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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Caatinga Climate Week 2026 coloca semiárido no centro do debate climático</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Jul 2026 20:52:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A segunda edição do Caatinga Climate Week acontece de 1 a 3 de julho. A abertura ocorre no Centro Cultural Cais do Sertão, no Recife, e segue para o agreste pernambucano nos dias seguintes. Promovido pelo Centro Sabiá e pelo Instituto Socioambiental (ISA), o evento reúne painéis e diálogos entre diferentes atores da sociedade civil [&#8230;]</p>
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<p>A segunda edição do Caatinga Climate Week acontece de 1 a 3 de julho. A abertura ocorre no Centro Cultural Cais do Sertão, no Recife, e segue para o agreste pernambucano nos dias seguintes. Promovido pelo Centro Sabiá e pelo Instituto Socioambiental (ISA), o evento reúne painéis e diálogos entre diferentes atores da sociedade civil para discutir a Caatinga. A iniciativa é inspirada nas semanas do clima realizadas em diversas partes do mundo e busca colocar o bioma exclusivamente brasileiro no centro do debate climático global.</p>



<p>Sob o tema A Caatinga falando para o mundo, a programação deste ano tem como objetivo amplificar as vozes de quem já constrói soluções concretas nos territórios do semiárido. Estão previstas participações de lideranças indígenas e quilombolas, agricultores e agricultoras familiares, representantes de movimentos sociais, articuladores da agenda socioambiental e gestores públicos, em uma programação que se dispõe a conectar saberes tradicionais, ciência, inovação social e justiça climática.</p>



<p>Após o dia de abertura no Recife, o evento segue nos dias 2 e 3 de julho com uma expedição pelo agreste pernambucano, quando os participantes visitarão experiências concretas de adaptação às mudanças climáticas desenvolvidas por comunidades locais. A programação &#8220;do cais ao sertão&#8221; reforça a proposta de aproximar debate urbano e vivência territorial, levando os participantes a conhecer de perto as tecnologias sociais criadas ao longo de gerações para viabilizar a convivência com o Semiárido.</p>



<p>A Caatinga ocupa cerca de 11% do território nacional, estendendo-se por dez estados do Nordeste e pelo norte de Minas Gerais. Historicamente marcada pela escassez hídrica e por desigualdades socioambientais, a região tem sido cada vez mais impactada pelos efeitos das mudanças climáticas. Ainda assim, é também reconhecida como um território de respostas: povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares desenvolveram, ao longo do tempo, conhecimentos e práticas voltados à produção de alimentos, à conservação ambiental e à gestão sustentável dos recursos naturais.</p>



<p>Realizada pela primeira vez em 2025, o evento propõe reconhecer a Caatinga como território de inovação, resistência e futuro. A programação completa está disponível no <a href="https://www.caatingaclimateweek.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">site oficial</a> do evento, e atualizações podem ser acompanhadas pelo perfil da iniciativa no <a href="https://www.instagram.com/caatingaclimateweek/" type="link" id="https://www.instagram.com/caatingaclimateweek/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Instagram</a>.</p>



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		<title>1.465 barragens subterrâneas ajudam a evitar desertificação da Caatinga</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 May 2026 14:46:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Articulação do Semiárido (ASA)]]></category>
		<category><![CDATA[barragem subterrânea]]></category>
		<category><![CDATA[caatinga]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Era um deserto com um pé de jurema e areia, agora é uma área rica com árvores nativas, frutíferas e hortaliças que crescem o ano todo”. É assim que o agricultor Sebastião Damasceno, 70 anos, resume o impacto da barragem subterrânea na sua propriedade no Sítio Cabaceiro, em Santana do Ipanema, Alagoas. Sebastião é um [&#8230;]</p>
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<p>“Era um deserto com um pé de jurema e areia, agora é uma área rica com árvores nativas, frutíferas e hortaliças que crescem o ano todo”. É assim que o agricultor Sebastião Damasceno, 70 anos, resume o impacto da barragem subterrânea na sua propriedade no Sítio Cabaceiro, em Santana do Ipanema, Alagoas.</p>



<p>Sebastião é um dos primeiros beneficiários do Programa Um Terra e Duas águas (P1+2) da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), e testemunha da importância da barragem subterrânea para a restauração e preservação da Caatinga. “Na época do meu pai tinham alguns barreiros na região, mas era preciso andar meia légua com o carro de boi para buscar água salobra. Para beber, a gente tinha que comprar. Quando herdei a terra, entendi que precisava lutar pela Caatinga”, afirma o agricultor.</p>



<p>Consciente do seu papel, seu Sebastião só precisava descobrir qual a estratégia para guardar a água que caía nos poucos meses de chuva na sua propriedade sem agredir o ecossistema. “Como eu tenho um baixio que pegava a água da barragem quando vazava, mas se perdia, eu me perguntava como fazer o barramento dessa água”, conta.</p>



<p>A resposta veio em 2006, quando ele conheceu a barragem subterrânea na sede da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Semiárido, em Petrolina, sertão de Pernambuco. Sebastião estava participando de um curso de formação promovido pela Cooperativa dos Pequenos Produtores Agrícolas Bancos Comunitários de Sementes (Coppabacs).</p>



<p>Desde então, em 19 anos, as organizações sociais que integram a ASA ajudaram a construir 1.465 barragens desse tipo em propriedades da agricultura familiar no interior do Nordeste e de Minas Gerais. Os recursos que viabilizaram esse programa vieram do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) e da Fundação Banco do Brasil.</p>



<p>“A minha barragem subterrânea foi uma das primeiras do Nordeste. São quase 20 anos que eu tenho água boa para plantar milho, feijão, inhame, fava, batata e muitas outras coisas”. Segundo ele, a tecnologia ajuda a preservar a Caatinga porque faz com que o terreno pareça uma esponja. “Os animais voltaram a aparecer e o clima melhorou”, comemora seu Sebastião.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O que é uma barragem subterrânea?</h2>



<p>A barragem subterrânea é feita a partir da escavação de uma vala até a camada impermeável do solo. Essa abertura é forrada por uma lona de plástico e depois fechada novamente. Por fim, é construído o sangradouro de alvenaria na parte onde a água passa com mais força e por onde o excesso dela vai escorrer.</p>



<p>Essa estrutura, geralmente construída entre 30 metros e 50 metros, cria uma barreira capaz de reter a chuva que escorre e se infiltra no solo, deixando a área encharcada. No período mais seco do ano, os agricultores contam com poços para extrair a água.</p>



<p>“Em uma barragem convencional de espelho d&#8217;água superficial a evaporação leva boa parte dessa água, na subterrânea isso não acontece. Outra vantagem é que a mesma área de captação é a área de plantio”, explica a agrônoma e pesquisadora da Embrapa Solos, Sônia Lopes.</p>



<p>Ao transformar áreas secas e arenosas, mais suscetíveis ao processo de desertificação, a barragem subterrânea contribui com a regeneração da Caatinga de baixo para cima. Segundo Sônia, o aumento do nível da água no lençol freático desencadeia uma série de benefícios: combate a erosão e o assoreamento, retenção de nutrientes e matéria orgânica, e aumento da umidade do solo.</p>



<p>“Estamos falando de uma tecnologia social híbrida que dá ao agricultor a possibilidade de produzir alimentos ao mesmo tempo que regenera e traz de volta a vida na Caatinga, começando pelos micro-organismos do solo que impactam o bioma em cima, na superfície. Isso favorece o nascimento de várias formas de vida e atrai pequenos animais como, por exemplo, insetos e mamíferos”, destaca Sônia.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/ASA-barragens-embrapa.jpg" alt="A foto mostra uma área agrícola com plantas de milho bem desenvolvidas, de folhas largas e verdes, e espigas em formação. Ao fundo, vê-se uma barragem subterrânea, identificada pela faixa branca de proteção sobre o solo — uma estrutura usada para armazenar água abaixo da superfície, garantindo irrigação mesmo em períodos secos. O cenário é típico de uma região semiárida, com vegetação nativa esparsa e céu parcialmente nublado." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Barragens subterrânea da Embrapa, em Petrolina (PE)
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Fernando Gregio/Embrapa</span>
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                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading">O app GuardeÁgua</h3>



<p>De acordo com Sônia, o maior desafio para ampliar o número de novas barragens subterrâneas na Caatinga está na identificação de áreas adequadas para comportar a tecnologia. A eficácia do reservatório depende fundamentalmente da existência de rochas nas camadas mais profundas do solo.</p>



<p>Com o avanço da emergência climática, acelerar o mapeamento dessas regiões é crucial para fortalecer as ações de convivência com o semiárido e reverter a degradação. Conforme dados do MapBiomas, entre 1985 e 2023 a Caatinga perdeu 14,4%, ou 8,6 milhões de hectares, de sua cobertura vegetal nativa.</p>



<p>Para ajudar a localizar novas áreas adequadas a receber as barragens, pesquisadores, técnicos de campo e agricultores estão recorrendo à tecnologia da informação, mais precisamente, ao uso de software. “Este ano começamos a usar o aplicativo <a href="https://www.embrapa.br/busca-de-solucoes-tecnologicas/-/produto-servico/13132/aplicativo-guardeagua" target="_blank" rel="noreferrer noopener">GuardeÁgua</a>, uma iniciativa da Embrapa, ASA e do MDS, que está disponível para Android e na versão web, e auxilia na identificação das áreas ideais para a construção de barragem subterrânea. Em quatro meses de uso, já tivemos mais de 600 acessos e vamos ter muito mais, pois realizaremos um ciclo de capacitações nos territórios”, afirma Sônia.</p>
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		<title>Governo Federal sugere que estados regulamentem energia eólica</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Oct 2025 13:50:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[caatinga]]></category>
		<category><![CDATA[COP30]]></category>
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		<category><![CDATA[energia renovável]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Durante a coletiva de abertura da Caatinga Climate Week, a Semana do Clima da Caatinga, nesta quarta-feira (1º), em Caruaru, no Agreste de Pernambuco, o ministro da secretaria-geral da Presidência da República, Márcio Macêdo, informou que o Governo Federal está sugerindo que os estados, através das Assembleias Legislativas, regulamentem o funcionamento de parques de energia [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Durante a coletiva de abertura da <a href="https://marcozero.org/caatinga-climate-week-coloca-o-bioma-e-os-saberes-locais-no-centro-do-debate-climatico/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Caatinga Climate Week</a>, a Semana do Clima da Caatinga, nesta quarta-feira (1º), em Caruaru, no Agreste de Pernambuco, o ministro da secretaria-geral da Presidência da República, Márcio Macêdo, informou que o Governo Federal está sugerindo que os estados, através das Assembleias Legislativas, regulamentem o funcionamento de parques de energia eólica, sobretudo em Pernambuco e no Rio Grande do Norte.</p>



<p>“Tenho conversado com o ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia) para que a gente possa influenciar nesse processo (dos leilões) e ter previsão de compensação ambiental para essas comunidades atingidas que vivem no entorno das usinas. Para que a gente possa primeiro resolver os problemas que já tem e que eles não possam se multiplicar no país. Porque a energia eólica é uma realidade que veio para ficar”, disse Macêdo.</p>



