<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivos pandemia - Marco Zero Conteúdo</title>
	<atom:link href="https://marcozero.org/tag/pandemia/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://marcozero.org/tag/pandemia/</link>
	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Wed, 09 Apr 2025 17:28:48 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>

<image>
	<url>https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/02/cropped-favicon-32x32.png</url>
	<title>Arquivos pandemia - Marco Zero Conteúdo</title>
	<link>https://marcozero.org/tag/pandemia/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Vacina do Butantan contra gripe aviária será testada em Pernambuco, Minas Gerais e São Paulo</title>
		<link>https://marcozero.org/vacina-do-butantan-contra-gripe-aviaria-sera-testada-em-pernambuco-minas-gerais-e-sao-paulo/</link>
					<comments>https://marcozero.org/vacina-do-butantan-contra-gripe-aviaria-sera-testada-em-pernambuco-minas-gerais-e-sao-paulo/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 Apr 2025 16:44:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[gripe]]></category>
		<category><![CDATA[influenza]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=70078</guid>

					<description><![CDATA[<p>Se houvesse uma bolsa de apostas para qual será a doença responsável pela próxima pandemia, a gripe aviária estaria lá no topo da preferência dos apostadores. Nas últimas três décadas, o vírus apareceu em aves em todos os continentes. De 2021 para cá, há uma pandemia entre animais, com o vírus matando aves, felinos, vacas, [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/vacina-do-butantan-contra-gripe-aviaria-sera-testada-em-pernambuco-minas-gerais-e-sao-paulo/">Vacina do Butantan contra gripe aviária será testada em Pernambuco, Minas Gerais e São Paulo</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Se houvesse uma bolsa de apostas para qual será a doença responsável pela próxima pandemia, a gripe aviária estaria lá no topo da preferência dos apostadores. Nas últimas três décadas, o vírus apareceu em aves em todos os continentes. De 2021 para cá, há uma pandemia entre animais, com o vírus matando aves, felinos, vacas, focas e até golfinhos. Já é considerado um dos maiores surtos virais entre animais de que se há conhecimento.</p>



<p>Entre humanos, o primeiro caso foi descrito em 1997 em Hong Kong. O &#8220;pulo&#8221; do vírus para humanos se repetiu na Ásia e na Europa nos anos seguintes. Desde então, diversas variações do vírus da gripe aviária, como o H9N2, H7N3, H5N6 e o H7N9, ocorreram em surtos com infecções em humanos, com diferentes graus de gravidade da doença e de mortalidade.</p>



<p>No último ano, os casos em humanos aumentaram. Desde fevereiro de 2024 foram detectados 70 casos de gripe aviária em humanos nos EUA, com uma morte registrada. Reino Unido e México também registraram casos neste ano. Por ora, a Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica a gripe aviária como de baixo risco para a população em geral e de baixo para moderado risco para quem trabalha com animais em países onde a fauna foi atingida.</p>



<p>A circulação da doença entre humanos ainda está controlada porque o vírus não tem a capacidade de passar de uma pessoa para outra. Todos os infectados, até agora, foram pessoas que trabalhavam ou tiveram contato direto com animais infectados.</p>



<p>Quando, ou se, ocorrer uma mutação no vírus no qual ele consiga passar de uma pessoa para outra, há poucas dúvidas de que ele se espalhará rapidamente pelo mundo, provocando uma nova pandemia. Uma facilidade para o espalhamento é que o reservatório dele é em aves silvestres e migratórias, que percorrem grandes distâncias, como o maçarico, que sai do Canadá até a Ilha de Itamaracá todos os anos. Nas aves, o vírus atinge o estômago e o intestino, sendo liberado pelas fezes, conseguindo assim contaminar outras espécies.</p>



<p>Mas, ao contrário da covid-19, pode ser que dessa vez os países estejam mais preparados para uma pandemia. Como, biologicamente, é um vírus muito próximo da Influenza A, a mesma técnica de vacinas usada para a vacina da gripe humana, pode ser usada para a da gripe aviária. A dificuldade são as mutações. Hoje, acredita-se que três cepas mais perigosas tenham uma probabilidade maior de fazer a mutação para passar de humano para humano, que são a H5N1, H5N8 e H7N9.</p>



<p>Assim, laboratórios estão ou se preparando ou já produzindo vacinas para humanos contra essas cepas. Nos Estados Unidos, com o aumento de casos no gado, está sendo feita também a vacinação massiva de trabalhadores rurais contra a gripe sazonal, que embora não ofereça proteção contra a gripe aviária, reduz o risco dos trabalhadores serem infectados pelos dois vírus ao mesmo tempo, o que facilita as mutações.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/04/vacina-1080px-Avian_influenza_roee_shpernik_07-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/04/vacina-1080px-Avian_influenza_roee_shpernik_07-1024x683.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/04/vacina-1080px-Avian_influenza_roee_shpernik_07-1024x683.jpg" alt="Foto de dezenas ou centenas de galinhas mortas, com suas penas sujas amontoadas em criatório ou granja. Há uma galinha ainda viva, porém bastante magra, em pé, equilibrando-se sobre as outras aves. Ao fundo, o criatório é delimitado por uma parede branca e uma tela." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Gripe aviária matou aves silvestres ou de criação em todo o mundo
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Roee Shpernik</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) como livre da influenza aviária, o Brasil não tem registro da doença em aves em crianção comercial, apenas em aves silvestres (163 casos, desde 2023) e de substistência, com três focos. </p>



<p>Apesar da relativa calmaria no Brasil, o Instituto Butantan já começou a desenvolver uma vacina contra a gripe aviária, usando a variante H5N8. “É a mesma variante que o CDC, dos EUA, escolheu para desenvolver a vacina deles também”, explica o pesquisador Rafael Dhalia, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz-PE). A diferença está na tecnologia: enquanto a norte-americana é baseada em RNA, mais cara, a do Butantan é de vírus inativado. “É a mesma tecnologia da vacina da gripe comum. É mais barata e dá pra produzir em maior escala. Para a realidade do Brasil é a melhor opção”, diz Dhalia, que está liderando o estudo em Pernambuco para o desenvolvimento da vacina, ao lado de Carlos Brito, do Plátano Centro de Pesquisas Clínicas. </p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Testes de nova vacina no Recife</strong></h2>



<p>Após a aprovação da Anvisa, prevista para ainda este semestre, a candidata para ser a primeira vacina brasileira contra a gripe aviária em humanos entrará na fase de testes clínicos. A expectativa é de que 700 voluntários participem dos testes nos estados de Pernambuco, Minas Gerais e São Paulo, entre dois grupos etários (18-59 anos e 60+).</p>



<p>A primeira fase avaliará a segurança e a eficácia imunológica da nova vacina. Os participantes receberão duas doses da vacina ou do placebo, com intervalo de 21 dias entre as aplicações. Apenas um em cada sete voluntários receberá o placebo.</p>



<p>Os voluntários serão acompanhados durante os sete meses seguintes, com exames para avaliar a segurança e a eficácia imunológica do imunizante. Os testes incluirão ainda uma triagem inicial com exames bioquímicos, hematológicos e sorológicos que serão realizados no Real Hospital Português, e análise de imunidade celular da vacina, que será conduzida na Fiocruz Pernambuco. Como é um vírus que não circula no Brasil, é por meio desses testes que os pesquisadores vão avaliar a eficácia da vacina.</p>



<p>“A tecnologia é a mesmíssima da vacina da gripe comum que tem no posto de saúde. A diferença é que a cepa que está sendo usada é uma cepa de gripe aviária. A questão da eficácia a gente vai avaliar agora, mas quando falamos de segurança é importante dizer que é uma tecnologia já usada há mais de 30 anos no mundo todo e que o Butantan tem a expertise, produzindo há mais de 20 anos as vacinas de gripe para o SUS. A diferença é que em vez de usar as cepas de influenza A e B que usamos hoje, vai ser usado apenas a H5N8 da gripe aviária”, explica Dhalia.</p>



<p>Se tudo der certo, a vacina pode ser desenvolvida rapidamente, em cerca de um ano. E, ainda que não tenha muitas doses, pode ser usada para conter surtos. “Se aparecer surtos em humanos, pode ser utilizada como cinturão em volta, com a finalidade de contenção de surto, para evitar uma pandemia”, diz o pesquisador da Fiocruz.</p>



<p><strong>Os interessados em realizar a pré-inscrição para se voluntariar devem acessar o link: <a href="https://forms.office.com/r/kBXB5misc4" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://forms.office.com/r/kBXB5misc4</a>.</strong></p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/04/vacina-Butantan-interna-pdp-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/04/vacina-Butantan-interna-pdp.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/04/vacina-Butantan-interna-pdp.jpg" alt="Na imagem, vemos uma pessoa em um ambiente de laboratório vestida com um jaleco branco, luvas azuis e uma touca de proteção. Ela está sentada em frente a uma cabine de biossegurança, um equipamento ventilado usado para proteger tanto o usuário quanto o ambiente contra patógenos. Dentro da cabine, há vários materiais de laboratório, como frascos com tampas laranjas, pipetas e outros equipamentos. A pessoa parece estar manipulando ou preparando amostras, possivelmente para um experimento ou análise." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Expectativa é que 700 voluntários participem dos testes
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Instituto Butantan</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	<p>O post <a href="https://marcozero.org/vacina-do-butantan-contra-gripe-aviaria-sera-testada-em-pernambuco-minas-gerais-e-sao-paulo/">Vacina do Butantan contra gripe aviária será testada em Pernambuco, Minas Gerais e São Paulo</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/vacina-do-butantan-contra-gripe-aviaria-sera-testada-em-pernambuco-minas-gerais-e-sao-paulo/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Depois de mais de 3 anos, OMS retira alerta máximo da covid-19</title>
		<link>https://marcozero.org/depois-de-mais-de-3-anos-oms-retira-alerta-maximo-da-covid-19/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 May 2023 19:09:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[covid]]></category>
		<category><![CDATA[OMS]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=55107</guid>

					<description><![CDATA[<p>Em março de 2020 o mundo viveu o início de um pesadelo. Naquele mês, a Organização Mundial de Saúde (OMS) decretou que a covid-19, ainda uma incompreendida pneumonia viral, era uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional, o mais alto alerta para uma doença. Rapidamente, o vírus Sars-Cov-2 se espalhou por todo o mundo, [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/depois-de-mais-de-3-anos-oms-retira-alerta-maximo-da-covid-19/">Depois de mais de 3 anos, OMS retira alerta máximo da covid-19</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em março de 2020 o mundo viveu o início de um pesadelo. Naquele mês, a Organização Mundial de Saúde (OMS) decretou que a covid-19, ainda uma incompreendida pneumonia viral, era uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional, o mais alto alerta para uma doença. Rapidamente, o vírus Sars-Cov-2 se espalhou por todo o mundo, causando oficialmente cerca de sete milhões de mortes, com 10% delas no Brasil. Nesta sexta-feira (05), mais de três anos depois, a OMS retirou a emergência de saúde da covid-19.</p>



<p>“Naquela época (março de 2020), fora da China, havia menos de 100 casos relatados de covid-19 e nenhuma morte relatada. Nos três anos desde então, a covid-19 virou nosso mundo de cabeça para baixo. Quase 7 milhões de mortes foram relatadas à OMS, mas sabemos que o número é várias vezes maior – de pelo menos 20 milhões&#8221;, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom.</p>



<p>Para decretar o fim da emergência, a OMS analisou a conjuntura do último ano. “Por mais de um ano, a pandemia está em tendência de queda, com a imunidade da população aumentando devido à vacinação e infecção, a mortalidade diminuindo e a pressão sobre os sistemas de saúde diminuindo. Essa tendência permitiu que a maioria dos países voltasse à vida como a conhecíamos antes”, disse.</p>



