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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>“Precisamos remover os riscos, não as pessoas”, defende urbanista Raquel Ludermir</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Apr 2026 19:18:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[áreas de risco]]></category>
		<category><![CDATA[emergência climática]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As chuvas intensas que atingiram o Recife e a Região Metropolitana, nas últimas semanas, escancararam, mais uma vez, o que especialistas e moradores da periferia já denunciam há anos: a ausência de políticas públicas estruturais para enfrentar os efeitos dos eventos climáticos extremos nas cidades. Em poucos dias, episódios que poderiam ter sido evitados deixaram [&#8230;]</p>
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<p>As chuvas intensas que atingiram o Recife e a Região Metropolitana, nas últimas semanas, escancararam, mais uma vez, o que especialistas e moradores da periferia já denunciam há anos: a ausência de políticas públicas estruturais para enfrentar os efeitos dos eventos climáticos extremos nas cidades. Em poucos dias, episódios que poderiam ter sido evitados deixaram marcas profundas, como as duas mortes na comunidade do Pilar, no Recife, após o colapso de um edifício com problemas estruturais já conhecidos, e o deslizamento de uma barreira em Águas Compridas, em Olinda.</p>



<p>É nesse contexto que a <strong>Marco Zero</strong> entrevista a arquiteta e urbanista Raquel Ludermir, doutora e mestra em desenvolvimento urbano e gerente de incidência em políticas públicas da Habitat para a Humanidade Brasil, instituição fundada há mais de 30 anos e que, no último fim de semana, promoveu o encontro “Moradia e Justiça Climática nas Cidades”.</p>



<p>Ao longo da conversa, Raquel desmonta a lógica dominante de “adaptação” baseada em remoções e denuncia como essas políticas, em vez de proteger, aprofundam desigualdades e deslocam o problema para outros territórios igualmente vulnerabilizados. Para ela, o que tem sido chamado de solução pelo poder público, ao retirar famílias de áreas consideradas perigosas, muitas vezes ignora alternativas mais eficazes e justas, como a melhoria das condições de moradia e a gestão comunitária dos riscos.</p>



<p>Para a especialista, as chamadas “remoções verdes” muitas vezes são práticas que, sob o discurso ambiental, acabam expulsando populações inteiras sem garantir condições dignas de reassentamento. Raquel também chama a atenção para o papel limitado e, muitas vezes, perverso do auxílio-moradia, já que, com R$ 300, R$ 350, essas famílias não vão conseguir alugar uma moradia adequada, empurrando-as para novas situações de risco, criando assim um ciclo de vulnerabilidade.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/04/raquel-ludermir-1024x682.jpeg" alt="Na foto, vemos Raquel Lurdemir falando ao microfone, em um momento que transmite engajamento e firmeza. Ela veste uma camisa preta com dois broches vermelhos, um deles trazendo a frase “nós lutamos por inclusivas democráticas populares” e o outro parcialmente visível com o texto “missão denúncia”. Ao fundo, aparecem duas bandeiras penduradas na parede — uma vermelha e outra amarela — reforçando o ambiente de mobilização social e política. A cena sugere participação ativa em um espaço de discussão ou militância." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Raquel Lurdemir integra a equipe do Habitat para a Humanidade Brasil
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Vlademir Alexandre/Cortesia</span>
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                    </figure>

	


<p>Confira os principais trechos da entrevista:</p>



<p>Marco Zero &#8211; <strong>Temos visto o poder público investir em políticas de remoções de famílias de seus territórios como se fossem políticas de adaptação climática. Como você enxerga essa prática e quais são as consequências desse tipo de estratégia?</strong></p>



<p><strong>Raquel Ludermir &#8211;</strong> O poder público tem promovido remoções e despejos forçados de áreas de risco socioambiental sob a justificativa de estar promovendo resiliência e adaptação às mudanças climáticas. Esse é um fenômeno que a sociedade civil vem acompanhando inclusive no âmbito da campanha Despejo Zero, que tem um mapeamento de mais de três mil casos de remoções e despejos forçados em todo o Brasil. Essa é justamente a narrativa que vem justificando os processos remocionistas, ou seja, de expulsão e remoção de pessoas e comunidades vulnerabilizadas do seu local de moradia, sobrevivência e redes de apoio. Essa é a narrativa da questão socioambiental, dos riscos e muitas vezes também até da preservação do meio ambiente.</p>



<p>Mas esse pode ser um processo extremamente danoso, que a gente consegue ler a partir de um termo que chamamos de &#8220;remoções verdes ou expulsões verdes&#8221;; em inglês, &#8220;green evictions&#8221;. É quando os processos para supostamente promover a adaptação às mudanças climáticas resultam em remoção forçada de pessoas, e não na permanência dessaspessoas com segurança nos seus territórios e nas comunidades mais vulnerabilizadas. E a gente sabe que hoje já existem diversas soluções e estratégias.</p>



<p>Geralmente esses são processos de despejos administrativos, ou seja, eles não são judicializados como em outros conflitos por terra e moradia. Estão atrelados, algumas vezes, a obras públicas, como, por exemplo, aqui no Recife, o programa ProMorar. E outras vezes são simplesmente atrelados à pura e simples remoção. Então, a gente tem casas condenadas pela Defesa Civil que simplesmente não têm nenhuma perspectiva nem previsão de obra pública em determinadas áreas, daí as pessoas são simplesmente expulsas.</p>



<p>E quais são as consequências disso? A gente precisa entender que, quando estamos num cenário em que não há a menor perspectiva de intervenção em determinada área, estamos lidando com um processo remocionista e de inclusão dessas pessoas num auxílio-moradia. Quando isso acontece, o auxílio-moradia é basicamente uma produção de déficit habitacional. Porque a gente sabe que, com R$ 300, R$ 350, que é hoje o valor do auxílio, isso pode até ajudar famílias que tenham alguma renda, mas, para famílias que antes moravam em imóveis próprios, isso significa ter que passar a pagar um aluguel. Com esse valor, essas famílias não vão conseguir alugar uma moradia adequada.</p>



<p>Então, muitas vezes, estar no auxílio-moradia significa ter que recorrer a outras áreas de risco. Seja risco socioambiental ou outros riscos e outras vulnerabilidades. Então o auxílio-moradia hoje é um grande paliativo para essa negligência do poder público em relação ao direito à moradia. O Centro Popular de Direitos Humanos (CPDH) fez, há alguns anos, um pedido de informação em que já havia <a href="https://marcozero.org/sem-dialogo-com-a-comunidade-prefeitura-do-recife-confirma-remocao-de-casas-para-ponte-casa-forte-cordeiro/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">mais de oito mil famílias beneficiárias do auxílio-moradia no Recife</a> e pessoas que estavam nisso há mais de 20 anos.</p>



