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	<title>Arquivos desinformação - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos desinformação - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Mentiras e desinformação ameaçam matar o Tatu-bola</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 May 2024 18:53:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[desinformação]]></category>
		<category><![CDATA[fake news]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Semiárido]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Felipe Melo* Pernambuco tem uma das maiores áreas protegidas da Caatinga, você sabia? Localizada nos município de Petrolina, Lagoa Grande e Santa Maria da Boa Vista, o Refúgio de Vida Silvestre Tatu-Bola abrange uma área de mais de 110 mil hectares com um trecho de Caatinga bem preservado e habitado tatu que inspirou o [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Felipe Melo*</strong></p>



<p>Pernambuco tem uma das maiores áreas protegidas da Caatinga, você sabia? Localizada nos município de Petrolina, Lagoa Grande e Santa Maria da Boa Vista, o<a href="https://www2.cprh.pe.gov.br/uc/rvs-tatu-bola/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Refúgio de Vida Silvestre Tatu-Bola</a> abrange uma área de mais de 110 mil hectares com um trecho de Caatinga bem preservado e habitado tatu que inspirou o Fuleco, nome do mascote da Copa do Mundo de 2014. É nesse espaço também que várias populações tradicionais humanas como quilombolas e outros pequenos agricultores vivem há séculos, manejando a Caatinga com suas suas roças e bodes. Seres humanos e Caatinga vivem juntos nessa região, por isso o RVS Tatu-Bola foi criado para garantir que essa convivência continuasse indefinidamente. </p>



<p>A criação do RVS Tatu-Bola foi uma demanda induzida em 2014 pela escolha da espécie de tatu endêmico da Caatinga como mascote da Copa do Mundo da FIFA em 2014. Muito dinheiro rolando no maior evento esportivo do mundo e nenhum centavo estava previsto para proteger a espécie que serviu de inspiração para os criadores do mascote da competição. Então um grupo de pesquisadores lançou o desafio ao governo brasileiro e à FIFA: proteger o <em>Tolypeutes tricinctus, </em>o tatu-bola-da-caatinga. Após meses de mobilização, abaixo assinados e repercussão mundial, a campanha para criar uma área protegida dedicada a salvaguardar a espécie e seu sistema socioecológico, foi finalmente reconhecida pelo governo de Pernambuco.</p>



<p>Fizemos um vídeo contando essa história:</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="O gol do Tatu-bola (The armadillo&#039;s goal)" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/rQHAgyrXims?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>Acontece que nos últimos meses, audiências públicas conduzidas reuniram um impressionante número de agricultores locais, todos favoráveis à revogação do Refúgio de Vida Silvestre Tatu-Bola (RVS Tatu-Bola). Uma busca rápida na internet devolve notícias alarmantes que mencionam desapropriações forçadas de terra e falência de agricultores, culminando com a criação de uma associação de afetados pelo RVS Tatu-Bola. Sobram queixas sobre os impactos da criação da unidade de conservação e sobram, ainda mais, desinformação e mentiras. Entre tantas, a mais cruel é que a existência do RVS Tatu-Bola implica em <a href="https://ricardobanana.com.br/direto-de-lagoa-grande-agricultores-nativos-ameacados-pela-reserva-do-tatu-bola-criam-associacao-para-defesa-suas-terras/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">desapropriações forçadas de terra</a>. Isso criou um pânico generalizado entre os moradores da região que, influenciados pela mentira, temem serem expulsos de suas terras. É preciso definitivamente afastar os fantasmas da sala para se ter uma conversa séria sobre o RVS Tatu-Bola.</p>



<p>Acontece que, legalmente, a categoria de ‘refúgio de vida silvestre’ não exige desapropriação, muito menos forçada. A desapropriação só é prevista nos casos onde não houver condições de conciliação entre proprietário privado e órgão gestor ambiental. Aliás, essa categoria foi escolhida por justamente permitir a produção sustentável na área regulada por um plano de manejo. <a href="https://legis.alepe.pe.gov.br/texto.aspx?tiponorma=1&amp;numero=13787&amp;complemento=0&amp;ano=2009&amp;tipo=&amp;url=" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Esta condição está escrita no SEUC (Sistema Estadual de Unidades de Conservação)</a>, lei estadual que rege a criação e gestão de UCs estaduais.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Veja o que diz a lei 13787 de 8 de junho de 2009:</span>

		<p>“Art. 13. O Refúgio de Vida Silvestre – RVS tem como objetivo proteger ambientes naturais onde se asseguram condições para a existência ou reprodução de espécies ou comunidades da flora local e da fauna residente ou migratória.</p>
<p>§ 1º O Refúgio de Vida Silvestre pode ser constituído por áreas particulares desde que seja possível compatibilizar os objetivos da unidade com a utilização da terra e dos recursos naturais do local pelos proprietários.</p>
<p>§ 2º Para viabilizar a gestão da unidade poderá ser estabelecida parceria entre o órgão gestor e o proprietário da terra.</p>
<p>§ 3º Havendo incompatibilidade entre os objetivos da área e as atividades privadas ou não havendo aquiescência do proprietário às condições propostas pelo órgão gestor da unidade para a coexistência do Refúgio de Vida Silvestre com o uso da propriedade, a área deve ser desapropriada na forma da lei vigente.</p>
<p>§ 4º A visitação pública está sujeita às normas e restrições estabelecidas no Plano de Manejo da unidade, às normas estabelecidas pelo órgão gestor, e àquelas previstas em regulamento.”</p>
	</div>



<p>Então, chegamos ao ponto chave do problema, que não é a área protegida em si, mas a ausência de seu documento mais importante para existir de fato para aléḿ do decreto de criação. O plano de manejo é um estudo de responsabilidade do órgão ambiental do estado, no caso a CPRH, que tem “esquecido” dele por quase 10 anos depois da criação da área. Este documento necessário, seria suficiente para resolver o conflito entre agricultores e o RVS Tatu-Bola. Explico: atualmente dizemos que um plano de manejo é construído em conjunto com os atores afetados e sua construção, por ser participativa, também passa por aprovação da população local em audiências. </p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Aspas novamente para a lei do SEUC, no seu artigo 33:</span>

		<p>“Art. 33. Todas as unidades de conservação devem dispor de um Plano de Manejo, que abrangerá:</p>
<p>I &#8211; área da unidade de conservação;</p>
<p>II &#8211; zona de amortecimento;</p>
<p>III &#8211; corredores ecológicos.</p>
<p>§ 1º O Plano de Manejo deverá contemplar medidas para promover a integração econômica e social das comunidades vizinhas à unidade conservação.</p>
<p>§ 2º Na elaboração, atualização e implementação do Plano de Manejo será assegurada a ampla participação da população local e da sociedade civil.</p>
<p>§ 3º O Plano de Manejo de uma unidade de conservação deve ser elaborado no prazo de até 05 (cinco) anos a partir da data de sua criação.</p>
<p>§ 4º O Plano de Manejo da Reserva de Desenvolvimento Sustentável e da Reserva Extrativista deverá ser submetido à aprovação do respectivo Conselho Deliberativo.</p>
	</div>



<p>Está cristalino que o plano de manejo do RVS Tatu-Bola deveria ser suficiente para regulamentar as práticas agropecuárias sustentáveis no local, assegurando tanto interesses ambientais quanto socioeconômicos da população local. Tem mais: outro instrumento valiosíssimo para a gestão da área é a formação de um conselho gestor. Novamente o SEUC prevê no seu artigo 35 prevê a criação deste instrumento de cogestão com participação dos proprietários de terra. Tudo isso feito, teríamos uma área conservada, sob gestão compartilhada com comunidades empoderadas e com potencial para ser um modelo nacional. Mas o Governo de Pernambuco parece ter um prazer sádico em assistir ao desespero dos agricultores e de ambientalistas ao mesmo tempo. </p>



<p>É verdade que o processo de criação do RVS Tatu-Bola foi rápido, mas seguiu todo o rito legal e muito rigor científico, sendo aprovado em diversas instâncias, desde audiências locais até órgãos colegiados como o Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema). Mas, não podemos fechar os olhos ao passado excludente das políticas de criação de áreas protegidas no Brasil e reconhecer que os modelos de conservação praticados historicamente geraram muitos prejuízos para populações locais menos favorecidas. Mas o SEUC mostra que aprendemos, e que os modelos foram aperfeiçoados e hoje se prevêem consultas, co-construção e co-gestão e amplo debate.</p>



<p>No caso do RVS Tatu-Bola, não foi a criação da área protegida, mas a desinformação, as <em>fake news</em> e a inação do estado de Pernambuco que causaram os prejuízos. No perfil do Instagram <a href="https://www.instagram.com/revogatatubola?igsh=Mjc0ejlvY2t0MTlx" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@revogatatubola</a> há uma publicação mostrando que a população não é contra a conservação da Caatinga e do ex-mascote da copa de 2014, mas está desesperada e temerosa pela existência da área protegida. Algo para eles está errado, pois não lhes foi entregue o prometido: uma área protegida onde sua vida poderia prosperar de maneira sustentável. Algo está errado para nós da área ambiental, que dedicamos um grande esforço para fornecer todos os estudos para a criação do RVS Tatu-Bola. Todos queríamos gente e Caatinga vivendo juntos, como sempre foi. </p>



<p>O Governo de Pernambuco ao longo de diferentes gestões preferiu deixar o pânico, a desinformação e o conflito prosperarem. Ou, simplesmente investir recursos em estratégias igualmente necessárias mas de maior apelo público como dedicar R$ 16 milhões para projetos de restauração da Caatinga. A ironia é dedicar esforços para recuperar enquanto não se protege o que está conservado. É como preferir tomar antibióticos para uma amigdalite enquanto deixamos uma cirrose avançar sem controle, consciente de tudo. Aliás, o que pensa a vice-governadora Priscilla Krause? O que pensará seu pai, um ex-ministro do meio-ambiente (1996-1999)? Todos vão assistir solenemente a morte do RVS Tatu-Bola ou vai agir para resolver o conflito sem prejudicar os agricultores e sem acabar com o RVS Tatu-Bola? </p>



<p>Já passou da hora desse falso dilema entre conservação e desenvolvimento ser resolvido. Povos da Caatinga são do mesmo time dos ambientalistas que insistem em defender o RVS Tatu-Bola. Que fique claro, não existe Caatinga sem caatingueiro. Alguém está ganhando com esse pânico e a divisão que ele gera e não são nem a Caatinga e muito menos os camponeses locais.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*Ecólogo, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Nottingham Trent University (Inglaterra).</strong></p>
    </div>
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		<title>Família Bolsonaro provocou 801 ataques à imprensa no Twitter, constata pesquisa da Abraji</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Jul 2022 20:41:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[desinformação]]></category>
		<category><![CDATA[Eduardo Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[fake news]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[jair bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[mentiras de Bolsonaro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em um ano e quatro meses, Jair Bolsonaro e seus filhos Flávio Bolsonaro (PP-RJ), Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Carlos Bolsonaro (Republicanos &#8211; RJ), incitaram ataques à imprensa 801 vezes por meio de publicações e interações no Twitter. O dado foi divulgado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) que, entre 1º de janeiro de 2021 [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em um ano e quatro meses, Jair Bolsonaro e seus filhos Flávio Bolsonaro (PP-RJ), Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Carlos Bolsonaro (Republicanos &#8211; RJ), incitaram ataques à imprensa 801 vezes por meio de publicações e interações no Twitter. O dado foi divulgado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) que, entre 1º de janeiro de 2021 e 5 de maio de 2022, analisou 14.918 tweets e retweets feitos pelo presidente da república e seus filhos com cargos eletivos.</p>



