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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Anvisa aprova vacinas bivalentes contra covid-19, mas doses contratadas são insuficientes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Nov 2022 19:50:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[coronavirus]]></category>
		<category><![CDATA[ministerio da saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Depois de três meses, a Anvisa finalmente aprovou, na noite de ontem, 22 de novembro, as vacinas bivalentes da Pfizer, que cobrem também subvariantes da ômicron. As vacinas devem ser usadas apenas como dose de reforço, em pessoas a partir dos 12 anos. As vacinas aprovadas foram a bivalente BA1, que já está aprovada em [&#8230;]</p>
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<p>Depois de três meses, a Anvisa finalmente aprovou, na noite de ontem, 22 de novembro, as vacinas bivalentes da Pfizer, que cobrem também subvariantes da ômicron. As vacinas devem ser usadas apenas como dose de reforço, em pessoas a partir dos 12 anos.</p>



<p>As vacinas aprovadas foram a bivalente BA1, que já está aprovada em 35 países. E a bivalente BA4/BA5, aprovada já em 33 países. O intervalo para aplicação deve ser de pelo menos três meses após a série primária de vacina (2 doses) ou dose de reforço anterior.</p>



<p>O Ministério da Saúde ainda não informou o prazo para a chegada das novas vacinas. Pelo twitter, o atual ministro Marcelo Queiroga afirmou que “em breve, teremos o cronograma de envio dos lotes”, lembrando que o atual contrato com a Pfizer contempla a entrega de vacinas bivalentes.</p>



<p>Há, porém, um problema: o Ministério da Saúde só tem mais 19,9 milhões de doses para receber da Pfizer neste último trimestre, de acordo com o contrato atual. É uma quantidade insuficiente. Segundo o MS, mais de 69 milhões de pessoas não tomaram nem a primeira dose de reforço. E mais de 32 milhões estão aptas para a quarta dose, mas não procuraram os postos de vacinação</p>



<p>Enquanto não chega o imunizante bivalente, especialistas defendem que as doses de reforço sejam dadas com as vacinas anteriores, as monovalentes. “As pessoas, principalmente os grupos risco, não devem atrasar a dose de reforço já planejada para esperar a vacina bivalente, pois todas as vacinas de reforço aprovadas ajudam a melhorar a proteção contra casos graves e morte”, afirmou a diretora da Anvisa, Meiruze Freitas, logo após a reunião do órgão.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/doses-de-reforco-ajudam-a-manter-imunidade-alta-contra-a-covid-19-mesmo-com-vacinas-desatualizadas/" class="titulo">Doses de reforço ajudam a manter imunidade alta contra a covid-19, mesmo com vacinas desatualizadas</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading">Obrigatoriedade de máscaras em aeroportos</h2>



<p>Na mesma reunião em que aprovou a vacina bivalente, a Anvisa também aprovou a volta da obrigatoriedade de máscaras em voos e em aeroportos. A medida havia sido retirada há três meses, com a baixa de casos. Mas, segundo o Ministério da Saúde, a média de casos de covid-19 teve um aumento de 160% nas últimas duas semanas.</p>



<p>A nova resolução coloca como obrigatório o uso de máscaras faciais no interior dos terminais aeroportuários, meios de transporte e outros estabelecimentos localizados na área aeroportuária. Ficam proibidas máscaras de acrílico ou de plástico; máscaras dotadas de válvulas de expiração, incluindo as N95 e PFF2; lenços, bandanas de pano ou qualquer outro material que não seja caracterizado como máscara de proteção de uso profissional ou de uso não profissional. também está proibido o protetor facial (<em>face shield)</em> quando usado isoladamente.</p>



<p>Também não são permitidas máscaras de proteção com apenas uma camada. De acordo com a resolução, as máscaras devem ser usadas ajustadas ao rosto, cobrindo o nariz, queixo e boca.</p>



<p>A obrigação do uso de máscaras é dispensada apenas no caso de pessoas com transtorno do espectro autista, com deficiência intelectual, com deficiências sensoriais ou com quaisquer outras deficiências que as impeçam de fazer o uso adequado da máscara de proteção facial, bem como no caso de crianças com menos de três anos de idade.</p>



<p>A Anvisa também estabeleceu os momentos em que as máscaras podem ser retiradas, como para beber água e se alimentar. <a href="https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2022/anvisa-atualiza-medidas-a-serem-adotadas-em-aeroportos-e-aeronaves">Confira aqui a íntegra da resolução.</a> </p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/a-volta-das-que-nao-foram-mascaras-devem-ser-usadas-em-ambientes-fechados-novamente/" class="titulo">A volta das que não foram: máscaras devem ser usadas em ambientes fechados novamente</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


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			</item>
		<item>
		<title>Especialistas explicam porque vacinar crianças contra a covid é necessário e seguro</title>
		<link>https://marcozero.org/especialistas-explicam-porque-vacinar-criancas-contra-a-covid-e-necessario-e-seguro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Nov 2021 21:56:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[coronavac]]></category>
		<category><![CDATA[covid]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando teve início a vacinação contra a covid-19 no Brasil, em janeiro deste ano, as crianças e os adolescentes apareciam muito longe na fila de prioridades. Com as variantes gama, que causou os picos de casos e óbitos no Brasil, e delta, que se espalhou com velocidade impressionante e hoje é a dominante no mundo, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quando teve início a vacinação contra a covid-19 no Brasil, em janeiro deste ano, as crianças e os adolescentes apareciam muito longe na fila de prioridades. Com as variantes gama, que causou os picos de casos e óbitos no Brasil, e delta, que se espalhou com velocidade impressionante e hoje é a dominante no mundo, foi se estabelecendo o consenso de que só com uma vacinação muito ampla a pandemia poderia ser controlada. Com pessoas acima de 50 anos já aptas para a terceira dose, e em um cenário em que não há mais escassez de doses de vacinas no Brasil, o desafio agora é ampliar a vacinação para adolescentes e crianças.<br><br>Para o público acima de 12 anos, a vacinação começou em Pernambuco no final de agosto com a aplicação da vacina de mRNA da Pfizer, que se provou segura e eficaz. Mas a cobertura vacinal ainda está longe do esperado. De acordo com o vacinômetro da secretaria estadual de Saúde, o grupo de 12 a 17 anos é o que está com o menor percentual: apenas 55,5% tomou a primeira dose.<br><br>Para o médico pediatra Eduardo Jorge, integrante do Departamento Científico de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o adolescente é um público difícil de ser levado aos serviços de saúde. &#8220;Por isso, fazer a vacinação nas escolas é tão importante. É uma estratégia que as cidades têm que adotar: identificar quais os grupos e áreas deficitárias e levar a vacinação para onde esse público está&#8221;, diz o médico, que também é integrante dos comitês de imunização contra o coronavírus no Recife e em Pernambuco.<br><br>Para as crianças, menores de 12 anos, os desafios para a vacinação são maiores. Além do convencimento dos pais, mães e responsáveis para a importância e segurança da vacina, exige o desenvolvimento ou adaptação de vacinas que sejam adequadas para esse público.<br><br>Ontem, a Pfizer e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tiveram a primeira reunião para a pré-submissão do pedido da vacina para crianças de 5 a 11 anos. Foi um encontro para apresentar dados técnicos antes do envio formal do pedido. No começo de novembro, as agências de controle dos Estados Unidos aprovaram a vacina da Pfizer para essa faixa etária.<br><br>É comum que vacinas pediátricas tenham uma formulação diferente das vacinas para adultos &#8211; como doses menores ou mudanças nas soluções e adjuvantes. &#8220;Adjuvantes são muito importantes para gerar uma resposta local da vacina, faz com que se estimule o sistema imunológico a ir para aquele ambiente e ali encontrar os componentes da vacina. O mais comum e mais usado é o hidróxido de alumínio. É extremamente seguro. Não se muda o adjuvante porque está fazendo mal ou algo assim. É algo que faz parte dos testes para a formulação das vacinas. Em cima dos resultados em grupos, se escolhe a melhor formulação, desde a dose, o adjuvante e o tempo de aplicação entre as doses&#8221;, explica o imunologista e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), Gustavo Cabral.<br><br>No caso específico da vacina contra a covid-19 da Pfizer, a mudança maior foi na dosagem, que passou de 30 microgramas em adultos para 10 microgramas em crianças. &#8220;A mudança ou adaptação é porque, muitas vezes, não é necessário ter uma quantidade de vacina tão grande para gerar uma resposta imunológica. A criança já tem uma resposta imunológica muito boa com uma dose menor&#8221;, diz Cabral.<br><br>A vacina da Pfizer não usa adjuvante. &#8220;Para a vacina para crianças houve a mudança de composição de alguns ingredientes (soluções) para melhorar o armazenamento. Deixar a vacina mais estável em temperaturas mais altas&#8221;, explica a virologista Lorena Chaves, pesquisadora da universidade Emory Atlanta, nos Estados Unidos.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Custo-benefício tem de compensar</h2>



<p>Na vacinação de adolescentes, houve muita confusão e desinformação sobre miocardite, uma inflamação do músculo cardíaco que pode ser uma reação rara à vacina da Pfizer. O Ministério da Saúde chegou a não recomendar a vacinação desse público em setembro &#8211; mas logo voltou atrás. Era uma decisão política &#8211; um pedido do presidente negacionista Jair Bolsonaro &#8211; e não baseada em estudos. Dados de uma nota técnica do próprio Ministério da Saúde afirmam que a miocardite atinge 0,043% dos vacinados.<br><br>Acomete principalmente jovens do sexo masculino. &#8220;A maioria evolui de forma boa, com um internamento de 2 a 3 dias, sem sequelas. O risco de um adolescente de ter covid e ter complicações cardíacas pela doença é bem maior. Não podemos, contudo, desconhecer que esse risco existe. Tem que se ficar atento, até para se fazer o diagnóstico precocemente. Dor torácica e apneia são sintomas em que se deve procurar uma unidade de saúde. Mas, entre o risco de adoecimento por covid-19 e uma baixíssima probabilidade de miocardite, o uso da vacina é muito favorável&#8221;, explica o pediatra Eduardo Jorge.<br><br>Se a segurança é de extrema importância para os adultos, para as crianças ela tem que ser redobrada. Isso porque as crianças não são um grupo de risco para a covid-19. &#8220;O benefício tem que ser muito alto para compensar qualquer risco. Por isso que as vacinas pediátricas têm que ser muito seguras. Acredito que para o controle da pandemia vamos precisar restringir ao máximo a circulação do vírus. E ampliar a vacinação para a pediatria é necessário. Temos vacinas que são seguras. Mesmo que as crianças tenham mais probabilidade de um acometimento leve, elas ainda podem transmitir. Para um retorno às escolas mais tranquilo e o fim da pandemia, a vacinação das crianças é necessária&#8221;, comenta o pediatra.<br><br>A virologista Lorena Chaves também afirma que a vacinação das crianças é de extrema importância para o controle da pandemia. &#8220;É fundamental. Crianças adoecem e transmitem o novo coronavírus, então é uma população que precisa ser protegida também. Crianças frequentam ambientes escolares que são fechados (em grande maioria) e com muitas pessoas, então é um ambiente de circulação de vírus e transmissão. Além disso, crianças expostas ao vírus de forma vulnerável vão acabar sendo hospedeiros para seleção de variantes mais transmissíveis e adaptadas&#8221;, afirma.<br>A tendência é de que a vacina pediátrica da Pfizer seja aprovada pela Anvisa, uma vez que já recebeu a chancela dos órgãos de controle dos Estados Unidos. Mas deve começar a ser aplicada no Brasil somente em janeiro. Isso porque ainda precisa da negociação e compra da vacina pelo Ministério da Saúde, já que é uma formulação nova, e não apenas uma dose reduzida.</p>



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	                                        <p class="m-0">Pfizer já foi aprovada nos EUA e Chile vacina crianças com Coronavac desde setembro. Crédito: Miva Filho/SES-PE</p>
	                
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<h3 class="wp-block-heading">Coronavac é candidata natural</h3>



<p>Por ser uma vacina de vírus inativado, tecnologia amplamente usada nas vacinas pediátricas, a Coronavac surgiu como uma opção natural para as crianças. &#8220;É um tipo de vacina que a pediatria está acostumada. Vacinas como a de Hepatite A e a da gripe também são de vírus inativado e usadas há décadas em crianças. Os efeitos adversos são poucos e brandos&#8221;, comenta Eduardo Jorge.<br><br>Cientistas como Júlio Croda, da Fiocruz, têm repetido em diversas entrevistas e textos a necessidade de inclusão da Coronavac no Programa Nacional de Imunizações (PNI) para as crianças. Após a compra de 100 milhões de doses no começo do ano, o Ministério da Saúde não fez novo contrato com o Instituto Butantan, nem incluiu a Coronavac no PNI. As vacinas da Pfizer e da AstraZeneca/Fiocruz já foram incluídas no programa.<br><br>Com tradição em campanhas de vacinação robustas e de vanguarda, o Chile aplica a Coronavac desde meados de setembro em crianças acima de cinco anos. &#8220;Na semana passada o Chile já publicou um estudo com a Coronavac nas crianças de lá. Não houve registro de reações graves e o estudo mostrou que as crianças respondem bem à vacina, com boa produção de anticorpos&#8221;, diz o pediatra.<br><br>No Brasil, o Butantan solicitou à Anvisa, ainda em agosto, a autorização para uso da Coronavac a partir dos três anos. A solicitação foi negada na época, por insuficiência de dados. No começo de novembro, o Butantan encaminhou à Anvisa novos dados de estudos feitos na China, onde a vacina é usada também a partir dos três anos.<br><br>A Sinovac, fabricante da Coronavac, também informou nesta semana que os resultados preliminares dos ensaios clínicos de fase três da vacina Coronavac com essa faixa etária mostraram segurança. Os testes foram feitos na África do Sul, no Chile, na Malásia e nas Filipinas. Nenhuma reação adversa grave foi reportada.<br><br>No caso da Coronavac, não há necessidade de troca de adjuvante nem de diminuição da dose. Os testes foram conduzidos com as duas doses da vacina, assim como aconteceu também com a da Pfizer. &#8220;O que pode mudar, no futuro, é passar a ser apenas uma dose para crianças. Isso porque elas costumam ter uma resposta imunológica muito melhor que os adultos. Na vacina de HPV, por exemplo, para pessoas com mais de 15 anos são necessárias três doses, enquanto para os menores de 15 anos apenas duas doses bastam, já que a resposta imunológica é tão robusta como na dose plena&#8221;, explica.<br><br>A expectativa agora é de que o Butantan faça um novo pedido para autorização da Anvisa ainda neste ano. Um possível entrave é a demora com que o Butantan tem conduzido as publicações das pesquisas. Quando a agência negou a aprovação da vacina pediátrica em agosto, a relatora Meiruze Freitas lembrou que o instituto ainda não havia publicado os dados de fase três dos testes da Coronavac em adultos no Brasil. O estudo em Serrana, que teve ótimos resultados na prevenção de mortes, também não foi publicado em revista científica.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Mais mentiras e ameaças na internet</h4>



