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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>A cor da fome</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Sep 2022 15:39:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[fome no Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[governo Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[insegurança alimentar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Jones Manoel* e Tiago Paraíba** “O maior espetáculo do pobre da atualidade é comer”.  Quarto do Despejo, de Carolina Maria de Jesus O ano é 2022, mas esse artigo poderia se referir ao período colonial no País.  Hoje a fome aflige 125,2 milhões de pessoas no Brasil, o que corresponde a 58,7% da população [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Jones Manoel* e Tiago Paraíba**</strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote has-text-align-right is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>“O maior espetáculo do pobre da atualidade é comer”.</strong></p><cite><strong> <em>Quarto do Despejo</em>, de Carolina Maria de Jesus</strong></cite></blockquote>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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<p>O ano é 2022, mas esse artigo poderia se referir ao período colonial no País.  Hoje a fome aflige 125,2 milhões de pessoas no Brasil, o que corresponde a 58,7% da população brasileira, segundo os dados divulgados em 8 de julho de 2022 pelo 2° Inquérito Nacional sobre Segurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19, pesquisa realizada pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN).</p>



<p>De acordo com a pesquisa anterior, de 2020, a fome no Brasil havia retornado aos patamares similares aos de 2004. Em 2022, a realidade é ainda pior. De 9% dos domicílios com moradores passando fome, saltamos para 15,5%, correspondendo a 33,1 milhões de brasileiros/as, o que nos leva aos níveis da década de 1990.</p>



<p>Isso ocorre no contexto de uma pandemia, mas ela não é maior culpada pelo Brasil voltar a esses números extremamente altos de pessoas com fome; soma-se a ela o desmonte sistemático das políticas públicas, a crise econômica, a falta de reforma agrária e o fortalecimento do latifúndio, a carestia dos alimentos e o aprofundamento das desigualdades sociais, o que faz do Brasil um dos países mais desiguais do mundo. O resultado disso tudo nos dois últimos anos são mais 14 milhões de pessoas passando a conviver com a fome cotidianamente.</p>



<p>O Brasil sempre foi um país da geografia da fome, como nos alertava Josué de Castro, desde a década de 1940. Na história brasileira – do período colonial até o desenvolvimento do capitalismo e a formação da República &#8211; a carestia, fome, privação e falta de acesso a direitos sempre estiveram presentes no cotidiano do povo trabalhador. Nunca tivemos uma destruição das estruturas tradicionais de concentração de terras, renda e riqueza e de opressão racista do nosso povo.</p>



<p>O Brasil é um país moldado pela exploração negra e indígena, um moinho de gastar gente, como diria Darcy Ribeiro. Esse peso da nossa construção histórica não é nosso passado apenas; é o presente, é parte da compreensão da luta de classes hoje. Desde a Lei de Terras (1850) até os dias atuais, o povo negro segue sem acesso à terra e comprimido nas favelas de todo Brasil.</p>



<p>A compreensão do problema da fome, portanto, passa não só por um olhar atento aos desmontes e à destruição de direitos aplicados desde 2015 para cá, como também à longa duração histórica do nosso país. A fome no Brasil tem cor. O rosto da pessoa que passa fome é, majoritariamente, o de uma mulher negra. É necessário um entendimento profundo das razões disso.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A fome tem cor e gênero</strong></h2>



<blockquote class="wp-block-quote has-text-align-right is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>“Daria um filme</strong></p><p><strong>Uma negra e uma criança nos braços</strong></p><p><strong>Solitária na floresta de concreto e aço”</strong></p><cite><strong><em>Negro Drama </em>(Racionais MC´s)</strong></cite></blockquote>



<p>Em setembro de 2022, em São Paulo, uma mãe foi presa por furtar R$ 21,69 em comida para os seus cinco filhos. A escritora Carolina Maria de Jesus, em seu livro <em>Quarto de Despejo</em>, é certeira quando afirma que <em>“</em>a fome também serve de juiz<em>”.</em></p>



<p>De acordo com os dados levantados na pesquisa da Rede PENSSAN, a fome é desproporcionalmente maior entre mulheres, pessoas negras, habitantes de zonas rurais e moradores das regiões norte e nordeste. Fica mais uma vez evidente que a fome tem cor, gênero e classe.</p>



<p>Enquanto 53,2% dos domicílios onde a pessoa de referência se autodeclara branca vivem em segurança alimentar, nos lares com responsáveis de raça/cor preta ou parda ela cai para 35%. Em outras palavras, 65% dos lares comandados por pessoas pretas ou pardas convivem com restrição de alimentos em algum nível. Ou seja, seis a cada dez domicílios cujos os responsáveis se identificam como pretos ou pardos vivem com algum grau de insegurança alimentar, seja leve, moderada ou grave.</p>



<p>Em 2021, um estudo feito pela Integration Consultinge comprova o que já é fácil de inferir: 76% das pessoas que passam fome no Brasil são negros e negras e a grande maioria vive em favelas. Comparando o inquérito de 2020 com o de 2022, a fome saltou de 10,4% para 18,1% entre os lares comandados por pretos e pardos.</p>



<p>No período das duas pesquisas, as diferenças são ainda mais alarmantes quando a comparação é entre os lares chefiados por homens e os lares chefiados por mulheres. Nas casas em que a mulher é a pessoa de referência, a fome passou de 11,2% para 19,3%. Nos lares que têm homens como responsáveis, a fome passou de 7,0% para 11,9%. Um dos fatores que explicam essa diferença é a desigualdade salarial entre os gêneros.</p>



<p>As mulheres comandam cerca de 48% dos lares brasileiros, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), e na esmagadora maioria, são mães solos, as únicas responsáveis por suprir as necessidades de famílias inteiras. Quando falta comida, os conflitos tendem a aumentar, e é sobre as mulheres que recaem as pressões por mediar os conflitos da panela vazia. A mulher negra está na base da exploração dessa sociedade extremamente desigual e a fome é uma das manifestações do encontro violento entre machismo, racismo e capitalismo. </p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O racismo estrutural e a fome</strong></h3>



<p>O fato da maioria em situação de fome e miséria no Brasil ser negra, como já podemos constatar, não é um acaso; é consequência de um sistema que tem no racismo uma das bases fundamentais da exploração e reprodução das desigualdades socioeconômicas que, olhando mais de perto, se mostram como desigualdades também sociorraciais.</p>



<p>O professor, filósofo e doutor em Direito e autor do livro O que Racismo Estrutural? Silvio de Almeida, uma das referências sobre o tema no país, define que “todo o racismo é estrutural porque o racismo não é um ato, é um processo em que as condições de organização da sociedade reproduzem a subalternidade de determinados grupos que são identificados racialmente&#8221;.</p>



<p>&#8220;O grande valor do conceito de racismo estrutural é a compreensão de que o racismo não é um desvio da estrutura, mas sim, a própria estrutura. É a ética pela qual se fundamenta de maneira estruturante as relações desiguais entre pessoas brancas e pessoas negras, ou indígenas&#8221;. A fala é de Bruna Rocha, pesquisadora da Semiótica Antirracista.</p>



<p>Falar que o racismo é estrutural tornou-se moda, mas é preciso tirar as consequências práticas e políticas desse conceito. Como as duas citações acima mostram, o racismo é base, fundamento, da dinâmica da sociedade capitalista brasileira. Isso significa, dentre outras coisas, um brutal processo de desumanização da população negra e redução da empatia com nosso sofrimento e dor. O rosto da fome é o rosto de uma mulher negra e mãe solteira – mas esse rosto comove?</p>



<p>A fome, a violência policial, a moradia precária, a falta de acesso aos direitos básicos, fatores que afetam a população negra, não provocam comoção e indignação geral. Ao contrário, no país que viveu mais de 300 anos de escravidão, ainda é comum se questionar se existe racismo hoje ou, em alguns setores da esquerda, falar que a questão racial é uma mera “questão identitária”. Se na esquerda brasileira é comum falar da fome como um drama que precisa de respostas, é mais raro entender a dimensão racial do fenômeno da fome e tirar as consequências políticas dessa constatação.</p>



