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	<title>Arquivo de Clima - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 26 May 2026 20:36:40 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivo de Clima - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>“Árvores não são mobiliário urbano, que se coloca, retira e muda de tamanho”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 May 2026 20:32:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[arborização]]></category>
		<category><![CDATA[árvores]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Neoenergia]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Letícia Lins, do blog Oxe Recife Quando se fala em árvore, no Recife, o primeiro nome que vem à lembrança de biólogos, botânicos, urbanistas, paisagistas, jornalistas, é Isabelle Meunier, E foi a ela que recorri, diante do visível excesso de arboricídios da cidade, de mudas computadas como “árvores” que não passam de gravetos. Como [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Letícia Lins, do blog</strong> <strong><a href="https://oxerecife.com.br/arvores-nao-sao-mobiliario-urbano-que-se-coloca-retira-e-muda-de-tamanho/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Oxe Recife</a></strong></p>



<p>Quando se fala em árvore, no Recife, o primeiro nome que vem à lembrança de biólogos, botânicos, urbanistas, paisagistas, jornalistas, é Isabelle Meunier, E foi a ela que recorri, diante do visível excesso de arboricídios da cidade, de mudas computadas como “árvores” que não passam de gravetos. Como sou leiga no assunto, mas produzo a série #Paremdederrubarárvores, no<strong> </strong>#OxeRecife – que aliás virou campanha permanente  em defesa do patrimônio verde da cidade – achei conveniente ouvi-la, já que é uma grande autoridade no assunto.</p>



<p>Nessa entrevista, ela dá sugestões que permitam o controle social da arborização urbana, que os gestores cuidem do setor com transparência, e defende que o Conselho Municipal do Meio Ambiente receba e analise semestralmente informações detalhadas, por bairro, da quantidade de árvores suprimidas e de plantios para análise. Questiona o modelo da nova arborização urbana do Recife, “que está se estabelecendo contra tudo que conhecemos como boas técnicas”. Lembra que ao contrário do que se pratica na cidade, “uma árvore (ou muitas) não pode ter a supressão justificada porque vai ter compensação”. Adverte, ainda, que árvores não podem ser tratadas como mobiliário urbano. “São seres vivos e têm limites de resiliência”.</p>



<p>Isabelle é engenheira florestal, mestre em Ciência do Solo e doutora em Ciências Florestais. Professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco, onde responde pelas cadeiras de Metodologia do Trabalho Científico para a Engenharia Florestal; Legislação Florestal e Ambiental; Política Florestal no Curso de Engenharia Florestal. É supervisora da área de Manejo Florestal e autora de livros infantis, paradidáticos sobre meio ambiente. Orienta e publica sobre arborização há muitos anos, com artigos divulgados em revistas especializadas internacionais e brasileiras. Dois desses artigos:  <em>Evolução da arborização de acompanhamento viário em cinco bairros de Recife – PE (</em> na Revista de Geografia)  e <em>Danos e estratégias de manejo de árvores no Parque da Jaqueira, Recife-PE</em> e <em>Participação na gestão ambiental de espaços públicos: estudo de caso no Parque da Jaqueira, Recife-PE</em>, trabalhos realizados junto a estudantes e apresentados na Semana da Engenharia Florestal da UFRPE, em 2025.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Veja a entrevista:</li>
</ul>



<p><strong>Entre 2013 e 2015, cerca de 2.500 árvores eram suprimidas a cada ano, segundo números oficiais que me foram fornecidos à época. A partir de 2016, esses dados passaram a não ser mais divulgados. Em 2025, segundo a Prefeitura, as erradicações caíram para 1.562.  Mas diariamente o cidadão se defronta com troncos degolados nas ruas. Como a população pode atuar nesse controle?</strong></p>



<p><strong>Isabelle Meunier –</strong> O mínimo que se espera para se ter controle social na arborização urbana é a prestação de informações precisas, claras, tempestivas e qualificadas. O Conselho Municipal de Meio Ambiente deveria apreciar, semestralmente, relatórios com quantitativos de supressões por bairro, se árvores públicas ou particulares, assim como a motivação das intervenções, com possibilidade de consultar os pareceres das autorizações ambientais respectivas. Relatórios de análises e pareceres deveriam estar disponíveis para toda população e os dados acessíveis à comunidade acadêmica, para novas análises. Se não se está fazendo isso, o poder público municipal está contrariando o princípio da transparência na administração pública e dois princípios do Direito Ambiental: o da informação ambiental e o da participação social. O controle social precisa estar presente também nas operações de poda, que deveriam ser notificadas em <em>site</em> e apresentar, no local dos trabalhos, placa indicativa como nome do técnico responsável e número de contato para esclarecimento.</p>



<p><strong>Pelo que eu entendi, a Prefeitura considera ter um superávit “verde” em 2025.  Isso porque houve 1.562 supressões, mas foi feito plantio de 1.963 mudas. Ou seja, “um crescimento real de 25 por cento em relação às árvores caídas ou suprimidas”, de acordo com a gestão municipal. No meu entender, essa conta não fecha. O que diz a senhora, que é uma das maiores autoridades no assunto aqui no Estado?</strong></p>



<p>Importante, novos plantios não compensam, necessariamente, árvores cortadas. Há um período de tempo que pode ser longo entre a época dos plantios de compensação e a efetiva compensação dos serviços ambientais que foram diminuídos com a remoção das árvores, o que pode simplesmente não ocorrer, porque as mudas podem não se desenvolver. Mas, além disso, é preciso deixar claro que a compensação ambiental é uma exigência legal, respaldada pelo princípio da reparação, mas não pode ser pretexto ou justificativa para corte de árvores. Uma árvore (ou muitas) não pode ter a supressão justificada porque vai ter compensação. A compensação é uma imposição legal quando não há meios de evitar a supressão.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/arvore-corte-300x200.jpg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/arvore-corte.jpg" alt="A foto mostra o tronco quebrado de uma árvore em uma calçada urbana, com pedaços de madeira pontiagudos e lascas espalhadas ao redor. O chão está coberto por folhas secas e fragmentos de casca, e ao fundo vê-se um muro com arame farpado e grafites, além de carros trafegando em uma avenida sob um céu azul com nuvens brancas. A imagem transmite uma sensação de impacto e contraste entre natureza e cidade, sugerindo o resultado de uma queda ou corte recente." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Isabelle Meunier diz que há evidente escassez de árvores em muitos locais do Recife
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p><strong>De acordo com cálculos oficiais, o Recife teria, hoje, 259 mil 565 árvores, sendo 159.304 em áreas públicas e o restante em lotes. Esses números são suficientes para garantir o conforto térmico de uma cidade cheia de ilhas de calor, com 1.600.000 habitantes, com frota de 730 mil veículos (sendo 399.615 automóveis), sem falar nos outros emissores de CO² existentes na capital?</strong></p>



<p>É bem complicado estimar a necessidade potencial de plantio nos diversos tipos de florestas urbanas, no Recife, a partir dos dados disponíveis.  Não se conhece o déficit por bairro e, mesmo diante de evidente escassez de árvores em muitos locais, não há iniciativas para tentar compensar as dificuldades de calçadas estreitas ou inexistentes com a oferta de categorias de áreas verdes convenientemente arborizadas, como praças, pátios de escolas e outros órgãos públicos.</p>



<p><strong>Parece haver, também, uma desigualdade na distribuição do verde urbano no Recife. Confere essa informação?</strong></p>



<p>Há décadas fizemos levantamentos comparando bairros de diferentes RPAs de Recife, que demostraram grande diferença entre as amostras, caracterizando a arborização de calçadas como um indicador das desigualdades no ambiente urbano. Diferenças entre tipos de problemas e danos ocorrentes também foram identificados. Mas faz tempo que avalio se vale a pena repetir esse tipo de diagnóstico, já que se mostraram inúteis por não subsidiar medidas de melhorias.</p>



