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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Ao ser acusado de um crime, fuja pra onde?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Oct 2026 18:57:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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		<category><![CDATA[Flávio Bolsonaro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Thiago Diniz* Antes de tudo, queria começar dizendo que esse texto não é sobre política, é sobre imagem, comunicação e posicionamento. Sempre fui um aficionado por cinema. Até hoje, sou. Lembro bem de assistir, quando criança, a filmes da TV repetidas vezes, já que as emissoras compravam sempre os mesmos títulos e o Netflix [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Thiago Diniz*</strong></p>



<p>Antes de tudo, queria começar dizendo que esse texto não é sobre política, é sobre imagem, comunicação e posicionamento. Sempre fui um aficionado por cinema. Até hoje, sou. Lembro bem de assistir, quando criança, a filmes da TV repetidas vezes, já que as emissoras compravam sempre os mesmos títulos e o Netflix era algo absolutamente distante dos anos 1980, década em que cresci.</p>



<p>Uma das memórias mais claras era o destino de alguns personagens no final dos filmes. Nos roteiros policiais mais previsíveis, o plano era quase sempre o mesmo: assaltar um banco e, com o dinheiro, viver<br>tranquilamente nos trópicos. O que sempre me deixou curioso é que um dos grandes destinos da roubalheira era ninguém menos que nós: o Brasil. Mais especificamente, viver no Rio de Janeiro parecia ser o desejo de muitos gatunos estadunidenses de olhos azuis e bolsos cheios.</p>



<p>Eram os anos da ditadura, e os esforços para construir uma imagem internacional do nosso país eram outros. A visão internacional frequentemente se resumia a alguma fotografia do Pão de Açúcar. Claro que turismo é apenas uma das ferramentas de construção da imagem de um país. O que eu não esperava, diante da minha antiga TV Telefunken de origem alemã, era que, anos depois, Justiça e Eleições também ajudariam a reposicionar o Brasil no imaginário internacional.</p>



<p>As eleições brasileiras passaram a dialogar com disputas políticas em países como Estados Unidos, França, Israel e Sérvia. É interessante observar como símbolos, estratégias de mobilização e narrativas políticas atravessam fronteiras e são apropriados por atores locais. O gesto do “L”, associado à campanha de Lula, também apareceu em manifestações internacionais de resistência à extrema direita. A ex-prefeita de Barcelona fez o &#8220;L&#8221; em referência à resistência contra a extrema direita espanhola. O mesmo gesto<br>tem sido feito em alusão ao receio do avanço da eterna candidata da extrema direita na França, Marine Le Pen. Esses movimentos não significam que o Brasil determine os rumos de outras eleições, mas revelam como repertórios políticos brasileiros passaram a circular além de nossas fronteiras. </p>



<p>No sentido inverso, os Estados Unidos e a Itália aparecem como destinos de políticos brasileiros envolvidos em controvérsias judiciais. E aqui não se trata de discutir culpa, mas de observar o que acontece quando um país passa a ser percebido como possível destino de atores que alegam perseguição política ou buscam distância de conflitos institucionais em seus países de origem. A percepção pública sobre esses movimentos importa tanto quanto os próprios movimentos.</p>



<p>É nesse ponto que a imagem internacional dos Estados Unidos merece atenção.</p>



<p>Durante a Guerra Fria, o país investiu na projeção de valores como liberdade, democracia e superioridade de seu modelo político. O cinema foi uma das ferramentas dessa construção simbólica. Basta lembrar o confronto entre Rocky Balboa e Ivan Drago, em Rocky IV, ou a representação do autoritarismo em Star Wars, de George Lucas. Entre entretenimento e política, narrativas culturais também ajudaram a organizar a maneira como o mundo imaginava os Estados Unidos e seus adversários. Mas o que acontece quando as ações de um país parecem entrar em tensão com os valores que ele projeta internacionalmente?Quando decisões de seu governo são interpretadas como favorecimento a aliados políticos estrangeiros, que impacto isso pode ter sobre sua credibilidade? E como públicos de outros países distinguem a defesa de princípios democráticos do uso estratégico da influência internacional?</p>



<p>A diplomacia pública não se resume ao que um governo diz sobre si mesmo. Ela também depende de como suas ações são percebidas por outros públicos. A imagem de um país não é construída apenas por campanhas oficiais, atrações turísticas ou produções de Hollywood. É construída, sobretudo, na relação entre discurso e prática. A pergunta que fica, portanto, é: os Estados Unidos estão diante de uma crise de imagem ou apenas revelando uma faceta de sua atuação internacional que, durante muito tempo, ficou em segundo plano?</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>Thiago Diniz</strong> é mestre em Marketing pela University of Huddersfield e doutor em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).</p>
    </div>
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		<title>A quarta vitória de Lula e o perigo de usar a fé contra a democracia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Oct 2026 21:10:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Bolsonaro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por João Carvalho* Quando uma pessoa passa a acreditar que votar em determinado candidato é uma obrigação diante de Deus, sua liberdade de escolha começa a ser ameaçada. A fé pode orientar a vida de cada um, mas não deveria servir para impor posições políticas ou condenar quem pensa diferente. A quarta vitória de Luiz [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por João Carvalho*</strong></p>



<p>Quando uma pessoa passa a acreditar que votar em determinado candidato é uma obrigação diante de Deus, sua liberdade de escolha começa a ser ameaçada. A fé pode orientar a vida de cada um, mas não deveria servir para impor posições políticas ou condenar quem pensa diferente. A quarta vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, em 25 de outubro de 2026, traz de volta uma discussão importante para o Brasil, especialmente depois de anos em que parte das lideranças religiosas se aproximou do bolsonarismo e passou a defender suas posições políticas dentro e fora das igrejas.</p>



<p>A eleição também representa um acontecimento histórico pela trajetória pessoal do presidente reeleito. Em 1945, nascia em Caetés, então distrito de Garanhuns, no Agreste pernambucano, um menino pobre, filho de trabalhadores rurais, numa época em que a pobreza atingia milhões de brasileiros e pesava ainda mais sobre o Nordeste.</p>



<p>Aos sete anos, Lula acompanhou a mãe, dona Lindu, e os irmãos numa viagem de pau de arara rumo a São Paulo. Foram treze dias e treze noites na estrada, alimentando-se basicamente de rapadura e farinha, na esperança de encontrar uma vida melhor. Anos depois, o menino que conheceu a fome e as dificuldades de uma família pobre conseguiria fazer um curso no Senai, trabalhar como metalúrgico e chegar à liderança de um dos mais importantes movimentos sindicais do país.</p>



<p>Aquele trabalhador participaria da fundação de um partido político e se tornaria presidente da República. Agora, conquistou pela quarta vez, pelo voto popular, o cargo mais importante do Brasil. É uma história impressionante, que merece ser reconhecida independentemente das preferências políticas de cada um. Isso não significa deixar de fazer críticas ao seu governo, quando necessárias, mas reconhecer a importância de uma trajetória que começou numa das regiões mais pobres do país e chegou à Presidência da República.</p>



<p>A trajetória de Jair Bolsonaro foi bastante diferente. Nascido no interior de São Paulo, seguiu carreira no Exército e ganhou projeção pública durante conflitos com seus superiores, antes de entrar na política. Eleito vereador do Rio de Janeiro em 1988, chegou à Câmara dos Deputados em 1991 e construiu uma carreira na qual os filhos passaram a ocupar espaço cada vez maior. Enquanto Lula chegou à vida pública por meio dos sindicatos e das lutas dos trabalhadores durante a ditadura militar, Bolsonaro saiu dos quartéis para a política e formou um grupo familiar com forte presença no poder. São caminhos distintos que ajudam a entender a formação política de cada um.</p>



<p>A vitória de 2026 ganha ainda mais importância quando observamos o ambiente em que aconteceu. Lula enfrentou Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente, e precisou reverter uma desvantagem no primeiro turno. Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula ficou com 45,16%. Três semanas depois, o resultado mudou, e o presidente foi reeleito com 51,79%, contra 48,21% do chamado “Zero Um” entre os filhos de Bolsonaro, segundo os dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral.</p>



<p>O cientista político André Singer, em entrevista à Folha de S.Paulo, apontou fatores que ajudam a entender essa virada. Lula passou a falar mais diretamente dos problemas enfrentados pela população, especialmente das dificuldades econômicas. Ao mesmo tempo, houve uma grande mobilização popular depois do primeiro turno, acompanhada pelo fortalecimento da campanha nas redes sociais, com destaque para o trabalho do deputado André Janones.</p>



<p>Essa mudança ajudou Lula a recuperar terreno numa disputa marcada por ataques às instituições e pela desconfiança alimentada contra o processo eleitoral. O resultado teve, portanto, um significado que foi além da escolha de um presidente, porque ocorreu depois de um período em que as regras da democracia brasileira foram colocadas à prova.</p>



<p>Uma vitória de Flávio Bolsonaro não significaria, necessariamente, a realização de um novo golpe de Estado. Ele também não pode responder pelos crimes do pai. Mas seria impossível ignorar os riscos ligados ao retorno ao poder de um movimento que já demonstrou disposição para enfrentar as regras democráticas. Jair Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado, entre outros delitos. A condenação se tornou definitiva em novembro de 2025, e o ex-presidente cumpre pena em prisão domiciliar humanitária.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Os sinais do autoritarismo</h2>



<p>É nesse ponto que o livro <em>Como as democracias morrem</em>, de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, ajuda a entender os perigos que o Brasil enfrentou e ainda enfrenta. Os autores mostram que uma democracia nem sempre acaba por meio de um golpe militar. Muitas vezes, ela começa a perder força pelas mãos de governantes eleitos, que usam seus cargos para atacar as instituições e enfraquecer os mecanismos criados para impedir abusos.</p>



