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	<title>Arquivos Porto de Suape - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 12 Mar 2024 20:51:00 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos Porto de Suape - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Moradores e comerciantes de Suape temem perder direitos com gestão privada de parque</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Sep 2023 22:01:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Jeniffer Oliveira Em julho deste ano, o Complexo Industrial Portuário de Suape lançou uma consulta pública sobre a possibilidade da concessão de uso público do Parque Armando de Holanda Cavalcanti (PMAHC), localizado no Cabo de Santo Agostinho, Região Metropolitana do Recife, um território de 270 hectares entre as praias de Gaibu e Suape. Desse [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/moradores-e-comerciantes-temem-perder-direitos-com-gestao-privada-de-parque/">Moradores e comerciantes de Suape temem perder direitos com gestão privada de parque</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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<p><strong>por Jeniffer Oliveira</strong></p>



<p>Em julho deste ano, o Complexo Industrial Portuário de Suape lançou uma consulta pública sobre a possibilidade da concessão de uso público do Parque Armando de Holanda Cavalcanti (PMAHC), localizado no Cabo de Santo Agostinho, Região Metropolitana do Recife, um território de 270 hectares entre as praias de Gaibu e Suape. Desse total, 119 hectares seriam disponibilizados para uma parceria público-privada para administrar, manter e conservar o parque. Seriam R$ 45,9 milhões em investimentos para os três primeiros anos.  </p>



<p>A possibilidade de concessão tem dividido opiniões na Vila de Nazaré e comunidades do entorno, localizadas no interior do parque. Mesmo com os estudos disponíveis para consulta no <a href="https://www.suape.pe.gov.br/pt/meio-ambiente-2/dialogo-publico-concessao-de-uso-de-parcela-territorial-do-pmahc">site</a> de Suape, a clareza dos documentos é questionada por representantes de comerciantes e moradores. “A gente entende que essa incerteza da comunidade é fruto, justamente, da falta de transparência do processo como um todo, que faz com que os detalhes desse processo não estejam muito nítidos para a maioria dos moradores”, afirma o advogado do <a href="https://www.instagram.com/forumsuape/">Fórum Suape</a>, João Venâncio, que tem acompanhado de perto as movimentações da estatal. </p>



<p>A garantia de moradia também é uma das principais preocupações de quem mora no território. Os moradores de Nazaré estão em processo de regularização fundiária, no entanto, ainda não conseguiram receber a documentação que garante a permanência. “Foram 81 casas com concessão por tempo indeterminado e, até hoje, a empresa [Suape] diz que está no cartório. Aí contratou outra empresa, mas ficou também naquela pendência. Mais um motivo da gente ficar bem esperto com Suape”, afirma Heloisio Vieira, presidente da Associação dos Moradores.&nbsp;</p>



<p>Apesar de ser a favor de um projeto que administre o local, uma das residentes mais antigas, Oneida Tibúrcio, de 77 anos, também se preocupa em ter a moradia garantida. “O que eu digo é que precisa ter uma garantia, ninguém pode sair daqui voando, não. Ninguém pode viver aqui pressionado, ninguém que mora aqui pode ficar com os restos de quem chega. Precisa do respeito (com a população nativa)”, reivindica.</p>



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	                                        <p class="m-0">Oneida Tibúrcio. Crédito: Arnaldo Sete/MZ</p>
	                
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<p>Entre as condições exigidas para as empresas interessadas, estão inclusas a priorização da mão de obra local e a compra de produtos e serviços oferecidos pelas comunidades do entorno, mas existe a incerteza sobre a permanência do comércio&nbsp; local. “A gente termina achando que as doceiras, as pessoas que fazem licor, os artesãos, ficam fora desse circuito, porque estão do lado de fora do perímetro da concessão, que é o filé da Vila de Nazaré”, afirma Mardônio Cavalcanti, vice-presidente do Conselho Gestor Paritário PMAHC.&nbsp;</p>



<p>Não só o comércio local que se sente receoso com a possível concessão, a comunidade da pesca artesanal, também. Contando apenas as mulheres, mais de 100 trabalham na pesca do aratu de pedra e do marisco na área do projeto. Laurineide Carvalho, integrante do Conselho Pastoral dos Pescadores, analisa que “esse projeto, na forma que o porto de Suape apresenta, é um projeto de exclusão total da comunidade nativa. Em nenhum momento se considera a população local, os pescadores e as comunidades locais. Então, ele é um projeto de exclusão que vai entregar para uma empresa privada explorar”.</p>



<p>Na expectativa por um diálogo aberto entre população e Suape, a representação da sociedade civil do Conselho Gestor Paritário do PMAHC, acompanhada pelo Fórum Suape e pelo Conselho Pastoral dos Pescadores, solicitou uma audiência pública, acatada pelo legislativo e realizada no último dia 30, na Câmara Municipal do Cabo de Santo Agostinho.&nbsp;</p>



<p>O local, que ficou lotado de moradores e comerciantes, ainda teve a presença de órgãos como a prefeitura, MPPE, Defensoria Pública, CPRH, Iphan, Fundarpe, Associação Pernambucana de Defesa da Natureza e Secretaria de Defesa Social. Após a audiência, a estatal prorrogou o prazo de consulta e contribuições, depois suspendeu o prazo, deixando a consulta por tempo indeterminado. Além de se disponibilizar a promover novos debates presenciais com as comunidades do parque, entorno e os órgãos de controle, quando solicitados.&nbsp;</p>



<p>Segundo a assessoria de comunicação de Suape, “o projeto foi elaborado pela empresa Natureza Urbana, contratada por meio de um acordo de cooperação com a Unesco, e foram realizadas reuniões presenciais no território do Parque Armando de Holanda Cavalcanti para apresentação da proposta às comunidades, além de reuniões para apresentar o projeto e debater com a sociedade local, abrindo para discussões presenciais e contribuições via e-mail”.<br><br>Além disso, ainda segundo a informação oficial de Suape, “o impacto estimado no projeto é de forma positiva, uma vez que é requisito da proposta de projeto que a comunidade da Vila Nazaré e demais comunidades do entorno continuem tendo livre acesso à área de concessão do Parque e que sejam inseridos e envolvidos no processo, a exemplo da contratação de mão de obra local. É importante salientar que a área proposta para a concessão não inclui nenhuma moradia”. Sobre a preocupação entre os pescadores artesanais, afirma que “a área de concessão não abrange nenhuma área de Marinha, nem impõe nenhuma restrição à pesca artesanal”.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading">Um possível geoparque da Unesco</h2>



<p>Local com uma vasta biodiversidade, riquezas geológicas, sendo o último elo da quebra do supercontinente Gondwana, que formou o oceano Atlântico, separando as massas terrestres da América do Sul e África, além de monumentos históricos como a Casa do Faroleiro, Forte Castelo do Mar, Antigo Quartel e o Convento de Nazaré. No entanto, os moradores admitem que é&nbsp; notória a necessidade de cuidados e reparação no Parque Armando de Holanda Cavalcanti.</p>



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	                                        <p class="m-0">Mardônio Cavalcanti. Crédito: Arnaldo Sete/MZ</p>
	                
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<p>Entre os monumentos, três são de jurisdição militar: o Antigo Quartel e o Forte Castelo do Mar, do Exército e administrados pela Superintendência do Patrimônio da União (SPU) em Pernambuco e a Casa do Faroleiro, administrada pelo comando da Marinha. Mesmo com responsabilidades divididas, é &nbsp;possível identificar que todos os pontos de valor histórico carecem de manutenção. No Forte Castelo do Mar, por exemplo, uma das pilastras é sustentada por um pedaço de madeira.&nbsp;</p>



<p>As estradas estão esburacadas, falta sinalização e informação sobre os monumentos históricos, além da falta de manutenção. Como uma solução possível, pesquisadores e representantes da sociedade civil veem o potencial do local se tornar um geoparque.</p>



