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	<title>Arquivos debate - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos debate - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Debates nas TVs são um circo ou espaço para a disputa de ideias?</title>
		<link>https://marcozero.org/debates-nas-tvs-sao-um-circo-ou-espaco-para-a-disputa-de-ideias/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Sep 2022 19:54:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[#eleições2022]]></category>
		<category><![CDATA[campanha eleitoral]]></category>
		<category><![CDATA[debate]]></category>
		<category><![CDATA[tv globo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Essa foi a semana dos debates televisivos para o primeiro turno. E quem assistiu aos debates estaduais e o presidencial na TV Globo viu troca de farpas, confusão, perguntas e respostas perfeitas para causar nas redes sociais e pouco tempo para discutir sobre temas que realmente importam para o presente e o futuro do país. [&#8230;]</p>
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<p>Essa foi a semana dos debates televisivos para o primeiro turno. E quem assistiu aos debates estaduais e o presidencial na TV Globo viu troca de farpas, confusão, perguntas e respostas perfeitas para causar nas redes sociais e pouco tempo para discutir sobre temas que realmente importam para o presente e o futuro do país. </p>



<p>Nas redes sociais, muitas questões foram levantadas sobre a escolha dos que ali estavam debatendo. A presença do autointitulado &#8220;padre&#8221; Kelmon (PTB), que atuou como linha auxiliar de Bolsonaro, levantou dúvidas sobre a lei eleitoral e sobre quem deve receber ou não convite para participar desses programas. Ele desequilibrou o debate, participando como um arruaceiro. Teve sucesso no que foi fazer lá, desestabilizando inclusive o apresentador William Bonner, que, contudo, não o ameaçou de expulsão. </p>



<p>No Twitter, o cientista político Antônio Lavareda fez uma comparação com a eleição norte-americana. &#8220;Imagine se a Jo Jorgensen estivesse nos debates americanos. Ela só teve 1.6% dos votos. Não faria sentido. E é uma intelectual, não uma palhaça como esse padre. O circo dessa noite deve nos fazer a todos refletir sobre nossas regras eleitorais no sentido mais amplo. Elas contribuem para desinteressar a população da política. Parece premeditado&#8221;, escreveu.</p>



<p>Em <a href="https://marcozero.org/engessados-e-previsiveis-debates-perdem-importancia-na-luta-por-eleitor-indeciso/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">r</a>eportagem recente publicada aqui na Marco Zero, o professor da Universidade Federal de Sergipe (UFS) Carlos Figueiredo, afirmou que para sair da circularidade de ideias e temas dos debates os candidatos buscam frases de efeito. “Essas frases são valorizadas devido ao embate político nas mídias sociais. O candidato pode apresentar uma performance discreta no debate, mas brilhar em duas ou três oportunidades. A equipe de comunicação do candidato pode fazer cortes desses momentos para exibir nas mídias sociais ou no Horário Eleitoral Gratuito”, exemplifica Figueiredo.</p>



<p>Há um evidente desgaste do formato, que tem tido poucas atualizações ao longo do ano<a href="https://marcozero.org/engessados-e-previsiveis-debates-perdem-importancia-na-luta-por-eleitor-indeciso/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">.</a> Para o professor de publicidade e propaganda da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), Fernando Fontanella, pesquisador de marketing político, participar de um debate nem sempre deve ser a prioridade de uma campanha, do ponto de vista da estratégia. “Em Pernambuco temos quatro candidaturas empatadas, é verdade, mas os quatro têm desafios diferentes. Para uns pode ser mais interessante, para outros não faz tanta diferença assim”, diz. “Para o líder, o debate é sempre uma armadilha”, afirma.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/engessados-e-previsiveis-debates-perdem-importancia-na-luta-por-eleitor-indeciso/" class="titulo">Engessados e previsíveis, debates perdem importância na luta por eleitor indeciso</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/poder/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Poder</a>
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<p>Fontanella explica que o debate é mais importante para quem é menos conhecido pelo eleitorado. No debate da Globo Nordeste, por exemplo, Miguel Coelho e Raquel Lyra fizeram questão de se apresentar aos telespectadores. “Há três candidatos (os dois citados mais Anderson Ferreira) que têm uma base de votos muito segmentada. São conhecidos e têm muita força nas regiões em que foram prefeitos, mas estes precisam se vender para as outras regiões do estado. Para eles, participar de um debate é muito bom, porque eles se mostram, aparecem e conseguem falar sobre as coisas que fizeram em suas cidades”, acredita.</p>



<p>O debate também funciona como uma vitrine para aqueles que têm pouco tempo no Horário Eleitoral Gratuito. “Ao participar de um debate, eles ganham mais tempo de presença na TV do que todo seu guia. Para esses candidatos, o debate é essencial”, diz.</p>



<p>Quando se parte para quem está na liderança consolidada das pesquisas, como é o caso de Marília Arraes (SD), a história é outra. Desde que começaram a divulgar as pesquisas, a candidata está à frente, ainda que pareça ter atingido um teto. </p>



<p>“Nesse caso, participar do debate é muito questionável. Está se tornando uma regra que o líder não participe, porque só tem a perder. E mesmo para um candidato que não está liderando, dependendo do contexto, não vai fazer tanta diferença assim. Hoje é raro a gente ver uma diferença dramática de intenção de voto por conta de debate. É pelo contexto. E diria mais: frequentemente vemos que o debate é mais causado pela eleição do que a causa de mudança na eleição. Na Bahia, isso é bem visível: está refletindo uma discussão que está acontecendo há algum tempo, que é a autodeclaração como pardo de ACM Neto. Os debates têm se tornado um momento concentrador da discussão”, diz Fontanella.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Debate serve mais para as emissoras</h2>



<p>Tanto no cenário nacional quanto no estadual, o que se tem visto nos últimos debates são tentativas das candidaturas de escapar do formato modorrento. Como Soraya Thronicke (UB) ao confrontar o &#8220;padre&#8221; ao chamá-lo de &#8220;padre de festa junina&#8221; e virar um meme instantâneo nas redes. “Os debates viraram um espetáculo, um festival de provocações. Do ponto da democracia, sim, se deveria mudar o formato. E aí entra uma questão interessante nessa eleição: até que ponto os debates atraem a atenção do público? Informam, cumprem esse papel? O formato que se deve adotar tem que passar por essas duas questões: esse formato está atraindo o eleitor? E, segundo, esse formato melhora a condição do eleitor de formar a decisão do voto dele?”, diz Fontanella.</p>



<p>O pesquisador considera que hoje os debates funcionam para as campanhas como um espaço de credibilidade que oferece material bruto para cortes que serão usados no guia eleitoral e espalhados pelas redes sociais.</p>



<p>Mas se os formatos atuais são mais favoráveis ao circo e não conseguem cumprir a função de ajudar na democracia e de servir para o esclarecimento do eleitor, o não comparecimento das candidaturas é entendido como um desprestígio às emissoras de TV. A atenção que os programas de debate colocam nos faltosos é assim uma forma de punição por desprestigiar a emissora como este espaço de mediação e de vitrine.</p>



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	                                        <p class="m-0">Pouco interessa ao líder das pesquisas ir aos debates, explica Fontanella. Crédito: Reprodução vídeo TV Globo</p>
	                
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<p>“Se não atendem aos eleitores, os debates acabam servindo mais às televisões e aos jornalistas envolvidos que estão criando um show que valoriza a plataforma, colocando a TV como um local privilegiado do debate político e o jornalista como mediador deste debate”, diz Fontanella.</p>



<p>No debate com candidatos ao governo de Pernambuco da TV Globo, constantemente a câmera mostrava as bancadas vazias com os nomes dos que não foram, Anderson Ferreira (PL) e Marília Arraes (SD). Os candidatos presentes também poderiam fazer perguntas aos ausentes &#8211; e ficar no vácuo. </p>



<p>Para Fontanella, o desgaste do formato pode ser uma percepção de que o debate político como um todo migrou para outros espaços. “Essa mediação da TV e do jornalismo tradicional, embora absolutamente necessária, especialmente quando falamos pelo aspecto do jornalismo, na prática teve uma redução de centralidade, de importância”, afirma.</p>



<p>Uma solução é mudar a forma como os debates são pensados e exibidos. “Nos Estados Unidos tem se mexido com o formato, tem se colocado muito mais a participação dos eleitores, que fazem perguntas diretas aos candidatos. Até na sequência de debates entre as emissoras ter uma variação de formatos pode ser algo mais produtivo”, acredita Fontanella. </p>



<p>Na reportagem anterior sobre debates, os professores Carlos Figueiredo e Heitor Rocha, do departamento de Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), falaram sobre a necessidade uma checagem de fatos ao vivo, que fosse exibida durante o próprio programa. No debate de ontem da TV Globo essa necessidade ficou gritante, com candidatos e candidatas despejando fatos e números sem nenhuma confrontação oficial da emissora. Bolsonaro chegou a acusar Lula de assassinato e o candidato do Novo afirmou que o Brasil paga R$ 500 bilhões de juros. Nenhum dos dois apresentou provas, nem foram contestados pela emissora.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado como esse da cobertura das Eleições 2022 é caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa</em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">página de doação</a><em>ou, se preferir, usar nosso</em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em><br><br><strong>Nessa eleição, apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></cite></blockquote>
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		<title>Com o algoritmo a seu favor, Janones embaralhou o jogo nas redes sociais</title>
		<link>https://marcozero.org/com-o-algoritmo-a-seu-favor-janones-embaralhou-o-jogo-nas-redes-sociais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 Aug 2022 18:40:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[André Janones]]></category>
		<category><![CDATA[Arrumadinho podcast]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[campanha eleitoral]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O início da propaganda eleitoral na TV, além do primeiro debate promovido por um pool de veículos de comunicação revelou algo que talvez não fosse tão esperado num cenário político tão atípico como o deste ano: a repetição de fórmulas e linguagens surradas, usadas à exaustão em eleições anteriores. Visitas a morros, imagens de escolas [&#8230;]</p>
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<p>O início da propaganda eleitoral na TV, além do primeiro debate promovido por um <em>pool </em>de veículos de comunicação revelou algo que talvez não fosse tão esperado num cenário político tão atípico como o deste ano: a repetição de fórmulas e linguagens surradas, usadas à exaustão em eleições anteriores. Visitas a morros, imagens de escolas ou postos de saúde, crianças cercando candidatos e candidatas que não cansam de abraçar e sorrir.</p>



<p>Além dos programas eleitorais sem novidades, “outra coisa que não muda, ao menos em Pernambuco, são os sobrenomes dos candidatos que estrelam esses programas: Arraes, Coelho, Ferreira, Lyra, Campos”, afirma o coordenador executivo da Marco Zero Conteúdo, Sergio Miguel Buarque.</p>



<p>Sergio Miguel fez essa constatação em sua participação no quarto episódio da temporada 2022 do podcast Arrumadinho. Para ele, o fator mais supreendente nesta eleição é, por enquanto, a atuação do deputado federal e <em>digital influencer</em> André Janones (Avante-MG). “Ele usa o algoritmo a seu favor e embaralhou o jogo nas redes sociais”. Com o apoio de Janones, na opinião do jornalista, os bolsonaristas teriam perdido o monopólio de pautar as redes sociais.</p>



<p>A coordenadora de engajamento da MZ, Inês Campelo, chamou a atenção para temas que, nos primeiros dias de campanha na TV, ficaram ausentes nas falas dos candidatos e nas perguntas dos entrevistadores: “A gente precisa tá atento que uma campanha não pode se resumir em atacar Bolsonaro, e defender Lula, ou deixar Ciro fritando. A gente precisa falar de racismo, no mundo LGBT, do meio ambiente, e são temas que não estamos tendo nas campanhas”, alertou.<br></p>



<p>Sergio Miguel e Inês dividiram a bancada do Arrumadinho esta semana com o editor Inácio França, reproduzindo o formato raíz do podcast que, nas duas primeiras temporadas, contava com a própria presença da equipe tecendo os comentários e análises.</p>





<p><br><strong>O podcast Arrumadinho pode ser ouvido nas plataformas Spotify, Google Cast e Apple Podcasts. E agora disponível também em formato de videocast, no </strong><a href="https://www.youtube.com/c/MarcoZeroConte%C3%BAdo"><strong>canal do Youtube</strong></a><strong> da Marco Zero Conteúdo. </strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado como esse da cobertura das Eleições 2022 é caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa</em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> página de doação</a><em> ou, se preferir, usar nosso </em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em><br><br><strong>Nessa eleição, apoie o jornalismo que está do seu lado.</strong></cite></blockquote>



<p><strong><br><br></strong></p>
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		<title>Debate expõe como a cor da pele influencia no fazer científico</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 May 2019 21:03:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[branquitude]]></category>
		<category><![CDATA[capes]]></category>
		<category><![CDATA[cortes do mec]]></category>
		<category><![CDATA[debate]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O amplo auditório da Fundação Oswaldo Cruz, no campus da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), é decorado com painéis com imagens de oito grandes cientistas da saúde, como Alexandre Yersin, Adolpho Lutz e Pirapá da Silva. Todos homens, todos brancos. Mas ontem, 13 de maio, as palestras do professor da UFPE Alexandre de Jesus e [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[O amplo auditório da Fundação Oswaldo Cruz, no campus da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), é decorado com painéis com imagens de oito grandes cientistas da saúde, como Alexandre Yersin, Adolpho Lutz e Pirapá da Silva. Todos homens, todos brancos. Mas ontem, 13 de maio, as palestras do professor da UFPE Alexandre de Jesus e da professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Lia Vainer Shucman eram sobre figuras que não estavam lá: como a branquitude influencia no fazer científico.