<p>No fim de outubro, a Anvisa divulgou que seus diretores receberam ameaças de morte na hipótese de aprovação do uso de vacinas contra a covid-19 para crianças. Na sexta-feira passada, o autor das ameaças foi identificado pela Polícia Civil do Paraná. Em depoimento, ele disse que estaria arrependido. O inquérito sobre o caso ainda não foi concluído.<br><br>O imunologista Gustavo Cabral, que também atua com divulgação científica na internet, prevê que a desinformação sobre as vacinas para crianças deve aumentar ainda mais. &#8220;Em breve vão começar os testes com as vacinas para bebês a partir dos seis meses. Acho que o movimento antivacina vai entrar pesado com informações falsas. É preciso ficar muito atento às informações que circulam na internet&#8221;, comenta.</p>



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			</item>
		<item>
		<title>Pernambuco vai manter vacinação de adolescentes com a vacina da Pfizer</title>
		<link>https://marcozero.org/pernambuco-vai-manter-vacinacao-de-adolescentes-com-a-vacina-da-pfizer/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Sep 2021 22:17:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[adolescentes]]></category>
		<category><![CDATA[astrazeneca]]></category>
		<category><![CDATA[pfizer]]></category>
		<category><![CDATA[terceira dose]]></category>
		<category><![CDATA[Vacina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O dia começou com uma bomba: a repercussão da decisão infundada do Ministério da Saúde, publicada na noite de ontem, de simplesmente suspender a recomendação da vacinação de adolescentes sem comorbidades com mais de 12 anos. Em uma nota técnica com erros de informação, o Ministério da Saúde afirma que, entre outras coisas, a Organização [&#8230;]</p>
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<p>O dia começou com uma bomba: a repercussão da decisão infundada do Ministério da Saúde, publicada na noite de ontem, de simplesmente suspender a recomendação da vacinação de adolescentes sem comorbidades com mais de 12 anos. Em uma nota técnica com erros de informação, o Ministério da Saúde afirma que, entre outras coisas, a Organização Mundial de Saúde não recomenda a imunização de criança e adolescente e de que os &#8220;benefícios (da vacinação nessa faixa etária) não estão claramente definidos&#8221;. Como era esperado, houve uma enxurrada de reações contrárias da comunidade médica e científica.<br><br>Alagoas, Bahia e Minas Gerais são alguns dos estados que já anunciaram que suspenderam a vacinação de adolescentes. São Paulo afirmou que vai manter. Pernambuco também. A não ser que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emita um parecer técnico contra a vacinação desse grupo, o que é improvável, já que foi a própria agência quem autorizou a vacina Pfizer para o grupo acima de 12 anos.<br><br>Em coletiva nesta quinta-feira, o secretário estadual de Saúde, André Longo, afirmou que foi pego de surpresa com o que chamou de &#8220;anúncio infeliz do Ministério da Saúde&#8221;. Em seguida, ele anunciou que &#8220;vamos aguardar a posição da Anvisa. O próprio Ministério da Saúde afirma que foram vacinados 3,5 milhões de adolescentes no Brasil e em apenas 1,5 mil foram relatados efeitos adversos (o que representa 0,042% do total). A grande maioria de reações leves. Há um caso suspeito de reação mais grave, que ainda não pode ser atribuído à vacina, é preciso ser investigado&#8221;, afirmou Longo.<br><br>Em Pernambuco, mais de 168 mil adolescentes já foram vacinados com a primeira dose de Pfizer, o que corresponde a apenas 15% do total. A vacina norte-americana é a única autorizada no Brasil para esta faixa etária. Um outro dado do MS é de que 93% das 1,5 mil reações adversas notificadas foram em adolescentes que, por erro, não tomaram Pfizer, mas sim imunizantes de outras marcas.<br><br>Em entrevista também realizada durante a tarde, o ministro Marcelo Queiroga não conseguiu justificar tecnicamente a decisão, que vai contra o que a ciência, até agora, evidencia. Ele falou sobre a alta probabilidade crianças e adolescentes não terem agravamento da doença. Mas esqueceu que vacinação é saúde coletiva e de que um a cada dez adolescentes que pegam o coronavírus desenvolvem a chamada &#8220;covid longa&#8221;, doença debilitante que perdura por meses. Com a variante delta, se calcula que a porcentagem de vacinados deve superar os 80% da população, o que só é possível com a vacinação também dos adolescentes.<br><br>Queiroga também vetou a segunda dose para esse público. &#8220;Aqueles sem comorbidades, independente da vacina que tomaram, param por aí e não tomam outra, até por uma questão de cautela&#8221;, disse.<br><br><strong><em>Atualização:</em></strong> Na live de Bolsonaro na noite desta quinta-feira, Queiroga confirmou que retirou os adolescentes sem comorbidades do Plano nacional de Imunização (PNI) após conversas com o presidente. &#8220;O senhor tem conversado comigo sobre esse tema e nós fizemos uma revisão detalhada no banco de dados dos Datasus…&#8221;, diz, até ser interrompido por Bolsonaro. O presidente, então, diz que conversas não são imposições. &#8220;Eu levo para ele o meu sentimento, o que eu leio, o que eu vejo, o que chega ao meu conhecimento”, disse Bolsonaro.</p>



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<h2 class="wp-block-heading">Secretários pedem explicação à Anvisa</h2>



<p>Chamou atenção também o fato de que a suspensão foi uma decisão do Ministério da Saúde e não da Anvisa, que é o órgão técnico que autoriza ou não os imunizantes no Brasil. Para o secretário André Longo, a decisão do Ministério não foi clara ao evidenciar os verdadeiros motivos – que seria uma possível falta de vacinas para começar a dose de reforço dos idosos acima de 70 anos imunossuprimidos.<br><br>&#8220;O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) <a href="https://www.conass.org.br/conass-e-conasems-consultam-a-anvisa-sobre-a-autorizacao-para-uso-da-vacina-em-adolescentes-de-12-a-17/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">fizeram um documento para a Anvisa</a>, que regulamenta a vacinação, solicitando informações. A vacina da Pfizer tem registro definitivo da Anvisa no Brasil. Pernambuco e a maioria dos estados vão continuar com a vacinação dos adolescentes&#8221;, afirmou Longo na coletiva. A Anvisa ainda não se pronunciou. </p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-twitter wp-block-embed-twitter"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="twitter-tweet" data-width="500" data-dnt="true"><p lang="pt" dir="ltr">Ministério da saúde errou e erra consistentemente. Levem seus adolescentes para vacinarem assim que puderem. O problema não é apenas a morte, mas sequelas permanentes que podem acometer esses adolescentes e podem impactar a vida deles. A Pfizer está aprovada pela ANVISA, é segura</p>&mdash; Ethel Maciel, PhD (@EthelMaciel) <a href="https://twitter.com/EthelMaciel/status/1438570511911489541?ref_src=twsrc%5Etfw">September 16, 2021</a></blockquote><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>
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<p>O médico pediatra Eduardo Jorge da Fonseca Lima, representante da Sociedade Brasileira de Imunizações em Pernambuco, também estava presente na coletiva e pediu tranquilidade às famílias e responsáveis. Ele reforçou que não existe recomendação técnica da OMS contra a aplicação de vacinas em adolescentes. Na verdade, seria uma questão moral: de que idosos e adultos tenham prioridade, em locais em que não há vacinas para todos.<br><br>&#8220;A segunda dose é fundamental e todos os adultos acima de 18 anos devem tomar as duas doses e os idosos devem completar o reforço. Se houver vacinas disponíveis, da Pfizer, é autorizada pela Anvisa a aplicação em adolescentes. E pelos Estados Unidos e por grande parte dos países da Europa. Como todo medicamento, podem ocorrer reações, a grande maioria leve. Hoje, a orientação é que de que a vacina da Pfizer é segura para adolescentes. Estamos aguardando a Anvisa e a reunião amanhã do comitê (de imunização de Pernambuco), mas com tranquilidade do que estamos falando. Há evidências de bases sólidas: a vacina da Pfizer foi testada e aprovada para adolescentes&#8221;, afirmou.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Atraso nas segundas doses de AstraZeneca</h3>



<p>Completando oito meses do início da campanha de vacinação contra a covid-19 o Brasil ainda não tem nem 37% da população imunizada. Apesar dos números de mortes e internações terem caído, o patamar segue alto, com cerca de 600 mortes por dia. Antes da pandemia, o Brasil tinha uma média de 14 mortes diárias por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).<br><br>Atrelada à lentidão, o Brasil vive uma inconsistência na distribuição de doses. Hoje, 40 cidades de Pernambuco estão sem a vacina AstraZeneca para serem aplicadas em quem já passou do (longo) prazo de 90 dias até a segunda dose. A falta, que acontece em diversos estados, se deu pela falta de insumo farmacêutico na Fiocruz, que produz as vacinas.<br><br>A lacuna de cerca de dez dias na produção gerou um efeito de bola de neve. Hoje, Pernambuco recebeu 47 mil doses da Fiocruz, mas não é suficiente para zerar a fila. Deve receber mais doses ainda nesta semana, já que hoje a Fiocruz entregou mais um lote de 2,3 milhões de doses para serem dividas pelos estados. O secretário afirmou que 740 mil pessoas, segundo o ministério, estão com a segunda dose em atraso em Pernambuco, mas não especificou quantas pessoas esperam pela vacina da AstraZeneca.<br><br>Os municípios pactuaram com o estado a realização de um grande mutirão para diminuir o número de pessoas sem segunda dose na semana que vem. O &#8220;Dia D&#8221; será o sábado, 25 de setembro. &#8220;Caso a vacina da AstraZeneca chegue em quantidade razoável até lá, quem recebeu a primeira dose com AstraZeneca vai completar o esquema com a mesma vacina. Se não, usaremos a Pfizer como segunda dose, a partir da próxima semana. De todos os esquemas heterólogos (quando se usa mais de uma marca de vacina), o que tem mais pesquisa e comprovada eficácia é primeira dose de AstraZeneca e a segunda de Pfizer. Não temos a menor dúvida de que esse esquema é seguro e eficaz&#8221;, disse.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Ministério da Saúde não envia vacinas para a 3ª dose</h4>



<p>A vacinação da terceira dose de idosos maiores de 70 anos, que receberam a segunda dose há mais de seis meses, e de imunossuprimidos deveria ter começado ontem. Porém, o Ministério da Saúde não enviou nenhum novo lote de vacinas. Algumas cidades, com doses a mais, iniciaram a vacinação, como foi o caso do Recife. Outras, como Petrolina, ainda esperam mais vacinas.<br><br>&#8220;Havia expectativa de doses adicionais, mas não tivemos esse envio&#8221;, disse Longo, na coletiva. De acordo com ele, a decisão do Ministério da Saúde de suspender a vacinação de adolescentes pode ter relação com o receio de que não haja doses suficientes para o reforço dos idosos.<br><br>&#8220;Algumas pessoas passaram atribuir o movimento do Ministério da Saúde (de suspender a vacinação dos adolescentes) ao de falta de vacina. É preciso que haja clareza: suspender de adolescentes, para ter doses para o reforço, mas isso tem que ser feito às claras. Esse ruído na comunicação acaba gerando um ambiente que não contribui para o avanço da vacinação&#8221;, afirmou.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/a-vacinacao-contra-a-covid-19-vai-ser-todo-ano-para-todo-mundo/" class="titulo">A vacinação contra a covid-19 vai ser todo ano, para todo mundo?</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
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		<title>A vacinação contra a covid-19 vai ser todo ano, para todo mundo?</title>
		<link>https://marcozero.org/a-vacinacao-contra-a-covid-19-vai-ser-todo-ano-para-todo-mundo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Aug 2021 21:19:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[astrazeneca]]></category>
		<category><![CDATA[pfizer]]></category>
		<category><![CDATA[Vacina]]></category>
		<category><![CDATA[vacina covid]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando Israel começou a vacinação contra a covid-19, lá em dezembro de 2020, havia uma esperança: a de erradicar o vírus do país. Se Israel iria conseguir, por que não o mundo? Era uma ousadia possível, afiançada pelas vacinas de mRNA e a promessa então de uma eficácia superior a 95% contra infecção. A Pfizer [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/a-vacinacao-contra-a-covid-19-vai-ser-todo-ano-para-todo-mundo/">A vacinação contra a covid-19 vai ser todo ano, para todo mundo?</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quando Israel começou a vacinação contra a covid-19, lá em dezembro de 2020, havia uma esperança: a de erradicar o vírus do país. Se Israel iria conseguir, por que não o mundo? Era uma ousadia possível, afiançada pelas vacinas de mRNA e a promessa então de uma eficácia superior a 95% contra infecção. A Pfizer fez de Israel sua vitrine. Com boa parte da população vacinada, não tinha erro: o vírus pararia de circular.<br><br>No Brasil, no mês seguinte, a história era bem diferente. A única vacina disponível era a Coranavac, importada da China, com índice de eficácia para evitar infecção só algumas casas decimais acima do limite mínimo aceito pela Anvisa. Trazia uma promessa bem mais modesta: a de evitar, na maioria dos casos, as formas graves e óbitos pela terrível doença que já matou quase 580 mil brasileiros. Os casos iriam continuar, não havia ilusões. Mas muitas e muitas vidas seriam salvas.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/pernambuco-quer-3a-dose-da-vacina-tambem-para-profissionais-de-saude/" class="titulo">Pernambuco quer 3ª dose da vacina também para profissionais de saúde</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
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	            </div>
        </div>