<p>O Comitê de Emergência da OMS encerra os trabalhos, mas se cria um Comitê de Revisão, para desenvolver recomendações permanentes de longo prazo para os países sobre como gerenciar a covid-19 de forma contínua. É a primeira vez que um comitê desse tipo é criado após o fim de uma emergência.</p>



<p>Tecnicamente, o fim da covid-19 como uma emergência global não significa o fim da pandemia. A doença segue afetando muitos países e não está em um nível tão baixo para ser considerada uma endemia: em abril foram mais de 17 mil mortos pela doença no mundo, levando em conta só os casos oficiais. Assim como a Aids, descoberta há quatro décadas, a covid-19 segue sendo uma pandemia.</p>



<p>“Este é um momento de celebração. Chegamos a este momento graças à incrível habilidade e dedicação abnegada dos profissionais de saúde e assistência. A inovação dos pesquisadores e desenvolvedores de vacinas; as duras decisões que os governos tiveram que tomar diante das mudanças nas evidências; e os sacrifícios que todos nós fizemos como indivíduos, famílias e comunidades para manter a nós mesmos e uns aos outros seguros. Em outro nível, este é um momento de reflexão. A covid-19 deixou &#8211; e continua deixando &#8211; cicatrizes profundas em nosso mundo. Essas cicatrizes devem servir como um lembrete permanente do potencial de surgimento de novos vírus, com consequências devastadoras”, afirmou Adhanom.</p>



<p>O último <a href="https://www.cievspe.com/_files/ugd/3293a8_88c56ce8a2c44a1eb99290e69dbdcd65.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">boletim da covid-19 em Pernambuco</a> não registrou nenhum óbito confirmado e 32 novos casos, em uma semana. Desde o início da pandemia, foram 22.787 mortes confirmados em Pernambuco e mais de 1,1 milhão de casos. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/05/cievs0205-300x135.png">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/05/cievs0205.png">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/05/cievs0205.png" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">Lula pede que população se vacine</h2>



<p>Em postagem nas redes sociais, o presidente Lula lamentou o negacionismo da ciência durante o governo Bolsonaro. &#8220;Infelizmente, o Brasil passou da marca de 700 mil mortos pelo vírus. E acredito que ao menos metade das vidas poderiam ter sido salvas se não tivéssemos um governo negacionista&#8221;, publicou. &#8220;Vidas perdidas pela negação da ciência. Por um governo que não comprou vacinas logo quando foram ofertadas ao país e incentivou o uso de remédios sem comprovação científica.&#8221;</p>



<p>Lula também aproveitou para pedir que a população se vacine. Desde o dia 24 de abril o Ministério da Saúde liberou a vacina bivalente para pessoas com mais de 18 anos. No Recife, não é preciso agendar para tomar a vacina nos postos de saúde. &#8220;Apesar do fim do estado de emergência, a pandemia ainda não acabou. Tomem as doses de reforço e não deixem de ter o esquema vacinal sempre completo. E o governo federal irá incentivar a saúde, ciência e pesquisa no nosso país. Irá atuar para preservar vidas&#8221;, escreveu Lula no twitter. </p>



<h3 class="wp-block-heading">Covid-19 segue sendo doença a ser evitada</h3>



<p>A divulgadora científica e biomédica Mellanie Fontes-Dutra recebeu a notícia do fim da emergência em saúde com um misto de sentimentos. &#8220;Um alívio por chegarmos nesse cenário em que podemos dizer que a emergência finalizou, e tudo isso foi graças a um esforco global em prol da vacinação e da conscientização sobre riscos do vírus e como nos proteger dele. Porém, uma tristeza que é difícil de cessar, por todas as vidas perdidas e que poderiam estar entre nós se nossa reposta, por vezes, tivesse sido mais rápida, mais assertiva e com menos propagação de desinformação como vimos na pandemia da COVID-19 &#8211; e seguimos vendo&#8221;, afirmou à Marco Zero. </p>



<p>Mellanie espera que o mundo possa se preparar melhor para as próximas pandemias.  E que lembra que não se deve subestimar os agentes infecciosos  &#8220;Fizemos isso com a covid-19 no início da pandemia e vimos o horror que foram as diversas ondas do vírus e suas versões, enquanto ainda não tínhamos a vacinação pra nos ajudar a proteger dele. O preparo ideal é aquele que evita a pandemia. Portanto, aprendizados sobre investir em ciência, em vigilância genômica desses e de outros agentes infecciosos de interesse conhecidos e novos, além de preparar estratégias e contramedidas para um eventual surto é imperativo. Além disso, a conscientização da população pra evitar os riscos de exposição também são extremamente importantes&#8221;, enumera.</p>



<p>O imunologista e pesquisador Gustavo Cabral reforça que os investimentos em ciência seguem sendo extremamente necessários. “A doença está disseminada no mundo inteiro, mas só o fato de ter saído dessa emergência é um alívio enorme. Mas tem o outro lado: espero que isso não afete o desenvolvimento científico. Quando estamos em uma emergência de saúde pública, o suporte e a atenção são muito maiores do que em uma situação “normal”. É natural que os investimentos caiam, só não pode diminuir a ponto de afetar pesquisas importantes para o combate da covid-19. Por exemplo, precisamos ter continuidade na atualização das vacinas. Surgem variantes e subvariantes e precisamos acompanhar isso. Os governos precisam estar atentos”, acredita.</p>



<p>Para o cientista Jones Albuquerque, a retirada do alerta da OMS poderia ter sido feito mais paulatinamente, para evitar o risco de que a covid-19 vire mais uma doença negligenciada. “Sanitariamente ainda estamos em pandemia, mas socialmente, há mais de ano, já havíamos decretado seu fim com o fim das políticas de proteção à população. Agora, pelo que parece, apenas chancelou-se isso”, criticou.</p>



<p>“Agora corremos o alto risco de termos mais uma doença negligenciada, como chamamos, na lista de de enfermidades que assolam todos os mais vulneráveis, tanto imunologicamente quanto economicamente, sem acesso a antivirais, etc. E estamos deixando o &#8220;rastro&#8221;, crescente, de centenas de milhões de sequelados pela covid-longa”, afirmou.</p>



<p>É bom sempre lembrar que a covid-19 não é uma gripe. Mesmo pessoas vacinadas podem contrair a infecção, uma vez que as vacinas disponíveis são mais eficientes contra agravamento e morte. No twitter, a médica epidemiologista Denise Garrett, do Instituto Sabin, tem alertado sobre os perigos das repetidas infecções com o vírus.</p>



<p>“Reinfecções aumentam seu risco de doenças crônicas como diabetes, doença renal, falência de órgãos e até mesmo problemas mentais. Mantenha a vacinação em dia e use máscara em lugares cheios fechados/mal ventilados”, escreveu, lembrando que a vacinação também reduz o risco da covid longa.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-twitter wp-block-embed-twitter"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="twitter-tweet" data-width="500" data-dnt="true"><p lang="pt" dir="ltr">Esse gráfico c o aumento cumulativo do risco de complicações p cada reinfecção por COVID-19 precisa circular mais. <br>Isso c 3 reinfecções. Imagina com 4, 5, 6 ou +! Destruição de tecido cerebral, problemas vasculares, doenças autoimunes etc… Parem de falar q COVID é como a gripe. <a href="https://t.co/DEPuOBLXki">pic.twitter.com/DEPuOBLXki</a></p>&mdash; Denise Garrett, MD, MSc (@dogarrett) <a href="https://twitter.com/dogarrett/status/1652993688707149824?ref_src=twsrc%5Etfw">May 1, 2023</a></blockquote><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>
</div></figure>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa</em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a></strong><em>ou, se preferir, usar nosso</em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em><br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></cite></blockquote>



<p></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/depois-de-mais-de-3-anos-oms-retira-alerta-maximo-da-covid-19/">Depois de mais de 3 anos, OMS retira alerta máximo da covid-19</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Casos de covid-19 voltam a aumentar depois do carnaval</title>
		<link>https://marcozero.org/casos-de-covid-19-voltam-a-aumentar-depois-do-carnaval/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Mar 2023 20:47:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[FioCruz]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=54241</guid>

					<description><![CDATA[<p>A notícia não é boa, mas, por conta das aglomerações no carnaval em todo o país, não chega ser surpreendente: o novo Boletim InfoGripe Fiocruz divulgado hoje, dia 10 de março, indica o aumento de casos de covid-19 pelo Brasil. Nas semanas anteriores, este crescimento estava restrito aos estados do Amazonas e São Paulo, mas, [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/casos-de-covid-19-voltam-a-aumentar-depois-do-carnaval/">Casos de covid-19 voltam a aumentar depois do carnaval</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A notícia não é boa, mas, por conta das aglomerações no carnaval em todo o país, não chega ser surpreendente: o <strong><u><strong><a href="https://agencia.fiocruz.br/sites/agencia.fiocruz.br/files/u34/resumo_infogripe_2023_09.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">novo Boletim InfoGripe Fiocruz</a> </strong></u></strong>divulgado hoje, dia 10 de março, indica o aumento de casos de covid-19 pelo Brasil. Nas semanas anteriores, este crescimento estava restrito aos estados do Amazonas e São Paulo, mas, agora, os dados indicam que essa tendência é nacional, com números mais significativos no Ceará e Rio de Janeiro, além dos primeiros sinais de aumento no Mato Grosso do Sul e Pará.</p>



<p>O boletim inclui os dados de 26 de fevereiro a 4 de março, com base nos dados inseridos no Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe) até o dia 6 de março.</p>



<p>Também há informações positivas no mais recente boletim da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). De acordo com o pesquisador Marcelo Gomes, coordenador do InfoGripe, os dados apontam para desaceleração do crescimento entre as crianças e adolescentes, pois o avanço da doença está acontecendo entre a população adulta. Ainda assim, a ocorrência de casos de Síndrome Respiratória Aguda (SRAG) entre crianças e adolescentes não está necessariamente associada à covid, pois em alguns estados há um ligeiro crescimento de notificações por rinovírus, causa mais frequente do resfriado comum.</p>



<p>&#8220;O aumento de SRAG em crianças observado em estados de todas as regiões do país ainda não possui associação clara com algum vírus respiratório específico. Na Bahia, no Mato Grosso do Sul, no Paraná, em Santa Catarina e, em menor escala, em São Paulo, existe o aumento nos casos positivos para rinovírus nas crianças até 11 anos&#8221;, informou Marcelo Gomes.</p>



<p>O boletim indica que, o Sars-CoV-2, o vírus da covid-19, foi responsável por quase metade (49,7%) dos testes com resultado positivo entre pacientes com sintomas respiratórios nas últimas quatro semanas epidemiológicas, além de 2,8% para influenza A; 3% para influenza B; e 26,8% para vírus sincicial respiratório (VSR). A covid também foi responsável por 91,4% dos óbitos de pacientes do SRAG.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Aumento em 18 estados</strong></h2>



<p>Dezoito estados apresentam crescimento de SRAG nas últimas seis semanas, mas Pernambuco não aparece nessa lista, composta por Acre, Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe.</p>



<p>O boletim informa que “no Amazonas, Ceará, Rio de Janeiro e São Paulo, observa-se crescimento em praticamente todas as faixas etárias analisadas. No Amazonas, os dados laboratoriais apontam associação principalmente ao aumento de casos de covid-19, porém aliado ao crescimento simultâneo de casos de gripe por influenza A”. No Ceará, Rio de Janeiro e São Paulo, há crescimento de covid-19 na população adulta, mas ainda não é possível identificar causa específica entre os casos em crianças e adolescentes.</p>



<p>No Pará e Mato Grosso do Sul, como mencionado antes, também se verifica indícios iniciais de aumento de covid na população a partir de 80 anos.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Vacinação ampliada</strong></h3>