<p>Que consequências políticas são essas? A questão racial é um elemento de totalização e compreensão universal de explicação do que é o Brasil e a nossa luta de classes. Não é uma “questão identitária” ou um “tema de nicho”. É um dos centros dinâmicos de reprodução do capitalismo brasileiro e suas mazelas. Logo, o antirracismo deve ser eixo estruturante de todo e qualquer projeto de esquerda/socialista/comunista/anarquista e afins.</p>



<p>Não existe “projeto nacional” sem o antirracismo no centro do debate. Não se trata, por exemplo, de termos uma secretaria de igualdade racial e pronto. Trata-se, isso sim, de pensar a dimensão antirracista de todas as políticas públicas. Antirracismo passa pela reforma agrária, segurança e soberania alimentar e combate à fome; passa pela democratização da mídia e recuperação do investimento público na cultura; passa pela defesa das nossas empresas estatais – em particular a Petrobras -, recuperação de direitos trabalhistas, fim do teto de gastos e das políticas de austeridade, etc.</p>



<p>A luta contra a fome é uma prioridade máxima da nossa conjuntura. Mas essa prioridade precisa ser encarada com concretude. A fome não é apenas a falta de renda suficiente para comprar os alimentos. Essa, sem dúvida, é uma das dimensões do problema. Mas a fome se liga diretamente com a concentração de terras; a produção não de comida, mas sim de commodities para exportação; o domínio dos grandes monopólios capitalistas sobre o orçamento público; os ataques e tentativas de extermínio contra a população indígena, camponesa e quilombola; a destruição ambiental e a total falta de incentivo à agricultura baseada na agroecologia; a captura de órgãos como a Embrapa pelo agronegócio e muitas outras mazelas.</p>



<p>Em suma, a fome responde a um processo de duas dimensões interligadas: a falta de emprego e renda de milhões de brasileiros – sendo a maioria a população negra – para comprar comida e a estrutura produtiva agrária do país, cada vez mais concentradora, anti-meio ambiente, antipopular e antinacional.</p>



<p>O que defendemos? Um programa radical de combate à fome que seja antirracista, baseado em uma reforma agrária profunda fundamentada na agroecologia e em um modelo de desenvolvimento que coloque a preservação da natureza como uma de suas preocupações centrais, afastado da lógica capitalista do lucro a qualquer custo.</p>



<p>Temos força política para colocar em marcha, no Brasil e em Pernambuco, esse programa? Hoje, no imediato, não. Mas estamos construindo essa força política. E nesse trabalho, seu voto é parte do processo. Vote em candidaturas que tenham compromisso radical com a luta antirracista e saibam que esse país não tem futuro enquanto a questão racial – e o antirracismo revolucionário – não for o centro do debate público.</p>



<p><strong>*Educador e comunicador popular, professor e militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB). -candidato a governador de Pernambuco nas eleições de 2022.</strong></p>



<p><strong>**Militante do movimento negro e presidente do diretório estadual do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) em Pernambuco.</strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado como esse da cobertura das Eleições 2022 é caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa</em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener sponsored nofollow"> página de doação</a><em> ou, se preferir, usar nosso </em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em><br><br><strong>Nessa eleição, apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></cite></blockquote>
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		<title>Primeira infância ameaçada pelo aumento da pobreza e da fome no Norte e Nordeste</title>
		<link>https://marcozero.org/primeira-infancia-ameacada-pelo-aumento-da-pobreza-e-da-fome-no-norte-e-nordeste/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Sep 2022 18:46:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Por Verônica Almeida* Aline Aparecida da Silva, 31 anos, não sabe o que é um salário-mínimo desde 2018. Ex-auxiliar de serviços gerais, a desempregada mora num barraco de tábua três por três (3 metros x 3 metros) na Ocupação 8 de Março, instalada na Zona Sul do Recife. Vem sobrevivendo, com quatro filhas e um [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Por Verônica Almeida</strong>*</p>



<p>Aline Aparecida da Silva, 31 anos, não sabe o que é um salário-mínimo desde 2018. Ex-auxiliar de serviços gerais, a desempregada mora num barraco de tábua três por três (3 metros x 3 metros) na Ocupação 8 de Março, instalada na Zona Sul do Recife. Vem sobrevivendo, com quatro filhas e um bebê que gesta na barriga, amparada por um auxílio de 400 reais (temporariamente elevado no último mês para 600 reais) e mais algumas doações de alimento. A gestante e sua família estão entre os pobres pernambucanos, considerados metade da população local, e no grupo dos 125,2 milhões de brasileiros (58,7%) que convivem com algum grau de insegurança alimentar. O cenário assustador põe em risco, segundo especialistas, o desenvolvimento de crianças, especialmente as que estão na primeira infância, de zero a 6 anos de vida.</p>



<p>Eram quase 14h, no dia 19 de agosto, quando a reportagem encontrou Aline e família iniciando o almoço. Lá, diante da comida limitada, as crianças menores, de 1, 4 e 8 anos, são servidas primeiro, e, depois, o que sobra na panela é dividido entre a filha de 12 anos e a mãe. O cardápio nesse dia tinha feijão, arroz e ovo, mas nem sempre é assim. “Às vezes só tem miojo (macarrão instantâneo). Já teve dias de a gente comer três vezes cuscuz ou dormir com fome”, relata Aline.</p>



<p>O tamanho da fome brasileira foi detalhado pelo <a href="https://www.oxfam.org.br/especiais/olhe-para-a-fome-2022/">2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil</a>, divulgado em junho pela<strong> </strong>Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan). Apontou que o país voltou ao patamar da década de 1990, que a dificuldade de acesso a alimentos cresceu mais no Norte e Nordeste, como também em famílias comandadas por mulheres, formadas por pessoas pretas ou pardas e com crianças menores de 10 anos – assim como a de Aline. Um recorte dos dados por estado deve ser divulgado em breve, segundo a rede.</p>



<p>Anunciado pelo <a href="https://www.fao.org/brasil/noticias/detail-events/pt/c/1585484">Fundo das Nações Unidas para a Alimentação (FAO),</a> o avanço da pobreza no mundo tem seu lado brasileiro comprovado em recente <a href="https://cps.fgv.br/MapaNovaPobreza">estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV Social),</a> publicado em julho. Baseado em dados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios do IBGE (PNAD Contínua), o levantamento aponta Pernambuco como o estado onde o número de pobres mais cresceu entre 2019 e 2021 (incremento de 8,14%), sendo o quarto com a maior faixa de pessoas (50,32%) vivendo com renda per capita abaixo de 497 reais por mês.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Leite custa até 150 reais por criança</strong></h2>



<p>Com a inflação em alta, 400 ou 600 reais por mês não pagam as despesas básicas de uma família. Dividindo os 600 reais do Auxílio Brasil que Aline passou a receber este mês (e receberá só até dezembro), são 120 reais por pessoa, bem abaixo dos 497 reais.</p>



<p>A filha mais nova de Aline deveria consumir um pacote de 200 gramas de leite em pó a cada dois dias. O produto oscila de 8 e 10 reais nos supermercados. Então, por mês, só para fazer o mingau da caçula, a dona de casa precisaria gastar de 120 a 150 reais. Se botar nesse orçamento a garota de 4 anos, outra em primeira infância, 50% dos 600 ou 70% dos 400 reais dão apenas para pagar o leite em pó para as duas menores. O mingau, na verdade, ainda exige farinha e o gás, cujo botijão custa no mínimo 110 reais, inviável para essa família.</p>



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	                                        <p class="m-0">Falta de recursos compromete a quantidade e a qualidade nutricional dos alimentos que Aline pode garantir para suas filhas. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo.</p>
	                
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<p>Aline nasceu em São Paulo, suspeita ter descendência indígena e se criou em Pernambuco enfrentando fome desde a infância. Ela até concorda com a mensagem de resignação colada por algum vizinho na porta da frente de seu barraco: “Não é verdade que com dinheiro pode-se ter todas as coisas”. Mas sabe quanto faz falta cada real diante da fome, da doença e da incerteza quanto ao futuro próximo das filhas, o dia seguinte.</p>



