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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<lastBuildDate>Thu, 04 Jun 2026 20:42:22 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Moradores do Ibura de Baixo sofrem por causa de obra da prefeitura</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Jun 2026 01:23:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
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		<category><![CDATA[Ibura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quem mora na rua Manaíra, exatamente ao lado do muro da cabeceira da pista do aeroporto, está sempre atento ao ruído dos motores dos aviões que passam a poucos metros dos telhados de suas casas. No entanto, após o início das obras da nova ligação entre as avenidas Recife e Dom Helder Câmara, essa comunidade [&#8230;]</p>
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<p>Quem mora na rua Manaíra, exatamente ao lado do muro da cabeceira da pista do aeroporto, está sempre atento ao ruído dos motores dos aviões que passam a poucos metros dos telhados de suas casas. No entanto, após o início das obras da nova ligação entre as avenidas Recife e Dom Helder Câmara, essa comunidade no Ibura de Baixo passou a se preocupar mais com problemas ao nível do solo do que com as aterrissagens dos airbus e boeings.</p>



<p>Desde que os operários da empresa contratada pela prefeitura do Recife começaram a construir a nova via de acesso ao Ibura, os moradores passaram a conviver com alagamentos praticamente em tempo integral &#8211; pouco importando se chove ou faça sol &#8211; mau cheiro contínuo da água estagnada, problemas de saúde e rachaduras nas paredes dos imóveis.</p>



<p>A obra é resultado de convênio entre a prefeitura e o Ministério das Cidades, com aporte de R$12,5 milhões feito pelo órgão federal. A placa que sinaliza a construção é clara: início em novembro de 2024 e encerramento em novembro de 2025, com realização de serviço de pavimentação, drenagem, macrodrenagem e urbanização do acesso entre as duas avenidas. No entanto, até agora, junho de 2026, apenas metade do trecho anunciado foi concluído.</p>



<p>A lista de reclamações é extensa, começando pela falta de diálogo do poder público e culminando nos transtornos descritos no segundo parágrafo deste texto. </p>



<p>O catador de recicláveis Alexsandro Silva, de 41 anos, mora entre os trilhos da ferrovia Transnordestina e o muro do aeroporto há 15 anos, mas este ano foi a primeira vez que viu a casa ser tomada pela água.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:38% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="683" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55293538133_61ffbc1384_k-683x1024.jpg" alt="A foto mostra Alexsandro Silva em pé sobre uma calçada estreita ao lado de uma casa com paredes desgastadas e pintura verde-azulada descascada. Ele está com os braços cruzados, vestindo camiseta cinza e bermuda listrada, e olha firme para a câmera. Ao lado dele corre um canal estreito de água, cercado por vegetação e entulho, com uma muralha alta e enferrujada do outro lado. O céu azul com nuvens claras contrasta com o cenário urbano precário." class="wp-image-75714 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55293538133_61ffbc1384_k-683x1024.jpg 683w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55293538133_61ffbc1384_k-200x300.jpg 200w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55293538133_61ffbc1384_k-768x1152.jpg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55293538133_61ffbc1384_k-1024x1536.jpg 1024w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55293538133_61ffbc1384_k-150x225.jpg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55293538133_61ffbc1384_k.jpg 1365w" sizes="(max-width: 683px) 100vw, 683px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Durante a chuva do dia 1º de maio, que deixou pessoas desabrigadas, com vários pontos de alagamentos na cidade, inclusive na avenida Recife, Sandro, como é conhecido, foi surpreendido quando seus pertences e materiais de trabalho foram levados pela correnteza.Ele conta que a área já tinha alagado outras vezes, mas dessa vez atingiu proporções bem maiores. Para piorar, boa parte da água não escorreu, ficando empoçada, sem ter por onde escoar.</p>
</div></div>



<p></p>



<p>Não foi só o grande volume de chuva. A construção do canal que fará parte do novo sistema de drenagem e macrodrenagem, está aterrando o mangue por trás de um campinho de futebol, o campo do Real, e formou uma espécie de lago na área que foi aberta para passar o canal. Segundo os moradores com quem conversamos, para drenar este “lago”, os funcionários da prefeitura utilizam uma bomba que joga os dejetos em um curso d&#8217;água natural que já existia ali. Os resíduos acabaram obstruindo o córrego, agravando o problema.</p>



<p>“Antes a água batia no peito nesse córrego, o pessoal tomava banho, pegava beta. Agora não, porque isso não é só lama, é dejeto, vem uma ‘murrinha’ de um trator, puxa e vai jogando pro lado de cá. E quando eles tocam esse trabalho, é catinga de merda pura, ninguém aguenta ficar aqui dentro de casa não. É rato correndo de um lado pro outro, porque tão tirando os caminhos deles que ficam ali por trás, então de noite os ratos vem pra cá, disputando espaço com a gente”, explica Sandro.</p>



<p>Por medo que os filhos contraíam doenças, Sandro e a esposa, Daniele Patrícia, decidiram deixar os filhos com a avó. “Nem os filhos a gente pode deixar em casa, como dois adolescentes, um de 16 anos e outro de 14, vão ficar em casa numa situação dessa?”, questiona Sandro.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>Algumas famílias também enfrentam falta de iluminação, pois algumas casas foram desapropriadas, algumas já foram demolidas e outras estão vazias, a espera do momento de irem abaixo. Só depois de reclamar junto aos funcionários da empreiteira, conseguiram que instalassem uma pequena lâmpada para iluminar o trecho. O ponto de luz foi ligado a uma gambiarra precária conectando a fiação das casas desapropriadas, com a das casas que permanecerem, por meio de fio e bocal, em uma das paredes que ainda ficaram de pé.</p>
<p>“Por medo disso cair numa noite de chuva e a fiação das casas da gente ir junto, dar um curto circuito e queimar nossos barracos, a gente foi atrás da empresa de novo. Só depois de oito dias eles vieram aqui, mas às sete da noite já dá medo de passar”, afirma a dona de casa Alessandra da Silva, que mora na Manaíra há dez anos.</p>
        </div>
    </div>



<h2 class="wp-block-heading">“Faz medo cair por cima”</h2>



<p>“Perdi dois guarda-roupa, rachou a casa, ainda tá rachada lá, faz medo cair por cima, né?” Essas palavras são de Jailton Nunes, que, há pelo menos 12 anos, mora com a esposa e as filhas em um beco com mais de 15 casas. Assim como seu vizinho Sandro, em todo esses anos sua família nunca tinha perdido móveis por causa de um alagamento.</p>



<p>A situação na casa de Jailton parece ser mais grave do que na vizinhança, pois duas paredes estão com grandes rachaduras. “É uma sensação ruim! Já tinha enchido na avenida Recife e num pedaço da área da linha de trem, mas aqui nunca! Mas depois dessa obra começou a encher, a água veio por trás e por frente”, conta. Quando ele fala &#8220;por trás&#8221;, se refere ao que restou do manguezal que está em processo de aterramento para construção do canal. &#8220;Pela frente&#8221; é onde tem a espécie de lago de águas podres formado em consequência da obra.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55292480317_0ce80c14f6_k-300x200.jpg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55292480317_0ce80c14f6_k-1024x683.jpg" alt="A foto mostra um beco estreito entre construções antigas e desgastadas. As paredes estão manchadas e com mofo, e há uma porta encostada no chão, sugerindo abandono ou reforma. No muro à direita, vê-se a inscrição “URB 106” feita com tinta preta em spray, enquanto ao fundo há outra marca semelhante. O telhado de zinco está danificado, com partes faltando e fios expostos, e o chão apresenta poças d’água e sujeira. A cena transmite uma atmosfera de degradação urbana, típica de áreas periféricas ou em processo de demolição." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Moradores dizem que fFuncionários da prefeitura marcaram as casas sem explicar motivo
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A casa da família de Jailton é uma das que foram marcadas pelas equipes da prefeitura antes do início das obras. Apesar das marcações, ele afirma que ninguém da prefeitura foi ao local para orientar ou tratar do assunto. “A gente falou com algumas pessoas, engenheiros, mas ainda não informaram nada a gente. Não falaram de indenização. Estão pagando o pessoal aos poucos, mas a gente ainda não sabe de nada, ninguém tomou decisão pra resolver nada”, lamenta Jailton.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Diálogo difícil com a prefeitura</h3>



<p>Todos os moradores que conversamos disseram que o diálogo com a prefeitura é difícil. Além de não terem sido consultados para a obra, mesmo após os problemas aparecerem, não se sentem ouvidos nem apoiados. Segundo Joelma Andrade, liderança do Centro Comunitário Mário de Andrade, mais de 230 casas foram desapropriadas para construção do acesso. No início do processo, as casas começaram a ser marcadas, mas as pessoas não tinha noção do que se tratava. Foi aí que Joelma procurou o Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social (Cendhec) e a Defensoria Pública, que solicitaram a apresentação do projeto aos moradores, o que só teria acontecido depois de duas reuniões.</p>



<p>&#8220;Foi aí que eles apresentaram o projeto. No momento eu questionei para onde as águas iriam quando a chuva viesse. Disseram que nenhuma família iria sofrer mas, no entanto, é isso que está acontecendo, elas estão sofrendo&#8221;, conta Joelma.</p>



<p>A assistente social do Cendhec, Cristinalva Lemos, afirmou que apenas em 2025, após a provocação dessas organizações a prefeitura começou a se mobilizar para apresentar os projetos e dialogar minimamente com as famílias. A organização tem atuado junto às mulheres da região para discutir, sobretudo, a justiça socioambiental. No sentido de buscar os órgãos competentes que possam dar alguma resposta em relação aos transtornos que as pessoas. &#8220;O diálogo com o poder público é muito difícil&#8221;, conta.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">O que diz a prefeitura:</span>

		<p>A Prefeitura do Recife esclarece que as obras no Ibura fazem parte de um pacote de intervenções de R$ 12 milhões, financiado por convênio com o Ministério do Desenvolvimento Regional e a Caixa Econômica Federal, com contrapartida da gestão municipal. O projeto prevê a criação de uma nova rota de saída do bairro, com 1.100 metros de extensão ligando a Avenida Dom Hélder Câmara à Avenida Recife, além de obras de pavimentação, drenagem, macrodrenagem e urbanização de áreas públicas.</p>
<p>As obras de macrodrenagem seguem normas técnicas e têm autorização ambiental. O canal está em uma área anteriormente assoreada e sem profundidade suficiente para escoamento, e o projeto prevê dimensões capazes de absorver as águas em situações de chuva. A intervenção também viabiliza a requalificação da Avenida Dom Hélder Câmara, que será nivelada e receberá um reservatório subterrâneo para armazenar o volume de água que hoje escoa para a Avenida Recife.</p>
<p>Em relação às famílias que vivem às margens da linha do trem, a Prefeitura reconhece as dificuldades enfrentadas e esclarece que a região tem histórico de alagamentos, agravado pelo período chuvoso. Com a conclusão das obras do canal e das desapropriações, as águas passarão a seguir o curso projetado, reduzindo os alagamentos na área.</p>
<p>Sobre as casas da rua Manaíra, a gestão municipal informa que as residências nas imediações do número 46 estão incluídas no processo de desapropriação. As demais moradias com indícios de danos estruturais já foram vistoriadas, os valores de indenização foram negociados e estão em processo de pagamento.</p>
<p>Desde a fase de desenvolvimento do projeto, a gestão municipal manteve diálogo com a comunidade por meio de assembleias, reuniões e contato com lideranças locais. As negociações para desapropriação tiveram início em 2024 e estão sendo concluídas em 2026.</p>
<p>O projeto prevê ainda a urbanização de áreas públicas com novos espaços de lazer e convivência, incluindo quadra esportiva, parque infantil, campo de futebol requalificado e área para piquenique, além de arborização e paisagismo em todo o trecho da intervenção.</p>
	</div>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Com aterro do manguezal, águas da chuva não tem para onde escoar
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p></p>
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		<title>Acidentes com rede elétrica diminuíram no Brasil, mas número de mortes aumentou</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 May 2025 18:11:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[acidentes]]></category>
		<category><![CDATA[alagamentos]]></category>
		<category><![CDATA[choques elétricos]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas]]></category>
		<category><![CDATA[Neoenergia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O número de acidentes com a rede elétrica caiu no Brasil entre 2023 e 2024. Porém, o número de mortes aumentou. No ano passado, 257 pessoas foram vítimas de acidentes fatais, sete a mais que em 2023. O aumento de óbitos vai na contramão do total de acidentes, que diminuiu: foram 685 casos em 2024 [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O número de acidentes com a rede elétrica caiu no Brasil entre 2023 e 2024. Porém, o número de mortes aumentou. No ano passado, 257 pessoas foram vítimas de acidentes fatais, sete a mais que em 2023.</p>



<p>O aumento de óbitos vai na contramão do total de acidentes, que diminuiu: foram 685 casos em 2024 (o menor índice desde 2017, início da série histórica), contra 782 em 2023. Os dados são do novo relatório da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), divulgado na quinta-feira, 22 de maio.</p>



<p>No Recife e na Região Metropolitana, ao menos cinco pessoas morreram em decorrência de choque elétrico em dias de fortes chuvas somente este ano, em fevereiro e maio.</p>



<p>De acordo com a Neoenergia, nenhum dos casos foi de responsabilidade da concessionária, pois não envolvia poste ou fio da distribuidora, tendo as ocorrências sido provocadas por problemas em instalações particulares ou ligações clandestinas.</p>



<p>Com o aumento da frequência de eventos climáticos extremos num contexto complexo de responsabilização, fiscalização e gestão urbana, a população tem ficado cada vez mais exposta ao risco de choques em dias de muita chuva. Essa é a análise do doutor em engenharia elétrica Jeydson Lopes, professor no Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).</p>



<p>“A população fica refém porque tem que ir trabalhar, tem que botar o pé na lama e na água e não sabe se ali tem um poste ou um muro com ligação irregular”, comenta o especialista. “Apesar de a frequência dos acidentes ter caído de forma geral, os eventos que estão ocorrendo, em média, são mais graves ou letais”, analisa.</p>



<p>“Grande parte desses problemas poderia ser evitada com a responsabilização adequada dos órgãos competentes, mas também associados com a educação e a conscientização da população, em termos de construções adequadas, furto, gambiarra, adequação da instalação”, diz Jeydson.</p>



<p>“Infelizmente, a gente está tendo problemas recorrentes no Brasil e no Recife”, alerta. Na avaliação dele, se o cenário não mudar, alagamentos continuarão a ser seguidos de mortes por choques elétricos.</p>



