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	<title>Arquivos Principal - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 22 Feb 2024 13:19:02 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos Principal - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Governo recua e adia reunião do órgão que decide aumento da tarifa de ônibus do Grande Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Feb 2024 14:28:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>por Jorge Cavalcanti* O Governo do Estado reviu a decisão de realizar a reunião do Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM) na sexta-feira de carnaval. Em ofício assinado digitalmente às 16h40 de quarta-feira (7), o secretário executivo do CSTM, Roberto Ferreira Campos, comunicou aos conselheiros a nova data do encontro que pode aprovar aumento de [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Jorge Cavalcanti*</strong></p>



<p>O Governo do Estado reviu a decisão de realizar a reunião do Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM) na sexta-feira de carnaval. Em ofício assinado digitalmente às 16h40 de quarta-feira (7), o secretário executivo do CSTM, Roberto Ferreira Campos, comunicou aos conselheiros a nova data do encontro que pode aprovar aumento de valor da tarifa de ônibus, já que a pauta ainda não foi divulgada. “Fica remarcada para o dia 22/02 (quarta-feira) às 08:30h, em primeira convocação, e às 09:00h, em segunda convocação”, avisou.</p>



<p>O CSTM justificou o motivo. “Nem todos os conselheiros confirmaram o recebimento da convocação (encaminhada em 25/01) para a data anteriormente designada, o que poderia comprometer a representatividade e eficácia dos trabalhos do conselho”. Os representantes também se comprometeram a enviar o conteúdo da pauta com antecedência. </p>



<p>Na quarta-feira (7), antes da assinatura do ofício que reviu a decisão, a Marco Zero Conteúdo publicou matéria avisando da reunião do CSTM &#8211; a primeira do governo Raquel Lyra (PSDB) &#8211; para a sexta-feira (9), um dia depois da abertura oficial do Carnaval de Recife e Olinda. A reunião havia sido convocada pelo secretário de Mobilidade e Infraestrutura, Diogo Bezerra, considerado pessoa de confiança da governadora, com quem já trabalhou em Caruaru.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

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                <a href="https://marcozero.org/governo-do-estado-convoca-reuniao-e-tarifa-de-onibus-pode-aumentar-na-sexta-feira-de-carnaval/" class="titulo">Governo do Estado convoca reunião e tarifa de ônibus pode aumentar na sexta-feira de carnaval</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
            
		            </div>
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<p>*<strong>Jornalista com 20 anos de atuação profissional e especial interesse na política e em narrativas de garantia, defesa e promoção de Direitos Humanos e Segurança Cidadã</strong>.</p>
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		<title>Governo do Estado convoca reunião e tarifa de ônibus pode aumentar na sexta-feira de carnaval</title>
		<link>https://marcozero.org/governo-do-estado-convoca-reuniao-e-tarifa-de-onibus-pode-aumentar-na-sexta-feira-de-carnaval/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Feb 2024 16:16:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Jorge Cavalcanti* O Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM), órgão colegiado que decide quanto e quando é reajustado o preço da tarifa de ônibus no Grande Recife, agendou reunião para sexta-feira (9), um dia após a abertura oficial do Carnaval do Recife e Olinda. O CSTM é vinculado à estrutura do Governo do Estado. [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Jorge Cavalcanti*</strong></p>



<p>O Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM), órgão colegiado que decide quanto e quando é reajustado o preço da tarifa de ônibus no Grande Recife, agendou reunião para sexta-feira (9), um dia após a abertura oficial do Carnaval do Recife e Olinda. O CSTM é vinculado à estrutura do Governo do Estado. De acordo com o ofício de convocação, o encontro está marcado para acontecer de forma virtual e sem pauta definida previamente. O documento é assinado pelo secretário de Mobilidade e Infraestrutura, Diogo Bezerra, também presidente do Conselho. Detalhe: esta será a primeira reunião em mais de um ano do governo Raquel Lyra (PSDB).</p>



<p>O CSTM é formado por representantes dos poderes Executivo e Legislativo de Pernambuco, das prefeituras e câmaras municipais de Recife e Olinda, donos de empresas de ônibus e segmentos de usuários. Ao todo, são 25 conselheiros. A sociedade civil indica apenas oito cadeiras, menos de um terço do colegiado. Dois dos conselheiros, Pedro Josephi e Márcio Morais, entraram com pedido administrativo de remarcação do encontro.</p>



<p>“Considerando que, durante o ano inteiro de 2023, não houve convocação e nem reuniões ordinárias ou extraordinárias deste Conselho; considerando que, após inquéritos civis abertos no Ministério Público estadual, o CSTM se comprometeu a apresentar um calendário de reuniões periódicas, como determina o regimento e a legislação aplicada”, argumenta trecho do documento em favor do reagendamento da reunião.</p>



<p>O presidente do órgão ainda não respondeu sobre o pedido dos conselheiros e, até o momento, a reunião está mantida. Pelas regras de funcionamento do CSTM, a presidência é sempre ocupada pelo secretário estadual da pasta da área.&nbsp;</p>



<p>Pedro Josephi também é advogado. No ano passado, ele entrou com representação junto ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) questionando a não convocação de reuniões por parte do CSTM e mais outros dois pontos: a ausência de ar condicionado nos ônibus e a retirada de veículos da frota em circulação que atende a cerca de 1,8 milhão de pessoas usuárias.&nbsp;</p>



<p>A iniciativa teve desdobramentos e inquéritos civis foram instaurados pelo MPPE. “A gente teve uma primeira audiência agora em janeiro. Após isso, o governo, para dar uma resposta, resolveu convocar essa reunião. Mas sem apresentar pauta nem o que vai ser discutido e votado”, contextualiza Pedro Josephi.&nbsp;</p>



<p>O ofício circular assinado pelo secretário Diogo Bezerra foi emitido no dia 25 de janeiro. “A pauta será devidamente encaminhada nos termos do inciso IV, artigo 10 da Resolução nº 20/2016”, avisa o gestor, no documento endereçado aos demais 24 conselheiros. Na manhã de quarta-feira (7), a reportagem enviou questionamento à Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura em que pergunta se a pauta já foi definida. Mas, até o momento, não recebeu resposta.</p>



<p>“A depender de qual seja, vamos judicializar para que não haja deliberação de aumento de passagem, que precisa seguir um rito de transparência e prazos. ”, informa Josephi.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Em 2022 o valor da tarifa subiu para R$ 4,10</strong></h2>



<p>Os governos evitam os termos reajuste ou aumento de passagem. Preferem usar o eufemismo “realinhamento tarifário”. Eufemismo é a figura de linguagem que atenua ou suaviza o impacto das palavras.&nbsp;</p>



<p>O último “realinhamento tarifário” foi aprovado em janeiro do último ano da gestão Paulo Câmara (PSB), de 9,69%. O índice fez o Anel A &#8211; utilizado por mais de 80% dos passageiros &#8211; saltar de R$ 3,75 para R$ 4,10.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/parece-um-forno-mas-e-um-onibus-o-calor-na-rotina-de-quem-usa-transporte-publico-no-grande-recife/" class="titulo">Parece um forno, mas é um ônibus: o calor na rotina de quem usa transporte público no Grande Recife</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/mobilidade/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Mobilidade</a>
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<p>*<strong>Jornalista com 20 anos de atuação profissional e especial interesse na política e em narrativas de garantia, defesa e promoção de Direitos Humanos e Segurança Cidadã</strong>.</p>
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		<title>Mobilizados, afoxés tentam evitar redução de apresentações no carnaval do Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/mobilizados-afoxes-tentam-evitar-reducao-de-apresentacoes-no-carnaval-do-recife/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Feb 2024 16:10:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>por Jorge Cavalcanti* Dezesseis afoxés tiveram reduzido o número de apresentações nos quatro dias de folia nos polos descentralizados da programação oficial do Carnaval do Recife. Doze deles verificaram que só teriam uma apresentação individual, cada. Por conta disso, os grupos decidiram se mobilizar. Na segunda-feira (5), uma comitiva foi até o 15º andar do [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Jorge Cavalcanti*</strong></p>



<p>Dezesseis afoxés tiveram reduzido o número de apresentações nos quatro dias de folia nos polos descentralizados da programação oficial do Carnaval do Recife. Doze deles verificaram que só teriam uma apresentação individual, cada. Por conta disso, os grupos decidiram se mobilizar. Na segunda-feira (5), uma comitiva foi até o 15º andar do prédio sede da prefeitura, onde se reuniu com o secretário municipal de Cultura, Ricardo Mello, para pleitear maior espaço na grade.&nbsp;</p>



<p>A movimentação dos grupos com atuação no Grande Recife surtiu algum efeito. A gestão acenou com a possibilidade de cada afoxé voltar a ter, ao menos, duas apresentações individuais este ano. “Isso foi o que ficou como possibilidade de resposta (da gestão). Mas precisamos coadunar mais força”, disse, num vídeo selfie, Fabiano Santos, presidente do Alafin Oyó, sediado em Olinda. O grupo foi um dos que tiveram o espaço reduzido para apenas uma apresentação, no polo de Três Carneiros, na zona sul do Recife. </p>





<p>Fundador e presidente do Ará Omin, sediado em Nova Descoberta, zona norte da cidade, Lourival Santos avalia como prejudicial a redução do espaço da linguagem da cultura popular. “É prejudicial porque o trabalho de um afoxé é o ano todo. Na nossa comunidade, além das oficinas gratuitas de percussão e dança, fazemos campanhas solidárias. Um afoxé é mais do que um grupo cultural, é uma forma de organização social, um quilombo”, avalia.</p>



<p>O Ará Omin fez duas apresentações individuais ano passado, para além da presença no Ubuntu, que reúne todos os grupos para abrir o Carnaval na quinta-feira à tarde no Bairro do Recife. Este ano, pela programação oficial divulgada, teria uma só apresentação, no Parque Dona Lindu, em Boa Viagem, na zona sul.</p>



<p>No Recife, o afoxé é reconhecido como Patrimônio Cultural e Imaterial desde 2022, por conta da aprovação pela Câmara Municipal de um projeto de lei de autoria do vereador Ivan Moraes (PSOL). No ano passado, a União dos Afoxés de Pernambuco pediu ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) o reconhecimento da linguagem também como Patrimônio Cultural e Imaterial do Brasil, o que ainda está em análise.</p>



<p>Procurada pela reportagem, a gestão informou que novos afoxés foram habilitados no edital do Carnaval 2024, assim como novos representantes das demais linguagens da cultura popular. “O esforço da gestão é para conseguir contemplar na programação dos 49 polos a maior quantidade possível de grupos culturais, seja afoxés, maracatus, grupos de dança, tribos, caboclinhos, orquestras, escolas de samba e demais linguagens”.&nbsp;</p>



<p>Para este ano, a Secretaria e a Fundação de Cultura do Recife destacam que quatro afoxés passaram a integrar a cerimônia do Ubuntu, totalizando 29 grupos. “Cada um deles recebe R$ 25 mil por essas participações. Para além delas, os afoxés também integram a programação de chão de polos centralizados, descentralizados, infantis, corredores da folia e o Circuito de Pátio a Pátio”.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Plano Recife Matriz da Cultura Popular</strong></h2>



<p>Lançado em dezembro do ano passado, no Teatro Santa Isabel, o Plano pretende garantir até R$ 17 milhões de investimento municipal nos próximos dois anos, a partir do redesenho de mecanismos já existentes, como subvenções, premiações, cachês e editais. “A gente lança um movimento para mostrar a matriz da nossa cultura popular e poder trazer uma nova releitura, entender o contemporâneo, sem perder a nossa essência”, disse o prefeito João Campos (PSB), no evento de lançamento.</p>



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	                                        <p class="m-0">Vinte e nove afoxés participarão do Ubuntu, cerimônia de blocos afro na abertura do carnaval do Recife. Crédito: Camila Leão/PCR</p>
	                
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<p>*<strong>Jornalista com 20 anos de atuação profissional e especial interesse na política e em narrativas de garantia, defesa e promoção de Direitos Humanos e Segurança Cidadã</strong>. </p>
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		<item>
		<title>Ambientalistas independentes replantam mudas em manguezal alagado pela Braskem em Maceió</title>
		<link>https://marcozero.org/ambientalistas-independentes-replantam-mudas-em-manguezal-alagado-pela-braskem-em-maceio/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Feb 2024 22:05:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Wanessa Oliveira, da Mídia Caeté*Projeto Redação Nordeste** Para tentar recuperar o mangue danificado pelo afundamento do solo causado pela Braskem no bairro do Mutange, em Maceió, ambientalistas têm trabalhado com o replantio de mudas de forma independente, associando a recuperação do manguezal à educação ambiental numa perspectiva crítica. Somente dentro da Lagoa Mundaú, que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Por Wanessa Oliveira, da <a href="https://midiacaete.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Mídia Caeté</a>*<br>Projeto Redação Nordeste**</strong></p>



<p>Para tentar recuperar o mangue danificado pelo afundamento do solo causado pela Braskem no bairro do Mutange, em Maceió, ambientalistas têm trabalhado com o replantio de mudas de forma independente, associando a recuperação do manguezal à educação ambiental numa perspectiva crítica. Somente dentro da Lagoa Mundaú, que integra o complexo lagunar Mundaú-Manguaba, um dos ambientes mais representativos do litoral alagoano, o prejuízo é registrado em mais de 15 hectares de manguezal alagado.&nbsp;</p>



<p>Ainda não foi possível mensurar integralmente os impactos gerados pela Braskem desde o início do afundamento, consequência da extração de sal-gema na capital durante quase 60 anos. Para além dos cinco bairros diretamente atingidos, diversos outros danos socioambientais foram sendo verificados ao longo dos últimos cinco anos.</p>