<p>Sem comida garantida na proporção certa e muito menos na qualidade nutricional desejada, Aline e filhas ainda enfrentam dificuldade no acesso à água encanada e à rede de esgoto, em razão das condições improvisadas de moradia. “Minha filha de 4 anos vive com cansaço e a de 1 ano está com o corpo estourado (cheio de feridas), talvez com o sangue fraco”, queixa-se.</p>



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<p></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Teto e horta comunitária</strong></h2>



<p>Para ela “não é desonra morar num barraco” onde só cabem uma cama e alguns pertences. Não tem condições de pagar aluguel, cujo menor valor gira em torno de 350 reais nas comunidades mais periféricas e desestruturadas, às margens de rios ou nas encostas de morros prestes a desabar. Com duas filhas pequenas fora da creche e mais um bebê para nascer até o início de 2023, Aline sabe que não conseguirá emprego nem terá como se dedicar a um trabalho informal nem tão cedo.</p>



<p>O jeito é resistir com outras mulheres na luta por moradia, além de continuar indo atrás de doações de alimentos. Aline recebe uma cesta básica da Igreja Católica e mais alguns gêneros do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), que ajuda a organizar a comunidade. A líder da Ocupação 8 de Março, Danielle Abravanel, mostra uma horta comunitária no espaço, iniciativa para contribuir com a alimentação de parte das mais de 500 famílias ali abrigadas.</p>



<p></p>



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<a href="https://www.canva.com/design/DAFK0jh9L_M/view?utm_content=DAFK0jh9L_M&amp;utm_campaign=designshare&amp;utm_medium=embeds&amp;utm_source=link" target="_blank" rel="noopener">Infográfico Mapa da Pobreza no Brasil</a> de Marco Zero



<p></p>



<p></p>



<p><strong>LEIA MAIS:</strong></p>



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<p><a href="https://marcozero.org/desenvolvimento-na-primeira-infancia-e-tema-de-pesquisa-nacional/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Desenvolvimento na Primeira Infância é alvo de pesquisa nacional</strong></a></p>



<p>* <strong><em>Este conteúdo integra a série Eleições 2022: Escolha pelas Mulheres e pelas Crianças. Uma ação do Nós, Mulheres da Periferia, Alma Preta Jornalismo, Amazônia Real e Marco Zero Conteúdo, apoiada pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal</em></strong></p>



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		<title>Tragédia humanitária com impacto a partir da gestação</title>
		<link>https://marcozero.org/tragedia-humanitaria-com-impacto-a-partir-da-gestacao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Sep 2022 18:42:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[desigualdade social]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Verônica Almeida* O aumento da pobreza e a consequente insegurança alimentar &#8211; que vai da incerteza sobre ter o alimento ou redução na qualidade e variedade (insegurança leve), diminuição da quantidade de comida por falta de condições em obtê-la (insegurança moderada) até passar fome (insegurança grave) &#8211; afetam em cheio da gestação ao desenvolvimento [&#8230;]</p>
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<p><strong>Por Verônica Almeida</strong>*</p>



<p>O aumento da pobreza e a consequente insegurança alimentar &#8211; que vai da incerteza sobre ter o alimento ou redução na qualidade e variedade (insegurança leve), diminuição da quantidade de comida por falta de condições em obtê-la (insegurança moderada) até passar fome (insegurança grave) &#8211; afetam em cheio da gestação ao desenvolvimento infantil, observam médicos, nutricionistas, epidemiologistas e demais estudiosos da saúde. O agravamento das desigualdades sociais e as vulnerabilidades associadas são temidos e já percebidos de alguma forma no SUS.</p>



<p>“A miséria e a volta do Brasil ao Mapa da Fome rebatem no nosso cotidiano nas ruas, praças, semáforos e, claro, nas unidades de saúde”, diz Carmen Albuquerque, assistente social no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Segundo ela, “estamos diante de uma tragédia humanitária, com a pobreza e a fome piorando indicadores de adoecimento e mortalidade nas atuais e futuras gerações”.</p>



<p>Carmem chama a atenção para as crianças sobreviventes. “Submetidas à fome ou a outros níveis de insegurança, marcadas desde já, comprometendo seu crescimento e desenvolvimento físico, cognitivo e emocional ao longo da vida”. Na rotina de acolhimento às gestantes e parturientes do HC, a assistente social tem feito cada vez mais encaminhamentos aos Centros de Referência em Assistência Social dos municípios, na tentativa de inclusão de mais mulheres em programas de apoio.</p>



<p>A colega Ana Burle, nutricionista também no HC da UFPE, lembra a cruel realidade das mulheres que passam fome e continuam amamentando. “Se uma mãe for desnutrida, fica mais depauperada, pois o aleitamento vai exigir das reservas já escassas do organismo.” O problema de desnutrição mais visto no pré-natal, segundo ela, são mães com anemia. “Fazemos o uso de sulfato ferroso e do ácido fólico pra impedir que o tubo neural do feto venha a ter formação inadequada”.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Sequelas irreversíveis</strong></h2>



<p>O pediatra Ruben Maggi, do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip), com mais de 30 anos de experiência no tratamento de crianças desnutridas em Pernambuco e em outros estados, não tem dúvidas do quanto o cenário atual penaliza gestantes e bebês. “As crianças com menos de 5 anos estão em plena fase de desenvolvimento. Os bebês habitualmente triplicam de peso no seu primeiro ano de vida e continuam a crescer bastante”, explica. Situação de fome e desnutrição nessa idade, sobretudo em menores de 2 anos, gera, segundo o médico, “sequelas às vezes irreversíveis do ponto de vista do cérebro e do desenvolvimento infantil, associado a outras doenças”. Em comunidades indígenas, mais desprotegidas, o problema pode ainda ser maior na opinião de Maggi</p>



<p>Crianças em situação de pobreza, fome ou desnutrição são propícias a doenças infecciosas, tais como diarreias e pneumonias. Além disso há as chamadas mortes perinatais, fruto de gestações não planejadas que não tiveram acompanhamento de qualidade no pré-natal, explica o médico. Ele avalia que nas décadas de 2000 e de 2010 houve melhora significativa da desnutrição infantil no Brasil, em razão da cobertura de pré-natal e de vacinas, atenção básica de saúde em comunidades mais distantes, implantação do Programa Mais Médicos, inicialmente com a contribuição de médicos cubanos. “Essa experiência pioneira melhorou significativamente todos os indicadores”, diz, referindo-se ao Mais Médicos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Mais doenças infecciosas</strong></h2>



<p>O temor do retorno de doenças infecciosas em proporções maiores entre a população infantil também preocupa médicos que acompanham por décadas as consequências da desigualdade social na saúde de crianças. Cleusa Lapa, cardiologista do Imip, e o professor aposentado de Cardiologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Lurildo Saraiva, uma referência nos estudos brasileiros sobre febre reumática, alertam para a associação entre pobreza e essa doença negligenciada, que nunca deixou de acometer populações pobres. “Essa associação é histórica. A febre reumática é considerada um padrão de injustiça social e tende a aumentar”, diz Cleusa, considerando o retorno do Brasil ao Mapa da Fome.</p>



<p>Saraiva, que atuou na década de 1970 no Hospital Barão de Lucena, no Recife, lembra o quanto ficou espantado, na era do “mentiroso milagre econômico, com exclusão dos mais humildes”, diante da “incidência de doentes e da mortalidade por cardiopatia valvar reumática, chegando a ver duas meninas mortas, coisa quase extinta em literatura médica na época”. Causada pela bactéria estreptococos, que entra no organismo a partir de uma infecção na garganta, a febre reumática pode danificar válvulas do coração, matando ou deixando o paciente doente para o resto da vida. Sua frequência é comum entre pessoas que vivem em locais úmidos, aglomerados e sem saneamento básico. Ao longo da carreira e até recentemente, antes de se aposentar das aulas no curso médico, Lurildo Saraiva continuava assistindo casos de febre reumática entre crianças e jovens. Publicou o livro <em>Miséria, pobreza e febre reumática</em>, narrando as condições de vida de pacientes que recebia no ambulatório.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Renda e atenção à saúde nas comunidades</strong></h2>