		


<p>A variante delta veio para mudar o jogo. Pouco mais de seis meses após o início da vacinação, Israel se viu em uma nova onda de casos, mesmo com cerca de 80% da população adulta vacinada. Como os novos picos no Reino Unido, nos Estados Unidos e em Israel mostram, a delta fez com que todas as vacinas passassem a prometer o mesmo que a coronavac em janeiro: evitar a maioria dos casos graves e mortes. A promessa de estancar a disseminação da doença, por ora, não existe mais.<br><br>Enquanto países que estavam em franca queda de casos voltam em algumas restrições impostas pela pandemia, o Brasil avança na liberação das atividades ao mesmo tempo em que a vacinação também avança. Mas isso é um erro, dizem especialistas.<br><br>&#8220;A vacina não consegue frear o vírus sozinha. Ela diminui muito as chances de doença grave, mas não é infalível. Além disso, ainda não sabemos se elas impedem a transmissão. Ou seja, se o vírus continua circulando sem nenhum impedimento, as pessoas que estão susceptíveis podem se contaminar e adoecer. Somente com a vacinação em massa e o apoio das medidas restritivas iremos conseguir controlar a pandemia&#8221;, alerta a virologista Lorena Chaves, pesquisadora da universidade Emory Atlanta, nos Estados Unidos.<br><br>Ainda que não haja dúvidas de que a vacinação é o principal fator para o controle da pandemia, essa estratégia precisa ser feita a nível global. &#8220;Infelizmente o vírus SARS-CoV-2 não irá desaparecer nos próximos anos. A tendência é que a vacinação avance no mundo e menos indivíduos susceptíveis sejam encontrados pelo vírus, diminuindo assim a circulação viral e o aumento no número de casos de covid-19&#8221;, comenta o pesquisador da Fiocruz-PE Rafael Dhalia. &#8220;O SARS-CoV-2 é um vírus muito transmissível, mas não é muito letal. Ainda poderemos esperar surtos da doença no futuro, mas já teremos mais experiência para lidar com isso também&#8221;, avalia.<br><br>O pesquisador acredita que a tendência é de que os futuros surtos de SARS-CoV-2 serão mais facilmente controlados. &#8220;Isso se aprendermos as lições de distanciamento social, higiene de mãos e uso de máscaras que tivemos nessa pandemia&#8221;, diz.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Vacinação para todo mundo, todo ano?</h2>



<p>Esta ainda é uma resposta em aberto &#8211; ao contrário da necessidade de terceira dose para imunossuprimidos ou idosos, por exemplo. Uma pesquisa da Universidade de Oxford, em uma publicação ainda não revisada, apontou que os anticorpos produzidos pela vacina da Pfizer têm uma presença mais curta e desaparecem com mais rapidez do que os produzidos por vacinas de vetores de adenovírus, como a da AstraZeneca. Isso, porém, não é uma prova cabal para uma terceira dose, apontam especialistas.<br><br>A virologista Lorena Chaves afirma que análises mais profundas da duração da resposta imunológica de memória após a vacinação ainda estão em andamento. &#8220;E somente após essas análises que poderemos dar uma resposta mais definitiva sobre a real necessidade da revacinação na população em geral&#8221;, afirma.<br><br>De acordo com Rafael Dhalia, o que se sabe hoje é que, após cerca de seis meses, pode ser evidenciada uma queda expressiva na concentração de anticorpos neutralizantes, nos indivíduos completamente vacinados. &#8220;A consequência disso está sendo investigada, embora seja um forte indício da necessidade de uma terceira dose de reforço. Vários países já estão, inclusive, aplicando a terceira dose em grupos prioritários. Doses de reforços são comuns em várias outras vacinas como BCG, hepatite B, DTP, poliomielite etc&#8221;, afirma.</p>



<p>O intervalo que essa terceira dose geral será aplicada &#8220;pode variar de meses a anos&#8221;, explica. &#8220;Isso vai depender da natureza de cada vacina e dos estudos realizados, em termos de eficácia e duração da resposta imune. A vacina contra a febre amarela, por exemplo, tem um intervalo bem superior às demais em relação à necessidade de dose de reforço (dez anos)&#8221;, diz.</p>



<p>Na outra ponta em relação à vacina da febre amarela, a vacina de influenza (gripe) tem campanhas anuais, por conta da variação das cepas. &#8220;As mutações acumuladas pelo vírus da gripe tornam imperativo a necessidade de uma nova formulação, anual, para acompanhar as mudanças do vírus (mantendo-se a proteção contra os mesmos). Em relação ao novo coronavírus, diversas mutações estão sendo observadas e algumas variantes mais preocupantes no momento (alfa, beta, gama e delta). Estas variantes, consideradas de preocupação, demonstram uma maior capacidade de disseminação e de infecção mesmo em indivíduos completamente vacinados, como vem sendo relatado principalmente em relação à cepa delta. A consequência maior deste espalhamento é o aumento de número de casos de internações e de óbitos, inegavelmente numa proporção infinitamente superior em indivíduos não vacinados&#8221;, comenta Dhalia.</p>



<p>A saída para a resistência das vacinas às variantes &#8211; ainda que não haja escape, há perda de eficácia &#8211; está em doses extras, intercambialidade (quando é usado mais de uma tipo de vacina contra covid-19) e ainda na atualização das vacinas. &#8220;Em síntese, é bastante provável que a vacinação contra a Covid-19 seja anual e heteróloga (uso de tipos de vacinas diferentes). Não só pela queda observada nos títulos dos anticorpos neutralizantes, mas também pela necessidade de supressão das variantes do vírus&#8221;, afirma o pesquisador.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/entenda-porque-a-3a-dose-da-vacina-sera-aplicada-para-idosos-que-tomaram-a-coronavac/" class="titulo">Entenda porque a 3ª dose da vacina será aplicada para idosos que tomaram a coronavac</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
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<p></p>



<p>Uma convivência menos traumática com o novo coronavírus, no futuro, também passa por remédios eficazes. Até agora, os mais promissores são os anticorpos monoclonais, mas que são caríssimos e não chegam perto da eficácia das vacinas. Um antiviral eficaz ainda deve levar alguns anos para chegar ao mercado. &#8220;Tratamento à base de fármacos para doenças virais em geral é algo muito difícil de se fazer. São anos e anos de pesquisa para desenvolver algo que seja específico e adequado para aquela doença viral&#8221;, comenta Lorena Chaves. &#8220;Geralmente, os fármacos que estão no mercado e que atuam no tratamento de doenças virais, visam impedir a replicação do vírus dentro das nossas células. Isso não é uma tarefa fácil e demanda muito estudo. Existem poucos medicamentos antivirais de amplo espectro no mundo, justamente pela necessidade de tratar doenças virais de forma específica e não generalizada&#8221;, explica.</p>



<p>Por ora, a ciência oferece a melhor prevenção possível, que são as vacinas, ainda que não seja o momento de abandonar as outras formas: ventilação natural, distanciamento, uso correto de máscaras e higienização frequente das mãos. &#8220;A covid-19 está sendo um aprendizado contínuo. Temos que respeitar esse vírus&#8221;, diz o médico Eduardo Jorge Fonseca, integrante dos comitês de imunização contra o coronavírus de Pernambuco e do Recife. &#8220;Com a vacinação, estamos em um caminho sério. O Brasil, por sorte, tem uma população que quer tomar a vacina. Há países em que as pessoas não querem. Teve uma semana em que 99% dos pacientes em UTI nos Estados Unidos eram de pessoas não-vacinadas. Eles têm as vacinas sobrando e as pessoas não querem. Essa não é uma questão do Brasil. Aqui, temos que acelerar a vacinação o máximo que puder. Estamos em um momento epidemiológico, com a delta e indicadores ainda altos, que devemos fazer várias ações&#8221;, afirma.</p>



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		<title>Entenda porque a 3ª dose da vacina será aplicada para idosos que tomaram a coronavac</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Aug 2021 17:35:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[astrazeneca]]></category>
		<category><![CDATA[Butantan]]></category>
		<category><![CDATA[coronavac]]></category>
		<category><![CDATA[FioCruz]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nas últimas semanas aumentou a preocupação com a imunização dos idosos no Brasil contra a covid-19. Os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) voltaram a crescer após meses de queda e estabilidade. Também os idosos são os que mais morrem em decorrência da doença. Com isso, e estudos que mostram a queda da proteção [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nas últimas semanas aumentou a preocupação com a imunização dos idosos no Brasil contra a covid-19. Os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) voltaram a crescer após meses de queda e estabilidade. Também os idosos são os que mais morrem em decorrência da doença. Com isso, e estudos que mostram a queda da proteção das vacinas com o tempo, a discussão passou a ficar mais intensa.<br><br>Em vários países, a terceira dose já é uma realidade, ainda que a Organização Mundial da Saúde (OMS) tenha pedido para que os países esperassem até que pelo menos 10% da população mundial fosse imunizada antes de oferecer o reforço. Israel, Estados Unidos, República Dominicana, Hungria, Chile e Indonésia são alguns dos países que já oferecem a terceira dose. Países como França e Alemanha anunciaram que irão começar a nova rodada em setembro.<br><br>Apesar das outras vacinas usadas no Brasil terem apresentado queda de anticorpos após seis meses, é a coronavac quem desperta mais preocupação para idosos, especialmente os acima de 80 anos. Prioritária, essa população foi quase toda vacinada com a vacina produzida pelo Instituto Butantan em parceria com a Sinovac e há mais de seis meses.<br><br>Um <a href="https://www.bmj.com/content/374/bmj.n2015#ref-44" target="_blank" rel="noreferrer noopener">estudo publicado no periódico britânico The BMJ</a> nesta sexta-feira, 20 de agosto, liderado pelo pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Júlio Croda, mostrou a urgência de revacinar os idosos que receberam a coronavac. Nas pessoas na faixa dos 70 anos, a vacina, duas semanas após a aplicação da segunda dose, parece funcionar bem, evitando em pelo menos 66,6% dos casos a hospitalização e 78% as mortes. Para os vacinados com mais de 80 anos a efetividade despenca: previne apenas 38,9% das hospitalizações (confira o quadro).<br><br>Além desse estudo, a Fiocruz fez uma nota técnica, ainda não publicada (mas divulgada pela CNN), em que analisou os dados de quase 61 milhões de pessoas vacinadas com pelo menos uma dose. Nele, a AstraZeneca/Fiocruz teve 90% de proteção contra hospitalização e a coronavac, 75%.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/pernambuco-quer-3a-dose-da-vacina-tambem-para-profissionais-de-saude/" class="titulo">Pernambuco quer 3ª dose da vacina também para profissionais de saúde</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
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	            </div>
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<p>Quando se trata de maiores de 80 anos a diferença de proteção das vacinas muda de figura, mas a da AstraZeneca ainda consegue um percentual de proteção duas vezes maior que o da coronavac. &#8220;O VE [eficácia da vacina] da CoronaVac/Butantan foi próximo a 80% contra o óbito em indivíduos com até 79 anos. No entanto, foi observada redução da eficácia a partir dos 80 anos, com apenas 35,4% de proteção contra morte observada em indivíduos com mais de 90 anos. Em contrapartida, a vacina Vaxzevria/Fiocruz alcançou cerca de 90% de proteção contra morte em indivíduos com menos de 90 anos , enquanto um VE de 70,5% foi encontrado em maiores de 90 anos”, diz trecho do estudo divulgado pela CNN. Vaxzevria é nome oficial da vacina desenvolvida conjuntamente pela farmacêutica AstraZeneca e a Universidade de Oxford.<br><br>Há dois fatores comuns a todas as vacinas contra covid-19 que faz com que a eficácia diminua ao passo que a idade avança. A primeira razão é bem conhecida. &#8220;Quando envelhecemos o nosso sistema imune envelhece também, e isso faz com que ele perca a capacidade de lutar contra infecções da mesma forma, isso faz com que os idosos em geral sejam mais susceptíveis a complicações por doenças infecciosas, como a covid-19. Ou seja, os idosos estão mais vulneráveis a adoecer gravemente se infectados pelo vírus. Então, um reforço a mais da vacina nessa população pode trazer benefícios, já que eles precisam estar mais protegidos&#8221;, comenta a virologista Lorena Chaves, Pesquisadora da universidade Emory Atlanta, nos Estados Unidos.<br><br>A segunda é a perda de anticorpos no sangue com o passar do tempo. &#8220;Mas isso não significa que as pessoas ficam menos protegidas após essa queda&#8221;, explica Lorena. &#8220;A vacinação ativa o sistema imunológico de diferentes formas, e todas elas fazem parte da resposta imunológica protetiva e duradoura&#8221;, diz. Uma dessas proteções é a resposta imunológica de memória, a das chamadas células T, que geralmente é ativada quando já há uma infecção instalada &#8211; ao passo que os anticorpos circulando no sangue são mais efetivos em barrar a infecção em si.</p>