<p>“Isso porque geralmente a fiscalização é inadequada e não existe uma penalização adequada dos culpados. Você não vê uma campanha de conscientização apropriada, existem algumas ações pontuais, mas elas ainda são insuficientes para a realidade do problema”, acredita o professor.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/05/Getty-Images-300x169.webp">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/05/Getty-Images.webp">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/05/Getty-Images.webp" alt="A imagem mostra as mãos de um eletricista trabalhando em uma instalação elétrica em uma parede de concreto. Ele segura fios coloridos com um alicate, enquanto realiza algum tipo de reparo ou conexão. A parede está parcialmente descascada, revelando os conduítes por onde passam os cabos. O ambiente parece estar em reforma ou construção." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Maior parte dos acidentes teria ocorrido em instalações particulares ou ligações clandestinas
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Getty Images</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">Nordeste é a 2ª região com mais mortes</h2>



<p>Ainda segundo o relatório da Abradee, o Nordeste foi a segunda região com o maior número de acidentes com a rede elétrica no país, totalizando 193 ocorrências, com 67 mortes e 55 casos de lesões graves. As principais causas foram atividades de construção ou manutenção predial (61 casos), cabos energizados e atropelamentos com batida em poste ou rede. Também se destacam os acidentes relacionados a furtos de condutores e ligações clandestinas, que seguem sendo um grave problema de segurança pública.</p>



<p>Na RMR, desde 2023, segundo a Neoenergia, já ocorreram 20 acidentes fatais relacionados à rede elétrica, sendo a maioria deles motivados por reforma e construção civil, tentativas de furto de fios e ligações clandestinas.</p>



<p>Especificamente sobre as quatro ocorrências deste ano que têm ligação com a redenaneoenergia, todas foram motivadas por tentativas de furtos de cabos e cerca energizada, esclareceu a empresa.</p>



<p>Em nota, a empresa afirmou que “atua permanentemente na orientação sobre o uso seguro da energia e no combate às ligações clandestinas, que é crime previsto em lei com pena de reclusão de até quatro anos”.</p>



<h3 class="wp-block-heading">De quem é a culpa?</h3>



<p>Encontrar o responsável muitas vezes pode ser uma tarefa complexa, detalha o professor Jeydson. Se o choque elétrico for causado por um poste, seja por um fio exposto, uma queda, um curto ou uma descarga, a responsabilidade pode cair sobre diferentes agentes, dependendo da origem do problema e da manutenção, por exemplo. </p>



<p>Em algumas situações, há ainda o compartilhamento do poste com cabos de internet. No caso de furto e ligação irregular, o cidadão tem que ser responsabilizado. </p>



<p>“Se por acaso houver uma ligação clandestina no poste e essa foi a causa do acidente, a concessionária pode alegar o mau uso, mas, caso fique comprovado que a empresa já tinha ciência da irregularidade e não tomou nenhuma providência, ela também pode ser responsável por omissão”, exemplifica o especialista.</p>



<p>“Se o acidente foi causado por um poste de iluminação pública mal localizado em uma área de risco, por exemplo, pode haver também a responsabilização da prefeitura”, complementa, lembrando que, no Recife, há diversas áreas que antes não alagavam e hoje estão alagando bastante.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/acidentes-com-rede-eletrica-diminuiram-no-brasil-mas-numero-de-mortes-aumentou/">Acidentes com rede elétrica diminuíram no Brasil, mas número de mortes aumentou</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Parques alagáveis para crise do clima ameaçam de despejo 40 comunidades do Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Sep 2024 13:26:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Agência Pública]]></category>
		<category><![CDATA[alagamentos]]></category>
		<category><![CDATA[clima]]></category>
		<category><![CDATA[João Campos]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
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		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Mariama Correia, da Agência Pública Parques alagáveis, construídos nas margens dos rios para absorver transbordamentos e minimizar o risco de enchentes. Esse modelo, inspirado no conceito de “cidades-esponja” e em experiências da Holanda e da Coreia do Sul, parece ser um futuro viável para locais que sofrem constantemente com enchentes. No Brasil, cidades como [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Mariama Correia, da <a href="https://apublica.org/2024/09/promorar-da-prefeitura-de-recife-ameaca-comunidades-de-despejo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Agência Pública</a></strong></p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:19% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="169" height="42" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/A-Publica.webp" alt="" class="wp-image-66172 size-full"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Parques alagáveis, construídos nas margens dos rios para absorver transbordamentos e minimizar o risco de enchentes. </p>
</div></div>



<p>Esse modelo, inspirado no conceito de “cidades-esponja” e em experiências da Holanda e da Coreia do Sul, parece ser um futuro viável para locais que sofrem constantemente com enchentes. No Brasil, cidades como Recife, a 16ª mais vulnerável do mundo às mudanças climáticas e a mais ameaçada pelo avanço do nível do mar no país, seria uma candidata perfeita. O paradoxo é que, na capital pernambucana, investimentos bilionários para construção desses parques e de outras obras aparentemente sustentáveis se tornaram ameaça de despejo para milhares de famílias.</p>



<p>A maioria dessas intervenções faz parte do Programa de Requalificação e Resiliência Urbana em Áreas de Vulnerabilidade Urbana (ProMorar), um grande plano de ações com financiamento de R$ 2 bilhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Ele é o carro-chefe da gestão do prefeito João Campos (PSB), favorito à reeleição e que usa os canteiros de obras para aumentar sua popularidade nas redes sociais.</p>



<p>Em linhas gerais, o ProMorar pretende reduzir os riscos de enchentes e deslizamentos de terra, considerando as mudanças climáticas. Ele começou logo depois das cheias de 2022, que mataram 133 pessoas e afetaram 120 mil em Pernambuco. As ações devem ser desenvolvidas ao longo de seis anos e afetar 40 comunidades de Recife, mas até agora apenas 17 são conhecidas. A prefeitura não disse quantas famílias serão desapropriadas ao longo das obras, mas a Articulação Recife de Luta – entidade formada por ONGs e movimentos sociais – calcula que sejam mais de 3 mil.</p>



<p>A falta de transparência e diálogo da prefeitura de Recife com relação ao ProMorar fez o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) abrir um procedimento administrativo para acompanhar as ações em audiências a cada dois meses.</p>



<p>Percorremos seis comunidades em áreas de risco de alagamento onde estão sendo construídos parques alagáveis e obras do ProMorar ou que foram visitadas por equipes do programa recentemente. As pessoas que entrevistamos disseram que estão com medo de serem despejadas sem que seja oferecida opção de moradia digna. Elas dizem que faltam informações sobre a quantidade de desapropriações e compensações. Reclamam também que não estão sendo ouvidas, embora o programa preveja escutas populares e ações “planejadas em conjunto” com as comunidades.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Mais de 95 casas demolidas</h2>



<p>Recife é a quinta cidade com maior população vivendo em áreas de risco do país. São mais de 200 mil pessoas nessa situação, morando sobretudo em áreas de morros e encostas, segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).</p>



<p>Além de estar sendo lentamente engolida pelo mar, a capital pernambucana é atravessada por três grandes rios: Beberibe, Capibaribe e Tejipió. Suas margens são territórios densamente povoados, onde as populações convivem com alagamentos frequentes e tragédias de grandes proporções quando chove muito. É nessas áreas que estão sendo construídos os parques alagáveis e grande parte das obras de resiliência climática.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/urbanistas-apontam-erros-de-projeto-em-parque-alagavel-as-margens-do-rio-tejipio/" class="titulo">Urbanistas apontam erros de projeto em parque alagável às margens do rio Tejipió</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/aguas/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Águas</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>O rio Tejipió é o foco principal. Ele é “um dos mais sérios desafios de drenagem” da cidade, de acordo com a prefeitura, que mobiliza R$ 500 milhões de investimentos na construção de quatro parques alagáveis, capazes de drenar o excesso de água, além de intervenções nos rios Jiquiá e Moxotó, que integram a bacia. O objetivo é reduzir o volume de alagamentos pela metade.</p>



<p>O primeiro parque alagável da cidade não está no escopo do ProMorar. É uma obra da Autarquia de Urbanização (URB) da prefeitura, no bairro do Ipsep, zona sul de Recife, onde foram demolidas mais de 95 casas. Ainda era possível ver os tijolos que sobraram das paredes quando visitamos o bairro.</p>



<p>O prefeito João Campos garantiu que “todos os imóveis que existiam foram indenizados”, mas uma moradora nos contou, em condição de anonimato, que “nem todo mundo achou a indenização justa”. “As pessoas mais pobres, com casas de menos estrutura, receberam pouco. Mas o pessoal não reclama porque tem medo de falar mal da prefeitura”, disse.</p>



<p>A moradora reclama que o alargamento das margens (de 8 para 30 metros), para facilitar o escoamento, terminou aproximando o rio da casa dela. “Agora estou com medo que inunde. Cadê o muro de contenção que não fizeram? Porque aqui tem até jacaré”, reclamou, mostrando o muro que ela construiu com recursos próprios entre sua casa e o novo parque.</p>



<p>O parque alagável do Ipsep, na Vila Maria Lúcia, já tem balanços de metal e algumas estruturas de concreto, como um escorrega, bancos e mesas. Numa visita às obras, em junho, técnicos do Inciti – Pesquisa e Inovação para as Cidades apontaram falhas na execução do projeto, como o material escolhido para a construção. As obras estão sendo tocadas pela construtora Kaena, em um contrato de R$ 2,3 milhões assinado em setembro do ano passado. A execução deveria ter acontecido em seis meses, mas a prefeitura informou que o prazo foi prorrogado e a entrega está prevista para novembro.</p>



<p>Não precisa nem chover para as ruas nas imediações do parque alagarem. “Basta a maré subir”, diz Maria Fátima Queiroz, 54 anos, conselheira distrital e integrante do grupo “Empoderadas do Ipsep”. Ela mora a pouco mais de dois quarteirões das obras. Nas enchentes de 2022, sua família ficou literalmente ilhada por dois dias num primeiro andar de uma vizinha. “A gente espera que o parque amenize os alagamentos, o problema é que não dizem se vão tirar mais casas ou quem vai limpar o lixo que o rio vai deixar depois que a água baixar.”</p>



<h3 class="wp-block-heading">Pastor fez denúncia ao BID, mas recebeu resposta em inglês</h3>



<p>Outro parque alagável está sendo construído às margens do Tejipió, no bairro do Barro, na zona oeste de Recife. Esse faz parte dos investimentos bilionários do ProMorar, mas não estão previstas desapropriações. O trecho beneficiado fica numa rua de casas grandes, muitas delas de militares, segundo moradores.</p>



<p>O parque foi batizado de Campo do Sena em homenagem a Emanuel Sena, um ex-secretário da Fazenda estadual e professor que morava na mesma rua. “Quem trouxe o ProMorar para cá foram ele e o vereador Chico Kiko”, contou Celso França, 59 anos, assessor do vereador, conhecido como Hulk do Barro. Chico Kiko, do PSB, mesmo partido do prefeito, é cabo eleitoral de João Campos na região.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Mariama-alagavel-1.jpeg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Mariama-alagavel-1.jpeg" alt="A imagem mostra uma cena urbana ao ar livre. Há uma rua que faz uma curva suave para a direita, com calçadas em ambos os lados. Do lado esquerdo da rua, há uma fileira de árvores altas com folhagem densa, proporcionando sombra sobre a calçada. Ao lado das árvores, há uma cerca alta de metal pintada com listras brancas e azuis, que parece cercar uma propriedade privada. Do lado direito da rua, há um longo muro de concreto sem janelas ou portas visíveis, sugerindo que pode ser a parede externa de outra propriedade privada. Ao longe, na curva da rua onde ela desaparece de vista, há duas pessoas: uma parece estar sentada em algo baixo, como um meio-fio ou um pequeno muro, enquanto realiza alguma atividade que não é clara à distância; a outra pessoa está em pé por perto. O céu acima está parcialmente nublado, mas principalmente claro, indicando luz de manhã ou fim de tarde. Há várias linhas de energia cruzando acima, conectadas a postes de utilidade que alinham um lado da rua." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Parque do Barro está em obras, mas PCR ainda não apresentou plano hidrológico
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Ed Machado/Agência Pública</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A Construtora Master foi contratada por R$ 3,4 milhões para fazer o parque, mas o arquiteto, urbanista e educador social da ONG Fase André Araripe disse que o valor do investimento não é proporcional à estrutura. “Apenas o campo de futebol que já existia está sendo apenas rebaixado para absorver até 2,5 mil metros cúbicos”, explica. Segundo Araripe, até agora a prefeitura ainda não apresentou um plano hidrológico do rio, o que permitiria saber, por exemplo, se a vazão extrapola a capacidade de absorção do parque.</p>



<p>Jardim Uchôa, um distrito do bairro de Areias, que é vizinho ao Barro, também vai receber um parque alagável. Mas por lá a situação é bem mais crítica. Cerca de 3 mil pessoas moram nessa parte da cidade, em condições precárias. Todos contam histórias de perdas em alagamentos. As casas próximas ao leito do rio Tejipió não têm saneamento básico e a renda de grande parte dos moradores vem do Bolsa Família, da reciclagem ou da venda de animais, como porcos.</p>



<p>O Plano de Contingência de 2024 da prefeitura, para gestão de desastres, cita o Jardim Uchôa entre as comunidades com risco hidrológico alto ou muito alto. O bairro está dentro das intervenções do ProMorar, mas nenhuma obra começou.</p>



<p>Dois anos atrás, a Igreja Batista do Caçote, bairro vizinho, abrigou 121 pessoas de Jardim Uchôa que perderam tudo nas inundações. No inverno seguinte, a tragédia se repetiu, e 78 pessoas precisaram ser abrigadas. O pastor Geazi Pedro conta que, ainda em 2022, a prefeitura levou pessoas da comunidade ao centro do Recife para uma apresentação do ProMorar. Só que elas voltaram com mais dúvidas. “A princípio disseram que iam tirar 400 casas, depois falaram que estão tentando diminuir a quantidade. Ninguém sabe onde, quem vai sair ou como. A comunidade está nervosa e agitada.”</p>



<p>O que os moradores sabem até agora é que a área de desapropriações será de 114 mil metros quadrados, de acordo com o marco de reassentamento involuntário do ProMorar. A comunidade é uma Zona Especial de Interesse Social (Zeis), ou seja, é uma área que deveria ser protegida pelo poder público, com garantia de acesso à moradia popular. Segundo o pastor Geazi, a prefeitura informou que as indenizações de casas desapropriadas consideram o tamanho do imóvel e o material utilizado. Só que a maioria das casas ali tem estrutura precária e os moradores não possuem documento de posse.</p>