<p>Pernambuco avança nova fase de imunização com vacinas bivalente e atualiza esquema vacinal para crianças imunocomprometidas<br><br>Desde quarta-feira (08), pessoas acima de 60 anos já podem tomar a vacina bivalente da Pfizer contra a covid-19. A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) estima que quase 700 mil pessoas vão poder se imunizar nesta nova fase.<br><br>As vacinas bivalentes estavam até então apenas para maiores de 70 anos, imunocomprometidos e outros grupos. A procura, porém, tem sido pouca: apenas cerca de 20 mil doses foram aplicadas desde o início da campanha, há dez dias.<br><br>A SES-PE também atualizou o esquema em crianças imunocomprometidas de 5 a 11 anos de idade. A partir de agora, o esquema de proteção contra a covid-19 tem três doses e uma aplicação de reforço, quatro meses após a terceira dose.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/especialistas-explicam-porque-vacinar-criancas-contra-a-covid-e-necessario-e-seguro/" class="titulo">Especialistas explicam porque vacinar crianças contra a covid é necessário e seguro</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa </em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a> </strong><em>ou, se preferir, usar nosso </em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em><br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong><em>.</em></cite></blockquote>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/casos-de-covid-19-voltam-a-aumentar-depois-do-carnaval/">Casos de covid-19 voltam a aumentar depois do carnaval</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>É urgente termos na Presidência e no Governo do Estado pessoas comprometidas com o combate à fome</title>
		<link>https://marcozero.org/e-urgente-termos-na-presidencia-e-no-governo-do-estado-pessoas-comprometidas-com-o-combate-a-fome/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Aug 2022 18:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[combate à fome]]></category>
		<category><![CDATA[custo de vida]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=50786</guid>

					<description><![CDATA[<p>* Por Myrella Santana Nessa última semana, uma questão, que pra mim é central entrou nos assuntos mais falados nas redes sociais: a fome. Sou nascida e criada na cidade do Recife, conhecida como a capital da desigualdade, e aos meus 21 anos de idade nunca tinha visto tantas pessoas em situação de rua e [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/e-urgente-termos-na-presidencia-e-no-governo-do-estado-pessoas-comprometidas-com-o-combate-a-fome/">É urgente termos na Presidência e no Governo do Estado pessoas comprometidas com o combate à fome</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>* Por Myrella Santana</strong></p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/06/Marca-Eleicoes-2-300x169.png">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/06/Marca-Eleicoes-2.png">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/06/Marca-Eleicoes-2.png" alt="" class="" loading="lazy" width="172">
            </picture>

	                </figure>

	


<p>Nessa última semana, uma questão, que pra mim é central entrou nos assuntos mais falados nas redes sociais: a fome. Sou nascida e criada na cidade do Recife, conhecida como a capital da desigualdade, e aos meus 21 anos de idade nunca tinha visto tantas pessoas em situação de rua e passando fome, como nesses últimos dois anos. O Brasil já foi referência mundial no combate à miséria. Contudo, o país deixou de ter isso como prioridade a nível nacional nos últimos anos. No final de fevereiro de 2020, diagnosticou-se o primeiro caso do coronavírus no Brasil, pouco tempo depois, em março, foi declarada a transmissão comunitária e, logo em seguida, as medidas restritivas em todo o território nacional. Depois disso, por causa da falta de políticas e assistência do governo federal, passamos a enfrentar diversas dificuldades.</p>



<p>O Brasil tinha 41,6% dos seus trabalhadores e trabalhadoras no trabalho informal em 2019 (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2019), mas a necessidade de fechamento do comércio para conter a disseminação do novo coronavírus fez com que muitos desses comerciantes não tivessem condições de manter funcionários ou até mesmo continuar com esses espaços abertos após a chegada da vacina. O que levou a um aumento crescente e desenfreado no índice de desemprego. </p>



<p>Com a volta do país ao mapa da fome, e com a declaração de situação de calamidade pública causada pela pandemia, o Congresso aprovou o pagamento do auxílio emergencial para a população. Uma tentativa de minimizar o impacto social trazido pelas medidas restritivas necessárias para conter o avanço do vírus. Na criação do auxílio em resposta à pandemia, o presidente Jair Bolsonaro pretendia pagar 200 reais, mas o Legislativo ampliou o benefício para 600 reais como valor base.</p>



<p>Em entrevista à Jovem Pan, semana passada, Jair Bolsonaro disse que não vê ninguém pedindo pão nos caixas de padaria e questiona os dados sobre fome no Brasil. Na LDO 2023 foi aprovado o valor do novo salário mínimo que é de 1.294 reais. Agora me digam, qual ser humano tem condições mínimas, sua dignidade garantida, com esse valor? 600 reais durante uma das maiores pandemias e aproximadamente 1.300 pós pandemia, e no meio de uma crise econômica? </p>



<p>O gás a 120 reais, o leite em pó a quase 15, uma unidade de pão a 50 centavos (aqui na minha comunidade, porque nas padarias dos grandes centros chega a ser o dobro). Recife é a cidade com um dos maiores aluguéis do Brasil, que nos últimos meses passou por uma tragédia decorrente da crise ambiental e climática que estamos vivenciando, onde quem não tinha nada, agora passou a ter menos ainda, resultado do despreparo da cidade para o período de chuva (mesmo os gestores sabendo que todo ano vai chover do mesmo jeito). Mil e trezentos reais para pagar aluguel, água, luz, alimentação e tantas outras coisas que, quando se é mãe solo dentro de uma periferia, você tem que dar conta. </p>



<p>Não queria chamar Jair Bolsonaro de presidente, mas quando não o faço, tiro dele a responsabilidade que lhe cabe enquanto representante de um país, responsável por mais de 200 milhões de pessoas, no qual ele debochou da morte de mais de 500 mil que perderam suas vidas para a Covid 19. Jair Bolsonaro, talvez na padaria próxima e dentro dos grandes condomínios nos bairros nobres que você e seus filhos moram, que tem vários seguranças na entrada, não tenha gente pedindo um pão pra comer. Mas em todo supermercado que eu entro no meu bairro, em todo o bar que eu sento no centro do Recife, eu vejo várias pessoas e em sua maioria gritante, crianças, pedindo comida. </p>



<p>Todo dia, no deslocamento entre faculdade, trabalho, casa, vejo pessoas passando fome. E sabemos que essas pessoas têm uma cara e uma cor, né?! Deixar pessoas morrerem por não ter a garantia de direitos básicos como comer não é posição política. Posição política é como você resolve isso. Dizer que o Brasil não tem gente passando fome é violento, desonesto e desrespeitoso com todo mundo que sofre com a negligência do Estado. E se o próprio presidente acha que tem legitimidade de falar tal mentira, imagina o que os moradores de Boa Viagem acham quando fazem protesto, passeata e abaixo-assinado contra a instalação de um Centro para a população em situação de rua?</p>



<p>Os movimentos sociais e organizações de periferia têm feito um trabalho incrível, que não é e nunca será sua obrigação, e é paliativo. A fome é um problema estrutural e que precisa de comprometimento público e programático para ser extinta, acabar, cessar. É inegociável não termos um presidente ou governadora que tenha como prioridade o combate à fome e que entenda que as mulheres negras e de periferia são as mais atingidas. Ter compromisso em acabar com a fome, é ter compromisso com a segurança alimentar e nutricional (SAN) e com o combate ao racismo.</p>



<p>Quando Lula fala que o povo tem que voltar a comer picanha, ele não fala sobre luxo, ele fala, de forma bem prática, que o pobre tem que conseguir pagar as contas, comer e ter acesso ao lazer depois de uma semana inteira pegando ônibus lotado e cruzando a cidade pra trabalhar. Porque na favela, o luxo mesmo sempre foi comer bem e ter geladeira cheia no final do mês. Eu sou a primeira a tecer críticas a Lula, porque pra mim, é intragável que tenhamos um homem branco como solução para este país, principalmente porque ele tem suas contribuições nos degraus que descemos para estarmos nesse buraco. Ele foi o maior conciliador de classes que esse país já teve, e que a gente nunca esqueça que pra dar lá, tem que tirar daqui. </p>



<p>Entretanto, olhando para todas as outras candidaturas competitivas para  a Presidência da República, é inquestionável que ele foi o único que pisou no chão que a gente caminha. O exemplo disso é o projeto político de uma sociedade paralela que os outros candidatos apresentaram, a exemplo do candidato Ciro Gomes, a terceira via que também é um homem branco, que é visto como a solução para Lula e Bolsonaro, mas não tem compromisso com o combate ao racismo como centralidade e tão pouco disposição de dar um passo atrás para um projeto de sociedade emancipatório, o que é típico e esperado da branquitude</p>



<p>Domingo (28/08), teve o primeiro debate com os candidatos à presidência. Todos brancos e em sua maioria masculina. Desde os candidatos, aos jornalistas que o conduziram. Não é por acaso que as pessoas que menos estão nesses espaços são as que mais passam fome. Mudar a fotografia do poder, como diz Vilma Reis, é sobre construir possibilidades emancipatórias para a população negra em diáspora, indígena e quilombola. Precisamos de alguém no poder que saiba o que é passar fome, pegar ônibus lotado de manhã cedo pra ir trabalhar ou estudar. Precisamos de alguém que sabe o que é ser abordado violentamente pela polícia e que sabe o que é viver na periferia. Precisamos de alguém como nós.</p>



<p>* <strong>Myrella Santana é graduanda em Ciência Política na Universidade Federal de Pernambuco. Integra a Rede de Mulheres Negras de Pernambuco e a Articulação Negra de Pernambuco. É Diretora Operacional e pesquisadora na Rede Internacional de Jovens LBTQIA+.</strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><p><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado como esse da cobertura das Eleições 2022 é caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa</em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">página de doação</a><em>ou, se preferir, usar nosso</em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em></p><p><strong>Nessa eleição, apoie o jornalismo que está do seu lado.</strong></p></blockquote>



<p></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/e-urgente-termos-na-presidencia-e-no-governo-do-estado-pessoas-comprometidas-com-o-combate-a-fome/">É urgente termos na Presidência e no Governo do Estado pessoas comprometidas com o combate à fome</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Em apenas um ano, triplicou a quantidade de pessoas passando fome no Nordeste</title>
		<link>https://marcozero.org/em-apenas-um-ano-triplicou-a-quantidade-de-pessoas-passando-fome-no-nordeste/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Jun 2022 03:10:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[crise econômica]]></category>
		<category><![CDATA[fome]]></category>
		<category><![CDATA[fome no Nordeste]]></category>
		<category><![CDATA[governo Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[insegurança alimentar]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=48197</guid>

					<description><![CDATA[<p>por Adriana Amâncio O número de nordestinos que dormem sem saber o que vão comer no dia seguinte triplicou no intervalo entre maio de 2021 a abril de 2022. De acordo com o&#160; 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil (Vigisan),&#160; divulgado nesta quarta-feira, 8 de junho, pela [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/em-apenas-um-ano-triplicou-a-quantidade-de-pessoas-passando-fome-no-nordeste/">Em apenas um ano, triplicou a quantidade de pessoas passando fome no Nordeste</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Adriana Amâncio</strong></p>



<p>O número de nordestinos que dormem sem saber o que vão comer no dia seguinte triplicou no intervalo entre maio de 2021 a abril de 2022. De acordo com o&nbsp;<a href="http://olheparaafome.com.br"> </a><strong><a href="http://olheparaafome.com.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil (Vigisan)</a></strong>,&nbsp; divulgado nesta quarta-feira, 8 de junho, pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan), o número de habitantes dos estados do Nordeste em insegurança alimentar aumentou de 7,7 milhões para 22 milhões e 508 mil. Isto mesmo: dos quase 54 milhões de nordestinos, 41% estão nessa condição. </p>



