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Diluído na tarifa diária, o gasto com o transporte público pode não causar desconforto para os menos atentos às finanças pessoais. Mas é fato que, no acumulado do mês, o peso da despesa para os usuários do serviço é grande. Na Região Metropolitana do Recife, por exemplo, os últimos reajustes das tarifas foram inclusive acima da inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).
Como no ano passado o governo do estado e o consórcio das empresas de transporte Grande Recife foram obrigados pela Justiça a manterem a tarifa – vitória dos movimentos sociais, vale frisar, o valor do Anel A (usado por 70% da população) permaneceu em R$ 3,20. Agora, os grupos da sociedade civil temem que o governo e as empresas forcem um aumento das passagens ainda este mês e a facada atinja o bolso dos usuários em cheio, considerando que, no ano passado, a Urbana-PE, que representa as empresas de ônibus, fez pressão pelo aumento de todas as tarifas, incluindo o Anel A que passaria de R$ 3,20 para R$ 3,55.
A diferença de preço no caso da tarifa A, de R$ 0,35, pode até parecer pequena. Mas, de centavos em centavos, o alto custo das passagens de ônibus deteriora os orçamentos dos usuários do serviço na RMR. Atualmente, o impacto é de 17% na renda familiar, de acordo com o Instituto de Política de Transporte e Desenvolvimento. “As empresas dizem que é preciso aumentar as passagens para compensar a redução gradativa dos usuários do serviço, mas isso é inclusive vetado por aspectos legais e contratuais das concessões de ônibus (que delimitam o IPCA como o índice no qual deve se basear o reajuste anual das tarifas pagas pelos usuários do sistema de transporte público coletivo, que pode ser revisado, a cada quatro anos, através da atualização de todos os custos necessários para prestação dos serviços). As empresas não são transparentes com relação às suas despesas e receitas, e os reajustes têm acontecido de forma irregular, acima da inflação, ferindo o que é determinado no regimento atual. Por isso nós defendemos a redução dos reajustes irregulares”, explica Thiago Scavuzzi, advogado do Centro Popular de Direitos Humanos (CPDH), que faz parte da Articulação Recife pelo Transporte.
Nesta quinta-feira (10), a Articulação Recife pelo Transporte, que reúne vários movimentos sociais além do CPDH, lança a campanha “Você Pode Pagar Menos” pela redução das passagens (R$ 3,20 para R$ 2,70 no Anel A), às 16h, na Praça da Independência, bairro de Santo Antonio, centro do Recife. O grupo defende a anulação dos aumentos ocorridos em 2015, 2016 e 2017, que considera irregulares por terem sido acima do IPCA. O argumento foi, inclusive, apresentado em uma ação civil pública pelas organizações, que aponta também outras irregularidades, como problemas nas eleições dos conselheiros que definem os reajustes tarifários (leia a ação na íntegra aqui).
Jornalista formada pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e pós-graduada pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Foi repórter de Economia do jornal Folha de Pernambuco e assinou matérias no The Intercept Brasil, na Agência Pública, em publicações da Editora Abril e em outros veículos. Contribuiu com o projeto de Fact-Checking "Truco nos Estados" durante as eleições de 2018. É pesquisadora Nordeste do Atlas da Notícia, uma iniciativa de mapeamento do jornalismo no Brasil. Tem curso de Jornalismo de Dados pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e de Mídias Digitais, na Kings (UK).