<p>Consultores da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco),  já realizaram estudos indicando o que seria possível para essa transição. No último dossiê, apresentado no projeto de cooperação técnica entre o governo brasileiro e a agência da ONU, realizado pelo consultor Jean Vargas, consta todas as potencialidades e necessidades para o PMAHC se candidatar a ser um Geoparque Mundial da Unesco. Atualmente, <a href="https://www.unesco.org/en/iggp/geoparks#full-list-of-unesco-global-geoparks" target="_blank" rel="noreferrer noopener">são quase 195 geoparques no mundo todo, dos quais cinco no Brasil</a>. </p>



<p>“Como diz a professora Thaís Guimarães, a gente tem um laboratório a céu aberto aqui e a gente pode ter as universidades junto com a gente para fazer uma educação patrimonial, educação ambiental, a questão da arqueologia, geologia, geografia, história e paisagismo. Fazemos parte da história de Pernambuco e do Brasil, e não conseguimos ver nesse projeto de concessão de uso a gente dá continuidade a essa nossa possibilidade de fazer parte desses monumentos que tanto admiramos, que temos uma questão energética”, destaca Mardônio Cavalcanti, vice-presidente do conselho gestor paritário do PMAHC.</p>



<p>Entre as exigências, seria necessário unir os geossítios de Cabo de Santo Agostinho e de Ipojuca, ampliando as áreas para formação do Geoparque Suape. “São muitos pontos,  muito geossítios que a gente pode fazer parte dessa rede mundial de geoparque que é o turismo mais moderno, turismo que estuda a história, a geologia, a geografia do local. As pessoas vêm interessadas em saber”, reforça Mardônio. No entanto, de acordo com o documento, as respectivas prefeituras não responderam às solicitações feitas pela organização. </p>



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	                                        <p class="m-0">Ruínas de fortes militares precisam de manutenção e sinalização. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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			</item>
		<item>
		<title>Marinha está escoltando sucata de porta-aviões há mais de um mês</title>
		<link>https://marcozero.org/marinha-esta-escoltando-porta-avioes-fantasma-ha-mais-de-um-mes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Nov 2022 12:14:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Forças Armadas]]></category>
		<category><![CDATA[Marinha]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Se na Baía da Guanabara a Marinha do Brasil parece não estar nem aí para sua tarefa de fiscalizar e dar destino aos navios abandonados, a ponto de um deles bater na ponte Rio-Niterói na segunda-feira, 14 de novembro, o mesmo não pode ser dito quando o assunto é o casco do porta-aviões São Paulo. [&#8230;]</p>
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<p>Se na Baía da Guanabara a Marinha do Brasil parece não estar nem aí para sua tarefa de fiscalizar e dar destino aos navios abandonados, a ponto de um deles <a href="https://clickpetroleoegas.com.br/navio-abandonado-levado-pelo-vento-e-se-choca-contra-a-ponte-rio-niteroi/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">bater na ponte Rio-Niterói</a> na segunda-feira, 14 de novembro, o mesmo não pode ser dito quando o assunto é o casco do porta-aviões São Paulo. Desde a tarde de 12 de outubro, o navio patrulha Macau, de 54 metros de comprimento e armado com um canhão de 40mm, faz a escolta do rebocador e da sucata daquele que já foi o maior navio de guerra do país.</p>



<p>De acordo com o <a href="https://www.marinetraffic.com/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">site Marine Traffic</a>, que faz o monitoramento via satélite de todo o tráfego marítimo global, as poucas vezes em que o Macau se afastou do porta-aviões fantasma foi para se abastecer no porto de Suape. Durante alguns dias, o rebocador e seu reboque contaminado também tiveram a companhia de outros dois navios patrulha, o Grajaú e o Graúna, mas estes retornaram à base naval de Natal.</p>



<p>Na segunda-feira, a Marco Zero enviou e-mail para o Centro de Comunicação Social da Marinha, questionando por qual razão os militares está escoltando uma embarcação que já não pertence ao patrimônio da corporação, não tem uso militar e ter indícios de carregar centenas de toneladas de carga tóxica. O casco do <a href="https://www.naval.com.br/blog/2021/03/16/casco-do-porta-avioes-sao-paulo-e-arrematado-em-leilao-por-r-105-milhoes/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">porta-aviões foi leiloado</a> no dia 12 de março de 2021 por R$ 10,5 milhões (o equivalente, naquele dia, a pouco menos de US$ 1,9 milhão) pela empresa turca <em>Sok Denizcilik ve Ticaret.</em></p>



<p>Até o momento da publicação, não houve resposta ao nosso questionamento. Caso a resposta seja enviada, este texto será imediatamente atualizado.</p>



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	                                        <p class="m-0">Trajetória do navio patrulha desde outubro, à esquerda, em paralelo ao do porta-aviões, à direita em linhas mais densas. Crédito: Marine Traffic</p>
	                
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<p><a href="https://www.marinetraffic.com/en/ais/home/centerx:-34.8/centery:-8.4/zoom:10" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Clique aqui para acompanhar a rota do navio patrulha Macau</strong></a> no Marine Traffic e <strong><a href="https://www.marinetraffic.com/en/ais/home/centerx:-34.7/centery:-8.4/zoom:9" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui para acompanhar a rota do rebocador Alp Centre e do porta-aviões São Paulo</a>.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Protesto na Capitania dos Portos</strong></h2>



<p>No final da tarde do feriado de 15 de novembro, dezenas de pessoas mobilizadas por organizações ambientalistas realizaram um protesto diante da sede da Capitania dos Portos de Pernambuco, junto da praça do Arsenal. A manifestação foi uma reação à tentativa da Marinha de, na quarta-feira, 9 de novembro, obrigar a administração de Suape a aceitar a atracação da sucata para que fossem feitos reparos “urgentes” no casco.</p>



<p>Alexandre Carvalho, presidente do Instituto de Pesquisa e Preservação Ambiental Oceanário Pernambuco, ligado à Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), se disse preocupado com a perspectiva do navio na costa do estado. “O mais sensato é essa embarcação voltar para seu porto de origem e passar por uma vistoria técnica séria para que não ameace mais Pernambuco e nenhum outro lugar do mundo”, afirmou.</p>



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	                                        <p class="m-0">Protesto na praça do Arsenal foi primeira reação pública ao casco do porta-aviões Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>Logo depois da Justiça Federal acatar o pedido de Suape e impedir a atracação forçada do casco, o representante da MSK Maritime Services &amp; Trading, empresa de transporte marítimo contratada para levar o casco até a Turquia, ameaçou processar o governo de Pernambuco e pedir a indenização de US$ 2 milhões para cobrir os custos que está tendo em razão de Suape se negar a receber o porta-aviões. O valor da suposta indenização seria maior que os US$ 1,9 milhões pagos pelos turcos para arrematar a embarcação.</p>



<p>Em vídeo, o advogado Zilan Costa e Silva, representante da MSK, afirmou que a empresa passou dois anos planejando o transporte do casco (apesar do leilão ter ocorrido um ano e cinco meses antes do início da operação) e que o rebocador estaria consumindo 20 mil litros de óleo dieses por dia.</p>



<p>Como o rebocador saiu do Rio de Janeiro dia 4 de agosto de 2022 e, de acordo com os registros do Marine Traffic, só voltou a ser reabastecido no último dia 9 de novembro, seria necessário que os tanques do Alp Centre tivessem capacidade para armazenar surreais 1,8 milhão de litros de combustível, o mesmo que um pequeno navio-petroleiro.</p>