<p>Levitsky e Ziblatt identificam quatro sinais importantes de comportamento autoritário. Eles aparecem quando políticos rejeitam as regras democráticas, deixam de reconhecer os adversários como participantes legítimos da disputa, aceitam ou incentivam a violência e demonstram disposição para limitar direitos e liberdades, inclusive o trabalho da imprensa.</p>



<p>Boa parte desses comportamentos esteve presente no bolsonarismo. Os ataques à confiança nas urnas eletrônicas, as ameaças dirigidas às instituições, a hostilidade contra jornalistas e a maneira como adversários políticos foram tratados mostram que o problema ultrapassou os limites de uma disputa normal entre partidos. O ataque às sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023, foi uma das demonstrações mais graves desse processo.</p>



<p>A história mostra que movimentos autoritários podem crescer quando o medo, a intolerância e a violência passam a fazer parte da vida política. Foi o que aconteceu, em circunstâncias diferentes, com o fascismo na Itália e o nazismo na Alemanha. Em A anatomia do fascismo, o historiador Robert O. Paxton explica que, para entender esses movimentos, é preciso observar suas ações, as alianças que estabelecem e a maneira como procuram conquistar e manter o poder.</p>



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<p>Essa análise permite reconhecer semelhanças com o bolsonarismo, especialmente a valorização quase absoluta de um líder, a ideia de que somente um grupo representa os verdadeiros interesses da nação, a criação de inimigos internos e a tentativa de justificar a violência como resposta aos conflitos políticos. Isso não significa que o bolsonarismo seja uma cópia do fascismo italiano ou do nazismo alemão. Os contextos históricos são diferentes, e o projeto nazista teve no racismo e no extermínio de milhões de pessoas características que não podem ser equiparadas aos acontecimentos brasileiros. Mas essas diferenças não impedem que sejam identificados comportamentos autoritários semelhantes.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Quando a fé vira instrumento político</h2>



<p>No Brasil, esse tipo de política ganhou uma dimensão especialmente preocupante quando passou a utilizar a religião para conquistar apoio e desqualificar adversários. Nos últimos anos, algumas lideranças evangélicas, incluindo setores neopentecostais, passaram a defender o bolsonarismo de maneira cada vez mais aberta. Em determinados casos, a preferência por um candidato deixou de ser apresentada como uma opinião política e ganhou o peso de uma orientação religiosa, como se a escolha eleitoral estivesse ligada à fidelidade a Deus.</p>



<p>É um caminho perigoso porque a relação entre um fiel e sua liderança religiosa envolve confiança e questões profundas da vida pessoal. Quando essa confiança é usada para provocar medo, culpa ou rejeição a quem pensa diferente, a religião passa a funcionar também como instrumento de pressão política. O problema não está em pastores, padres ou integrantes de qualquer religião participarem da política, pois todos têm esse direito. O problema aparece quando uma liderança tenta convencer seus seguidores de que existe apenas uma escolha eleitoral aceitável para quem deseja permanecer fiel à sua crença.</p>



<p>Também seria injusto afirmar que todas as igrejas evangélicas agem dessa maneira. O universo evangélico brasileiro é diverso, e muitas comunidades rejeitam a imposição partidária. Um estudo realizado pela More in Common Brasil e pelo grupo Passagens, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, encontrou propaganda eleitoral em apenas 3,2% das 7.456 celebrações religiosas transmitidas publicamente e analisadas antes do primeiro turno de 2026. A pesquisa não acompanhou conversas privadas nem grupos de mensagens, mas seus resultados mostram por que é preciso evitar generalizações.</p>



<p>A crítica deve se dirigir às lideranças e aos grupos que utilizam a fé para pressionar eleitores, espalhar informações falsas ou transformar adversários em inimigos. Quando isso acontece, a política passa a ser apresentada como uma disputa entre o bem e o mal, na qual discordar pode ser tratado como uma ameaça à própria religião. Essa forma de agir prejudica o debate democrático e também desrespeita a liberdade de consciência dos fiéis.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O Estado laico e a liberdade religiosa</h2>



<p>Foi nesse ambiente que uma das passagens mais importantes do discurso de Lula, depois da vitória, ganhou um significado especial. O presidente afirmou que todas as religiões seriam respeitadas em igualdade de condições e que não tinha preferência por nenhuma delas. Em seguida, declarou que “ao Estado laico cabe garantir a liberdade religiosa plena para que as pessoas possam exercitar a sua fé com plenitude”.</p>



<p>A fala recupera um princípio fundamental da Constituição de 1988. O Brasil é um Estado laico, o que significa que o poder público não deve favorecer uma religião nem usar suas decisões para impor crenças à população. Sua responsabilidade é garantir que todas as pessoas tenham liberdade para seguir a religião que desejarem ou simplesmente não seguir nenhuma.</p>



<p>Um Estado laico não é um Estado contrário à religião. É a separação entre o poder político e as instituições religiosas que ajuda a proteger a liberdade de cada cidadão. Num país com tantas crenças diferentes, essa garantia é essencial para que católicos, evangélicos, espíritas, seguidores das religiões de matriz africana e pessoas sem religião possam viver com os mesmos direitos.</p>



<p>O próprio Lula, naquele mesmo discurso, agradeceu a Deus e falou da importância da fé em sua trajetória. Não existe contradição obrigatória entre essa manifestação pessoal e a defesa da laicidade. O presidente tem direito às suas crenças, assim como qualquer cidadão, mas precisa governar sem transformar sua religião em uma regra para toda a sociedade. E esse compromisso deve valer para qualquer pessoa que ocupe a Presidência da Brasil.</p>



<p>Levitsky e Ziblatt também lembram que a democracia depende do respeito aos adversários e do compromisso de não usar o poder para enfraquecer as instituições. Isso significa que os quase 60 milhões de brasileiros que votaram em Flávio Bolsonaro não podem ser tratados como um grupo único de extremistas. Entre esses eleitores existem pessoas com opiniões e preocupações diferentes, incluindo muitas que não apoiam tentativas de golpe ou ataques às instituições.</p>



<p>Mas é inaceitável e inacreditável que se vote em alguém com uma trajetória marcada pelo alinhamento com o fascismo e a intolerância (destacando a religiosa). Vindo de um base familiar com histórico de homofobia, racismo, autoritarismo, conhecidos como violentos, reacionários, ultraconservadores, militaristas, armamentistas, antipluralistas, misóginos, homofóbicos, racistas, capacitistas e intolerantes.</p>



<p>Lula terá pela frente um país dividido e um Congresso conservador. Seu desafio será governar para todos, inclusive para quem não votou nele, sem abrir mão da defesa das instituições e dos direitos democráticos. A vitória nas urnas lhe dá a responsabilidade de buscar caminhos para diminuir os conflitos e reconstruir a confiança de uma sociedade que passou anos convivendo com a intolerância política.</p>



<p>A quarta vitória do pernambucano Luiz Inácio Lula da Silva será lembrada como um acontecimento histórico, tanto pela trajetória do menino pobre que saiu do Nordeste quanto pelo resultado de uma eleição marcada por fortes conflitos políticos. Mas seu significado não deve ficar restrito à conquista de mais um mandato. Existe também a oportunidade de fortalecer uma democracia que enfrentou ameaças graves e ainda precisa aprender a conviver melhor com as diferenças.</p>



<p>O Brasil terá dado um passo importante quando nenhum cidadão precisar escolher entre respeitar sua religião e exercer livremente seu direito de voto. A história daquele menino que deixou o Agreste pernambucano ao lado da mãe mostra o quanto um país pode mudar. Que essa nova etapa também ajude o Brasil a compreender que a fé merece respeito, a liberdade não pode ser negociada e a democracia precisa ser protegida por todos, independentemente de quem vence uma eleição.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><b><span style="color: #000000;">João Carvalho </span></b><span style="color: #000000;">é jornalista, pesquisador e mestrando em Ciências da Religião.</span></p>
    </div>
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		<title>Tetra. E muito além dos números</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Oct 2026 18:59:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[virada de Lula]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Jane Santos* Vencemos. E ainda estou tentando encontrar palavras para a dimensão do que vivemos ontem. O tanto de emoção e choro, abraçadas, eu e minha filha. Em meio aos gritos emocionados da vizinhança, parte expressiva da classe média alta, sim da classe média alta. Houve os números: 64.256.232 votos, 51,79% dos válidos e [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Jane Santos*</strong></p>



<p>Vencemos.</p>



<p>E ainda estou tentando encontrar palavras para a dimensão do que vivemos ontem. O tanto de emoção e choro, abraçadas, eu e minha filha. Em meio aos gritos emocionados da vizinhança, parte expressiva da classe média alta, sim da classe média alta.</p>



<p>Houve os números: 64.256.232 votos, 51,79% dos válidos e a confirmação de Lula para um quarto mandato. Uma virada histórica.</p>



<p>É tetra! E não consigo deixar de pensar na imagem: quatro mandatos, como os quatro dedos da mão de Lula — justamente um homem tantas vezes atingido pelo etarismo e pelo capacitismo.</p>



<p>Mas os números, sozinhos, não contam o que aconteceu. Cada número tinha rosto.</p>



<p>Adolescentes e jovens nas ruas. Pessoas com deficiência. Idosos que já nem eram obrigados a votar e foram. Nordestinos atravessando distâncias para voltar à sua terra depois de tantas humilhações dirigidas a quem somos.</p>



<p>Era memória. Superação. Dignidade. Direitos. Soberania.</p>



<p>Era gente dizendo: nós existimos. nós lembramos. nós temos esperança. nós também decidimos o Brasil.</p>



<p>E Lula falou para o país que governará para todos, respeitando a Constituição e dialogando inclusive com um Congresso mais conservador. Será dificil. Mas, estamos juntos. O gostinho de ruas cheias pegou.</p>



