Viva Parques para eles: quiosques dentro do parque, alguns no limite da grade com balcão dos dois lados – como o que aconteceu com uma loja de sucos que funcionava em um trailer estacionado na rua. Outros quiosques seriam totalmente dentro da Jaqueira.</p>



<p>Comerciantes do parque contaram à MZ, em reserva, que, pelos novos quiosques, teriam que pagar uma “jóia” – taxa de adesão – de R$ 80 mil. Não iria ser cobrado aluguel, mas 10% do faturamento iria para a Viva, em uma prática conhecida no comércio como <em>revenue share</em>. No contrato com a prefeitura do Recife, é dito que essa cobrança é progressiva, ou seja, essa porcentagem pode aumentar ao longo do tempo.</p>



<p>Até agora, nenhum dos comerciantes da rua do Futuro aderiu à proposta — ainda feita informalmente. Mas, pelo que diz o contrato assinado entre a prefeitura do Recife e a Viva Parques, os comerciantes dos parques não deverão ter muita escolha: a vaga nos novos quiosques é apenas “preferencialmente” deles. Depois da proposta formalizada, o contrato diz que os comerciantes terão 30 dias para dizer se aceitam ou não as regras da Viva. Pelo contrato, quem não aceitar deve desocupar o quiosque.</p>



<p>E, sim, isso vale inclusive para os que ficam do lado de fora do parque, pois está escrito no contrato que a concessão não é apenas daquilo que está dentro das grades do parque: o mapa do Parque da Jaqueira delimita como área da concessão toda a poligonal que abrange os seis quiosques e a banca localizados na calçada.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Comércio popular nos parques antes da concessão</span>

		<p><b>Ambulantes:<br />
</b>Parque da Jaqueira: <span style="font-weight: 400;">29</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Santana: 04</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Dona Lindu: 10 </span></p>
<p><strong>Comerciantes permissionários: </strong><span style="font-weight: 400;"><br />
</span>Parque da Jaqueira: <span style="font-weight: 400;"> 06 quiosques e 01 banca de revistas</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Santana: 06 quiosques</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Dona Lindu: 09 quiosques</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não havia ambulantes nem permissionários cadastrados no </span>Parque Apipucos.<br />
<span style="font-weight: 400;"><br />
</span><b><i>Fonte: </i></b><i><span style="font-weight: 400;">Contrato da Prefeitura com a Viva Parques, que diz usar dados de fevereiro de 2022.</span></i></p>
	</div>



<p>Filho de dona Maria David, Lenildo Oliveira conta que a ida para dentro do parque não é economicamente interessante para a família. Além das cobranças da empresa, há a diferença entre quem passa na calçada e quem entra no parque. “O nosso público aqui já é antigo e é de quem trabalha por aqui. E já tem muitos quiosques dentro do parque. Na feirinha mesmo, é tudo superfaturado, para compensar o aluguel e a taxa que pagam. Nosso público não é o mesmo”, disse. Ele contou que a reunião com a Viva foi em agosto do ano passado e ainda não recebeu outro contato da empresa. “São 40 anos aqui no parque, 29 anos com essa barraca. Nossa família depende disso. Ofereceram comprar o ponto, ofereceram usar os produtos dele, ou seja, virar empregado. Mas não queremos sair daqui da calçada”, disse.</p>



<p>Outro comerciante da Jaqueira, que pediu para não ter o nome divulgado, lamentou o que chama de privatização do parque. “Não fomos informados antes de que a calçada estava dentro do que agora é da empresa”, criticou. Ele falou da existência de um decreto que garantiria a permanência dos permissionários no parque, mas não soube informar o número, nem a data de tal decreto, que não foi encontrado nas pesquisas da MZ.</p>



<p>Mas ainda que esse decreto exista, um dos termos do contrato informa que o poder municipal tem como obrigação rescindir as permissões e autorizações vigentes para que a concessionária assuma a gestão dos espaços.</p>



<p>No parque Dona Lindu e no Santana, os comerciantes também já tiveram reuniões sobre as novas regras. No primeiro, a preocupação é com a mudança de lugar. Um comerciante que não quis ser identificado nesta matéria disse que já viu o local para onde vai ser realocado e não gostou. “Não tive escolha. Vamos ficar em um lugar que não tem tanto movimento”, disse, informando que não foi citado pagamento de jóia nessa primeira conversa. “Disseram que iam me dar uma maquininha de vendas e que o dinheiro ia todo para eles, e depois eles me devolveriam, descontando 10% da parte deles. Hoje a gente tem um faturamento que é bom e não paga aluguel”, disse.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Feitos para o comércio popular, quiosques do Parque Apipucos só foram ocupados com a concessão privada. Preços não são populares
</p>
	                
                                            <span>Arnaldo Sete/MZ</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“Não queria sair desse local, mas a gente está de mãos atadas. Fomos até a prefeitura e nos informaram que não podem fazer nada, que agora é com essa empresa. Quem vai ficar nos lugares melhores são os novos comerciantes, os que vão pagar aluguel”, acredita, acrescentando que a Viva Parques informou que a cobrança dos 10% do faturamento deve começar entre o final deste ano e o início do próximo.</p>



<p>No parque Santana, a preocupação dos comerciantes é em ter que fazer o “dízimo” do faturamento em um cenário de queda nas vendas. “Antes não era maravilhoso, mas dava para viver. Agora tenho é dívidas”, contou uma comerciante, que também não quis se identificar. “Os eventos aqui diminuíram muito. Quando tem, é fechado e eles têm a própria comida, ninguém vem comer aqui. O movimento para a gente que é comerciante caiu bastante de um ano para cá”, lamentou ela. “Por aqui, ainda não falaram nada de novos quiosques. Só dos 10%”, acrescentou.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-large-font-size">Viva Parques diz que não iniciou cobranças</h2>



<p>Em evento da prefeitura na semana retrasada, a Marco Zero questionou o secretário de Desenvolvimento Urbano, Felipe Matos – cuja secretaria é responsável pela gestão e fiscalização do contrato com a concessionária – sobre o motivo dos comerciantes dos parques terem passado tantos anos sem pagar taxa de ocupação do solo, cujo valor mínimo é R$ 144, segundo tabela da prefeitura, e se ainda há algum instrumento de garantia de permanência desses comerciantes nos locais atuais. O secretário pediu que a MZ enviasse as perguntas para a assessoria de Comunicação da prefeitura, que não nos respondeu.</p>



<p>Já a Viva Parques informou que os comerciantes que atuavam nos parques antes da concessão mantinham com a prefeitura “uma relação jurídica de permissão de uso, instrumento de natureza precária”, que foi substituído pelo novo regime jurídico decorrente do contrato de concessão.</p>



<p>A empresa informou que está garantindo preferência a esses comerciantes nas negociações, como prevê o contrato, e que “desde o início da concessão, a empresa tem priorizado o diálogo, promovendo rodas de conversa e apresentando os projetos futuros dos parques, com o objetivo de integrar esses comerciantes ao novo modelo de operação”.</p>



<p>A Viva também pontuou que “até o momento, não houve cobrança de qualquer taxa de adesão (“jóia”), aluguel ou percentual de faturamento dos antigos permissionários para permanência (…). Sobre o que acontece com os comerciantes que não aceitarem as novas regras, a empresa informou que o contrato de concessão prevê a condução das relações comerciais dentro de um novo modelo de gestão e que “eventuais situações específicas serão tratadas individualmente, sempre com base no diálogo e nas condições estabelecidas contratualmente”.</p>



<p>A MZ questionou se os quiosques da rua do Futuro irão permanecer no mesmo local. A empresa informou que eventual reconfiguração de estruturas físicas seguem o <em>masterplan</em> aprovado pela prefeitura, conforme previsto no contrato de concessão. “Esse planejamento busca qualificar os espaços públicos, melhorar a circulação, a acessibilidade e a experiência dos usuários, podendo implicar ajustes nos pontos comerciais existentes, a exemplo do incremento de acesso interno pelo Parque, sem ter a necessidade de sair do equipamento, inserção de mobiliário de apoio ao consumo e descanso, etc”, diz a resposta.</p>



<p>Os <em>masterplans</em> dos parques — que são os projetos que direcionam o que vai ser feito nos parques – não estão disponibilizados publicamente.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Comércio popular fora do Parque de Apipucos</strong></h2>



<p>Era o dia de estreia do cinema no parque de Apipucos e o local estava com um bom público para uma quinta-feira à noite. Vendo o movimento mais intenso, o ambulante Moisés Gomes decidiu levar seu isopor para a calçada, acreditando que ficaria por lá o tempo que desse. “Os seguranças do parque não deixam a gente ficar aqui. Dizem para a gente sair e ir para o outro lado da pista. É ruim pra gente, mas é assim porque privatizou o parque, os ambulantes não podem entrar”, diz, confundindo, como muitos, concessão com privatização.</p>



<p>Antes com pouco uso, o parque de Apipucos vive cheio nos fins de semana, com feirinhas e cinema a céu aberto. Apesar da circulação ser livre e o cinema também, nem todo mundo pode pagar o preço dos lanches. Nos quiosques, um cachorro-quente é a partir de R$ 22 e uma porção de batata frita não sai por menos de R$ 15. Na feirinha, uma porção de macarrão com molho custa R$ 28.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/55116620663_55946ff19e_c-300x200.jpg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/55116620663_55946ff19e_c.jpg" alt="A foto mostra duas mulheres jovens e duas crianças sentadas lado a lado em um muro baixo de concreto, em um parque à noite. O espaço é iluminado por postes de luz e cercado por árvores, criando um ambiente tranquilo. As pessoas estão relaxadas, vestindo roupas casuais — as crianças com vestidos e as jovens em calças e camisas. No chão, há um par de sandálias próximo ao muro. A cena transmite simplicidade e companheirismo, um momento de convivência em espaço público sob a calmaria da noite." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Etiene de Andrade (esq.) e Kauane Vitória consideraram os preços em Apipucos inviáveis
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Dos quatro parques da concessão, o de Apipucos era o único, segundo o contrato, que não tinha comerciantes nem ambulantes previamente cadastrados na Emlurb, o que mostra a inação das gestões na prefeitura, já que desde a inauguração do parque, em 2012, o local contava com quiosques que deveriam ter sido usados para o comércio popular – o que nunca foi implementado.</p>