<p>Então é uma consequência muito nefasta. Além disso, tem uma outra questão: às vezes, as pessoas acham que, por estarem no auxílio-moradia, elas já estão na fila da moradia, mas são coisas completamente diferentes. Infelizmente, são políticas que estão hoje ainda dissociadas. Então você tem, por um lado, o auxílio-moradia, que é uma questão assistencial, e, por outro, você tem o cadastro habitacional em outra secretaria, manejada de uma forma completamente diferente. </p>



<p><strong>E como fica a situação das famílias num contexto em que há uma obra pública?</strong></p>



<p>Já quando temos um cenário em que existe um processo de obra pública, um investimento público em determinada área, esses processos remocionistas têm, pelo menos, duas problemáticas: a primeira delas é a falta de acesso à informação e a falta de participação popular para construir e entender minimamente o que está sendo pensado e planejado nas áreas dessas intervenções; a segunda questão é quais são as soluções, as alternativas de moradia que vão ser oferecidas para essas famílias.</p>



<p>A gente tem algumas vezes compra assistida ou então processos de espera pela construção de um conjunto habitacional e, durante essa espera, temos a inclusão dessas famílias em um programa de auxílio-moradia. E essa espera é muito longa. Em contextos favoráveis, temos aí pelo menos de cinco a sete anos de espera pela conclusão de um conjunto habitacional.</p>



<p>E sabemos que, nesse período, existem, inevitavelmente, mudanças de gestão, mudanças de prioridades e muitas vezes também mudanças nos critérios de alocação dos beneficiários desses programas habitacionais. Então o que a gente vê muitas vezes — e a gente que circula nos territórios e escuta muito — são famílias que foram removidas de uma determinada área da cidade na expectativa de serem realocadas quando o conjunto habitacional ficasse pronto no seu território, de onde elas saíram, e de repente o conjunto fica pronto, outras famílias são direcionadas para aquele território e essas pessoas permanecem sem serem beneficiadas pelo projeto e permanecem no auxílio-moradia.</p>



<p>Além disso, a compra assistida é outra coisa super problemática porque tem uma interferência da própria dinâmica do preço do mercado imobiliário e requer, inevitavelmente, imóveis que precisam ser regularizados e regularizáveis num preço acessível. </p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">Então resumindo, de uma forma geral, essas &#8220;remoções verdes&#8221; são uma grande contradição, é como se você tivesse mudando o problema de lugar.</p>
</div>


<p>Marco Zero &#8211; <strong>As reconstruções, após os eventos climáticos, são planejadas com morosidade, muitas vezes sem diálogo com os territórios e entregues com bastante atraso. Por que isso acontece e como prejudica as famílias mais vulneráveis e a dinâmica urbana?</strong></p>



<p><strong>Raquel Ludermir &#8211;</strong> Em relação à reconstrução, temos outra questão que é extremamente complexa. São atrasos em duas dimensões. Primeiro o atraso histórico, porque estamos tratando de uma questão que é um direito fundamental e que deveria ter um investimento na questão da moradia, da adequação e do fortalecimento dessas moradias. Não só da porta para fora, mas da porta para dentro, para construir a resiliência dessas unidades habitacionais e desses conjuntos habitacionais muito antes do desastre acontecer.</p>



<p>Então, se a gente tivesse construído sistemas de drenagem, de contenção e de gestão de risco a nível comunitário e também o fortalecimento e as melhorias habitacionais de alguns prédios, edifícios e unidades habitacionais, a gente não estaria, por exemplo, assistindo a episódios como o que aconteceu, na semana passada, na comunidade do Pilar, onde o prédio colapsou por questões estruturais. Estamos então diante de um atraso histórico, primeiramente.</p>



<p>O segundo atraso é o atraso da entrega em si. É um processo muito longo, desde a seleção do terreno até a viabilização de projetos específicos, a própria construção e o trabalho social necessário para designar e alocar essas unidades habitacionais. Deixa-se então essa população vulnerabilizada em um limbo, o que alguns teóricos chamam de &#8220;transitoriedade permanente&#8221;. É uma indefinição, uma suspensão da vida muito correlacionada à questão de onde e como essas pessoas moram.</p>



<p>Outro ponto sobre isso é que existe uma certa utopia, digamos assim, de achar que é possível reconstruir melhor. E aí, com base nisso, eu acho que vão sendo propostas algumas coisas que fogem um pouco de um processo que a gente pode chamar de verdadeiramente participativo. Essa reconstrução é feita sem a escuta da comunidade, sem a devida participação popular, sem as devidas leituras técnicas e geotécnicas de determinadas áreas. O que termina acontecendo, além do atraso, é uma, com muitas aspas, &#8220;perda de oportunidade&#8221;, de reconstruir melhor. Isso termina em aprofundamento dessas desigualdades. É importante entender que a reconstrução deveria vir junto de um processo de reparação histórica.</p>



<p>Quando olhamos para os levantamento sobre perdas e danos de eventos extremos, precisamos entender também que não estamos falando só de danos materiais individuais. </p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/recife-prefere-comprar-briga-com-a-favela-do-que-com-o-mercado-imobiliario-diz-urbanista-andre-araripe/" class="titulo">&#8220;Recife prefere comprar briga com a favela do que com o mercado imobiliário&#8221;, diz urbanista André Araripe</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/entrevista/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Entrevista</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/moradia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Moradia</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Marco Zero &#8211; <strong>Diante da emergência climática, como garantir a permanência dessas famílias nos territórios com segurança?</strong></p>



<p><strong>Raquel Ludermir &#8211;</strong> Quando visitamos os territórios em áreas onde existem organizações de base comunitária fortes, observamos que um dos elementos-chave para a permanência com segurança é justamente a existência dessas organizações fortalecidas para fazer a gestão comunitária do risco.</p>



<p>Não dá para imaginar um cenário onde exista uma gestão pública que vá remover 200 mil pessoas de áreas de risco no Recife hoje. Não estamos diante de um cenário de possibilidade de realocação adequada dessas famílias. Então precisamos, sim, construir e fortalecer soluções que já existem para permanência com segurança dessas famílias e dos grupos vulnerabilizados nos seus territórios, no sentido de reduzir o risco. </p>