<p>Quase imediatamente vieram cobranças de parte da mídia e do mercado: e o ajuste fiscal? E os gastos? E o pacote econômico?</p>



<p>Ora, bolas. Naquele primeiro discurso, quase sem voz e ainda tomado pela emoção, ele falava de democracia, que estava em risco, soberania, educação, SUS, economia digital, tecnologia e segurança. E que logo conversaria com os empresários. Haveria mesmo de transformar a celebração de uma vitória histórica numa planilha de cortes?</p>



<p>Há tempo para celebrar e há tempo para governar. A agenda econômica existe, o programa prevê controle fiscal e a equipe já discute medidas de ajuste.</p>



<p>Mas talvez parte do chamado mercado precise se lembrar de uma coisa: o Brasil não é uma planilha.</p>



<p>É um país. Com gente. Com voto. Com sede de direitos. Com memória. Com democracia.</p>



<p>E, como se a própria noite, com uma lua cheia linda a também celebrar, precisasse nos lembrar por que tudo isso importa, o candidato derrotado anunciou que não reconhece o resultado e que tentará anulá-lo — embora a questão que contesta tenha envolvido pedido de ambas as candidaturas. E envolve aproximadamente 35 mil votos que, se todos fossem destinados ao patético reclamante com seu DNA Golpista de sempre, não superariam os mais de 4, 4 milhões de dianteira de Lula. Faz-me rir.</p>



<p>Então, não. Não passarão (minha homenagem aos fantásticos <a href="https://www.youtube.com/channel/UC2bZgihqibFD_vhaYEXQZFg">Galãs feios</a>).</p>



<p>Oposição é democracia. Questionamento pelas vias legais é democracia. Discordância é democracia. Mas democracia começa por algo elementar: o voto do povo precisa valer. E ontem o povo fez bonito. Que escolha!</p>



<p>E eu quero guardar as imagens: o jovem na rua. a pessoa com deficiência chegando à urna. o idoso que fez questão de votar, alguns, mesmo em condições adversas de saúde. o nordestino voltando para casa, a mão apertando a tecla, a lágrima, o abraço, a bandeira.</p>





<p>E Lula, eleito para o quarto mandato. Tetra.</p>



<p>Hoje eu me permito celebrar. A memória. A superação. A esperança. A dignidade. Os direitos.<br>A soberania. A democracia.</p>



<p>Porque o Brasil não pertence ao ódio, ao escárnio, ao preconceito ou à humilhação.</p>



<p>O Brasil pertence ao seu povo. E ontem o povo falou.</p>



<p>Vencemos.</p>



<p>E, desta vez, eu confesso em plenitude:</p>



<p>lavamos a alma. Vitória do Brasil com S!</p>
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		<title>Sem Tarcísio, Nikolas ou Michelle nas urnas, o eleitor sairá de casa por Flávio?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Oct 2026 19:52:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[abstenção]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Rodrigo de Abreu Pinto* A abstenção é uma pedra no sapato do presidente Lula. Em 2022, ele liderava as pesquisas com folga, mas bastava abrir as urnas para Jair Bolsonaro encostar. Os institutos de pesquisa logo se tornaram alvo de críticas, ao menos até que o cientista político Antonio Lavareda explicasse o fenômeno em [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Rodrigo de Abreu Pinto*</strong></p>



<p>A abstenção é uma pedra no sapato do presidente Lula. Em 2022, ele liderava as pesquisas com folga, mas bastava abrir as urnas para Jair Bolsonaro encostar. Os institutos de pesquisa logo se tornaram alvo de críticas, ao menos até que o cientista político Antonio Lavareda explicasse o fenômeno em comentado artigo na Folha de São Paulo.</p>



<p>Segundo o cientista político <a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2022/10/lavareda-responde-a-ataque-a-pesquisas-e-explica-discrepancias.shtml">Antônio Lavareda</a>, os institutos erraram no primeiro turno porque uma boa parte do eleitorado de Lula não apareceu para votar. O que explica por que a vantagem sempre diminuía na hora da apuração.</p>



<p>Para entender o que aconteceu, Lavareda fez uma conta em dois passos. Primeiro, calculou as intenções de voto das pesquisas sobre o eleitorado total, e não apenas sobre os votos válidos, como costuma ser divulgado. Depois, comparou esses números com os votos que cada candidato recebeu.</p>



<p>Fazendo assim, confirmou que Bolsonaro teve nas urnas praticamente o que as pesquisas previam, enquanto Lula teve menos. A conclusão era uma só: parte do eleitorado lulista não foi votar.</p>



<p>A explicação disso estaria no próprio perfil desse eleitor. O grosso do eleitorado de Lula está entre os mais pobres, justamente quem tem mais dificuldade para comparecer às urnas, por motivos que incluem a distância até a seção eleitoral, o dinheiro da passagem e a falta de alguém com quem deixar os filhos. E o mesmo vale para os idosos, faixa em que Lula também leva vantagem.</p>



<p>Essa pedra no sapato de Lula não desapareceu em 2026. Segundo a mais recente pesquisa da <a href="https://oglobo.globo.com/blogs/pulso/post/2026/10/quaest-43percent-dos-que-anularam-votaram-em-branco-ou-nao-foram-as-urnas-no-primeiro-turno-declaram-voto-em-lula.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Quaest</a>, entre os que não compareceram no primeiro turno, 43% dizem apoiar o petista, e 38%, Flávio — uma diferença que, aplicada sobre os 33,5 milhões de eleitores ausentes, representaria cerca de 1,7 milhão de votos a mais para Lula.</p>



<p>A campanha petista entendeu o recado e passou a concentrar esforços em convencer quem ficou em casa no primeiro turno. O <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/eleicoes/lula-diz-que-fara-apelo-contra-abstencoes-no-2o-turno/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">próprio Lula falou</a> disso no primeiro discurso após o resultado: “Tivemos 33 milhões de pessoas que não votaram e vamos fazer um apelo para que as pessoas saibam que o voto é necessário para decidir o futuro do país”.</p>



<p>Neste segundo turno, no entanto, quem mais tem a sofrer com a abstenção é Flávio Bolsonaro. Explico por quê.</p>



<p>Bem diferente do pai, que arrastava votos para tudo que é candidatura de direita, Flávio é quem precisa ser puxado. Basta olhar para os demais nomes que chegaram a ser cogitados para a disputa presidencial, como Michelle Bolsonaro (PL-DF), Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Nikolas Ferreira (PL-MG). Todos mais carismáticos do que Flávio e que, por conta disso, serviram de cabos eleitorais dele nos estados, e não o contrário.</p>



<p>O mesmo se vê entre vários dos governadores que disputaram o primeiro turno, como Cleitinho (PL-MG), Eduardo Riedel (PP-MS), Jorginho Mello (PL-SC) e Luciano Zucco (PL-RS). Todos tiveram, em seus estados, votação maior que a de Flávio.</p>



<p>Nas disputas para as casas legislativas, o fenômeno também salta aos olhos. Peguem-se nomes como Guilherme Derrite (PP-SP), Lucas Pavanato (PL-SP), Eduarda Campopiano (PL-SP), André Fernandes (PL-CE) e Bruno Engler (PL-MG). Todos empolgaram a militância de um jeito que Flávio não conseguiu em nenhum momento da campanha.</p>



<p>Todos os nomes citados têm uma coisa em comum: não estarão nas urnas no próximo domingo (25). Até mesmo os governadores, que liquidaram a fatura já no primeiro turno.</p>



<p>Sem esses nomes na disputa, muitos eleitores que votaram em Flávio a reboque deles terão menos motivos para voltar às urnas. E isso se soma a um padrão já observado em outras eleições: em estados sem disputa estadual no segundo turno, a abstenção tende a ser maior que nos demais.</p>



<p>Alguém pode dizer que *pau que bate em Chico bate em Francisco*, pois o mesmo raciocínio se aplicaria a Lula nos estados em que governadores aliados se elegeram no primeiro turno, caso da Bahia, do Ceará e do Piauí.</p>



<p>A diferença é que, em todos eles, Lula foi mais votado que os próprios governadores. Ou seja, foi ele quem puxou os governadores, e não o oposto. Faz sentido esperar que esses mesmos eleitores voltem às urnas no domingo.</p>



<p>A campanha de Flávio percebeu o risco e lançou o “Flaviômetro”, um site que monitora quais políticos de direita estão pedindo voto para ele nas redes sociais. Também tem levado nomes como Nikolas Ferreira a caminhadas pelo país, inclusive fora de seus estados, os chamados “bloquinhos”. O objetivo é manter os já eleitos mobilizados e evitar o efeito descrito aqui.</p>



<p>A abstenção continua sendo um problema de Lula. Mas Flávio também depende de quantos eleitores de Tarcísio, Cleitinho, Nikolas e Pavanato vão sair de casa no domingo.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong><span style="font-family: Merriweather, serif;"><span style="font-size: medium;"> *Rodrigo de Abreu Pinto </span></span></strong><span style="font-family: Merriweather, serif;"><span style="font-size: medium;">é a</span></span><span style="font-family: Merriweather, serif;"><span style="font-size: medium;">dvogado, filósofo e presidente do Instituto Brasileiro de Finanças Digitais</span></span></p>
    </div>
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		<title>Quando o jornalismo fabrica antagonismos: quem ganha com a polarização?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Oct 2026 19:17:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[antifeminismo]]></category>
		<category><![CDATA[debate público]]></category>
		<category><![CDATA[direitos das mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[economia da atenção]]></category>
		<category><![CDATA[ética jornalística]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[Fundaj]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Laberp]]></category>
		<category><![CDATA[mídia]]></category>
		<category><![CDATA[polarização]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Carolina Marsicano e Maria Eduarda Antonino, pesquisadoras do Laberp/Fundaj, relatam o que aconteceu num debate promovido por um jornal de grande circulação. A pergunta foi alterada depois do convite, e elas foram mantidas no campo do “não” para uma questão à qual responderiam “sim”. A partir do episódio, as autoras discutem como a busca por audiência leva veículos a fabricar antagonismos e a expor a credibilidade de quem aceita participar do debate público.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Ana Carolina Marsicano* e Maria Eduarda Antonino**</strong></p>