<p>Atrás da igreja passa um canal, onde moram mais de 800 famílias. Os representantes do ProMorar teriam apontado este como o local do futuro parque alagável. É preciso atravessar uma ponte de estrutura frágil, por onde passam trilhos de trem, para acessar as 14 casas que ficam do outro lado, numa mata. Essa área também alaga com frequência, mas ficou de fora dos planos do ProMorar. A prefeitura disse que a obra do Campo do Sena vai ajudar a reduzir os alagamentos no trecho.</p>



<p>Gabriel Barros, de 64 anos, que trabalha com reciclagem, e Josinaldo dos Santos, 33, vendedor de coco, moram nessa área de mata. Eles já nem lembram quantas vezes perderam tudo em inundações. “Oxe, minha casa já cobriu toda”, disse seu Gabriel. </p>



<p>Em junho deste ano, o pastor Geazi decidiu enviar um ofício à prefeitura do Recife relatando a angústia das famílias e pedindo uma reunião com a coordenadora do ProMorar, Beatriz Carneiro. O documento é assinado pelo Instituto Transformar – entidade da igreja para ações sociais, pelo Fórum Popular do Rio Tejipió e pelo Centro de Estudos e Ação Social (Cendhec) e pede que sejam apresentadas “de forma transparente as ações previstas no programa”. A prefeitura nunca respondeu.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Mariama-alagavel-3-Gabriel.jpeg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Mariama-alagavel-3-Gabriel.jpeg" alt="A foto mostra uma cena ao ar livre com um homem negro, de cabelos grisalhos, em primeiro plano, vestindo uma camiseta verde com a frase “O QUE É OXE? OXE É OXE, OXE!” e “RECIFE PE BRASIL,” indicando uma referência cultural a Recife, Pernambuco, Brasil. O homem olha fixamente para a câmera com semblante sério. Ao fundo, há trilhos de trem que se estendem à distância, com vegetação dos dois lados. Mais ao longe, há duas pessoas sentadas e outra em pé, possivelmente conversando ou esperando. O ambiente sugere uma área rural ou semi-rural durante o dia." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Gabriel já perdeu tudo o que tinha por causa das enchentes
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Ed Machado/Agência Pública</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Em agosto, ele escreveu um e-mail diretamente para o BID, onde diz: “esta comunidade tem sofrido anos após anos com enchentes. E o Promorar não tem nos respondido às indagações quanto: quando vai começar, quais as casas serão indenizadas entre outras. Como uma instituição tão importante financia este show de horror? Comunidade assustada e sem resposta! Este é um grito de socorro!”. A resposta do banco foi um link de uma página em inglês com documentos técnicos – alguns deles também em inglês. O pastor Geazi não fala inglês.</p>



<p>A igreja decidiu treinar lideranças da comunidade para que elas possam lutar por seus direitos no ProMorar. Mais de 20 pessoas já foram treinadas. “Queremos construir as soluções junto com a prefeitura. Se tem dinheiro para fazer esses parques, por que não usar uma parte para construir habitações dignas perto de onde as pessoas já vivem?”, questiona.</p>



<p>O urbanista André Araripe diz que a prefeitura não iniciou obras de nenhum conjunto habitacional novo na cidade, apesar da entrega de unidades habitacionais estarem previstas nas modalidades de compensação às desapropriações do ProMorar, que também cita compras assistidas e reassentamento por permuta. Uma nota técnica sobre despejos no Recife, feita pelo Centro Popular de Direitos Humanos (CPDH) e o mandato do vereador Ivan Moraes (PSOL), afirma que existem “quase 100 mil famílias sem moradia digna na cidade” e que, apenas em 2023, 345 imóveis foram desapropriados pela URB, sendo que 35 deles receberam indenizações abaixo de R$ 10 mil.</p>



<p>“Muita gente aceita indenização, mesmo sendo baixa, porque a alternativa é entrar na fila do habitacional. Tem gente que está há 22 anos esperando auxílio moradia no Recife”, diz Araripe. Ele explica que o auxílio aluguel – outra modalidade compensatória prevista no ProMorar – é de R$ 300, “o que não aluga nem um barraco em uma favela da cidade”. “As pessoas se sentem coagidas, é um processo extremamente violento onde a prefeitura aborda uma pessoa – geralmente pobre, preta e periférica, que se vê ali diante de uma autoridade sem nenhum apoio.” Ele diz que a ONG Fase tem ajudado moradores das áreas afetadas pelas obras com assessoria jurídica gratuita, em ações de desapropriação.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Casas marcadas</h3>



<p>A comunidade do Bom Jesus se estabeleceu no bairro de Boa Viagem, zona sul – o metro quadrado mais caro do Recife. São casas com estrutura precária. Algumas delas foram marcadas recentemente por representantes do ProMorar com números e letras. A “selagem” é “uma das primeiras medidas para que se saiba quantos moradores residem em cada local”, respondeu a prefeitura à reportagem. Mas o poder público não explicou às pessoas de lá se esses imóveis serão desapropriados.</p>



<p>A casa de Luciene Medeiros, de 48 anos, funcionária do metrô, foi marcada. Ela está com medo de ser despejada e não ter para onde ir, porque isso já aconteceu com sua família, 12 anos atrás. “Chegaram aqui sem aviso, cinco horas da manhã, com o Batalhão de Choque tirando todos os barracos”, conta. Na época, a filha dela foi expulsa da casa com duas bebês de poucos meses. Ela nunca recebeu o habitacional prometido, segundo Luciene.</p>



<p>A pequena casa de alvenaria, nos limites de uma rua de tráfego intenso e de um viaduto, foi o principal investimento de Luciene nos últimos anos. Ela mora lá com as duas netas, hoje adolescentes, e o marido. Não quer deixar o imóvel. “O ProMorar fala que a gente tem que evoluir, mas vai diminuir a gente. Se derem indenização, vai ser baixa. Não daria pra comprar um imóvel por perto, que é onde trabalho, onde minhas netas estudam.”</p>



<p>Em outro ponto da cidade, a comunidade de Sapo Nu também está dentro dos planos de obras do ProMorar. Ela ocupa áreas alagadiças entre as margens do Tejipió e da BR-232, no bairro do Curado, fronteira entre Recife e Jaboatão dos Guararapes.</p>



<p>Há anos, as cerca de 5 mil pessoas que vivem ali sofrem ameaças de despejo da companhia energética Chesf, porque as casas ficam embaixo de linhas de transmissão. Agora, a pressão também vem pela prefeitura do Recife. Os moradores de Sapo Nu transitam entre esgotos a céu aberto e acúmulo de lixo. As casas são invadidas pelo rio quando a maré sobe.</p>



<p>Eduarda Patrícia da Silva, 31 anos, mora em uma pequena casa com duas filhas de 6 e 9 anos e o marido. Em um dos cômodos, ela organizou sua papelaria personalizada e, no imóvel ao lado, o esposo mantém um pequeno bar. “Minhas filhas estudam próximo. Acho que o certo seria eles oferecerem um habitacional perto”, diz.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Mariama-alagavel-4-Eduarda.jpeg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Mariama-alagavel-4-Eduarda.jpeg" alt="A imagem mostra uma cena ao ar livre com uma pessoa em primeiro plano. Ela é uma mulher negra, jovem, com cabelos compridos pretos, usando uma camiseta preta com detalhes brancos e calça jeans. Atrás dessa pessoa, há um canal ou riacho com água esverdeada, possivelmente indicando poluição ou estagnação. De um lado do canal, há um caminho de terra que leva a um prédio em construção, com tijolos vermelhos expostos e estrutura incompleta. Do outro lado do canal, há uma vegetação densa, incluindo bananeiras com folhas grandes." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Eduarda mostra como rio corre próximo às casas
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Ângela Cristina, 29 anos, vizinha dela, mora na outra margem do rio com a família. A casa tem quase 2 metros de elevação em relação ao chão, o que não foi suficiente para impedir que fosse invadida pela água nas cheias de 2022. A filha de Ângela, Kawany, na época com apenas 5 meses, foi resgatada boiando dentro de uma bacia. “Foi horrível. Até hoje meu filho Kayo fica nervoso quando chove”, contou a mãe.</p>



<p>Apesar do grande risco de alagamentos nessa área, ninguém do ProMorar esteve na casa de Ângela, porque ela fica do outro lado do rio, na área que pertence a Jaboatão. A prefeitura de Jaboatão não respondeu aos questionamentos da reportagem sobre obras previstas na região.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Deixados às margens</h3>



<p>Em abril de 2023, representantes do ProMorar fizeram um mapeamento da área da Vila Arraes, no bairro da Várzea, zona oeste da cidade. “Reformaram uma ponte que estava boa e nunca mais voltaram”, disse Joice Paixão, coordenadora da Associação do Gris Espaço Solidário, para crianças. Ela contabiliza 167 famílias morando na região.</p>



<p>Um dos pontos que mais alagam é o Beco do Óleo, chamado assim porque fica perto da companhia de ônibus CRT (Cidade do Recife Transporte). Quando chove, as pessoas dizem que desce um óleo preto e fedorento, misturado com a água, que vem da empresa. Fabiana Maria da Silva, 27 anos, mora nessa rua com o filho Caio, de oito meses. “A prefeitura veio aqui em casa, pegou dados, mas não iniciou nenhuma obra”, contou.</p>



<p>Daniela Moura, diarista de 37 anos, também recebeu a visita. Os técnicos trouxeram equipamentos topográficos e drones e colheram dados, mas não deram maiores explicações. Mãe solteira, ela vive na beira do rio Capibaribe com as duas filhas – Marina, de 15 anos, e Vitória, de 16, que nasceu com problemas neurológicos. Na casa delas, todos os móveis ficam suspensos, em cima de tábuas de madeira, para evitar danos quando a água sobe.</p>



<p>Nas enchentes de 2022, a água cobriu até as telhas da casa. Vitória se agarrou nas grades da janela para não ser arrastada. A mãe lembra que foi um custo tirá-la de lá porque a menina não entendia os seus comandos. “Não tenho documento de posse, se eles vierem tirar minha casa, quem garante que vou ter direito a alguma coisa?”, questiona.</p>



<p>A casa onde ela mora com as filhas foi construída pela sua família, na beira do Capibaribe. A vista é bonita, apesar da imensa quantidade de lixo acumulado nas margens do rio, que é um dos maiores símbolos do Recife. Quando pequena, Daniela mergulhava e comia os peixes dessas águas. Suas filhas já não tiveram o mesmo privilégio. “Hoje não tenho mais coragem porque tá muito sujo”, lamenta.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Outro lado</span>

		<p><!-- wp:paragraph --></p>
<p>De acordo com o MPPE, a primeira audiência de acompanhamento do ProMorar aconteceu no dia 23 de setembro, com participação de movimentos sociais. “Ficou acertado que o ProMorar vai mandar uma versão publicável de todas as reuniões com as comunidades”, disse a promotora Fernanda da Nóbrega, da Promotoria de Habitação e Urbanismo.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>A reportagem tentou entrevistar Beatriz Carneiro, coordenadora do ProMorar, mas foi informada de que a gestora estava “com uma série de compromissos”. A assessoria de imprensa respondeu às perguntas da reportagem por e-mail, mas não disse quais são as 40 comunidades afetadas ou quantos imóveis serão desapropriados por ações do ProMorar.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Por e-mail, a prefeitura do Recife informou que “ foram realizadas 55 oficinas com a participação de 4,5 mil moradores das áreas beneficiadas” e que “todas as etapas sempre contam com escuta popular dos moradores”. Nas comunidades de Jardim Uchôa, Sapo Nu e Bom Jesus, a prefeitura informou que “as propostas de intervenções e soluções serão debatidas com os moradores no momento adequado”.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>A prefeitura disse ainda que “na necessidade de reassentamento, a equipe social do ProMorar fará as escutas necessárias para definir juntamente com as famílias a melhor solução para cada caso. Conforme o marco de reassentamento do programa, as soluções previstas são: unidade habitacional; compra assistida e reassentamento por permuta”. Leia a íntegra.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Depois da publicação da reportagem, o BID enviou nota informando que “a consulta pública é uma exigência para todos os projetos financiados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, de acordo com nossas políticas”. Embora os moradores das comunidades visitadas informem que não estão sendo adequadamente ouvidas pela prefeitura do Recife, a instituição afirma que “essa premissa vem sendo observada no Promorar, conforme acompanhamento realizado pelo Banco” e que “sessões de consulta pública, inclusive, já foram realizadas nas primeiras comunidades que receberão intervenções no programa. Ainda assim, ressaltando nosso compromisso com a transparência, reiteramos que nossos canais estão abertos para esclarecimentos adicionais e para eventuais melhorais em nossos processos: <a href="https://www.iadb.org/pt-br/quem-somos/transparencia" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.iadb.org/pt-br/quem-somos/transparencia</a>”.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --></p>
	</div>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Mariama-alagavel-7-projecao.jpeg" alt="A imagem mostra uma renderização arquitetônica de um espaço público. Há um caminho largo e pavimentado de cor clara que serpenteia pela área, cercado por vegetação exuberante e flores vibrantes em tons de rosa, roxo e branco. Várias pessoas estão espalhadas pela cena; algumas estão caminhando sozinhas, enquanto outras estão em pequenos grupos, parecendo estar conversando. O ambiente sugere um cenário ao ar livre sereno, projetado para passeios tranquilos e relaxamento. O céu não é visível na imagem, indicando que o foco está na interação entre as pessoas e o ambiente paisagístico." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Projeção do parque alagável do Ipsep
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Reprodução/Agência Pública</span>
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	<p>O post <a href="https://marcozero.org/parques-alagaveis-para-crise-do-clima-ameacam-de-despejo-40-comunidades-do-recife/">Parques alagáveis para crise do clima ameaçam de despejo 40 comunidades do Recife</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>&#8220;Tudo de novo&#8221;. O desespero das famílias com as chuvas da Região Metropolitana do Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/tudo-de-novo-o-desespero-das-familias-com-as-chuvas-da-regiao-metropolitana-do-recife/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Jul 2023 17:06:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[alagamentos]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas em Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas no recife]]></category>
		<category><![CDATA[desabamento]]></category>
		<category><![CDATA[rio Capibaribe]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Tudo de novo”. Esta é a frase que resume a aflição de famílias que vivem nas áreas mais vulnerabilizadas da Região Metropolitana do Recife, na manhã da sexta-feira, 7 de julho. Casas estão inundadas, ruas estão alagadas e rios subiram demais de volume. Vidas, memórias e pertences foram perdidos – mais uma vez. Ao menos [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>“Tudo de novo”. Esta é a frase que resume a aflição de famílias que vivem nas áreas mais vulnerabilizadas da Região Metropolitana do Recife, na manhã da sexta-feira, 7 de julho. Casas estão inundadas, ruas estão alagadas e rios subiram demais de volume. Vidas, memórias e pertences foram perdidos – mais uma vez.</p>