<p><strong>Por que não há indicadores seguros de número ideal de árvores por habitante?</strong></p>



<p>Porque essa necessidade varia de cidade a cidade, em função do clima, da proximidade ao mar ou rios, vizinhança de áreas verdes e unidades de conservação. Então, cada cidade tem de estabelecer suas próprias metas, de acordo com suas expectativas de qualidade de vida e justiça ambiental.</p>



<p><strong>Andando tanto em bairros do centro quanto em outros afastados, como Monteiro e Afogados, já encontrei ruas sem uma árvore sequer. Também há canteiros centrais – como na avenida Norte (excetuando-se o trecho localizado na Macaxeira) – que são de aridez absurda. A alegação é que eles não comportam árvores. Quais seriam as espécies que poderiam ser plantadas em locais como aqueles?</strong></p>



<p>Para termos uma boa arborização, a cidade deve querer isso. Dificilmente a sociedade, espontaneamente, vai mudar seus costumes. E, portanto, cabe aos gestores serem catalisadores de novas inspirações. É realmente difícil ter árvores em calçadas estreitas, em construções sem recuos, canteiros centrais que não passam de simples divisor de pistas.  Ou seja, as calçadas precisam ser mais largas, novas avenidas devem ter verdadeiros canteiros centrais (com pelo menos 4 m de largura – e sem fiação aérea!), edifícios públicos ou particulares precisam abrir mão de vagas de estacionamento para dar lugar a árvores. Bairros mais antigos têm grandes desafios para a arborização de calçadas, por motivos óbvios, e pode-se tentar compensar com pequenas praças, estabelecidas em terrenos não ocupados.  Códigos de obras precisam ser cumpridos para manutenção de áreas verdes nas edificações e para isso é preciso controle urbano para, aos poucos, se ter alguma mudança de concepção de cidade. É difícil? Muito. Mas talvez seja possível.</p>



<p><strong>No Recife, o índice de perdas de mudas já chegou a 60 por cento. Não tenho números atuais, mas é impressionante a quantidade de gravetos computados como “novas árvores”. Na avenida Recife, por exemplo, cheguei a contar 40 gravetos entre as cem “árvores” plantadas pelo Programa Via Jardim. Como a sra vê esse problema?</strong></p>



<p>Poucas vezes vi, em Recife, plantios tão ruins. Muitas mudas grandes (mas não necessariamente boas, mas provavelmente caras), plantadas algumas vezes com o saco plástico (tenho fotos , mas uma dessas vítimas já deu lugar a uma entrada de estacionamento), em solo compactado, com pó de pedra como cobertura do canteiro, sem tutor ou com tutor e amarrio inadequados, sem grade de proteção.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">&#8220;A nova arborização de Recife está se estabelecendo contra tudo que conhecemos como boa técnica&#8221;.</p>
</div>


<p><strong>Qual sua opinião sobre essa nova arborização do Recife?</strong></p>



<p>A nova arborização de Recife está se estabelecendo contra tudo que conhecemos como boa técnica. Nada de manutenção nem replantio das muitas mudas mortas. Isso se soma à densidade desordenada de postes de todos os tipos e finalidade e uma fiação aérea caótica. Infelizmente, não posso dizer que vi melhorias recentes. Aliás, melhoria na arborização começa com um bom viveiro, adequado e regular fornecimento de sementes, boas práticas de produção de mudas e gestão do viveiro, recursos humanos experientes e capacitados … No caso de mudas de terceiros, certamente é necessário que os contratos sejam muito melhor acompanhados pelo contratante.</p>



<p><strong>No Recife, espera-se até dois anos por um atendimento de poda feito à Emlurb. Pelo menos é o que acontece no meu bairro. Essa demora pode prejudicar as árvores, muitas das quais ficam “capengas” depois de “podas” feitas pela Neonergia, que são unilaterais e somente nos galhos que batem na fiação?</strong></p>



<p>Interessante esse dado, eu não tinha essa informação. Quando avaliei tempo de resposta à solicitação de cidadão, pela primeira vez, em 1998, fiz em relação aos atendimentos a pedidos de plantio, que foram atendidos no prazo de poucos dias a até três meses. É possível que as condições de atendimento tenham se degradado. Não tenho informações sobre as condições objetivas do órgão responsável para avaliar, dar parecer e prover as ações de arboricultura necessárias, com boa técnica. O certo é que é preciso ter essas condições. No caso de avaliação de risco, essa resposta tem de ser absolutamente tempestiva, indicando e aplicando a intervenção necessária.</p>



<p><strong>O que se espera de podas da Neonergia, que só visam os galhos que batem nos fios, deixando as árvores em desequilíbrio e mais propensas a tombarem?</strong></p>



<p>Em relação às <a href="https://marcozero.org/podas-mal-feitas-realizadas-pela-neonergia-podem-provocar-mais-quedas-de-arvores-no-recife/">podas da Neoen</a><a href="https://marcozero.org/podas-mal-feitas-realizadas-pela-neonergia-podem-provocar-mais-quedas-de-arvores-no-recife/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">e</a><a href="https://marcozero.org/podas-mal-feitas-realizadas-pela-neonergia-podem-provocar-mais-quedas-de-arvores-no-recife/">rgia</a>, a empresa tinha desenvolvido um protocolo que, ao menos, denotava cuidados, mas também observo uma certa perda de qualidade nas operações. Nos últimos anos, certamente houve avanços na qualidade de podas da Neoenergia, talvez principalmente pelos esforços de melhoria do isolamento da fiação. Da nossa parte, foram muitos e muitos anos alertando para o simples fato de que foice e fação não eram instrumentos para poda – ao menos nisso se avançou. Podas da Neoenergia têm como objeto “livrar a fiação” mas o mínimo que se espera é que deixe a árvore sem danos e em condições de se recuperar. Mais uma vez, um alerta: árvores não são mobiliário urbano, que se coloca, retira e muda o tamanho. São seres vivos e têm limites de resiliência.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/arvore-poda.jpg" alt="A imagem mostra uma rua urbana arborizada, com edifícios altos e brancos ao fundo. À esquerda, há carros e motos estacionados, enquanto à direita se estende uma calçada larga e bem cuidada, ladeada por árvores de copas densas e palmeiras. Os galhos se inclinam sobre a via, formando uma espécie de túnel verde, porém não há galhos acima da calçada. O céu está claro, e a cena transmite uma sensação de tranquilidade e integração entre natureza e cidade." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Podas da Neoenergia têm como objeto “livrar a fiação”, o que afeta o equilíbrio das plantas
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p><strong>Na nossa cidade, temos a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade e um Manual de Arborização Urbana, que é considerado eficiente. Mas há regras atuais estranhas. Por exemplo, quem autoriza a erradicação de árvores não é mais a esvaziada SMAS, mas sim a Secretaria de Política Urbana e Licenciamento, a mesma que libera construções e recentemente liberou o corte de 41 árvores no Parque Dona Lindu para “plantar” quiosques. Não há conflito de interesses que coloca nossas árvores em risco?</strong></p>



<p>Recife sempre teve problema de harmonização de órgãos para desempenho de atividades relativas à arborização: SMAS, Emlurb e, no caso de empreendimentos de construção,  a SEDUL. É um desafio da gestão pública ter o meio ambiente como eixo horizontal, mas ainda assim deve ser tentado. Não tenho sugestões sobre como articular o sistema municipal de meio ambiente com as instâncias de ordenamento urbanístico porque exige conhecimento sobre os órgãos: competências, recursos humanos, capacitação, investimentos em recursos para aprimorar o licenciamento… E, lembrando, as responsabilidades também são dos empreendedores, engenheiros e arquitetos e demais profissionais que precisam comungar da nossa certeza sobre a importâncias das árvores para a qualidade de vida nas cidades.</p>



