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	<title>Arquivos cultura popular - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos cultura popular - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Feira promove produção cultural das periferias com homenagem a Solano Trindade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Sep 2025 20:59:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[cultura popular]]></category>
		<category><![CDATA[Flup]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O poeta e militante pernambucano Solano Trindade será homenageado na primeira edição da Festa Literária das Periferias (Flup) em Pernambuco, que acontece entre 10 e 14 de setembro, no Compaz Governador Eduardo Campos. Nascido no Recife, Trindade foi um dos fundadores da Frente Negra Pernambucana e do Teatro Popular Brasileiro, iniciativas que buscavam democratizar o [&#8230;]</p>
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<p>O poeta e militante pernambucano Solano Trindade será homenageado na primeira edição da <a href="https://www.instagram.com/flup.pe2025/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Festa Literária das Periferias (Flup) em Pernambuco</a>, que acontece entre 10 e 14 de setembro, no Compaz Governador Eduardo Campos. Nascido no Recife, Trindade foi um dos fundadores da Frente Negra Pernambucana e do Teatro Popular Brasileiro, iniciativas que buscavam democratizar o acesso à arte e valorizar a cultura afro-brasileira. Sua trajetória é apresentada como referência para pensar estratégias de visibilidade e reconhecimento dos talentos periféricos.</p>



<p>Com o tema “Saberes Conectados: Negritude em Todos os Espaços”, a feira busca ampliar o alcance da literatura como ferramenta de diálogo e construção coletiva. A programação gratuita inclui mesas de debate, lançamentos de livros, saraus e espetáculos, com participação de nomes como Vitor da Trindade, Bianca Santana, Carla Akotirene, Itamar Vieira Jr. e Ellen Oléria. A curadoria priorizou temas como juventude negra, ancestralidade, acesso à cultura e o papel da arte nas periferias.</p>



<p>A feira de livros, parte integrante da programação, reúne editoras independentes, coletivos literários e escritores locais, com destaque para iniciativas como o Mulherio das Letras Periferia e o Coletivo Literário Mala Preta. Também haverá espaço gastronômico e intérpretes de Libras, reforçando o compromisso com a acessibilidade e a diversidade de públicos.<br><br>“A Flup não é apenas um evento &#8211; é processo, plataforma de pensamento, conexões e incubação de talentos antes invisibilizados. Sempre culmina em um grande encontro, como o que teremos aqui em setembro, que será o ponto de largada desse movimento de troca de expertises &#8220;, afirma Tarciana Portella, coordenadora da Flup Pernambuco e cofundadora do Instituto Delta Zero para o Desenvolvimento da Economia Criativa.<br><br>A escritora e jornalista Jaqueline Fraga foi a curadora da edição: “Pernambuco receber esta edição pioneira da Flup demonstra a relevância do nosso estado para a produção cultural. Daqui saem expoentes das mais diversas linguagens. Reuni-los junto ao público e a artistas de outros estados do país é uma forma de honrar toda a vida cultural que existe aqui”, ressalta Jaqueline.</p>



<p>Criada em 2012 no Rio de Janeiro, a feira tem como proposta central promover o acesso à literatura e à produção intelectual nas periferias urbanas, reunindo autores, artistas e pensadores para refletir sobre cultura, identidade e transformação social em atividades gratuitas. A edição pernambucana é realizada com apoio do Ministério da Cultura, Prefeitura do Recife e Banco do Nordeste. A coprodução é da Suave e correalização da Na Nave, responsáveis pela edição carioca do evento.</p>



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		<title>Mulheres do Maracatu Leão Coroado são protagonistas de documentário</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Mar 2024 21:42:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[cinema pernambucano]]></category>
		<category><![CDATA[cultura popular]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Para homenagear o protagonismo das mulheres que integram o Maracatu Nação Leão Coroado &#8211; fundado em 1863 e com atividade ininterruptas desde então &#8211; e a memória de sua avó, a primeira regente feminina do maracatu, Karen Aguiar, realizou o filme Leoas: o legado feminino no Maracatu Leão Coroado. Com estreia marcada para esta sexta-feira, [&#8230;]</p>
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<p>Para homenagear o protagonismo das mulheres que integram o Maracatu Nação Leão Coroado &#8211; fundado em 1863 e com atividade ininterruptas desde então &#8211; e a memória de sua avó, a primeira regente feminina do maracatu, Karen Aguiar, realizou o filme<em> Leoas: o legado feminino no Maracatu Leão Coroado</em>. Com estreia marcada para esta sexta-feira, 15 de março, às 19h, no Museu da Abolição, o filme destaca o protagonismo feminino da Nação através de depoimentos das mulheres do grupo.</p>



<p>“Quando eu perdi meu avô, produzi um filme em memória dele, com imagens que eu tinha de arquivo. E a partir daí quis fazer o mesmo com a minha avó, com ela ainda em vida, para honrar a história dela como costureira do maracatu. Foi assim que surgiu a ideia do filme”, declarou Karen Aguiar. Em 2018, com a morte do seu avô, o Mestre Afonso Aguiar, Karen Aguiar assumiu a regência do maracatu e fez história sendo a primeira mulher no cargo, à época, ela tinha apenas 20 anos.</p>



<p>“Ter uma mulher como regente fez com que toda a formação do maracatu fosse reconfigurada, foi uma referência importante para as mulheres da Nação. De maneira geral, na história do maracatu os lugares de destaque sempre são dados aos homens, as mulheres lutam pelo cargo de rainha. O Leão Coroado sempre foi um maracatu onde as mulheres estiveram presentes, e foram protagonistas, mas nunca em cargos de liderança como na presidência ou assumindo o apito”, disse a regente.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">&#8220;De maneira geral, na história do maracatu os lugares de destaque sempre são dados aos homens, as mulheres lutam pelo cargo de rainha&#8221;. </p>
</div>


<p>O filme <em>Leoas</em> foi a forma que Karen encontrou para dar ainda mais destaque às mulheres que sempre sustentaram as atividades da Nação e garantiram que ele se tornasse um maracatu com tanta longevidade, com 161 anos de atividade.</p>



<p>A ideia inicial do projeto era registrar o legado de dona Janete Aguiar, esposa de Mestre Afonso e também costureira, administradora e Dama do Paço da Nação, mas que nunca teve o mesmo reconhecimento do marido. Dona Janete morreu em 2022, antes que o projeto pudesse ser concretizado. Porém, Karen não desistiu do filme e decidiu criar uma narrativa que contemplasse a memória da avó por meio do registro das histórias de outras mulheres que compõem o maracatu.</p>



<p>“Escolhi as mulheres a partir da relação delas com o maracatu e com a minha avó. E eu também queria trazer um recorte de gerações, então também chamei mulheres mais novas, que entraram no baque depois que assumi o apito&#8221;, revelou Karen ao falar sobre as oito mulheres protagonistas do documentário.</p>



<p>Na produção, as oito personagens falam sobre suas experiências no maracatu e expõem questões importantes sobre negritude, religiosidade e machismo dentro da tradição dos brinquedos populares.</p>



<p>No evento de pré-estreia, que acontece nesta sexta-feira, haverá um debate com Karen Aguiar e as mulheres que participaram do filme. “Muita coisa mudou desde que eu assumi o apito e o filme vem para marcar isso. Por exemplo, todas as minhas primas que dançavam de princesa largaram a corte para ir tocar, e isso é muito impactante. É isso que eu quero que as pessoas vejam também com o filme”, concluiu Karen Aguiar.</p>



<p>O filme, realizado com incentivo do Funcultura, ficará disponível no canal do <a href="https://www.youtube.com/channel/UC9X5oEscxhCumkOFeDhZICQ" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Youtube do Maracatu Leão Coroado</a> a partir das meia-noite deste sábado, 16 de março.</p>



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	                                        <p class="m-0">Karen Aguiar é neta de mestre Afonso e primeira mulher regente do maracatu</p>
	                