<p>Dados dos <a href="https://abraji.org.br/publicacoes/relatorio-monitoramento-de-ataques-a-jornalistas-no-brasil" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>monitoramentos de ataques</strong></a> e <a href="https://abraji.org.br/publicacoes/relatorio-violencia-de-genero-contra-jornalistas" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>violência de gênero contra jornalistas</strong></a> da Abraji demonstram que, nos últimos dois anos, o clã Bolsonaro, seguidos por aliados e apoiadores do governo, lideram como principais autores de ataques contra profissionais ou veículos da imprensa. O vereador Carlos Bolsonaro foi o integrante da família que mais atacou veículos de comunicação e jornalistas com 351 publicações, respostas e compartilhamentos de assuntos hostis no Twitter. Em seguida, estão o deputado federal Eduardo Bolsonaro, com 340 ataques e conteúdos ofensivos, e o senador Flávio Bolsonaro, com 76. Já o presidente Jair Bolsonaro somou 34 postagens e repostagens sobre a imprensa, com conteúdos que afirmaram uma postura agressiva contra a mídia e aos comunicadores.</p>



<p>Em relação ao conteúdo das postagens sobre a mídia feitas por membros da família Bolsonaro, ataques, críticas e tentativas de descredibilização da imprensa foram maioria e chegaram a ser mencionados em 73% dos tweets do presidente e seus filhos. Os discursos estigmatizantes proferidos por autoridades e as campanhas sistemáticas de intimidação a jornalistas despontam como os principais tipos de agressão contra a imprensa, chegando a 74,6% dos casos registrados em 2021 e 64,5% dos episódios identificados entre janeiro de 2022 até o momento.</p>



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	                                        <p class="m-0">Print de publicação do Twitter do presidente Jair Bolsonaro</p>
	                
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	                                        <p class="m-0">Print de uma publicação do Twitter de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) </p>
	                
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                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Uma rede formada por políticos e influenciadores</strong></h2>



<p>Os dados coletados pela Abraji evidenciam o potencial das redes sociais como ferramentas de ataques contra jornalistas e membros da imprensa, uma vez que 62,5% dos alertas realizados por profissionais de comunicação em 2021 e 60,1% em 2022 tiveram origem ou repercussão na internet. As informações revelam um padrão de violência contra a imprensa que cresce no ambiente online: atores políticos iniciam a hostilização e seus seguidores a amplificam. Com isso, uma rede de ataques é formada e espalhada de forma articulada.</p>



<p>A exemplo disso estão os casos das jornalistas Míriam Leitão e Vanessa Lippelt. Em abril de 2022, Eduardo Bolsonaro fez uma publicação no Twitter debochando da prisão e da tortura sofridas por Míriam Leitão no período da ditadura militar no Brasil, a agressão ecoou e a jornalista foi vítima de diversos ataques na internet. Já a editora do site Congresso em Foco, Vanessa Lippelt, passou a sofrer ataques e ameaças de violência &#8211; inclusive de estupro &#8211; após a <a href="https://www.abraji.org.br/abraji-repudia-ameacas-de-morte-a-jornalista-de-brasilia?utm_source=newsletter&amp;utm_medium=email&amp;utm_campaign=associados-abraji" target="_blank" rel="noreferrer noopener">publicação de um matéria que revelava a mobilização de um fórum anônimo para produzir conteúdo com desinformações em favor do presidente.</a></p>



<p>A análise dos tweets da família Bolsonaro sobre a imprensa revelou uma rede de conexões entre contas que são frequentemente respondidas e retweetadas pelo quatro políticos em seus ataques. Essa rede é majoritariamente formada por figuras políticas conhecidas nacionalmente e influenciadores que possuem milhares de seguidores no Twitter.</p>



<p>Um gráfico feito pela Abraji mostra as conexões entre os perfis da família Bolsonaro e contas no Twitter que receberam interações em ataques contra a imprensa.</p>



<figure class="wp-block-embed aligncenter is-type-wp-embed is-provider-flourish wp-block-embed-flourish wp-embed-aspect-1-1 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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</div></figure>



<p>O vereador Carlos Bolsonaro interage frequentemente com as contas de Elisa Brom (@brom_elisa), que tem 125,3 mil seguidores na plataforma; Iara BG (@iaragb), com 74 mil seguidores; e Sarita Coelho (@saritacoelho), com 74,5 mil seguidores. Carlos também divide ataques com o influenciador Kim Paim (@kimpaim), que possui 678,2 mil seguidores no Twitter e 629 mil inscritos no YouTube, e com atores políticos como o ex-secretário especial de Cultura, Mário Frias (@mfriasoficial), o chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, General Heleno (@gen_heleno), o ex-secretário nacional de Incentivo e Fomento à Cultura, André Porciúncula (@andreporci), o comentarista político Rodrigo Constantino (@RConstantino) e o pastor Marco Feliciano (@marcofeliciano).</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Print de publicações do Twitter do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos &#8211; RJ) </p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>O deputado federal Eduardo Bolsonaro retweetou com frequência seus próprios conteúdos e, assim como o irmão, interagiu com Elisa Brom, André Porciuncula, General Heleno, Kim Paim e Rodrigo Constantino. Já o senador Flávio Bolsonaro deu visibilidade aos tweets de perfis da própria família, compartilhando com frequência conteúdos de Carlos e Jair Bolsonaro, e também de contas influentes na plataforma, como TeAtualizei (@taoquei1), com 1,1 milhões de seguidores, e do ministro das Comunicações, Fabio Faria (@fabiofaria), com 495,7 mil seguidores.</p>



<p>Entre os ataques à imprensa feitos pelo presidente Jair Bolsonaro, 5,9 são retweets e 50% são respostas &#8211; todas à própria conta. Bolsonaro só compartilhou publicações do filho Carlos e do comandante da Força Aérea Brasileira, Brigadeiro Baptista Jr (@CBaptistaJr).</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Publicação de Jair Bolsonaro no Twitter em abril de 2021. Crédito: reprodução / Twitter</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p></p>



<p><em><strong>Esta reportagem foi produzida com apoio do <a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do <a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project.</a></strong></em></p>



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		<title>Comissão de Saúde da Alepe promove audiência pública antivacina e YouTube retira vídeo do ar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Dec 2021 18:11:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[alepe]]></category>
		<category><![CDATA[Clarissa Tércio]]></category>
		<category><![CDATA[covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[desinformação]]></category>
		<category><![CDATA[fake news]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na semana passada a Comissão de Saúde e Assistência Social da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) promoveu uma audiência pública contra as vacinas. Isso mesmo: em um estado em que mais de 20 mil pessoas já morreram de covid-19 e em que o percentual de vacinados é de 63,22%, abaixo da média nacional de 66,1%, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Na semana passada a Comissão de Saúde e Assistência Social da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) promoveu uma audiência pública contra as vacinas. Isso mesmo: em um estado em que mais de 20 mil pessoas já morreram de covid-19 e em que o percentual de vacinados é de 63,22%, abaixo da média nacional de 66,1%, dinheiro público e o trabalho de servidores públicos foram usados para uma audiência que contou com a participação de dez negacionistas e o relato de uma mulher que se apresenta como &#8220;mãe de uma vítima da vacina&#8221;.<br><br>Por mais de três horas, na quinta-feira, 9 de dezembro, os &#8220;especialistas&#8221; que palestraram na audiência presidida pela deputada Clarissa Tércio (PSC) desfilaram um rosário de mentiras, delírios e pseudociência. Seria necessário não uma reportagem, mas um veículo de notícias para desmentir todas as abobrinhas levadas ao público. Só um exemplo: a vacina vai deixar os soldados brasileiros das Forças Armadas inválidos, acabando com a soberania nacional e fazendo com que o Brasil seja invadido por forças comunistas.<br><br>Como a maioria do conteúdo foi desinformação amplamente compartilhadas no WhatsApp e outros aplicativos e sites, já foram em boa parte desmentidas pelos sites de checagem. Aqui, você confere quase todas elas, desmentidas pelo <a href="https://projetocomprova.com.br/?filter=saude">Projeto Comprova</a>, <a href="https://www.aosfatos.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Aos Fatos</a>, <a href="https://www.boatos.org/tag/coronavirus" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Boatos.org</a> e <a href="https://g1.globo.com/fato-ou-fake/coronavirus/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">G1</a>.<br><br>Apesar de ter sido presidida pela deputada Clarissa Tércio, notória negacionista da pandemia e apoiadora do presidente Jair Bolsonaro, não se tratou de uma audiência do mandato dela. Por unanimidade, os deputados que fazem parte da Comissão de Saúde e Assistência Social da Alepe aprovaram a realização da audiência, sabendo que seria um espaço para a divulgação de discurso antivacinas.<br><br>A Comissão de Saúde e Assistência Social é presidida pela deputada Roberta Arraes (PP) e conta com o líder do governo Isaltino Nascimento (PSB) na vice-presidência, além de Simone Santana (PSB), Cleiton Collins (PP) e a própria Clarissa Tércio. Na suplência, completam a comissão João Paulo (PCdoB), Laura Gomes (PSB), Alessandra Vieira (PSDB), Antônio Fernando (PSC), e Fabíola Cabral (PP).<br><br>Como isso aconteceu? O vice-presidente da Comissão, o deputado Isaltino Nascimento, afirma que foi uma decisão política dar o aval da Comissão de Saúde para a reunião antivax. &#8220;Não impedimos [a audiência] para ela [Clarissa] não vir com o discurso de ser contra uma audiência pública, entendeu? de ser censor, de censurar, né? Foram vários aspectos analisados e preferimos deixar o show particular dela, mas foi pensado politicamente&#8221;, afirmou, em entrevista à Marco Zero.<br><br>Ao mesmo tempo, Isaltino também afirma que foi estratégica a não participação na audiência da grande maioria dos integrantes da Comissão de Saúde. &#8220;A gente deixou ela ficar sozinha jogando com a plateia dela. Se participasse a gente iria colocar azeitona na empada dela. Então a gente fez a opção política, a maioria de esquerda preferiu deixar ela lá. Se qualquer um de nós fosse participar, a gente ia estar dando fôlego pra ela. Praticamente foi pra bolha dela, né? Foi tático não participar&#8221;, afirmou.<br><br>Mas não foi bem assim que aconteceu. Também integrante da Comissão, o deputado João Paulo (PCdoB) foi o único com juízo a entrar na audiência. Virou um alvo fácil de xingamentos nos comentários e dos palestrantes e foi destratado pela própria Clarissa Tércio. &#8220;Ela não queria me dar a palavra, dizendo que eu não havia sido convidado. Não só como integrante da comissão de saúde, mas como deputado, tenho direito à palavra nas audiências públicas&#8221;, disse, em entrevista à MZ.<br><br>A rápida participação de João Paulo serviu para dar face a um inimigo ali dentro daquela audiência e ajudou Clarissa Tércio a vender o discurso de censura e perseguição. Por diversas vezes ao longo da transmissão, ela citou que o YouTube iria tirar a audiência do ar e que havia protestos na Alepe contra a audiência. O deputado João Paulo ainda tentou entrar ao fim da reunião virtual, mas foi barrado pela deputada, segundo relatou a Marco Zero.<br><br>O deputado também enfatizou que a aprovação da comissão de Saúde à audiência pública foi para &#8220;ter um contraponto&#8221; e Clarissa Tércio não usar o discurso de perseguição. Como se vê, não adiantou. Além de propagar mentiras para milhares de pessoas que acompanharam a audiência, com a chancela da Alepe, ela conseguiu furar (além de ampliar) a bolha: houve matérias sobre a audiência na TV Alepe e no site. João Paulo afirmou que pretende convocar uma nova audiência pública para desmentir tudo que se passou nessa outra.<br><br>O deputado Alberto Feitosa foi outro deputado que participou da audiência, mas como apoiador da causa. Com uma cruz no peito onde se lia &#8220;não vacinado&#8221;, o ex-secretário de turismo da gestão de Geraldo Júlio (PSB) no Recife, apoiou discursos em que se comparava o holocausto dos judeus no 2º Guerra Mundial ao passaporte da vacina contra a covid-19.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Desinformação não pode ter o aval das instituições</h2>



