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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Quando tudo circula ao mesmo tempo: por que checar fatos já não basta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Sep 2026 15:58:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>por Ruthy Costa* No início de setembro de 2026, um vídeo que parecia mostrar o presidente argentino Javier Milei segurando uma motosserra e falando em português circulou nas redes sociais. Na gravação, ele atacava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e declarava apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro. O conteúdo havia sido produzido com [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Ruthy Costa*</strong></p>



<p>No início de setembro de 2026, um vídeo que parecia mostrar o presidente argentino <a href="https://noticias.uol.com.br/confere/ultimas-noticias/2026/09/02/desinformacao-ia-falso-video-milei-portugues-apoio-flavio-critica-lula.ghtm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Javier Milei segurando uma motosserra e falando em português circulou nas redes sociais</a>. Na gravação, ele atacava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e declarava apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro. O conteúdo havia sido produzido com inteligência artificial a partir de uma fotografia publicada pela revista Forbes Argentina em 2024. Quando foi verificado pelo UOL Confere, acumulava mais de 263 mil curtidas no Instagram.</p>



<p>Poucos meses antes, outro vídeo fabricado por inteligência artificial atribuía ao ministro Luiz Fux a falsa informação de que Jair Bolsonaro seria solto e poderia disputar as eleições de 2026. As publicações haviam sido visualizadas mais de 50 mil vezes. Em agosto, vídeos manipulados fizeram Tancredo Neves e Ulysses Guimarães pronunciarem críticas a Bolsonaro que nunca foram ditas por eles. Os exemplos envolvem personagens e interesses políticos diferentes, mas compartilham a mesma facilidade de produção, adaptação e circulação.</p>



<p>Cada um desses conteúdos pode ser submetido a uma checagem. Jornalistas podem localizar o registro original, comparar imagens, consultar documentos, ouvir especialistas e demonstrar que determinada fala ou cena foi fabricada. Esse trabalho é indispensável. Permite corrigir informações, oferecer evidências ao público e responsabilizar quem utiliza falsificações para interferir no debate político.</p>



<p>O problema é que a checagem começa depois que alguma coisa foi dita, publicada ou compartilhada. Enquanto uma equipe investiga um vídeo, novos áudios, imagens, textos e montagens continuam aparecendo. Alguns repetem alegações antigas com pequenas alterações. Outros combinam dados verdadeiros com conclusões enganosas, retiram falas de contexto ou apresentam opiniões como se fossem informações comprovadas. A desinformação não chega às redações em uma fila organizada. Ela circula simultaneamente por redes abertas, aplicativos de mensagens, transmissões ao vivo, canais de vídeo e perfis que podem desaparecer logo após uma publicação.</p>



<p>Por isso, o desafio contemporâneo não se restringe a determinar se uma afirmação é verdadeira ou falsa. Antes de verificar, alguém precisa decidir o que merece ser verificado. Essa escolha envolve avaliar alcance, dano potencial, relevância pública, possibilidade de comprovação, autoridade de quem fez a declaração e presença daquela narrativa em diferentes espaços. Depois da checagem, ainda é necessário decidir como apresentar o resultado, como fazê-lo alcançar as pessoas expostas ao conteúdo original e como acompanhar suas reformulações.</p>



<p>Dizer que checar não basta, portanto, não significa diminuir a importância do <em>fact-checking</em>. <a href="https://mediawell.ssrc.org/citations/fact-checking-a-meta-analysis-of-what-works-and-for-whom/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Uma metanálise de 30 estudos, com mais de 20 mil participantes, concluiu que a checagem produz um efeito positivo sobre a correção de crenças políticas</a>. A questão está nas condições em que esse resultado é produzido e distribuído. Uma verificação pode ser metodologicamente rigorosa e, mesmo assim, alcançar apenas uma parcela pequena do público que recebeu a informação falsa.</p>



<p>Um <a href="https://arxiv.org/abs/2412.13280" target="_blank" rel="noreferrer noopener">estudo de Morgan Wack, Kayla Duskin e Damian Hodel sobre as eleições legislativas de 2022 nos Estados Unidos</a> comparou a circulação de narrativas eleitorais enganosas com as checagens correspondentes. A pesquisa constatou que menos da metade das principais narrativas analisadas foi verificada. Entre as que receberam checagem, o tempo mediano entre o surgimento da alegação e a publicação da resposta foi de quatro dias. As verificações representaram menos de 1,2% das conversações relacionadas a essas narrativas e circularam principalmente dentro das mesmas comunidades políticas, com pouca passagem entre grupos partidários.</p>



<p>Os dados se referem ao contexto norte-americano e não devem ser automaticamente transferidos para o Brasil. Ainda assim, ajudam a compreender uma limitação estrutural. A desinformação opera com custos de produção menores, pode ser repetida por diferentes perfis e não precisa demonstrar como chegou a uma conclusão. O jornalismo trabalha com procedimentos mais demorados, porque precisa reunir documentos, consultar fontes, verificar a procedência dos materiais e tornar público o caminho da apuração.</p>



<p>A diferença de velocidade não pode ser resolvida com a simples exigência de que jornalistas chequem tudo mais rapidamente. A pressa pode comprometer a análise, produzir classificações equivocadas e reduzir a explicação necessária para que o público compreenda o problema. Também não é possível responder a todas as alegações. Equipes possuem tempo e recursos limitados, enquanto o fluxo de conteúdos é contínuo.</p>



<p>Além disso, nem toda falsidade deve receber a mesma atenção. Uma publicação com circulação restrita pode ganhar visibilidade justamente porque uma organização jornalística decidiu desmenti-la. A repetição de uma alegação, mesmo para corrigi-la, também pode reforçar os termos escolhidos por quem a produziu. Em outros casos, o silêncio permite que uma narrativa prejudicial cresça sem contestação. Decidir entre verificar imediatamente, monitorar, contextualizar ou não ampliar um conteúdo é uma escolha editorial que não pode ser orientada apenas pelo número de visualizações.</p>



<p>É nesse ponto que a curadoria jornalística se torna relevante. Curar informação não consiste somente em reunir links ou resumir conteúdos publicados por terceiros. Trata-se de selecionar, hierarquizar, relacionar e contextualizar informações de acordo com critérios jornalísticos e com as necessidades de um público. Diante da desinformação, a curadoria ajuda a identificar quais alegações fazem parte de uma narrativa mais ampla, quais grupos estão sendo atingidos, quais temas exigem resposta urgente e quais conteúdos podem ser acompanhados sem receber exposição adicional.</p>



<p>Esse trabalho também permite deslocar a cobertura de falsidades isoladas para os processos que lhes dão sustentação. Dez publicações diferentes podem repetir a mesma narrativa com palavras, imagens e personagens distintos. Se cada peça for tratada como um caso independente, a redação produzirá dez respostas semelhantes e continuará reagindo ao ritmo definido por quem desinforma. Quando os conteúdos são agrupados e analisados em conjunto, torna-se possível investigar quem os produz, quais interesses mobilizam, que canais utilizam e como se adaptam depois de uma checagem.</p>



<p>A curadoria também deve ser aplicada às informações verdadeiras. Em períodos eleitorais, a atenção pública pode ser ocupada por declarações falsas, conflitos fabricados e controvérsias de curta duração, enquanto propostas de governo, execução orçamentária, políticas públicas e relações entre candidatos e grupos econômicos recebem menos espaço. Se a imprensa utilizar apenas a viralidade para selecionar o que será verificado e noticiado, as estratégias de desinformação passam a influenciar a própria agenda jornalística.</p>



<p>Selecionar com base no interesse público significa considerar o que produz consequências para a vida coletiva, mesmo quando o assunto não aparece entre os conteúdos mais compartilhados. Para um veículo independente ou regional, esse critério inclui observar como narrativas nacionais chegam aos territórios, quais grupos locais são utilizados na sua circulação e que questões específicas ficam encobertas pelo volume da disputa política nas redes.</p>



<p>A inteligência artificial pode auxiliar nesse processo, principalmente em tarefas que envolvem grande quantidade de dados. Sistemas computacionais conseguem acompanhar discursos, transcrever entrevistas e transmissões, localizar afirmações verificáveis, agrupar conteúdos semelhantes e comparar novas declarações com checagens já publicadas. Também podem ajudar a reconhecer a repetição de uma narrativa em diferentes plataformas e indicar mudanças na forma como ela está sendo apresentada.</p>



<p>A organização britânica <a href="https://fullfact.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Full Fact</a> utiliza aprendizado de máquina desde 2016 para apoiar o monitoramento do debate público. <a href="https://www.poder360.com.br/nieman/com-meios-proprios-full-fact-combate-conteudos-eleitorais-feitos-com-ia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Suas ferramentas processam textos, áudios e vídeos</a>, separam frases que contêm alegações verificáveis e procuram correspondências com afirmações analisadas anteriormente. O objetivo é reduzir um conjunto muito amplo de informações a uma quantidade que possa ser examinada por profissionais. A decisão sobre o que investigar e a verificação das evidências permanecem sob responsabilidade humana.</p>