<p>Moradora da Guabiraba, na zona norte, a família da cuidadora de idosos Etiene de Andrade achou os lanches caros. O dia da inauguração do cinema a céu aberto era também o aniversário dela e a primeira vez que visitava o parque. “Gostei muito, achei espaçoso”, disse, afirmando que levou lanche de casa. A sobrinha dela, Kauane Vitória, disse que frequenta o parque da Macaxeira. “Lá a gente lancha pipoca, salgadinho, biscoito. E gasta no máximo 30, 40 reais, para umas três pessoas. Aqui é caro demais”, disse.</p>



<p>Morador do bairro e frequentador assíduo do parque de Apipucos, o médico Murilo Nascimento chega a gastar entre R$ 100 a R$ 150 quando vai nos dias de feirinha. “É um preço justo pela qualidade da comida que é oferecida. Se você oferece um serviço melhor, aí eu acho que você pode cobrar mais. E a alimentação está cara no Recife. Vale pela experiência, mas eu acho que não é um programa, considerando ser um espaço público, que é acessível à população de baixa renda, que teoricamente é uma população que precisaria também participar desse tipo de evento cultural. Acho que poderiam ter opções mais populares”, afirmou, se dizendo a favor da concessão privada. “Movimentou bastante o parque. Acho que dá para melhorar muita coisa, mas o saldo é bastante positivo”.</p>



<p>Vale lembrar que lá atrás, ainda em 2021, o então vereador Ivan Moraes (PSOL) fez uma emenda para a lei de parcerias público-privadas (PPPs), enviada pela gestão do prefeito João Campos (PSB), para que houvesse regulamentação dos preços dos produtos vendidos dentro dos espaços concedidos. A emenda não foi aprovada na votação na Câmara de Vereadores.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">&#8220;Parques são dos últimos lugares nas cidades em que diferentes classes sociais se encontram para o lazer&#8221;</span>

		<p><span style="font-weight: 400;">Pesquisadora da cultura do consumo, a socióloga Maria Eduarda da Mota Rocha, professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), tem acompanhado com apreensão as mudanças nos parques públicos com a concessão privada. Assim como as praias, os parques urbanos são dos poucos lugares onde todas as classes sociais se encontram. Mas, com as mudanças da forma de consumo nesses locais, isso pode estar mudando.</span></p>
<p><b>Quando um espaço público passa a oferecer produtos com preços inacessíveis para a população de baixa renda, ocorre um processo de exclusão, mesmo sem cobrança de ingresso?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem dúvida. Podemos utilizar, de forma flexível, o termo gentrificação para descrever esse fenômeno, que é o processo pelo qual populações pobres são afastadas ou expulsas de espaços valorizados. Criam-se barreiras invisíveis entre as classes sociais por meio do consumo. A vida em sociedade é marcada por diversos processos de classificação social que situam as pessoas, como classe, gênero e raça. Certas práticas de consumo vão se reposicionando do ponto de vista das classes sociais como práticas mais exclusivas. E as pessoas sentem isso. Quando o ambiente sinaliza que &#8220;aquele lugar não é para ela&#8221;, o indivíduo deixa de se sentir pertencente. É uma questão grave quando pensamos que esses espaços foram construídos com dinheiro público e que deveriam ser usufruídos coletivamente. </span></p>
<p><b>Qual o risco social de transformar o parque público em um espaço onde a &#8220;boa experiência&#8221; é condicionada à capacidade de consumo?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O risco é a perda da dimensão de civilidade que o espaço público deve fomentar.  Quando transformamos o parque em um espaço de consumo — uma espécie de &#8220;praça de alimentação verde&#8221; — as relações passam a ser mediadas exclusivamente pelo dinheiro – não que o dinheiro não fosse mediador antes, mas isso se exacerba. Isso hierarquiza e exclui, eliminando os únicos locais, como parques públicos e praias, onde pessoas de diferentes rendas poderiam se encontrar em uma condição de igualdade fundamental. A generalização dessa lógica mercantil desgasta a percepção de que fazemos parte de uma coletividade com um destino comum. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As palavras podem não ser essas, mas o arquiteto Delfim Amorim tinha uma fala de que a cidade é um dispositivo para juntar pessoas e que deve permanentemente ser atravessada pela diversidade, inclusive a diversidade de classe. Hoje, há um processo na sociedade brasileira de grande polarização social, em que uma parte das elites acredita que vai poder viver distante dessa mistura. Isso reforça certas disposições, que são disposições de preconceito, de incapacidade de empatizar com os outros, de reconhecer o direito delas à cidade. Essa dimensão da civilidade que o espaço público fomenta, quando você tem a privatização desses parques caminhando para um processo de gentrificação, a gente tem os últimos espaços em que esses tipos diferentes podem se encontrar. Os únicos espaços em que uma pessoa que ganha mais de 20 salários pode se encontrar com uma pessoa que ganha um salário mínimo no domínio de lazer, entendendo que, nesse ponto, elas são iguais. </span></p>
<p><b>O comércio popular também cria memórias afetivas em parques. Como a banca da Jaqueira, que já tem décadas no mesmo lugar. A retirada ou mudança pode esmaecer a identidade cultural e a memória desses locais?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sim. Primeiro, há o impacto direto na fonte de renda de populações que mais precisam desses recursos. Mas, para além disso, quando o sentimento de pertencimento a um espaço passa a depender do papel do consumidor, a identidade cultural é sufocada pela mercadoria. Ao tratar o parque e seus serviços apenas como ativos financeiros, ignora-se que esses locais são repositórios de memória afetiva e histórica. A redução da vida social ao consumo gera crises de sentido e apaga as formas tradicionais de ocupação do espaço urbano.</span></p>
<p><b>Esse modelo de concessão e as mudanças no comércio popular servem de alerta para outros projetos de intervenção urbana que estão sendo gestados para o Recife, como o <a href="https://marcozero.org/distrito-guararapes-vai-ter-873-kitnets-com-metro-quadrado-mais-caro-que-a-media-do-recife/" target="_blank" rel="noopener">Distrito Guararapes</a>?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sim, pois o mecanismo fundamental da gentrificação é o aumento do custo de vida e do uso do solo, o que ameaça diretamente moradores e comerciantes de baixa renda. Existe uma falácia ao dizer que o comércio popular será integrado sem conflitos. Na realidade, há uma distinção entre o tipo de produto ofertado por esses trabalhadores e a demanda das novas classes que passam a habitar essas áreas revalorizadas. De todos os lados, temos a generalização de uma lógica mercantil, com a mercadoria como forma fundamental de mediação da existência humana e da relação entre as pessoas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eu acho precisamos ir um pouco na contramão disso, para recuperar outro significado que a existência pode ter: o significado de estar junto, de usufruir do espaço coletivo, de você se perceber como parte de uma coletividade que tem um destino comum. Isso são coisas que estão se desgastando. A nossa única forma de estar no mundo é o consumo. Nada contra o consumo. A cultura material é importante, mas quando a vida se reduz a isso temos essas crises de sentido que a humanidade atravessa hoje.</span></p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading">Divergências no número de ambulantes cadastrados</h2>



<p>Há várias incoerências nos números de ambulantes cadastrados nos três outros parques. Enquanto em uma comunicação da prefeitura com o Ministério Público de Pernambuco, a Emlurb afirmo, no ano passado, que existiam 38 ambulantes cadastrados no Dona Lindu, no contrato com a Viva Parques há referência a apenas dez. Em uma resposta a um pedido de informação da Marco Zero no ano passado, a Viva afirmou que não havia nenhum ambulante previamente cadastrado na Jaqueira. No contrato, são 29.</p>



<p>As garantias de trabalho para os ambulantes são mais soltas do que para os permissionários com quiosques. Pelo contrato, eles devem passar por uma “estratégia de formalização, engajamento e capacitação&#8221;, para serem integrados à nova gestão dos parques. Caso a integração seja impossível por “incompatibilidade”, o contrato informa que esses trabalhadores devem ser priorizados nos processos seletivos para contratação como funcionários diretos da empresa.</p>



<p>A concessionária, que possui ampla liberdade para formular estratégias comerciais, também pode restringir produtos vendidos pelos ambulantes. Em nota para a MZ, a Viva afirmou que não tem aplicado cobrança de taxas ou percentuais para a atuação de parte dos ambulantes. &#8220;A concessionária tem trabalhado na manutenção dessa relação, que envolve capacitação técnica, fatores como fluxo de público, perfil de consumo e organização dos espaços. A eventual contratação direta de ambulantes depende da compatibilidade entre as atividades exercidas e o modelo operacional dos parques, sendo analisada caso a caso&#8221;.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block">Perguntas e respostas para a Viva Parques</span>