<p>O discurso usado pelos deputados pró-vacinas para votar a favor da audiência pública dos antivacinas não encontra espaço no debate público sobre desinformação. Ao falar em contraponto, os deputados estabelecem que há uma oposição justa. Não é o caso. Enquanto cientistas trabalham com pesquisas, incertezas e fatos, os negacionistas usam de falácias, verdades absolutas e distorções.<br><br>&#8220;Não, não há simetria alguma&#8221;, reclama o cientista e professor Jones Albuquerque, da Academia Pernambucana de Ciências (APC), pesquisador do Laboratório de Imunopatologia Keizo Asami (LIKA-UFPE) e à frente do Instituto para Redução de Riscos e Desastres (IRRD-PE). &#8220;Eu vejo [a audiência pública contra vacinas] como um absoluto desserviço ao bem-estar da população e da sociedade que os deputados, supostamente, deveriam representar e zelar pela saúde de todos&#8221;, diz. &#8220;A (revista) The Economist publicou um cenário mundial de países em combate a Ômicron. E o Brasil só está onde está (em terceiro lugar entre os países com maior proteção) por causa exatamente da vacina&#8221;, afirma.<br><br>Antes da pandemia, ainda em 2019, o cientista irlandês David Robert Grimes, demonstrava profunda preocupação com esse falso &#8220;outro lado&#8221;. No artigo <a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6680130/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Um ato de equilíbrio perigoso</a>, publicado na <em>EMBO Reports</em>, ele alertava que o falso equilíbrio é perigoso porque amplifica e dá credibilidade à desinformação e mentiras. &#8220;Se uma posição é apoiada por uma abundância de evidências enquanto outra está totalmente desprovida disso, é profundamente errado oferecer cobertura e tempo de transmissão iguais para ambas as posições”, escreveu.</p>



<h3 class="wp-block-heading">YouTube retira vídeo do ar</h3>



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	                                        <p class="m-0">Print do YouTube</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>Não era para menos. Ao contar com uma galáxia de negacionistas e divulgação farta e irrestrita das mais paranoicas mentiras sobre vacinas e covid-9, era esperado que o YouTube retirasse o vídeo do ar. O que realmente aconteceu dois dias após a audiência. Enquanto a Marco Zero acompanhou ao vivo a audiência, em nenhum momento havia menos de 650 pessoas online.<br><br>Hoje, quem tenta <a href="https://www.youtube.com/watch?v=FRgfL1XsEjY&amp;feature=youtu.be">acessar o link da audiência pública </a>se depara com a mensagem padrão: &#8220;Este vídeo foi removido por violar as diretrizes da comunidade do YouTube&#8221;.<br><br>O mandato de Clarissa Tércio afirma que foram 12 mil visualizações no total e que foi o vídeo mais visto do canal da Alepe. Não custa repetir: serviço público usado para espalhar mentiras para milhares de pessoas com o aval da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Pernambuco.<br><br>Na última reunião da Comissão de Saúde do ano, nesta terça-feira (14), participaram apenas a presidente Roberta Arraes, o vice-presidente Isaltino Nascimento e a deputada Simone Santana. Nada se falou diretamente sobre a audiência antivacinas. Mas, ao final, a deputada Roberta Arraes, agradeceu o trabalho do secretário estadual de saúde André Longo e o comitê científico contra a covid-19. &#8220;Quero pedir que as que as pessoas continuem com o sentimento da vacinação . Não acredito na falsa ideologia de não se vacinar. Precisamos sim levantar a bandeira da imunização. Isso é importantíssimo. E não esquecer também das máscaras&#8221;, afirmou. </p>



<p>A Marco Zero entrou em contato com a assessoria de comunicação da Alepe para saber a razão oficial da realização da audiência pública contra vacinas, além de perguntar sobre a retirada do vídeo do YouTube e a realização de uma nova audiência pública sobre vacinas. Até a publicação dessa matéria, não obtivemos respostas. </p>



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		<title>Governo Federal faz propaganda usando política criada por Temer em campus da UFPE construído por Lula</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 Oct 2021 20:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Caruaru]]></category>
		<category><![CDATA[desinformação]]></category>
		<category><![CDATA[fake news]]></category>
		<category><![CDATA[Internet]]></category>
		<category><![CDATA[mentira]]></category>
		<category><![CDATA[nordeste conectado]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É uma vinheta de apenas 15 segundos. &#8220;Não te contaram, mas o Governo Federal faz muito para melhorar a vida do nosso Nordeste&#8221;, começa a propaganda que faz parte de uma série de vinhetas para marcar os 1000 dias de Bolsonaro como presidente. O comercial segue mostrando imagens do Centro Acadêmico do Agreste (CAA) da [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>É uma vinheta de apenas 15 segundos. &#8220;Não te contaram, mas o Governo Federal faz muito para melhorar a vida do nosso Nordeste&#8221;, começa a propaganda que faz parte de uma série de vinhetas para marcar os 1000 dias de Bolsonaro como presidente. O comercial segue mostrando imagens do Centro Acadêmico do Agreste (CAA) da Universidade Federal de Pernambuco, em Caruaru. E aparece um professor de libras, identificado apenas como Cleyton, que faz elogios a um programa chamado Nordeste Conectado, no qual, diz a legenda do comercial, foram investidos R$ 55 milhões. &#8220;A vinda dessa internet para cá foi maravilhosa! (…) uma internet de qualidade traz uma verdadeira inclusão de qualidade&#8221;.<br><br>A propaganda de Bolsonaro causou espanto em alunos e funcionários do CAA: tudo que aparece nela é irreal.<br><br>O campus da UFPE em Caruaru foi inaugurado em 2006, dentro do programa de interiorização do ensino superior do Governo Lula. Já o programa Nordeste Conectado é cria do governo Temer e tinha como premissa levar internet de fibra ótica para universidades e escolas tendo como suporte as linhas de transmissão da Chesf. A operação do programa ficaria a cargo da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). O programa foi apresentado em junho de 2017, pelo então ministro da Educação, Mendonça Filho, no Porto Digital.<br><br>No relatório de gestão da RNP ainda do ano 2018 consta o campus Caruaru da UFPE como uma das instituições atendidas com o dobro de banda de internet, mas não cita o uso de fibra ótica. Em nota, a UFPE afirmou à Marco Zero que o &#8220;CAA não é beneficiário do programa Nordeste Conectado&#8221;. <br><br>A Marco Zero falou com diversos alunos e professores sobre a qualidade da internet no campus. A resposta foi unânime: não é uma boa internet. Um caso marcante aconteceu na semana passada, quando a propaganda do Nordeste Conectado já circulava nos perfis oficiais e nos sites do Governo Federal.<br><br>Para a abertura da Olimpíadas de Matemática dos Institutos Federais, o grupo de estudos Ayá Sankofa havia preparado um teatro de mamulengos, com transmissão ao vivo. Tentaram inicialmente a rede geral do campus, a <em>eduroam</em>, que não pegou. Em seguida, usaram a internet do laboratório de matemática. &#8220;Travou por várias vezes e não foi possível terminar a apresentação como queríamos. A sorte foi que o vídeo ficou salvo&#8221;, conta um aluno da graduação de matemática que participou do projeto. </p>



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	                                        <p class="m-0">O campus de Caruaru foi inaugurado no Governo Lula e não tem programa criado por Temer. Crédito: Reprodução UFPE</p>
	                
                                    </figcaption>
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<h2 class="wp-block-heading">Militante bolsonarista e dublê de professor</h2>



<p>A Marco Zero apurou que o homem que aparece na propaganda apenas como &#8220;Cleyton&#8221; é Cleyton Bueno Silva Costa, que concluiu a graduação em matemática, no mesmo centro em que ocorreu o caso relatado acima. Hoje, ele faz pós-graduação também em Caruaru. Em nota, a UFPE confirmou que Cleyton não é docente do campus Caruaru e &#8220;que o conteúdo das filmagens, embora realizadas nas dependências do Centro, não possuem vinculação com a instituição.&#8221;<br><br>Na época da graduação, Cleyton foi monitor da disciplina de libras. Apesar do vídeo governamental identificá-lo apenas como &#8220;professor de libras- Caruaru/PE&#8221; induz a acreditar que ele é professor do CAA, já que aparece no vídeo ministrando aula em uma das salas do campus.<br><br>Na última visita do presidente Bolsonaro a Pernambuco, na semana passada, Cleyton Bueno atuou como um dos intérpretes de libras da comitiva em Sertânia. Nas redes sociais, postou fotos ao lado do ministro do Turismo Gilson Machado (PSC), do influencer bolsonarista Maicon Sullivan, dos deputado federais pastor Eurico (Patriota) e André Ferreira (PSC) e dos deputados estaduais Alberto Feitosa (PSC) e Cleiton Collins (PP).<br><br>Também nas redes sociais, Cleyton se mostra um bolsonarista convicto. Apoiou o presidente nas eleições de 2018, defendeu o voto impresso e, ao se vacinar contra a covid-19, postou que &#8220;só há um &#8216;viva SUS&#8217; se vier junto de um Ministério da Saúde e Jair Messias Bolsonaro, que foram os responsáveis por essa vacina chegar até nós!&#8221;. Na foto, segurava uma plaquinha onde se lia que &#8220;genocida é quem desvia dinheiro da saúde, não quem envia&#8221;, com as hashtags #bolsonaro2022 e #votoauditaveljá.<br><br>Ou seja, nada na vinheta de 15 segundos &#8211; que conta com uma versão estendida de 30 segundos no site do Governo Federal &#8211; tem raiz na realidade. O CAA não faz parte do Nordeste Conectado, a internet no campus não é boa, a pessoa que aparece no vídeo não é professor da instituição.<br><br>Na manhã desta segunda-feira (01), dois professores de libras do CAA emitiram uma nota de repúdio conjunta. &#8220;O vídeo do  Governo Federal recentemente divulgado acerca de uma internet de qualidade e com ensino para surdos não reflete a realidade do nosso Campus do Agreste-UFPE. Desta forma, os professores de Libras do CAA e também coordenadores do Laboratório de Libras do Agreste informam que não receberam nenhum apoio desse programa do governo veiculado no vídeo, como também a internet é de péssima qualidade. Deste modo, repudiamos o discurso do vídeo e afirmamos que a opinião do estudante não reflete a opinião dos profissionais de Língua de Sinais do campus&#8221;, diz a nota assinada pelos professores Laerte Pereira e Thiago Albuquerque.</p>