<p>A ascensão política de mulheres antifeministas representa uma derrota para o feminismo? Não. A ascensão de pautas antifeministas representa uma ameaça aos direitos das mulheres? Sim.</p>



<p>As duas respostas não são contraditórias. Mas foi justamente essa distinção que desapareceu quando aceitamos participar de um debate promovido em um jornal de grande circulação. Fomos inicialmente convidadas a responder à primeira pergunta, sobre a ascensão de mulheres antifeministas e uma possível derrota do feminismo. Nossa resposta seria não. Afinal, a presença crescente de mulheres que fazem do antifeminismo uma plataforma política não representa, necessariamente, uma derrota do movimento feminista. É também expressão de uma disputa em torno das transformações sociais produzidas pelo próprio feminismo.</p>



<p>Posteriormente, a pergunta foi alterada. O debate passou a questionar se a ascensão política de pautas antifeministas representava uma ameaça às mulheres. Nossa resposta, naturalmente, seria sim. Entretanto, fomos informadas de que deveríamos permanecer no campo do não. O resultado foi a construção de uma oposição que não corresponde às nossas posições políticas e intelectuais. De um lado, uma pesquisadora do campo progressista respondendo sim. Do outro, nós, também pesquisadoras comprometidas com os direitos das mulheres, apresentadas como representantes da posição contrária. Não se tratava de uma divergência política real. Tratava-se de duas interpretações sobre questões distintas, reorganizadas editorialmente para funcionar como respostas antagônicas a uma mesma pergunta.</p>



<p>A diferença não é pequena. Uma coisa é afirmar que o feminismo não foi derrotado pela ascensão de suas adversárias. Outra, muito diferente, é sugerir que projetos antifeministas não representam ameaças às mulheres. A primeira afirmação reconhece a capacidade histórica de transformação e resistência do feminismo. A segunda poderia significar a minimização de riscos concretos aos direitos sexuais e reprodutivos, às políticas de enfrentamento à violência, à igualdade de gênero e à autonomia das mulheres. Não defendemos a segunda posição. Nunca foi essa nossa análise.</p>



<h2 class="wp-block-heading">A polarização também é um produto</h2>



<p>O episódio nos parece especialmente revelador em um momento em que a política é cada vez mais organizada pelas dinâmicas de produção de audiência e captura da atenção. O jornalismo não está fora desse processo. Grandes veículos de comunicação disputam leitores, assinaturas, circulação nas plataformas digitais e relevância pública em um ambiente no qual o conflito tende a produzir mais engajamento do que a nuance. Uma manchete que apresenta posições opostas oferece ao público uma controvérsia facilmente identificável: alguém defende uma coisa, alguém defende o contrário. Cabe ao leitor escolher seu lado. O problema surge quando a necessidade de apresentar dois lados passa a organizar a própria produção do debate, em vez de decorrer das posições efetivamente sustentadas por seus participantes. Não estamos dizendo que o jornalismo deva evitar divergências. Ao contrário, o debate público depende do confronto entre perspectivas diferentes. Mas existe uma diferença fundamental entre identificar divergências reais e produzir antagonismos artificiais para que uma controvérsia se ajuste a um formato editorial.</p>



<p>A polarização não é apenas um fenômeno que os meios de comunicação observam e noticiam. Ela também pode ser reproduzida e intensificada por suas escolhas: as perguntas que formulam, as pessoas que convidam, os títulos que atribuem, os enquadramentos que selecionam e as diferenças que decidem destacar ou apagar. Quando a realidade não cabe perfeitamente na divisão entre sim e não, o compromisso jornalístico deveria ser com a complexidade da realidade, não com a preservação da divisão. Isso é ainda mais importante quando tratamos de gênero e feminismo. O crescimento do antifeminismo não pode ser compreendido apenas por meio de uma oposição entre mulheres conservadoras e mulheres progressistas. Estamos diante de disputas mais profundas sobre família, maternidade, sexualidade, trabalho, cuidado, liberdade e cidadania.</p>



<p>O antifeminismo contemporâneo não se limita a defender o retorno das mulheres ao espaço doméstico. Ele mobiliza a linguagem da emancipação feminina, reivindica a presença de mulheres em espaços de poder e procura redefinir o significado dos direitos conquistados. Reconhecer essa transformação não significa considerá-la positiva. Significa compreender como projetos políticos que restringem direitos também podem conquistar apoio entre mulheres. É justamente esse tipo de análise que se perde quando a complexidade precisa ser reduzida a duas posições supostamente inconciliáveis.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quem responde pela posição de uma pesquisadora?</strong></h2>



<p>Há outra dimensão desse episódio que consideramos fundamental: a responsabilidade dos veículos de comunicação com as pessoas que se dispõem a participar do debate público. Não falamos apenas em nosso nome. Nossa trajetória acadêmica e profissional está vinculada a pesquisas sobre gênero, religião, política, conservadorismos e direitos sexuais e reprodutivos. São anos de investigação, trabalho de campo, produção de conhecimento e participação em iniciativas comprometidas com a compreensão das desigualdades e das disputas em torno dos direitos das mulheres. Isso não significa que nossas posições devam ser preservadas de críticas ou que nossa trajetória nos coloque acima de questionamentos. Significa apenas que o enquadramento editorial não pode desconsiderar aquilo que efetivamente pensamos, pesquisamos e defendemos.</p>



<p>Pesquisadoras que aceitam participar de debates públicos colocam em circulação não apenas suas opiniões, mas também sua credibilidade profissional. Quando um veículo altera substantivamente a pergunta e condiciona a resposta a uma posição previamente estabelecida, ele interfere na maneira como essas pesquisadoras serão reconhecidas por seus pares, por seus interlocutores e pelo público. Não se trata de exigir concordância entre jornal e entrevistadas, nem de reivindicar controle sobre a edição. Trata-se de transparência sobre as condições de participação e fidelidade ao sentido das posições apresentadas. A trajetória de uma pesquisadora não deve servir como argumento de autoridade que a proteja do contraditório. Mas tampouco pode ser tratada como um detalhe descartável diante da necessidade de preencher um lugar no debate. O que está em questão é a confiança. Por que pesquisadoras, intelectuais, movimentos sociais e representantes da sociedade civil deveriam aceitar participar de controvérsias públicas se suas posições podem ser reorganizadas para sustentar antagonismos que não reconhecem?</p>



<h3 class="wp-block-heading">O jornalismo de que precisamos</h3>



<p>Defender uma mídia comprometida com a transparência não significa reivindicar um jornalismo sem perspectiva, sem escolhas editoriais ou sem conflitos. Toda produção jornalística envolve decisões sobre o que merece visibilidade e como determinados acontecimentos serão apresentados. O compromisso com a transparência começa justamente pelo reconhecimento dessas escolhas e de suas consequências. O jornalismo precisa tornar inteligíveis as diferenças que existem na sociedade, não fabricar outras para tornar suas publicações mais atraentes. Precisa permitir que seus interlocutores apresentem argumentos que não estejam inteiramente subordinados à lógica do confronto. E precisa reconhecer que a busca por audiência, embora faça parte das condições materiais de funcionamento dos veículos, não pode se sobrepor ao compromisso com a precisão e a responsabilidade pública.</p>



<p>Há uma ironia nesse episódio. Fomos convidadas a debater o antifeminismo, mas acabamos diante de um problema que também atravessa nossas pesquisas: a crescente subordinação da política à economia da atenção. Quando a necessidade de produzir uma controvérsia se torna mais importante do que compreender as posições envolvidas, o próprio debate público passa a funcionar como espetáculo. Nesse ambiente, a complexidade vira inconveniente, a nuance parece indecisão e a recusa de uma falsa dicotomia pode ser interpretada como adesão ao campo adversário. É precisamente por isso que precisamos de um jornalismo capaz de contrariar essa lógica. Uma imprensa que reconheça a diferença entre conflito e antagonismo, que não transforme toda divergência em uma batalha entre campos políticos e que compreenda a produção de conhecimento como uma contribuição ao debate público, não apenas como matéria-prima para produzir engajamento.</p>



<p>Nossa posição permanece a mesma: o crescimento de mulheres antifeministas na política não representa uma derrota inevitável do feminismo. Mas o avanço de pautas antifeministas pode, sim, ameaçar direitos, restringir liberdades e aprofundar desigualdades. Não há contradição nisso. Há uma distinção analítica fundamental. O problema é que, quando o jornalismo precisa de antagonistas para produzir audiência, até a coerência pode se tornar inconveniente. E talvez essa seja a questão mais importante deixada por esse episódio: quem ganha quando o debate público deixa de representar as diferenças que existem na sociedade e passa a produzir aquelas de que precisa para continuar capturando nossa atenção?</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*Ana Carolina Marsicano</strong> é socióloga, pós-doutoranda na Unicamp e pesquisadora do Laboratório de Estudos de Religião e Política (LABERP/Fundaj).</p>
<p><strong>**Maria Eduarda Antonino</strong> é doutora em Sociologia pela UFPE e pesquisadora do Laboratório de Estudos de Religião e Política (LABERP/Fundaj).</p>
    </div>
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		<title>Por que judias e judeus precisam votar em Lula</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Oct 2026 14:59:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[comunidade judaica]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[judeus do recife]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Clara Goldman Ribemboim* Neste momento tão importante para o futuro do país o Movimento Judias e Judeus pela Democracia Brasil têm se comprometido e trabalhado dentro e fora das comunidades judaicas com a eleição da chapa Lula Alckmin. O compromisso com a democracia não é de agora. Há mais de oito anos temos avançado [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Clara Goldman Ribemboim*</strong></p>