A plateia estava lotada, com maioria negra. Apesar do tema do debate supor dados sobre como os brancos se mantém no topo da academia, a palestra dos dois professores se voltou para aspectos mais conceituais e aprofundados.

Lia falou sobre o conceito de branquitude como um lugar de poder. “Nas sociedades estruturadas pelo racismo, ou seja, as de colonização europeia, ser branco é uma construção social que o coloca em um lugar de vantagem. Apesar de apenas 18% da população mundial ser considerada branca, mesmo assim o branco é colocado em uma posição de norma”.
<blockquote>Segundo o IBGE, entre a população branca, 22% são graduados (2017). É mais do que o dobro dos brancos diplomados no ano 2000, quando o índice era de 9,3%.</blockquote>
Dentro dos estudos de raça, a brancura é a cor da pele e a branquitude é uma construção social: não existe o “branco verdadeiro” e sim o que é considerado branco pela sociedade. “O branco não se vê como um ser racializado. O negro, por outro lado, aprende isso desde cedo. O negro carrega o peso de um grupo, a raça vem antes do sujeito. O branco representa apenas ele mesmo”, explicou Lia.
<blockquote>Segundo um levantamento do portal G1, em 2017, quase 400 mil pessoas davam aulas em universidades públicas e particulares do Brasil. Apenas 62.239 delas, ou 16% do total, se autodeclararam pretas ou pardas.</blockquote>
Em um rápido slide que a professora mostrou, havia dados de uma pesquisa de 2010 sobre professores negros em universidades brasileiras. Na Unicamp, por exemplo, dos 1.761 professores, apenas quatro eram negros. Na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, 2.300 professores, 30 negros.

A diferença no acesso aos cursos de pós-graduação já começa na graduação. São os brancos que têm mais tempo e acesso aos programas de iniciação científica. “E como são feitas as escolhas para os cursos de mestrado e doutorado? Geralmente são pessoas que os professores já conhecem, que já fizeram pesquisa”, disse, citando o caso do geógrafo Milton Santos, que tentou por nove vezes até passar em um concurso da USP.
<blockquote>O mesmo levantamento do G1 indica que em 2010 os negros respondiam por 11,5% das vagas de docentes do ensino superior.</blockquote>
Um ponto interessante levantado pelo professor Alexandre de Jesus foi de como na academia os brancos se apropriaram da história e da luta dos negros. “Quando um branco faz um estudo sobre racismo, ele faz um diagnóstico. Quando é um negro, é militância”, criticou. “E assim os brancos vão usando o arquivo dos negros para enriquecer seus currículos Lattes, lançar seus livros, viajar para congressos&#8221;.

Já para exemplificar o peso do sentido de grupo que o negro carrega, o professor citou o exemplo de dois programas: O PET (Programa de Educação Tutorial) e o PET Conexões de Saberes. “O PET foi criado como um reconhecimento do Ministério da Educação de que o ensino superior é precário. Então pega 18 estudantes para serem de excelência. Eles têm tutores e desenvolvem uma pesquisa. É um grupo que vai trabalhar com ensino, pesquisa e extensão. Muitos colegas professores participaram desse programa. Ao final, apresentam o resultado da pesquisa”, explicou.

Já o PET Conexões de Saberes é voltado para alunos da periferia. “Em sua maioria, pretos e pardos. E o que eles têm que fazer quando termina o período? Levar o que aprenderam para a comunidade. O branco não tem que levar o que aprendeu para o condomínio. O condomínio não é visto como um lugar problemático”, disse.
<blockquote>O percentual de pretos e pardos que concluíram a graduação cresceu de 2,2%, em 2000, para 9,3% em 2017, segundo o IBGE.</blockquote>
Alexandre também questionou os métodos da academia, ao impor os mesmos paradigmas para todas as pesquisas. “O arquivo do Ocidente é cioso de si mesmo. Ele deseja só a si mesmo. A experiência do Ocidente com o arquivo do outro foi primeiro destruir o arquivo do outro. Os maias, os incas, toda a experiência latino-americana. Primeiro, destruídos. Depois negados, como uma experiência de apenas oralidade. E hoje têm que falar sobre si pelos critérios do arquivo Ocidental. Tem horas que não fazer um diálogo é o respeito que a gente pode oferecer para esses grupos”, afirmou.

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<h2>Cortes na educação</h2>
Para a Lia Vainer os cortes na educação anunciados pelo MEC, que atingem principalmente o custeio das universidades, vai ter um impacto maior nos estudantes negros. “Atinge a permanência das universidades. Fora que atinge os alunos em serviços como restaurante e casa estudantil, atinge os terceirizados que, na minha universidade, é de maioria de população negra. Qualquer corte público no Brasil, em qualquer dimensão, atinge primeiramente pobres e pretos”, afirmou.

O professor Alexandre de Jesus lembrou que a resistência é importante e que, pesquisadores negros como ele, já estão acostumados a fazer pesquisas “franciscanas”. “É um momento também para se fazer uma reflexão de como vai ser quando chegar a época de vacas gordas”, comentou.
<blockquote>Do total de 8 milhões de matrículas em universidades em 2011, 11% foram feitas por alunos pretos ou pardos. Em 2016, ano do último Censo, o percentual de negros matriculados subiu para 30%.</blockquote>
Na semana passada, a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) fez o primeiro corte em bolsas neste governo. Foram 3.474 bolsas “contingenciadas”. Eram bolsas que já haviam sido garantidas para o ano de 2019, mas ainda não tinham sido distribuídas para os estudantes.

Na UFPE, foram 36 bolsas cortadas, em várias áreas, como matemática, engenharia química, medicina tropical, genética, neuropsiquiatria. Dos R$ 4,1 bilhões de orçamento anual da Capes com despesas não obrigatórias (que não inclui, por exemplo, pagamento com pessoal) devem ser cortados R$ 819 milhões.

Com os cortes, a UFPE anunciou hoje a suspensão dos cursos presenciais de inglês na UFPE, dentro do programa Idiomas sem Fronteiras. Os professores eram financiados pela Capes. “Não há previsão para novas ofertas. Também foi necessário cancelar a seleção para o cadastro de reserva para novos professores”, diz <a href="https://www.ufpe.br/agencia/noticias/-/asset_publisher/VQX2pzmP0mP4/content/idiomas-sem-fronteiras-suspende-cursos-de-ingles/40615" target="_blank" rel="noopener noreferrer">nota da UFPE</a>.<p>O post <a href="https://marcozero.org/debate-expoe-como-a-cor-da-pele-influencia-no-fazer-cientifico/">Debate expõe como a cor da pele influencia no fazer científico</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>O ressurgimento de Cassandra Rios, a escritora mais censurada do Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Apr 2019 13:18:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ela estava longe de ser comunista e seus livros mal falavam sobre política. Mesmo assim, Cassandra Rios foi a escritora mais censurada pela ditadura militar. Até 1985, 37 dos seus livros haviam sido, em algum momento, retirados do mercado. A editora CBS, que editava suas publicações, chegou a ser fechada pelos militares. A censura não [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[Ela estava longe de ser comunista e seus livros mal falavam sobre política. Mesmo assim, Cassandra Rios foi a escritora mais censurada pela ditadura militar. Até 1985, 37 dos seus livros haviam sido, em algum momento, retirados do mercado. A editora CBS, que editava suas publicações, chegou a ser fechada pelos militares. A censura não era algo novo para Cassandra. Ela, queestreou na literaturaem 1948, já havia sido processada pelo Estado em 1952, durante o governo eleito de Getúlio Vargas. Na democracia ou na ditadura, o crime foi o mesmo: expor em livros o prazer feminino.
<blockquote>“A vagina é oca. Nela cabe a mão inteira. A minha coube. Senti-a entrando, penetrando, alargando caminho. Dedos unidos, espremidos. Todos. Dentro da vagina de Desirée. Socando, socando. Ela gemendo e eu assustada, mais do que isso, angustiada, ouvindo-a dizer, enquanto em minha mente uma cortina de pó branco rebrilhava, caindo como uma estranha chuva fina numa prato de sopa:
&#8211; Mete mais, põe tudo, assim, neném, com força&#8230;me rasga&#8230;faz forte.”

Trecho de <i>Eu sou uma lésbica</i>, de 1980</blockquote>
O nome de Cassandra Rios entrou no ostracismo em meados dos anos 1980, mas ainda ressoa forte em muitas gerações. Foi uma prolífica autora de romances eróticos – ela rechaçava o adjetivo de “pornográfica”, que era como os censores classificavam sua obra. Chegou a dizer que eram “livros de amor”.

Acumulou pioneirismos e recordes: escrevendo e publicando desde cedo, foi uma das poucas escritoras a viver somente com o dinheiro dos direitos autorais. Era imensamente popular. Foi a primeira a atingir 1 milhão de cópias vendidas no Brasil – antes de Jorge Amado, que se dizia fã dela, e de Paulo Coelho. Costumava declarar que, se era a mais censurada, era porque era a mais vendida. &#8220;Só cajueiro doce recebe pedradas&#8221;, dizia.

Agora, Cassandra Rios está voltando a ser lida. Aos poucos, graças ao ativismo LGBT, a obra dela vem sendo retirada de debaixo dos colchões para pesquisas acadêmicas, saraus, debates. Foi o que aconteceu na noite da terça-feira (23), no anfiteatro lotado do Centro de Ensino de Graduação da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) para a exibição do documentário “Cassandra Rios – a safa de Perdizes”, que contou com debate com a diretora Hanna Korich, dentro do projeto de literatura lésbica<em>Vulvas políticas</em>.

<div id="attachment_15255" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-15255" class="size-large wp-image-15255" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/cassandra2-1024x454.jpg" alt="Cassandra prestando depoimento em 1962. E deixando um tribunal em 1964. Fotos: Vermelho.org/Reprodução" width="702" height="311"><p id="caption-attachment-15255" class="wp-caption-text">Cassandra prestando depoimento em 1962. E deixando um tribunal em 1964. Fotos: Vermelho.org/Reprodução</p></div>

Nascida Odete Rios em 1932, em uma família burguesa de imigrantes espanhóis, Cassandra era abertamente lésbica no convívio pessoal. Gostava de sair com roupas masculinas, mas fugia do questionamento sobre sua sexualidade em entrevistas. No documentário, a atriz Nicole Puzzi relembra que era advertida por amigos da pornochanchada por ser amiga da escritora. Mesmo em um meio supostamente liberal, a homossexualidade feminina ainda era vista como um tabu.

Puzzi foi a musa de Cassandra. Estrelou três filmes baseados em títulos dela. A versão de <em>A Paranóica</em>, que nas telas virou o drama erótico <em>Ariella</em>, se transformou numa espécie de filme cult,marcado pela estreia de Christiane Torloni no cinema. Teve mais de um milhão e trezentos mil espectadores em 1980.

Com o dinheiro dos livros e filmes, Cassandra levou uma vida confortável. Comprou carros (chegou a ter cinco), o apartamento em que morou no final na vida no centro de São Paulo, uma casa no bairro de Interlagos.

A censura a obrigou a fazer péssimos contratos editorais. Como não podia assinar suas obras, escolhia pseudônimos masculinos. “Todos com sobrenomes que eram a tradução de Rios, como Rivers e Rivières”, lembrou a autora em entrevista a Jô Soares em junho de 1990. As editoras se aproveitavam da situação – alegavam que não teriam lucro sem o nome dela – e ficavam com os direitos autorais dos pseudônimos.