	    <p><strong>Quais são as regras e condições estabelecidas para os comerciantes que já atuavam nos parques antes da concessão?</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os comerciantes que atuavam antes da nos parques antes da concessão mantinham relação jurídica de permissão de uso com o Município do Recife, instrumento de natureza precária, que foi substituído pelo novo regime jurídico decorrente do contrato de concessão. </span><span style="font-weight: 400;">A partir desse novo modelo, a concessionária passou a conduzir as relações comerciais, respeitando as diretrizes contratuais e garantindo preferência aos antigos permissionários nas negociações.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde o início da concessão, a empresa tem priorizado o diálogo, promovendo rodas de conversa e apresentando os projetos futuros dos parques, com o objetivo de integrar esses comerciantes ao novo modelo de operação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Viva do Brasil entende que antes mesmo do projeto de infraestrutura aprovado ser efetivamente implementado, cujo cronograma segue em plena execução, era possível desenvolver atividades que visassem melhorar a experiência dos usuários e, por consequência, incrementar o fluxo nos Parques. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse primeiro ano de gestão, a Viva do Brasil trabalhou intensamente nas demandas relacionadas à segurança, limpeza, higiene, mobiliário, bem como no incremento de uma rotina de atividades culturais, esportivas e gastronômicas. O resultado desse movimento impactou diretamente esses antigos permissionários, que viram o fluxo de pessoas nos parques triplicar, o que ampliou significativamente o potencial de consumo e geração de receita para os próprios comerciantes.</span></p>
<p><strong>Ficou definido que os antigos permissionários deverão pagar o valor de “joia” (taxa de adesão) pelos novos quiosques ou pelos espaços reformados? Em caso positivo, qual o valor e quais as condições de parcelamento oferecidas para viabilizar a permanência desses trabalhadores? Além disso, de quanto será o percentual de <em>revenue share</em> inicial exigido deles?</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Até o momento, não houve cobrança de qualquer taxa de adesão (“joia”), aluguel ou percentual de faturamento dos antigos permissionários para permanência, seja durante o período de transição, seja no período atual, de plena operação. </span><span style="font-weight: 400;">Nos termos do contrato, a definição de eventuais condições comerciais segue o novo modelo de gestão da concessão, podendo incluir mecanismos usualmente aplicados em operações comerciais estruturadas, garantindo o direito de preferência aos antigos permissionários nas mesmas condições oferecidas a terceiros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A concessionária tem estruturado condições que viabilizem economicamente a permanência desses comerciantes. As condições específicas serão tratadas de forma individualizada, transparente e compatível com cada tipo de operação. </span></p>
<p><strong>Quando as propostas comerciais individuais serão formalizadas junto aos comerciantes para que se inicie a contagem do prazo de 30 dias previsto em contrato para a manifestação de interesse na permanência?</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O prazo de 30 dias previsto no contrato refere-se ao exercício do direito de preferência pelos antigos permissionários, contado a partir da formalização e notificação das condições comerciais aplicáveis a cada caso. </span><span style="font-weight: 400;">Não há, no contrato, prazo específico para que a concessionária apresente essas propostas, uma vez que esse processo depende da evolução dos projetos, da implantação das novas estruturas e da definição do modelo operacional de cada espaço.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Viva do Brasil já iniciou o processo de diálogo com os comerciantes e seguirá conduzindo as tratativas de forma estruturada e progressiva, garantindo transparência e previsibilidade.</span></p>
<p><strong>Os quiosques localizados na calçada da rua do Futuro, no parque da Jaqueira, serão mantidos e reformados ou há previsão de retirada para que a calçada fique livre, seguindo o modelo do lado da avenida Rui Barbosa?</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As definições relativas à manutenção, adaptação ou eventual reconfiguração de estruturas físicas seguem o <em>masterplan</em> aprovado pelo Poder Concedente, conforme previsto no contrato de concessão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse planejamento busca qualificar os espaços públicos, melhorar a circulação, a acessibilidade e a experiência dos usuários, podendo implicar ajustes nos pontos comerciais existentes, a exemplo do incremento de acesso interno pelo Parque, sem ter a necessidade de sair do equipamento, inserção de mobiliário de apoio ao consumo e descanso, etc.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eventuais alterações serão realizadas de forma planejada, respeitando as diretrizes urbanísticas, o projeto aprovado e o equilíbrio entre interesse público, ordenamento do espaço e viabilidade das atividades econômicas.</span></p>
<p><strong>O que acontece, na prática, com o comerciante que não desejar aderir às novas regras financeiras e operacionais da Viva Parques após o encerramento do período de transição?</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O período de transição previsto contratualmente já foi integralmente concluído. Desde então, a concessão se encontra em plena fase de operação, com a Viva Parques exercendo a gestão dos equipamentos dentro das diretrizes estabelecidas no contrato e no caderno de encargos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O contrato de concessão prevê a condução das relações comerciais dentro de um novo modelo de gestão. A Viva Parques tem atuado para construir soluções negociadas, priorizando a permanência dos comerciantes que já atuavam nos parques. Eventuais situações específicas serão tratadas individualmente, sempre com base no diálogo e nas condições estabelecidas contratualmente.</span></p>
<p><strong>Em relação aos ambulantes cadastrados (29 na Jaqueira, quatro no Santana e dez no Dona Lindu), eles já estão pagando algum tipo de taxa ou percentual à Viva Parques para operar? Algum ambulante já foi contratado como funcionário direto da concessionária, conforme a regra de prioridade prevista em contrato para casos de incompatibilidade entre as vendas dos ambulantes e a nova gestão?</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os cadastros de ambulantes existentes são anteriores à concessão e vinculados à Prefeitura do Recife. A Concessionária não tem aplicado cobrança de taxas ou percentuais por parte da Viva Parques para a atuação de parte desses comerciantes listados que efetivamente desempenham atividades nos parques. A concessionária tem trabalhado na manutenção dessa relação, que envolve capacitação técnica, fatores como fluxo de público, perfil de consumo e organização dos espaços. A eventual contratação direta de ambulantes depende da compatibilidade entre as atividades exercidas e o modelo operacional dos parques, sendo analisada caso a caso.</span></p>
    </div>
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		<title>Entre penduricalhos e parcelas, a crônica de uma servidora pública sem enfeites</title>
		<link>https://marcozero.org/entre-penduricalhos-e-parcelas-a-cronica-de-uma-servidora-publica-sem-enfeites/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Mar 2026 19:43:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[penduricalhos]]></category>
		<category><![CDATA[salários da Justiça]]></category>
		<category><![CDATA[serviço público]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Telma de Oliveira Melo* Outro dia, li entre um plantão e outro da vida, a fala solene no STF em defesa dos “penduricalhos”. Palavra curiosa, essa. Na minha infância, penduricalho era enfeite de árvore de Natal. Agora descubro que também pode enfeitar contracheque e com muito mais brilho. Sou enfermeira. Quarenta e dois anos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Telma de Oliveira Melo*</strong></p>



<p>Outro dia, li entre um plantão e outro da vida, a fala solene no STF em defesa dos “penduricalhos”. Palavra curiosa, essa. Na minha infância, penduricalho era enfeite de árvore de Natal. Agora descubro que também pode enfeitar contracheque e com muito mais brilho.</p>



<p>Sou enfermeira. Quarenta e dois anos de Ministério da Saúde nas costas, nos joelhos, na lombar, na vista cansada de ler prontuário. Foram anos em hospitais, na lida direta com o paciente; depois na policlínica, equilibrando demanda, urgência e escassez, e atualmente no nível central da gestão da saúde, como técnica em saúde, onde os papéis pesam tanto quanto os plantões de outrora. Poderia me aposentar, é verdade. Mas a aposentadoria, para nós mortais do serviço público sem penduricalhos, costuma ser uma espécie de dieta forçada: corta-se aqui, reduz-se ali, e de repente o plano de saúde que já consome uns modestos 25% do salário, passa a olhar para mim com aquele ar faminto. E os remédios, sempre pontuais como um boleto, aumentam com a mesma disciplina que eu tive ao pegar ônibus sob sol, chuva e greve.</p>



<p>Durante anos fui fiel ao transporte coletivo. Fizesse sol ou chuva, lá estava eu, com bolsa, marmita e compromisso. Compromisso é compromisso, sempre foi meu lema. Até que, depois de muito esforço, contas ajustadas no limite do possível e uma boa dose de coragem, consegui comprar um carro. Financiado, claro, porque milagre não consta no meu plano de carreira. Mas aquele carro representou mais do que quatro rodas: foi o alívio do desgaste físico, a economia de tempo, a preservação de um pouco da sanidade depois de plantões longos. Não foi luxo, foi sobrevivência com parcelas mensais.</p>



<p>Enquanto isso, descubro que há quem receba, líquidos, a bagatela de R$ 709 mil ao longo do ano. Líquidos. A palavra me chama atenção porque, no hospital, líquido é soro, na folha de pagamento, parece ser outra substância, mais rara, quase etérea.</p>



<p>Fiquei pensando na logística dos meus próprios “penduricalhos”. Ao longo dos anos, no setor em que estou cedida ao SUS, lotada aqui, encaixada ali, eu e meus colegas compramos café, chá, cafeteira, micro-ondas. Não por luxo, mas por sobrevivência gastronômica. Como não havia local adequado para esquentar a marmita, improvisamos. Nosso penduricalho é a extensão elétrica. Nosso benefício é a vaquinha do fim do mês.</p>



<p>E então ouço a fala da doutora, meritíssima? excelência? Confesso que, nesse ponto, o tratamento virou detalhe. Não me interessa o título, porque respeito não depende de pronome de tratamento, depende de sensibilidade. E é aí que mora meu espanto, a tentativa de se apresentar como coitadinha em meio a uma multidão de servidores que, na maioria, não recebem nem 1% do que ela chama de vencimentos.</p>



<p>Não escrevo movida por ira, embora a pressão arterial tenha seus comentários a fazer, mas por essa necessidade quase terapêutica de organizar o espanto. Se é desabafo ou catarse, pouco importa. Talvez seja apenas a velha enfermeira tentando medir os sinais vitais da República.</p>



<p>E, olhando os números, confesso: a febre é alta.</p>



<p>Enquanto isso, amanhã estarei de novo a caminho do trabalho, agora ao volante do meu carro parcelado, quitando com esforço cada prestação, com meu crachá, minha marmita e meus próprios, discretíssimos, penduricalhos: dignidade, compromisso e um café dividido entre colegas. Esses, sim, rendem muito.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>*<strong>Enfermeira e servidora pública federal</strong> é concursada há mais de 40 anos. Ao longo de sua trajetória, acumulou ampla experiência no sistema público de saúde, atuando na assistência hospitalar, na gestão de unidades de saúde e em funções estratégicas na administração central.</p>
    </div>
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		<item>
		<title>Pesquisa quer escutar mulheres trabalhadoras do terceiro setor no Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Feb 2026 18:30:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[movimento social]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[terceiro setor]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A pesquisa nacional inédita “Senso Mulheres do Terceiro Setor” está em andamento para ouvir e registrar as experiências das mulheres que atuam no chamado terceiro setor brasileiro. A iniciativa é conduzida pelo Instituto Incube, Gênero e Número e Instituto Lamparina, que convidam as trabalhadoras de organizações da sociedade civil a responderem um questionário online. Segundo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A pesquisa nacional inédita “Senso Mulheres do Terceiro Setor” está em andamento para ouvir e registrar as experiências das mulheres que atuam no chamado terceiro setor brasileiro. A iniciativa é conduzida pelo Instituto Incube, Gênero e Número e Instituto Lamparina, que convidam as trabalhadoras de organizações da sociedade civil a responderem um questionário <a href="https://pt.surveymonkey.com/r/Mulheres-Terceiro-Setor" type="link" id="https://pt.surveymonkey.com/r/Mulheres-Terceiro-Setor" target="_blank" rel="noreferrer noopener">online</a>. Segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do Trabalho e Emprego, elas representam 65% da força de trabalho nesse campo, mas ainda são pouco ouvidas sobre suas condições e trajetórias.</p>



<p>A participação é aberta a mulheres em qualquer função e em diferentes tipos de organizações da sociedade civil. O levantamento busca compreender desigualdades, sobrecargas, percursos militantes e os atravessamentos de gênero, raça e geração que impactam suas vidas dentro e fora do ambiente institucional. </p>



