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	<title>Arquivo de Opinião - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 30 Jul 2026 17:31:21 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivo de Opinião - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>O Brasil comemora a queda dos homicídios, mas ignora o avanço da letalidade policial </title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Jul 2026 10:22:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[controle da polícia]]></category>
		<category><![CDATA[Edna Jatobá]]></category>
		<category><![CDATA[gajop]]></category>
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		<category><![CDATA[violência policial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Edna Jatobá* A redução das mortes violentas intencionais (MVIs) é uma boa notícia, sem dúvidas. Mas há um dado que vem crescendo na contramão dessa tendência e tem recebido muito menos atenção do que deveria: a letalidade provocada pelas forças de segurança do Estado. A 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública publicada [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Edna Jatobá*</strong></p>



<p>A redução das mortes violentas intencionais (MVIs) é uma boa notícia, sem dúvidas. Mas há um dado que vem crescendo na contramão dessa tendência e tem recebido muito menos atenção do que deveria: a letalidade provocada pelas forças de segurança do Estado.</p>



<p>A 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública publicada em julho de 2026 alerta sobre o fato de que, quando as mortes decorrentes de intervenção policial ultrapassam 10% do total de MVIs, há fortes indícios de uso excessivo da força letal. No Brasil, esse percentual já chegou a 16%.</p>



<p>Em 2025, 6.602 pessoas foram mortas em decorrência da atuação policial, uma média de 18 vidas perdidas por dia e o maior número registrado pelo Anuário desde o início da série histórica, em 2016. O crescimento foi de 5,4% em relação ao ano anterior, no contexto em que os homicídios apresentaram redução.</p>



<p>Esses números também revelam quem são as principais vítimas dessa política de segurança. A letalidade policial atinge de forma desproporcional homens jovens e negros: 79% das pessoas mortas eram negras e 41% tinham entre 18 e 29 anos, evidenciando que o uso excessivo da força também reproduz as desigualdades raciais que estruturam a sociedade brasileira.</p>



<p>O Anuário Brasileiro de Segurança Pública revela que o recurso à força letal por agentes do Estado deixou de ser um fenômeno pontual para se tornar tendência persistente. Em apenas uma década, 60.558 pessoas foram mortas em decorrência de intervenções policiais no Brasil.</p>



<p>Para dimensionar esse número, basta imaginar uma cidade pernambucana como Arcoverde completamente esvaziada de sua população. É como se todos os seus habitantes tivessem desaparecido em razão da violência letal do Estado.</p>



<p>Contra uma força desmedida, apenas outra força institucional de igual intensidade é capaz de restabelecer o equilíbrio. A analogia com a Terceira Lei de Newton ajuda a compreender esse desafio: toda ação produz uma reação de igual intensidade e sentido oposto.</p>



<p>No Estado Democrático de Direito, essa força contrária não deve se traduzir em mais violência. Precisa fortalecer instituições de controle capazes de limitar abusos e prevenir ilegalidades. É justamente para isso que existem os mecanismos de freios e contrapesos.</p>



<p>Agir com proficiência, nesse contexto, significa que os órgãos de controle &#8211; especialmente os Ministérios Públicos, o Poder Judiciário, as corregedorias, as ouvidorias e os mecanismos de prevenção e combate à tortura &#8211; devem exercer suas atribuições de forma tempestiva, técnica, independente e efetiva.</p>



<p>Isso envolve investigar mortes decorrentes de intervenção policial, fiscalizar protocolos de uso da força, promover responsabilização quando houver ilegalidades e produzir mudanças institucionais capazes de evitar a repetição dessas violações.</p>



<p>A tecnologia das câmeras corporais tem se mostrado uma ferramenta indispensável para ampliar a transparência da atuação policial. Sozinha, entretanto, é insuficiente. Sem investigação qualificada, e sem o controle externo efetivo, sem as corregedorias independentes e sem o compromisso institucional com a responsabilização, as <em>bodycams</em> podem transformar apenas em instrumentos de registro, e não de mudança.</p>



<p>Escrevo estas linhas do Recife, capital de Pernambuco, onde as câmeras corporais ainda permanecem como promessa. Não por acaso, o estado registrou um aumento de 30% nas mortes decorrentes de intervenção policial, segundo o relatório <em>Pele Alvo</em>, produzido pela Rede de Observatórios da Segurança, que monitora indicadores de violência e segurança pública em nove estados brasileiros.</p>



<p>Enquanto os homicídios ocupam o centro do debate público, a escalada da letalidade policial segue exigindo respostas institucionais proporcionais à gravidade do problema.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/artigo-edna-pp-1.webp" alt="A foto mostra uma manifestação com grande número de pessoas reunidas, segurando cartazes que pedem o fim da violência policial e a desmilitarização das polícias. Os cartazes, em vermelho e branco, trazem o selo “Diálogos da Ação Petista”, enquanto ao fundo alguns policiais observam a cena próximos a um portão metálico. A imagem expressa um momento de mobilização social e reivindicação por mudanças na segurança pública e no modo como as forças policiais atuam no país." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
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</p>
	                
                                            <span>Crédito: Paulo Pinto/Agência Brasil</span>
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                    </figure>

	


<p>Por tudo que já está evidenciado, tanto pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública quanto por outras iniciativas de produção de dados, é urgente que os Ministérios Públicos tratem como prioridade o controle externo da atividade policial, em consonância com sua atribuição e dever constitucional.</p>



<p>Para que o Sistema de Justiça Criminal funcione, de fato, como um sistema. Alguém precisa vigiar o vigia.</p>



<p>Faço questão de destacar a <a href="https://marcozero.org/pms-torturaram-inocentes-antes-das-execucoes-aponta-ministerio-publico/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>resposta institucional que o Ministério Público de Pernambuco ofereceu à sociedade</u></a> na ocasião do episódio que ficou conhecido como Chacina de Camaragibe, por meio do grupo de atuação conjunta especial. Essa chacina policial ocorreu em setembro de 2023, e teve início após a morte de dois policiais militares durante um confronto em Tabatinga, bairro de Camaragibe, no Grande Recife.</p>



<p>Segundo a denúncia do Ministério Público de Pernambuco, o episódio foi seguido por uma operação de vingança conduzida por policiais militares, que resultou na execução de familiares do suspeito, além de outras graves violações de direitos humanos. O caso ganhou repercussão nacional após parte das execuções ser transmitida ao vivo por uma das vítimas nas redes sociais.</p>



<p>Quando o controle externo funciona, ele responsabiliza os autores de abusos e rompe com a lógica da impunidade. A atuação do MPPE no caso da Chacina de Camaragibe demonstra que investigações independentes, céleres e tecnicamente qualificadas são capazes de reconstruir a dinâmica dos fatos, revelar violações inicialmente invisíveis e fortalecer a confiança da sociedade nas instituições.</p>



<p>A busca pela identificação da conduta criminosa e a responsabilização dos seus autores em paralelo com o efeito pedagógico inibidor de futuros abusos. O fruto dessa atuação, combinada à outros fatores, reduziu em 44% o número de mortes decorrentes da atividade policial no ano seguinte à chacina que foi investigada. Os autores que executaram as vítimas diretamente e também a cadeia de comando foram apontados para responsabilização.</p>



<p>É evidente que o ordenamento jurídico brasileiro prevê hipóteses em que o uso letal da força por agentes de segurança é legítimo. Quando um policial age para proteger a própria vida ou a de terceiros diante de uma ameaça concreta e iminente, a legislação reconhece a possibilidade de incidência das excludentes de ilicitude, como a legítima defesa e o estrito cumprimento do dever legal. Mas o problema é outro!</p>



<p>Podemos afirmar, com segurança, que todas as mais de seis mil mortes decorrentes de intervenção policial registradas em 2025 ocorreram nessas circunstâncias?</p>



<p>Os próprios dados disponíveis recomendam cautela. Em muitos casos, as circunstâncias da morte permanecem insuficientemente elucidadas, as investigações não alcançam o nível de profundidade esperado e os mecanismos de controle enfrentam limitações para verificar se o uso da força observou os princípios da legalidade, da necessidade, da proporcionalidade e da responsabilização.</p>



<p>Essa reflexão ganha ainda mais relevância quando observamos outro dado do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Ao contrário da percepção difundida pelo senso comum, a maior parte das mortes violentas de policiais não ocorre em confrontos durante o serviço. A série histórica demonstra que esses óbitos acontecem, predominantemente, em dias de folga e que o suicídio tem sido a principal causa de mortes violentas entre profissionais das forças de segurança.</p>



