<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
	<atom:link href="https://marcozero.org/tag/agreste/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://marcozero.org/</link>
	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 26 Feb 2024 21:53:04 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.11</generator>

<image>
	<url>https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/02/cropped-favicon-32x32.png</url>
	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
	<link>https://marcozero.org/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Coletivo Acauã é a nova iniciativa de jornalismo independente no interior de Pernambuco</title>
		<link>https://marcozero.org/coletivo-acaua-e-a-nova-iniciativa-de-jornalismo-independente-no-interior-de-pernambuco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 May 2022 17:26:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Acauã]]></category>
		<category><![CDATA[agreste]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura]]></category>
		<category><![CDATA[deserto de notícias]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo independente]]></category>
		<category><![CDATA[Mapa da mídia independente e popular de pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[sertão pernambucano]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=47200</guid>

					<description><![CDATA[<p>O Acauã foi criado por jovens jornalistas e estudantes de Comunicação do campus de Caruaru da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), em Campina Grande, para preencher lacunas de informação em municípios considerados desertos ou quase desertos de notícias, com pouca ou nenhuma cobertura de imprensa local no sertão [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/coletivo-acaua-e-a-nova-iniciativa-de-jornalismo-independente-no-interior-de-pernambuco/">Coletivo Acauã é a nova iniciativa de jornalismo independente no interior de Pernambuco</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Acauã foi criado por jovens jornalistas e estudantes de Comunicação do campus de Caruaru da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), em Campina Grande, para preencher lacunas de informação em municípios considerados desertos ou quase desertos de notícias, com pouca ou nenhuma cobertura de imprensa local no sertão e agreste de Pernambuco. </p>



<p>A princípio, a produção do coletivo se concentrará nas cidades de Betânia e Flores (Sertão do Moxotó e Sertão do Pajeú, respectivamente), Santa Cruz do Capibaribe, Cachoeirinha e Caruaru, no Agreste. O <a href="https://mapadamidiape.marcozero.org/coletivo/acaua/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Acauã já integra o Mapa da Mídia Independente e Popular</a>.</p>



<p>Uma das integrantes do grupo é a repórter da Marco Zero, Géssica Amorim, autora do texto inaugural do Coletivo Acauã. Além dela, os demais  responsáveis pela iniciativa são Cladisson Rafael, Márcio Correia, Maryane Martins e Mayara Bezerra.<br></p>



<p>***</p>



<h2 class="wp-block-heading">“Agricultura é barriga cheia”: conheça dona Gera, a produtora da goma de macaxeira mais famosa do Lombo das Areias</h2>



<p><strong>Publicado originalmente no <a href="https://medium.com/@coletivoacaua/agricultura-%C3%A9-barriga-cheia-conhe%C3%A7a-dona-gera-a-produtora-da-goma-de-macaxeira-mais-famosa-do-e9fe2b77d276">Coletivo Acauã</a></strong></p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/05/Gera5-300x200.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/05/Gera5-1024x682.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/05/Gera5-1024x682.jpeg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Perfil da agricultora Gera do Beiju é o primeiro do novo coletivo. Crédito: Géssica Amorim / Coletivo Acauã</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A goma produzida pela agricultora faz tanto sucesso, que, para vendê-la, dona Gera não precisa nem ir até a cidade, os clientes é que vão até ela, na zona rural. Por mês, as vendas chegam a ultrapassar os 250 quilos do produto. O dinheiro que recebe é utilizado para custear despesas básicas da casa, pagar a conta de energia e as mensalidades do plano de internet que a agricultora adquiriu há pouco mais de um ano.</p>



<p>Dona Gera do Beiju cresceu trabalhando em casas de farinha, plantando, colhendo, raspando, moendo e lavando a massa da raiz, para extrair o amido e produzir a goma que hoje vende em casa. O seu plantio de macaxeira, que mantém com a ajuda do marido, é orgânico. Eles não fazem uso de nenhum tipo de agrotóxico ou adubo químico no cultivo da raiz. Quando necessário, utilizam apenas esterco animal para a adubação do solo.</p>



<p id="902a">Trabalhando no roçado, Antônio cava as covas na terra e Dona Gera planta as manivas, que são pedaços do caule da planta da macaxeira. O casal também trabalha junto na colheita e em outras tarefas da propriedade, mas, na casa de farinha, o trabalho fica por conta da agricultora. Da raspagem da raiz, até a pesagem e embalagem da goma.</p>



<p id="dcd7">A propriedade do casal tem pouco mais de 25 hectares e, em boa parte do terreno, dona Gera e seu Antônio também cultivam milho e algumas frutas, mas a principal cultura é a da macaxeira. E o cultivo é dos dois tipos: da macaxeira mansa e da macaxeira brava.</p>



<p id="0fb7">A mansa é aquela que compramos na feira e cozinhamos em casa. Essa, Gera e Antônio plantam e colhem para consumo próprio. Já a brava, é mais utilizada para a produção da goma, da farinha e outros derivados. Por possuir um alto teor de ácido cianídrico, esse outro tipo de macaxeira não deve ser consumido sem antes passar por alguns procedimentos de lavagem, moagem, separação e secagem. É que o ácido cianídrico é uma substância que, quando consumida, toma o espaço do oxigênio no sangue, podendo causar náuseas, tonturas, asfixia e até levar à morte, dependendo da quantidade ingerida.</p>



<p id="ccdc">O escritor mineiro Guimarães Rosa, na década de cinquenta, já falava sobre as propriedades e variedades da macaxeira, em <em>Grande Sertão: Veredas:</em></p>



<p id="ec1c">“(…) Melhor, se arrepare: pois num chão, e com igual formato de ramos e folhas, não dá mandioca mansa, que se come comum, e a mandioca-brava, que mata? Agora, o senhor já viu uma estranhez? A mandioca doce pode de repente virar azangada — motivos não sei; às vezes se diz que é por replantada no terreno sempre, com mudas seguidas, de manaíbas — vai em amargando, de tanto em tanto, de si mesma toma peçonhas. E, ora veja: a outra, a mandioca-brava, também é que às vezes pode ficar mansa, a esmo, de se comer sem nenhum mal. (…) Arre, ele (o demo) está misturado em tudo” (2001, p. 27)</p>



<p id="ba4a">Dona Gera do Beiju tem um grande respeito pela terra e pelo seu trabalho. “Aqui, nós vivemos da agricultura e com a agricultura vamos permanecer. A agricultura, pra mim, é barriga cheia. Tenho o maior prazer em ser agricultora, de ter condições de colocar o alimento na minha casa, sem ter o trabalho de ir lá no mercado comprar. Nasci e me criei nesse sistema e irei permanecer nele”.</p>



<p>A agricultora diz que nunca quis fazer outra coisa na vida, além de lidar com a terra. “Eu estudei até a quarta série. Ainda fiz curso de corte e costura, artesanato. Sempre busco o conhecimento, ainda que pouquinho, de uma coisa aqui e outra ali, mas nada é como a agricultura. Eu acho que nasci pra ser agricultora mesmo”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/05/Gera2-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/05/Gera2-1024x682.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/05/Gera2-1024x682.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Acauã pretende preencher deserto de notícias do sertão e agreste pernambucanos. Crédito: Géssica Amorim/ Coletivo Acauã</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/03/AAABanner-300x39.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/03/AAABanner.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/03/AAABanner.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                </figure>

	


<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero…</strong></p><p>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.</p><p>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.</p><p>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.</p><p>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.</p><p><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">É hora de assinar a Marco Zero</a></p></blockquote>



<p></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/coletivo-acaua-e-a-nova-iniciativa-de-jornalismo-independente-no-interior-de-pernambuco/">Coletivo Acauã é a nova iniciativa de jornalismo independente no interior de Pernambuco</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>De cima para baixo, Prefeitura de Garanhuns quer mudar Plano Diretor e transformar área rural em zona urbana</title>
		<link>https://marcozero.org/de-cima-para-baixo-prefeitura-de-garanhuns-quer-mudar-plano-diretor-e-transformar-area-rural-em-zona-urbana/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Apr 2022 21:15:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[agreste]]></category>
		<category><![CDATA[especulação imobiliária]]></category>
		<category><![CDATA[garanhuns]]></category>
		<category><![CDATA[plano diretor]]></category>
		<category><![CDATA[s urbanismo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=46210</guid>