<p>Essa distinção é necessária. Um sistema pode localizar uma frase que contém números, mas não determina sozinho se ela possui relevância pública. Pode encontrar semelhanças entre duas declarações, mas não compreende necessariamente as diferenças de contexto. Pode indicar uma provável falsidade e, ainda assim, utilizar dados desatualizados, fontes inadequadas ou associações estatísticas que não constituem prova. A automação contribui para organizar o fluxo, mas não elimina a apuração.</p>



<p>Há também escolhas anteriores ao funcionamento da tecnologia. Alguém define quais fontes serão monitoradas, quais temas receberão prioridade, que palavras serão usadas nas buscas e que nível de circulação será considerado relevante. Se um sistema acompanha apenas perfis nacionais de grande audiência, pode ignorar desinformação dirigida a comunidades locais. Se foi treinado principalmente em outro idioma ou contexto político, pode ter dificuldade para reconhecer expressões regionais, ironias e referências compartilhadas por determinados grupos.</p>



<p>Por isso, a incorporação da inteligência artificial ao jornalismo precisa ser transparente e submetida a critérios editoriais. As redações devem saber que tarefas foram automatizadas, quais bases orientam os resultados, onde estão as possibilidades de erro e quem responde pela decisão final. A tecnologia pode ampliar a capacidade de observação, mas não deve assumir a função de definir sozinha o que é verdadeiro, relevante ou publicável. A seleção sem verificação pode organizar conteúdos pouco confiáveis. A checagem sem curadoria tende a atuar de forma reativa e fragmentada. A automação sem supervisão pode reproduzir erros em maior escala.</p>



<p>Na prática, uma atuação articulada começaria pelo monitoramento de temas de interesse público, não apenas de conteúdos virais. Ferramentas poderiam auxiliar na identificação e no agrupamento de alegações, enquanto jornalistas definiriam prioridades considerando danos, alcance, recorrência e impacto social. A verificação reuniria documentos, dados, fontes e registros originais. Depois da publicação, o acompanhamento permitiria observar se a narrativa reapareceu, mudou de formato ou passou a circular entre outros públicos.</p>



<p>O resultado da checagem também precisa circular em formatos compatíveis com os lugares em que a desinformação foi encontrada. Uma reportagem detalhada no site preserva a metodologia e as evidências, mas pode ser acompanhada por vídeos, cards, áudios ou mensagens que apresentem a conclusão sem eliminar o contexto. Isso não significa adaptar o jornalismo a qualquer lógica das plataformas. Significa reconhecer que a correção precisa alcançar o debate público e que diferentes formatos podem conduzir o leitor à apuração completa.</p>



<p>Essa abordagem exige investimento em formação, protocolos e cooperação. Veículos independentes não precisam desenvolver isoladamente sistemas complexos de inteligência artificial. Podem compartilhar bancos de checagens, estabelecer parcerias com universidades, acompanhar bases públicas e formar redes de monitoramento com outras organizações jornalísticas. A colaboração reduz a repetição de tarefas e permite que cada equipe concentre recursos nas dimensões locais e investigativas que conhece melhor.</p>



<p>Também é necessário preservar a autonomia das redações diante das plataformas e dos fornecedores de tecnologia. Se as ferramentas usadas para identificar tendências pertencem às mesmas empresas que organizam a visibilidade e lucram com a circulação dos conteúdos, seus critérios não podem ser aceitos sem questionamento. Dados de engajamento ajudam a perceber o alcance de uma narrativa, mas não substituem a avaliação sobre relevância, dano e interesse público.</p>



<p>Em 2026, o <em>Digital News Report</em> registrou que <a href="https://veja.abril.com.br/coluna/planeta-ia/redes-sociais-ultrapassam-imprensa-como-principal-fonte-de-informacao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">47% dos brasileiros evitam notícias algumas vezes ou com frequência e que a confiança geral no noticiário caiu para 36%</a>. Mais da metade da população utiliza redes sociais para se informar semanalmente. Esses dados não resultam apenas da desinformação ou do excesso de notícias, mas mostram um ambiente em que ampliar continuamente o volume de publicações não garante melhor informação.</p>



<p>Nesse contexto, a contribuição específica do jornalismo está menos na capacidade de acompanhar cada postagem e mais na oferta de critérios, evidências e relações que ajudem o público a compreender o que importa. Checar fatos permanece essencial, mas precisa integrar um processo mais amplo, capaz de escolher com responsabilidade, verificar com rigor, contextualizar e acompanhar a circulação das narrativas. A inteligência artificial pode ajudar a lidar com a escala desse trabalho. A definição das prioridades e a responsabilidade pelas conclusões continuam pertencendo aos jornalistas.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><span style="font-weight: 400;">*Graduada em Jornalismo e Relações Públicas, é professora efetiva do curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Piauí (UESPI), mestra em Comunicação pela Universidade Federal do Piauí (UFPI) e doutoranda em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Integra o Estopim, Laboratório de Tecnopolítica, Comunicação e Subjetividade, do PPGCOM/UFPE, o Núcleo de Pesquisas em Mídia, História e Tecnologias e o Grupo de Pesquisa Jornalismo e Convergência Midiática, ambos da UFPI.</span></p>
    </div>



<p></p>
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		<title>Herdeiros do mesmo trono (parte 2): Orfeu e Sísifo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Sep 2026 20:10:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[João Campos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Tiago Paraíba* e Michel Chaves** Tebas serviu de arquétipo para a disputa entre herdeiros em Pernambuco. Etéocles e Polinices nos deram a estrutura: dois filhos da mesma casa, disputando o mesmo trono, dentro dos mesmos muros que os formaram. Essa imagem explica quem disputa e por que a disputa é, no fundo, uma questão [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Por Tiago Paraíba* e Michel Chaves</strong>**</p>



<p>Tebas serviu de arquétipo para a disputa entre herdeiros em Pernambuco. Etéocles e Polinices nos deram a estrutura: dois filhos da mesma casa, disputando o mesmo trono, dentro dos mesmos muros que os formaram. Essa imagem explica <em>quem</em> disputa e <em>por que</em> a disputa é, no fundo, uma questão de sucessão, e não de guerra entre mundos opostos. Mas a cidade dos sete portões não basta para explicar <em>como</em> cada um disputa — o gesto, a retórica, o método com que cada herdeiro tenta convencer Pernambuco de que é ele quem rompe o ciclo. Para isso, é preciso outro par de espelhos: Orfeu e Sísifo, dois mitos que não pertencem ao ciclo tebano, mas que emprestam a Tebas o que lhe falta — a psicologia da disputa. Se Etéocles e Polinices dizem o que está em jogo, Orfeu e Sísifo dizem como cada herdeiro joga. É nesse par contraditório que João Campos e Raquel Lyra se inscrevem. Ambos, contudo, evitam a pergunta que o estado deveria formular: o que resta além da sucessão do trono?</p>



<p>Essa disputa não nasce no vazio. Ela é herdeira de um processo concreto: entre 2007 e 2022, o PSB governou Pernambuco por quatro mandatos consecutivos, construindo uma engenharia partidária com alcance real no território.</p>



<p>A morte de Eduardo Campos não encerrou essa estrutura — ela abriu uma disputa interna sobre direção e herança, que a vitória de Paulo Câmara em 2018 ainda conteve dentro de casa. Foi a ruptura de 2022, com a derrota do grupo indicado pelos Campos e a vitória de Raquel Lyra, que rachou publicamente o que antes era administrado internamente. Hoje, dois polos disputam o comando dessa reorganização: de um lado, os Campos tentando recuperar o governo estadual; do outro, Raquel tentando consolidar uma nova hegemonia. Lula funciona como ativo central nessa disputa, mas — como já demonstrado na Parte 1 — apoio não é identidade: é tração eleitoral emprestada, não sangue da casa. É esse terreno fático, e não a mitologia em si, que autoriza a leitura simbólica que segue.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/herdeiros-do-mesmo-trono-por-que-raquel-nao-e-bolsonaro-e-joao-nao-e-lula/" class="titulo">Herdeiros do mesmo trono: por que Raquel não é Bolsonaro e João não é Lula</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/opiniao/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Opinião</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/democracia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Democracia</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p><strong>João Campos: o Orfeu que caminha para diante com o corpo virado para trás</strong></p>