Ao longo das perseguições, Cassandra recebeu pouco apoio da militância de esquerda. Em 1977, um manifesto contra a censura assinado por centenas de artistas – conhecido como “Manifesto dos Intelectuais” – não citava o seu nome. A Comissão Nacional da Verdade (CNV), no entanto, reconheceu a perseguição. O relatório final afirma que ela teve 36 obras censuradas durante a ditadura e que 16 processos judiciais foramabertos contra o livro <em>Eudemônia</em>. &#8220;As acusações iam sempre no sentido de que seus textos continham conteúdo imoral e aliciavam o leitor à homossexualidade… Pode-se afirmar que Cassandra Rios foi a artista mais censurada deste país durante a ditadura militar&#8221;, diz trecho do relatório da CNV.

Cassandra teve uma rápida passagem pela política: em 1986 chegou a se candidatar pelo PDT para o legislativo paulista, mas não teve votos suficientes para ser eleita. Após a redemocratização, Cassandra viveu uma fase mais reclusa. Com os livros fora de catálogo,ela vendeu quase todos os seus bens. Trabalhou também como editora e <em>ghost writer</em>.

<div id="attachment_15272" style="width: 971px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-15272" class="wp-image-15272 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/capasdoslivros.jpg" alt="Capas de livros de Cassandra Rios" width="961" height="336"><p id="caption-attachment-15272" class="wp-caption-text">Capas de livros de Cassandra Rios</p></div>

Os jornais dedicaram poucas linhas ao falecimento dela no hospital Santa Helena, em 8 de março de 2002, vítima de câncer. A amiga de longa data Yáskara afirma no documentário que a morte de Cassandra foi tranquila e aconteceu em um bom hospital graças ao auxílio da hoje deputada federal Luiza Erundina.

Na última entrevista que concedeu, um ano antes de falecer aos 69 anos, <a href="https://books.google.com.br/books?id=0ysEAAAAMBAJ&amp;pg=PT11&amp;redir_esc=y&amp;hl=en#v=onepage&amp;q&amp;f=false" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Cassandra contou para a revista TPM</a> que ainda escrevia todos os dias. Se recusou a se declarar lésbica (“A Cassandra sim (..) acho que pelo menos a Odete deve ficar incógnita”) e comentou que “nunca quis pertencer a nenhuma igrejinha” ao falar da esquerda.

Confessou também que vivia há anos em um voto de castidade – uma promessa feita com a mãe na UTI. “Fui massacrada (por ser mulher). Desde os primórdios da civilização a mulher luta pelo direito de falar, de pensar. Se o homem escreve, ele é sábio, experiente. Se a mulher escreve, é ninfomaníaca, tarada. Nunca pensei desse jeito. Escrevi com a ingenuidade de quem nasce escritor”, afirmou.

Mesmo posta repetidamente à margem, Cassandra sabia bem do valor da sua obra. Ao ser perguntada, nesta última entrevista, qual era o lugar que lhe cabia na literatura brasileira, ela foi certeira: “Na mão do leitor!”. &#8220;Não quero receber troféus, honrarias ou méritos. Quero ser lida, mesmo que achem uma droga&#8221;.
<blockquote><i>“Eu sou uma lésbica. Deve a sociedade rejeitar-me?
(…)
Em que situação uma homossexual deve ser rejeitada, compreendida ou aceita? Quando engana o homem com as suas dissimulações ou quando enfrenta a sociedade abertamente, sem esconder o que é?”
Trecho do livro de 1980</i></blockquote>
<h2>O pioneirismo de Cassandra Rios e a academia</h2>
Cassandra tinha 16 anos quando pediu aos pais: queriapublicar um livro. Eles desembolsaram o valor de uma pequena tiragem sem ler o conteúdo – mais um pedido da filha, atribuído à timidez de iniciante. A <i>Volúpia do desejo</i>, porém, nada tinha de tímido: narrava o despertar sexual entre duas adolescentes. Foi lançado em 1948, bem antes da francesa Violette Leduc escrever (1954) e publicar (1966) <em>Teresa e Isabel</em>, com a mesmíssima temática.

Quando se fala em brasileiras na literatura erótica, há de se lembrar de Hilda Hilst. As duas foram contemporâneas, mas a semelhança quase que se encerra neste ponto. Há um abismo na forma de se expressar. Cassandra queria ser lida. Escrevia para as multidões: seu texto base é o romance de folhetim, suas descrições de atos sexuais são gráficas. O estilo popular, sem ousadia estética, a afastou da esquerda intelectualizada (ela também se considerava uma “conservadora”) e apenas nos anos 2000 a academia se abriu para a obra dela.

No debate na UFRPE, um depoimento crítico foi o que gerou mais respostas sobre o documentário de Korich. A professora de literatura brasileira da USP e pesquisadora Eliane Robert Moraes tira por menos a importância literária de Cassandra, ao considerar seu texto “honesto” e restringir sua importância ao ativismo lésbico. Para <a href="http://www.revistagenero.uff.br/index.php/revistagenero/article/view/233/154" target="_blank" rel="noopener noreferrer">o pesquisador Rick Santos</a>, da Universidade Estadual de Nova York, também citado no documentário, a literatura de Cassandra Rios é um “kitsch literário”: uma enxurrada de referências da “alta” cultura e da cultura popular, permitindo vários tipos de acesso ao seu texto.

No evento, a professora de Letras da UFRPE Renata Pimentel fez uma apaixonada defesa da importância de se debater a obra de Cassandra no meio acadêmico. “Me cansa a estupidez de uma autointitulada <em>intelligentsia</em> de julgar por um paradigma único. E toda vez que a literatura traz algo tematicamente que foge de um recorte específico intelectualizado, é colocado um adjetivo: ‘ah, é a literatura LGBT’. O que é mais político do que se falar sobre a existência? (&#8230;) É importante quebrar o paradigma elitista da academia que quer ser a única autoridade a definir como se julga”, falou.

Atualmente a obra de Cassandra Rios se encontra fora de catálogo. Dos cerca de 50 livros que publicou (alguns em fascículos), os mais fáceis de se encontrar em sebos são os reeditados em 2005 pela editora Brasiliense, como <em>As traças</em>. Alguns livros são vendidos em formato de e-book em sites de livrarias, como <em>Eu sou uma lésbica</em>e <em>Carne em delírio</em>, este último com trama heterossexual.<p>O post <a href="https://marcozero.org/o-ressurgimento-de-cassandra-rios-a-escritora-mais-censurada-do-brasil/">O ressurgimento de Cassandra Rios, a escritora mais censurada do Brasil</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Deputadas eleitas participam de debate sobre feminicídio no Cabo</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Nov 2018 15:40:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O combate ao feminicídio – o ato de matar uma mulher pela sua condição de gênero – foi um tema bastante presente na campanha eleitoral. Passada as eleições, é hora decompartilhar dados e se engajar sobre como será feito esse enfrentamento. Para fomentar essa ponte, o Centro das Mulheres do Cabo promove hoje (22), a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<a href="http://www.marcozero.org/adalgisas"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-10049 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/08/adalgisasabertura.jpg" alt="adalgisasabertura" width="150" height="100"></a>O combate ao feminicídio – o ato de matar uma mulher pela sua condição de gênero – foi um tema bastante presente na campanha eleitoral. Passada as eleições, é hora decompartilhar dados e se engajar sobre como será feito esse enfrentamento. Para fomentar essa ponte, o Centro das Mulheres do Cabo promove hoje (22), a partir das 14h, o encontro &#8220;Feminicídio &#8211; uma questão de política pública&#8221;.

Participam do evento as deputadas estaduais eleitas Gleide Ângelo (PSB), que foi a mais votada da história de Pernambuco, Juntas (PSOL), primeiro mandato coletivo do estado, e a deputada reeleita Tereza Leitão (PT).

O encontro vai contar também com duas jornalistas da série <em>#Uma Por Uma,</em> do Sistema Jornal do Commercio, que irão apresentar dados dasreportagens produzidas neste anosobre oscrimes de feminicídio em Pernambuco. Já as futuras deputadas vão receber esses dados e irão apresentar e debater suas propostas para enfrentamento da violência de gênero.
<blockquote>No Brasil, uma mulher é assassinada a cada duas horas, taxa de 4,3 mortes para cada grupo de 100 mil pessoas do sexo feminino. Mas há um importante fator racial: entre as mulheres negras a taxa de homicídio ficou em 5,3 por grupo de 100 mil, enquanto entre as não negras (brancas, amarelas e indígenas) a taxa foi de 3,1, uma diferença de 71%.

Os dados são do Atlas da Violência de 2016. E, quando comparados com os dados de 2006, revelam que nos últimos 10 anos a taxa de homicídios de mulheres brancas, indígenas e amarelas diminuiu 8%. No mesmo período, no entanto, a taxa de homicídio das mulheres negras aumentou 15%.</blockquote>
<h3>Dezesseis dias de ativismo</h3>
No encontro, será empossado o Comitê do Feminicídio de Jaboatão dos Guararapes. A atividade integra a <em>Campanha dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher</em>, que acontece em vários países do mundo.

A campanha foi criada em 1991, como uma homenagem às irmãs Pátria, Minerva e Maria Teresa Mirabal, que foram mortas em 1960 por participarem da oposição ao regime do ditador da República Dominicana, Rafael Trujillo. Desde 2003 organizações civis e governamentais integram a campanha no Brasil.

O encontro desta quinta-feira é promovido pelo Centro das Mulheres do Cabo (CMC), em parceria com o Comitê de Monitoramento da Violência e do Feminicídio no Território Estratégico de Suape (COMFEM), que corresponde às cidades do Cabo, Ipojuca, Jaboatão, Moreno, Escada, Ribeirão, Rio Formoso e Tamandaré.

Não é preciso fazer inscrição para participar do evento, que acontece no Sindicato dos Professores do Cabo (SINPC), que fica localizado na Avenida Historiador Israel Felipe, 196, no Jardim Santo Inácio, Cabo de Santo Agostinho, ao lado do Recanto da Criança.

<strong>Serviço</strong>
Encontro &#8220;Feminicídio &#8211; uma Questão de Políticas Públicas&#8221;
Onde: SINPC, na Avenida Historiador Israel Felipe, Nº 196 Jardim Santo Inácio, Cabo de Santo Agostinho, ao lado do Recanto da Criança.
Quando: Quinta-feira (22), às 14h<p>O post <a href="https://marcozero.org/deputadas-eleitas-participam-de-debate-sobre-feminicidio-no-cabo/">Deputadas eleitas participam de debate sobre feminicídio no Cabo</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Energia solar esquenta debate internacional no sertão da Paraíba</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inês Campelo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Oct 2018 17:50:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Numa eleição em que&#160;os temas morais têm dominado o debate público, pouco se discute as questões ambientais na pauta dos candidatos em disputa. No entanto, às vésperas das eleições que podem definir o futuro do Brasil, o tema foi debatido sob várias perspectivas no encontro internacional realizado nas cidades de Cajazeiras, Souza e Pombal, no [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[Numa eleição em que&nbsp;os temas morais têm dominado o debate público, pouco se discute as questões ambientais na pauta dos candidatos em disputa. No entanto, às vésperas das eleições que podem definir o futuro do Brasil, o tema foi debatido sob várias perspectivas no encontro internacional realizado nas cidades de Cajazeiras, Souza e Pombal, no Semiárido paraibano, entre os dias 09 e 17 desde mês. O foco do encontro foram preservação ambiental, segurança hídrica, mudanças climáticas e energias renováveis.

Promovido pelo Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social, a ONG CERSA (Comitê de Energias Renováveis do Semiárido), Cáritas Brasileira, Frente por uma Nova Política Energética para o Brasil e MISEREOR, o evento reuniu pouco mais de 70 pessoas entre acadêmicos, especialistas, militantes do Brasil, Bolívia, Peru e Alemanha (país que domina tecnologias mais avançadas em energias renováveis), acompanhados de jornalistas brasileiros, do Chile, Peru e Inglaterra, a convite da IPS (Inter Press Service – América Latina).

Durante o evento, os participantes participaram de um curso sobre implementação e manutenção de energia fotovoltaica oferecido às delegações do Brasil, Bolívia, Peru e Alemanha. A intenção foi difundir o uso de uma energia menos impactante ao meio ambiente e fortalecer a rede de luta por energias renováveis. A programação do curso incluiu visitas a locais onde a energia solar, abundante na região do semiárido nordestino, está sendo usada para levar eletricidade a residências de agricultores e estabelecimentos comerciais como postos de gasolina, hotel, lojas, uma padaria, um cemitério particular e uma igreja.