					<description><![CDATA[<p>Cidade mais importante do Agreste meridional, Garanhuns tem vivido dias de disputa. O prefeito Sivaldo Albino, do PSB, pretende encaminhar para a Câmara de Vereadores dois projetos de lei que alteram como a cidade vive e é pensada. As minutas dos projetos da prefeitura ampliam a zona urbana da cidade em um raio de três [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/de-cima-para-baixo-prefeitura-de-garanhuns-quer-mudar-plano-diretor-e-transformar-area-rural-em-zona-urbana/">De cima para baixo, Prefeitura de Garanhuns quer mudar Plano Diretor e transformar área rural em zona urbana</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Cidade mais importante do Agreste meridional, Garanhuns tem vivido dias de disputa. O prefeito Sivaldo Albino, do PSB, pretende encaminhar para a Câmara de Vereadores dois projetos de lei que alteram como a cidade vive e é pensada. As minutas dos projetos da prefeitura ampliam a zona urbana da cidade em um raio de três quilômetros. E também regulamentam a outorga onerosa de alteração de uso, um instrumento urbanístico que não está previsto no Plano Diretor da cidade, que é de 2008, mas ainda está em vigência.<br><br>As duas alterações beneficiam principalmente grandes construções, como prédios e condomínios. Uma paisagem que cada vez se torna mais comum em Garanhuns, município que vende o turismo bucólico e a qualidade de vida como um dos seus principais atrativos.<br><br>Na prática, os projetos trazem uma quantidade imensa de alterações para a cidade e a zona rural, atingindo em cheio os pequenos e médios agricultores. A mudança de zona rural para urbana é uma das mais sensíveis, uma vez que pode tirar o trabalhador rural da sua terra. Isso porque o Plano Diretor estabelece que as atividades urbanas têm prevalência sobre as rurais. Ou seja, se quiser continuar a criar porcos ou aves, por exemplo, um criador poderá ter que enfrentar uma série de burocracias, como pedir uma licença à prefeitura e até mesmo anuência, por escrito, aos novos vizinhos residenciais.<br><br>Em uma carta denúncia assinada por mais de 70 entidades, a Rede Agreste de Agroecologia de Pernambuco (RedeAgro) afirma que a ampliação da zona urbana é expor essas terras de criadores e agricultores à especulação imobiliária. &#8220;Essas mudanças vão possibilitar a invasão e modificação do ambiente rural de Garanhuns por força da especulação imobiliária, prejudicando famílias rurais, sobretudo, comprometendo suas produções agrícolas, meio e ambientes de vida&#8221;, diz a nota.<br><br>O advogado Gustavo Carvalho está acompanhando juridicamente o assunto a pedido de professores da Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE) e da vinícola Vale das Colinas. Para ele, há ilegalidades nos Projetos de Lei (PLs) que estão em desacordo com o Plano Diretor da cidade. Uma delas é sobre o parcelamento de terrenos em áreas de baixa densidade populacional, que é proibido pela atual Plano Diretor.<br><br>Esse trecho da minuta é importante para a especulação imobiliária, já que regulariza condomínios e loteamentos nesta nova zona urbana com raio de três quilômetros, prejudicando as atividades agrícolas e pecuária. &#8220;Os artigos de 75 a 79 do atual Plano Diretor fala da prevalência da atividade urbana sobre a rural. E residência é atividade urbana, por exemplo. Então mesmo estando lá antes, há anos, há décadas, um criador de porcos, por exemplo, não vai poder continuar com a criação&#8221;, afirma o advogado.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/04/Garanhuns-earth-300x176.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/04/Garanhuns-earth.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/04/Garanhuns-earth.jpg" alt="" class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Prefeitura não apresentou estudos que comprovem esgotamento da área urbana. Crédito: Google Earth</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Para mostrar que a vida dos agricultores e criadores não vai ser fácil com a imensa nova área urbana que a prefeitura propõe, o advogado aponta o artigo 79 do Código Sanitário do estado: &#8220;Os estábulos, cocheiras, granjas e estabelecimentos congêneres, só serão permitidos em zona rural. Parágrafo Único &#8211; A sua remoção será obrigatória, no prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias, a critério da autoridade sanitária, quando o local se tornar núcleo de população densa&#8221;.<br><br>Outra questão que traz insegurança para esses produtores rurais são os impostos. Se no campo se paga o imposto rural, bem mais baixo do que o IPTU, a mudança de zoneamento pode levar a questão à Justiça. &#8220;É um desdobramento sem precedentes. É uma repercussão que ainda não avaliamos o impacto que vai ter. É péssimo para os agricultores&#8221;, afirma o advogado.<br><br>A RedeAgro também denuncia que não há nenhum cuidado em criar áreas de proteção ambiental ou às atividades de produção rural, independentemente do tamanho da propriedade ou da sua capacidade de produção. &#8220;Da forma como está apresentada, a alteração do uso rural pelo uso urbano poderá ser feita após o empreendedor imobiliário apresentar os documentos exigidos e realizar pagamento de taxa de outorga (permissão/concessão). Esta será uma realidade no município se o Projeto de Lei for aprovado pela maioria dos Vereadores&#8221;, diz a nota.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Sem estudos para justificar alterações</h2>



<p>Uma crítica de organizações, urbanistas e ativistas é que a prefeitura não apresentou nenhum estudo para justificar as alterações. Não foi apresentado, por exemplo, nada que comprove o esgotamento da atual zona urbana de Garanhuns. Outra questão é que não há nenhuma diferença de zoneamentos. Nesse raio de três quilômetros por exemplo, há área quilombola demarcada, como o quilombo de Castainho. E um parque natural onde fica a nascente do rio Mundaú. A minuta do PL não traz nenhuma indicação de uso ou de restrições para os terrenos vizinhos a essas áreas.<br><br>O agronegócio é outro prejudicado. Um dos proprietários da Vinícola Vale das Colinas, a primeira a se instalar no Agreste, o empresário e médico Michel Leite, suspendeu a expansão de dez hectares do parreiral, por conta do que pode acontecer se o PL for levado adiante. A vinícola também divulgou uma carta aberta em que afirma que &#8220;trazer a cidade para o campo significa trazer o desequilíbrio ecológico tão catastrófico para nossa atividade; significa a contaminação de nossas nascentes, de nosso lençol freático, de nosso solo; significa beneficiar a especulação imobiliária em detrimento de projetos muito maiores e importantes para o nosso município e nosso povo.&#8221;<br><br>De acordo com Michel, já há sinais de especulação imobiliária na região. &#8220;Inclusive na frente da vinícola um empresário baiano comprou uma área pra fazer um condomínio vizinho à vinícola impossibilitando nossa atividade. Tem tanta certeza que será aprovada a lei que já cavou cinco poços artesianos&#8221;, afirma. &#8220;No futuro não teremos mais água para irrigar nossas parreiras, o esgoto tomará conta de tudo, não poderemos utilizar defensivos e o sonho da agricultura orgânica ficará cada vez mais distante pelos desequilíbrios causados&#8221;, lamenta.<br><br>O Plano Diretor de Garanhuns deveria ter sido revisado em 2018, pela gestão municipal anterior. Não foi. A atual gestão do PSB deu início ao processo de revisão no mês passado, mas é um percurso longo, que dura geralmente mais de um ano e meio. Nas audiências, representantes da prefeitura tentam passar a ideia de que não dá para esperar e de que a cidade precisa dessas flexibilizações antes do novo Plano Diretor entrar em vigor.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/04/Garanhuns-vale3-300x150.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/04/Garanhuns-vale3.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/04/Garanhuns-vale3.jpg" alt="" class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Vinícola suspendeu expansão de mais 10 hectares para plantio de uvas. Crédito: Vale das Colinas</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Para Luiz Filho, assessor da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado de Pernambuco (Fetape), a prefeitura está colocando o carro na frente dos bois. &#8220;Existe um rito para construção do Plano Diretor. Esses projetos de lei que a prefeitura quer propor é algo que altera completamente o Plano Diretor vigente, mas que está desatualizado desde 2018. Como a prefeitura de Garanhuns vai levar em conta as contribuições se o projeto de lei já nasce sem dialogar com a comunidade? Por lei, é preciso ouvir os conselhos e a comunidade antes de fazer uma proposição de Plano Diretor&#8221;, afirma.<br><br>A arquiteta e urbanista Lahys Barros, integrante do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-PE), afirma que os movimentos querem que a prefeitura desista desses projetos de lei. E que a prioridade da gestão seja o novo Plano Diretor. &#8220;Não pode ser aprovada uma legislação em descompasso com a cidade. Essas leis vão flexibilizar construções e novos empreendimentos com um discurso de &#8216;sustentabilidade&#8217;, que só existe mesmo no discurso. Precisamos repensar democraticamente o que queremos para Garanhuns como cidade&#8221;, diz Lhays.<br><br>Em nota assinada pelo reitor Airon Melo, a Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE) alertou para os &#8220;riscos de se tomar decisões apressadas sobre questões complexas e de tamanha abrangência, sem a obediência aos trâmites legais exigidos pelas legislações urbanística e ambiental vigentes e ao devido planejamento&#8221;.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Uma nova outorga onerosa</h3>