<p>Orfeu obtém dos deuses a graça de resgatar Eurídice sob uma única interdição: não voltar ou olhar para trás até a superfície. João Campos opera em regime invertido. Seu discurso invoca futuro, inovação e modernização, mas sua legitimidade política repousa numa arqueologia permanente — um movimento que Walter Benjamin chamaria de escovar a história a contrapelo, com o objetivo de reivindicar glórias seletivas.</p>



<p>Eduardo Campos é o pai simbólico, herança imediata; Miguel Arraes, o bisavô mítico, que amplia a espessura temporal da linhagem; Lula, o fiador nacional, que ancora o projeto no presente do governo federal. Trata-se de engenharia eleitoral precisa: o passado fornece identidade, Lula oferece capilaridade, e o discurso da modernização tenta transformar essa matéria arcaica em promessa de futuro.</p>



<p>Mas a contradição é interna e cresce com o próprio recurso ao arquivo familiar. Quanto mais João evoca os seus antepassados para definir-se, menos responde ao que efetivamente pretende ser. E há um silêncio significativo nessa genealogia política: Paulo Câmara, seu antigo chefe de gabinete, é sistematicamente omitido. Não se trata de lapso, mas de operação calculada: exclui-se o elo que aproximaria o herdeiro do desgaste do ciclo PSB de dezesseis anos, preservam-se os ícones imunes à corrosão do tempo.</p>



<p>João é, assim, Orfeu que caminha para diante com o corpo virado para trás. Sua novidade não reside no conteúdo do projeto, mas na seleção dos mortos que o autorizam a falar em nome da vida futura.</p>



<p><strong>Raquel Lyra: Sísifo e a pedra da ruptura que não cessa de recomeçar</strong></p>



<p>Raquel Lyra constrói sua narrativa por outra via. Em 2022, sua vitória interrompeu a hegemonia do PSB, apresentando-se como antítese à velha ordem. A imagem de renovação tornou-se seu ativo central.</p>



<p>Sísifo, porém, adverte: condenado a rolar um bloco de mármore montanha acima, vê o esforço desfeito no instante em que o topo parece próximo e recomeça, eternamente, o mesmo gesto inútil. A pergunta que o mito impõe à governadora é incômoda: a ruptura de 2022 rompeu efetivamente as estruturas de poder ou apenas transferiu a mão que empurra a mesma pedra?</p>



<p>Sua trajetória não é externa ao universo que ela diz superar. Formada no PSB, forjada em suas redes, Raquel encarna menos uma cesura do que uma recomposição oriunda das elites — o que Maquiavel chamaria de novo príncipe com velhas clientelas. A pedra mudou de empunhadura, mas permanece a mesma: a concentração de poder, a dependência do Estado como mecanismo de reprodução de grupos, a baixa capilaridade das decisões econômicas. Renovação, nesse quadro, não pode se reduzir a troca de atores, estética ou alianças conjunturais. Exige alteração de prioridades, de matriz de desenvolvimento, de relação com as desigualdades estruturais — algo que o mito de Sísifo, justamente, nega ao condenar seu herói à repetição infinita do mesmo.</p>



<p><strong>O que a disputa oculta — e por que isso importa</strong></p>



<p>Os três registros míticos, lidos juntos, convergem. Tebas é o tabuleiro de herdeiros em disputa — a estrutura que Etéocles e Polinices desenham. Orfeu é João, que fala em porvir, mas retroalimenta-se de fantasmas. Sísifo é Raquel, que promete ruptura mas reproduz o ciclo. Ambos disputam o trono com gramáticas opostas — um reivindica a memória dos antepassados; a outra, a negação deles. Mas ambos operam dentro do mesmo horizonte: a sucessão, e silenciam sobre o que viria depois dela — exatamente como Etéocles e Polinices, cuja disputa termina em fratricídio nos portões da cidade, sem que nada realmente mude, e o poder simplesmente passa a Creonte por decreto.</p>



<p>O que está em jogo, portanto, não é a qualidade da herança, mas a própria herança como categoria política. Hegel, na Fenomenologia do Espírito, mostrou que o senhor só é senhor porque o escravo o reconhece como tal; o trono só existe enquanto os súditos aceitarem sua necessidade. A pergunta incômoda que nenhum dos dois candidatos formula é: por que Pernambuco precisa de um trono? Por que o futuro deve ser eternamente apresentado como escolha entre pretendentes de uma mesma linhagem, ainda que com roupagens diferentes?</p>



<p>Na falta de um projeto substantivo para o estado, a disputa simbólica torna-se o campo decisivo. João escava Arraes e Eduardo; Raquel escava a própria vitória de 2022 como fetiche de novidade. É uma eleição em que os candidatos competem menos pelo futuro de Pernambuco do que pela autoridade para interpretar o passado que lhes daria direito a ocupá-lo.</p>



<p>Essa é uma armadilha de época, em que o historicismo empático com os vencedores transforma a tradição em mercadoria de legitimação. Pernambuco não precisa saber quem é o mais legítimo herdeiro de Eduardo, o mais fiel a Arraes, o mais próximo de Lula ou o mais rompido com o PSB. Precisa saber qual projeto enfrenta a fome, o subemprego, a concentração fundiária, a precarização do serviço público — variáveis que nenhuma genealogia resolve.</p>



<p><strong>Recusar a tragédia tebana</strong></p>



<p>É nesse ponto que a esquerda, em particular, deve escapar do papel de coro auxiliar de um dos irmãos em contenda. Não lhe cabe escolher entre Orfeu e Sísifo, entre o nostálgico e o reiterativo — nem torcer, como o coro de Tebas, para ver qual herdeiro cai primeiro nos portões da cidade.</p>



<p>A tarefa é outra, mais espinosana: distinguir entre <em>potentia</em> (capacidade de agir coletivamente) e <em>potestas</em> (poder constituído sobre os corpos). O trono é <em>potestas</em> pura — concentração que se perpetua. A política que interessa é a que não quer ocupar o trono, mas dissolver sua própria necessidade; que não pergunta qual dos dois será o próximo faraó, mas por que ainda há faraós.</p>



<p>Essa recusa, porém, não pode ficar apenas no plano simbólico — sob risco de repetir, em chave filosófica, o mesmo silêncio que se cobra dos herdeiros. Dissolver a necessidade do trono significa, concretamente, perguntar o que nenhum dos dois candidatos pergunta: quais propostas enfrentam o déficit habitacional, o saneamento básico e a precarização do trabalho? Que caminhos para a segurança pública não se limitam ao repertório da punição como substituto de política? Como garantir desenvolvimento do interior para além de obras dissociadas de sustentação econômica e participação social? Como tratar a concentração econômica e a desigualdade racial como problema estrutural, e não como promessa episódica de governo? É nessas perguntas, e não na genealogia de quem tem o sangue mais legítimo, que se mede a diferença entre potentia e potestas.</p>



<p>João olha para trás para forjar o amanhã. Raquel empurra a pedra da renovação em direção ao mesmo cume. Ambos disputam Tebas. Mas Pernambuco talvez precise de uma política que não deseje apenas herdar o reino, e sim tornar o reino irrelevante.</p>



<p>Essa, sim, seria a verdadeira ruptura. Não escolher entre Orfeu e Sísifo.</p>



<p>É sair de Tebas.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*</strong> Tiago Paraíba integra a executiva nacional do PSOL e militante da Ação Negra.</p>
<p><strong>**</strong>Michel Chaves é historiador e economista.</p>
    </div>
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		<title>Como a IA reconfigura a ação política e por que é preciso definir regras rigorosas na disputa eleitoral</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Aug 2026 17:24:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Estopim]]></category>
		<category><![CDATA[IA]]></category>
		<category><![CDATA[Inteligência Artificial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Paulo Faltay*Em Pernambuco, a memória de Eduardo Campos faz campanha. Cerca de um mês separa duas publicações produzidas por IA que “reviveram” o ex-governador, ambas publicadas nas redes do filho, candidato ao governo em 2026. Em 28 de maio, com a legenda anunciando que “o legado vai continuar”, o ex-governador aparece em um vídeo [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Paulo Faltay*</strong><br><br>Em Pernambuco, a memória de Eduardo Campos faz campanha. Cerca de um mês separa duas publicações produzidas por IA que “reviveram” o ex-governador, ambas publicadas nas redes do filho, candidato ao governo em 2026. Em 28 de maio, com a legenda anunciando que “o legado vai continuar”, o ex-governador aparece em um vídeo cedendo ao filho o lugar no tradicional “caixote” usado em suas campanhas. Já em 27 de julho, outro vídeo mostra Eduardo empunhando uma bandeira do estado e a passando para João Campos. “A Missa do Vaqueiro é tradição passada de geração em geração”, narra a postagem.</p>