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<h2 class="wp-block-heading">A questão do vírus inativado</h2>



<p>E por que a coronavac parece ter mais problemas com idosos do que as outras vacinas? A resposta está na plataforma usada na produção do imunizante, que é a de vírus inativado.<br><br>O pesquisador da Fiocruz-PE Rafael Dhalia explica que há dois motivos para que, de forma geral, as vacinas de vírus inativado tenham uma resposta imunológica relativamente mais baixa. &#8220;Primeiro porque o vírus não se replica, logo o número de cópias é limitado e não se expande, como é o caso das vacinas baseadas em vírus atenuado. O segundo motivo é que geralmente o antígeno vacinal encontra-se na superfície do vírus e é bastante flexível, apresentando diversas conformações ao longo do tempo. Esta flexibilidade faz com que o seu reconhecimento, pelas células do sistema imunológico, seja dificultado&#8221;, afirma.<br><br>Em relação às vacinas contra o novo coronavírus, tem se consolidado o fato de que os imunizantes que apresentam a proteína spike (aquelas espículas que facilitam a entrada do vírus no corpo humano) na forma estabilizada conseguem melhores resultados.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/a-vacinacao-contra-a-covid-19-vai-ser-todo-ano-para-todo-mundo/" class="titulo">A vacinação contra a covid-19 vai ser todo ano, para todo mundo?</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
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<p><br>&#8220;Nas vacinas baseadas no RNA viral (como a Pfizer) ou em adenovírus (como a da AstraZeneca), os cientistas foram capazes, através de técnicas de biologia estrutural, de tornar a proteína spike mais rígida, e estabilizada, fazendo com que o antígeno fique estável na conformação ideal para a produção de anticorpos neutralizantes, resultando na produção de altos níveis de anticorpos neutralizantes. Desta forma, essas novas tecnologias vêm permitindo a formação de uma resposta imunológica mais robusta do que as geradas pelos vírus inativado e selvagem&#8221;, explica o cientista.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Qual deve ser a vacina da terceira dose?</h3>



<p>O Uruguai está reforçando a vacinação dos idosos que receberam a vacina coronavac, com uma dose da Pfizer. No Chile, a usada é a AstraZeneca. No Brasil, a mistura entre vacinas começou com as grávidas que receberam Astrazeneca e foram autorizadas a tomar a segunda dose de Pfizer. Recentemente, o Ministério da Saúde também autorizou a combinação AstraZeneca-Pfizer em alguns casos específicos, como a falta do imunizante nos postos.</p>



<p>Há, no mundo todo, várias pesquisas para definir qual o melhor caminho para o reforço, se homólogo (terceira dose com a mesma vacina que foi utilizada nas primeiras duas doses) ou heterólogo (terceira dose com outra vacina, geralmente de tecnologia diferente das duas primeiras doses tomadas).<br><br>Para a virologista Lorena Chaves, em uma pandemia se faz necessário a constante análise da melhor estratégia vacinal. E isso leva em conta a situação de cada país. &#8220;A mistura de vacinas pode trazer benefícios tanto no quesito imunológico, como no quesito prático da vacinação. Afinal, uma estratégia vacinal que utilize duas vacinas diferentes pode levar ao aumento da resposta imunológica e também acelerar o acesso a vacina. Entretanto, é necessário lembrar que para que esse tipo de esquema vacinal seja aplicado, testes de segurança e eficácia têm que ter ocorrido antes e têm que demonstrar benefícios. Mas, de fato, precisamos testar todas as opções&#8221;, diz.</p>



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	                                        <p class="m-0">Testagem vai definir qual a melhor vacina para a 3ª dose. Crédito: Gustavo Mansur/Palácio Piratini</p>
	                
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<p><br><br>Em nota publicada na semana passada, a Fiocruz defendeu a manutenção das duas doses da AstraZeneca. &#8220;Embora existam dados potencialmente importantes sobre o uso de sistemas heterólogos, não existem dados ainda sobre duração da resposta imune com o uso de vacinas diferentes&#8221;, diz a nota. <br><br>Na semana passada, a Anvisa recomendou a dose de reforço da coronavac para idosos e imunossuprimidos, mesmo sem a solicitação do Instituto Butantan. Ainda que haja duas vacinações em andamento na América do Sul, no Chile e Uruguai, não há, ainda, pesquisas que indiquem qual seria o melhor esquema para a coronavac &#8211; se com a mesma vacina ou com outra.<br><br>O médico Eduardo Jorge, integrante do Departamento Científico de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria e membro dos comitês de imunização contra o coronavírus de Pernambuco e do Recife, lembra que a própria Sinovac conduziu um estudo que aponta uma elevação de três a cinco vezes nos níveis de anticorpos com uma dose extra da  coronavac.<br><br>&#8220;Tanto em adultos jovens como em idosos o estudo mostrou que, com a terceira dose, os anticorpos sobem muito. A manutenção do sistema homólogo pode funcionar muito bem. O Ministério da Saúde começou agora um bom estudo que vai ter quatro braços. Um grupo vai tomar terceira dose de Pfizer, outro de AstraZeneca, outro de Janssen e outro da própria coronavac. Acredito que esse estudo só estará concluído em novembro. Daqui pra lá, porém, é muito tempo. A gente não pode, no momento em que a Delta é uma ameaça, esperar a conclusão para revacinar os idosos&#8221;, alerta Eduardo Jorge.<br><br>O pesquisador Rafael Dhalia diz que as pesquisas apontam para uma maior eficiência da dose heteróloga de reforço. &#8220;Uma vez que esta terceira dose (utilizando uma tecnologia diferente) é capaz de promover um estímulo diferente, e consequente maior, para o sistema imunológico. A combinação de diferentes antígenos, utilizando diferentes tecnologias, parece ser o caminho&#8221;, afirma.<br><br><strong>Atualização:</strong> o Ministério da Saúde anunciou nesta quarta-feira (25) a terceira dose para pessoas imunosuprimidas e idosos acima de 70 anos a partir do dia 15 de setembro, recomendando esquema heterólogo com a vacina Pfizer (na falta, Astrazeneca ou Janssen). <a href="http://Atualização: o Ministério da Saúde anunciou nesta quarta-feira (25) a terceira dose para pessoas imunosuprimidas e idosos acima de 70 anos a partir do dia 15 de setembro, recomendando esquema heterólogo com a vacina Pfizer (na falta, Astrazeneca ou Janssen). Saiba mais aqui.">Saiba mais aqui</a>. </p>



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	<p>O post <a href="https://marcozero.org/entenda-porque-a-3a-dose-da-vacina-sera-aplicada-para-idosos-que-tomaram-a-coronavac/">Entenda porque a 3ª dose da vacina será aplicada para idosos que tomaram a coronavac</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>&#8220;Até novembro 70% dos pernambucanos devem estar vacinados&#8221;, avisa integrante do Comitê de Imunização</title>
		<link>https://marcozero.org/ate-novembro-70-dos-pernambucanos-devem-estar-vacinados-avisa-integrante-do-comite-de-imunizacao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Jun 2021 15:33:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[astrazeneca]]></category>
		<category><![CDATA[coronavac]]></category>
		<category><![CDATA[imunidadede rebanho]]></category>
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		<category><![CDATA[Vacina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há mais de 30 anos, quando fazia residência em pediatria, o médico Eduardo Jorge da Fonseca Lima ficou assustado com o número de crianças internadas com meningite no quarto andar do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP). Metade daquele andar era ocupado com crianças com a meningite causada pela bactéria haemophilus influenza tipo [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/ate-novembro-70-dos-pernambucanos-devem-estar-vacinados-avisa-integrante-do-comite-de-imunizacao/">&#8220;Até novembro 70% dos pernambucanos devem estar vacinados&#8221;, avisa integrante do Comitê de Imunização</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há mais de 30 anos, quando fazia residência em pediatria, o médico Eduardo Jorge da Fonseca Lima ficou assustado com o número de crianças internadas com meningite no quarto andar do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP). Metade daquele andar era ocupado com crianças com a meningite causada pela bactéria <em>haemophilus influenza tipo b</em>. &#8220;Ainda não havia vacina contra essa bactéria. Mas depois começaram a usar uma vacina nos Estados Unidos, depois no Brasil e a introdução da vacina contra essa bactéria causou o desaparecimento rápido desses casos de meningite por <em>haemophilus</em>&#8220;, conta.<br><br>Desde então, o pediatra Eduardo Jorge passou a pesquisar e a trabalhar com vacinas, tanto na área pública como privada. &#8220;Nos últimos anos temos visto o controle do sarampo, o desaparecimento da poliomielite. Depois do saneamento básico, a melhor medida custo-efetividade em saúde são as vacinas. Estima-se que a cada US$ 1 investido em vacinação a sociedade economiza US$ 20. Não há nenhuma relação tão boa&#8221;, diz.<br><br>A pandemia do coronavírus intensificou ainda mais esse trabalho. &#8220;Sem tratamento eficaz e específico para a covid-19, veio a convicção de que só com a vacina a gente ia conseguir sair dessa pandemia. Eu diria que, hoje, passo quase 18 horas por dia trabalhando, estudando e ensinando sobre as vacinas contra a covid&#8221;, diz.<br><br>Integrante do Departamento Científico de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e vice-presidente da Sociedade de Pediatria de Pernambuco (Sopepe), Eduardo Jorge também faz parte dos comitês de imunização contra o coronavírus no Recife e em Pernambuco. </p>



<p>Em entrevista à Marco Zero, ele falou sobre o ritmo de vacinação no estado, as prioridades e também sobre questões técnicas sobre as vacinas: </p>



<p><strong>De acordo com dados da Secretaria de Saúde Pernambuco tem mais de 100 mil pessoas que receberam ou ainda irão receber a segunda dose da Coronavac com atraso. Há pessoas que irão ficar com um intervalo de mais de 40 dias entre uma dose e outra.  A vacina ainda vai ser eficaz nessas pessoas?</strong><br>Sim, inclusive a gente percebe pelos trabalhos de vida real, pelos trabalhos de efetividade, que apesar do intervalo da vacina Coronavac estar preconizado em 14 a 21 dias, já se tem a certeza de que, quando esse intervalo é de 28 dias, a resposta é mais efetiva. Em outras vacinas da mesma plataforma (vírus inativado) da Coronavac, a gente sempre diz que vacina caminha para frente. Ninguém recomeça o esquema vacinal e ninguém perde por ter atrasado. A preocupação desse atraso não é a resposta vacinal, que eu até acredito que seja melhor com mais tempo, a preocupação é que, para a Coronavac, somente com as duas doses é que há proteção, diferentemente das vacinas das AstraZeneca e da Pfizer, que com uma dose já têm uma eficácia em torno de 70%. A Coronavac precisa das duas doses para ter uma certa proteção. Então, quanto mais atrasa essa dose, é mais população que fica sem proteção. Minha preocupação é mais essa do que se um atraso de 15 dias ou mês vai interferir na resposta imunológica. É muito pouco provável que isso aconteça, mas é muito provável que essa pessoa está descoberta até tomar a segunda dose.<br><br><strong>A necessidade uma terceira dose, de reforço, então não seria necessária para essas pessoas?<br></strong>Hoje, pelo conhecimento que a gente tem, a gente não pode afirmar que precisaria de uma terceira dose. O que tem de preocupação com a Coronavac é com os idosos acima de 80 anos. Neles, a eficácia parece ser menor. Então, a proposta de uma terceira dose para esse público vai ter que ser discutida daqui a uns meses. Hoje, a gente não pode parar para discutir isso porque a gente tem apenas 20% da população brasileira vacinada e apenas 11% vacinada com a segunda dose. É uma discussão que vai precisar ser encarada nos próximos meses. Em relação aos idosos acima de 80 anos que tomaram Coronavac vamos ter que ver quando precisarão tomar uma terceira dose e com qual vacina. Se vai ser com a mesma ou uma outra.<br><br><strong>Pernambuco acertou ao incluir grávidas e puérperas sem comorbidades entre as prioridades da vacina. Mas com a suspensão da vacina da AstraZeneca para gestantes, o Ministério da Saúde recomendou que a segunda dose só seja aplicada após o puerpério. O que achou dessa medida? As grávidas podem esperar tanto tempo assim para receber a segunda dose?</strong><br>Vou falar como pessoa física e não como integrante de nenhuma organização ou comitê. Hoje, eu tenho convicção que a vacinação das grávidas com a vacina Pfizer é extremamente segura. Tenho convicção que as grávidas são grupo de risco para fazer covid-19 grave. Que vacinando a grávida está vacinando duas pessoas. E acho que o Ministério da Saúde precisa rever esta orientação. Acho que a suspensão da AstraZeneca foi correta, uma questão de cautela. Mas temos a opção de complementar o esquema com a Pfizer. Já temos estudos de intercambialidade: começar a vacina com Pfizer e depois tomar AstraZeneca, ou vice-versa. O Ministério da Saúde do Canadá já recomendou esse esquema. É uma ciência que está sendo construída dia após dia, tudo é muito novo. Mas eu acho que o Ministério da Saúde vai rever essa recomendação e as grávidas que tomaram AstraZeneca deverão sim tomar uma segunda dose da vacina da Pfizer.</p>



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	                                        <p class="m-0">O pediatra Eduardo Jorge da fonseca defende com vigor o uso de todas as vacinas disponíveis. Crédito: Divulgação</p>
	                