<p>Não é só a zona rural que sofrerá alterações com as propostas da prefeitura. As minutas dos projetos estabelecem também o instrumento de outorga onerosa de alteração de uso. Na prática, significa que, mediante pagamento à prefeitura, os proprietários poderão quase completamente um imóvel, do gabarito (limite de altura) à taxa de ocupação do solo (deixando menos área verde, por exemplo), passando por recuos, afastamentos e &#8220;quaisquer outros índices que possibilitem a ampliação de área construtiva&#8221;. Poderão também alterar uma construção de residencial para comercial.<br><br>Não há, na minuta, nenhuma diferenciação dos bairros ou áreas onde as construções ou reformas podem ser feitas com essas alterações. Todo o município está incluído. A documentação para essas alterações como, por exemplo, os estudos ambientais ou de vizinhança, ficam a cargo dos próprios empreiteiros. Ou seja, é praticamente entregar o planejamento da cidade para as construtoras e imobiliárias.<br><br>Acontece que esse tipo de outorga onerosa não está previsto no Plano Diretor vigente. &#8220;Existe no Estatuto da Cidade, a lei federal que criou os planos diretores, vários instrumentos urbanos. Um deles é a outorga onerosa. Mas há a outorga onerosa do direito de construir e a da alteração de uso. São duas coisas diferentes. A primeira, que promove condições para a verticalização, é a que está indicada no Plano Diretor de Garanhuns e inclusive em prática há vários anos na cidade&#8221;, diferencia a arquiteta e urbanista Mariana Braga, professora da Autarquia do Ensino Superior de Garanhuns (Aesga).<br><br>A outorga onerosa de alteração de uso, que o PL quer implementar, flexibiliza os tipos de uso. &#8220;Por exemplo, se eu disser que o uso de uma construção é estritamente residencial e alguém quiser fazer uso misto, com comércio e serviço, pode ser aplicada essa lei. Mas ela tem que estar prevista no Plano Diretor, o que não é o caso em Garanhuns&#8221;, afirma a urbanista.<br><br>O Plano Diretor serve para apresentar os princípios que norteiam os objetivos e as ações do planejamento urbanístico e social de uma cidade. Depois é que são regulamentadas as leis de ocupação do solo. &#8220;No Plano Diretor vigente estão fixados os gabaritos (limite de altura) para as zonas, as taxas de ocupação de solos, recuos do terrenos etc. O que esse projeto de lei quer fazer é alterar todos esses valores. Vamos dizer que se uma construção precisa, por exemplo, de cinco metros de afastamento de frente, o que esse PL diz é que a construção pode ocupar mais, desde que pague. Mas isso não está previsto no atual Plano Diretor de Garanhuns&#8221;, afirma. &#8220;E tudo vai valer para toda a cidade. Fizeram passando a régua, sem planejamento algum&#8221;, reclama.<br><br>A urbanista também lembra que Garanhuns é uma terra de mananciais e o projeto de lei não traz nenhuma regra ou limite sobre a capacidade dos terrenos de absorver a água da chuva. &#8220;Não podemos simplesmente aumentar irresponsavelmente a taxa de ocupação do solo. Você acaba com a possibilidade do solo de reabsorver a água, o que aumenta os problemas de falta de água e prejudica os lençóis freáticos&#8221;, diz.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/04/Gan-300x148.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/04/Gan.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/04/Gan.jpg" alt="" class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Expansão da zona urbana afetaria mananciais d&#8217;água, agricultura e pecuária. Crédito: Vale das Colinas</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h4 class="wp-block-heading">Audiências com presença de &#8220;forasteiros&#8221;</h4>



<p>Comandada pelo PSB, a Prefeitura de Garanhuns praticamente não tem oposição na Câmara de Vereadores. Se o projeto de lei for para votação do jeito que está, as chances de passar são altas &#8211; ainda que a vitória possa ser questionada na Justiça. A prefeitura inicialmente propôs duas audiências públicas para debater as mudanças com os moradores de Garanhuns.<br><br>Na primeira, ainda não havia mobilização da sociedade civil. A professora Mariana Braga foi uma das poucas que falou e alertou para o impacto que as mudanças poderiam causar na cidade. A partir daquela audiência, ativistas e organizações começaram a se movimentar para discutir e pressionar alterações ou o fim da ideia desses projetos de lei.<br><br>Nessa primeira audiência, de acordo com um <a href="https://blogdocarloseugenio.com.br/prefeitura-abre-discussoes-sobre-alteracao-de-uso-e-parametros-do-solo-em-garanhuns-tema-divide-opinioes/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">blog local</a>, o Procurador Geral do Município, Paulo Couto, afirmou que o o atual Plano Diretor &#8220;não atende as expectativas socioeconômicas&#8221; da cidade. Também justificou o PL como uma forma de legalizar empreendimentos já construídos, como loteamentos, que hoje se encontram irregulares. &#8220;Nós temos que ter um instrumento legal que dê segurança jurídica ao empreendedor, para que faça o seu investimento, para que gere renda e gere receita para o município”, disse na primeira audiência, segundo o blog. <br><br>Na segunda audiência pública, que aconteceu na semana passada, a história foi diferente. Representantes da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco (Ademi-PE) e do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Pernambuco (Sinduscon-PE) apareceram na cidade. Relatos também dão conta que arquitetos nascidos em Garanhuns, mas que há muito não pisavam na cidade, apareceram naquela manhã chuvosa ao auditório da Aesga para defender os projetos de lei. Nas redes sociais, é possível ver a mobilização que fazem em publicações contrárias ao PL, sempre focando em um suposto desenvolvimento econômico da cidade.<br><br>Antes mesmo de passar a lista de quem queria falar, vários empresários do ramo da construção já estavam inscritos para pegar o microfone, contaram várias fontes ouvidas pela Marco Zero. Do outro lado, agricultores e ativistas também se mobilizaram para a audiência. Mas enfrentaram problemas: na chegada, um grupo de agricultores foi barrado por estar sem o cartão de vacinação contra a covid-19. Quando conseguiram fotos da comprovação, a audiência já havia começado.<br><br>Também há uma forte campanha do empresariado e da prefeitura na captura da opinião pública. O mesmo blog local citado acima publicou um informe publicitário, com ares de reportagem, em que Sandro Guedes, representante da Ademi e bastante ativo em audiências públicas sobre urbanismo no Recife, defende que o PL atualiza a legislação de Garanhuns para &#8220;práticas de sustentabilidade e responsabilidade social&#8221;. O título do informe publicitário, assinado por uma assessoria de comunicação, é um acinte: &#8220;Crescimento desordenado em cidades do Agreste pode gerar consequências ambientais e sociais&#8221;. <br><br>Como boa parte dos meios de comunicação também dependem de verbas municipais ou do empresariado, os espaços  da imprensa local assumiram a defesa do projeto da prefeitura. Um dos pedidos da sociedade civil é de que a população de Garanhuns seja mais bem informada sobre o que pode acontecer caso as alterações sejam aprovadas. Foi protocolado um pedido de pelo menos mais cinco audiências públicas e que elas aconteçam também nos três distritos do município: São Pedro, Miracica e Iratama. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/04/Garanhuns-audiencia2-300x200.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/04/Garanhuns-audiencia2.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/04/Garanhuns-audiencia2.jpeg" alt="" class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Houve duas audiências públicas, mas gestão do PSB controla Câmara Municipal e mídia local. Crédito: Thomas Ravelly/Pref. de Garanhuns</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Até agora, nenhum vereador ou vereadora de Garanhuns pediu publicamente a extinção dos projetos de lei. O vice-prefeito da cidade, o médico Pedro Veloso (PT), tem sido a voz dissidente mais sonora na política local. &#8220;Esses projetos modificam profundamente o Plano Diretor e a estrutura da zona rural, do desenvolvimento social. Sou contra porque é ilegal. O Plano Diretor existe justamente para evitar esse tipo de projeto, evitar essa especulação imobiliária. Há uma série de requisitos que devem ser cumpridos para um Plano Diretor e, por lei, tem que ser um espaço participativo&#8221;, afirmou, em entrevista à Marco Zero.<br><br>Veloso, que não participa da gestão do município, continua a fazer parte do mesmo grupo político do prefeito Sivaldo Albino (PSB). &#8220;É uma questão suprapartidária. É algo que vai mexer com as futuras gerações. Vai ter duplicação da BR, uma nova adutora, tudo isso precisa ser discutido&#8221;, justifica. Ele conta que também não tem tido espaço na imprensa local para falar contra as propostas. &#8220;Apenas um blog na cidade me chamou pra falar sobre isso. Mas não é como se não soubessem minha opinião, fiz uma <em>live </em>pra falar sobre isso&#8221;, disse.</p>