                                            <span>Foto de Karen Aguiar, mulher negra jovem de cabelos pretos cacheados, vestindo camiseta vermelha. Ela está em frente a uma parede vermelha decorada com vários objetos e imagens. A pessoa está com o rosto obscurecido e veste uma camisa laranja. Na parede, há um objeto decorativo grande e dourado com detalhes em azul no centro. À esquerda da pessoa, encontramos um tambor encostado na parede e um vaso de plantas com folhas verdes grandes. À direita, existe um quadro branco contendo imagens de roupas penduradas.</span>
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		<title>Aos pés do farol de Olinda, vive Glorinha do Coco, a matriarca do coco de roda</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Mar 2024 15:15:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[coco de roda]]></category>
		<category><![CDATA[cultura popular]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Erika Muniz Do lado direito de uma ladeira, uma casa abriga a pintura de uma mulher com seu chapéu de abas extensas, no Amaro Branco, bairro aos pés do farol de Olinda. A imagem aponta que é ali que mora Maria da Glória Braz de Almeida, ou, nas palavras dela: “na cultura popular, me [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Erika Muniz</strong></p>



<p>Do lado direito de uma ladeira, uma casa abriga a pintura de uma mulher com seu chapéu de abas extensas, no Amaro Branco, bairro aos pés do farol de Olinda. A imagem aponta que é ali que mora Maria da Glória Braz de Almeida, ou, nas palavras dela: “na cultura popular, me chamam de Dona Glorinha do Coco.” Matriarca do coco de roda e a mais antiga representante dessa expressão artística do bairro, a artista é admirada e muito querida por sua vizinhança. Conhecida para muito além da Travessa dos Pescadores, a artista aguardava a equipe de reportagem sentada em seu terraço, com um sorriso largo e um vestido estampado.</p>



<p>Ela ficou ainda mais empolgada ao saber que a história de seus 89 anos seria publicada no Dia Internacional da Mulher.</p>



<p>Com dois álbuns lançados, Dona Glorinha do Coco já viajou pelo país fazendo apresentações e levando também sua arte para fora do Brasil, em festivais de Cuba e Portugal. O primeiro disco, que leva seu nome, é de 2013, produzido por Isa Melo; o segundo, <em>Noite linda</em>, ganhou ao mundo em 2019. Ambos estão disponíveis nas plataformas digitais. Gosta de estar no palco seja onde for, mas a pernambucana não abre mão das sambadas ancestrais que realiza, há décadas, no Amaro Branco. Devota de São João, todo ano, no ciclo junino, ela realiza uma comemoração regada a muito coco e alegria, em frente à sua casa.</p>



<p>Com o primeiro álbum, inclusive, Dona Glorinha chegou a concorrer ao Prêmio da Música Brasileira, nas categorias Melhor Álbum Regional e Melhor Cantora Regional, em 2015. Além disso, foi contemplada com a medalha das Heroínas de Tejucupapo, em 2021. Até o momento, no entanto, a matriarca do coco do Amaro Branco ainda não recebeu o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco, escolha que é feita pelo Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural, mesmo com todas as décadas e compartilhamento de sua sabedoria e dedicação à tradição do coco de roda, em Pernambuco.</p>



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	                                        <p class="m-0">Glorinha do Coco. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo
</p>
	                
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<p>Tudo o que ela sabe dessa expressão cultural, ela faz questão de dizer que aprendeu com a mãe, Maria Braz do Livramento, mais conhecida como Maria Belém, que era parteira e teve uma trajetória de grande relevância no carnaval de Olinda, pois participou da criação de importantes agremiações, entre as quais o Acorda Povo, o Clube da Escola de Samba Oriente e o Clube dos Lenhadores de Olinda.</p>



<p>“Hoje, o que eu sei de coco de roda – e olhe que eu sei muita coisa – aprendi tudo com ela. Eu tinha sete anos de idade, era pequenininha, magrinha, subia num tamborete para ficar maiorzinha, aí, ela vinha com o ganzá. Antigamente, não tinha microfone, era só a garganta da gente mesmo. Minha mãe cantava o coco e eu respondia. Foi assim desde criança. Quando eu fui crescendo, crescendo, chegou o tempo de 17, 18 anos e para onde minha mãe ia, eu ia com ela.”, relembra Dona Glorinha.</p>



<p>A linha que costura sua ancestralidade é tecida por mulheres de histórias marcantes, pois sua avó, Joana, completou 105 anos antes de partir. Ela foi escravizada e fugiu de um engenho nos arredores de Catende até chegar ao bairro do Amaro Branco. Por lá, Joana conheceu José, que era pescador e o casal constituiu família por lá.</p>



<p>Além de ser mãe de 12 filhos, Dona Glorinha criou mais quatro. A família é numerosa e só floresce, pois já são 34 descendentes, entre netos, bisnetos e tataranetos. “Tenho uma neta, Renata, que também canta. Todo dia eu digo a ela: ‘quando Deus me chamar, você fica no meu lugar. O meu anel de coquista, é você quem vai ganhar’,” revela, sobre perpetuar os ensinamentos da mãe, Maria Belém.</p>



<p>No dia 3 de setembro deste ano, Dona Glorinha do Coco completa 90 anos e já avisa que a sambada em comemoração dessa data vai ser especial. “São três vezes 30, é muito tempo!”, brinca. Embora tenha passado a vida inteira cantando, compondo e perpetuando a vitalidade cultural do coco de roda nas sambadas ancestrais do Amaro Branco e em outros locais, a artista só começou a aparecer mais para o público de fora de seu bairro quando já tinha passado dos 70 e poucos anos.</p>



<p>Com a gravação do CD <em>Coco do Amaro Branco </em>(2005), veio o documentário <em>O coco, a roda, o pneu e o farol</em> (2007), de Mariana Fortes, que contou com Dona Glorinha e também com Mestra Ana Lúcia e os saudosos Mestre Dedo e Mestre Ferrugem. Posteriormente, o álbum <em>Coco do Amaro Branco Volume 2</em> (2010), contou com Dona Glorinha participando do repertório.</p>



<p>Quando está no palco, a compositora diz que se sente feliz e adora receber o carinho do público. O segredo para cultivar o sorriso largo no rosto que a caracteriza, seja no palco cantando os versos que aprendeu com sua mãe ou no terraço de sua casa conversando, Dona Glorinha declara: “O mundo está do jeito que Deus deixou para a gente viver, para a gente brincar. Mas tem gente que só quer violência. Para mim, isso não serve. Melhor ficar em casa dormindo ou numa roda de coco, que é onde eu gosto de estar!” E, quem já sambou numa roda de coco no Amaro Branco, dificilmente deixa de ir e garante que realmente é dessas experiências inesquecíveis.</p>



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	                                        <p class="m-0">Glorinha fará 90 anos em setembro e promete &#8220;sambada&#8221; para comemorar. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo
</p>
	                
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	<p>O post <a href="https://marcozero.org/aos-pes-do-farol-de-olinda-vive-glorinha-do-coco-a-matriarca-do-coco/">Aos pés do farol de Olinda, vive Glorinha do Coco, a matriarca do coco de roda</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Estrela Brilhante de Igarassu celebra 200 anos. E ele é apenas o 2º maracatu mais antigo do Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Feb 2024 17:49:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[carnaval de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura Negra]]></category>
		<category><![CDATA[cultura popular]]></category>
		<category><![CDATA[maracatu]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pouco antes do último ensaio pré-carnaval começar, os homens do Maracatu Estrela Brilhante de Igarassu já afinavam seus instrumentos. Aperta para cá, ajusta para lá, testa o som e, pronto, começavam os preparativos para o arrastão. Tão esperado quanto o próprio carnaval, o último ensaio sai levando a força do maracatu pelas ruas do sítio [&#8230;]</p>
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<p>Pouco antes do último ensaio pré-carnaval começar, os homens do <a href="https://www.instagram.com/estrelabrilhantedeigarassu/">Maracatu Estrela Brilhante de Igarassu</a> já afinavam seus instrumentos. Aperta para cá, ajusta para lá, testa o som e, pronto, começavam os preparativos para o arrastão. Tão esperado quanto o próprio carnaval, o último ensaio sai levando a força do maracatu pelas ruas do sítio histórico de Igarassu.</p>