<p>Para tirar essas e outras dúvidas, a Marco Zero enviou para a assessoria de comunicação um pedido de entrevista com o senhor Zilan Costa e Silva, antecipando algumas perguntas. Este foi a íntegra da mensagem enviada:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>1) No vídeo publicado pelo Blog do Jamildo, o senhor fala que foram 2 anos de planejamento para transportar o casco do ex-NAe São Paulo. Nesse caso, com tanto planejamento, porque a embarcação não recebeu autorização para atravessar o Estreito de Gibraltar?</strong></p><p><strong>2) Sempre levando em conta os dois anos de planejamento, por qual razão, o Alp Centre e o casco do São Paulo não atracaram no Rio de Janeiro, nos primeiros dias de outubro, voltando atrás quando estava na altura da costa Espírito Santo?</strong></p><p><strong>3) No mesmo vídeo, o senhor diz que a empresa está gastando 20 mil litros por dia de combustível. Sendo assim, surgem duas perguntas: a) qual a capacidade de reserva de combustível do rebocador Alp Centre, pois uma análise da rota da embarcação pelo Marine Traffic revela que, desde que saiu do Rio de Janeiro, o mesmo só voltou a abastecer no dia 10 de novembro; b) Caso essa análise esteja errada, quantas vezes o rebocador abasteceu desde então?</strong></p><p><strong>4) Também na postagem de Jamildo Melo (Jornal do Commércio), o senhor afirma que dispõe de 1.500 páginas de relatório de análise de contaminantes. Sendo assim: quantas toneladas de amianto há no casco e quais outras substâncias estão presentes no mesmo</strong>?</p><p><strong>5) Após a abordagem da equipe da Polícia Federal ao rebocador, em meados de outubro, a corporação já fez contato com a empresa MSK para tratar da possibilidade de existência de cocaína ou outras drogas a bordo, conforme denúncia recebida pela Polícia Federal e pelo Governo do Estado de Pernambuco?</strong></p></blockquote>





<h3 class="wp-block-heading"><strong>Entenda o caso</strong></h3>



<p>Após arrematar o casco do porta-aviões São Paulo, a empresa Sok Denizcilik ve Ticaret contratou a MSK para transportá-lo até o porto turco de Aliaga, no mar Egeu, onde a embarcação seria desmontada para ser vendida por sucata. Ao mesmo tempo, ambientalistas, engenheiros, médicos, advogados e até políticos da região de Yzmir, região onde fica Aliaga, deram início a uma campanha contra a chegada do navio<em>.</em></p>



<p>Com fortes indícios de que o casco do porta-aviões carrega quase 700 toneladas de amianto, produto bastante cancerígeno, o governo turco cedeu à pressão e suspendeu a licença ambiental para o desmanche do navio no país. Com isso, o São Paulo – que tinha saído do Rio de Janeiro no dia 4 de agosto -, não pôde sequer atravessar o estreito de Gibraltar, principal acesso ao Mediterrâneo. E, no início de setembro, sem ter onde aportar, iniciou sua viagem de volta.</p>



<p>No dia 1 de outubro, quando estava na altura do litoral do Espírito Santo, a poucas horas do seu porto de origem, a base da Marinha no Rio de Janeiro, o rebocador deu meia-volta em direção a Suape. A razão para esta mudança de destino nunca foi explicada pela Marinha ou pelas empresas envolvidas no transporte.</p>



<p>No dia 5 de outubro, o Governo de Pernambuco barrou a entrada da sucata do porta-aviões contaminado em Suape, mas o rebocador permaneceu com o casco na costa pernambucana, fazendo voltas no sentido norte-sul, a, no máximo, 37 quilômetros do litoral do estado.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/marinha-tentou-obrigar-suape-a-receber-navio-fantasma-mas-justica-federal-nao-deixou/" class="titulo">Marinha tentou obrigar Suape a receber navio-fantasma, mas Justiça Federal não deixou</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
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	            </div>
        </div>

		


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		<title>Marinha tentou obrigar Suape a receber navio-fantasma, mas Justiça Federal não deixou</title>
		<link>https://marcozero.org/marinha-tentou-obrigar-suape-a-receber-navio-fantasma-mas-justica-federal-nao-deixou/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Nov 2022 18:17:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Capitania dos Portos]]></category>
		<category><![CDATA[Marinha]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[navio de amianto]]></category>
		<category><![CDATA[navio-fantasma]]></category>
		<category><![CDATA[porta-aviões]]></category>
		<category><![CDATA[Porto de Suape]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Justiça Federal decidiu que a Marinha brasileira não poderá obrigar o porto de Suape a receber o casco do porta-aviões São Paulo, como o comandante da Capitania dos Portos, capitão de mar-e-guerra Frederico de Medeiros Vasconcelos Albuquerque, tentou fazer na quarta-feira, dia 9. A decisão do juiz Ubiratan de Couto Maurício atendeu ao pedido [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A Justiça Federal decidiu que a Marinha brasileira não poderá obrigar o porto de Suape a receber o casco do porta-aviões São Paulo, como o comandante da Capitania dos Portos, capitão de mar-e-guerra Frederico de Medeiros Vasconcelos Albuquerque, tentou fazer na quarta-feira, dia 9. A decisão do juiz Ubiratan de Couto Maurício atendeu ao pedido de tutela antecipada feito pelo Governo do Estado e pela administração do Complexo Industrial Portuário de Suape.</p>



<p>O juiz determinou que a empresa de transporte marítimo MTZ Inteligência Portuária suspenda “de imediato qualquer medida tendente a determinar a atracação forçada” ou, se a decisão for respeitada, “promova a imediata retirada da embarcação, arcando com todos os custos e riscos inerentes, sob pena de cometimento de crime de desobediência e responsabilização penal ambiental e responder pelos danos causados”. Além disso, a empresa deve pagar uma multa diária de R$ 100.000,00 (cem mil reais) se insistir em atracar o que sobrou do navio.</p>



<p>Na manhã de quarta-feira, os gestores de Suape foram avisados pela Capitania dos Portos que, mesmo sem autorização de Suape, o rebocador Alp Centre iria levar o porta-aviões de 226 metros de comprimento – o maior navio usado pela Marinha do Brasil – para o porto. Esse procedimento recebe os nomes de “arribação forçada” ou “atracação arribada”.</p>



<p>Coincidentemente, ao mesmo tempo a empresa A MSK Maritime Services &amp; Trading enviou nota para a MZ informando que “está em contato com as autoridades brasileiras para viabilizar uma solução definitiva para o transporte do porta-aviões São Paulo, observando os regramentos ambientais e os protocolos de saúde estabelecidos pelos órgãos nacionais, reiterando assim seu compromisso de empresa verde, voltado à economia de matéria-prima e recursos energéticos”.</p>



<p>A assessoria de comunicação da empresa explicou que a MSK é a empresa de transporte, “de acordo com a convenção da Basileia, contratada pelo estaleiro turco SOK, estaleiro aprovado pela Comunidade Europeia, com 31 anos de história, que atua na reciclagem de navios de forma ambientalmente segura”. A MTZ citada pelo juiz federal na sentença, por sua vez, seria a responsável pela operação.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Riscos múltiplos</strong></h2>



<p>Não foram só os riscos de um desastre ambiental que levaram as autoridades pernambucanas a recorrer à Justiça. É verdade que a possibilidade de haver bem mais do que 9,6 toneladas de amianto no navio (especialistas turcos calculam que há de 600 a 700 toneladas desse produto cancerígeno a bordo) associada ao cádmio radioativo na pintura do casco (o navio participou dos testes nucleares franceses no Pacífico) são os principais motivos do São Paulo ter sido<a href="https://marcozero.org/pernambuco-impede-que-sucata-de-porta-avioes-com-residuos-toxicos-atraque-em-suape/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> barrado no estreito de Gibraltar e na Turquia</a>, mas o Governo de Pernambuco avaliou outros riscos bastante plausíveis.</p>



<p>A petição enviada à Justiça Federal incluiu os prejuízos que o porto sofreria caso o navio encalhe ou naufrague no percurso até o atracadouro. Se isso acontecesse “no canal de acesso ou no berço do porto, (…) inviabilizaria toda a sua operação portuária”. Também foi considerado o risco da empresa turca decida abandonar a embarcação, passando o problema adiante. </p>