<p>Esses dados desafiam a narrativa de que o Brasil vive uma guerra permanente entre policiais e criminosos e revelam que o atual modelo de segurança pública também produz adoecimento, sofrimento psíquico e vulnerabilidade para os próprios agentes do Estado.</p>



<p>A saída não passa por restringir a atuação policial quando ela é necessária, contudo, é preciso assegurar que o uso da força seja excepcional, legal e rigorosamente controlado. Polícias valorizadas, bem treinadas, equipadas e submetidas a mecanismos efetivos de transparência e controle externo protegem a população os seus próprios profissionais.</p>



<p>No Brasil que queremos construir, as forças de segurança precisam ser reconhecidas como parte da solução. O confronto deve permanecer como a última alternativa, utilizada apenas nas hipóteses autorizadas pela lei. A prioridade deve estar na investigação qualificada, na inteligência, na cooperação entre instituições e na asfixia financeira das organizações criminosas por meio do bloqueio de bens e ativos.</p>



<p>Somam-se a isso políticas públicas de segurança permeáveis ao controle social e à participação cidadã. É assim que se fortalecem as instituições democráticas e, sobretudo, se preservam vidas.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>*<strong>Edna Jatobá </strong>é coordenadora-executiva do Gajop e integrante do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH)</p>
    </div>



<p></p>
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		<title>Zeis no Recife: os limites da lei nas comunidades pesqueiras</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Jul 2026 10:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Célio H. Rocha Moura* O déficit habitacional e a precariedade das moradias no Brasil são uma questão anacrônica. Por séculos, parte da população habitou, e ainda habita, pequenas estruturas em áreas marginais da cidade. Taludes de rios, morros, subúrbios afastados das centralidades e outras áreas indesejadas pelo capital foram relegadas às populações mais pobres. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Célio H. Rocha Moura*</strong></p>



<p>O déficit habitacional e a precariedade das moradias no Brasil são uma questão anacrônica. Por séculos, parte da população habitou, e ainda habita, pequenas estruturas em áreas marginais da cidade. Taludes de rios, morros, subúrbios afastados das centralidades e outras áreas indesejadas pelo capital foram relegadas às populações mais pobres. A racionalidade neoliberal e a consequente comodificação do solo da cidade priorizou as centralidades e as áreas com maior infraestrutura no ciclo de especulação imobiliária, gerando a espoliação gradual dos moradores que ainda resistem nessas regiões.</p>



<p>No Recife, ainda são recorrentemente removidas as comunidades em áreas centrais. Em 2022, foi autoritária (e suspeita) a remoção das palafitas da Comunidade Entre-Pontes, no Pina, após o incêndio que dizimou 40% das moradias. Hoje, uma praça vazia e um prédio de classe alta ocupam o local. Na Ilha do Leite, desde 2025, as palafitas da comunidade de Roque Santeiro deram lugar a outra área de lazer. Neste ano (2026), mesmo destino tiveram as moradias às margens do canal do Prado, área que vem se consolidando como um novo vetor da expansão imobiliária da Zona Oeste. </p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/beneficiados-de-habitacional-no-pina-sao-cobrados-por-divida-com-condominio/" class="titulo">Beneficiados de habitacional no Pina são cobrados por dívida com condomínio</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/moradia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Moradia</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Já em outras comunidades, não se realiza uma expulsão direta, desde que os espaços possam ser devidamente urbanizados, como partes das comunidades Caranguejo Tabaiares, Bode, Jardim Beira-Rio, Coque, Coelhos e Brasília Teimosa, dentre outras. Muitas das ações nos territórios não são necessariamente negativas, mas também não estão livres das antinomias que envolvem as intervenções estatais em comunidades das áreas centrais.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O que são as Zeis e por que dão sinais de desgaste</h2>



<p>Na década de 1980, a inclusão de assentamentos como esses na política urbana, por meio das Zeis (Zonas Especiais de Interesse Social), fortaleceu o direito à permanência dessas populações em áreas estratégicas. Pela primeira vez, tinha-se um instrumento institucional que, de um lado, reconhecia o direito à ocupação nas áreas centrais e, de outro, antecedia processos de urbanização e regularização fundiária, bandeiras históricas dos movimentos sociais e das periferias da cidade brasileira.</p>



<p>Foi uma vitória do povo e, até certo ponto, uma reparação às famílias que, em décadas anteriores, haviam sido expulsas de seus territórios originais para outras áreas da cidade. A cidade foi pioneira também na criação de mecanismos de consulta, deliberação e participação popular, como o Prezeis. Porém, passados mais de 40 anos dessas experiências iniciais, alguns sinais de desgaste do instrumento podem ser notados, sobretudo nas comunidades urbanas que se denominam tradicionais.</p>



<p>Em termos de novas categorias de Zeis que abarquem as diferenças entre os territórios, houve poucos avanços desde então. Seguindo a antiga Lei de Uso e Ocupação do Solo, de 1996, a nova Lei (recentemente revisada) continua a dupla categorização das Zonas Especiais de Interesse Social entre Zeis-1 (relativas àquelas onde há possibilidade de urbanização e regularização fundiária) e Zeis-2 (destinadas a áreas que podem ser adequadas para promoção de moradia popular). Tem-se aí uma perpetuação de uma lógica estritamente fundiária para lidar com o problema do direito à moradia.</p>



<p>Outros modelos são possíveis, vide a Lei de Ordenamento, Uso e Ocupação do Solo de Salvador. Nela, dentre as 5 categorias de Zeis, foi estabelecida a Zeis-5 como aquelas destinadas a territórios quilombolas e tradicionais na cidade, onde se fazem valer tanto a regularização fundiária como as ações de recuperação ambiental e manutenção das tradições. O resultado da simplificação recifense é que, na cidade, se impõe uma leitura única sobre territórios muito diferentes, que coloca num mesmo barco comunidades seculares de tradição pesqueira, comunidades de morro e ocupações mais recentes.</p>



<p>É verdade que a questão da moradia é o fio unificador das demandas dos territórios populares, sejam eles comunidades pesqueiras ou não. A forma mais violenta de pressão sobre as famílias mais pobres é a expulsão direta de suas residências. O reconhecimento territorial, seguido da urbanização e da regularização fundiária, representa uma emancipação relativa das famílias, que passam a dispor de instrumentos jurídico-técnicos capazes de assegurar seu direito à moradia. Contudo, no Recife, as Zeis promovem uma leitura racional sobre os territórios, ainda direcionada para o diagnóstico das formas e funções dos espaços e edificações das comunidades. Em outros termos, negligenciam outros modos de apropriação dos espaços, ligados às produções econômicas, culturais e às redes de socialização internas.</p>



<p>Pelos critérios formais, dentro de uma Zeis, algumas áreas podem ser destinadas a projetos de urbanização e regularização, enquanto outras são submetidas a processos de reassentamento. O segundo caso é o das áreas consideradas muito precárias ou localizadas em zonas de risco e de proteção ambiental, nas quais critérios de viabilidade técnica definem quais espaços serão urbanizados e quais estarão sujeitos à remoção. Cria-se, assim, uma distinção interna entre territórios, que não corresponde à forma como a comunidade se organiza na prática.</p>



<p>Nas comunidades pesqueiras, o talude dos rios é um desses espaços nos quais se defende a inviabilidade técnica para urbanização e regularização. As áreas lindeiras aos corpos d&#8217;água estão sujeitas à regulação ambiental, pelo Código Florestal e, quando se trata de Unidades de Conservação, pelo Sistema Municipal de Unidades Protegidas. Ocupações e usos nessas áreas só são permitidos em raras exceções, desde que não comprometam os objetivos de conservação estabelecidos por esses instrumentos. Além disso, podem ser enquadradas em áreas de risco, alagáveis ou outra categoria que reforça a incompatibilidade entre localização e ocupação.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/zeis-pesca-768x1024.jpeg" alt="A imagem mostra uma estrutura simples e desgastada, feita de tábuas e chapas metálicas pintadas de azul, com o chão coberto por pedrinhas. No centro, há uma grande prancha de madeira — possivelmente a lateral de um barco — onde se lê “TERRA DE PESCA” em letras grandes e azuis. Ao fundo, outras tábuas também pintadas trazem palavras como “SURURU”, “MARISCO”, “TAINHA” e a frase “PELA ALEGRIA DO POVO DO BODE”. O cenário transmite a atmosfera de um local de pescadores, rústico e autêntico, que celebra a vida simples e o trabalho ligado ao mar e aos frutos dele." class="" loading="lazy" width="548">
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	                                        <p class="m-0">Estrutura improvisada para beneficiamento de pescado no Bode
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Célio Moura/MDU-UFPE</span>
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                    </figure>