<p><strong>O Manuel de Arborização do Recife vem sendo seguido?</strong></p>



<p>Sobre o Manual: parece que tem sido esquecido, não é mesmo? O Manual tem informações válidas, recomendações fundamentadas pela literatura especializada e muito ainda a ser desenvolvido por meio de experimentos com espécies indicadas ainda não são utilizadas. Mas parece estar sendo ignorado, o que comprova que a produção de documentos não é suficiente sem a ação responsável e eficaz de agentes públicos.</p>



<p><strong>O governo federal lançou recentemente o PlaNAU – Plano de Arborização Urbana, cujas primeiras ações já começam a aparecer, como Programa “ArborizarCidades” que vai liberar R$ 19 milhões para plantios urbanos de pequenas e médias cidades. O que acha do PlaNAU?</strong></p>



<p>Sinceramente, ainda não analisei o PlanAu. Enviei algumas contribuições, mas não acompanhei as últimas discussões e deliberações. Imagino o desafio de construir um instrumento de planejamento nacional para ações que se dão, necessariamente, nos territórios municipais. Assim, espero que aborde diretrizes, mas só vou falar sobre ele quando analisar o documento junto com minhas turmas, sabendo que será a simples análise de um documento, enquanto o verdadeiro desafio a ser enfrentado reside na capacidade, habilidade e vontade dos municípios de conduzirem a arborização como um serviço público essencial às populações.</p>
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		<title>O que o Nordeste pode esperar do &#8220;El Niño 2026&#8221; e como se preparar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 May 2026 19:31:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[el niño]]></category>
		<category><![CDATA[meteorologia]]></category>
		<category><![CDATA[nordeste]]></category>
		<category><![CDATA[seca]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um El Niño está vindo. Mas se vai se tornar um fenômeno extremamente forte – há até quem já chame de “El Niño Godzilla” – ainda não é possível prever. Só iremos saber realmente a força dele em julho ou agosto, mas já devemos nos preparar para os seus impactos, adverte o cientista Humberto Barbosa, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Um El Niño está vindo. Mas se vai se tornar um fenômeno extremamente forte – há até quem já chame de “El Niño Godzilla” – ainda não é possível prever. Só iremos saber realmente a força dele em julho ou agosto, mas já devemos nos preparar para os seus impactos, adverte o cientista Humberto Barbosa, fundador e coordenador do <a href="https://www.instagram.com/lapismet/">Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis)</a>, na Universidade Federal de Alagoas (UFAL).</p>



<p>Mas ainda que seja um &#8220;Super El Niño&#8221; isso não significa necessariamente que o Nordeste do Brasil vai passar por uma seca terrível. Há outras combinações que podem ajudar a amenizar o fenômeno.</p>



<p>A confirmação da formação de um El Niño pelo Lapis veio somente na semana passada. Humberto Barbosa estava sendo cauteloso. Isso porque, este ano, a temperatura do Pacífico equatorial começou em neutralidade, ou seja, dentro da média histórica. A partir de março a região começou a aquecer. “As pessoas estavam muito preocupadas com o El Niño. Só que a dinâmica climática foi dominada, na parte setentrional do Nordeste, pelo sinal do Atlântico. E ainda bem, porque esse sinal poderia ter tido muito mais irregularidade”, diz Humberto.</p>



<p>Ele explica que, para a região Nordeste, o El Niño por si só não é sinônimo de seca. É preciso ficar igualmente atento ao sinal do Atlântico, que é o aquecimento do oceano na nossa costa, tanto do leste como do norte. “Desde março, essas temperaturas estão mais quentes do que no Atlântico Norte. Quando o Atlântico Sul está mais quente isso é muito bom porque você gera condições de umidade e os sistemas meteorológicos que atuam nesse período do ano terminam ajudando com essa umidade”, diz Humberto.</p>



<p>Foi por conta dessa temperatura mais alta do Atlântico que, mesmo com a temperatura aumentando lá no Pacífico, o semiárido do Nordeste teve uma estação chuvosa dentro da média, ainda que bastante irregular. “Essa irregularidade atingiu principalmente a parte mais central do semiárido, e só em março a coisa começou a mudar. Vimos que as águas do Atlântico, principalmente ali na faixa do litoral de todo o Nordeste, começaram a ganhar temperaturas mais altas. A estação chuvosa do litoral nordestino começou com muita intensidade. A partir de agora vai ter muita irregularidade em função também que o sinal do Atlântico começa também a diminuir um pouco”, explica Humberto.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">El Niño e La Niña são fenômenos opostos</span>

		<p>Temperaturas acima de 0,5°C acima da média histórica por mais de três meses indicam a presença do El Niño. De modo geral, o fenômeno aumenta o risco de seca na faixa norte das regiões Norte e Nordeste, enquanto favorece grandes volumes de chuva no Sul do país.</p>
<p>Nos últimos cinco anos foram quatro La Niñas e apenas um ano de El Niño, que foi um El Niño rápido, de fraco a moderado, diz Humberto. A La Niña tem efeito oposto: um esfriamento anormal nas águas superficiais do oceano Pacífico tropical, quando o Pacífico equatorial está mais frio do que a média histórica. E as consequências para o Brasil geralmente são de chuva na faixa norte das regiões Norte e Nordeste, enquanto favorece estiagens no Sul.</p>
	</div>



<p>O impacto do El Niño para o Nordeste do Brasil deve ser percebido durante o período de outubro até maio do próximo ano, que é o período que se distribui a maior parte das chuvas no Nordeste. “É a partir de outubro e novembro que é quando há diferentes regimes de chuva do Nordeste. Aí você precisa que o oceano Atlântico esteja favorável. Vamos realmente sentir esse impacto mais para o final do ano, principalmente quando o El Niño vai estar em uma fase já madura”, diz Humberto.</p>



<p>Um El Niño também pode ser fraco, mas extenso, e afetar negativamente a agropecuária e a segurança hídrica, como o que aconteceu entre 1991 e 1994. “Foram três anos de El Niños fracos, mas que trouxeram um prejuízo no somatório desses três anos para a região tão devastador quanto se tivesse tido um El Niño muito intenso”, afirma.</p>



<p>O que Humberto está vendo nos dados até agora está lembrando mais o que aconteceu em 2023/2024. “Foi um El Niño bem intenso, mas não foi um &#8220;Super El Niño&#8221;, foi um pouquinho forte. E o atual está muito parecido, mas com menos intensidade, por enquanto. A nossa expectativa agora é definir o mais rápido possível, com segurança, entre julho e agosto, qual vai ser a intensidade e a duração desse El Niño. Porque ele pode durar um ou dois anos, mas pode passar de dois anos”, acrescenta Humberto.</p>



<p>Para ele, o alarmismo na imprensa sobre um &#8220;Super El Niño&#8221; não traz benefícios porque não há uma mobilização dos governos para se precaver dos impactos. “O que está por trás do alarme são as seguradoras. Vão colocar os valores dos seguros muito mais altos, principalmente para os agricultores do Centro-Sul. Então, quanto mais alarme mais chance de negociar esses seguros da safra”, diz ele.</p>



<p>O Lapis não está sozinho ao evitar rotular esse El Niño como intenso ou super intenso. Meteorologista da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Bruno Bainy também considera precoce essa categorização. “Isso cria uma expectativa, uma ansiedade, sobre algo que ainda se tem um grau moderado de incerteza. Precisamos de cautela. É papel da meteorologia antecipar e alertar sobre essas ocorrências, mas no momento ainda não temos condições de fazer isso com a precisão necessária. Acaba gerando mais alarde do que uma informação que possa ser de grande utilidade para as pessoas nesse momento”, disse ele, em vídeo publicado na sexta-feira (22) nas redes sociais da Unicamp.</p>