<p>A saída acontece da rua Barbosa Lima, onde está localizada a sede. A intenção é fazer uma volta pelo Sítio Histórico, passando pela rua Tiradentes, e seguindo o trajeto pela avenida principal, a avenida Vinte e  Sete de Setembro. O cortejo segue pelo gramado de Igarassu e passa pela igreja Santos Cosme e Damião de volta à sede da nação.</p>



<p>É em Igarassu, cidade litorânea, a aproximadamente 28 quilômetros de Recife, que habita o segundo maracatu de baque virado mais antigo do Brasil.  O primeiro maracatu registrado é o Nação Elefante, fundado em 1800 no Recife. Patrimônio vivo de Pernambuco desde 2009, o Maracatu Estrela Brilhante de Igarassu continua o legado iniciado no século 19. Prestes a completar 200 anos, foi passando de geração em geração e, hoje, é comandado por Mestre Gilmar e sua filha Wilka Shirly, descendentes dos fundadores.</p>



<p>Entende-se como baque virado ou &#8220;nação&#8221;, o maracatu composto por grupos percussivos formados por alfaias, gonguês, taróis e caixas, apresentando um cortejo, com trajes trabalhados em pedrarias, bordados e tecidos representando as antigas coroações de reis e rainhas do Congo.</p>



<p>Fundado em dezembro de 1824, mesma época em que acontecia a Confederação do Equador, iniciada aqui em Pernambuco, a história da agremiação começou em Vila Velha, em Itamaracá, então pertencente ao município de Igarassu. Anos depois, firmou raízes no Alto do Rosário, comunidade do sítio histórico da cidade.</p>



<p>Foi no Alto do Rosário que a matricarca da família, dona Mariú e seu marido, conhecido como &#8220;seu Neusa&#8221;, criaram os filhos e netos entre batuques, loas e toadas. A filha do casal, Olga, seguiu a tradição. E foi assim que o Mestre Gilmar de Santana, filho de Olga, cresceu aprendendo as artes e ofícios do maracatu. Com seus 55 anos, teve a &#8220;nação&#8221; presente em sua vida desde o nascimento.</p>



<p>“Dos cinco filhos, eu era o mais agarrado na barra da saia da minha mãe. Levei muito cascudo porque desde pequeno eu ‘aperreava’ ela toda hora querendo aprender o maracatu, o coco de roda. Eu fui o único que me dediquei e aprendi tudo dos dois ritmos”, relembra o mestre.</p>



<p>Seguindo os passos do pai, Wilka Shirly, é vocalista do maracatu, puxando toadas ao lado do mestre. “Pra mim é uma honra, eu amo esse maracatu. Costumo dizer que sempre participei do maracatu desde o ventre da minha mãe. Então, quando eu venho pros ensaios e vejo isso acontecer, a comunidade nos acolher, é gratificante”, afirma Wilka.</p>



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	                                        <p class="m-0">Mestre Gilmar no ensaio do Maracatu Estrela Brilhante, que em 2024 comemora seus 200 anos de existência. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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<p>Não é de hoje que a comunidade participa dos ensaios, na percussão, na dança, nos eventos e na produção. Há muitos anos, a tradição passa de família para família também entre os componentes da nação. A atual Dama do Paço e uma das baianas mais antigas do Estrela Brilhante, Joana Lino, de 75 anos, começou a dançar levada pela sua mãe, conhecida como dona Biu, também uma Dama do Paço. Aos 10 anos de idade, já saía para dançar com a mãe. Hoje, ela é a quarta Dama depois de dona Biu. “Eu sinto uma alegria tão grande que você nem imagina. Eu deixo tudo pra dançar, você acredita?”, revela em meio à empolgação.</p>



<p>Na cultura da Nação, as Damas de Paço são uma ou duas mulheres que carregam as calungas, bonecas que representam as forças dos ancestrais. E as baianas, na verdade, são conhecidas como Yabás.</p>



<p>No ano passado, em torno de 95 pessoas desfilaram nos cortejos de carnaval com o grupo. Turistas e visitantes de vários lugares do Brasil e também de outros países vão até Igarassu só para desfilar no carnaval como integrantes da &#8220;nação&#8221;, conhecida por sua receptividade e acolhimento. No arrastão foi possível perceber sotaques de diferentes regiões do Brasil e conversas em outros idiomas, como inglês, italiano e espanhol. A expectativa é que mais pessoas cheguem até o carnaval.</p>



<p>“Sempre quando tem evento, quando tem cortejo, a comunidade acompanha a gente. A gente trabalha com projetos sociais na nossa sede, então ajuda a juntar mais a galera pra perto. Eles nos acolhem muito bem”, reitera Wilka, falando sobre a participação da comunidade.</p>



<p>Este ano, o Estrela Brilhante de Igarassu será o homenageado no carnaval da cidade pela primeira vez, mas as celebrações do bicentenário ultrapassam os limites da cidade. Nesta terça-feira, 6 de fevereiro, o grupo também vai ser homenageado no 11º Encontro de Mestres e e Mestra Regente de Maracatu Nação, que acontece a partir das 19h, na Praça do Arsenal, no Recife Antigo. </p>



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	                                        <p class="m-0">Ensaio do Maracatu Estrela Brilhante no sítio histórico de Igarassu Foto: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo.</p>
	                
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<p></p>
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		<title>Mestre Martelo: memória, voz e alma do cavalo-marinho</title>
		<link>https://marcozero.org/mestre-martelo-memoria-voz-alma-do-cavalo-marinho/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Jan 2024 13:47:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[cavalo marinho]]></category>
		<category><![CDATA[condado]]></category>
		<category><![CDATA[cultura popular]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É numa pequena casa em Condado, na Mata Norte, que o mestre Martelo, de 87 anos, conta das suas artes. É uma longa vida dedicada à cultura popular. Por mais de 60 anos brincou de caboclo de maracatu rural. Há 68 anos, é o Mateus (ou Mateu) em brincadeiras de cavalo-marinho. O mais antigo em [&#8230;]</p>
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<p>É numa pequena casa em Condado, na Mata Norte, que o mestre Martelo, de 87 anos, conta das suas artes. É uma longa vida dedicada à cultura popular. Por mais de 60 anos brincou de caboclo de maracatu rural. Há 68 anos, é o Mateus (ou Mateu) em brincadeiras de cavalo-marinho. O mais antigo em atividade. Faz seus próprios adereços e sabe de cor centenas de versos e loas da cultura popular da Zona da Mata. São inúmeros &#8220;causos&#8221;. Uma memória que é um acervo sobre a cultura popular pernambucana.</p>



<p>O cavalo-marinho talvez seja a mais complexa das brincadeiras surgidas nas paisagens monocromáticas da cana de açúcar: uma encenação musical com 76 personagens, em que há loas, toadas, música e dança. Há homens, bichos e figuras fantásticas. Muitos usam máscaras. A dança é ágil, levantando poeira no terreiro.</p>



<p>Na tradição, os ensaios começam em julho (no sábado mais perto do dia de Santana) e se encerram no Dia de Reis. Não havia cavalo-marinho no carnaval. </p>



<p>As apresentações eram feitas para varar a noite, terminando por volta das 7h e durando mais de 8 horas.Mestre Martelo sabe de cor todas as falas dessas muitas horas de encenação. “Hoje, não tem mais isso. É apresentação de uma hora, 40 minutos. Nem ensaio querem fazer mais”, reclama. Conta que a figura do Mateu &#8211; que, na encenação, disputa Catirina com o personagem Bastião &#8211; é quem dá o tom da noite no cavalo-marinho. Não só é figura da brincadeira, também ajuda a organizá-la. Evita brigas, controla os bêbados.</p>



<p>Sebastião Pereira de Lima, o nome dele de batismo, conta que aprendeu cavalo-marinho observando. “E assonhando”, diz. Ainda criança, se escondia da polícia para poder ver a brincadeira noite adentro. A primeira vez em que foi ser Mateus, aconteceu de supetão. Outro bricante o chamou. Não tinha carvão &#8211; que é como os Mateus pintam a cara. Cuspiu na terra e melou o rosto. Tinha 19 anos.</p>