	


<p>Mas são justamente essas as áreas habitadas pelos pescadores e pescadoras artesanais. O talude dos rios é também, do ponto de vista logístico, o local mais adequado para a execução das etapas do ofício pesqueiro. A vida do pescador e da pescadora é regulada pelos ciclos da maré. Se a maré estiver propícia à coleta na madrugada, é aí que começa o dia de trabalho. Se for ao meio-dia, à noite ou em qualquer outro horário, são os ritmos da natureza que ditam a vida cotidiana e, por isso, a proximidade com o rio é fundamental. </p>



<p>Além disso, a carga e a descarga do produto da pesca são feitas em portos improvisados, e o material é estocado próximo ao rio ou dentro das moradias ribeirinhas. O beneficiamento dos moluscos acontece nas vias e vielas das comunidades, numa lógica de territorialização que se constrói necessariamente na interface entre a água e o solo.</p>



<p>Isso não significa que as palafitas e a precariedade das margens sejam o lugar mais adequado para se morar. A poluição dos cursos d&#8217;água traz todo o rejeito da Região Metropolitana do Recife para debaixo das casas de madeira. Quando a maré sobe muito, é possível ouvir o barulho do lixo batendo nas tábuas. Ratos, mosquitos e outras pragas se somam ao ambiente das margens, e a saúde dos moradores é afetada pela proliferação de zoonoses. </p>



<p>É justamente por causa dessa insalubridade e da vulnerabilidade a que estão expostos que muitos desses moradores reivindicam a própria remoção. Mas é aí que entra a faceta mais cruel da atuação do Estado. Ao atender ao desespero e ao clamor popular como uma forma &#8220;messiânica&#8221; de salvar as vidas ribeirinhas, justifica o afastamento dessas famílias de seus territórios originais, fragmentando seus modos de vida em conjuntos habitacionais.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Comunidade do Bode: a urbanização expulsa pescadores</h2>



<p>Na Comunidade do Bode, Zona Sul do Recife, a remoção das moradias ribeirinhas é um exemplo dos limites das Zeis e do autoritarismo da ação estatal. Enquanto as áreas internas da comunidade foram contempladas pela urbanização e, mais recentemente, com as reformas promovidas pelo Programa Morar Bem do Governo do Estado de Pernambuco, as moradias de pescadores foram demolidas e os habitantes relocados para os Conjuntos Habitacionais Encanta-Moça I e II.</p>



<p>Nas margens do Bode, por mais de dois anos se acumulam os entulhos da demolição das residências, uma vez que o projeto previsto para a área nunca foi executado. Alguns barracos que ainda permaneceram resistem no meio do lixo e do descampado das demolições, lugares que se tornaram tocas de ratos e outras pragas. Um morador de palafita que fora esquecido no local precisou levantar um cômodo acima do seu barraco para fugir dos roedores que estão se multiplicando. Muitas crianças transitam pelos escombros, tomando &#8220;banho de maré&#8221;, mesmo que as águas estejam escondendo pregos, ripas de madeira e outros materiais ali deixados.</p>



<p>As dificuldades também vão se somando nos novos habitacionais. Em primeiro lugar, há o preço da formalidade. Taxas condominiais, água, energia elétrica e rateios para corrigir problemas na execução das obras tornam a moradia inviável para muitos. Parte dos moradores relata ter sido surpreendida pelas cobranças; outros simplesmente não têm como pagá-las. Em segundo lugar, as normas condominiais representam um novo aparato de contenção da vida de moradores habituados a uma vizinhança próxima e ao uso compartilhado das ruas e vielas. </p>



<p>Em terceiro lugar, e de forma particularmente grave para os pescadores, é praticamente impossível dar continuidade às atividades pesqueiras quando se vive cercado de muros e em blocos de apartamentos. Em projetos afins é preciso se questionar o básico: onde estocar o material de pesca? Onde beneficiar os moluscos? Quem garante a segurança das embarcações às margens do rio? Ao passo que se respondia aos critérios de formalização, urbanização e salubridade, faltou, no planejamento da área, pensar quem era o público a que as intervenções deveriam beneficiar. Faltou diálogo e negociação com os pescadores.</p>



<p>Diante do modelo de habitação que as Zeis tornam possível, muitas das novas unidades habitacionais acabam sendo comercializadas, vendidas ou alugadas. Voltar para a comunidade de origem passa a ser quase inevitável quando a formalidade entra em descompasso com os modos de vida locais. Por isso, vale reafirmar que morar não é apenas ter um teto, mas garantir a reprodução plena dos modos de vida, dos ciclos econômicos e das formas como cada indivíduo, de fato, se relaciona com o espaço.</p>



<p>É preciso fortalecer as Zeis, repovoar os fóruns do Prezeis e reafirmar os instrumentos urbanísticos que garantem às populações mais pobres o direito de permanecer nas áreas centrais da cidade. Mas, acima de tudo, é preciso avançar na discussão, reconhecer os limites dos instrumentos que temos hoje, inclusive os mais progressistas. No fim, o desafio posto é de pensar como a legislação urbanística pode, de fato, responder às demandas dos territórios plurais na cidade.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>Célio H. Rocha Moura é doutor em Desenvolvimento Urbano pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e doutorando em Geografia e Ciência da Informação Geográfica na University of Illinois Urbana-Champaign</p>
    </div>
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		<title>O que é que tem em um parque urbano?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Jul 2026 19:33:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[arborização]]></category>
		<category><![CDATA[concessão privada]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[parque da jaqueira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Isabelle Meunier* Se você esteve em um parque urbano, ultimamente, tente lembrar o que você viu. Você viu alguma árvore com floração surpreendente, em vermelho flamejante, amarelo luminoso ou roxo profundo, de um jeito que você nem sabia existir? Reparou em gradientes impressionistas de verdes de copas que se entrelaçam, embaladas pelo vento? Viu [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Isabelle Meunier*</strong></p>



<p>Se você esteve em um parque urbano, ultimamente, tente lembrar o que você viu. Você viu alguma árvore com floração surpreendente, em vermelho flamejante, amarelo luminoso ou roxo profundo, de um jeito que você nem sabia existir? Reparou em gradientes impressionistas de verdes de copas que se entrelaçam, embaladas pelo vento? Viu crianças correndo sob o olhar de pais e mães, atentos mas seguros, sem as ameaças de automóveis? Ouviu a saudação do bem-te-vi, o anúncio do pitiguari ou o grito do gavião-carijó? Viu muitos canários e bicos-de-lacre comendo frutinhos do capim e a corruíra catando bichinhos em canteiros desordenados? </p>



<p>Pode ser que você tenha visto algum lago, fonte ou mesmo um trecho de rio e havia capivaras e até jacarés, frangos d’água ou uma garça-vaqueira. Viu também pessoas caminhando, correndo, namorando, conversando ou simplesmente respirando e vendo o tempo passar, aproveitando para simplesmente viver, sem artificialidades e estímulos de consumo. Sim, você estava em um parque urbano. </p>



<p>Mas se você visitou algum lugar com estacionamento cheio, barraquinhas variadas, esplanada impermeabilizada, placas de propaganda, telões, música animada, dança e até torcida de futebol, não amigo, você não esteve em um parque urbano. Você foi a um parque de eventos, a uma praça de alimentação, a um boulevard turístico ou a qualquer espaço urbano que pode ser muito legal para compartilhar a vida na sua cidade. Mas, ainda assim, você não teve a experiência proporcionada pela vivência em áreas verdes, não teve a chance de experimentar atividades independentes de apelos consumistas, não despertou seus sentidos com cores, sons e movimentos, lembrando que há vida e beleza além da ruidosa presença humana. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/55125946295_a3b5ab4f64_c-1-300x200.jpg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/55125946295_a3b5ab4f64_c-1.jpg" alt="A imagem mostra um totem digital amarelo instalado em uma área aberta do Parque Santana – Ariano Suassuna, em Recife. No visor do totem há um anúncio da marca “Esportes da Sorte”, com o texto “Melhores cotações” e a foto de uma pessoa sorridente. O entorno apresenta árvores, palmeiras e uma quadra esportiva cercada, com piso de tijolos e céu parcialmente nublado — um ambiente urbano e bem cuidado, típico de um parque público." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Publicidade no Parque Santana, concedido por 30 anos à iniciativa privada.
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Parece, e é, conversa de ambientalista. </p>