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<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Juiz decide que Aos Fatos não pode mencionar que Revista Oeste publicou desinformação</title>
		<link>https://marcozero.org/juiz-decide-que-aos-fatos-nao-pode-mencionar-que-revista-oeste-publicou-desinformacao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Apr 2021 19:17:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[censura]]></category>
		<category><![CDATA[desinformação]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade de expressão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Aos Fatos O juiz Marcelo Augusto Oliveira, da 41ª Vara Cível do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), determinou em decisão liminar que o Aos Fatos não pode mais mencionar que a Revista Oeste veiculou desinformação. A tutela de urgência concedida em favor da publicação atinge duas checagens: uma sobre distorções em dados do monitoramento de queimadas na Amazônia [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong><a href="https://www.aosfatos.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Por Aos Fatos</a></strong></p>



<p>O juiz Marcelo Augusto Oliveira, da 41ª Vara Cível do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), determinou em <a href="https://esaj.tjsp.jus.br/cpopg/show.do?processo.codigo=2S001EI010000&amp;processo.foro=100&amp;processo.numero=1039788-63.2021.8.26.0100&amp;uuidCaptcha=sajcaptcha_c75688e56fbe41c1999c92d8ed4e0c4b" target="_blank" rel="noreferrer noopener">decisão liminar</a> que o <em>Aos Fato</em>s<strong> </strong>não pode mais mencionar que a <em>Revista Oeste</em> veiculou desinformação. A tutela de urgência concedida em favor da publicação atinge duas checagens: uma sobre distorções em dados do monitoramento de queimadas na Amazônia e outra que desmente a associação entre &#8220;tratamento precoce&#8221; e a queda em internações e mortes por Covid-19 em São Lourenço (MG).</p>



<p><em>Aos Fatos</em> vai recorrer da decisão, mas há multa de R$ 1.000 por dia em caso de descumprimento. Assim, as menções à <em>Revista Oeste</em> foram extraídas das checagens &#8220;<a href="https://www.aosfatos.org/noticias/e-falso-que-imagem-da-nasa-prova-que-amazonia-nao-esta-em-chamas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">É falso que imagem da Nasa prova que Amazônia não está &#8216;em chamas</a>&#8221;&#8217; e &#8220;<a href="https://www.aosfatos.org/noticias/e-falso-que-sao-lourenco-zerou-mortes-e-internacoes-por-covid-19-devido-tratamento-precoce/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">É falso que São Lourenço zerou mortes e internações por Covid-19 devido a &#8216;tratamento precoce</a>&#8221;&#8217;.</p>



<p>Na primeira checagem censurada pela decisão, <em>Aos Fatos</em> desmentiu que imagens de satélite da Nasa, agência espacial americana, mostrariam menos focos de incêndio na Amazônia que os dados oficiais do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Na realidade, as postagens checadas se valiam de uma imagem captada em apenas um dia de julho de 2020, enquanto o Inpe mostrava dados de todo o mês de junho do ano passado.</p>



<p>A outra publicação atingida pela liminar concluiu que era enganosa a associação feita pelo prefeito de São Lourenço (MG) entre a adoção do &#8220;tratamento precoce&#8221; e a redução a zero de internações e mortes por Covid-19 na cidade. Além de casos terem sido registrados no período, as drogas do suposto tratamento não se provaram eficazes pelos estudos mais sólidos até o momento.</p>



<p>Na decisão, o juiz afirma que &#8220;tem todo direito o jornalista de informar fatos distintos de outro veículo jornalístico, e de discordar, debater ou contradizer o conteúdo de determinada matéria já publicada&#8221;, mas alega que o tom das checagens que analisou &#8220;é mesmo agressivo, e toma para si o monopólio da verdade do conteúdo tratado, como se qualquer outra reportagem em sentido diverso fosse genuinamente mentirosa&#8221;.</p>



<p>&#8220;A decisão é um equívoco e certamente será reparada. Numa democracia, a Justiça não tem autoridade para reescrever a história. Essa decisão interfere editorialmente no<strong><em> Aos Fatos</em></strong> e inviabiliza um dos pilares da nossa missão: combater a desinformação que pode matar. Isso não está de acordo com os valores democráticos que a organização defende&#8221;, diz Tai Nalon, diretora executiva e cofundadora do<strong><em> Aos Fatos</em></strong>.</p>



<p>&#8220;Apesar do texto dúbio da decisão, <em>Aos Fatos </em>a cumprirá, como prova de boa fé. A decisão não só acata um pedido de censura, como vai além e pretende editar o texto e os termos usados pelo <em>Aos Fatos</em>, como se o Poder Judiciário fosse um editor e como, aliás, já aconteceu em outros tempos sombrios do país. Para o juiz, não se pode chamar de mentira algo que é comprovadamente mentira, como a promoção de remédios sem eficácia comprovada contra a Covid-19&#8243;, afirma Flávia Penido, advogada do<strong><em> </em></strong><em>Aos Fatos</em>.</p>
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		<title>ASA mobiliza semiárido para impedir que desinformação ameace vacinação na zona rural</title>
		<link>https://marcozero.org/asa-mobiliza-semiarido-para-impedir-que-desinformacao-ameace-vacinacao-na-zona-rural/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Mar 2021 11:34:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Articulação do Semiárido (ASA)]]></category>
		<category><![CDATA[desinformação]]></category>
		<category><![CDATA[fake news evangélicos]]></category>
		<category><![CDATA[Semiárido]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>De tanto receber mensagens assustadoras pelo WhatsApp, José Ferreira dos Santos, de 70 anos, já andava ressabiado, mas a imagem de uma técnica de enfermagem que, por engano, aplicou uma seringa vazia em uma idosa na fila de vacina em Alagoas foi a gota d’água. No dia em que assistiu ao vídeo – encaminhado em [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>De tanto receber mensagens assustadoras pelo WhatsApp, José Ferreira dos Santos, de 70 anos, já andava ressabiado, mas a imagem de uma técnica de enfermagem que, por engano, aplicou uma seringa vazia em uma idosa na fila de vacina em Alagoas foi a gota d’água. No dia em que assistiu ao vídeo – encaminhado em um grupo no aplicativo -, ele avisou à esposa, aos oito filhos e 22 netos que não queria se vacinar.</p>



<p>Sua decisão, contudo, não era assim tão firme. Os técnicos do <a href="http://irpaa.org/#(abrir em uma nova aba)">Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada</a> (IRPAA), organização não-governamental que há 30 anos atua no lado baiano do Vale do São Francisco, o convenceram a voltar atrás. Agora, ele está ansioso, esperando que as vacinas para sua faixa etária cheguem logo ao posto de saúde do distrito de Salitre, em Juazeiro. “A hora que a vacina chegar eu tomo. Pode ser qualquer uma. Eu quero é me livrar logo dessa peste”, garantiu Zé Reis, como o agricultor é conhecido na região por ter nascido em 6 de janeiro, dia de Reis.</p>



<p>Como Zé Reis está sempre presente nas atividades dos projetos de agroecologia implantados pelo IRPAA e ainda é bastante ativo, comercializando frutas, verduras e animais nas feiras de Juazeiro, não foi assim tão difícil afastá-lo da influência dos conteúdos distorcidos que chegavam pelo seu celular. Nem sempre é assim. Por isso, as quase três mil de entidades do campo que fazem parte da <a href="http://asabrasil.org.br">Articulação do Semiárido Brasileiro</a> (ASA) iniciaram uma campanha para reduzir o impacto da desinformação e das notícias falsas sobre as vacinas da covid-19 na região.</p>



<p>A mobilização para combater a desinformação virou prioridade na instituição que se notabilizou pela construção de mais de um milhão de cisternas nos nove estados do nordeste e norte de Minas Gerais.</p>



<p>O coordenador-geral da ASA, Alexandre Pires, chegou a passar uma mensagem pessoal para as equipes das entidades que atuam no campo pedindo para “que se articulem, exijam e defendam publicamente a vacina gratuita pelo SUS e também esclareçam a população do Semiárido sobre os benefícios da vacina em um esforço de fazer frente às <em>fake news</em> que ganham força no semiárido rural e têm dificultado a adesão da população à campanha de vacinação”.</p>



<p>A iniciativa de Alexandre destoa da prática usual da coordenação da ASA, que costumar se comunicar usando os canais institucionais, mas reflete o grau de urgência que o assunto assumiu.</p>



<p>Um dos editores do <a href="https://projetocomprova.com.br/">Projeto Comprova</a>, Sérgio Ludtke, considera fundamental a iniciativa da ASA. “Sempre repito que não cabe apenas aos jornalistas enfrentar a desinformação. É uma tarefa grande demais para o jornalismo. É necessário que as organizações da sociedade civil façam esse enfrentamento. Outros setores também precisam entrar nesse esforço. Já passou da hora, aliás”. O Comprova é uma articulação de dezenas de veículos para, de maneira colaborativa, “identificar e enfraquecer as sofisticadas técnicas de manipulação e disseminação de conteúdo enganoso”.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/nao-e-so-auxilio-emergencial-rede-de-desinformacao-mantem-popularidade-de-bolsonaro/" class="titulo">Não é só auxílio emergencial: rede de desinformação mantém popularidade de Bolsonaro</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/democracia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Democracia</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading">Contra-ataque pelo WhatsApp</h2>



<p>A responsável pela comunicação da entidade, Fernanda Cruz, revelou que sua equipe recebeu a incumbência de “elaborar conteúdos, pensar estratégias para ativar a rede de comunicadores que já atua nos projetos da ASA e mapear novas pessoas que possam distribuir os conteúdos para enfrentar a desinformação”.</p>



<p>Fernanda explica que os primeiros alertas sobre os estragos da desinformação chegaram exatamente por meio da rede espalhada pelos 1.262 municípios do semiárido. “O objetivo é identificar quem, entre os milhares de agricultores que trabalham com as entidades, poderá atuar nos grupos de zap, de outros aplicativos ou mesmo grupos físicos, off-line, para esclarecer o que é verdade e se posicionar diante de quem repassa o conteúdo <em>fake</em>”, explica Fernanda.</p>



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	                                        <p class="m-0">Rede de comunicadores da ASA está enviando por zap conteúdos como este</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>Recorrer aos grupos de WhatsApp é uma tentativa de fazer o veneno virar remédio. De acordo com a equipe da ASA, nas áreas rurais o smartphone tem três usos mais frequentes: para fazer fotos ou vídeos, como telefone tradicional quando há sinal e, principalmente, para troca de mensagens de zap. “As pessoas não costumam ter crédito de 4G para navegar em sites de notícias, não costumam checar a informação e acreditam naquilo que foi enviado por parentes”, explica Fernanda.</p>



<p>Partiu da serra da Borborema, na Paraíba, um das primeiras iniciativas para conter a desinformação no semiárido. As entidades que formam o chamado Polo da Borborema &#8211; sindicatos de trabalhadores rurais, as 150 associações comunitárias, a EcoBorborema (associação regional de agricultores ecológicos) e a equipe da organização não-governamental <a href="https://aspta.org.br/">AS-PTA</a> &#8211; perceberam ainda no início da pandemia que era preciso se contrapor às mensagens fraudulentas que chegavam, impulsionadas pelo discurso do presidente Jair Bolsonaro.</p>