<p>A rememoração é um recurso até batido em campanhas políticas: mobilizar o passado, lembrar de onde viemos para produzir sentido sobre o que podemos ser. Uma fotografia de Eduardo Campos pode evocar sua trajetória, um registro antigo pode relembrar as realizações dos seus governos. Sua imagem pode funcionar como uma espécie de atalho para uma memória política compartilhada. Aliás, tem sido assim há cinco eleições desde a sua morte. Há, porém, uma diferença fundamental entre o gesto de lembrar uma figura política e fazê-la voltar a agir.</p>



<p>A inteligência artificial vai além do arquivo. Ela traz à presença a figura política ausente. É uma tecnonecromancia eleitoral. Uma liderança pode continuar aparecendo, falando e mobilizando apoiadores mesmo quando seu corpo já não está disponível para participar da disputa.</p>



<p>A tecnologia reconstrói a imagem, a fala e os gestos de alguém para produzir momentos que nunca aconteceram. A crescente indistinção entre verdadeiro e falso, entre invencionice e fato é um problema grave, ainda mais em contextos sensíveis como o eleitoral. Mas não quero discutir a capacidade da IA produzir imagens mais ou menos convincentes. A inquietação com os vídeos de Eduardo Campos produzidos por IA me parece ser de outra ordem. É preciso discutir quais são as consequências políticas quando uma figura política ausente não é simplesmente rememorada e passa a ter a capacidade de intervir diretamente no presente. Duas questões são centrais aqui: como a tecnologia está reconfigurando a presença e a ação política e como o domínio desigual dessas ferramentas pode aprofundar assimetrias na própria disputa democrática.</p>



<p>O primeiro aspecto nos convoca a pensar coletivamente novas formas de equacionar e regular plataformas digitais, modelos generativos, campanhas eleitorais, normas jurídicas e práticas de circulação de comunicação política. O segundo aspecto, decorrente do primeiro, carrega a preocupação de como o uso dessas ferramentas pode aprofundar desequilíbrios no próprio jogo democrático. Afinal, grupos políticos com maior capacidade de compreender o funcionamento dessas tecnologias, de mobilizar recursos técnicos especializados e de investir financeiramente na produção e na disseminação desses conteúdos passam a dispor de possibilidades de intervenção, circulação e persuasão que não estão igualmente disponíveis aos demais atores políticos.</p>



<p>Tomemos o exemplo do que aconteceu na convenção do PL que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência. Em um vídeo também produzido com IA, uma representação de Jair Bolsonaro aparece dizendo que escolheu o filho para substituí-lo e pede aos apoiadores que o recebam de braços abertos. A tecnologia não foi utilizada apenas para recordar Bolsonaro. Ela foi mobilizada para fazer com que ele continuasse a falar, para que pudesse demonstrar uma escolha e para legitimar politicamente seu sucessor.</p>



<p>A controvérsia jurídica que se desenrolou após a exibição do vídeo explicita meu ponto. A inteligência artificial altera as próprias condições de presença dos atores políticos. Neste sentido, importa menos se as representações de IA são autênticas, ou se o vídeo em questão poderia ser enquadrado enquanto uma <em>deepfake</em>. O desafio é compreender como os sistemas de IA transformam o próprio significado de representação e participação política. Proibido de se manifestar publicamente, Bolsonaro continuou a participar do debate público com o vídeo. Ou seja, quando a tecnologia permite que uma pessoa continue falando depois que seu corpo perde as condições biológicas ou jurídicas de se manifestar, estamos diante de uma mudança nas próprias condições de ação política.</p>



<p>A política moderna sempre esteve profundamente associada à presença corporal. Discursos, comícios, entrevistas e debates pressupõem um corpo presente, capaz de falar, de se tornar visível e de mobilizar afetos e eleitoras. Este corpo político também se coloca na posição de ser observado, interrompido, confrontado e responsabilizado por suas declarações. A presença física sempre implicou uma forma de exposição às contingências da interação democrática. A inteligência artificial rompe parcialmente essa associação ao dissociar duas dimensões que historicamente caminhavam juntas: a presença política e a vulnerabilidade política. Os avatares preservam a capacidade de estar presente no debate público, mas reduzem a exposição às formas convencionais de contestação.</p>



<p>A ação política passa a ser produzida por uma infraestrutura sociotécnica que permite sua disponibilidade contínua sem submetê-la às mesmas condições de confronto, imprevisibilidade e responsabilização que caracterizam a atuação de um agente político vivo. Nesse sentido, o uso de IA, mais do que uma estratégia de comunicação política, deve ser entendida como a transformação das condições materiais sob as quais esta presença é exercida, deslocando sua dependência do corpo para uma rede composta por modelos computacionais, arquivos digitais, sistemas de recomendação das plataformas, algoritmos e estratégias de campanha.</p>



<p>É bem verdade que a IA não inaugura a distribuição da pessoa política. Nas campanhas digitais, a presença da figura política depende da ação compartilhada de apoiadores e dos algoritmos das plataformas. Mas nem todos os candidatos, partidos e grupos conseguem fazer uma mensagem circular com a mesma intensidade. Capacidade financeira para impulsionar conteúdos, domínio técnico das ferramentas de segmentação e produção, organização de redes de apoiadores, maior adequação às lógicas de funcionamento e mesmo o alinhamento ideológico às políticas das big techs vêm se convertendo em vantagens concretas na disputa pela atenção pública.</p>



<p>As plataformas, portanto, já aprofundaram assimetrias nas condições de visibilidade na disputa política. Com a IA generativa, esse fenômeno passa a depender também de modelos capazes de produzir novas enunciações em nome dessa liderança. A agência deixa de ser apenas distribuída e passa a ser computacionalmente reencenada, permitindo que determinadas capacidades políticas continuem operando mesmo na ausência do corpo biológico. Esse deslocamento transforma a presença política, que permanece disponível para agir, mas em condições profundamente diferentes daquelas que caracterizam a participação democrática tradicional.</p>



<p>Mais do que simples representação mimética da pessoa, os avatares sintéticos passam a funcionar como atualizações parciais da capacidade de agir politicamente. Ou seja, ao invés de reproduzir integralmente o indivíduo, os avatares reativam capacidades específicas, como endossar candidatos, mobilizar afetos e conferir legitimidade, contribuindo para a manutenção de uma figura política que continua produzindo efeitos mesmo na impossibilidade biológica ou jurídica da presença.</p>



<p>Passamos assim para o segundo ponto da inquietação. A democracia depende de uma determinada distribuição e equalização das capacidades de agir. Candidatos podem falar, adversários podem responder, jornalistas podem questionar, eleitores podem avaliar e instituições podem responsabilizar. Em outras palavras, a democracia organiza a participação no debate público, estipulando quem pode agir sobre quem. Quando uma campanha mobiliza um avatar póstumo ou de alguém proibido juridicamente de se manifestar, essa paridade é parcialmente rompida. Enquanto os candidatos vivos e presentes continuam submetidos às regras ordinárias da disputa, podendo ser criticados, responder a acusações, cometer erros, rever posições e prestar contas de suas declarações, o avatar permanece sobretudo como uma fonte estabilizada de autoridade. Ele não improvisa, não pode ser colocado em contradição por novas circunstâncias, não responde a críticas e não está sujeito às formas habituais de responsabilização política. Ainda assim, continua produzindo efeitos no presente ao participar do debate público. A inteligência artificial, nesse sentido, redistribui as condições sob as quais a autoridade pode ser exercida e, sobretudo, contestada na democracia. Os avatares de IA consistem em agentes eleitorais que reúnem capacidades políticas antes incompatíveis. Sua participação é seletiva: preserva a capacidade de influenciar, mas elimina parte das vulnerabilidades inerentes à participação democrática.</p>



<p>A inteligência artificial pode aprofundar as condições de visibilidade desiguais &#8211; já presente nas campanhas plataformizadas &#8211; ao ampliar ainda mais a capacidade daqueles que já dispõem de recursos financeiros, técnicos e organizacionais para produzir conteúdos em escala, testar formatos, ocupar diferentes espaços de circulação e manter determinadas figuras e narrativas permanentemente disponíveis. O risco do uso de IA nas eleições, portanto, reside na concentração desigual da capacidade de produzir presença, visibilidade e influência política.</p>



<p>O problema colocado pela IA nas eleições não pode se restringir à checagem do que é verdadeiro ou falso. Se a plataformização da política já transformou poder econômico, conhecimento técnico e capacidade de mobilização digital em vantagens assimétricas, a expansão das tecnologias generativas pode tornar essas diferenças ainda mais determinantes. Grupos com mais dinheiro podem adquirir maior capacidade de produzir, experimentar, segmentar, distribuir e fazer circular ações políticas. Quando essas capacidades se distribuem de maneira profundamente desigual, o que está em jogo é a própria busca por paridade das condições da disputa eleitoral.</p>