<p>O questionário é voluntário e gratuito, e quanto mais diversa for a adesão, mais fiel será o retrato produzido. Os resultados, previstos para o segundo semestre de 2026, serão divulgados em relatório público e servirão de base para reportagens, análises e debates sobre trabalho, desigualdades e o papel do Terceiro Setor no Brasil.</p>



<p>O nome da pesquisa, escrito com “S” e não com “C”, é proposital, segundo os organizadores, remete a sentir, perceber e refletir. Mais do que coletar dados, o objetivo é registrar histórias, sensações e desafios enfrentados por mulheres que sustentam o trabalho social no país, muitas vezes invisibilizadas em levantamentos tradicionais.</p>
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		<item>
		<title>Às vésperas do Carnaval, terceirizados da Fundarpe denunciam atrasos de salários</title>
		<link>https://marcozero.org/as-vesperas-do-carnaval-terceirizados-da-fundarpe-denunciam-atrasos-de-salarios/</link>
					<comments>https://marcozero.org/as-vesperas-do-carnaval-terceirizados-da-fundarpe-denunciam-atrasos-de-salarios/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Feb 2026 21:17:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[Fundarpe]]></category>
		<category><![CDATA[terceirizadas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com o Carnaval batendo na porta, funcionários das empresas Únika e Atitude, que prestam serviço para a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), estão com os salários de janeiro atrasados. O pagamento deveria ter sido feito na sexta-feira passada, o quinto dia útil do mês. Apesar d atraso ser de poucos dias, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Com o Carnaval batendo na porta, funcionários das empresas Únika e Atitude, que prestam serviço para a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), estão com os salários de janeiro atrasados. O pagamento deveria ter sido feito na sexta-feira passada, o quinto dia útil do mês. Apesar d atraso ser de poucos dias, funcionários das empresas denunciam que os atrasos são recorrentes, que a Únika não deposita o FGTS desde novembro do ano passado e que o pagamento dos auxílios de alimentação e transporte também está atrasado. Quem entrou de férias também não recebeu o salário adiantado.</p>



<p>“Desde novembro os atrasos vêm acontecendo e a demanda de serviços aumentando, devido às contratações para o Carnaval. O salário de dezembro foi pago no dia 13 de janeiro. Há uma pressão absurda para o trabalho continuar, mas sem previsão alguma para o pagamento”, denunciou um funcionário, que não quis ser identificado.</p>



<p>Órgão do Governo do Estado responsável pelo patrimônio e difusão cultural, a Fundarpe não possui funcionários públicos próprios, pois nunca houve concurso para preencher as vagas de seu organograma. Há concursados emprestados de outros órgãos, comissionados, terceirizados e aprovados em seleções simplificadas. No ano passado, tanto o Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) quanto o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) já emitiram notificações para que o Governo faça concurso público para a Fundarpe.</p>



<p>Por e-mail, outro funcionário denunciou que a empresa alterou unilateralmente a forma de pagamento dos benefícios do mês de janeiro, passando a pagar vale-alimentação e vale-transporte de forma parcial e sem qualquer comunicação prévia. “A legislação trabalhista é clara: a inadimplência do poder público não exime a empresa do cumprimento das obrigações trabalhistas. O risco da atividade econômica é do empregador e não dos trabalhadores. Apesar de o sindicato da categoria estar informado, a situação permanece sem solução. Diversas denúncias já foram feitas ao MPPE, TCE-PE, Ministério do Trabalho e Justiça do Trabalho de Pernambuco”, afirmou.</p>



<p>Quando os terceirizados chegaram para trabalhar na segunda-feira (9), os rumores eram de que o salário não iria sair até o Carnaval. Ainda na segunda, a direção da Fundarpe fez reuniões com representantes das duas empresas contratadas, mas os comunicados divulgados pelo órgão após as reuniões deixaram os funcionários das duas empresas ainda mais apreensivos.</p>



<p>“O que foi repassado para a gente foi um texto mal feito que dava a entender que a Fundarpe concordava que as empresas só fizessem o pagamento daqui a 30 dias. Isso gerou muita indignação. Os valores pagos já são muito baixos. Os funcionários da Atitude recebem aproximadamente R$ 2,5 mil e a Únika paga R$ 3,5 mil brutos. A gente também não recebe por hora extra, que são muitas neste período, com o Carnaval e o festival Pernambuco Meu País. O trabalho a mais é só trocado por folgas”, reclamou um terceiro funcionário ouvido pela MZ.</p>



<p>A Marco Zero teve acesso a dois comunicados internos emitidos pela Fundarpe nesta semana. Um deles citava que as pendências seriam regularizadas “o mais breve possível”, sem citar datas. Afirmava também que “a empresa apresentou uma proposta que está sendo analisada pela gestão, devidamente assessorada pela diretoria jurídica, com o objetivo de assegurar que as empresas contratadas sanem as pendências existentes, em estrita observância às cláusulas contratuais e às normas legais aplicáveis”.</p>



<p>O outro comunicado, assinado pela gestora contratual Tereza Campos, tratava da reunião com a Únika e informava que a empresa, representada por Michel Nóia, afirmava que estava em “situação de descapitalização” e em tratativas com a Caixa Econômica Federal para parcelar os débitos do FGTS. O texto também dizia que a Fundarpe havia tomado todas as providências administrativas cabíveis e que também já foram adotadas medidas “contratuais e legais” em relação à Únika.</p>



<p>O ponto que deixou os funcionários apreensivos foi a parte que afirma que vai ser elaborado um termo de compromisso para que a Únika se comprometa a “sanar integralmente os débitos trabalhistas apontados, no prazo máximo de 30 dias, como condição para a liberação excepcional das faturas mencionadas”. Isso porque o Governo do Estado não liberou os repasses de dezembro e janeiro para a Únika, em sanção aos atrasos de salários.</p>



<p>A Marco Zero entrou hoje em contato com as empresas Únika e Atitude, mas até o fechamento desta matéria não obteve resposta sobre quando será feito o pagamento dos funcionários. Além da Fundarpe, a Únika tem contratos de prestação de serviços para outros órgãos do Governo do Estado e também com secretarias da prefeitura do Recife. Nas redes sociais, também há relatos de trabalhadoras terceirizadas da prefeitura denunciando atraso nos salários deste mês.</p>



<p>Em nota à Marco Zero, a Fundarpe afirmou que os repasses financeiros para as empresas estão temporariamente suspensos, pelo não cumprimento do contrato, e que foi elaborado um termo de compromisso que estabelece que, após o repasse do pagamento pela Fundarpe, as empresas terceirizadas deverão efetuar os pagamentos aos terceirizados em até 48 horas.</p>



<p>Sem dar prazos, a Fundarpe afirmou que está cobrando para que as pendências sejam regularizadas o mais rapidamente possível e destacou que a “responsabilidade pelo pagamento dos salários e por eventuais benefícios é exclusiva das empresas contratadas, conforme previsto nos contratos firmados”.</p>



<p>A Fundarpe também informou que 35 terceirizados irão trabalhar durante o Carnaval e que está “priorizando a regularização da situação trabalhista pelas empresas antes da execução dos serviços”.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Confira a nota completa:</strong></li>
</ul>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

		<p>A Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) informa que os repasses financeiros às empresas Unika e Atitude estão temporariamente suspensos em razão do não cumprimento, por parte das prestadoras, de obrigações legais, previdenciárias e trabalhistas previstas em contrato. De acordo com a legislação vigente, a Fundarpe só pode efetuar pagamentos às empresas após a comprovação da regularidade dessas obrigações.</p>
<p>Desde o primeiro dia em que tomou conhecimento do atraso salarial, a Fundarpe entrou em contato com as empresas, cobrando esclarecimentos e adotando as providências administrativas cabíveis. Entre as medidas tomadas, foi elaborado um termo de compromisso. Este mesmo estabelece que, após o repasse do pagamento pela Fundarpe, as empresas terceirizadas deverão efetuar os pagamentos aos colaboradores em até 48h.</p>
<p>A Fundarpe segue acompanhando de perto a situação, mantendo diálogo permanente com as prestadoras de serviço e reforçando a cobrança para que as pendências sejam regularizadas o mais rapidamente possível, garantindo os direitos dos trabalhadores envolvidos. Cabe destacar que a responsabilidade pelo pagamento dos salários e por eventuais benefícios é exclusiva das empresas contratadas, conforme previsto nos contratos firmados.</p>
<p>Em relação às atividades previstas para o período do Carnaval, 35 deles irão atuar trabalhando nos dias de festa. A Fundarpe informa que o acompanhamento da atuação dos trabalhadores terceirizados seguirá sendo feito de forma responsável, dentro dos limites legais e contratuais, priorizando a regularização da situação trabalhista pelas empresas antes da execução dos serviços.</p>
	</div>
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			</item>
		<item>
		<title>Conheça as barreiras enfrentadas por pessoas com deficiência nos concursos públicos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Jan 2026 19:50:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[concurso público]]></category>
		<category><![CDATA[pessoas com deficiência]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Larissa Pontes e Palloma Viana, do portal Eficientes No universo dos concursos públicos, o edital funciona como regra máxima, garantindo igualdade de condições, transparência e segurança jurídica a todos os candidatos. Em dezembro de 2025, esse princípio foi colocado em xeque no concurso para a Procuradoria do Recife. A mudança na interpretação das normas [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Larissa Pontes e Palloma Viana, do portal <a href="https://eficientes.org.br/">Eficientes</a></strong></p>



<p>No universo dos concursos públicos, o edital funciona como regra máxima, garantindo igualdade de condições, transparência e segurança jurídica a todos os candidatos. Em dezembro de 2025, esse princípio foi colocado em xeque no concurso para a Procuradoria do Recife. A mudança na interpretação das normas acabou prejudicando candidatos com deficiência e levantou questionamentos sobre o respeito às regras previamente estabelecidas. O caso de Marko Venício expõe como decisões administrativas podem relativizar o edital e gerar insegurança em um processo que deveria ser pautado pela legalidade e pela equidade.</p>



<p>No dia 23 de dezembro, durante o recesso jurídico, a Prefeitura do Recife publicou, em edição extra do Diário Oficial, a nomeação da vaga destinada a pessoas com deficiência (PcD) para a Procuradoria do Recife, ocupada por Lucas Vieira Silva. A publicação causou estranhamento, já que o único candidato classificado para a vaga PcD era Marko Venício dos Santos Batista. O impasse teve origem em um processo administrativo sigiloso, no qual Lucas, aprovado pela ampla concorrência, solicitou o reconhecimento como pessoa com deficiência com base em um diagnóstico de autismo obtido após o período de inscrição. O pedido foi aceito, a lista foi reclassificada e o prefeito João Campos nomeou Lucas para a vaga.</p>