<p>A iniciativa do replantio partiu do <a href="https://www.instagram.com/coletivo_enxame/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">coletivo Enxame</a>, que hoje está em processo de transformação para a startup socioambiental Enxame +. A trajetória na área de projetos de gestão e educação ambiental trouxe os acúmulos necessários para construção da iniciativa. </p>



<p>O coordenador, Alonso Netto, enumera os trabalhos diversos, com advocacy e mobilização em territórios, promoção de atividades como cineclubes com foco na juventude e na comunidade, audiências públicas, impulsionamento de ação civil pública, entre outros, com foco na defesa ambiental em Marechal Deodoro e em biomas do litoral sul de Alagoas — a Lagoa Mundaú divide os municípios de Maceió, Coqueiro Seco e Marechal Deodoro.&nbsp;</p>



<p>Desde 2018, quando começaram a aprofundar as informações sobre o impacto de subsidência de solo causada pela Braskem, o coletivo passou a se envolver nas críticas aos danos socioambientais causados pela Braskem. Naquele ano, o grupo exibiu, como parte do cineclube, o filme <em>A Braskem passou por aqui</em>, de Carlos Pronzato.&nbsp;</p>



<p>O título faz uma alusão a um dos pixos mais emblemáticos produzidos pela brigada socioambiental Octávio Brandão, feita nas casas cujos moradores foram obrigados a serem removidos.</p>



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	                                        <p class="m-0">Uma das fotos mais emblemáticas que retratam o crime da Braskem em Maceió serviu de título para o filme de Carlos Pronzato. Crédito: Wanessa Oliveira </p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Propagando Propágulos </strong></h2>



<p>Em 2020, já observando a grande incidência de degradação na Área de Proteção Ambiental (APA) Santa Rita e inspirados pela perspectiva de construção de uma área de preservação ambiental, o até então coletivo reuniu outras organizações e decidiu realizar o que Alonso Netto costuma chamar de “propagar propágulos”. É uma referência ao modo como são chamadas as “canetas”, espécies de sementes de mangue vermelho (Rhisoflora mangue).</p>



<p>A APA de Santa Rita é território da icônica Miss Sururu, uma estátua construída às margens da Lagoa Mundaú na década de 1990 em homenagem às marisqueiras, mas “esquecida” por décadas até sua restauração em 2021 pelos ambientalistas e pescadores locais. A primeira atividade idealizada pela startup foi justamente nessa área e consistiu no plantio de 200 mudas de mangue vermelho, envolvendo movimentos como o Greenpeace Alagoas e o Instituto EcoManguaba, em parceria com diversas ONGs, pescadores e Movimento dos Povos da Lagoa.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Área da estátua Miss Sururu, na APA de Santa Rita, foi um dos locais que receberam replantio de mudas. Crédito: Enxame +</p>
	                
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<p>“Foi assim que decidimos propagar propágulos nos últimos anos. Não só levando mutirões para fazer o plantio como também associando isso a um projeto de educação socioambiental em ambiente lacustre”, explica Netto. </p>



<p>Em 2021, mais um mutirão de plantio foi realizado, com 20 mudas plantadas simbolicamente em uma homenagem às vítimas da Covid-19. Desta vez, o trabalho foi conduzido a partir de um parceria fruta da Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA), Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA) e PACTO pela Restauração da Mata Atlântica.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Ainda em 2021, houve mais plantio. Ao todo, foram inseridas 20 mudas, de forma independente, com recursos próprios e outros levantados a partir do próprio mutirão ter sido realizado enquanto turismo ambiental.</p>



<p>A sequência de plantios nos anos seguintes foi crescendo e teve grande participação de crianças e jovens. Segundo o coordenador da startup, foram plantadas mais 500 mudas entre Bosque Nelson da Rabeca e Aratu em 2022. Já em 2023, o número de mudas subiu para 5.350, a partir de mais um trabalho associado à educação ambiental, contando com o apoio de estudantes que participaram de uma gincana escolar proposta pela Enxame +.</p>



<p>“Hoje de fato, mesmo por questão de segurança, não é possível fazer o plantio de mangues na região do Mutange, uma vez que está interditado até mesmo transitar no local em razão do colapso da mina. Então o que fazemos é dar continuidade ao plantio em outras áreas, mas dentro do bioma de mata atlântica e dentro do Complexo Lagunar Mundaú-Manguaba”, diz Netto. </p>





<h2 class="wp-block-heading"><strong>Conflitos e enfrentamento ao ecocídio da Lagoa Mundaú</strong></h2>



<p>Para a bióloga e integrante do Movimento Unificado de Vítimas da Braskem, Neirevane Nunes, o problema dos mangues não se dissocia de um processo que ela identifica como um “ecocídio da Lagoa Mundaú”. Além dos estudos que demonstram que com a progressão do afundamento do solo ainda mais mangues serão afundados, há ainda o nível de salinidade alterado na laguna e a preocupação com a contaminação ainda maior do local, comprometendo a biodiversidade.</p>



<p>Em <a href="https://082noticias.com/2023/12/12/ecocidio-danis-da-braskem-a-lagoa-mundau-podem-ser-permanentes/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">artigo</a> publicado no portal 082 Notícias, a bióloga comenta que “como resultado do colapso das minas está a alteração de níveis de sais e outros compostos que podem contaminar a laguna, podendo comprometer severamente a vida dos organismos neste ambiente, principalmente o sururu, que é sensível a variações de salinidade na água”. </p>



<p>“A faixa confortável de salinidade para o sururu geralmente está entre 20 e 35 partes por trilhão (ppt), essa faixa permite que o sururu mantenha o equilíbrio necessário para suas funções fisiológicas. Quando a salinidade se eleva, o sururu enfrenta um grande estresse que compromete a sua sobrevivência. Mudanças extremas na salinidade podem levar a uma entrada excessiva de íons causando sua desidratação. Para lidar com isso, o sururu ativa mecanismos para regular estes íons, como a secreção de substâncias evitando que a água do seu corpo seja perdida para o ambiente mais salino”, explica.</p>



<p>Em dezembro de 2023, uma das minas dentro da Lagoa Mundaú, a Mina 18, sofreu um colapso, provocando mais uma reação em cadeia que prejudicou diretamente pescadores e marisqueiras, proibidos de trafegar dentro da laguna, em razão da insegurança no local, o que ainda resultou na perda considerável de condições de renda. Dias depois, a comunidade pesqueira registrou a mortandade de peixes e do sururu, que, até então, tinha voltado a surgir. </p>



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	                                        <p class="m-0">mostra o colapso da Mina 18, na Lagoa Mundaú. Crédito: Secom Maceió</p>
	                
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<p>Foi então que o Instituto do Meio Ambiente (IMA) e a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) realizaram uma coletiva à imprensa declarando que não há qualquer associação entre a mortandade de peixes e de sururu com o dolinamento das minas.</p>



<p>Entretanto, pescadores e biólogos alertam para uma desconfiança em relação à limitação dos estudos, desde a descoberta de que houve financiamento da própria Braskem para realização dessas análises.&nbsp;</p>



<p>Ainda que outros pesquisadores alertem que o problema da Laguna Mundaú tem sido atravessado por contaminações provocadas por diversos fatores — e&nbsp; atores —, especialistas e integrantes dos movimentos de vítimas acrescentam a insuficiência do estudo, a ausência de precisão a respeito da salinidade e outros detalhes, além de que os manguezais têm sido pouco citados nessa relação.&nbsp;</p>



<p>Essa mesma insegurança em relação aos resultados vai se atrelando a todas as organizações que pactuaram com a Braskem as chamadas ações de compensação, a exemplo das organizações que se colocaram no plantio de mangues.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Opção pela independência e desafios para manter os plantios</strong></h2>



<p>Em acordo com o Ministério Público Federal, a Braskem contratou a empresa Tetratech para efetuar um estudo de impactos ambientais gerados pela extração de sal-gema. Como resultado do acordo, a empresa publicou, em 2022, um relatório de análise do uso das águas subterrâneas na Área de Resguardo (AR), onde se encontravam minas da Brakem no bairro Mutange – incluindo a área da Lagoa – e no bairro do Pinheiro, além de outras áreas do chamado Mapa de Linhas de Ação Prioritária da Defesa Civil Municipal (DCM), de dezembro de 2020.</p>



<p>A respeito do manguezal, o documento revela que: “Estima-se que, ao todo, a subsidência provocou a submersão permanente de 15,73 hectares de manguezal inseridos na AR e em área adjacente, onde há afundamento do solo e a vegetação de manguezal encontra-se em processo de submersão permanente. O alagamento é evidenciado pela alta densidade de indivíduos arbóreos mortos, apresentando apenas as copas das árvores emersas, tendo o restante sido recoberto por água da lagoa”.</p>



<p>O objetivo era criar diretrizes para um plano de compensação ambiental do mangue, de modo a prospectar a realização de plantios em uma área de estudo que estivesse fora da Área de Resguardo e que enfrentasse algum tipo de degradação – que não a causada pelos afundamentos do solo, numa métrica de 47,19 hectares.&nbsp;</p>



<p>Neste documento da Tetratech, os plantios de mangues realizados na Miss Sururu chegaram a ser divulgados, mas sem mencionar qualquer autoria do projeto da Enxame + ou mesmo uma perspectiva crítica sobre as questões ambientais.&nbsp;</p>



<p>Alonso Netto conta ter sido procurado mais de uma vez por integrantes do grupo Nosso Mangue e também da Tetratech, no intuito de buscar informações a respeito da técnica utilizada pelo coletivo ou solicitando a venda de mudas. Entretanto, nenhuma das procuras foi adiante.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>“Enquanto alguém que estuda estuário, escolhemos previamente os lugares tendo conhecimento da dinâmica. Agora eles estão fazendo da mesma forma que nós fazemos, com um viveiro, mas antes eles faziam plantio direto – sem primeiro rustificar as mudas em um saco, dentro de um viveiro, que é como fazemos. E também não havia esse acompanhamento. Com o plantio direto, é muito difícil que o plantio reproduza de fato”, explica. “Foi aí que senti que eles estavam atuando mais para publicidade e com pouca efetividade”, critica Alonso.</p>



<p>Em novembro de 2023, o Ministério Público Federal reuniu três organizações (Instituto Biota, Projeto Nosso Mangue e empresa Tetratech) com objetivo de implementar o plano de ações ambientais com foco no plantio de manguezais. “Chegamos a receber uma ligação, mas achei muito estranho ter ocorrido sem um chamamento público, sem a devida publicidade”, relata o coordenador.</p>



<p>Com dificuldade de identificar até onde havia uma atividade de compensação ou parceria, os integrantes da startup optaram por manter a independência no trabalho. A opção trouxe consequências, inclusive na dificuldade de obter recursos para a continuidade de plantios na extensão pretendida.&nbsp;</p>



<p>“O que fazemos são projetos, que terminam sendo pontuais. Não temos estrutura para que os plantios sejam um programa de fato, no sentido de estarmos lá semanalmente, termos mecanismos para monitoramento diário e fazermos plantios sistêmicos”, detalha.&nbsp;</p>



<p>“Tentamos buscar essa estrutura e nos esbarramos em dificuldades burocráticas que nos impedem de dar continuidade. Querem que paguemos taxas e impostos para fazer plantios quando hoje nenhuma empresa tem capacidade técnica para plantar estas&nbsp; 97 mil mudas de mangue”, retrata, referindo-se à quantidade de mudas que compreendem a extensão de plantio comprometida pela empresa.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Ainda assim, permanecem as expectativas por um incentivo e busca de recursos para o plantio associado à educação ambiental, com a liberdade de apresentar um debate crítico.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>“Com a queda da cadeia do sururu, a renda per capita que já era baixa ali hoje está muito mais. Se as marisqueiras e os pescadores fossem treinados para gestão ambiental, engenharia de pesca, saúde pública, para que retirem o sururu branco para fazer plantios e colonização do sururu, poderiam ter algum tipo de alternativa de renda nos períodos de baixa do sururu. E também pensamos ser importante se houvesse cooperativa para o plantio de mudas. Essa é nossa abordagem e esperamos conseguir realizar”, acrescenta.</p>



<p>A <strong>Mídia Caeté</strong> procurou o Nosso Mangue, organização fundada em 2019, vinculada à recuperação de manguezal, para solicitar informações sobre como vem sendo feito o monitoramento dos mangues plantados e quais resultados têm sido verificados até o momento. Chegamos a enviar as perguntas, mas não obtivemos qualquer resposta até o fechamento da reportagem.&nbsp;</p>



<p>A Tetratech, empresa responsável pela contratação das organizações de compensação de manguezal, também foi procurada. Sem êxito.&nbsp;</p>



<p>Já a Braskem utiliza seu canal publicitário, o <a href="https://www.braskem.com/alagoas-explica" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Braskem Explica</a>, para anunciar que desenvolve o “Projeto Aflora Mangue”, iniciado em agosto de 2023 e que, até então, seguia em fases de estudos para projeção de plantio de 14 mil mudas para ocupação de três ha. Segundo o material publicitário da empresa, serão plantados 47 ha de manguezal. O <a href="https://www.braskem.com.br/alagoas-explica-detalhe/o-projeto-aflora-mangue-e-o-trabalho-de-plantio-de-mudas-na-lagoa-mundau" target="_blank" rel="noreferrer noopener">anúncio</a> foi feito no final de 2023 e ainda não há notícias sobre a evolução do projeto. </p>