<p>Os dados que dão ideia do crescimento da fome foram contabilizados de novembro de 2021 e abril de 2022, período de realização do Inquérito. Em todo Brasil, o número saltou de 19 milhões no encerramento do 1º Inquériro Vigisan, em maio de 2021, para 33,1 milhões. Isso significa dizer que, sozinha, a região Nordeste abriga 68%&nbsp;do total de pessoas passando fome no Brasil.</p>



<p>Esse aumento, segundo o membro da coordenação Executiva da Rede Penssan e professor de pós-graduação em Políticas Públicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Nilson de Paula, é fruto de opções políticas, da precarização das instituições e da rede de proteção social, da colocação da agricultura familiar em segundo plano e da priorização do agronegócio. Soma-se a isso, a piora no cenário econômico e o segundo ano da pandemia. “O país foi sendo conduzido para a beira do precipício. O que temos visto é um viés de apoio ao agronegócio em vez da agricultura familiar. A fome está diretamente alinhada ao agravamento da pobreza”, avalia o pesquisador.</p>



<p>Essa casadinha cruel entre aumento das desigualdades e o aumento da fome é refletida na pesquisa com a identificação de onde está e quem é a parcela da população é a mais afetada: os dados mostram a fome cada vez mais presente em meio ao público-alvo das desigualdades estruturais. </p>



<p>A segurança alimentar cai de 53,2% para 35% em lares chefiados por pessoas que se autodeclaram pardas ou pretas. Já nas casas chefiadas por mulheres, os registros de casos de fome sobem de 11,2% para 19,3%. Por outro lado, nos lares que têm homens como responsáveis, a fome esteve presente em 11,9%. Em lares com crianças menores de dez anos, os casos de fome quase dobraram, saltando de 9,4% para 18,1%. “A pobreza também tem cor, gênero, endereço, assim como a fome, tem seus matizes. Tudo isso vai formando uma bomba, uma engenharia difícil de desmontar”, comenta Nilson.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Mulher, jovem, negra,mãe solo e nordestina</h2>



<p>Mulher negra, mãe solo de quatro crianças, a jovem Rayla Ribeiro, de 21 anos, vive dias incertos na comunidade rural de Lagoa Seca, no município de Campo do Buriti, no estado do Piauí. Ela divide o tempo entre o trabalho como doméstica, em uma jornada de 12 horas, que vai das 7h às 19h, e o cuidado com as crianças com idades entre um ano e quatro meses e seis anos. O vínculo não é de carteira assinada e ela não recebe sequer um salário mínimo. Essa renda é somada à bolsa do Auxílio Brasil, mas não é suficiente para garantir o leite e os demais alimentos das crianças. “Alimento tá muito caro, a renda não dá! Eu compro um fardo de leite e só dou a eles uma vez por dia, quando acaba, não compro mais. Às vezes, quando não tem o que comer, eu dou somente água para eles beberem”, relata a jovem.</p>



<p>Segundo Rayla, há dois anos, a situação era ainda pior do que nos dias atuais. Com a chegada da pandemia, devido ao isolamento social, ela foi impedida de trabalhar em roçados particulares, ganhando diárias. Neste momento, a família passou a viver da doação de cestas básicas. Alguns meses depois, o seu casamento acabou e o ex-marido se recusou a custear os alimentos das crianças. “Durante uns dois ou três dias, os meninos ficaram sem alimento porque o pai deles não queria dar, e eu estava sem poder sair para trabalhar”, recorda. Mesmo após transferir o auxílio emergencial do nome do ex-marido para o seu, após a separação, Rayla conta que nunca recebeu o valor integral de R$ 1.200, tedo que se contentar com apenas R$ 600. “O dinheiro era pouco, a prioridade era a alimentação. Ou comia ou pagava conta”, afirma.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/06/fome-Rayla-296x300.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/06/fome-Rayla.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/06/fome-Rayla.jpg" alt="" class="" loading="lazy" width="625">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Quando a comida acaba, Rayla dá somente água para os filhos beberem. Crédito: Acervo pessoal</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading"><strong>A fome é rural </strong></h3>



<p>É no campo que a insegurança alimentar, em todos os níveis, se revela de forma mais grave. Em mais de 60% dos lares rurais, foram identificados casos de insegurança alimentar em alguma de suas formas. Deste universo, 18,6% dos lares apresentaram casos de insegurança alimentar do tipo grave. Este contingente é maior do que o percentual nacional. Nem as famílias agricultoras, produtoras dos seus próprios alimentos escaparam do problema. Segundo a pesquisa, 21,8% dos lares de pequenas famílias agricultoras e pequenos produtores foram atingidos pela fome.&nbsp;</p>



<p>A agricultora familiar Maria Lenice, moradora da comunidade Barrocas, município de Caetés, no agreste pernambucano, sabe bem o que é a fome. Os R$ 600 do auxílio emergencial só garantiam comida para ela, o marido e o filho de cinco anos por apenas 15 dias. Após esse período, a família dependia de doações. Desde então, a realidade não mudou muito. Vivem da renda do Auxílio Brasil e do lucro da comercialização de alguns produtos da agricultura familiar, comprados aos vizinhos com dinheiro emprestado. Eventualmente, o casal ganha diárias pelo trabalho em roçados particulares, demanda comum no período chuvoso. Maria teme o que está por vir, quando as chuvas acabarem. “Quando acabar o trabalho [nas roças particulares], daqui a pouco, a gente vai voltar a depender da ajuda de novo. Fazer o quê, né”, lamenta.</p>



<h3 class="wp-block-heading">A raiz do problema</h3>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/06/Fome-Nilson-177x300.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/06/Fome-Nilson.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/06/Fome-Nilson.jpg" alt="" class="" loading="lazy" width="243">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Nilson de Paula. Crédito: Acervo pessoal</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Dar comida às pessoas é uma medida de curto prazo, mas não vai sanar o problema da fome na raiz. É preciso reverter a condição de desigualdade social, reverter o quadro de concentração de renda riqueza, como defende Nilson de Paula:&nbsp; “Não há como uma população olhar e se ver como nação, tendo 125 milhões de pessoas passando fome. Para combater isso, é preciso que o Estado reconheça que esta demanda é prioridade”. Nessa direção, o pesquisador considera importante resgatar iniciativas já conhecidas, a exemplo do Programa de Alimentação Escolar (PAA), que adquiria produtos da agricultura familiar e os oferecia na rede escolar.&nbsp;</p>



<p>Ele considera importante ainda resgatar e proteger o Programa Nacional da Alimentação Escolar (PNAE), que garantia merenda escolar, contendo alimentos da agricultura familiar, produzida por famílias agricultoras, povos indígenas e assentados da reforma agrária. A derrubada da Emenda nº 95, que limitou o investimento em áreas sociais é outro caminho para combater a fome, sinaliza o pesquisador. </p>



<p>&#8220;Você não pode ter políticas que beneficiem a população, porque há uma disciplina fiscal. Gerar emprego, recuperar e valorizar a renda das famílias. Nós estamos tendo que fazer a escolha de Sofia: ou come ou paga aluguel, ou come ou bebe água. É o pior dos mundos da degradação humana”, critica o Nilson de Paula.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/09/AAABanner-1-300x39.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/09/AAABanner-1.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/09/AAABanner-1.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                </figure>

	


<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero…</strong></p><p>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.</p><p>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.</p><p>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.</p><p>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.</p><p><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">É hora de assinar a Marco Zero</a></p></blockquote>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/em-apenas-um-ano-triplicou-a-quantidade-de-pessoas-passando-fome-no-nordeste/">Em apenas um ano, triplicou a quantidade de pessoas passando fome no Nordeste</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Pandemia em transição: quatro pontos para avançar no combate à covid-19</title>
		<link>https://marcozero.org/pandemia-em-transicao-quatro-pontos-para-avancar-no-combate-a-covid-19/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 May 2022 21:11:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[FioCruz]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[SUS]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=47170</guid>

					<description><![CDATA[<p>Apesar das festas, shows e ruas lotadas, não é de um dia para o outro, nem com um decreto, que a pandemia da covid-19 vai acabar. Com indicadores em queda ou estabilizados em patamares baixos na maioria dos estados brasileiros, a pandemia está em um momento de transição. Mas para onde? Ainda que não dê [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/pandemia-em-transicao-quatro-pontos-para-avancar-no-combate-a-covid-19/">Pandemia em transição: quatro pontos para avançar no combate à covid-19</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Apesar das festas, shows e ruas lotadas, não é de um dia para o outro, nem com um decreto, que a pandemia da covid-19 vai acabar. Com indicadores em queda ou estabilizados em patamares baixos na maioria dos estados brasileiros, a pandemia está em um momento de transição. Mas para onde? </p>



<p>Ainda que não dê para descartar o hipotético surgimento de uma nova variante de preocupação que escape da imunidade das vacinas, a maioria dos pesquisadores tende a acreditar em uma transição para uma convivência mais previsível com o Sars-Cov-2. Se antes isolamento, quarentena e distanciamento social eram palavras-chave para lidar com a covid-19, agora outras preocupações despontam.<br><br>Como lidar com a covid longa e as sequelas da covid-19? Como as vacinas contra a doença vão se incorporar ao calendário vacinal? Como as cidades e estados podem se preparar para possíveis novas ondas ou até novas pandemias?<br><br>Foi para debater e apresentar esses questionamentos que Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) preparou três seminários virtuais no mês passado e durante neste mês. Abaixo, os principais tópicos para entender o momento atual da pandemia e o que pode e deve ser feito para uma transição para um convívio seguro com o Sars-Cov-2.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Planejamento para as próximas fases</h2>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/05/Fiocruz-Freitas-Tania-RegoAgBR-300x225.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/05/Fiocruz-Freitas-Tania-RegoAgBR.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/05/Fiocruz-Freitas-Tania-RegoAgBR.jpg" alt="" class="" loading="lazy" width="411">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Carlos Machado Freitas. Credito: Tânia Rêgo/Agência Brasil</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>O Brasil é um dos países mais atingidos pela covid-19. Mais de 6 milhões de pessoas morreram no mundo todo e o Brasil é responsável por aproximadamente 10,7% desses óbitos, mesmo com apenas 2,7% da população mundial. Erros não faltaram na condução da emergência, mas a falta de uma coordenação nacional, de protocolos e de planejamento estão entre os principais apontados pelos especialistas.<br><br>Para essa atual fase, de provável esmorecimento, planejamento segue sendo uma necessidade. &#8220;A pandemia ainda não acabou e os riscos permanecem. As transições devem ser acompanhadas de planejamento para as fases seguintes, proporcionando uma passagem segura para as próximas realidades&#8221;, afirmou o coordenador do Observatório covid-19 da Fiocruz, Carlos Machado Freitas, pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz (ENSP/Fiocruz).<br><br>&#8220;Uma transição segura para o fim da pandemia não pode deixar de lado um plano de ações, o fortalecimento do SUS e instâncias participativas, mas também a ampliação de investimentos na indústria da saúde e na capacidade de produção de vacinas&#8221;, completou.<br><br>Para o pesquisador Daniel Vilela, do Observatório Covid-19, estamos em transição graças às vacinas. &#8220;Mas carecemos de campanhas. A transição é uma fase de convivência com o vírus. As pesquisas colocam que temos uma imunidade híbrida, de vacinação e de contato com o vírus. Mas ainda não sabemos a duração dessa imunidade&#8221;, pondera.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Avançar na vacinação</h2>