<p>Neste momento tão importante para o futuro do país o Movimento Judias e Judeus pela Democracia Brasil têm se comprometido e trabalhado dentro e fora das comunidades judaicas com a eleição da chapa Lula Alckmin. O compromisso com a democracia não é de agora. Há mais de oito anos temos avançado na defesa das liberdades democráticas, da diversidade em todas as suas formas, dos direitos humanos, da justiça social, de um judaísmo progressista e ativo. </p>



<p>Defendemos a soberania e a liberdade dos povos e somos contra todas as formas de opressão. Temos compromisso com as lutas sociais e contra todas as formas de racismo e violência que crescem no mundo pelo descaso com a vida principalmente pelo avanço da extrema direita que hoje constitui uma ameaça para o Brasil e para o mundo, interessada na apropriação de nossas riquezas e na negação de nossa soberania. </p>



<p>Tudo isto representa uma ameaça real à vida da sociedade brasileira e em particular as populações invisibilizadas nos seus direitos de acesso à cidadania plena. </p>



<p>Nós brasileiros temos um papel fundamental contra o crescimento da extrema direita no mundo, sendo o presidente Lula o estadista capaz de lidar com esta ameaça porque foi capaz de se debruçar sobre a fome e fazendo mudanças acontecerem em nosso país com o acesso à educação, saúde, moradia e plena cidadania.</p>



<p>Colocar o pobre no orçamento público não foi retórica, foi realidade expressa em todos os indicadores sociais, econômicos e de crescimento.</p>



<p>A palavra Tzedaká em hebraico nos envia para a compreensão da justiça social como fundamental no judaísmo, e baseado no que aprendemos na vida e nos fundamentos do judaísmo que abraçamos em todo o país a campanha pela reeleição de Lula e Alckmin.</p>



<p>Esta será mais uma vitória da democracia contra a barbárie e que não mais viveremos o desmonte de todas as políticas públicas e de participação social comandadas pelo arbítrio da ditadura e pelo governo Bolsonaro. Somos Lula e Alckmin! Com democracia e justiça social.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*Clara Goldman Ribemboim</strong> é psicóloga e integrante do movimento Judeus e Judias pela Democracia BR</p>
    </div>
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		<title>Coragem para o medo</title>
		<link>https://marcozero.org/coragem-para-o-medo/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Oct 2026 20:02:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[medo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>*por Rodrigo de Abreu Pinto No primeiro turno, a campanha de Lula olhou para trás. Na que deve ser a última eleição do presidente, a aposta foi exibir o legado acumulado em três mandatos e projetar, a partir dele, mais quatro anos. A estratégia esbarrou num dado teimoso: o atual mandato do presidente Lula é [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>*por Rodrigo de Abreu Pinto</strong></p>



<p>No primeiro turno, a campanha de Lula olhou para trás. Na que deve ser a última eleição do presidente, a aposta foi exibir o legado acumulado em três mandatos e projetar, a partir dele, mais quatro anos.</p>



<p>A estratégia esbarrou num dado teimoso: o atual mandato do presidente Lula é mal avaliado. Na véspera da votação, em levantamento da Quaest, a aprovação era de 44%, contra 49% de desaprovação.</p>



<p>As urnas confirmaram o diagnóstico. Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno na frente, ainda que por margem estreita, 47% contra 45% de Lula.</p>



<p>Em eleições assim, com um candidato à reeleição, a disputa é plebiscitária. Vota-se a favor ou contra a continuidade de quem está no poder.</p>



<p>Aqui, a primeira pergunta que o eleitor responde é “você quer mais quatro anos de Lula?”, e a maioria já disse que não (55% dos eleitores votaram em Flávio, Cury, Renan, Caiado e Zema). Resta a segunda, a que de fato decidirá o segundo turno: “mesmo que a continuidade de Lula não seja o ideal, você prefere um governo de Flávio Bolsonaro?”.</p>



<p>É essa que a campanha de Lula precisa responder até o dia 25. Menos legado, mais retrato do que seria o governo de Flávio Bolsonaro. Se o primeiro turno apostou na esperança, o segundo terá de trabalhar o afeto oposto, o medo.</p>



<p>Até aqui, esse medo, onde existe, é pequeno demais para o tamanho da ameaça. No Datafolha de 6 a 8 de outubro, 46% não votariam em Lula de jeito nenhum, contra 43% que rejeitam Flávio. A irritação com o presente ainda pesa mais que o receio do futuro.</p>



<p>Para a esquerda, que se reconhece na defesa de sonhos e projetos, trocar a esperança pelo medo é incômodo. Mas só essa flexibilidade tática pode adiar o fim do mundo, ao menos para que nos organizemos melhor para 2030, apoiados nos jovens progressistas que acabam de chegar ao Congresso. Um deles, Jones Manoel (PSOL-PE), eleito deputado federal com 249 mil votos, resumiu a questão: “o objetivo da gente é ganhar a eleição, e não provar que Lula é maravilhoso”.</p>



<p>Por falar em fim do mundo, o filósofo Günther Anders enfrentou dilema parecido diante do risco nuclear. Depois que a bomba atômica varreu Hiroshima e Nagasaki do mapa, dizia-se por toda parte que o mundo vivia a “Era do Medo”. Anders respondeu:</p>



<p>“Nada é mais falso que o chavão popular de que já vivemos na ‘Era do Medo’. Tentam nos convencer disso somente aqueles que têm medo de que criemos o verdadeiro medo, isto é, aquele medo adequado ao perigo”.</p>



<p>Para Anders, vivia-se, na verdade, a era da banalização do medo. As pessoas não sentiam medo suficiente e, por isso, quase ninguém cobrava dos governos proteção efetiva contra o risco atômico. Daí o seu conselho: “Amedronte seu vizinho como a si mesmo”. É o que falta fazer agora.</p>



<p>Nesse ponto, vale uma distinção. É verdade que o bolsonarismo também vive do medo, mas de um medo que divide. Elege parte da população como ameaça (o morador da periferia tratado como bandido, o nordestino acusado de “votar errado”, o “comunista” que ameaçaria a família, o imigrante que roubaria empregos e os gays e lésbicas, agentes da “ideologia de gênero”) e vende proteção a quem está do outro lado da linha.</p>



<p>Não é desse medo que se trata aqui. Trata-se do que o sociólogo Ulrich Beck examinou no clássico Sociedade de Risco, ao tratar do medo diante de acidentes nucleares, da contaminação química e da crise ambiental. Um medo que, por ser de todos, produz solidariedade.</p>



<p>Com um eventual governo Flávio, há três razões principais para esse medo, e todas precisam chegar ao eleitor:</p>



<p>(a) a perda de direitos sociais, com ataques aos programas sociais e à legislação trabalhista, incluindo a manutenção da escala 6&#215;1;</p>



<p>(b) a milicianização e a captura da máquina pública, na esteira das relações de Flávio com figuras como o miliciano Adriano da Nóbrega, o ex-assessor Fabrício Queiroz e o banqueiro Daniel Vorcaro; e</p>



<p>(c) a entrega de todas as chaves da República a um só partido, dado que o PL já terá, a partir de 2027, a maior bancada da Câmara e também do Senado.</p>



<p>Bom lembrar que o PT já fez esse movimento no segundo turno de 2006. As conquistas dos quatro anos até ali, que ocupavam o centro da campanha como resposta ao mensalão, cederam lugar à associação de Geraldo Alckmin à privatização da Petrobras, do Banco do Brasil e dos Correios. Resultado: o tucano, que saiu do primeiro turno com quase 40 milhões de votos, terminou o segundo com 37,5 milhões.</p>



<p>Parte de quem vota em Lula já entendeu isso, ainda bem. O melhor exemplo é a série “Revelando”, disponível no YouTube, uma iniciativa do podcast Calma Urgente em parceria com o ICL Notícias e a Mídia Ninja, dedicada a expor os riscos de um eventual governo Flávio. Os episódios lançados até aqui trataram das relações de Flávio com Daniel Vorcaro, de sua atuação na defesa de policiais acusados de homicídio, de sua PEC para a privatização das praias e das suas ameaças à imagem de Nossa Senhora Aparecida.</p>



<p>A lição, porém, parece ainda não ter chegado à própria campanha, a julgar pelos três primeiros programas do horário eleitoral deste segundo turno, cada um com cinco minutos de duração. No &#8220;primeiro programa&#8221; (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=q6hrrjIF6No" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.youtube.com/watch?v=q6hrrjIF6No</a>), só um minuto e meio (os 45 segundos iniciais e os 45 finais) tratou de Flávio. No &#8220;segundo&#8221; (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=WkwB7-Vx548" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.youtube.com/watch?v=WkwB7-Vx548</a>), apenas os 30 segundos finais. Já no &#8220;terceiro&#8221; (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=s4kIzbAYbfg" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.youtube.com/watch?v=s4kIzbAYbfg</a>), um minuto e meio (os 45 segundos iniciais e outros 45 na segunda metade) foi dedicado a Flávio. Em nenhum dos três programas, as críticas diretas a Flávio ocuparam mais de 30% do tempo.</p>