<p>O braço da ASA na Paraíba produziu e distribuiu uma série de “<a href="https://www.facebook.com/306856726186497/videos/239658007481527/">zap-novelas</a>”, pequenos áudios com diálogos entre personagens que desmentiam os conteúdos falsos que circulavam no momento. “A desinformação provocou uma interiorização rápida da doença, pois no meio da quarentena muita gente saiu das cidades para a zona rural sem tomar nenhum cuidado”, contou Adriana Galvão Freire, assessora técnica da AS-PTA, entidade que integra tanto o Polo Borborema quanto a ASA no estado.</p>



<p>No final de outubro, a ONG voltou a realizar encontros presenciais entre os agricultores e agricultoras, porém reduzindo o número de presentes. Naquele momento, Adriana percebeu que a maioria das pessoas ainda via a covid-19 como algo distante: “Isso mudou, agora todas as famílias têm pessoas que adoeceram, então agora já não é preciso insistir para que usem a máscara. No início, era preciso pedir, mas o contato pessoal foi importante para que pudéssemos argumentar e desconstruir a desinformação”.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Os evangélicos e as mentiras</strong></h3>



<p>A mentira encontra terreno fértil entre os evangélicos do semiárido. No oeste do Rio Grande do Norte, a técnica de campo do Centro Feminista 8 de Março (CF8), Arineide Carlos da Silva, revela que “a grande influência para aumentar essa reação às vacinas vem de algumas religiões. As mulheres evangélicas acreditam que não precisam tomar a vacina nem usar máscaras porque Deus vai curar”. Sediada em Mossoró, a 279 quilômetros de Natal, o CF8 atua oferecendo assessoria e formação a grupo de mulheres camponesas da região.</p>



<p>“A maior parte das mulheres com quem trabalhamos é católica. Entre essas, todas dizem que vão se vacinar e até fiscalizar quem está se vacinando, mas quando o grupo tem uma ou duas evangélicas, essas falam de forma que tentam meter medo nas outras”, revela Arineide. As integrantes do CF8 também passaram a priorizar o desmentido das informações falsas em sua rotina.</p>



<p>O papel central dos pastores, missionários e diáconos na disseminação da mentira também acontece na Paraíba. Adriana Galvão afirma que, apesar do catolicismo ainda ser predominante na Borborema, é exatamente entre os agricultores evangélicos que os impactos da desinformação são mais intensos.</p>



<p>Adriana também adiciona uma reflexão ao tema: “O fechamento das escolas também está contribuindo para a desinformação, pois a sala de aula é um espaço de diálogo constante entre professores e adolescentes, o que ajudaria a desconstruir essas narrativas falsas”, especula a técnica da AS-PTA. Numa região onde até quatro gerações de uma família convivem na mesma propriedade, os argumentos dos jovens poderiam ser o contraponto à desinformação que chega por zap.</p>



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	                                        <p class="m-0">Material distribuído por zap pelas organizações do campo</p>
	                
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<h4 class="wp-block-heading"><strong>Comunidade da fé</strong></h4>



<p>Doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP) e integrante do <a href="https://coletivobereia.com.br/">Coletivo Bereia</a>, uma iniciativa de combate à desinformação formada por jornalistas e pesquisadores cristãos, Magali do Nascimento Cunha não se surpreende com as notícias de que os evangélicos são disseminadores de desinformação no semiárido. Segundo ela, “conhecendo as raízes históricas das igrejas evangélicas no Brasil é possível entender o contexto e o imaginário onde esses conteúdos falsos se propagam”.</p>



<p>A base conservadora das igrejas evangélicas no Brasil, principalmente das pentecostais, faz uma leitura literal da bíblia na qual os fiéis são formados para obedecer ao pastor, bispo e demais lideranças da igreja. “Essa obediência estende-se às autoridades. Com a aliança política entre Bolsonaro e essas igrejas, o discurso do presidente foi incorporado ao discurso dos pastores, inclusive para a pandemia”, explica Magali.</p>



<p>A pesquisadora, que é colaboradora do Conselho Mundial de Igrejas, com sede na Suíça, continua a destrinchar as razões da desinformação entre os evangélicos: “Eles são muito apegados ao que se chama ‘comunidade da fé’, assim os conteúdos que circulam nessa comunidade, ou seja, entre os fiéis, têm muita relevância”. Nas ‘comunidades da fé’, de acordo com Magali, há a “demonização dos inimigos da fé”. A vacina e o vírus seriam parte de uma grande conspiração contra um governo aprovado por Deus.</p>



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		<title>Projeto Comprova encerra 3ª fase com 283 investigações publicadas</title>
		<link>https://marcozero.org/projeto-comprova-encerra-3a-fase-com-283-investigacoes-publicadas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Mar 2021 12:49:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Comprova]]></category>
		<category><![CDATA[desinformação]]></category>
		<category><![CDATA[fake news]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O projeto Comprova encerra nesta sexta-feira, 5 de março, a terceira fase do projeto colaborativo formado por 28 organizações de mídia para verificar conteúdos suspeitos que trafegam pelas redes sociais com alta viralização. Nessa fase, jornalistas receberam treinamento e trabalharam em colaboração para investigar e publicar relatórios de 283 verificações. Dessas, apenas 8 provaram-se verdadeiras. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O projeto Comprova encerra nesta sexta-feira, 5 de março, a terceira fase do projeto colaborativo formado por 28 organizações de mídia para verificar conteúdos suspeitos que trafegam pelas redes sociais com alta viralização. Nessa fase, jornalistas receberam treinamento e trabalharam em colaboração para <a href="https://projetocomprova.com.br/?filter=verificacao">investigar e publicar relatórios de 283 verificações</a>. Dessas, apenas 8 provaram-se verdadeiras. As demais 275 eram falsas (conteúdo fabricado) ou enganosas (informações descontextualizadas, que confundem ou usam dados imprecisos).</p>



<p>No total, 78 jornalistas e 14 estagiários de jornalismo participaram da fase 3 do Comprova.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Investigações</h2>



<p>Sete em cada dez investigações do Comprova nessa fase (<a href="https://projetocomprova.com.br/?filter=saude">194 verificações) estavam relacionadas à pandemia</a>. Dois temas se sobressaíram nesse período: conteúdos suspeitos sobre o chamado tratamento precoce e drogas cuja eficiência contra a covid-19 não foi comprovada, caso de cloroquina e ivermectina, somaram 52 investigações; e 46 boatos sobre vacinas foram investigados pelos jornalistas do Comprova, com maior incidência nas últimas semanas.</p>



<p>Conteúdos suspeitos sobre <a href="https://projetocomprova.com.br/?filter=politicas-publicas">políticas públicas</a> relacionadas ao governo federal foram investigados também pelo Comprova. Na fase 3, o número de investigações chegou a 61 verificações, a maior parte delas ligadas a políticas de infraestrutura e meio ambiente.</p>



<p>Durante o período eleitoral, o Comprova publicou 28 investigações de conteúdos sobre o <a href="https://projetocomprova.com.br/?filter=eleicoes">processo eleitoral</a>, com destaque para boatos que questionavam a confiabilidade das urnas eletrônicas.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Comprova + Comunidades</h2>



<p>De setembro de 2020 a fevereiro de 2021, graças ao apoio da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, o Comprova contou com a colaboração de oito iniciativas jornalísticas que se associaram ao projeto para receber treinamento e apoiar investigações de conteúdos suspeitos sobre a pandemia de covid-19. O <a href="https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/abraji-lanca-comprova-comunidades/">Projeto Comprova + Comunidades</a> agregou ao grupo 16 jornalistas de <a href="https://almapreta.com/">Alma Preta</a>, <a href="https://www.agenciamural.org.br/">Agência Mural</a>, <strong>Marco Zero</strong> <strong>Conteúdo</strong>, <a href="https://favelaempauta.com/">Favela em Pauta</a>, <a href="https://coletivobereia.com.br/">Coletivo Bereia</a>, <a href="https://www.facebook.com/niara.unipampasb/">Coletivo Niara</a>, <a href="https://www.portalnoroeste.net.br/">Rádio Noroeste</a> e <a href="https://amazoniareal.com.br/">Amazônia Real</a>.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Jornalismo colaborativo</h3>



<p>O Projeto Comprova é uma iniciativa colaborativa cuja redação foi coordenada pelos editores Sérgio Lüdtke, José Antônio Lima, Helio Miguel Filho e David Michelsohn.</p>



<p>Abaixo listamos todos os colaboradores que participaram das atividades de monitoramento e investigação na fase 3 do Comprova.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Investigadores participantes</h4>



<p>Jornalistas que representaram as 28 organizações que formam a coalizão de veículos de comunicação do Projeto Comprova:</p>



<p>Alessandra Monnerat</p>



<p>Alice de Souza</p>



<p>Aline Nunes</p>



<p>Amanda Rainheri</p>



<p>Ana Luiza Bongiovani</p>



<p>Brunno Carvalho</p>



<p>Bruno Fiaschetti</p>



<p>Camila Cardoso de Oliveira</p>



<p>Carlos Mazza</p>



<p>Cecília Emiliana</p>



<p>Cecília Sorgine</p>



<p>Cido Coelho</p>



<p>Clara Cerioni</p>



<p>Clarissa Pacheco</p>



<p>Cristian Edel Weiss</p>



<p>Éder Kurtz</p>



<p>Eduardo Miranda</p>



<p>Eric Raupp</p>



<p>Fernanda Santana</p>



<p>Flávia Oliveira</p>



<p>Gabi Coelho</p>



<p>Guilherme Bianchini</p>



<p>Guilherme Justino</p>



<p>Homero Pivotto Jr.</p>



<p>Iara Diniz</p>



<p>Jean Laurindo</p>



<p>João Vitor Marques</p>



<p>Judite Cypreste</p>



<p>Juliana Arreguy</p>



<p>Juliana Maciel</p>



<p>Karla Torralba</p>



<p>Laila Mouallem</p>



<p>Larissa Avilez</p>



<p>Ligia Tuon</p>



<p>Lucas Borges Teixeira</p>



<p>Luciana Loebens Marschall</p>



<p>Luísa Alcantara</p>



<p>Mahila Ames de Lara</p>



<p>Márcio Leijoto</p>



<p>Maria Clara Pestre</p>



<p>Mariana Vick</p>



<p>Mayara Vieira</p>



<p>Melissa Fernandez</p>



<p>Michel Vítor</p>



<p>Natalia Bourguignon</p>



<p>Pablo Fernandez</p>



<p>Paulo Veras</p>



<p>Pedro Garcia</p>



<p>Pedro Prata</p>



<p>Plínio Lopes</p>



<p>Raquel Lopes</p>



<p>Renan Marra</p>



<p>Samuel Lima</p>



<p>Stephanie Mendonça</p>



<p>Thatiany Nascimento</p>



<p>Tiago Aguiar</p>



<p>Valquíria Homero</p>



<p>Victor Pereira</p>



<p>Wagner Mendes Crispim</p>



<h4 class="wp-block-heading">Projeto Comprova + Comunidades</h4>



<p>Jornalistas que representaram as 8 organizações participantes do projeto + Comunidades:</p>