<h2 class="wp-block-heading">Um olho no Pacífico, outro no Atlântico</h2>



<p>O pior cenário para o Nordeste não é necessariamente um &#8220;Super El Niño&#8221;, mas a combinação de dois oceanos desfavoráveis ao mesmo tempo: o Pacífico aquecido, com El Niño ativo, e o Atlântico Sul frio, com as águas da costa nordestina abaixo da média histórica, enquanto o Atlântico Norte permanece quente. &#8220;Essa combinação, nem precisa ter um El Niño muito intenso, mas basta ter um El Niño moderado&#8221;, alerta o meteorologista Humberto Barbosa. É o Atlântico que funciona como carta na manga da região: quando ele está aquecido, ameniza os efeitos do Pacífico; quando está frio, os dois sinais se somam — e o resultado pode ser devastador.</p>



<p>“Para nós, da região Nordeste do Brasil, a gente nunca deve esquecer o Atlântico. Quem é do Sul não entende isso, porque ele não está tão próximo e não entende do ponto de vista do sertanejo no dia a dia. A gente tem que estar sempre olhando o Atlântico também. Tem que olhar os dois”, explica Humberto.</p>



<p>Nesse momento, diz ele, os modelos também colocam que o Atlântico vai continuar aquecido, o que é bom. “Principalmente para a costa leste, os dois sinais vão estar em uma disputa: você tem um sinal de redução de chuva do Pacífico, por causa do El Niño — e a gente não sabe se ele vai ser fraco, moderado ou muito forte —, e, por outro lado, o benefício da umidade na região costeira, se essas águas do Atlântico permanecerem aquecidas”, explica.</p>



<p>“O Atlântico é sempre a nossa carta na manga quando ele está favorável. Se tiver um &#8216;Super El Niño&#8217; e o Atlântico também estiver quente, pode ser que amenize um pouco. Agora, quando você tem os dois não necessariamente muito intensos, mas desfavoráveis, eles podem ser tão nocivos quanto um &#8216;Super El Niño&#8217;,&#8221; explica o cientista.</p>



<p>O Atlântico, ao contrário do Pacífico, tem que ser monitorado semanalmente. “O Atlântico pode mudar rapidamente a atmosfera e tem que estar monitorando toda semana para entender a dinâmica dele”, aponta Humberto.</p>



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	                                        <p class="m-0">Atlântico aquecido deve continuar provocando chuvas no Nordeste
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Chuvas irregulares devem continuar no litoral</strong></h2>



<p>Para o litoral nordestino a previsão é de que haja irregularidades nas chuvas neste inverno. “É importante continuar olhando o Atlântico, porque tem as ondas de leste. São perturbações que vêm da África e que não são chuvas tão intensas, mas às vezes, com outro sistema — quando vêm frentes frias e pegam essas ondas de leste com frentes frias do sul, por exemplo —, elas podem provocar chuva muito intensa em um ou dois dias. São volumes que a gente já viu no passado que podem provocar muitos estragos”, lembra Humberto.</p>



<p>Na média, a distribuição das chuvas vai ter períodos de estiagem e pode ter períodos que chove muito e para. “Principalmente de junho e julho vai ter muita irregularidade de chuvas na região do litoral, no Recife”, diz.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Semiárido deve se preparar para verão mais quente</h3>



<p>Como o período chuvoso do semiárido se encerra agora no final de maio, Humberto Barbosa considera que o semiárido escapou por muito pouco de uma seca já neste ano. “Eu diria que neste ano a região Nordeste do Brasil saiu com o balanço positivo, porque o início do ano foi muito ruim, mas depois melhorou”, disse.</p>



<p>O período bom de chuva para plantação já termina agora no final de maio. “De fevereiro a maio é o período de chuva boa, mas não quer dizer que não chova depois de maio. Chove, mas já não tem aquela regularidade — dias seguidos de chuva, três dias chovendo, dois dias consecutivos. Às vezes acontecem chuvas localizadas, o que é normal, até dezembro, em algumas áreas, mas com menor frequência, com muita insolação e com altas temperaturas”, diz Humberto.</p>



<p>O perigo agora são as altas temperaturas que fazem com que a vegetação e o solo percam umidade rapidamente. Mesmo ocorrendo chuvas esporádicas, há um déficit hídrico na região durante o segundo semestre. “É uma característica da região semiárida e com as altas temperaturas cada vez mais fica essa percepção de que está mais seco. A atmosfera fica com mais ‘sede’ e tira mais água dos açudes, dos tanques e do solo. Porque o solo também tem uma função de segurar um pouco o pasto em alguns lugares até setembro, outubro”, diz o cientista.</p>



<p>Mas quando essas temperaturas ficam muito altas, com a atmosfera muito seca e com pouca chuva — ou chuva muito rápida —, isso prejudica o pasto que ainda daria para o gado até agosto ou setembro. “Isso é que preocupa o sertanejo: o segundo semestre já é o período de redução de chuva, mas há um agravante que é sempre importante trazer para ele — as altas temperaturas estão acelerando essa perda de água e também a perda da vegetação verde de forma mais rápida. Inclusive a palma, em alguns lugares, tem sofrido com essas altas temperaturas”.</p>



<p>Humberto Barbosa afirma que há regiões do semiárido que podem ficar com temperaturas de um a três graus acima da média histórica. “Às vezes chegando até cinco graus. E isso dificulta muito. Já é uma época quente, mas está ainda mais quente. Isso traz consequências não só para o agricultor, que fica muito exposto ao sol, mas também para as plantas, para a perda de água dos açudes, o solo fica seco mais rápido. E algumas plantas morrem nessas condições”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/El-Nino-3.jpg" alt="A imagem mostra uma paisagem árida, com o solo rachado e ressecado, típico de regiões que sofrem com seca intensa. As rachaduras formam padrões irregulares e se estendem por toda a área visível, indicando que ali antes havia água ou umidade que evaporou. Ao fundo, há uma faixa de vegetação verde, contrastando com o terreno seco, e acima, um céu parcialmente nublado com nuvens brancas e espaços de azul." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Este ano começou seco e quente no semiárido, mas depois as chuvas chegaram
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A recomendação de Humberto é que os trabalhadores e trabalhadoras do campo façam uma reserva do pasto que estiver disponível, como estocar feno e também plantar palma. “O que mais complica agora é a combinação de temperaturas altas com diminuição da chuva: é o que a gente chama de seca relâmpago. Ela realmente tira muita umidade do solo num período muito mais curto do que era no passado, nos anos 1980 e 1990. O que a gente teme é que, no próximo ano, a irregularidade das chuvas possa ocorrer de uma forma muito mais intensa do que foi esse ano, a depender de como vai estar o oceano Atlântico”.</p>



<p>Já o poder público tem que começar a agir agora, pensando principalmente no sertanejo que depende da quadra chuvosa do próximo ano. “Os governos podem antecipar algumas coisas: a questão da distribuição de sementes, a preparação da pecuária, o plantio de palma. É preciso aproveitar esses próximos meses para fazer um saldo positivo de palma, de armazenamento, e preparar também os centros urbanos que estão no semiárido para evitar o desperdício de água”, diz. “É hora de começar a fazer um depósito na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), por exemplo. Tivemos no passado falta de abastecimento de produtos mínimos que a Conab pode começar a armazenar para que, quando chegar a época de seca, como vai ter uma oferta menor de produtos básicos para o sertanejo, os preços não cheguem a valores muito altos e ele possa ter alternativa”, sugere.</p>



