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Governo Federal vai consertar sensores de deslizamento de barreiras que estão quebrados desde 2016

Giovanna Carneiro / 06/04/2023
Paisagem de morros do Recife, onde se vê casas coloridas construídas sobre morros de um lado a outro da imagem

No dia 22 de março, durante a visita de Lula a Pernambuco, a ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, assinou um acordo de cooperação com o governo estadual para a implementação de um sistema de monitoramento de cheias e deslizamento de morros. Na ocasião, a ministra explicou que o sistema vai contar com um monitoramento 24 horas, realizado através de equipamentos específicos, e com alertas de risco emitidos para a população.

Dois dias após o anúncio da implementação do sistema, a Agência Pernambucana de Águas e Climas (Apac) convocou a imprensa para anunciar que de abril a junho as chuvas devem ser intensas na Região Metropolitana do Recife, Zona da Mata e Agreste, com precipitação que podem ultrapassar os 300 mm (cada milímetro equivale a um litro de água por metro quadrado).

Com a proximidade do período mais chuvoso na região, a Marco Zero Conteúdo procurou o Governo de Pernambuco, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e a Apac para saber como vai funcionar o sistema de monitoramento de cheias e deslizamentos.

Comissão de monitoramento

Resultado da parceria entre o Governo Federal e as instituições do estado, o sistema de monitoramento anunciado consiste em uma série de ações adotadas para prevenir desastres socioambientais como o que ocorreu em maio de 2022, em Pernambuco, e resultou 133 mortos e milhares de desabrigados em Pernambuco.

O sistema conta com a formação de um comitê de gerenciamento de crise em caso de desastres, com integrantes dos órgãos responsáveis pelo monitoramento, que tem previsão de início para este mês de abril e deve seguir mobilizado até julho, ou enquanto durarem as chuvas intensas. Outra ação urgente será a recuperação de sensores espalhados pelos morros da Região Metropolitana que estão quebrados ou sem manutenção há sete anos.

Em caso de risco de enchentes ou deslizamentos, a Defesa Civil, que também integra a comissão, será informada imediatamente e ficará responsável por fazer a retirada da população dos locais afetados. Já a Apac é responsável por comunicar diariamente à população a situação climática e meteorológica, emitindo alertas caso seja necessário.

Questionamos o diretor do Cemaden, Osvaldo Moraes, sobre como seriam realizadas as ações de alerta para a população em situações de risco. Em resposta, Moraes relembrou a lei 12.608/2012, que determina que é dever de estados e municípios a adoção de medidas necessárias para reduzir os riscos de desastres e afirmou que “nós [Cemaden] realizaremos o monitoramento e emitiremos o alerta aos órgãos competentes, mas as iniciativas para conter os danos são de responsabilidade dos governos estaduais e municipais, que devem atuar junto com a Defesa Civil”.

Procuramos o Governo de Pernambuco para saber mais detalhes do sistema de monitoramento e as medidas de contingência em caso de desastres. Em nota, enviada pela Secretaria de Defesa Civil, o governo informou apenas que “neste primeiro momento, a parceria é apenas entre a APAC e a Universidade Federal de Pernambuco, mas ficamos à disposição para qualquer dúvida”.

Manutenção e instalação de equipamentos de monitoramento

A parceria entre Apac e Universidade Federal de Pernambuco, citada pela Defesa Civil do estado, diz respeito à manutenção e recuperação de 15 sensores geotécnicos instalados nos morros de Pernambuco, em sua maioria na Região Metropolitana do Recife.

Os sensores geotécnicos são equipamentos de monitoramento compostos por pluviômetros automáticos e sensores de umidade de solo que coletam dados sobre a quantidade de chuva acumulada no solo. Os sensores emitem um sinal infravermelho para o equipamento denominado Estação Total Robotizada (ETR), que ficam instalados sobre postes nas encostas de morros e são capazes de detectar pequenos deslocamentos no solo, e, assim, conseguem prever acidentes.

De acordo com a Apac, os 15 sensores instalados em Pernambuco estão sem manutenção desde 2016 por falta de recursos e, agora, graças ao investimento do Ministério da Ciência e Tecnologia através do Cemaden, voltarão a funcionar. “A APAC está apoiando a manutenção do equipamento de pluviometria e a ida aos morros junto com a UFPE (Laboratório de Geotecnia) para verificação do status dos sensores de umidade. A UFPE, através do professor Roberto Coutinho, irá fazer essa análise dos sensores de umidade e montará um orçamento para recuperação dos mesmos”, esclareceu a Apac por meio de nota.

Estações com sensores e pluviômetros serão montados para monitorar nível dos rios. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo

Outro equipamento de monitoramento previsto para compor o sistema anunciado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia são as estações hidrológicas. Com o objetivo de prevenir os danos causados pelas enchentes, as estações monitoram o nível do rio, através de um sensor tipo radar, e da precipitação chuvosa, com pluviômetros. O equipamento conta com uma webcam integrada que permite registros fotográficos em tempo real da situação do rio e as informações são transmitidas aos órgãos responsáveis pela rede de telefones celulares.De acordo com o diretor do Cemaden, cada estação custa em média R$ 500 mil e, nos próximos meses, cinco equipamentos devem ser instalados em Pernambuco.

De acordo com a Apac, a previsão é que as cinco estações hidrológicas sejam instaladas nos seguintes rios: Carimã, em Barreiros; rio Sirinhaém, em Sirinhaém (duas unidades); rio Jaboatão, em Vitória de Santo Antão e rio Duas Unas, em Jaboatão dos Guararapes.

“O sistema de monitoramento tem dois pontos fundamentais: os equipamentos, que é o ponto material, e a comissão, que nós estamos denominando de sala de crise, formada por profissionais que devem garantir as ações de prevenção e contenção de riscos. No momento, nós estamos em uma fase de levantamento de dados, com visitas aos locais de risco que estão sendo realizadas junto com a UFPE. E as estações hidrológicas também já começaram a ser instaladas. É um trabalho que já começou e não tem data para acabar”, afirmou o diretor do Cemaden, Osvaldo Moraes.

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