<p>O desafio que se coloca, portanto, é coletivo. Cabe às instituições eleitorais, às instâncias reguladoras, aos agentes políticos, à imprensa e à sociedade discutir quais usos da inteligência artificial devem ser permitidos ou proibidos. Ainda, e mais importante, devemos deliberar sobre quais condições materiais e tecnológicas devem ser estabelecidas para que eleições possam ser disputas paritárias. Preservar a democracia diante das transformações tecnológicas significa enfrentar as desigualdades na capacidade de produzir visibilidade e influência política. Uma eleição democrática não depende apenas de garantir que diferentes atores possam falar, mas de impedir que a capacidade financeira e tecnológica de alguns torne a voz dos demais progressivamente inaudível.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*</strong>Paulo Faltay é professor de Comunicação no campus do agreste da UFPE, coordenador do Estopim -Laboratório de Tecnopolítica, Comunicação e Subjetividade, do Programa de Pós-graduação em Comunicação da UFPE.</p>
    </div>
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		<title>Herdeiros do mesmo trono: por que Raquel não é Bolsonaro e João não é Lula</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Aug 2026 18:10:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[eleição 2026]]></category>
		<category><![CDATA[João Campos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Tiago Paraíba* e Pedro Alcântara** Há um mito grego que Pernambuco parece reencenar sem saber. Depois da queda de Édipo, seus dois filhos, Etéocles e Polinices, herdam juntos o trono de Tebas e combinam governar em anos alternados. Chegada a vez de Polinices, Etéocles se recusa a ceder o poder. O irmão preterido marcha [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Tiago Paraíba* e Pedro Alcântara**</strong></p>



<p>Há um mito grego que Pernambuco parece reencenar sem saber. Depois da queda de Édipo, seus dois filhos, Etéocles e Polinices, herdam juntos o trono de Tebas e combinam governar em anos alternados. Chegada a vez de Polinices, Etéocles se recusa a ceder o poder. O irmão preterido marcha contra a própria cidade natal à frente de um exército estrangeiro — os Sete Contra Tebas — não como um invasor de fora, mas como herdeiro reclamando o que considera seu por direito de sangue. Os dois se matam nos portões da cidade, filhos da mesma maldição, disputando o mesmo trono, dentro do mesmo palácio que os formou.</p>



<p>A eleição pernambucana vem sendo empurrada para uma falsa polarização: como se a disputa entre Raquel Lyra e João Campos fosse a mera expressão local de uma briga nacional entre bolsonarismo e lulismo. Para parte do debate público, Raquel funcionaria como polo &#8220;mais à direita&#8221;; João, como polo &#8220;ligado a Lula&#8221;. Esse espelhamento ajuda na propaganda, mas erra o gênero da história que está sendo contada. Não é uma guerra entre mundos opostos — é uma disputa de sucessão, tebana em sua estrutura, ainda que pernambucana em seu cenário.</p>



<p>Raquel Lyra não é bolsonarista, e João Campos tampouco é, no sentido político e ideológico, um &#8220;lulista&#8221; por natureza. O conflito que estrutura o calendário eleitoral pernambucano é outro: a disputa pelo controle do centro político estadual, pela condução das engrenagens do Estado e pela capacidade de reorganizar alianças e lideranças em um momento em que a antiga hegemonia do PSB entrou em crise e em redefinição — sua própria &#8220;morte de Édipo&#8221;, o ponto em que a autoridade que unificava os herdeiros se esvazia e o trono fica em aberto.</p>



<p>Por que &#8220;herdeiros do mesmo trono&#8221;? Não se trata de afirmar que Raquel e João sejam iguais, nem de reduzir seus projetos a um mesmo programa. Trata-se de reconhecer que ambos são produtos de uma mesma lógica de poder: famílias tradicionais, partido como instrumento de hegemonia, ocupação institucional e pragmatismo eleitoral. Como Etéocles e Polinices, adversários — mas competindo a partir de trajetórias que compartilham a base cultural e organizativa do mesmo ecossistema político, a mesma genealogia, a mesma casa.</p>



<p>No caso de Raquel, a tentativa de associação ao bolsonarismo decorre muito mais de composições eleitorais e do clima de 2022 do que de uma origem política que se confunda com o bolsonarismo. Há uma diferença crucial entre disputar votos em determinados setores da direita e ser, efetivamente, parte de um campo ideológico. O erro recorrente é tratar &#8220;conservadorismo eleitoral&#8221; como &#8220;identidade bolsonarista&#8221;.</p>



<p>Juntar Raquel no palanque de Flávio é um mau cálculo político — é como se Etéocles, já sentado no trono, decidisse chamar um exército estrangeiro para desfilar ao seu lado sem perceber que está emprestando força a quem tem menos. A tática parte da ideia de &#8220;aproveitar a audiência&#8221;, mas ignora o efeito real da colagem: quando há desnível de intenção de voto, quem costuma ganhar é o candidato com menor tração, enquanto quem já lidera corre mais risco de ser puxado para baixo. Com Raquel em torno de 43% e Flávio em 21% no estado, essa estratégia tende a ajudar Flávio, pois na prática vincula intensamente o bolsonarismo a um palanque forte que não o reivindica centralmente, dando vigor a um campo que em Pernambuco não conseguiu sequer articular uma candidatura orgânica ao Palácio do Campo das Princesas. Além disso, Lula já tem três palanques em Pernambuco, o que amplia base e capilaridade sem exigir que Raquel carregue um desgaste que, no fim, não reverte a favor dela, mas funciona como alavanca para a candidatura de Flávio.</p>



<p>Dois elementos ajudam a reorientar a leitura. Primeiro, a trajetória política: Raquel iniciou sua vida pública dentro do PSB. Em Pernambuco, isso não é um detalhe biográfico irrelevante. É parte da explicação de sua formação, da rede que a projetou e do ambiente político em que aprendeu a disputar poder — ela não chega como Polinices, do exílio, mas como quem sempre esteve dentro dos muros da cidade.</p>



<p>Segundo, a ruptura em 2022: Raquel venceu e interrompeu a sequência do bloco que comandava o governo estadual. Mas o sentido do que ocorreu foi, principalmente, uma reconfiguração do campo: uma parcela do velho grupo rompeu, construiu uma nova coalizão e passou a disputar a liderança do estado como concorrente. Foi menos &#8220;chegada de fora&#8221; e mais redistribuição de comando dentro de um mesmo universo de elites políticas — a disputa pelo trono que já estava, de algum modo, em família.</p>



<p>No fundo, o que muda é a posição na hierarquia do poder — não a gramática da política tradicional pernambucana.</p>



<p>Já no caso de João Campos e Lula, há proximidade eleitoral e não fusão política. A relação de João Campos com Lula tem peso, sim. Apoio presidencial pode significar tração eleitoral, capital simbólico e ampliação de alianças — é o &#8220;exército de Argos&#8221; que Polinices busca não porque tenha deixado de pertencer a Tebas, mas porque precisa de força para vencer a disputa interna. Mas o uso desse dado para transformar João em sinônimo local do lulismo não é suficiente para explicar o fenômeno.</p>



<p>João não nasceu dentro de uma trajetória petista típica, moldada por militância histórica ou por movimentos sociais que se tornaram identidade orgânica. Ele é herdeiro de uma linhagem que estruturou poder em Pernambuco: filho de Eduardo Campos e bisneto de Miguel Arraes.</p>



<p>Porém, mesmo dentro de seu próprio nicho hereditário, ele representa um afastamento da esquerda. O PSB de Arraes fazia parte de uma esquerda mais próxima do que hoje é o lulismo, defendia reformas sociais e a identificação com as lutas populares. Eduardo Campos já representou uma inflexão ao centro, incorporando uma aliança com a direita da “União por Pernambuco” e tocando um programa moderado om grandes acenos ao setor privado. João Campos, por sua vez, leva o PSB de vez para o campo do liberalismo de mercado, com discurso típico do neoliberalismo tecnocrático e um novo grupo de jovens políticos acionistas financeiros que enxergam a política como um campo profissional. Já não há mais quase nenhum resquício da real “Frente Popular”, do velho Arraes. A identidade com o lulismo e mesmo com o arraesismo, no caso do ex prefeito, repousa apenas na longínqua lembrança e prestígio de suas origens, esquentadas a cada nova eleição.</p>



<p>Trata-se, portanto, de uma aliança — e alianças, no mundo real, não uniformizam projetos até o ponto de apagar diferenças de origem e interesses. Lula é necessário para João ampliar base e alcance nacional; João oferece a Lula uma rota de liderança local e capacidade de mobilização no Estado. Mas isso não transforma o PSB em extensão automática do PT.</p>



