naoebemassimSite“Realizamos o maior programa de habitação no Recife e construímos 4.552 casas”, João Paulo nas inserções da propaganda eleitoral da TV

“João Paulo realizou o maior programa habitacional do Recife”, GIF no Twitter oficial do candidato.

Com uma população estimada de 1.625.583 habitantes e uma área de apenas 218 quilômetros quadrados, cortada por uma vasta rede de rios, canais e mangues, o Recife apresenta um problema crônico de moradias. Segundo a ONG Habitat para a Humanidade, a capital pernambucana tem um déficit habitacional de 62 mil unidades. Por conta disso, João Paulo, candidato do PT à Prefeitura, vem insistindo no tema e se mostrando como autor do maior programa habitacional da cidade. Para sustentar a tese, o petista compara as 4.552 unidades construídas na sua gestão com as 869 entregues por Geraldo Julio.

Procurada pela equipe do Truco Eleições 2016 – projeto de checagem da Agência Pública, feito em parceria com a Marco Zero Conteúdo no Recife, a assessoria de João Paulo disse que os dados apresentados constam do balanço dos oito anos de gestão. O Truco verificou os dados e observou que os números apresentados conferem, mas que eles não podem ser usados para comparar as administrações do PT e do PSB e, muito menos, para afirmar que João Paulo fez “o maior programa habitacional do Recife”. Portanto, recebe a carta “Não é bem assim”.

Primeiro, do ponto de vista estatístico, João Paulo não poderia comparar os oito anos de sua gestão com os quase quatro de Geraldo Julio. Além disso, de acordo com dois especialistas ouvidos pelo Truco, em habitação há o “tempo de inércia”. Ou seja, do começo da gestão até a entrega das primeiras unidades existe um período para planejar e executar as obras. O próprio João Paulo passou por isso, tanto que mais de 90% das entregas de casas ocorreram no segundo mandato.

Quando se trata de habitação, o tempo de inércia é uma variável que tende a dificultar as comparações entre gestões. Geralmente, um prefeito acaba inaugurando conjuntos habitacionais iniciados pelo antecessor. Aconteceu com João da Costa, que “herdou” obras de João Paulo, e com Geraldo Julio que “herdou” as de João da Costa.

No Caso de João Paulo, ao assumir a prefeitura pela primeira vez em 2001, ele teve que começar seu programa habitacional do zero. Isso porque, entre o fim do Banco Nacional da Habitação (BNH), em 1986, e o início do Governo Lula (em 2003) o Brasil ficou sem política de habitação. Nesse período, os prefeitos que antecederam o petista não tiveram números significativos para comparar.

O mesmo não pode ser dito do período anterior ao fim do BNH. Entre 1965 e 1986, na vigência do Sistema Financeiro da Habitação, foram construídas cerca de 102 mil unidades habitacionais em Pernambuco. Isso, levando em conta apenas números da Cohab e do Ipsep. Parte destas unidades foi erguida no Recife, principalmente, nas chamadas URs (Unidades Residenciais). A primeira delas, a UR1 no Ibura, foi inaugurada em outubro de 1966, na gestão de Augusto Lucena na Prefeitura, com 1051 habitações. E assim foi até a UR11.

A questão é que o modelo da política habitacional adotada naquele período era totalmente diferente do atual. No período do SFH, os recursos federais para a construção dos conjuntos habitacionais eram administrados pelo estado, através da Cohab, e não pelo município que, no máximo, cedia o terreno ou alguma outra contrapartida. Só esse fato, já impede uma comparação que permita afirmar que João Paulo fez o maior programa habitacional do Recife.