<p>Ao menos uma barreira deslizou, em Coqueiral, na Rua Edna, Zona Oeste da capital, sem vítimas. Recentemente a <strong>Marco Zero</strong> mostrou a situação da área do rio Tejipió em <a href="https://marcozero.org/sou-uma-mulher-de-40-anos-que-tem-medo-da-chuva/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">reportagem especial</a> sobre o adoecimento mental das famílias. São populações de baixa renda, negras em sua maioria, muitas chefiadas por mulheres e mães as impactadas pela falta de políticas públicas socioambientais e de habitação, além de prevenção e resposta aos desastres diante das mudanças climáticas.</p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Instagram Coqueiral Ordinário</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>O desabamento do prédio no Conjunto Beira-Mar, no Janga, em Paulista, na manhã de hoje, também tem ligação com esse cenário. A Caixa Seguradora, uma das empresas responsáveis pelo prédio, já havia constatado o risco de desabamento. Mas, devido ao imenso déficit habitacional e à desigualdade social, as pessoas não tinham para onde ir, sobretudo na época mais chuvosa do ano em Pernambuco.</p>



<p>Na Muribeca, em Jaboatão dos Guararapes, município vizinho ao Recife, o desespero de alguns moradores com o aumento do nível da água foi tão grande que alguns se juntaram e começaram, por conta própria, a tentar com enxadas mudar o curso da água.</p>



<p>Desde o início da semana, a Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) havia alertado para a tendência de chuvas a partir de hoje. Ontem (quinta) pela manhã, emitiu o aviso de estado de atenção, indicando chuvas de moderadas a fortes se estendendo ao longo desta sexta.</p>



<p>A mais recente atualização da Apac, por volta das 10h, indica que a tendência é que as chuvas prossigam até segunda (10), mas com intensidade maior hoje e amanhã na Região Metropolitana do Recife e na Zona da Mata (Norte e Sul). No Agreste, há tendência de chuvas moderadas até amanhã.</p>



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	                                        <p class="m-0">Rio Jaboatão, na Muribeca</p>
	                
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<p>O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também emitiu aviso vermelho para áreas de Pernambuco e da Paraíba, com acumulado de chuva que pode superar os 100 milímetros em 24h.</p>



<p>O Inmet alerta para “grande risco de grandes alagamentos e transbordamentos de rios, grandes deslizamentos de encostas, em cidades com tais áreas de risco” nas regiões metropolitana de Recife e nas zonas da Mata da Paraíba e de Pernambuco. O alerta é válido até as 20h desta sexta.</p>



<p>“O rio está em um nível bem alto, mas ainda não chegou a atingir as casas. Então, em questão de inundação, por enquanto, está sob controle”, informa Joice Paixão, presidenta do GRIS Solidário, associação que atua no bairro da Várzea, na Zona Oeste da capital. “O que nos preocupa agora é que temos algumas famílias que estão com problemas estruturais nas casas que não são de alvenaria. Algumas têm estruturas de madeira e estão prejudicadas pelas chuvas”, alertou.</p>



<p>O GRIS auxilia e monitora a situação de famílias da Zona Oeste do Recife que moram em áreas ribeirinhas às margens do Rio Capibaribe, como a comunidade B13. Atualmente a associação está com uma campanha de doações dividida em três frentes de arrecadação: materiais de construção, alimentos não perecíveis e itens de higiene e doações via pix para auxiliar nas questões logísticas e de mobilidade.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><em>Confira no final da matéria uma lista de onde e como ajudar algumas comunidades.</em></li></ul>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Barragens estão no nível máximo de capacidade</strong></h2>



<p>Ao menos seis dos 12 reservatórios que garantem o abastecimento d’água da Região Metropolitana do Recife estão acima ou no nível máximo de capacidade de armazenamento.</p>



<p>As barragens de Tapacurá, Bita, Gurjaú, Sicupema e Matriz da Luz transbordaram e estão vertendo água. Botafogo, em Igarassu, cujo nível raramente ultrapassa o patamar de 30% de sua capacidade, atingiu 100%. O mesmo deve acontecer na barragem de Matriz da Luz, em São Lourenço da Mata, durante o dia de hoje.</p>



<p>Às 10h35, a Apac alertou que o rio Capibaribe atingiu a cota de “alerta”, o que representa risco de inundação no Recife, em Camaragibe e São Lourenço da Mata.</p>



<p>Na noite de quinta, 6 de julho, a Secretaria de Recursos Hídricos anunciou que as comportas da barragem de Lagoa do Carro/Carpina permaneceriam fechadas. O objetivo é evitar cheia no rio Capibaribe no trecho abaixo do reservatório, que está com 29% de sua capacidade e tem condições de reter mais água.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Desabamento em Paulista expõe déficit habitacional</strong></h3>



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	                                        <p class="m-0">Prédio desabou na manhã de sexta-feira, no Conjunto Beira-Mar. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>Segundo o Corpo de Bombeiros, o desabamento foi de parte de um prédio de 16 apartamentos, dos quais oito desabaram. Neles, havia 19 pessoas, sendo que três delas foram retiradas dos escombros. Em boletim publicado às 15h desta sexta, 7 de julho, o Corpo de Bombeiros informou que três pessoas foram encontradas sem vida: uma mulher de 43 anos, um homem de 45 e um adolescente de 12. Os nomes não foram divulgados.</p>



<p>Ainda de acordo com as informações, duas foram resgatadas com vida e apresentavam ferimentos e fraturas nos membros inferiores. Elas foram encaminhadas para o Hospital Miguel Arraes e o Hospital da Restauração. A terceira vítima foi resgatada sem vida.</p>



<p>No momento, 15 pessoas seguem soterradas. Uma adolescente de 15 anos foi localizada com vida em meio aos escombros e está recebendo oxigênio enquanto aguarda o resgate.</p>



<p>Em <a href="https://www.instagram.com/reel/CuZgTDWN-sp/?img_index=1">nota</a>, o Centro Dom Hélder Câmara (Cendhec), que acompanha a situação da população que vive em áreas de risco na Região Metropolitana do Recife, informou que “A Caixa Seguradora, uma das empresas responsáveis pelo prédio, realizou uma vistoria em todo o conjunto habitacional e constatou o risco de desabamento. Mas, devido ao imenso déficit habitacional e desigualdade social que vivenciamos em todo o estado, famílias não viam outra alternativa, a não ser permanecer”.</p>



<p>O trecho inicial da nota diz: “Não é novidade. A tempestade que cai, as ruas que alagam, as barreiras que deslizam e as vidas que são interrompidas. Não é novidade. Quem mora em área de risco, quem suja os pés na lama, quem chora os parentes mortos e quem tem medo da chuva no telhado. Sabemos quem são as mulheres, homens, crianças, adolescentes e idosos negros, pobres e vulnerabilizados, que depois são listados como estatísticas. Sabemos que a dor delas e deles poderia ser evitada com governos eficientes, com uma política de habitação igualitária e com respeito aos seus direitos humanos”.</p>



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	                                        <p class="m-0">Bombeiros resgataram corpo de um homem de 45 anos às 13:30min. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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<h4 class="wp-block-heading"><strong>ONDE E COMO AJUDAR</strong></h4>



<p>Gris Espaço Solidário (<a href="https://www.instagram.com/gris.solidario/">@gris.solidario</a>) &#8211; Várzea</p>



<p>Coletivo Ibura Mais Cultura (<a href="https://www.instagram.com/iburamaiscultura/">@iburamaiscultura</a>) &#8211; Ibura</p>



<p>ONG Somos Todos Muribeca (<a href="https://www.instagram.com/somostodosmuribeca/">@somostodosmuribeca</a>) &#8211; Muribeca</p>



<p>Coletivo Fala Alto (<a href="https://www.instagram.com/coletivofalaalto/">@coletivofalaalto</a>) &#8211; Alto do Pascoal/Terezinha</p>



<p>Centro Comunitário Mário Andrade (<a href="https://www.instagram.com/centrocomunitariomario/">@centrocomunitariomario</a>) &#8211; Ibura</p>



<p>Grupo Mulher Maravilha (<a href="https://www.instagram.com/gmulhermaravilha/">@gmulhermaravilha</a>) &#8211; Recife</p>



<p>Praça do Cristo (<a href="https://www.instagram.com/pracadocristo/">@pracadocristo</a>) &#8211; Jardim São Paulo (entregar na casa de Regi ou entrar em contato pelo perfil do Instagram)</p>



<p><strong>OBS</strong>: <strong>Texto atualizado às 17h29min</strong></p>
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		<title>&#8220;Sou uma mulher de 40 anos que tem medo da chuva&#8221;</title>
		<link>https://marcozero.org/sou-uma-mulher-de-40-anos-que-tem-medo-da-chuva/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Jun 2023 13:47:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[alagamentos]]></category>
		<category><![CDATA[ansiedade]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas em Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas no recife]]></category>
		<category><![CDATA[deslizamento de barreira]]></category>
		<category><![CDATA[medo da chuva]]></category>
		<category><![CDATA[saúde mental]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em meio ao luto que completou um ano e à lama que se forma com a chegada das chuvas, muitas mentes não dormem e corações não sossegam. “Eu tenho até vergonha de falar isso, porque parece muito dramático, mas é a realidade: sou uma mulher de 40 anos que tem medo da chuva.” Elivaneide Nunes [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em meio ao luto que completou um ano e à lama que se forma com a chegada das chuvas, muitas mentes não dormem e corações não sossegam. “Eu tenho até vergonha de falar isso, porque parece muito dramático, mas é a realidade: sou uma mulher de 40 anos que tem medo da chuva.” Elivaneide Nunes estava dormindo na manhã de 7 de junho de 2022 quando foi “engolida pela própria casa”, na Linha do Tiro, zona norte do Recife, onde estava com o marido e os filhos, Lucas Daniel, de 13 anos, e Arthur, de 8 anos. O mais velho não sobreviveu.</p>



<p>Em Coqueiral, na zona oeste da capital, a possibilidade de uma nova cheia virou o maior medo de John Arthur Chagas, de apenas 12 anos. Em 28 de maio do ano passado, ele sobreviveu à forte correnteza formada com o transbordamento do rio Tejipió. Depois do resgate arriscado, feito por voluntários da igreja, o menino ficou em pânico sem conseguir entrar em casa quando o nível da água baixou.</p>



<p>Até hoje, Arthur não esquece. Virou “garoto meteorológico”, acompanhando a previsão do tempo e o nível da água sempre que começa a chover. O barulho da chuva, que antes embalava o sono, mesmo no verão, com o som no celular ou no tablete, virou motivo de ansiedade, enjoo e ânsia de vômito. Nem ele nem a mãe, Fabiana Chagas, dona de casa e vendedora de lanches, conseguiram apoio psicossocial por parte do poder público depois da tragédia.</p>



<p>A história de Elivaneide, Arthur e Fabiana mostra que a dor de um trauma pode nunca silenciar, mas, sem acolhimento e ajuda profissional, essa dor talvez nunca pare de gritar.</p>



<p>Esses são exemplos de tantas famílias que vivem na periferia ou em áreas de morros e encostas e perderam parentes, tiveram suas casas destruídas ou seus pertences perdidos com os temporais de 2022, que, ao todo, mataram ao menos 130 pessoas na Região Metropolitana do Recife.</p>



<p><a href="https://marcozero.org/somente-as-chuvas-nao-explicam-mortes-nos-morros/">Mas somente as chuvas não explicam o que aconteceu.</a> A lógica de desenvolvimento e a falta de políticas habitacionais empurram a classe trabalhadora mais pobre, em sua maioria negra, para áreas vulneráveis ao mesmo tempo em que políticas de planejamento urbano e uso do solo privilegiam apenas uma pequena parte da população e do setor privado.</p>





<h2 class="wp-block-heading"><strong>“Tudo que eu sonho são as recordações da tragédia”</strong></h2>



<p>A casa de Elivaneide, na Linha do Tiro, ficava em cima de uma barreira que deslizou após um grande volume de chuvas. Lucas, o filho mais velho, chegou a ser socorrido com vida, mas não resistiu aos ferimentos e morreu a caminho do hospital. Foi a 109ª vítima entre maio e junho do ano passado.</p>



<p>O depoimento do avô de Lucas, Eliziario da Silva, conhecido como Pelé, falando <a href="https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2022/06/07/nao-ha-necessidade-de-alguem-morar-pendurado-em-barreira-diz-avo-de-adolescente-vitima-de-deslizamento-no-recife.ghtml">“não há necessidade de alguém morar pendurado em barreira”</a> ficou bastante conhecido na internet. “Eu queria muito sonhar com o meu filho, mas, desde esse dia, eu não sonho mais. Tudo que eu sonho são as recordações da tragédia”, relata Elivaneide.</p>



<p>Antes do deslizamento, ela já enfrentava uma “batalha psicológica” – como ela mesma caracteriza – para superar a obesidade e o alcoolismo. Ela recorda que estava em um bom momento de recuperação antes da tragédia. “Eu estava tão bem com a minha saúde mental, estava esplêndida e aconteceu isso, a morte do meu filho. Hoje eu peso menos de 80 quilos e isso é tão gratificante”, lembra. “Ele [Lucas] me ajudou muito durante todas as minhas batalhas e eu queria muito que ele estivesse aqui para me ver agora”, lamenta.</p>



<p>“O primeiro Dia das Mães sem ele foi terrível. Infelizmente as pessoas não vão mais lembrar, porque vai cair no esquecimento, vai virar mais uma estatística, e, para mim, vai doer para sempre”, complementa Elivaneide. “As pessoas só vão lembrar a necessidade de dar uma casa a ‘Neide’, a necessidade de dar os móveis a ‘Neide’. Mas ninguém tem a percepção que ‘Neide’ precisa de um atendimento psicológico”, ela diz.</p>



<p>A dona de casa faz acompanhamento psicológico, com sessões semanais de terapia, pagas do próprio bolso. Ela não se sentiu segura com a abordagem médica e o tratamento sugerido num Centro de Atendimento Psicossocial (Caps) do Recife, onde foram realizados atendimentos de apoio às vítimas dos deslizamentos.</p>



<p>“Encaminharam eu, minha irmã, meu esposo e meu filho mais novo para o Caps. Só que o tratamento que se dá não é voltado para o que a gente precisa. Não desmerecendo a situação, mas eu não preciso de medicação para me acalmar, para me botar para dormir e foi isso que eles me ofereceram”, explica.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Na fila de espera por acompanhamento psicológico</strong></h2>