<p>A advogada Rayssa Gomes, especialista em Direito do Servidor Público, representante jurídica de Marko, classificou o episódio como uma “aberração jurídica”. Segundo ela, a administração pública desconsiderou a homologação etapa que consolida a ordem classificatória. “Eles mudaram a lista após a homologação”, afirma. A nomeação de Marko só ocorreu dias depois, após repercussão pública, mas o processo judicial segue em curso, mantendo um cenário de insegurança jurídica.</p>



<p>A especialista alerta que decisões desse tipo abrem precedentes de arbitrariedade e fortalecem práticas capacitistas nas etapas menos visíveis dos concursos, especialmente nas perícias médicas. A legislação brasileira prevê avaliações biopsicossociais e reserva de vagas entre 5% e 20% para pessoas com deficiência, mas a aplicação desses direitos segue frágil.</p>



<p>“Os órgãos públicos costumam adotar o percentual mínimo de cotas e, ainda assim, não há fiscalização efetiva. Na prática, esse direito não é garantido”, afirma João Maurício Assis, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da OAB-PE.</p>



<p>A perícia médica, concebida como instrumento de garantia de acesso, tem se consolidado como um dos principais gargalos do sistema. Em vez de avaliar barreiras sociais e funcionais, muitas bancas mantêm uma lógica estritamente biomédica, centrada na normalização do corpo.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                                        <p class="m-0">“Quando você entra na vaga PcD, já é colocado como pessoa incapaz”, lamenta Paulo Monte
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Eficientes</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>O conselheiro municipal de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Comud), Paulo Monte, relata ter passado por uma avaliação sem qualquer critério técnico específico para o autismo. “O médico olhou meus braços e pulsos para saber se eu era autista”, conta. A perícia durou cerca de 20 minutos e foi descrita como “horrível”.</p>



<p>Após recorrer da análise da perícia, Paulo Monte relata que, ao ingressar em um cargo pela vaga de pessoa com deficiência, foi subitamente considerado “incapaz” e teve suas funções limitadas, embora já tivesse exercido as mesmas atividades sem restrições quando entrou anteriormente pela ampla concorrência. “Quando você entra na vaga PcD, você já é colocado como uma pessoa incapaz”, lamenta. Essas falhas revelam uma cultura institucional que, apesar da legislação, continua a enxergar a pessoa com deficiência pela ótica da ineficiência.</p>



<h2 class="wp-block-heading">A utopia do acesso igualitário</h2>



<p>Apesar de um robusto arcabouço legal, a inclusão efetiva de pessoas com deficiência no serviço público brasileiro continua sendo uma “utopia”, segundo o advogado, João Maurício Assis, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da OAB-PE. A legislação existe, mas sua aplicação é falha e insuficiente. As evidências dessa negligência se acumulam.</p>



<p>No Brasil, há 14,4 milhões de pessoas com deficiência, de acordo com o IBGE (2022), o que representa 7,3% da população. No entanto, apenas 2,6% dessas pessoas são servidores públicos federais, segundo dados do Painel Estatístico de Pessoal (PEP). Esse cenário está diretamente relacionado ao acesso à educação, aponta o presidente da comissão da OAB-PE.</p>



<p>Uma das questões centrais é o acesso à educação. Conforme os últimos dados do IBGE, apenas 7,4% das pessoas com deficiência haviam concluído o ensino superior. “Independentemente de ser pessoa com deficiência ou não, o acesso à educação já é desigual. Para a pessoa com deficiência, isso pesa ainda mais, especialmente quando há limitações físicas e dependência de terceiros. O modelo atual de concursos perpétua a exclusão, pois favorece quem pode pagar cursinhos e dedicar tempo integral aos estudos, penalizando pessoas com deficiência que enfrentam maiores vulnerabilidades e barreiras sociais”, afirma João Maurício.</p>



<p>A fonoaudióloga Emmanuelle Olímpio, especialista em Saúde Pública e mestranda pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), também enfrentou dificuldades após um diagnóstico tardio de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Embora aprovada em concurso e nomeada em 2025, teve a posse negada duas vezes por perícia médica estadual, sob alegação de inaptidão. “Deficiência que não se vê gera desrespeito”, enfatiza.</p>



<p>A situação se torna ainda mais contraditória quando se observa que, no mesmo período, Emmanuelle foi aprovada como única candidata PcD em concurso da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) para atuar como fonoaudióloga em um hospital universitário. Ainda assim, no serviço público estadual, seu direito foi reiteradamente negado. Hoje, atuando na Coordenação da Atenção à Saúde da Pessoa com TEA e demais Neurodiversidades (Casptean), ela afirma que, mesmo estando em um setor diretamente relacionado à sua condição e à sua formação, sente-se invisibilizada institucionalmente.</p>



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	                                        <p class="m-0">Emmanuelle Olímpio, diagnosticada tardiamente com TEA, teve a posse em concurso negada duas vezes
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Eficientes</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“Deficiência que se vê gera olhares. A deficiência oculta não. Ninguém enxerga as batalhas internas”, afirma. Para Emmanuelle, o capacitismo começa quando o sistema adota métodos de avaliação que não consideram a diversidade de condições humanas e se aprofunda no pós-concurso, quando a inclusão se encerra no papel. Não basta chamar a pessoa para o baile, tem que chamar para a dança e dar condições de dançar”, resume.</p>



<p>Se para muitos o acesso já é limitado, para outros o concurso público representa a única chance concreta de mobilidade social. A história de Maria Zuy ilustra essa realidade.</p>



<p>Nascida em uma família humilde em Carpina, no interior de Pernambuco, Maria adquiriu poliomielite ainda na infância, o que deixou uma sequela física permanente. Durante anos, viveu em situação de vulnerabilidade social, dependendo do Benefício de Prestação Continuada (BPC) da mãe para garantir o básico. Foi mãe solo, enfrentou o desemprego e a exclusão no mercado de trabalho, onde relata nunca ter sido escolhida para vagas formais.</p>



<p>Sem recursos para cursinhos, Maria passou a estudar sozinha para concursos públicos, com materiais emprestados e noites viradas sobre livros. Em 2003, iniciou uma rotina intensa de estudos que resultou na primeira aprovação dois anos depois. A partir dali, vieram mais de dez aprovações. “Só através dos estudos eu ia mudar minha vida”, afirma.</p>



<p>Hoje, Maria é assistente social na Prefeitura do Recife e técnica em enfermagem no Hospital das Clínicas da UFPE. Casada, mãe de dois filhos, um formado em medicina e outro estudante do ensino médio, ela segue estudando para novos concursos e planeja escrever um livro sobre a própria trajetória. “As dificuldades para quem tem deficiência são enormes, mas a educação foi o que me permitiu sobreviver e mudar de vida”, diz.</p>



<p>Para o presidente da comissão da OAB-PE, a persistência de histórias como as de Marko, Emmanuelle e Maria evidencia o fracasso do modelo atual. Ele defende a criação de concursos específicos para pessoas com deficiência como forma de garantir equidade real. Já o conselheiro do Comud destaca o papel dos conselhos de direitos na fiscalização e cobrança de políticas públicas. “Acessibilidade não pode ser favor. É direito”, afirma Paulo Monte.</p>
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		<title>Piores salários para pessoas negras estão em estados do Nordeste</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Dec 2025 18:42:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Agência Tatu]]></category>
		<category><![CDATA[disparidade de salários]]></category>
		<category><![CDATA[racismo estrutural]]></category>
		<category><![CDATA[salários]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Ana Cecília, da Agência Tatu O Nordeste concentra os quatro estados com as piores remunerações para os trabalhadores negros do país. Segundo levantamento realizado pela Agência Tatu, com base nos dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2024, Paraíba, Piauí, Alagoas e Rio Grande do Norte pagam em média R$ 2.321 para pretos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Ana Cecília, da <a href="https://www.agenciatatu.com.br/noticia/estados-com-a-pior-remuneracao-para-trabalhadores-negros/">Agência Tatu</a></strong></p>



<p>O Nordeste concentra os quatro estados com as piores remunerações para os trabalhadores negros do país. Segundo levantamento realizado pela <a href="https://www.agenciatatu.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Agência Tatu</a>, com base nos dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2024, Paraíba, Piauí, Alagoas e Rio Grande do Norte pagam em média R$ 2.321 para pretos e pardos, enquanto trabalhadores brancos recebem em média R$ 3.161 nesses estados, uma diferença de 36%.</p>



<p>Essa diferença salarial é observada em todos os estados brasileiros. No país, profissionais negros recebem em média R$ 3.075, enquanto trabalhadores brancos ganham R$ 4.496, 46% de diferença.</p>



<p>O Distrito Federal lidera a disparidade de remunerações com brancos tendo salários 86,99%  mais altos que pretos e pardos. Em seguida vem o Rio de Janeiro, com uma diferença de 49,85%, e a Bahia, com uma diferença salarial de 46,31%.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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</p>
	                
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                    </figure>

	


<p>Esses dados são baseados nas declarações anuais prestadas pelos empregadores sobre seus contratados. Calculados pela média de todos os valores salariais existentes nas categorias de emprego, o gráfico ilustra essa desigualdade estado a estado, evidenciando a distância que separa a renda entre os grupos raciais em todo o território nacional.</p>



<p>Os dados mostram que essa diferença salarial persiste mesmo em cargos com altas remunerações, como postos de chefia e alto escalão. Negros nessas funções ganham, em média, R$ 7.144, contra R$ 12.319 recebidos por brancos. Essa diferença de 72% é a maior observada entre as categorias, sendo uma realidade presente em todas as profissões.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Disparidade salarial e construção social</h2>



<p>Para Marli Araújo, doutora em Serviço Social e professora da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), a baixa remuneração no Nordeste e desigualdades salariais é profunda, pois existe um estigma de atraso atribuído ao Nordeste, além de possuir uma população majoritariamente negra, e essa construção social reflete diretamente nos indicadores econômicos.</p>