<p>Se o PSB não opera em chave de subordinação automática ao PT, isso aparece inclusive em episódios decisivos da política nacional. Basta lembrar o apoio de setores do PSB ao impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, e o comportamento político que, em diferentes momentos, recorreu a ataques ao PT como adversário a ser enfraquecido. Não se trata de reduzir tudo ao julgamento moral, nem de afirmar que todo PSB atua do mesmo modo em todas as conjunturas. Trata-se de constatar um padrão: PT e PSB não funcionam apenas como mesma identidade. Funcionam como forças que negociam, disputam espaço e preservam interesses partidários. Em Pernambuco essa disputa vem se dando em desfavor do PT, sempre preterido pelo PSB, vide a negativa para a vice do Recife em 2024, ou a violenta ofensiva antipetista da campanha de João Campos em 2020. Quando precisa, o PSB defende com unhas e dentes seu protagonismo no campo progressista contra o PT no Recife e em Pernambuco.</p>



<p>Assim, apoio de Lula não prova identidade lulista. Prova convergência tática — o exército emprestado, não o sangue da casa.</p>



<p>A eleição pernambucana não pode ser compreendida apenas como reflexo da polarização nacional. Há um conflito mais estrutural em curso: a reorganização do centro político estadual após o desgaste da antiga hegemonia do PSB.</p>



<p>Por anos, o PSB construiu uma escola de poder em Pernambuco com enorme capacidade de formar coalizões municipais, ocupar espaços estratégicos e comandar a máquina estadual. Entre 2007 e 2022, governou por quatro mandatos consecutivos e sustentou uma engenharia partidária com alcance real no território. Com a morte de Eduardo Campos, a estrutura partidária não desapareceu; ela passou a viver uma disputa interna sobre direção e herança — o pacto entre irmãos que, mais cedo ou mais tarde, precisaria ser renegociado ou rompido.</p>



<p>As vitórias de Paulo Câmara e a sucessão em 2018 mostraram a força do arranjo já existente. A ruptura de 2022, com a derrota do grupo indicado na época e a vitória de Raquel, abriu uma nova fase: dois polos passaram a disputar quem controla a reorganização do campo. De um lado, a tentativa dos Campos de recuperar o governo estadual e redefinir o comando. Do outro, Raquel buscando consolidar uma nova hegemonia e estruturar coalizão com capacidade de sustentar poder por ciclos completos.</p>



<p>É nesse ponto que a &#8220;ponte&#8221; entre Raquel e João deixa de ser teórica. Lula funciona como ativo central na disputa — mas não porque ambos compartilhem a mesma identidade. Funciona porque, em Pernambuco, o centro político disputa também quem consegue atrair e organizar apoios nacionais e quem tem maior capacidade de costurar frentes amplas. Cada um busca seu Argos particular, sem deixar de ser, no fundo, filho da mesma Tebas.</p>



<p>Quando a propaganda muda, não quer dizer que o conteúdo mudou. João Campos e Raquel Lyra exploram imagens associadas à renovação, mas é preciso tratar esse recurso com cuidado. A modernização da comunicação e da gestão pode ser uma mudança real de método, mas também pode ser apenas mudança de linguagem. Programas podem sofrer ajuste de tom sem alterar a forma como o poder é concentrado e administrado. Trocar de armadura não significa deixar de lutar pelo mesmo trono.</p>



<p>Em outras palavras: não basta perguntar &#8220;quem parece novo&#8221;. É necessário perguntar &#8220;o que muda na prática&#8221;.</p>



<p><strong>A pergunta certa: projeto de desenvolvimento ou disputa de herdeiros?</strong></p>



<p>A esquerda não pode entrar na armadilha de escolher primeiro um lado e só depois discutir projeto — não pode se tornar mais um exército convocado para os portões de Tebas, torcendo por qual irmão vai cair primeiro. Se o debate se resume a &#8220;quem é mais lulista&#8221; ou &#8220;quem está mais contra Bolsonaro&#8221;, perde-se a dimensão decisiva para o eleitorado que busca transformação real.</p>



<p>A pergunta orientadora deveria ser outra: quais propostas enfrentarão desigualdades estruturais? Quem tem resposta consistente para déficit habitacional, saneamento e precarização do trabalho? Quais caminhos para segurança pública que não se limitem ao repertório de punição como substituto de política? Como garantir desenvolvimento do interior para além de obras dissociadas de sustentação econômica e de participação social? Como enfrentar concentração econômica e desigualdade racial como problema estrutural, não como promessa episódica de governo?</p>



<p>Porque Pernambuco não precisa apenas trocar quem administra as contradições pelos próximos quatro anos. Precisa, sobretudo, construir outro projeto de poder — capaz de alterar prioridades, distribuir melhor os frutos do crescimento e fazer a vida da maioria deixar de ser variável dependente da arquitetura das elites.</p>



<p><strong>A tarefa: construir alternativa sem cair na eleição-amostra</strong></p>



<p>Nem Raquel é Bolsonaro por &#8220;ter alianças conservadoras&#8221;. Nem João é Lula por &#8220;estar ao lado de Lula&#8221;. O argumento central é simples: aliança eleitoral não é identidade política, e rótulos importados não substituem análise do campo de disputa.</p>



<p>Raquel e João são adversários, com projetos e trajetórias distintas. Ainda assim, operam dentro do mesmo ninho: estruturas tradicionais, famílias e partidos como máquinas de poder, capacidade de ocupar instituições e produzir alianças. A disputa real, portanto, é pelo comando desse ecossistema — e não pela simples troca de &#8220;lado&#8221; ideológico.</p>



<p>Em Tebas, o mito termina em fratricídio: os dois irmãos se destroem mutuamente nos portões da cidade, e o poder passa a Creonte por decreto, fechando o ciclo trágico sem que nada na cidade realmente mude. É essa repetição que Pernambuco precisa recusar. A esquerda precisa recusar o papel de escolhedora de herdeiro. Precisa disputar o sentido da eleição e construir autonomia suficiente para dialogar com os eleitores que se mobilizam hoje por Lula, com firmeza contra o bolsonarismo quando necessário, e com um programa claro de transformação social em Pernambuco.</p>



<p>Essa é a diferença entre participar do jogo da tradição, torcendo para ver qual herdeiro cai primeiro nos portões da cidade, e preparar a ruptura com o modelo que reproduz desigualdade sob novas embalagens — a diferença entre esperar o próximo Creonte e recusar que o trono continue sendo o único prêmio em disputa.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*</strong>membro da Executiva Nacional do PSOL e militante da Ação Negra</p>
<p>**professor e vice presidente do PT Pernambuco</p>
    </div>
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		<title>Por que nunca é só futebol</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Samarone Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jul 2026 23:05:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Argentina 2 x 1 Inglaterra]]></category>
		<category><![CDATA[Argentina x Espanha]]></category>
		<category><![CDATA[Copa 2026]]></category>
		<category><![CDATA[final da Copa do Mundo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Sebas Miquel* (com introdução de Samarone Lima) Depois da eliminação vergonhosa do Brasil, fiquei com raiva. De fato, a seleção perdeu a alma, e quando a alma vai embora, nada resta. Só corpos inúteis, errando pelo mundo. E me veio a Argentina, para mostrar o que é a identidade de um povo. Pedi ao [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Sebas Miquel* (com introdução de Samarone Lima)</strong></p>



<p><strong>Depois da eliminação vergonhosa do Brasil, fiquei com raiva. De fato, a seleção perdeu a alma, e quando a alma vai embora, nada resta. Só corpos inúteis, errando pelo mundo. E me veio a Argentina, para mostrar o que é a identidade de um povo. Pedi ao velho amigo e grande fotógrafo argentino, <a href="https://www.instagram.com/sebasmiquel/">Sebas Miquel</a> um texto sobre a a vitória de ontem, contra a Inglaterra. Ele respondeu rápido, no calor da vitória.</strong></p>



<p><strong>***</strong></p>



<p>&#8220;É só futebol&#8221;, expressou Scaloni antes da partida, o mesmo diziam Maradona e Carlos Bilardo em 1986. Mas todos sabemos que nunca é só futebol. Colonialismo, subdesenvolvimento, história, patriotismo, guerra, ditadura, Milei ou neoliberalismo (é a mesma coisa), tudo se entremeia em uma partida, tudo faz parte.</p>



<p>O orgulho argentino vem desde a colônia; por volta de 1800, os ingleses tentaram invadir Buenos Aires e nós os expulsamos com óleo quente e guerra de guerrilhas. As Malvinas depois foram controladas e habitadas pelos ingleses até hoje, com guerra incluída. Então, nunca é só futebol.</p>



