Três dias após atacar uma manifestação pacífica no centro do Recife com bombas de gás lacrimogêneo, spray de pimenta e balas de borracha, o Batalhão de Choque foi exaltado no Instagram oficial da Polícia Militar de Pernambuco. A postagem com a imagem de um paredão de policiais protegidos por uma formação de escudos, nos mesmos moldes dos grupos que avançaram sobre os manifestantes no último sábado, ficou 29 minutos no ar até ser retirada.

Sob o título em maiúsculas BATALHÃO DE CHOQUE: A VANGUARDA DA PMPE, o texto que acompanhava as imagens (uma segunda foto mostra o paredão de policiais sob a fumaça de bombas de gás) associava o batalhão ao Exército: “Vanguarda significa, literalmente, a guarda avançada ou parte frontal de um exército. Denominação que cabe bem a (sic) tropa de choque da PMPE”.

Segundo o parágrafo sexto do artigo 144 da Constituição Brasileira, as polícias militares são forças auxiliares e reserva do Exército, subordinadas aos governadores de Estado. A dubiedade desse duplo comando é motivo de receio de pesquisadores e grupos de direitos humanos que veem a possibilidade de alimentar a insubordinação das polícias aos governadores, em um possível contexto de avanço do bolsonarismo no meio das tropas.

Na postagem, a PMPE informa, em tom provocativo, que o Choque é considerado uma tropa de elite da Polícia Militar especializada em “atuar no controle e dispersões de multidões, além de praças desportivas e estabelecimentos criminais”.

A postagem ficou no ar por 29 minutos, tempo suficiente para receber mais de 2.600 likes, com fotos tiradas por um fotógrafo que também é sargento do Batalhão de Choque e texto da assessoria de comunicação da PMPE.

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