<p><em>*A </em><a href="https://midiacaete.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Mídia Caeté</em></a><em> um portal de jornalismo independente e comunitário em Alagoas, com foco na comunicação enquanto ferramenta crítica à serviço das comunidades e da sociedade.</em></p>



<p><em>**Quem são, o que pensam e o que fazem jovens ativistas do meio ambiente de territórios periféricos, rurais e ribeirinhos do Nordeste? É com essa provocação que o projeto Redação Nordeste publica a série especial de cinco reportagens “Jovens ativistas socioambientais do Nordeste”. Participam deste trabalho conjunto as organizações de jornalismo independente Afoitas (PE), Conquista Repórter (BA), Mídia Caeté (AL), Ocorre Diário (PI) e Mangue Jornalismo (SE).</em></p>



<p><em>Enquanto o aumento da temperatura provoca efeitos mais rápidos sobre o planeta do que as decisões mundiais para atenuar a crise climática, projetos inspiradores se fortalecem em diversos territórios por uma questão de sobrevivência. Representando as populações mais atingidas pela crise e pelas injustiças socioambientais, jovens marcam presença e assumem a linha de frente para transformar o lugar onde vivem. Nesta série coletiva, você vai conhecer a história e a capacidade de mobilização e organização da juventude e de organizações e movimentos locais.&nbsp;</em></p>



<p><em>A Redação Nordeste é a união de organizações de jornalismo independente de oito estados nordestinos, que consolida um trabalho cooperativo, integrado e aprofundado de jornalismo com foco nas pessoas. Esta rede nasceu em 2023 e recebe o apoio da OAK Foundation e International Fund for Public Interest Media (Ifpim).</em></p>



<p><em>Edição e mentoria de Raíssa Ebrahim, da </em><a href="https://marcozero.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Marco Zero</em></a></p>
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		<title>Selo orgânico e agroflorestas: a experiência que está transformando quintais quilombolas no Piauí</title>
		<link>https://marcozero.org/selo-organico-e-agroflorestas-a-experiencia-que-esta-transformando-quintais-quilombolas-no-piaui/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Feb 2024 21:32:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Luan Matheus Santana e Tânia Martins, do Ocorre Diário*Projeto Redação Nordeste** A paisagem árida da Caatinga pode até enganar quem não é daqui. Mas, nesse chão de solos argilosos, rasos e pedregosos, há também uma grande quantidade de minerais que fazem desse bioma um território fértrtil para o plantio. Quem vive nessas terras há [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Por Luan Matheus Santana e Tânia Martins, do <a href="https://ocorrediario.com/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Ocorre Diário</a>*<br>Projeto Redação Nordeste**</strong><br></p>



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<p>A paisagem árida da Caatinga pode até enganar quem não é daqui. Mas, nesse chão de solos argilosos, rasos e pedregosos, há também uma grande quantidade de minerais que fazem desse bioma um território fértrtil para o plantio. Quem vive nessas terras há muito tempo sabe disso, mas sabe também que, além do manejo adequado, é preciso saber conversar com a Caatinga. Porque aqui, como nos ensinou o mestre Antônio Bispo dos Santos (falecido em dezembro de 2023), é terra de “biointeração”, onde todos os seres são importantes, se conectam e se interrelacionam.&nbsp;</p>



<p>É nesse contexto que, na comunidade Queimada da Onça, localizada no Quilombo Lagoas, no município de São Lourenço do Piauí, distante 550 quilômetros de Teresina, foi plantada a primeira semente para o nascimento de uma iniciativa que busca ser o espelho para outra relação de produção agrícola no Estado, a <a href="https://www.instagram.com/apaspi.opac/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Associação dos Produtores Agroecológicos do Semiárido Piauiense (Apaspi)</a>.&nbsp;</p>



<p>Hoje, com cerca de 170 associados distribuídos em sete municípios do sul do Piauí (São Raimundo Nonato, São Lourenço, Coronel José Dias, Canto do Buriti, Paulistana, São Francisco de Assis e Queimada Nova), a Apaspi já nasceu com o selo orgânico, expedido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). É a primeira associação de agricultores do Estado a conquistar esse selo, um sistema que certifica coletivamente os produtos e agrega valor à produção.&nbsp;</p>



<p>Isso potencializou a comercialização dos produtos e consequentemente da produção. De 2019 até o ano passado, os agroecologistas do semiárido já produziram mais de 10 mil toneladas de pluma de algodão (produto resultante do processo de beneficiamento que separa a pluma do caroço do algodão) orgânico. A maior parte é vendida para uma grife francesa que produz sapatos e tênis com matéria-prima sustentável. No ano passado, a associação conseguiu comercializar 49,6 toneladas.&nbsp;</p>



<p>“O que temos aqui é um consórcio agroecológico, que associa algodão e culturas agroalimentares, como milho, feijão, gergelim, amendoim e girassol. Essas são culturas que os agricultores já vinham cultivando há muito tempo nos territórios. O que a gente fez foi um rearranjo de um desenho para que se pudesse produzir de forma sustentável, em harmonia com o meio e resiliente ao clima do semiárido. Pensamos nessa estratégia para encabeçar a agroecologia no semiárido e tem dado certo, porque conseguimos levar o debate e expandir”, afirma Gean Magalhães, quilombola agroecologista e idealizador da Apaspi.</p>



<p>A partir da produção de pluma de algodão, os agricultores extraem o caroço, que ainda serve de alimentação para pequenos animais em períodos de seca. Só no ano passado, 28 toneladas de caroços foram distribuídas entre os agricultores associados.&nbsp;</p>



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	                                        <p class="m-0">Agricultora Valquíria, do Piauí, mostra a produção de algodão orgânico. Do Quilombo Lagoas, ela é uma das sócias fundadoras da Apaspi. Crédito: Diaconia </p>
	                
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<p>Além disso, eles venderam a produção de gergelim, milho, feijão e girassol e também de outros alimentos destinados a programas governamentais, com o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e pregões eletrônicos destinados a ofertar alimentos para os institutos federais da região.&nbsp;</p>



<p>Toda capacidade produtiva e capilaridade de comercialização de produtos são conquistas antes inimagináveis para a maioria dos agricultores e das agricultoras, mas que se fizeram possíveis graças à insistência de uma jovem mente inquieta, à época com 17 anos e hoje com 32 anos, Gean Borges.&nbsp;</p>



<p>Desde pequeno, ele se incomodava com a forma de plantio que seus pais e avós praticavam. “Não entendia por que abriam novas áreas, por que queimavam para plantar, sempre achei que aquilo estava errado”, pontua</p>



<p>Gean é nascido e criado na comunidade quilombola Queimada da Onça, na aridez do município de São Lourenço. Queimada da Onça é uma das 119 comunidades pertencentes ao Quilombo Lagoas, um território ancestral delimitado em uma área situada dentro de seis municípios no sul do Piauí. As comunidades, juntas, compõem a terceira maior população quilombola do Brasil, com 5.042 quilombolas.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Um quintal quilombola como vitrine</strong></h2>



<p>A Associação dos Produtores Agroecológicos do Semiárido Piauiense (Apaspi) está presente em oito comunidades quilombolas do Piauí, sendo seis delas no Território Quilombola Lagoas, o maior quilombo do Piauí e o terceiro maior do Brasil, e uma no Território Quilombola Chupeiro, município de Paulistana. A produção em larga escala da associação só se tornou viável porque ela é fruto de um trabalho coletivo.&nbsp;</p>



<p>Apesar disso, foi no quintal da casa do Gean Borges que essa ideia começou a ser germinada. Filho e neto de agricultores, aprendeu com os mais velhos a gostar da roça. Sabia que era aquilo que ele queria para sua vida, mas o modo de produção —&nbsp; baseado na queimada e abertura de novas áreas — lhe incomodava.&nbsp;</p>



<p>Diante desse impasse, não viu outra opção senão buscar conhecimento para um uso mais eficiente da terra. “Queria entender como eu poderia trabalhar de forma mais sustentável. Gerar renda, mitigar os impactos desses trabalhos, porque eu vinha de um histórico familiar forte de uma cultura de desmatamento e queimada”, conta.</p>



<p>Foi então que, ao terminar o Ensino Fundamental, matriculou-se no curso Técnico de Agropecuária na Escola Agrícola da cidade de São Lourenço. “Tive professores que entenderam e me estimularam a mudar a técnica de plantio usada pelos meus antepassados. Também era necessário mitigar os impactos que o plantio convencional promoveu”, completa.</p>



<p>Foi aí que tudo mudou. No quintal da família, mesmo com certa resistência, Gean conseguiu estimular uma mudança no modo de produção e, com isso, estimular outras comunidades do Quilombo Lagoas a seguirem o caminho de plantar&nbsp; pelo Sistemas Agroflorestais (SAFs) e a criarem pequenos animais, ovinos e caprinos, principalmente, no mesmo sistema. Os SAFs são formados por plantios de diversas e diferentes espécies vegetais na mesma área e ao mesmo tempo.</p>



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	                                        <p class="m-0">Imagem aérea mostra o Sistema Agroflorestal na comunidade Queimada da Onça, no Quilombo Lagoas, no Piauí. Crédito: Caritas/Márcio Bigly/Misereor</p>
	                
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<p>A coragem de fazer dos sonhos uma ação foi impulsionada com apoio e projetos sociais que tornaram possível o desenvolvimento da associação. É o caso dos projetos apoiados pelas Cáritas Brasileira, pela Diaconia e pela Brazil Foundation.</p>



<p>Já em 2018, a produção foi considerada muito boa. Em 2019, começaram as comercializações, entre elas a do algodão, cultura que sempre foi tradição na região, mas que havia acabado devido à praga do inseto bicudo. Com contribuições de instituições e entidades como a Diaconia, os agricultores passaram a conhecer técnicas que dão sustentação ao solo e fortalecem as culturas produzindo de forma consorciada.&nbsp;</p>



<p>Plantaram, além do algodão, gergelim, milho, feijão, girassol e demais culturas agrícolas da dieta do sertanejo.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Protagonistas de um outro modo de produção</strong></h2>



<p>Outros jovens das comunidades que integram o Quilombo Lagoas, o maior do Piauí em território, são exemplos de superação dos desafios impostos aos filhos do bioma Caatinga. Assim como Gean, acreditaram que era possível mudar o cenário de aridez, desmatamentos e queimadas em áreas férteis, produtivas e sem uso de agrotóxicos.&nbsp;</p>



<p>Valquiria Viana é uma das sócias fundadoras da Apaspi. Nascida na Lagoa das Cacas, comunidade também pertencente ao Quilombo Lagoas, a trajetória dela é semelhante à de Gean. Tudo começou a mudar ainda em 2008, quando iniciou os estudos na escola agrícola, onde passou quatro anos.&nbsp;</p>



<p>“Eu sempre trazia para a comunidade. Aprendia as técnicas e trazia para o roçado, juntamente com meu pai. Em 2011, concluí o meu curso e surgiu a ideia de montar uma associação, em 2012. Daí então a gente vem sempre trabalhando com agroecologia. Antes a gente vivia trabalhando na forma como nossos avós trabalhavam, hoje a gente reaproveita, fazendo adubação verde, não usando agrotóxicos. Antigamente a gente produzia e não tinha rendimento. Através da Apaspi, hoje a gente tem bastante oportunidade”, afirmou.</p>



<p>Se Gean e Valquiria hoje têm muitas certezas sobre os acertos que tiveram, uma delas é a de que, sem a juventude, o projeto não seria viável. Por isso, a metodologia usada para atrair a juventude do quilombo para se adequarem ao Sistema Agroflorestal foi mostrar que só é possível construí-la de forma coletiva.&nbsp;</p>



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	                                        <p class="m-0">Gean em oficina de formação com crianças e jovens. Crédito: Apaspi</p>
	                
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<p>“Hoje trabalhamos com jovens e trabalhadores multiplicadores, que plantam as unidades de experiência participativa, que servem como vitrines para que outros agricultores possam conhecer”, disse Gean. Ele se refere aos módulos de formação, criados para acompanhar as culturas do plantio à colheita.</p>



<p>“Nossa juventude é como se fosse nossa ferramenta, são eles que vão levar a produção agroecológica adiante”, ensina, acrescentando que atualmente eles se organizam em grupos locais, cada um jovem rural no papel de animar o grupo, fazer apresentação das atividades, dos protocolos de plantio e manejo.&nbsp;</p>



<p>Esses jovens no geral são agricultores e têm o papel de articulação para estimular e inserir outros no processo. “Temos feito busca ativa dos jovens, filhos e filhas de pequenos agricultores quilombolas, para experienciar os processos agroecológicos”, detalha.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O desafio de produzir e preservar a Caatinga</strong></h2>



<p>Conviver com a casa comum — como costumam falar os agricultores do quilombo ao se referirem à Caatinga, que tanto respeitam, admiram e defendem — é questão sentimental para a maioria de seus habitantes. Por isso, o trabalho da Aspapi não se concentra apenas na produção de toneladas de alimentos, mas também na conscientização política de que é preciso mudar a nossa relação com o meio ambiente.&nbsp;</p>



<p>Pesquisadores das universidades Estadual de Campinas (Unicamp), Federal da Paraíba (UFPB), Federal de Pernambuco (UFPE), Federal de Viçosa (UFV) e do Instituto Federal Goiano (IFGoiano) divulgaram, em 2023, um estudo preocupante acerca da relação da Caatinga com as mudanças climáticas. Segundo os pesquisadores, a previsão é que, até 2060, haja uma redução de pelo menos 40% no volume de chuvas na região. Esse cenário coloca a Caatinga como um dos biomas mais ameaçados pelas mudanças climáticas.&nbsp;</p>