<p>A verdade é que o ambientalismo está muito mais atento às necessidades humanas do que o capitalismo tardio que aponta para a financeirização das áreas verdes. Muito mais do que gerar receita financeira, espaços como parques urbanos, praças e outras categorias de áreas verdes, públicas ou privadas, oferecem contribuições que vão além de produtos e serviços valoráveis, pois envolvem saúde física e mental, fortalecimento dos laços comunitários, bem-estar e felicidade das pessoas.</p>



<p>A garantia de oferta de Contribuições da Natureza para as Pessoas (CNP) em áreas verdes não depende de gestão empresarial nem exige geração de receita. Como serviço público essencial, exige, sim, investimentos, mas também muita sensibilidade, envolvimento social e cuidados de manutenção e proteção às formas de vida presentes, criando oportunidades para que as pessoas vivenciem experiências diversas e complexas, só oferecidas pelo ambiente natural. Não serão ingressos, maquininhas de crédito, quiosques e restaurantes que darão sustentabilidade aos parques do Recife, mas sim o compromisso efetivo de gestores e da sociedade com uma visão de cidade que acolhe e valoriza locais onde as pessoas se integram à natureza da qual fazem parte, aprendendo a respeitar sua diversidade, seus ritmos e processos. </p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <ul>
<li>Isabelle Meunier é engenheira Florestal e professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)</li>
</ul>
    </div>
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		<title>Podcast de debate eleitoral (ainda) não é Cazé TV</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jul 2026 21:21:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Eduardo Moura]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Fala Ordinário Podcast]]></category>
		<category><![CDATA[Jones Manoel]]></category>
		<category><![CDATA[Recife Ordinário]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Para começar, um elogio sincero: é muito louvável que um perfil com as características do Recife Ordinário, que em outros tempos seria classificado nas categorias &#8220;humor&#8221; ou &#8220;variedades&#8221;, promova uma discussão eleitoral em seu podcast. Há a possibilidade de que este escriba esteja sendo ingênuo, mas também é preciso ressaltar a digna postura do apresentador [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Para começar, um elogio sincero: é muito louvável que um perfil com as características do <a href="https://www.youtube.com/watch?v=NTuh1Ba3d0A">Recife Ordinário</a>, que em outros tempos seria classificado nas categorias &#8220;humor&#8221; ou &#8220;variedades&#8221;, promova uma discussão eleitoral em seu podcast. Há a possibilidade de que este escriba esteja sendo ingênuo, mas também é preciso ressaltar a digna postura do apresentador Gabriel Oliveira em seu esforço para garantir um mínimo de seriedade na troca de &#8220;ideias&#8221; entre os dois candidatos a deputado federal, o comunista Jones Manoel e um vereador de extrema-direita cujo nome não será publicado neste texto de opinião por questões de higiene.</p>



<p>Por melhores que tenham sido as intenções e motivações de quase todos os envolvidos — à exceção do histérico extremista de direita —, o fato de o debate ter sido transmitido no YouTube não quer dizer que tenha sido um conteúdo de YouTube. Ao contrário, o resultado foi um produto muito semelhante aos aborrecidos e intermináveis debates veiculados desde a redemocratização, em meados dos anos 1980, pela televisão brasileira.</p>



<p>O formato não ajudou. A produção e as assessorias dos debatedores não foram além da batidíssima divisão em blocos temáticos, enormes por sinal, com um candidato perguntando para o outro. E cada um respondendo o que bem entende. Faltou agilidade, mas não só.</p>



<p>Faltou jornalismo. Explico: senti falta de jornalistas profissionais com postura independente e crítica, capazes de tirar Jones e seu oponente das respectivas zonas de conforto. Por exemplo, questionar o comunista como a tal &#8220;esquerda radical&#8221; pode conduzir mudanças políticas sem obter sucesso nas urnas e sem mobilização social; ou perguntar ao direitista por que, em meio a toda sua verborragia, não citou nenhuma vez o nome de Flávio Bolsonaro.</p>



<p>Sem o elemento crítico, o que se viu foram dois monólogos. Ok, talvez seja impossível manter um mínimo de diálogo com aquele vereador direitista. Aliás, cabe parênteses: é provável que, se fosse tal indivíduo uma mulher, logo estaria sendo chamado pelos demais políticos de &#8220;louca&#8221;, &#8220;histérica&#8221;, &#8220;desequilibrada&#8221; e &#8220;tresloucada&#8221;. Como é homem, branco, que bate nas costas dos colegas nos corredores da Câmara Municipal, conta com a complacência até mesmo da bancada (masculina) do PSB, partido de João Campos, seu alvo nº 2 (o número 1 são as vereadoras mulheres, conforme se lê <a href="https://marcozero.org/entre-mimimi-e-silenciamento-camara-do-recife-vira-palco-de-violencia-contra-mulheres/">nessa reportagem da Marco Zero</a>).</p>



<p>Até os cacoetes de candidatos e candidatas de tempos analógicos foram repetidos por Jones e pelo outro. O comunista abusou de iniciar suas réplicas com o surrado &#8220;mais uma vez ele não respondeu&#8221;. Repetitivo e previsível.</p>



<p>Já o extremista de direita espalhava pegadinhas e cascas de bananas irrelevantes, coisas como &#8220;você sabe quanto custa um pneu de ônibus?&#8221; ou &#8220;quantas unidades de saúde têm no estado?&#8221;. Personagens do passado, dinossauros da política, viviam repetindo esse tipo de bobagem surrada. O sindicalista Luiz Antônio de Medeiros, só pra citar um exemplo que lembro de cabeça, fez isso com mais brilho e humor ao perguntar à grã-fina Marta Suplicy se ela sabia onde ficava o bairro de Sapopemba, durante uma disputa para prefeitura de São Paulo em 1996.</p>



<p>Mesmo cansativo e arrastado para quem suportou até o final, o debate foi ótimo para os envolvido. Os debatedores tiveram a oportunidade de se posicionarem como antagonistas na disputa para as vagas na Câmara dos Deputados. Formando quase um núcleo coadjuvante, correndo paralelo à trama principal da novela protagonizada por Raquel Lyra e João Campos.</p>



<p>Se o vereador pôde discursar e fazer jogo de cena para seu público da machosfera radicalizada, Jones Manoel teve competência em se apresentar como um político mais maduro, capaz de transitar por temas diversos, indo além do perfil de revolucionário e capaz de agradar ao chamado &#8220;voto de opinião&#8221; da esquerda. E isso, historicamente em Pernambuco, tem um potencial nada desprezível.</p>



<p>E, finalmente, para o Recife Ordinário, foi pra lá de excelente. Até então o episódio de maior audiência de seu podcast não tinha passado de 63 mil visualizações. No momento em que este texto foi publicado, o debate já caminhava para 270 mil visualizações, sem contar a repercussão nacional. E isso sem que os produtores tenham encontrado um formato e uma linguagem tão intensa, ágil, descontraída e adaptada à internet como as transmissões esportivas da Cazé TV.</p>



<p></p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Recife Ordinário revela: vereador simulou atraso com ajuda da assessoria</span>