<p>Em um âmbito geral, segundo a especialista, para entender as diferenças salariais entre pessoas negras e pessoas brancas, é preciso entender como se forma a classe trabalhadora brasileira no pós-abolição e como isso implica em termos salariais atuais.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:45% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="768" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Tatu-salarios-Marli-768x1024.webp" alt="" class="wp-image-73702 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Tatu-salarios-Marli-768x1024.webp 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Tatu-salarios-Marli-225x300.webp 225w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Tatu-salarios-Marli-1152x1536.webp 1152w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Tatu-salarios-Marli-1536x2048.webp 1536w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Tatu-salarios-Marli-640x853.webp 640w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Tatu-salarios-Marli-150x200.webp 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Tatu-salarios-Marli.webp 1600w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>“Você tem uma população de 700 a 800 mil pessoas libertas após a escravidão e você tem uma sociedade brasileira que se forma a partir desse capitalismo industrial da Inglaterra. Essa população negra não é entendida como classe trabalhadora, porque existe uma construção política, ideológica, social, que negro é preguiçoso, que pessoas negras não gostam de trabalhar. Então, você tem aí um processo migratório eugenista no início do século XIX. E, com isso, você vai ter uma diferenciação entre trabalhadores brancos e trabalhadores negros a partir de uma questão racial e que se implica no lucro capitalista”.</p>
</div></div>



<p>Já para o ativista antirracista Jeamerson dos Santos, pesquisador dos campos de educação, cultura e arte, o Nordeste tem uma questão política e econômica histórica, que influência na disparidade salarial. “Há uma colonialidade muito grande nas relações de poder, isso também mantém a região Nordeste dentro dessa condição triste e vergonhosa de ser uma região com índices de desenvolvimento econômico para a população negra de piores condições”.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Caminhos para equiparação econômica</h3>



<p>Ele ainda explica que a equiparação salarial só será possível através do enfrentamento desse contexto histórico e social. “Essas pessoas, por exemplo, que estão no mercado de trabalho, precisam ter apoio para isso, e é necessário que o Estado brasileiro assuma a responsabilidade efetiva de enfrentar o racismo estrutural”.</p>



<p>O especialista ressalta que essas mudanças devem avançar em direção a uma sociedade mais equitativa, indo além da simples discussão e focando em ações concretas. “É importante entender que essa reparação ou equiparação econômica vai se dar quando a gente entender que as contribuições negras não são empecilhos para o desenvolvimento do Brasil, pelo contrário, elas são potências e sempre foram potências, dentro das suas singularidades, dentro das suas pluralidades, dentro das suas diversidades”, conclui.</p>



<p></p>
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		<title>Ambulantes e comerciantes da Guararapes não sabem qual será seu destino no novo projeto da prefeitura</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Nov 2025 20:19:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[centro do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[concessão privada]]></category>
		<category><![CDATA[distrito guararapes]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[setor imobiliário]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A avenida Guararapes, seus arredores e seus prédios construídos entre 1940 e 1960 foram, durante décadas, a parte mais efervescente do centro do Recife. A decadência da área comercial se tornou aguda no século XXI e, hoje, a região é um fantasma do que já foi. Mas não há como olhar para aquela área e não ver que há grande potencial ali. Apesar dos prédios sem uso, da população de rua desamparada, do medo de assaltos e da feiúra da estação de BRT, ainda se vê muita gente andando por lá durante o dia. E há um vuco-vuco de ambulantes e comerciantes que resistem, uns desde os tempos áureos.</p>



<p>O projeto que a prefeitura do Recife está chamando de Distrito Guararapes – uma fatia do bairro de Santo Antônio que o prefeito João Campos (PSB) quer conceder para a iniciativa privada por 30 anos – pode mudar significativamente a área.</p>



<p>Na quarta-feira passada, a Marco Zero foi entrevistar os comerciantes e ambulantes do Distrito Guararapes para saber o que eles acharam das ideias da prefeitura. Todos reconhecem que uma intervenção radical é necessária e que o centro do Recife não pode ficar escanteado como está. Mas reclamam da falta de transparência da prefeitura: ninguém havia visto o projeto apresentado na audiência pública – que, além de ser online, não foi divulgada entre as pessoas que estão todos os dias na Guararapes.</p>



<p>Dos entrevistados, apenas o dono da tradicional Banca Globo, Orlando Patrocínio Oliveira, participou de uma reunião na prefeitura que teve também a presença de outros comerciantes e do BNDES, financiador do projeto, mas isso foi há mais de um ano, em outubro de 2024.</p>





<p>“A Guararapes já está há muito tempo degradada. Está abandonada e esquecida. Esse pessoal que entrou na prefeitura agora, é que do Recentro (pasta criada por João Campos em 2021 para cuidar do centro), alertaram que não podem continuar do jeito que está e tem feito ações pontuais. Mas isso de entregar uma parte do bairro para a iniciativa privada eu não sei se é certo ou errado”, pondera.</p>



<p>Para ele, o incentivo à moradia é uma ótima iniciativa e ele concorda com o projeto de que não deve ser para pessoas de baixa renda – os 873 kitnetes e apartamentos da parceria da prefeitura e a concessionária serão para as faixas 3 e 4 as mais altas do Minha Casa, Minha Vida, para renda mensal de até R$ 12. “Nada contra a moradia popular, mas, na moradia popular, o pessoal que assume não vai poder pagar condomínio, não vai poder manter o prédio”, acredita.</p>



<p>No também tradicional Chá Mate Brasília, vizinho à praça do Sebo, José Pinheiro ficou sabendo do projeto pelos clientes. Acredita que o Recentro ainda precisa apresentar melhorias concretas para a área. “Eu não tenho a menor ideia de como é que vai ser esse projeto. Política é aquela coisa, né? Daqui que venham a realizar o negócio se passaram décadas. E a questão é que o centro está morrendo e ele precisa de mudança urgente”, cobra.</p>



<p>Se José fosse escutado pela prefeitura, iria sugerir que os órgãos públicos e cartórios fossem transferidos para o centro. Da pandemia para cá, a debandada da região se agravou com o fechamento dos Correios (que tinha sede na Guararapes desde 1943), o fechamento de faculdades e a saída da Secretaria de Educação do Recife – que ele lembra com carinho, pois trazia ótimos clientes. “O que sustenta comércio é loja aberta, com muita família trabalhando em cada loja, e clientes. Até um concorrente aberto perto da gente é melhor do que uma loja fechada. Eu espero realmente que esse projeto movimente o centro”, diz Zé, como é chamado pelos clientes. </p>



<p>Uma coisa que ele não quer é que o novo projeto tire a essência de Santo Antônio. “Não tem porque mudar a Praça do Diário. É uma praça bonita e tão antiga, já faz parte daqui”, pede.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/o-ultimo-cha-mate-das-ruas-do-recife/" class="titulo">O último chá mate das ruas do Recife</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/bem-viver/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Bem viver</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading">“Privatização” sem ouvir a população</h2>



<p>Trabalhando há 28 anos na Praça do Sebo, Kátia Sales viu no Instagram de João Campos o anúncio das mudanças. “Mas da mudança da Praça do Sebo eu nem vi, só do entorno da avenida Guararapes”, disse ela, que não gostou da ideia. “Tudo aqui está passando para a iniciativa privada. Está tomando esse rumo e ninguém fala com as pessoas que estão no local. Deveriam ter essa preocupação de escutar, de chegar junto e perguntar: o que é que você acha que pode dar certo? O que é que você acha que vale a pena ser feito?”, sugere Kátia, que também não ficou sabendo da audiência pública. &#8220;Por que não fizeram essa apresentação na avenida Guararapes, que vez ou outra fecha para eventos? Ou aqui mesmo na Praça do Sebo?&#8221;, questionou. A audiência foi realizada pelo Google Meet, com apenas 70 pessoas, muitas delas da própria prefeitura.</p>



<p>Para Kátia, com esse projeto a prefeitura não está pensando em que hoje ainda resiste no centro. “A primeira mudança que deveria vir era que os órgãos públicos realmente investissem aqui. Quando foi criada a pasta Recentro, eu me animei. Eu pensei: ‘poxa, agora vai ter uma pasta exclusiva para o centro, agora a coisa vai funcionar’. Mas eu não pensei que o projeto ia ser transformar o centro num setor imobiliário. E um setor imobiliário muito caro, por sinal”, critica. “Porque uns apartamentos pequenos por R$ 310 mil? pela misericórdia! Não é padrão de classe média de jeito nenhum&#8221;, exclama. </p>



<h3 class="wp-block-heading">Sem informações, ambulantes temem remoção</h3>



<p>Dividindo a calçada do prédio dos Correios com a população de rua, nenhum dos cinco ambulantes da avenida Guararapes e rua do Sol sabia dos planos da prefeitura para eles. Todos viram a novidade pela imprensa ou pelo perfil de Instagram de João Campos – que tem mais de 2,2 milhões de seguidores.</p>



<p>Mais economicamente vulneráveis, eles esperam permanecer nas ruas sob a gestão privada. “Do jeito que está, pior não pode ficar. Porque quando eu era criança aqui passava muita gente. Tudo que botava aqui, vendia rápido. É bom que tenha moradia e mais comércio aqui, porque aí vai ter mais gente pra poder comprar também”, acredita Cleyton Brilhante, que está há 18 anos lá.</p>



<p>Vendendo cartões postais na frente dos Correios, Terezinha Maria Camelo, de 74 anos, diz que está ali há seis décadas. Tem dia que não vende absolutamente nada. E dias assim têm sido cada vez mais frequentes. Mesmo assim, quer permanecer lá quando a concessionária chegar. “O que precisa melhorar aqui é a segurança. Ninguém aguenta mais tanta violência”.</p>



<p>No fiteiro para o lado da Rua do Sol, Maurinete Inácio, de 77 anos, achou que não ia ser atingida pelo projeto, já que não ficava bem na Avenida Guararapes. Ao ser informada pela reportagem que o Distrito Guararapes abarca mais de 45 quadras do bairro, ficou preocupada. “Sou cadastrada na prefeitura há mais de 30 anos. Quero ficar aqui até quando aguentar”, disse.</p>





<h3 class="wp-block-heading">Secretário garante permanência de comerciantes</h3>



<p>Em entrevista para a Marco Zero na segunda-feira, 3 de novembro, o secretário de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento do Recife, Felipe Matos, afirmou que haverá quiosques para os ambulantes e comerciantes. Esses quiosques serão entregues e terão manutenção da concessionária que vencer a licitação. “A prefeitura hoje já tem um cadastro, tanto dos comerciantes instalados em quiosques e bancas, quanto também daqueles comerciantes ambulantes. Com base nesse quantitativo, a gente dimensionou a quantidade de quiosques que vão ser necessários. A ideia é que a gente consiga prover para todos eles um espaço digno e seguro. E mais qualificado do que aqueles que eles têm hoje&#8221;, afirmou.</p>