<p>Um cenário que torna ainda mais importante pensar soluções capazes de recuperar o que já foi destruído. “Tanto na produção de pequenos animais como de alimentos,&nbsp; o semiárido precisa avançar para os sistemas agroflorestais. Respeitar a Caatinga, lutando para manter ela viva é nosso grande desafio hoje na região”, observa Gean, ao tempo em que chama a atenção para a qualidade do bioma e suas ameaças.&nbsp;</p>



<p>“Por ter sido degradada ao longo dos anos, a caatinga, que é um bioma único, tem dificuldade enorme de se regenerar por si só. Então a agrofloresta entra tanto com estratégia de regeneração das áreas degradadas como com preservação e manutenção das áreas&nbsp; que existem”, explica, acrescentando que essa foi a grande defesa que trouxe para o quilombo, da discussão dos Sistemas Agroflorestais como ferramenta de convivência com o semiárido.</p>



<p><em>*O </em><a href="https://ocorrediario.com/"><em>Ocorre Diário</em></a><em> é uma plataforma de comunicação popular e colaborativa do Piauí que ousa sonhar-fazer uma comunicação das potências emancipatórias, dialógicas, plurais e decoloniais da informação.&nbsp;</em></p>



<p><em>**Quem são, o que pensam e o que fazem jovens ativistas do meio ambiente de territórios periféricos, rurais e ribeirinhos do Nordeste? É com essa provocação que o projeto Redação Nordeste publica a série especial de cinco reportagens “Jovens ativistas socioambientais do Nordeste”. Participam deste trabalho conjunto as organizações de jornalismo independente Afoitas (PE), Conquista Repórter (BA), Mídia Caeté (AL), Ocorre Diário (PI) e Mangue Jornalismo (SE).</em></p>



<p><em>Enquanto o aumento da temperatura provoca efeitos mais rápidos sobre o planeta do que as decisões mundiais para atenuar a crise climática, projetos inspiradores se fortalecem em diversos territórios por uma questão de sobrevivência. Representando as populações mais atingidas pela crise e pelas injustiças socioambientais, jovens marcam presença e assumem a linha de frente para transformar o lugar onde vivem. Nesta série coletiva, você vai conhecer a história e a capacidade de mobilização e organização da juventude e de organizações e movimentos locais.&nbsp;</em></p>



<p><em>A Redação Nordeste é a união de organizações de jornalismo independente de oito estados nordestinos, que consolida um trabalho cooperativo, integrado e aprofundado de jornalismo com foco nas pessoas. Esta rede nasceu em 2023 e recebe o apoio da OAK Foundation e International Fund for Public Interest Media (Ifpim).</em></p>



<p><em>Edição e mentoria de Raíssa Ebrahim, da Marco Zero</em></p>
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		<title>Especialistas alertam para o risco de racismo no uso de reconhecimento facial durante o carnaval</title>
		<link>https://marcozero.org/especialistas-alertam-para-o-risco-de-racismo-no-uso-de-reconhecimento-facial-durante-o-carnaval/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Feb 2024 18:09:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[carnaval 2024]]></category>
		<category><![CDATA[governo Raquel Lyra]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Jorge Cavalcanti* As pontes que dão acesso ao Bairro do Recife e os principais polos de folia de Olinda este ano estarão sendo monitorados no carnaval por um sistema de câmeras de reconhecimento facial cujo objetivo é identificar foragidos da Justiça. O anúncio foi feito pela Secretaria de Defesa Social (SDS) na entrevista coletiva [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Jorge Cavalcanti*</strong></p>



<p>As pontes que dão acesso ao Bairro do Recife e os principais polos de folia de Olinda este ano estarão sendo monitorados no carnaval por um sistema de câmeras de reconhecimento facial cujo objetivo é identificar foragidos da Justiça. O anúncio foi feito pela Secretaria de Defesa Social (SDS) na entrevista coletiva de divulgação do esquema de segurança para o período festivo, terça-feira (30). O uso da ferramenta gera debate sobre o viés racista dos algoritmos que determinam o funcionamento da tecnologia e a possibilidade de pessoas negras serem presas injustamente. A Marco Zero Conteúdo ouviu especialistas para entender quais são os riscos e questionamentos.</p>



<p>A SDS tratou como “inovação” o uso do sistema de reconhecimento facial, mas não informou o nome do software adquirido pelo Estado de Pernambuco ao valor de R$ 400 mil, com recursos do Fundo Nacional de Segurança. A tecnologia vai estrear no desfile do Galo da Madrugada, no Sábado de Zé Pereira, no centro do Recife, e operar durante os demais dias de folia. O anúncio acontece depois do governo ter desligado, no final do ano passado, 240 câmeras de videomonitoramento instalados no Recife e outras 38 em Olinda, por conta do fim do contrato e a não realização de uma nova licitação.</p>





<p>Estudos apontam que os sistemas de reconhecimento facial atualmente no mercado apresentam índices maiores de erro quando mapeiam rostos de mulheres e negros. Um trabalho desenvolvido nos Estados Unidos identificou taxas do chamado “falso positivo” para asiáticos e afro-americanos até 100 vezes maiores do que para brancos.</p>



<p>Na entrevista coletiva da SDS, a secretária executiva da pasta, Dominique de Castro Oliveira, defendeu o uso da ferramenta no carnaval. “É mais um equipamento à disposição do policial, não funciona por si só. A câmera de reconhecimento facial, sozinha, não determina a prisão. Ela apenas traz um alerta e, a partir dali, apura-se a informação de forma a confirmar se é o caso de um mandado de prisão em aberto. A tropa está orientada a fazer esse check de identidade”, garantiu.</p>



<p>De acordo com a representante do governo, o sistema que será usado no tem como base de dados o Banco Nacional de Mandados de Prisão. São hoje 332.548 ordens de prisão à espera de cumprimento listadas no banco, dos quais 13.457 em Pernambuco, de acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O órgão não consegue, porém, informar quantos desses mandados de prisão em aberto são alimentados também com a fotografia da pessoa procurada.</p>



<p>Em reserva, a reportagem conversou com profissionais do sistema de justiça criminal para entender melhor como esse banco nacional funciona. E ouviu que não há atualização em tempo real porque precisa ser alimentado por servidores em cada unidade da federação.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Cadê o debate</strong>?</h2>



<p>A presidente do Instituto de Pesquisa em Direito e Tecnologia do Recife (IP.rec), Raquel Saraiva, relembra uma <a href="https://portal.mppe.mp.br/w/em-audiencia-publica-promovida-pelo-mppe-estado-e-prefeitura-informam-que-ferramenta-nao-sera-adotada-antes-de-um-debate-amplo" target="_blank" rel="noreferrer noopener">audiência pública</a> realizada pela 8ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania do Recife, em dezembro do ano passado, em que Prefeitura do Recife e Governo do Estado se comprometeram a só implantar a tecnologia após discussões amplas para aperfeiçoar as ferramentas.</p>



<p>“Essa notícia nos pegou de surpresa. É sabido que essa tecnologia funciona a partir de um recorte de raça, classe e gênero. Para nós, é uma aplicação de alto risco, ainda mais sem um processo de discussão”, avalia Raquel Saraiva. O IP.rec elaborou uma nota técnica sobre o assunto. O trabalho, feito antes do anúncio da SDS, aborda aspectos técnicos e jurídicos e lista campanhas nacionais e internacionais que tratam do tema. <strong><a href="https://ip.rec.br/publicacoes/nota-tecnica-revelando-rostos-ocultando-sujeitos-como-a-implementacao-do-reconhecimento-facial-fere-direitos-garantidos-na-constituicao-federal/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Clique aqui para ler a nota técnica na íntegra.</a></strong></p>



<p>Pesquisador na área da segurança pública, o advogado Almir Felitte ressalta que já são de conhecimento público os casos de prisões injustas e ilegais baseadas no “falso positivo” do reconhecimento facial. “Costumo dizer que essa ferramenta não é nem inteligente, porque apresenta taxas de erro para além do aceitável, nem artificial, porque trabalha a partir de uma lógica gerada por humanos dentro de uma perspectiva racista”, analisa. Ele é autor do livro <em>A história da polícia no Brasil: estado de exceção permanente?</em></p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Comandantes usarão bodycams</strong></h3>



<p>Além do sistema de reconhecimento facial para capturar foragidos, para este ano, a outra novidade anunciada foi o uso das câmaras corporais acopladas à farda de policiais durante o carnaval. “Elas, às vezes, são fruto de alguns questionamentos e dilemas. Mas, na visão da SDS, é um equipamento muito importante não só na defesa do cidadão, mas também para o próprio policial”, destacou a secretária executiva da pasta.</p>



<p>O uso de câmeras corporais pelas forças de segurança foi recomendado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública em portaria publicada em janeiro. De acordo com a pasta, as <em>bodycams</em> devem estar ligadas e em modo de gravação ininterrupta durante o turno de serviço do agente; o conteúdo deve ficar armazenado e acessível por um período de seis meses.</p>



<p><strong><a href="https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/noticias/19.01.2024Recomendaosobreousodecmerascorporaisnasatividadesdosagentesdeseguranapblicaedeseguranaevigilncia.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Clique aqui para ler a portaria.</a></strong></p>



<p>Pernambuco dispõe hoje de 187 câmeras corporais. Elas começaram a ser usadas em setembro do ano passado, num projeto-piloto desenvolvido no 17º Batalhão de Polícia Militar, com atuação em Paulista e Abreu e Lima, cidades do Grande Recife. Três meses depois, o major José Evandro Barros, acompanhado de outro oficial, compareceu ao Ministério Público de Pernambuco para falar a três promotoras sobre o uso experimental da tecnologia.</p>



<p>“A orientação é de que a câmera fique ligada, mas em <em>stand by</em>, sendo acionada sempre que tiver início qualquer ocorrência”, explicou o tenente Reginaldo Medeiros, na ocasião. Naquela data, 5 de dezembro de 2023, de acordo com os oficiais, <a href="https://portal.mppe.mp.br/w/promotores-esclarecem-duvidas-de-sobre-uso-de-bodycams-com-17-batalhao-da-pm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">apenas 57 das 187 <em>bodycams</em> estavam em uso</a> por conta de problemas técnicos relativos à estação de armazenamento das imagens.</p>



<p>A advogada Maria Clara D’Ávilla destaca que o uso do equipamento por policiais em serviço é uma demanda de alguns anos das organizações da sociedade civil que monitoram a segurança pública. Ela atua no Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop)</p>



<p>“É uma tecnologia importante no esforço de reduzir a violência e letalidade policial. Mas elas, isoladamente, nem sempre garantem isso. É preciso ter também outros mecanismos, como transparência no funcionamento do equipamento e armazenamento dessas imagens, a independência das ouvidorias das Polícias Militares e o fortalecimento do controle externo das atividades policiais”.</p>



<p>Em Pernambuco, até o momento, as imagens captadas pelas bodycams estão sendo armazenadas no 17º Batalhão. Pelo que os oficiais da PM informaram ao MPPE, as mídias são auditáveis, sendo possível descobrir tentativas de acesso indevido ao banco de dados.</p>



<p>No Brasil, hoje, a tecnologia é usada em 25 dos 27 Estados do Brasil, com diferentes níveis de presença. Recentemente, o governador Tarcísio Freitas (Republicanos) recuou da intenção de desfinanciar o uso da tecnologia em São Paulo.</p>



<p>*<strong>Jornalista com 19 anos de atuação profissional e especial interesse na política e em narrativas de garantia, defesa e promoção de Direitos Humanos e Segurança Cidadã</strong></p>
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		<title>Em Sergipe, juventude aposta em projetos sociais para preservar o meio ambiente</title>
		<link>https://marcozero.org/em-sergipe-juventude-aposta-em-projetos-sociais-para-preservar-o-meio-ambiente/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 Jan 2024 21:02:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Redação Nordeste]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Díjna Torres, da agência Mangue Jornalismo* Projeto Redação Nordeste** Em São Braz, no município de Nossa Senhora do Socorro, a 25 quilômetros de Aracaju, o projeto Pescando Memórias faz do resgate da história e do fortalecimento da identidade local um caminho para valorizar e preservar o meio ambiente. Banhado pelo Rio do Sal e [&#8230;]</p>
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<p><strong>Por Díjna Torres, da agência </strong><a href="https://manguejornalismo.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Mangue Jornalismo</strong></a><strong>* <br>Projeto Redação Nordeste**</strong></p>



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<p>Em São Braz, no município de Nossa Senhora do Socorro, a 25 quilômetros de Aracaju, o projeto Pescando Memórias faz do resgate da história e do fortalecimento da identidade local um caminho para valorizar e preservar o meio ambiente. Banhado pelo Rio do Sal e pelo Riacho do Moleque, o povoado, que surgiu na década de 1940 com apenas três cabanas de pescadores e uma fazenda de sal, hoje reúne cerca de 40 moradias e é local de carcinicultura.</p>



<p>Nascido em São Braz, Givanildo dos Santos criou, quando tinha 20 anos, o Pescando Memórias, juntamente com a esposa, Isabela Bispo, na ideia de estreitar os laços com o passado de tradição pesqueira e ribeirinha. Em vez da pesca, atualmente são ocupações como pedreiro e manicure que dão renda a boa parte da comunidade.</p>



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	                                        <p class="m-0">Orlinha em frente à sede do projeto Pescando Memórias, no povoado São Braz. Crédito: Díjna Torres/Mangue Jornalismo</p>
	                
