Pouco antes do horário previsto para o fim da votação, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a extensão do horário de votação até as 19h, no horário de Brasília, em todo o Brasil. Como a decisão foi anunciada tardiamente, várias urnas já tinham sido encerradas e não podiam mais ser reabertas. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu a totalização dos votos. Na última atualização antes da pausa, às 17h06, cerca de 336 mil votos para presidente haviam sido apurados, em 1.225 seções.
A decisão atendeu a um pedido da coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição. A campanha apontou falta de ônibus em três municípios da Bahia: Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas. Segundo a coligação, as prefeituras não ofereceram frota suficiente para levar os eleitores aos locais de votação, o que descumpriria entendimento do STF sobre transporte público em dias de eleição. Segundo Zanin, o pedido chegou ao Supremo às 16h32. Antes, a campanha já havia pedido ao TSE a prorrogação em pelo menos nove estados, entre eles Pernambuco. O TSE nada fez.
A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) também pediu ao TSE duas horas a mais de votação, por causa das chuvas. O pedido incluía apenas algumas cidades. Em Minas Gerais, Belo Horizonte, Poços de Caldas e municípios da Região Metropolitana com locais de votação sem energia elétrica. No Rio Grande do Sul, citava São Borja, Itaqui e Uruguaiana, atingidas pelas chuvas e pela cheia do rio Uruguai.
Em Salvador, a Justiça Eleitoral mandou prender o secretário municipal de transporte, que estava em Paris. Depois da decisão, a prefeitura liberou todos os ônibus. O prefeito atribuiu o atraso à retirada de propaganda eleitoral. Em Pernambuco, depois de denúncias de falta de ônibus, a desembargadora eleitoral Roberta Viana Jardim, do TRE-PE, determinou em liminar que a circulação na Região Metropolitana do Recife fosse normalizada de imediato, com a frota e as viagens programadas para o segundo turno.
Diante das urnas já encerradas, Zanin publicou nova decisão limitando a prorrogação às seções que ainda estavam abertas. “Determino que a decisão seja cumprida nos locais onde as urnas não foram fechadas, com a posterior totalização dos votos nas condições enunciadas, sendo que, nas urnas que já foram fechadas os votos serão computados e totalizados”, escreveu.
O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, assinou às 17h49 o Ofício-Circular nº 354/2026, enviado aos presidentes dos TREs. O documento orienta que “as seções eleitorais que ainda estiverem abertas permaneçam em funcionamento até as 19h” e pede que os tribunais orientem os juízos eleitorais e as mesas receptoras de votos. O ofício não trata dos eleitores que chegassem a seções já encerradas.
No Recife, a mudança de regras no finalzinho da tarde deixou mesários sem orientação. A professora Izabella Barros, presidente da mesa da seção 444 da 7ª Zona Eleitoral, na Blue School, perto da Ilha do Retiro, conta que às 17h o cartório eleitoral mandou desligar as urnas, retirar as mídias e encerrar a votação. Às 17h38, os mesários foram impedidos de sair e receberam as urnas de volta, já com os portões fechados havia cerca de 40 minutos. “As urnas estão aqui com a gente, mas completamente desligadas, sem mídia, sem nada e sem nenhuma orientação”, relatou.
Segundo Izabella, primeiro chegou a informação de que eleitores poderiam votar em cédula de papel; depois, a de que quem chegasse deveria ouvir que não podia votar. Em seguida, os mesários foram dispensados, os presidentes de mesa ficaram retidos e as urnas foram recolhidas de novo. “Se alguém chegasse a orientação era de que não tem como votar e mandar a pessoa ir embora”, disse.
Outra pessoa que trabalhou na votação, e que pediu para não ser identificada, confirmou a orientação. “A orientação está vindo do cartório eleitoral. As urnas que já foram encerradas, os eleitores não têm como votar”, afirmou. No Colégio Maciel Pinheiro, na Torre, todas as seções também foram encerradas às 17h, segundo uma pessoa que trabalhou no local. Nos três locais, os entrevistados afirmaram que as eleições foram tranquilas e com abstenção menor do que no primeiro turno.
É um coletivo de jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.