<p>Elivaneide está na fila de espera aguardando acompanhamento psicológico pela Prefeitura do Recife para Arthur, o filho mais novo, que sobreviveu. “Eu consegui fazer uma casinha com o meu próprio corpo e protegi Arthur. Passei dias com as costas roxas. A médica disse que, se eu tivesse o peso que tinha antes, eu teria sufocado meu próprio filho. Só de lembrar disso, eu me emociono. Eu queria ter salvado os dois, eu queria que Lucas tivesse perto de mim também para eu protegê-lo, mas ele estava no outro quarto.”</p>



<p>Em nota à <strong>Marco Zero</strong>, a secretaria de Saúde do Recife afirmou que, no primeiro trimestre após as fortes chuvas de maio de 2022 – junho, julho e agosto –, a média de atendimentos dos Caps do Recife passou de 14.300 para 17.300, um aumento de 20%. No segundo trimestre após as chuvas – setembro, outubro e novembro –, esse número caiu para 14.500.</p>



<p>“Esses números não refletem apenas a procura por questões relacionadas às chuvas, mas compreendem todos os tipos de atendimento que a Raps (Rede de Atenção Psicossocial) oferece, como consultas individuais e em grupo, apoio psicossocial e/ou de tratamento para transtornos decorrentes de sofrimento psíquico ou do consumo abusivo de álcool e outras drogas”, frisou a pasta.</p>



<p>Durante as chuvas, afirma a prefeitura, foi montada uma força-tarefa, com 60 profissionais de diversas áreas da saúde mental, para oferecer atendimento psicossocial às pessoas desabrigadas. Segundo a gestão, a assistência especializada, com suporte de psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais e enfermeiros, foi feita diretamente nos abrigos instalados nos oito distritos sanitários da cidade, com reforço das ações no território do Distrito VIII (Cohab, Ibura e Jordão), mais afetado pelas chuvas.</p>



<p>A gestão municipal disse também que, ao todo, 348 pessoas foram atendidas e aquelas que necessitaram de tratamento continuado foram encaminhadas para a rede de Caps, formada por 17 unidades. A secretaria de Saúde do Recife contabilizou que, desde maio de 2022, nomeou 111 profissionais, entre médicos, psicólogos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fonoaudiólogos e outros, para recompor a Raps do município. Além disso, repassou que tem investido na requalificação dos Caps para promover melhorias estruturais nos espaços de atendimento à população. </p>



<p>A pasta levantou que os principais tipos de transtornos de estresse pós-traumático verificados nas vítimas foram ansiedade e depressão, sejam em pessoas que apresentaram sintomas pela primeira vez desde a tragédia e aquelas que agravaram um quadro pré-existente.</p>



<p>No dia da entrevista, Elivaneide faltou a terapia porque estava chovendo. “Quando eu estou na rua e começa a chover, fico tão nervosa. Quando chove de madrugada, eu nem durmo. E não tenho como mudar isso, vai ser sempre assim. Porque não vai parar de chover, todos os anos vai ter inverno. O que eu queria mesmo é que não existissem mais vítimas como Lucas”, desabafou.</p>



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	                                        <p class="m-0">Local onde aconteceu o deslizamento da barreira que vitimou Lucas, filho de Elivaneide, na Linha do Tiro. Crédito: Arnaldo Sete/MZ</p>
	                
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<p>Não bastassem as lembranças frequentes do que aconteceu, a dona de casa segue morando em frente ao local que deslizou. Tendo que olhar todos os dias para a barreira, que agora está sendo cimentada pela Prefeitura do Recife. O sentimento é de medo e impotência.</p>



<p>“Quando chegam as pedras, quando você vê os trabalhadores chegando e os entulhos descendo, vai aflorando ainda mais as lembranças, é muito difícil. E eu fico pensando: ‘para onde eu posso ir?’, se minha mãe e toda a minha família moram aqui perto e eu não tenho condições financeiras de me mudar? O auxílio que nos oferecem não é suficiente para pagar aluguel e eu sempre morei em casa própria”, reflete.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>“É desumano ver que seu filho não consegue dormir”</strong></h3>



<p>“Quando minha mãe me trouxe para casa e a gente foi olhar a rua, eu me desesperei quando vi a correnteza e a altura da água. Eu comecei a chorar que nem doido”. Essa é a primeira lembrança do choque de Arthur, de 12 anos, filho de Fabiana, de Coqueiral, na cheia do ano passado.</p>



<p>Foi difícil convencê-lo a ser resgatado de dentro da casa inundada. Ele estava em pânico, com muito medo. “Quando eu consegui sair de casa e as pessoas gritaram ‘olha a pedra, olha a pedra’, eu me desesperei mais ainda. Me segurei com mais força para não cair”, conta com detalhes. A correnteza foi tão forte que arrastou, além de pedras, carros, pedaços de casas e objetos pela rua.</p>



<p>A frase que mais marcou Fabiana naquele momento foi o filho dizer “mãe, eu não estou vendo a nossa casa”, de tão desfigurado que ficou o imóvel. “O que eu mais repetia, na minha cabeça, a cada armário e cômoda que eu jogava fora, era ‘obrigada, Deus, eu estou botando móvel, não estou botando um caixão’”, agradece.</p>



<p>Desde então, a chuva se tornou o maior medo da família e isso tem atrapalhado também o desempenho educacional de Arthur, que virou uma criança mais retraída. Os bonecos articulados que ele fazia deram lugar a armas construídas com papel. “É desumano você não conseguir dormir e ver que seu filho não consegue dormir enquanto a chuva não diminui. Aí como ele vai no outro dia para escola? Como vai ficar o resultado dele? Vai continuar a vida de uma forma normal e, quando chegar no inverno, ele vai parar?”, indaga a mãe.</p>



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	                                        <p class="m-0">Fabiana com o filho, Arthur, na casa ainda com as manchas do nível da água nas paredes, em Coqueiral. Crédito: Arnaldo Sete/MZ</p>
	                
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<p>“Eu não vou sair com ele dentro d&#8217;água. Isso eu já botei na minha cabeça. A gente começou a fazer uma estratégia de guerra, porque eu não vou deixar meu filho passar pelo o que ele passou”, garante. Fabiana já prometeu: ao menor sinal de que a chuva está apertando, vai correndo pegar o filho na escola.</p>



<p>Nem mesmo os Bombeiros conseguiram chegar no dia da tragédia, em 2022, porque as ondas ameaçavam virar os botes. “Ninguém tinha energia, ninguém tinha telefone, não tinha 4G, não tinha internet, não tinha nada. A gente ficou literalmente num filme de terror”, compara.</p>



<p>“É algo desesperador você não controlar uma angústia que vem de dentro, que lhe faz tremer, que você perde o controle do seu corpo”, descreve a dona de casa que passou por crises de choro incontroláveis enquanto esperava comida na fila da igreja entre maio e junho do ano passado.</p>



<p>“Eu não estou aqui para esperar que o governo ache que com R$ 2,5 mil eu vou comprar geladeira, fogão, estante, sofá, roupa”, rebate Fabiana, contando que a família passou um tempo tirando a roupa para tomar banho e se enxugando com ela, porque não tinha toalha nem lençol. A igreja Batista de Coqueiral foi o principal centro de apoio durante 30 dias para alimentação, vestuário, higiene e limpeza.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>“A gente tem que se virar”</strong></h3>



<p>Ao longo da última década, Carla Suzarte, de 46 anos, também de Coqueiral, modificou a casa para se proteger das enchentes e evitar mais prejuízos no lugar onde ela vive há quase 30 anos. Os móveis hoje são de cimento, há cerâmica em todas as paredes e ela construiu com o marido um primeiro andar. É para lá que a família vai, junto com geladeira, fogão e móveis, quando o nível do Rio Tejipió ameaça subir. Nas chuvas de 2022, a água dentro do imóvel chegou a quase cobrir a TV na parede.</p>



<p>A TV que ela exibe foi comprada com uma cota que o pessoal do trabalho fez para ajudá-la. São incontáveis os móveis e eletrodomésticos que a família já perdeu por causa da água. “Sonho de anos, parcelado, que vai embora em um dia”, define a guia de turismo e artesã. Carla começa a tremer e ficar ansiosa a cada vez que a chuva aperta.</p>



<p>“A gente já tem um sistema nervoso, a gente não dorme. Então vem aquela ansiedade. Tem hora que eu fico no desespero, eu choro do nada”, diz, detalhando que sente falta de ar, dor no peito e dor de cabeça. “No outro dia, você também sente dor de cabeça, porque não dormiu. Fica irritada, não consegue raciocinar”, fala.</p>



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	                                        <p class="m-0">Na foto, Carla, de Coqueiral, exibe o nível que água atingiu dentro de casa, quase cobrindo a TV na parede. Crédito: Arnaldo Sete/MZ</p>
	                
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<p>“Sou feliz porque consegui ter um imóvel e, ao mesmo tempo, triste porque, toda vez que chove, a gente tem esse desespero”, explica. Segundo Carla, esse desespero já começa quando ela precisa desmontar a casa toda. “É pior que mudança”, compara. &#8220;Além de você não dormir durante a noite todinha olhando o nível do rio, você fica com aquela adrenalina. Você não sabe onde arranja tanta força”, descreve.</p>



<p>Carla afirma que o posto de saúde perto de casa costuma ter somente médico clínico. O Caps mais próximo fica em Jardim São Paulo, a cerca de cinco quilômetros, e, segundo ela, só atende pacientes em situação de surto. “A gente que se virar, é com chazinho e se acostumando”, detalha. “A gente não mora em beira de rio porque quer. A gente é empurrado, a classe pobre é empurrada para esses bairros.”</p>



<p>Na avaliação da assistente social e coordenadora do projeto Rios Livres, Cidades Saudáveis, do Instituto Social Solidare, Géssica Dias, “o adoecimento mental é tão crônico que ele não precisa de perda fatal, eles mexe com gatilhos das vivências da família e o fato de ano passado ter sido o pior ano”. O instituto junto com a igreja conseguiu retirar cerca de 500 pessoas de situações de perigo nas chuvas de 2022.</p>



<p>Géssica calcula um aumento de 70% nas buscas ao instituto de famílias pedindo ajuda para encaminhamento para serviço de saúde mental. “As pessoas estão vivendo uma sobrevida, estão adoecidas, não conseguem mais lidar com os fenômenos naturais”, afirma. “As famílias estão desacobertadas e isso inclui o atendimento clínico individualizado. Nem sempre o atendimento em grupo faz sentido”, alerta.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Jardim Monteverde protesta um ano depois</strong></h3>



<p>O cenário ainda é desolador na comunidade de Jardim Monte Verde, no Ibura, numa área limítrofe entre os municípios do Recife e de Jaboatão dos Guararapes, onde mais de 20 pessoas morreram, sendo 12 delas de uma mesma família.</p>



<p>Na sexta-feira, 26 de maio, moradores e familiares das vítimas realizaram um ato em memória dos falecidos e para cobrar medidas e ações efetivas do poder público na mitigação dos danos e riscos causados pelas chuvas. A mobilização iniciou no Terminal de Jardim Monteverde e seguiu em caminhada até a rua da Capela, onde ocorreu o maior número de mortes, 17 ao todo.</p>



<p>Durante todo o ato, foi possível notar a dor e a tristeza dos moradores. Uma maioria de mulheres, entre 30 e 60 anos, e crianças vestidas de preto com cartazes estampando frases carregadas de cobranças, como “Quantas mortes mais vai precisar?”, ocuparam as ruas e se emocionaram ao relembrar a tragédia.</p>



<p>A reportagem <a href="https://marcozero.org/somos-uma-comunidade-adoecida-jardim-monteverde-6-meses-depois-das-chuvas/">esteve na comunidade seis meses após as chuvas</a> para falar sobre adoecimento mental e o relato dos moradores, desde então, só piora.</p>



<p>“É muito triste o que está acontecendo em Jardim Monte Verde. As pessoas estão morrendo e os governantes não fazem nada, a culpa do que aconteceu é deles. O bairro está morrendo, as pessoas estão doentes. Depois do que aconteceu ano passado, muitos idosos morreram de remorso e de solidão, não aguentaram a dor. As pessoas estão se cortando, o suicídio está aí. As crianças entram em pânico quando escutam a chuva, isso não é normal”, afirmou a moradora Dalva Damares, 67 anos, ao denunciar o adoecimento mental da comunidade durante sua fala no ato.</p>



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	                                        <p class="m-0">Comunidade de Jardim Monteverde protesta um ano depois da tragédia. Crédito: Giovanna Carneiro/MZ</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>De acordo com os moradores, após a tragédia das chuvas, a Prefeitura de Jaboatão colocou dois psicólogos na Unidade Básica de Jardim Monteverde para prestar assistência à comunidade.</p>



<p>Em nota à <strong>Marco Zero</strong>, a prefeitura afirmou que “diante da situação emergencial de desastre, no ano passado, a Secretaria Municipal de Saúde reconfigurou e expandiu a estratégia de atendimento em saúde mental, visando garantir acolhimento emocional imediato à população e aos trabalhadores da prefeitura. Foi implantado um Plano Emergencial em Saúde Mental para Situações de Emergências e Desastres, com atuações voltadas tanto para o cuidado da população atingida quanto para profissionais que atuaram diretamente nessa demanda”.</p>



<p>“O município se antecipou e implantou rapidamente plantões psicológicos nas sete comunidades mais atingidas pelas chuvas. Com atendimento imediato, sem necessidade de agendamento prévio ou filas de espera. Atualmente quatro plantões continuam acontecendo semanalmente em três comunidades: Jardim Monteverde (dois plantões semanais), Bola de Ouro (um plantão semanal) e Dois Carneiros Baixo (um plantão semanal)”.</p>



<p>A Secretaria de Saúde disse que também realizou monitoramento e atendimento sistemático e/ou imediato, quando necessário, às demandas de saúde mental nos 23 abrigos utilizados; executou ações de escuta qualificada; ampliou oferta de grupos de saúde mental na atenção básica; e realizou ações específicas para a população em situação de rua.</p>



<p>“Com as medidas, não percebemos aumento da procura de atendimento na rede municipal. [&#8230;] A média é de 130 atendimentos ao mês”, concluiu a gestão municipal. A resistência de alguns moradores em admitir o trauma e buscar apoio psicológico pode explicar a falta de aumento na procura por atendimento nas unidades de saúde.</p>