<p>O futebol é a nossa última esperança, é o nosso orgulho, a nossa alegria, é pela única coisa pela qual fazemos um país parar. Não voa nem uma mosca, não há uma única alma enquanto joga a seleção, o país para. Talvez a nossa última fronteira de representação, talvez o nosso último vislumbre de identidade em um país devastado pelo imperialismo, onde os que traem estão dentro e fora. É a nossa história.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*Fotógrafo e professor de Filosofia Política na Universidade de Buenos Aires e na Universidade Nacional de La Matanza e de Jornalismo Gráfico na jornalismo gráfico na Universidade Nacional de La Plata. Venceu diversos prêmios internacionais de fotojornalismo.</strong></p>
    </div>
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		<title>Quando o Brasil perdia, a gente chorava. Hoje, tem raiva</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Samarone Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Jul 2026 19:40:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil 1 x 2 Noruega]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[futebol]]></category>
		<category><![CDATA[seleção brasileira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Era o glorioso ano de 1982, eu tinha 12 anos, meu irmão, Tonho, tinha 13. Antes da Copa da Espanha começar, os amigos se juntaram para pintar a rua e contar nos dedos os dias para o primeiro jogo do Brasil, no Monte Castelo, bairro de classe média de Fortaleza. Foi tudo lindo. A cada [&#8230;]</p>
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<p>Era o glorioso ano de 1982, eu tinha 12 anos, meu irmão, Tonho, tinha 13. Antes da Copa da Espanha começar, os amigos se juntaram para pintar a rua e contar nos dedos os dias para o primeiro jogo do Brasil, no Monte Castelo, bairro de classe média de Fortaleza.</p>



<p>Foi tudo lindo. A cada jogo, Zico, Sócrates, Éder, e uma constelação de craques embalavam o nosso sonho de ganhar o tetra. Eles pareciam bailar, em campo.</p>



<p>No final do jogo, era correr para a calçada e ficar rindo da vida, com o sambinha maroto feito pelo jogador Júnior, que meu pai detestava: “Voa, canarinho voa/mostra para a Espanha que és um rei\Voa Canarinho voa\ mostra na Espanha o que já sei.”</p>



<p>Até que veio o jogo contra a Itália, quando o miserável Paolo Rossi, o finado Paolo Rossi, acabou com a gente, fazendo os três da vitória. Que Deus o tenha.</p>



<p>Foi a minha primeira grande dor futebolística. Minha e do Tonho.</p>



<p>Fomos para a calçada e começamos a chorar.</p>



<p>Depois de um certo tempo, meu pai percebeu nosso penar, e começou a falar dos jogadores, que ganhavam milhões, e não estavam nem aí, uma coisa tão sem sentido, que pensei em mandar meu pai tomar naquele lugar. Se tivesse feito isso, teria levado uma pisa acompanhada do castigo de ficar uma hora em pé, num canto da sala.</p>



<p>Chorei muito, porque eles eram os melhores, e nos encantavam a cada jogo.</p>



<p>De repente, o fim.</p>



<p>Ontem, no jogo horroroso contra a Noruega, na casa de Boy, no Poço da Panela tinha umas 25 pessoas, entre crianças, adolescentes e adultos. Churrasco e cerveja era boia (perdão pelo trocadilho).</p>



<p>A cada vacilo dos jogadores brasileiros, que pareciam ter medo da bola, mais insultos e impaciência. Escutei o famoso e pernambucaníssimo “vai, miséria!” umas trinta vezes.</p>



<p>Ao final do jogo, não vi nenhuma criança ou adolescente chorando. Havia um descontentamento com a falta de raça, vontade, ousadia, destemor, vontade de vencer.</p>



<p>A imagem de Neymar, um ídolo decadente, discutindo com o goleiro adversário, após fazer um gol que de nada valia, me lembrou das avaliações do meu pai, de 1982.</p>



<p>Eles não estão mais nesta <em>vibe</em> de entregar tudo em campo, em busca da vitória &#8211; ou de uma derrota digna.</p>



<p>Este papel coube ao apaixonante escrete de Cabo Verde, que deu um sufoco tremendo até na poderosa Argentina.</p>



<p>Eles foram a minha alegria, nesta Copa.</p>
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		<title>UFPE debate adaptação climática no Recife e sua região metropolitana</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Sep 2025 20:32:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Observatório das Metrópoles]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Arquitetos, urbanistas, geógrafos e pesquisadores sociais participarão de 22 a 23 de setembro, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) do Fórum Cidade Clima: Recife e região na adaptação e resiliência climática. O encontro terá como principal foco a apresentação e a discussão dos resultados da pesquisa Instrumentos de Política Urbana e as Mudanças Climáticas: possibilidades, [&#8230;]</p>
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<p>Arquitetos, urbanistas, geógrafos e pesquisadores sociais participarão de 22 a 23 de setembro, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) do Fórum Cidade Clima: Recife e região na adaptação e resiliência climática. O encontro terá como principal foco a apresentação e a discussão dos resultados da pesquisa Instrumentos de Política Urbana e as Mudanças Climáticas: possibilidades, limites e desafios, conduzida pelo Observatório das Metrópoles, com apoio dos ministérios da Ciência e Tecnologia e das Cidades.</p>



<p>No primeiro dia do fórum, será apresentada a Rede de Avaliação dos Instrumentos de Política Urbana e Adaptação Climática (Rede Aipuac), com participação do representante do Ministério das Cidades, Vitor Araripe, do coordenador nacional do Observatório das Metrópoles, Orlando dos Santos Júnior, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e dos coordenadores em Pernambuco, Fabiano Rocha Diniz e Cristiana Duarte Coutinho.</p>



<p>Além das mesas redondas, debates e apresentações, a programação prevê uma visita de campo a uma comunidade que desenvolve suas próprias ações de adaptação às mudanças climáticas. O fórum acontecerá no auditório Evaldo Coutinho, no Centro de Artes e Comunicação da UFPE.</p>
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		<title>Documentário “Desaguar no Beberibe”, denuncia a precariedade do acesso à agua e ao saneamento básico no Recife e Olinda</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Aug 2025 17:21:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[saneamento]]></category>
		<category><![CDATA[socioambiental]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nesta sexta-feira (15), o Alto Santa Terezinha recebe o lançamento do documentário “Desaguar no Beberibe”. O evento acontece a partir das 18h30, no Compaz Governador Eduardo Campos. A programação contará ainda com uma exposição de fotografias oficiais e de bastidores da produção, coffee break e pipoca durante a sessão. Após a exibição, haverá uma roda [&#8230;]</p>
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<p>Nesta sexta-feira (15), o Alto Santa Terezinha recebe o lançamento do documentário “Desaguar no Beberibe”. O evento acontece a partir das 18h30, no Compaz Governador Eduardo Campos. A programação contará ainda com uma exposição de fotografias oficiais e de bastidores da produção, coffee break e pipoca durante a sessão. Após a exibição, haverá uma roda de conversa com a equipe do filme e convidados.</p>



<p>51 dos 94 bairros recifenses passam por rodízio de água nas torneiras e 53% da população é atendida por esgotamento sanitário. O caso de Olinda é ainda mais grave, com 30 dos 32 bairros submetidos ao rodízio e apenas 44% da população com saneamento básico.</p>



<p>“Desaguar no Beberibe” retrata as dificuldades no acesso à água e a precariedade do saneamento básico na bacia hidrográfica do rio Beberibe, no Recife e Olinda, um território que, desde o início do século XXI, se destaca por concentrar a maior quantidade de comunidades de baixa renda da Região Metropolitana do Recife. O documentário expõe o problema de abastecimento por meio de entrevistas com moradores, pesquisadores em urbanismo e serviço social, além de dados obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI).</p>



<p>A obra estreia no momento em que está em debate a privatização da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), ameaçando o acesso à água potável para a população mais vulnerável e possivelmente aumentando os preços e reduzindo a qualidade dos serviços.</p>



<p>&#8220;A água é uma pauta muito cara à sociedade. Ela é o princípio de todas as coisas. E a gente percebe seu valor, sobretudo quando ficamos sem, nos racionamentos, nos rodízios, nos canos estourados. Quem cresceu em Dois Unidos, Nova Descoberta, Peixinhos, Águas Compridas e demais comunidades acabam passando por muitos perrengues no cotidiano”, declara Victor Moura, jornalista à frente do documentário.</p>



<p>O filme é o segundo realizado pela Redes do Beberibe, que se destaca por vídeos curtos nas redes sociais, trazendo informações por meio de dados obtidos via LAI. Em 2024 aprofundou o debate sobre o recurso paliativo das lonas plásticas em áreas de risco, no documentário “O plástico preto e as casas sob risco em Água Fria”, disponível no youtube.</p>



<p>O curta tem o apoio do edital “Iniciativas Populares de Água e Saneamento no Norte e Nordeste”, da Habitat Brasil, e tem previsão de ser exibido nos bairros de Peixinhos e Sapucaia, em Olinda, e em Dois Unidos, no Recife, até o fim de agosto.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Redes do Beberibe</span>