<p>Pela minuta de contrato <a href="https://parcerias.recife.pe.gov.br/projetos/distrito-guararapes/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">disponível no site da licitação</a>, são 446 comerciantes fixos e 200 móveis na área da futura concessão. Serão eles os integrados ao padrão dos novos quiosques. Esses mais de 600 quiosques serão classificados como bens reversíveis. “Ou seja, serão de propriedade da prefeitura. A concessionária constrói, faz a manutenção, ela dá todo tipo de tratamento para que esse quiosque esteja operacional durante os 30 anos de concessão. Fica sob a posse da prefeitura e operação do comerciante&#8221;, explicou.</p>



<p>Felipe Matos também afirmou que os comerciantes já cadastrados não pagarão aluguel pelos quiosques, mas que novos espaços comerciais serão cobrados. &#8220;O único aluguel que a gente previu é para aqueles novos comerciantes, digamos assim, que seriam dos novos espaços comerciais. Por exemplo, nos térreos dos edifícios, prevemos que tenha espaço comercial, que tenha fachada ativa. Então, nesses locais, sim, a concessionária vai poder cobrar aluguel”.</p>



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	                                        <p class="m-0">Vitrines ao sol em imagem de projeção da Praça do Sebo no projeto do Distrito Guararapes
</p>
	                
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<p>Sobre a prefeitura estar privilegiando as faixas de renda mais altas do Minha Casa, Minha Vida, Matos afirma que não vê problema, uma vez que outra Parceria Público-Privada na região, a PPP Morar no Centro, vai contar com habitações para a faixa 1 e 2. Segundo ele, são 1,1 mil unidades habitacionais na Boa Vista e em Santo Antônio, sendo 600 para aluguel social, subsidiados pela prefeitura. Apesar do centro do Recife ser majoritariamente de área construída e de dezenas de prédios estarem sem uso, mais da metade dessas moradias serão em edificações novas, que ainda serão construídas. “É porque tem um imóvel na Dantas Barreto que é um terreno vazio e pertencente à União. E que a gente vai poder edificar. Obviamente, seguindo todas as regras do patrimônio histórico”, disse.</p>



<p>As unidades habitacionais do Distrito Guararapes terão, em média, 35m² por R$ 310 mil. O valor do metro quadrado será de R$ 8,77 mil, o que é acima do valor médio do Recife, que foi de R$ 8,40 mil no mês de setembro. O secretário não concorda com essa comparação, já que, nessa média, entram &#8220;imóveis já construídos, antigos, nem sempre perfeitas as condições de habitabilidade&#8221;.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/distrito-guararapes-vai-ter-873-kitnets-com-metro-quadrado-mais-caro-que-a-media-do-recife/" class="titulo">Distrito Guararapes vai ter 873 kitnets com metro quadrado mais caro que a média do Recife</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/moradia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Moradia</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>O secretário também não considera que a <a href="https://marcozero.org/oito-ou-mais-pontos-que-voce-precisa-saber-sobre-a-nova-lei-de-uso-do-solo-do-recife/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo (LPUOS) </a>aumenta as vantagens para a futura concessionária. Ele afirmou que, por ora, o crédito do <em>retrofit</em> não está entrando na conta. “Caso esse crédito venha a ser incluído posteriormente, vai reduzir a parte que a prefeitura vai colocar na PPP”, garantiu. Segundo Felipe Matos, será definido nos trâmites da licitação<strong> </strong>como esse crédito aparecerá no contrato.</p>



<p>O secretário afirmou ainda que os 14 edifícios que serão concedidos estão escolhidos, mas a prefeitura optou por ainda não divulgar seus locais exatos no momento para evitar especulação ou pressão política, uma vez que o processo ainda estava em escuta pública no site. A expectativa é que a informação sobre edifícios venha a público no momento da licitação, com o devido decreto de utilidade pública.</p>



<p>Felipe Matos afirmou que a prefeitura optou por realizar uma desapropriação paga para os 14 edifícios, e não uma desapropriação baseada na dívida de IPTU. “No entanto, aqueles que estiverem com dívida a gente abate do pagamento&#8221;, disse. A escolha dos imóveis se deu, segundo ele, após o estudo da condição fundiária de 60 prédios.</p>



<p>O foco, segundo o secretário, foi em identificar imóveis que &#8220;não iriam reagir aos incentivos tributários e urbanísticos que a gente tem oferecido, seguiriam abandonados mesmo que eventualmente aquele local se regenere&#8221;. Ele citou como exemplos imóveis com múltiplos donos, de propriedade de empresas em recuperação judicial e que estão em massa falida ou espólios de difícil resolução.<br><br>A expectativa da prefeitura é que as obras tenham início nos primeiros meses de 2027. Com o fim da contribuição do público para o projeto, a prefeitura diz que vai analisar as sugestões e propostas. Depois, o edital vai para análise do Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE). Só então começarão os trâmites para a licitação. O plano de investimento total na área pública tem uma previsão de duração de seis anos, mas o secretário mencionou que, em paralelo a isso, será permitido que o concessionário realize o desenvolvimento e a venda de algumas unidades em menos tempo.</p>



<p></p>
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		<title>Conheça Micheli de Paula, a cinegrafista cega que quer fazer história no audiovisual</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Jul 2025 20:47:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[audiovisual]]></category>
		<category><![CDATA[cinegrafista cega]]></category>
		<category><![CDATA[deficiência visual]]></category>
		<category><![CDATA[pessoas com deficiencia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>porElismarcia Tosta, Josyclaudia GomeseWander Vieira* Micheli de Paula Oliveira nasceu com aplasia do nervo óptico, uma condição congênita que compromete o desenvolvimento da visão. Ainda bebê, foi adotada por uma família amorosa que, desde o início, ofereceu a ela um lar seguro e acolhedor. Apesar das adversidades e dos desafios médicos, Micheli cresceu cercada de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por</strong><strong>Elismarcia Tosta, Josyclaudia Gomes</strong><strong>e</strong><strong>Wander Vieira</strong>*</p>



<p>Micheli de Paula Oliveira nasceu com aplasia do nervo óptico, uma condição congênita que compromete o desenvolvimento da visão. Ainda bebê, foi adotada por uma família amorosa que, desde o início, ofereceu a ela um lar seguro e acolhedor. Apesar das adversidades e dos desafios médicos, Micheli cresceu cercada de afeto e incentivo. Com o tempo, sua curiosidade e inteligência natural começaram a despontar.</p>



<p>Desde pequena, demonstrava interesse por sons e vozes. Era comum vê-la com um gravador de fita cassete, registrando falas e brincadeiras. Essa relação precoce com a comunicação seria a semente do que viria a florescer. A deficiência nunca foi um impedimento, mas um estímulo para olhar o mundo com outros sentidos.</p>



<p>Durante a infância, Micheli passou por diversas fases de adaptação e descobertas. Mesmo com as limitações visuais, foi incentivada a brincar, explorar o ambiente e desenvolver autonomia. Aprendeu a se movimentar com segurança, a usar a audição de forma aguçada e a perceber o espaço ao seu redor de maneira intuitiva. Ainda que algumas tarefas exigissem mais esforço, nunca lhe faltou criatividade para encontrar soluções. Os registros em áudio viraram uma prática cotidiana. Ela gravava não apenas para guardar memórias, mas para compreender melhor os sons, as vozes e os ambientes.</p>



<p>Esse olhar – ou escuta – diferenciado seria fundamental em sua trajetória profissional. O ambiente familiar, cheio de estímulo, foi essencial nesse processo.</p>



<p>Na adolescência, Micheli aprofundou o interesse por tecnologias de gravação. Ganhou um celular com câmera simples e passou a registrar imagens da filha. A maternidade precoce trouxe responsabilidades, mas também fortaleceu seu vínculo com a produção audiovisual. Ao perceber que conseguia editar vídeos, mesmo sem enxergar, nasceu a ideia de que poderia ir além. Criou um<em> videobook</em> com momentos especiais da filha, atualizando-o com carinho. Essa prática, antes pessoal, se transformaria em paixão profissional. Ela passou a experimentar formas de filmar que combinavam audição, percepção espacial e memória. Mesmo sem imagem, via com o corpo. Sua sensibilidade e precisão surpreendiam a todos ao seu redor.</p>





<p>Entre 1993 e 1997, Micheli estudou no <a href="https://padrechico.org.br/">Instituto de Cegos Padre Chico</a>, onde ampliou seus horizontes. Lá, teve contato com recursos adaptados e com outros estudantes com deficiência, o que fortaleceu sua identidade. A convivência naquele espaço a ajudou a consolidar a percepção de que ser cega não limitava suas possibilidades. Participou de atividades diversas, inclusive de uma reportagem para a revista Cláudia, onde teve contato com uma câmera profissional. Esse momento foi determinante: ali, percebeu que desejava trabalhar com comunicação. O encantamento pelas ferramentas audiovisuais e o desejo de contar histórias ganharam forma e objetivo. Foi a confirmação de uma vocação.</p>



<p>Ao concluir o ensino médio em 2007, Micheli iniciou um novo ciclo. Casada e com uma filha pequena, dividia seu tempo entre as tarefas domésticas e a paixão pela comunicação. Mesmo com poucos recursos, buscava formas de estudar, aprender e se aperfeiçoar. Fez cursos de informática, locução e edição de vídeo, sempre de forma autodidata ou com auxílio de amigos. Gravava áudios dentro de um guarda-roupa para melhorar a acústica. As gravações impressionavam pela clareza e qualidade. O improviso era sua marca, e a determinação, sua força motriz. Ela sabia que ainda tinha muito a conquistar, mas não esperava por ninguém. Ia em frente, movida pelo sonho.</p>



<p>O projeto Olhar Diferente nasceu como uma forma de dar visibilidade ao trabalho de Micheli. Mesmo sem contar com estrutura formal ou patrocínio, ela passou a produzir vídeos para eventos sociais, palestras e campanhas. Com uma câmera semi-profissional, registrava momentos com sensibilidade ímpar. Em 2014, adquiriu sua primeira câmera profissional e passou a postar no YouTube. A internet se tornou sua vitrine.</p>