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<p>Um dos objetivos do projeto é discutir a preservação de um território que beira o rio e fornece a subsistência das famílias, com trabalho de consciência ambiental para a preservação das águas a partir de ações de limpeza, educação ambiental e preservação da memória.&nbsp;São iniciativas que constroem e reforçam não somente a identidade do povo como a autoestima da população ribeirinha, de pescadores e de marisqueiras.</p>



<p>Além da questão ambiental, o Pescando Memórias desenvolve oficinas que geram renda e envolvem todas as idades, ensinando crochê, macramê, uso de madeira para embarcações, customização de sandálias, boas práticas alimentares e capoeira. As ações já impactaram cerca de 20 mil pessoas de Nossa Senhora do Socorro e dos arredores.&nbsp;</p>



<p>Givanildo, que é pescador, assim como o pai e os irmãos, viu no processo solidário e criativo uma forma de resgate histórico cultural que ampliasse os olhares sobre os costumes, as crenças e as tradições do povoado e disseminasse informações a outros jovens por meio também de oficinas de cultura popular e artes visuais.</p>



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	                                        <p class="m-0">O Pescando Memórias nasceu da iniciativa do casal Givanildo e Isabela, do povoado São Braz, no município de Nossa Senhora do Socorro, em Sergipe. Crédito: acervo pessoal</p>
	                
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<p>“O resgate da memória e do fortalecimento da identidade é uma forma de transformar a realidade”, ensina Givanildo. “Isso aqui só era mostrado de maneira negativa, como se fosse um lugar ruim. E hoje a gente já conseguiu mostrar as transformações que fizemos”, comemora. Em meio ao cenário de mudanças climáticas com destruição de territórios, injustiças e racismo socioambiental, o projeto é uma forma de buscar soluções e trazer novos horizontes, sobretudo para crianças, jovens e mulheres.&nbsp;</p>





<p></p>



<p>Gilmaria de Andrade Cruz Santos, de 26 anos, e seus dois filhos, de 10 e 6 anos, vivem no povoado São Braz e o Pescando Memórias mudou a vida da família. “Eu não trabalhava porque sofria de transtorno de ansiedade e depressão. Depois do curso (de culinária), minha vida mudou muito porque comecei a colocar coisas em minha mente e pude oferecer uma alimentação melhor para meus filhos. Através do projeto, realizei o meu sonho de participar do curso de culinária, porque eu nunca tive essa oportunidade. Meus filhos hoje têm outros pensamentos, eles pensam num futuro melhor. Com o projeto, eles viram que têm a possibilidade de fazer cursos, de crescer e por isso eu agradeço demais por essa transformação em minha vida e de minha família”, celebra.</p>



<p>São Braz é um território na mira da especulação imobiliária, de indústrias e de empreiteiras, com o aval do poder público. Essas iniciativas não somente problematizam e dão visibilidade a questões de suma importância como apontam caminhos e pressionam o poder público e a sociedade por soluções.&nbsp;“Aqui é uma comunidade tradicional. A gente sofre bastante porque, por exemplo, essa do campo o governo estadual doou para fazer um condomínio. Daqui a pouco, a gente vai ser o quintal do condomínio”, explica Givanildo.&nbsp;</p>



<p>“A gente vem trabalhando com a comunidade de forma que eles aprendam a empreender com o que têm e a lutar pelo território, porque não dá para esperar pelo poder público ou pela iniciativa privada. Se tivéssemos mais incentivo e apoio de outras instâncias, certamente teríamos avançado muito mais e transformado muitas outras vidas ”, reforça.</p>



<p>Em 2023, o retorno dos editais de financiamento para projetos acendeu a esperança de Givanildo para conseguir mais recursos para o Pescando Memórias, que se sustenta também com doações. Mas, sem o apoio da iniciativa privada, reforça ele, ainda é muito difícil realizar as ações como o projeto gostaria.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Intervenção urbana sustentável e educação ambiental</strong></h2>



<p>Saindo do norte da grande Aracaju e partindo para o outro lado da cidade, está o <a href="https://www.instagram.com/coletivo.camaleao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Coletivo Camaleão Urbano</a>. Iniciativa que nasceu em 2017, o grupo multidisciplinar reúne jovens para realizar ações em áreas degradadas da cidade.&nbsp;</p>



<p>Atendendo populações em situação de vulnerabilidade social e promovendo intervenções urbanas nos espaços públicos, o Camaleão foca em projetos colaborativos, educação ambiental, reciclagem, plantio de mudas, disseminação da arte regional e grafitagem. O grupo é formado por profissionais e alunos de arquitetura e urbanismo, artes visuais, gastronomia, fisioterapia e engenharia florestal das universidades Tiradentes (Unit) e Federal de Sergipe (UFS).</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Dauane Santana e Larissa Teresa, do Coletivo Camaleão Urbano. Crédito: Díjna Torres</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>Dauane Santana, de 28 anos, arquitetura, conta que um dos trabalhos do grupo foi construir um mapeamento participativo da comunidade Vitória da Resistência, no bairro Lamarão, zona periférica da capital. A ação, que durou cerca de um ano, consiste em mapear as histórias dos cidadãos que fazem parte das comunidades, suas dificuldades e seus planos futuros para tornar o local mais inclusivo, mobilizando os moradores para transformar espaços com materiais doados e motivar as pessoas através das oficinas artísticas e de educação ambiental.</p>



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	                                        <p class="m-0">Através de um mapeamento participativo construído coletivamente, o Camaleão buscou envolver a comunidade Vitória da Resistência com oficinas artísticas e de educação ambiental. Crédito: acervo Camaleão</p>
	                
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<p>Outros projetos do Camaleão são o (Re)Viva o Parque, de revitalização do parque infantil do Parque dos Cajueiros, na zona sul de Aracaju; a Semana Lixo Zero; plantio e educação ambiental no Residencial Vitória da Resistência; e intervenções na Praça General Valadão.&nbsp;</p>



<p>“A gente plantou as árvores e vimos a reação das pessoas como se estivessem sem acreditar que nós voltaríamos. A praça não tinha nada, era tipo um descampado e o chão era de terra batida. A gente plantou, fez canteiro com pneu, oficina de grafite, além de outras ações de bem-estar e educação, uma vez que muitas dessas comunidades são relegadas e esquecidas”, relata Dauane.&nbsp;</p>



<p>Raíla da Silva, de 26 anos, é coordenadora de base do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto&nbsp; (MTST) e conheceu o Coletivo Camaleão através do movimento. “Eu nunca tinha feito curso, foi algo gratificante tanto para mim quanto para minhas companheiras. O projeto teve um impacto para as comunidades porque, aqui na ocupação Beatriz Nascimento, hoje a gente pode dizer que tem uma formação e isso é muito importante, principalmente para uma mulher preta e mãe como eu, que já sofre tanta discriminação na sociedade”, celebra.</p>



<p>Raíla e suas companheiras fizeram parte do projeto Sabor da Resistência, do Camaleão, patrocinado pelo Instituto Precisa Ser e pela Farm, através de um edital de 2022 voltado para ações urbanas periféricas no Brasil. Tendo como objetivo o empoderamento feminino e o fortalecimento econômico na ocupação que fica no bairro de Japãozinho, as mulheres participaram de aulas e oficinas de gastronomia de salgados, nutrição e marketing para venda de alimentos. Também houve doação de carrinho para vendas itinerantes e uso compartilhado da comunidade.</p>



<p>Larissa Teresa, de 28 anos, arquiteta que também faz parte do coletivo, detalha que, para realizar essas ações, há uma frente de financiamento com a venda de <a href="https://abacashi.com/p/camaleao-urbano" target="_blank" rel="noreferrer noopener">produtos oficiais do Camaleão</a>, a exemplo de bottons com estampas exclusivas, copos e caderninhos. Outra parte do dinheiro é proveniente de editais que já foram aprovados e os próximos que elas buscam se inscrever.</p>



<p>“Sempre com o intuito de contemplar a tríade do desenvolvimento sustentável nos espaços: o social, o econômico e o ambiental”, explica Larissa.&nbsp;</p>



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	                                        <p class="m-0">Projeto (Re)Viva o Parque, no Parque dos Cajueiros, em Aracaju. Crédito: acervo Camaleão</p>
	                
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<p>Na visão da estudante de arquitetura, “o conceito da sustentabilidade é o equilíbrio entre meio ambiente, sociedade e fator econômico”. “Não é só falar de árvore e de meio ambiente. É envolver as pessoas, ver a questão da qualidade de vida”, detalha, contando que o Camaleão hoje recebe muitos convites de escolas e instituições e até de shopping.&nbsp;</p>



<p>“Ainda há uma dificuldade em popularizar os benefícios da sustentabilidade e da educação ambiental e como isso proporciona qualidade de vida à população, seja através de intervenções em espaços públicos para tornar o ambiente mais acolhedor e seguro, seja proporcionando cursos para empoderar e elevar a autoestima da comunidade, melhorando assim índices econômicos. Isso tudo é atravessado pela questão ambiental”, pontua.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>*A </em><a href="https://manguejornalismo.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Mangue Jornalismo</em></a><em> é uma agência de jornalismo independente com sede em Aracaju (SE), movida para promover o jornalismo como lugar de debate no interesse público, com participação democrática, que prima pela rigorosa apuração, busca da verdade no relato dos acontecimentos e precisa apresentação do conteúdo jornalístico.</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>**<em>Quem são, o que pensam e o que fazem jovens ativistas do meio ambiente de territórios periféricos, rurais e ribeirinhos do Nordeste? É com essa provocação que o projeto Redação Nordeste publica a série especial de cinco reportagens “Jovens ativistas socioambientais do Nordeste”. Participam deste trabalho conjunto as organizações de jornalismo independente Afoitas (PE), Conquista Repórter (BA), Mídia Caeté (AL), Ocorre Diário (PI) e Mangue Jornalismo (SE).</em></p><p><em>Enquanto o aumento da temperatura provoca efeitos mais rápidos sobre o planeta do que as decisões mundiais para atenuar a crise climática, projetos inspiradores se fortalecem em diversos territórios por uma questão de sobrevivência. Representando as populações mais atingidas pela crise e pelas injustiças socioambientais, jovens marcam presença e assumem a linha de frente para transformar o lugar onde vivem. Nesta série coletiva, você vai conhecer a história e a capacidade de mobilização e organização da juventude e de organizações e movimentos locais.&nbsp;</em></p><p><em>A Redação Nordeste é a união de organizações de jornalismo independente de oito estados nordestinos, que consolida um trabalho cooperativo, integrado e aprofundado de jornalismo com foco nas pessoas. Esta rede nasceu em 2023 e recebe o apoio da OAK Foundation e International Fund for Public Interest Media (Ifpim).</em></p><p><em>Edição e mentoria de Raíssa Ebrahim, da </em><a href="https://marcozero.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Marco Zero</em></a></p></blockquote>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/em-sergipe-juventude-aposta-em-projetos-sociais-para-preservar-o-meio-ambiente/">Em Sergipe, juventude aposta em projetos sociais para preservar o meio ambiente</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Como jovens baianas se mobilizam para pensar a sustentabilidade e o futuro do planeta</title>
		<link>https://marcozero.org/como-jovens-baianas-se-mobilizam-para-pensar-a-sustentabilidade-e-o-futuro-do-planeta/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Jan 2024 19:37:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[juventude]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Karina Costa, do Conquista Repórter* Projeto Redação Nordeste** Os caminhos de Ísis Fernanda Salles, de 24 anos, e Kinda Silva van Gastel, de 27 anos, se cruzaram pela primeira vez durante uma conferência realizada em Salvador em agosto de 2019. Foi na Climate Week (Semana do Clima), evento regional da Convenção-Quadro das Nações Unidas [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Por Karina Costa, do </strong><a href="https://conquistareporter.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Conquista Repórter</strong></a><strong>* <br>Projeto Redação Nordeste**</strong></p>



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<p>Os caminhos de Ísis Fernanda Salles, de 24 anos, e Kinda Silva van Gastel, de 27 anos, se cruzaram pela primeira vez durante uma conferência realizada em Salvador em agosto de 2019. Foi na Climate Week (Semana do Clima), evento regional da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que Ísis teve a oportunidade de ouvir Kinda falar sobre o <a href="https://engajamundo.org/pt/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Engajamundo,</a> uma organização que reúne jovens com um único propósito: enfrentar os problemas ambientais e sociais do Brasil e do mundo.</p>



<p>A partir desse encontro, Ísis, soteropolitana e moradora da região da Cidade Baixa, no Bairro da Ribeira, pôde se conectar com outros jovens que, assim como ela, buscam agir para garantir o futuro do planeta. Mas antes mesmo de se tornar voluntária no Engajamundo, ela já se interessava pelo ativismo e por entender as questões sociais que afetam os territórios.</p>



<p>“Com 16 ou 17 anos, eu entendi que queria trabalhar com as pautas que atravessam o futuro do planeta, da juventude e do meio ambiente. Comecei a pesquisar por organizações às quais eu poderia me juntar e foi aí que acabei encontrando o ‘Engaja’ na Climate Week”, conta Ísis, graduanda em Geografia na Universidade Federal da Bahia (UFBA).</p>



<p>O espírito de liderança veio da bisavó Dalva Salles, que viveu até os 104 anos. A matriarca não atuou como líder de movimento social, mas ensinou à bisneta como se opor às injustiças a partir da amorosidade. Ísis também aprendeu sobre as estruturas que movem a sociedade ao ouvir a história do avô, que saiu da Paraíba e enfrentou diversas violações de direitos. “Hoje eu tento levar essa percepção sobre o meu território e o meu ativismo para dentro do meu ciclo familiar”, explica.</p>