<p>Com pouco apoio político local, o movimento de ativistas, professores, urbanistas, agricultores e ambientalistas que são contrários às drásticas mudanças urbanísticas querem fazer pressão popular para que a prefeitura desista e passe a concentrar esforços na discussão do novo Plano Diretor. Há também um movimento para levar judicializar a disputa.<br><br>A Marco Zero procurou por uma semana a Prefeitura de Garanhuns para saber se as propostas se basearam em estudos, sobre como fica a vida dos agricultores e criadores com a mudança de suas terras para zona urbana e como a prefeitura vê os questionamentos sobre a legalidade dos projetos. Até agora, a Marco Zero não recebeu nenhuma resposta.<br><br>Também procuramos o Ministério Público de Pernambuco, que afirmou que está ciente da situação. Em nota à Marco Zero, a 1ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania de Garanhuns disse que &#8220;por enquanto, a matéria está no âmbito administrativo da Prefeitura de Garanhuns, em audiências públicas promovidas pelo próprio Município, das quais a 1ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania de Garanhuns, curadoria de Habitação e Urbanismo, tem tomado ciência. Há um procedimento na 1ª Promotoria para acompanhar a revisão do Plano Diretor Participativo (PDP), considerando que foi criada, no dia 24 de fevereiro de 2022, uma comissão para revisão do PDP, tendo o tema relação direta com essas questões mencionadas&#8221;.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/03/AAABanner-300x39.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/03/AAABanner.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/03/AAABanner.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                </figure>

	


<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero…</strong></p><p>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.</p><p>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.</p><p>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.</p><p>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.</p><p><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">É hora de assinar a Marco Zero</a></p></blockquote>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/de-cima-para-baixo-prefeitura-de-garanhuns-quer-mudar-plano-diretor-e-transformar-area-rural-em-zona-urbana/">De cima para baixo, Prefeitura de Garanhuns quer mudar Plano Diretor e transformar área rural em zona urbana</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Duas gerações de músicos empenhadas em resgatar a tradição do Reisado no agreste pernambucano</title>
		<link>https://marcozero.org/duas-geracoes-de-musicos-empenhadas-em-resgatar-a-tradicao-do-reisado-no-agreste-pernambucano/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Géssica Amorim]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 26 Feb 2022 13:42:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[agreste]]></category>
		<category><![CDATA[Caruaru]]></category>
		<category><![CDATA[cultura popular]]></category>
		<category><![CDATA[Reisado]]></category>
		<category><![CDATA[Zé Pedrim]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=45154</guid>

					<description><![CDATA[<p>Aos 74 anos, o agricultor aposentado José Pereira de Lira, conhecido como Zé Pedrim, morador da Serra dos Cavalos, zona rural de Caruaru, guarda poucas e valiosas lembranças da época em que brincou Reisado. No terreiro da sua casa, com o seu violão e um palito de fósforo (que ele usa como palheta), Zé Pedrim [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/duas-geracoes-de-musicos-empenhadas-em-resgatar-a-tradicao-do-reisado-no-agreste-pernambucano/">Duas gerações de músicos empenhadas em resgatar a tradição do Reisado no agreste pernambucano</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Aos 74 anos, o agricultor aposentado José Pereira de Lira, conhecido como Zé Pedrim, morador da Serra dos Cavalos, zona rural de Caruaru, guarda poucas e valiosas lembranças da época em que brincou Reisado. No terreiro da sua casa, com o seu violão e um palito de fósforo (que ele usa como palheta), Zé Pedrim dedilha e canta as poucas canções que guarda na memória. Nos intervalos conta histórias do passado de festas e folia que viveu enquanto integrou o grupo de reisado do falecido mestre Manuel Artur Rodrigues de Lima, que era seu sogro, pai da sua esposa Ilda da Conceição, de 65 anos.&nbsp;</p>



<p>Com manifestações por todo o país, o Reisado é uma festa popular que chegou ao Brasil durante o período chamado de colonial. Dependendo da região em que a festa é realizada, o seu nome pode variar. Em alguns lugares, por exemplo, o Reisado pode ser chamado de Folia de Reis ou Festa de Santos Reis. Geralmente, os brincantes saem pelas ruas em procissão, passando de casa em casa, durante o período de 24 de dezembro a 6 de janeiro, quando se comemora o Dia de Reis. No entanto, em alguns municípios, a folia também acontece durante o carnaval.&nbsp;</p>



<p>Em Caruaru, infelizmente, não há registros e nem dados oficiais que forneçam informações precisas e detalhadas sobre a cultura do Reisado na cidade. Até aqui, a história oral dá conta de três grupos que marcaram a cultura popular do município.  Os grupos dos mestres Manuel Artur Rodrigues de Lima e Alberto Rodrigues, da Serra dos Cavalos, e o grupo do mestre Cícero, do Alto do Moura. </p>



<p>Seu Zé Pedrim não guardou as datas, mas lembra que o seu grupo era formado por 24 pessoas, com mestre, contramestre, rei, rainha, noiva, Mateus e Catirina (personagens também presentes no Boi-Bumbá) e cavalo-marinho. No Reisado não há, necessariamente, um padrão para a quantidade ou características dos personagens integrantes dos grupos. Além dos músicos que acompanham a brincadeira com violões, violas, sanfonas, zabumbas e pandeiros, as figuras que frequentemente se repetem entre os brincantes são o rei, o mestre e o contramestre.</p>



<p>&nbsp;No grupo do mestre Manoel Artur, seu Zé tocava violão. Ele conta que, com os amigos, brincava por toda a cidade. “Onde chamassem, a gente ia brincar. Em Caruaru, Maniçoba, Murici, Alto do Moura. Era bonito demais, todo mundo enfeitado com as fitas, os espelhos. Os galantes [dançarinos do grupo] correndo atrás das damas”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/ze-pedrim-e-Gabriel-200x300.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/ze-pedrim-e-Gabriel-682x1024.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/ze-pedrim-e-Gabriel-682x1024.jpg" alt="" class="" loading="lazy" width="311">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Zé Pedrim e Gabriel Bezerra. Crédito: Géssica Amorim/MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>&nbsp;O meu encontro com seu Zé Pedrim e as suas memórias do Reisado se deu por meio do músico caruaruense Gabriel Bezerra, de 27 anos. Ele lamenta a falta de registros e de informações sobre o Reisado no município e teme que&nbsp; a festa se perca completamente. Por essa razão, Gabriel tem pesquisado e procurado saber sobre grupos de Reisado ativos em cidades pernambucanas do Agreste e Sertão, e até de outros estados do Nordeste, com o propósito de resgatar a história e a prática da festa em Caruaru.&nbsp;</p>



<p>Resgatar o conhecimento sobre as músicas, as vestes e sobre como era feita a brincadeira são pontos importantes da pesquisa de Gabriel. “Eu me preocupo com o risco da perda dessa memória. Tenho buscado informações diretamente com os mestres que vou conhecendo, acessando. Procuro aprender as músicas e saber mais sobre a brincadeira para entender e saber como voltar a brincar. Busco aprender primeiro ouvindo quem veio antes”, conta.</p>



<p>O músico descreve o seu interesse pela cultura popular como um chamado ancestral e conta que sua identificação com o Reisado foi imediata. “Minha atração pela força que representa a memória dos saberes populares chegou de maneira muito orgânica e até inconsciente. Eu lembro que a primeira vez que ouvi e vi uma roda de coco foi determinante para isso. Imagino que tudo me chamou para estar mais atento às mensagens e presenças que estão em todas as manifestações culturais de nosso povo: rodas de coco, novenas de pife, sambada de maracatu, festa de bumba meu boi. E dentro disso, o reisado foi uma identificação muito forte, imediata. Senti um nível de ligação muito profundo. Comecei a aprender as músicas e a me conectar com isso de uma forma muito intensa”. </p>



<p>Gabriel está elaborando um projeto para buscar recursos financeiros e viabilizar a ampliação e o desenvolvimento da sua pesquisa. A ideia é inscrever a proposta em editais de incentivo à cultura, como o Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura), que todos os anos lança editais de seleção pública que disponibilizam recursos para a realização de projetos em diversas áreas culturais.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/ze-pedrim-violao-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/ze-pedrim-violao-1024x682.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/ze-pedrim-violao-1024x682.jpg" alt="" class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Palito de fósforo usado como palheta, uma marca de Zé Pedrim. Crédito: Géssica Amorim/MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/AAABanner-1-300x39.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/AAABanner-1.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/AAABanner-1.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                </figure>

	