<div id="attachment_11343" style="width: 310px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/10/Sousa_PB_-2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-11343" class="wp-image-11343 size-medium" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/10/Sousa_PB_-2-300x200.jpg" alt="DESCRIÇÃO: Foto de duas pessoas sentadas com dois banners do evento atrás.  Da esquerda para direita: César Nóbrega e Mariana Moreira. Ele usa camisa verde e chapéu de sertanejo, ela camisa vermelha. Foto: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="300" height="200"></a><p id="caption-attachment-11343" class="wp-caption-text">DESCRIÇÃO: Foto de duas pessoas sentadas com dois banners do evento atrás. Da esquerda para direita: César Nóbrega e Mariana Moreira. Ele usa camisa verde e chapéu de sertanejo e ela usa camisa vermelha. Foto: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div>

Há quatro anos, o Comitê de Energias Renováveis do Semiárido atua para popularizar a discussão sobre fontes alternativas de energia, seus benefícios e os cuidados necessários. No sertão paraibano, o trabalho com associações de pequenos produtores, universidades e da comunidade acontece nos municípios de Souza, Cajazeiras, Pombal e Aparecida. “O sol é uma grande fonte de energia, mas pouco discutido. O custo da energia elétrica faz diferença no bolso do cidadão, na vida do pequeno agricultor e, para nós, a maior conquista é ver a população debatendo energias renováveis”, comenta César Nóbrega, coordenador-geral do CERSA e membro da diretoria da Frente por Uma Nova Política Energética. “O pano de fundo de todas essas discussões é a questão climática, o aquecimento do planeta, a escassez da água. Podemos ter o sertão todo desertificado pela falta d&#8217;água e por que não aproveitarmos o sol como fonte de geração de energia e renda?”, completa. No Brasil a principal fonte de energia vem das hidroelétricas.

O principal desafio da rede é tensionar a sociedade para criação de políticas públicas que beneficiem os mais pobres. “Nosso trabalho é mostrar à comunidade que é possível ter o sol como aliado. É empoderando essas pessoas que conseguiremos cobrar políticas públicas. É preciso enxergar a energia não como uma mercadoria, mas como um bem que diz respeito a vida, que alimenta a vida”, enfatiza Nóbrega.

Atualmente, alguns projetos pilotos funcionam em comunidades rurais da região. No município de Pombal, um grupo de camponesas construiu uma padaria solar e um biodigestor. Na agrovila do assentamento Acauã, município de Aparecida, as placas de energia solar alimentam a bomba d&#8217;água que abastece as 114 famílias de trabalhadores rurais. Parte da energia do campus da Universidade Federal de Campina Grande em Pombal é proveniente da instalação das placas de energia solar instaladas para as pesquisas.

<div id="attachment_11349" style="width: 310px" class="wp-caption alignright"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/10/Sousa_PB_-3.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-11349" class="size-medium wp-image-11349" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/10/Sousa_PB_-3-300x200.jpg" alt="DESCRIÇÃO: Na foto aparecem duas pessoas sentadas. No centro, Joilson. Ele usa camisa social e gesticula. Foto: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="300" height="200"></a><p id="caption-attachment-11349" class="wp-caption-text">DESCRIÇÃO: Na foto aparecem duas pessoas sentadas. No centro, Joilson. Ele usa camisa social e gesticula. Foto: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div>

O investimento de instalação do sistema para uma residência mediana (4 pessoas) custa cerca de R$ 8 mil. O retorno do investimento leva cerca de seis anos, mas nunca houve investimento público nessa experiência. “Hoje só quem tem mais condições financeiras consegue investir em um sistema fotovoltaico, por exemplo. Já quem vive da agricultura familiar, maior fonte de renda local, ainda não consegue arcar com esses custos”, lamenta Joilson José Costa, da Articulação Frente Energética.

No atual contexto de cortes drásticos nos investimentos sociais, de desmonte do ensino e da saúde, além das políticas que beneficiam as privatizações, a experiência no sertão paraibano surge como uma perspectiva concreta para o futuro. “Acreditamos na luta. É importante a gente manter o debate sobre a questão energética, mas não apenas tecnologicamente, precisamos avançar na questão política. Se fala muito em desenvolvimento, mas que desenvolvimento queremos. Para quem? Até onde o planeta comporta tanta exploração?”, mais uma vez questiona Nóbrega.

A rede de luta por energias renováveis defende um modelo de descentralizado, em que possibilite que cada casa possa ter o seu sistema de energia renovável, sem depender das grandes distribuidoras de energia. De acordo com Ivo Poletto, estudos já apontam que 40% dos telhados de Brasília, por exemplo, são capazes de gerar a energia necessária para abastecer a cidade. “Com as placas, a Capital Federal poderia produzir o dobro da energia que precisa. A energia solar será necessária. É uma energia desejável. Não existe energia limpa, avaliamos que essa é menos danosa”, explica o assessor do Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social.

<strong>O sol nasce para todos em Sousa</strong>

<div id="attachment_11347" style="width: 1610px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/10/Sousa_PB_-7.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-11347" class="wp-image-11347 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/10/Sousa_PB_-7.jpg" alt="DESCRIÇÃO: A foto é do  Campus Pombal, da Federal de Campina Grande, e mostra as placas de energia solar. Foto: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="1600" height="900"></a><p id="caption-attachment-11347" class="wp-caption-text">DESCRIÇÃO: A foto é do Campus Pombal, da Federal de Campina Grande, e mostra as placas de energia solar. Foto: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div>

Mesmo distante 438 km da ponta do Seixas, o ponto mais oriental do Brasil – e onde o sol nasce primeiro, como martela o slogan da publicidade oficial da Paraíba –, Sousa despertou primeiro para os poderes e os benefícios da energia solar.

As condições climáticas que garantem a eficiência da energia solar levaram à criação do Comitê de Energias Renováveis do Semiárido (CERSA) que passou a atuar no extremo oeste do estado junto às universidades locais (UFPB e Federal de Campina Grande), ao Instituto Federal da Paraíba e a uma rede de apoio nacional, capacitando as comunidades para o uso de uma energia mais limpa que a gerada pelas hidrelétricas.

Cursos para formação de técnicos já foram oferecidos pelo CERSA, uma vez que o diálogo com a comunidade é considerada a fase mais importante do trabalho. “Acreditamos que nenhuma iniciativa pode ser imposta. Explicar os benefícios que vão desde a economia financeira até a preservação do meio ambiente é papel do educador social e é assim que nós conscientizamos. Diante disso, apresentamos os projetos pilotos e escutamos da comunidade se elas desejam aquilo. Só depois treinamos as pessoas para o uso e manutenção das placas e implementamos o sistema. É fundamental nesse processo que elas mesmas aprendam a manutenção para baratear o processo e oferecer uma vida mais longa as placas”, explica César Nóbrega.

<div id="attachment_11345" style="width: 310px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/10/Sousa_PB_-5.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-11345" class="size-medium wp-image-11345" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/10/Sousa_PB_-5-300x200.jpg" alt="DESCRIÇÃO: A foto é do prefeito Tyrone, do busto para cima, ele está em pé, falando com microfone e usa paletó preto. Foto: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="300" height="200"></a><p id="caption-attachment-11345" class="wp-caption-text">DESCRIÇÃO: A foto é do prefeito Tyrone, do busto para cima, ele está em pé, falando com microfone e usa paletó preto. Foto: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div>

De acordo com o prefeito de Sousa, Fábio Tyrone (PSB), foi solicitado um estudo para implementação de energia solar nos prédios públicos de Sousa. De acordo com Tyrone, a empresa que será licitada fará a instalação das placas de captação e gerenciamento do sistema e, com a economia gerada com a redução das contas de energia, cerca de R$ 6 milhões ano, será feito o pagamento. A expectativa é que em até seis anos a dívida com a empresa seja quitada. Após análise de viabilidade do primeiro projeto existe a possibilidade de também ser utilizada energia fotovoltaica para suprir a iluminação pública. O estudo ainda não foi concluído.

As placas utilizadas têm potências variadas, são de fácil manuseio e duram entre 25 e 30 anos. Elas funcionam interligadas à companhia elétrica de cada estado e podem acumular mais energia, gerando um saldo em quilowatts acumulativo em até cinco anos. Uma empresa que gere mais energia do que consome pode dividir com outra unidade de mesmo CNPJ. O mesmo vale para as pessoas físicas. Pela legislação brasileira, em nenhuma situação a conta de energia será zerada. De acordo com a resolução 414/2010 da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), em todos os casos, será cobrada uma taxa mínima pela concessionária de energia, pelo uso de conectividade. Qualquer brasileiro pode instalar o sistema de energia solar, mas é preciso autorização da concessionária.

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		<title>Debate feminista: confira as propostas das candidatas de Pernambuco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Sep 2018 18:48:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O debate promovido nesta terça-feira (11) pela Rede de Mulheres e o Fórum de Mulheres de Pernambuco com as candidatas para o legislativo &#8211; estadual e federal &#8211; foi um espaço para ouvir as propostas das mulheres para Pernambuco e para o Brasil. Abrindo o encontro, que aconteceu no auditório do Sindicato dos Servidores Públicos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[O debate promovido nesta terça-feira (11) pela Rede de Mulheres e o Fórum de Mulheres de Pernambuco com as candidatas para o legislativo &#8211; estadual e federal &#8211; foi um espaço para ouvir as propostas das mulheres para Pernambuco e para o Brasil. Abrindo o encontro, que aconteceu no auditório do Sindicato dos Servidores Públicos Federais (Sindsep), na Boa Vista, Mônica Oliveira, da Rede de Mulheres Negras, falou sobre a importância do estado ter um olhar mais específico nas políticas públicas.