<p>Corina Maria da Silva, 63 anos, perdeu o filho durante os deslizamentos de 2022 no Jardim Monteverde e, até hoje, sente medo da chuva e se revolta ao lembrar da tragédia. “Não foi a primeira vez, só que dessa vez a tragédia foi maior e é culpa do descaso do governo de Pernambuco e das prefeituras. Eles dizem que têm milhões e milhões de dinheiro, mas não chegam com benefícios para nossa comunidade. Eu quero que eles tenham vergonha na cara e venham na nossa comunidade trabalhar, venham com projeto, com soluções de moradia. Porque é isso que nós queremos: moradia”, afirmou a autônoma.</p>



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	                                        <p class="m-0">Corina na área onde seu filho morreu. Crédito: Giovanna Carneiro/MZ</p>
	                
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<p>Bastante emocionada, chorando e com as mãos trêmulas, Corina admite que sente os efeitos do trauma, mas acredita que não precisa de acompanhamento psicológico. “Eu sou uma pessoa que eu tenho maior devoção em Deus e eu acredito que Deus me dá força para seguir em frente sem precisar de tratamento psicológico. Eu tomei um calmantezinho hoje porque isso mexe muito comigo, mas eu estou bem, estou tranquila. Porém, aqui na comunidade, tem muita gente traumatizada, tem crianças que não podem ver chuva que já começam a chorar”, disse.</p>



<p>Privação do sono e sensação de pânico com a chegada das chuvas são alguns dos efeitos que Corina experimenta durante o inverno. A idosa mora em um local rodeado por barreiras, próximo de onde aconteceu o deslizamento que causou a morte do filho. De acordo com Corina, a Defesa Civil chegou a notificá-la do risco e solicitou que ela deixasse o imóvel.</p>



<p>“No dia que começou a chover muito, eu não consegui dormir, porque eles [agentes da Defesa Civil] dizem que o meu terreno é área de risco, então, se uma barreira cair, pode derrubar uma casa e consequentemente essa casa pode derrubar a minha. [&#8230;] Infelizmente eu não posso sair da minha casa sem ter para onde ir. Eles oferecem um habitacional, mas não dizem nem qual é esse habitacional. E eu não vou sair da minha casa por um auxílio-moradia que só dá para alugar casa em barreiras ou na beira do rio”, declarou.</p>



<p>No início de maio, o Governo de Pernambuco anunciou um investimento de R$ 52,4 milhões para fortalecer o Fundo Estadual de Assistência Social e os serviços de proteção do Estado. O valor deve ser transferido para os fundos das gestões municipais e o montante de cada administração vai variar conforme os serviços socioassistenciais ofertados por cada município.</p>



<p>O investimento vai contemplar as unidades de Centros de Referência da Assistência Social (Cras), com R$ 10,2 milhões, e também os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas), com R$ 5,8 milhões. A partir do dia 30 de maio até dezembro, todos os municípios pernambucanos vão receber os valores pactuados.</p>



<p>Segundo a Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes, o município está “na fase de celebração de assinatura do termo de aceite com o Governo do Estado de Pernambuco e ainda não recebeu essa verba. O montante do repasse financeiro no bloco da Proteção Social de Média Complexidade Creas/Paef será de R$ 30 mil para todo o ano de 2023. Esse recurso será utilizado para custear ações já desempenhadas pelo município, não sendo suficiente para ampliar serviços, neste momento”.</p>



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			</item>
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		<title>Coletivos e ONGs que atuam em áreas de risco se preparam para o período de chuvas intensas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 May 2023 14:13:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[alagamentos]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas no recife]]></category>
		<category><![CDATA[deslizamento de barreira]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura de Jaboatão]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[REgião Metropolitana do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Ano passado nós fomos surpreendidos pela magnitude das chuvas do dia 28 de maio, mas no dia 24 de maio já tinha acontecido uma chuva que atingiu muitas casas das famílias ribeirinhas, então, desde o dia 24 nós já estávamos mobilizados”. Joice Paixão, coordenadora da associação GRIS Solidário, relatou estar vivendo um Deja Vú. Prestes [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>“Ano passado nós fomos surpreendidos pela magnitude das chuvas do dia 28 de maio, mas no dia 24 de maio já tinha acontecido uma chuva que atingiu muitas casas das famílias ribeirinhas, então, desde o dia 24 nós já estávamos mobilizados”. Joice Paixão, coordenadora da<strong> <a href="https://www.instagram.com/gris.solidario/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">associação GRIS Solidário</a></strong>, relatou estar vivendo um Deja Vú.</p>



<p>Prestes a completar um ano das fortes chuvas que atingiram o Recife e a Região Metropolitana provocando a morte de 126 pessoas e deixando milhares de desabrigados em todo o estado de Pernambuco, integrantes de coletivos e organizações não-governamentais, que se mobilizaram para prestar assistência à população acreditam que o cenário ainda é propício a novos desastres.</p>



<p>Se o período chuvoso no estado, que se identifica entre os meses de maio e julho, já era motivo de preocupação para os moradores de áreas de encosta e ribeirinhas, a situação se agravou no último ano. O acumulado de chuvas da última quarta-feira, 24 de maio, registrado pela Agência Pernambucana de Águas e Climas (Apac), &#8211; com registros de 72,4 mm para o Recife e 86,1 mm em Jaboatão dos Guararapes -, acendeu o alerta na população e reforçou o medo de reviver os dias de terror que aconteceram neste mesmo período do ano passado.</p>



<p>Diante da possibilidade de um cenário climático catastrófico, coletivos e organizações afirmam ainda não ter se recuperado das chuvas de maio de 2022, mas já estão mobilizados para o que poderá vir neste ano.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Em um ano, pouca coisa mudou</strong></h2>



<p>A Marco Zero Conteúdo conversou com lideranças dos coletivos que atuam no Recife e na Região Metropolitana e a resposta foi unânime: falta engajamento do poder público e das gestões municipais e estaduais nas obras ou projetos de mitigação dos impactos das chuvas em Pernambuco.</p>



<p>“Até o momento, eles [representantes da gestão municipal] fizeram algumas reuniões na comunidade e estão em um processo de fazer o levantamento das ruas, das casas, da topografia, para o projeto ProMorar, mas no aspecto prático da situação, de promover mudanças nas áreas de risco, a gente não viu nada. Inclusive, a gente chegou a solicitar a limpeza de canaletas e das margens do rio e não foi feito. Nós moradores é que estamos fazendo um mutirão de limpeza dos rios”, declarou Joice Paixão, do GRIS Solidário. A associação atua no bairro da Várzea, na Zona Oeste do Recife, desde 2018, e em maio de 2022 foi responsável por realizar doação de alimentos, de kit de higiene, refeições, colchões e diversos materiais para a população afetada pelas chuvas, além de promover mutirões de saúde.</p>



<p>Por ser uma das poucas organizações que possui uma sede fixa, o GRIS serviu como ponto de apoio para receber as doações que foram encaminhadas para diversos bairros afetados pelas chuvas, entre eles, Nova Morada, Curado, Engenho do Meio, Iputinga e Jardim Monte.</p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo
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<p>Um dos bairros assistidos pela associação foi o Ibura, local em que Lídia Lins coordenou as atividades de doação. Representante do<strong><a href="https://www.instagram.com/iburamaiscultura/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> coletivo Ibura Mais Cultura</a>,</strong> Lídia também afirma que as ações realizadas pela prefeitura, até o momento, são mínimas e ineficazes: “Poucas áreas de barreiras foram cobertas com lonas e algumas canaletas foram limpas, mas ainda assim nem todas as áreas foram contempladas. Isso é muito pouco diante do grande problemaque enfrentamos dentro do bairro. Ano passado vimos que só isso não é eficaz, não podemos mais aceitar essas ações paliativas que não resolvem”.</p>



<p>As ações paliativas também foram relatadas por representantes de outros coletivos como as únicas atuações realizadas pelo poder público durante esse último ano. “Nós vimos muitos paliativos, como a limpeza de canais, e nós estamos com muito medo porque sabemos que se o volume de chuvas deste ano for igual ou parecido com o do ano passado isso não vai dar conta”, disse Marcelo Trindade, da <a href="https://www.instagram.com/somostodosmuribeca/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>ONG Somos Todos Muribeca, que atua em Jaboatão dos Guararapes.</strong></a></p>



<p>“Eles [agente municipais] fizeram o que sempre fazem, colocar lona, limpar o canal, mas não houve nenhuma contenção de encostas, por exemplo”, reforçou Carolina Barros, moradora do Córrego do Deodato, no bairro de Água Fria, e <a href="https://www.instagram.com/coletivofalaalto/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>integrante do Coletivo Fala Alto</strong></a>.</p>



<p>Em março, o prefeito do Recife, João Campos, anunciou o maior investimento da história para conter os impactos das chuvas, um total de R$ R$ 225 milhões, 50% a mais que em 2022. Além disso, o aporte será reforçado pelos R$ 66 milhões oriundos do Governo Federal para obras de encostas, ou seja, o valor total da Ação Inverno de 2023 será de R$ 291 milhões. De acordo com a prefeitura, o valor prevê o investimento em obras de encostas e aplicação de geomantas até a construção de um Centro de Operações, que irá integrar 13 órgãos, e reforços no plano de contingência, além da limpeza de 99 canais.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/recife-anuncia-pacote-de-prevencao-para-periodo-de-chuvas-sem-novos-habitacionais/" class="titulo">Recife anuncia pacote de prevenção para período de chuvas sem novos habitacionais</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/moradia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Moradia</a>
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	            </div>
        </div>

		


<p>A Operação Inverno também conta com as intervenções de infraestrutura que estão sendo realizadas através do Programa de Requalificação e Resiliência Urbana em Áreas de Vulnerabilidade Socioambiental (ProMorar). Com recursos da ordem de R$ 1,3 bilhão do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).</p>



<p>Há ainda o Programa Parceria, no qual a prefeitura fornece material e orientação técnica para intervenções em áreas planas e morros, enquanto a população entra com a mão de obra como contrapartida. De acordo com a PCR, “apenas nos últimos dois anos, foram entregues mais de 1700 obras pelo Programa Parceria, beneficiando cerca de 4700 famílias. Ainda assim, a Prefeitura executa grandes intervenções como contenção de encostas. Atualmente, a URB está com 44 obras de encostas em curso nos morros da cidade e 65 já foram entregues desde 2021”.</p>



<p>Os dados apresentados pela Prefeitura do Recife contrastam com o testemunho das lideranças e agentes da comunicação comunitária que atuam nas áreas de favelas e morros do Recife. A exemplo do que diz a<strong> <a href="https://www.instagram.com/redetumulto/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">representante da Rede Tumulto</a>,</strong> Yane Mendes: “A gente sabe que não existe o interesse do poder público em se antecipar e trabalhar com prevenção para tentar amenizar os impactos das grandes chuvas e das mortes que elas causam todo ano. O que nós vemos são pouquíssimas mudanças em alguns bairros e várias pessoas que perderam tudo e não tiveram nenhum apoio da gestão municipal ou estadual”.</p>



<p>Além da falta de obras de infraestrutura nas áreas de encosta, os representantes das organizações relataram que algumas famílias tiveram dificuldades em receber o Auxílio Municipal e Estadual (AME) destinado às famílias prejudicadas pelas chuvas, e que o subsídio ainda é pouco para garantir que a população consiga pagar o aluguel de uma moradia em local seguro.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Chuvas de 2022 impactam até hoje</strong></h3>



<p>As chuvas de 2022 causaram estragos que ainda não foram solucionados, tanto para os moradores que foram vítimas dos desastres que resultaram das fortes chuvas, quanto os coletivos que prestaram assistência à população vulnerável, a situação ainda é crítica.</p>



<p>Todos os representantes das organizações relatam os danos à saúde mental sofridos pelo que aconteceu ano passado e contam os detalhes do que viveram, com muita apreensão do que pode acontecer novamente neste ano. Para Carolina Barros, que mora em área de risco, o período chuvoso é sempre um momento de muito medo:</p>



<p>“Eu cresci entre barreiras, eu morava em uma casa que tinha uma barreira atrás e uma na frente. Então eu cresci, vivi e crio meus filhos até hoje em meio às barreiras, onde a gente passa a gente vê o lixo, as lonas, a geomanta rachada porque a prefeitura não faz manutenção, então, causa uma sensação de que nossas vidas, dos moradores das periferias, não são valorizadas, porque são anos e anos do mesmo cenário e nada muda”, relatou a integrante do Coletivo Fala Alto.</p>



<p>Lídia Lins, do Ibura Mais Cultura, e também moradora de uma área de risco, relembra o 28 de maio de 2022 como um “cenário de guerra” com “pessoas mortas, desaparecidas, feridas, casas destruídas e muita lama por todo lugar. Eu cresci na comunidade da UR-10, em um morro com risco geológico, onde ano após ano as famílias precisavam sair dos seus territórios afetivos, suas histórias, seus laços, porque suas casas estão em risco. A comunidade aos poucos está deixando de existir esse não é um problema de agora, poderia ter sido evitado há muito tempo, mas falta vontade política para solucionar. Todo o ano sofremos com o inverno e a preocupação é constante, mas com certeza o ano passado foi a pior tragédia anunciada dos últimos tempos”.</p>



<p>“Se o prefeito andasse pelos territórios, pela comunidade, ele com certeza se sentiria minimamente culpado pelas tragédias das chuvas do ano passado e pensaria mil estratégias para tentar evitar que aquilo se repetisse. Porque nós, moradores da comunidade, ficamos com o coração apertado de ver as pessoas perdendo tudo, familiares e também seus bens materiais conquistados com muito sacrifício”, concluiu Yane Mendes, moradora do bairro do Totó.</p>



<p>Além dos problemas psicológicos causados pelo desastre do ano passado, organizações como o GRIS Solidário e a ONG Somos Todos Muribeca, enfrentam dificuldades em manter suas sedes por falta de verba. “Depois das chuvas do ano passado, o GRIS só não fechou as portas porque nós temos uma ancestralidade muito forte por trás de todo o trabalho que a gente faz. As doações diminuíram absurdamente e, ano passado, todo o dinheiro que nós tínhamos em caixa foram gastos para apoiar as famílias que perderam tudo com as chuvas”, afirmou Joice Paixão.</p>



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	                                        <p class="m-0">Quarto de uma casa, de paredes verde-azuladas, com a marca do alagamento abaixo da janela. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo
</p>
	                
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<h3 class="wp-block-heading"><strong>Preparativos para as chuvas deste ano</strong></h3>



<p>Durante as chuvas de maio de 2022, os coletivos e organizações da sociedade civil foram responsáveis pelo resgate de vítimas, limpeza das áreas afetadas, busca por desaparecidos, e toda mobilização que ajudou a amenizar os impactos da tragédia.</p>