<p>Ruben Maggi observa que “as crianças nascem pobres porque nascem em famílias pobres, lares sem emprego”. Para ele, é fundamental que os governantes ofereçam mais do que um auxílio temporário, pois os valores não garantem o básico. “Precisa gerar empregos, para que a criança nasça numa família com estrutura socioeconômica favorável”. Também defende recuperar conquistas do passado.</p>



<p>“Nas décadas de 2000 e de 2010 tínhamos cobertura vacinal superior a 95%. De lá para cá, por uma série de circunstâncias, e com a pandemia de Covid-19, a cobertura foi comprometida. Em alguns territórios chegamos a ter um terço da população sem a proteção de vacinas, isso é preocupante”, afirma o pediatra, lembrando a reintrodução recente do sarampo no país com a entrada de migrantes desprotegidos contra a doença e falhas na cobertura vacinal.</p>



<p>Garantir uma atenção básica de qualidade no SUS, com cobertura vacinal, acompanhar o crescimento da criança pelo Saúde da Família, reforçar a estratégia, corrigir falhas, garantir uma boa alimentação, estimular aleitamento materno e criar programas de geração de renda que não deixem as famílias mais vulneráveis dependentes de eventuais auxílios emergenciais são recomendações de Maggi para proteger a infância.</p>



<p><strong>LEIA MAIS</strong></p>



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		<title>Pobreza como causa e complicador: prematuridade e bebês de baixo peso</title>
		<link>https://marcozero.org/pobreza-como-causa-e-complicador/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Sep 2022 18:40:00 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[bebês com baixo peso]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Verônica Almeida* Os riscos à infância começam antes do nascimento da criança, quando a situação social compromete a saúde e a alimentação da gestante. A neonatologista Manuela de Abreu e Lima, do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam- Maternidade da Encruzilhada), um dos hospitais da Universidade de Pernambuco (UPE), lembra que o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Por Verônica Almeida</strong>*</p>



<p>Os riscos à infância começam antes do nascimento da criança, quando a situação social compromete a saúde e a alimentação da gestante. A neonatologista Manuela de Abreu e Lima, do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam- Maternidade da Encruzilhada), um dos hospitais da Universidade de Pernambuco (UPE), lembra que o baixo peso de recém-nascidos não deve-se apenas à idade avançada da mãe e a doenças que carregue. Também pode ter relação com a vulnerabilidade social da mulher: gravidez na adolescência, doença hipertensiva não controlada, alcoolismo, tabagismo e outros males associados à pobreza.</p>



<p>“Estudos mostram mulheres que passaram fome na infância tendo tendência à obesidade, com chance de desenvolver hipertensão e diabetes. Filhos dessas mães têm mais riscos de nascer com baixo peso e prematuros”, explica a médica. São considerados de baixo peso aqueles com menos de 2,5 quilos e, prematuros, os que nascem antes da 36ª semana de gestação.</p>



<p>No Recife, de acordo com registros da Secretaria Municipal de Saúde, 8,7% dos nascidos vivos em 2021 apresentaram baixo peso ao nascer, sendo que 1,4% tinham muito baixo peso (menos de 1,5 kg). Cerca de 11,4% eram prematuros (menos de 36 semanas de gestação) e a hipóxia nos primeiros cinco minutos de vida foi comum a 0,9%. As regiões com pior situação de indicadores foram o distrito um (área central da cidade), que teve 10,1% dos nascidos vivos com baixo peso, o distrito oito (morros da Zona Sul), com 1,6% dos nascidos vivos com muito baixo peso, o distrito cinco (Zona Oeste), que apresentou 12,1% de prematuros, e o distrito sete (morros da Zona Norte), com 1,2% dos nascidos apresentando hipóxia no quinto minuto de vida.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Desafios após alta da UTI Neonatal</strong></h2>



<p>A vulnerabilidade reforça os riscos depois do nascimento, mesmo quando são superados os estados graves. “É uma pena a questão social desses bebês, às vezes a gente luta muito para que sobrevivam, eles passam dois, três ou quatro meses na UTI recebendo ventilação mecânica, alimentação parenteral, antibiótico, vários medicamentos, e quando saem de alta vão para um local sem saneamento, sem cuidados”, relata Manuela de Abreu e Lima.</p>



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	                                        <p class="m-0">Fachada do CISAM &#8211; Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p>
	                
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<p>De acordo com a médica, os prematuros e de baixo peso muitas vezes guardam sequelas, com chance maior de retardo do desenvolvimento psicomotor, de desenvolver doença pulmonar crônica, ter infecções respiratórias, problemas oculares. “Precisam de cuidado na alimentação, porque o intestino é frágil, teve que amadurecer fora do útero da mãe. São necessários cuidados na higiene, condições mínimas em casa. Têm desenvolvimento mais lento, precisam ser acompanhados por equipe multidisciplinar, com neuropediatra, fisioterapeuta e fonoaudiólogo”, completa.</p>



<p>A coordenadora da UTI Neonatal do Cisam, Manuela Nóbrega, considera a insegurança alimentar um triste cenário, sendo “indubitável o impacto no desenvolvimento infantil pelo fato de famílias não estarem em lar seguro e com acesso à alimentação saudável”. As fragilidades, afirma, afetam não só a saúde do corpo, mas também a emocional e a segurança física da criança.</p>



<p>Segundo Manuela Nóbrega, no primeiro semestre de 2022 nasceram 1.802 bebês no Cisam, dos quais 349 (19,3%) com peso abaixo de 2,5 Kg, sendo 25 deles (1,3% dos nascidos) com menos de um quilo. Apesar do esforço para que os prematuros superem a fase crítica, ganhem peso e possam se desenvolver, a realidade fora da maternidade muitas vezes não ajuda. “Tivemos o caso de uma criança que nasceu no oitavo mês de gestação, com 2 kg e boa viabilidade. Ficou um tempo internada em outro hospital e foi para casa. Mas infelizmente acabou morrendo tempo depois”, conta. A mãe tinha outras crianças, a agente de saúde não conseguia encontrar ela em casa, não havia uma rede de apoio a essa mulher e, quando a assistência chegou e deu conta do adoecimento do bebê, já era tarde.</p>



<p><strong>LEIA MAIS:</strong></p>



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		<title>Estado nutricional era preocupante em Pernambuco mesmo antes da pandemia</title>
		<link>https://marcozero.org/estado-nutricional-era-preocupante-em-pernambuco-mesmo-antes-da-pandemia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Sep 2022 18:36:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[crianças]]></category>
		<category><![CDATA[fome]]></category>
		<category><![CDATA[insegurança alimentar]]></category>
		<category><![CDATA[nutrição]]></category>
		<category><![CDATA[Primeira Infância]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>* Por Verônica Almeida A professora Fernanda Cristina de Lima Pinto Tavares, do Departamento de Nutrição da UFPE, confirma a carência alimentar de crianças pernambucanas antes mesmo de 2022. Segundo a pesquisadora, nos últimos cinco anos o cenário já preocupava. Atlas da Situação Alimentar e Nutricional de Pernambuco, documento que Fernanda ajudou a elaborar, aponta [&#8230;]</p>
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<p><strong>* Por Verônica Almeida</strong></p>



<p>A professora Fernanda Cristina de Lima Pinto Tavares, do Departamento de Nutrição da UFPE, confirma a carência alimentar de crianças pernambucanas antes mesmo de 2022. Segundo a pesquisadora, nos últimos cinco anos o cenário já preocupava<strong>. </strong><em>Atlas da Situação Alimentar e Nutricional de Pernambuco, </em>documento que Fernanda ajudou a elaborar, aponta que no ano de 2019, na Região Metropolitana do Recife, só 28% das famílias estavam vivendo em segurança alimentar.</p>