<p>Faltam menos de duas semanas. Günther Anders pedia coragem para ter medo, e é exatamente o que falta à campanha: coragem para dizer, com todas as letras, o que seria o Brasil sob Flávio Bolsonaro.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p align="justify"><span style="font-family: Merriweather, serif;"><span style="font-size: medium;">* <strong>Rodrigo de Abreu Pinto</strong> é presidente do Instituto Brasileiro de Finanças Digitais</span></span></p>
    </div>
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		<title>Pesquisadores e cientistas da religião publicam carta aberta em defesa da democracia e do Estado laico</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Oct 2026 17:11:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência da Religião]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[pesquisa]]></category>
		<category><![CDATA[religião]]></category>
		<category><![CDATA[teologia]]></category>
		<category><![CDATA[universidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nós, pesquisadores, cientistas da religião, mestrandos e doutorandos, acompanhamos com preocupação o momento político vivido pelo Brasil e, especialmente, a maneira como discursos religiosos vêm sendo usados no debate eleitoral. Estudamos a religião em suas diferentes formas, tradições e relações com a sociedade e reconhecemos a importância de preservar os princípios democráticos e o respeito [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p><strong>Um grupo de 43 pesquisadores e cientistas da religião do <a href="https://portal.unicap.br/w/ciencias-da-religiao">Programa de Pós-Graduação de Ciências da Religião da Unicap</a> elaborou uma <em>Carta aberta de pesquisadores e cientistas da religião em defesa da democracia e Estado laico</em>, publicada abaixo:</strong></p>
        </div>
    </div>



<p></p>



<p>Nós, pesquisadores, cientistas da religião, mestrandos e doutorandos, acompanhamos com preocupação o momento político vivido pelo Brasil e, especialmente, a maneira como discursos religiosos vêm sendo usados no debate eleitoral. Estudamos a religião em suas diferentes formas, tradições e relações com a sociedade e reconhecemos a importância de preservar os princípios democráticos e o respeito à diversidade religiosa que caracteriza nosso país.</p>



<p>A Constituição Federal de 1988 nasceu com a redemocratização do Brasil e ajudou a reconstruir um país marcado por mais de duas décadas de ditadura. Foi ela que reafirmou princípios fundamentais para a nossa vida em sociedade, como a dignidade da pessoa humana, o pluralismo político, a liberdade de consciência e de crença e o livre exercício das diferentes religiões. Também garantiu algo igualmente importante, o direito de não ter religião e de mudar de crença livremente.</p>



<p>Essas garantias não existem por acaso. Elas são parte de uma conquista democrática construída ao longo de muitos anos e deixam claro que a fé pertence ao campo da liberdade individual e coletiva, não ao exercício do poder do Estado. É a existência de um Estado laico que permite que cristãos, judeus, muçulmanos, espíritas, seguidores das religiões de matriz africana, integrantes de outras tradições religiosas, ateus e agnósticos possam conviver sob as mesmas garantias constitucionais. Nenhuma religião deve ocupar uma posição privilegiada diante das demais, assim como nenhum cidadão pode ter seus direitos limitados por professar uma crença ou por não seguir religião alguma.</p>



<p>Por isso, como pesquisadores que têm a religião como objeto de estudo e reflexão, recebemos com profunda preocupação a declaração de um candidato à Presidência da República de que pretende “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. Embora sua campanha tenha afirmado posteriormente que a declaração tinha um sentido simbólico, entendemos que manifestações desse tipo merecem atenção, especialmente quando aproximam a identidade religiosa de uma parcela da população da representação política de todo o país.</p>



<p>Nossa preocupação não nasce de uma posição contrária à religião. Muito pelo contrário. As Ciências da Religião nos mostram diariamente a riqueza, a diversidade e a importância das experiências religiosas na vida de milhões de pessoas. Reconhecemos também a contribuição histórica de diferentes comunidades religiosas para a cultura, a solidariedade e a organização da sociedade brasileira. O que questionamos é a utilização da fé como instrumento de confronto político e como referência para definir quem pertence ou não a determinado projeto de país.</p>



<p>Também preocupa o uso crescente da religião como instrumento de disputa eleitoral. Nas últimas semanas, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB, tornou-se alvo de acusações relacionadas à divulgação de informações falsas envolvendo Nossa Senhora Aparecida, acusações que a própria entidade negou. A CNBB também tem defendido que os eleitores façam suas escolhas de maneira livre, responsável e consciente. Episódios como esse mostram como questões religiosas podem ser levadas ao centro de disputas políticas, ampliando tensões entre grupos e comunidades. Transformar divergências políticas em guerras religiosas não fortalece a fé nem a democracia. Apenas aprofunda divisões que já preocupam a sociedade brasileira.</p>



<p>Como estudiosos do fenômeno religioso, sabemos que religião, identidade e poder podem estabelecer relações complexas e, muitas vezes, tensas. Por isso, vemos com preocupação um ambiente político em que adversários passam a ser tratados como inimigos, o diálogo perde espaço e grupos religiosos buscam ampliar sua influência direta sobre decisões que pertencem ao conjunto da sociedade. Em uma democracia, nenhuma maioria religiosa pode retirar direitos de uma minoria, da mesma forma que nenhuma crença pode ser transformada em medida para definir quem pertence ou não ao país.</p>



<p>A democracia também não se resume à realização de eleições. Ela depende do respeito às instituições, à Constituição, às diferenças, aos direitos fundamentais e às regras que garantem que ninguém possa impor sua visão de mundo a toda a sociedade.</p>



<p>O Brasil conhece o preço da ruptura democrática. Os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023 mostraram até onde pode chegar a radicalização política quando instituições, resultados eleitorais e regras democráticas passam a ser atacados. Por isso, declarações sobre mudanças profundas na Constituição feitas ainda durante o processo eleitoral precisam ser acompanhadas com atenção pela sociedade.</p>



<p>Defender a Constituição de 1988 não significa impedir qualquer mudança constitucional. A própria Constituição estabelece os mecanismos para que ela seja modificada. Significa defender seus princípios fundamentais, a democracia, os direitos individuais, a liberdade religiosa, a separação entre Estado e religião, a autonomia das instituições e as políticas públicas que garantem proteção social e enfrentamento das desigualdades.</p>



<p>Para nós, pesquisadores e pesquisadoras das Ciências da Religião, há um princípio que precisa ser reafirmado com clareza. O Estado laico não é um Estado contra a religião. Ao contrário, é a laicidade que protege a liberdade religiosa e impede que o poder público seja utilizado para favorecer uma crença ou impor valores religiosos ao conjunto da população. Defender esse princípio é defender uma sociedade em que as diferenças possam existir e ser respeitadas, sem que a identidade religiosa determine o acesso aos direitos e à cidadania.</p>



<p>Neste momento, entendemos que a resposta precisa acontecer dentro das regras da democracia e por meio de seu instrumento mais direto, o voto. Reafirmamos nossa oposição a qualquer projeto que coloque em risco o Estado laico, enfraqueça direitos sociais, ataque a autonomia das universidades, reduza garantias democráticas ou ameace princípios fundamentais da Constituição Cidadã de 1988.</p>



<p>Diante do cenário político atual e das posições apresentadas pelos candidatos neste segundo turno, nós, pesquisadores, mestrandos, doutorandos e cientistas da religião que subscrevemos esta carta, declaramos nosso apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República.</p>



<p>Nossa manifestação representa uma posição coletiva, assumida pelos signatários a partir dos compromissos democráticos, constitucionais e do respeito à diversidade que orientam esta carta.</p>



<p>Recife-PE, 6 de outubro de 2026.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Assinam esta carta pesquisadores, mestrandos, doutorandos e cientistas da religião comprometidos com a defesa da democracia, da liberdade religiosa e do Estado laico<em>.</em></li>
</ul>



<ol class="wp-block-list">
<li>Amanda Nascimento da Costa &#8211; PPGCR/Unicap</li>