<p>Isso se faz com gestão comunitária de risco, com fortalecimento de ações, de planos de contingência, de preparação das comunidades. É isso que chamamos de adaptação às mudanças climáticas, o que inclui desde tecnologias sociais, de planejamento comunitário, de preparação para a resposta a eventos extremos até efetivamente políticas de implantação de infraestrutura, como drenagem, melhoramento de calçamentos e outros serviços básicos, que precisam vir com a devida transparência, participação e gestão democrática desses processos.</p>



<p>Eu acho que a grande questão aqui é como fortalecer essa atuação comunitária, local, que já vem sendo um grande divisor de águas. Quando há um evento extremo, são essas comunidades e esses grupos comunitários que estão na linha de frente da resposta. Então nada mais justo e mais inteligente do que fortalecer esses processos comunitários de planejamento e de gestão de risco.</p>



<p>O que não exime o poder público de fazer a política pública de adaptação às mudanças climáticas, a implantação de infraestrutura básica, principalmente drenagem, água, saneamento, mas também de melhorias das estruturas físicas das moradias e de pensar nos planos de contingência, nos equipamentos e nos serviços e fluxos de contingência para o momento do evento extremo.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">Quem repara o dano de uma criança que vê sua casa sendo demolida com um trator?</p>
</div>


<p>Marco Zero &#8211; <strong>E quando as realocações são inevitáveis, como garantir que elas sejam feitas sem violações de direitos humanos?</strong></p>



<p><strong>Raquel Ludermir &#8211;</strong> Essa é a grande questão. Eu acho que existem algumas premissas. A primeira delas é a transparência para que as pessoas consigam minimamente entender o que está sendo pensado e proposto, e que possam também mobilizar assessoria técnica, seja assessoria jurídica, urbanística ou política também.</p>



<p>Uma segunda premissa é a participação popular. Não adianta ter transparência e as pessoas ficarem sabendo o que vai acontecer se não houver espaço para devida e efetiva participação popular. Porque estamos aqui lidando com cenários em que não existe uma solução única para tudo. Temos territórios com uma complexidade extremamente diversa, em diferentes contextos em que conseguimos observar o risco socioambiental.</p>



<p>As próprias comunidades e tecnologias sociais e a própria inteligência social, que vêm sendo construídas ao longo de décadas e séculos nos territórios, são essenciais para um projeto, para alternativas de construção bem-sucedidas e que possam ter aderência. Na realidade, na vida concreta desses territórios e dessas cidades, o terceiro elemento são as construções de fato, as alternativas de moradia que estão sendo pensadas.Ainda sobre essas alternativas, existem vários estudos que levantam processos de indenização que considerem não somente a benfeitoria em si, mas considerem as questões de danos e perdas não materiais.</p>



<p>Quais eram os laços que existiam ali? Quais eram as redes de confiança, as redes de clientela? Às vezes você tem determinados cenários em que a pessoa que está sendo removida tinha ali não só a casa, mas uma vendinha, um vizinho de onde ela podia comprar fiado, as redes de confiança, etc. Isso ela não vai construir numa nova comunidade nem tão cedo.</p>



<p>Então a gente precisa, em processos em que a realocação é inevitável, não considerar somente as benfeitorias, a questão material da casa que está sendo ali demolida. A gente precisa entender que existe toda uma rede, todo um processo social por trás dessas questões, com variáveis emocionais, psicológicas e intergeracionais.</p>



<p>Esse é um tema extremamente complexo, mas que requer justamente essa colaboração entre governos, população, sociedade civil e as organizações, que têm feito esse papel de assessoria, de traduzir um pouco os temas que são mais áridos, mais técnicos para as comunidades e para que elas possam, de fato, participar em pé de igualdade.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/04/raquel-ping.jpg" alt="Na foto, vemos um grupo de pessoas — entre socorristas e moradores — atuando em um terreno íngreme e cheio de lama, resultado de um deslizamento. Os socorristas usam capacetes e uniformes de proteção, alguns em bege e outros em vermelho, e trabalham com cordas e ferramentas para garantir segurança e buscar possíveis vítimas. O cenário mostra a dificuldade da operação: o solo está encharcado, há uma pequena construção parcialmente visível embaixo e casas ao fundo em áreas mais altas. A imagem transmite a intensidade e o esforço coletivo em uma situação de emergência." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0"> &#8220;Em um evento extremo, os grupos comunitários estão na linha de frente da resposta&#8221;
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
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<p></p>
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		<title>Maiores vítimas de despejo, mulheres negras podem levar até 184 anos para ter casa própria</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Apr 2025 17:36:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Habitat Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[moradia]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres negras]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Hoje em dia eu me encontro doente, com meu psicológico doente, porque eu não consigo esquecer o que passei ali”. É assim que Givanilda Lopes relembra a ação de despejo que a obrigou a deixar a casa em que viveu por 33 anos. Ex-moradora da Vila Esperança, no bairro do Monteiro, dona Gil &#8211; como [&#8230;]</p>
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]]></description>
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<p>“Hoje em dia eu me encontro doente, com meu psicológico doente, porque eu não consigo esquecer o que passei ali”. É assim que Givanilda Lopes relembra a ação de despejo que a obrigou a deixar a casa em que viveu por 33 anos.</p>



<p>Ex-moradora da Vila Esperança, no bairro do Monteiro, dona Gil &#8211; como era conhecida na comunidade &#8211; lutou até o último dia por uma indenização justa, mas não recebeu o que esperava. A casa em que morava na Zeis Vila Esperança foi construída por ela para abrigar sua família: a irmã, seu ex-marido e seus dois filhos. Ela ergueu e reformou o imóvel com as próprias mão. Literalmente. </p>



<p>Agora, um ano após ter sido despejada para dar lugar às vias de acesso à ponte Engenheiro Jaime Gusmão, dona Gil possui uma nova moradia, mas ainda convive com a insegurança.“Eu comprei uma casinha no Alto do Mandú, com a ajuda de uma pessoa, por que a indenização que eu recebi da prefeitura foi muito baixa, e não deu pra eu comprar em outro lugar.<strong> </strong>Então, eu ainda não consegui comprar uma casa com documento, comprei uma casa com termo de compra e venda só. Agora eu estou sofrendo pra fazer a documentação, pra ver se eu ganho o título de posse da casa”, conta a dona de casa.<br><br>A mudança de ambiente também tem trazido transtornos para quem estava acostumada a conviver com uma vizinhança tranquila: “eu já me aperriei muito aqui, com zoada de vizinho, com jogo de bola na minha porta. Um ano que eu tô morando aqui e já me aperriei muito”. E além dos transtornos psicológicos enfrentados desde a desapropriação e demolição de sua casa, o caminho para sua nova residência é cheio de ladeiras, o que agrava as dores causadas pela hérnia de disco.</p>