<p>A partir daí, foi Mateus em vários grupos. Há 45 anos brinca no Cavalo Marinho Estrela de Ouro. Perdeu as contas de quantas vezes evitou confusões. “Não bebo, não fumo e não tomo café”, diz, deixando a tarefa de ficar longas noites acordado ainda mais difícil para uma pessoa comum. Mas não para ele.</p>



<p>De repente, o assunto muda: Martelo conta a história de um caboclo de lança que fez um trato com o &#8220;bichinho&#8221;. Iria brincar 21 carnavais na sua melhor forma. &#8220;Ele chegava pulando as janelas&#8221;, diz. Às vésperas do 22º carnaval, ele ainda queria brincar. Mas recebeu uma visita misteriosa. Era o &#8220;bichinho&#8221; quem queria brincar o carnaval agora. Martelo diz que ele enlouqueceu. Foi até para uma instituição.  Pergunto se ele também fez um trato, pra brincar tantos carnavais assim. Ele pisca o olho, sorri e nega. Carnaval é coisa séria. E emenda falando de um outro caboclo, que também enlouqueceu: era meia-noite e um minuto quando ele chegou em casa, já na quarta-feira de Cinzas. &#8220;Caboclo brinca até a terça-feira. Ele passou um minuto&#8221;, diz.</p>



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	                                        <p class="m-0">Martelo não faz distinções entre a vida e a arte. Ele e o Mateus da festa são uma coisa só. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo
</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Vida e brincadeira, uma coisa só</strong></h2>



<p>Quando fala, Sebastião Pereira de Lima quase não faz distinções entre vida e arte, entre o que é episódio da vida dele e o que são características, trejeitos e falas de Mateus. Ao contar da vida miserável da infância, trabalhando em engenhos e vendo quatro irmãos morrerem, para e declama uma loa de cavalo marinho. Ainda tem orgulho da época em que cortava cana: “Enchia sozinha um caminhão de manhã e outro caminhão de tarde”.</p>



<p>Ele não apenas interpreta Mateus, mas se confunde com o personagem. “Comecei a brincar de Mateus em 1956. Saí no carnaval em um urso. Em 1957, no dia sete de janeiro, vim para aqui (Condado)”, conta, antes de começar as falas da negociação do Mateus com o Capitão Marinho participar de uma festa de cavalo marinho, ou de brincadeira de terreiro, como era chamado. “O Mateu certo, ele nem chega bebo, nem bebe. Por que ali (no terreiro) ele vai tomar conta”, diz.</p>



<p>Na tradição, só havia homens na encenação. Mas mestre Martelo não é um homem parado no tempo. Apoia e recebe, na sua casa, como uma residência artística, pessoas de todo o Brasil interessadas nas tradições da cultura popular. A artista paulista Cibele Mateus foi uma delas. Ela brinca de Mateus e recebeu todo o apoio do mestre. Assim como Odília Nunes, também artista, pesquisadora, palhaça. Juntas, elas organizaram o livro <em>Mateus de uma vida toda</em>, com apoio do Funcultura, em que mestre Martelo narra sua vida e obra.</p>



<p>Um desafio do livro foi manter na obra a oralidade do mestre Martelo. “O livro surgiu a partir de uma conversa minha com ele. Ele estava cantando a repartição do boi (uma das partes do cavalo-marinho) e pediu para eu anotar, porque ele queria me ensinar. Quando eu estava anotando, ele perguntava quantas páginas dava. Ele olhou pra mim e disse: isso não dava um livro?”, conta Cibele.</p>



<p>Mestre Martelo não tem estudo formal. Sabe apenas assinar o próprio nome. Um desafio do livro foi preservar sua forma de contar histórias. “A oralidade dele não é linear. É espiralar, transitando no passado, no presente, na brincadeira. Nas entrevistas para o livro, fomos puxando alguns focos. Para falar de quando ele nasceu, por exemplo, ele vai primeiro falar da mãe dele, do pai dele, como se conheceram, dos irmãos dele…”, explica.</p>



<p>Foram 40 dias de conversas para fazer o livro. “Martelo preserva a tradição da oralidade na cultura popular.Para todo mundo que chega na casa dele, ele tem uma história para contar. As histórias dele se confundem com as histórias da própria brincadeira. Ele é o tempo todo Mateus”, diz Cibele.</p>



<p>Para a artista e co-organizadora do livro Odília Nunes, a contribuição do mestre Martelo para a cultura pernambucana é imensa. “Estamos muito felizes com o livro porque estamos conseguindo fazer isso com Martelo ainda em vida. O livro é também um apelo: vamos olhar para esse homem, ele ainda está aqui. Este patrimônio cultural está vivo, está aqui, e tem muito para contribuir com as pessoas que estão começando a brincar de cavalo marinho. O livro também é um grito para que o Estado, os gestores, para que as pessoas olhem para ele como o grande mestre que ele é, apesar de ele não gostar dessa palavra”, diz Odília, acrescentando que mestre Martelo não é patrimônio vivo de Pernambuco, apenas do município do Condado. </p>



<p>O livro <em>Mateus de uma vida inteira</em> custa R$ 60 e pode ser adquirido por meio de contato pelo e-mail nomeuterreirotemarte@gmail.com. </p>





<p></p>
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		<title>No sertão, enterrar umbigo dos recém-nascidos é plantar esperança</title>
		<link>https://marcozero.org/no-sertao-enterrar-umbigo-dos-recem-nascidos-e-plantar-esperanca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Jan 2024 18:32:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo Crônico]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[cultura popular]]></category>
		<category><![CDATA[sertão do Pajeú]]></category>
		<category><![CDATA[sertão pernambucano]]></category>
		<category><![CDATA[umbigo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Géssica Amorim, do Coletivo Acauã Quilombo Teixeira, zona rural de Betânia, Sertão do Moxotó, Casa de Dona Dora, 12 de janeiro de 2024: – Quando a criança está madura, nascendo no tempo certo, a liturgia é essa: ir até a casa da mulher que vai ganhar o neném, olhar pra ela, sentir a barriga, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Géssica Amorim, do <a href="https://www.instagram.com/coletivoacaua?igsh=MWo4d3d3cXczbXN0Mg==" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Coletivo Acauã</a></strong></p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Coletivo Acauã</p>
	                
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<p>Quilombo Teixeira, zona rural de Betânia, Sertão do Moxotó, Casa de Dona Dora, 12 de janeiro de 2024:</p>



<p>– Quando a criança está madura, nascendo no tempo certo, a liturgia é essa: ir até a casa da mulher que vai ganhar o neném, olhar pra ela, sentir a barriga, ver se a criança tá na posição certa, ir massageando, acalmando a mãe, e a criança vem sem muita dificuldade. Quando ela nasce, a gente mede três dedos a partir do umbigo e corta o cordão. O pedaço que fica na criança, o coto umbilical, a gente amarra. Quando a placenta sai do útero, a gente enterra em algum lugar perto da casa da mãe, mesmo. Uns sete dias depois, o coto cai e é do costume enterrar também.</p>



<p>– Mas o povo enterra pra quê, Dona Dora? Por quê?</p>



<p>– Isso que resta do parto, você pergunta, né?</p>



<p>– Sim, a placenta, e, depois, o coto umbilical. Por que enterrar?</p>



<p>– A placenta, a gente enterra pra não jogar em qualquer canto, de qualquer jeito. Assim, os bichos brutos não mexem, não vão lá comer. O coto, que a gente chama mesmo de umbigo, tem quem diga que é pros ratos não comerem e acontecer de a criança crescer malina, mexendo no que é dos outros, dando até pra roubar.</p>



<p>– E, pra isso não acontecer, basta enterrar em qualquer lugar?</p>



<p>– Bom, aí, quem sabe é o pai ou a mãe. Se a criança já for grande, ela também pode escolher o canto. Mas o povo tem os lugares certos, sabe? É como uma simpatia, você entende? Tem gente que escolhe a porteira de uma fazenda ou de um curral, pra criança ser fazendeira quando crescer. Enterra no terreiro de uma escola, pra ser estudiosa. No pé de uma roseira, pra crescer bonita, e assim vai.</p>