&#8220;Todos os indicadores, índices e estatísticas apontam que as mulheres negras estão nas piores condições. As políticas de gênero não consideram a questão racial, as políticas raciais não consideram a de gênero. E ficamos ilhadas, neste meio&#8221;, afirmou. &#8220;Temos muita legislação, mas precisamos de implementação. É preciso estabelecer mecanismos que garantam a superação do racismo institucional, em especial na segurança pública&#8221;, disse Mônica.
<p style="text-align: left;">Representando o Fórum, Natália Cordeiro considerou que desde o golpe de 2016 as mulheres estão mais unidas. &#8220;Nossa luta se aprofundou mais nos últimos tempos. Nós feministas temos uma forma de fazer política mais horizontal, mais democrática, sem que uma fale mais alto que a outra&#8221;, destacou. No evento, também foram entregues plataformas dos dois movimentos. Parceira da iniciativa, a Marco Zero Conteúdo, pelo projeto Adalgisas, <a href="https://www.facebook.com/mzconteudo/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">transmitiu ao vivo o debate, que pode ser revisto na página do Facebook</a>.</p>
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O encontro começou com nove candidaturas à Assembleia Legislativa de Pernambuco apresentando suas propostas em dez minutos. Depois, quatro concorrentes à Câmara dos Deputados mostraram seus planos. Confira abaixo um resumo da fala de cada uma das participantes do debate.
<h2><strong>Deputadas estaduais</strong></h2>
<strong>Juntas (PSOL) &#8211; </strong> Da candidatura conjunta formada por cinco mulheres, duas dividiram o tempo de fala. Jô Cavalcanti, que é o nome que vai aparecer nas urnas, lembrou a alta taxa de desemprego no país e defendeu linhas de crédito para os pequenos comerciantes. &#8220;Não defendemos a precarização do trabalho informal. É um trabalho digno e que precisa ser valorizado também&#8221;, disse. Robeyoncé destacou a importância de mudança no sistema político. &#8220;Estamos aqui para pedir votos, mas também para pedir que vocês ocupem os espaços políticos ativamente&#8221;.
<blockquote><strong>Deyse Medeiros (PSTU) &#8211; </strong> Moradora da periferia de Jaboatão dos Guararapes, Deyse Medeiros (PSTU) focou seu discurso em moradia, saúde e contra a terceirização. &#8220;Trabalhadores e usuários do SUS estão enfrentando um verdadeiro ataque à saúde pública&#8221;, afirmou, citando como exemplo os plantões extras que os trabalhadores da saúde seriam obrigados a fazer no estado. &#8220;O governo demora a pagar esses plantões e há paralisações. O dinheiro que deveria ir para os hospitais de referência estão indo para as OSs (terceirizadas)&#8221;.</blockquote>
<strong>Joana Casotti (PCdoB) &#8211; </strong> Em sua fala, Joana falou sobre a marginalização imposta para as travestis e transexuais. &#8220;Mesmo formada em Design há mais de dois anos, não sei o que é emprego. Somos aquelas que não têm direito a educação, nem ao SUS. Tenho medo da morte e da intolerância&#8221;, afirmou, citando casos de violência contra travestis e trans. &#8220;Nossa identidade é questionada constantemente. A nossa expectativa de vida é de 35 anos de idade, menos da metade de uma pessoa cis heteronormativa&#8221;, comentou.
<blockquote><strong>Luiza Carolina (PCB)</strong> Ela começou sua fala reforçando que é uma candidatura feminista, antirracista, anticapitalismo e em favor das pautas LGBT. &#8220;No atual desmantelo da nossa política nacional, as mulheres negras são pilares de resistência. No ano em que se fala dos 130 anos de uma abolição ficcional, continuamos escanteadas do mesmo jeito pelo Estado&#8221;, disse. Nas propostas, Luiza Carolina defendeu proteção trabalhista para ambulantes, maior controle do comércio de chineses (&#8220;sem xenofobia, mas precisa haver uma regulação&#8221;) e trabalho digno pela CLT.</blockquote>
<strong>Teresa Leitão (PT) &#8211; </strong> Única candidata em busca da reeleição a participar do debate, Teresa Leitão lembrou que há seis parlamentares mulheres atualmente na Alepe, mas só ela está nas lutas feministas. &#8220;Em todos esses anos como deputada, só uma vez vi o aborto sendo discutido, sob o nome de planejamento familiar, e em uma mesa com um padre e um médico. Quando cheguei da militância sindical na Alepe, logo senti que achavam que ali não era lugar de mulher, nem de negro, nem de sindicalista&#8221;, disse. Sobre as pautas das mulheres negras, a deputada destacou a importância da Lei 10.639/03, que regulamenta a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena. &#8220;A implementação é muito embrionária&#8221;, disse.
<blockquote><strong>Sylvia Siqueira Campos (PT) &#8211;</strong> Dirigente da ONG Mirim Brasil, a candidata lembrou que não há coligação do PT com o PSB nas candidaturas proporcionais. &#8220;Quem votar na gente não está votando nos candidatos do PSB&#8221;, disse. Apostando em uma política aberta para ouvir o eleitorado, Sylvia falou da construção do seu plano de candidatura. &#8220;Estamos agora com 15 eixos, com contribuições diretas de demandas dos eleitores&#8221;, disse. Uma das propostas de Sylvia é a descentralização e interiorização do mandato, com gabinetes espalhados no Agreste, Sertão e Zona da Mata. &#8220;Nossa campanha é de movimento, para enfrentar os elementos que estruturam as desigualdades&#8221;, afirmou.</blockquote>
<strong>Liana Cirne (PT)</strong> A professora de Direito da UFPE e ativista do Ocupe Estelita, defendeu a candidatura de Haddad, que virou candidato no mesmo dia do debate. &#8220;Infelizmente não podemos votar em quem queremos votar&#8221;, afirmou, se referindo a Lula. &#8220;Bolsonaro é uma subversão de tudo que acreditamos. Nós feministas estamos sendo acuadas, porque queremos uma sociedade que não tolere a opressão de qualquer forma&#8221;, disse. Sobre sua candidatura, afirmou que está &#8220;defendendo uma política que tem que ser feita com todo mundo, com uma radicalização da democracia participativa&#8221;.
<blockquote><strong>Verônica Magalhães (Verinha) &#8211; PCdoB</strong> A técnica em enfermagem relembrou sua trajetória em sindicatos e na defesa da saúde pública. &#8220;É preciso olhar para as mulheres negras em situação de rua. É a parcela que mais precisa de acolhimento&#8221;, afirmou. A candidata também citou casos de racismo institucional em hospitais públicos e cobrou mais ações para este combate. &#8220;Não precisamos criar novas políticas públicas. Precisamos implementar as que já existem, porque estão sendo esquecidas&#8221;, disse.</blockquote>
<strong>Valéria (PSTU) &#8211; </strong> Valéria, do PSTU, tem como principal proposta o não pagamento da dívida pública do estado. &#8220;É preciso também garantir a redução da jornada de trabalho com a manutenção dos salários&#8221;, defende. Com o dinheiro que iria para pagamento das dívidas, Valéria propõe investi-lo no próprio estado. &#8220;É um dinheiro que precisa ir para a geração de empregos, e não para banqueiros&#8221;, disse. &#8220;O PSTU é a revolução. Os governos de Frente Popular não governam para a classe trabalhadora&#8221;, afirmou.
<h2><strong>Deputadas federais</strong></h2>
<blockquote><strong>Flávia Hellen (PT) &#8211; </strong> Abriu sua fala alertando sobre a organização do discurso de ódio, que está organizado nessas eleições. &#8220;É o ódio contra quem entrou nas universidades públicas por ações afirmativas, o ódio da classe trabalhadora que conseguiu a casa própria, que conseguiu viajar&#8221;, disse, defendendo uma constituinte para alterar as regras do jogo. &#8220;A geração que mudou de vida não vai aceitar nenhum direito a menos. A nossa candidatura é para construir espaços de resistência, principalmente contra o genocídio negro&#8221;.</blockquote>
<strong>Kellen Silva (PSTU) &#8211; </strong> A candidata falou sobre as opressões da mulher trabalhadora e defendeu mudanças na educação básica. &#8220;A maioria das cidades faz vista grossa e não tem creches nem escolas suficientes para as crianças. O estado tem que ser responsável pela educação infantil e não as prefeituras&#8221;, defendeu. &#8220;Outra questão urgente é a questão do aborto. Não pelo fazer, que é um processo doloroso quando a mulher faz essa escolha, mas por uma questão de saúde pública. As mulheres pobres estão morrendo em locais clandestinos&#8221;, afirmou.
<blockquote><strong>Michelle Santos (PSOL) &#8211; </strong> Falou sobre a perda de direitos com o golpe de 2016, defendeu uma rede de apoio para as candidatas mulheres e criticou as cotas de 30% de candidatura e verba do fundo eleitoral. &#8220;Na prática, não está dando resultado efetivo. Precisamos de mecanismos como na Costa Rica e na Bolívia&#8221;, afirmou, citando países com reserva de assento para mulheres no legislativo. &#8220;Precisamos falar com as mulheres do campo, as trabalhadoras: vocês também são feministas! Precisamos nos reconhecer e nos unir&#8221;, disse a candidata.</blockquote>
<strong>Gabi Conde (PSOL) &#8211;</strong> Ela discursou sobre a responsabilidade da sociedade e dos homens com as crianças, sobre a criminalização das periferias e a necessidade de um debate sobre as mudanças nas políticas de drogas. &#8220;Falar da descriminalização das drogas não é somente falar da liberdade individual das pessoas, mas da criminalização dos territórios, que esmaga nossa população, sobretudo a periférica e negra&#8221;, afirmou. &#8220;Precisamos de novos nomes e novos modos de se fazer política no Brasil&#8221;, afirmou.<p>O post <a href="https://marcozero.org/debate-feminista-confira-as-propostas-das-candidatas-de-pernambuco/">Debate feminista: confira as propostas das candidatas de Pernambuco</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Rede de Mulheres Negras e Fórum de Mulheres de Pernambuco promovem debate com candidatas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Sep 2018 18:08:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[adalgisas]]></category>
		<category><![CDATA[debate]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Rede de Mulheres Negras e o Fórum de Mulheres de Pernambuco promovem nesta terça-feira (11) um debate com candidatas a deputada estadual e deputada federal. O encontro acontece das 14h às 18h30 no Sindicato dos Servidores Públicos Federais (Sindsep), na Rua João Fernandes Vieira, 67, Boa Vista. O evento é formatado como uma conversa [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<span style="color: #1d2129;"><a href="http://marcozero.org/projetoadalgisas"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-10049 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/08/adalgisasabertura.jpg" alt="adalgisasabertura" width="150" height="100"></a>A Rede de Mulheres Negras e o Fórum de Mulheres de Pernambuco promovem nesta terça-feira (11) um debate com candidatas a deputada estadual e deputada federal. O encontro acontece das 14h às 18h30 no Sindicato dos Servidores Públicos Federais (Sindsep), na Rua João Fernandes Vieira, 67, Boa Vista.</span>

O evento é formatado como uma conversa das eleitoras com as candidatas, com espaço para apresentação de propostas. Das 14h às 16h as candidatas a deputada estadual apresentarão suas propostas, com dez minutos para cada uma. Depois, a plateia poderá fazer perguntas. Há um intervalo de meia hora e, em seguida, das 16h30 às 18h30, se apresentam as candidatas a deputada federal, também com perguntas ao final.

&#8220;Os critérios para convite foram: mulheres do campo da esquerda, que tenham envolvimento com o movimento de mulheres. A partir daí se tentou dar diversidade às convidadas: mulheres da luta contra o racismo, de gerações diferentes, identificadas com pautas LGBT&#8221;, conta Natália Cordeiro, do Fórum.

Até agora estão confirmadas as candidatas a deputada estadual:Juntas (PSOL),Liana Cirne (PT),Luiza Carolina (PCB),Sylvia Siqueira Campos (PT),Teresa Leitão (PT) eVerônica Magalhães (PCdoB). Para federal, estão confirmadas Flávia Hellen (PT),Gabi Conde (PSOL),Michelle Santos (PSOL) e Neide Lula da Silva (PT).

A Marco Zero Conteúdo, pelo projeto Adalgisas, vai fazer a transmissão ao vivo do debate na nossa página no Facebook e também na página do Fórum de Mulheres de Pernambuco.

A organização do evento avisa que crianças são mais que bem vindas no espaço e haverá uma rede de cuidado e atividades para elas. O acesso é gratuito e aberto ao público. Em breve, deverá ter também com candidatos e candidatas ao governo, em data a ser definida.

<a href="https://www.facebook.com/events/682897918743649/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Confira o evento no Facebook</a><p>O post <a href="https://marcozero.org/rede-de-mulheres-negras-e-forum-de-mulheres-de-pernambuco-promovem-debate-com-candidatas/">Rede de Mulheres Negras e Fórum de Mulheres de Pernambuco promovem debate com candidatas</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Tá com pena?</title>
		<link>https://marcozero.org/ta-com-pena/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Jun 2015 02:13:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diálogos]]></category>
		<category><![CDATA[argumentos contra a redução]]></category>
		<category><![CDATA[debate]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Diego Viana Do Para ler sem olhar Tem um ponto, nessa moda assustadora de defender o encarceramento de adolescentes, que merece um pouco mais da nossa atenção. Refiro-me ao esquisitíssimo não-argumento que todo mundo já ouviu (ou, cruz credo, emitiu): “se tá com pena, leva o bandidinho pra casa”. O modo de raciocínio por [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
				Por Diego Viana
Do <a href="https://vianadiego.wordpress.com/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Para ler sem olhar</a>

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/06/elvis-in-jailhouse-rock.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-551 size-medium" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/06/elvis-in-jailhouse-rock-300x201.jpg" alt="elvis-in-jailhouse-rock" width="300" height="201" /></a>

Tem um ponto, nessa moda assustadora de defender o encarceramento de adolescentes, que merece um pouco mais da nossa atenção. Refiro-me ao esquisitíssimo não-argumento que todo mundo já ouviu (ou, cruz credo, emitiu): “se tá com pena, leva o bandidinho pra casa”. O modo de raciocínio por trás de uma frase como essa, embora primário, revela uma enormidade sobre o contexto em que ela pode ser produzida e disseminada. Poderia, afinal, ser só mais uma daquelas bobagens que dizemos em bar; mas muita gente realmente acha que semelhante frase “expõe a hipocrisia” (ou algo assim) de quem adverte que nada de bom pode sair de um disparate como essa PEC.

Por sinal, eu soube recentemente que essa barbaridade tem saído não são só da boca de comentaristas franco-atiradores nas rádios paulistanas, essa gente que ganha a via fomentando e explorando o medo de seus ouvintes mais simplórios<a href="#f1"><sup>1</sup></a>. Mesmo os deputados defensores do projeto<a href="#f2"><sup>2</sup></a>, que deveriam pelo menos ter se armado de ferramentas argumentativas, se expressam aberta e publicamente dessa maneira vergonhosamente pueril – sem falar nas citações bíblicas, é claro. À primeira vista, parece ser mais uma demonstração da famigerada onda conservadora, associada à pressão renovada de interesses escusos, como o lobby de administradoras de presídios e fabricantes de armamentos, que se aproveitam de um momento político propício a aventuras inconseqüentes.