<p>Alícia Lobato</p>



<p>Aline Goulart Soares</p>



<p>Andressa Almeida</p>



<p>Andreza Ferraz</p>



<p>Dandara Franco</p>



<p>Edda Ribeiro</p>



<p>Fábio Silva de Oliveira</p>



<p>Gabi Coelho</p>



<p>Gisele Alexandre</p>



<p>Inácio França</p>



<p>Ira Romão</p>



<p>Jonathan Karter</p>



<p>Juliana Dias</p>



<p>Luciana Petersen</p>



<p>Rafael Costa</p>



<p>Roberta Camargo</p>



<h4 class="wp-block-heading">Programa de estágio FAAP + Comprova</h4>



<p>Estudantes de jornalismo da Fundação Armando Álvares Penteado – FAAP que participaram do programa de estágio no Projeto Comprova:</p>



<p>Beatriz Novik Falcão</p>



<p>Bruna Furlan</p>



<p>Daniel Chammas Schwartz</p>



<p>Gabriel Brode Germano Santos</p>



<p>Gabriela Ghiraldelli Queiroz</p>



<p>Henrique Junqueira Moreira</p>



<p>Isabela G. Andrade</p>



<p>Laysa Victoria Lottermann</p>



<p>Maria Beatriz Barbosa</p>



<p>Maria Paula Trilha Storti</p>



<p>Mariana Buckup Mariotto</p>



<p>Mariana Garcia Menendez</p>



<p>Pedro Alves Duarte</p>



<p>Rafael De Toledo Serra Bittar</p>



<p><strong><a href="https://www.facebook.com/journalismproject">Facebook Journalism Project</a> e <a href="https://newsinitiative.withgoogle.com/intl/pt_br/">Google News Initiative</a> financiaram a terceira fase do Projeto Comprova.</strong></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/projeto-comprova-encerra-3a-fase-com-283-investigacoes-publicadas/">Projeto Comprova encerra 3ª fase com 283 investigações publicadas</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<item>
		<title>Projeto de autonomia do Banco Central não prevê diretores indicados pelo mercado financeiro</title>
		<link>https://marcozero.org/projeto-de-autonomia-do-banco-central-nao-preve-diretores-indicados-pelo-mercado-financeiro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Feb 2021 23:33:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[autonomia]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Central]]></category>
		<category><![CDATA[desinformação]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme Boulos]]></category>
		<category><![CDATA[neoliberalismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Conteúdo verificado: Tuíte diz que a autonomia aprovada para o Banco Central significa que “diretores indicados pelo mercado financeiro vão decidir o destino da economia”. Ao contrário do que sugere um tuíte verificado pelo Comprova, o projeto de autonomia do Banco Central, recentemente aprovado no Congresso Nacional, não prevê indicação de diretores do BC pelo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
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<p><strong>Conteúdo verificado</strong>: <strong>Tuíte diz que a autonomia aprovada para o Banco Central significa que “diretores indicados pelo mercado financeiro vão decidir o destino da economia”.</strong></p>



<p>Ao contrário do que sugere um tuíte verificado pelo Comprova, o projeto de autonomia do Banco Central, recentemente aprovado no Congresso Nacional, não prevê indicação de diretores do BC pelo mercado financeiro. O próprio autor do tuíte, o ex-candidato à Prefeitura de São Paulo em 2020, pelo PSOL, e coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MTST), Guilherme Boulos, afirmou ao Comprova que ela é uma interpretação e que não deve ser entendida literalmente. Essa verificação foi feita atendendo a solicitação de leitores.</p>



<p>Especialistas ouvidos pelo Comprova explicaram que a diretoria do Banco Central – órgão responsável pela emissão de moeda, definição da taxa de juros e fiscalização do sistema financeiro no país – vai continuar sendo indicada pelo presidente da República, mas, agora, terá que passar pelo crivo do Senado, e só poderá ser removida do cargo com a anuência do Legislativo. Isso, segundo o economista Hélio Berni, da faculdade IBMEC de Belo Horizonte, significa que o órgão terá mais espaço para implementar políticas mais duradouras.</p>



<p>Além disso, o professor Flávio Constantino, do Departamento de Economia da PUC Minas, lembra que a possibilidade de pressão do mercado financeiro sobre o Banco Central já existia, independentemente da aprovação do projeto de autonomia. “Se o sistema financeiro cobrar do presidente da República, e se o presidente da República ceder a essas pressões, aí corremos o risco, sim, do Banco Central fazer políticas voltadas para o mercado, que vão beneficiar instituições financeiras, por exemplo”, pondera.</p>



<p>Contatado pelo Comprova, Guilherme Boulos disse que a postagem tem caráter de análise política, e não é literal. “É uma análise dessa relação já existente das nomeações no banco com os interesses do mercado, com as vontades do mercado, ela só vai se aprofundar, porque você vai reduzir os mecanismos de controle democrático”, afirmou.</p>



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<h2 class="wp-block-heading">Como verificamos?</h2>



<p>Procuramos Guilherme Boulos, e pedimos uma explicação mais detalhada sobre o que ele quis dizer com o tuíte.</p>



<p>Para entender melhor o funcionamento do Banco Central e como funciona o projeto de autonomia, entrevistamos o professor Flávio Constantino, do Departamento de Economia da PUC Minas, e o professor Hélio Berni, do IBMEC-BH.</p>



<p>Também buscamos informações nos sites oficiais da Câmara e do Senado, sobre a tramitação do texto aprovado pelos parlamentares, e consultamos matérias publicadas em diversos veículos de imprensa sobre a iniciativa e a relação dela com o governo Bolsonaro.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Verificação</h3>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>O que prevê o projeto de Autonomia do BC</strong></li></ul>



<p>O <a href="https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/135147">PL 19/2019</a>, de autoria do Senador Plínio Valério (PSDB-AM) foi <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2021-02/autonomia-do-banco-central-e-aprovada-pela-camara">aprovado na Câmara dos Deputados, em segundo turno, neste mês de fevereiro</a>. Até a publicação desta verificação, o texto aguardava apenas a sanção presidencial para entrar em vigor.</p>



<p>A principal mudança prevista no texto é na forma de indicação dos diretores e da presidência do Banco Central – que passa a ocorrer a partir do terceiro ano de mandato do presidente da República. Os nomes devem passar por uma sabatina no Senado, e tem um período fixo no comando do BC, de quatro anos. Atualmente, o cargo é de livre nomeação do chefe do executivo. O presidente do banco já precisa ser aprovado pelo Senado, mas pode ser escolhido pelo governo federal em qualquer ponto do mandato, e também pode ser demitido sem restrições.</p>



<p>O professor Flávio Constantino, do Departamento de Economia da PUC Minas, ouvido pelo Comprova, explica que o Banco Central tem como atribuições cuidar da moeda, da taxa de juros e da supervisão do mercado financeiro. As políticas decididas pelo órgão, segundo o professor, precisam levar em consideração a possibilidade de aumento da inflação ou de criação de uma recessão econômica, caso sejam equivocadas, e ainda lidam com as expectativas e pressões do governo – que controla o Ministério da Economia (ou Fazenda, em gestões anteriores) – e da sociedade.</p>



<p>A ideia de ampliar a autonomia do Banco Central existe no Brasil desde os anos 1970, e se respalda, entre seus apoiadores, em <a href="https://oglobo.globo.com/economia/entenda-como-funcionam-os-bancos-centrais-no-mundo-22417189">experiências adotadas em outros países</a>. Segundo Flávio Constantino, nações como Reino Unido, Estados Unidos, Nova Zelândia e Alemanha realmente conseguiram, por exemplo, reduzir a inflação no longo prazo, com a adoção dos modelos de independência. Isso não significa, porém, que o mesmo resultado será alcançado no Brasil, já que toda a conjuntura econômica é relevante. “Esses países não tinham uma preocupação, como temos no Brasil, de um quadro de forte desigualdade – a diferença de quem é mais rico no Brasil supera mais de vinte vezes [em renda] quem é mais pobre, enquanto nesses países isso não passa de oito, nove vezes – então é um quadro social diferente do que nós temos no nosso país”, explica.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Crítica Política</strong></li></ul>



<p>Segundo o autor do post, Guilherme Boulos (PSOL), o post tem caráter de análise política das consequências da autonomia do Banco Central. “Na prática, hoje, os diretores do Banco Central já são indicados pelo mercado financeiro, obviamente não é indicação formal, não vai existir nunca lei como atribuição para o mercado financeiro indicar os diretores. Então, não dá pra ler com literalidade aí”, explica.</p>



<p>O ex-candidato avalia que na atual conjuntura da autarquia já há uma ‘tradição dos presidentes serem indicados numa porta giratória pelo financeiro e de boa parte da diretoria também’, usando como exemplo o atual presidente Roberto Campos Neto, que teve passagem pelo Banco Santander.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>O Banco Central no governo Bolsonaro</strong></li></ul>



<p>A intenção de ampliar a independência do Banco Central foi manifestada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) logo no primeiro ano de mandato à frente do Executivo, e o governo chegou a enviar um projeto de lei ao Congresso Nacional sobre o tema.</p>



<p>Recentemente, o presidente disse que o projeto – que faz parte da pauta liberal do ministro da Economia, Paulo Guedes – era importante, mas que <a href="https://www.metropoles.com/brasil/politica-brasil/bolsonaro-diz-que-vai-analisar-vetos-sobre-autonomia-do-banco-central">iria analisar o texto final</a>, acordado entre os congressistas durante a tramitação, e que poderia vetar parte do conteúdo aprovado.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>O autor do post</strong></li></ul>



<p>O autor do tuíte verificado, Guilherme Boulos, é integrante do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), e <a href="https://politica.estadao.com.br/eleicoes/2020/candidatos/sp/sao-paulo/prefeito/guilherme-boulos,50">foi candidato, pela legenda, à prefeitura de São Paulo</a>, nas eleições de 2020. Boulos também é o <a href="https://apublica.org/2017/02/o-psicanalista-das-massas/">coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST)</a>.</p>



<p>No dia 15 de fevereiro, Boulos <a href="https://www1.folha.uol.com.br/colunas/guilhermeboulos/2021/02/autonomia-do-bc-institucionaliza-entrega-do-galinheiro-na-mao-das-raposas.shtml">reiterou as críticas ao projeto de autonomia do BC em um artigo</a> publicado na Folha de S. Paulo.</p>



<p>Durante a campanha política, no ano passado, ele foi alvo de boatos que diziam que ele <a href="https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/e-falso-que-boulos-tenha-falado-em-obrigar-paulistano-a-receber-morador-de-rua-na-pandemia/">obrigaria moradores de São Paulo a receber moradores de rua em casa</a> e que ele<a href="https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/boulos-nao-prometeu-deixar-o-pais-depois-da-derrota-nas-eleicoes/"> sairia do país, se não fosse eleito</a>. Os dois conteúdos foram checados pelo Comprova, e classificados como falsos.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Por que investigamos?</h4>



<p>Em sua terceira fase, o Comprova investiga conteúdos duvidosos relacionados às políticas públicas do governo federal e à pandemia do novo coronavírus que têm grande alcance nas redes sociais. A postagem de Guilherme Boulos alcançou 14 mil curtidas e 2.119 compartilhamentos até o fechamento desta checagem, e a verificação do conteúdo foi sugerida por leitores ao Comprova.</p>