<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero…</strong></p><p>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.</p><p>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.</p><p>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.</p><p>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.</p><p><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">É hora de assinar a Marco Zero</a></p></blockquote>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/duas-geracoes-de-musicos-empenhadas-em-resgatar-a-tradicao-do-reisado-no-agreste-pernambucano/">Duas gerações de músicos empenhadas em resgatar a tradição do Reisado no agreste pernambucano</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Com ousadia e novas linguagens, ceramistas renovam a tradicional arte do barro de Caruaru</title>
		<link>https://marcozero.org/com-ousadia-e-novas-linguagens-ceramistas-renovam-a-tradicional-arte-do-barro-de-caruaru/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Géssica Amorim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Feb 2022 20:14:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[agreste]]></category>
		<category><![CDATA[arte figurativa]]></category>
		<category><![CDATA[arte popular]]></category>
		<category><![CDATA[artesanato]]></category>
		<category><![CDATA[barro]]></category>
		<category><![CDATA[Caruaru]]></category>
		<category><![CDATA[ceramistas]]></category>
		<category><![CDATA[Mestre Vitalino]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=44502</guid>

					<description><![CDATA[<p>Esta semana, fui até o Alto do Moura, bairro da cidade de Caruaru considerado o maior centro de artes figurativas do continente, para visitar e conhecer o trabalho de três dos ceramistas caruaruenses que vivem da arte que produzem usando o barro: Dona Nicinha Otília, Ratinho e Humberto Botão.&#160; Os três artistas vivem num ambiente [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/com-ousadia-e-novas-linguagens-ceramistas-renovam-a-tradicional-arte-do-barro-de-caruaru/">Com ousadia e novas linguagens, ceramistas renovam a tradicional arte do barro de Caruaru</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Esta semana, fui até o Alto do Moura, bairro da cidade de Caruaru considerado o maior centro de artes figurativas do continente, para visitar e conhecer o trabalho de três dos ceramistas caruaruenses que vivem da arte que produzem usando o barro: Dona Nicinha Otília, Ratinho e Humberto Botão.&nbsp;</p>



<p>Os três artistas vivem num ambiente de tradição, onde a arte é hereditária, passada de geração para geração. Apesar disso, possuem estilos de modelagem e abordagens livres da estética e dos modelos tradicionais. Suas obras são bastante diferentes das imagens que estão caraterizados no imaginário do público quando o assunto é o artesanato de Caruaru e os famosos bonecos do Mestre Vitalino.</p>



<p>No Alto do Moura, a maioria dos artistas começou a modelar as suas peças ainda crianças, moldando os seus próprios brinquedos ou retratando cenas e personagens do cotidiano: os carros de boi, os trios de forró, os cangaceiros e diversos personagens do nosso folclore &#8211; foi assim, inclusive, que Vitalino começou.&nbsp;</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/Nicinha-Otilia_pq1-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/Nicinha-Otilia_pq1-1024x682.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/Nicinha-Otilia_pq1-1024x682.jpg" alt="Nicinha Otília ceramista caruaruense" class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Nicinha começou fazendo seus próprios brinquedos de barro, incentivada pelo pai. Crédito: Géssica Amorim/MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">Nicinha, entre a tradição e a inovação</h2>



<p>Com dona Nicinha não foi diferente. As suas primeiras peças foram produzidas quando ela tinha apenas sete anos. Agora, aos 64, ela conta que fazia com o barro os seus brinquedos e que começou a produzir incentivada pelo pai. “A gente começa brincando com o barro, fazendo os nossos brinquedos. Fazendo panelinha, bonequinhos pra brincar. Eu aperreava muito os meu pais pra ter uma boneca igual as que eu via as meninas brincando, mas eles não tinham condição de me dar. Aí meu pai, um dia, pegou um bolo de barro e colocou nas minhas mãos, me mandando engolir o choro e dizendo que, a partir daquele momento, eu tinha uma fábrica nas mãos, pra fazer as minhas bonecas e os meus brinquedos. Foi assim que eu comecei e não parei mais”.</p>



<p>A produção de Nicinha se divide entre a arte figurativa, a produção de peças utilitárias e trabalhos mais autorais e contemporâneo, que ela aprendeu no convívio com o Mestre Galdino, ceramista, poeta e precursor da modelagem diferente da tradicional . “Tem a arte figurativa, que foi o Mestre Vitalino que deixou pra gente e eu me orgulho de trabalhar com ela, mas eu gosto, mesmo, é do imaginário. Gosto de criar. Eu sou seguidora de Mestre Galdino, aprendi muita coisa com ele. Foi ele&nbsp;quem me ensinou a ler, inclusive. E eu sempre puxo pra esse lado da imaginação”.</p>



<p>Em 2019, Nicinha foi uma das palestrantes do <a href="https://youtu.be/Q2A9707ZXf4" target="_blank" rel="noreferrer noopener">TEDxAltodoMouraED</a><em>,</em>&nbsp; primeiro evento TEDx do interior de Pernambuco, que homenageou os artistas do Alto do Moura. Durante a palestra, ela falou sobre a organização das mulheres ceramistas do Alto do Moura. “No TEDx, eu falei sobre o Flor do Barro, grupo só de mulheres ceramistas que fundamos aqui. Nós percebemos que no Alto do Moura nós encontramos mais mestres homens. E cadê as mulheres que trabalham tanto, também? Hoje, somos 20 mulheres ceramistas no grupo”, conta. O grupo foi fundado em 2016, com o propósito dar visibilidade ao trabalho das mulheres ceramistas do Alto do Moura e preservar e valorizar a arte e cultura locais.</p>



<h2 class="wp-block-heading">A originalidade de Ratinho</h2>



<p>Perto da casa e ateliê da Mestra Nicinha, na rua Mestre Vitalino, está localizado o ateliê do ceramista Rafael Costa, 35, conhecido como Ratinho, que trabalha com o barro há mais de dez anos, desde que se mudou do centro de Caruaru para o Alto do Moura. As suas peças são únicas, ele não costuma reproduzi-las.&nbsp;</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/Ratinho_pq-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/Ratinho_pq-1024x682.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/Ratinho_pq-1024x682.jpg" alt="Ratinho ceramicista caruaruense" class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Ratinho cria peças únicas, mas demorou a encontrar seu espaço no Alto do Moura. Crédito: Géssica Amorim/MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>O primeiro contato de Ratinho com o barro aconteceu em 2012, numa visita do artista a Severino Vitalino, filho de Mestre Vitalino. Na ocasião, Ratinho descobriu como se manuseava o barro, desde a sua modelagem à queima, e começou a usar a sua imaginação, modelando as suas próprias peças. “Eu não sabia muito sobre o barro. Eu não tinha a informação de que o barro poderia ser queimado, por exemplo. Só fui saber disso em 2012, quando visitei Mestre Severino. Foi aí que comecei a me interessar pelo material e a trabalhar com ele”.</p>



<p>Ratinho conta que, quando chegou com o seu trabalho no Alto do Moura, inicialmente, teve dificuldades para se localizar. Chegou a ouvir que as suas peças não seriam vendidas. “Vinha alguém e falava: ‘a galera gosta de cavalo, de cangaceiro. Essas peças ninguém compra, são peças de doido’. Mas eu continuei. Até que, um dia, fiz uma escultura e um amigo meu disse que parecia com as de Mestre Galdino. Eu não sabia quem era, ele me levou ao museu e, quando vi a arte dele, que também era diferente, entendi que eu podia fazer arte do jeito que eu quisesse. Fiquei animado, motivado. Acreditei, mergulhei”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/Pecas-no-forno-de-Ratinho-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/Pecas-no-forno-de-Ratinho-1024x682.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/Pecas-no-forno-de-Ratinho-1024x682.jpg" alt="Peças no forno de Ratinho, ceramicista caruaruense" class="" loading="lazy" width="404">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Crédito: Géssica Amorim/MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Quando perguntado sobre as suas referências e o que influencia a sua arte, Ratinho diz que são a música e o cinema. “São as músicas, os filmes que eu assisto. Eu gosto de muita música massa e de filme antigo. A cada melodia, por exemplo, vão aparecendo os detalhes da peça na minha mente e eu vou juntando. É de onde vem a minha criação. E tudo isso abre portais de energias que mexem comigo e me fazem criar”.</p>



<p></p>



<p>O trabalho de Ratinho também é inovador na técnica. Para o processo da queima do barro, depois que as peças são modeladas, ele é o único ceramista do Alto do Moura que utiliza um forno elétrico. Nos demais ateliês, são usados fornos a lenha. Para Ratinho, o investimento de pouco mais de 7 mil reais vai além da praticidade que o seu forno lhe oferece. “Eu acho que todo artesão devia ter um forno desse. Por causa da nossa mata, que já está toda desmatada, né? E quem desmata é o próprio artesão.&nbsp; A questão é que o investimento é muito alto, não é todo artesão que tem condição.”</p>