<p>“Essa questão da energia eólica é muito séria. O impacto é muito grande na vida das pessoas. Então é necessário que tenha regulamentação estadual e leis sobre isso”, complementou. No Brasil, cada estado é responsável pela própria legislação referente às iniciativas de energia renovável.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Márcio Macêdo participou de evento em Caruaru
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Beto Figueiro/Caatinga Climate Week</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A maior parte das usinas eólicas no Nordeste está localizada no semiárido, que abriga a Caatinga, o único bioma exclusivamente brasileiro. Fortemente ameaçada pelas mudanças climáticas, a região enfrenta outra grave ameaça: a falta de uma transição energética justa.</p>



<p>Entre os diversos <a href="https://marcozero.org/agricultores-e-povo-kapinawa-ocupam-predio-do-governo-em-mais-um-protesto-contra-eolicas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">impactos dos empreendimentos eólicos</a>, estão a perda de territórios, as remoções forçadas, os <a href="https://marcozero.org/eolicas-assumem-controle-de-terras-com-contratos-longos-e-sem-garantia-aos-agricultores/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">contratos abusivos</a> e os danos ambientais e à saúde das famílias que vivem próximas aos aerogeradores. Os efeitos também são sentidos pelos animais, como bois, porcos e abelhas, que diminuem suas produções com consequente impacto na renda das famílias.</p>



<p>Uma pesquisa da Universidade de Pernambuco (UPE) em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontou que mais de 70% das pessoas que moram ao lado das turbinas têm depressão, estresse, ansiedade ou problemas de visão.</p>



<p>No ano passado, a gestão da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), publicou um instrução normativa prevendo algumas regulamentações para tentar minimizar os impactos socioambientais provenientes desse tipo de empreendimento. A medida, no entanto, foi bastante criticada pelas comunidades agricultoras impactadas e pela sociedade civil que acompanha essa realidade. </p>



<p>Isso porque a instrução não previu uma regra para um dos principais pedidos das famílias agricultoras: a definição de uma distância mínima entre os aerogeradores e as residências. Cada empresa pode estabelecer uma distância.</p>



<p>Nas palavras dos representantes do Centro Sabiá, organizador da Caatinga Climate Week, “a ausência de políticas mais rigorosas facilita acordos desonestos entre empresas e as comunidades, com aval dos governos municipais e estadual. Foi o caso dos parques instalados em Venturosa e Caetés (no Agreste de Pernambuco), que tiveram suas licenças renovadas após dez anos de efeitos negativos para as comunidades”.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Janja e enviadas especiais da COP30 ouvem demandas</strong></h2>



<p>A coletiva de imprensa desta quarta (1º) foi a primeira agenda em Caruaru das Enviadas Especiais para a COP30 dentro do projeto Vozes dos Biomas. Essa é iniciativa inédita que busca levar as vozes da sociedade civil diretamente aos espaços de negociação da COP30. É liderada pela primeira-dama Janja Lula da Silva (responsável pelo tema Mulheres), pela advogada de direitos humanos e ativista feminista Denise Dora (Direitos Humanos e Transição Justa) e pelamédica, comunicadora e ativista pelos direitos humanos Jurema Werneck (Igualdade Racial e Periferias).</p>



<p>Durante a Caatinga Climate Week, o Vozes dos Biomas realizou a edição dedicada à caatinga, reunindo lideranças locais, povos tradicionais, organizações da sociedade civil e movimentos sociais do semiárido para apresentar às enviadas as principais demandas do bioma.</p>



<p>Essas demandas vão compor documentos que serão entregues diretamente aos negociadores da COP30, com a missão de garantir que os saberes locais e as perspectivas de quem vive os impactos da crise climática estejam representados no mesmo nível de importância que as orientações oficiais, ampliando a participação e o alcance político da sociedade civil brasileira no debate global sobre o clima.</p>



<p>“A busca por financiamento é hoje a principal demanda da sociedade civil. Assim como existe o Fundo Amazônia, precisamos pensar em fundos para os outros biomas brasileiros. A Pampa, por exemplo, é trinacional e um dos mais degradados. Essa preocupação deve estar na carta final da Semana do Clima da Caatinga, que vamos apresentar na COP”, afirmou Janja.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Janja é uma das enviadas especiais da COP30 ao semiárido
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Beto Figueiro/Caatinga Climate Week</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Por meio de oficinas presenciais realizadas nos seis biomas brasileiros, o Vozes dos Biomas promove escutas qualificadas com as populações de cada bioma, ouvindo experiências, desafios e soluções resilientes diante da crise climática. A partir desses encontros, serão elaboradas seis cartas, uma por bioma.</p>



<p>A iniciativa já realizou encontros na Amazônia, Mata Atlântica e Pampa, e agora chegou à Caatinga, antes de seguir para o Cerrado e o Pantanal.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Caatinga Climate Week</h3>



<p>Inspirada em encontros internacionais como os de Nova York e Londres, a Caatinga Climate Week segue até o sábado (4) percorrendo sete municípios do agreste e do sertão pernambucanos com o objetivo de colocar o bioma no centro da agenda climática de olho na COP30, que acontece em novembro, em Belém. O evento é uma iniciativa do Centro Sabiá em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA).</p>



<p>Durante o evento, mais de 100 lideranças indígenas, quilombolas, assentados da reforma agrária, agricultoras e agricultores agroecológicos, cientistas e organizações sociais se reúnem para discutir soluções locais já testadas, integrando saberes tradicionais e conhecimento científico.</p>



<p>Os participantes vão conhecer de perto, por exemplo, sistemas produtivos da agricultura familiar, tecnologias sociais para adaptação climática, saberes ancestrais, como funcionam as economias territoriais, bancos de sementes crioulas</p>



<p>Historicamente estigmatizada pela pobreza, mas rica em biodiversidade e resistência cultural e um dos biomas mais eficientes na captura de carbono, a Caatinga, que abriga cerca de 28 milhões de pessoas, é um dos territórios mais impactados do planeta pela desertificação e o primeiro a registrar uma zona árida no Brasil.</p>



<p>Segundo o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil, do MapBiomas, mostrou que mais de 3 mil hectares da Caatinga já foram desmatados por empreendimentos de energia renovável, sobretudo os parques fotovoltaicos.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>A repórter viajou a convite da Caatinga Climate Week</strong></li>
</ul>



<p></p>
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		<title>Caatinga Climate Week coloca o bioma e os saberes locais no centro do debate climático</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Sep 2025 20:06:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[caatinga]]></category>
		<category><![CDATA[COP]]></category>
		<category><![CDATA[crise climática]]></category>
		<category><![CDATA[Semiárido]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A crise climática avança de forma acelerada sobre territórios historicamente vulnerabilizados. No semiárido nordestino, os efeitos já são sentidos de maneira direta: a segurança alimentar e hídrica das comunidades está em risco, enquanto o bioma caatinga perdeu cerca de metade de sua vegetação original. O cenário é tão grave que começam a surgir as primeiras [&#8230;]</p>
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<p>A crise climática avança de forma acelerada sobre territórios historicamente vulnerabilizados. No semiárido nordestino, os efeitos já são sentidos de maneira direta: a segurança alimentar e hídrica das comunidades está em risco, enquanto o bioma caatinga perdeu cerca de metade de sua vegetação original. O cenário é tão grave que começam a surgir as primeiras manchas de aridez no Brasil — áreas que deixam de ser apenas semiáridas e passam a ser áridas.</p>



<p>Diante dessa ameaça, nasce a Semana do Clima da Caatinga (Caatinga Climate Week), inspirada em encontros internacionais como os de Nova York e Londres. O evento, uma iniciativa do Centro Sabiá em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA), acontecerá entre 1 e 4 de outubro, em seis municípios: Caruaru, Vertentes, Pesqueira, Garanhuns, Jucati e Caetés.</p>



<p>A Caatinga Climate Week busca ressignificar o debate climático no coração de um dos territórios mais impactados do planeta, historicamente estigmatizado pela pobreza, mas rico em biodiversidade e resistência cultural.</p>



<p>Durante três dias, lideranças indígenas, quilombolas, assentados da reforma agrária, agricultoras e agricultores agroecológicos, cientistas e organizações sociais se reúnem para discutir soluções locais já testadas, integrando saberes tradicionais e conhecimento científico.</p>



<p>“A ACCW é um chamado global para reconhecer o semiárido e a caatinga como territórios estratégicos na agenda climática, especialmente às vésperas da COP30”, reforçam os organizadores. </p>



<p>O bioma caatinga é o único exclusivamente brasileiro e abriga cerca de 28 milhões de pessoas. Para além de sua biodiversidade única, a caatinga sustenta modos de vida profundamente conectados à natureza. A permanência dessas populações em seus territórios, com dignidade, depende de políticas públicas consistentes e do reconhecimento internacional da importância estratégica da região no enfrentamento da crise climática.</p>



<p>A realização da Caatinga Climate Week marca um passo decisivo para que o debate sobre o futuro climático global inclua o semiárido brasileiro — não como periferia, mas como centro de soluções inovadoras e experiências de resistência socioambiental. </p>



<p>Confira <a href="https://www.caatingaclimateweek.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a> programação completa.</p>
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		<title>Usinas de energia solar já ocupam 22 mil hectares na Caatinga</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Aug 2025 15:02:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[caatinga]]></category>
		<category><![CDATA[desmatamento]]></category>
		<category><![CDATA[energia fotovotaica]]></category>
		<category><![CDATA[energia renovável]]></category>
		<category><![CDATA[energia solar]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um novo estudo realizado pelo MapBiomas Brasil traz à luz dados importantes sobre o desmatamento para instalação de usinas fotovoltaicas para geração de energia elétrica no país. Os números mostram que o crescimento dos investimentos solares se deu a partir de 2016. Naquele ano, havia 822 hectares ocupados por instalações de médio a grande porte. [&#8230;]</p>
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<p>Um novo estudo realizado pelo <a href="https://brasil.mapbiomas.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">MapBiomas Brasil</a> traz à luz dados importantes sobre o desmatamento para instalação de usinas fotovoltaicas para geração de energia elétrica no país. </p>



<p>Os números mostram que o crescimento dos investimentos solares se deu a partir de 2016. Naquele ano, havia 822 hectares ocupados por instalações de médio a grande porte. Em 2024, saltou para 35,3 mil hectares. Quase metade (44,5%, ou 15,7 mil hectares) da área convertida nesse tipo de usina era antes formações savânicas e 36,6% (12,9 mil hectares) eram pastagens.</p>



<p>Do total do território desmatado, dois terços (62%, ou 21,8 mil hectares) estão na Caatinga; pouco menos de um terço (32%, ou 11,2 mil hectares) fica no Cerrado; e 6% (2,1 mil hectares) estão na Mata Atlântica.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>O MapBiomas é uma organização que há 10 anos mapeia a transformação do uso e da cobertura da terra através da ciência e tecnologia, com dados abertos e gratuitos.</p>
        </div>
    </div>



<p>Especialistas alertam que a transição energética, central na agenda climática, exige atenção especial ao caráter da ocupação anterior dos terrenos destinados às fontes renováveis.</p>



<p>Esse indicador chama atenção para o debate sobre a transição energética justa — conceito que defende que projetos ambientais não apenas reduzam as emissões de gases de efeito estufa, mas também respeitem direitos territoriais, incluam a participação das comunidades locais e promovam benefícios socioeconômicos ampliados.</p>



<p>Juntos, os estados de Minas Gerais, Bahia, Piauí e Rio Grande do Norte possuíam 74% da área mapeada com usinas fotovoltaicas em 2024, totalizando 25,9 mil hectares. Desse total, um terço fica em Minas Gerais.</p>