		<p>Coletivo que atua em prol do desenvolvimento das comunidades da bacia hidrográfica do rio Beberibe, no seu médio e baixo curso. A região é formada por morros, córregos, planícies e áreas alagadas, nas periferias de Recife e Olinda, onde residem cerca de 500 mil pessoas. Produz conhecimento e promove cidadania no campo do meio ambiente, em um cenário de mudanças climáticas, mas não se limita a essa pauta. Seu trabalho também aborda questões de raça, gênero, história, educação, transparência pública, cultura, esporte e religião. É um coletivo construído por várias mãos, mas com os pés firmes em um único lugar.</p>
	</div>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><strong>Ficha Técnica</strong><br><strong>Reportagem e roteiro:</strong> Letícia Barbosa e Victor Moura<br><strong>Filmagem e fotografia:</strong> Kayo na Real<br><strong>Produção:</strong> Victor Moura<br><strong>Assistente de produção:</strong> Witória Maria<br><strong>Edição:</strong> Victor Moura</p>
</blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><strong>SERVIÇO:</strong> *Lançamento do documentário “Desaguar no Beberibe”<br><strong>Data</strong>: 15 de agosto de 2025<br><strong>Horário</strong>: 18h30min<br><strong>Local</strong>: Compaz Governador Eduardo Campos, Avenida Aníbal Benévolo, Linha do Tiro, Recife, PE<br>Gratuito</p>
</blockquote>
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		<title>Centro Luiz Freire inicia nova edição de projeto de educação quilombola</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 May 2025 20:20:54 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Centro Luiz Freire]]></category>
		<category><![CDATA[educação antirracista]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O projeto Educquilombo &#8211; Educação Escolar Quilombola, do Centro de Cultura Luiz Freire (CCLF), está em nova edição abordando a educação quilombola nos Planos Municipais de Educação. O projeto é realizado em parceria com a Coordenação Estadual de Articulação das Comunidades Quilombolas de Pernambuco (CEACQ) e apoio financeiro do Fundo Malala no Brasil. Nesta nova [&#8230;]</p>
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<p>O projeto Educquilombo &#8211; Educação Escolar Quilombola, do Centro de Cultura Luiz Freire (CCLF), está em nova edição abordando a educação quilombola nos Planos Municipais de Educação. O projeto é realizado em parceria com a Coordenação Estadual de Articulação das Comunidades Quilombolas de Pernambuco (CEACQ) e apoio financeiro do Fundo Malala no Brasil.</p>



<p>Nesta nova etapa, o Educquilombo amplia a área de atuação, alcançando diretamente oito municípios de Pernambuco, sendo um do Agreste (Bom Conselho) e sete do Sertão (Betânia, Carnaíba, Custódia, Mirandiba, Orocó, Salgueiro e Serra Talhada).</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:30% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="500" height="500" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/05/CCLF-quilombo-logo.jpg" alt="A logomarca tem formato circular e representa a identidade da Educação Escolar Quilombola. No centro, há o rosto de perfil de uma pessoa negra com expressão serena, usando um turbante vermelho. Ao fundo, aparece uma paisagem com árvores, colinas e o céu alaranjado, remetendo à natureza e à ancestralidade. Ao redor da imagem central, em forma de círculo, está escrito: “Educação Escolar Quilombola – Ancestralidade e resistência”. Abaixo do círculo, o nome do projeto aparece em letras estilizadas e marrons: “EDUCQUILOMBO”. Logo abaixo, em letras laranja: “Nos Planos Municipais de Educação”." class="wp-image-70979 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/05/CCLF-quilombo-logo.jpg 500w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/05/CCLF-quilombo-logo-300x300.jpg 300w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/05/CCLF-quilombo-logo-150x150.jpg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/05/CCLF-quilombo-logo-96x96.jpg 96w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>O objetivo do Educquilombo é incidir politicamente nos processos de revisão e atualização dos PMEs para que as demandas educacionais do movimento quilombola estejam presentes no Plano Decenal dos municípios.</p>
</div></div>



<p>O objetivo do Educquilombo é incidir politicamente nos processos de revisão e atualização dos PMEs para que as demandas educacionais do movimento quilombola estejam presentes no Plano Decenal dos municípios.</p>



<p>Iniciado ainda em novembro de 2024 e com conclusão prevista para novembro de 2026, o projeto busca fortalecer a pauta da educação na agenda política do movimento quilombola estadual, mobilizar a opinião pública em torno do tema central do projeto, produzir estratégias de <em>advocacy </em>para uma ação política e levantar dados sobre as realidades quilombola nos municípios e no estado.<br><br>Atualmente, o Educquilombo nos PMEs realiza atividades formativas sobre Comunicação e Educação com jovens quilombolas de Mirandiba; mobilização de parceiros estratégicos que atuem no campo dos Direitos Humanos; articulação com o movimento quilombola a nível local e nacional; construção de instrumentos político-pedagógicos que serão utilizados ao longo do projeto; e participação em audiências públicas, no Legislativo estadual e nacional, sobre os Planos Decenais de Educação.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Como foi a primeira etapa</span>

		<p><span style="font-family: Tox Typewriter, monospace;"><span style="font-size: medium;">O projeto Educquilombo &#8211; Educação Escolar Quilombola (2019-2024) foi realizado pelo CCLF, em parceria com a Articulação Social das Comunidades Quilombolas de Mirandiba (ASCQUIMI), com apoio do Fundo Malala no Brasil. O projeto atuou em Mirandiba, município com maior número de comunidades quilombolas em Pernambuco, e se dedicou à luta pelo direito à Educação Escolar Quilombola. Dentre os vários impactos e resultados, o projeto, protagonizado pelas lideranças locais e jovens meninas quilombolas, conseguiu assegurar a criação de uma política pública no município, a Lei Nº 683/2020, que oficializa as Diretrizes Curriculares da Educação Escolar Quilombola de Mirandiba.<br />
</span></span></p>
	</div>
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		<title>Ataque a terreiro em Paulista dá tom de protesto ao Dia do Macumbeiro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Mar 2025 20:35:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Candomblé]]></category>
		<category><![CDATA[Dia do Macumbeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Jurema Sagrada]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Originalmente, a programação do dia do Macumbeiro – ou o Dia Nacional das Religiões de Matriz Africana – era de festa e celebração, mas o ataque ao terreiro de Jurema do Mestre Pilão Deitado, em Paulista, transformou o que seria um evento festivo em protesto. Nesta sexta-feira, 21 de março, lideranças religiosas, movimentos sociais e [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Originalmente, a programação do dia do Macumbeiro – ou o Dia Nacional das Religiões de Matriz Africana – era de festa e celebração, mas o ataque ao terreiro de Jurema do Mestre Pilão Deitado, em Paulista, transformou o que seria um evento festivo em protesto.</p>



<p>Nesta sexta-feira, 21 de março, lideranças religiosas, movimentos sociais e o perfil Macumba Ordinária realizarão um ato contra a intolerância e o racismo religioso diante do monumento Tortura Nunca Mais, na rua da Aurora. O protesto está marcado para 14h.</p>



<p>De acordo com Renato Fonseca, do perfil Macumba Ordinária, na madrugadade quarta-feira, 19 de março, três homens invadiram a tenda do Pai Diego, no bairro Torres Galvão, em Paulista, destruíram e imagens, objetos sagrados e saqueando o local. A invasão mobilizou a comunidade  do candomblé, da umbanda e da jurema na Região Metropolitana e alterou a agenda do Dia do Macumbeiro. O ataque ocorreu dois meses depois do <a href="https://marcozero.org/evangelicos-promovem-cercos-a-terreiros-para-intimidar-candomble/">&#8220;cerco&#8221; realizado por evangélicos</a> ao terreiro de Xambá, em Olinda.</p>



<p>Inicialmente, o que estava marcado no mesmo local era um arrastão cultural para “celebrar a ancestralidade”, com homenagens à ialorixá Mãe Lu. Apesar do protesto, a parte festiva foi mantida. Após o protesto, está previsto um arrastão cultural em direção à rua da Saudade, onde haverá uma feira de artesanato e apresentações musicais.</p>





<h2 class="wp-block-heading"><strong>I Baile do Macumbeiro</strong></h2>



<p>Na rua da Saudade, às 18h o ato contra a intolerância vai dar lugar ao I Baile do Macumbeiro, com apresentações de artistas de diversos gêneros que constituem a herança cultural de origem africana, como o samba, o afoxé e o maracatu. O artista Maxwell Lobato, convidado para ser um dos apresentadores do evento, disse que “é importante enfrentar o fascismo e racismo com tecnologias ancestrais, nada melhor do que pôr o nosso bloco na rua, as nossas roupas, os nossos ritmos, as nossas danças, as nossas vozes, a arte e a cultura”.</p>


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