<li>Beatriz Ayres Nogueira &#8211; PPGCR/Unicap</li>



<li>Bill Clinton Nunes Silva- PPGCR/Unicap</li>



<li>Carlos Alberto Pinheiro Vieira- PPGCR/Unicap</li>



<li>Carlos André de Araújo Alves (Aral)- PPGCR/Unicap</li>



<li>Clara Varjão Schettini- PPGCR/Unicap</li>



<li>Cynara Rodrigues Carneirog Rolim- PPGCR/Unicap</li>



<li>Cyntia Virginia Farias D&#8217;Amorim- PPGCR/Unicap</li>



<li>Daniel Carlos Nunes- PPGCR/Unicap</li>



<li>Fábio Henrique Sales de Lima Lau- PPGCR/Unicap</li>



<li>Filipe Francisco Neves Domingues- PPGCR/Unicap</li>



<li>Flavio Valdez Martins da Silva- PPGCR/Unicap</li>



<li>Geraldino José de Souza- PPGCR/Unicap</li>



<li>Hélio Lúcio Dantas da Silva- PPGCR/Unicap</li>



<li>Idelbrando Alves de Lima- PPGCR/Unicap</li>



<li>Isaías Gomes da Silva- PPGCR/Unicap</li>



<li>Jair Nery de Medeiros- PPGCR/Unicap</li>



<li>Janny Andréa de Almeida da Silva- PPGCR/Unicap</li>



<li>Jany Rosaria Barros Nascimento- PPGCR/Unicap</li>



<li>Jardson Alves Lemos- PPGCR/Unicap</li>



<li>Joana Caroline Gomes Cipriano de Oliveira- PPGCR/Unicap</li>



<li>João Luís Carvalho Paes- PPGCR/Unicap</li>



<li>José Romélio Rodrigues dos Santos Junior- PPGCR/Unicap</li>



<li>Juane Brauna Alves- PPGCR/Unicap</li>



<li>Juliana Maria dos Santos- PPGCR/Unicap</li>



<li>Kenitt Oliveira da Silva- PPGCR/Unicap</li>



<li>Lindailton Trajano Gonçalves Jr.- PPGCR/Unicap</li>



<li>Manoel da Silva Araújo Júnior- PPGCR/Unicap</li>



<li>Marcio Javan Camelo de Lima- PPGCR/Unicap</li>



<li>Marcondes José Rodrigues- PPGCR/Unicap</li>



<li>Maria Auricleide Andrada Bezerra- PPGCR/Unicap</li>



<li>Marise de Souza Morais e Silva Santos- PPGCR/Unicap</li>



<li>Nelson Gonçalves- PPGCR/Unicap</li>



<li>Quiercles Severino Santana- PPGCR/Unicap</li>



<li>Rivaldo do Nascimento Júnior- PPGCR/Unicap</li>



<li>Samuel Francisco de Lira Filho- PPGCR/Unicap</li>



<li>Sarah Silva de Lima- PPGCR/Unicap</li>



<li>Severino Alves de Souza Júnior- PPGCR/Unicap</li>



<li>Vagner de França Souza- PPGCR/Unicap</li>



<li>Valdemir de França Souza- PPGCR/Unicap</li>



<li>Valmir Assis da Silva Filho- PPGCR/Unicap</li>



<li>Vera Lúcia Herculano da Silva- PPGCR/Unicap</li>



<li>Wellington Silva de Andrade- PPGCR/Unicap</li>
</ol>
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		<title>Flávio Bolsonaro: um risco para o Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Oct 2026 15:30:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Adilson Paes de Souza]]></category>
		<category><![CDATA[eleição 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Bolsonaro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Adilson Paes de Souza* A eleição presidencial não é apenas um rito democrático. É a escolha de quem terá em mãos o destino de milhões de brasileiros. Nesse contexto, a candidatura de Flávio Bolsonaro representa não apenas uma opção política, mas um perigo real para a democracia, para a justiça e para a vida [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Adilson Paes de Souza*</strong></p>



<p>A eleição presidencial não é apenas um rito democrático. É a escolha de quem terá em mãos o destino de milhões de brasileiros. Nesse contexto, a candidatura de Flávio Bolsonaro representa não apenas uma opção política, mas um perigo real para a democracia, para a justiça e para a vida do povo.</p>



<p>Uma trajetória marcada por escândalos<em>:</em> Flávio Bolsonaro nunca construiu carreira fora da política. Desde cedo – aos 20 anos, seu primeiro emprego foi como assessor parlamentar &#8211; esteve envolvido em gabinetes e denúncias de irregularidades, como o esquema da “rachadinha”, que desviava salários de assessores. Como deputado estadual, condecorou criminosos ligados a milícias e ao assassinato de Marielle Franco. Esses atos não foram coincidências: foram escolhas políticas que revelam afinidade com o crime organizado.</p>



<p>As ligações com milícias: o senador, quando era deputado estadual na Alerj, empregou familiares de milicianos em seu gabinete e manteve proximidade com figuras diretamente ligadas a assassinatos. Mais recentemente, como senador, sua assessoria negociou emendas parlamentares com um miliciano condenado pelo assassinato de Marielle Franco. Esses episódios reforçam a suspeita de cumplicidade com redes criminosas.</p>



<p>Vamos aos fatos:</p>



<p>Adriano da Nóbrega: ex-policial militar acusado de integrar a milícia de Rio das Pedras e o Escritório do Crime: Flávio concedeu a ele duas homenagens: a Medalha Tiradentes, a mais alta honraria da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e a Moção de Louvor. Além disso, Flávio e Jair Bolsonaro visitaram Nóbrega na prisão para entregar a medalha. Nóbrega foi morto em 2020 em uma operação policial na Bahia.</p>



<p>Homenageou também os PMs Élcio de Queiroz (condenado pelo assassinato de Marielle), Edson Alexandre e Ronald ambos envolvidos com assassinatos e ocultação de cadáver.</p>



<ol class="wp-block-list"></ol>



<p>Emprego de familiares de milicianos: Flávio manteve em seu gabinete na Alerj Raimunda Veras Magalhães (mãe de Adriano da Nóbrega) e Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega (esposa de Adriano). Essas contratações reforçam a proximidade do senador com o núcleo familiar de um dos mais conhecidos líderes milicianos.</p>



<p>Negociações de emendas parlamentares: em 2023, sua assessora parlamentar negociou a liberação de R$ 200 mil em emendas com Robson Calixto (“Peixe”), condenado pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes.</p>



<p>“Peixe” foi apontado como quem forneceu a submetralhadora usada no crime. A Polícia Federal investiga indícios de desvio de recursos dessas emendas.</p>



<p>Segurança pública: a contradição. Enquanto promete combater o crime, sua trajetória mostra o contrário: homenagens a milicianos, empregos para familiares de criminosos e declarações favoráveis à legalização das milícias. No governo de seu pai, a Amazônia foi literalmente entregue às organizações criminais, com o desmonte de toda estrutura de fiscalização na região. Não há como acreditar que alguém com esse histórico vá proteger a população. A política de liberação de armas de seu pai, na realidade armou o crime organizado. Uma deputada estadual eleita pelo estado de São Paulo, pelo mesmo partido de Flávio (PL), declarou publicamente que o feminicídio não existe, que é da natureza do homem ser mais violento e que as mulheres devem ser submissas. Vamos permitir que a violência contra as mulheres seja ignorada, desprezada e normalizada? Nunca.</p>



<p>Não dá para acreditar que um candidato com esse tipo de relações está preocupado com o combate ao crime organizado e com a segurança da população.</p>



<p>Escândalos financeiros e enriquecimento suspeito: a franquia da Kopenhagen de Flávio movimentou milhões em dinheiro vivo (sua franquia recebeu mais de 1.500 depósitos em dinheiro vivo entre 2015 e 2018), levantando suspeitas de lavagem de dinheiro. A compra de uma mansão em Brasília, sem explicação convincente sobre a origem dos recursos, soma-se a investigações sobre negócios incompatíveis com sua renda. Flávio também aparece em investigações ligadas a Daniel Vorcaro, empresário citado em esquemas de corrupção, fraude bancária e financiamento suspeitos. O padrão é claro: enriquecimento sem transparência.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">&#8220;Flávio defende aplicar no Brasil o modelo de Javier Milei na Argentina, marcado por cortes brutais em saúde, educação e programas sociais&#8221;.</p>
</div>


<p>Propostas econômicas desastrosas:<em> </em>Flávio defende aplicar no Brasil o modelo de Javier Milei na Argentina, marcado por cortes brutais em saúde, educação e programas sociais. O resultado já é conhecido: fome, extrema pobreza, desemprego e miséria. Importar esse projeto seria condenar milhões de brasileiros à exclusão e ao sofrimento. Um senador da base política de Flávio defende, além da flexibilização dos direitos trabalhistas, uma jornada de trabalho de 16 horas diárias. O que vai acarretar, ainda mais, um agravamento da saúde dos trabalhadores.</p>



<p>Catástrofes climáticas, destruição, morte e prejuízo para milhões de pessoas: Flávio nega o aquecimento global e os consequentes danos à vida e à saúde das pessoas, indo na contramão do que pesquisadores em todo mundo estudaram, estudam e tem alertado. Em razão disto a destruição da floresta amazônica, tal qual havida no governo do seu pai, ocorrerá e chegará a um patamar irreversível. Quando perguntado sobre qual política adotará para fazer frente às mudanças climáticas (notem as catástrofes que assolam os brasileiros – furacões, secas, incêndios, inundações), ele respondeu dizendo que a solução era mais saneamento básico. Um absurdo. Uma total falta de respeito com a vida e o patrimônio das pessoas. Negacionismo total.</p>



<p>Flávio Bolsonaro não representa renovação, moralização ou segurança. Representa ligações com pessoas suspeitas da prática de corrupção, com o crime organizado e com o retrocesso social. Sua eleição será um risco direto à democracia e à dignidade do povo brasileiro.</p>



<p>Por isso, é preciso afirmar com clareza: Flávio Bolsonaro não pode ser presidente da República.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*Adilson Paes de Souza </strong>é coronel aposentado da Polícia Militar do Estado de São Paulo, doutor em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pelo Instituto de Psicologia da USP</p>
    </div>
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		<title>Quando cuidar volta a ser problema de família</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Oct 2026 14:57:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[creche]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[família]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Primeira Infância]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Ana Carolina Marsicano* Há uma frase no plano de governo de Flávio Bolsonaro que merece ser lida devagar: “O Estado não pode assumir esse cuidado no lugar da família, mas pode dividi-lo com ela.” À primeira vista, parece razoável. Afinal, ninguém está propondo substituir vínculos familiares pelo Estado. O problema aparece quando perguntamos o [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Ana Carolina Marsicano*</strong></p>



<p>Há uma frase no plano de governo de Flávio Bolsonaro que merece ser lida devagar: “O Estado não pode assumir esse cuidado no lugar da família, mas pode dividi-lo com ela.”</p>



<p>À primeira vista, parece razoável. Afinal, ninguém está propondo substituir vínculos familiares pelo Estado. O problema aparece quando perguntamos o que significa definir a família como primeira responsável pelo cuidado em um país onde esse trabalho tem gênero.</p>



<p>Família, quando o assunto é cuidar, quase sempre significa mulher. É a mãe que reduz a jornada porque não conseguiu vaga na creche. A filha que acompanha o pai com Alzheimer. A avó que assume os netos. A mulher que deixa o mercado de trabalho para cuidar de uma pessoa com deficiência. O próprio plano de Flávio reconhece que o trabalho de cuidado recai “quase sempre sobre as mulheres da família”. Mas reconhecer uma desigualdade não significa construir uma política para transformá-la.</p>