<p>Depois do Rio Grande do Norte vem Ceará (3.226 ha) e, em sexto lugar, Pernambuco (2.668 ha), cujo município com a maior área ocupada por usinas solares é São José do Belmonte.</p>
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		<title>Recaatingamento é a fórmula baiana para recuperar meio ambiente com geração de renda</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Jul 2024 18:20:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[caatinga]]></category>
		<category><![CDATA[IRPAA]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Pró-Semiárido]]></category>
		<category><![CDATA[Recaatingamento]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Curaçá (BA) e Uauá (BA) &#8211; Era uma vez três ou quatro mulheres que entraram na caatinga para catar umbu. Enquanto faziam a colheita, conversavam, contavam histórias e comentavam coisas de suas vidas, o que deixava a tarefa mais leve. Então, uma delas constatou algo que todas já tinham percebido: já não havia umbuzeiros jovens [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:21% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="341" height="341" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/selo-2-1.png" alt="" class="wp-image-64584 size-full"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Curaçá (BA) e Uauá (BA)</strong> &#8211; Era uma vez três ou quatro mulheres que entraram na caatinga para catar umbu.</p>



<p>Enquanto faziam a colheita, conversavam, contavam histórias e comentavam coisas de suas vidas, o que deixava a tarefa mais leve. Então, uma delas constatou algo que todas já tinham percebido: já não havia umbuzeiros jovens onde elas costumavam ir. As árvores eram sempre as mesmas, todas adultas, as mesmas de onde elas colhiam as frutas desde que eram meninas.</p>
</div></div>



<p>Aquele era um sinal claro que a vegetação não estava se renovando.</p>



<p>Ninguém sabe ou não lembra quem eram as mulheres ou onde isso teria acontecido – há quem diga que foi em Sento Sé, outros falam em Canudos, Jeremoabo ou Uauá.</p>



<p>Na verdade, quem foi e onde foi já deixaram de ser informações essenciais. O que importa é o que aconteceu depois que essa história passou a correr solta na zona rural do lado baiano do sertão do São Francisco. Fato ou ficção, o relato impulsionou, há 15 anos, o surgimento do recaatingamento, uma técnica até então inédita de conservação e recuperação de áreas degradadas da caatinga.</p>



<p>Para recaatingar uma área é preciso cercá-la para impedir que bodes, ovelhas e gado bovino a usem como pasto, possibilitando que a vegetação cresça sem o risco de ser devorada pelos animais de criação. Para dar certo, o terreno tem de permanecer fechado por anos. Por escrito, parece fácil, mas, na prática, um cercamento desses esbarra tanto na tradição quanto nos interesses econômicos dos próprios agricultores.</p>



<p>Dois agricultores, representantes de duas gerações diferentes, explicam que a maior dificuldade é “conseguir dialogar com o pensamento individualista”, como resume Alcides Peixinho do Nascimento, de 70 anos, provavelmente a principal liderança dos agricultores naquela região da Bahia. Ao seu lado, Jair Cardoso de Matos, de 25 anos, que se define sem hesitar como um discípulo de seu Alcides, emenda: “quem mais reclama é que mais tem área cercada para fazer sua própria reserva enquanto seus animais estão soltos no fundo de pasto da comunidade”.</p>



<p>A diferença de idade não é entrave. Os dois trabalham juntos nos cuidados dos 52 hectares que estão isolados há nove anos, encravados nos mais de 2.570 hectares do fundo de pasto da comunidade de Ouricuri, no município de Uauá. A área se tornou uma referência de recaatingamento bem sucedido na região.</p>



<p>Aqui, é necessário entender o que significa “fundo de pasto”, pois sua existência é fundamental para os bons resultados do recaatingamento:</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>Os fundos de pasto são terras devolutas, pertencentes ao poder público, usadas por comunidades tradicionais como pastagem por seus rebanhos. Animais de dezenas de famílias pastam juntos, sem cercas ou currais. Esta prática nasceu na Bahia, onde foi regulamentada por uma <a href="https://leisestaduais.com.br/ba/lei-ordinaria-n-12910-2013-bahia-dispoe-sobre-a-regularizacao-fundiaria-de-terras-publicas-estaduais-rurais-e-devolutas-ocupadas-tradicionalmente-por-comunidades-remanescentes-de-quilombos-e-por-fundos-de-pastos-ou-fechos-de-pastos-e-da-outras-providencias">lei estadual de 2013</a>, o que garantiu “a concessão de direito real de uso das terras públicas estaduais, rurais e devolutas, ocupadas tradicionalmente, de forma coletiva, pelas comunidades”.</p>
<p>A regulamentação, assinada pelo então governador Jaques Wagner (PT), consolidou o direito dos pequenos produtores rurais sobre áreas que sofrem ameaças de grandes fazendeiros, empresas de energia eólica e mineradoras. No entanto, a lei garante a sobrevivência de outros aspectos do modo de vida dos sertanejos baianos, relacionados às relações solidárias entre vizinhos e tradições culturais.</p>
<p>O fundo de pasto não existe nos outros estados do Nordeste, onde predomina a criação de animais soltos no pasto.</p>
        </div>
    </div>



<p>A área fechada para recaatingar, portanto, não é propriedade privada de uma família específica, faz parte do território gerido e usado coletivamente. Por isso, a resistência de alguns, afinal fechar parte do fundo de pasto, reduz o território por onde cabras, bodes, ovelhas, carneiros e reses perambulam para se alimentar.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Famílias que protegem</h2>



<p>Há, pelo menos, 40 recaatingamentos acontecendo nesse momento em 15 municípios do noroeste da Bahia, área de atuação do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA), organização não governamental que atua na assistência técnica e organização social das famílias agricultoras desde o início da década de 1990. Dois deles, como em Pau Ferro, em Curaçá, e Fartura, no município de Sento Sé, estão fechadas desde 2009, pois as famílias do entorno decidiram não retirar as cercas.</p>



<p>“A mata ficou tão bonita que deixaram fechado para não acabar tudo de novo”, explica Nestor Rodrigues Costa, o agricultor de 66 anos que está à frente do manejo de 13 hectares fechados de um total de 145 do fundo de pasto na comunidade do Frade, em Curacá, a 468 quilômetros de Salvador. O engenheiro agrônomo Luís Almeida, assessor técnico do IRPAA, confirma que realmente isso acontece: “hoje, as comunidades que participaram dos primeiros cercamentos, em 2009, ainda executam a metodologia porque compreenderam a importância da catinga em pé como uma questão vital para as suas próprias vidas”.</p>



<p>De acordo com Almeida, 900 famílias estão diretamente envolvidas com a experiência, seja na manutenção das áreas cercadas em processo de recuperação ou conservando outras que estão em bom estado. Sem as famílias agricultoras, a ideia não seguiria adiante. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/Juazeiro-1-Nestor-vertical.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/Juazeiro-1-Nestor-vertical.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/Juazeiro-1-Nestor-vertical.jpg" alt="Foto de Nestor Costa, homem idoso, branco de pele bronzeada pelo sol, olhando diretamente para a câmera com a mão direita segurando o queixo. Ele está usando um chapéu de couro de vaqueiro, com fitas nas laterais, vestindo uma camisa cinza claro." class="" loading="lazy" width="474">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Nestor Costa faz o manejo da caatinga no Frade
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Segundo o agrônomo do IRPAA, a tese de que é necessário tirar os seres humanos dos ecossistemas a serem protegidas é equivocada: “existe uma afirmativa muito forte nos próprios debates entre ambientalistas de que para se recuperar ou conservar é preciso tirar as pessoas, mas a gente olha de outra perspectiva e vê que onde tem caatinga em pé é onde tem comunidades tradicionais porque essas já fazem uso sustentável há muitos anos. A partir do momento que a comunidade participa, ela cria a consciência e o conhecimento por meio da educação ambiental”.</p>



<p>Recaatingar não é só fechar a área, conforme explica Tamilo de Souza Costa, de 34 anos, filho de Nestor e técnico agrícola do IRPAA. No início do processo, é necessário ajudar a natureza para que ela possa fazer seu trabalho: “além do solo receber esterco dos animais para nutrir as novas plantas, nos pontos com erosão são feitos pequenos barramentos para reduzir a força d’água quando chove, o que controla a desertificação”.</p>



<p>As intervenções humanas são mínimas, mas um pequeno sistema de irrigação “de salvação” é instalado para ser usado em períodos de estiagem. A água vem de um barreiro-trincheira, escavado de maneira a reduzir a evaporação.</p>



<p>O recaatingamento do Frade é recente, foi isolado há menos de dois anos, mas Nestor já é capaz de fazer um inventário detalhado das mudanças. “Antes, tava tudo aberto, com muitas clareiras emendando umas nas outras. Não tinha angico, não tinha jurema, não tinha umbuzeiro, não tinha carquejo, até o caroá tava se acabando. Agora, já tem mudas dessas plantas todas, já tem um pouco de tudo isso, algumas plantas dessas que tinham sumido já passam de um metro de altura”, celebra.</p>



<p>É preciso dinheiro para arame, estacas de concreto, bomba d’água, escavação de barreiro e mangueira para irrigação, por exemplo. Por isso, os novos projetos de recaatingamento estão sendo financiados pelo Ministério do Meio Ambiente e o programa <a href="https://www.car.ba.gov.br/projetos/pro-semiarido" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Pró-Semiárido</a>, do Governo da Bahia, mas outras instituições como Cáritas e Petrobras Ambiental contribuíram para tirar os primeiros projetos do papel. No início de junho, No início de junho, <a href="https://irpaa.org/noticias/2706/missa-pound-o-clima-iexcl-tica-pela-caatinga-com-integrantes-de-minista-copy-rios-e-da-onu-visita-experiaa.ncias-de-recaatingamento-e-se-compromete-com-o-semia-iexcl-rido">a metodologia foi apresentada oficialmente à ministra Marina Silva</a>, quando visitou Juazeiro e Petrolina.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/Juazeiro-5-recaatingamento-cerca.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/Juazeiro-5-recaatingamento-cerca.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/Juazeiro-5-recaatingamento-cerca.jpg" alt="A imagem retrata uma cena natural, provavelmente uma trilha ou caminho através de uma área densa de vegetação. A trilha é estreita e parece ser feita de terra compactada, serpenteando entre o verde. De ambos os lados da trilha, há várias plantas com folhas longas e finas que se estendem em direção ao caminho. Algumas plantas têm folhagem mais espessa em suas bases. A flora sugere um ambiente selvagem ou não domesticado, possivelmente uma floresta ou reserva natural. Não há flores visíveis ou plantas coloridas; a paleta de cores geral é dominada por tons de verde e marrom. O céu não é visível devido à densidade da vegetação acima, o que indica que a trilha está bem sombreada e cercada por plantas de todos os lados." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">À esquerda da cerca, a área sendo recaatingada
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">Proteção ambiental e prosperidade</h2>



<p>Em Uauá, não demorou para as famílias envolvidas no recaatingamento perceberem que, ao invés do que diziam os agricultores contrários à redução da área de pasto, a recuperação do meio ambiente era um bom negócio para a economia das comunidades. E não só por causa do aumento da coleta de umbu para fazer geleia, umbuzada, doce e até cerveja artesanal.</p>