<p>– A senhora acredita?</p>



<p>– Eu não! Tive 16 filhos e nunca enterrei o umbigo de nenhum. Nem sei que fim levaram. Até hoje, ninguém aqui de casa deu pra roubar. E, por aí, eu também nunca vi essa ruma de fazendeiro que devia ter se criado por aqui. É tudo invenção, mesmo.</p>



<p>– E de onde é que vem tudo isso, Dona Dora? De onde vem esse costume?</p>



<p>– Minha filha, quem fez primeiro, e a razão, eu não alcanço pra dizer. É coisa muito antiga, não sei quem sabe explicar. Já nasci vendo os outros fazendo.</p>



<p>Mais cética do que eu poderia imaginar, a parteira e agricultora aposentada Maria das Dores de Jesus, 79, conhecida como Dora, habitante do Sítio Teixeira, uma das comunidades quilombolas do município de Betânia, me falou sobre a condução do trabalho de um parto normal e sobre as possibilidades de destinos para dar aos seus resíduos &#8211; principalmente ao coto umbilical, que costuma se desprender do umbigo do bebê pelo menos sete dias após o parto.</p>



<p>Na barriga de quem está gerando um bebê, o cordão umbilical é a principal ligação física entre a pessoa gestante e a criança. Ele é fundamental para o desenvolvimento saudável e suporte vital do feto. Com o seu nascimento, já podendo respirar e se alimentar sem a necessidade da placenta e cordão umbilical, o coto não teria mais tanta utilidade. No entanto, desde muito tempo e para muita gente, enterrá-lo é parte de um ritual cercado de simbolismos e crenças que sustentam uma tradição popular brasileira: enterrar o umbigo de uma criança &#8211; dependendo do local escolhido &#8211; pode, de alguma maneira, influenciar o desenvolvimento da sua personalidade e o seu futuro.</p>



<p>A pedagoga Mailza Costa, também moradora do Quilombo Teixeira, conta que o umbigo do seu filho Dhonatas Samuel (foto de abertura), de 11 anos, foi enterrado ao lado de um xique-xique, espécie  de cacto que, assim como as demais, consegue se adaptar e sobreviver em ambientes secos. O xique-xique é arbustivo,  tem o caule ramificado acima da sua base e, geralmente, se desenvolve em afloramentos rochosos e solos areno-pedregosos. No período de estiagem severa, com a remoção dos seus espinhos, costuma ser utilizado na alimentação de muitos animais e chega a ser consumido por humanos. </p>



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	                                        <p class="m-0">Laísa Magalhães. Crédito: Acervo pessoal</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>“Quando Samuel completou sete anos, eu decidi enterrar o umbigo dele. Como ele já estava grandinho, ele foi com o meu marido procurar um lugar pra fazer isso. O lugar escolhido foi ao lado de um pé de xique-xique. Dá pra ver aqui de casa. Pelo que diz o costume, eu torço para que ele cresça forte, protegido e saiba se adaptar ao que encontrar de dificuldade na vida, assim como o cacto”, conta Mailza.</p>



<p>Em dezembro de 2023, a produtora cultural Laísa Magalhães, de Serra Talhada, no sertão do Pajeú, enterrou o umbigo da filha Açucena, que acabava de completar três meses de vida. O local escolhido foi ao pé de uma bananeira, no sítio dos seus avós, na zona rural de Ipubi, outro município pernambucano a mais de 250 quilômetros e três horas de viagem. “Eu enterrei o umbigo dela em um pé de bananeira porque dizem que dá dinheiro”, brinca Laísa.</p>



<p>“Na verdade, eu sempre ouvi falarem a respeito dessa coisa de enterrar o umbigo das crianças e, quando engravidei, fui atrás de pesquisar sobre os porquês. Tem quem diga, por exemplo, que é pra prender a pessoa ao lugar onde o seu umbigo foi enterrado, mas isso não bastava pra fazer sentido pra mim. Eu alcancei um outro significado, algo maior, que tem relação com as minhas origens. A minha mãe faleceu quando eu tinha quatro anos. Açucena veio para me dar um amor que foi tirado de mim, que é o amor entre mãe e filha. Enterrei o umbigo dela entre as bananeiras do sítio onde a minha mãe nasceu porque enxerguei nisso uma forma de me reaproximar dela e superar o meu luto. Pra mim, foi como plantar a possibilidade para que o nosso amor cresça sem as dores do meu passado ”.</p>



<p>Sítio dos Nunes, Flores, Sertão do Pajeú, casa de Maria de Fátima, 13 de janeiro:</p>



<p>– Mãe, onde foi que a senhora enterrou o meu umbigo?</p>



<p>– Géssica, aqui mesmo, em Sítio. Acho que foi bem no quintal daquela casa, ali, onde Creuza mora. Aquela, que era de Zé de Adolfo. Eu morei lá uns meses, quando tu nasceu.</p>



<p>– E a senhora enterrou por quê?</p>



<p>– Porque o povo diz que tem que enterrar, pros bichos não comerem. Tem que enterrar.</p>



<p>– Só por isso? A senhora acredita?</p>



<p>– Eu não sei mais a respeito disso, não. De primeiro, eu acreditava. Agora, não acredito mais. Mas, por via das dúvidas, o caba enterra.</p>



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	                                        <p class="m-0">Dona Dora, a parteira que não acredita no significado da tradição de enterrar umbigos. Crédito: Géssica Amorim/Coletivo Acauã</p>
	                
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		<title>Lia, a artista &#8220;sem fim&#8221;</title>
		<link>https://marcozero.org/lia-a-artista-sem-fim/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Jan 2024 19:10:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[cultura popular]]></category>
		<category><![CDATA[Lia de Itamaracá]]></category>
		<category><![CDATA[musica]]></category>
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<p>A praia de Jaguaribe, em Itamaracá, estava cheia no último domingo, gente pra todos os lados, sentadas em cangas, cadeiras ou debaixo de barracas. Não só por ser um dia gostoso para pegar um sol e se jogar no mar, mas por causa do encerramento do festival O Canto da Sereia que comemorou os 80 anos de Lia de Itamaracá. A festa, que começou no dia 12 de janeiro, data em que Lia completou idade nova, arrastou multidões para a ilha na Região Metropolitana do Recife. </p>



<p>No meio da multidão, Maria da Penha também celebrava seus 80 anos, completados um dia antes da homenageada, tentando realizar o sonho de conhecer e abraçar Lia.</p>



<p>“Desde quando eu cheguei que tô me sentindo bem, já dei uns passinhos e vou voltar pra casa feliz, porque primeiramente Deus, Yemanjá e ela”, afirmou dona Maria, que saiu da comunidade do Bode, na zona sul do Recife, a 60 quilômetros da ilha, para encontrar com a artista. </p>



<p>Suas vizinhas e amigas da comunidade se mobilizaram para conseguir levar Maria da Penha, de 80 anos, ao festival. No finalzinho da festa, o encontro aconteceu, um presente de aniversário que vai marcá-la para sempre. Testemunhar como o repórter o abraço das duas mulheres octogenárias, moradoras de comunidades pesqueiras, foi uma experiência de aquecer o coração, principalmente depois de ver Lia sendo reconhecida pela sua arte pelo povo e por tantos artistas da cultura popular.</p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Ana Menezes</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading">Três dias de festa</h2>



<p>O evento foi grande. Três dias e três palcos diferentes dedicados à rainha da ciranda do Brasil, uma artista &#8220;sem fim&#8221;, como canta na música “Desde menina”, composta por Chico César: “Eu sou sem fim / Lia e escrevia na areia, desde menina / a vida me ensina a ser assim”.  </p>



<p>Esta é a terceira edição do festival, que, dessa vez, ganhou um novo formato para dialogar com as linguagens artísticas que Lia traz com sua música. Além de muita ciranda, também houve apresentações de outros gêneros musicais, dança, moda, literatura, religiosidade e audiovisual. </p>



<p>O dia de encerramento do festival começou cedinho com a oficina oficina &#8220;Construção de Maraca com Coletivo Chama Griô”, no palco Estrela de Lia. Já no Palco Som na Rural, a festa iniciou com a apresentação do grupo Trans Coco, criado no terreiro de candomblé Ilê Axé Oxum Opará, em Igarassu, cidade vizinha. </p>