<p>O juiz federal Ubiratan Maurício também levou em conta o mais antigo questionamento das autoridades pernambucanas: &#8220;quando já estava quase chegando de volta ao Rio de Janeiro houve a proibição de regressar ao mesmo porto de onde ele partira pelo órgão máximo da navegação brasileira (Marinha do Brasil) e determinação que subisse a costa brasileira até o Porto de Suape, no litoral de Pernambuco, a mais de 1.500 quilômetros de distância&#8221;. <a href="https://marcozero.org/proibido-de-atracar-em-suape-porta-avioes-fantasma-permanece-perto-do-litoral-de-pernambuco/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Passados 35 dias, essa dúvida não foi esclarecida</a>.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/policia-federal-recebe-denuncia-de-carga-de-cocaina-no-porta-avioes-fantasma/" class="titulo">Polícia Federal recebe denúncia de carga de cocaína no porta-aviões fantasma</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/aguas/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Águas</a>
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        </div>

		


<p>Além de todos esses problemas, a Polícia Federal e a administração portuária receberam denúncia de que o São Paulo pode estar sendo acusado para transportar toneladas de cocaína, que entraria no mercado europeu pelo porto de Aliaga, onde seria feito o desmanche definitivo do porta-aviões.</p>



<p>O uso de navios de guerra em fim de vida por traficantes internacionais vem sendo denunciado há meses pela mídia independente da Turquia. E, conforme a MZ revelou, os autores da denúncia foram jornalistas turcos, que se valeram de canais oficiais da Polícia e do governo pernambucano para registrar a suspeita.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Abastecimento</strong></h3>



<p>Impossibilitada de atracar o São Paulo, a empresa de transporte marítimo teve de buscar alternativa para abastecer o rebocador Alp Centre. Pela primeira vez desde que chegou à costa de pernambuco, a embarcação se aproximou do litoral e, depois de deixá-lo sob o suporte de dois rebocadores menores, Svitzer Denise e Svitzer Maria Darian, entrou na baia de Suape pouco antes das 17h de quarta-feira para ser reabastecido, saindo às 10h40min desta quinta-feira, 10 de novembro. </p>



<p><strong>O vídeo abaixo registra o momento de partida do Alp Centre, já reabastecido e sem o porta-aviões a reboque:</strong></p>





<p>Na manhã de quinta, a presença Alp Centre para abastecer gerou confusão entre as organizações turcas que monitoram o São Paulo 24 horas por dia. No Brasil, jornalistas, ambientalistas e trabalhadores portuários foram informados de que o casco contaminado do porta-aviões também estava em Suape. Representantes dos sindicatos e associações que representam os trabalhadores do porto enviaram notas solicitando que os gestores do porto mantenham a proibição do navio atracar.</p>



<p>Na Turquia, a mobilização para impedir que o São Paulo seja desmanchado na região de Yzmir (cujo nome ocidental é Esmirna) não se restringe a nota de repúdio ou a protesto de ONGs ambientalistas. Os riscos ambientais são tão altos que aglutinou um movimento de massas, incorporando as entidades de classe de médicos, enfermeiros, engenheiros da indústria naval, a ordem dos advogados local e até políticos de peso, como o prefeito metropolitano de Yzmir.</p>



<p><strong>Uma questão importante!</strong></p>



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		<title>A luta pela reabertura do rio Tatuoca vira documentário</title>
		<link>https://marcozero.org/a-luta-pela-reabertura-do-rio-tatuoca-vira-documentario/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 Jul 2022 21:47:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Fórum Suape]]></category>
		<category><![CDATA[manguezal]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[mercês]]></category>
		<category><![CDATA[Porto de Suape]]></category>
		<category><![CDATA[Rio Tatuoca]]></category>
		<category><![CDATA[violações de direito Suape]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Durante 14 anos, o rio Tatuoca permaneceu represado pelo Complexo Industrial Portuário de Suape (CIPS). Durante esses 14 anos, a comunidade quilombola de Ilha de Mercês, que dependia do manguezal do Tatuoca para pescar e sobreviver, lutou para que a foz do curso d’água fosse reaberta.Finalmente, no dia 9 de agosto de 2021, a comunidade [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Durante 14 anos, o rio Tatuoca permaneceu represado pelo Complexo Industrial Portuário de Suape (CIPS). Durante esses 14 anos, a comunidade quilombola de Ilha de Mercês, que dependia do manguezal do Tatuoca para pescar e sobreviver, lutou para que a foz do curso d’água fosse reaberta.<br><br>Finalmente, no dia 9 de agosto de 2021, a comunidade conseguiu uma vitória parcial com a etirada de 34 metros dos 170 metros totais do dique de enrocamento irregularmente mantidos na foz do rio. Pescadoras e pescadores de Mercês informam que a reabertura, mesmo incompleta, já possibilitou um respiro e alívio ao rio, com o rápido reaparecimento de espécies de moluscos, crustáceos e peixes que há muito tempo não se viam naquele manguezal.</p>



<p>O documentário &#8220;SANGUE: Vidas e lutas quilombolas em defesa do rio&#8221; conta essa história com a direção e roteiro de Débora Britto, ex-repórter da MZ. O filme foi lançado nesta terça-feira. A data escolhida e o local do lançamento não foram aleatórios: 26 de julho é Dia Mundial de Proteção dos Manguezais, e também o Dia da Orixá Nanã, considerada a mãe de todos os orixás. Os moradores do Núcleo Poeirinha, da comunidade de Mercês, foram os primeiros a assistir o vídeo.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/com-14-anos-de-atraso-suape-comeca-a-retirar-barreira-que-destruiu-manguezal-do-rio-tatuoca/" class="titulo">Com 14 anos de atraso, Suape começa a retirar barreira que destruiu manguezal do rio Tatuoca</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/aguas/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Águas</a>
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	            </div>
        </div>

		


<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa <a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">página de doação</a> ou, se preferir, usar nosso <strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong>.<br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong>.</cite></blockquote>
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		<item>
		<title>Proposta para privatizar ilha em Suape ameaça 300 famílias de pescadores</title>
		<link>https://marcozero.org/proposta-para-privatizar-ilha-em-suape-ameaca-300-familias-de-pescadores/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 Feb 2022 21:43:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Cocaia]]></category>
		<category><![CDATA[Complexo Industrial Portuário de Suape]]></category>
		<category><![CDATA[marisco]]></category>
		<category><![CDATA[pescadoras]]></category>
		<category><![CDATA[Pescadores]]></category>
		<category><![CDATA[Porto de Suape]]></category>
		<category><![CDATA[suape]]></category>
		<category><![CDATA[violações de direito Suape]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pelo menos 300 famílias que vivem da pesca artesanal nos municípios do Cabo de Santo Agostinho e de Ipojuca estão novamente sob ameaça em Suape, no litoral sul de Pernambuco. O projeto de construção de um terminal privado de minério de ferro na Ilha de Cocaia, já previsto no plano diretor do complexo industrial e [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Pelo menos 300 famílias que vivem da pesca artesanal nos municípios do Cabo de Santo Agostinho e de Ipojuca estão novamente sob <a href="https://suapepeloavesso.marcozero.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">ameaça em Suape</a>, no litoral sul de Pernambuco. O projeto de construção de um terminal privado de minério de ferro na Ilha de Cocaia, já previsto no plano diretor do complexo industrial e portuário, começou a ganhar contornos de realidade em dezembro passado.</p>



<p>Pescadores e, sobretudo, as mulheres pescadoras que vivem da mariscagem (a coleta de mariscos) temem que as intervenções do porto a destruição de sua fonte de sustento e renda. Também reclamam da falta de comunicação oficial sobre o projeto e reivindicam uma consulta prévia às comunidades, instrumento legal previsto na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é signatário e assegura que comunidades tradicionais precisam ser &#8220;consultadas de forma livre, informada e prévia&#8221;.</p>