<p>Luís Almeida explica que o aspecto produtivo é um dos pilares da metodologia do recaatingamento. “A geração de renda é um dos pilares, é um potencial para manter as famílias no projeto. Um diferencial para os projetos de recuperação e conservação de áreas degradadas é a participação das pessoas, tanto no pensar quanto na execução”.</p>



<p>O jovem Jair Matos, aquele que trabalha com seu Alcides Peixinho na área cercada no fundo de pasto de Ouricuri, é uma dessas pessoas que aderiram à intensidade tanto em razão dos resultados ambientais quanto econômicos. O recaatingamento foi decisivo para que ele desistisse da pecuária e passasse a se dedicar à produção de mel de abelhas nativas sem ferrão, que voltaram a frequentar a região por causa da recuperação da mata. <a href="https://marcozero.org/gado-com-asas-abelhas-aumentam-a-renda-dos-sertanejos-e-ajudam-a-proteger-a-caatinga/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Essa história já contamos em outra reportagem</a> da série <em>A reinvenção do Nordeste</em>.</p>



<p>Aliás, foram as abelhas que proporcionaram a Jair uma noção clara dos efeitos das mudanças do clima em seu cotidiano. Antes do cercamento da área perto de sua casa, ele deixou de ver os enxames de abelhas tão comuns na sua infância e adolescência – o que não faz tanto tempo assim. “Eram três, quatro minutos de abelhas passando voando pelo quintal. Isso acabou de uma hora para outra”, recorda. Quando elas começaram a voltar aos poucos, ele percebeu que criá-las poderia garantir tanto seu sustento quanto o da natureza.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/Juazeiro-6-recaantigamento.jpg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/Juazeiro-6-recaantigamento.jpg" alt="A foto retrata uma vasta paisagem de vegetação densa e verde sob um céu nublado. O terreno é plano, e a vegetação parece ser uma mistura de árvores e arbustos, estendendo-se em direção a uma cadeia de montanhas baixas ao longe. O céu está repleto de nuvens cinzentas, sugerindo condições climáticas nubladas que cobrem toda a área visível. Não há construções ou pessoas discerníveis, indicando um ambiente natural e intocado." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Cinquenta e dois hectares estão isolados para recuperação em Uauá (BA)
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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<p>Na visita à área isolada, ele aponta os efeitos da experiência comparando o tamanho dos pés de carquejo, um dos alimentos preferidos de caprinos e ovinos: “fora, não passa de um palmo de altura, não conseguem crescer porque o bode vem e come logo. Aqui dentro, já passou de um metro”.</p>



<p>Seu “mestre”, Alcides Peixinho, conhece na prática a certeza que manter a caatinga é mais rentável do que desmatá-la para plantar milho ou feijão, correndo o risco de uma estiagem acabar com a lavoura. Ele mantêm uma roça inusitada nos fundos da casa. Ele planta mandacaru.</p>



<p>Toda a produção dos mandacarus de seu Alcides tem comprador certo: a marca francesa de cosméticos L’Occitane, que comercializa uma linha de sabonete, hidratante, esfoliante e óleo para as mãos com base no cacto mais imponente do semiárido. O contrato entre a empresa e a Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Canudos (Coopercuc), que faz a ponte entre os franceses e o agricultor, levou <a href="https://www.youtube.com/watch?v=8HFlOxD3768" target="_blank" rel="noreferrer noopener">a cantora Juliette a visitar o sítio de Alcides</a> em novembro de 2021.</p>



<p>Alcides Peixinho, no entanto, não ficou nem um pouco impressionado com a visita artista e ex-participante do programa Big Brother Brasil. Ele está acostumado a receber jornalistas, líderes políticos ou cientistas. Para ele, o recaatingamento é resultado do conhecimento acumulado pelas comunidades rurais.</p>



<p>“A gente tem que ficar atento, entender as coisas e mudar a mente. Mudando a mente com o conhecimento a gente elimina as carências de água, saúde e educação. Nós, agricultores, não somos respeitados pela política partidária nem pela Justiça, mas o conhecimento veio nos libertar. Saímos do modo escravo”, declara.</p>



<p>O experiente agricultor diz “acreditar nos mistérios da caatinga” e, por isso, “vê muito sentido em fechar uma área para recaatingar: é o mesmo que criar um banco de alimentos para os animais”.</p>



<p>Seu Alcides arremata a entrevista com uma frase de efeito: “nossos direitos e saberes não têm um teto, queremos mais, sempre mais”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/Juazeiro-7-Alcides.jpg" alt="Foto de Alcides Peixinho: ele é um homem negro, de pele curtida pelo sol, cabelos crespos curtos, usando camiseta bordô onde se lê expedição florescer na altura do peito esquerdo. Ele foi fotografado em um ambiente escuro, de paredes descascadas e está olhando para a fonte de luz lateral onde ele e o fotógrafo estão." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">&#8220;Nossos direitos e saberes não têm um teto, queremos sempre mais&#8221;, alerta Alcides
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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<h3 class="wp-block-heading">As mulheres do Esfomeado</h3>



<p>Nessa comunidade de nome bastante incomum – a versão mais aceita para a origem do lugar é que lá havia um ponto de parada de tropeiros, que ficaram esfomeados quando uma saca de farinha rasgou e o alimento se perdeu -, as mulheres estão agregando valor aos alimentos produzidos nos roçados ou colhidas na área conservada do fundo de pasto. Reunidas na Associação das Mulheres da Fazenda Esfomeado (Amafe), em Curaçá, as agricultoras produzem queijos, geleias, antepasto, doces e licores.</p>



<p>São 19 mulheres diretamente envolvidas no cotidiano da pequena fábrica, montada com apoio do IRPAA, de organizações internacionais e também do governo baiano. “Outras mulheres não conseguem participar da produção, mas voltaram a colher umbu para vender para nossa fábrica”, explica Cristiane Ribeiro, de 45 anos, que além de agricultora é professora, historiadora e ocupa a presidência da entidade.</p>



<p>Produtos como geleia de umbu, de cebola roxa, de maracujá-da-caatinga, antepasto de palma e queijo de cabra são comercializados em feiras da agricultura familiar, em um dos <a href="https://www.ba.gov.br/trabalho/218/centros-publicos-de-economia-solidaria" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Centros Públicos de Economia Solidária (Cesol)</a> ou no sofisticado <a href="https://www.armazemdacaatinga.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Armazém da Caatinga</a>, provavelmente a loja mais sofisticada de Juazeiro, mantida pelas cooperativas de agricultura familiar da região. Tudo que sai do Esfomeado é vendido com a marca “Tia Odete”, em homenagem a Odete Ferreira, a principal liderança social e política da comunidade, que está acamada com Mal de Alzheimer.</p>



<p>Segundo Cíntia Graciela dos Santos, de 38 anos, “até 2023 a Amafe só se pagava, mas de um ano pra cá começou a dar lucro. Na fundação, ninguém acreditou quando eu dizia que, um dia, a gente teria carro, mas ano passado nosso projeto foi aprovado no programa Pró-Semiárido e pudemos comprar nosso próprio veículo”.</p>



<p>O lucro não é o único objetivo das mulheres da Amafe. “Nós somos as protagonistas das transformações sociais, mas trazemos isso chamando os homens para discutir o feminismo e os direitos das mulheres”, explica a presidente Cristiane.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/Juazeiro-Esfomeado.jpg" alt="A imagem retrata três pessoas em frente a um prédio com uma placa. São duas mulheres com um homem idoso ao centro. Cada pessoa segura um pote com o que parece ser produtos alimentícios, exibindo-os para a câmera. O prédio ao fundo tem uma placa com texto e um emblema com a silhueta de uma mulher, algumas plantas e o que parece ser produtos agrícolas. O texto na placa não é totalmente legível devido ao ângulo e à distância, mas menciona “AGROINDÚSTRIA DE BENEFICIAMENTO DE PALMA, MANDIOCA E FRUTAS DA FAZENDA ESFOMEADO”, sugerindo que este local processa os produtos relacionados." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Homens, como Paulo da Cruz Barbosa, colaboram com a Amafe, dirigida por Cíntia e Cristiane
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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	<p>O post <a href="https://marcozero.org/recaatingamento-e-a-formula-baiana-para-recuperar-meio-ambiente-com-geracao-de-renda/">Recaatingamento é a fórmula baiana para recuperar meio ambiente com geração de renda</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Serra das Almas, a reserva natural onde a caatinga é exuberante como você nunca viu</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Jul 2024 22:19:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[animais da caatinga]]></category>
		<category><![CDATA[caatinga]]></category>
		<category><![CDATA[ceara]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Crateús (CE) &#8211; A caatinga é um bioma único que só existe no Brasil – e quase todo no Nordeste. Quem o associa a um local sem vida é porque não conhece a potência dessa floresta. Ou a conhece apenas na sua forma agredida pelo homem: estima-se que pode haver de 9 milhões de hectares [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:21% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="341" height="341" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/selo-2.png" alt="" class="wp-image-64462 size-full"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Crateús (CE) </strong>&#8211; A caatinga é um bioma único que só existe no Brasil – e quase todo no Nordeste. Quem o associa a um local sem vida é porque não conhece a potência dessa floresta. Ou a conhece apenas na sua forma agredida pelo homem: estima-se que pode haver de 9 milhões de hectares (pouco mais de 18% do total) a 26,7 milhões de hectares (quase 54%) de vegetação degradada na caatinga, segundo dados do <a href="https://brasil.mapbiomas.org/2024/07/05/ate-25-da-vegetacao-nativa-do-brasil-pode-estar-degradada/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Mapbiomas</a> divulgados no começo deste mês.</p>
</div></div>



<p>Por isso, quem chega na Reserva Natural Serra das Almas se depara com um oásis: uma caatinga preservada em quase 6,3 mil hectares entre Buriti dos Montes, no Piauí, e Crateús, no Ceará. Nos meses de seca, o significado do nome tupi da caatinga se mostra: a mata branca, com árvores e arbustos secos ou quase sem folhas. Nas primeiras chuvas, toda a área já começa a ficar com vários tons de verde.</p>



<p>A Marco Zero visitou a Serra das Almas em maio quando tudo ainda estava exuberantemente verde. É uma visita que ensina não só sobre a resiliência da natureza, mas também dos seres humanos. E como é possível mudar maus hábitos, mesmo aqueles passados de geração para geração.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/53753710714_b0cea306cd_c.jpg" alt="A imagem retrata um pássaro pousado em um galho fino, em meio a um fundo de folhagem verde exuberante. O pássaro parece ser pequeno e tem um corpo com padrões de tons de marrom, branco e preto. As folhas ao redor variam em diferentes tons de verde, com a luz filtrando através delas, criando um intrincado padrão de sombras e destaques. Essa cena é interessante devido ao efeito de camuflagem natural; a coloração do pássaro se mistura perfeitamente com a luz solar filtrada e o ambiente folhoso." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Reserva tem mais de 230 aves catalogadas no local
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A reserva não é nem de longe uma das maiores da caatinga. Para se ter uma ideia, a maior é o Parque Nacional da Serra das Confusões, no Piauí, com mais de 823 mil hectares. Ainda que relativamente pequena, a Serra das Almas é especial. Concentra uma variedade de 793 tipos diferentes de plantas, quase 400 espécies de animais, sendo pelo menos 45 mamíferos.</p>