<p>O Brasil tem uma cobertura baixa para a terceira dose: apenas 52% da população elegível. A vacinação das crianças de 5 a 11 anos também está abaixo do necessário, com apenas 54% dessa faixa etária vacinada com a primeira dose. Com a segunda, é ainda pior: somente 21%. Avançar na vacinação é essencial para que a pandemia continue em queda. &#8220;É importante avaliar a cobertura analisando as doses de reforço&#8221;, disse Daniel Vilela. Pessoas com comorbidades também precisam da segunda dose de reforço, assim como idosos acima dos 60 anos.<br><br>Mesmo com as doses em dia, o uso das máscaras ainda não deve ser abandonado em algumas situações. Isso porque as vacinas que existem hoje protegem contra o agravamento e morte, mas não tanto contra a infecção em si. E mesmo pessoas vacinadas podem desenvolver covid longa e sequelas. &#8220;A máscara deve permanecer principalmente em lugares fechados e com aglomeração, como é o caso de transporte público. E também diante de qualquer sinal de recrudescimento de casos&#8221;, alertou Vilela.<br><br>O pesquisador Eduardo Hage, da Fiocruz Brasília, ressaltou que a maioria dos países africanos não chegou ainda nem na metade da população com o esquema inicial de duas doses. &#8220;Com doses de reforço, então, é muito baixo. Isso traz muitos desafios para o fim da emergência mundial do Sars-cov-2&#8221;, afirmou. A meta de vacinação da Organização Mundial de Saúde é de pelo menos 70% de toda a população mundial com 2 doses. &#8220;É um direcionamento que está sendo atualizado para incluir a dose de reforço&#8221;, ressaltou Hage.<br><br> Além do avanço da vacinação, é preciso também o desenvolvimento de novas vacinas. Principalmente de vacinas <em>pan-sarbecovírus</em>, ou seja, capazes de cobrir todas as variantes do Sars-cov-2. &#8220;A ideia seria de se adiantar a uma nova variante, ao invés de estar sempre correndo atrás&#8221;, explicou Vilela.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Fazer uma vigilância robusta</h2>



<p>Para a epidemiologista Ethel Leonor Maciel, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), a dificuldade maior para saber quando será declarada o fim da pandemia está no fato de ser um vírus novo, e não se ter parâmetros para estabelecer o que seria um patamar de endemia para o Sars-Cov-2. &#8220;Não há um consenso internacional ainda em torno desses números. O que vamos considerar aceitável em número de casos de covid-19? E de óbitos? Comparado com o quê? Ainda não temos esse consenso, está sendo construído&#8221;, afirmou.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/05/fiocruz-ethel_maciel-acervo-pessoal-300x218.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/05/fiocruz-ethel_maciel-acervo-pessoal.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/05/fiocruz-ethel_maciel-acervo-pessoal.jpg" alt="" class="" loading="lazy" width="403">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Ethel Leonor Maciel. Crédito: Acervo pessoal</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Na apresentação, Ethel criticou o desmantelamento da vigilância epidemiológica e a prioridade dada à abertura de leitos de alta complexidade durante a pandemia, uma estratégia muito mais custosa. &#8220;Esse foi o grande investimento feito no Brasil. Que vai em oposição ao que a OMS pregou desde o início, que era teste precoce, isolamento, rastreamento dos contatos. Até hoje não temos um protocolo de testagem&#8221;, afirmou. Outro erro foi a falta de estratégia para a educação. &#8220;A educação foi a última a voltar, não houve planejamento do Ministério da Educação&#8221;, completou a epidemiologista.<br><br>Para Eduardo Hage, é necessário uma vigilância genômica que vá além dos testes laboratoriais. &#8220;Tem que ser integrada com a vigilância epidemiológica e com a rede de atenção à saúde&#8221;, disse. Investigações epidemiológicas sobre a interface homem-animal, para identificar potenciais reservatórios e hospedeiros do Sar-Cov-2 também são importantes nessa fase de transição da pandemia, destacou.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Investimento constante</h2>



<p>Antes da covid-19, outra doença que atingiu fortemente o Brasil e também recebeu um alerta de emergência da OMS foi a zika. Passado o auge da pandemia, virou uma doença negligenciada. &#8220;Não podemos ter um status de doença negligenciada para a covid-19 porque isso pode impactar populações menos assistidas&#8221;, comentou Vilela.<br><br>Ethel Maciel defendeu que serviços e programas sejam criados no Sistema Único de Saúde (SUS) para o atendimento de pessoas com síndrome pós-covid e covid longa. &#8220;Crianças com sequelas do zika vírus não têm acompanhamento porque não foram criados serviços específicos para esse atendimento. A emergência da zika foi revogada e essas crianças ficaram desassistidas. Então precisamos de uma política que incorpore serviços de atendimento para as sequelas da covid-90&#8221;, afirmou.<br><br>Carlos Freitas ressaltou que a covid-19 longa e as sequelas da doença tendem a pressionar SUS nos próximos anos. Há também as consultas, exames, procedimentos e cirurgias que foram adiados durante a pandemia. &#8220;Deixaram um passivo imenso para o SUS, que necessitará certamente de mais investimentos nos próximos meses e anos. E tudo isso inclui a necessidade de decisões baseadas em dados e indicadores&#8221;, afirmou.<br><br>A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, destacou na abertura do seminário que nada da resposta à pandemia ocorreu sem um histórico, sem investimentos anteriores. &#8220;Isso se aplica também na vacina totalmente nacionalizada na Fiocruz (a desenvolvida pela AstraZeneca e Oxford)&#8221;, afirmou. &#8220;Temos a ilusão de que a resposta é rápida. E a resposta precisa ser rápida, mas ela não vem do nada, vem de uma base&#8221;, concluiu.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/04/AAABanner-300x39.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/04/AAABanner.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/04/AAABanner.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                </figure>

	


<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero…</strong></p><p>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.</p><p>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.</p><p>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.</p><p>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.</p><p><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">É hora de assinar a Marco Zero</a></p></blockquote>



<p></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/pandemia-em-transicao-quatro-pontos-para-avancar-no-combate-a-covid-19/">Pandemia em transição: quatro pontos para avançar no combate à covid-19</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Fim da Espin</title>
		<link>https://marcozero.org/fim-da-espin/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inês Campelo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Apr 2022 20:27:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[Espin]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=46608</guid>

					<description><![CDATA[<p>O post <a href="https://marcozero.org/fim-da-espin/">Fim da Espin</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[		<div class="wp-block-web-stories-embed alignnone">
			<a href="https://marcozero.org/web-stories/fim-da-emergencia-em-saude-publica-de-importancia-nacional/">
									<img
						src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/04/cropped-Daniel-Tavares-PCR-Manaus.jpg"
						width="360"
						height="600"
						alt="Fim da Espin"
																		loading="lazy"
						decoding="async"
					/>
								</a>
		</div>
		<p>O post <a href="https://marcozero.org/fim-da-espin/">Fim da Espin</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O que esperar da covid-19 no futuro?</title>
		<link>https://marcozero.org/o-que-esperar-da-covid-19-no-futuro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Mar 2022 17:40:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[coranavírus]]></category>
		<category><![CDATA[covid19]]></category>
		<category><![CDATA[crianças]]></category>
		<category><![CDATA[endemia]]></category>
		<category><![CDATA[OMS]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[vacinação de crianças]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=45705</guid>

					<description><![CDATA[<p>Passado o tsunami da ômicron na Europa, os países daquele continente passaram a mudar a forma que tratam o Sars-Cov-2. Em Portugal, os boletins com dados da covid-19 passaram a ser semanais. No Reino Unido, há quase dois meses não é exigido mais máscaras nem passaporte vacinal contra a doença. Em abril, não serão mais [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/o-que-esperar-da-covid-19-no-futuro/">O que esperar da covid-19 no futuro?</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Passado o <em>tsunami</em> da ômicron na Europa, os países daquele continente passaram a mudar a forma que tratam o Sars-Cov-2. Em Portugal, os boletins com dados da covid-19 passaram a ser semanais. No Reino Unido, há quase dois meses não é exigido mais máscaras nem passaporte vacinal contra a doença. Em abril, não serão mais oferecidos testes gratuitos para a população. Aqui no Brasil, vários estados flexibilizaram o uso de máscaras, alguns até retirando a obrigatoriedade em espaços fechados. </p>



<p>Mas será que é hora de baixar a guarda contra a covid-19? </p>



<p>No mês em que se completa dois anos de pandemia, a Marco Zero perguntou a diversos profissionais, de várias áreas, o que podemos esperar para o futuro da covid-19. Confira as respostas. </p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<h2 class="wp-block-heading">As expectativas para o futuro da covid-19</h2>



<p>&#8220;O direito de imaginar futuros é ato de resistência. Na minha opinião é precipitado falar em endemia, minimizar efeitos ainda devastadores da doença abolindo precocemente uso de máscaras, medidas de proteção individual e coletiva com finalidades diversas que não a defesa da vida. Não temos tempo suficiente nem padrão único da ocorrência da doença para prever o que vai acontecer, mas podemos mudar aqui e agora. Mudar compondo projetos democráticos, apostar nas políticas públicas e na solidariedade. Ao mesmo tempo apostar na vontade e desejo das pessoas na mudança, uma aposta subjetiva portanto. Um duplo movimento de resistência a tudo que violenta e degrada a vida, causa dor e sofrimento, ao mesmo tempo a resistência alegre, criativa e cheia de vida das periferias, das pessoas comuns na diversidade brasileira.&#8221;</p>



<p><strong><em>Bernadete Peres, médica sanitarista, professora do Centro de Ciências Médicas da UFPE</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;Mudar o status de pandemia para endemia nesse momento não é algo bom. O vírus não vai desaparecer porque a situação mudou de status e, na verdade, pode até passar uma ideia errada para a população. Por exemplo, o Brasil é um país endêmico para dengue e nós sabemos o problema que esse vírus nos causa todo ano. É importante lembrar que o Sars-CoV-2 é um vírus altamente transmissível e que não podemos baixar a guarda agora. Ainda temos muita coisa para aprender sobre esse vírus e sobre a doença que ele causa. O futuro ainda é incerto, afinal ainda estamos tentando entender a dinâmica sazonal do vírus e as melhores medidas sanitárias no combate à covid-19.&#8221;</p>



<p><em><strong>Lorena Chaves, virologista e pesquisadora da Universidade Emory Atlanta (EUA)</strong></em></p>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-solid-color"><blockquote><p>O vírus não vai desaparecer porque a situação mudou de status e, na verdade, pode até passar uma ideia errada para a população.</p><cite>Lorena Chaves, virologista</cite></blockquote></figure>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;Estamos em um período de transição entre hiper pandêmico e pandêmico. Pandemia é a presença de várias epidemias causadas pelo mesmo organismo em vários continentes. E continuamos com uma pandemia de Sars-CoV-2, o causador da covid19. No entanto, podemos dizer que a cepa original, lá de 2019 agora é endêmica, mas pode voltar a ser epidêmica novamente. No entanto a pandemia da cepa ômicron, e outras cepas, continuam independentemente do que cada um acha. Ou seja a pandemia do Sars-CoV-2 continua, são 1,5 milhão de pessoas infectadas por dia e causando mais de seis mil mortes diariamente, no mundo. Não percebo o surgimento de um canal endêmico normal e acho que vai levar tempo para que o vírus se adapte por completo e entre em equilíbrio com o estado imunológico da população.&#8221;</p>