<p>A comunicação direta com os moradores de áreas de risco, principalmente realizada através de grupos no Whatsapp e demais redes sociais, fez com que os coletivos comunitários fossem fundamentais para garantir a sobrevivência de centenas de pessoas. As organizações foram responsáveis por centralizar ações de doações de diversos itens fundamentais como roupas, alimentos, kits de higiene e colchões. Além de promover mutirões de saúde e de assistência no processo de emissão de documentos que foram perdidos nas enchentes.</p>



<p>Após a experiência do ano passado, os coletivos agora esperam, apreensivos, as consequências do inverno de 2023 e acreditam que as chuvas podem causar novos danos. “Se as previsões de uma tendência de precipitação e acúmulo de água for cada vez mais intensa se concretizar, não resta dúvida que viveremos cenários trágicos novamente. As enchentes já estão acontecendo mesmo antes de chegarmos ao inverno, vários pontos de Recife e Jaboatão ficam alagados com níveis de chuvas mínimos. Não está havendo preparo e não há ações efetivas. Não houve responsabilização diante da omissão do Estado frente ao que já era previsto. Não há esperança a não ser a luta coletiva e o monitoramento e pressão da sociedade”, afirmou Lídia Lins.</p>



<p>Enquanto as chuvas mais intensas se aproximam, as organizações se atentam ao trabalho de prevenção junto às comunidades das áreas de risco. “Esse ano nós tentamos trabalhar com a prevenção, mas parece que as pessoas não estão interessadas nisso. Montamos um plano de ações de mitigação das chuvas, mas boa parte dele não conseguimos executar da forma esperada porque não conseguimos financiamento”, disse Joice Paixão.</p>



<p>O acompanhamento das famílias afetadas pela tragédia do ano passado vem sendo realizado pelos coletivos. Todas pessoas foram entrevistadas afirmaram que estão atualizando os dados das pessoas presentes nas comunidades a fim de traçar estratégias de auxílio em casos de emergência. Além de mapear e monitorar as áreas com risco de enchentes e deslizamentos.</p>



<p>“Infelizmente nós estamos preparados para o pior sim, porque não estamos vendo mudança nenhuma feita pelo poder público. Nós podemos rodar o mundo, mas nunca vamos conseguir trazer toda a melhoria que as nossas comunidades precisam porque nós não temos a verba necessária, não temos as ferramentas que as gestões municipal e estadual têm. O que podemos fazer é remediar já que não há prevenção”, concluiu Yane Mendes.</p>



<p>Alguns coletivos já iniciaram os pedidos de doações a fim de manter suas sede em funcionamento, e utilizam as redes sociais como ponto de divulgação de campanhas de arrecadação. Mas a maioria afirmou que só criará campanhas de doação pontualmente, em caso de emergência.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/apac-chama-imprensa-para-avisar-que-chuvas-serao-intensas-nos-proximos-tres-meses/" class="titulo">Apac chama imprensa para avisar que chuvas serão intensas nos próximos três meses</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/clima/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Clima</a>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Governo Federal vai consertar sensores de deslizamento de barreiras que estão quebrados desde 2016</title>
		<link>https://marcozero.org/governo-federal-vai-consertar-sensores-de-deslizamento-de-barreiras-que-estao-quebrados-desde-2016/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Apr 2023 19:06:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[alagamentos]]></category>
		<category><![CDATA[Apac]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas]]></category>
		<category><![CDATA[defesa civil]]></category>
		<category><![CDATA[deslizamento de barreira]]></category>
		<category><![CDATA[MCTI]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No dia 22 de março, durante a visita de Lula a Pernambuco, a ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, assinou um acordo de cooperação com o governo estadual para a implementação de um sistema de monitoramento de cheias e deslizamento de morros. Na ocasião, a ministra explicou que o sistema vai contar com um [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>No dia 22 de março, durante a visita de Lula a Pernambuco, a ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, assinou um acordo de cooperação com o governo estadual para a implementação de um sistema de monitoramento de cheias e deslizamento de morros. Na ocasião, a ministra explicou que o sistema vai contar com um monitoramento 24 horas, realizado através de equipamentos específicos, e com alertas de risco emitidos para a população.</p>



<p>Dois dias após o anúncio da implementação do sistema, a Agência Pernambucana de Águas e Climas (Apac) convocou a imprensa para anunciar que de abril a junho as chuvas devem ser intensas na Região Metropolitana do Recife, Zona da Mata e Agreste, com precipitação que podem ultrapassar os 300 mm (cada milímetro equivale a um litro de água por metro quadrado).</p>



<p>Com a proximidade do período mais chuvoso na região, a Marco Zero Conteúdo procurou o Governo de Pernambuco, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e a Apac para saber como vai funcionar o sistema de monitoramento de cheias e deslizamentos.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/apac-chama-imprensa-para-avisar-que-chuvas-serao-intensas-nos-proximos-tres-meses/" class="titulo">Apac chama imprensa para avisar que chuvas serão intensas nos próximos três meses</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/clima/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Clima</a>
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Comissão de monitoramento</strong></h2>



<p>Resultado da parceria entre o Governo Federal e as instituições do estado, o sistema de monitoramento anunciado consiste em uma série de ações adotadas para prevenir desastres socioambientais como o que ocorreu em maio de 2022, em Pernambuco, e resultou 133 mortos e milhares de desabrigados em Pernambuco.</p>



<p>O sistema conta com a formação de um comitê de gerenciamento de crise em caso de desastres, com integrantes dos órgãos responsáveis pelo monitoramento, que tem previsão de início para este mês de abril e deve seguir mobilizado até julho, ou enquanto durarem as chuvas intensas. Outra ação urgente será a recuperação de sensores espalhados pelos morros da Região Metropolitana que estão quebrados ou sem manutenção há sete anos.</p>



<p>Em caso de risco de enchentes ou deslizamentos, a Defesa Civil, que também integra a comissão, será informada imediatamente e ficará responsável por fazer a retirada da população dos locais afetados. Já a Apac é responsável por comunicar diariamente à população a situação climática e meteorológica, emitindo alertas caso seja necessário.</p>



<p>Questionamos o diretor do Cemaden, Osvaldo Moraes, sobre como seriam realizadas as ações de alerta para a população em situações de risco. Em resposta, Moraes relembrou a lei 12.608/2012, que determina que é dever de estados e municípios a adoção de medidas necessárias para reduzir os riscos de desastres e afirmou que “nós [Cemaden] realizaremos o monitoramento e emitiremos o alerta aos órgãos competentes, mas as iniciativas para conter os danos são de responsabilidade dos governos estaduais e municipais, que devem atuar junto com a Defesa Civil”.</p>



<p>Procuramos o Governo de Pernambuco para saber mais detalhes do sistema de monitoramento e as medidas de contingência em caso de desastres. Em nota, enviada pela Secretaria de Defesa Civil, o governo informou apenas que “neste primeiro momento, a parceria é apenas entre a APAC e a Universidade Federal de Pernambuco, mas ficamos à disposição para qualquer dúvida”.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Manutenção e instalação de equipamentos de monitoramento</strong></h3>



<p>A parceria entre Apac e Universidade Federal de Pernambuco, citada pela Defesa Civil do estado, diz respeito à manutenção e recuperação de 15 sensores geotécnicos instalados nos morros de Pernambuco, em sua maioria na Região Metropolitana do Recife.</p>



<p>Os sensores geotécnicos são equipamentos de monitoramento compostos por pluviômetros automáticos e sensores de umidade de solo que coletam dados sobre a quantidade de chuva acumulada no solo. Os sensores emitem um sinal infravermelho para o equipamento denominado Estação Total Robotizada (ETR), que ficam instalados sobre postes nas encostas de morros e são capazes de detectar pequenos deslocamentos no solo, e, assim, conseguem prever acidentes.</p>



<p>De acordo com a Apac, os 15 sensores instalados em Pernambuco estão sem manutenção desde 2016 por falta de recursos e, agora, graças ao investimento do Ministério da Ciência e Tecnologia através do Cemaden, voltarão a funcionar. “A APAC está apoiando a manutenção do equipamento de pluviometria e a ida aos morros junto com a UFPE (Laboratório de Geotecnia) para verificação do status dos sensores de umidade. A UFPE, através do professor Roberto Coutinho, irá fazer essa análise dos sensores de umidade e montará um orçamento para recuperação dos mesmos”, esclareceu a Apac por meio de nota.</p>



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	                                        <p class="m-0">Estações com sensores e pluviômetros serão montados para monitorar nível dos rios.  Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo
</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>Outro equipamento de monitoramento previsto para compor o sistema anunciado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia são as estações hidrológicas. Com o objetivo de prevenir os danos causados pelas enchentes, as estações monitoram o nível do rio, através de um sensor tipo radar, e da precipitação chuvosa, com pluviômetros. O equipamento conta com uma webcam integrada que permite registros fotográficos em tempo real da situação do rio e as informações são transmitidas aos órgãos responsáveis pela rede de telefones celulares.De acordo com o diretor do Cemaden, cada estação custa em média R$ 500 mil e, nos próximos meses, cinco equipamentos devem ser instalados em Pernambuco.</p>



<p>De acordo com a Apac, a previsão é que as cinco estações hidrológicas sejam instaladas nos seguintes rios: Carimã, em Barreiros; rio Sirinhaém, em Sirinhaém (duas unidades); rio Jaboatão, em Vitória de Santo Antão e rio Duas Unas, em Jaboatão dos Guararapes.</p>



<p>“O sistema de monitoramento tem dois pontos fundamentais: os equipamentos, que é o ponto material, e a comissão, que nós estamos denominando de sala de crise, formada por profissionais que devem garantir as ações de prevenção e contenção de riscos. No momento, nós estamos em uma fase de levantamento de dados, com visitas aos locais de risco que estão sendo realizadas junto com a UFPE. E as estações hidrológicas também já começaram a ser instaladas. É um trabalho que já começou e não tem data para acabar”, afirmou o diretor do Cemaden, Osvaldo Moraes.</p>



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		<title>Chuvas no Recife: moradores de áreas de risco ainda não sabem o que fazer nem para aonde ir</title>
		<link>https://marcozero.org/chuvas-no-recife-moradores-de-areas-de-risco-ainda-nao-sabem-o-que-fazer-nem-para-aonde-ir/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Mar 2023 22:27:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[alagamentos]]></category>
		<category><![CDATA[áreas de risco]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas no recife]]></category>
		<category><![CDATA[deslizamento de barreira]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[queda de barreiras]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Diversas comunidades do Recife onde há pontos de risco ainda não sabem o que fazer nem para aonde ir em caso de um desastre como o que aconteceu nas chuvas de 2022. Muitas dessas famílias ainda estão de luto, sequer conseguiram reconstruir suas vidas e agora aguardam uma orientação pública e ampla da Prefeitura do [&#8230;]</p>
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<p>Diversas comunidades do Recife onde há pontos de risco ainda não sabem o que fazer nem para aonde ir em caso de um desastre como o que aconteceu nas chuvas de 2022. Muitas dessas famílias ainda estão de luto, sequer conseguiram reconstruir suas vidas e agora <a href="https://marcozero.org/com-medo-das-chuvas-populacao-de-morros-e-encostas-do-recife-cobra-prevencao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aguardam uma orientação pública e ampla da Prefeitura do Recife</a> para saber como agir em caso de grandes volumes de chuvas este ano.</p>



<p>Quem vive em áreas de risco aponta que somente mensagens de WhatsApp e sirenes não são suficientes se a população não souber que rotas de fuga pegar e onde e em que condições as famílias ficarão abrigadas.</p>



<p>Apesar de ter divulgado, em coletiva de imprensa, na semana passada, um <a href="https://marcozero.org/recife-anuncia-pacote-de-prevencao-para-periodo-de-chuvas-sem-novos-habitacionais/">plano de ações com várias melhorias</a> em relação ao ano passado, caso haja uma nova calamidade, o prefeito João Campos (PSB), às vésperas do início do trimestre mais chuvoso na cidade (de abril a junho), ainda não publicou o Plano de Contingência com relação às chuvas de 2023. É esse o documento que define que medidas serão adotadas antes, durante e depois de eventos adversos.</p>



<p>O assunto foi tema da audiência pública intitulada &#8220;Antes que chova”, nesta quarta-feira (29), na Câmara do Recife, por iniciativa do vereador Ivan Moraes (PSOL). A audiência contou com a presença de diversos vereadores e vereadoras e lotou o plenarinho com pessoas que vivem nas comunidades e representantes da sociedade civil. O mandato avaliou o Plano de Contingência do Recife de 2022 (o mais recente disponível) e expôs o que precisa ser melhorado para que mais vidas nem bens não se percam este ano, caso aconteça uma nova catástrofe.</p>



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	                                        <p class="m-0">Mais uma vez, plenarinho da Câmara lotou para discutir prevenção de tragédias. Crédito: Beto Figueroa/Mandato Ivan Moraes</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Ao todo, 3.874 pessoas ficaram desabrigadas, 831 desalojadas e 43 morreram durante o último período chuvoso no Recife, de acordo com o Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID). A preocupação existe também porque, em 2022, a gestão <a href="https://noticias.uol.com.br/colunas/carlos-madeiro/2022/05/30/recife-so-acionou-plano-contra-tragedia-2-dias-apos-alerta-de-alto-risco.htm">só acionou o plano contra tragédia dois dias após o alerta</a> de alto risco emitido pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), órgão federal ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações.</p>



<p>“A gente convida a Defesa Civil e os demais órgãos a atuarem com participação da comunidade. Não se mexe na casa de ninguém sem a participação do dono. E se a gente está em área que alaga e é área de risco, nos coloquem num lugar melhor, nos indenizem para morar num lugar que tenha qualidade de vida, para que eu não precise mais ver as roupas dos meus filhos sendo jogadas fora por conta da lama, para que eu não precise sofrer por não ter uma cama para dormir porque eu perdi tudo”, disse Priscila França, do Fórum Popular do Rio Tejipió. Ela é moradora do Ipsep, na zona oeste, bairro que historicamente alaga quando chove.</p>



<p>Segundo a secretária executiva de Planejamento e Gestão por Resultados, Pâmela Alves, presente na audiência, o plano está pronto e será publicado pelo prefeito na semana que vem. Entre os pontos prometidos, estão uma central de operações, tecnologia para aprimorar o monitoramento em tempo real, 16 mil cestas básicas, kits de limpeza, lençóis e colchões (em caso de necessidade), melhora no sistema de alerta e mais abrigamentos.</p>



<p>“Temos que entender que Recife é uma cidade que corre muito risco de inundações e deslizamentos, por isso é preciso que todas as comunidades estejam preparadas para dialogar e se comportar numa ocasião de um evento climático que pode ser desastroso”, pontuou Ivan.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que precisa ser melhorado para 2023</strong></h2>