<p>Entre os animais já registrados na reserva estão papa-mel (também conhecido como irara), mocó, preá, paca, cotia, veado-catingueiro, raposa, macaco-prego, macaco guariba-da-caatinga, gato mourisco, gato pardo, jaguatirica, gato do mato, também chamado de maracajá, tamanduá, o quase extinto tatu-bola (é bom lembrar que foi a Associação Caatinga quem puxou a campanha para que ele fosse <a href="https://www.acaatinga.org.br/nossa-historia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o mascote da Copa de 2014</a>) até um único indivíduo de jacaré-coroa, uma espécie mais comum na Amazônia.</p>



<p>Das 591 espécies de aves já catalogadas na caatinga, mais de 230 já foram encontradas por lá, como o jacu-verdadeiro, o caburé-acanelado e o urubu-rei. Recentemente, os ameaçados e lindos periquitos-cara-suja foram reintroduzidos na reserva.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/53753713344_55bafd93b5_c.jpg" alt="A foto mostra uma vista aérea de uma densa floresta com um rico dossel de árvores em vários tons de verde. Uma pequena clareira é visível, onde um grupo de edifícios com telhados vermelhos está aninhado entre as árvores, conectado por uma estrada de terra. O contraste entre os telhados vermelhos e o verde da vegetação é impressionante, e a cena transmite uma sensação de isolamento e tranquilidade na natureza." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Sede da reserva, onde ficam os alojamentos para pesquisadores e turistas
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A Serra das Almas é uma área privada, uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), reconhecida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura(<a href="https://www.unesco.org/en" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Unesco</a>) como Posto Avançado da Reserva da Biosfera da Caatinga. Foi criada no ano de 2000 por um grupo de ambientalistas que formaram a Associação Caatinga. O dinheiro para comprar as antigas fazendas que compõem a reserva veio dos Estados Unidos, numa espécie de agradecimento de uma família de empresários norte-americanos à carnaúba.</p>



<p>“Em 1935, Herbert Johnson Júnior saiu de avião da cidade de Racine, no Wisconsin, e fez uma expedição até o Ceará em busca da melhor cera possível para passar nos pisos de madeira que ele vendia. No Ceará, encontrou a carnaúba. E aí o negócio dele deu uma virada, passando a vender cera de carnaúba”, conta o coordenador da reserva, Gilson Miranda.</p>



<p>Em 1998, um dos filhos de Johnson resolveu recriar a viagem do pai e fez o mesmo roteiro. No Ceará, decidiu prestar uma homenagem à planta que fez crescer a <a href="https://www.scjohnson.com/pt-la" target="_blank" rel="noreferrer noopener">SC Johnson</a> &#8211; que hoje fabrica produtos de limpeza, repelentes e inseticidas domésticos, como o Baygon. A fundação da família é também uma das financiadoras da Serra das Almas, além de outras empresas, como a Petrobras.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/53753553058_4eececa33c_c.jpg" alt="Foto de Gilson Miranda. Ele é um homem jovem, pardo, de cabelos pretos encaracolados, nariz largo, que sorri discretamente para a câmera. Ele veste uma camisa verde de mangas longas do tipo anti UV e tem as mãos juntas na altura do abdômen. Gilson foi fotografado da cintura para cima em um ambiente de mata fechada." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">O coordenador Gilson Miranda destaca a mobilização do entorno da reserva
</p>
	                
                                            <span>Arnaldo Sete/MZ</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Além da preservação, a reserva também é um local de pesquisa e ecoturismo. Das pesquisas, uma investigou os felinos que passam por lá. Os guarda-parques – cinco homens que fazem a manutenção do local – recolheram fezes dos animais, que foram levadas para análise pela Universidade Federal do Ceará (UFC).</p>



<p>“Pela análise de DNA, se chegou à informação de que cinco onças-pardas frequentam a reserva, sendo três delas mais assíduas. A pesquisa viu também que as onças só tinham nas fezes traços de alimento de animais silvestres, como catitu (um tipo de porco do mato), veado, cotia. Não tinha nenhum animal doméstico. A presença de alguns animais, como as onças, são bioindicadores de que essa área está em equilíbrio”, comenta Gilson. Na reserva, uma pesquisa da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) também identificou a presença de macacos guariba-da-caatinga, ameaçados de extinção.</p>



<p>Hoje, a maior ameaça à reserva é a caça dos animais. É uma guerra que a reserva enfrenta em várias frentes, principalmente cuidando do entorno do local.</p>



<h2 class="wp-block-heading">As ameaças dos caçadores</h2>



<p>Quando tinha um tempo livre, Marcos Rodrigues Marques gostava de caçar. Saía cedinho de casa, pegava uma espingarda e ia caçar aves e o que mais aparecesse na zona rural de Crateús. Às vezes, caçava também à noite. Era um hábito comum e arraigado na região. Hoje aos 54 anos, Marcos é o mais antigo guarda-parque de Serra das Almas, trabalhando lá desde o início da abertura da reserva.</p>



<p>Quando chegou, ainda não havia se conscientizado sobre a necessidade de proteger esses animais. Com o tempo, foi entendendo que não podia matar raposa ou tamanduá. “Fui conhecendo essa caatinga que a gente tem aqui na Serra das Almas. Isso me causou um interesse em proteger os animais. Não precisamos mais caçar”, diz. Mas quando via uma cobra, o primeiro ímpeto era matá-la. “Aos poucos fui entendendo que todo bicho tem uma função na natureza. Todo ele”, diz.</p>



<p>A conscientização não é fácil. Em uma das trilhas que a equipe da Marco Zero percorreu na reserva, havia um imenso buraco no chão. Era o resquício de uma caça de tatus, feita por caçadores que invadiram a reserva com cachorros que farejam onde os tatus se escondem. Depois, cavam para pegar e matar os bichinhos. Há cinco guarda-parques para proteger os mais de 6 mil hectares da reserva. Quando encontram a presença de pessoas não autorizadas, explicam que é uma área privada e solicitam a saída deles. Quando não há conversa, a polícia é chamada.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/7.png">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/7.png">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/7.png" alt="A imagem retrata um grande felino com pelagem avermelhada, provavelmente uma onça-parda, caminhando por uma área florestada com vegetação densa. O chão parece estar coberto de folhas secas e a flora inclui diferentes tons de verde. Árvores e arbustos cercam o animal, e parece ser durante o dia. O corpo do felino é esguio, com músculos visíveis, indicando força e agilidade. Essa imagem é interessante, pois captura a onça-parda em seu habitat natural" class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Onça-parda flagrada nas câmeras de monitoramento da reserva
</p>
	                
                                            <span>Divulgação/Associação Caatinga</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“Muitas vezes o animal é morto dentro de uma fazenda ou um sítio porque entrou lá atrás de uma galinha, uma cabra. Porque as próprias pessoas estão tirando o alimento daquele animal de dentro da floresta. Como qualquer outro ser vivo, esse animal vai buscar sua sobrevivência e vai comer um animal doméstico. As chances de encontrar um animal na natureza diminuíram principalmente pela ação do homem. É um conflito muito desigual”, lamenta Gilson Miranda.</p>



<p>É pela educação ambiental do entorno da reserva que a mudança realmente efetiva acontece. É protegendo também o entorno que se protege os animais que estão dentro na reserva. “Os animais, claro, não entendem divisas. Aqui já foram registradas a presença dessas cinco onças, mas se calcula que uma única onça precisa de 5 mil hectares para caçar e viver bem na caatinga. Temos então uma superpopulação de onças e elas também saem da reserva”, completa Gilson.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">O homem que viu a onça</span>

		<p>Os guarda-parques da Serra das Almas já viram muitos animais. Mas nos 24 anos da reserva, ninguém nunca tinha estado cara a cara com uma onça lá dentro. Só tinham visto as onças nas imagens das câmeras de monitoramento e nos vestígios que elas deixavam. Pegadas, fezes. Até que, uma semana antes da Marco Zero chegar na reserva, o deslumbre aconteceu: o guarda-parque Marcos Rodrigues Marques viu uma onça atravessando a estrada principal da reserva, sob o sol das 11 da manhã.</p>
<p>“Eu queria muito, muito ver a onça. Mas não tem aquele dia que você vai dizer: ‘eu vou ver ela hoje’. A gente nunca se prepara para essas coisas”, diz. Ele estava de moto na estrada, chegando de Crateús para mais um dia de trabalho na reserva. “Quando você entra na unidade, você já vai vendo de tudo. Aí eu estava vindo na estrada e de repente eu levantei a vista e vi aquele vermelho assim na minha frente”, conta.</p>
<p>“E aí quando eu vi aquele bicho vermelho eu disse, ‘ah, é um cachorro’. Aí parei a moto, desliguei. Observei direitinho assim, mirei. Eu mirei nela, ela mirou em mim. Aí eu disse: ‘não, não acredito. É ela mesmo’”, conta Marcos. “Eu sabia que se eu me aproximasse ela não ia esperar. Mas ela esperou. Aí quando ela me viu, ela firmou (o olhar)”.</p>
<p>Marcos não ficou com medo. Ficou ansioso para chegar mais perto, para ver por mais tempo. Pensou em tirar o celular velhinho do bolso e bater uma foto. Mas enquanto pensava se iria ou não assustar o bicho com esse movimento, a onça seguiu seu rumo mata adentro, tranquilamente. Marcos guardou bem na memória como ela era. Avermelhada, comprida, com um rabo também comprido e estava bem alimentada. Era uma onça parda fêmea, também conhecida como sussuarana.</p>
<p>“Deu para ver direitinho. A orelhinha curta. E a bicha ficou mirando mesmo”, disse, ainda maravilhado com a visão. Marcos também reconheceu a onça das imagens das câmeras de monitoramento da reserva. Era um dos três indíviduos adultos que mais aparecem nas filmagens.</p>
	</div>



<h3 class="wp-block-heading">Tecnologia social para cuidar do entorno</h3>



<p>As quase 40 comunidades que existem ao redor da reserva ecebem muitas ações de educação ambiental e apoio social. São 4 mil famílias, aproximadamente 16 mil pessoas, que têm envolvimento com as ações do projeto. São capacitações – como de produção de artesanato com sementes e de produção de sabão do reúso do óleo de cozinha -, recebimento de tecnologias sociais e apoio financeiro direto, como cartões de alimentação. Jovens também recebem formação para trabalharem como guias de ecoturismo.</p>



<p>“Quando você fala com as pessoas, você vê que elas mudaram a percepção sobre o meio ambiente. E é interessante que não tem essa questão de ‘ah, está ajudando lá porque é amigo de fulano’. Primeiro vamos conhecer essas famílias, fazer um levantamento socioambiental para saber quais têm a prioridade em receber ajuda. Ao longo desses mais de 20 anos, já envolvemos 72 mil pessoas na educação ambiental, aqui e também com ações em Fortaleza”, diz Gilson.</p>