<p>Apesar das dificuldades, Micheli nunca deixou de acreditar em seu potencial. Cada novo vídeo era um passo na construção de sua identidade profissional. Os elogios vinham de todos os lados, mas o que mais a motivava era saber que inspirava outras pessoas com deficiência.</p>



<p>O encontro com o fotógrafo Teco Barbero foi um divisor de águas. Ao pesquisar sobre profissionais com deficiência visual na comunicação, encontrou Teco, um fotógrafo com baixa visão. A conexão entre os dois foi imediata. Teco a convidou para uma palestra em Itu, onde Micheli seria uma das convidadas. Nervosa, mas determinada, aceitou o desafio. A palestra foi um sucesso, e a parceria entre eles cresceu. Juntos, participaram de diversos eventos e projetos, levando suas histórias e trabalhos para públicos diversos. Teco se tornou mentor e amigo. Suas orientações ajudaram Micheli a aprimorar sua técnica e a expandir sua rede de contatos.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

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                <a href="https://marcozero.org/teco-barbero-o-fotografo-deficiente-visual-que-enxerga-o-mundo-com-os-olhos-da-alma/" class="titulo">Teco Barbero, o fotógrafo deficiente visual que &#8220;enxerga o mundo com os olhos da alma&#8221;</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/trabalho/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Trabalho</a>
			        </div>
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        </div>

		


<p>Em 2016, Micheli realizou outro sonho: ser modelo fotográfica. Foi convidada para um catálogo de joias e participou de sessões fotográficas com direção de Teco. As imagens capturaram sua beleza, força e leveza. Mais do que estética, as fotos transmitiam a essência de quem ela é. O trabalho rendeu elogios e convites para outros ensaios. Mesmo que as oportunidades não tenham se multiplicado como esperava, Micheli se reconheceu como modelo. A experiência a marcou profundamente. Sentiu-se valorizada não apenas pela imagem, mas por tudo que representava: uma mulher com deficiência rompendo estereótipos. Era mais um passo na luta por inclusão.</p>



<p>Sua atuação como cinegrafista sempre foi marcada pela precisão e pela criatividade. Mesmo sem visão, Micheli sabe onde posicionar a câmera, como acompanhar movimentos e quais momentos merecem ser registrados. Usa o corpo como extensão do olhar. A audição e a percepção espacial são suas principais ferramentas. Domina os comandos, ajusta foco, enquadra pessoas e movimentos. Cada filmagem é uma construção sensível. Ela costuma dizer que não quer apenas ouvir – quer sentir e transformar isso em imagem. Sua técnica é única. E sua sensibilidade, admirada até por profissionais com formação tradicional. Micheli desafia as regras e mostra novas possibilidades.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*Estudantes de Jornalismo, estagiárias do convênio entre a Marco Zero Conteúdo e a Universidade do Estado do Mato Grosso (Unemat).  O texto faz parte do Trabalho de Conclusão de Curso dos estagiários, aprovado com nota 10. </strong></p>
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<p>O post <a href="https://marcozero.org/conheca-micheli-de-paula-a-cinegrafista-cega-que-quer-fazer-historia-no-audiovisual/">Conheça Micheli de Paula, a cinegrafista cega que quer fazer história no audiovisual</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Teco Barbero, o fotógrafo deficiente visual que &#8220;enxerga o mundo com os olhos da alma&#8221;</title>
		<link>https://marcozero.org/teco-barbero-o-fotografo-deficiente-visual-que-enxerga-o-mundo-com-os-olhos-da-alma/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Jul 2025 19:20:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[baixa visão]]></category>
		<category><![CDATA[cegos]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[pessoa com deficiência]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Elismarcia Tosta, Josyclaudia Gomes e Wander Vieira* Antônio Walter Barbero, conhecido como Teco Barbero, nasceu em Sorocaba, no interior de São Paulo, e desde o início enfrentou desafios que moldariam sua trajetória de forma singular. Com uma lesão cerebral grave ao nascer, desenvolveu baixa visão e dificuldades motoras, o que exigiu um processo educativo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por</strong> <strong>Elismarcia Tosta, Josyclaudia Gomes</strong> <strong>e</strong> <strong>Wander Vieira</strong>*</p>



<p>Antônio Walter Barbero, conhecido como <a href="https://tecobarbero.blogspot.com/">Teco Barbero</a>, nasceu em Sorocaba, no interior de São Paulo, e desde o início enfrentou desafios que moldariam sua trajetória de forma singular. Com uma lesão cerebral grave ao nascer, desenvolveu baixa visão e dificuldades motoras, o que exigiu um processo educativo e terapêutico adaptado desde a infância.</p>



<p>Ainda criança, iniciou um método inovador de estimulação chamado Pedaços de Inteligência, com sessões rápidas em que era exposto a imagens variadas, como pássaros, máquinas e borboletas, ajudando a expandir seu vocabulário e percepção do mundo. Essa experiência foi essencial para estimular seus sentidos e memória visual.</p>



<p>Foi em uma clínica no Rio de Janeiro que Teco se submeteu ao método Lindoma, voltado ao desenvolvimento do potencial humano. O processo o ajudou a conquistar marcos importantes, como andar, diferenciar claro e escuro e manipular objetos de forma independente.</p>



<p>Durante os anos 1990, quando ainda não existiam políticas inclusivas efetivas nas escolas, Teco contou com o apoio incondicional da família para progredir nos estudos. Sem acesso a tecnologias modernas, foi com esforço coletivo que conseguiu transpor as barreiras impostas pela deficiência.</p>



<p>Seu interesse por idiomas sempre foi marcante: é fluente em italiano, espanhol e inglês, além de possuir conhecimento básico em francês e alemão. Inicialmente pensou em cursar tradução, mas como essa opção não estava disponível em Sorocaba, optou pelo jornalismo com o apoio de educadores.</p>



<p>Teco cursou Jornalismo na Universidade de Sorocaba (Uniso) entre 2001 e 2004. Embora algumas disciplinas como fotografia e telejornalismo gerassem dúvidas sobre sua execução, ele enfrentou os desafios com coragem, curiosidade e criatividade.</p>



<p>O divisor de águas foi o filme <em>Janela da Alma</em>, que apresenta histórias de pessoas com deficiência visual, entre elas o fotógrafo <a href="https://revistacarbono.com/artigos/06-entrevista-evgen-bavcar/">Evgen Bavcar</a>. Inspirado, o fotógrafo Werinton Kermes criou um curso de fotografia para cegos e convidou Teco a participar, marcando o início de sua jornada fotográfica.</p>



<p>Inicialmente cético, Teco aceitou o convite por incentivo de uma amiga. Ali começou sua transformação em fotógrafo. O curso promovia o uso do corpo, da audição e da intuição para guiar a câmera e enquadrar imagens, criando uma estética própria e sensível.</p>



<p>Em 2009, iniciou oficialmente sua atuação na fotografia. Um de seus primeiros grandes desafios foi cobrir a Agrishow em Ribeirão Preto, evento com a presença do governador do estado. O ambiente dinâmico exigiu agilidade e adaptação para conseguir capturar imagens relevantes.</p>



<p>Outro momento marcante foi o ensaio com cinco paratletas para os Jogos Paralímpicos. Com criatividade e sensibilidade, fotografou momentos únicos, mesmo sem roteiro e com recursos limitados. Uma dessas fotos foi parar na revista IstoÉ, ganhando repercussão nacional.</p>



<p>No curso pioneiro de fotografia para pessoas com deficiência visual, Teco aprendeu a usar diferentes sentidos para criar imagens: ouvir, tocar e sentir o ambiente. Desenvolveu um método para entender proporções, distâncias e movimentos com extrema precisão.</p>



<p>A barreira tecnológica da época era grande. Câmeras com visores pequenos dificultavam a visualização. O primeiro impacto positivo foi com uma câmera Mavica digital, que lhe permitia enxergar imagens de longe. A acessibilidade digital foi, aos poucos, transformando suas possibilidades.</p>



<p>Apesar dos avanços tecnológicos, Teco destaca que o maior obstáculo ainda é mental. A desconfiança das empresas e o preconceito visual afastam profissionais com deficiência das redações. O mercado exige adaptação, mas raramente investe em acessibilidade.</p>



<p>Fotografar reuniões, eventos e fazer coberturas exigem dele uma constante reafirmação de competência. Costuma brincar dizendo que “não cortou a cabeça de ninguém” nas fotos, como forma de descontrair e reafirmar sua capacidade técnica.</p>





<p>O preconceito ainda é uma barreira. A aparência e a deficiência visual afastam profissionais da frente das câmeras. Para Teco, isso é um grande absurdo, pois competência não depende da visão, mas da sensibilidade, técnica e dedicação.</p>



<p>Em sua carreira, Teco também se dedica à formação de novos fotógrafos com deficiência visual. Criou o projeto Olhar Sensível, onde ensina fotografia de forma acessível, combinando técnica e arte. Muitos de seus alunos já participaram de exposições e se profissionalizaram.</p>



<p>Um marco foi quando uma obra de sua aluna Giovanna foi entregue ao tenor Andrea Bocelli. Foi um reconhecimento simbólico da potência do projeto e da capacidade transformadora da arte quando acessível a todos.</p>



<p>Além da fotografia, Teco ministra cursos, participa de eventos e promove inclusão por meio da imagem. Acredita que é possível transformar vidas e percepções com arte, empatia e acessibilidade verdadeira.</p>



<p>O jornalismo, para ele, deve acompanhar a evolução tecnológica e abraçar a diversidade. A inclusão não deve se limitar às rampas de acesso, mas envolver também o investimento em softwares, licenças e confiança na capacidade dos profissionais com deficiência.</p>



<p>A mensagem de Teco é de persistência e inspiração: acreditar em si mesmo, superar as barreiras e transformar limitações em possibilidades. Seu legado vai além das imagens: é um convite a enxergar o mundo com o coração, a alma e, sobretudo, com respeito às diferenças.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*Estudantes de Jornalismo, estagiárias do convênio entre a Marco Zero Conteúdo e a Universidade do Estado do Mato Grosso (Unemat).  O texto faz parte do Trabalho de Conclusão de Curso dos estagiários, aprovado com nota 10. </strong></p>
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<p>O post <a href="https://marcozero.org/teco-barbero-o-fotografo-deficiente-visual-que-enxerga-o-mundo-com-os-olhos-da-alma/">Teco Barbero, o fotógrafo deficiente visual que &#8220;enxerga o mundo com os olhos da alma&#8221;</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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