<p>Desde 2018 o semiárido não enfrenta secas seguidas. “Mas secas prolongadas estão no nosso DNA. Cerca de 15% dos registros históricos estão muito marcados por secas prolongadas, com oito ciclos. Não foram tantos, mas foram marcantes porque têm um impacto muito grande no principal produto do Nordeste, que é a água”, diz Humberto, que alerta também para os riscos à saúde. “A água é afetada pelas altas temperaturas: quando começam dias de muita evaporação, pouca chuva, os açudes que armazenam água vão diminuindo e essa água parada, sem muita movimentação, começa a criar cianobactérias, que realmente podem provocar problemas de saúde não só para os animais, mas para as pessoas também”, alerta.</p>



<p>Para encerrar, a boa notícia que Humberto Barbosa traz é que o oceano Atlântico continua aquecido. “Não vai resolver todos os problemas, mas vai amenizar. Se não fosse o aquecimento do Atlântico neste ano, certamente algumas áreas estariam hoje numa situação difícil, porque em janeiro e fevereiro as chuvas foram muito irregulares”, finaliza.</p>
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		<title>Começou o greenwashing eleitoral</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 May 2026 17:29:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[greenwashing]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Milton Tenório* O meio ambiente não pode ser um acessório de marketing. Em anos eleitorais, a &#8220;maquiagem verde&#8221;, ou greenwashing como se diz em inglês, entra em cena: discursos vazios que buscam votos sem oferecer compromisso real com quem protege o campo, a floresta e a biodiversidade. Quando a ecologia vira apenas propaganda, o [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Milton Tenório*</strong></p>



<p>O meio ambiente não pode ser um acessório de marketing. Em anos eleitorais, a &#8220;maquiagem verde&#8221;, ou <em>greenwashing</em> como se diz em inglês, entra em cena: discursos vazios que buscam votos sem oferecer compromisso real com quem protege o campo, a floresta e a biodiversidade. Quando a ecologia vira apenas propaganda, o desfecho nós já conhecemos: ataques aos biomas, desmatamento desenfreado e o aterro criminoso de nascentes e manguezais — muitas vezes com a conivência do poder público.</p>



<p>É preciso separar o &#8220;parolar&#8221; da ação concreta.</p>



<p>A falta de histórico de participação em conselhos ambientais, de votações favoráveis ao meio ambiente e a ausência de propostas com embasamento técnico revelam o oportunismo. Políticas públicas eficientes não nascem em gabinetes isolados: elas surgem do diálogo com movimentos sociais, ONGs e cientistas que conhecem a fundo a Mata Atlântica e outros biomas.</p>



<p>Outro sinal de alerta é verificar se a autoridade que quer seu voto ignora ou ataca os movimentos sociais, as organizações locais e os cientistas. Quem está no chão da floresta ,nos movimentos socioambientais , sabe onde o desmatamento aperta, o que ele provoca e quais são as pressões econômicas locais.</p>



<p>Sem o apoio de quem já atua na área, as promessas eleitorais raramente se transformam em projetos de lei exequíveis. Para não cair no canto da sereia desses &#8220;oportunistas de plantão&#8221;, vale observar alguns critérios:</p>



<p>O que esse político fez nos últimos quatro anos? Ele votou a favor de pautas que flexibilizam o licenciamento ambiental ou que protegem as áreas de preservação?</p>



<p>Promessas vagas valem pouco. Planos reais citam metas, orçamentos ,projetos socioambientais e parcerias com órgãos de fiscalização.</p>



<p>Esse pré-candidato ou candidato é visto em diálogos com lideranças ambientais apenas agora ou sempre esteve presente nas audiências públicas e denúncias?</p>



<p>De um lado, a emergência climática, os ambientalistas, a ciência e a sobrevivência de várias espécies da fauna e flora; do outro, a retórica e o debate intelectual que, se não sair do campo das ideias (ou da &#8220;parolagem &#8220;), acaba permitindo que a tragédia aconteça.</p>



<p>O &#8220;desenvolvimento&#8221; que ignora a ciência e destrói o futuro dos nossos filhos e netos é uma fraude. A emergência climática já bateu à porta. Não aceite que empurrem um planeta degradado para as próximas gerações.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>*Ativista ambiental , fundador do Movimento Gato-Maracajá e morador de Aldeia.</p>
    </div>
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		<title>À espera da dragagem, rio Beberibe transborda lixo, lama e doenças a cada enchente</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 May 2026 19:18:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[enchentes em Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[rio Beberibe]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quase duas semanas depois das chuvas de 1º de maio, famílias que vivem às margens do rio Beberibe em Peixinhos, na periferia de Olinda, ainda estão limpando a lama e tentando reorganizar a vida e o que sobrou das casas. Enquanto imploram, há mais de uma década, por uma dragagem, comunidades como Beira Rio, Nova [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quase duas semanas depois das chuvas de 1º de maio, famílias que vivem às margens do rio Beberibe em Peixinhos, na periferia de Olinda, ainda estão limpando a lama e tentando reorganizar a vida e o que sobrou das casas. Enquanto imploram, há mais de uma década, por uma dragagem, comunidades como Beira Rio, Nova Esperança, Embalo, Condor e Cabo Gato enfrentaram mais uma enchente. Por causa da intensidade das chuvas, no dia seguinte o governo estadual decretou situação de emergência em 27 municípios, incluindo Olinda.</p>



<p>Moradores relatam que, no feriado do Dia do Trabalhador, “nadaram”, dentro de casa, com lixo, ratos e cobra, literalmente. Para muita gente, a cheia deste ano foi pior que a provocada pelas chuvas de maio de 2022. Agora, as famílias temem pelo aumento dos casos de arboviroses e leptospirose, como acontece todos os anos.</p>



<p>A <strong>Marco Zero</strong> esteve nas comunidades de Peixinhos, na semana passada, para acompanhar a situação. Debaixo da ponte Campina do Barreto, que liga Recife a Olinda, só o que restou, do lado olindense, foram entulhos e os porcos, em meio a muita sujeira e um odor forte de lixo misturado com bicho morto que não passa. “É o cheiro da cheia”, definem os moradores.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/55255329455_cfc998b7a0_c.jpg" alt="Foto aérea mostra um conjunto de barracos improvisados e estruturas de madeira deterioradas ao redor de um terreno coberto por lixo e entulho. Entre os resíduos, vários porcos circulam e procuram alimento. Há telhas quebradas, pedaços de metal enferrujado e restos de móveis espalhados pelo local. Ao fundo, um canal de água escura passa ao lado das construções, enquanto algumas árvores verdes contrastam com o cenário de degradação e pobreza." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Dias depois da enchente, mau cheiro ainda era forte às margens do Beberibe
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero Conteúdo</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A última vez que o Beberibe passou por uma dragagem foi em 2013, penúltimo ano da segunda gestão do então governador Eduardo Campos (PSB). Antes disso, uma dragagem tinha sido realizada em 1982. A calha do rio está bastante obstruída por resíduos sólidos, restos de construção, vegetação, troncos, galhos, sedimentos e plantas flutuantes. Por isso, a cada ano, o nível da água sobe mais quando chove forte, invadindo até mesmo casas mais distantes das margens, que são ocupadas por moradias irregulares.</p>



<p>Na sexta-feira (8), com o período chuvoso já tendo começado, a governadora Raquel Lyra (PSD) anunciou mais um serviço emergencial de limpeza do Beberibe, entre as pontes Dalva de Oliveira e avenida Cidade de Monteiro, no Recife — o que ajuda, mas não resolve o problema.</p>