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<p><br><br><strong>Pernambuco deve seguir por ora essa recomendação do Ministério da Saúde? Isso foi discutido no comitê de imunização de Pernambuco?</strong><br>Em Pernambuco, desde que se começou a vacinar grávidas, optamos pela Pfizer. Então, as grávidas do Recife, todas tomaram Pfizer. Estamos em uma situação mais confortável. Para alguns municípios do interior que tiveram grávidas que tomaram AstraZeneca, que são poucos, estamos aguardando um novo posicionamento do Ministério da Saúde. E agora, com a possibilidade da vacina da Pfizer ser mantida por 31 dias em temperatura de 2 a 8 graus, temperatura de geladeira, todas as grávidas de Pernambuco vão tomar Pfizer. Inclusive há um cronograma de entrega de vacinas Pfizer semanal: toda semana teremos entregas. Já enviamos Pfizer para Caruaru, Petrolina, Serra Talhada, que ficaram de polos para cidades circunvizinhas.<br><br><strong>Há um movimento de mulheres lactantes para que elas sejam incluídas no grupo prioritário da vacinação. Temos vistos vários casos de grávidas vacinadas que passam os anticorpos para os filhos. É possível que o mesmo possa acontecer com as lactantes?</strong><br>É possível. A transmissão de anticorpos da grávida para os bebês já é algo estimulado para outras vacinas. A grávida toma vacina da gripe, porque ela se protege e passa anticorpos para o bebê antes dos seis meses. A grávida que toma vacina de coqueluche é única e exclusivamente para que ela produza anticorpos e passe para o bebê dela. É uma tendência vacinar as grávidas para proteger o recém-nascido. Mas em relação à covid-19 a avaliação para os grupos prioritários têm sido por risco e as grávidas sim têm alterações fisiológicas que fazem com elas tenham maior risco de desenvolver covid-19 grave. Em relação às lactantes, depois do puerpério, não se constituem em grupo de risco. A lactante tem a facilidade de se vacinar e proteger seus filhos, mas não corre risco maior. Eu entendo e respeito o movimento das lactantes, mas ainda não é possível atendê-lo. Espero que com maior quantitativo de vacinas, se possa também atendê-las.<br><br><strong>Como funciona o comitê de imunização de Pernambuco?<br></strong>O comitê é de caráter técnico-assessor. Nos reunimos online com certa regularidade, uma vez por semana ou a cada 15 dias, no mínimo. É onde as questões de comorbidade, de faixa etária, de reações às vacinas, as questões técnicas são colocadas para o comitê se posicionar. Há a participação do secretário de saúde André Longo, da secretária de saúde do Recife, Luciana Albuquerque, tem a Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), a Fiocruz, universidades. As questões são levantadas, discutidas e chega-se a um consenso. Em toda reunião é feita uma ata.<br><br><strong>É comum que a secretaria de saúde de Pernambuco acate as recomendações?<br></strong>Muito comum. Têm sido muito sensíveis às nossas sugestões. Obviamente, às vezes acontecem discussões, por uma questão de quantitativo de vacinas. Mas geralmente é aceito.<br><br><strong>Pernambuco tem aplicado menos de 50% das doses que recebe. Por que isso acontece?<br></strong>Primeiro a gente tem guardado as vacinas da segunda dose depois do que aconteceu com a Coronavac. O Ministério da Saúde disse que não era para guardar e a gente acreditou no Ministério. Não guardamos e houve falta. Depois dessa situação, ficamos cabreiros e temos todas as vacinas guardadas para a segunda dose.<br><br><strong>De AstraZeneca e Pfizer?<br></strong>Não, de Pfizer não, mas de AstraZeneca sim. Porque da Pfizer estamos confiando na distribuição do laboratório, que enviou uma proposta real de fornecimento. Acreditamos que vai se concretizar. Outra razão para o descompasso na aplicação, e a gente sabia disso, é o grupo da comorbidade. Tínhamos uma expectativa real de pessoas com imunodeficiência, hipertensão grave, diabéticos, pessoas com deficiência intelectual, baseado nos dados do próprio Ministério. Reservamos as vacinas para comorbidade, mas o que está acontecendo: essas pessoas não estão conseguindo as declarações de suas comorbidades por vários fatores, seja porque o acesso ao sistema de saúde não é fácil, seja porque os médicos estão receosos até de dar declarações verdadeiras, por conta das denúncias de declarações falsas. Por isso foi tomada a decisão de caminhar paralelamente à comorbidade, a vacinação por idade, porque é a distribuição mais justa, mais equitativa, e aí não tem erro, tem lá o documento dizendo a idade e não precisa de um laudo. O que atrapalha a velocidade não é nossa capacidade de aplicar a vacina. É a precaução de se ter vacinas para aplicação da segunda dose, por conta dessa questão da insegurança no fornecimento, e a questão da comorbidade, que realmente só 30% das pessoas esperadas para o grupo de comorbidades se apresentaram para se vacinar.<br><br><strong>Você acredita que Pernambuco vai conseguir vacinar pelo menos 70% da população ainda neste ano?<br></strong>Eu acredito que até novembro nós vamos ter vacinado 70% da população. Porque há uma perspectiva real de fornecimento de vacinas da AstraZeneca, da Coronavac e da Pfizer. Para setembro estão prometidas 100 milhões de doses da vacina da Pfizer para o Brasil. O Brasil tem cerca de 220 milhões de habitantes, então vai dar para vacinar 50 milhões de pessoas. Acredito que teremos em Pernambuco 70% dos moradores vacinados com primeira e segunda dose até novembro. Porque vacinar a gente sabe. O que a gente não tem é vacina. Mas o Brasil, em relação a outros países, tem grande expertise em vacinação. Chegando vacina, as coisas decolam. Devemos ter um segundo semestre bem mais acelerado nesta campanha. E não é uma expectativa solta, é algo real. Porque eu confio que a Pfizer vai mandar os 100 milhões de doses e em junho a Fiocruz começa a produção do IFA nacional. A expectativa é que, em outubro, as doses já sejam com o IFA nacional e aí acaba essa dependência da boa vontade da China.<br><br><strong>Em meados de abril o Congresso aprovou a compra de vacinas contra covid-19 pelo setor privado, mas até agora nenhuma negociação com as farmacêuticas foi divulgada. Algumas afirmaram que só negociam com setores públicos. Como você vê essa questão?</strong><br>É um tema controverso. Tem quem diga que se o mercado privado vacinasse, diminuiria a carga para o SUS e aceleraria a vacinação. Mas eu penso diferente. No momento que o mercado privado entra, o preço para o setor público sofre uma interferência, já que eu tenho outro grupo que vai poder comprar a vacina. Pode aumentar sim o valor das doses. E isso vai acontecer, é o capitalismo. Vai complicar a vida do governo para comprar vacina. A pandemia é tão grave e está tão desigual em relação às taxas de mortalidade, com as populações carentes morrendo mais, o acesso ao serviço de saúde sendo tão prejudicado, que se a gente for criar ainda outro viés, o da vacina privada, neste país, neste momento, em que não temos vacina para a população como um todo, eu vejo mais malefícios que benefícios. No momento que tivermos a maioria da população vacinada, aí sim poderá ser discutido a chegada da vacina no mercado privado, mas não antes de atingirmos os 70%.<br><br><strong>As pesquisas já apontam alguma resposta se deveremos nos vacinar todos os anos ou se a imunidade da vacina vai durar mais tempo?</strong><br>Essa é uma resposta que vai cair no achismo. Quanto mais tempo a gente demorar para vacinar 70% ou 80% da população, mais variantes irão surgir. A última foi a indiana, mas não tenha dúvidas de que vai surgir uma mexicana, uma venezuelana etc. As variantes são uma maneira inteligente que os vírus têm de sobreviver à imunidade. Ele vai mudando para ficar ativo. Então, a gente tem é que acelerar a vacinação para reduzir a carga da variante. Se em 2022 a gente vai precisar revacinar toda a população ainda é uma incógnita. Tudo vai depender da resposta das vacinas atuais às variantes.<br><br><strong>Por que temos vistos tantas pessoas adoeceram em estado grave e até morrerem mesmo após a segunda dose da vacina?</strong><br>Essa é uma pergunta importantíssima, que me fazem todo dia. Vamos ver o exemplo de uma vacina de alta eficácia, como a do sarampo, que tem 95% de eficácia. Isso significa que 5% das pessoas que tomaram ainda podem ter sarampo. E por que a gente não vê a expressão desses 5%? Não vemos porque como a doença é controlada, como a população é vacinada em mais de 80%, não permite a expressão desses 5% que não responderam à vacina. Nenhuma vacina é 100%. Com a covid-19, temos um cenário contrário. Somente 10% da população está imunizada. Temos uma alta circulação do vírus em uma população não protegida. E aí a falha vacinal se destaca. Isso vai acontecer. Mas não devemos olhar para os casos individuais. A gente hoje tem o exemplo do Uruguai, do Chile e o exemplo da cidade de Serrana (SP), mostrando bons resultados quando se vacina uma boa parte da população. No Uruguai e no Chile foram de mais de 50%. Em Serrana, a cidade toda. Quando temos um bom percentual de pessoas vacinados &#8211; mesmo com a Coronavac, que é a que tem a menor eficácia &#8211; há queda nos números. Mas enquanto tiver vírus circulando e pouca população vacinada, vamos ter casos de falha de vacinas. <br><br>Uma coisa que a França está fazendo como alternativa ao <em>lockdown</em> &#8211; que é importante, mas tem todas as dificuldades operacionais e econômicas &#8211; é a testagem ampla, com teste rápido. Se a gente associa testagem rápida com vacinação rápida, e o isolamento das pessoas que estão com o vírus, os contatos testados e isolados, isso tem se mostrado eficaz. Testagem rápida com teste de antígeno, que sai em 20 minutos. Que a gente tivesse tendas de testes espalhadas pela cidade, que a pessoa chegasse lá e fosse testada facilmente. E essa pessoa ficasse em quarentena.<br><br><strong>A testagem não tem sido bem feita no Brasil.<br></strong>O Brasil não fez bem. Mas vamos propor esse modelo para o prefeito do Recife (João Campos) e a secretária de saúde. Talvez não dê para o estado como um todo, mas para Recife dê para fazer. Com a testagem rápida a gente conseguiria quebrar essa cadeia de transmissão.<br><br><strong>Uma pessoa que está vacinada tem menos chances de transmitir o vírus para pessoas não vacinadas? Há diferença disso entre as vacinas disponíveis hoje no Brasil (Coronavac, AstraZeneca e Pfizer)?<br></strong>A vacina Coronavac especialmente é uma vacina que não é esterilizante: ela permite que você não adoeça de forma grave, mas você pode continuar a transmitir o vírus, quase na mesma capacidade de uma pessoa não vacinada. Uma vacina esterilizante é isso: não é só que eu adoeço de forma menos grave, mas eu consigo não me infectar e, portanto, não transmito. <a href="https://projeto-s.butantan.gov.br/index.php" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Em Serrana (SP), o resultado do estudo com a Coronavac foi feliz</a>. Eu defendo a Coronavac em todas as <em>lives</em> que participo, nas minhas aulas, mas esqueceram de comentar que em Serrana fizeram um<em> lockdown </em>de três semanas ao mesmo tempo em que vacinavam a população. Não são resultados de vida real, onde não temos nem <em>lockdown</em>, nem vacinação para toda as pessoas. A Pfizer parece ser esterilizante e a AstraZeneca também, mas principalmente a Pfizer, que tem mostrado que consegue quebrar a cadeia de transmissão.<br><br><strong>A Pfizer solicitou à Anvisa mudança na bula, para permitir também a vacinação de pessoas acima de 12 anos. As vacinas contra covid-19 para crianças e adolescentes em breve serão possíveis?</strong><br>Eu, como pediatra, esperaria que sim. Mas como cuidador de pessoas como um todo…a gente sabe que as crianças têm menos chances de doença grave. E como não costumam ficar sintomáticos, não tossem ou espirram, eles transmitem mesmo. Precisamos avançar em outras faixas etárias. Temos uma população de pessoas que têm que sair de casa, que precisam trabalhar para comer e estão expostas diariamente ao coronavírus. Neste ano, ainda não vejo adolescentes sendo vacinados no Brasil.</p>



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		<title>O que cidades do Grande Recife fazem com as sobras da vacina contra covid-19?</title>
		<link>https://marcozero.org/o-que-cidades-do-grande-recife-fazem-com-as-sobras-da-vacina-contra-covid-19/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 May 2021 20:09:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[astrazeneca]]></category>
		<category><![CDATA[coronavac]]></category>
		<category><![CDATA[pfizer]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ainda estávamos no mês de março quando um profissional da saúde, preocupado com o recrudescimento da pandemia, colocou a mãe no carro e foi até um posto de vacinação contra a covid-19 em Jaboatão dos Guararapes. Era final do expediente e a expectativa dele era conseguir para a mãe alguma sobra das doses aplicadas naquele [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Ainda estávamos no mês de março quando um profissional da saúde, preocupado com o recrudescimento da pandemia, colocou a mãe no carro e foi até um posto de vacinação contra a covid-19 em Jaboatão dos Guararapes. Era final do expediente e a expectativa dele era conseguir para a mãe alguma sobra das doses aplicadas naquele dia, como havia visto nas reportagens sobre as &#8220;filas da xepa&#8221; da vacina em estados como São Paulo e Rio de Janeiro. E conhecidos haviam dito que as doses que sobravam eram descartadas &#8211; já que só podem ser usadas por algumas horas após os frascos abertos.<br><br>Mas, no posto onde ele foi, não encontrou nenhuma fila da xepa, nenhuma dose dando sopa. Nenhuma das três maiores cidades da Região Metropolitana do Recife organizaram oficialmente uma &#8220;fila da xepa&#8221;. Sem agendamento ou sem integrar os grupos prioritários que estão sendo vacinados, não há opção para a imunização contra a covid-19.<br><br>A Marco Zero ouviu as prefeituras do Recife, de Olinda e de Jaboatão dos Guararapes para saber qual a orientação oficial do que fazer com as doses de vacina quando sobram nos postos.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Estratégias para não sobrar</h2>