Mas há algo mais aí: por um lado, a onda conservadora, <a href="http://vianadiego.wordpress.com/2014/10/16/dialetica-do-triunfo-conservador" target="_blank" rel="noopener noreferrer">no fundo</a>, tem mais cara de vazamento no casco do sistema político: pelas trincas, vai passando um fluido ácido que sempre esteve ali embaixo, mas contido por uma calafetagem que parecia funcionar. E por isso os esforços dos tais lobbies encontram tanta reverberação: conseguem fazer ressoar algumas cordas que já estavam à disposição para formar os acordes dessa gritaria que ouvimos dia após dia. Por outro lado, por maior que seja a força midiática desses interesses, e tão excepcional quanto seja o momento político, eles não chegariam tão longe sem uma escolha eficaz das palavras: a mensagem encontra seu destinatário porque tira as palavras de sua boca. E é isso que quero explorar.
<h2>Comiseração e vingança</h2>
<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/06/1344865246888-capitaes-de-areia.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-552 size-medium" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/06/1344865246888-capitaes-de-areia-300x168.jpg" alt="1344865246888-capitaes-de-areia" width="300" height="168" /></a>

“Se tá com pena…”, eles dizem. Mesmo sabendo perfeitamente bem que a “pena” ou sua ausência não estão em jogo. Tanto é que, em geral, a fórmula é lançada no meio da conversa quando alguém argumenta que baixar a maioridade penal não vai reduzir a criminalidade, que já existem categorias de internação para os menores infratores no ECA<a href="#f3"><sup>3</sup></a>, ou ainda mais amplamente, que o efeito do encarceramento em massa sobre a incidência de crimes é, para dizer o mínimo, duvidoso.

Diga tudo isso, cite estudos, use a lógica, e logo você vai ouvir: “se tá com pena…” Mas quem disse que o que está em jogo é uma questão de piedade? Não estávamos aqui para discutir o sentido das políticas públicas? Pouco importa. O que importa é circunscrever todo o problema a uma dança macabra de afetos: o medo, a raiva, a vingança, que são sentimentos pesados e tristes, mas sinceros, contrapondo-se à misericórdia, ao bom-mocismo, à ingenuidade, que são belos e admiráveis, mas hipócritas.

Não é significativo que esse seja o recorte favorito no país do “homem cordial”? Aquele que age emotivamente, impulsivamente, que explode em violências das mais brutais, instantes depois de se desdobrar em carinhos acompanhados de apelidos no diminutivo? Perguntei e já respondo: é extremamente significativo, sobretudo porque revela o quanto é estéril responder a essa fórmula barbaresca com uma verdade tão evidente que chega a soar como platitude: “não é boa idéia legislar com o fígado”…

Claro que não é boa idéia, mas é justamente o que procura fazer o brasileiro cordial, quando justifica com a raiva individual (“queria ver se um bandidinho desses matasse a sua filha”!) o legislar com o vocabulário do ódio. Ao introduzir a idéia do “homem cordial”, Sérgio Buarque o faz pela oposição do geral ao particular, do Estado à família, do formal ao afetivo. Mas isso não significa, é claro, que o lado cordial, ligado ao particular, ao familiar e ao afetivo, exclua que se possa sistematizar uma ordem social e política mais ampla. Tudo isso existe no Brasil, vemos muito bem.

Mas é em ocasiões como essa que testemunhamos a manifestação do constante recurso ao particularismo, ao afeto, ao doméstico no coração da sociabilidade à brasileira. Se formos pensar na criminalidade como <em>problema a ser resolvido</em> (objetivamente) e não como <em>demônio a esconjurar</em> (afetivamente), seria preciso pôr em ação uma série de transformações muito profundas. Seria preciso, como diz <a href="http://novo.nevusp.org/clipping/reducao-da-maioridade-penal-seria-vexame-constitucional-diz-ex-ministro/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Paulo Sérgio Pinheiro</a>, determinar as políticas públicas de modo a prevenir a entrada dos jovens no universo do crime. No âmbito da política carcerária, seria preciso trabalhar com velhas idéias como reinserção e ressocialização, que podem ter inúmeros defeitos, mas já seriam um enorme avanço em relação ao que temos no Brasil. Todo mundo sabe disso muito bem, e se prefere repetir ladainhas sobre “vagabundos”, “bandidos” e outros adjetivos, não é pela falta circunstancial de informação, mas como um gesto deliberado de recusa ao enfrentamento de nossos, digamos assim, na falta de expressão melhor: “vícios fundamentais”.

Afinal de contas, como se pode pensar em diminuir a criminalidade no Brasil sem mexer nos alicerces profundos do modo de vida com que estamos acostumados? Não existe solução para a violência, nem para a sujeira, nem para a corrupção, nem para a economia, no Brasil, que não passe por 1) um sistema eficiente e universal de educação pública, como o que costumava existir no mundo que costumava ser desenvolvido; 2) o redesenho das cidades, para que se tornem menos sectárias, belicosas e excludentes; 3) campanhas intensivas (e não estou falando de publicidade) de combate ao racismo do dia-a-dia, aquele do qual no mais das vezes nem sequer nos damos conta – mesmo as pessoas que o sofrem na pele; 4) a rejeição generalizada e intransigente às relações de trabalho abusivas e reminiscentes da escravidão; 5) uma série de outras coisas, mas não sentei na frente do computador para ficar fazendo listas.

Quando circunscreve a discussão sobre a maioridade penal, mas não só – também sobre o encarceramento como um todo, e sobre a relação entre o poder público e os pobres em geral –, a uma questão de afetos em conflito (raiva <em>versus</em> piedade), o cordialíssimo brasileiro<a href="#f4"><sup>4</sup></a> manifesta, como eu disse, sua lealdade e sua subscrição ao nosso tradicional modo de vida, o sistema quotidianamente belicoso que vige nesta terra, ao que parece, desde o tempo de <a href="https://vianadiego.wordpress.com/2013/07/11/peri-ou-nascimento/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Peri e Ceci</a>. A propósito, quando alguém diz que “defender direitos humanos é defender bandidos”, é sempre bom lembrar que, ao contrário, defender um estado da arte fundado sobre a violência constante é defender a atuação daqueles que nela tomam parte, incluindo aí os bandidos…
<h2>Dentro de casa</h2>
<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/06/digne_plaque_en_lhonneur_de_lecc81vecc82que.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-553 size-medium" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/06/digne_plaque_en_lhonneur_de_lecc81vecc82que-300x200.jpg" alt="IMG_0138" width="300" height="200" /></a>

Só que a questão não pára por aí, porque, depois de levantar a bola afetiva da “pena”, vem a proposta: “leva pra casa”. Poderia ser só uma forma de expressão hiperbólica, exigindo uma atitude radical, bem mais complexa do que o mero ajudar financeiramente, fundar uma ONG ou tantas outras formas de “solução individual” que poderiam ser sugeridas. Poderia ser só uma ironia com atitudes realmente abnegadas, como as das pessoas que adotam animais abandonados<a href="#f5"><sup>5</sup></a>, ou que transformam suas salas em enfermarias para atingindos por desastres, ou que abrem suas cozinhas para alimentar os famélicos da terra e assim por diante. Na lógica de alguém que se dispõe a pronunciar uma frase como essa, quem não acha saudável uma sociedade em que meganhas passam seus dias a correr atrás de garotos deveria estar disposto a santificar-se, caso contrário… é um hipócrita (e antes que você pergunte: não, isso não faz o menor sentido).

Mas tem muito mais pano para essa manga. Lembre-se: estamos falando de Brasil, país onde a casa tem uma função particular, como estudou exaustivamente Roberto DaMatta. Não simplesmente a casa é o reino do particular e familiar, como diria Sérgio Buarque, mas também e principalmente ali onde o íntimo <em>se esconde</em>. O ambiente em que o grupo familiar <em>se protege</em>, onde a vida se desenrola efetivamente, por oposição ao ambiente externo dedicado às disputas por espaço, posição e poder, e também às relações econômicas, extrativistas e competitivas. A casa, ali onde devemos pensar que estamos seguros, onde devemos <em>fazer parecer</em> que estamos seguros, onde ninguém pode meter o bedelho, o ambiente que chamamos de “lá dentro” e cujo ponto e dispositivo de interação com o exterior é a sala de visitas, espécie de entreposto.

A rigor, na vida urbana do Brasil contemporâneo, que é vivida em condomínios – ou, mais simplesmente, prédios –, poderíamos dizer que o que melhor corresponde a esse entreposto não é a sala dos apartamentos (a maioria delas, hoje, abertas demais para exercer o papel), nem muito menos o pequeno vestíbulo (se é que é chamado assim) entre o elevador (social) e a porta dos apartamentos, porque este só existe propriamente nos edifícios mais ricos e não serve a nenhum tipo de interação. Esse papel cabe àquele quadrilátero gradeado na portaria, com duas portas que não se abrem simultaneamente (por segurança, como sempre). Ali onde o motoboy da pizza espera pelo morador que desce com o pagamento.

Um espaço mágico, onde a pizza deixa de ser uma mercadoria, objeto de troca que, no percurso entre a pizzaria e nossa mesa, sujeita-se a todos os perigos do espaço público urbano brasileiro, em que o entregador disputa a rua com os carros e cumpre o cronograma apertado da entrega. Um espaço mágico, onde esse mesmo objeto redondo e cheirosinho passa de mercadoria a comida, sai do ambiente da disputa pública para o do deleite privado. A área delimitada onde o acesso é decidido por um dispositivo sob controle do porteiro, mediante consulta ao condômino. Uma autêntica câmara de descompressão!

Mas, outra vez, não sentei no computador para escrever sobre a distribuição espacial dos afetos urbanos; acho que já deu para entender que a idéia de “levar pra casa” está longe de ser neutra ou mera ironia. “Leva pra casa”, ou seja: acolha você mesmo, introduza esse marginal na sua intimidade, você que “gosta de bandido”. Transforme um problema de todos (ou, melhor dizendo, a encarnação física de um caminhão de problemas que são de todos) em um problema todo seu, só seu: abrigar um “bandidinho” em casa, tentar endireitar esse pau que nasceu torto, fazer como o Monsenhor Myriel, personagem de Victor Hugo, que cede a prataria para incutir o valor da moral em Jean Valjean. Mas, sobretudo, conviver com a sujeira, a feiúra, a hostilidade que, em nosso raciocínio cordial, tem seu lugar no ambiente público.

Também não é que alguém, em algum lugar, pense que “levar pra casa” traga a solução para o que quer que seja. Exceto, talvez, alguém como o monsenhor de Victor Hugo, que se contenta com “salvar uma única alma”. O importante, para quem emite esse tipo de ordem, é que cada coisa fique em seu lugar: a pureza do “lá dentro”, que é a casa, e o conflito ininterrupto que prossegue nas ruas. A idéia é que, se alguém quer bagunçar essa ordem (sem entrar no mérito de que essa ordem é uma tremenda bagunça: ela tem sua lógica e sua razão de ser, ainda que atroz), tinha mesmo era que bagunçar <em>seu próprio espaço</em>, o seu “lá dentro”. Tudo aquilo que não cabe no “lá dentro” deve ficar ao “deus-dará”: terra em disputa, terra do conflito, selva de pedra.
<h2>Bandidos e bandidinhos</h2>
<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/06/schiller_liest_die_racc88uber_vor.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-554 size-medium" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/06/schiller_liest_die_racc88uber_vor-300x192.jpg" alt="Z 053" width="300" height="192" /></a>

Até aqui, os componentes que indiquei tratam de enquadrar toda a questão da violência e dos “adolescentes em conflito com a lei” (adoro esse eufemismo paupérrimo) como fenômeno da esfera individual. O adolescente que é, essencialmente, bandido; o sistema carcerário, que serve para punir <em>aquele</em> criminoso, que perpetrou <em>aquele</em> ato; o “defensor dos direitos humanos” que deve “levar pra casa”, <em>sua casa</em>. O que está ausente dessa linha de raciocínio (além de qualquer coisa que possa ser associada a um raciocínio) é um quadro geral em que o conjunto da população, a “pólis”, tenta conceber as possibilidades de convivência e até mesmo um projeto para o futuro. Está ausente o encadeamento causal, em que as escolhas que a pólis faz hoje se refletem nas condições de sua própria existência amanhã: individualismo e, sobretudo, imediatismo: vamos centrar o fogo nos incômodos e nos escândalos à medida que eles aparecem. “Se você quer salvar, muito bem, mas eu quero massacrar: vamos ver o que você consegue com sua casa e o que eu consigo com minha algema e minha consorte de seguranças (dignos do <em>Som ao Redor</em>)”. E não se fala mais nisso.

Mas ainda falta um componente a tratar nessa fórmula: o <em>bandidinho</em>. Muitas vezes, dito assim mesmo, no diminutivo, como se fosse só para dar razão a Sérgio Buarque quando diz que as formas cordiais podem servir tanto à amabilidade quanto à ameaça. Mas em outras ocasiões, é só “bandido”; em outras ainda, ele nem é mencionado: “tá com pena? Leva pra casa!” Seja como for, a figura do “bandido” aparece em todo canto. É um termo fácil de usar, porque parece mobilizar uma essência, sem demandar casos concretos ou contextos. Assim, se o termo “trabalhador” pode ser empregado sem referência a qualquer trabalho em particular (não sou manobreiro, torneiro mecânico ou frentista: sou “trabalhador”), o mesmo vale para seu oposto operacional, o bandido. Não é o sujeito que matou uma família inteira, estuprou todo o convento, meteu no bolso o dinheiro da Petrobras, apanhou goiabas no quintal do vizinho, atropelou ciclistas, bêbado, de madrugada. O bandido é o bandido e ponto, não há muito a explicar.