<p>A gestão fez o mesmo há exato um ano: era dia 19 de maio quando o governo iniciou a limpeza (também emergencial) do rio, começando justamente por Olinda. Agora, mais uma chuva forte veio, outras estão à caminho e o questionamento das famílias de Beira Rio, Nova Esperança, Embalo, Condor e Cabo Gato é um só: “cadê a dragagem?”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/55254039927_05d5898aa1_c.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/55254039927_05d5898aa1_c.jpg" alt="A imagem mostra uma vista aérea de uma área urbana densamente ocupada, com casas simples e construções improvisadas próximas a um rio de águas turvas. Um estreito passarela de madeira atravessa o rio, ligando os dois lados da comunidade. As moradias estão muito próximas umas das outras, e há vegetação misturada com entulho nas margens. No canto superior, vê-se um galpão e uma área pavimentada, sugerindo uma zona industrial ou comercial próxima." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Moradores de Peixinhos esperam por dragagem que não vem 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Em agosto de 2024, a vice-governadora Priscila Krause (PSD) celebrou o anúncio da dragagem que, segundo o discurso dela, estaria na iminência de ser licitada. &#8220;A dragagem no rio Beberibe já está com edital de contratação publicado e estamos garantindo R$ 84 milhões em obras &#8230; Vamos remover sedimentos acumulados no leito do rio e assim contribuir para melhorar a qualidade de vida dessa população que vive na divisa com a cidade do Recife&#8221;, <a href="https://www.instagram.com/p/DA5qL_zufVj/">anunciou Krause em seu perfil no Instagram</a>.</p>



<p>Quase dois anos depois, no entanto, a obra capaz de resolver boa parte do problema dessas famílias ainda não saiu do papel, apesar de a empresa contratada em fevereiro de 2025 já ter realizado os devidos estudos técnicos e elaborado os projetos executivos. </p>



<p>O governo informou, em nota, que está agora em fase final do processo licitatório para definição da empresa responsável pela execução do serviço, que será realizado entre o Recife e Olinda, da avenida Cidade do Monteiro, em Porto da Madeira, até a Escola Aprendizes de Marinheiro.</p>



<p>No mês passado, a licitação da dragagem foi parar no Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE), que determinou a suspensão do processo, por meio de medida cautelar, em razão da ausência de documentação ambiental relacionada aos serviços previstos no edital. Saiba mais no final da reportagem.</p>



<p>Em comunicado à imprensa, a gestão disse que a nova ação emergencial de limpeza “visa diminuir os riscos de inundação durante o período chuvoso, beneficiando todas as comunidades existentes ao longo do curso do rio. A operação inicia nesta sexta (8) e seguirá pelo tempo necessário, até que sejam concluídos os trabalhos em todas as áreas do rio. Os equipamentos empenhados na operação são quatro retroescavadeiras, oito caminhões caçamba e uma escavadeira”.</p>



<p>Com a ação, o governo prevê a retirada de 2 mil metros cúbicos de lixo, entulhos, vegetação aquática e demais materiais que potencializam os transbordamentos e as inundações.</p>





<h2 class="wp-block-heading"><strong>Rio Beberibe agoniza</strong></h2>



<p>Com as chuvas mais recentes, em alguns pontos da comunidade a água arrastou tudo que havia dentro das casas. Foi o caso de Socorro Maria Fernandes, de 57 anos. Analfabeta, ela vive com o pai acamado, de 88 anos. “Consegui colocar meu pai na casa da minha irmã. Ele terminou adoecendo, está com uma diarreia que não passa, eu não sei o que é. Esses dias, dormindo, começou a chamar pela minha mãe, já falecida, dizendo ‘Lica, cuidado com a cheia’”, conta a dona de casa.</p>



<p>Objetos, móveis e eletrodomésticos de Socorro foram levados para o quintal pela força da correnteza. Só o que ela conseguiu salvar foi uma geladeira. “Eu fiquei com a água na cintura e os ratos nadando e subindo pelas paredes”, detalha.</p>



<p>Um dos principais cursos d’água da região metropolitana, o rio Beberibe nasce em Camaragibe e passa por Recife e Olinda, percorrendo 24 km, até se juntar ao rio Capibaribe e desaguar no Atlântico. No lado recifense, estão os bairros Campina do Barreto, Porto da Madeira, Beberibe, Dois Unidos e Linha do Tiro. Já do lado olindense, estão Águas Compridas, Caixa D’água e Peixinhos.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/55255077853_7833d13f9b_c.jpg" alt="A imagem mostra uma mulher em pé entre muitos objetos acumulados, como caixas plásticas, baldes, um colchão encostado e outros utensílios domésticos. Ela veste uma camiseta vermelha com estampa de personagem e shorts jeans, e parece observar algo fora do quadro. O ambiente é apertado e improvisado, com uma parede de tijolos sem reboco ao fundo e diversos materiais empilhados, sugerindo um espaço de moradia em condições precárias." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Socorro Maria conseguiu retirar a tempo o pai acamado
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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<p>Nesse curso, o rio arrasta bastante poluição, em meio ao saneamento básico precário e a construções irregulares, muitas inseridas em Áreas de Preservação Permanente (APP), por causa da falta de soluções habitacionais e de planejamento urbano. Quem vive às margens do Beberibe divide espaço com o lixo e a criação de porcos e cavalos, que ajudam no sustento.</p>



<p>Larissa Gomes da Cunha, de 19 anos, vivia com o filho de um ano e nove meses na beira do rio. Perdeu tudo. A reportagem esteve na casa dela, só havia lama e pedaços de objetos agora imprestáveis. Quando conversou com a <strong>MZ</strong>, Larissa estava no abrigo montado pela prefeitura na Escola Estadual Monsenhor Arruda Câmara. Sem moradia, ela não sabia para aonde ir depois do encerramento das atividades do abrigo, que chegou a receber mais de 400 pessoas no sábado (2).</p>



<p>Na casa de Aldeci Maria da Silva, de 54 anos, até cobra apareceu. “Minha neta, de 12 anos, pede o tempo todo ‘vó, vamos sair dessa casa’. Mas vamos para onde?”, questiona a faxineira, que ganha menos de um salário mínimo por mês.</p>



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	                                        <p class="m-0">Aldeci da Silva não tem para aonde ir com a neta de 12 anos
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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<p>Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação de Pernambuco (Seduh), “está prevista a implantação de 464 unidades habitacionais em área localizada ao lado da Compesa, no bairro de Peixinhos, bem como aproximadamente 700 unidades habitacionais adicionais, atualmente em fase de prospecção, destinadas ao atendimento da demanda identificada”.</p>



<p>Para quem vive em Olinda, o valor do auxílio-moradia é de apenas R$ 260 mensais. Atualmente, de acordo com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitação, 778 pessoas recebem o valor, em toda a cidade.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Dragagem vai parar no TCE</h3>



<p>Após a suspensão da licitação da dragagem pelo conselheiro Ranilson Ramos, no mês passado, através de uma medida cautelar, por causa de documentos ambientais, o Governo do Estado foi autorizado, no último dia 5, a dar prosseguimento ao processo licitatório, também por meio de cautelar, que agora seguiu para homologação na Segunda Câmara do TCE-PE, no próximo dia 19.</p>



<p>Depois do recurso apresentado pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação e pela Companhia Estadual de Habitação e Obras de Pernambuco (Cehab/PE), o conselheiro relator dos processos da Seduh autorizou a retomada. </p>