		<p class="western" align="left"><!-- wp:paragraph --></p>
<p>Há meses o debate estava anunciado para começar às 19h, mas só teve início às 19h27min porque o vereador extremista chegou atrasado.</p>
<p>Perto do final da <em>live</em>, o clima esquentou quando ele acusou o apresentador e a produção do Recife Ordinário de estarem favorecendo Jones Manoel. Nesse momento, Gabriel Oliveira surpreendeu a todos ao dizer que “não era palhaço” e que o parlamentar estava sendo “escroto e safado”.</p>
<p class="western" align="left"><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>O que o atraso tem a ver com o desabafo do moderador?</p>
<p class="western" align="left"><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Hoje, a equipe do Recife Ordinário <a href="https://www.youtube.com/live/Xv7Ket4JvfM?si=mcuv-ZRfsswZ-D9t">fez uma nova live revelando o que aconteceu nos bastidores</a>, revelando a ligação entre os dois momentos.</p>
<p class="western" align="left"><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>“Ele e a equipe dele se organizaram para nos enganar, para atrapalhar nosso trabalho. E eu não sei por que ele fez isso com a gente”.</p>
<p class="western" align="left"><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Estava combinado que os debatedores teriam de chegar meia hora antes para que tudo fosse testado com antecedência. Na live, os produtores revelaram que os assessores do vereador presentes ao estúdio se mostravam surpresos com o atraso, não sabiam explicar a razão, falando muito por cima que seu chefe estaria com um problema familiar. Em seguida, foi dito que ele só poderia participar online em razão de um imprevisto com sua mãe, e que ele precisava dar suporte a ela.</p>
<p class="western" align="left"><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>“Já estavam me enganando”, desabafou Gabriel. Eram 19h20min. Dois minutos antes, o vereador havia mandando uma mensagem para o whatsapp do apresentador com o seguinte texto: “Meu irmão, deu ruim. Tô com minha mãe. Imprevisto. Faz com ele. Sem bronca”.</p>
<p class="western" align="left"><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Era tudo mentira.</p>
<p class="western" align="left"><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Entre a mensagem por zap e a chegada do vereador foram apenas 10 minutos de intervalo, revelou uma das produtoras.</p>
<p class="western" align="left"><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>As câmeras de segurança do estúdio e de outros estabelecimentos na rua mostraram o vereador passando várias vezes de carro em frente ao local bem antes das 19h. “Ele desceu, ficou esperando começar, poderia ter entrado antes para que o debate começasse na hora certa, mas preferiu irromper, chegar de maneira errada, sem me deixar falar, desrespeitando todas as regras”, contou Oliveira. O extremista acabou sentando na poltrona que estava reservada para o apresentador, mais próxima da câmera, ou seja, ficando mais em evidência no vídeo durante a <em>live</em>.</p>
<p class="western" align="left"><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>“Aturamos tudo isso, fizemos acontecer, mas ele tentou construiu a narrativa para o público dele, que é um público agressivo, que ataca as pessoas, que a gente estava favorecendo Jones. Por isso eu precisava trazer isso, pra mostrar quem é esse cara”, queixou-se.</p>
<p class="western" align="left"><!-- /wp:paragraph --></p>
<p>&nbsp;</p>
	</div>
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			</item>
		<item>
		<title>A final da Copa na comunidade do Poço da Panela</title>
		<link>https://marcozero.org/a-final-da-copa-na-comunidade-do-poco-da-panela/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Samarone Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Jul 2026 20:33:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Jornalismo Crônico]]></category>
		<category><![CDATA[Copa do Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Espanha 1 x 0 Argentina]]></category>
		<category><![CDATA[poço da panela]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Meia hora antes do jogo, Boy me ligou. “Vem pra cá, assistir a Argentina perder”. Fui lá. Fica a dois minutos da minha casa. Quando cheguei, nem de longe lembrava o jogo infame da seleção brasileira, contra o escrete a Noruega. Tinha umas trinta pessoas, de todos os tamanhos e idades, num terreiro ventilado, uma [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Meia hora antes do jogo, Boy me ligou. “Vem pra cá, assistir a Argentina perder”. Fui lá. Fica a dois minutos da minha casa. </p>



<p>Quando cheguei, nem de longe lembrava o jogo infame da seleção brasileira, contra o escrete a Noruega. Tinha umas trinta pessoas, de todos os tamanhos e idades, num terreiro ventilado, uma TV de responsa, cerveja e cachaça rolando pra todo lado, Bode mandando bem no controle de tudo que pudesse ser assado e mastigado, um monte de crianças se divertindo, e aquela esperança de um bom futebol. Foi uma frustração total, consolado apenas com o som na maior altura, com Priscila Sena cantando <em>O choro é livre</em>.<br><br>No derradeiro jogo da Copa, o cenário era de umas dez pessoas, todas torcendo ardorosamente pela Espanha. Destaque para o Mago, cachorro, de raça incerta, apaixonado por Boy, e vice-versa, que tem 11 anos.</p>



<p>“Estou com saudade é do Arruda”, me segredou Boy, se recuperando da bicada que tomou na hora do almoço. Passamos a falar de Naná, o nosso amado gorducho.</p>



<p>O jogo não rendia uma crônica, e Nina lembrou: “ano que vem, quero é ver as meninas jogando”,se referindo à Copa do Mundo das mulheres, no Brasil, em 2027.</p>



<p>O melhor momento do jogo foi o show do intervalo, com a aparição da cantora Shakira. “Ela descobriu a gaia num pote de geléia”, comentou alguém. Bode percebeu que eu estava com fome e passou a me trazer pedaços de assado, despertando olhares gulosos do Mago.</p>



<p>Com o Brasil fora da Copa, restou a famosa “greia” do recifense: “Esse Cucureia, se jogasse aqui, seria apelidado de Cabeleira do Zezé”. </p>



<p>Ninha, de vez em quando soltava a sua felicidade: “Adivinha quem não vai trabalhar amanhã?” Ela mesma levantava o dedo. “Ela tá assim porque está de férias do trabalho”, comentou Boy.”</p>



<p>“Esse Lamine tá é mal”´.</p>



<p>Na prorrogação, o Mago preferiu largar Boy e foi curtir uma “siesta”espanhola.</p>



<p>“Oxe, só na metade do segundo tempo, o locutor falou no nome de Messi”.</p>



<p>“Quem tá mal é o Náutico. Se bobear, vai cair de divisão”, diz Boy, com um sorriso de felicidade.</p>



<p>A maresia foi sacudida com o gol da Espanha, na prorrogação. Parecia que estávamos em Madri. Gritaria, fogos, nos arredores. A raiva que estava engasgada, pelos insultos recorrentes de “macaquitos”, por parte dos argentinos, em jogos contras o Brasil. A criançada embicou na piscina, para comemorar. “São 12 mil litros”, disse Boy, orgulhoso.</p>



<p>O título da espanha foi embalado por pelo brega esfuziante de Priscila Senna.</p>



<p>Voltando pra casa, lembrei que morava no Poço, na conquista do Penta. Foi uma farra gigantesca, no Pátio da Igreja, ao lado de Naná. Lembrei dos vários amigos argentinos, que tenho em Buenos Aires, e de como estariam tristes. Mas os hermanos resolveram imitar o Brasil, no último jogo. Não jogaram nada.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Quando o antirracismo vira performance: a Copa acabou, a luta continua?</title>
		<link>https://marcozero.org/quando-o-antirracismo-vira-performance-a-copa-acabou-a-luta-continua/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Jul 2026 20:08:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Antirracismo]]></category>
		<category><![CDATA[Copa do Mundo 2026]]></category>
		<category><![CDATA[futebol]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Tiago Paraíba* “Por mais que você corra, irmão pra sua guerra vão nem se lixar esse é o X da questão já viu eles chorar pela cor do Orixá?” (Emicida) A Copa do Mundo de 2026 terminou, mas deixou um debate que merece sobreviver ao último apito. Durante semanas, redes sociais, programas esportivos e [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Tiago Paraíba*</strong></p>



<p><strong>“Por mais que você corra, irmão pra sua guerra vão nem se lixar esse é o X da questão já viu eles chorar pela cor do Orixá?” (Emicida)</strong></p>



<p>A Copa do Mundo de 2026 terminou, mas deixou um debate que merece sobreviver ao último apito. Durante semanas, redes sociais, programas esportivos e espaços de opinião foram tomados por discussões sobre racismo, colonialismo, imigração e identidade nacional. Não havia apenas um jogo em disputa; havia também uma disputa por quem ocupava o lugar da maior consciência moral.</p>



<p>Esse fenômeno, embora revele um avanço importante, afinal, o racismo deixou de ser um tema invisível no futebol, também expôs um limite da forma como parte desse debate é conduzida. Em muitos momentos, o antirracismo apareceu menos como um compromisso político permanente e mais como uma performance pública de virtude.</p>



<p>Não se trata de negar a existência do racismo na Argentina, na Espanha, no Brasil ou em qualquer outro país. O racismo é um fenômeno histórico que assume diferentes formas em cada sociedade. O problema surge quando sua denúncia passa a obedecer à lógica do evento, da viralização e, da necessidade de demonstrar superioridade moral diante dos outros.</p>