<p>Conforme o <em>Atlas</em>, outras 14,4% viviam insegurança alimentar grave (passavam fome), 24,9% enfrentavam insegurança moderada (quando há necessidade de reduzir a quantidade de alimentos por falta de condições de obtê-los) e 32% estavam submetidas à insegurança leve (quando há incerteza quanto à condição de obter alimentação e/ou uma redução na qualidade e variedade dos alimentos consumidos pela família).</p>



<p>Considerando dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), alimentados pela atenção básica do SUS nos municípios, o <em>Atlas</em> revelou ainda alguns aspectos do consumo de alimentos em Pernambuco no ano de 2019. Entre eles, 66% das crianças com 2 a 4 anos comendo doces, biscoitos recheados e outras guloseimas. Alimentos ultraprocessados nessa faixa etária estavam tão presentes como o feijão: 87% e 88%, respectivamente. Bebês de 6 meses a menos de 2 anos, de acordo com o levantamento, também tinham acesso a biscoitos recheados (29%), bebidas adoçadas (30%) e alimentos ultraprocessados (49%).</p>



<p>“Na pré-pandemia de Covid-19, os dados sobre o estado nutricional em Pernambuco também eram preocupantes tanto pelo déficit de altura e de peso para idade em crianças, quanto pelos resultados de excesso de peso em todas as faixas etárias, de bebês a idosos”, afirma Fernanda Tavares. As informações presentes no <em>Atlas</em> mostram que, em 2019, “o déficit de altura para idade no Estado variou de 9,4% em meninas de 5 a 10 anos a 21,5% em meninos de 0 a 2 anos, refletindo uma desnutrição ou subnutrição crônica”.</p>



<p>De acordo com a pesquisadora, no levantamento, 4,1% das meninas de 2 a 5 anos apresentaram déficit de peso para idade, enquanto entre os meninos da mesma faixa etária o problema atingiu 19,6%, indicativo de desnutrição no momento em que foi medida. As informações se referem a um universo de 587.207 crianças acompanhadas pela atenção básica do SUS, sendo 310.190 menores de 5 anos e 277.017 de 5 a 10 anos.</p>



<p>Avaliando um período mais longo, Fernanda Tavares afirma que Pernambuco segue a tendência nacional em insegurança alimentar, com melhora da situação entre 2004 e 2013, e piora identificada a partir de 2018. A <em>Pesquisa de Orçamentos Familiares</em> (POF) do período 2017-2018, do IBGE, apontou que o percentual de domicílios com grau de insegurança alimentar no Estado quase dobrou em cinco anos, passando de 25,9% em 2013 para 48,3% no período 2017-2018.</p>



<p>“Os dados da 1ª Vigisan (de 2020), pesquisa realizada pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN) para monitoramento da situação de insegurança alimentar durante a pandemia de Covid-19, já mostravam um retrocesso para patamares equivalentes a 2004, com 19 milhões de pessoas no Brasil em insegurança alimentar grave”, afirma a pesquisadora. Esse levantamento, observa, não teve amostra suficiente para fazer estimativas para estados, só por regiões.</p>



<p>A 2ª Vigisan, divulgada este ano, identificou um retrocesso ainda maior, “com 33 milhões de brasileiros em insegurança grave, mais próximo do que tínhamos nos anos de 1990”, afirma Fernanda. Ela destaca a proporção maior de insegurança alimentar grave (fome) no Norte (25,7%) e no Nordeste (21%), quando a média nacional é de 15,5%. “Essa é a situação mais crítica, mas a insegurança alimentar moderada e a leve (15,2% e 28%, respectivamente no Brasil) também têm impactos na saúde e bem-estar das crianças e de suas famílias. Geralmente o prejuízo na alimentação vem junto com a violação de outros direitos, como o de ter uma moradia adequada, por exemplo”, destaca.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Secretarias de saúde</strong></h2>



<p>No Recife, a Secretaria Municipal de Saúde informa que “entre os meses de janeiro e abril de 2021 foram registrados 818 casos de desnutrição entre crianças de 0 a 10 anos”. No mesmo período de 2022, houve uma redução de 47,9%, com 426 crianças desnutridas nessa faixa etária. Adverte, entretanto, que “tais dados são provisórios, uma vez que os sistemas de informação ainda não estão fechados e podem sofrer alteração”.</p>



<p>Baseada em informações municipais, também por meio do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional, a Secretaria de Saúde de Pernambuco informa que a análise do estado nutricional de crianças menores de 5 anos, nos anos de 2020 e 2021, indicou 2,27% apresentando muito baixo peso para idade e 2,86% de baixo peso para idade. Os dados consideram o universo de 236.671 (2020) e 281.701 (2021) crianças acompanhadas pela atenção básica do SUS.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Alimentação ideal</strong></h2>



<p>De acordo com a pesquisadora Fernanda Tavares, o aleitamento materno deve ser alimento exclusivo até os 6 meses de vida e complementar até os 2 anos ou mais da criança. “A partir dos 6 meses, a criança passa a receber os alimentos da família, ao longo do dia, que deve incluir frutas, verduras, cereais, raízes/tubérculos, leguminosas, carnes, ovos, leite e derivados, evitando adição de açúcar, excesso de sal, gorduras, óleos e ultraprocessados”. É importante, acrescenta, que a família trabalhe seus hábitos alimentares, “pois a criança aprende com o seu ambiente, com o que está disponível e o que observa dos hábitos dos adultos”, ensina.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Omissão e retrocesso</strong></h2>



<p>O Brasil tem instrumentos para auxiliar o enfrentamento da fome, embora não estejam sendo levados em conta nos últimos seis anos. “Temos a Política de Segurança Alimentar e Nutricional desde 2006. Essa é uma política intersetorial, com programas na esfera da saúde, educação, assistência social, agricultura, meio ambiente e outros setores. Infelizmente essa política vem sendo negligenciada com os cortes nas áreas sociais que começaram intensivamente em 2016, corroborados com a aprovação do Teto dos Gastos. E, em, 2019, com a extinção do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) &#8211; muito importante na construção da política, criação e ajustes dos programas relacionados”, critica a pesquisadora.</p>



<p>Ela também observa a baixa atuação da Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan), espaço de planejamento intersetorial do governo federal para a área. “Alguns programas deixaram de existir e outros ficaram com uma existência residual, após cortes drásticos no orçamento. É importante a recomposição do Consea, do orçamento para a área e do trabalho intersetorial e articulado entreos níveis de governo (municipal, estadual e federal), enfim, do fortalecimento da Política e Sistema de Segurança Alimentar e Nutricional, para enfrentar o retrocesso que tivemos noaumento absurdo da fome, para que nos mantenhamos livres desse mal e na promoção da alimentação adequada e saudável para todos”.</p>



<p>Destaca como estratégico ainda as ações/programas públicos no acompanhamento pré-natal, incentivo ao aleitamento materno e orientação da alimentação adequada para os menores de 2 anos, transferência de renda para famílias vulneráveis e atualização do orçamento do Programa Nacional de Alimentação Escolar, assim como reforço de restaurantes populares, cozinhas comunitárias, bancos de alimentos, distribuição de cestas básicas e apoio à agricultura familiar.</p>



<p><strong>LEIA MAIS:</strong></p>



<p><a href="https://marcozero.org/primeira-infancia-ameacada-pelo-aumento-da-pobreza-e-da-fome-no-norte-e-nordeste/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Primeira infância ameaçada pelo aumento da pobreza e da fome no Norte e Nordeste</strong></a></p>



<p><strong><a href="https://marcozero.org/tragedia-humanitaria-com-impacto-a-partir-da-gestacao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Tragédia humanitária com impacto a partir da gestação</a></strong></p>



<p><strong><a href="https://marcozero.org/pobreza-como-causa-e-complicador/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Pobreza como causa e complicador: prematuridade e bebês de baixo peso</a></strong></p>



<p><strong><a href="https://marcozero.org/reducao-da-mortalidade-infantil-desacelera/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Redução da mortalidade infantil desacelera</a></strong></p>



<p><strong><a href="https://marcozero.org/norte-e-nordeste-sofrem-mais-fortemente-os-efeitos-das-desigualdades-existentes-no-pais-diz-economista/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">“Norte e Nordeste sofrem mais fortemente os efeitos das desigualdades existentes no país“, diz economista</a></strong></p>