<p>Entre as lacunas verificadas no Plano de Contingência, estão a falta de registros de grupos de trabalho com participação das instituições públicas e sociedade civil, a falta de órgãos essenciais em casos de desastres, como Cruz Vermelha, ONGs, Polícia Científica, IML e igrejas, o quantitativo de profissionais por órgãos envolvidos no plano nem o detalhamento de suprimentos, a não ser as 600 cestas básicas e os 1,5 mil colchões que foram distribuídos em 2022.</p>



<p>Além disso, apontou o estudo, não estão definidos os recursos materiais, a exemplo de veículos, para as situações de emergência. Apenas 32 mil das mais de 206 mil pessoas em áreas de risco recebem alerta em caso de desastres, caso o plano de 2022 seja mantido para este inverno. Também não estão definidas rotas de fuga por comunidade, bem como a sinalização cabível nas áreas nem ações e atendimentos específicos para animais, crianças, adolescentes e pessoas com deficiência. </p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-slideshare wp-block-embed-slideshare wp-embed-aspect-1-1 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://www.slideshare.net/IncioFrana2/ap-contigencias-calamidadespdf
</div></figure>



<p>As ações em educação, informação e preparo da população ainda são insuficientes, na avaliação do vereador Ivan. “Eu entendo as prioridades da prefeitura, as intervenções específicas e que está sendo investido um dinheiro recorde em ações que precisam mesmo ser feitas antes que chova. Mas tem a parte de preparar as comunidades para o evento climático e nós entendemos que isso ainda está muito aquém na cidade”, destacou o parlamentar, lembrando que o Recife é uma das capitais mais vulneráveis do mundo às mudanças do clima.</p>



<p>Levantamento do mandato aponta que 80% dos R$ 50 milhões anuais orçado para comunicação são usados pela Prefeitura da Cidade para comunicação institucional, ou seja, para que a gestão mostre seus feitos para a sociedade. Os outros 20% ficam para a chamada comunicação educativa, aquela que ensina as pessoas a como lidar com a política pública, seja nas redes sociais, nas rádios ou através de materiais impressos. “O elemento comunicação é imprescindível”, destacou Ivan Moraes.</p>



<p>Durante a audiência, também cobrou-se que a prefeitura disponibilize para a população o sistema que aponta quais e onde estão todos os principais ponto de risco da cidade que precisam de intervenção no momento, assim como quais as áreas mais importantes que necessitam de grupos formados e rotas de fuga. </p>



<p>“Esse documento não pode ser um instrumento que está na transparência passiva, aquela que você pergunta e a prefeitura responde. É um instrumento que precisa estar na transparência ativa”, reivindicou. “Já pensou se todo mundo que precisar saber como está sua comunidade fizer um pedido de informação?”, provocou o vereador da oposição.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Defesa Civil se compromete a atender comunidades</strong></h3>



<p>Garantindo que a Defesa Civil tem capacidade para atender a todos que precisem, o coronel Cássio Sinomar, chefe do órgão no Recife, se comprometeu, ao final da audiência, a formar as comunidades que solicitarem informações sobre o que fazer na época de chuvas em áreas de risco nos momentos mais críticos. </p>



<p>Por outro lado, o coronel não deu indicativos de que irá acatar a recomendação do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) de criar Núcleos de Proteção e Defesa Civil nas comunidades.</p>



<p>“Percebemos neste momento e em outros momentos de escuta do Ministério Público uma grande demanda das comunidades por informação e por participação. A gente sabe que a comunidade, por mais que a Defesa Civil chegue rápido, é a comunidade que vai estar lá primeiro”, disse Rejane Centelhas, integrante do Grupo de Atuação Conjunta Especializado Chuvas, do MPPE.</p>



<p>De acordo com ela, existe uma previsão legal para criação desses núcleos nas comunidades, algo que demanda aplicação de recursos vultuosos. Demanda mais mobilização de pessoal. “A gente entende que é uma ação, entre as mais simples e de baixa complexidade, em comparação com as outras, que pode suprir essa lacuna de informação, pode ser um canal de capacitação, de diálogo entre as comunidades e o poder público e a Defesa Civil”, frisou.</p>



<p>Sobre os alarmes sonoros na cidade em áreas de risco, a secretária executiva Pâmela colocou que isso está em estudo, considerando a possibilidade de instalação de sistema semelhante ao Rio de Janeiro, que não só toca uma sirene, mas que indica o que fazer, com diferentes entonações de voz.</p>



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		<title>Apac chama imprensa para avisar que chuvas serão intensas nos próximos três meses</title>
		<link>https://marcozero.org/apac-chama-imprensa-para-avisar-que-chuvas-serao-intensas-nos-proximos-tres-meses/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Mar 2023 18:16:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[alagamentos]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas no recife]]></category>
		<category><![CDATA[deslizamento de barreira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na manhã desta sexta-feira (24), a Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) realizou uma coletiva de imprensa para divulgar a previsão climática dos meses de abril, maio e junho em Pernambuco. Na ocasião, o meteorologista da Apac, Thiago do Vale, anunciou que a partir de junho as chuvas ficarão mais intensas na Zona da [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Na manhã desta sexta-feira (24), a Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) realizou uma coletiva de imprensa para divulgar a previsão climática dos meses de abril, maio e junho em Pernambuco.</p>



<p>Na ocasião, o meteorologista da Apac, Thiago do Vale, anunciou que a partir de junho as chuvas ficarão mais intensas na Zona da Mata e no litoral de Pernambuco, com precipitações que podem ultrapassar os 300 mm (cada milímetro equivale a um litro de água por metro quadrado). A previsão indicou ainda que, como de costume, os meses de maio e junho serão os mais chuvosos na Região Metropolitana do Recife, Zona da Mata e Agreste.</p>



<p>Apesar do grande volume no acumulado previsto para o próximo trimestre, as condições oceânicas e climatológicas indicam que as chuvas serão menos intensas do que as do ano passado. De acordo com Thiago do Vale, os fenômenos no oceano, como a La Niña e as anomalias de aquecimento no oceano Pacífico, foram responsáveis pelas intensas chuvas que ocorreram em maio de 2022, e neste ano a previsão aponta neutralidade destes fenômenos.</p>



<p>&#8220;O acúmulo de chuvas deste ano será maior, mas as probabilidades de acontecer fenômenos de intensidade, como o que ocorreu no ano passado, são menores&#8221;, afirmou o meteorologista da Apac.</p>



<p>Mesmo com a neutralidade prevista, a Apac ressaltou que o litoral pernambucano está sujeito a eventos intensos de chuva, por isso, é preciso manter o acompanhamento de previsões e avisos emitidos pela agência nos próximos trimestres.</p>



<p>A previsão climática apresentada foi baseada nos resultados de modelos numéricos de previsão para o trimestre de abril, maio e junho, e contou com análises dos campos globais dos oceanos Pacífico Equatorial e Atlântico Tropical, e também da atmosfera global.</p>



<p>O resultado apontou um acumulado de chuva de normal a abaixo da média no extremo oeste do Sertão de São Francisco, normalidade no restante do sertão pernambucano, e acúmulo normal a acima da média no Agreste, Zona da Mata e Região Metropolitana.</p>



<p>Na última quarta-feira, 22 de março, a ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, assinou um acordo de cooperação com o Governo de Pernambuco para a implantação de um sistema de monitoramento de cheias e morros. O sistema funcionará 24 horas com alerta de riscos e monitoramentos que incluem sensores para medir a umidade das encostas.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><em><strong>Esta reportagem foi produzida com apoio do<a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do<a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project.</a></strong></em></li></ul>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa<a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a></strong>ou, se preferir, usar nosso<strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong>.<br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong>.</cite></blockquote>
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		<item>
		<title>Recife anuncia pacote de prevenção para período de chuvas sem novos habitacionais</title>
		<link>https://marcozero.org/recife-anuncia-pacote-de-prevencao-para-periodo-de-chuvas-sem-novos-habitacionais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Mar 2023 21:46:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[alagamentos]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas no recife]]></category>
		<category><![CDATA[deslizamento de barreira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sem entrega de novos habitacionais para quem vive em áreas de risco, a Prefeitura do Recife está investindo em ações de prevenção para minimizar os impactos das chuvas este ano. São mais de 32 mil famílias vivendo em pontos críticos na capital, a 16ª cidade mais vulnerável às transformações do clima no mundo e a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Sem entrega de novos habitacionais para quem vive em áreas de risco, a Prefeitura do Recife está investindo em ações de prevenção para minimizar os impactos das chuvas este ano. São mais de 32 mil famílias vivendo em pontos críticos na capital, a <a href="https://marcozero.org/cientistas-calculam-que-mudancas-climaticas-intensificaram-em-20-chuvas-no-nordeste/">16ª cidade mais vulnerável às transformações do clima no mundo e a primeira no Brasil</a>, segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).</p>



<p>Com os investimentos federais em moradia popular congelados durante o Governo Bolsonaro e uma baixa execução orçamentária municipal em projetos de habitação (confira número mais abaixo), <a href="https://marcozero.org/com-medo-das-chuvas-populacao-de-morros-e-encostas-do-recife-cobra-prevencao/">a maioria dessas pessoas não tem no horizonte quando conseguirá uma solução definitiva de moradia</a>.</p>



<p>Nesta quinta-feira (23), o prefeito João Campos (PSB) anunciou, em coletiva de imprensa, o maior investimento da história para conter os impactos das chuvas, um total de R$ R$ 225 milhões, 50% a mais que em 2022. Esse aporte será reforçado pelos R$ 66 milhões oriundos do Governo Federal para obras de encostas, anunciados durante a <a href="https://marcozero.org/com-vaias-a-raquel-e-joao-campos-enfermagem-sequestra-evento-de-lula-no-geraldao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">visita do presidente Lula ao Recife na quarta (22)</a>. Ao todo, portanto, o valor investido na Ação Inverno 2023 será de R$ 291 milhões.</p>



<p>As iniciativas vão desde obras de encostas e aplicação de geomantas até a construção de um Centro de Operações, que irá integrar 13 órgãos, e reforços no plano de contingência.</p>



<p>Entre as medidas planejadas para a cidade, que tem 15 mil pontos de risco, estão ações de micro e macrodrenagem, aplicação de 3,5 milhões de metros quadrados de lonas plásticas (o equivalente a 800 campos de futebol), geomantas em 93 pontos, além de limpeza de 99 canais, obras em 55 encostas, prevenção e monitoramento em áreas de risco, mutirões e eliminação de pontos críticos de alagamento.</p>



<p>Com uso da tecnologia, a gestão também implantará novos protocolos de alertas e comunicação à população. O plano de contingência 2023 já começou a ser montado e terá mais abrigos disponíveis, tablets para a Defesa Civil, mais agilidade na remoção das famílias, distribuição de cestas básicas, doação de suprimentos, entre diversos outras providências. A prefeitura também lançará um edital para hotéis, pousadas, pensões e <em>hostels</em> que possam ser usados em caso de emergência.</p>



<p>A Operação Inverno também conta com as intervenções de infraestrutura que estão sendo realizadas através do Programa de Requalificação e Resiliência Urbana em Áreas de Vulnerabilidade Socioambiental (ProMorar). Com recursos da ordem de R$ 1,3 bilhão do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o programa é o maior ciclo de investimento da história da capital para reconstrução de áreas atingidas pelas chuvas e urbanização de comunidades vulneráveis.</p>



<p>O Programa Parceria, no qual a prefeitura fornece material e orientação técnica para intervenções em áreas planas e morros, enquanto a população entra com a mão de obra como contrapartida, vai realizar 1,2 mil obras.</p>



<p>Questionado ao final da coletiva, o prefeito João afirmou que espera, nos próximos meses, um incremento de novas construções de moradia a partir da volta do programa federal Minha Casa, Minha Vida. “O Brasil ficou sem uma política de habitação de interesse social. O grande gargalo desses últimos quase seis anos foi a falta de uma política nacional de habitação que discutisse os grandes centros urbanos e as cidades brasileiras e quais eram as alternativas de financiamento para isso”, disse.</p>



<p>O relançamento do Minha Casa, Minha Vida, lembrou o prefeito, estipulou um prazo de até 90 dias para ser todo regulamentado e assim ter toda a parte operacional da Caixa Econômica e do Ministério das Cidades funcionando para começar a credenciar novas obras.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/somente-as-chuvas-nao-explicam-mortes-nos-morros/" class="titulo">Somente as chuvas não explicam mortes nos morros</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/racismo-ambiental/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Racismo ambiental</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h3 class="wp-block-heading">Para oposição, <strong>Recife executou pouco em habitação</strong></h3>



<p>Se por um lado a gestão municipal aguarda o dinheiro federal, por outro executou pouco do que estava previsto no orçamento para a área de habitação nos últimos anos. Um levantamento feito pelo mandato do vereador da oposição Ivan Moraes (PSOL) apontou que, dos R$ 25,7 milhões previstos para 2023 para construção de moradias, segundo a Lei Orçamentária Anual (LOA), apenas R$ 10 mil foram executados até o momento.</p>



<p>Também de acordo com as informações levantadas, a gestão já realizou este ano três remanejamento de créditos no orçamento habitacional.</p>



<p>Em 27 de janeiro, anulou R$ 4 milhões de crédito de construção e manutenção de habitacionais. No dia 24 de fevereiro, houve anulação de mais R$ 21 mil dessa mesma ação. E, recentemente, em 17 de março, a prefeitura anulou mais R$ 16 milhões. “Foram mais de R$ 20 milhões retirados de uma atividade estratégica para a mitigação dos problemas causados por fortes chuvas na cidade durante o inverno”, diz o comunicado de Ivan.</p>



<p>Nos anos anteriores, aponta o mandato, não foi muito diferente. Em 2021, a prefeitura orçou R$ 30 milhões para ações de implementação de projetos habitacionais. Porém, executou apenas R$ 61.926,13. Além disso, não houve nenhuma ação específica na LOA 2021 que incluísse a manutenção de moradias já construídas.</p>



<p>Em 2022, segundo ano da gestão João Campos, foram orçados R$ 24 milhões para construção de habitacionais. Entretanto, a execução não passou de R$ 10.688,00. “Nesse ano, houve uma sub-ação/operação que contemplava a requalificação dos habitacionais, porém não sabemos a quantia exata destinada à ela. A de se considerar que pode ter sido nada, ou muito pouco, já que se executou somente R$10 mil na ação inteira”, avaliou a equipe em comunicado à <strong>Marco Zero</strong>.</p>



<p><em>Atualizado em 24/3/23, às 12h42</em></p>



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