<p>Durante a Copa, parecia que torcer por uma seleção ou outra definia automaticamente o grau de compromisso de cada pessoa com a luta antirracista. O debate político foi substituído por uma espécie de tribunal das consciências, em que o principal objetivo era identificar quem estava do “lado certo” da história.</p>



<p>Essa dinâmica pouco contribui para enfrentar aquilo que o sociólogo Clóvis Moura identificava como o caráter estrutural do racismo na formação da sociedade brasileira. Moura rompeu com a ideia de que o racismo seria apenas um problema cultural ou comportamental. Para ele, o racismo é uma engrenagem do próprio capitalismo dependente brasileiro, um mecanismo que organiza a exploração do trabalho, a desigualdade e a distribuição do poder. Não é um desvio da democracia; é parte da forma como ela foi construída no Brasil. </p>



<p>Se Moura nos ajuda a compreender as estruturas, Lélia Gonzalez nos ensina a olhar para as dimensões culturais e políticas que sustentam essas estruturas. Ao formular o conceito de amefricanidade, ela mostrou que as experiências dos povos negros e indígenas nas Américas produzem formas próprias de resistência e elaboração política, invisibilizadas por uma leitura eurocêntrica da história. Para Gonzalez, combater o racismo significa transformar as relações de poder e reconhecer os sujeitos historicamente silenciados não apenas fazer denúncias ocasionais quando o tema ganha espaço na mídia. </p>



<p>É justamente essa perspectiva que parece faltar quando o antirracismo se reduz à lógica das redes sociais.</p>



<p>A indignação torna-se episódica. Durante algumas semanas, tudo gira em torno do racismo no futebol. Passada a final da Copa, desaparecem as discussões sobre violência policial, encarceramento em massa, desigualdade educacional, racismo religioso, acesso ao mercado de trabalho, representação política ou financiamento de políticas públicas de igualdade racial.</p>



<p>O algoritmo muda de assunto, e boa parte da militância performática muda junto.</p>



<p>Existe ainda outro efeito preocupante: o antirracismo deixa de ser uma prática coletiva de transformação para se tornar um marcador de distinção moral. Em vez de produzir consciência política, produz hierarquias simbólicas entre aqueles considerados suficientemente “conscientes” e aqueles vistos como moralmente inadequados.</p>



<p>Essa postura pouco dialoga com a tradição do movimento negro brasileiro. Clóvis Moura analisava a resistência negra como prática histórica de organização coletiva da quilombagem às lutas contemporâneas e não como afirmação individual de superioridade ética. Da mesma forma, Lélia Gonzalez insistia que o enfrentamento ao racismo exigia construção política, articulação popular e ruptura com as estruturas coloniais que continuam organizando nossas sociedades.</p>



<p>Vale lembrar que o reconhecimento do racismo como problema estrutural no Brasil não surgiu espontaneamente, muito menos foi uma concessão das elites ou resultado da mobilização nas redes sociais. Foi fruto de décadas de organização e luta do movimento negro brasileiro. Das denúncias do Teatro Experimental do Negro às mobilizações do Movimento Negro Unificado, das formulações de Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento, Abdias do Nascimento e Clóvis Moura, às Marchas Zumbi dos Palmares e à Conferência de Durban, foi essa trajetória que obrigou o Estado brasileiro a reconhecer o racismo e construir políticas públicas de igualdade racial. </p>



<p>É curioso perceber que boa parte dos que hoje protagonizam um antirracismo performático durante grandes eventos raramente se mobilizam para defender esse legado. Não os vemos com a mesma disposição na defesa das cotas raciais, das ações afirmativas, da titulação dos territórios quilombolas ou da agenda de reparação histórica pelos mais de três séculos de escravidão. Também não os vemos na defesa das expressões culturais produzidas pelo povo negro. Pelo contrário: o silêncio costuma prevalecer diante da criminalização do funk, do brega, do hip hop, da capoeira e das religiões de matriz africana, manifestações que historicamente foram alvo de repressão, estigmatização e racismo institucional. Defender o antirracismo implica também defender o direito do povo negro de produzir sua cultura, professar sua fé e afirmar sua identidade sem ser tratado como caso de polícia ou expressão da marginalidade<strong>.</strong> A energia dedicada à performance moral nas redes nem sempre se converte em compromisso com as conquistas concretas construídas pelo movimento negro organizado</p>



<p>A Copa poderia ter sido um ponto de partida. Poderia servir para fortalecer movimentos negros, ampliar o debate sobre ações afirmativas, disputar políticas públicas e consolidar uma agenda antirracista permanente. Mas isso exige abandonar a lógica da performance.</p>



<p>Mais do que disputar quem ocupa o lugar da maior virtude pública, o desafio continua sendo aquele apontado por Clóvis Moura e Lélia Gonzalez: compreender que o racismo não é um acidente moral, mas uma estrutura histórica, e que sua superação exige organização política, transformação social e compromisso permanente.</p>



<p>A Copa acabou. A pergunta que permanece é simples: o antirracismo continuará em campo ou também ficará restrito aos 90 minutos do espetáculo?</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*</strong>Membro da Executiva Nacional do PSOL, militante da Ação Negra e torcedor do Santa Cruz.</p>
    </div>
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		<title>Por que nunca é só futebol</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Samarone Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jul 2026 23:05:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Argentina 2 x 1 Inglaterra]]></category>
		<category><![CDATA[Argentina x Espanha]]></category>
		<category><![CDATA[Copa 2026]]></category>
		<category><![CDATA[final da Copa do Mundo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Sebas Miquel* (com introdução de Samarone Lima) Depois da eliminação vergonhosa do Brasil, fiquei com raiva. De fato, a seleção perdeu a alma, e quando a alma vai embora, nada resta. Só corpos inúteis, errando pelo mundo. E me veio a Argentina, para mostrar o que é a identidade de um povo. Pedi ao [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Sebas Miquel* (com introdução de Samarone Lima)</strong></p>



<p><strong>Depois da eliminação vergonhosa do Brasil, fiquei com raiva. De fato, a seleção perdeu a alma, e quando a alma vai embora, nada resta. Só corpos inúteis, errando pelo mundo. E me veio a Argentina, para mostrar o que é a identidade de um povo. Pedi ao velho amigo e grande fotógrafo argentino, <a href="https://www.instagram.com/sebasmiquel/">Sebas Miquel</a> um texto sobre a a vitória de ontem, contra a Inglaterra. Ele respondeu rápido, no calor da vitória.</strong></p>



<p><strong>***</strong></p>



<p>&#8220;É só futebol&#8221;, expressou Scaloni antes da partida, o mesmo diziam Maradona e Carlos Bilardo em 1986. Mas todos sabemos que nunca é só futebol. Colonialismo, subdesenvolvimento, história, patriotismo, guerra, ditadura, Milei ou neoliberalismo (é a mesma coisa), tudo se entremeia em uma partida, tudo faz parte.</p>



<p>O orgulho argentino vem desde a colônia; por volta de 1800, os ingleses tentaram invadir Buenos Aires e nós os expulsamos com óleo quente e guerra de guerrilhas. As Malvinas depois foram controladas e habitadas pelos ingleses até hoje, com guerra incluída. Então, nunca é só futebol.</p>



<p>O futebol é a nossa última esperança, é o nosso orgulho, a nossa alegria, é pela única coisa pela qual fazemos um país parar. Não voa nem uma mosca, não há uma única alma enquanto joga a seleção, o país para. Talvez a nossa última fronteira de representação, talvez o nosso último vislumbre de identidade em um país devastado pelo imperialismo, onde os que traem estão dentro e fora. É a nossa história.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*Fotógrafo e professor de Filosofia Política na Universidade de Buenos Aires e na Universidade Nacional de La Matanza e de Jornalismo Gráfico na jornalismo gráfico na Universidade Nacional de La Plata. Venceu diversos prêmios internacionais de fotojornalismo.</strong></p>
    </div>
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		<title>Quando o Brasil perdia, a gente chorava. Hoje, tem raiva</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Samarone Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Jul 2026 19:40:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil 1 x 2 Noruega]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[futebol]]></category>
		<category><![CDATA[seleção brasileira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Era o glorioso ano de 1982, eu tinha 12 anos, meu irmão, Tonho, tinha 13. Antes da Copa da Espanha começar, os amigos se juntaram para pintar a rua e contar nos dedos os dias para o primeiro jogo do Brasil, no Monte Castelo, bairro de classe média de Fortaleza. Foi tudo lindo. A cada [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Era o glorioso ano de 1982, eu tinha 12 anos, meu irmão, Tonho, tinha 13. Antes da Copa da Espanha começar, os amigos se juntaram para pintar a rua e contar nos dedos os dias para o primeiro jogo do Brasil, no Monte Castelo, bairro de classe média de Fortaleza.</p>