<p><strong><a href="https://marcozero.org/sem-creche-maesdeixam-de-trabalhar-e-criancas-tornam-se-mais-vulneraveis/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Sem creche, mães deixam de trabalhar e crianças tornam-se mais vulneráveis</a></strong></p>



<p><strong><a href="https://marcozero.org/prefeityura-alega-queconstruiu-2-mil-novas-vagas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Prefeitura do Recife alega que abriu 2 mil novas vagas em creches e quer chegar a 7 mil</a></strong></p>



<p><strong><a href="https://marcozero.org/suplementacao-de-ferro-e-vitamina-para-criancas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Suplementação de ferro e vitamina para crianças</a></strong></p>



<p><a href="https://marcozero.org/desenvolvimento-na-primeira-infancia-e-tema-de-pesquisa-nacional/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Desenvolvimento na Primeira Infância é alvo de pesquisa nacional</strong></a></p>



<p>* <strong><em>Este conteúdo integra a série Eleições 2022: Escolha pelas Mulheres e pelas Crianças. Uma ação do Nós, Mulheres da Periferia, Alma Preta Jornalismo, Amazônia Real e Marco Zero Conteúdo, apoiada pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal</em></strong></p>



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		<title>Em apenas um ano, triplicou a quantidade de pessoas passando fome no Nordeste</title>
		<link>https://marcozero.org/em-apenas-um-ano-triplicou-a-quantidade-de-pessoas-passando-fome-no-nordeste/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Jun 2022 03:10:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>por Adriana Amâncio O número de nordestinos que dormem sem saber o que vão comer no dia seguinte triplicou no intervalo entre maio de 2021 a abril de 2022. De acordo com o&#160; 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil (Vigisan),&#160; divulgado nesta quarta-feira, 8 de junho, pela [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Adriana Amâncio</strong></p>



<p>O número de nordestinos que dormem sem saber o que vão comer no dia seguinte triplicou no intervalo entre maio de 2021 a abril de 2022. De acordo com o&nbsp;<a href="http://olheparaafome.com.br"> </a><strong><a href="http://olheparaafome.com.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil (Vigisan)</a></strong>,&nbsp; divulgado nesta quarta-feira, 8 de junho, pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan), o número de habitantes dos estados do Nordeste em insegurança alimentar aumentou de 7,7 milhões para 22 milhões e 508 mil. Isto mesmo: dos quase 54 milhões de nordestinos, 41% estão nessa condição. </p>



<p>Os dados que dão ideia do crescimento da fome foram contabilizados de novembro de 2021 e abril de 2022, período de realização do Inquérito. Em todo Brasil, o número saltou de 19 milhões no encerramento do 1º Inquériro Vigisan, em maio de 2021, para 33,1 milhões. Isso significa dizer que, sozinha, a região Nordeste abriga 68%&nbsp;do total de pessoas passando fome no Brasil.</p>



<p>Esse aumento, segundo o membro da coordenação Executiva da Rede Penssan e professor de pós-graduação em Políticas Públicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Nilson de Paula, é fruto de opções políticas, da precarização das instituições e da rede de proteção social, da colocação da agricultura familiar em segundo plano e da priorização do agronegócio. Soma-se a isso, a piora no cenário econômico e o segundo ano da pandemia. “O país foi sendo conduzido para a beira do precipício. O que temos visto é um viés de apoio ao agronegócio em vez da agricultura familiar. A fome está diretamente alinhada ao agravamento da pobreza”, avalia o pesquisador.</p>



<p>Essa casadinha cruel entre aumento das desigualdades e o aumento da fome é refletida na pesquisa com a identificação de onde está e quem é a parcela da população é a mais afetada: os dados mostram a fome cada vez mais presente em meio ao público-alvo das desigualdades estruturais. </p>



<p>A segurança alimentar cai de 53,2% para 35% em lares chefiados por pessoas que se autodeclaram pardas ou pretas. Já nas casas chefiadas por mulheres, os registros de casos de fome sobem de 11,2% para 19,3%. Por outro lado, nos lares que têm homens como responsáveis, a fome esteve presente em 11,9%. Em lares com crianças menores de dez anos, os casos de fome quase dobraram, saltando de 9,4% para 18,1%. “A pobreza também tem cor, gênero, endereço, assim como a fome, tem seus matizes. Tudo isso vai formando uma bomba, uma engenharia difícil de desmontar”, comenta Nilson.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Mulher, jovem, negra,mãe solo e nordestina</h2>



<p>Mulher negra, mãe solo de quatro crianças, a jovem Rayla Ribeiro, de 21 anos, vive dias incertos na comunidade rural de Lagoa Seca, no município de Campo do Buriti, no estado do Piauí. Ela divide o tempo entre o trabalho como doméstica, em uma jornada de 12 horas, que vai das 7h às 19h, e o cuidado com as crianças com idades entre um ano e quatro meses e seis anos. O vínculo não é de carteira assinada e ela não recebe sequer um salário mínimo. Essa renda é somada à bolsa do Auxílio Brasil, mas não é suficiente para garantir o leite e os demais alimentos das crianças. “Alimento tá muito caro, a renda não dá! Eu compro um fardo de leite e só dou a eles uma vez por dia, quando acaba, não compro mais. Às vezes, quando não tem o que comer, eu dou somente água para eles beberem”, relata a jovem.</p>



<p>Segundo Rayla, há dois anos, a situação era ainda pior do que nos dias atuais. Com a chegada da pandemia, devido ao isolamento social, ela foi impedida de trabalhar em roçados particulares, ganhando diárias. Neste momento, a família passou a viver da doação de cestas básicas. Alguns meses depois, o seu casamento acabou e o ex-marido se recusou a custear os alimentos das crianças. “Durante uns dois ou três dias, os meninos ficaram sem alimento porque o pai deles não queria dar, e eu estava sem poder sair para trabalhar”, recorda. Mesmo após transferir o auxílio emergencial do nome do ex-marido para o seu, após a separação, Rayla conta que nunca recebeu o valor integral de R$ 1.200, tedo que se contentar com apenas R$ 600. “O dinheiro era pouco, a prioridade era a alimentação. Ou comia ou pagava conta”, afirma.</p>



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<h3 class="wp-block-heading"><strong>A fome é rural </strong></h3>



<p>É no campo que a insegurança alimentar, em todos os níveis, se revela de forma mais grave. Em mais de 60% dos lares rurais, foram identificados casos de insegurança alimentar em alguma de suas formas. Deste universo, 18,6% dos lares apresentaram casos de insegurança alimentar do tipo grave. Este contingente é maior do que o percentual nacional. Nem as famílias agricultoras, produtoras dos seus próprios alimentos escaparam do problema. Segundo a pesquisa, 21,8% dos lares de pequenas famílias agricultoras e pequenos produtores foram atingidos pela fome.&nbsp;</p>



<p>A agricultora familiar Maria Lenice, moradora da comunidade Barrocas, município de Caetés, no agreste pernambucano, sabe bem o que é a fome. Os R$ 600 do auxílio emergencial só garantiam comida para ela, o marido e o filho de cinco anos por apenas 15 dias. Após esse período, a família dependia de doações. Desde então, a realidade não mudou muito. Vivem da renda do Auxílio Brasil e do lucro da comercialização de alguns produtos da agricultura familiar, comprados aos vizinhos com dinheiro emprestado. Eventualmente, o casal ganha diárias pelo trabalho em roçados particulares, demanda comum no período chuvoso. Maria teme o que está por vir, quando as chuvas acabarem. “Quando acabar o trabalho [nas roças particulares], daqui a pouco, a gente vai voltar a depender da ajuda de novo. Fazer o quê, né”, lamenta.</p>