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	                                        <p class="m-0">Ainda na adolescência, a ativista Ísis entendeu que queria trabalhar com pautas sobre futuro do planeta, juventude e meio ambiente. Crédito: acervo pessoal</p>
	                
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<p>A jovem baiana também desenvolve pesquisas sobre conflitos socioterritoriais no <a href="https://geografar.ufba.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Grupo GeografAr,</a> vinculado à UFBA. Aos 24 anos, ela já é reconhecida como um exemplo de liderança da juventude na causa socioambiental, após ter coordenado por dois anos o Grupo de Trabalho sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (GT ODS) do Engajamundo.</p>



<p>Ísis foi eleita para coordenar o GT ODS no início de 2020, alguns meses após ter se juntado à organização. Uma das ações realizadas pelo grupo de trabalho é a confecção do <a href="https://gtagenda2030.org.br/relatorio-luz/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Relatório Luz,</a> um documento anual que mostra o desempenho do país para a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030. O Brasil é um dos 193 estados membros da Organização das Nações Unidas (ONU) que se comprometeram a alcançar 17 ODS.</p>



<p>Erradicar a pobreza, acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar, reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles. Esses são alguns dos objetivos que fazem parte da Agenda 2030, como é chamado o plano de ação pactuado pelos países que integram a ONU. O Relatório Luz é produzido por diversas organizações da sociedade civil e uma delas é o Engajamundo, que, apesar de já ter dissolvido o GT ODS, <a href="https://brasilnaagenda2030.files.wordpress.com/2023/10/rl_2023_v8-webcompleto-lr.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">segue contribuindo para a elaboração do documento.&nbsp;</a></p>



<p>De acordo com Ísis, o GT ODS deixou de existir porque a organização entendeu que precisava pensar sobre o desenvolvimento e a sustentabilidade por outras perspectivas. “Por trabalharmos com comunidades tradicionais de diversos tipos, como ribeirinhas, quilombolas e indígenas, a gente percebeu que precisaria olhar para os ODS, mas não só para eles”, explica a jovem ativista.</p>



<p>Criado em 2012, o Engajamundo hoje possui 24 núcleos em 18 estados e reúne mais de 200 voluntários ativos, além de uma rede de mais de duas mil pessoas. A organização é dividida em GTs, Casas ou Núcleos Locais (Caatinga, Cerrado, Amazônia e Mata Atlântica) e Laboratórios (Lab Pimenta e Lab Inovação). As atividades acontecem de forma online e offline.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Educação, mobilização, participação e advocacy</strong></h2>



<p>No Núcleo Caatinga, em Feira de Santana (BA), a cerca de 115 quilômetros de Salvador, está Kinda Silva van Gastel, de 27 anos. Fotógrafa, poetisa, ativista e comunicadora socioambiental, ela faz parte do conselho do Engajamundo, mas também já atuou como diretora executiva e coordenadora de comunicação. Assim como Ísis, sempre se interessou pelas temáticas que envolvem a sociedade e o meio ambiente.</p>



<p>“Minha mãe vem de uma história de militância, muito envolvida com pautas que atravessam gênero e raça, e meu pai envolvido com agricultura familiar e economia solidária, então eu já tinha isso de base. Mas acabava não encontrando espaços coletivos para colocar em prática essa minha vontade de colaborar”, relembra Kinda.&nbsp;</p>



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	                                        <p class="m-0">A jovem ativista Kinda é fotógrafa, poetisa, ativista e comunicadora socioambiental. Crédito: Danielle Amaral</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>Foi na universidade, em 2015, que a jovem encontrou o Engajamundo. “Eu achei um espaço que fez meus olhos brilharem, um coletivo que trabalhava com a pauta socioambiental, feito para a juventude e pela juventude”, afirma a ativista, que cursou Energia e Sustentabilidade, na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), em Feira de Santana. “Era um lugar em que a gente podia sonhar e construir juntos”, complementa.</p>



<p>Como voluntária da organização, Kinda pôde conhecer diversos lugares e pessoas. Em 2017, ela teve a oportunidade de participar de um encontro nacional do Engajamundo na Amazônia. “Foram mais de 100 jovens do Brasil inteiro, indígenas, quilombolas. Muitas pessoas discutindo temas importantes”, conta.&nbsp;</p>



<p>Já em 2019, a jovem foi selecionada para compor a diretoria executiva da organização, permanecendo até maio deste ano. Foi nessa posição que atuou mais ativamente com base nos quatro pilares que guiam o trabalho do Engajamundo: educação, mobilização, participação e advocacy.&nbsp;</p>



<p>O primeiro se concretiza por meio da realização de formações online e presenciais, além da produção de materiais que contribuem para o entendimento das temáticas socioambientais. Já o segundo pilar, a mobilização, é posto em prática com a articulação de ações nas ruas e as parcerias com outras entidades.</p>



<p>A participação é possibilitada através da criação de delegações para que os jovens possam atuar em conferências, reuniões e fóruns dentro e fora do país. Por fim, advocacy é definida pelo grupo como “a arte de defender, apoiar e influenciar causas”, por meio de ações como pressionar tomadores de decisão, por exemplo.</p>



<p>Durante o período em que esteve à frente da diretoria executiva do Engajamundo, a própria Kinda vivenciou o pilar da participação. Em novembro de 2022, ela esteve no Egito, junto com outros 18 jovens, para participar da Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP27), em Sharm el-Sheikh.</p>



<p>No evento, a delegação do Engajamundo entregou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) um documento feito coletivamente pelos voluntários da organização, intitulado <a href="https://drive.google.com/file/d/1NY91Kf5encFYa2GP6W2ZH_J1AzgAc3kD/view" target="_blank" rel="noreferrer noopener">“Visão das Juventudes do Engajamundo para o Desenvolvimento do Brasil”.</a> Além disso, na conferência, os jovens realizaram um ato para denunciar a violência contra defensores ambientais no Brasil.</p>





<h2 class="wp-block-heading"><strong>“Insustentável é também a morte de uma liderança”</strong></h2>



<p>Seja numa conferência no Egito ou em atividades realizadas nos núcleos locais, os voluntários do Engajamundo estão unidos pela crença de que a juventude brasileira deve estar consciente do seu impacto socioambiental e engajada em processos de decisão. Para Kinda Silva van Gastel, não é possível pensar nas questões ambientais e climáticas de maneira isolada.&nbsp;</p>



<p>“Não vamos conseguir alcançar um mundo em que os problemas ambientais e climáticos estejam superados sem que a gente coloque na centralidade as injustiças sociais, raciais e de gênero”, diz a comunicadora e fotógrafa. Para ela, é necessário desconstruir e reconstruir a imagem do ativista socioambiental presente no coletivo imaginário dos brasileiros.&nbsp;</p>



<p>“Quando as pessoas pensam em ativistas, lembram de alguém segurando um cartaz. Mas existem muitas batalhas diárias, questões fundiárias, luta por acesso à saneamento básico, movimentos por moradia, problemáticas com enchentes”, afirma Kinda, que hoje atua como conselheira do Engajamundo.</p>



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	                                        <p class="m-0">Kinda com integrantes do Engajamundo em ato de cortejo fúnebre pelos ativistas socioambientais. Crédito: acervo pessoal</p>
	                
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<p>A estudante de Geografia Ísis Fernanda Salles compartilha da visão de Kinda sobre o que significa ser um ativista socioambiental. “Hoje eu entendo que as pessoas que mais defendem o meio ambiente não somos nós que vamos para grandes conferências. São as pessoas que colocam o seu corpo na luta diariamente, as comunidades lutando por questões agrárias e as periferias que se reinventam cotidianamente para garantir o básico”, destaca.</p>



<p>Para Ísis, o debate sobre sustentabilidade e justiça climática ainda é elitista. “Precisamos entender que o desenvolvimento sustentável que atua no norte global e em grandes cidades do Sul e Sudeste do Brasil não funciona em comunidades do Nordeste, que enfrentam grilagem e a morte de suas lideranças todos os dias”, explica. “Às vezes o que é sustentável para essas comunidades não é separar o lixo, o que é insustentável é a morte de uma liderança”, crava.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Violência contra ativistas brasileiros&nbsp;</strong></h2>



<p>Em agosto de 2023, na Bahia, <a href="https://www.intercept.com.br/2023/08/18/as-duas-mortes-de-mae-bernadete/">o assassinato de Mãe Bernadete Pacífico,</a> líder quilombola, ganhou destaque na mídia regional e nacional por marcar a violência contra comunidades e povos tradicionais no Brasil. Morta a tiros, em Simões Filho, na região metropolitana de Salvador, ela chefiava o Quilombo Pitanga dos Palmares e fazia parte da Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (Conaq). Seu filho, Binho do Quilombo, também foi assassinado, em 2017.</p>



<p>A morte violenta de Mãe Bernadete foi denunciada na ONU (Organização das Nações Unidas) em outubro. Ativistas brasileiros destacaram que a ialorixá estava registrada no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas (PPDDH) quando foi assassinada.&nbsp;</p>



<p>“É o que nós recebemos, ameaças, principalmente de fazendeiros, de pessoas da região. Hoje eu vivo assim, não posso sair que estou sendo revistada, com minha casa toda cheia de câmeras, me sinto até mal”, <a href="https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2023/09/04/suspeitos-de-matar-lider-quilombola-mae-bernadete-sao-presos-na-bahia-pra-publicar-assim-suspeito-prisao-mae-bernadete.ghtml">afirmou a mãe de santo</a> em evento público realizado em julho de 2023 e que contou com a presença da então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber.&nbsp;</p>



<p>Mãe Bernadete é mais uma liderança assassinada em território brasileiro. De acordo com o <a href="https://www.globalwitness.org/pt/decade-defiance-pt/#decade-killings-globally-pt">relatório da Global Witness</a>, publicado em setembro de 2022, 1.733 defensores da terra e do meio ambiente foram mortos ao redor do globo, entre 2012 e 2021. Nessa década, no Brasil, registrou-se o assassinato de 342 ativistas. Cerca de um terço dos mortos eram indígenas ou negros e mais de 85% das execuções aconteceram na Amazônia, segundo o documento.</p>



<p>Os conflitos por direito à terra são o principal motivo de assassinato de ativistas socioambientais brasileiros. É o que apontam os dados da Global Witness e também da publicação <a href="https://drive.google.com/file/d/1-N8b6-AZdbrNCpASK3lLHqoe2T30VYWk/view?usp=share_link">Conflitos no Campo Brasil 2022<strong>,</strong></a><strong> </strong>organizada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) Bahia, pela Associação de Advogados(as) de Trabalhadores(as) Rurais (AATR) e pelo Grupo GeografAR/UFBA.</p>



<p>No Nordeste, os Estados que registraram maior número de conflitos no campo nos últimos quatro anos foram Maranhão e Bahia. De 2019 a 2022, o território baiano contabilizou 587 ocorrências, enquanto o solo maranhense somou 702 registros. Os conflitos por terra, na pesquisa da CPT, incluem ações de resistência e enfrentamento pela posse, pelo uso e propriedade, além de acesso a recursos naturais.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>*O Conquista Repórter faz jornalismo local de qualidade sobre e para Vitória da Conquista, a terceira maior cidade da Bahia, com cobertura plural, independente e humanizada.</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>**Quem são, o que pensam e o que fazem jovens ativistas do meio ambiente de territórios periféricos, rurais e ribeirinhos do Nordeste? É com essa provocação que o projeto Redação Nordeste publica a série especial de cinco reportagens “Jovens ativistas socioambientais do Nordeste”. Participam deste trabalho conjunto as organizações de jornalismo independente Afoitas (PE), Conquista Repórter (BA), Mídia Caeté (AL), Ocorre Diário (PI) e Mangue Jornalismo (SE).</em></p><p><em>Enquanto o aumento da temperatura provoca efeitos mais rápidos sobre o planeta do que as decisões mundiais para atenuar a crise climática, projetos inspiradores se fortalecem em diversos territórios por uma questão de sobrevivência. Representando as populações mais atingidas pela crise e pelas injustiças socioambientais, jovens marcam presença e assumem a linha de frente para transformar o lugar onde vivem. Nesta série coletiva, você vai conhecer a história e a capacidade de mobilização e organização da juventude e de organizações e movimentos locais.&nbsp;</em></p><p><em>A Redação Nordeste é a união de organizações de jornalismo independente de oito estados nordestinos, que consolida um trabalho cooperativo, integrado e aprofundado de jornalismo com foco nas pessoas. Esta rede nasceu em 2023 e recebe o apoio da OAK Foundation e International Fund for Public Interest Media (Ifpim).</em></p><p><em>Edição e mentoria de Raíssa Ebrahim, da </em><a href="https://marcozero.org/"><em>Marco Zero</em></a></p></blockquote>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/como-jovens-baianas-se-mobilizam-para-pensar-a-sustentabilidade-e-o-futuro-do-planeta/">Como jovens baianas se mobilizam para pensar a sustentabilidade e o futuro do planeta</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Coletivo do Entra Apulso, no Recife, faz da agroecologia urbana semente para futuro mais sustentável</title>
		<link>https://marcozero.org/coletivo-do-entra-apulso-no-recife-faz-da-agroecologia-urbana-semente-para-futuro-mais-sustentavel/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Jan 2024 18:25:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura urbana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Maya Santos, do Portal Afoitas* Projeto Redação Nordeste** Percorrendo as ruas largas e os becos estreitos que compõem a comunidade do Entra Apulso, na Zona Sul do Recife, é possível notar uma transformação no cotidiano das pessoas que habitam o lugar. Marcado por um histórico de resistência, o território, onde vivem quase 2,5 mil [&#8230;]</p>
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<p><strong>Por Maya Santos, do </strong><a href="https://afoitas.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Portal Afoitas</strong></a><strong>* <br>Projeto Redação Nordeste**</strong></p>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p>Percorrendo as ruas largas e os becos estreitos que compõem a comunidade do Entra Apulso, na Zona Sul do Recife, é possível notar uma transformação no cotidiano das pessoas que habitam o lugar. Marcado por um histórico de resistência, o território, onde vivem quase 2,5 mil habitantes, vivencia mudanças que, além de aquecerem a economia local, transformam a mentalidade da população tendo a agroecologia como promotora do bem-viver.</p>
</div></div>