<h2 class="wp-block-heading">Humberto e a organização dos ceramistas</h2>



<p>Outro artista que inova na concepção e na criação com o barro é Humberto Botão, de 42 anos. Por meio do seu trabalho, ele procura buscar a união dos ceramistas no Alto do Moura, visando uma maior valorização da categoria, que sempre levou o nome de Caruaru para o resto do mundo. “Eu acredito muito no trabalho coletivo. Muitos artistas, como Mestre Galdino e o próprio Mestre Vitalino, morreram de forma negligenciada. Isso, com relação a falta de retorno, de valorização econômica. As pessoas sempre acharam o trabalho deles bonito, mas isso não enchia a barriga das pessoas das suas famílias. E eu vejo que isso vem de uma vida isolada, individual. E a gente tem tentado mudar isso, através da união, de trabalhos coletivos dessa nova geração, buscando incentivo”.</p>



<p>O encontro com Humberto foi nas instalações da sua exposição <em>Vias e Territórios</em>, no SESC Caruaru. Durante a nossa conversa, ele revela que a exposição é autobiográfica. As peças que estão expostas se relacionam contando parte da sua história, desde a infância, quando produzia os seus próprios brinquedos, até a fase artística atual, como morador e ceramista do Alto do Moura.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/Humberto-Botao_pq-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/Humberto-Botao_pq-1024x682.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/Humberto-Botao_pq-1024x682.jpg" alt="Humberto Botão ceramista caruaruense" class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Ao mesmo tempo que busca novas linguagens, Humberto trabalha pela união dos aristas. Crédito: Géssica Amorim/MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Humberto se considera um forasteiro na cidade. Ele é natural de Fortaleza, no Ceará. Antes de começar a trabalhar com o barro em Caruaru, já morou no Maranhão, no Recife, até chegar ao agreste pernambucano. Antes do barro,&nbsp; sua produção artística passou pelo desenho, pela pintura e até pela escultura em concreto. O artista define o barro como um organismo vivo, com o qual consegue construir o que quer comunicar. “Com o barro, eu consigo falar o que quero, o que preciso expressar. A cerâmica, a água que tem nela, a terra que tem nela, o fogo que tem nela, o vento que tem nela. Eu tento me fundir a esses elementos e construir a narrativa estética e conceitual que eu quero construir”.</p>



<p>Quando perguntado se existiu algum tipo de resistência para conseguir espaço para o seu estilo no meio tradicional da arte figurativa, Humberto conta que, embora tenha havido&nbsp; no início, existiu, também muito acolhimento. “Existiam divergências na questão da estética, de início, mas existiu também o acolhimento. As pessoas de Caruaru, do Alto do Moura, são pessoas de coração muito grande.&nbsp; Tudo o que eu sou hoje, devo a Caruaru. Tive a oportunidade de morar fora do país por um tempo, mas preferi voltar. Aqui é o lugar que amo, que já faz parte da minha essência”.&nbsp;</p>



<p>A &#8220;Vias e Territórios” reúne 45 trabalhos de Humberto Botão, com curadoria de Carlos Lima, expografia de Caju Galon e mediação de Wellington Marcone. A exposição fica aberta ao público na Galeria Mestre Galdino, no SESC Caruaru, de segunda à sexta, das 10h até às 17h, até o dia 28 de fevereiro.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/AAABanner-300x39.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/AAABanner.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/02/AAABanner.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                </figure>

	<p>O post <a href="https://marcozero.org/com-ousadia-e-novas-linguagens-ceramistas-renovam-a-tradicional-arte-do-barro-de-caruaru/">Com ousadia e novas linguagens, ceramistas renovam a tradicional arte do barro de Caruaru</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A limousine do Agreste</title>
		<link>https://marcozero.org/a-limousine-do-agreste/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Dec 2021 14:31:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[agreste]]></category>
		<category><![CDATA[Caruaru]]></category>
		<category><![CDATA[Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[toritama]]></category>
		<category><![CDATA[transporte]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=42225</guid>

					<description><![CDATA[<p>Há mais de três décadas, as Toyotas Bandeirantes alongadas– veículos com chassis aumentados artesanalmente em oficinas– circulam, de uma ponta à outra, por boa parte do Agreste pernambucano. Carregam pessoas, mercadorias, bichos, alimentos, histórias – e, você verá, grandes paixões. As rotas são diversas: Caruaru, Toritama, Santa Cruz do Capibaribe, João Alfredo, Brejo da Madre [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/a-limousine-do-agreste/">A limousine do Agreste</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há mais de três décadas, as Toyotas Bandeirantes alongadas– veículos com chassis aumentados artesanalmente em oficinas– circulam, de uma ponta à outra, por boa parte do Agreste pernambucano. Carregam pessoas, mercadorias, bichos, alimentos, histórias – e, você verá, grandes paixões. As rotas são diversas: Caruaru, Toritama, Santa Cruz do Capibaribe, João Alfredo, Brejo da Madre de Deus, Sairé, cidades cujas ruas colorem-se a partir da presença desses jipes pintados de vivíssimos amarelos, azuis, verdes, rosas, laranjas. Nesta reportagem especial, você vai conhecer aqueles que dirigem e que são passageiros da “limousine do agreste”, cujo motor é geralmente assinado pela Mercedes Benz; entrar em algumas oficinas locais para saber como acontece o alongamento que já atraiu para aqui engenheiros da própria fabricante japonesa; entender tanto as válidas discussões a respeito da segurança do veículo quanto as que explicam sua enorme importância em uma região cujo transporte público é precário.</p>



<p>A Limousine do Agreste é mais uma reportagem original do Reportagens Especiais, projeto de extensão do Observatório da Vida Agreste (OVA), um laboratório de pesquisa do Centro Acadêmico do Agreste, da Universidade Federal de Pernambuco, que está associado ao curso de Comunicação Social.</p>



<p><strong>A reportagem é publicada em parceria com a Marco Zero e é só clicar neste link para ler:</strong> <a href="https://avelozcomunicacao.com.br/toyotas/"><strong>A LIMOUSINE DO</strong></a> <a href="https://avelozcomunicacao.com.br/toyotas/"><strong>AGRESTE</strong></a> </p>


<p>O post <a href="https://marcozero.org/a-limousine-do-agreste/">A limousine do Agreste</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Covid-19 acelera no interior de Pernambuco e já faltam veículos para entregar oxigênio</title>
		<link>https://marcozero.org/covid-19-acelera-no-interior-de-pernambuco-e-ja-faltam-veiculos-para-entregar-oxigenio/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 May 2021 23:06:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[agreste]]></category>
		<category><![CDATA[André Longo]]></category>
		<category><![CDATA[colapso na saúde]]></category>
		<category><![CDATA[oxigênio]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia em Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[variante]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=37872</guid>

					<description><![CDATA[<p>Municípios do interior de Pernambuco estão com dificuldade de abastecimento de oxigênio para pacientes com covid-19 porque, com a alta demanda, não há caminhões suficientes para transporte dos cilindros. A falta do insumo e de leitos em locais de menor porte está pressionando ainda mais a capacidade de atendimento dos hospitais regionais, que, como alertam [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/covid-19-acelera-no-interior-de-pernambuco-e-ja-faltam-veiculos-para-entregar-oxigenio/">Covid-19 acelera no interior de Pernambuco e já faltam veículos para entregar oxigênio</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Municípios do interior de Pernambuco estão com dificuldade de abastecimento de oxigênio para pacientes com covid-19 porque, com a alta demanda, não há caminhões suficientes para transporte dos cilindros. A falta do insumo e de leitos em locais de menor porte está pressionando ainda mais a capacidade de atendimento dos hospitais regionais, que, como alertam profissionais de saúde ouvidos pela Marco Zero, não estão com estrutura adequada para enfrentar a atual crise.</p>



<p>Segundo o presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Pernambuco (Cosems-PE), José Edson de Souza, secretário de Gravatá, a demora na entrega de oxigênio para os municípios que dependem de cilindros tem sido de dois a três dias. Segundo ele, apesar da previsão de alta, a demanda foi além do previsto. “Foi uma surpresa para todos nós”, afirma José Edson.</p>



<p>Na coletiva de imprensa desta quinta-feira, 27 de maio, o secretário estadual de Saúde, André Longo, reafirmou que os números voltaram a subir de forma muito preocupante e, por isso, a situação requer “muita atenção” na 1ª Macrorregião de saúde, que engloba Recife, Região Metropolitana e Zona da Mata, e é de “alerta máximo” no Agreste.</p>