<p>Apesar de ser uma análise política, não é possível avaliá-la como informação precisa, e alguns leitores entenderam o tuíte de forma literal.</p>



<p><a href="http://www.projetocomprova.com.br/about">Enganoso</a>, para o Comprova, é o conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.</p>



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	<p>O post <a href="https://marcozero.org/projeto-de-autonomia-do-banco-central-nao-preve-diretores-indicados-pelo-mercado-financeiro/">Projeto de autonomia do Banco Central não prevê diretores indicados pelo mercado financeiro</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>É falso que EUA estejam distribuindo ivermectina e leite condensado para quem for vacinado</title>
		<link>https://marcozero.org/e-falso-que-eua-estejam-distribuindo-ivermectina-e-leite-condensado-para-quem-for-vacinado/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Feb 2021 15:04:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[desinformação]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[fake news]]></category>
		<category><![CDATA[ivermectina]]></category>
		<category><![CDATA[leite condensado]]></category>
		<category><![CDATA[vacinação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Conteúdo verificado: Em vídeo compartilhado nas redes sociais, um homem exibe um kit que teria recebido nos EUA, após ser vacinado, e que continha uma marmita, uma caixa de ivermectina e uma lata de leite condensado Ele diz que essa seria uma nova política de Biden. Em vídeo compartilhado em grupos de WhatsApp e no [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
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<p><strong>Conteúdo verificado</strong>: <strong>Em vídeo compartilhado nas redes sociais, um homem exibe um kit que teria recebido nos EUA, após ser vacinado, e que continha uma marmita, uma caixa de ivermectina e uma lata de leite condensado Ele diz que essa seria uma nova política de Biden.</strong></p>



<p>Em vídeo compartilhado em grupos de WhatsApp e no Facebook, um homem, que se apresenta como um brasileiro de mais de 50 anos que acabara de se vacinar, afirma que o governo de Joe Biden está distribuindo ivermectina e leite condensado para quem for vacinado contra a covid-19 nos EUA. Essa afirmação é falsa.</p>



<p>Usando ferramentas de verificação de imagens, o Comprova descobriu o lugar onde foi realizada a gravação, um condomínio em Miami Beach, e entrou em contato com a prefeitura de Miami, responsável pela vacinação no local. A administração da cidade norte-americana informou que o vídeo se trata de uma farsa, que não há distribuição de ivermectina ou leite condensado e que a faixa etária para grupo de risco é acima de 65 anos.</p>



<p>O <a href="https://www.covid19treatmentguidelines.nih.gov/overview/prevention-of-sars-cov-2/">Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos</a>, em suas diretrizes sobre o tratamento da covid-19, não recomenda o uso de agentes como a hidroxicloroquina e a ivermectina contra a doença e informa que ainda <a href="https://www.covid19treatmentguidelines.nih.gov/statement-on-ivermectin/">não há dados suficientes para a recomendação do uso da ivermectina</a> no tratamento da doença.</p>



<p>A agência reguladora dos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA), equivalente à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), <a href="https://www.fda.gov/animal-veterinary/product-safety-information/preguntas-mas-comunes-el-covid-19-y-la-ivermectina-prevista-para-animales">informa em seu site</a> que embora existam usos aprovados para ivermectina, a droga não foi aprovada para a prevenção ou tratamento da covid-19.</p>



<p>No final do vídeo, de quase seis minutos, o homem diz “desculpa aí a brincadeira”, dando a entender que se trata de uma peça de humor. Mas como o Comprova não conseguiu contato com o autor do vídeo e muitas das páginas que o reproduziram levaram o conteúdo a sério, consideramos o conteúdo como falso.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">Como verificamos?</h2>



<p>Inicialmente, buscamos informações sobre o autor da postagem no Facebook e o homem que aparece no vídeo.</p>



<p>Para identificar o local onde o video foi gravado, foi feita uma captura de tela do vídeo verificado para começar a busca do local de gravação. Depois, utilizamos o aplicativo do Google Fotos e uma das ferramentas disponíveis para o usuário, o Google Lens, que oferece a possibilidade de selecionar um pedaço da foto para fazer uma busca mais detalhada.</p>



<p>Utilizando essa ferramenta, chegamos ao campo de pesquisa do Google Imagens, que trouxe uma foto que se assemelhava muito ao local onde fora feito o vídeo verificado.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/02/leite1-169x300.jpg">
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            </picture>

	                </figure>

	


<p>O resultado da busca era uma imagem com o <a href="https://www.google.com/imgres?imgurl=http://www.unidadmb.org/images/index_33.jpg&amp;imgrefurl=http://www.unidadmb.org/&amp;h=261&amp;w=201&amp;tbnid=EMYrDdA8-ZsSbM&amp;tbnh=256&amp;tbnw=197&amp;osm=1&amp;hcb=1&amp;usg=AI4_-kTrGBc-H5u2KNQGlEzMNGTXtFmtuQ&amp;ved=0ELLNBQgAKAAwAA&amp;docid=8y6CvaQfgoVXCM&amp;hcb=1">detalhe da fachada</a> do prédio que nos permitiu identificar a construção.</p>



<p>Abaixo da imagem, havia o nome do lugar – North Beach Senior Center / Unidad of Miami Beach – com um link que nos levou para um site que exibia novamente a mesma fachada, mas agora <a href="http://www.unidadmb.org/">ampliada</a>. A foto trazia, no entanto, a inscrição “ em breve” (<em>coming soon</em> em inglês), o que poderia indicar se tratar apenas de uma imagem feita no computador.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/02/leite2.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/02/leite2.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/02/leite2.jpg" alt="" class="" loading="lazy" width="494">
            </picture>

	                </figure>

	


<p>Uma busca semelhante no Google retornava, no entanto, um texto informando sobre a <a href="http://archive.constantcontact.com/fs008/1102899986587/archive/1103572268582.html">inauguração deste centro</a>, em julho de 2010.</p>



<p>Na sequência, tomamos dois caminhos. Primeiro, buscamos no Google Maps o endereço disponível na imagem: 7251 Collins Ave, Miami Beach, FL 33141, EUA. Utilizando a ferramenta do Google Street View, encontramos o prédio, mas a partir de um <a href="https://www.google.com.br/maps/@25.8578958,-80.1195125,3a,75y,256.71h,83.83t/data=!3m6!1e1!3m4!1sAF1QipNPnMESUQSb_e7fOcn0fh_1whU0cie-0ozSuWB8!2e10!7i5660!8i2830">local mais distante</a>.</p>



<p>Fotos do local disponíveis no Google Street View traziam, no entanto, indícios de que realmente era esse o prédio.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/02/leite4.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/02/leite4.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/02/leite4.jpg" alt="" class="" loading="lazy" width="513">
            </picture>

	                </figure>

	


        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/02/leite5-300x152.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/02/leite5.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/02/leite5.jpg" alt="" class="" loading="lazy" width="515">
            </picture>

	                </figure>

	


<p>O Google Street View mostrou, também, que havia uma longa faixa de areia bem à frente do condomínio. Isso era consistente com o reflexo nos óculos escuros do homem responsável pelo vídeo, que aparentava mostrar areia.</p>



<p>Em paralelo, jogamos no Google o nome do local e chegamos ao site da Plaza Constructions, uma construtora com sete escritórios nos Estados Unidos. No site da construtora é possível ver uma série de imagens do empreendimento, mas de <a href="https://www.plazaconstruction.com/projects/details/unidad-north-beach-oceanfront-center/">ângulos que não permitiam</a> uma confirmação com certeza a respeito do local da gravação.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                </figure>

	


<p>O site da construtora trazia, no entanto, uma outra informação importante, o nome do escritório responsável pelo projeto – Rene Gonzalez Architects. No Google, encontramos a página do escritório no <a href="https://www.instagram.com/renegonzalezarchitects/">Instagram</a> e, buscando nas imagens disponíveis, encontramos uma imagem do local publicada em 13 de março de 2020, que mostra a fachada e traz elementos que permitem a <a href="https://www.instagram.com/p/B9ro1GugWfV/?igshid=1f6i98vxskwen">confirmação do prédio</a> como sendo aquele em que a pessoa no vídeo estava.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/02/leite7.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/02/leite7.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/02/leite7.jpg" alt="" class="" loading="lazy" width="454">
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	                </figure>

	


<p>A imagem abaixo mostra as diversas imagens que encontramos e a comparação com as capturas de tela do vídeo verificado:</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/02/leite8-300x169.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/02/leite8.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/02/leite8.jpg" alt="" class="" loading="lazy" width="516">
            </picture>

	                </figure>

	


<p>Consultamos também o site da Itambé, marca do leite condensado exibido no vídeo, e entramos em contato com o departamento de marketing da indústria, para confirmar se o produto é exportado para os Estados Unidos.</p>



<p>Por fim, entramos em contato com o departamento de comunicação e marketing da prefeitura de Miami, que nos retornou informando que o vídeo se trata de uma farsa, que não há distribuição de ivermectina e que a faixa etária para grupo de risco é acima de 65 anos.</p>



<p><em>O Comprova fez esta verificação baseado em informações científicas e dados oficiais sobre o novo coronavírus e a covid-19 disponíveis no dia 9 de fevereiro de 2020.</em></p>



<h3 class="wp-block-heading">Verificação</h3>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Houve vacinação no local do vídeo?</strong></li></ul>



<p>Apesar do local não fazer parte da <a href="https://floridahealthcovid19.gov/vaccines/vaccine-locator/">lista de postos de vacinação</a> informados pelo governo da Flórida, uma busca no Instagram revelou que o prédio da uma localização nomeada como “<a href="https://www.instagram.com/explore/locations/775677899/unidad-of-miami-beach-senior-employment-program/">UNIDAD of Miami Beach (Senior Employment Program)</a> realmente foi usado para essa finalidade pela prefeitura de Miami.</p>



<p>Nas imagens mais recentes, é possível encontrar <a href="https://www.instagram.com/p/CKq495UrNu-/">uma foto</a> que mostra bombeiros de Miami vacinando pessoas. A imagem foi postada por Michael C. Gongora, commissioner (o equivalente a vereador, representa um distrito determinado nas comissões que administram os condados nos Estados Unidos) de Miami Beach.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/02/leite9.jpg">
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            </picture>

	                </figure>

	


<p>Ao divulgar a mesma coleção de fotos, o <a href="https://twitter.com/MichaelGongora/status/1355284309033312263">Twitter de Gongora</a>, marcou diversas contas que divulgam notícias de Miami. Uma delas era a @MiamiBeachNews, conta oficial da cidade de Miami Beach. Um dos <a href="https://twitter.com/MayorDanGelber/status/1356379862798315522">tweets</a> divulgados por esta conta nos levou a um vídeo de 6 minutos postado em 1º de fevereiro por Dan Gelber, prefeito da cidade. Aos <a href="https://youtu.be/O0R_T3hAy48?t=155">2min40s</a>, Gelber destaca que o posto de vacinação no “Unidad” foi montado pela prefeitura comandada por ele.</p>



<p>Por email, Melissa Berthier, uma das responsáveis pelo departamento de comunicação e marketing da prefeitura de Miami Beach, confirmou que a cidade está realizando a vacinação, com o imunizante da Moderna, e informou que não há distribuição de ivermectina ou leite condensado pela prefeitura da cidade. Além disso, ela destacou que o suprimento de vacinas é limitado e que, portanto, apenas pessoas com mais de 65 anos estão sendo vacinadas no momento.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                </figure>