<p>No palco Lia de Itamaracá quem iniciou a festa foi Isaar e Waldir Afonjah. E foi lá que a anfitriã do festival apresentou o show “Ciranda do Mundo”, baseado no seu disco mais recente, <em>Ciranda sem Fim</em>, com produção de DJ Dolores, que também participou do show. </p>



<p>Com grandes sucessos e uma sonoridade singular, ao longo do show a multidão formou cirandas enormes. Lia também aproveitou para levantar o público com clássicos da cultura popular, também homenageando dona Selma do Coco. “Dona Selma descanse em paz, nada que é seu está perdido”, afirmou.</p>



<p>No fim da apresentação a artista conversou com fãs e a imprensa, valorizando a equipe envolvida. “São muitas emoções, o coração tá a mil pelo que já passei até onde cheguei, atravessei o mar de fogo. O festival tá maravilhoso e a produção foi grande. A minha produção é dez”, contou.</p>



<p>O dia também foi marcado pelo desfile de moda “Manto de Lia”, produzido pela <a href="https://www.instagram.com/cabroch4s?igsh=ZG1iNTM1c3Jzdzgx">Cabrochas</a>, uma marca da Ilha conhecida por usar conceitos de moda sustentável na criação de suas peças. Exibindo a criação de diversos estilistas inspirados em Lia e na sua arte. </p>



<p>E quem ficou com a responsabilidade de encerrar o evento foi a banda Nação Zumbi. Pela primeira vez na Ilha de Itamaracá, a banda chegou para representar a ligação de Lia com o movimento manguebeat. “À rainha da ciranda, guardião da cultura pernambucana. É uma honra pra Nação Zumbi tá tocando aqui hoje à noite”, afirmou o vocalista Jorge Du Peixe.</p>



<p>Ao longo do evento passaram outros nomes como Mestre Anderson Miguel, Mestre Bi, Nação Pernambuco, Catarina de Jah, Coco de Amaro Branco, Natascha Falcão, o bicentenário Maracatu Estrela Brilhante de Igarassu, diferentes grupos de caboclinhos, afoxés e muitos outros que mostraram a potência da cultura popular de Pernambuco. </p>
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		<title>Fotógrafo pernambucano doa à Fundaj acervo com 10 mil imagens da cultura popular</title>
		<link>https://marcozero.org/fotografo-doa-a-fundaj-acervo-de-imagens-de-cultura-popular/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Jan 2024 20:55:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[acervo fotográfico]]></category>
		<category><![CDATA[cultura popular]]></category>
		<category><![CDATA[Fundaj]]></category>
		<category><![CDATA[maracatu]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Jorge Cavalcanti* Um acervo precioso de imagens coloridas e em preto e branco da cultura popular, povos indígenas e de matriz africana estará ao alcance público na Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), no Recife. São mais de 10 mil negativos, positivos e filmes de cinema produzidos ao longo de quase 15 anos. Todo o material [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Jorge Cavalcanti*</strong></p>



<p>Um acervo precioso de imagens coloridas e em preto e branco da cultura popular, povos indígenas e de matriz africana estará ao alcance público na Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), no Recife. São mais de 10 mil negativos, positivos e filmes de cinema produzidos ao longo de quase 15 anos. Todo o material será digitalizado e preservado graças à iniciativa do fotógrafo Luca Barreto. Ele decidiu doar a memória que construiu durante a carreira dedicada a registrar saberes, costumes e manifestações populares. “A história é documento”, define ele.</p>



<p>Para o fotógrafo de 48 anos, nascido na capital de Pernambuco, a Fundação é o local ideal para a salvaguarda e conservação do acervo que compreende o período de 1994 a 2007. “É um trabalho de pesquisa e imersão em termos de experimentar. A partir de certo momento, houve um olhar mais direcionado para o documental, mas permaneci trabalhando com a fotografia no sentido artístico”, descreve o autor.</p>



<p>De fala tranquila, jeito manso e raciocínio inventivo, Luca Barreto conversou em duas ocasiões com a reportagem da Marco Zero durante a volta ao Recife para tratar, entre outras coisas, do contrato de cessão das imagens, já assinado com a Fundaj. “Todo esse trabalho não é apenas meu; por isso, precisa estar acessível. Seria egoísmo manter guardado, correndo o risco de se estragar”, conta ele.</p>



<p>É extensa a lista de mestras e mestres, alguns reconhecidos como patrimônio vivo, que foram capturados pelas lentes da máquina Nikon do artista. Algumas personalidades já faleceram, o que torna o acervo ainda mais relevante para a memória. A pifeira Zabé da Loca e o sanfoneiro Camarão são algumas das personalidades eternizadas nas fotografias de Barreto. Há também nomes importantes ainda vivos, como a cirandeira Lia de Itamaracá e a artista circense Índia Morena.</p>



<p>No catálogo agora sob a responsabilidade da Fundaj, há o registro em imagens de diversos grupos e manifestações populares, culturais e religiosas. Entre elas, a comunidade quilombola Conceição das Creoulas, no sertão pernambucano, e os Maracatus Cambinda Brasileira, Estrela Brilhante de Igarassu e Leão Coroado, na Mata Norte e Grande Recife. Ao longo dos anos, Luca Barreto também fotografou coco, caboclinho e outras expressões do Nordeste.</p>



<p>O autor conta que a ideia de doar sua produção surgiu em 2012, quando conheceu parte do acervo do fotógrafo francês Pierre Verger (1902-1996), exposto na cidade de Salvador (BA). “Entendi o que é, de fato, um acervo. Pierre já era alguém que me inspirava. Quando conheci sua fundação, vi tudo acessível e publicações sendo feitas a partir daquilo”, relembra.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Primeiro contato com o universo das imagens</strong></h2>



<p>Luca Barreto começou a fotografar aos 18 anos, quando viajou pela primeira vez à Chapada Diamantina (BA) e teve contato com uma Nikon FM dos tempos da Guerra do Vietnã (1959-1975). Na volta ao Recife, entrou no curso de licenciatura em Artes Plásticas na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), mas não o concluiu. </p>



<p>Começou a atuar como educador social utilizando a fotografia e o vídeo para desenvolver oficinas da Cruzada da Ação Social por Recife, Olinda e municípios do interior do estado. Foi também um dos responsáveis pela produtora de vídeo Canal 3. Aqui, cabe uma explicação: os aparelhos de videocassete eram sintonizados aos televisores por meio do canal 3. Por isso, o nome. Luca Barreto também montou exposições em um prédio que já não existe mais na Rua Corredor do Bispo, na Boa Vista, área central do Recife.</p>



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	                                        <p class="m-0">Luca Barreto e Márcia Ângela Aguiar, presidente da Fundaj, assinam ato de doação do acervo. Crédito: Fundaj</p>
	                
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                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading"><strong>Fundação destaca a relevância do acervo</strong></h3>



<p>Os arquivos entregues pelo artista ajudam a suprir uma lacuna temporal no catálogo já existente na Fundaj. “O acervo doado é composto de registros da cultura popular do final do século 20. São imagens importantes de um fotógrafo da geração que fez a transição da máquina fotográfica analógica para a digital. Já o acervo da Fundaj concentra-se entre os finais do séculos 19 e meados do 20”, conta Nadja Tenório. Ela coordena o Centro de Documentação e de Estudos da História Brasileira Rodrigo Mello Franco de Andrade, ligado à Fundação.</p>



<p>Luca Barreto recorda os tempos de transição tecnológica da fotografia. “Aposentei minha Nikon FM e migrei para o digital, onde permaneci por mais cinco anos, até decidir ir morar na Chapada Diamantina em 2013. Foi quando encerrei minhas atividades como fotógrafo”, conta ele, que seguiu na arte, agora produzindo peças em madeira e couro.</p>





<p>*<strong>Jornalista com 19 anos de atuação profissional e especial interesse na política e em narrativas de garantia, defesa e promoção de Direitos Humanos e Segurança Cidadã</strong></p>