<p>O coletivo <a href="https://www.instagram.com/chiedoentra/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Chié do Entra</a> atua como disseminador de estratégias sustentáveis que proporcionam novas narrativas para a comunidade por meio de ações que envolvem compostagem urbana, fabricação de sabão e detergente ecológicos, intervenções em áreas esquecidas pelo poder público, palestras e formações.</p>



<p>Atuando há pouco mais de três anos, o grupo formado por 13 pessoas negras foi fundado a partir da necessidade de resolver um problema que chegou com o saneamento básico na favela do Entra Apulso: os entupimentos causados pelo óleo de cozinha nas encanações.</p>



<p>Movidos por uma ideia, estudos e muitos testes, surgiu uma solução simples e criativa para minimizar os impactos do descarte inadequado de óleo de cozinha: a produção de sabão e detergente ecológicos.</p>





<p>“Eu basicamente não tinha noção de como era o descarte desse óleo, pois antes a gente deixava aqui (na loja) e depois uma pessoa levava, mas aí eu não sabia o destino que ia ter. Agora sabemos o que está sendo feito com esse óleo, que acabava sendo jogado no lixo”, afirma o morador Maximillian Marinho, de 22 anos, atendente na LM Doces e Salgados.&nbsp;</p>



<p>Ele explica que a iniciativa proporciona uma forma de consumo inteligente e sustentável para a comunidade em que trabalha e vive. Além desse estabelecimento, outros empreendimentos e outras pessoas da região participam do sistema de doação do óleo de cozinha, ingrediente principal para a fabricação do sabão, do detergente e da pasta de limpeza. Em troca, recebem os produtos confeccionados pelo Chié do Entra.</p>



<p>A coleta é realizada todas as quintas-feiras pela manhã. Ao chegar à sede do coletivo, começa o processo de confecção do sabão. Após alguns dias de cura, ele fica&nbsp; pronto para uso doméstico. Desde que iniciou as atividades, o coletivo já coletou seis mil litros de óleo e fabricou 50 mil barras de sabão. Destas, metade foi distribuída na própria comunidade no sistema de troca com o óleo usado.</p>



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	                                        <p class="m-0">Maximillian Marinho, de 22 anos, comemora o consumo inteligente e sustentável através do reuso do óleo de cozinha no Entra Apulso. Crédito: Maya Santos/Portal Afoitas</p>
	                
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<p>Em entrevista ao <a href="https://afoitas.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Portal Afoitas</strong></a>, Roni Paixão, de 29 anos, explica como começou a sua atuação na comunidade em que nasceu e foi criado. O Instituto Shopping Recife iniciou um projeto chamado Pulsa Bairro, que tinha como um dos eixos principais o meio ambiente. Com isso, moradores passaram pela formação de agentes ambientais comunitários, tutorados pela <a href="https://www.instagram.com/kapiwara/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Associação Kapiwara</a>, organização que atua em comunidades com agroecologia urbana, educação e comunicação popular.</p>



<p>“Em algum momento, vimos a necessidade de criar o coletivo. Então, em abril de 2021, já configurado como um coletivo de agroecologia comunitária, fechamos com o Instituto Shopping um contrato de prestação de serviço. Tivemos a oportunidade de ser um coletivo comunitário com fonte de renda e isso possibilitou uma maior dedicação no nosso território, trabalhando especificamente com gestão de resíduos e educação ambiental”, detalha Roni.</p>



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	                                        <p class="m-0">Roni Paixão, de 29 anos, fala do Chié do Entra como oportunidade comunitária com fonte de renda e maior dedicação no nosso território. Crédito: Fran Silva/Portal Afoitas</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading">Semeando futuros</h2>



<p>Com uma atuação que pensa na longevidade da iniciativa, o grupo interage com crianças, jovens e adultos da própria comunidade. Ao aproximar as pessoas das ações por meio de relações afetivas e de conexão com o território, o coletivo objetiva despertar e desenvolver o sentimento de pertencimento na população local.</p>



<p>“De modo geral, os jovens e as crianças participam das oficinas e das rodas de conversa promovidas pelo próprio Coletivo Chié, assim como de mutirões”, explica a integrante Ranielly Paixão, de 27 anos. Sua fala retrata com exatidão a relação da juventude com o território, que é replicada para diversas pessoas na comunidade e em várias faixas etárias.&nbsp;</p>



<p>Em relato sobre o mutirão para construção de uma nova praça na comunidade, Ranielly conta que é papel do coletivo “fazer uma soma em rede e realizar o convite para que eles (jovens e crianças) se integrem e participem das ações”.</p>





<p></p>



<p>A força do coletivo Chié do Entra reside na dedicação de seus integrantes e aglutina cada vez mais pessoas. Os irmãos Ana Maria da Silva Bezerra, 47 anos, e José Fabiano, de 38 anos, sentiram o impacto das inovações que vêm acontecendo na comunidade e se tornaram agentes multiplicadores.&nbsp;</p>



<p>Ana explica que fazer parte do coletivo mudou desde a percepção sobre o território que habita até a dinâmica de sua vida. “Para mim, é tudo mágico, o sabão, a compostagem, essas praças que a gente fez em maio. Sou de fazer tudo, mas, no jardim, eu me realizo, lá é como se eu saísse do planeta. Quando eu estou lá dentro, só sou eu e o jardim”, compartilha ela sobre sua vivência na praça Evandro Cavalcanti, na divisa entre o Shopping Recife e a favela.<em>&nbsp;</em></p>



<p>Além do impacto ambiental por meio de ações que alteram o cenário pouco verde da comunidade para um local mais confortável e sustentável para os moradores e as moradoras, Ana enfatiza a inclusão de pessoas com Síndrome de Down, como é o caso de José Fabiano.&nbsp;</p>



<p>“É importante para cuidar mais do meio ambiente e para ter mais inclusão, tiro por ele (José Fabiano) e tem Wilson também. É importante para as outras pessoas verem que, se a gente pode, eles também podem mudar a comunidade deles”, comemora.&nbsp;</p>



<p>O cultivo de plantas medicinais compõe o leque de estratégias de conhecimento ancestral compartilhadas no coletivo e que reverberam na comunidade. Moradora do Entra Apulso há 35 anos, Vilma Barros, de 64 anos, é uma das cuidadoras da Farmácia Viva, uma horta com plantas medicinais construída para atender a comunidade bem ao lado do posto de saúde Jader de Andrade.&nbsp;</p>



<p>“O pessoal da comunidade frequenta mesmo a Farmácia Viva, onde temos as plantas medicinais. Tem boldo, tem rabo da raposa, que serve para coceira, tem esse capeba e tem até cana-de-macaco, que é para os rins, sabe? Aí o pessoal tira e faz chá e banhos”, diz.</p>





<p></p>



<h2 class="wp-block-heading">Agroecologia pedagógica</h2>



<p>Com um olhar de quem semeia um futuro mais sustentável, a compostagem é caminho de educação agroecológica na prática, principalmente para as crianças. Prova disso foi a atividade promovida na Semana do Meio Ambiente, Zeis do Entra Apulso, lançada no mês de junho de 2023 em toda a rede escolar da comunidade. Zeis é a sigla para Zonas Especiais de Interesse Social.</p>



<p>“Durante a atividade, os alunos coloriram suas tampinhas com emojis e gravatinhas e coloram em seus lápis e canetas. Debatemos sobre a separação dos resíduos e como eles contribuíram para que mais de 10 mil tampinhas não fossem descartadas de modo incorreto”, traz relato nas redes sociais do Chié.&nbsp;</p>



<p>Além dessa ação, parte das tampinhas recolhidas foi destinada ao projeto Tampinhas Solidárias. Lá elas foram recicladas e revertidas em recursos destinados aos beneficiários do Grupo de Apoio à Criança Carente com Câncer de Pernambuco (GAC-PE). Esse é mais um caminho das transformações tocadas pelo coletivo, que realizou essa atividade em parceria com o Instituto Shopping Recife e a Associação Kapiwara.</p>





<p></p>



<p>A compostagem também é um braço educacional para alcançar e envolver as crianças e os adolescentes. Através da iniciativa permanente na comunidade, o coletivo já detectou mais de nove toneladas de resíduos orgânicos entre composteiras caseiras (146 famílias) e pedagógicas (escolas, instituto e creche) e&nbsp; nas composteiras de beco.</p>



<p>Em 2010, a Lei 12.305/2010 instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, criada para estimular a redução de geração de resíduos, reutilizando, reciclando e promovendo o tratamento, assim como a disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos. Uma responsabilidade compartilhada entre poder público, empresas e sociedade na gestão dos resíduos. Atualmente, no Brasil, menos de 2% dos resíduos sólidos urbanos são destinados para compostagem.&nbsp;</p>



<p>Recife também conta com um Plano de Resíduos Sólidos para a Região Metropolitana, atualizado em 2018, no então governo de Paulo Câmara (ex-PSB). De acordo com os dados, a cidade gerou até 2014 cerca de 836.640 mil toneladas de resíduos sólidos.</p>



<p>Em 2023, por meio do programa municipal Tá Arrumado, mais de 590 mil toneladas de resíduos domiciliares foram recolhidos no Recife. Questionada sobre as medidas socioeducativas, a Prefeitura do Recife, sob comando de João Campos (PSB), explica sua estratégia para alcançar a população.<br>“A Prefeitura do Recife erradicou 421 pontos críticos de lixo na cidade, realizou 65 reuniões comunitárias e ações socioeducativas, plantou 4.047 mudas em novas jardineiras, instalou 80 placas de sinalização para sensibilizar os moradores sobre a questão dos resíduos. Além disso, 40 painéis de arte urbana e/ou pinturas com brincadeiras lúdicas foram criados, especialmente voltados para as crianças, incorporando temas ambientais e contribuindo para a conscientização e embelezamento da paisagem urbana”, detalha a gestão a <a href="https://afoitas.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Afoitas</strong></a>.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Entra Apulso no mundo</h2>



<p>Saber ouvir e repetir as boas práticas é o diferencial do Chié do Entra. Atuando na comunidade do Entra Apulso, o movimento do coletivo reverbera não somente na Região Metropolitana do Recife. O grupo foi selecionado para participar do 12º Congresso Brasileiro de Agroecologia, um momento importante para visibilizar as ações na comunidade.&nbsp;</p>



<p>“Voltamos com mais ideias de como continuar nosso trabalho aqui na favela”, adianta Roni, que, junto com o coletivo, aspira consolidar cada vez mais boas práticas de preservação do meio ambiente construindo um legado para as próximas gerações.&nbsp;</p>



<p>No entanto, antes mesmo de participar de um dos eventos mais importantes para a agroecologia, o coletivo obteve reconhecimento por meio da premiação Periferia Viva. A premiação recebeu mais de 1,3 mil inscrições de iniciativas de todo o Brasil. Dos 54 contemplados, o coletivo Chié do Entra ocupa o 12° lugar do Nordeste. A honraria foi realizada pelo Ministério das Cidades através da Secretaria das Periferias.</p>



<p>Em entrevista, Rafaela Maria, de 31 anos, estudante de serviço social e integrante do grupo, relembrou como a colaboração em equipe num mesmo objetivo contribuiu para essa conquista, que potencializa o trabalho do coletivo no Entra Apulso. Com tom de celebração, Rafa, como é chamada, reforça que “esse prêmio chega agora para a gente pensar e sistematizar todo o trabalho que está sendo feito até para o futuro. Pensar um pouco no presente e pensar um pouquinho no futuro”.</p>



<p>Destacando a importância do protagonismo comunitário, ela reforça que a compreensão dessa construção faz o coletivo entender que é possível estar em outros espaços e alcançar mais pessoas com as ações de forma efetiva, mas não só para a comunidade como para outras comunidades ao redor e, quem sabe, no mundo.&nbsp;</p>