<p>O que se passou com os moradores da extinta Vila Esperança definem o que o relatório <em>Sem moradia digna, não há futuro </em>da Habitat para a Humanidade Brasil define como um “despejo invisibilizado”, marcado por remoções forçadas, sem planejamento e ausência de alternativas dignas e seguras de moradia. Sem a garantia da posse e submetidas a obras públicas que ignoram a escuta comunitária, mulheres negras seguem sendo as maiores vítimas do déficit habitacional no Brasil.  </p>



<p>De acordo com os dados da pesquisa que tem o objetivo de expor as desigualdades de raça, gênero e classe no acesso à moradia, mesmo com emprego estável e vivendo nas condições mais favoráveis possíveis, uma mulher negra levaria 184 anos para comprar uma casa própria em uma favela no Brasil. </p>



<p>O estudo analisa dois aspectos fundamentais do direito à moradia a partir da perspectiva das mulheres: a segurança da posse (proteção contra despejos e remoções forçadas) e o direito à água, saneamento e higiene. As informações foram reunidas ao longo de cinco anos em 106 comunidades populares, favelas e ocupações urbanas em capitais e regiões metropolitanas. Confira o <a href="https://habitat-brasil.rds.land/sem-moradia-digna-nao-ha-justica-de-genero" target="_blank" rel="noreferrer noopener">relatório completo no link</a>. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Déficit habitacional tem raça e gênero</h2>



<p>Segundo o relatório <em>Sem moradia digna, não há futuro </em>da Habitat para a Humanidade Brasil, 62,6% das famílias em situação de déficit habitacional são chefiadas por mulheres. São mães solo, cuidadoras, trabalhadoras informais que, com salários baixos, enfrentam o dilema cotidiano entre comer ou pagar o aluguel. Essa realidade, denominada de “feminização do déficit habitacional”, reflete o peso do trabalho não remunerado, a falta de renda formal e a sobrecarga do cuidado, fatores que atingem desproporcionalmente as mulheres, sobretudo as mulheres negras.</p>



<p>“A conta não fecha”, afirma o estudo ao mostrar que, mesmo uma mulher negra com renda média de R$2.745,76 e despesas básicas reduzidas ao mínimo, só conseguiria economizar R$31,62 por mês. Nesse ritmo, levaria quase dois séculos para que essa mulher conseguisse comprar um imóvel avaliado em R$69.828,57, valor médio das casas nas maiores favelas brasileiras.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/04/despejo2.jpg" alt="O quadro apresenta uma análise financeira detalhada de uma mulher com um rendimento médio mensal de R$2.745,76. Ele inclui os principais gastos dela: Aluguel: Consome 30% da renda (R$823,73); Cesta básica: R$714,65; Custo com 1 criança até 18 anos: Representa 30% da renda (R$823,73); Mobilidade: 11% da renda (R$302,03); Comunicação: R$50,00. Após todos esses gastos, a pessoa tem uma sobra de R$31,62 por mês. Com essa quantia, seria necessário 184 anos (ou cerca de 7 gerações) para comprar um imóvel de R$69.828,57. Contudo, com o auxílio do Programa Bolsa Família, o tempo reduziria para 28 anos." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Dados da pesquisa Sem moradia digna, não há futuro
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Divulgação/Habitat Brasil</span>
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<h3 class="wp-block-heading">Despejos, violência e ausência de políticas públicas</h3>



<p>Além da exclusão econômica, as mulheres também são as principais vítimas de remoções forçadas, muitas vezes associadas a processos judiciais, obras públicas ou ações de milícias e do crime organizado. Desde 2020, quase um milhão de mulheres e meninas foram despejadas ou vivem sob ameaça de despejo, de acordo com dados da Campanha Despejo Zero, iniciativa que colabora com o relatório.</p>



<p>A violência doméstica também é uma face cruel dessa realidade: muitas mulheres são forçadas a abandonar seus lares para escapar de relacionamentos abusivos, entrando diretamente para as estatísticas do déficit habitacional.</p>



<p>A situação é agravada por projetos de lei que criminalizam a luta por moradia. A Campanha Despejo Zero já identificou pelo menos 30 Projetos de Lei (PLs) em tramitação que propõem medidas como aumento de penas por ocupações, criação de cadastro de “invasores” e até a exclusão de pessoas sem moradia de concursos públicos ou programas sociais como o Bolsa Família.</p>



<p>Apesar das adversidades, são também as mulheres que lideram os movimentos por moradia em todo o país. Em ocupações urbanas e rurais, estão à frente da gestão coletiva, das lutas jurídicas e das ações de resistência cotidiana. “Elas constroem, dia após dia, um país possível”, afirma Raquel Ludermir, gerente de Incidência Política da Habitat Brasil.</p>



<p>“Sem moradia digna, as mulheres têm pagado um preço alto – que custa seu tempo de vida, sua saúde física e mental, a possibilidade de estudar, trabalhar, descansar e sonhar com um futuro melhor, um futuro mulher”, conclui Raquel.</p>



<p>O relatório também alerta para a ineficácia das políticas públicas atuais. De acordo com a pesquisa, a média de tempo de espera no cadastro habitacional é de 7,7 anos, muito além dos 12 a 24 meses previstos oficialmente. Diante de tantas adversidades, para milhares de famílias, a moradia digna continua sendo apenas uma promessa distante.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/04/despejos.jpg" alt="O quadro apresenta informações sobre pessoas afetadas por despejos e remoções forçadas, divididas em quatro categorias: Quadro no canto superior esquerdo tem fundo preto e destaca o número total de pessoas afetadas por despejos e remoções forçadas: 1.524.556 pessoas. Quadro no canto superior direito tem fundo roxo e foca especificamente nas mulheres afetadas: 938.734 mulheres. Quadro no canto inferior esquerdo: Fundo vermelho, mostrando o impacto nas crianças: 267.539 crianças. Quadro no canto inferior direito: Fundo laranja, destacando o número de pessoas idosas afetadas: 262.845 idosos. Todos os quadros possuem o logotipo da organização DESPEJO ZERO." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Dados levantados pela Campanha Despejo Zero
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Reprodução/Campanha Despejo Zero</span>
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                    </figure>