<p>Atualmente, Pernambuco tem três vacinas contra a covid-19: CoronaVac, AstraZeneca/Oxford e, em menor quantidade, Pfizer/BioNTech. A AstraZeneca/Oxford e a CoronaVac são distribuídas em frascos com dez doses, que, se abertos, devem ser utilizados em até oito horas, no caso da AstraZeneca, e em seis horas para a Coronavac. Ambas oferecem também frascos monodose.</p>



<p>Já a vacina da Pfizer é completamente diferente: chega aos pontos de vacinação em pó com um frasco de diluente. Cada frasco tem seis doses e não há opção de monodose. Duram seis horas no cooler com termômetro em que ficam nos postos.</p>



<p>Com doses bem limitadas, os municípios preferem apostar em estratégias de uso total, usando os frascos com apenas uma dose.<br><br>Em Jaboatão, a vacinação acontece em duas frentes. Uma volante, que conta com cinco equipes, que atende idosos e doentes acamados ou com dificuldade de locomoção. E os pontos de vacinação, que são nove, com <em>drive thru</em> e atendimento a pedestres, que funcionam das 8h30 às 17h.<br><br>Nos pontos, a partir das 15h a recomendação é que os vacinadores utilizem apenas os frascos de monodose. Assim, ao fim do expediente, não há sobras.<br><br>&#8220;Na parte volante, as equipes já saem com o número de vacinas que irão aplicar naquele dia. E temos uma equipe que trabalha de 17h às 21h. Por conta disso, não temos sobras. Fizemos esse tipo de estratégia para não ter desperdício&#8221;, conta a secretaria de saúde municipal, Zelma Pessôa. &#8220;Não abrimos frascos multidose depois das 15h, porque a demanda é menor e observamos que não vale a pena&#8221;, explica. Jaboatão dos Guararapes aplicou mais de 132 mil doses das vacinas. </p>



<p>Em Olinda, a diretora de Atenção Básica, Kátia Luna, conta que por lá a estratégia é parecida, com o uso da monodose no período vespertino. Quando sobram doses nos frascos, são chamadas pessoas que estavam agendadas para os dias seguintes. &#8220;Os postos se articulam para saber quem ainda está com doses. Também vemos a lista de acamados, para levar a dose até a casa da pessoa&#8221;, diz. &#8220;É melhor fazer assim, atendendo as pessoas que estão na vez, do que fazer uma &#8216;fila da xepa&#8217;, aglomerando pessoas e depois nem ter vacina para aplicar&#8221;, comenta. </p>



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	                                        <p class="m-0">Recife informa que agendamento pela internet estaria evitando desperdício. Crédito: Daniel Tavares/PCR</p>
	                
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<p>A prefeitura do Recife não indicou nenhum representante para falar com a Marco Zero. Enviou uma nota em que afirma que &#8220;como o processo de cadastro e agendamento é 100% digital, por meio do Conecta Recife, consegue fazer o uso racional das doses. Dessa forma, o órgão consegue ter controle sobre a quantidade de doses que são aplicadas diariamente e o número de agendamentos realizados, evitando o desperdício de vacinas.&#8221;<br><br>A nota segue afirmando que &#8220;quando há sobras, a Secretaria de Saúde do Recife utiliza diversas outras estratégias, como remanejando as doses para outros locais de vacinação, ligando para pessoas que estejam agendadas para dias subsequentes para adiantar doses ou aplicando segunda dose nos trabalhadores, se estiver dentro do período necessário, que estejam envolvidos com a vacinação&#8221;.<br><br>A Marco Zero questionou a Secretária Estadual de Saúde sobre qual a orientação em casos de sobras de vacinas, mas não recebeu resposta alguma até o fechamento desta matéria. </p>



<h3 class="wp-block-heading">Busca ativa</h3>



<p>Apesar de boa arte da população estar ansiosa pela vacina, muita gente ainda deixa de comparecer no dia agendado tanto para primeira quanto para a segunda dose. Em um ponto de vacinação de Jaboatão dos Guararapes, ontem (quarta-feira, 5 de maio), das 250 pessoas que estavam agendadas para o turno da manhã, apenas 91 compareceram.<br><br>Para evitar a falta, funcionários da prefeitura ligam para essas pessoas, para que compareçam ou reagendem a vacina. Em Olinda, a prefeitura decidiu ir atrás de quem faltou tomar a segunda dose. Um ônibus, com vacinas, faz paradas nos bairros e comunidades onde a secretaria municipal de saúde identifica que há um maior número de pessoas que faltaram à segunda aplicação.<br><br>Olinda recebeu mais de 90 mil doses de vacinas contra covid-19. De acordo com a secretária de saúde, os idosos acima de 60 anos do município já foram praticamente todos vacinados com a primeira dose. &#8220;E na idade de 60 anos, calculamos que 98% já recebeu a primeira dose&#8221;, diz.<br><br>Mesmo com a escassez de CoronaVac no país, estes dois municípios ainda têm doses para a aplicação, porque fizeram um estoque reserva. Em entrevista nesta quinta-feira, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, anunciou que pode haver outro hiato de entregas da CoronaVac após o dia 15 de maio, por conta das declarações do presidente Bolsonaro sobre a China, fornecedor do insumo da vacina.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Pfizer, a estrela</h4>



<p>Pernambuco recebeu na segunda-feira passada o primeiro lote da vacina da Pfizer, feita com a inovadora tecnologia de RNA mensageiro, que &#8220;imita&#8221; uma proteína do SarsCov-2, levando o corpo humano a produzir anticorpos. A vacina tem alto percentual de eficácia, superior a 95%. Em dois estudos publicados nesta semana, a vacina se manteve com alta eficácia também para às novas variantes do coronavírus, em relação a casos graves e mortes.<br><br>Não à toa, a chegada da vacina causou certo frenesi. Em São Paulo, onde não há agendamento, postos ficaram cheios e houve até quem recusasse a vacina da AstraZeneca &#8211; que também tem boa eficácia. No Brasil, não há como escolher que tipo de vacina tomar.</p>



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	                                        <p class="m-0">Vacina da Pfizer está destinada a grávidas, puérperas e pessoas com comorbidades. Crédito Hélia Scheppa/SEI</p>
	                
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<p>A Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco orientou o uso da vacina da Pfizer para pessoas com comorbidade e grávidas e puérperas. Em Olinda, dois postos estão imunizando com a Pfizer: um na Facho e outro no Clube Atlântico. Não é preciso fazer agendamento.<br><br>&#8220;É uma vacina que todo profissional de saúde gostaria de receber, com a eficácia de 95% que merecemos. Uma pena não ter chegado antes&#8221;, diz a diretora Kátia Luna. &#8220;Aqui em Olinda, estamos imunizando com a da Pfizer apenas grávidas e puérperas,&#8221;, diz. &#8220;Quando há sobras nos frascos, a equipe de vacinação se dirige ao Hospital e Maternidade Tricentenário e aplica nas gestantes que estão lá. É um hospital com uma demanda grande e há mais grávidas lá do que sobras de vacinas&#8221;, explica. Olinda recebeu 2.300 mil doses da Pfizer e Jaboatão, 4.266. O restante das 17.550 entregues a Pernambuco nesta semana foram destinadas ao Recife. <br><br>A vacina da Pfizer tem uma logística própria, já que precisa ser acondicionada em uma temperatura entre -25°C e -15°C. Todas as doses ficam em freezers do Governo do Estado até serem entregues aos municípios. A vacina, então, pode ser guardada em até 8°C por, no máximo, cinco dias. Aberto, o frasco de seis doses tem que ser totalmente usado em até seis horas.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Balanço da vacinação</h4>



<p>De acordo com o boletim de ontem (05/05), Pernambuco aplicou 2.134.313 doses da vacina contra a Covid-19, das quais 1.424.532 foram primeiras doses. O boletim afirma que segunda dose foi aplicada em 201.029 trabalhadores de saúde; 24.716 povos indígenas aldeados; 47 em comunidades quilombolas; 4.744 idosos institucionalizados; 134.589 idosos de 60 a 69 anos; 263.074 idosos de 70 a 79 anos; 42.650 idosos de 80 a 84 anos; 38.155 idosos a partir de 85 anos, além de 777 pessoas com deficiência institucionalizadas; totalizando 709.781 pessoas que já finalizaram o esquema.<br><br>Ainda falta muito para que Pernambuco imunize sua população. Até agora, o estado aplicou menos da metade das vacinas que recebeu (48,62%), seja por fazer reserva para a segunda dose ou pelo não comparecimento do público alvo aos postos. Pouco menos de 15% da população pernambucana recebeu ao menos uma dose e metade disso (7,38%) recebeu a segunda. Pernambuco ocupa a décima primeira posição entre os estados que mais imunizaram com a segunda dose no Brasil.</p>



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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero</strong>…</p><cite>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.<br><br>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.<br><br>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.<br><br>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.<br><br>É hora de assinar a Marco Zero <a target="_blank" href="https://marcozero.org/assine/" rel="noreferrer noopener">https://marcozero.org/assine/</a></cite></blockquote>
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		<title>Tudo o que você queria saber sobre vacinas contra a covid-19 e não tinha a quem perguntar</title>
		<link>https://marcozero.org/tudo-o-que-voce-queria-saber-sobre-vacinas-contra-a-covid-19-e-nao-tinha-a-quem-perguntar/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Feb 2021 20:50:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>…ou quase tudo.Se tem algo com uma enxurrada de novidades a cada dia é o desenvolvimento de vacinas contra o novo coronavírus e todas as burocracias e trâmites que uma nova vacina exige. &#8220;Também estamos falando de vacinas que foram aprovadas em menos de 12 meses. Há muitas perguntas que estão sem respostas porque ainda [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>…ou quase tudo.<br><br>Se tem algo com uma enxurrada de novidades a cada dia é o desenvolvimento de vacinas contra o novo coronavírus e todas as burocracias e trâmites que uma nova vacina exige. &#8220;Também estamos falando de vacinas que foram aprovadas em menos de 12 meses. Há muitas perguntas que estão sem respostas porque ainda não há tempo suficiente para tê-las&#8221;, explica o pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Rafael Dhalia, nosso entrevistado.</p>



<p>Aos 11 anos, Dhalia começou a estudar em um campus universitário, no Colégio de Aplicação da UFPE, e não saiu mais. Em 2005, ao terminar o doutorado em Biologia Molecular na Universidade de Brasília, com um ano de estudos na Universidade de Cambridge, ele entrou no mundo das vacinas. Foi por acaso. &#8220;Estava ficando angustiado com o fim do doutorado e fui apresentado ao pesquisador e imunologista Ernesto Marques, do Laboratório de Virologia e Terapia Experimental do <a href="https://www.cpqam.fiocruz.br/">Instituto Aggeu Magalhães – Fiocruz/PE</a>&#8220;, lembra.</p>



<p>Logo depois, passou em um disputado concurso para a Fiocruz. É o inventor, junto com Ernesto Marques, de uma vacina de DNA contra a Febre Amarela, com patente internacional, e desenvolveu vacinas de DNA contra os vírus Zika e Chikungunya. Hoje, é coordenador local dos testes Fase III da vacina tetravalente contra a Dengue, desenvolvida pelo <a href="https://butantan.gov.br/">Instituto Butantan</a> junto com o NIH (National Institutes of Health, agência de fomento à pesquisa dos Estados Unidos). </p>



<p>Ciente das dificuldades que a ciência enfrenta no Brasil, nem cogitou começar uma pesquisa para desenvolver uma vacina contra a Covid-19. &#8220;Achei que não ia mais ter relevância quando chegasse ao mercado. Hoje temos no Brasil mais de 20 vacinas sendo desenvolvidas, cinco em estágios mais avançados, embora todas ainda em fases pré-clínicas&#8221;, diz.</p>



<p>O cientista lembra também que o Instituto Butantan e Biomanguinhos, da Fiocruz, são responsáveis, juntos, por 75% das vacinas disponibilizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). &#8220;Mas nenhuma delas com desenvolvimento 100% nacional. A vacina da febre amarela, por exemplo, que é da década de 30, é fruto de uma transferência tecnológica da Fundação Rockefeller (EUA). Há muitos entraves&#8221;, lamenta.</p>



<p>Na pandemia, Dhalia tem se dedicado a uma outra tarefa também essencial: a divulgação científica. &#8220;Nunca fui de dar entrevistas, mas é tanta desinformação, tanta idiotice sendo fomentada, que abracei a missão de tentar passar informação científica em uma linguagem mais acessível&#8221;, conta Dhalia, que se atualiza diariamente sobre o desenrolar das vacinas contra a Covid-19.</p>



<p class="has-text-align-center">***</p>



<p><strong>Parecia que o Sars-Cov-2 era visto como um vírus que tinha poucas mutações significativas. Mas do fim de 2020 para cá, temos visto notícias preocupantes de variantes da África do Sul, do Reino Unido, do Brasil, da Califórnia. O que aconteceu?</strong><br>Na verdade, estamos correndo contra o tempo. As coisas vão acontecendo e só vemos que é um problema quando analisamos retrospectivamente. De março para abril de 2020, no começo da pandemia, a cepa que veio de Wuhan, surgida em dezembro de 2019, já foi praticamente substituída por uma nova variante no mundo todo: a cepa D614G, que já apresentava um aumento na capacidade do vírus em se dividir. Com essa mutação, ele conseguia se multiplicar mais rápido que a cepa original de Wuhan. Então isso aumentou também a sua transmissibilidade, já que ele conseguia alcançar uma maior carga viral. Mas, por outro lado, não teve alteração de seu reconhecimento pelos anticorpos induzidos pelas vacinas. Aí, em agosto de 2020, veio a nova variante do Reino Unido.</p>