<p>A nova decisão levou em consideração a apresentação de medidas de viabilidade ambiental autorizadas pela Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), além da situação de emergência decretada pelo Governo de Pernambuco em municípios do Estado no dia 2 de maio. O Tribunal de Contas informou que continuará acompanhando tanto a licitação quanto a execução dos serviços de dragagem do rio Beberibe.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/55254040507_ab4aef4d87_c.jpg" alt="A imagem mostra o interior de uma casa muito simples e deteriorada, construída com chapas metálicas enferrujadas e tábuas de madeira. O teto é de zinco corroído, com furos por onde entra luz natural. O chão é de terra batida, coberto por entulhos e objetos quebrados, como pedaços de madeira e plásticos. Há também um fio verde pendurado do teto, sugerindo improvisação elétrica. O ambiente parece abandonado ou em ruínas, sem móveis ou sinais de uso recente." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Isto é tudo que sobrou da casa onde Larissa Cunha mora com o filho pequeno
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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	<p>O post <a href="https://marcozero.org/a-espera-da-dragagem-rio-beberibe-transborda-lixo-lama-e-doencas/">À espera da dragagem, rio Beberibe transborda lixo, lama e doenças a cada enchente</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Uma jornalista em defesa das árvores do Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 May 2026 13:38:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[arborização urbana]]></category>
		<category><![CDATA[árvore]]></category>
		<category><![CDATA[clima]]></category>
		<category><![CDATA[Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando a jornalista Letícia Lins se mudou para uma casa antiga no bairro de Apipucos, tudo que ela via da janela da cozinha era de um verde profundo: árvores frondosas da Mata Atlântica no terreno do Seminário São João Paulo, à beira do rio Capibaribe. Hoje, 40 anos depois, muitas árvores se foram e não [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quando a jornalista Letícia Lins se mudou para uma casa antiga no bairro de Apipucos, tudo que ela via da janela da cozinha era de um verde profundo: árvores frondosas da Mata Atlântica no terreno do Seminário São João Paulo, à beira do rio Capibaribe. Hoje, 40 anos depois, muitas árvores se foram e não foram substituídas. A vista emoldurada pela janela é metade verde, metade céu. A vista da frente também mudou: não havia nenhuma planta na frente da residência. Hoje, há palmeiras e um Pau Brasil, tudo plantado por ela mesma. Apaixonada por árvores desde a tenra infância, há pelo menos dez anos Letícia Lins começou a dar status de notícia à erradicação de árvores no Recife – ou em qualquer outra cidade que avisem a ela. Nesta semana, o blog <a href="https://oxerecife.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Oxe Recife</a> chegou ao número de 1,5 mil arboricídios registrados somente no Recife.</p>



<p>“Meu critério não é científico, eu não sou bióloga, eu não sou botânica, eu não tenho financiamento para fazer esse trabalho. O que é que acontece? Eu caminho muito pela cidade, principalmente pela zona norte, e eu vou anotando as árvores que eu vou vendo derrubadas ou só o toco. É um trabalho de cidadã mesmo: as árvores não falam, alguém tem que falar por elas&#8221;, conta Letícia. O trabalho começou de forma não sistemática em 2017. “Eu fui botando uma árvore que tinha sido cortada, depois outra e mais outra. Aí decidi fazer uma série, &#8216;Parem de derrubar árvores&#8217;. Mas a série não terminava. Não termina. Estou com 526 postagens até agora”, contou a jornalista.</p>



<p>Uma postagem pode ter uma ou mais árvores cortadas. Por exemplo, um post de 2023 dava conta de 40 árvores erradicadas dentro de uma Unidade de Conservação da Natureza, no bairro da Imbiribeira. Com o passar do tempo, Letícia começou a receber ligações e mensagens de pessoas denunciando o corte de árvores em diversos lugares, inclusive fora de Pernambuco. Na mais recente postagem, foi uma denúncia que recebeu de corte na Estrada das Ubaias. Quando chegou lá, já havia outra árvore cortada. &#8220;Essa semana me avisaram de uma árvore na rua Marques de Amorim. Não foi assassinada. Ela caiu. Mas se cai, tem que botar outra no lugar”, avisa.</p>



<p>Já faz algum tempo que Letícia Lins busca informações sobre se Recife está plantando mais árvores do que cortando. &#8220;Em 2013, a prefeitura divulgou que 2.500 foram suprimidas. O mesmo número no ano seguinte. Mas em 2015 pararam de dizer a quantidade. Nesse período, eu já estive na Câmara Municipal, em uma audiência pública, eu já estive num seminário de botânica e arborização urbana e sempre pergunto quantas árvores são derrubadas no município por ano. Ninguém sabe, ninguém responde. Virou uma caixa preta&#8221;, conta Letícia.</p>



<p>Com base no último número oficial (2.500 supressões por ano, em 2013), Letícia estima que o Recife perdeu mais de 32.500 árvores entre 2013 e 2025. Mas, sem dados oficiais da prefeitura, não se sabe o número real. Um dia após nossa entrevista, a prefeitura do Recife respondeu para Letícia que em 2025 foram 1.562 árvores erradicadas, mas não deu os dados dos anos anteriores.</p>



<p>A prefeitura do Recife também não informa quantas árvores foram plantadas nestes últimos dez anos. “E o mais importante, não dizem mais o índice de sobrevivência”, diz Letícia. Esse índice indica quantas plantas sobreviveram após serem plantadas como mudas. “Já teve um tempo que 60% das mudas plantadas morriam. Na avenida Recife, de 100 mudas que eu contei, 40 viraram graveto. E isso é computado como árvore. Não é árvore. Não é muda. É um graveto”, reclama.</p>



<p>O silêncio sobre os cortes contrasta com os números que a prefeitura divulga. O município afirma ter 259.565 árvores, 660 áreas verdes e índice de 60,1 metros quadrados de área verde por habitante — cinco vezes acima do mínimo de 12 metros quadrados recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Letícia não acredita nesses dados. “É muito desigual a distribuição desse verde. Por exemplo, Boa Viagem já é uma ilha de calor&#8221;, diz.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Nem nos parques as árvores estão seguras</h2>



<p>Para uma cidade que figura entre as 16 mais vulneráveis do planeta às mudanças climáticas, nem nos parques urbanos as árvores estão a salvo do arboricídio. No Jardim do Poço, Letícia contou 40 tocos deixados pela prefeitura para fazer a obra. No Parque das Graças, <a href="https://marcozero.org/sucesso-de-publico-parque-das-gracas-tem-menos-mangue-do-que-no-projeto-original/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">uma reportagem da Marco Zero em 2023 mostrou que foram retiradas 99 árvores</a>, mais de 310 mil metros cúbicos de mangue e também vegetação rasteira. “O Recife é uma cidade que está em emergência climática, mas não tem uma política de arborização urbana&#8221;, queixa-se Letícia.</p>



<p>A jornalista lembra que, para a construção do parque Dona Lindu, na orla da praia de Boa Viagem, foi retirado o último coqueiral à beira-mar do bairro. Agora, ela fala que 41 árvores devem ser cortadas no Dona Lindu – hoje sob concessão privada da empresa Viva Parques – para dar espaço para atividades comerciais no local. A empresa, diz Letícia, se comprometeu a plantar o dobro do que será suprimido, mas não especificou onde. &#8220;O Recife é o único lugar que eu conheço que tira a árvore para plantar quiosque. Num parque&#8221;, alerta ela.</p>



<p>Na luta pelas árvores, uma crítica que Letícia Lins faz é sobre a mudança de responsabilidades pela liberação do corte das árvores. “Quem licencia o corte de árvores no Recife não é mais a Secretaria de Meio Ambiente e sim a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento. Há um conflito de interesses: quem quer cortar uma árvore de grande porte para construir um prédio vai para a secretaria que cuida das construções e não a do meio ambiente, que deveria ter técnicos para avaliar essas licenças”, diz.</p>



<p>Outro ponto que Letícia Lins costuma abordar no blog dela são as podas feitas no Recife pela Neoenergia, que deixa pela cidade um rastro de árvores desequilibradas, vulneráveis a tombamentos e adoecidas. &#8220;A Neoenergia não está preocupada com a saúde da árvore. Ela está preocupada com a saúde do fio e pronto. E é um absurdo a prefeitura permitir isso&#8221;, afirma.</p>