<p></p>
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		<title>Depois da Virgem Maria negra, Baile do Menino Deus tem indígena fulni-ô no papel de José</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Dec 2023 01:41:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Baile do Menino Deus]]></category>
		<category><![CDATA[Catolicismo]]></category>
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		<category><![CDATA[fulni-ô]]></category>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Rosália Vasconcelos</strong></p>



<p>Desde o início de novembro, a rotina do ator pernambucano Pedro Caíque Gomes Ferraz, de 34 anos, se divide entre Recife e Águas Belas, município localizado no agreste de Pernambuco. Nas quartas e nas quintas, o rapaz vinha para a capital do estado, ensaiar para o <em>Baile do Menino Deus</em>, em que representa o personagem José, pai de Jesus. Nos outros dias da semana, o ator voltava para a cidade onde reside com sua esposa e seus filhos. É que, durante os meses de primavera do ano &#8211; setembro, outubro e novembro &#8211; é realizado o ouricuri, ritual sagrado do povo indígena Fulni-ô, aldeado em Águas Belas e do qual o ator faz parte.</p>



<p>Caíque Ferraz é o primeiro ator indígena a representar o papel de José no <em>Baile do Menino Deus</em> e também o primeiro índigena a participar deste tradicional espetáculo pernambucano, que este ano completa 40 anos de encenação, sendo 20 deles de apresentações no Marco Zero. Durante os dois últimos meses, o ator vem vivenciando uma verdadeira experiência de sincretismo religioso.</p>



<p>“Hoje mesmo havia um compromisso com a equipe da indumentária, a prova de roupas, e eu não pude ir porque estou aqui em Águas Belas, concluindo os rituais sagrados. A primeira semana de setembro e a última semana de novembro são as mais emblemáticas para nós Fulni-ô, porque é o nosso encontro e a nossa despedida. Então, eu não poderia deixar de estar aqui com o meu povo”, contou o ator por telefone, no dia em que deu entrevista à repórter. Caíque vivenciava na época a última semana do seu ouricuri. No dia seguinte, contudo, ele estaria no Recife, participando dos ensaios.</p>



<p>Apesar de ter passado dois meses “dividido” entre os rituais de sua prática religiosa Fulni-ô e o mergulho na tradicional história do nascimento de Jesus, que fundamenta a origem do cristianismo, o ator, que se dedicou bastante aos estudos do personagem José, afirma que em nenhum momento sentiu que houve conflitos de valores religiosos. Pelo contrário.</p>



<p>“A concepção de valores cristãos é muito semelhante à concepção dos valores indígenas. As formas ritualísticas é que se diferenciam. As duas religiões comungam da mesma matriz do divino, do sagrado, e de toda a maravilha que é a concepção de um ser iluminado que veio proteger os seres humanos de suas próprias fragilidades. No meu entendimento, o que muda é que diferentes culturas dão nomes diversos”, defende Caíque.</p>



<p>Ele também diz que, como muitos brasileiros não cristãos, viveu em contato direto com a cultura religiosa cristã durante toda a sua vida. “O povo Fulni-ô é um povo milenar, que vive e resiste em uma reserva indígena a quatro quilômetros do bairro de Aldeia, em Águas Belas. Por conta das missões jesuítas para catequizar o nosso povo na época que os europeus invadiram o Brasil, foi construída uma igreja católica no meio da aldeia indígena. Então, de alguma forma, nós tivemos relação com o catolicismo”, lembra.</p>



<p>Segundo o ator, ensaiar o personagem José no <em>Baile do Menino Deus</em> também trouxe para ele um recorte diferente da vida de Jesus. “O roteiro do Baile traz que a escolha pelo homem José para ser o pai de Jesus teve um motivo, não foi em vão. Ele era um homem forte que acolheu Maria virgem, uma mulher que havia engravidado sem a presença da figura masculina. Imagina que para uma sociedade machista, muito mais naquela época do que hoje, José teve que enfrentar sua religiosidade, sua cultura e seu povo. A vida de Jesus é iluminada antes e depois do seu nascimento”, afirma.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Direito de ser fulni-ô</h2>



<p>Caique Ferraz é ator, do coletivo de teatro <a href="https://www.youtube.com/@resta1coletivodeteatro" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Resta1</a> e fez participação na série Cangaço Novo, do canal por assinatura Prime Vídeo. Ele nasceu no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip), localizado no bairro dos Coelhos, área central do Recife, mas sua mãe e sua família materna nasceram todos na região de Águas Belas, onde está situado o povo Fulni-ô.</p>



<p>Apesar de ter crescido no bairro da Boa Vista, no Recife, desde criança a mãe o levava para participar do ouricuri nos três meses de primavera do ano, o que o deu direito a ser um fulni-ô. Durante sua adolescência e início da vida adulta, viveu entre Recife, Águas Belas e Flores, cidade natal do seu pai. Já adulto, após um período do que Caíque chamou de “crise existencial&#8221;, decidiu fixar sua residência de vez junto ao seu povo, em Águas Belas.</p>



<p>Sua esposa e seus filhos são naturais de Águas Belas e também são da etnia Fulni-ô. “Meus filhos vivem na Aldeia, vivenciando a cultura do nosso povo. É algo que faço questão”, orgulha-se Caíque, que além da língua portuguesa, é fluente no idioma dos fulni-ô, chamada Yaathê, que tem dicionário próprio, tamanha sua complexidade. De acordo com os pesquisadores linguistas Adair Pimentel Palácio e Aryon Rodrigues &#8211; dois nomes referências quando o tema é língua indígena brasileira &#8211; o povo Fulni-ô é o único do Nordeste a manter intacto seu idioma e um dos únicos no Brasil a manter viva diariamente sua língua nas atividades do dia-a-dia.</p>



<p>“A partir de janeiro de 2024, quero investir mais tempo em produção audiovisual, pretendo trabalhar no Coletivo Fulni-ô de Cinema, que veio a existir depois da minha formação como ator. Aqui em Águas Belas, temos maravilhosas paisagens e material humano incrível. Temos muitas habilidades a desenvolver e ninguém melhor do que nós para retratar a nossa história e nossa cultura”, planeja Caíque.</p>



<h3 class="wp-block-heading">40 anos de sincretismo no Baile</h3>



<p>O <em>Baile do Menino Deus</em> completa 40 anos em 2023 e se notabilizou ao longo desse tempo por contar a história do nascimento de Jesus, que embasa as festividades natalinas, mas pautada nos elementos da cultura brasileira, contrariando estrangeirismos típicos da época, como neve, papai noel, renas e pinheiros.</p>



<p>Mas não só isso. É um espetáculo que narra um nascimento mítico a partir das culturas formadoras do Brasil. Os três reis magos, por exemplo, representam em suas indumentárias um africano, um indígena e um ibérico, “a sínteses do povo brasileiro”, segundo as palavras de um dos autores da peça, Ronaldo Correia de Brito.</p>



<p>“O divino existe em todas as culturas do mundo. E os povos têm mitos semelhantes a respeito do nascimento do divino. Nós partimos do mito do nascimento de Jesus e ampliamos para um mito mais universal, que celebra nascimentos divinos”, justifica o escritor.</p>



<p>Ele entende que, embora tenha havia um processo de invasão e dominação entre os povos, nenhuma cultura é totalmente dominada por outra. “A forma de resistência cultural dos povos dominados era elaborar uma cultura própria a partir da cultura que estava sendo imposta a eles. E o baile recupera essa intersecção”, afirma Ronaldo.</p>



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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Correia de Brito explica que escolha de Caíque foi técnica e não pela etnia. Crédito: Andréa Rego Barros/PCR</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Durante essas quatro décadas, o <em>Baile do Menino Deus</em> buscou representar essa sinergia cultural do povo brasileiro não apenas no religioso, mas também em outras formas de expressão, como nas roupas, nas músicas e nas danças. Em seus primeiros anos de encenação, a partir de 1983, no Teatro Waldemar de Oliveira, o figurino, por exemplo, teve inspiração na cultura bizantina e depois passou a ter elementos do Natal do leste europeu. Na época, 13 atores formavam o elenco e a música era em <em>playback</em>.</p>