<p><strong>Essa que começamos a ouvir falar no final do ano?<br></strong>Isso, o pico da transmissão foi entre novembro de 2020 e janeiro de 2021, mas não quer dizer que ela começou aí. Ela foi identificada primeiro em agosto, mas para se observar o efeito da mutação e até a substituição por outra cepa, você só consegue ver lá na frente. Estamos sempre atrasados contra o vírus. As cepas que são transmitidas mais rápido se disseminam mais, é natural que elas ganhem espaço na concorrência. Vai ficando mais prevalente, e as outras cepas vão sumindo. Quando o vírus menos transmissível chega na pessoa, ela já está contaminada pela outra cepa. Essa variante britânica foi rapidamente detectada em outros países, com a mutação N501Y. É uma mutação na proteína spike, porém, não está na região crucial da proteína, a que o vírus usa para entrar na célula. Foram feitos testes com as vacinas da Pfizer e Moderna e, até aí, não havia maiores impactos nas eficácias dessas vacinas em relação à esta variante.</p>



<p><strong>E quando isso muda e as variantes começam a pressionar as vacinas?<br></strong>Isso muda agora, na verdade já mudou. Porque essas variantes vão dando origem a outras variantes. A mudança de agora foi em cima de outra, que já tinha acontecido. As variantes que estão dando problema agora, surgiram a partir da variante N501Y. Não teríamos esse problema hoje se a pandemia tivesse sido melhor controlada. Quanto mais o vírus se espalha, mais mutações ele pode sofrer. Hoje temos pelo menos três variantes preocupantes. Uma é a da Califórnia, que começa a apresentar mutações na parte da proteína spike que se liga às células humanas, chamada de RBD. Essa mutação é a L452Y, mas ainda não foi estudado o impacto da eficácia das vacinas em relação a ela. Uma bronca é a variante identificada na África do Sul, a N501Y.V2, uma variante que vem da cepa do Reino Unido. O problema da cepa sul africana é que ela tem mais modificações dentro do RBD ou muito perto dele. Em tese, afeta o reconhecimento por parte dos anticorpos que as vacinas induzem. Porque alguns anticorpos das vacinas são específicos contra esse RBD, para bloquear a entrada do vírus na célula. Quando essa região começa a ter modificações, pode ser que as vacinas não controlem tão bem o vírus.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
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                <a href="https://marcozero.org/e-impossivel-que-vacina-cause-alteracoes-geneticas-garantem-especialistas/" class="titulo">É impossível que vacina cause alterações genéticas, garantem especialistas</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
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<p><strong>Já foram feitos testes para conferir a eficácia das vacinas na cepa de Manaus?<br></strong>Ainda não. A de Manaus é bem parecida com a da África do Sul, o que é um problema. A Moderna fez testes com a cepa sul africana e viu que a eficácia de sua vacina é seis vezes menor, em relação a essa variante. Tem testes de uma nova vacina de subunidade proteica desenvolvida nos Estados Unidos, da Novavax, que deu 90% de eficácia contra a cepa do Reino Unido, mas só 49% contra a sul africana. Fica abaixo do que a Anvisa quer, mas essa taxa é polêmica. Porque existe a taxa de controle da doença, de contaminação, e a taxa para reduzir casos graves. Resumindo: não dá para falar que as vacinas atuais não vão servir contra as novas variantes. Sabemos que há uma queda nos anticorpos neutralizantes, mas não é possível dizer só com isso que as vacinas não são eficientes, porque a resposta de anticorpos é um dos tipos de resposta imune. Há também a resposta celular, que ainda não foi avaliada para essas novas cepas. E outra: mesmo que haja redução de anticorpos, não quer dizer que os que restam não sejam capazes de impedir a infecção. É preciso mais estudos.</p>



<p><strong>Vamos precisar de vacinas atualizadas?</strong><br>Pela lógica, à medida que o vírus for acumulando mutações, provavelmente seja necessário atualizar as vacinas. Porque essas mutações estão ocorrendo uma em cima da outra. Chega uma hora que são tantas mutações acumuladas que o repertório todo da vacina não é possível mais para aquele vírus, como acontece com a vacina da gripe, que é reformulada todo ano.</p>



<p><strong>Das duas vacinas que temos aqui no Brasil, a de vírus inativado, que é a Coronavac, e a de Oxford/ AstraZeneca, que usa um vetor de adenovírus, qual a que teoricamente se comportaria melhor contra as novas variantes?</strong><br>Ainda não dá para dizer hoje, qual das duas seria melhor. Agora se houver a necessidade de adaptar a vacina para uma cepa nova, é muito mais fácil fazer isso com a de Oxford. Porque a vacina de adenovírus é parecida com a de RNA: ao invés de carregar um RNA ela carrega um DNA da proteína Spike, que é inserido no núcleo da célula. E é muito mais fácil você alterar um pedacinho do DNA para que aquela proteína fique semelhante à Spike do vírus que está circulando na natureza, do que você modificar o vírus inteiro.</p>



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            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

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                <a href="https://marcozero.org/falta-de-estrategia-nacional-pode-prejudicar-vacinacao-no-brasil/" class="titulo">Falta de estratégia nacional pode prejudicar vacinação no Brasil</a>
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<p><strong>A atualização tem um processo mais rápido de testes?</strong><br>Acredito que sim. Mas o que precisamos fazer agora é vacinar rapidamente, respeitando os intervalos entre a primeira e a segunda dose. Porque se você não respeita esse intervalo, é o mesmo de estar jogando fora as doses. Como não sabemos hoje qual será o verdadeiro impacto dessas vacinas nas novas cepas, temos que acelerar a imunização, porque isso já vai diminuir a transmissão, independentemente se for variante ou não. Estamos muito devagar.</p>



<p><strong>Há quem diga que a Coronavac poderia ser mais eficiente contra as novas variantes, porque usa o vírus inteiro. Isso faz sentido?</strong><br>Pode ser que sim. Pois na superfície do vírus inativado além da proteína Spike (S), tem a proteína M (membrana) e a proteína envelope (E). Nesse caso, a resposta imune vai ser produzida contra essas 3 proteínas: S, M e E. Então mesmo que tenha variações em S que diminuam o seu reconhecimento, talvez anticorpos adicionais contra M e E possam compensar. Mas prefiro aguardar os testes para ter certeza, ou não. A Sinovac, desenvolvedora da Coronavac, tem a intenção de fazer um mix das variantes na sua próxima reformulação, fazer uma mistura desses novos vírus e inativar tudo junto. Demora um pouco e a intenção é iniciar daqui a uns 2 meses.</p>



<p><strong>Todos os estados do Norte do Brasil estão com alta na média móvel de mortes. Pode se atribuir isso à nova cepa?</strong><br>Com certeza. O vírus está sendo transmitido com muito mais força. Ainda não dá para dizer que é uma cepa mais virulenta, embora haja indícios. Como ela tem facilidade de entrar nas células, entram mais vírus e se multiplicam mais rápido. Os médicos do Amazonas estão relatando que em uma semana os pacientes já estão com pneumonia grave. Isso aumenta muito o número de mortes. Tem também uma mudança de perfil, acometendo um percentual maior de jovens. Mas o aumento de mortes não necessariamente significa dizer que o vírus mudou e está matando mais, mas que como ele consegue contaminar mais gente, pode infectar mais vulneráveis e também vai superlotar hospitais e, consequentemente, maior número de número mortos. Estamos vendo a alta no Norte como se não fosse chegar aqui.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
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                <a href="https://marcozero.org/tudo-que-o-amazonas-esta-passando-agora-os-outros-estados-poderao-passar-amanha-diz-pesquisador-da-fiocruz-amazonia/" class="titulo">&#8220;Tudo que o Amazonas está passando agora os outros estados poderão passar amanhã&#8221;, diz pesquisador da Fiocruz Amazônia</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
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<p><strong>Vemos que vários países estão fechando as portas para o Brasil. Parece que há uma preocupação maior lá fora do que aqui com essa variante de Manaus. O que o governo deveria fazer?</strong><br>As principais recomendações não só para o Brasil, mas para qualquer país, são pelo menos cinco. A primeira é rastrear indivíduos vacinados. Acompanhar essas pessoas e ver quem se infecta. Se algum vacinado tiver a doença, é necessário isolar o vírus para estudar se há resistência, ver a vacina que tomou, para checar se é um vírus que está ou não resistindo às vacinas. Depois, é preciso manter um sistema de sequenciamento viral, que a gente não tem no Brasil. A gente fica falando de cepa tal, mas só sabe isso porque alguém isolou e sequenciou o vírus. Tem que ser algo intensivo, até para dar suporte para as novas vacinas. Outro ponto é manter um banco sorológico dos vacinados. Pegar a pessoa que já recebeu a segunda dose e 15 dias depois, já com anticorpos, coletar uma amostra de sangue dela. Qual a importância disso? Ver se os anticorpos induzidos são capazes, ou não, de neutralizar uma determinada variante do vírus. Aí você consegue ver quais as vacinas que estão funcionando melhor. A quarta é investir em vacinas de RNA e adenovírus, que são as mais rapidamente modificáveis, como alternativas de intervenções mais emergenciais. A última são as medidas de prevenção e distanciamento social, incluindo <em>lockdown</em>. Infelizmente o governo brasileiro é um péssimo exemplo em relação ao combate da pandemia. Somos corresponsáveis pelo aumento da circulação das variantes. O discurso de imunidade de rebanho via infecção natural, que não existe porque há reinfecção, foi um paraíso para as novas cepas.</p>



<p><strong>Se uma pessoa tomar uma dose da Coronavac e outra dose da Oxford/AstraZeneca tem efeito?</strong><br>Não há nenhum estudo sobre o uso dessa combinação. Em tese, teria efeito sim. E me parece algo inevitável. Como a quantidade de vacinas é limitada no mundo todo, vai chegar uma hora que vai ter combinação de vacinas sim. O que é que a vacina Coronavac está levando para o sistema imune? A proteína Spike. O que a de Oxford está levando? Um DNA que se transforma num RNA, que vai virar a proteína Spike. Então, no final das contas, quem está induzindo a resposta imune é a proteína Spike. Eu tomaria, mas ainda não posso recomendar como pesquisador, porque não há estudos com essas duas vacinas juntas.</p>



<p><strong>Por que as vacinas contra o novo coronavírus são com duas doses?<br></strong>Porque quando você dá a dose de reforço, estimula o sistema imune a criar mais células de memória. E essas células de memória permanecem mais tempo no sistema imune do que as induzidas por uma infecção natural. A vacina fica mais eficaz com a dose de reforço. Tanto é que as vacinas que estavam sendo testadas para serem dadas em dose única, aparentemente funcionam melhor com duas doses. Até a vacina dose única de adenovírus da Janssen, por exemplo, também vem testando o regime de duas doses. A da Cansino, também de adenovírus, diz que é dose única, mas há poucas informações sobre essa vacina (inclusive a sua eficácia ainda não foi divulgada). Existe uma corrida mercadológica muito grande.</p>



<p><strong>A resposta imune de uma vacina é mais forte do que pela infecção?</strong><br>Sim, também por conta da dose de reforço. Em relação às vacinas de material genético, adenovírus e de subunidade proteica, existe ainda o fato de a proteína Spike ser expressa na sua forma de pré-fusão estabilizada. A forma de pré-fusão é a forma que essa proteína se apresenta antes de entrar na célula. Quando ela se liga ao receptor ACE-2 (por onde o novo coronavírus entra na célula humana) ela assume a forma de pós-fusão. Então estabilizando ela na forma de pré-fusão, você induz a produção de anticorpos para neutralizar os vírus antes de eles mudarem de conformação e entrar nas células, o que é o ideal. A forma estabilizada é muito mais eficiente de induzir a formação de anticorpos neutralizantes. Se você não estabilizar nessa forma, a proteína Spike fica flexível. O que significa dizer que ela vai assumir diversas conformações, inclusive a de pré-fusão (é o que acontece quando nos contaminamos com o vírus). Dessa forma, vamos produzir anticorpos sim, mas contra várias conformações da proteína Spike, incluindo a de pré-fusão. Se a gente estabiliza a proteína, para se apresentar unicamente na forma de pré-fusão a resposta contra o vírus é muito mais eficiente, entende? Resumindo, uma grande vantagem dessas vacinas, em relação ao vírus, é apresentar a proteína Spike na forma de pré-fusão estabilizada. Esse é o principal fator que pode ser atribuído as altas eficácias observadas em relação as vacinas de RNA, adenovírus e de subunidade proteica.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

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                <a href="https://marcozero.org/o-que-podemos-esperar-para-o-segundo-ano-da-pandemia-no-brasil/" class="titulo">O que podemos esperar para o segundo ano da pandemia no Brasil?</a>
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                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
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<p><strong>É verdade que as vacinas de RNA são as mais eficazes já produzidas?</strong></p>



<p>Eficácia é um parâmetro que se mede ao longo do tempo… O que está sendo visto hoje são eficácias preliminares, que são muito boas. Mas precisamos saber como se comportarão ao longo do tempo e para isso, o tempo tem que passar. Medir a eficácia semanas após a segunda dose, seria o mesmo que medir anticorpos semanas depois que a pessoa contraiu o vírus. A vacina da Febre Amarela, por exemplo, que vem sendo utilizada desde a década de 30, oferece uma proteção de 10 anos. Só depois de 10 anos você precisa de uma dose de reforço. Será que essas vacinas contra Covid-19 vão nos dar uma proteção tão duradoura? Eu acho improvável… Embora o mérito científico de se chegar tão rápido em 20 vacinas na fase 3, com sete delas em uso emergencial e três liberadas para vacinação em massa, tenha de ser fortemente reconhecido!</p>