<p>A bela e turística Ilha de Cocaia é um pedaço de terra e mangue em plena área portuária e que teve seus contornos atuais definidos no final da década de 1970 com a dragagem do istmo de Cocaia. Foi uma das primeiras grandes intervenções no complexo a afetar significativamente a atividade pesqueira na região.</p>



<p>Antes, essa área era formada por uma faixa de terra contínua, repleta de manguezais e restinga. Os rios Massangana, Tatuoca, Merepe e Ipojuca desaguavam no oceano formando um sistema estuarino de extrema relevância ambiental, social e cultural.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                                        <p class="m-0">Areias brancas e águas claras de Cocaia atraem turistas e garantem renda extra para a comunidade. Crédito: Oyama Bastos
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading"><strong>O terminal de minério</strong></h2>



<p>Para entender o que pode acontecer com a Ilha de Cocaia, é preciso antes entender um outro projeto. No final de 2021, após mobilização do governo de Pernambuco, de políticos e empresários, o Ministério da Infraestrutura (Minfra) autorizou a mineradora mineira Bemisa, uma das maiores do Brasil no ramo, a construir e explorar uma ferrovia de 717 quilômetros ligando Curral Novo, no Piauí, ao Porto de Suape. Trata-se de um projeto orçado em R$ 5,7 bilhões e que pode gerar milhares de empregos.</p>



<p>A ferrovia da Bemisa apresenta-se como uma alternativa viável à lendária Transnordestina, uma obra que tinha a promessa de baratear o custo logístico no Nordeste, mas que começou em 2006 e se arrasta sem conclusão até hoje. </p>



<p>O investimento da Bemisa nessa ferrovia torna-se viável caso a Ilha de Cocaia seja transformada num terminal privado de minério, o que possibilitaria a movimentação de cerca de 20 milhões de toneladas de minério por ano em Suape.</p>



<p>Mas, para isso, seria preciso transformar Cocaia numa área privada, retirando-a da chamada poligonal do Porto Organizado de Suape, sob jurisdição do Governo Federal desde a federalização dos portos, iniciativa do governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).</p>



<p>Em dezembro, quando o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, assinou a autorização para a ferrovia da Bemisa, ele também deu início ao processo de consulta pública para que a ilha de Cocaia seja retirada da poligonal.</p>



<p>Não é só o Governo Federal que demonstra interesse no assunto.</p>



<p>“A confirmação desse projeto ferroviário entre o Piauí e o Porto de Suape é uma vitória de todos os pernambucanos. Temos trabalhado em parceria com a Bemisa para concretizar essa obra pelas indiscutíveis vantagens de Suape e, mais do que nunca, esse investimento está em um caminho irreversível para a sua concretização já nos próximos anos. A ferrovia vai cortar o Estado de ponta a ponta e será mais uma grande vantagem logística para Pernambuco, com a criação de milhares de empregos em setores diversos”, avaliou, na época, o governador Paulo Câmara (PSB).</p>



<p>O diretor-presidente de Suape, Roberto Gusmão, também comemorou na ocasião: “O que também nos anima em todo esse processo é que a ferrovia não trará benefícios apenas com o transporte de minérios para Suape, pois há uma infinidade de novas possibilidades de negócios para diversas cargas, como grãos e veículos, por exemplo. O benefício não será apenas para Suape e para Pernambuco, mas sim para toda a região Nordeste.”</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Terminal de minério no Maranhão é exemplo de como paisagem da ilha seria destruída. Crédito: site da Vale S.A.
</p>
	                
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<h3 class="wp-block-heading"><strong>Comunidade pesqueira perplexa</strong></h3>



<p>A partir daí,  pescadores e pescadoras entraram em estado de alerta. Preocupados e indignados, passaram a contar com apoio e assessoria jurídica de entidades representativas e organizações socioambientais como a Colônia Z-8, Associação Quilombola Ilha de Mercês, Fórum Suape &#8211; Espaço Socioambiental e o Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP).</p>



<p>“O que a empresa Suape quer mais dos pescadores? Já estão querendo matar nossa alma, nosso corpo, nosso espírito, Porque, quando eles vêm com essas propostas, os pescadores ficam doentes. Sem garantia do sustento, sem poder fazer o que gostam, sem poder passar o ofício que têm para os filhos. Porque eles estão fazendo isso? O que eles querem mais da gente? A gente não aceita isso não. Aquilo ali era tudo mangue. Tudo, tudo, tudo. A gente anda ali desde muito cedo. Eles estão acabando com tudo. Eles tão pisando nos pequenos, mas eles não esqueçam que existe um Deus maior”, desabafa emocionada uma pescadora de 61 anos que não quis se identificar por medo de represálias da administração do porto. </p>



<p>“Suape acha pouco o que ela já fez? Acabou com o manguezal, acabou com a maior parte das croas, acabou com tudo que foi área da gente pescar. Isso não pode existir. Depois que eles acabaram com tudo, aquela ilha ali é a única coisa que a gente tem. Aquela área que restou é a única coisa que ainda podemos usar para tirar nosso marisco, nosso alimento. Ela acha pouco o tanto de mangue que ela derrubou? Ela acha pouco matar o rio?”, indaga um pescador de 57 anos, nascido na praia de Suape e que pesca desde os 12 anos. Ele também pediu anonimato.</p>



<p>“Os pescadores sobrevivem dessa ilha (Cocaia). Pegam caranguejo, siri, aratu, ostra, marisco, pesca de camboa. Se acabar com aquilo, acabou. A ilha é berçário de peixes, vai prejudicar até os pescadores que pescam em alto mar”, explica a presidente da Colônia Z8, Gicleia Maria da Silva Santos. “Já tem pouco manguezal e agora querem acabar com o pouco que tem”, alerta.</p>



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	                                        <p class="m-0">Os manguezais de Cocaia garantem alimento para pescadores das vilas próximas a Suape. Crédito: Renata Albuquerque/CPT
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<p>Juntas e representando os interesses da comunidade pesqueira, as entidades participaram da consulta pública que se deu de forma online e teve prazo encerrado no fim de janeiro. Na manifestação conjunta, repudiaram o que consideram “como mais um processo de desrespeito e de invisibilização das comunidades tradicionais atingidas por Suape”.</p>



<p>Também evidenciaram “a consternação diante do fato de que até o momento as entidades representativas dos povos que utilizam a área para a pesca artesanal não foram contactadas, sequer informadas oficialmente, dos planos previstos para a Ilha de Cocaia. Muito menos procedeu-se à consulta prévia a esses povos, desrespeitando-se, mais uma vez, a Convenção 169 da OIT”.</p>



<p>As entidades também alertaram: “o polígono do porto organizado tornou-se uma área de exclusão da pesca, o que fez com que as comunidades passassem a conviver com o medo constante de serem perseguidas e criminalizadas ao darem continuidade ao ofício da pesca na localidade. A situação vem sendo tratada junto ao Ministério Público Federal, no âmbito do qual se busca excluir as áreas de pesca do polígono do porto organizado e/ou compatibilizar de alguma forma a atividade portuária e a continuidade da atividade de pesca”.</p>



<p>Mesmo com as restrições impostas, as comunidades pesqueiras mantiveram as atividades na área delineada do porto organizado por uma questão de sobrevivência e por entender que a instituição dessa poligonal se deu de forma ilegal, uma vez que desconsiderou a existência dessas pessoas e respectivas territorialidades.</p>



<p>Uma das assessoras jurídicas do Fórum Suape, Luísa Duque informou que, até o momento, as entidades não tiveram acesso ao projeto de implantação do terminal de minério de ferro. “Tendo em vista que se trata de um território tradicional usado pela pesca artesanal há gerações, antes mesmo da chegada de Suape, nós entendemos que uma consulta pública não é suficiente. Isso precisa chegar às pessoas. Não pode ser um espaço de manifestação por e-mail somente. É preciso haver uma metodologia de diálogo, inclusive de forma participativa, com a comunidade”, diz.</p>