<h3 class="wp-block-heading">A raiz do problema</h3>



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<p>Dar comida às pessoas é uma medida de curto prazo, mas não vai sanar o problema da fome na raiz. É preciso reverter a condição de desigualdade social, reverter o quadro de concentração de renda riqueza, como defende Nilson de Paula:&nbsp; “Não há como uma população olhar e se ver como nação, tendo 125 milhões de pessoas passando fome. Para combater isso, é preciso que o Estado reconheça que esta demanda é prioridade”. Nessa direção, o pesquisador considera importante resgatar iniciativas já conhecidas, a exemplo do Programa de Alimentação Escolar (PAA), que adquiria produtos da agricultura familiar e os oferecia na rede escolar.&nbsp;</p>



<p>Ele considera importante ainda resgatar e proteger o Programa Nacional da Alimentação Escolar (PNAE), que garantia merenda escolar, contendo alimentos da agricultura familiar, produzida por famílias agricultoras, povos indígenas e assentados da reforma agrária. A derrubada da Emenda nº 95, que limitou o investimento em áreas sociais é outro caminho para combater a fome, sinaliza o pesquisador. </p>



<p>&#8220;Você não pode ter políticas que beneficiem a população, porque há uma disciplina fiscal. Gerar emprego, recuperar e valorizar a renda das famílias. Nós estamos tendo que fazer a escolha de Sofia: ou come ou paga aluguel, ou come ou bebe água. É o pior dos mundos da degradação humana”, critica o Nilson de Paula.</p>



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		<title>Pandemia aumentou número de mulheres morando nas ruas no Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/pandemia-aumentou-numero-de-mulheres-moradoras-de-rua-no-recife/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Mar 2022 13:50:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[extrema pobreza]]></category>
		<category><![CDATA[insegurança alimentar]]></category>
		<category><![CDATA[pop rua]]></category>
		<category><![CDATA[população de rua]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>São pouco mais de 16h na praça do Diário, no centro do Recife. Em um banco grande, vários homens estão sentados, à espera. A uma dezena de metros, duas senhoras também esperam. Uma, mais velha, com quatro bolsas. A outra, com duas. Todos os bens materiais das duas estão ali naquelas bagagens. A espera é [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>São pouco mais de 16h na praça do Diário, no centro do Recife. Em um banco grande, vários homens estão sentados, à espera. A uma dezena de metros, duas senhoras também esperam. Uma, mais velha, com quatro bolsas. A outra, com duas. Todos os bens materiais das duas estão ali naquelas bagagens. A espera é pela sopa, oferecida pela Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, quase vizinha da praça. Ainda falta três horas para começar a distribuição da sopa.<br><br>As duas mulheres compartilham a mesma última refeição: uma fruta-pão que Gerlane Paula da Silva, a mais velha, ganhou e cozinhou. Comeram a fruta pão no dia anterior e na manhã daquele dia. Nenhuma das duas almoçou. &#8220;Passamos o dia juntas. Não gosto de ficar perto de onde tem homem e ela também não gosta&#8221;, fala a mais nova, Francileide Aparecida Caetano, 53 anos, com um leve sotaque do sudeste.<br><br>Ela conta que é de São Paulo, mas que morou por 20 anos em Frei Miguelinho, a 114 quilômetros do Recife. Tinha uma casa para morar, que deixou para trás ao sofrer violência doméstica. O marido tentou matá-la por duas vezes. Conseguiu um auxílio emergencial, mas diz que está há quatro meses sem receber porque seus documentos foram roubados repetidas vezes. Há dez meses mora e dorme nas ruas. &#8220;Fui parar na rua porque meu ex-marido arranjou uma outra mulher e tentou me assassinar duas vezes. Foi preso, saiu no outro dia. Voltou a tentar me assassinar porque queria a casa para botar a outra. Eu peguei e fui embora, não queria mais apanhar.Quase morri de fome. Cheguei aqui com uns 80 quilos e emagreci muito. Estou dormindo debaixo de um pé de pau&#8221;, diz.<br><br>É visível o aumento da população de rua durante a pandemia e a crise social e econômica dos últimos anos. A prefeitura do Recife trabalha com o número de 400 pessoas a mais nas ruas durante a pandemia, totalizando 2.022 pessoas em situação de rua. Mulheres geralmente representam uma fatia menor dessa população, mas é um percentual que vem crescendo (leia mais abaixo). Com vínculos familiares quebrados, com poucas chances de inserção no mercado de trabalho e muitas vezes doentes, física e mentalmente, as mulheres acima dos 50 são o perfil feminino mais numeroso nas filas de doações do centro do Recife.</p>



<p>De aparência frágil, voz baixa e confusa, Gerlane Paula da Silva diz ter 60 anos. Tem filhos, mas não sabe onde estão. Também não lembra há quantos anos mora nas ruas. Passa os dias andando por onde sabe que tem voluntários distribuindo comida: praça Maciel Pinheiro, rua do Imperador, praça do Diário, pátio do Livramento.<br><br>Ouve a amiga falar sem concordar com muita coisa. &#8220;Não me coloque nisso&#8221;, interrompe, quando Francileide reclama da prefeitura. Nas sacolas, leva roupas, alguns poucos produtos de higiene e um lençol, para forrar nos bancos na hora de descansar.<br><br>A reclamação de Francileide era sobre os abrigos da prefeitura . &#8220;O que a gente pede é uma vida digna. Meu cabelo já é branco, sou uma pessoa de idade. A gente é mulher, queremos tomar nosso banho, fazer a nossa jantinha. Tem gente mais nova que eu dormindo nos abrigos e não consigo vaga&#8221;, disse.<br><br>Por meio de nota à Marco Zero, a Prefeitura do Recife afirma que há 15 unidades de acolhimento. &#8220;Desde 2019, a rede foi ampliada em mais de 48%. É importante ressaltar que essa ocupação sempre foi rotativa e continua sendo. A pessoa em situação de rua é encaminhada para uma unidade de acolhimento por meio da intervenção dos profissionais do Serviço de Abordagem (Seas). As Unidades de Acolhimento atuam conforme o que está previsto na Política Nacional de Assistência Social (2004) e na Tipificação Nacional dos Serviços Socioassistenciais (2009), oferecendo Proteção Integral e trabalhando no sentido de garantir a reinserção familiar e comunitária dos usuários acolhidos, com funcionamento 24 horas, ofertando moradia, seis refeições diárias, espaço para guarda de pertences, atendimento psicossocial com encaminhamentos para rede de serviços socioassistenciais, disponibilizando todo suporte ao usuário enquanto durar o acolhimento&#8221;, diz a nota.</p>



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	                                        <p class="m-0">Francileide saiu de casa depois que o marido tentou assassiná-la duas vezes. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading">Com casa e com fome</h2>



<p>Bem antes das 17h, quando voluntários começam a distribuir comida na rua do Imperador, Maria Cardoso, 65 anos, está sentada na calçada, ao lado de outras pessoas, também esperando. &#8220;Pode sentar aí&#8221; e mostra o chão à frente dela, como se apontasse para uma cadeira. A rua é uma segunda casa: catadora de latinhas, com um barraco em Campina do Barreto, faz as refeições todas com o que recebe na rua. Com o que ganha há muito não dá para comer.<br><br>&#8220;Meus filhos eram todos bebês quando comecei a vir pegar comida aqui. Eles faziam parte do PETI (programa de combate ao trabalho infantil) e ganhava R$ 40 por cada um. Hoje estão todos grandes&#8221;, conta. Ela sai de casa antes do dia amanhecer e fica na rua até às 21h30. Pega as doações da rua do Imperador e segue para a sopa na praça do Diário.<br><br>Só teve comida suficiente em casa, e condições de cozinhar, quando o pai dos filhos estava vivo. Quando ele morreu, passou a ir buscar alimentos fora. A pandemia foi de altos e baixos. No começo, as doações aumentaram. Havia distribuição de kits de higiene e máscaras, havia distribuição de cestas básicas. Mas foi uma fase que passou. &#8220;Agora é muito difícil conseguir uma cesta básica, faz tempo que não vejo&#8221;, diz.<br><br>Há anos tenta se aposentar, já que foi catadora de latinhas para reciclagem a vida inteira. Ainda não conseguiu. Recebe R$ 400 do antigo Bolsa Família, atual Auxílio Brasil. &#8220;Quando recebo compro gás, compro alguma comida. A comida que recebo aqui também levo para uma vizinha muito precisada&#8221;, diz. Na rua, tem amigos e amigas.</p>