<p>Na 2ª Macrorregião, que engloba cidades do Agreste, o aumento nas solicitações de UTI foi de 35% em uma semana e de 55% em 15 dias. Para se ter ideia da disparada, no balanço geral do Estado, esse crescimento foi de 15% e 18%, respectivamente. Já os registros de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag) aumentaram 20% em uma semana e 48% em 15 dias na 2ª Macrorregião, enquanto os percentuais foram de 17% e 22,5%, respectivamente, na média de todo o Estado.</p>



<p>Algumas localidades que têm sofrido com o problema do abastecimento de cilindros de oxigênio são Bom Conselho, Venturosa, Camocim de São Félix, Brejo da Madre de Deus e Belo Jardim. Sem ter como dar assistência a quem precisa respirar, as unidades de saúde municipais estão enviando os doentes, através da Central de Regulação de Leitos do Estado, para hospitais maiores, como o Geral do Agreste e o Mestre Vitalino, ambos em Caruaru.</p>



<p>A reportagem recebeu entre a noite de quarta, 26 de maio, e a manhã desta quinta, 27 de maio, denúncias de profissionais de saúde desses hospitais porque não havia vagas nem estrutura de equipamentos para receber pacientes de covid-19, além da demora para recebimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) adequados, como máscara pff2/N95 e capote.</p>



<p>“Temos 12 vagas de UTI na sala vermelha do Hospital Geral do Agreste, mas estamos com 21 pacientes e tendo que misturar, com leitos sem distância segura, idosos e pacientes de traumatologia e hemodiálise com pessoas que chegam contaminadas pelo novo coronavírus enviadas através da Central de Regulação, porque não há vagas nas cidades menores”, relatou uma das pessoas com quem a <strong>Marco Zero</strong> conversou no início da madrugada e pediu para não ter o nome divulgado.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/precisamos-falar-do-governo-de-pernambuco/" class="titulo">Precisamos falar do Governo de Pernambuco</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading">Estado levanta hipótese de nova variante</h2>



<p>Longo reforçou que o Agreste vive hoje seu pior momento em toda a pandemia e que nenhum sistema de saúde consegue suportar o crescimento dessa demanda. O secretário repetiu que o Governo do Estado trabalha com a hipótese de circulação de uma nova variante em Pernambuco devido ao quadro de rápido agravamento da região. Ele disse que tem mantido comunicação com o Ministério da Saúde e chegou a falar diretamente com o ministro Marcelo Queiroga sobre a necessidade de um reforço rápido da vigilância genômica. </p>



<p>Já há amostras recentes, deste mês de maio, separadas para análise. O governo também pediu ajuda ao laboratório Lika e à Fiocruz em Pernambuco para agilizar esse sequenciamento de amostras.Caso seja confirmada uma nova variante em Pernambuco, o estado irá cobrar do Governo Federal um tratamento semelhante ao dado a Manaus e ao Amazonas, com mais vacinas, insumos e testes.</p>



<p>Apesar do <a href="https://marcozero.org/upas-restringem-atendimento-nos-plantoes-e-pacientes-perambulam-atras-de-medicos/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">caos já instalado</a> e da confirmação de que Pernambuco passará por pelo menos duas semanas muito difíceis, Longo não fala em colapso. “A gente não gosta da palavra colapso, a gente não trabalha com a palavra colapso, porque o colapso dá sinal de esgotamento, dá sinal de que você não tem mais o que fazer. E nós estamos trabalhando diuturnamente, sete dias na semana, 24 horas, para ofertar o máximo de serviços à população pernambucana e evitar mortes, salvar todas as vidas possíveis”, argumentou na coletiva.</p>



<p>O secretário confirmou que a dificuldade em obter cilindros de oxigênio tem sido relatada às Gerências Regionais de Saúde (Geres) e o Estado está agindo para auxiliar os municípios. Além de ter solicitado que os gestores municipais revissem seus planos de contingência e contratos, enviou 149 concentradores de oxigênio para 37 localidades do interior, está ampliando a perspectiva de doações junto a empresas como Ambev e Petrobras, se reunindo com companhias de envase e articulando apoio junto ao Ministério Público, uma vez que há indícios de que atravessadores têm gerado dificuldades aos municípios.</p>



<p>As cidades que possuem tanques de oxigênio, segundo Longo, não estão com problemas de abastecimento. Pernambuco conta com uma planta da White Martins, responsável por mais de 80% do fornecimento estadual.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/04/Banner-CAPA-SITE-COMPLETO-300x39.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/04/Banner-CAPA-SITE-COMPLETO-1024x134.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/04/Banner-CAPA-SITE-COMPLETO-1024x134.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                </figure>

	


<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>Seja mais que um leitor da Marco Zero</em></p><cite><em>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.</em><br><br><em>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.</em><br><br><em>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.</em><br><br><em>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.</em><br><br><em>É hora de assinar a Marco Zero</em><a target="_blank" href="https://marcozero.org/assine/" rel="noreferrer noopener">https://marcozero.org/assine/</a></cite></blockquote>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/covid-19-acelera-no-interior-de-pernambuco-e-ja-faltam-veiculos-para-entregar-oxigenio/">Covid-19 acelera no interior de Pernambuco e já faltam veículos para entregar oxigênio</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Gravatá, a 81km: Se for, vá na paz</title>
		<link>https://marcozero.org/gravata-a-81km-se-for-va-na-paz/</link>
					<comments>https://marcozero.org/gravata-a-81km-se-for-va-na-paz/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Jul 2020 19:11:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[agreste]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[gravatá]]></category>
		<category><![CDATA[interior]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=28804</guid>

					<description><![CDATA[<p>Gravatá &#8211; É quase um acontecimento diário. Toda vez que a Prefeitura de Gravatá posta o boletim do coronavírus na cidade, chovem comentários culpando os turistas pela disseminação da doença. Uns dizem que eles trouxeram o vírus para cá. Outros que eles vagueiam pela cidade sem usar máscaras. Uns denunciam as festas em condomínios. Há [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/gravata-a-81km-se-for-va-na-paz/">Gravatá, a 81km: Se for, vá na paz</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Gravatá &#8211; </strong>É quase um acontecimento diário. Toda vez que a Prefeitura de Gravatá posta o boletim do coronavírus na cidade, chovem comentários culpando os turistas pela disseminação da doença. Uns dizem que eles trouxeram o vírus para cá. Outros que eles vagueiam pela cidade sem usar máscaras. Uns denunciam as festas em condomínios. Há até quem culpe o prefeito Joaquim Neto (PSDB) por não ter fechado a cidade no começo da pandemia, para manter os forasteiros longe da cidade. <br><br>Ao ver a publicação do dia 20 de junho, com 25 mortes confirmadas (hoje já são 28) Valéria Castro Pereira ficou indignada. &#8220;O prefeito não fechou as entradas da cidade, deu nisso. Eu já sabia que isso iria acontecer. Falei várias vezes para a prefeitura e a resposta que tive foi que não podia proibir os donos de suas casas entrarem. Sim, e o exemplo de Fernando de Noronha? Lá zerou o número de pessoas doentes&#8221;.  Outra gravataense rebateu: &#8220;Já falei isso também. Todos têm suas casas fixas. Então que ficassem nelas!&#8221;.<br><br>A prefeitura de Gravatá se justifica afirmando que não tem como impedir a chegada dessas pessoas, pois muitos são proprietários em Gravatá. &#8220;Estamos fazendo o possível para tentar conter o vírus. Estamos informando o tempo inteiro da gravidade, através de boletins, carro de som, internet e rádio. É necessário a consciência de cada um. Estamos orientando, proibindo, mas não temos como proibir a saída de cada um&#8221;, responde, nos perfis das redes sociais. </p>



<figure class="wp-block-embed-wordpress wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-marco-zero-conteudo"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="bqn4DokBXQ"><a href="https://marcozero.org/agreste-pode-virar-epicentro-da-covid-19-em-pernambuco/">Agreste pode virar epicentro da Covid-19 em Pernambuco</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Agreste pode virar epicentro da Covid-19 em Pernambuco&#8221; &#8212; Marco Zero Conteúdo" src="https://marcozero.org/agreste-pode-virar-epicentro-da-covid-19-em-pernambuco/embed/#?secret=Wtwp8zt1XZ#?secret=bqn4DokBXQ" data-secret="bqn4DokBXQ" width="500" height="282" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>
</div></figure>