	


<p></p>
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		<title>ONG reforma casas de famílias moradoras do Coque</title>
		<link>https://marcozero.org/ong-reforma-casas-de-familias-moradoras-do-coque/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Apr 2024 18:08:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Coque]]></category>
		<category><![CDATA[habitação]]></category>
		<category><![CDATA[Habitat Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Imagine ter a casa invadida pela água todas as vezes que chove. Agora, imagine morar em uma casa de apenas três cômodos sem o encanamento adequado para usar a cozinha ou em uma residência sem banheiro. São em casas assim que moram as pessoas beneficiadas pelo programa de Melhorias Habitacionais que a organização não-governamental Habitat [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Imagine ter a casa invadida pela água todas as vezes que chove. Agora, imagine morar em uma casa de apenas três cômodos sem o encanamento adequado para usar a cozinha ou em uma residência sem banheiro. São em casas assim que moram as pessoas beneficiadas pelo programa de Melhorias Habitacionais que a organização não-governamental <a href="https://habitatbrasil.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Habitat para a Humanidade Brasil</a> está realizando na comunidade do Coque, na Ilha de Joana Bezerra, área central do Recife.</p>



<p>O projeto executado na comunidade se baseia no que os técnicos da organização chamam de WASH, uma sigla que significa, em português, água, saneamento e higiene. Desse modo, dez residências onde vivem aproximadamente 50 pessoas serão reformadas para garantir a qualidade para uma moradia digna. As obras e reparos estão sendo feitas nas paredes e telhados, adequação de pisos, escadas, rampas de acesso, substituição de instalações elétricas e/ou hidrossanitárias, construção e reformas de banheiros.</p>



<p>“A gente já fez melhorias aqui no Coque, mas resolvemos voltar porque é a comunidade que tem o IDH mais baixo da Região Metropolitana de Recife e também pelo histórico de luta. A gente sempre faz relação com a luta pela moradia, contra a especulação imobiliária que, por ser área Zeis &#8211; Zona de interesse social -, que deveria ser protegido contra a especulação imobiliária, mas nos últimos anos estão tentando desmontar a política, e aí o capital está querendo falar mais alto”, explica a assistente social da Habitat Brasil, Araceles Domingos.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/04/53658846619_ac31558585_k-1.jpg" alt="Esta foto mostra um ambiente interno com paredes desgastadas e um teto de telhas de amianto com caibros de madeira. Há duas mulheres na imagem: uma delas usa camiseta azul, calça preta, óculos e cabelos presos, mas o rosto não está muito visível, pois ela está olhando e apontando para cima; a segunda mulher está de perfil, é uma idosa de pele branca e cabelos grisalhos presos em coque atrás da cabeça, usando uma blusa colorida em tons de azul, preto e branco, além de uma saia estampada com motivos florais. A sala está cheia de vários objetos, incluindo uma mesa com itens diversos em cima e ao redor dela. Há uma janela no fundo que permite a entrada de luz natural." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Elza escuta orientações de Araceles Domingos, da ONG Habitat
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Os critérios utilizados para escolher as famílias foram renda, idade, quantidade de filhos, gênero e condições da habitação. Na residência da dona de casa Elza Maria Nascimento, de 55 anos, há um exemplo das soluções encontradas na arquitetura popular pela necessidade. À medida que os filhos foram nascendo e crescendo, novos pavimentos foram surgindo, hoje são três pavimentos para ao menos nove pessoas, entre filhos e netos.</p>



<p>“Era muita pingueira mesmo e, quando chovia, descia para a casa de baixo e o pessoal ficava reclamando, porque molhava as coisas deles lá embaixo. Aí eu não tinha condições para ajeitar, mas Deus mandou esse programa no mês do meu aniversário”, desabafa Elza. na casa dela, as maiores alterações serão a troca de telhado, mas, também reparos como pintura, troca da instalação elétrica e das calhas.</p>



<p>No pavimento térreo, uma das moradoras é a filha de Elza. Rebeca Evelin Nascimento, de 23 anos, vive com as duas filhas, em três cômodos onde mal dá para cozinhar por falta de estrutura. Com o programa, vai ter a cozinha reformada, a abertura de uma janela para melhorar a ventilação, troca de portas, além de outros pequenos reparos. “Eu tô muito feliz. Essa foi uma grande ajuda, porque a gente estava precisando muito e a gente não tinha condições de fazer isso. Então, veio uma boa hora”, declara a jovem.</p>



<p>A poucas ruas da família Nascimento, mora a pensionista Maria de Lourdes, de 60 anos, a realidade se assemelha à anterior, pois, no mesmo terreno, há seis moradias de diferentes gerações da mesma família. Na casa de Maria, será colocado um novo piso, aumento das paredes, divisão dos cômodos e construção de um banheiro. “Eu não podia fazer (a reforma), sou pensionista e meu dinheiro é muito pouco. E agora eu espero ser feliz na minha casa”, afirma.</p>



<p>As obras são realizadas em até duas semanas e contam com a execução de <a href="https://habitatbrasil.org.br/parceiros/conheca/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">duas empresas parceiras da Habitat</a>, a Dona Obra e a Mesquitas. O programa já beneficiou mais de 2.500 famílias em todo o país e é apoiada pela <a href="https://www.fundacaosalvadorarena.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Fundação Salvador Arena</a>.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>Habitat para a Humanidade Brasil é uma organização da sociedade civil que, há mais de 30 anos, atua para combater as desigualdades e garantir que pessoas em condições de pobreza tenham um lugar digno para viver. Presente em mais de 70 países, a organização promove a incidência em políticas públicas pelo direito à cidade e soluções de acesso à moradia, à água e ao saneamento, em articulação com diversos setores e comunidades.</p>
        </div>
    </div>