<p>O que existe na Serra das Almas é um modelo integrado de conservação da caatinga. “Foi sendo desenvolvido ao longo dos anos e queremos que seja replicado em outras áreas e unidades de conservação, porque nós temos resultados muito bons na interação com a sociedade, com quem está ali perto para a proteção dessa área. Hoje, muitas das pessoas dessas 40 comunidades já reconhecem a nossa unidade como um dos principais parceiros delas. A interação que nós fazemos na questão de transferência de tecnologia social está mudando a realidade dessas famílias”, diz<br>Gilson.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/53753577128_b603fd1474_c.jpg" alt="Na foto, vemos Benedito Pereira em pé ao ar livre, em um ambiente natural, possivelmente uma floresta ou parque. Ele é um jovem negro, de cabelos curtos escuros, usando uma camiseta verde de mangas compridas com logotipos e texto em branco. Ele foi fotografado das coxas para cima, olhando fixamente para a câmera, com um semblante sereno. À esquerda da pessoa, há uma estrutura de concreto visível, possivelmente parte de uma fonte de água ou poço, com musgo e descoloração aparentes, sugerindo que está ali há algum tempo. O fundo é preenchido com vegetação exuberante de várias plantas e árvores." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">O guarda-parque Benedito Pereira começou a frequentar a reserva ainda criança
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Uma das pessoas beneficiadas pelas ações da reserva foi Benedito Pereira dos Santos, da comunidade Cabaças. Hoje, aos 31 anos, trabalha lá como guarda-parque. “A primeira vez que eu vim aqui foi aos dez anos, trazido pela minha mãe para uma das atividades ambientais. A primeira coisa que notei foi o silêncio, a paz. Vim muitas vezes depois e participei de formações de guia”, conta ele, que aprendeu desde pequeno sobre a necessidade de conservar a natureza.</p>



<p>A educadora ambiental Cássia Dias Lopes é a coordenadora de relacionamento comunitário da reserva. “Para conservar a caatinga, precisamos ir além das porteiras da reserva. Para manter a nossa mata nativa, bem como os animais e toda essa biodiversidade, o componente humano é fundamental. É preciso entender para conservar. E conservar também é não caçar. Para além de fazer campanhas com as famílias de que caçar é ilegal, não é esporte, nem brincadeira, atuamos na multiplicação das tecnologias sociais para também dar qualidade de vida para essas famílias”, diz.</p>



<p>As tecnologias sociais são as ferramentas que fazem com que a convivência da população com o semiárido seja mais harmônica. São as cisternas, os fornos solares, o fogão ecoeficiente que dispensa o uso de gás, o sistema de bioágua, que reusa a água das casas para os quintais produtivos &#8211; métodos, técnicos e equipamentos que organizações como a <a href="https://www.instagram.com/redeaterneagroecologia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Rede Ater Nordeste de Agroecologia</a> e a <a href="https://www.asabrasil.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Articulação do Semiárido</a> (ASA Brasil) difundiram pelo Nordeste. “Tudo isso ajuda também na melhoria da qualidade de vida das famílias, que passam a produzir alimentos e a economizar com gás, água e eletricidade”, diz Cássia.</p>



<p>Ao entrar na casa das pessoas para levar esses benefícios, a equipe da reserva entra também com a conscientização contra a caça. “Há uma relação mais próxima, casa a casa, e uma confiança para entender quais as necessidades das comunidades e o que podemos fazer por elas”, afirma.</p>



<p>Para Gilson Miranda, é importante apostar na educação ambiental dos jovens para o futuro da vida na caatinga. “Somos a região semiárida mais populosa do mundo, com 28 milhões de pessoas. A alteração no clima, com os processos de desertificação, pode trazer inúmeros malefícios para cá. Temos que mostrar para os jovens daqui que esse é um lugar rico e não um lugar para se ir embora. Acredito que não tem nada mais rico do que você saber produzir o seu próprio alimento. Muitas vezes na cidade as pessoas não sabem nem de onde vem a água, não sabem como é produzido os alimentos. Seria interessante que cada um de nós, na escola, aprendesse a produzir o próprio alimento”.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="ratio ratio-16x9"><iframe title="Uma Trilha na Caatinga #shorts" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/U00GL8XgMoI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
</div></figure>



<h3 class="wp-block-heading">Como visitar a Serra das Almas</h3>



<p>A Reserva Natural Serra das Almas é uma área aberta para visitação. Como fica a uma hora de carro da cidade de Cratéus, no Ceará, o melhor é mesmo se hospedar no alojamento da própria reserva, que também conta com serviços de alimentação (café da manhã, almoço e jantar). A entrada é pelo lado cearense, na zona rural de Crateús.</p>



<p>A reserva não tem fins lucrativos, então os preços são bastante acessíveis. A entrada custa apenas R$ 5 por pessoa – mas é necessário contratar um guia para as trilhas. A diária no alojamento custa cerca de R$ 35 e a alimentação varia de R$ 15 (café da manhã) a R$ 25 (almoço/jantar). Há preços menores para grupos de estudantes e pesquisadores. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/53753575698_772cc97364_c.jpg" alt="A imagem retrata um mocó, pequeno roedor parecido com um preá ou um esquilo, sentado em uma superfície rochosa, em meio a um ambiente verde. O mocó estaá segurando algo em suas patas dianteiras, possivelmente comendo ou inspecionando. Ao redor do animal, há várias plantas verdes com folhas largas, sugerindo que o cenário pode ser um jardim ou uma área florestada. O foco da imagem está no roedor, tornando-o o principal objeto de interesse devido à sua atividade e localização central dentro do ambiente natural." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Um mocó nos arredores da sede da reserva
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Há várias trilhas que podem ser feitas na reserva, indo de apenas 500 metros – toda acessível para cadeirantes e pessoas com baixa mobilidade &#8211; até trilhas para aventureiros experientes. Todas com paisagens de tirar o fôlego, como lajedos, mirantes, cascata, bica, um pequeno riacho.</p>



<p>Apesar de termos citado vários animais nesta reportagem, não há garantias de que o visitante vai ver algum animal silvestre nas trilhas. As chances, porém, não são baixas. A reportagem da Marco Zero passou três dias na reserva e viu mocós, preás, tejus, cobras e diversos pássaros. Na trilha das Arapucas, havia vestígios recentes de um bando de catitus. De acordo com os funcionários da reserva, é mais fácil avistar animais nos períodos de seca, quando eles se aventuram mais para conseguir alimentos.</p>



<p>Para ficar no alojamento, é preciso fazer o agendamento pelo menos quatro dias antes da ida. Mais informações: <a href="https://www.acaatinga.org.br/serra-das-almas" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.acaatinga.org.br/serra-das-almas</a>.</p>


<p>O post <a href="https://marcozero.org/serra-das-almas-a-reserva-natural-onde-a-caatinga-e-exuberante-como-voce-nunca-viu/">Serra das Almas, a reserva natural onde a caatinga é exuberante como você nunca viu</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>O que é uma agrofloresta e como ela mudou a vida de uma família na caatinga</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 May 2024 17:40:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura Familiar]]></category>
		<category><![CDATA[agroecologia]]></category>
		<category><![CDATA[caatinga]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Semiárido]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“A minha Amazônia é aqui”. É assim que o casal José Bocão e Cilene Luzinete define, com muito orgulho, o oásis que criaram num terreno de apenas 0,25 hectare no semiárido pernambucano, na zona rural de Vertentes, no agreste setentrional, a 180 quilômetros do Recife. Agricultores familiares, eles desenvolvem, desde 2018, um Sistema Agroflorestal onde [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>“A minha Amazônia é aqui”. É assim que o casal José Bocão e Cilene Luzinete define, com muito orgulho, o oásis que criaram num terreno de apenas 0,25 hectare no semiárido pernambucano, na zona rural de Vertentes, no agreste setentrional, a 180 quilômetros do Recife. Agricultores familiares, eles desenvolvem, desde 2018, um Sistema Agroflorestal onde praticam e também ensinam um jeito mais sustentável de produção de alimentos, otimizando recursos e espaço com o plantio e manejo de árvores em associação com culturas agrícolas. Basta adentrar um pouco a agrofloresta para rapidamente sentir o microclima.</p>



<p>No Sítio Caruá, o casal — ele com 46 e ela com 41 anos — já soma mais de 70 variedades cultivadas, entre frutas e hortaliças. Com o apoio de tecnologias sociais como cisterna, biodigestor, barreiro, reúso de água e banco de sementes crioulas, além de um pequeno açude e tanque para criação de tilápias, a família tem fortalecido iniciativas de adaptação climática no bioma caatinga. “Com esse solo, tudo que se planta dá. Porque a vida aqui está em abundância”, mostra José Bocão cavando uma terra de cor escura, repleta de minhocas, contrastando com o chão árido do terreno pedregoso ao redor.</p>



<p>“Do banho, da pia de pratos e do quintal, nós fizemos um sistema de filtro para as plantas”, detalha. No local onde o casal vive com dois filhos, tem de mamão a graviola, passando por jabuticaba, seriguela, maracujá e sapoti, para citar apenas alguns exemplos. Tudo é devidamente identificado por plaquinhas. O terreno tornou-se um exemplo, é visitado por escolas e também virou local de intercâmbio com outros produtores familiares. A realidade atual é bem diferente do tempo em que a família precisava buscar água num poço a 1,5 quilômetro de casa e não tinha renda fixa.</p>





<p>“Se plantar uma semente, a gente só tem uma chance. Mas, se plantar várias sementes, várias chances nós vamos ter”, ensina José Bocão. “Antes o povo dizia ‘isso é roçado de doido, com tanta coisa misturada’”, relembra. Para ele, a família “tem a faca e o queijo na mão”, mesmo morando numa região semiárida. Para além dos tradicionais feijão, milho e abóbora, o conhecimento técnico, com acompanhamento e apoio financeiro, foi o que abriu tantas possibilidades.</p>



<p>“O conhecimento foi a melhor coisa para mim. Como agricultora, sempre gostei de plantar. Às vezes, o povo pensa que a mulher é frágil. Mas não é. A gente enfrenta tudo”, orgulha-se Cilene. O casal é uma das famílias acompanhadas pelo <a href="https://centrosabia.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Centro Sabiá</a> em Pernambuco, uma organização não governamental com sede no Recife, fundada em 1993, que trabalha para a promoção da agricultura familiar nos princípios da agroecologia.</p>



<p>A <strong>Marco Zero</strong> visitou Vertentes e também o sítio de João da Onça e Auta Maria Pereira da Silva, em São Caetano, a convite do Sabiá e acompanhada de uma equipe do <a href="https://www.greenpeace.org/brasil/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Greenpeace</a>. Em São Caetano, a reportagem conheceu o processo de construção de uma cisterna, uma tecnologia social de baixo custo que universalizou o acesso à água no semiárido e é uma política pública consolidada no Brasil. Nos últimos 20 anos, mais de 1,2 milhão de cisternas foram construídas em todo o semiárido brasileiro.</p>



<p><strong>“A caatinga é a nossa floresta”</strong></p>



<p>As tecnologias sociais desenvolvidas no semiárido são estratégias de adaptação que permitem que as famílias agricultoras continuem em seus territórios com dignidade e produzindo alimentos. Segundo dados do Censo, a agricultura familiar responde por 70% da alimentação no Brasil. Como explica Carlos Magno, da coordenação do Centro Sabiá, “há muita inovação entre as famílias do semiárido, elas mesmas vão fazendo, construindo e adaptando, não são estratégias que chegam prontas”. Por exemplo, o biodigestor de José Bocão e Cilene foi construído por eles mesmos. A adaptação para evitar um vazamento no sistema foi feita com uma simples palha de aço. Alimentando o biodigestor com esterco algumas vezes na semana, a casa tem gás na cozinha o tempo todo.</p>