	


<ul class="wp-block-list"><li><strong>Biden anunciou “tratamento precoce” com ivermectina?</strong></li></ul>



<p>Segundo as últimas atualizações das diretrizes do <a href="https://www.covid19treatmentguidelines.nih.gov/whats-new/">Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos</a> publicadas no dia 14 de janeiro de 2021, sobre o uso de ivermectina para o tratamento da covid-19, os estudos realizados com a ivermectina em pacientes infectados se mostraram inconclusivos e foi determinado que não há dados suficientes para recomendar a favor ou contra o uso de ivermectina para o tratamento da doença.</p>



<p>Assim como a FDA avisa em seu site que “embora existam usos aprovados para a ivermectina em pessoas e animais, ela não está aprovada para a prevenção ou tratamento de covid-19. Você não deve tomar nenhum medicamento para tratar ou prevenir covid-19, a menos que tenha sido prescrito por seu médico e obtido de uma fonte legítima”.</p>



<p>No site criado especificamente para informar sobre a pandemia, o estado da Flórida também não indica a ivermectina ou qualquer outro medicamento como tratamento precoce em caso de infecção pelo vírus. O medicamento sequer é mencionado na página.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Leite condensado, kiwi e uvas</strong></li></ul>



<p>No vídeo o homem afirma que o “novo protocolo do novo presidente dos EUA, que é o Biden” inclui a entrega de um kit com uma marmita com camarão, além de frutas como kiwi e uva. Na sequência, o homem mostra a marmita, sem mostrar seu conteúdo, e diz que, com a marmita, veio uma caixinha do “ivermedicina, o remédio do Bolsonaro”. A caixa do remédio é, no entanto, um genérico de fabricação brasileira.</p>



<p>O homem diz que, após receber a vacina, foi chamado por um oficial das Forças Armadas (ele menciona que havia militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica na sala de vacinação) que lhe entregou o brinde. Ele exibe também, como sendo um dos itens do kit, uma lata de leite condensado da Itambé com rótulo bilíngue, com inscrições em português e em inglês. Segundo o site da Itambé, a marca exporta o produto regularmente para os Estados Unidos e pode ser comprado com facilidade pela <a href="https://www.amazon.com/Condensado-Itambe-Sweetened-Condensed-13-93oz/dp/B088DFVCTK">Amazon</a> ou em <a href="https://hibrazilmarket.com/products/itambe-sweetened-condensed-milk-13-9oz-leite-condensado-395g">lojas especializadas em produtos brasileiros</a>.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Por que investigamos?</h4>



<p>m sua terceira fase, o Comprova investiga conteúdos duvidosos relacionados às políticas públicas do governo federal e à pandemia do novo coronavírus, que tenham alcançado grande repercussão nas redes sociais.</p>



<p>O vídeo sobre o suposto kit de ivermectina e leite condensado, oferecido após a vacinação em um posto de Miami, nos Estados Unidos, foi compartilhado no WhatsApp e em milhares de páginas, grupos e perfis do Facebook. Segundo a ferramenta de monitoramento CrowdTangle, o vídeo teve mais de 736 mil visualizações até o dia 9 de fevereiro. Uma das páginas que publicou o vídeo, cujo post foi compartilhado 24 mil vezes, acrescentou um texto fazendo referência ao presidente Jair Bolsonaro: “veja nesse vídeo pq o homem (presidente) mais uma vez tem razão!!”</p>



<p>Apesar do conteúdo apresentar elementos de uma sátira, o vídeo foi compartilhado por muitas páginas como informação verdadeira. E como o Comprova não localizou o homem que aparece na gravação para apurar a intenção do autor, considerou as informações apresentadas na gravação como falsas.</p>



<p><a href="http://www.projetocomprova.com.br/about">Falso</a>, para o Comprova, é um conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma mentira.</p>



<p><em>Esta verificação contou com o apoio de estudantes de jornalismo do programa de estágio Comprova/FAAP.</em></p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                </figure>

	<p>O post <a href="https://marcozero.org/e-falso-que-eua-estejam-distribuindo-ivermectina-e-leite-condensado-para-quem-for-vacinado/">É falso que EUA estejam distribuindo ivermectina e leite condensado para quem for vacinado</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Vídeo de 2018 está sendo usado para afirmar que idosa morreu por causa da vacina</title>
		<link>https://marcozero.org/video-de-2018-esta-sendo-usado-para-afirmar-que-idosa-morreu-por-causa-da-vacina/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Feb 2021 22:33:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[desinformação]]></category>
		<category><![CDATA[fake news]]></category>
		<category><![CDATA[Vacina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Conteúdo verificado: Postagem em um perfil pessoal no Facebook de uma reportagem da TV Record sobre uma idosa que morreu após ser vacinada. É enganoso um vídeo publicado no Facebook que sugere que uma idosa morreu após ser vacinada contra a covid-19. A postagem usa somente um trecho de uma reportagem, veiculada na TV Record [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/video-de-2018-esta-sendo-usado-para-afirmar-que-idosa-morreu-por-causa-da-vacina/">Vídeo de 2018 está sendo usado para afirmar que idosa morreu por causa da vacina</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
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<p><strong>Conteúdo verificado</strong>: <strong>Postagem em um perfil pessoal no Facebook de uma reportagem da TV Record sobre uma idosa que morreu após ser vacinada</strong>.</p>



<p>É enganoso um vídeo publicado no Facebook que sugere que uma idosa morreu após ser vacinada contra a covid-19. A postagem usa somente um trecho de uma reportagem, veiculada na TV Record em 2018, com a legenda “mulher morre imediatamente depois da vacina”. A matéria trata da morte de uma mulher de 71 anos por infarto, após a vacinação contra a gripe Influenza A (H1N1), naquele mesmo ano (e antes do surgimento da covid-19), na cidade de Goiânia (GO).</p>



<p>O vídeo que viralizou nesta semana corta propositalmente os trechos em que as palavras “gripe” e “H1N1” são mencionadas.</p>



<p>A matéria original foi veiculada em 18 de abril de 2018, e em determinado momento da reportagem, a então coordenadora de imunização da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia, Grécia Pessoni, ressalta que o laudo de óbito não indica relação entre a morte da idosa e a vacina contra a gripe. “A suspeita é de um infarto agudo do miocárdio”, disse à equipe de TV. Em outra reportagem, um membro da família também descarta a correlação.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">Como verificamos?</h2>



<p>Analisando o vídeo, notamos que as pessoas não utilizam máscara na rua nem no posto de saúde, dando a impressão de que se trata de um material antigo. Para verificar a data do vídeo, o Comprova foi atrás do conteúdo original e de outras notícias que tratassem sobre o mesmo caso.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                </figure>

	


<p>Algumas informações disponíveis no vídeo são o sobrenome da vítima, “Batista da Silva”, narrado pelo jornalista no começo do vídeo, e o bairro “Ville de France”, que também aparece na placa do posto de saúde.</p>



<p>Ao buscar no Google os termos “batista da silva ville de france”, o Comprova encontrou uma <a href="https://www.jornalopcao.com.br/ultimas-noticias/mais-uma-pessoa-teria-morrido-apos-tomar-vacina-contra-h1n1-em-goiania-123024/">notícia do Jornal Opção</a> de 19 de abril de 2018 como quinto resultado.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                </figure>

	


<p>Na notícia, conseguimos mais informações sobre o caso, como o nome completo, “Maria Batista da Silva”, a data e a informação de que o óbito teria ocorrido após a vacinação contra H1N1.</p>



<p>Outra informação disponível no vídeo é a tarja animada da matéria, em azul na parte inferior do vídeo: “Outra mulher morreu depois de tomar vacina”. Procurando pela frase no YouTube, o primeiro resultado é o vídeo completo no canal da Record TV Goiás.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                </figure>

	


<ul class="wp-block-list"><li><strong>Vídeo editado</strong></li></ul>



<p>Nota-se que o vídeo original tem 4:40 minutos de duração, e o que viralizou, 2:47 minutos. Comparando as duas versões, notamos que o vídeo foi editado para excluir referências à vacina contra H1N1 e informações sobre o laudo de óbito de Maria Batista da Silva, que indica morte por infarto.</p>



<p>O Comprova ainda entrou em contato com a autora da postagem por meio do Messenger do Facebook, mas não obteve retorno.</p>



<p><em>O Comprova fez esta verificação baseado em informações científicas e dados oficiais sobre o novo coronavírus e a covid-19 disponíveis no dia 4 de fevereiro de 2020.</em></p>



<h3 class="wp-block-heading">Verificação</h3>



<p>A <a href="https://www.youtube.com/watch?v=Z1gJrQIOui0">reportagem original</a> foi exibida pela Record TV Goiás em 18 de abril de 2018, e está disponível no canal da emissora no YouTube. A matéria trata da morte de Maria Batista da Silva, aos 71 anos, por infarto, após a vacinação contra a gripe Influenza A (H1N1), em 2018. Não há, portanto, relação com a vacina contra o coronavírus, como tenta indicar o vídeo que viraliza no Facebook.</p>



<p><a href="https://www.opopular.com.br/noticias/cidades/sa%C3%BAde-e-fam%C3%ADlia-descartam-liga%C3%A7%C3%A3o-de-vacina-com-novo-caso-de-morte-s%C3%BAbita-em-goi%C3%A2nia-1.1509556">Em reportagem do jornal O Popular</a>, de 20 de abril de 2018, o filho de Maria Batista da Silva, Paulo Henrique da Silva, afirmou que não associava a morte da mãe ao fato dela ter tomado o imunizante. Segundo ele, a mãe se vacinava todos os anos e não apresentava reações. “A vacina é de extrema importância”, afirmou na época.</p>



<p>No vídeo completo da TV Record, a então coordenadora de imunização da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia, Grécia Pessoni, ressalta que o laudo do Serviço de Verificação de Óbito (SVO) não indica relação entre a morte de Maria Batista da Silva e a vacina contra a gripe. “A suspeita é de um infarto agudo do miocárdio”, disse.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Por que investigamos?</h4>



<p>Em sua <a href="https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/projeto-comprova-inicia-terceira-fase-com-28-veiculos-de-comunicacao/">terceira fase</a>, o Comprova investiga conteúdos duvidosos relacionados às políticas públicas do governo federal e à pandemia do novo coronavírus. É importante investigar conteúdos duvidosos sobre vacinação e pandemia, pois é justamente o trabalho da ciência que garante a erradicação de doenças e a preservação da vida.</p>



<p>Compartilhamentos como este visam desacreditar a vacinação ao redor do mundo, colocando em xeque a eficácia das vacinas, cientificamente comprovadas no caso de Moderna, Pfizer/BioNTech, AstraZeneca/Oxford e CoronaVac. Até o fechamento da publicação, a conta que publicou o vídeo fora de contexto teve mais de 43 mil compartilhamentos de uma única postagem.</p>



<p><a href="https://projetocomprova.com.br/about/">Enganoso</a>, para o Comprova, é o conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                </figure>

	<p>O post <a href="https://marcozero.org/video-de-2018-esta-sendo-usado-para-afirmar-que-idosa-morreu-por-causa-da-vacina/">Vídeo de 2018 está sendo usado para afirmar que idosa morreu por causa da vacina</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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