<p><em><strong>Ernesto Marques, médico virologista e professor da Universidade de Pittsburgh (EUA)</strong></em></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;A covid-19 caminha para ser endêmica, no Brasil e no mundo, mas reforço que ainda é precoce afirmar que entramos nessa fase. Os estudos mais recentes e, sobretudo, os dados de queda proporcional de mortes diante do aumento de casos, são indícios claros da importância da vacinação. No entanto, as coberturas vacinais ainda estão longe de serem consideradas as ideais e, atualmente, em particular no que tange ao universo infantil. Este é um problema que necessitaria enfrentamento urgente e coordenado, o que, sabemos, não partirá dos gestores nacionais. Caberia então, aos estados e munícios ampliarem campanhas de vacinação das crianças, e esclarecimento aos familiares acerca da comprovada segurança das vacinas.  Acredito que, assim como fazemos anualmente em relação à influenza, teremos que adotar doses anuais de reforços, adequadas às cepas preponderantes. Mas para que esta medida alcance sucesso, temos que retomar o que sabíamos fazer tão bem: campanhas de vacinação, ampla divulgação, capilarização de postos de aplicação das doses, etc. Outro hábito que deveria ser incorporado é o uso de máscaras diante do surgimento de sintomas respiratórios. Mas, reforço: ainda não podemos decretar o fim da pandemia, embora este seja o desejo de todos nós.&#8221;</p>



<p><strong><em>Tereza Maciel Lyra, professora da Universidade de Pernambuco (UPE) e médica sanitarista na Fiocruz-PE</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;A vacinação no Brasil começou lentamente, mas depois foi expandindo e hoje temos quase ¾ da população completamente imunizada e mais de 80% que receberam pelo menos uma dose. O novo coronavírus tem se mostrado como um vírus imprevisível e dinâmico. Assim, muita coisa pode mudar de uma semana para outra. Entretanto, acredito que haverá uma redução contínua do número de novos casos e o vírus vai continuar circulando de forma endêmica. Creio que será importante realizar a revacinação da população pelo menos uma vez ao ano e que as vacinas necessitarão ser atualizadas para refletir a variante mais prevalente em circulação.&#8221;</p>



<p><strong><em>Lindomar Pena, virologista e pesquisador na Fiocruz-PE</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;O avanço da vacinação está diretamente associado à redução dos casos de agravamento e óbito por covid-19, em todo o mundo. Por mais mórbido que pareça, o número de óbitos tende a cair ainda mais não só pelo avanço da vacinação, mas também pelo número cada vez menor de pessoas intencionalmente não-vacinadas… visto que são hoje as principais vítimas do Sars-Cov-2. Indivíduos completamente vacinados tem 17 vezes menos chances de ir à UTI, e 20 vezes menos chances de ir à óbito, em comparação com os indivíduos parcialmente vacinados ou sem vacinação (4 de cada 5 brasileiros que vão à UTI e ao óbito, estão parcialmente ou não-vacinados). </p>



<p>Um aspecto importante a ser considerado é que variantes de preocupação como a delta e a ômicron, por exemplo, conseguem escapar parcialmente dos anticorpos induzidos pelas vacinas contra Sars-Cov-2. O significado disso, é que mesmo pessoas completamente vacinadas, inclusive com a terceira dose, ainda podem se infectar e transmitir o vírus. Essa constatação é ainda mais relevante para indivíduos com a saúde fragilizada, como os imunosuprimidos, que já devem tomar a quarta dose de reforço, e os idosos que, por serem também grupo de risco devem continuar, mantendo rigorosamente os seus cuidados de prevenção. Em síntese, infelizmente o Sars-Cov-2 veio para ficar, portanto, temos que aprender a conviver com ele da forma mais segura possível, em relação ao impacto na saúde de nossa população. Isso significa dizer que temos de manter a nossa imunidade, indo se vacinar sempre que chegar a sua vez, e evitar situações maiores de exposição. Não é hora de baixar a guarda, e só com a ajuda de todos (governo, empresas e cidadãos) que conseguiremos sair dessa situação de emergência sanitária.&#8221;</p>



<p><em><strong>Rafael Dhalia, cientista e pesquisador da Fiocruz-PE</strong></em></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;Como estamos vendo nos dados epidemiológicos de vários países, e também nos estudos clínicos das vacinas, as vacinas reduzem muito o nível de óbitos e agravamento (hospitalizações), em um nível coletivo (após alta cobertura vacinal). Também vemos uma redução na quantidade de pessoas sintomáticas (o que ajuda a reduzir transmissão), mas essa redução é bem menor. Tendo isso em vista, é importante saber que, para termos um status endêmico e seguro, precisamos &#8220;ajudar&#8221; as vacinas com outras medidas de redução da transmissão. Se deixarmos o status endêmico da covid ser nesse nível, teremos um excesso de óbitos em vulneráveis muito maior do que tínhamos até então. É importante estabelecer essa diferença entre endêmico e seguro! Hoje, o futuro que se desenha, infelizmente, é esse de um alto nível de casos e, por consequência disso, um número absoluto de mortes muito além do esperado.&#8221;</p>



<p><strong><em>Isaac Schrarstzhaupt, coordenador da Rede Análise Covid-19</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;Acho ainda muito temeroso tratar como uma endemia uma vez que tem várias coisas ainda incertas quanto ao Sars-Cov-2. Uma das coisas que se pensou lá no início é que o vírus realmente ia se tornar endêmico e ia ter um padrão sazonal como influenza. Mas até agora não temos visto esse padrão sazonal. Na verdade, isso representa mais o surgimento de novas linhagens e essas novas linhagens que têm uma característica diferente de escape imune ou de de maior transmissibilidade. E esse surgimento de linhagem está diretamente relacionado a uma transmissão muito alta, então quanto mais pessoas infectadas maior a chance do surgimento dessas linhagens.  Que podem acarretar uma nova onda de infecção, fugindo assim do padrão sazonal dos outros vírus respiratórios. Realmente ainda não entendemos a dinâmica do Sars-COv-2 a ponto de conseguir tratá-lo como os outros vírus respiratórios onde existem padrões muito claros. O Sars-Cov-2 ainda está nos pregando peças com o surgimento de novas linhagens. São aparecimentos imprevisíveis e o máximo que nós conseguimos fazer é detectá-las rapidamente e tentar tomar decisões baseada em fatos. Precisamos ainda ter cautela e manter determinadas medidas restritivas, como o uso da máscara, distanciamento para diminuir a transmissão, porque realmente com a transmissão alta sempre vamos ter uma maior probabilidade de do surgimento de novas linhagens com capacidade de causar ondas de infecção e novamente sobrecarregar o sistema de saúde.&#8221;</p>



<p><em><strong>Gabriel Wallau, biólogo e pesquisador da Fiocruz-PE</strong></em></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;É um processo natural da pandemia se tornar endemia, uma coisa que vai acontecer. Questão é querer fazer isso de forma forçada. Não é bem assim. Vai chegar o momento em que nós vamos passar dias sem ter mortes ou uma transmissibilidade muito baixa e, naturalmente, isso vai acontecer e vai ser definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), uma coisa importante também pra levar em consideração. A OMS vai avaliar os parâmetros no mundo para definir se acabou ou não a pandemia. Claro que os os países não são obrigados a aceitar, mas no geral aceitam.  Quando a gente vive uma endemia, não é essa situação de gerar um caos no sistema de saúde, além dos prejuízos principalmente humanos, de vidas, e também financeiro onde tudo é afetado. Uma endemia não chega a esse ponto, mas é uma forma também de mantermos a vigilância pra que não fique essa gangorra, esse vai e vem. Essa é uma vigilância contínua, vai chegar o momento que vai se tornar endemia, mas esse não é o momento. Temos muitas mortes diariamente, ainda temos o vírus circulando consideravelmente, a gente ainda precisa ter a vacinação de reforço, que hoje está na casa dos 30%. Ainda precisamos avançar na vacinação da segunda dose de crianças e adolescentes, ainda precisamos da vacinação de crianças de zero a quatro anos, que é o grupo de maior risco e de fatalidade entre crianças e adolescente. Não é simplesmente falar, &#8220;olha, acabou, agora é endemia&#8221;. Os números precisam mostrar isso, os casos precisam mostrar isso.&#8221;</p>



<p><strong><em>Gustavo Cabral, imunologista e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP)</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-solid-color"><blockquote><p>Muitos políticos querem que a covid seja uma doença endêmica por questões meramente econômicas,</p><cite>Gauss Cordeiro, estatístico</cite></blockquote></figure>



<p>&#8220;Muitos políticos querem que a covid seja uma doença endêmica por questões meramente econômicas, tentando assim que a população possa ter uma vida normal. Por exemplo, o número total diário nesta semana de novos infectados na Europa supera 500 mil e os novos óbitos diários oscilam em torno de mil infectados. No Brasil, a média móvel de 7 dias de novos infectados supera atualmente 45 mil casos,mesmo sendo subestimada (não contempla os autotestes). E devemos saber que a eficácia da última dose daqueles que se vacinaram está sendo reduzida com o tempo. Entendo que seja um grande risco considerar a covid como uma doença endêmica, por conta de novas variantes atuais e futuras. Tenho convicção que o vírus persistirá evoluindo em certos lugares e medidas não farmacológicas mais efetivas deverão ser consideradas.&#8221;</p>



<p><strong><em>Gauss Cordeiro, estatístico e professor da UFPE</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;Em relação a tratar com uma uma endemia eu acho precoce, ainda não é hora disso. Para caracterizar como endemia precisamos ter um um patamar de estabilidade, ter minimamente uma previsão sobre os próximos passos, ter valores &#8220;aceitáveis&#8221;, bem entre aspas, de mortos e de casos. E ainda estamos longe disso. Me parece que querer chamar de endemia é forçar o fim de uma pandemia que não acabou. A gente está tentando mudar os conceitos que já existiam antes da covid-19 para tentar adequar para dizer &#8216;pronto, agora voltou à normalidade&#8217;. É uma negação da realidade. Está melhorando, tem vacina, tem medicamento. Estamos caminhando para sair e pra virar uma endemia sim, mas eu ainda acho cedo dizer que, a partir de agora, é uma endemia. É um discurso conveniente no ano eleitoral, o que precisa ser levado em consideração. E o que esperar para o futuro da covid-19? Eu acredito que a covid-19 vai fazer parte das nossas infecções virais anuais. Assim como o vírus da influenza faz desde o surto lá de 1918. Acredito que o caminho que a covid vai tomar é parecido. Vai se transformar numa gripe e espero que caia a letalidade. Hoje a covid-19 mata duas, três vezes mais que a gripe, mesmo em locais onde a população está mais imunizada que no Brasil, então eu acho que a gente vai caminhar pra algo nesse cenário. Vamos entrar no equilíbrio com a existência do vírus na nossa sociedade. E resta saber se vamos ter picos de infecções anuais, assim como acontece com a influenza e, de tempos em tempos, vai ter um surto pior com uma uma variante mais letal, uma variante que escape minimamente das vacinas que existem. É difícil a gente fazer esses exercícios de futurologia, porque  estamos tentando prever um comportamento da natureza,de um evento completamente incerto.&#8221;</p>



<p><em><strong>Bruno Issao Matos Ishigami, médico infectologista</strong> <strong>do Hospital Universitário Oswaldo Cruz</strong></em><strong><em> (UPE)</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;A imunidade coletiva, com as n-variantes em circulação, parece mesmo impossível de ser alcançada como publicado <a href="https://www.nature.com/articles/d41586-021-00728-2">há exatamente 1 ano</a> [mais precisamente, em 18 de mar de 2021]. Assim, seguimos avançando, mais ainda figuramos como um dos países que menos vacinou no mundo, considerando terceira dose e tamanho da população. O mais grave disso, e aqui no Brasil também, parece ter sido mesmo a ausência de comunicação sobre <a href="https://www.irrd.org/covid-19/ricci/, https://irrd.tech/interactive-risk-diagrams/">Risco Pandêmico</a> e a forma errônea de comunicar à população como as vacinas emergenciais funcionariam. Por isso, parece que estamos perdendo a efetividade das vacinas muito rapidamente,<a href="https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2119451" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> mesmo as doses de reforço</a>. Basta compararmos os dados de alguns dos países que hoje mais imunizaram suas populações, com suas respectivas taxas de ocupação de leitos. Assim, para o futuro, observando o risco mundial, que vinha em boa trajetória em direção à zona verde (baixo risco), mantém uma piora desde 2 de março de 2022, reapontando o risco [bolinha branca, ultimo dia medido] para zona vermelha (risco alto). sugere piora na pandemia, na infecção mundial, não endemia, não ainda.&#8221;</p>