O “conceito” de <em>bandido</em> funciona tão bem porque consegue, de fato, operar o recorte de uma categoria social, notadamente aquela que se opõe a <em>trabalhador</em>. Ela se refere, normalmente, àqueles que estão em posição de inferioridade, fragilidade e, em geral, vulnerabilidade, e por isso teriam (segundo essa linha de raciocínio) de “fazer uma escolha”. Aquele que pende para o lado do trabalhador cumpriu seu papel; aquele que pende para a bandidagem traiu um código moral implícito. Eventualmente, usa-se “bandido” também para se referir ao poderoso que monta grandes esquemas de corrupção, mas esse uso busca apenas igualá-lo ao verdadeiro bandido: o corrupto <em>não passa</em> de um bandido, ou seja, ele está na categoria social de alguém que deveria pertencer à gentalha – para citar Sarkozy, à <em>racaille</em>… Traduzindo: não é o caso de puni-lo pela letra da lei, mas acima de tudo degradá-lo na escala social, tal como percebida.

Mas se o bandido é capaz de mobilizar tantas paixões, não é tanto por seu pendor para o crime, nem pelos roubos e mortes que possa cometer <em>em si</em>. O bandido, como paradigma daquele que rompeu o código moral implícito, é um espectro que está sempre <em>por aí</em>. O “trabalhador”, por exemplo, nunca deixa de ser o inferior, frágil, vulnerável, então pode sempre se cansar disso tudo, dos inúmeros abusos de que será seguramente vítima, e converter-se em bandido. Nessa lógica, os empregados, os serviçais, até os alunos de escola pública, nunca são inteiramente confiáveis: um espectro de ruptura com o código moral (que é também econômico, modo extra-oficial de relações de trabalho etc., não nos esqueçamos) está sempre pairando em todas as relações, sejam quais forem. O código moral implícito, o código econômico informal, é ele mesmo frágil e vulnerável, porque depende da disposição de um enorme contingente de pessoas para deixar-se anular em seu desejo e sua potência, por medo de serem punidas com a brutalidade das punições que aplicamos. Mas essa disposição de anular-se nunca é totalmente assegurada.

E tem outro aspecto importante, que dificilmente alguém vai admitir, mas está na cara de todos. A figura do bandido é extraordinariamente fascinante e sedutora. O bandido, o bandoleiro, o aventureiro (nas palavras de José de Alencar), que não estão muito distantes do justiceiro, do matador de aluguel, do malandro. Ou do vagabundo, essa denominação tão linda pela sua ambiguidade explosiva, demolidora, incontrolável! Quantos não são os defensores da redução da maioridade penal que adoram as histórias da Lapa antiga, ou a trajetória da sinistra Escuderia Lecoq, ou a saga do cangaço? Quantos não se identificam abertamente com as aventuras dos bandeirantes?

Em 1782, Friedrich Schiller apresentou sua peça <em>Os Bandoleiros</em> (<em>Die Räuber</em>), que punha em cena um anti-herói de origem aristocrática que desnudava as contradições de seu mundo tão bem organizado. Relatos da época dão conta de que, ao final, o público desmaiava e urrava por empatia com os personagens. Bandidos? Justiceiros? Cavaleiros errantes? Certamente não “trabalhadores”… O bandido é uma figura clássica do imaginário ocidental e provavelmente mundial, a julgar por obras como <em>Os Sete Samurais</em>, de Kurosawa. Os bandidos remetem àqueles salteadores de beira de estrada, que andavam em bandos e tomavam de assalto as caravanas que se aventuravam nas antigas estradas medievais ou na rota da seda. De certa forma, o bandido até hoje faz referência a essas figuras arquetípicas: alguém que interrompe o fluxo do comércio, a logística do reino, aquilo que é esperado e necessário para reproduzir o modo de vida de uma sociedade que enxerga a si própria com muito bons olhos.

Acontece que esses bons olhos também têm sua visão periférica; eles intuem a existência de algo além, de algo que não é contemplado, e que poderíamos designar como a potência daquilo que se vislumbra apenas sob a forma do submetido, dominado, <em>sufocado</em>. Uma espécie de economia paralela, que se adapta à situação esgueirando-se pelos poros e os interstícios, florescendo como parasitismo enquanto afirma para si mesma uma determinada forma de positividade, na falta de outros caminhos. Uma potência de vida que percola, aproveita-se da capilaridade dos edifícios que pareciam tão sólidos e impermeáveis, espalha-se por todos os compartimentos. E essa economia paralela não pode ser completamente anulada ou afastada, porque constitui o suplemento inapelável da ordem instituída, o diverso que não coube no formalizado e se organiza por conta própria, mantendo com o central um contato esporádico na base da expropriação e da violência, uma espécie de pedágio que o fora cobra do dentro, e que espelha, do jeito que pode, a expropriação e a violência de que é objeto ininterruptamente.

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/06/the-clash-i-fought-the-law-111414.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-555 size-medium" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/06/the-clash-i-fought-the-law-111414-297x300.jpg" alt="the-clash-i-fought-the-law-111414" width="297" height="300" /></a>

Pode-se dizer que o que vale para o “bandido” vale também para o “bandidinho”? Sim e não. Um garoto magricela e desgrenhado, que cheira cola e ataca motoristas com um caco de vidro, dificilmente tem a mesma aura de transgressão e ousadia que um Madame Satã ou um Robin Hood, o Cara de Cavalo ou Bonnie&amp;Clyde. Mas esse que descrevi, com traços de Pixote, é o menor infrator que está aí fora. O criminoso juvenil da imaginação pública é bem mais perturbador. Quer ver? “Se já tem idade suficiente pra votar, se já tem idade suficiente pra transar, então já tem idade suficiente pra ir pra cadeia”, etc. Já ouviu isso? Em que pese a pessoa que enuncia essa tolice estar fingindo que não separa coisas que, em sua cabeça, são perfeitamente isoladas uma da outra (o sexo e o voto podem se aplicar aos próprios filhos; a cadeia, bem, aí tem que ver as circunstâncias, né…), é notável a associação entre as potências (desejante, cognitiva, decisória) e a imediata necessidade de as bloquear e suprimir. Essas pessoas são forças (assim como é uma força o espectro do <em>bandido</em>), então precisamos exercer sobre elas uma força maior e contrária, desde já: para que não criem asas…

A propósito: não é estranho que alguém que fica “chocado” porque um adolescente faz algo “de adulto” como o voto ou o sexo não fique igualmente “chocado” com a idéia dessa mesma pessoa cumprindo pena “de adulto”? A ironia nisso tudo é que, não raro, são essas mesmas pessoas que bloqueiam campanhas de conscientização contra a gravidez na adolescência ou aulas de educação sexual nas escolas (quando não querem mesmo destruir o sistema escolar como um todo). Mas estou começando a divagar e não sentei no computador para isso!
<h2>Escapismo</h2>
Na hora em que escrevo, há poucas esperanças de que se possa evitar algum retrocesso, que reforçará nosso espírito de violência quotidiana e favorecerá os interesses que financiam a <a href="http://ponte.org/sim-existe-uma-bancada-da-bala/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">bancada da bala</a>. Qualquer acordo que se costure, no fim das contas, será mais um na sucessão de horrores legislativos que vivemos este ano. Além disso, será mais uma vez em que se tentou responder aos problemas da vida real dando uma apertada na lei, como na interminável sucessão de projetos para elevar crimes à categoria de “hediondo”.

A palavra que eu usaria para descrever a estratégia da “hediondização” dos crimes seria <em>escapismo</em>. Em vez de enfrentar a realidade, apertar a lei. (Por que não pensamos nisso antes? Agora sim, esse país vai pra frente!) Seria essa mais uma característica do “homem cordial” que não chegou a ser descrita por Sérgio Buarque e os demais intérpretes do Brasil? Mais do que o mero bacharelismo, o verdadeiro escapismo de quem gasta uma enorme carga de energia mental para assegurar-se de que nada de efetivo aconteça e continuemos girando em círculos, aí está uma estratégia política brilhante. Mas esse é um ponto que mereceria um texto inteiro só para ele, e não sentei no computador para isso…

<hr />

<a name="f1"></a><sup>1</sup> E que ocupação triste, não? No longo prazo, com que espírito uma pessoa dessas vai olhar para trás e considerar seu legado? “O que foi que eu construí?…” Tudo isso em nome de quê? Um salário suficiente para pagar o IPTU de um apartamento com piscina e academia? Que pobreza.
<a name="f1"></a><sup>2</sup> De tão absurda, a PEC 171 <a href="http://apublica.org/2015/05/jogados-aos-leoes/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">merece ser lida</a>
<a name="f1"></a><sup>3</sup> Veja o Estatuto da Criança e do Adolescente <a href="http://www.crianca.mppr.mp.br/arquivos/File/publi/caopca/eca_anotado_2013_6ed.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">aqui</a>.
<a name="f1"></a><sup>4</sup> Outra de Sérgio Buarque: a assinatura “cordiais saudações” pode servir tanto para expressar amabilidade como para selar uma ameaça.
<a name="f1"></a><sup>5</sup> Por sinal, o “leva pra casa” não está longe de tratar esses jovens como animais.		<p>O post <a href="https://marcozero.org/ta-com-pena/">Tá com pena?</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Ivan Moraes Filho debate o Ocupe Estelita com Samarone Lima</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Samarone Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 13 Jun 2015 23:52:59 +0000</pubDate>
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<p>O post <a href="https://marcozero.org/dialogos-ivan-e-samarone/">Ivan Moraes Filho debate o Ocupe Estelita com Samarone Lima</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
				Os dois participaram da passeata do dia cinco de junho de 2015 organizada pelo movimento Ocupe Estelita em repúdio à aprovação-relâmpago, pela Câmara de Vereadores, da lei que instituía o Plano Específico do Cais José Estelita. Seguiram pelo mesmo caminho e, de maneira geral, defendem os mesmos objetivos. Apesar disso, os jornalistas Ivan Moraes Filho e Samarone Lima divergem em relação à condução do movimento. Conheça o que eles pensam sobre o assunto na estreia da seção Diálogos, um espaço reservado para o debate de ideias.
<h1>Afinal de contas, quem são esses estelitas?</h1>
Por Ivan Moraes

Se um centavo surgisse do nada toda vez que alguém pergunta quem são as lideranças do Movimento Ocupe Estelita, já teríamos dinheiro pra comprar o terreno do Cais, arrematado num cabuloso leilão nos idos de 2009.

Pra quem olha de longe e mesmo para algumas pessoas que têm-se inserido recentemente na luta pelo direito à cidade, parece difícil compreender como funciona um grupo em que seus integrantes são tão diversos entre si. A imprensa, então, às vezes fica doidinha (muitas vezes com certa razão).

Como pode ter tanta repercussão uma turma que não tem hierarquia, coordenação, plano estratégico institucional e todos esses paranauês que sempre foram marca de organizações sociais, ONGs, articulações, sindicatos, partidos políticos e essa tuia de sujeitos que historicamente encabeçaram os processos de conquista de direitos no Brasil?

E que, mesmo assim, tem conseguido empacar, por três anos (até agora) os planos milionários de empresas que nunca tinham encontrado obstáculo à sua sanha verticalizadora em nossa cidade?

O que algumas pessoas enxergam como fraqueza é talvez o que mais representa a força desse movimento – e de muitos outros surgidos nesse século e que têm conquistado cada vez mais adeptos no país inteiro (para ficarmos em nosso quintal).

Engana-se quem pensa que se não tem liderança não tem ordem.

<div id="attachment_306" style="width: 1188px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/06/EnockCarvalho3.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-306" class="size-full wp-image-306" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/06/EnockCarvalho3.jpg" alt="Foto: Enock Carvalho/Divulgação" width="1178" height="516" /></a><p id="caption-attachment-306" class="wp-caption-text">Foto: Enock Carvalho/Divulgação</p></div>

Pelamor, não diga que o bicho é feio só porque você não o conhece. Não diga que uma coisa não presta somente porque você não a compreende. Vá pelo cara: você merece esse esforço.

Quem se reúne em volta do #ocupeestelita, se reúne em torno de um consenso: querer uma cidade planejada para o bem de todas as pessoas, construída de forma democrática por essas mesmas pessoas.

Pronto.

Não tem ficha de filiação, não tem carterinha de militante. Não tem catraca na porta. Não tem porta.

Assim, são estelitas os bravos e bravas que acamparam no terreno do Cais para impedir a demolição dos armazéns no ano passado.