<p>“Tem um significado muito especial, o prêmio é poder conectar também todos esses trabalhos que estão sendo feitos em vários territórios e compreender que a gente não está só”, finaliza.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>*O </em><a href="https://afoitas.com.br/"><em>Portal Afoitas</em></a><em> surge como um portal interessado em revelar as histórias escritas por jornalistas negras e indígenas, cis ou trans, como forma de ir na contramão de redações que se espalham pelo país, formada majoritariamente por pessoas brancas e cisgênero masculino.</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>**Quem são, o que pensam e o que fazem jovens ativistas do meio ambiente de territórios periféricos, rurais e ribeirinhos do Nordeste? É com essa provocação que o projeto Redação Nordeste publica a série especial de cinco reportagens “Jovens ativistas socioambientais do Nordeste”. Participam deste trabalho conjunto as organizações de jornalismo independente Afoitas (PE), Conquista Repórter (BA), Mídia Caeté (AL), Ocorre Diário (PI) e Mangue Jornalismo (SE).</em></p><p><em>Enquanto o aumento da temperatura provoca efeitos mais rápidos sobre o planeta do que as decisões mundiais para atenuar a crise climática, projetos inspiradores se fortalecem em diversos territórios por uma questão de sobrevivência. Representando as populações mais atingidas pela crise e pelas injustiças socioambientais, jovens marcam presença e assumem a linha de frente para transformar o lugar onde vivem. Nesta série coletiva, você vai conhecer a história e a capacidade de mobilização e organização da juventude e de organizações e movimentos locais.&nbsp;</em></p><p><em>A Redação Nordeste é a união de organizações de jornalismo independente de oito estados nordestinos, que consolida um trabalho cooperativo, integrado e aprofundado de jornalismo com foco nas pessoas. Esta rede nasceu em 2023 e recebe o apoio da OAK Foundation e International Fund for Public Interest Media (Ifpim).</em></p><p><br><em>Edição e mentoria de Raíssa Ebrahim, da </em><a href="https://marcozero.org/"><em>Marco Zero</em></a></p></blockquote>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/coletivo-do-entra-apulso-no-recife-faz-da-agroecologia-urbana-semente-para-futuro-mais-sustentavel/">Coletivo do Entra Apulso, no Recife, faz da agroecologia urbana semente para futuro mais sustentável</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Por que o Brasil é o segundo país com maior número de novos casos de hanseníase</title>
		<link>https://marcozero.org/por-que-o-brasil-e-o-segundo-pais-com-maior-numero-de-novos-casos-de-hanseniase/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Jan 2024 10:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hanseníase]]></category>
		<category><![CDATA[hanseníase]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Fabiana Coelho Vinte e seis de janeiro é o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hanseníase. As estatísticas mais recentes registram mais de 200 mil casos novos da doença no mundo. Quase 30 mil deles estão no Brasil, que ocupa a vice-liderança mundial – atrás apenas da Índia. Neste Janeiro Roxo, mês em [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Fabiana Coelho</strong></p>



<p>Vinte e seis de janeiro é o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hanseníase. As estatísticas mais recentes registram mais de 200 mil casos novos da doença no mundo. Quase 30 mil deles estão no Brasil, que ocupa a vice-liderança mundial – atrás apenas da Índia. Neste Janeiro Roxo, mês em que a população deveria ser convocada a discutir a hanseníase, é o caso de questionar como uma doença, que tem cura e não se transmite facilmente, pode continuar existindo por mais de 3.500 anos?</p>



<p>Para quem atua na área, três pontos merecem ser destacados: as falhas nos diagnósticos; a negligência com alguns sintomas e as políticas públicas insuficientes de prevenção e tratamento.</p>



<p>O caso de Maurineia Vasconcelos é emblemático. Ela tem hanseníase há 23 anos. Quando obteve o diagnóstico, a doença já estava avançada. Não havia manchas no corpo, apenas dores. Os médicos falavam em reumatismo ou febre reumática. Foram quase dois anos de peregrinação pelos postos de saúde.</p>



<p>Maria (nome fictício) passou mais de 20 anos buscando a causa para suas dores. Recebeu diagnósticos de fibromialgia, Síndrome do Túnel do Tarso, polineuropatia, a lista é longa.</p>



<p>Ambas carregam no corpo as consequências destes diagnósticos tardios: Maurineia tem as “mãos em garra”, um nervo dos braços comprometido e metade da perna esquerda amputada; Maria tem pés e mãos deformados. “A hanseníase tem cura mas, se não tratada logo, as sequelas são permanentes, a exemplo de poblemas vasculares, feridas crônicas e nervos destruídos. Tudo isso pode causar cegueira, amputações e muitos outros problemas”, afirma Pollyane Medeiros, do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas Pela Hanseníase (<a href="https://morhan.org.br/">Morhan</a>), em Jaboatão.</p>



<p>Foi o que aconteceu com Maurineia. Com uma ferida crônica, que não foi tratada adequadamente, ela precisou amputar metade da perna esquerda em 2020. “Isso acontece com muitas pessoas e é uma de nossas lutas: que as pessoas com sequelas possam ter acesso a um acompanhamento digno, com salas de curativo e mais facilidade na assistência”, diz Pollyane.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Sintomas negligenciados</strong></h2>



<p>Para Alexandre Menezes, diretor da organização não governamental <a href="https://www.nhrbrasil.org.br/">Fundação NHR Brasil</a>, pouquíssimos médicos estão capacitados para diagnosticar a doença. “Fala-se da hanseníase como uma doença dermatológica e a maioria dos especialistas da área são dermatologistas, mas trata-se de uma doença dos nervos. Geralmente as lesões na pele só surgem quando ela já está adiantada. Os sintomas neurais são negligenciados”, explica.</p>



<p>Andrea Maia é médica vascular e hansenóloga. Trabalha nessa área há 14 anos, no Serviço de Referência Municipal de Petrolina. Para ela, a própria OMS (Organização Mundial de Saúde) tem responsabilidade na negligência aos sintomas neurais quando define os casos da doença conforme o número de lesões na pele. “A bactéria parasita células que ficam dentro dos nervos periféricos ou em pequenos nervinhos da pele. Os profissionais de saúde não aprendem sobre o acometimento neural na faculdade. Como tentar acabar com uma doença neurológica se temos que esperar que ela apareça na pele?”, questiona.</p>



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<p>Uma das pacientes de Andrea, que prefere não se identificar, descobriu a hanseníase por acaso. Com uma espécie de cansaço permanente nas pernas, procurou uma médica vascular para tratar o que ela acreditava ser um problema de circulação. Ao apalpar os nervos da paciente, Andrea percebeu um espessamento. Os sintomas eram discretos mas, com as observações clínicas e um exame PCR, a especialista conseguiu confirmar o diagnóstico.</p>



<p>A maioria dos exames disponíveis hoje podem apenas sugerir a doença. A baciloscopia só é positiva quando o paciente já apresenta muitos bacilos espalhados pela pele. A dosagem de anticorpos pode servir para acompanhamento, mas a presença de anticorpos apenas indica que o paciente está exposto à doença, e não que tenha a presença da bactéria. O PCR permite detectar a infecção e investigar o DNA do microorganismo.</p>



<p>No caso dos sintomas neurais, também é possível observar o espessamento e alterações dos nervos a partir de instrumentos como a ultrassonografia e a eletroneuromiografia. “Mas a ultrassom de nervos periféricos e a eletroneuromiografia não estão disponíveis na maioria das cidades. E o PCR, por enquanto, só é realizado em centros de pesquisa. Não está disponível comercialmente e nem pelo SUS”, afirma Andrea.</p>



<p>Para o diagnóstico, os médicos precisam levar em conta diversos fatores, incluindo o histórico do paciente. Segundo Andrea, área de pele aparentemente normal, mas com anestesia, já fecha o diagnóstico. É importante avaliar a sensibilidade e a força muscular dos olhos, mãos e pés. “Outro achado comum, mas desconhecido pela maioria das pessoas e profissionais de a saúde, é a presença de áreas sem pelo nas pernas de homens”, relata a médica.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Falta prevenção</strong></h2>



<p>Apesar de não ser uma doença cuja transmissão esteja relacionada à questões de saneamento básico ou higiene, a hanseníase afeta sobretudo as classes sociais mais baixas. “A qualidade da nutrição é um dos fatores que contribui para isso. Trata-se de uma doença que afeta de forma diferente as pessoas conforme o grau de imunidade. E uma alimentação inadequada diminui a imunidade”, explica Andrea.</p>



<p>Para Alexandre Menezes, questões como moradia e assistência à saúde também contribuem para que a doenca se torne uma doença que atinge sobretudo os mais pobres. “A hanseníase não se transmite facilmente, como uma covid ou uma gripe. É preciso haver um contato prolongado. Nas áreas mais pobres é comum mais de dez pessoas dividirem um único quarto. Ambientes pequenos, mal ventilados e com grande concentração de pessoas”, explica.</p>



<p>A recomendação da OMS e do Ministério da Saúde é que, nos casos de hanseníase, seja feita a investigação dos contatos, ou seja, que as pessoas próximas sejam acompanhadas clinicamente. Mas, os vários grupos que atuam no enfrentamento à doença são unânimes em afirmar que esse acompanhamento é falho e, quando acontece, restringe-se aos contatos domiciliares.</p>



<p>Entre outras iniciativas, a NHR Brasil tem se dedicado a uma pesquisa clínica de medicação preventiva para contatos próximos de pacientes com hanseníase. Os testes estão sendo feitos com famílias de Fortaleza e Sobral (Ceará), e também por filiais da organização na Índia e Indonésia. A pesquisa envolve estudos, mapeamento de casos e administração dos medicamentos. A expectativa é que seja concluída em 2026.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Juntos contra o preconceito</strong></h3>



<p>Mesmo sendo uma doença que tem cura e de difícil transmissão, o estigma ainda pesa contra os que têm hanseníase. Recentemente, Pollyane Medeiros, do Morhan, testemunhou um episódio de preconceito que de um profissional de saúde em uma clínica de fisioterapia. “Ao ter acesso ao laudo de uma pessoa com sequelas, que já tinha cumprido tratamento, ele chegou a afirmar, na frente de todos, que a hanseníase não tinha cura, revelando sua ignorância sobre a doença e expondo a pessoa à discriminação e preconceito”.</p>



<p>Falta de informações e uma cultura milenar, atrelada a conceitos bíblicos e religiosos, contribuem para isso. Uma das entrevistadas que não quis se identificar relata: “Deixei de ser convidada para alguns eventos quando falei a colegas sobre minha doença”.</p>



<p>Organizações como a NHR Brasil e a Morhan, e diversos grupos de autocuidado, contribuem para que pessoas com hanseníase lidem de forma coletiva com a doença. Premiada no ano passado durante o Fórum Social Brasileiro de Doenças Infecciosas e Negligenciadas, Maurineia Vasconcelos coordena o Grupo Saúde, que reúne pacientes da policlínica municipal Clementino Fraga, no Vasco da Gama. Atividades de empoderamento, oficinas de empreendedorismo, troca de experiências, apoio e assistência, festividades e eventos ajudam os participantes a lidar com a doença e com o preconceito.</p>



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	                                        <p class="m-0">Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas Pela Hanseníase existe há 42 anos. Crédito: Acervo pessoal</p>
	                
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<h3 class="wp-block-heading"><strong>Controvérsias no tratamento</strong></h3>



<p>A hanseníase tem cura, mas ainda há controvérsias quanto à forma de administração dos medicamentos. A médica Andrea Maia, por exemplo, é contra a padronização nos prazos de duração do tratamento. “Passado o período de seis meses ou um ano, sugerido pela OMS, é preciso haver um acompanhamento cuidadoso. Tenho observado casos em que algumas bactérias resistem”, conta.</p>



<p>Glauco Lima teve hanseníase na década de 80. Teve erupções na pele e demorou até obter o diagnóstico. Na época, o processo de tratamento era mais longo e complexo. Seis anos depois, a doença se manifestou nos tendões.</p>



<p>Ele garante que foi infectado duas vezes. Mas, para Andrea, é possível que alguma bactéria tenha resistido e, com o tempo, voltou a se reproduzir no organismo. “Este é o objeto de minha tese de mestrado. Venho acompanhando casos em que, mesmo depois do período de tratamento, o material coletado e enviado para biópsia revela a presença de bactérias vivas. Acredito na importância de haver um acompanhamento dos pacientes para que os prazos para administração dos medicamentos seja adequado a cada situação”, diz.</p>



<p>O fato é que, embora seja uma doença milenar, ainda há um longo caminho a percorrer até zerar a transmissão da doença, meta antiga para quem atua na Saúde Pública. Para isso, há que reforçar os estudos e informações sobre a doença; melhorar as políticas de prevenção e tratamento; dar atenção aos sintomas invisíveis e neurais; e agir contra a desinformação e preconceito.</p>



<p></p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>S</strong>erviço:</h4>



<p>Fique atento aos sintomas: não apenas manchas ou falta de sensibilidade na pele. Dormência ou formigamento em mãos ou pés, câimbras constantes, dores no corpo, fraqueza ou cansaço muscular. Tudo isso também pode ser um sinal de Hanseníase. O tratamento da doença é feito apenas pela rede pública. Se você tem alguns destes sintomas e é atendido na rede particular, pode convencer seu médico a fazer uma investigação mais aprofundada antes de procurar o posto de saúde de seu bairro.</p>



<ul class="wp-block-list"><li>A NHR Brasil é filial da NLR, uma organização holandesa que atua há 50 anos no enfrentamento à Hanseníase no mundo. A sede fica no Ceará, mas ela tem atuação em todo o país. Você pode entrar em contato pelo e-mail <a href="mailto:nhr@nhrbrasil.org.br">nhr@nhrbrasil.org.br</a> ou acompanhar a instituição pelo site ou no Instagram <a href="https://www.instagram.com/nhrbrasil/">@nhrbrasil</a></li></ul>



<ul class="wp-block-list"><li>O Morhan tem 42 anos de atuação em todo Brasil. Em Pernambuco, possui núcleos no Recife, Jaboatão e Vitória de Santo Antão. Você pode se informar pelo site ou acompanhar pelo Instagram <a href="https://www.instagram.com/morhanjaboataope/">@morhanjaboataope</a> e <a href="https://www.instagram.com/morhanrecife/">@morhanrecife</a></li></ul>



<ul class="wp-block-list"><li>Grupos de autocuidado: existem cinco grupos de autocuidado ativos em pernambuco: um no sistema prisional; um na policlínica Clementino Fraga; dois no hospital Otávio de Freitas; e um na policlínica municipal Lessa de Andrade, na Madalena.</li></ul>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/por-que-o-brasil-e-o-segundo-pais-com-maior-numero-de-novos-casos-de-hanseniase/">Por que o Brasil é o segundo país com maior número de novos casos de hanseníase</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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