<p>De acordo com o Plano Local de Habitação de Interesse Social (PLHIS), de 2019, o Recife possui mais de 70 mil moradias em situação de déficit habitacional. Estes dados consideram domicílios precários, interpretados como rústicos e/ou improvisados, coabitações, ônus excessivo com aluguel e adensamento excessivo em imóvel alugado (quando o imóvel possui um número superior a três pessoas por dormitório).</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/04/53658883279_c0ea7d6d91_k.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/04/53658883279_c0ea7d6d91_k.jpg" alt="Esta foto mostra um ambiente interno, aparentemente uma cozinha, que parece ser pequena e modesta. Há seis pessoas na imagem: ao centro está uma mulher idosa, sentada em uma cadeira, junto de duas meninas que estão encostadas nela. em pé, está uma jovem mulher negra, magra, de cabelos presos atrás da cabeça, usando um vestido curto marrom, carregando no colo um bebê de pele clada que veste apenas fralda descartável, finalmente, por trás da idosa, há um rapaz magro, moreno, de cabelos pretos assanhados e bigode ralo,usando camiseta laranja. A parede é de cor clara e parece desgastada. Há uma variedade de objetos ao redor, incluindo utensílios de cozinha em um fogão branco antigo, um galão azul de água e sacos no chão." class="" loading="lazy" width="687">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</span>
                                    </figcaption>
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			</item>
		<item>
		<title>ONG está reformando casas de 50 famílias de crianças com microcefalia causada pelo Zika vírus</title>
		<link>https://marcozero.org/ong-esta-reformando-casas-de-50-familias-de-criancas-com-microcefalia-causada-pelo-zika-virus/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 May 2023 17:45:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[aedes aegypti]]></category>
		<category><![CDATA[epidemia de Zika]]></category>
		<category><![CDATA[Habitat Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[microcefalia]]></category>
		<category><![CDATA[Zika vírus]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cinquenta famílias do agreste pernambucano com crianças portadoras de microcefalia, provocada pela infecção do vírus Zika, que vivem em condições precárias de moradia, terão suas casas reformadas pela organização não governamental Habitat para a Humanidade Brasil. A intenção é reduzir os danos provocados pelo impacto da doença em Pernambuco, epicentro da epidemia ocorrida em 2015, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Cinquenta famílias do agreste pernambucano com crianças portadoras de microcefalia, provocada pela infecção do vírus Zika, que vivem em condições precárias de moradia, terão suas casas reformadas pela organização não governamental <a href="https://habitatbrasil.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Habitat para a Humanidade Brasil</a>. A intenção é reduzir os danos provocados pelo impacto da doença em Pernambuco, epicentro da epidemia ocorrida em 2015, com o maior número de casos de microcefalia notificados no país.<br><br>Oito anos após o surto do Zika vírus no Brasil, mas, ainda hoje, as famílias atingidas continuam a sofrer as consequências e sequelas deixadas pela doença. No estado, vivem pelo menos 400 crianças, nascidas durante ou logo após a epidemia, que desenvolveram malformações do sistema nervoso e necessitam de cuidados especiais permanentes.</p>



<p>De acordo com a equipe técnica da Habitat Brasil, a mobilidade dentro de casa é um dos pontos que mais requer atenção e altera drasticamente a rotina diária. Problemas respiratórios também atingem muitas dessas crianças. Por isso, a entidade desenvolveu o projeto e captou recursos para reformar as casas de 50 famílias nos municípios de Caruaru, Bonito, Limoeiro, Vertentes, Poção e Brejo da Madre de Deus. Ao todo, a ONG obteve R$ 480 mil, possibilitando obras no valor de R$ 9,6 mil para cada residência.</p>



<p>As obras do projeto já começaram e só devem terminar em outubro deste ano. As reformas são executadas por profissionais das comunidades onde moram as famílias, que a ONG chama de “parceiros locais”. As reformas incluem ampliação de banheiros, construção de rampas de acesso, reparos de infiltrações e vazamentos, substituição ou melhoria de instalações elétricas, por exemplo.</p>



<p>A gerente de Programas da Habitat Brasil, Mohema Rolim, explica a razão da entidade ter adotado este foco em sua atuação no Brasil: “a síndrome atingiu, em sua maioria, uma população pobre, preta e periférica. Então, esse projeto pensa, sobretudo, nas mães que, muitas vezes, estão sobrecarregadas com as funções do dia a dia e os cuidados especiais que dedicam às crianças. As melhorias nessas casas buscam minimizar e facilitar o trabalho delas com os seus filhos, oferecendo melhoria da salubridade do imóvel, da mobilidade da criança e proporcionando novos espaços para elas fazerem seus exercícios, além de uma melhor locomoção para a família”.</p>



<p>Em 2020, durante a pandemia, a Habitat Brasil já havia realizado uma ação de apoio emergencial para mais de 300 famílias de crianças com microcefalia em Pernambuco, em parceria com o grupo União Mães de Anjos, distribuindo kits de limpeza e itens de higiene para se protegerem do coronavírus. Em 2021, 32 famílias foram beneficiadas com melhorias habitacionais. Agora, na segunda etapa do projeto, serão mais 50.</p>



<p><strong>O que é a Habitat Brasil</strong></p>



<p>Habitat para a Humanidade Brasil é uma organização da sociedade civil que, há mais de 30 anos, atua para combater as desigualdades e garantir moradia digna para pessoas em condições de pobreza. Presente em mais de 70 países, a organização promove a incidência em políticas públicas pelo direito à cidade e soluções de acesso à moradia, à água e ao saneamento, em articulação com diversos setores e comunidades. No Brasil, a organização já realizou ações em 24 estados.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/zika-virus-nao-da-tregua-em-pernambuco-127-criancas-nasceram-com-microcefalia-em-2020-e-2021/" class="titulo">Zika vírus não dá trégua em Pernambuco: 127 crianças nasceram com microcefalia em 2020 e 2021</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
            
		            </div>
	            </div>
        </div>

		


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			</item>
		<item>
		<title>Voluntários vão ao agreste pernambucano construir cisternas</title>
		<link>https://marcozero.org/voluntarios-vao-ao-semiarido-construir-cisternas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Géssica Amorim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Aug 2022 20:04:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[captação de água de chuva]]></category>
		<category><![CDATA[cisternas]]></category>
		<category><![CDATA[Habitat Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[semiárido brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[voluntariado]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=50375</guid>

					<description><![CDATA[<p>Publicado em parceria com Coletivo Acauã A organização não governamental Habitat para a Humanidade Brasil acaba de construir quatro cisternas para o armazenamento de água de quatro famílias do povoado do Chicão de Cima, zona rural do município de Riacho das Almas, no Agreste pernambucano. Até aí, nenhuma novidade, afinal há décadas a cisterna é [&#8230;]</p>
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<p><strong>Publicado em parceria com <a href="https://medium.com/@coletivoacaua/volunt%C3%A1rios-v%C3%A3o-at%C3%A9-riacho-das-almas-no-agreste-pernambucano-construir-cisternas-para-fam%C3%ADlias-da-ca6efbf73413" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Coletivo Acauã</a></strong></p>