<p>Foi tudo lindo. A cada jogo, Zico, Sócrates, Éder, e uma constelação de craques embalavam o nosso sonho de ganhar o tetra. Eles pareciam bailar, em campo.</p>



<p>No final do jogo, era correr para a calçada e ficar rindo da vida, com o sambinha maroto feito pelo jogador Júnior, que meu pai detestava: “Voa, canarinho voa/mostra para a Espanha que és um rei\Voa Canarinho voa\ mostra na Espanha o que já sei.”</p>



<p>Até que veio o jogo contra a Itália, quando o miserável Paolo Rossi, o finado Paolo Rossi, acabou com a gente, fazendo os três da vitória. Que Deus o tenha.</p>



<p>Foi a minha primeira grande dor futebolística. Minha e do Tonho.</p>



<p>Fomos para a calçada e começamos a chorar.</p>



<p>Depois de um certo tempo, meu pai percebeu nosso penar, e começou a falar dos jogadores, que ganhavam milhões, e não estavam nem aí, uma coisa tão sem sentido, que pensei em mandar meu pai tomar naquele lugar. Se tivesse feito isso, teria levado uma pisa acompanhada do castigo de ficar uma hora em pé, num canto da sala.</p>



<p>Chorei muito, porque eles eram os melhores, e nos encantavam a cada jogo.</p>



<p>De repente, o fim.</p>



<p>Ontem, no jogo horroroso contra a Noruega, na casa de Boy, no Poço da Panela tinha umas 25 pessoas, entre crianças, adolescentes e adultos. Churrasco e cerveja era boia (perdão pelo trocadilho).</p>



<p>A cada vacilo dos jogadores brasileiros, que pareciam ter medo da bola, mais insultos e impaciência. Escutei o famoso e pernambucaníssimo “vai, miséria!” umas trinta vezes.</p>



<p>Ao final do jogo, não vi nenhuma criança ou adolescente chorando. Havia um descontentamento com a falta de raça, vontade, ousadia, destemor, vontade de vencer.</p>



<p>A imagem de Neymar, um ídolo decadente, discutindo com o goleiro adversário, após fazer um gol que de nada valia, me lembrou das avaliações do meu pai, de 1982.</p>



<p>Eles não estão mais nesta <em>vibe</em> de entregar tudo em campo, em busca da vitória &#8211; ou de uma derrota digna.</p>



<p>Este papel coube ao apaixonante escrete de Cabo Verde, que deu um sufoco tremendo até na poderosa Argentina.</p>



<p>Eles foram a minha alegria, nesta Copa.</p>
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		<title>Parques do Recife sob concessão: bem público ou plataforma de negócios?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 May 2026 16:01:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[concessão]]></category>
		<category><![CDATA[dona lindu]]></category>
		<category><![CDATA[jaqueira]]></category>
		<category><![CDATA[parques urbanos]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[privatização]]></category>
		<category><![CDATA[viva parques]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Vera Freire* Recife assiste hoje a um movimento de transferência da gestão de parte de seus parques urbanos para o setor privado. A concessão dos parques da Jaqueira, Santana, Apipucos e Dona Lindu, por um prazo de 30 anos, é apresentada pela gestão municipal sob o discurso da modernização, da eficiência administrativa e da [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Vera Freire*</strong></p>



<p>Recife assiste hoje a um movimento de transferência da gestão de parte de seus parques urbanos para o setor privado. A concessão dos parques da Jaqueira, Santana, Apipucos e Dona Lindu, por um prazo de 30 anos, é apresentada pela gestão municipal sob o discurso da modernização, da eficiência administrativa e da redução dos custos públicos. Contudo, por trás da promessa de inovação, emerge uma questão central: até que ponto esse modelo protege o interesse coletivo e em que momento passa a transformar espaços públicos em ativos de exploração econômica?<br><br>Como aponta David Harvey, a lógica neoliberal opera por meio da “acumulação por espoliação”, convertendo bens coletivos em ativos econômicos. Nesse contexto, a concessão de áreas públicas pode representar não apenas uma mudança administrativa, mas um processo gradual de mercantilização do espaço urbano, no qual o direito à cidade cede lugar à lógica do mercado. Cabe lembrar que Harvey esteve no Recife na ocasião do debate sobre o projeto Novo Recife, em sua versão original.<br><br>A transformação da cidade em mercadoria não é um fenômeno isolado. A literatura sobre planejamento urbano há décadas aponta como a racionalidade neoliberal converte o valor de uso da cidade em valor de troca. O próprio <em>masterplan</em> da concessionária Viva Parques do Recife evidencia essa lógica ao prever unidades geradoras de caixa, exploração de publicidade, locação de espaços e estratégias de captação comercial ao longo do contrato. Ainda que o acesso permaneça formalmente gratuito, consolida-se um modelo em que a experiência plena do espaço público passa a depender, cada vez mais, da capacidade de consumir. O parque deixa de operar exclusivamente como bem coletivo e passa a funcionar também segundo a lógica do mercado, restringindo o usufruto pleno para alguns.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-13-at-15.36.43-1-300x225.jpeg">
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            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Foto sob a marquise que destinada a um bar mirante, diante do piso de eventos do Parque Dona Lindu.
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Vera Freire/Cortesia</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Esse processo produz consequências sociais importantes. Em experiências semelhantes observadas em outras cidades brasileiras, o acesso não é necessariamente restringido por barreiras físicas, mas por mecanismos sutis de elitização do uso. Na pesquisa realizada para subsidiar o <em>masterplan</em> dos quatro parques, observa-se um alto índice de aceitação do modelo de concessão (95%). Ainda assim, os próprios levantamentos registram ressalvas da população em relação à cobrança de taxas e ao encarecimento do uso de determinados equipamentos. Mesmo sem uma definição clara sobre quais estruturas seriam pagas, as respostas indicavam que eventuais cobranças deveriam ocorrer apenas em equipamentos específicos e com valores acessíveis. Apesar disso, o <em>masterplan</em> não apresenta, de forma específica, quais serviços serão tarifados nem estabelece parâmetros ou referências claras para esses valores.<br><br>Na análise das sugestões e respostas da consulta pública, realizada em 2024, chama atenção o volume significativo de contribuições relacionadas ao Parque da Macaxeira, retirado desse bloco de concessão. O caso desperta interesse especialmente pela dimensão do parque, pelo patrimônio edificado em estado precário de conservação e pela evidente necessidade de requalificação e ativação de seus equipamentos e espaços.<br><br>Em contraste, os parques incluídos na concessão já apresentam uso consolidado, alta frequência e avaliação positiva por parte da população, conforme apontam as próprias pesquisas do masterplan. Além disso, estão inseridos em áreas da cidade com elevada valorização imobiliária e significativa arrecadação de IPTU. Surge, então, uma questão importante: há necessidade de conceder parques que já possuem uso ativo e reconhecimento público (a exemplo do Jaqueira e Santana), enquanto outros espaços urbanos demandam investimentos urgentes de ativação, manutenção e qualificação?</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">O que está previsto para os parques concedidos</span>

		<p>A Marco Zero conseguiu, via lei de acesso à informação, os <em>masterplans</em> dos quatro parques concedidos à iniciativa privada pela Prefeitura do Recife. Masterplan é um documento que define como uma área deve ser desenvolvida — o que será construído, como será operado e quais usos serão permitidos.</p>
<p><a href="https://drive.google.com/file/d/16xw7qSuqxWQVjOFht98J9QW72daTYflz/view" target="_blank" rel="noopener">Confira aqui os planos para os parques do Recife.</a></p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading">A comercialização do solo público</h2>