<p>Na consulta pública online, foram apresentadas sete contribuições na fase de recebimentos de sugestões, sendo que quatro delas têm igual teor, feitas em conjunto pelas entidades citadas aqui na reportagem.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/em-acao-inedita-pescadores-e-pescadoras-vao-ao-stf-contra-suape-e-cprh/" class="titulo">Em ação inédita, pescadores e pescadoras vão ao STF contra Suape e CPRH</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/territorio/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Território</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h3 class="wp-block-heading"><strong>O que dizem Minfra e Suape</strong></h3>



<p>Em nota, o Minfra explicou que “a proposta de retirada da Ilha de Cocaia da área do Porto Organizado de Suape ocorreu porque o desenvolvimento de um projeto integrado ferroviário-portuário seria economicamente mais sustentável por meio de autorizações de uso”.</p>



<p>E detalhou: “O modelo de autorização de uso na área portuária é incompatível legalmente com a figura do porto organizado, pelas limitações de que terminais de uso privado sejam implantados nas áreas dos portos organizados. Assim sendo, para que não haja restrições de ordem legal para a implantação de um projeto ferroviário-portuário no local, no modelo de autorização de uso, é necessário que todas as superfícies para a consecução do mesmo estejam fora da jurisdição do porto organizado, inclusive a Ilha de Cocaia”.</p>



<p>De forma resumida, a autorização de uso é um ato administrativo em que um governo faculta o uso de determinado bem público a particular.</p>



<p>Sobre os próximos passos após a consulta pública e questões referente a autorizações e licenças, o ministério disse que “o andamento depende das ações da própria empresa, o que inclui a obtenção dos devidos licenciamentos para execução do projeto junto aos órgãos competentes. Isso inclui autorização para que a empresa implante, além da ferrovia, o terminal de minério de ferro pretendido na Ilha de Cocaia, em Suape, para escoar a produção de suas jazidas localizadas no Piauí”.</p>



<p>Sobre a Consulta Prévia, prevista pela OIT, o Minfra comentou que “a consulta pública em curso segue o rito administrativo previsto no ordenamento jurídico brasileiro. O Ministério da Infraestrutura decidiu, porém, abrir a oportunidade a todos se manifestarem no curso do processo de revisão da área do porto organizado de Suape, inclusive os povos indígenas e tribais”.</p>



<p>Diferindo as comunidades pesqueiras, o ministério afirmou ainda que as pessoas foram comunicadas e contactadas oficialmente sobre os planos de mudança na Ilha de Cocaia e os investimentos na área. Como comprovação, colocou que “entidades representativas e pessoas físicas da comunidade local apresentaram contribuições na consulta pública”.</p>



<p>A <strong>Marco Zero</strong> também não teve acesso ao projeto da Bemisa.</p>



<p>Suape, por sua vez, não concedeu entrevista sobre o assunto. Por nota, afirmou que “a empresa Suape informa que as questões relativas à consulta pública realizada recentemente sobre a Ilha de Cocaia cabem à Secretaria Nacional de Portos e Transportes Aquaviários (SNPTA) responder”.</p>



<p>“Já o Plano Diretor 2011 de Suape, devidamente aprovado e de conhecimento de todos, prevê um terminal de minérios na Ilha de Cocaia”, finalizou.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>“Suape pelo avesso”</strong></h4>



<p>Desde a implantação do complexo industrial e portuário, as populações locais têm sido atingidas por sucessivos impactos e conflitos socioambientais, especialmente para quem vive da pesca e passou a ver a própria soberania alimentar ameaçada. O custo do desenvolvimento econômico pregado por Suape, uma empresa pública, tem sido alto nas últimas décadas.</p>



<p>A <strong>Marco Zero</strong> produziu, em 2020, o premiado especial <a href="https://suapepeloavesso.marcozero.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">“Suape às avessas”</a>, que mostra como o complexo aprofundou as desigualdades no Litoral e na Mata Sul de Pernambuco, região marcada pela exploração secular da cana-de-açúcar.</p>



<p>“Eles já acabaram com a pescaria da gente. Não pescamos mais nem metade do que era em outros tempos. Os braços de mar do rio Tatuoca eles fecharam, acabaram com os manguezais dali e a gente sabe que os peixes desovam no rio e vão para o mar. Ali era tudo uma coisa só, os rios todos livres se juntando com o mar. Aí dragaram tudo, derrubaram o mangue, tamparam o rio e o mangue. Há 40 anos, era peixe demais nessa região. Suape vai matar a gente de fome. Isso não pode se acabar, é nossa sobrevivência. Esse lugar é patrimônio histórico, não pode se acabar não”, protesta outro pescador que também preferiu não se identificar.</p>



<p>Recentemente Suape começou a reverter, ainda de maneira parcial, o <a href="https://marcozero.org/com-14-anos-de-atraso-suape-comeca-a-retirar-barreira-que-destruiu-manguezal-do-rio-tatuoca/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">embarreiramento que bloqueou o fluxo do importante rio Tatuoca</a> e asfixiou o ecossistema local para dar lugar a uma estrada. A via foi usada para levar materiais e máquinas para construir o Estaleiro Atlântico Sul. A barreira ou enrocamento, como também é chamado, era para ter durado cerca de um ano apenas, mas durou o tempo da omissão socioambiental de Suape: 14 anos. Durante todo esse tempo, a comunidade quilombola Ilha de Mercês alertou para os prejuízos causados.</p>



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		<title>Do Canavial ao Porto</title>
		<link>https://marcozero.org/do-canavial-ao-porto/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Dec 2019 13:59:41 +0000</pubDate>
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		<title>Racismo ambiental e resgate de memória</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Dec 2019 06:32:47 +0000</pubDate>
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		<title>Sociedade civil apresenta à ONU retrocessos sociais do Brasil sob Temer</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Laércio Portela]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Jul 2017 21:17:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>No momento em que o mercado financeiro e a mídia corporativa alardeiam que a economia descolou da crise política e voltou a dar sinais de recuperação, a sociedade civil vai à ONU mostrar que a perda de direitos e o desmonte das políticas sociais continuam operando a todo vapor no Brasil, sem qualquer tipo de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[No momento em que o mercado financeiro e a mídia corporativa alardeiam que a economia descolou da crise política e voltou a dar sinais de recuperação, a sociedade civil vai à ONU mostrar que a perda de direitos e o desmonte das políticas sociais continuam operando a todo vapor no Brasil, sem qualquer tipo de descolamento da economia e da política. As operações do “mercado” e do Congresso Nacional, capitaneadas pelos aliados e ex-aliados do governo Temer, continuam repercutindo negativamente na vida de milhões de brasileiros.

O Brasil vai apresentar o 1º Relatório Nacional Voluntário da Agenda 2030 para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), durante a realização do Fórum Político de Alto Nível da Organização das Nações Unidas, que teve início na segunda-feira (10) e termina na quarta-feira (19), na sede da ONU, em Nova Iorque. O Fórum é responsável por acompanhar os avanços e recuos na implementação da Agenda 2030, que estabeleceu <a href="http://www.itamaraty.gov.br/images/ed_desenvsust/ODSportugues12fev2016.pdf">17 objetivos</a> e 169 metas a serem alcançados pelos 193 países signatários, como é o caso do Brasil, até 2030.

Relatório paralelo do grupo de trabalho da sociedade civil para a agenda 2030 (<a href="http://www.actbr.org.br/uploads/conteudo/1185_relatorio_sintese_v2_download.pdf">Relatório Luz</a>) apresentado oficialmente em atos públicos no Recife, Rio de Janeiro e São Paulo, na última sexta-feira (7), aponta retrocessos nas áreas de erradicação da pobreza, combate à fome, agricultura sustentável, saúde, igualdade de gênero, inovação e infraestrutura, recursos hídricos e desenvolvimento de parcerias e meios eficazes de implantação de políticas públicas.