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<p>A organização não governamental <a href="https://habitatbrasil.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Habitat para a Humanidade Brasil</a> acaba de construir quatro cisternas para o armazenamento de água de quatro famílias do povoado do Chicão de Cima, zona rural do município de Riacho das Almas, no Agreste pernambucano. Até aí, nenhuma novidade, afinal há décadas a cisterna é a tecnologia de água de chuvas mais utilizada pelas ONGs que atuam no semiárido.</p>



<p>A novidade, neste caso, é que as cisternas foram construídas por voluntários que vieram de São Paulo, Brasília, Recife e da Alemanha.<br><br>As ações da Habitat Brasil são realizadas principalmente com o apoio de empresas parceiras, que arcam com todos os custos das obras e também encaminham os seus funcionários para o voluntariado. Os trabalhos no povoado de Chicão de Cima foram financiados pela <a href="https://wilo.com/br/pt/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">empresa alemã Wilo</a>, que atua no mercado de fabricação de bombas e sistemas de bombas para o abastecimento de água há mais de 150 anos e está no Brasil desde 2011.&nbsp;</p>



<p>Os funcionários da empresa que aceitaram o convite para fazer parte do grupo de voluntários da construção das cisternas em Chicão de Cima vieram de cidades do estado de São Paulo, de Brasília, do Recife e também da Alemanha. Toda a equipe ficou hospedada em um hotel na cidade de Caruaru, a cerca de 25 quilômetros de Riacho das Almas.</p>



<p>No povoado Chicão de Cima, as quatro cisternas construídas entre a&nbsp; segunda, 8 de agosto, e a sexta-feira, 12, irão beneficiar as famílias das agricultoras Ednalda Palmeira, Lucenilda Maria de Lima, Edjane Maria da Silva e Cícera Maria, que ainda não têm acesso a água encanada. Elas dependem de uma cisterna comunitária, abastecida três vezes por mês pelo caminhão-pipa do Exército, que cede, por dia, um balde de até 20 litros de água para cada pessoa das famílias que precisam utilizar o&nbsp; reservatório.&nbsp;</p>



<p>Edjane Maria tem 29 anos e mora em Chicão de Cima com o marido e&nbsp; três filhos. A agricultora conta que vive no povoado desde que nasceu e nunca teve água encanada em casa. Para tomar banho, cozinhar,&nbsp; lavar roupa e realizar outras atividades domésticas, a família de Edjane utiliza a água da cisterna abastecida pelo Exército ou busca a água de um barreiro localizado a quase um quilômetro de casa, que é tratada com hipoclorito de sódio distribuído por agentes de saúde do município de Riacho das Almas. “A gente sofre muito no verão. No inverno, o Exército ainda traz água pra gente. Conseguimos um balde de água por pessoa pra fazer tudo em casa. Aqui, somos cinco, temos direito a cinco baldes, mas pegamos só quatro, que o outro já fica pra outra pessoa que pode precisar de&nbsp; mais água. Mas, com a cisterna, agora, vai facilitar. É uma benção de Jesus, porque andar pra ir buscar água no barreiro com uma carroça de mão é muito sofrimento”.&nbsp;</p>



<p>Perto da casa de Edjane, moram a dona de casa Cícera Maria, 33, e o seu filho, Gustavo, de 11 anos. Cícera também precisa da água da cisterna coletiva do povoado. Todos os dias, ela consegue retirar do reservatório dois baldes de água, que utiliza exclusivamente para cozinhar e beber. Para lavar roupa, louça e tomar banho, por exemplo, utiliza a água de um barreiro que fica bem perto da sua casa. Para tratar essa água, a dona de casa também usa o hipoclorito.&nbsp;</p>



<p>Desempregada, Cícera sustenta a casa e o filho apenas com o valor que recebe do Auxílio Brasil. O pai de Gustavo, não contribui com a constância que deveria para ajudar com os custos da criação do menino.&nbsp; A construção da cisterna traz para mãe e filho um alívio pelo menos na questão que diz respeito aos problemas com a falta de água. “Estou feliz com a cisterna. Vou ficar mais feliz ainda quando ela estiver cheinha. Aqui é um sufoco por água. A do Exército eu deixo só pra beber e cozinhar. Pro resto, eu tenho que descer até o barreiro e trazer os baldes numa carroça de mão. Com a cisterna aqui do lado, vai ser um alívio”.&nbsp;</p>



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	                                        <p class="m-0">Voluntários iniciam construção de cisterna em Riacho das Almas. Crédito: Géssica Amorim/Coletivo Acauã</p>
	                
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<p>A engenheira responsável, Luciana Macário Simões, de 50 anos e 25 de carreira, trabalha na Habitat Brasil como coordenadora construtiva há pouco mais de dois anos. O trabalho com a organização tem feito Luciana enxergar a sua profissão de modo diferente, mais humano.&nbsp; “No meu entendimento, trabalhar na Habitat é um presente. Com 20, 30 anos de carreira, você acha que já viveu tudo na profissão e, trabalhar construindo essas cisternas, ou fazendo outros reparos nas casas de pessoas que precisam da nossa ajuda,&nbsp; me faz pensar que estou começando hoje na engenharia. Me dá a mesma força, o mesmo gás de aprender e fazer tudo dar certo. Me torno uma engenheira social. Não é o concreto pelo concreto. É o concreto pela família, pela ação, por pessoas que ainda não conseguem pagar por esse serviço”.</p>



<p>Ao lado de Luciana, trabalha a coordenadora de voluntariado e mobilização de recursos Rebecca Portela de Melo, que é socióloga e integra a equipe da Habitat Brasil desde 2017. O trabalho na organização também mudou a forma como ela enxerga o próprio trabalho e como se relaciona com os conhecimentos acadêmicos que adquire enquanto doutoranda na área em que se graduou.&nbsp;“Eu tenho muito acesso aos dados e à literatura, sendo socióloga, e, estar aqui, trabalhando nesse projeto, é colocar rosto, nome, em todos aqueles números, aqueles dados frios com que eu tenho contato. É me deixar sensibilizar ainda mais pela vivência, a partir da observação, estando diante dessa realidade. O desenvolvimento social, a diminuição da desigualdade que eu busco na vida acadêmica, eu encontro aqui e coloco, mesmo, nomes, rostos, idades e endereços a partir dessa vivência que a Habitat me proporciona”.&nbsp;</p>