<p class="has-text-align-center"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://lh6.googleusercontent.com/6JxbNSGXPsLNWvvtVMeFZPAi9t_pRmFrII27PfvNI02pP0rjrS-jFmpOezrUEq0isuztS-Hgv302DcK3wnrMbRg-aZ6VFfWeEB4ql6I-jroOSm-s0XxycF2iRKQJlQ0t95MUz47J" width="602" height="444"></p>



<p><strong><em>Jones Albuquerque, cientista do IRRD e do Laboratório de Imunopatologia Keizo Asami &#8211; UFPE e professor da UFRPE</em></strong></p>



<p>Também perguntamos aos especialistas quais teriam sido as principais lições aprendidas ao longo desses dois anos de pandemia. As respostas estão no link abaixo:</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/o-que-aprendemos-em-dois-anos-de-pandemia-de-covid-19/" class="titulo">O que aprendemos em dois anos de pandemia de covid-19?</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/03/AAABanner-300x39.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/03/AAABanner.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/03/AAABanner.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                </figure>

	<p>O post <a href="https://marcozero.org/o-que-esperar-da-covid-19-no-futuro/">O que esperar da covid-19 no futuro?</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O que aprendemos em dois anos de pandemia de covid-19?</title>
		<link>https://marcozero.org/o-que-aprendemos-em-dois-anos-de-pandemia-de-covid-19/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Mar 2022 15:13:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[ciência]]></category>
		<category><![CDATA[covid]]></category>
		<category><![CDATA[endemia]]></category>
		<category><![CDATA[máscaras]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=45542</guid>

					<description><![CDATA[<p>O mês de março de 2020 já entrou para a história. O coronavírus pegou o mundo de assalto e se espalhou com a velocidade nunca antes vista. Naquela época, a tragédia que se concretizou não era tão clara para muitos: hoje, mais de 6 milhões de pessoas morreram em decorrência da doença. Foram dois anos [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/o-que-aprendemos-em-dois-anos-de-pandemia-de-covid-19/">O que aprendemos em dois anos de pandemia de covid-19?</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O mês de março de 2020 já entrou para a história. O coronavírus pegou o mundo de assalto e se espalhou com a velocidade nunca antes vista. Naquela época, a tragédia que se concretizou não era tão clara para muitos: hoje, mais de 6 milhões de pessoas morreram em decorrência da doença. Foram dois anos difíceis. Com o aumento da vacinação, há a esperança de uma convivência menos traumática com o vírus, mas ainda não é uma volta ao que era antes. </p>



<p>Ao longo desses dois anos, a Marco Zero publicou mais de 250 reportagens, artigos e entrevistas sobre o coronavírus. Ao chegar aos dois anos de pandemia, fizemos duas perguntas para mais de uma dúzia de especialistas que ouvimos ao longo desse período. </p>



<p>A primeira pergunta é um olhar para o passado: <strong>quais foram os principais aprendizados durante os dois anos de pandemia no Brasil? </strong>A segunda, sobre o futuro: <strong>Muito tem se falado em tratar a covid-19 como uma endemia, pelo avanço da imunização da população brasileira. O que podemos esperar para o futuro da covid-19?</strong></p>



<p>Abaixo, a fala dos especialistas de várias áreas que atuaram nesses dois anos de pandemia do Sars-Cov2 sobre o que aprendemos nestes dois anos. E <strong><a href="https://marcozero.org/o-que-esperar-da-covid-19-no-futuro/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">neste link</a></strong> o que podemos esperar para o futuro. </p>



<h2 class="wp-block-heading">O que o passado ensinou&#8230;</h2>



<p>&#8220;Aprendemos que qualquer evidência, capacidade de escuta e respostas concretas precisam pensar em projetos políticos, sociais e ambientais reais. A pandemia da covid-19 agudiza situações crônicas e não podemos naturalizar a morte de idosos, indígenas, pessoas negras, pobres, violência contra as mulheres e misoginia. O enfrentamento nesses dois anos precisou evidenciar a necessária articulação de respostas coordenadas, que tornassem claras e bem estabelecidas essas causas, para além da história natural da doença. Foi e é necessário sermos pesquisadoras implicadas com o mundo, com as pessoas para além das constatações.&#8221;</p>



<p><strong><em>Bernadete Peres, médica sanitarista, professora do Centro de Ciências Médicas da UFPE</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;Tivemos muitos aprendizados nessa pandemia, alguns que já vinham de outras pandemias e epidemias, mas que foram colocados à prova agora, e outros que vieram do entendimento das consequências da infecção por esse novo vírus. Em um resumo curto, nós aprendemos como segurar a transmissão do vírus através de distanciamento social, uso de máscaras e ventilação de ambientes. Aprendemos como tratar melhor os pacientes com Covid-19 grave e temos hoje protocolos mais bem estabelecidos para os hospitalizados. Aprendemos que a vacina e a alta cobertura vacinal têm um impacto crucial no combate ao agravamento da doença. Acima de tudo, aprendemos que precisamos estar alinhados com a ciência para combater a atual pandemia e as futuras.&#8221;</p>



<p><em><strong>Lorena Chaves, virologista e pesquisadora da Universidade Emory Atlanta (EUA)</strong></em></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p></p>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-solid-color"><blockquote><p>&#8220;A lição mais importante de todas é que a comunidade científica é capaz de ser pragmática e dar respostas rápidas e eficazes quando se investe o montante de recursos necessários&#8221;</p><cite>Ernesto Marques, virologista e professor da Universidade de Pittsburgh</cite></blockquote></figure>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;O maior aprendizado foi acreditar na ciência: se vacinar, higienizar as mãos, evitar aglomerações e usar máscara. Se tivéssemos aceitado as recomendações dos especialistas, desde o começo da Ppandemia, certamente não teríamos alcançando a vergonhosa marca de mais de 650 mil vidas ceifadas pelo Sars-Cov-2 no Brasil, das quais pelo menos 400 mil poderiam ter sido evitadas! Enquanto vários países estavam apoiando as iniciativas de desenvolvimento de vacinas e enfrentando a pandemia, através das medidas não farmacológicas, o Brasil investia modestamente em apenas uma iniciativa (Astrazeneca), renegava outra (Coronavac) e ignorava, diversas ofertas, da vacina mais utilizada no mundo (Pfizer). O Governo Federal ainda subestimava a situação, promovia aglomerações e desdenhava sobre a necessidade do uso da máscara. Infelizmente, depois de dois anos, ainda existem negacionistas que não acreditam na pandemia ou que ela não tenha acabado, pessoas que não se vacinam e gestores que estão flexibilizando as aglomerações e o uso de máscaras, mesmo diante da alta circulação do vírus e dos números inaceitáveis de óbitos diários. Felizmente, a maioria da população acredita na ciência e está se vacinando. Mas temos ainda de continuar insistindo que não é hora de abandonar as medidas de prevenção: higienização das mãos, distanciamento social e uso de máscaras. Esse tem sido o aprendizado mais difícil de se seguir, embora extremamente necessário para sairmos da fase aguda da pandemia&#8221;.</p>



<p><em><strong>Rafael Dhalia, cientista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz em Pernambuco (Fiocruz-PE)</strong></em></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;Quando a pandemia começou, inocentemente, muitos acreditamos que a humanidade sairia mais solidária e exercitando a compaixão. Não foi esse, no entanto, o caminho escolhido. Tempos e epidemia são sempre paradoxais. São tragédias, mas resultam em um imenso aprendizado, seja a nível organizacional dos serviços de saúde, aqui incluída a vigilância epidemiológica e a rede de atenção à saúde, seja de ganhos de conhecimento científicos. Exemplos recentes são a epidemia da microcefalia e da própria covid.<br><br>No entanto, o Brasil enfrentou muito mal a pandemia, como denunciamos ao longo desses dois anos. Erros de condução, desinformação e preconização de tratamentos comprovadamente ineficazes, foram a tônica dos principais responsáveis pela condução da pandemia. Mas, mesmo assim, considero que ficam algumas lições, algumas positivas e muitas negativas.<br><br>Como lições positivas considero que tanto os estados quanto os municípios, embora tendo negligenciado vários aspectos importantes, como incorporar adequadamente o PSF ao enfrentamento da pandemia, conseguiram organizar a rede de alta complexidade, mobilizar profissionais, equacionar a regulação de leitos. Não fosse a ação desses gestores, teríamos chegado à casa do milhão de mortes.</p>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-solid-color"><blockquote><p>&#8220;Talvez a lição mais importante seja o reconhecimento da importância do SUS&#8221;</p><cite>Tereza Maciel Lyra, médica sanitarista</cite></blockquote></figure>



<p>Fica ainda a lição de que o mundo científico tem que aprender a dialogar cada vez mais, e melhor, com a população. O histórico distanciamento entre geração de conhecimento nos espaços de pesquisa, e o diálogo com a população dificultou a compreensão de aspectos importantes, somados à contrapropaganda dos negacionistas, muitas vezes mais imediatamente difundida por não ter compromisso com a verdade. Mas, inegavelmente, os avanços no conhecimento da doença, do seu manuseio clínico e sobretudo, nas vacinas, foram ganhos sem precedentes. Em tempo recorde, aspectos fisiopatológicos da doença foram sendo compreendidos (ainda há muito a se compreender), assim como, em tempo recorde assistimos ao surgimento de vacinas eficazes que tem impedido aumento de mortes, mesmo diante do aumento de casos, e mais recentemente, avanços na produção de antivirais.<br><br>Outro ponto positivo foi o reconhecimento da Anvisa como órgão regulador independente, algo que precisa ser preservado.<br><br>Como lições negativas, fora as inúmeras denunciadas ao longo dos dois anos, e evidenciadas na CPI da Covid, fica a assustadora queda das coberturas vacinais, que sempre foram exemplo para o mundo. Sobretudo, as contrainformações advindas por quem deveria comandar as ações com seriedade, gerou tensões e desconfiança por parte de parcela da sociedade. O Brasil tinha tradição de excelente vigilância epidemiológica, de uma rede sólida de laboratórios públicos, mas que vem resistindo ao sucateamento e ao desfinanciamento da pesquisa e do SUS.<br><br>Mas talvez a lição mais importante seja o reconhecimento da importância do SUS. Sem ele, e com todos os ataques que vem sofrendo, o Brasil teria assistido a dizimação de milhares e milhares de pessoas, em um nível inimaginável.</p>