No Recife, a apresentação aconteceu no auditório da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), em Casa Forte, e contou com a participação de representantes de várias entidades signatárias do documento.

<div id="attachment_5186" style="width: 994px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/07/Apresentação-na-Fundaj.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-5186" class="size-full wp-image-5186" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/07/Apresentação-na-Fundaj.jpg" alt="Entidades apresentam Relatório Luz da Agenda 2030 no auditório da Fundaj, no Recife" width="984" height="738" /></a><p id="caption-attachment-5186" class="wp-caption-text">Entidades apresentam Relatório Luz da Agenda 2030 no auditório da Fundaj, no Recife</p></div>

<strong>Forças retrógradas</strong>

“Testemunhamos a expansão de forças retrógradas que atuam na contramão do desenvolvimento sustentável, enquanto todos os esforços da classe política estão canalizados para a minimização dos escândalos de corrupção que corroem o sistema político partidário nacional. Os dados analisados refletem um processo de negligência do bem público em nome da manutenção do status quo e de desmonte das políticas voltadas à promoção da dignidade, redução das desigualdades, efetivação de direitos humanos e sustentabilidade socioambiental, frutos de décadas de construção e conquistas da sociedade”, afirma o relatório.

O percentual da população abaixo da linha de pobreza, que era de 31,7% em 2001 e caiu continuamente até chegar a 12,7% em 2013, subiu para 13,9% em 2015, segundo dados do IBGE com base na Pesquisa Nacional por Amostragem Domiciliar (PNAD).

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/07/Gráfico-Pobreza.png"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-5185" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/07/Gráfico-Pobreza.png" alt="Gráfico Pobreza" width="813" height="289" /></a>

“Trabalhamos com dados oficiais. Estamos bastante preocupados porque, quando observamos os números, a conclusão é de que o Brasil está na contramão dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Apesar dos avanços anteriores, os dados mostram que se não tivermos uma mudança nas políticas e investimentos dificilmente vamos alcançar os objetivos que estão traçados”, explica a coordenadora de políticas estratégicas da Gestos, Alessandra Nilo. A Gestos é uma ONG que atua na área de direitos humanos e assistência a pessoas afetadas pelo HIV.

Segundo dados compilados no relatório da sociedade civil, com base na PNAD, em 2015 já se registrava uma queda na cobertura dos programas de assistência social e pela Previdência entre os 20% mais pobres da população brasileira. Fruto da política de cortes de gastos e ajuste fiscal desenvolvida no início do segundo mandato da presidenta Dilma Rousseff, depois radicalizada no governo Temer com a aprovação da <a href="http://marcozero.org/as-mentiras-as-omissoes-e-os-ataques-a-democracia-por-tras-da-pec-55/">PEC 55</a>, impondo um teto para a aplicação de recursos públicos que, na prática, deve congelar investimentos sociais por 20 anos.

<strong>Serviços da dívida</strong>

O economista Cláudio Fernandes chama a atenção para o comprometimento de 45% do orçamento federal com o pagamento do serviço da dívida. Ela representa também 47% das exportações brasileiras anuais em contraposição a 0,18% de investimentos em inovação tecnológica e 4% em saúde. Cláudio participa ativamente da <a href="http://www.ttfbrasil.org/principal/">campanha de Taxação sobre Transações Financeiras (TTF)</a>.

“A campanha TTF Brasil vem de antes do ODS e surgiu da busca de financiamento para a saúde e a educação públicas, para a proteção social da população. É uma campanha mundial. A primeira para criar um tributo internacional. Teria duas consequências positivas: impedir os fluxos ilícitos de capital, com melhor regulação; e a vantagem arrecadatória, em termos de encontrar meios de financiamento para a agenda 2030”, explica o economista, lembrando que desde 2012 as transações financeiras de alto nível estão sem tributação no Brasil.

Fácil entender porque as propaladas reformas da <a href="http://brasildebate.com.br/reforma-da-previdencia-punindo-os-inocentes/">Previdência</a> e <a href="http://brasildebate.com.br/reforma-da-previdencia-punindo-os-inocentes/">Trabalhista</a> (aprovada nesta terça-feira pelo Senado Federal e encaminhada para sanção de Temer) encobrem a urgência da reforma realmente necessária: a Tributária. Está na essência do sistema de tributação brasileiro a <a href="http://marcozero.org/tania-bacelar-na-ufpe-a-pec-55-e-a-maquina-brasileira-de-produzir-desigualdade/">máquina de produzir desigualdade social</a>, tirando mais de quem tem menos para dar a quem não precisa, segundo análise da economista Tânia Bacelar.

“A reforma que precisamos é a Tributária e não a Trabalhista e a Previdenciária. Reforma é para melhorar, não é para tirar o telhado da casa. O que precisamos é de justiça fiscal com maior progressividade tributária”, defende Sérgio Costa Floro, da organização de combate à pobreza ActionAid.

<div id="attachment_5187" style="width: 1090px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/07/1083391-img_5393_10.07.17.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-5187" class="size-full wp-image-5187" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/07/1083391-img_5393_10.07.17.jpg" alt="Plenário do Senado Federal durante sessão de votação da reforma Trabalhista. Foto: Agência Brasil" width="1080" height="720" /></a><p id="caption-attachment-5187" class="wp-caption-text">Plenário do Senado Federal durante sessão de votação da reforma Trabalhista. Foto: Agência Brasil</p></div>

<strong>Retrocessos</strong>

Após anos de avanços com o cumprimento antecipado da meta da ONU de redução de 50% da pobreza (2002), da redução para ¼ em relação ao índice de 1990 (2008) e da <a href="http://jornalggn.com.br/noticia/brasil-e-referencia-mundial-no-combate-a-fome-diz-onu">saída do Brasil do Mapa da Fome</a> (2014), Sérgio alerta para o atual período de retrocessos com o aumento da pobreza, <a href="http://jornalggn.com.br/noticia/governo-temer-empurra-brasil-de-volta-ao-mapa-mundial-da-fome">tendência do aumento da fome</a>, negligência na atenção pública a populações tradicionais e vulneráveis e ataques a áreas de conservação ambiental.

Na visão do integrante da ActionAid, os avanços vieram com a valorização do salário mínimo, a ampliação do Bolsa Família e das políticas de fomento à produção de alimentos para a agricultura familiar e convivência com a seca. Os retrocessos vêm com a crise econômica, o <a href="https://www.pragmatismopolitico.com.br/2017/04/ibge-desemprego-no-brasil-em-2017-atinge-nivel-recorde.html">aumento do desemprego</a> e o ataque aos direitos sociais. “É esquizofrênico que o governo atual apresente para a ONU como fato positivo a retirada de pessoas do programa Bolsa Família”, critica.

Para Edneida Cavalcanti, pesquisadora da Fundaj, mesmo em áreas em que o Brasil tem avançado, como nos esforços para a mudança de matriz energética, é preciso acompanhar de perto os impactos dessas políticas. “O Nordeste está investindo nos parques eólicos, mas mesmo essas fontes sendo renováveis e mais limpas precisamos saber como tudo tem sido implementado e o nível de injustiças cometidas contra as comunidades tradicionais. Isso somado à falta de transparência sobre os dados de implementação desses programas”.

<strong>Descaso e má gestão</strong>

Um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) é ampliar as parcerias e os meios de implementação de políticas públicas eficazes. Edneida cita o caso das <a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2017-05/com-44-mil-pessoas-afetadas-municipios-de-pe-contabilizam-prejuizos-apos">recentes inundações</a> na Zona da Mata de Pernambuco como exemplo de má gestão pública com alto impacto negativo sobre a vida cotidiana das pessoas. “Tivemos <a href="http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cidades/geral/noticia/2017/05/29/estrago-das-chuvas-seria-menor-com-barragens-construidas-286423.php">uma única barragem construída</a> de um total de sete previstas”, diz, apontando para “a ausência do repasse previsto, a demora na construção das obras e a incapacidade de gestão pública, inclusive para fazer a gestão de risco na perspectiva de preparar a população para o pior cenário”.