<p>A prefeitura fornece 1,7 mil refeições diariamente nos dois restaurantes populares, mas não é suficiente. Na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, a missa de domingo de manhã ainda está na metade, mas a fila para o almoço que será servido depois já dobra a esquina. São homens e mulheres de várias idades, de crianças a idosos.<br><br>Dentro da igreja, Maria do Socorro, 53 anos &#8220;por aí assim&#8221;, canta todos os hinos. Mora no Arruda de aluguel, mas passa o dia no centro. &#8220;Eu dormia por aqui, mas fizeram malvadeza comigo na rua, me chutaram&#8221;, lembra. Recebe pensão de um filho doente, de 29 anos. É com esse dinheiro que aluga um quartinho. Mas é insuficiente: volta todo dia para as ruas para conseguir alimentação.</p>



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	                                        <p class="m-0">Para receber quentinhas, aos domingos centenas de pessoas fazem fila na igreja do Rosário. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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<h3 class="wp-block-heading">Mais demanda por alimentação</h3>



<p>Voluntária na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, a contadora Mônica Virgínia da Fonseca conta que, com a pandemia, aumentou muito a demanda por alimentação. Há seis anos, são 20 voluntários que ajudam na preparação das 400 quentinhas ou sopas, entregues todos os dias, com exceção das sextas-feiras. O dinheiro vem de um grupo de anônimos e da contribuição da própria igreja, comandada pelo pároco Dom Marcelo Costa.<br><br>&#8220;Não aumentou só pessoas que moram nas ruas. Tem pessoas que sabemos que têm moradia, mas não estão conseguindo se alimentar. Antes da pandemia a gente lidava com pessoas que viviam nas ruas. Hoje vem mais gente de fora. A maioria são mulheres e tem muitas idosas, que não têm assistência. São mulheres muitas vezes rejeitadas por marido, filho, neto. Cada uma tem sua história, a maioria tem família também, mas são colocadas de lado&#8221;, diz Mônica.</p>



<p>Se a questão da saúde mental e o abuso de álcool e drogas sempre foi importante para a população de rua, com a pandemia se tornou ainda mais intensa.<br><br>A técnica social Sandra Albertim, apoiadora do Movimento Nacional da População em Situação de Rua em Pernambuco e presidente do <a href="https://www.instagram.com/ruasmuseu/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Instituto Ruas Museu</a>, composto por pessoas que já estiveram em situação de rua, lembra que é importante não cair no estigma.<br><br>&#8220;A rua pode ser um lugar de proteção para mulheres que sofrem violência doméstica. Há pessoas que vão para as ruas pela dor. E se não há um acolhimento e um entendimento do que é a motivação do que leva às pessoas às ruas, vamos ter um quadro de saúde mental que não é tratado&#8221;, diz.<br><br>Ela defende que a complexidade dos diferentes perfis da população de rua têm que ser melhor compreendidos pelas políticas públicas. &#8220;Nos últimos dois anos estamos em um período pandêmico onde a questão da saúde mental está presente em todos os lares. Quem está na rua, também está sofrendo com esse adoecimento. A pessoa que está nas ruas naturalmente já vai estar adoecida: ela está em insegurança, há a pressão do território, do isolamento, da invisibilidade. A naturalização da miséria de quem mora na rua é tão grande que não choca mais. Mas aquele ser humano não é invisível e ser tratado como invisível adoece&#8221;, afirma.<br><br>Sandra acredita que as políticas públicas existentes ao invés de acolher, segregam. &#8220;Na questão de álcool e drogas, as políticas estão hoje tão engessadas e existem há tanto tempo dessa forma, que as pessoas circulam dentro dessa política e não há perspectiva de uma mudança na vida pessoal do indivíduo. É algo cíclico: ora estou na rua, ora dentro de um equipamento. E não tem uma perspectiva de saída disso. Significa que o indivíduo está condenado? não, significa que a política pública precisa ser repensada e estruturada para acolher, não punir, e gerar condições para o indivíduo&#8221;, critica.<br></p>



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	                                        <p class="m-0">Aumento o número de pessoas com casa, mas sem dinheiro para comprar comida. Crédito: Arnaldo Sete?MZ Conteúdo</p>
	                
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<h4 class="wp-block-heading">No Recife, pandemia aumentou em 24,6% a população de rua</h4>



<p>No meio da pandemia, um alerta: o IBGE mostrou que o Brasil voltou ao Mapa da Fome. A Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), realizada entre junho de 2017 e julho de 2018, mas divulgada somente em 2020, apontava que 5% da população brasileira, mais de 10 milhões de pessoas, estava em insegurança alimentar grave, quando há falta de alimentos em casa.<br><br>De lá pra cá, é visível que a população de rua aumentou. Mas faltam dados nacionais para quantificar de quanto foi esse aumento e qual o perfil de quem está hoje nas ruas. O levantamento nacional mais recente é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), lançado no final de 2020, com dados até março daquele ano, portanto, anterior à pandemia. A <a href="https://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/nota_tecnica/200612_nt_disoc_n_73.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Estimativa da População em Situação de Rua no Brasil</a> traz um aumento de 140% na população de rua do Brasil entre 2012 e 2020, com o o país passando a contar com quase 222 mil pessoas nas ruas.<br><br>No próprio estudo os pesquisadores admitem a complexidade de fazer uma estimativa dessas em um país continental como o Brasil. O IBGE, por falta de metodologia, não faz esse tipo de censo. A pesquisa mais completa foi publicada em 2008, o <a href="https://aplicacoes.mds.gov.br/sagirmps/ferramentas/docs/Monitoramento_SAGI_Populacao_situacao_rua.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">I Censo e Pesquisa Nacional</a> , mas só teve mesmo uma edição, bancada pelo então Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.</p>



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	                                        <p class="m-0">Fonte: Estimativa da População em Situação de Rua no Brasil/IPEA</p>
	                
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<p>É desse único censo que sai o perfil da população de rua no Brasil: mais de 70% da população tinha alguma atividade remunerada e mais da metade (51%) possuía um familiar na cidade onde estavam. Em 2008, as mulheres representavam 12% dos 31.922 das pessoas em situação de rua. O estudo do IPEA, de 2020, estimou a parcela de mulheres em 35%.<br><br>O acesso dessa população ao Sistema Único de Saúde também foi medido pelo Ipea. Das quase 222 mil pessoas identificadas, apenas 98,5%, aproximadamente 45%, eram cadastradas no SUS.<br><br>No Recife, equipes da secretaria municipal de Desenvolvimento Social, Direitos Humanos, Juventude e Políticas sobre Drogas realizaram, em 2019, um levantamento contabilizando 1.622 pessoas em situação de rua. Agora, em 2022, um estudo preliminar de campo feito pela Assistência Social e da Saúde e por representantes da sociedade civil que fazem parte de Movimentos Sociais da População em Situação de Rua, identificaram 2.022 pessoas. São 400 pessoas a mais em situação de rua no Recife, um aumento de 24,6%.<br><br>Em 2020, o IBGE calculou que 5,5% da população recifense está em extrema pobreza. O percentual ficou mais baixo que nos três anos anteriores. Em Pernambuco, o percentual foi de 11,8%, similar ao de 2018. Mas há uma explicação para não ter tido um aumento. Pela primeira vez, o instituto avaliou o impacto dos programas sociais na incidência de pobreza e extrema pobreza. Sem programas sociais, como o auxílio emergencial, 25,4% da população do estado estaria abaixo da linha de extrema pobreza em 2020. Um em cada quatro pernambucanos. </p>





<p><em><strong>As imagens desta reportagem foram produzidas com apoio do<a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do<a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project.</a></strong></em></p>



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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero…</strong></p><p>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.</p><p>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.</p><p>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.</p><p>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.</p><p><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">É hora de assinar a Marco Zero</a></p></blockquote>



<p></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/pandemia-aumentou-numero-de-mulheres-moradoras-de-rua-no-recife/">Pandemia aumentou número de mulheres morando nas ruas no Recife</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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