<p><strong><em>Tereza Maciel Lyra, professora da Universidade de Pernambuco (UPE) e médica sanitarista na Fiocruz-PE</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;A pandemia trouxe uma série de aprendizados em vários âmbitos. O primeiro deles foi a importância do investimento contínuo e robusto em ciência, a tecnologia e a inovação (CT&amp;I). Foi graças à ciência que o vírus foi descoberto rapidamente, seu genoma decodificado, os testes de diagnósticos desenvolvidos e as vacinas produzidas em tempo recorde. Em relação às vacinas, que são a maneira mais eficaz para controle de covid-19, houve grandes avanços. Pela primeira vez, vacinas baseadas em adenovírus recombinantes (AstraZeneca, Janssen, Sputnik) e RNA (Pfizer) foram aprovadas para uso em humanos e elas exibiram excelente perfis de segurança e eficácia. A consagração dessas plataformas vacinais certamente pavimenta o caminho para o desenvolvimento de vacinas para diversas outras doenças, com zika, chikungunya e dengue. Também foi ratificada a importância de se ter um SUS forte, transparente e bem preparado para as emergências sanitárias atuais e futuras. Será fundamental nos prepararmos para a próxima pandemia com a expansão das fábricas de vacinas existentes e construção de novas para que as vacinas sejam produzidas em menor tempo e, assim, imunizar rapidamente a população e salvar vidas.<br><br>Uma lição que veio com a pandemia foi a importância do controle de entrada e testagem de passageiros que vêm de países que estão sendo acometidos por alguma doença infectocontagiosa. Outro ensinamento foi a importância de preservação do meio ambiente e a manutenção do equilíbrio dos ecossistemas. Foi comprovado que o vírus se originou em morcegos e depois começou a cadeia de transmissão em humanos, seja diretamente ou através de algum animal silvestre, até então desconhecido, como hospedeiro intermediário. Sabemos que as atividades antrópicas que afetam o equilíbrio ambiental, como o desmatamento, tráfico de animais silvestres, urbanização descontrolada e perda de habitats, favorecem a gênese e disseminação de vírus até então restritos às regiões selvagens. Tenho dúvidas de que essas duas últimas lições não foram bem assimiladas pelos gestores públicos e talvez iremos repetir esses erros novamente no futuro.<br><br>Por último, testemunhamos um <em>tsunami</em> de <em>fake news </em>durante toda a pandemia e um movimento antivacina crescente e muito atuante. Acredito que será importante regulamentar e punir a disseminação de notícias falsas por parte do Congresso Nacional e pelos conselhos profissionais federais e regionais (medicina, medicina veterinária, enfermagem, biomedicina, etc), pois a propagação dessa desinformação por cidadãos comuns e por profissionais de saúde dificultaram a implementação das medidas de controle da covid-19 (uso de máscaras, distanciamento social, vacinação, higiene das mãos, etc) e, certamente, contribuíram para milhares de mortes que poderiam ter sido evitadas.</p>



<p><strong><em>Lindomar Pena, virologista e pesquisador na Fiocruz-PE</em></strong></p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/03/Covid-19_Gustavo-Basso_Wikimedia-Commons2-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/03/Covid-19_Gustavo-Basso_Wikimedia-Commons2-1024x683.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/03/Covid-19_Gustavo-Basso_Wikimedia-Commons2-1024x683.jpg" alt="" class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Estados e municípios conseguiram mobilizar profissionais e organizar alta complexidade. Crédito: Gustavo Basso/Wikimedia Commons</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;Se estivermos falando em aprendizados que realmente colocamos em curso, infelizmente não os vejo, pois estamos ainda com um nível alto de vírus circulante (conseguimos ver isso pela quantidade de casos notificados por dia em relação com outras doenças endêmicas), estamos com um nível de óbitos muito alto em relação às doenças similares (influenza) e mesmo assim estamos já assentando em uma &#8220;vida normal&#8221; sem levar em conta esse impacto que ainda existe. Se estivermos falando em aprendizados no geral, acredito que o maior deles tenha sido seguir a ciência, e quando falo em ciência, digo o método científico, que nos trouxe as vacinas e também nos trouxe análises detalhadas de ondas epidemiológicas, nos mostrando rapidamente como poderíamos passar por novas ondas. Além desse aprendizado, também vejo o protagonismo do jornalismo de dados, que tanto ajudou a informar com matérias e reportagens muito pertinentes.&#8221;</p>



<p><strong><em>Isaac Schrarstzhaupt, coordenador da Rede Análise Covid-19</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;Estamos aprendendo que &#8220;máscaras adequadas e bem ajustadas&#8221; ao rosto são para covid e doenças respiratórias o que as &#8220;camisinhas&#8221; são para AIDS (há décadas que fazemos vídeos ensinando os adolescentes e até adultos a usarem preservativos corretamente para não danificá-los e deixá-los eficazes e até mais atraentes (a indústria criou sabores, cores, glamour). Precisamos ainda fazer o mesmo com as máscaras PFF2, mas creio que estamos no caminho do aprendizado. Estamos aprendendo que digitalizar e desburocratizar vários processos do nosso dia a dia (contas de energia, carteiras de habilitação, compras on-line) evita que tenhamos que nos expor desnecessariamente e insalubremente em filas e ambientes aglomerados, inclusive para outras doenças. Temos aprendido a valorar melhor nossos hábitos de vida, trabalho, moradia, transporte… muitos estão optando em viver onde antes &#8220;só passavam férias&#8221;, criando oportunidades e desburocratizando vistos e contratos de trabalho, melhorando a qualidade de vida como um todo, o que reduz os riscos em prováveis novos surtos de doenças. Estamos aprendendo que &#8220;escritório, salas de aula, campi universitários&#8221; não são mais tão necessários para o trabalho/aprendizado/experiências mas que sentimos muita falta do social, convívio humano, etc e estamos aprendendo que há locais mais agradáveis e saudáveis para socializar: como praças, parques, praias, montanha. Aprendemos a deixar os dados mais transparentes à população. Todos os estados do Brasil eram avaliados no início da pandemia o que os estimulou a melhorarem seus graus de transparência que perduram até hoje&#8221;.</p>



<p><strong><em>Jones Albuquerque, cientista do IRRD e do Laboratório de Imunopatologia Keizo Asami – UFPE e professor da UFRPE</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;A pandemia de Covid-19 é um evento da comunidade global que afetou a todos brasileiros de alguma forma. Houve muitos impactos negativos, incluindo doenças e perda de vidas, isolamento psicossocial, perda de escolaridade, emprego e dificuldades financeiras. Entendo que a ciência no Brasil ficou mais reconhecida pela população em geral porque os cientistas propuseram ações precisas no combate aos flagelos provocados pela pandemia.&#8221;</p>



<p><strong><em>Gauss Cordeiro, estatístico e professor da UFPE</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;Um grande aprendizado é sobre como a sociedade civil é importante nesses grandes temas: pandemia, crise climática etc. Ainda mais em um país como o Brasil, que não teve uma coordenação central, onde foi tudo bagunçado, deu para perceber que a participação da sociedade civil, de pessoas autônomas, indo atrás de informar a população, foi e tem sido muito importante para o curso da pandemia. Claro que é um raio de alcance limitado, porque não tem a estrutura do estado para dar suporte, mas acho que a sociedade civil conseguiu pautar debates. O grande exemplo é o uso de máscaras melhores, que foi uma discussão puxada pela sociedade civil e que os meios de comunicação embarcaram. É um grande avanço de aprendizado na pandemia. Outro aprendizado, ou constatação, é como está distante ainda termos uma coletividade construída, para a gente conseguir sair de problemas. A pandemia é meio que um tubo de ensaio para a crise climática que está por vir. Se tivéssemos realmente nos unido, acho que a gente conseguiria ter outro resultado nessa pandemia. A gente enfrenta ainda uma onda de desinformação tremenda, e isso é um desafio a mais&#8221;.</p>



<p><strong>Bruno Issao Matos Ishigami, médico infectologista</strong> <strong>do Hospital Universitário Oswaldo Cruz</strong>.</p>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-solid-color"><blockquote><p>&#8220;A pandemia é meio que um tubo de ensaio para a crise climática que está por vir&#8221;</p><cite>Bruno Ishigami, médico infectologista</cite></blockquote></figure>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;Então acho que falar de aprendizagens é uma soma de fatores né? É complexo priorizar algumas aprendizagens, mas tem algumas situações que chamaram atenção. Primeiro: não entrar em uma pandemia ou algo do tipo sem formar um comitê de combate à crise com profissionais multidisciplinares e preparados pra agir na hora certa, voltar atrás com as ações que foram feitas e, se necessário, remontar estratégias. Isso é o que realmente forma um comitê multidisciplinar que trabalhe em conexão com a sociedade, por exemplo com um projeto nacional de orientação social ou com uma liderança que mostre ao povo o caminho pra seguir essas orientações. E também que trabalhe com comitês de acompanhamento do desenvolvimento científico local. E isso leva a uma questão em que nós somos frágeis: na produção de insumos farmacêuticos ativos e de equipamentos hospitalares, o que nos ensinou até que dar atenção ao desenvolvimento científico e tecnológico no Brasil. Essas são aprendizagens que a gente precisa ficar de olho. Claro que a chance é mínima de dessa pandemia nos ensinar isso. Falo em chance mínima porque a gente está entrando numa numa eleição majoritária para a presidência, então a gente está discutindo que todo mundo apoia a ciência, ou quase todo mundo apoia a ciência, mas sem projetos claros, entende? Isso é um pouco assustador para quem que faz ciência e também consegue olhar para o desenvolvimento científico além dos nossos próprios projetos. São as questões bem complexas que a gente tem que olhar e tem que aprender com isso.</p>



<p><strong><em>Gustavo Cabral, imunologista e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP)</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;Em termos de aprendizado na parte científica nós avançamos muito no conhecimento sobre o Sars-Cov-2 devido à capacidade tecnológica que existe hoje no mundo. No Brasil, conseguimos gerar milhares de genomas e entender rapidamente o surgimento de novas linhagens, né? Detectar rapidamente, adaptar rapidamente para isso. Além disso, essa direção massiva de dados também permite gerar medicamentos, desenvolver vacinas de uma maneira muito mais rápida. Isso não só através do sequenciamento mas também de novas tecnologias e na própria produção de vacinas. Então esses são pontos muito positivos. Agora, quanto a conversão dessa conhecimento para saúde pública, eu posso dizer que a gente também teve aprendizados importantes. Porque a ciência está em primeiro plano em várias vários países do mundo e tomando um papel preponderante na tomada de decisões. Isso é muito importante porque essa geração rápida de conhecimento, que afeta o dia a dia da população, é crucial para o controle do Sars-Cov-2. A ciência tomou uma posição de vanguarda, mostrando que pode dar uma resposta de saúde pública quase em tempo real para tomar as decisões e diminuir expressivamente o impacto de vírus altamente transmissíveis&#8221;.</p>



<p><strong><em>Gabriel Wallau, biólogo e pesquisador da Fiocruz-PE</em></strong></p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/03/AAABanner-300x39.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/03/AAABanner.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/03/AAABanner.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                </figure>

	


<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero…</strong></p><p>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.</p><p>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.</p><p>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.</p><p>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.</p><p><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">É hora de assinar a Marco Zero</a></p></blockquote>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/o-que-aprendemos-em-dois-anos-de-pandemia-de-covid-19/">O que aprendemos em dois anos de pandemia de covid-19?</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Pandemia e crise levaram mais mulheres a viver nas ruas</title>
		<link>https://marcozero.org/pandemia-e-crise-levaram-mais-mulheres-a-viver-nas-ruas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Mar 2022 19:59:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[crise econômica]]></category>
		<category><![CDATA[direito à moradia]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=45728</guid>

					<description><![CDATA[<p>O post <a href="https://marcozero.org/pandemia-e-crise-levaram-mais-mulheres-a-viver-nas-ruas/">Pandemia e crise levaram mais mulheres a viver nas ruas</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[		<div class="wp-block-web-stories-embed alignnone">
			<a href="https://marcozero.org/web-stories/pandemia-e-crise-levaram-mais-mulheres-a-viver-nas-ruas/">
									<img
						src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/03/cropped-IMAGEM-2-1.jpg"
						width="360"
						height="600"
						alt="Pandemia e crise levaram mais mulheres a viver nas ruas"
																		loading="lazy"
						decoding="async"
					/>
								</a>
		</div>
		<p>O post <a href="https://marcozero.org/pandemia-e-crise-levaram-mais-mulheres-a-viver-nas-ruas/">Pandemia e crise levaram mais mulheres a viver nas ruas</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