“Para que os objetivos de desenvolvimento sustentável peguem, já que eles não têm efeito vinculante, vamos precisar de bastante repercussão do ponto de vista da sociedade, divulgando-os e relacionando-os com a vida das pessoas. É preciso convergir os esforços das instituições de pesquisa pública e da sociedade civil”, analisa a pesquisadora da Fundaj.

<strong>Menos recursos para a saúde</strong>

Na área da saúde, o maior risco apontado pelo relatório das entidades civis é o do agravamento do subfinanciamento do SUS com o teto de gastos imposto para os próximos 20 anos. “O SUS está sendo esvaziado. Também vai se perdendo a percepção de direitos humanos na saúde. Já fomos destaque na política de prevenção e assistência a pessoas com HIV, mas abrimos mão de definir nossas políticas por evidência de dados e o que temos hoje é a dominação de forças conservadoras que colocam questões morais como parâmetro para a condução de políticas públicas”, critica Juliana Cesar, assessora de projetos internacionais da Gestos.

O relatório formulado pela sociedade civil aponta que até 2015 o Brasil apresentou quedas consideráveis na incidência do vírus HIV, mas a partir daquele ano, de acordo com o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UnAIDS), o país voltou a ter um aumento da população que vive com a doença, correspondendo sozinho por mais de 40% dos novos casos na América Latina.

“O pior é que o <a href="http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2016/05/1771901-tamanho-do-sus-precisa-ser-revisto-diz-novo-ministro-da-saude.shtml">ministro da saúde não acredita na sustentabilidade do SUS</a> e vê a iniciativa privada como principal provedora da saúde no futuro”, lembra Juliana Cesar.

<strong>Política de gênero esvaziada</strong>

O relatório também trata do esvaziamento das políticas de gênero no Brasil: “Desde 2015, muitos dos organismos dedicados à garantia dos direitos das mulheres foram extintos ou perderam sua autonomia. Recursos destinados ao fortalecimento das mulheres na agricultura familiar e agroecologia sofreram comprometimento e o ministério antes responsável pela execução destas políticas foi extinto, sem que um novo órgão federal assumisse suas atribuições”.

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/07/Recursos-Políticas-Mulheres.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-5188" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/07/Recursos-Políticas-Mulheres.png" alt="Recursos Políticas Mulheres" width="783" height="149" /></a>

Levantamento realizado pelas entidades indica redução de 61% no valor do orçamento federal para atendimento às mulheres em situação de risco entre 2016 e 2017 e redução de 54% para políticas de incentivo à autonomia das mulheres. E tudo isso acontece num cenário de violência crescente contra as mulheres e as populações trans: o Brasil ocupa a quinta colocação mundial em número de feminicídios e é o país que mais mata mulheres trans e travestis.

Também vamos muito mal quando o assunto é representação feminina no Poder Legislativo, ocupando apenas a posição número 153 no ranking mundial, com 10,7% das cadeiras na Câmara dos Deputados e 14,8% no Senado Federal. “No momento em que nós deveríamos estar debatendo mais intensamente o tema é justamente quando as questões de gênero e da violência contra as mulheres estão sendo retiradas das discussões nas salas de aula das escolas”, critica Juliana César.

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/07/Mulheres-no-Poder-Legislativo.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-5189" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/07/Mulheres-no-Poder-Legislativo.png" alt="Mulheres no Poder Legislativo" width="793" height="304" /></a>

<strong>Suape, a Belo Monte esquecida</strong>

Menina dos olhos do Governo de Pernambuco a partir da gestão Eduardo Campos (2007-2014), o Complexo Industrial Portuário de Suape, com R$ 40 bilhões de investimentos e mais de 100 indústrias instaladas, foi escolhido para estudo de caso pelas entidades da sociedade civil questionadoras do modelo predador de desenvolvimento econômico que ganhou novo fôlego no Brasil na última década, com seus altos investimentos em marketing sócio-ambiental corporativo.

O documento vê uma série de impactos negativos ao meio ambiente e à vida das comunidades nativas da região, sempre minimizados na mídia regional pelas promessas de geração de emprego e renda. Acontece que o boom das obras dos estaleiros e da refinaria Abreu e Lima passou e, segundo o relatório, cerca de 40 mil pessoas perderam seus empregos no Complexo nos últimos anos, boa parte formada por trabalhadores de outros estados do Brasil. O desemprego em massa repercutiu no aumento da violência, do tráfico de drogas e da prostituição.

A assessora jurídica do <a href="http://forumsuape.ning.com">Fórum Suape</a> &#8211; que congrega uma dezena de entidades civis ativas na proteção das populações afetadas pelo Complexo –, Luísa Duque, argumenta que a escolha de Suape para estudo de caso é emblemática na medida em que expõe um modelo de desenvolvimento industrial que simplesmente não internalizou os principais Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) consensuados por quase duas centenas de países.

<div id="attachment_5190" style="width: 1610px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/07/Suape.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-5190" class="size-full wp-image-5190" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/07/Suape.jpg" alt="Relatório aponta impacto negativo do Compexo de Suape sobre as comunidades pesqueiras da região Foto: Méle Dornelas" width="1600" height="1188" /></a><p id="caption-attachment-5190" class="wp-caption-text">Relatório aponta impacto negativo do Compexo de Suape sobre as comunidades pesqueiras da região Foto: Méle Dornelas</p></div>

<strong>Ataques de milícias</strong>

De acordo com o Fórum foram pelo menos 1.016 as ações de expulsões arbitrárias a atingir as populações nativas do entorno do Complexo com o registro de mais de 100 casos de ataques intimidatórios de milícias contra os moradores, por meio de destruição de lavouras, roubo de materiais e ameaças diretas. Os despejos também se tornaram frequentes, sem indenizações ou com indenizações irrisórias e sem reassentamentos adequados que respeitassem o modo de vida das populações realocadas.

“A instalação do Complexo acarretou drásticas transformações no ambiente, que repercutiram e continuam a repercutir gravemente sobre os modos de vida tradicionais das comunidades que viviam e vivem na região, afetando os seus direitos à moradia, à alimentação, à água, à saúde, ao trabalho, à locomoção, e a um meio ecologicamente equilibrado. Não por acaso a instalação do empreendimento recaiu sobre uma região tradicionalmente habitada por comunidades negras e com menor acesso à educação formal, evidenciando um racismo institucional por parte do Estado, que compreende essas comunidades como facilmente descartáveis de seus territórios”, alerta o documento.

O Complexo de Suape (empresa de capital misto administrada pelo Governo do Estado) ocupa uma área de 13,5 mil hectares. Segundo o Governo, 6,8 mil famílias foram atingidas territorialmente pelas obras, mas o Fórum Suape considera esse número subestimado porque ele foi divulgado em 2009 quando a maior parte das famílias já havia sido deslocada de suas terras.

<strong>Complexo de violações</strong>

“Suape é um complexo de violações. Mais de 900 hectares foram devastados comprometendo pontos de pesca para a implementação dos estaleiros, repercutindo na queda de 50% no estoque pesqueiro local”, argumenta Luísa.

Para a assessora jurídica do Fórum, o Complexo de Suape viola os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) que preveem o fim da pobreza, a garantia da soberania alimentar e a promoção de uma vida e uma industrialização saudáveis porque, na realidade, empobreceu as populações nativas, comprometendo sua produção econômica; poluiu a costa e os manguezais; e promoveu e promove um modelo de desenvolvimento ultrapassado.

“Nosso grande desafio é furar a blindagem que o Governo do Estado promove há anos em Suape”, admite Luísa Duque.<p>O post <a href="https://marcozero.org/sociedade-civil-apresenta-a-onu-retrocessos-sociais-do-brasil-sob-temer/">Sociedade civil apresenta à ONU retrocessos sociais do Brasil sob Temer</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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