<p>“Isso tem conferido para esse grupo de famílias uma certa resiliência a esse processo de continuar a produzir os alimentos e manejar a água”, complementa Carlos. Para ele, a &#8220;caatinga é a nossa floresta&#8221;. Mas, em muitos locais, explica o coordenador, as pessoas deixaram de produzir nos últimos anos porque o regime de chuvas mudou demais e não há mais água suficiente.</p>



<p>“A quantidade de água no sistema, ou seja, na terra e nas árvores, diminui porque tem menos chuva caindo, e aí se tem também menos umidade e, consequentemente, menos germinação de sementes. Então vai se perdendo a capacidade de produzir alimentos nessas regiões”, detalha. A saída pela adaptação é então transformar esses sistemas em roçados mais ecológicos, que tenham boa cobertura de solo.</p>



<p>O coordenador da frente de justiça climática do Greenpeace Brasil, Igor Travassos, comenta que “não existe uma resposta única para adaptação, porque ela sempre vai depender das condições de cada território. Condições estas que são sociais, geográficas, geológicas, hidrológicas, climáticas”. Para ele, é essencial falar de adaptação do ponto de vista da convivência.</p>



<p>“Num cenário de eventos climáticos extremos, nós vamos fazer o quê? Remover todo mundo?”, provoca Igor. O coordenador lembra ainda da importância de as políticas públicas de adaptação serem construídas com as pessoas impactadas e que costumam deter os conhecimentos e os saberes sobre seus próprios territórios. “Eu acho que o maior desafio da política pública hoje é a vontade de construir conjuntamente com a participação social efetiva”, avalia.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/05/Sabia-Sergio-Arruda_Greenpeace-placa.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/05/Sabia-Sergio-Arruda_Greenpeace-placa.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/05/Sabia-Sergio-Arruda_Greenpeace-placa.jpg" alt="A foto retrata uma cena ao ar livre com foco em uma placa artesanal no primeiro plano. A placa diz “SISTEMA AGROFLORESTA 16-01-2024”. Ela é branca, com texto escrito à mão em preto, e está presa a um pedaço de madeira fincado no solo. Ao fundo, há uma vegetação exuberante, indicando uma plantação densa ou um jardim. À direita da imagem, vemos uma pessoa vestindo roupas amarelas, parcialmente oculta pela folhagem, possivelmente trabalhando ou observando algo à distância. O solo parece ser cultivado, com algumas plantas pequenas próximas à placa." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Sérgio Arruda/Greenpeace</span>
                                    </figcaption>
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	<p>O post <a href="https://marcozero.org/o-que-e-uma-agrofloresta-e-como-ela-mudou-a-vida-de-uma-familia-na-caatinga/">O que é uma agrofloresta e como ela mudou a vida de uma família na caatinga</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Expedição de pesquisa revela que antas não estão extintas na Caatinga</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Apr 2024 19:12:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[anta]]></category>
		<category><![CDATA[caatinga]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nas matas do Agreste pernambucano, o ambientalista e geógrafo Arnaldo Vitorino já ouviu relatos de avistamentos de gatos do mato, onças, veados, raposas. Mas há um animal que há muitos e muitos anos não é visto por lá: as antas. Maior mamífero do Brasil, o animal foi considerado extinto na Caatinga em 2012, quando há [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nas matas do Agreste pernambucano, o ambientalista e geógrafo Arnaldo Vitorino já ouviu relatos de avistamentos de gatos do mato, onças, veados, raposas. Mas há um animal que há muitos e muitos anos não é visto por lá: as antas. Maior mamífero do Brasil, o animal foi considerado extinto na Caatinga em 2012, quando há mais de 30 anos já não havia indícios da presença da anta nesse bioma.</p>



<p>“Os moradores mais antigos sempre comentavam que tinham visto esse bicho por aqui, mas alguns nem sequer sabiam o que era. Só que era muito grande, com um focinho diferente. E gostava de ficar perto de água, pelas matas da bacia do rio Capibaribe”, conta Vitorino.</p>



<p>No mês passado, a anta foi reencontrada na Caatinga. Mas muito longe da bacia da bacia do Capibaribe.</p>



<p>Depois de percorrer seis mil quilômetros em 20 dias, pesquisadores da Incab &#8211; Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira, projeto do <a href="https://ipe.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Instituto de Pesquisas Ecológicas</a> (Ipê), identificaram a presença da anta na Área de Proteção Ambiental Rio Preto, região oeste da Bahia, e no entorno do Parque Nacional da Serra das Confusões, no Piauí.</p>



<p>A comprovação de que as antas ainda estão na região não significa que esses animais foram extintos e voltaram para esses locais, mas que provavelmente nunca desapareceram de lá. Porém, as populações diminuíram bastante ao longo dos anos, dificultando os avistamentos. </p>



<p>Ambos são lugares chamados de ecótonos, onde há a transição de um bioma para o outro. Apesar de ter passado por regiões de transição entre a Caatinga e a Mata Atlântica, foi só entre o Cerrado e a Caatinga que a expedição encontrou o bicho.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/04/EXPEDICAO-CAATINGA-2024-5.jpg" alt="Foto de duas mãos humanas próximas ao solo arenoso. O chão exibe pegadas de um animal, e as mãos estão posicionadas de forma que os dedos apontam para essas pegadas, indicando-as. O solo é misturado com pequenas pedras e folhas secas espalhadas. Uma das mãos usa um relógio preto no pulso, enquanto a outra tem um anel preto no dedo indicador. As mangas da pessoa são verdes, sugerindo que ela está usando uma camisa ou jaqueta cinza." class="" loading="lazy" width="612">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Equipe de pesquisa encontrou pegadas de anta na Caatinga
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Incab-Instituto Ipê</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Estudando antas há 28 anos, a engenheira florestal, mestre e doutora em conservação de vida selvagem Patrícia Medici é uma das maiores especialistas sobre o animal do mundo. E foi a idealizadora do projeto da Expedição Caatinga &#8211; Em busca da anta perdida.</p>



<p>“Fizemos uma grande rota pela Caatinga, no norte de Minas, Bahia e Piauí. A gente passou ali pela bordinha com a Mata Atlântica, paralelo à costa da Bahia, e entramos novamente para Chapada Diamantina e Boqueirão da Onça”, conta em entrevista para a Marco Zero por vídeo-chamada, do Pará, onde faz pesquisa em campo sobre a anta na Amazônia.</p>



<p>Os pesquisadores não chegaram a avistar uma anta, que é um animal de hábitos solitários e noturnos, mas acharam pegadas e colheram depoimentos de pessoas que moram nas localidades. Também conseguiram um registro da anta por meio de uma armadilha fotográfica. Era um indivíduo adulto, mas não é possível dizer se era macho ou fêmea.</p>



<p>“As fêmeas costumam ser maiores, mais altas, bem mais largas e bem mais corpulentas do que os machos. Mas isso também varia de acordo com o bioma, da diferente nutrição desse bicho em cada um dos diferentes biomas. Como não sabemos como as antas são na Caatinga, ainda não podemos dar um chute bem informado se era macho ou fêmea”, diz Medici.</p>



<p>Essa foi a segunda expedição em busca de informações sobre a anta na Caatinga. A primeira aconteceu na mesma época do ano passado, quando os pesquisadores da Incab-Ipê percorreram 10 mil quilômetros, em 31 dias. Foi financiada por uma vaquinha online que arrecadou pouco mais de R$ 200 mil.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p><span style="font-weight: 400;">Dia da Anta: </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O australiano Anthony Long, um apaixonado por antas, foi quem articulou o estabelecimento do dia <strong>27 de abril como o Dia Mundial da Anta</strong>. A data é comemorada desde 2008. É uma forma de dar visibilidade ao animal. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> “Ao contrário dos elefantes, rinocerontes, leões, tigres e outros mamíferos de grande porte, as antas não aparecem na mente da maioria das pessoas. As pessoas não sabiam o que são as antas, esses animais não apareciam em filmes, livros infantis ou de qualquer outra maneira que outros animais – mais populares – apareciam”, contou Anthony Long, em entrevista ao Instituto Ipê.</span></p>
<p>Dia da Caatinga:</p>
<p>Já o dia <strong>28 de abril é o Dia Nacional da Caatinga</strong>, data criada para conscientizar as pessoas sobre a importância da sua conservação para o equilíbrio ambiental. A Caatinga é um bioma único do Brasil, ocupando aproximadamente 11% do território nacional.</p>
        </div>
    </div>



<h2 class="wp-block-heading">Mais para dentro da Caatinga?</h2>



<p>Em agosto, a expedição Em busca da Anta Perdida<em> </em>vai para uma etapa mais ambiciosa. A ideia é procurar o gigante em uma área de Caatinga distante 80 quilômetros da zona de interseção com o Cerrado, na divisa da Bahia com Minas Gerais. Uma área mais “Caatinga, Caatinga mesmo”. É também um período do ano em que a região, perto do rio Cariranha, um dos afluentes do rio São Francisco, está mais seca.</p>



<p>“Ouvimos relatos de aparições da anta nessa região que nos deixaram intrigadas. Se encontrarmos registros nesse local, colocaria a anta lá bem dentro do mapa da Caatinga de acordo com o IBGE, sabe?”, conta Medici.</p>



<p>A pesquisa pretende entender também se a mudança de estação influencia no deslocamento das antas. Se elas permanecem na área de Caatinga quando a disponibilidade de água é mais reduzida ou se se embrenham pelo Cerrado adentro. Para isso, a equipe vai visitar os mesmos locais onde achou a anta na segunda etapa.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/04/EXPEDICAO-CAATINGA-2024-3.jpg" alt="A imagem mostra duas pessoas, pesqquisadores da Expedição Caatinga, de costas, imersas em uma vegetação densa e verde. Elas parecem estar explorando ou caminhando através de um ambiente natural exuberante. Ao redor, há uma variedade de plantas e árvores, incluindo palmeiras altas que se erguem para o céu. O cenário é iluminado por uma luz suave, indicando que pode ser início da manhã ou final da tarde." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Áreas onde foram encontradas antas são na fronteira com o Cerrado. 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Incab-Instituto Ipê</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“Outra pergunta que apareceu nas pesquisas de campo neste mês de março foi o papel dos grandes rios do Cerrado em levar esses bichos para dentro da Caatinga. A gente olhou para o rio Preto e vimos que ele funciona como um corredor. A gente olhou o rio Grande e aparentemente é um corredor também. Tem o rio Correntes, tem o próprio rio Carinhanha. O plano é seguir o curso desses rios vendo como que esse animal aparece ou desaparece ao longo deles, em direção ao Cerrado ou à Caatinga”, explica a pesquisadora.</p>



<p>As informações da pesquisa serão utilizadas para a próxima avaliação da <a href="https://www.gov.br/icmbio/pt-br/assuntos/noticias/ultimas-noticias/livro-vermelho-da-fauna-ja-esta-disponivel-para-download" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Lista Vermelha do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)</a> e para a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) para que a Caatinga volte a ser considerada um bioma onde a anta ainda vive. Isso vai ajudar a viabilizar planos para conservação do habitat desses animais.</p>



<p>“Na nossa pesquisa, encontramos alguns registros na literatura de antas na bacia do Capibaribe. É uma região que eu diria que deve ter existido antas no passado, mas um passado remoto. Fizemos mais de 150 entrevistas na Caatinga e quase a totalidade dos entrevistados trouxe para a conversa a questão da diminuição da disponibilidade de água, junto com a caça, como um fator para o desaparecimento do animal deste bioma”, diz a especialista. “O bicho existiu em algumas áreas da Caatinga há muitos anos atrás, quando tinha mais águas, tinha mais minadouros, mais nascentes, mais rios. O processo de desertificação do semiárido é um fator de suma importância para um futuro não muito promissor para todas as espécies de animais da Caatinga”, diz Medici.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Antas ajudam na diversidade das florestas</span>