<p><strong>Se o Brasil não tiver uma vacinação ampla e rápida contra o coronavírus poderemos viver em um <em>looping</em> sem fim de novas cepas?</strong></p>



<p>Sim, mas é pior do que isso. A partir do momento que uns países começam a tomar mais cuidados e outros não, a política externa vira um desastre. Não adianta Israel chegar à imunidade rebanho em abril e chegar lá um brasileiro, com uma cepa nova. Pode botar a perder o plano de Israel. Aí ninguém vai querer brasileiro. Já não podemos ir para Portugal, Argentina, Inglaterra, Estados Unidos, Israel, etc. O que pode acontecer é um isolamento do Brasil: os leprosos do século XXI. Vamos começar a sofrer uma pressão internacional muito grande. E o amiguinho de Bolsonaro, Trump, não está mais no poder. E Biden já vem sinalizando que não está muito contente com o governo brasileiro. Se o Brasil não se cuidar, passa a ser um problema mundial. O Brasil pode ser foco de novos surtos e a partir do momento que um brasileiro sair daqui, pode se iniciar um novo ciclo. Vai chegar uma hora que, querendo ou não, o Brasil vai ter que controlar o vírus. Não é mais um problema de país, mas de mundo.</p>



<p><strong>Então é urgente que o Brasil acelere a vacinação.<br></strong>Quanto mais o Brasil vacinar, mais vai impedir a circulação do vírus, inclusive de novas variantes. Mesmo que a eficácia da vacina caia, ela não fica zerada. Estamos com 20 vacinas atualmente na fase 3. Vão chegar novas vacinas, ainda mais eficientes e adaptadas. Todas as vacinas, sem exceção, são e serão importantes. Temos que começar de algum ponto, mas isso é uma corrida e saímos atrás. Só temos essas duas vacinas hoje por conta do Butantan e da Fiocruz, duas instituições seculares muito importantes para a história do Brasil. Temos que vacinar com a vacina que for. Precisaríamos de algo em torno de 8 milhões de doses por semana no Brasil, durante 10 meses, para poder chegar à imunidade de rebanho, com cerca de 150 milhões de pessoas vacinadas. Dependemos de política de governo para isso, e a atitude do Governo Federal é genocida.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/tudo-o-que-voce-queria-saber-sobre-vacinas-contra-a-covid-19-e-nao-tinha-a-quem-perguntar/">Tudo o que você queria saber sobre vacinas contra a covid-19 e não tinha a quem perguntar</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Não há comprovação de que vacina da Pfizer causou paralisia em voluntários</title>
		<link>https://marcozero.org/nao-ha-comprovacao-de-que-vacina-da-pfizer-causou-paralisia-em-voluntarios/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 19 Dec 2020 17:19:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[pfizer]]></category>
		<category><![CDATA[Vacina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Conteúdo verificado: Tuíte que afirma que vacina (da Pfizer) pode causar paralisia de Bell. É enganoso um tuíte afirmando que a vacina da Pfizer contra a covid-19 causa paralisia de Bell. Dos 38 mil voluntários dos testes com o imunizante, quatro tiveram a paralisia, porém, segundo a Food and Drugs Administration (FDA) – agência federal [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
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<p><strong>Conteúdo verificado: Tuíte que afirma que vacina (da Pfizer) pode causar paralisia de Bell.</strong></p>



<p>É enganoso um tuíte afirmando que a vacina da Pfizer contra a covid-19 causa paralisia de Bell. Dos 38 mil voluntários dos testes com o imunizante, quatro tiveram a paralisia, porém, segundo a Food and Drugs Administration (FDA) – agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos que regulamenta o uso de medicamentos e vacinas no país -, não há evidências para afirmar que o distúrbio foi causado pela vacina. O comitê consultivo da FDA classificou o episódio como “evento adverso sem gravidade”.</p>



<p>A vacina foi considerada segura, pois os eventos adversos sérios foram observados em menos de 0,5% dos voluntários. Os efeitos mais frequentes, contudo, não foram os mais graves, sendo os mais comuns a reação no local da injeção, cansaço e dor de cabeça. O imunizante já começou a ser aplicado no Reino Unido e nos Estados Unidos.</p>



<p>A paralisia de Bell é ocasionada por uma lesão no nervo facial, cuja causa não é totalmente conhecida. Não é considerada grave pelos especialistas consultados pelo Comprova.</p>



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<h2 class="wp-block-heading">Como verificamos?</h2>



<p>O Comprova buscou notícias na imprensa profissional de imunizantes que pudessem ter apresentado a paralisia de Bell como efeito adverso. Assim foi possível identificar que o tuíte se referia à vacina da Pfizer.</p>



<p>Buscamos o documento produzido pelo comitê científico da FDA que avaliou segurança e eficácia do imunizante para aprovação do uso emergencial, para entender o que realmente foi dito pela agência sobre a paralisia de Bell.</p>



<p>Depois, consultamos o neurologista Pedro Braga Neto, da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), para entender qual a gravidade da paralisia de Bell.</p>



<p>Por fim, falamos com o doutor em Biologia Molecular pela Universidade de Cambridge, Rafael Dhalia, que atua como especialista em desenvolvimento de vacinas na Fiocruz.</p>



<p><em>O Comprova fez esta verificação baseado em informações científicas e dados oficiais sobre o novo coronavírus e a covid-19 disponíveis no dia 17 de dezembro de 2020.</em></p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Verificação</strong></h3>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>O que disse a FDA sobre a vacina da Pfizer</strong></li></ul>



<p>As farmacêuticas Pfizer e BioNTech solicitaram autorização de uso emergencial da vacina BNT 162b2 à Food and Drug Administration (FDA), a agência regulatória de medicamentos dos Estados Unidos. Tanto a FDA quanto o CDC (Centro de Controle de Doenças) aprovaram o pedido, e os <a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2020/12/14/enfermeira-e-1a-paciente-a-ser-vacinada-contra-a-covid-em-hospital-de-nova-york.ghtml">norte-americanos começaram a ser vacinados</a> na segunda-feira, 14.</p>



<p>Para isso, as duas empresas entregaram os resultados de segurança e eficácia da fase 3 de testes, ainda em andamento, com cerca de 38 mil voluntários. O imunizante mostrou eficácia de 95%.</p>



<p>A vacina foi considerada segura, uma vez que eventos adversos sérios foram observados em menos de 0,5% dos voluntários. No entanto, os efeitos adversos mais comuns foram outros, todos de menor gravidade: reação no local da injeção (84,1%), cansaço (62,9%) e dor de cabeça (55,1%).</p>



<p>Um evento adverso inesperado chamou a atenção da agência reguladora. Entre os voluntários que tomaram a vacina, quatro tiveram a paralisia de Bell, enquanto a mesma condição não foi observada no grupo de placebo – pessoas que não tomaram a vacina e serviram como grupo de comparação com aqueles que tomaram. O <a href="https://www.fda.gov/media/144245/download">comitê consultivo da FDA</a> classificou a paralisia de Bell como “evento adverso sem gravidade”.</p>



<p>Isso quer dizer que a vacina causou a paralisia? Para os especialistas da FDA, “não há clara evidência que permita concluir a relação causal” entre o imunizante e o desenvolvimento da paralisia facial. Também afirmam que o número de casos (4) é “consistente com o observado na população em geral”, isto é, em pessoas fora dos testes. “No entanto, a FDA recomendará vigilância de novos casos em vacinados na população em geral.”</p>



<p>As quatro pessoas desenvolveram a síndrome de 3 a 48 dias após tomarem a vacina. Este último caso não mais apresentava a paralisia três dias após o aparecimento dela. Os outros aparentavam estar se curando no momento em que o relatório foi elaborado.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Como a vacina da Pfizer funciona</strong></li></ul>



<p>A vacina das empresas Pfizer e BioNTech utiliza uma tecnologia inovadora que introduz nas células humanas uma parte da informação genética do novo coronavírus (SARS-CoV-2) responsável pela produção de um antígeno viral. Dessa forma, as células passam a produzir esse antígeno, que será reconhecido pelo sistema imunológico da pessoa que recebe a dose e motivará a produção de anticorpos que protegerão o corpo contra o vírus.</p>



<p>Este tipo de vacina já foi alvo de desinformação. O Comprova já desmentiu que algumas das vacinas em produção contra a covid-19 <a href="https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/e-falso-que-vacina-contra-covid-19-cause-danos-irreversiveis-ao-dna/">causariam danos irreversíveis ao DNA</a> humano. No <a href="https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/wp-content/uploads/sites/41/2020/12/leiaoplanonacionaldevacinacao_121220201341.pdf">plano de imunização do governo Bolsonaro</a>, entregue pelo Ministério da Saúde ao Supremo Tribunal Federal (STF) neste sábado, 12, as vacinas que utilizam RNA <a href="https://projetocomprova.com.br/wp-content/uploads/2020/12/null-37.png?x70685">são descritas como seguras</a> porque “não há integração do RNAm injetado ao genoma do indivíduo vacinado”.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>O que é a paralisia de Bell</strong></li></ul>



<p>A paralisia de Bell é um distúrbio repentino ocasionado por uma lesão no sétimo nervo craniano, o nervo facial, cuja causa não é totalmente conhecida. É também chamado de paralisia facial periférica e ocorrem entre 20 a 30 casos para cada 100 mil pessoas por ano no mundo. Pode ocorrer em qualquer pessoa, mas é mais frequente na faixa etária de 15 a 50 anos. De acordo com o coordenador do Departamento Científico de Neurologia Geral da Academia Brasileira de Neurologia (ABN) e professor da UFC e UECE, Pedro Braga Neto, em alguns casos as lesões podem ser decorrentes de uma inflamação provocada pelo herpesvírus.</p>



<p>“A grande maioria dos casos não tem uma causa esperada. Há relatos de outros vírus, além do herpes, que podem ser agentes causadores da paralisia de Bell. Há relatos, por exemplo, de paralisia facial periférica pelo coronavírus, como sintoma neurológico da infecção.”</p>



<p>Os sintomas mais comuns são perda de movimentos de um lado do rosto, dificuldade de fechar os olhos, dificuldade de sorrir e realizar qualquer expressão facial no lado comprometido. “Além disso, pode haver dificuldade de lacrimejar os olhos, desconforto no ouvido e de sentir gosto do lado da língua afetada. Mas há um bom prognóstico, 70 a 90% dos pacientes se recuperam da lesão do nervo completamente”, explica o neurologista. A recuperação dos movimentos da face geralmente ocorre entre seis a oito semanas.</p>



<p>Segundo Pedro Braga Neto, existem relatos na literatura médica de paralisia facial periférica associados à vacina, particularmente à imunização da influenza, “mas são eventos bem raros”, afirma. A paralisia de Bell não é considerada grave, explica o médico: “É uma doença autolimitada e que acomete exclusivamente o nervo facial. Pode gerar problemas de autoestima e psicológicos, devido a questões estéticas do rosto. Infelizmente alguns pacientes podem ficar com o rosto assimétrico, boca torta, etc como sequela do quadro.”</p>



<p>O pesquisador da Fiocruz Rafael Dhalia usou palavras semelhantes para confirmar que a paralisia é “um evento raro”. Ele também admite que, “aparentemente pode ocorrer em decorrência de vacinação, com frequência muito baixa e sendo totalmente reversível. Pessoas com histórico de alergia e reações anafiláticas são mais propensas e devem, portanto, se vacinar sob orientação e cuidados médicos. Foram relatados apenas quatro casos em (quase) 40 mil voluntários, todos já recuperados. Portanto, desaconselhar a vacinação por esse motivo me parece um desserviço. Lembrando que a vacina da Pfizer vem mostrando bons resultados, foi aprovada pelo FDA para uso limitado e vários países liberaram inclusive para vacinação em massa”.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Por que investigamos?</h4>



<p>Em sua terceira fase, o Projeto Comprova checa conteúdos virais suspeitos sobre a pandemia de covid-19 e políticas públicas do governo federal. A vacina da Pfizer chama atenção por ser o primeiro imunizante a receber autorização emergencial de grandes economias como o Reino Unido e os Estados Unidos, o que deu destaque para seus resultados e possíveis efeitos adversos. O tuíte checado teve ao menos 2,5 mil interações.</p>



<p>Peças de desinformação sobre vacinas são prejudiciais porque diminuem a confiança da população nas autoridades e em campanhas de imunização, consideradas fundamentais para diminuir a mortalidade da covid-19 e desafogar o sistema de saúde. O Comprova já desmentiu publicações afirmando que as vacinas seriam <a href="https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/virus-nao-foi-feito-na-franca-e-vacinas-nao-sao-uma-iniciativa-globalista-para-reduzir-a-populacao/">iniciativa de redução populacional</a> ou que a <a href="https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/coronavac-nao-matou-voluntarios-e-vacinas-nao-causaram-danos-neurologicos-ou-de-dna/">CoronaVac teria matado voluntários</a>.</p>



<p>O site <a href="https://www.e-farsas.com/nao-ha-evidencias-conclusivas-que-a-vacina-da-pfizer-tenha-causado-a-paralisia-de-bell-em-voluntarios.html">e-farsas</a> também desmentiu o conteúdo sobre o imunizante da Pfizer.</p>



<p><a href="https://projetocomprova.com.br/about/">Enganoso</a>, para o Comprova, é conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.</p>



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	<p>O post <a href="https://marcozero.org/nao-ha-comprovacao-de-que-vacina-da-pfizer-causou-paralisia-em-voluntarios/">Não há comprovação de que vacina da Pfizer causou paralisia em voluntários</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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