Como também é estelita quem participou dos tantos atos públicos convocados pelo movimento.

Os professores que levaram o assunto para suas salas de aula.

Jornalistas que, dentro das redações, procuraram driblar a censura e visibilizar a necessidade de pensarmos o desenvolvimento de forma diferente.

Quem contribuiu para as frequentes “vaquinhas” ou comprou produtos da “lojinha”, únicas fontes de financiamento do movimento.

Profissionais do direito que encaminharam ações na justiça contra o Novo (sic) Recife.

A turma do design, da escrita, da música, do cinema, das artes plásticas e cênicas que dedicou suas habilidades artísticas para ampliar a ressonância do que está acontecendo na cidade.

Quem botou na janela de casa uma bandeira do movimento.

Quem atua nas diversas esferas do poder público e, dentro de suas funções, procura fazer com que a população seja ouvida, que o destino da cidade seja mais de gente e menos de concreto.

Quem optou pela militância partidária, nas mais diversas siglas, quando leva a discussão para o interior de suas legendas e, consequentemente, para os legítimos espaços de representação da sociedade nas casas legislativas.

Quem, por qualquer motivo, não foi às ruas, mas puxou uma conversa franca sobre o tema no trabalho, na mesa de bar, na parada de ônibus ou no almoço da família. Compartilhou posts na internet.

<div id="attachment_304" style="width: 1188px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/06/Marcelo1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-304" class="size-full wp-image-304" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/06/Marcelo1.jpg" alt="Foto: Marcelo Soares/Divulgação" width="1178" height="516" /></a><p id="caption-attachment-304" class="wp-caption-text">Foto: Marcelo Soares/Divulgação</p></div>

É natural que, em alguns momentos, algumas pessoas acabem aparecendo mais que outras. Ou porque estão presente mais vezes em atos do movimento. Ou porque pedem a palavra com mais frequência nas assembleias. Ou porque postam muito nas redes sociais. Ou simplesmente porque alguém precisa dar uma entrevista sobre um processo que acompanhou mais de perto. Chamar essas pessoas de “lideranças” pode servir pra dar uma resposta fácil e simples à sua própria compreensão. Mas eu sugeriria matutar mais um pouquinho.

Também é lógico que há relações de poder. E em poucos grupos se percebe o debate sobre essas relações ganhar tanta reflexão. Algumas conversas são chatas, são desconfortáveis a ponto de em muitos ambientes serem ignoradas, atropeladas. Não nos chamados &#8216;movimentos horizontais&#8217;. Não no MOE, não na Marcha da Maconha nem na das Vadias, só para citar outras duas mobilizações que admiro.

Dizem que pra entender relações de poder a pessoa tem que ler Foucault. Mas eu não tô aqui pra te explicar Foucault. Até porque eu nunca li nada desse cabra.

Sem as tais lideranças, buscando conviver com suas eventuais divergências e com pautas bem definidas, essa rapaziada vai comendo pelas beiradas sem esquecer de, vez em quando, dar uma colherada bem grande no meio do prato.

E se não for, eu xóxi.

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<h2>Notas de uma passeata</h2>
Por Samarone Lima

As notícias sobre o movimento Ocupe Estelita chagam rápidas em minha vida. Minha companheira, a jornalista e bailarina Silvia Góes, desde o começo está envolvida. A cada manobra envolvendo o “Novo Recife” e a Prefeitura, sua indignação aumenta. A minha também.

Mas não sou um militante do Ocupe. Milito no mundo das bibliotecas e acesso da galera menos favorecida aos livros e à leitura. Minha energia vai para essa causa, fora umas palestras em escolas públicas sobre literatura ou sobre a ditadura, tema que pesquiso e escrevo há um bom tempo.

No dia 17 de junho de 2014, quando a Tropa de Choque abusou do spray de pimenta, bala de borracha e gás lacrimogêneo para tirar umas 50 pessoas que ocupavam o espaço, eu estava no bar Princesa Isabel, tomando umas e me preparando para ver Brasil x México, pela finada Copa de 2014. Quando soube das brutalidades, fui ao local com Silvinha e alguns amigos. Deu para ver o resto da violência. Os policiais atiravam bala de borracha até numa turma que estava reunida pacificamente, debaixo de uma árvore, decidindo os rumos do movimento.

<div id="attachment_475" style="width: 1188px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/06/EnockCarvalho2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-475" class="size-full wp-image-475" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/06/EnockCarvalho2.jpg" alt="Enock Carvalho/Divulgação" width="1178" height="516" /></a><p id="caption-attachment-475" class="wp-caption-text">Enock Carvalho/Divulgação</p></div>

A passeata do dia cinco de junho (quase um ano depois), marcada para as 16h, prometia ser uma das maiores, graças à aprovação-relâmpago, pela Câmara de Vereadores, da lei que instituía o Plano Específico do Cais José Estelita. Mesmo estando fora do Recife, o prefeito Geraldo Júlio sancionou imediatamente a lei.

Munido do meu caderninho de anotações, fui à concentração, na Praça 13 de Maio, junto à Câmara de Vereadores. Tentaria captar o clima da manifestação. Quando cheguei, a Câmara já estava fechada. Muitos amigos, conhecidos, professores universitários, artistas. Pela quantidade de gente, dava para perceber que o movimento estava mais robusto.

Na saída, o cruzamento da rua do Príncipe com a Cruz Cabugá foi fechada, deixando na espera dezenas de ônibus que vinham da rua do Príncipe, rumo ao cento da cidade. Policiais acompanhavam tudo, e alguns motoqueiros tentaram furtar o bloqueio, mas nada de grave aconteceu.

Lentamente, a passeata foi seguindo em direção à rua do Hospício. Ao passar defronte à antiga Escola de Engenharia, lembrei que foi ali que aconteceu a grande mobilização dos estudantes, quando a notícia do Golpe Militar já era uma realidade. Da Escola saiu a única e corajosa passeata desarmada, pela avenida Conde da Boa Vista até o Palácio do Campo das Princesas, onde foi detida a tiros. Dois jovens morreram, naquele fatídico 1º de abril de 1964: Ivan Rocha Aguiar e Jonas Albuquerque de Barros. Não esqueçamos os nomes.

Novo bloqueio na Conde da Boa Vista. Olhei o carro de som que alugado para divulgar as propostas do Movimento e explicar o que era aquele ato. Era um desses carros típicos de manifestações, geralmente uma Veraneio ou Kombi, mas com um detalhe – o som era péssimo, quase inaudível, a não ser que você ficasse bem próximo dele. Não dava para entender quase nada do que as pessoas diziam. Quem estava nos ônibus, num calor infernal, só chegava um alarido esquisito.

<div id="attachment_476" style="width: 1188px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/06/EnockCarvalho5.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-476" class="size-full wp-image-476" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/06/EnockCarvalho5.jpg" alt="Enock Carvalho/Divulgação" width="1178" height="516" /></a><p id="caption-attachment-476" class="wp-caption-text">Enock Carvalho/Divulgação</p></div>

Já estava escuro, quando a passeata, movida por uma espécie instinto coletivo, se movimentou novamente, parando no cruzamento da rua da Aurora com rua do Sol. A ponte Duarte Coelho foi totalmente ocupada.
Como não havia qualquer orientação, as paradas eram longas. Algumas palavras de ordem, o discurso no carro de som que ninguém entendia bem, e a expectativa pelo recomeço da caminhada davam o tom.

Tudo o que eu sabia era que seguiríamos até o Cais José Estelita. Como gosto de correr de manhã, sabia que o percurso daria cerca de 3,5 km. Mas a previsão era demorar muito.

Ao passar defronte aos prédios conhecidos no Recife como as “Torres Gêmeas” (dois prédios com mais de 140 metros de altura), construídas no perímetro do entorno de uma área histórica tombada a nível federal, uma parte do grupo atravessou a rua e passou a dar vaias ostensivas nos prédios. Eu nunca tinha presenciado uma “vaia ao concreto”.

Alguém pegou o microfone, fez um pequeno discurso e avisou:

&#8211; “A gente quer que essas torres caiam”.
Achei esquisito, desejar uma tragédia, mas tudo bem, coisa de passeata.

Como havia uma enorme “escolta” policial, surgiu a frase conhecida, em direção aos PMs:
&#8211; “Você aí fardado, também é explorado!”

E depois:

&#8211; “Não acabou/Vai acabar/A Polícia Militar”.

Depois, a PM também foi chamada de “Cachorrinho de Gê-Ju”, numa referência ao prefeito, Geraldo Júlio.
Assembléia – Já eram 19h30, quando a passeata finalmente chegou ao Cais José Estelita. Eu, sinceramente, já estava achando aquilo arrastado, demorado, cansativo. Eu também sentia falta de gente que falasse algo em torno do Movimento, os desafios, os próximos passos.

Muita gente sentou no meio da avenida (já que o trânsito havia sido fechado previamente, nos dois sentidos). Como se imaginava, a Tropa de Choque já estava posicionada na parte principal.

Depois de mais uma espera, um jovem tratou de puxar um discurso bem ao estilo dos anos 1970. Disse que iria falar algumas coisas, e que as pessoas deveriam repetir, para as que estivessem atrás, pudessem também ouvir. Nesta hora, o carro de som foi esquecido – ou estava quebrado, ou era mais original ser na base do grito, não sei.

Ele: “Gente, nossos objetivos&#8230;”

Multidão: “Gente, nossos objetivos&#8230;”

Ele: “Foram plenamente alcançados&#8230;”

Multidão: “Foram plenamente alcançados&#8230;”

Ele: “Agora, temos que pensar&#8230;”

Multidão: “Agora, temos que pensar&#8230;”

Como era no improviso, às vezes era engraçado, porque ele não encontrava a palavra adequada.

Essencialmente, era um resumo da passeata e uma preparação para novos atos. Uma das frases finais chamava a atenção, porque o rapaz dizia que a luta continuaria, até que conseguissem “derrubar este prefeito”.
Fiquei na dúvida se era uma opinião pessoal ou do Movimento. Espero que tenha sido apenas um rompante do jovem, já que o prefeito foi eleito democraticamente.

Ao final do discurso, uma discussão final. A multidão decidiria se a passata iria “para cá ou para lá”.
“Para cá” era voltar para o centro do Recife, pelo mesmo trajeto da vinda. “Para lá”, era seguir em frente, para a Zona Sul da cidade.

Venceu a proposta de seguir rumo a Boa Viagem. Alguém ao meu lado sugeriu que “Ocupasse o RioMar”, luxuoso shopping-center, a dois quilômetros dali. A multidão se moveu novamente. Tudo que eu queria, àquela altura, era ir para um bar, sentar e tomar uma cerveja geladíssima.

Já eram 20h36, quando houve uma natural dispersão. O trânsito estava em blecaute completo, em vários sentidos. Eu, minha companheira e dois amigos seguimos a pé, pelo viaduto João Paulo II, que vai dar na avenida Agamenom Magalhães. Do nosso lado, nem sombra qualquer tipo de veículo. Dou outro, que iria para a Zona Sul, uma fila de carros na contramão, tentando voltar. A cidade estava vivendo seu caos do transito. A caminhada de volta, calculei, seria longa.

Num lance de sorte, quase um milagre, uma Van passou pelo nosso grupo e parou. “Vamos com a gente”, falou Jônatas Campos, jornalista amigo, que também participara da manifestação. Não sei onde ele conseguiu aquele transporte.

Fomos para o bar de um amigo, onde tinha algumas pessoas do movimento, que também tinham acabado de chegar da manifestação. O clima era de animação com o crescimento das ações e os apoios. Eu discordei de várias coisas. Discuti sobre a falta de organização da passeata, a indefinição de um roteiro mínimo, a péssima qualidade do carro de som, a quantidade de horas de uma manifestação, o “anonimato” das lideranças (pelo menos na passeata), para um Movimento que, literalmente, parou a cidade &#8211; e vem lutando arduamente para conseguir frear a máquina midiática da Prefeitura. Discuti com Ivanzinho, velho amigo de muitas outras causas, e com outras pessoas do Ocupe.

Recebi várias explicações sobre a “horizontalidade do movimento”, a “ausência de coordenação” e outras definições que me pareceram bem modernas, mas com alguns impasses e contradições, que esbarram na vida real. Tenho muitas dúvidas se as milhares de pessoas que estavam em ônibus lotados, voltando para casa, pelo menos imaginavam o que estava acontecendo. Discordei tanto, que teve uma hora que cansei de falar.

Ao final de tudo, senti o óbvio &#8211; estou ficando é velho mesmo.		<p>O post <a href="https://marcozero.org/dialogos-ivan-e-samarone/">Ivan Moraes Filho debate o Ocupe Estelita com Samarone Lima</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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