		<p>É uma injustiça que anta seja sinônimo de falta de inteligência, já que o animal cumpre um papel importantíssimo na biodiversidade das nossas florestas. É chamada de jardineira de florestas, por quem conhece o bicho: por andar bastante para se alimentar &#8211; come cerca de dez quilos por noite &#8211; ela ajuda a espalhar, pelas fezes, sementes pelas florestas e campos.</p>
<p>“É um animal herbívoro que consome grandes quantidades de frutos e que anda muito, que se desloca por grandes distâncias e vai disseminando essas sementes. Algumas espécies de primatas desempenham esse papel também, assim como muitas espécies de aves. Mas sementes grandes é somente a anta que dissemina, porque é um animal muito grande. Sementes de várias palmeiras, sementes de vários frutos grandes de diferentes florestas é só esse bicho quem dispersa. Sem as antas, as florestas acabam perdendo a biodiversidade da vegetação”, afirma Medici.</p>
<p>Apenas no Brasil há a associação das antas com a pouca inteligência. A origem está no período colonial. “Quando os portugueses chegaram à costa do Brasil, conheceram a anta e pelo tamanho e porte do animal tentaram domesticá-la para o transporte de cargas. No entanto, como um animal selvagem, a espécie não se submeteu. Pelo fato de não conseguirem domesticá-la, passaram a relacioná-la a um animal de pouca inteligência, o que a ciência já mostrou que não é verdade”, contou a pesquisadora em entrevista ao Instituto Ipê.</p>
	</div>



<h3 class="wp-block-heading">Vários biomas, várias ameaças</h3>



<p>O Brasil é formado por seis biomas de características distintas: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Pantanal, Mata Atlântica e Pampa. E anta está presente do norte do Rio Grande do Sul até o extremo norte do país. Apesar de conseguir se adaptar à variedade de alimentação que cada um desses biomas oferece, a anta é um animal globalmente classificado como vulnerável. Em quase todos os biomas, a anta enfrenta muitas ameaças. </p>



<p>“A Mata Atlântica já sofreu bastante, tem séculos de exploração, então esse bicho está presente em poucos lugares. Nós temos três pequenas populações de anta na Mata Atlântica da Bahia, por exemplo”, diz Medici.</p>



<p>Apesar da Amazônia apresentar condições ambientais boas para a anta, é um animal muito caçado tanto pelos povos indígenas quanto pela população ribeirinha. “É um animal utilizado como recurso alimentar, como fonte de proteína mesmo”, explica. Como a anta tem uma reprodução lenta &#8211; com gestações que duram até 13 meses e normalmente geram apenas um único filhote &#8211; onde há a caça contínua a recuperação da espécie fica comprometida.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/04/REGISTRO-DE-ANTA-EM-CAMPO-GRANDE-1.jpeg" alt="A imagem mostra uma rua pavimentada que serpenteia ao lado de uma cerca e uma área arborizada. À esquerda da imagem, uma anta cinza está atravessando a rua. A foto parece ter sido feita no final de tarde, com céu bastante nublado e iluminação artificial." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Foto de uma anta em Campo Grande (MS), cidade onde houve o registro de 700 atropelamentos de antas ao longo de sete anos. 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Incab-Instituto Ipê</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>No Cerrado, as antas enfrentam desde perda do habitat para as plantações do agronegócio e contaminação por agrotóxicos até atropelamentos nas estradas. “Em sete anos, foram 700 carcaças de anta encontradas atropeladas em rodovias do Mato Grosso do Sul. É um desespero total. O Cerrado apresenta um grande mosaico de todas as ameaças que você possa imaginar”, lamenta a pesquisadora.</p>



<p>As razões para a quase extinção da anta na Caatinga também são várias, com destaque para o desmatamento, a caça e as secas. </p>



<p>É no Pantanal que a anta ainda encontra um ambiente mais favorável, com muita água. “É um refúgio bem importante para esse bicho. É uma das maiores áreas alagadas de água fresca contínuas do planeta. São 170 mil quilômetros quadrados de habitat para esse animal. É um paraíso para elas”, diz Medici.</p>



<p>Mas os melhores habitats estão se tornando ilhas, explica a pesquisadora. “Daqui a pouco as antas vão estar amplamente desconectadas uma das outras e esse animal vai sim, seriamente, caminhar para a extinção. Isso nos angustia: estamos pesquisando e contribuindo para a conservação deste animal ou simplesmente documentando a extinção dele? Mas também há notícias boas, como essa de que a anta não está extinta na Caatinga”.</p>



<h3 class="wp-block-heading">O que ainda pode ser feito</h3>



<p>As informações das expedições na Caatinga também serão utilizadas no desenvolvimento do próximo Plano de Ação Nacional (PAN) para os Ungulados Ameaçados de Extinção. Os ungulados são mamíferos que andam sobre cascos, como o porco-do-mato, a queixada, o cateto, cervos e veados.</p>



<p>Patrícia Medici lembra que houve um grande desmantelamento da preservação no governo Bolsonaro, e que as agências federais são fundamentais para a fiscalização e a conservação das espécies e seus habitats. E que é preciso reforçar as leis ambientais e a fiscalização.</p>



<p>“O que temos buscado focar é em planejar estratégias adequadas para cada um dos biomas de acordo com as ameaças. Onde tem colisões veiculares e atropelamentos, pensamos em planos de mitigação, por exemplo. Onde caça é o problema, pensamos em formas de prover proteína para determinadas comunidades. E assim por diante”, afirma. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	<p>O post <a href="https://marcozero.org/expedicao-de-pesquisa-revela-que-antas-nao-estao-extintas-na-caatinga/">Expedição de pesquisa revela que antas não estão extintas na Caatinga</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Uma jornada por terras desérticas</title>
		<link>https://marcozero.org/uma-jornada-por-terras-deserticas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Apr 2024 14:34:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[caatinga]]></category>
		<category><![CDATA[desertificação]]></category>
		<category><![CDATA[nordeste]]></category>
		<category><![CDATA[Seridó]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Todo o conteúdo da série “Os Desertos do Sertão”, realizada pela Marco Zero Conteúdo com apoio do projeto Report For The World e da Fundação Henrich Böll, está disponível em nosso site. Ao todo, foram publicadas sete reportagens sobre o avanço do processo de desertificação no Nordeste brasileiro e aqui você pode conferir o resumo [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/uma-jornada-por-terras-deserticas/">Uma jornada por terras desérticas</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Todo o conteúdo da série “Os Desertos do Sertão”, realizada pela Marco Zero Conteúdo com apoio do projeto <a href="https://reportfortheworld.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Report For The World</a> e da <a href="https://br.boell.org/pt-br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Fundação Henrich Böll</a>, está disponível em nosso site. Ao todo, foram publicadas sete reportagens sobre o avanço do processo de desertificação no Nordeste brasileiro e aqui você pode conferir o resumo de cada uma delas.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Os Desertos do Sertão</strong></li>
</ul>



<p>Na reportagem de abertura contamos como um projeto financiado pelo próprio Governo Federal foi responsável por degradar as terras de agricultores do Médio São Francisco, tornando-as improdutivas. Também contextualizamos e atualizamos os dados sobre as áreas áridas e semiáridas no Brasil.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/os-desertos-do-sertao/" class="titulo">Os desertos do sertão</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/clima/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Clima</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Gilbués, o deserto vermelho e produtivo do Piauí</strong></li>
</ul>



<p>Durante a nossa apuração encontramos o que parecia ser um milagre: um deserto produtivo com plantações de milho, feijão, hortaliças e tantos outros alimentos. Nesta reportagem você pode conhecer a singularidade da paisagem do deserto de Gilbués e entender como os agricultores da região conseguiram tornar produtiva uma terra antes sem valor nenhum.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/gilbues-o-deserto-vermelho-e-produtivo-do-piaui/" class="titulo">Gilbués, o deserto vermelho e produtivo do Piauí</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/clima/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Clima</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Lagoa seca e rio sem leito: os sinais da desertificação acelerada</strong></li>
</ul>



<p>Na terceira reportagem trazemos uma contextualização de como o processo de desertificação tem se intensificado nas últimas décadas em Pernambuco e na Bahia. Grandes áreas secas e com terras degradadas e lagoas que secaram completamente refletem os efeitos das mudanças climáticas nas regiões.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/lagoa-seca-e-rio-sem-leito-os-sinais-da-desertificacao-acelerada/" class="titulo">Lagoa seca e rio sem leito: os sinais da desertificação acelerada</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/clima/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Clima</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Um “caçador de água” nas terras áridas do norte da Bahia</strong></li>
</ul>



<p>Nesta reportagem você pode conhecer a história de Manoel Batista, mais conhecido Seu Né, um verdadeiro “bruxo” do sertão nordestino. Ele teria o dom da radiestesia, a suposta habilidade de perceber o campo eletromagnético dos depósitos subterrâneos de água, e por isso é responsável por indicar o local certo onde escavar os poços e garantir água.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/um-cacador-de-agua-nas-terras-aridas-do-norte-da-bahia/" class="titulo">Um &#8220;caçador de água&#8221; nas terras áridas do norte da Bahia</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/clima/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Clima</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Seridó desmatado</strong></li>
</ul>



<p>No sertão do Rio Grande do Norte, o agricultor Francisco das Chagas, que antes desmatava suas terras para produzir lenha, se reeducou graças ao incentivo de seus filhos e passou a preservar o solo, além de iniciar um projeto de plantio da caatinga. Nesta reportagem, mostramos a importância das ações de preservação do Seridó, como as realizadas por Chagas.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/serido-desmatado/" class="titulo">Seridó desmatado</a>
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                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/clima/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Clima</a>
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        </div>

		


<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Ele tem um sonho: reflorestar a caatinga</strong></li>
</ul>



<p>No Seridó potiguar, o geógrafo e professor Josimar Araújo de Medeiros é responsável por formar voluntários para plantar faveleiras na caatinga. Com a falta de políticas públicas e sem nenhum incentivo financeiro, o professor tem o sonho de realizar o reflorestamento de terras desmatadas e degradadas. Nesta reportagem, você pode conhecer mais sobre o projeto.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/ele-tem-um-sonho-reflorestar-a-caatinga/" class="titulo">Ele tem um sonho: reflorestar a caatinga</a>
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                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/clima/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Clima</a>
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<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Falta orçamento para conter a desertificação</strong></li>
</ul>



<p>Em entrevista à Marco Zero, o diretor do Departamento de Combate à Desertificação, Alexandre Pires, falou sobre o Plano Nacional de Combate à Desertificação e os desafios encontrados para efetivar as ações previstas pelo setor, sendo a falta de orçamento o maior deles. Na reportagem que finaliza a série, você pode saber mais sobre o plano do Governo Federal.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/falta-orcamento-para-conter-a-desertificacao/" class="titulo">Falta orçamento para conter a desertificação</a>
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                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/clima/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Clima</a>
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		<p>O post <a href="https://marcozero.org/uma-jornada-por-terras-deserticas/">Uma jornada por terras desérticas</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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