Na COP 17, ASA defende combate à desertificação que fortaleça comunidades tradicionais

Inácio França / 21/08/2026
A foto mostra uma reunião oficial da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação durante a COP17, que ocorrerá em Ulaanbaatar em 2026, com várias pessoas sentadas em torno de uma mesa em formato de “U”, cada uma com microfone e computador, participando de uma discussão sobre o programa Indigenous Peoples and Local Communities Programme for Locally Led Adaptation, financiado pelo Fundo de Adaptação e implementado pelo PNUD; o ambiente é moderno, bem iluminado e decorado com os logotipos da ONU e da COP17.

Crédito: Divulgação/UNCCD

Ulaanbaatar (Mongólia) – Água, alimentos, renda, direitos territoriais e melhores condições de vida para as comunidades. Mais do que o replantio de árvores esses são os elementos essenciais para a restauração das terras secas. “Recuperar a vegetação é importante, mas não é suficiente. Precisamos cuidar também de quem historicamente cuida desses territórios”, enfatizou Luís Piritiba, da organização baiana Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa), integrante da Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA)

Essa foi uma das principais mensagens levadas pela delegação da ASA aos debates realizados nesta quarta-feira (19), durante a COP-17 da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), em Ulaanbaatar, na Mongólia, quando representantes da entidades, organizações parceiras, do Governo Federal e de instituições de pesquisa participaram de atividades sobre manejo da Caatinga e do Cerrado, restauração socioprodutiva, cooperação Sul-Sul, financiamento climático e racismo ambiental.

Embora organizados a partir de diferentes perspectivas, os debates convergiram em um ponto: as populações das terras secas não podem ser tratadas apenas como beneficiárias de projetos. Agricultores e agricultoras familiares, mulheres, indígenas, quilombolas e demais povos e comunidades tradicionais precisam participar das decisões e ser reconhecidos como sujeitos centrais da restauração.

Durante o painel “Manejo e Restauração de Florestas em Terras Secas: Propostas para Mitigar e Reverter a Degradação da Terra na América Latina”, foram abordadas as práticas de regeneração dos territórios e as condições políticas e financeiras necessárias para ampliar essas experiências.

Entre os alertas apresentados esteve o avanço de áreas semiáridas no Brasil. Segundo um estudo do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), de 2023, no qual analisou o período entre os anos 1960 a 2020, as áreas do semiárido do país têm crescido a uma taxa média superior a 75 mil km² a cada década.

“Esse processo acontece em territórios nos quais milhares de estabelecimentos da agricultura familiar produzem grande parte dos alimentos consumidos pela população. Isso não é apenas uma ameaça à terra, mas também à segurança e soberania alimentar dos povos”, disse o Diretor de Combate à Desertificação da Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Alexandre Pires.

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Inácio França

Jornalista e escritor. É o diretor de conteúdo da MZ.