<p>Para construir uma cisterna, os custos variam de acordo com o tamanho e os materiais escolhidos. Os reservatórios construídos em Chicão de Cima têm capacidade para armazenar até 16 mil litros de água e são feitos de placas de cimento. Segundo a Habitat Brasil, na construção de cada uma, contando com a logística, mão de obra dos pedreiros que lideraram as equipes de voluntários e a compra dos materiais, foram gastos pelo menos R$ 6 mil&nbsp;</p>



<p>Ao todo, sete pessoas integraram o grupo de voluntários, que foi dividido em equipes que trabalharam simultaneamente, desenvolvendo cada etapa da construção das cisternas nas casas das famílias beneficiadas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Durante a semana, os trabalhos foram realizados da seguinte maneira: na segunda pela manhã, os voluntários chegaram a Chicão de Cima e foram apresentados aos moradores e aos pedreiros com quem iriam trabalhar e de quem iriam receber as orientações. Iniciaram, então, a produção de 63 placas de cimento para o levantamento da cisterna e de outros 21 conjuntos de placas para a cobertura do reservatório. O trabalho durou até o final da tarde, quando as placas foram postas para secar. Na terça, as obras seguiram com o início da montagem das placas e a construção da calha para o telhado. Na quarta-feira, os pedreiros e voluntários seguiram com a montagem e amarração das placas de cimento. Os reservatórios começaram a tomar forma. O reboco das paredes e as bases das cisternas foram feitos na quinta, pela manhã. À tarde, as laterais foram aterradas com a areia do local que foi escavado para abrigar cada reservatório. Na sexta-feira, foram feitas a impermeabilização e a instalação dos canos e da bomba manual. As cisternas estão prontas.</p>



<p>Ainda na sexta, foi realizada a cerimônia de entrega às famílias de Edjane, Cícera, Ednalda e Lucenilda. Os pedreiros contratados pela Habitat Brasil para orientar os trabalhos dos voluntários são trabalhadores locais. Todo o material usado na obra, desde equipamentos de segurança, passando por produtos alimentícios, a equipamentos de segurança, também foi comprado de comerciantes do município de Riacho das Almas.</p>



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		<title>Pernambuco é o estado do Nordeste com  maior número de famílias sob ameaça de despejo</title>
		<link>https://marcozero.org/pernambuco-e-o-estado-do-nordeste-com-maior-numero-de-familias-sob-ameaca-de-despejo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kleber Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Aug 2021 20:40:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nadja Maria Barreto, morou por 21 do seus 48 anos com nove filhos em uma casa alugada, no bairro de Candeias, em Jaboatão dos Guararapes. A mudança forçada veio em 2017, quando o aluguel de R$ 510 se equiparou ao que a inquilina ganhava por mês trabalhando de maneira informal com serviços gerais.Entre comer e [&#8230;]</p>
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<p>Nadja Maria Barreto, morou por 21 do seus 48 anos com nove filhos em uma casa alugada, no bairro de Candeias, em Jaboatão dos Guararapes. A mudança forçada veio em 2017, quando o aluguel de R$ 510 se equiparou ao que a inquilina ganhava por mês trabalhando de maneira informal com serviços gerais.<br><br>Entre comer e morar em um imóvel regularizado, Nadja escolheu fugir da fome e com o apoio do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) ocupou um terreno ocioso, no bairro Dom Hélder, também em Jaboatão. Ela conta que na Ocupação Selma Bandeira vivem 200 famílias sem saneamento básico, atendimento em saúde, assistência social ou qualquer ação de política pública.<br><br>“Convivemos com ratos, baratas, cobras e até jacarés. Não temos direito ao atendimento no posto de saúde próximo porque dizem que estamos em uma área que não tem cobertura. Com a pandemia a situação ficou ainda pior, tem muita gente passando fome”, conta Nadja.<br><br>Se o presente é dramático o suficiente para qualquer família, o futuro para quem vive em ocupações é ainda pior com o iminente risco de despejo. No caso de Nadja e seus vizinhos há uma decisão judicial, segundo ela, para que todos deixem a área até o próximo dia 8 de setembro.</p>



<p>Essa realidade não é exclusividade das pessoas que vivem na Ocupação Selma Bandeira. Na verdade, Pernambuco é líder no Nordeste e terceiro estado do Brasil onde existem mais famílias vivendo sob a ameaça de serem expulsas da casa onde moram. São 9.299 nessa situação aqui no estado, enquanto que em São Paulo são 26.993 e no Amazonas 19.173.</p>



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	                                        <p class="m-0">Duas mil famílias foram despejadas em Pernambuco na pandemia. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p>
	                
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<p>Os dados são do levantamento da Campanha Despejo Zero, articulação nacional que reúne mais de 140 organizações, entidades, movimentos sociais e coletivos. O estudo mostra ainda que, nos últimos 12 meses, pelo menos 2.000 famílias foram despejadas em Pernambuco.<br><br>A diretora executiva da Habitat Brasil, Socorro Leite, afirma que os números preocupantes mostram o reflexo do aumento da pobreza e da falta de prioridade dos governos em relação às políticas públicas voltadas para suprir o déficit habitacional.<br><br>“Se formarmos o perfil dos mais afetados com essa violação do direito à moradia teremos em sua maioria uma população feminina, negra e desempregada. É uma situação de vulnerabilidade preocupante que mostra que as políticas públicas, do jeito que estão, não conseguem dar conta”, avalia.<br><br>Aprovado no último dia 19, o Projeto de Lei 1010/2021, de autoria das Juntas Codeputadas, é a esperança para que pelo menos o sono das quase 10 mil famílias, que vivem sob o iminente risco de despejo, seja um pouco mais tranquilo. A matéria proíbe que sejam concedidas ordens de despejo durante a pandemia do coronavírus.<br><br>“É muito importante que o Governo de Pernambuco sancione o mais rápido possível esse projeto de lei aprovado pelos deputados. É preciso lembrar que também há ameaças de despejos feitas pelo estado”, destaca Socorro.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>Esta reportagem é uma produção do Programa de Diversidade nas Redações, realizado pela Énois – Laboratório de Jornalismo Representativo, com o apoio do Google News Initiative”.</em></p></blockquote>



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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero</strong></em></p><p><em>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.</em></p><p><em>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.</em></p><p><em>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.</em></p><p><em>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.</em></p><p><em>É hora de assinar a Marco Zero</em></p><p><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Clique aqui para doar</strong></a></p></blockquote>
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