<p>No começo de abril, não havia nenhum caso confirmado na cidade. A primeira confirmação se deu no dia 13 daquele mês, após a Semana Santa. O primeiro óbito foi confirmado em 25 de abril. O boletim desta quinta-feira aponta 205 casos e 29 óbitos.  Desempregado, Luiz Oliveira trabalhava em um grande hotel, que dispensou todos os funcionários por conta da pandemia. Para ele, o aumento de casos é herança dos feriados: Semana Santa e o período junino. &#8220;A prefeitura afrouxou o laço para que os turistas fizessem da cidade um refúgio. E nós, que moramos na cidade, pagamos o pato&#8221;, diz, em entrevista à Marco Zero. <br><br> Ele critica uma medida recente, adotada na semana prévia do São João, que esticou o horário de funcionamento de supermercados de 15h para as 17h. &#8220;Aumentaram o tempo de funcionamento para agradar aos turistas. Mas deveria ser o contrário: os turistas têm que se adaptar à cidade. Sei que o turismo é a principal fonte de renda do município, mas não nesse momento. O correto deveria ser diminuir o fluxo de pessoas no município. É uma situação triste, mas não tem o que se fazer&#8221;, acredita. <br><br> Em nota, a prefeitura confirma que a mudança no horário foi mesmo para atender a maior demanda na cidade. &#8220;Considerando a  data véspera de feriado, considerando a limitação do numero de pessoas permitidas dentro dos supermercados e o aumento do fluxo da população no comércio&#8221;, diz</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/07/WhatsApp-Image-2020-07-02-at-18.14.44-300x153.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/07/WhatsApp-Image-2020-07-02-at-18.14.44-1024x521.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/07/WhatsApp-Image-2020-07-02-at-18.14.44-1024x521.jpeg" alt="" class="" loading="lazy" width="565">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Cidade cheia no fim de semana do São João. Foto: MCS/MZC</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>O prefeito Joaquim Neto minimiza as queixas dos moradores. &#8220;Isso aconteceu mais no começo da quarentena. Essa questão já foi muito debatida. Agora as pessoas já entendem  a importância para a economia: as pessoas de fora se abastecem na cidade e voltam paras suas casas. Temos muitos serviços com delivery. As pessoas de fora garantem a geração de renda e compras no comércio. E não existem turistas aqui: existem pessoas que são gravataenses e pessoas que estão aqui. Há muito tempo que Gravatá não pertence apenas aos gravataenses, mas a todos&#8221;, diz.<br><br>Em Gravatá, há 250 condomínios, pelos cálculos da prefeitura. Hoje, quem quiser encontrar uma casa para alugar vai encontrar dificuldade. Com aluguel médio de R$ 3 mil por mês, uma casa de três quartos é artigo disputado. &#8220;A procura aumentou em 100%, a cidade está cheia. Só temos disponibilidade de casas agora para outubro, ou se alguém por acaso entregar uma casa antes. O público é uns 80% de pessoas do Recife, que não aguentaram ficar essa quarentena em apartamentos. Tem o perigo dos elevadores, de sempre encontrar pessoas no prédio&#8221;, conta o corretor imobiliário Anderson Oliveira, há oito anos trabalhando com aluguel e compra de imóveis na cidade. <br><br>Nesses quatro meses de crise sanitária, ele calcula que alugou umas 80 casas. E alugaria mais, se houvesse casas disponíveis. &#8220;Mas aluguel não dá dinheiro para corretor. O que dá é venda, e ainda está fraco o movimento. Mas acredito que muita gente por conta dessa pandemia vai passar a valorizar mais ter espaço e vai querer morar em uma casa&#8221;, diz ele. O preço médio de uma casa em condomínio em Gravatá gira em torno dos R$ 250 mil.  </p>



<h2 class="wp-block-heading">Combate ao coronavírus</h2>



<p>Mesmo os que pedem que a cidade seja fechada, reconhecem o trabalho preventivo da Prefeitura. Ele é ostensivo: a principal praça no Centro está fechada com grades. Há totens com pias e sabão perto da prefeitura e no mercado público. Há barreiras sanitárias que abordam os carros nas principais vias de acesso à cidade, com questionário e medição de temperatura. São 167 profissionais envolvidos. <br><br>A fila da Caixa Econômica, para os saques do auxílio emergencial, tem marcações. E há distribuição de máscaras nas filas e na feira livre &#8211; que teve seu horário reduzido. Tirando a semana anterior ao São João, o comércio de serviços essenciais funciona até às 15h, exceto padarias e farmácias. Nas ruas do centro, a reportagem encontrou a grande maioria da população usando máscaras. <br><br> A ordem no centro contrasta com o que se vê nas regiões onde há condomínios. Passeios a cavalo, grupos fazendo caminhadas sem máscara e barulho alto de festas são comuns aos fins de semana. Com quase 80 anos, Josefa Silva deixou o Recife com o marido para passar a quarentena em uma casa em condomínio. Queria levar sol, o que era difícil no apartamento em que mora no Recife. &#8220;A área de lazer está fechada, mas no São João escutamos barulho de festa&#8221;, conta.  </p>



<figure class="wp-block-embed-wordpress wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-marco-zero-conteudo"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="JT5wLFd6hy"><a href="https://marcozero.org/especialistas-alertam-ainda-e-cedo-para-reabrir-economia-em-pernambuco/">Especialistas alertam: ainda é cedo para reabrir economia em Pernambuco</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Especialistas alertam: ainda é cedo para reabrir economia em Pernambuco&#8221; &#8212; Marco Zero Conteúdo" src="https://marcozero.org/especialistas-alertam-ainda-e-cedo-para-reabrir-economia-em-pernambuco/embed/#?secret=VTCWv9bWOM#?secret=JT5wLFd6hy" data-secret="JT5wLFd6hy" width="500" height="282" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>
</div><figcaption>Movimento intenso no centro comercial da cidade (Foto: MCS/MZC)</figcaption></figure>



<p>A prefeitura afirma que a fiscalização nos condomínios é feita pelas Vigilâncias Sanitária e Ambiental através de barreiras itinerantes. Há também ouvidoria da prefeitura e do Ministério Público de Pernambuco. Mesmo assim, as denúncias são poucas.<br><br>Assim como muitos prefeitos do interior,  Joaquim Neto é um crítico à quarentena rígida que atinge hoje Caruaru e Bezerros. &#8220;Vitória de Santo Antão está cheia de casos e não tem <em>lockdown</em>. Por que?&#8221;, questiona, insinuando motivações políticas. Para ele, Gravatá não precisa de medidas mais rígidas. &#8220;Estamos com um trabalho muito bom na atenção básica. Fizemos kits e as pessoas com os sintomas leves que podem ser cuidadas em casa têm remédios e acompanhamento&#8221;, diz. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/07/WhatsApp-Image-2020-07-02-at-18.14.18-300x195.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/07/WhatsApp-Image-2020-07-02-at-18.14.18-1024x666.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/07/WhatsApp-Image-2020-07-02-at-18.14.18-1024x666.jpeg" alt="" class="" loading="lazy" width="335">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Grade fechando a praça. Foto: MCS/MZC</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Na cidade, há 21 Unidades Básicas de Saúde. Só casos graves são testados, mas a prefeitura está tentando uma parceria com a Fundação Oswaldo Cruz para fazer uma pesquisa sorológica na população.<br><br> Único hospital de Gravatá, o Hospital Municipal Doutor Paulo da Veiga Pessoa não tem leitos de UTIs. São 20 leitos de enfermaria disponibilizados para os casos de Covid-19. Casos graves são encaminhados para o Recife. Uma nova ambulância foi comprada para uso exclusivo de casos de Covid-19. </p>



<h3 class="wp-block-heading"> Turismo médico</h3>



<p>Nas primeiras décadas do século XX, cidades como Gravatá, com clima mais amenos, eram bastante procuradas para tratar doenças pulmonares. &#8220;Acreditava-se que o ar mais puro e frio da serra contribuía para recuperar a saúde dos enfermos, principalmente de quem tinha tuberculose. E assim cidades como Gravatá e Garanhuns, por exemplo, tinham hospitais de repouso que recebiam essas pessoas&#8221;, conta o historiador e doutorando na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Diomedes Oliveira.<br><br> &#8220;É curioso, então, ver que décadas depois, em uma pandemia de um vírus que ataca o sistema respiratório, que as pessoas voltem a procurar Gravatá como um refúgio&#8221;, diz Diomedes, que também é gravataense.<br><br> O historiador lembra que o turismo tal qual como se vê hoje apareceu em Gravatá com a vinda do suíço José Luiz Truan. Ele chegou na cidade no final da década de 1960 e abriu aqui o primeiro restaurante de fondue do Nordeste, o Taverna Suíça, que existe até hoje. Ele também  inaugurou o Hotel da Serra, o primeiro da cidade com o conceito de hotel fazenda.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/gravata-a-81km-se-for-va-na-paz/">Gravatá, a 81km: Se for, vá na paz</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/gravata-a-81km-se-for-va-na-paz/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