<p>É justamente aí que aparecem duas concepções diferentes de cuidado. No governo Lula, o Brasil instituiu, em dezembro de 2024, sua primeira Política Nacional de Cuidados. A Lei nº 15.069 define o cuidado como direito: direito de ser cuidado, de cuidar e de exercer o autocuidado. Estabelece que essa responsabilidade deve ser compartilhada entre Estado, famílias, sociedade civil e setor privado e coloca no centro da política a desigualdade entre homens e mulheres. Entre seus objetivos estão reconhecer, reduzir e redistribuir o trabalho não remunerado de cuidado, realizado principalmente por mulheres, e promover a corresponsabilidade entre homens e mulheres. Pode parecer uma diferença de palavras. Não é.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">&#8220;Família, quando o assunto é cuidar, quase sempre significa mulher&#8221;.</p>
</div>


<p>Uma política pergunta: como ajudar a mulher que cuida? A outra acrescenta uma pergunta anterior: por que é ela quem continua cuidando? Essa mudança é fundamental para o feminismo porque retira o cuidado do terreno exclusivo da vocação feminina, do amor e da obrigação familiar e o coloca no campo do trabalho, dos direitos e da responsabilidade pública. A política construída no governo Lula envolveu 20 ministérios e reuniu áreas como assistência social, saúde, educação, trabalho, direitos humanos, igualdade racial e políticas para as mulheres. Prevê ampliar creches, atendimento domiciliar e centros-dia, apoiar trabalhadores remunerados e não remunerados do cuidado e promover uma divisão mais igualitária dessas responsabilidades. Essa institucionalidade também importa. Lula recriou o Ministério das Mulheres em 2023. Agora, segundo a Folha de S.Paulo, a campanha de Flávio Bolsonaro avalia a criação de uma grande pasta social que poderia incorporar o atual ministério. A proposta não está formalizada no plano, mas merece atenção porque o Brasil já conhece os efeitos da perda de autonomia dessa agenda.</p>



<p>No governo Bolsonaro, embora “Mulher” permanecesse no nome do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, as políticas específicas para mulheres ficaram concentradas em uma secretaria dentro de uma estrutura mais ampla. Estudos do Ipea apontam redução de sua centralidade e fortes restrições orçamentárias: os recursos autorizados para políticas para mulheres caíram, em termos reais, 56% em 2021 e outros 33% em 2022. Discutir a existência de um Ministério das Mulheres, portanto, não é uma questão meramente administrativa. Estrutura própria significa capacidade de disputar orçamento, coordenar políticas e fazer com que as desigualdades entre homens e mulheres sejam reconhecidas como problema específico de governo.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Já vimos essa história antes</h2>



<p>No governo Bolsonaro, a família deixou de ser apenas uma dimensão das políticas sociais e passou a ocupar um lugar central na própria organização da proteção social. A ideia de subsidiariedade orientava essa concepção: caberia ao Estado fortalecer famílias, comunidades e outras instituições para que desempenhassem determinadas funções sem depender diretamente da provisão estatal. A combinação era particular: de um lado, a valorização moral da família como espaço privilegiado de proteção, cuidado e socialização; de outro, a redução da expectativa de que o Estado assumisse diretamente funções de bem-estar. A família aparecia como responsável pela educação, proteção e cuidado. Um dos formuladores ligados à Secretaria Nacional da Família chegou a criticar políticas que estariam “livrando” as mulheres das obrigações domésticas por meio de creches, abrigos e centros de convivência para idosos.</p>



<p>A discussão, portanto, nunca foi apenas sobre a existência desses serviços. Era sobre quem deveria ser responsável por eles. Essa concepção alcança também a educação. Quando a família é tomada como responsável prioritária pela formação dos filhos, abre-se espaço para agendas como o <em>homeschooling</em>, modalidade em que crianças e adolescentes recebem a educação básica principalmente em casa, sob responsabilidade dos pais, em lugar da frequência regular à escola. A regulamentação está em discussão no Senado e encontra uma correlação de forças mais favorável em uma Casa que terá maioria de parlamentares de direita a partir de 2027. Isso não significa que todos apoiem a proposta, mas amplia o espaço político de uma agenda historicamente defendida por setores conservadores. </p>



<p>A Secretaria Nacional da Família falava também em fortalecer a “autogestão” familiar. O Estado deveria criar condições para que as famílias realizassem suas funções, evitando aquilo que seus formuladores consideravam uma atuação excessivamente paternalista do poder público. Dentro dessa família havia uma expectativa específica sobre as mulheres. Elas podiam ser independentes, trabalhadoras, empreendedoras, “guerreiras” e “empoderadas”, sem que isso significasse redistribuir as responsabilidades domésticas e de cuidado. A mulher poderia trabalhar, produzir renda e empreender. O que não deveria deixar de fazer era cuidar.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Um familismo atualizado</h3>



<p>É por isso que o plano de Flávio Bolsonaro não é simplesmente uma cópia do governo de seu pai. Há uma atualização. No início do governo Bolsonaro, o familismo vinha acompanhado de uma linguagem mais explicitamente moral: matrimônio, autoridade, vínculos conjugais, maternidade, diferença sexual. </p>



<p>No plano de Flávio, especialmente no capítulo dedicado ao cuidado, aparecem outras palavras: autonomia, trabalho, empreendedorismo, eficiência, parceria, voucher e tecnologia. A mulher não é apresentada simplesmente como dona de casa. Ela precisa trabalhar, estudar, produzir renda e empreender. Mas a família continua sendo a primeira responsável pelo cuidado. </p>



<p>É um familismo adaptado ao século XXI. Não é necessário mandar as mulheres de volta para casa. Basta construir uma política em que elas possam entrar no mercado sem que a sociedade precise reorganizar profundamente quem cuida das crianças, idosos, pessoas com deficiência e doentes. A solução passa a ser ajudá-las a conciliar tudo. Mas “conciliação” é uma palavra enganosa quando apenas um dos lados precisa conciliar.</p>



<h3 class="wp-block-heading"> Creche não basta</h3>



<p>O plano de Flávio promete creches, centros-dia, atendimento domiciliar e outras formas de suporte. Em 2025, o próprio senador apresentou um projeto para instalação de centros-dia destinados a pessoas idosas atendidas pelo Sistema Único de Assistência Social. O problema, portanto, não é saber se haverá creche ou assistência a idosos. É perguntar qual função esses equipamentos cumprem e quem continua responsável quando suas portas se fecham. No programa de Flávio, eles aparecem principalmente como suporte para que a família continue desempenhando sua função de cuidar. </p>



<p>E “família”, no cotidiano de alimentar, dar banho, acompanhar consultas, organizar medicamentos ou interromper o próprio trabalho diante de uma emergência, costuma ter um rosto concreto: o das mulheres. Uma política de cuidado pode usar creches e centros-dia para retirar parte desse trabalho do espaço privado e redistribuí-lo socialmente. Outra coisa é oferecê-los para que a família continue como principal provedora do cuidado.</p>



<p>É essa segunda lógica que aparece na frase: “O Estado não pode assumir esse cuidado no lugar da família, mas pode dividi-lo com ela.” A hierarquia está dada: primeiro a família; depois, o Estado como apoio. Se o próprio plano reconhece que o cuidado familiar recai majoritariamente sobre mulheres, a consequência precisa ser considerada: reconhece-se a sobrecarga sem necessariamente alterar o mecanismo que a produz. Duas políticas podem construir creches e partir de projetos muito diferentes. Em uma, a creche integra uma estratégia de redistribuição do cuidado e ampliação da responsabilidade pública. Na outra, ajuda as mulheres a conciliar emprego, maternidade e família sem necessariamente colocar em questão a divisão sexual do trabalho. O prédio pode ser parecido. A política não é.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A pergunta que fica</strong></h3>



<p>A Política Nacional de Cuidados criada no governo Lula transforma a própria organização do cuidado em problema público. Parte da ideia de que não é natural que uma mulher abandone o trabalho para cuidar da mãe idosa, que a ausência de creche seja solucionada pelo afastamento profissional da mãe ou que homens disponham de mais tempo porque uma mulher garante o trabalho necessário para que eles trabalhem. </p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">&#8220;Por isso não basta reconhecer que as mulheres estão sobrecarregadas. É necessário perguntar o que uma política pretende fazer com essa constatação&#8221;.</p>
</div>


<p>O cuidado sempre esteve na economia. Durante muito tempo, apenas ficou fora das contas — e de grande parte daquilo que aprendemos a chamar de política. O feminismo ajudou a mostrar que aquilo que acontece dentro de casa não é simplesmente privado. Ali também se distribuem tempo, dinheiro, trabalho, poder e oportunidades. Por isso não basta reconhecer que as mulheres estão sobrecarregadas. É necessário perguntar o que uma política pretende fazer com essa constatação.</p>



<p>O plano de Flávio afirma que quer devolver tempo às mulheres. Mas é possível devolver tempo sem redistribuir responsabilidade? A experiência do governo Bolsonaro mostra que a familiarização das políticas públicas pode reorganizar o papel do Estado sem necessariamente extinguir serviços. Ao devolver centralidade à família, devolve também responsabilidades ao espaço doméstico. E esses custos não são distribuídos igualmente: recaem principalmente sobre as mulheres. É por isso que a frase do plano merece atenção: “O Estado não pode assumir esse cuidado no lugar da família.” O problema nunca foi substituir famílias pelo Estado. É decidir quanto da responsabilidade por sustentar a vida continuará sendo tratada como assunto privado e quanto será assumida coletivamente.</p>



<p>No fundo, a pergunta é simples: queremos ajudar as mulheres a carregar melhor uma responsabilidade que continua sendo delas ou queremos mudar quem carrega esse peso? No papel, a diferença pode parecer pequena. Na vida das mulheres, ela se mede em tempo, autonomia, renda e futuro.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*Ana Carolina Marsicano</strong> é socióloga, pós-doutoranda pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e  pesquisadora do Laboratório de Estudos de Religião e Política, da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj)</p>
    </div>
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