<p>A ocupação intensiva por eventos privados, a valorização excessiva de áreas comerciais e a centralidade do consumo alteram gradualmente o perfil de quem usufrui desses espaços e a forma como eles passam a funcionar no cotidiano urbano. O projeto previsto para o Parque Dona Lindu prevê quatro áreas de gastronomia: área para espetinhos, dois restaurantes que encontram-se em construção com áreas livres adjacentes para mesas e um bar sobre a marquise projetada pelo escritório do notório arquiteto Oscar Niemeyer, que futuramente ganhará o status de mirante e a melhor contemplação dos shows. Pelas dimensões apresentadas ocupam cerca de 2.000m². É extremamente necessário que as áreas passíveis de comercialização estejam claras para conhecimento e fiscalização por parte da sociedade.<br><br>Recentemente, em São Paulo, críticas feitas pelo vereador e urbanista Nabil Bonduki chamaram atenção justamente para esse deslocamento entre a promessa de qualificação do espaço público e sua crescente exploração econômica. No caso do Vale do Anhangabaú, denúncias e fiscalizações relacionadas ao modelo de concessão levaram a Prefeitura de São Paulo a iniciar o processo de rompimento contratual com a empresa responsável. O problema, portanto, não é apenas jurídico ou administrativo; é essencialmente político. Trata-se de discutir quem gere os espaços públicos e para quem eles passam a funcionar.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/concessao-privada-de-parques-e-elitizar-o-espaco-publico-alerta-urbanista-nabil-bonduki/" class="titulo">Concessão privada de parques é &#8220;elitizar o espaço público&#8221;, alerta urbanista Nabil Bonduki</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/entrevista/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Entrevista</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/bem-viver/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Bem viver</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quem fiscaliza?</strong></h2>



<p>No Recife, o debate ganha contornos ainda mais delicados diante da ausência de mecanismos robustos de controle social. Embora a concessão seja um instrumento previsto legalmente, o modelo adotado pela prefeitura concentra a fiscalização no chamado Verificador Independente, uma “empresa ou consórcio de empresas para auxiliar o poder concedente no acompanhamento e fiscalização da execução deste contrato”, conforme descreve a PCR ao responder uma sugestão da audiência sobre “a formação de um comitê fiscalizador paritário, com usuários/moradores do entorno do parque, profissionais atuantes no espaço público e concessionária”.<br><br>A questão central é que o controle técnico ou grupo consultivo não substitui a gestão democrática. Envolver os usuários junto aos pesquisadores do espaço público da academia, entidades sem fins lucrativos da área do urbanismo e ambiental, além de representante da concessionária e da prefeitura é essencial para a permanente participação democrática.<br><br>É urgente a devida formação do Verificador Independente, o qual o edital da concessão prevê até cinco anos para sua instauração. Sem acompanhamento social imediato e contínuo, decisões sobre usos, eventos, ocupações e investimentos tendem a responder prioritariamente à lógica da rentabilidade, reduzindo a capacidade coletiva de interferir nos rumos desses espaços e em conflito com o princípio da gestão democrática prevista pelo Estatuto da Cidade (Lei 10.257/2001).</p>



<h3 class="wp-block-heading">Disputa sobre o significado do espaço público</h3>



<p>O debate sobre as concessões, portanto, não se restringe à eficiência administrativa. Ele envolve diretamente a concepção de cidade que está sendo produzida. Parques urbanos não são apenas equipamentos de lazer e espaços públicos não são feitos para dar lucro: são infraestruturas sociais, ambientais e democráticas. Funcionam como lugares de encontro, convivência, permanência e construção da vida coletiva, especialmente em cidades marcadas por profundas desigualdades socioespaciais como a cidade do Recife.<br><br>Esse cenário confronta diretamente princípios historicamente defendidos pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), como a gestão democrática da cidade, a justiça socioambiental e a defesa do espaço público como direito coletivo. O alerta feito por arquitetos, urbanistas e entidades da sociedade civil é simples: a cidade não pode ser administrada exclusivamente como uma empresa, onde a eficiência econômica se sobrepõe ao direito à convivência, ao lazer cotidiano e à diversidade de usos sociais.<br><br>Além disso, chama atenção a ausência, no masterplan, de diretrizes mais consistentes voltadas à qualificação ambiental dos parques. Em um contexto de emergência climática, esses espaços não podem ser tratados apenas como áreas de recreação ou ativos econômicos. Parques urbanos são infraestruturas verdes fundamentais para a resiliência das cidades.<br><br>A discussão sobre os parques, no fundo, revela uma disputa mais ampla sobre o significado do espaço público contemporâneo. A concessão não pode se transformar em um cheque em branco para a captura privada de valor sobre bens coletivos. O que está em jogo é a preservação do caráter público da cidade e a garantia de que espaços como a Jaqueira, Santana, Apipucos e Dona Lindu continuem pertencendo, de fato, à população recifense.<br><br>A pergunta que permanece é decisiva: os parques, assim como outros possíveis espaços públicos, continuarão sendo territórios de direitos, convivência igualitária e vida pública ou serão progressivamente convertidos em plataformas de negócios urbanos?</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*Vera Freire</strong> é presidente em Pernambuco do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB/PE). Arquiteta e urbanista, é mestre em Desenvolvimento Urbano pela UFPE e docente da Unicap.</p>
    </div>
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		<item>
		<title>Começou o greenwashing eleitoral</title>
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		<pubDate>Fri, 15 May 2026 17:29:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
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		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Milton Tenório* O meio ambiente não pode ser um acessório de marketing. Em anos eleitorais, a &#8220;maquiagem verde&#8221;, ou greenwashing como se diz em inglês, entra em cena: discursos vazios que buscam votos sem oferecer compromisso real com quem protege o campo, a floresta e a biodiversidade. Quando a ecologia vira apenas propaganda, o [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Milton Tenório*</strong></p>



<p>O meio ambiente não pode ser um acessório de marketing. Em anos eleitorais, a &#8220;maquiagem verde&#8221;, ou <em>greenwashing</em> como se diz em inglês, entra em cena: discursos vazios que buscam votos sem oferecer compromisso real com quem protege o campo, a floresta e a biodiversidade. Quando a ecologia vira apenas propaganda, o desfecho nós já conhecemos: ataques aos biomas, desmatamento desenfreado e o aterro criminoso de nascentes e manguezais — muitas vezes com a conivência do poder público.</p>



<p>É preciso separar o &#8220;parolar&#8221; da ação concreta.</p>



<p>A falta de histórico de participação em conselhos ambientais, de votações favoráveis ao meio ambiente e a ausência de propostas com embasamento técnico revelam o oportunismo. Políticas públicas eficientes não nascem em gabinetes isolados: elas surgem do diálogo com movimentos sociais, ONGs e cientistas que conhecem a fundo a Mata Atlântica e outros biomas.</p>



<p>Outro sinal de alerta é verificar se a autoridade que quer seu voto ignora ou ataca os movimentos sociais, as organizações locais e os cientistas. Quem está no chão da floresta ,nos movimentos socioambientais , sabe onde o desmatamento aperta, o que ele provoca e quais são as pressões econômicas locais.</p>



<p>Sem o apoio de quem já atua na área, as promessas eleitorais raramente se transformam em projetos de lei exequíveis. Para não cair no canto da sereia desses &#8220;oportunistas de plantão&#8221;, vale observar alguns critérios:</p>



<p>O que esse político fez nos últimos quatro anos? Ele votou a favor de pautas que flexibilizam o licenciamento ambiental ou que protegem as áreas de preservação?</p>



<p>Promessas vagas valem pouco. Planos reais citam metas, orçamentos ,projetos socioambientais e parcerias com órgãos de fiscalização.</p>



<p>Esse pré-candidato ou candidato é visto em diálogos com lideranças ambientais apenas agora ou sempre esteve presente nas audiências públicas e denúncias?</p>



<p>De um lado, a emergência climática, os ambientalistas, a ciência e a sobrevivência de várias espécies da fauna e flora; do outro, a retórica e o debate intelectual que, se não sair do campo das ideias (ou da &#8220;parolagem &#8220;), acaba permitindo que a tragédia aconteça.</p>



<p>O &#8220;desenvolvimento&#8221; que ignora a ciência e destrói o futuro dos nossos filhos e netos é uma fraude. A emergência climática já bateu à porta. Não aceite que empurrem um planeta degradado para as próximas gerações.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>*Ativista ambiental , fundador do Movimento Gato-Maracajá e morador de Aldeia.</p>
    </div>
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