<p>Com o passar dos anos, a ampliação de outros elementos culturais aos religiosos foi um processo natural. No Marco Zero, a partir de 2003, o espetáculo traz um elenco de cerca de 60 pessoas, com orquestra ao vivo, coro adulto, coro infantil, corpo de baile e atores.</p>



<p>“No processo de concepção, fomos atrás de músicas dos séculos 15 e 16, algumas delas do processo de catequese de indígenas e africanos. E o Baile recupera também o contato desses povos com a cultura ibérica (portuguesa e espanhola) através desses cantares”, conta Ronaldo Correia de Brito. Já o texto da dramaturgia se manteve.</p>



<p>Mais recentemente, a direção do espetáculo tem inserido elementos culturais urbanos, como o hip hop e o breakdance. Nas apresentações deste ano, que acontecem nos dias 23, 24 e 25 de dezembro, o espetáculo conta com a participação do Rapper Okado do Canal. “A inserção dessas manifestações reflete bem a forma como o Baile se atualiza e absorve a cultura que está viva e que tem essa multiculturalidade”, frisa o escritor.</p>



<p>Sobre a participação do primeiro ator indígena nos 40 anos de cena, Ronaldo Correia de Brito afirma que Caíque Ferraz não foi selecionado por sua etnia, mas por sua qualidade técnica. “A seleção foi natural. Caíque passou por uma audição e nessa audição ele foi selecionado por mim, que sou uma pessoa extremamente exigente. O espetáculo é um guarda-sol aberto, debaixo do qual incluímos todo mundo. Basta ter talento. Ano passado, Maria foi uma atriz negra. Este ano, a Maria é ruiva. Nós selecionamos pela qualidade técnica”, diz.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Laís, a Maria mestiça</h3>



<p>A atriz que interpreta Maria em 2023 é Lais Senna, que prefere se identificar como mulher mestiça ou “negra de pele clara”. Sua formação cultural e religiosa representa exatamente o cerne do <em>Baile do Menino Deus</em>.</p>



<p>“Apesar de negra de pele clara, sou batizada e crismada na Igreja Católica. Mesmo assim, minha família frequentava centros espíritas e budistas. Não tenho vivência de terreiro, mas dancei dois anos no Balé de Cultura Negra do Recife, o que me fez ter contato com elementos das religiões africanas, porque trazíamos isso para o palco. Atualmente, pratico o Sukio Mahikari, que não é exatamente uma religião, mas uma prática religiosa de origem japonesa e que abraça outras religiões”, conta Laís.</p>



<p>Para ela, o Baile dialoga uma narrativa que já está no inconsciente coletivo com a fé das comunidades, a partir do entendimento do que é justo, do que é belo e do que é verdadeiro.</p>



<p>“Enxergo no Baile a grande celebração da cultura em torno do sagrado. A partir de um símbolo católico, o espetáculo traz outras possibilidades do que é sagrado e do que merece ser celebrado. O próprio mito cristão da castidade tem uma releitura a partir do momento em que Maria é humanizada no sentido de sentir dor, de enfrentar dificuldades e de ter o próprio romantismo na sua história com José. É neste sentido que o <em>Baile do Menino Deus</em> se sustenta e se renova, com uma diversidade legitimada e com a celebração da vida. Parece ser óbvio, mas não é”, declara Laís Senna.</p>



<p>Este ano, o B<em>aile do Menino Deus: Uma Brincadeira de Natal</em> acontece de 23 a 25 de dezembro, na Praça do Marco Zero, sempre a partir das 20h. O acesso é gratuito e, seguindo sua proposta de diversidade, o espetáculo possui acessibilidade para cadeirante, audiodescrição e intérprete em libras.</p>



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	                                        <p class="m-0">Peça foi encenada pela primeira vez há 40 anos e está há 20 no Marco Zero. Crédito: Marcos Pastich/PCR</p>
	                
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		<title>Lirinha, do Cordel do Fogo Encantado, volta ao palco do Teatro do Parque</title>
		<link>https://marcozero.org/lirinha-ex-cordel-do-fogo-encantado-volta-ao-palco-do-teatro-do-parque/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Nov 2023 15:45:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[cultura pernambucana]]></category>
		<category><![CDATA[cultura popular]]></category>
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<p><strong>por Jorge Cavalcanti*</strong></p>



<p>Um trabalho na zona de fronteira da música com a poesia e a performance. É assim que José Paes de Lira, o Lirinha, define seu novo trabalho, <em>MEIKÊ RÁS FÂN</em>. Com oito faixas inéditas produzidas pelo artista, o álbum é o terceiro solo na carreira desse sertanejo, natural do município de Arcoverde, projetado para o Brasil e o mundo no começo dos anos 1990, com o Cordel do Fogo Encantado. E que hoje, aos 46 anos, vivencia sua fase mais inventiva.</p>



<p>“Sempre observei os mais velhos, sempre tive atenção para os mestres e mestras. Nesse ambiente da poesia, vão melhorando com o tempo, apurando os sons na construção da mensagem. Hoje tenho mais possibilidades de experimentar, com mais plenitude, ferramentas e recursos”, define ele, em conversa com a reportagem da Marco Zero Conteúdo.&nbsp;</p>



<p>É Lirinha quem assina a direção artística e musical do espetáculo, com duração de 80 minutos e arranjos eletrônicos e paisagens sonoras dos instrumentistas Dan Maia e Dizin. Sob iluminação e aparelhagem de construção cênica, o show é composto pelas músicas inéditas e também poesias e canções que marcaram a trajetória solo do artista.</p>



<p>Estão no repertório faixas como “Ah se não fosse o amor”, “Sidarta”, “Ela vai dançar”, do primeiro álbum <em>Lira</em>; “Ser” e “Filtre-me”, do seu segundo disco <em>O Labirinto</em> e<em> o Desmantelo</em>, além de “Jabitacá”, composição gravada pela eterna Gal Costa. Será executada também “O Amor é um Tubarão”, cantada no filme <em>Piedade</em>, de Cláudio Assis, pela personagem de Fernanda Montenegro.</p>



<p>Este terceiro trabalho solo foi concebido por Lirinha entre 2020 e 2022. Nele, tudo tem como base um universo fictício. A própria expressão que dá nome ao álbum é uma invenção fonética e sonora do artista. Nem o Google é capaz de oferecer resposta à consulta por <em>MEIKÊ RÁS FÂN</em>. “Este trabalho é um sonho que realizei, a união da música e poesia, algo que tenho até dificuldade de nomear o gênero”, diz ele.&nbsp;</p>



<p>O álbum conta com a participação das vozes de Gabi da Pele Preta, em “Estrela Negríssima”; Nash Laila, em “Bebe<em>”</em>; Lana Balisa, em “Mesmo”; o coral de Dan Maia, em “Oyê”; Iara Rennó, em “Amor Vinil”; e Sofia Freire, em “No Fim do Mundo”.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Teatro do Parque, um lugar de memórias</strong></h2>



<p>José Paes de Lira pisou pela primeira vez no palco do Teatro do Parque há mais de três décadas. Aos 12 anos, participou de um festival de cantadores. Os tempos eram outros. Miguel Arraes era o governador de Pernambuco pela segunda vez, após a volta do exílio e o fim do regime militar. E Lirinha era uma criança com a cabeça no mundo das palavras.&nbsp;</p>



<p>“Antes da música, comecei com poesia. Me considero um declamador, cresci participando dos festivais de repentistas e violeiros. Foi nesse contexto a minha primeira apresentação no Teatro do Parque. Essa casa também foi o palco para o lançamento do primeiro disco do Cordel do Fogo Encantado. Naná Vasconcelos estava na plateia. É especial poder voltar a esse teatro.”&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Serviço:</strong></p><p>Quando: sábado, 4 de novembro<br>Horário: a partir das 20h<br>Onde: Teatro do Parque, rua do Hospício, 81, Boa Vista, Recife<br>Classificação: Livre<br>Como comprar ingressos? <a href="https://www.sympla.com.br/evento/lirinha-meike-ras-fan-o-show/2207741">https://www.sympla.com.br/evento/lirinha-meike-ras-fan-o-show/2207741</a></p></blockquote>



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