<p>Jornalista premiada, com longa e exitosa carreira em sucursais do Recife de jornais como O Globo e Jornal do Brasil, Letícia Lins encontrou no blog Oxe Recife uma forma de fazer o jornalismo mais conectado ao leitor, o jornalismo local. &#8220;A alma do jornal é a cidade. A espinha dorsal de um jornal tradicionalmente é a cidade, porque você tem a proximidade, você tem o interesse da comunidade. Se baixar um plano econômico, vai mexer no bolso das pessoas? Vai. As pessoas vão ter interesse? Vão. Mas a pessoa quer saber quanto é a passagem do ônibus amanhã. A pessoa quer saber como é que está a situação da cidade em que ela vive. E, se você for observar, os jornais do sul, pelo menos na minha época, dedicavam um grande espaço à cidade. Eu olhava a editoria de Grande Rio dos jornais cariocas e dizia que só queria fazer isso. Agora eu faço”, contou Letícia, que comemora neste ano uma década do blog Oxe Recife. E de uma voz atuante na luta pelas árvores.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/podas-mal-feitas-realizadas-pela-neonergia-podem-provocar-mais-quedas-de-arvores-no-recife/" class="titulo">Podas mal feitas realizadas pela Neonergia podem provocar mais quedas de árvores no Recife</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/bem-viver/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Bem viver</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

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		<title>Quando resolver não interessa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 May 2026 18:18:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas em Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[deslizamento de barreira]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[inundações]]></category>
		<category><![CDATA[João Campos]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[Raquel Lyra]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Igor Travassos* Um colete laranja da Defesa Civil, às vezes dentro de um helicóptero ou em um local de calamidade, fala para a câmera dizendo que conversou com fulano ou ciclano e que está à disposição para ajudar no que for necessário. É sempre assim, o roteiro é o mesmo. A ação, no entanto, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Igor Travassos*</strong></p>



<p>Um colete laranja da Defesa Civil, às vezes dentro de um helicóptero ou em um local de calamidade, fala para a câmera dizendo que conversou com fulano ou ciclano e que está à disposição para ajudar no que for necessário. É sempre assim, o roteiro é o mesmo. A ação, no entanto, nunca é efetiva, contínua ou definitiva.</p>



<p>Políticos usam tragédias como palco, mas essa é só a ponta do iceberg de uma indústria que produz o desastre e lucra com ele. O lucro, nesse caso, é financeiro e político. Mas tem mais uma camada nisso tudo. Porque não se trata apenas de explorar o desastre, trata-se também de encená-lo.</p>



<p>A imagem no helicóptero, o sobrevoo, o olhar grave, a fala protocolar: tudo isso não é só comunicação, é espetáculo. Não no sentido de algo grandioso, mas no sentido de algo mediado pela imagem, pensado para ser visto, consumido e compartilhado. A tragédia deixa de ser apenas uma crise concreta e passa a ser também um produto simbólico. E, quanto mais visível, mais útil politicamente.</p>



<p>Por que o mesmo problema se repete tantas e tantas vezes e nunca é resolvido? Já fizemos essas perguntas inúmeras vezes e quase sempre caímos na resposta mais imediata: a culpa é dos políticos, que só estão interessados em si mesmos. Isso já é praticamente consenso. Se a gente se aprofunda, começa a perceber que essa inação não é falha, é método. Existe um <em>modus operandi</em>, um ciclo que se retroalimenta e que tem um resultado bastante claro, que é a manutenção do poder.</p>



<p>Pensemos o seguinte: uma tragédia acontece e é necessário dar uma resposta rápida. O dinheiro aparece. Precisa aparecer. Porque é preciso mostrar ação, presença, comando da situação. Só que esse dinheiro não pode ficar parado, ele precisa virar movimento, precisa virar imagem.</p>



<p>Resolver de forma definitiva leva tempo, planejamento, requer obras estruturantes. Mas o desastre exige urgência. E a urgência justifica atalhos. É como uma compra de última hora, em que você não pesquisa, não compara, não negocia. Você resolve. E aceita o prejuízo depois. Na política pública, a dispensa de licitação em situações de calamidade segue essa mesma lógica, mas com uma diferença fundamental: estamos falando de recursos públicos.</p>



<p>E, mais do que isso, estamos falando de tragédias que já não são mais imprevisíveis. Elas se repetem, com data, lugar e vítimas mais ou menos conhecidas, pessoas negras, periféricas, em sua maioria.</p>



<p>A exceção virou regra. Política de morte.</p>



<p>E, quando não há licitação, não há parâmetro claro de preço, de escolha, de critério. Quem decide onde comprar é quem está no poder. E isso abre margem para um tipo de escolha que não é exatamente técnica. Imagina comprar sempre na loja que te dá o maior <em>cashback</em>. O prejuízo, nesse caso, deixa de ser prejuízo.</p>



<p>Mas o retorno não é só financeiro, e talvez nem seja o mais importante. Ele também é simbólico: é o vídeo entregando cesta básica com dinheiro público, é a foto no meio da lama, é o discurso de prontidão, é a performance da presença.</p>



<p>Na lógica da sociedade do espetáculo, não basta agir, é preciso parecer agir. E, muitas vezes, parecer é mais eficiente do que resolver. Porque resolver encerra o problema, e encerrar o problema reduz a necessidade de novas aparições, novos discursos, novas demonstrações de poder.</p>



<p>Já o desastre contínuo garante palco permanente. E é assim que a desgraça se transforma em ativo político. São muitas as formas de transformar sofrimento em capital, seja ele eleitoral, financeiro ou de imagem. E, no fim, o que se consolida não é a solução do problema, mas a sua gestão contínua.</p>



<p>Porque, para alguns, o desastre não é uma falha do sistema.</p>



<p>É o funcionamento pleno dele.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*</strong>Comunicador e ativista socioambiental, integrante da Articulação Negra de Pernambuco e da Coalizão Negra por Direitos, atua junto a organizações com direito à cidade e enfrentamento ao racismo ambiental.</p>
    </div>



<p><br></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Seis mortes confirmadas por causa das chuvas no Grande Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/seis-mortes-confirmadas-por-causa-das-chuvas-no-grande-recife/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 02 May 2026 19:45:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas em Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[deslizamento de barreira]]></category>
		<category><![CDATA[enchentes]]></category>
		<category><![CDATA[inundações]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Seis pessoas morreram por causa das chuvas na Região Metropolitana. Este era o balanço feito pelo Corpo de Bombeiros e pelas Defesa Civil estadual e municipais até o início da tarde de sábado, 2 de maio. A morte mais recente foi confirmado em São Lourenço da Mata, no Córrego do Azedinho, onde os bombeiros foram [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Seis pessoas morreram por causa das chuvas na Região Metropolitana. Este era o balanço feito pelo Corpo de Bombeiros e pelas Defesa Civil estadual e municipais até o início da tarde de sábado, 2 de maio. A morte mais recente foi confirmado em São Lourenço da Mata, no Córrego do Azedinho, onde os bombeiros foram chamados para retirar o corpo de um homem de 34 anos que, provavelmente, havia sido arrastado pelas águas.</p>



<p>Outras cinco pessoas morreram em deslizamentos de barreiras. Dois casos envolveram mães e os respectivos filhos. Em Olinda, uma moça de 20 anos e seu filho, um bebê de 6 meses, foram soterrados no bairro do Passarinho. Em Dois Unidos, zona norte do Recife, uma barreira caiu matando a mãe, o filho de 6 anos e a filha de um ano e seis meses morreu no hospital.</p>



<p>Pouco antes das 16h, a governadora <a href="https://www.instagram.com/reel/DX2PQbUoNKT/?igsh=MWtlemJsOGtyMmdqZA==">Raquel Lyra decretou situação de emergência</a> após sair de uma reunião com prefeitos das regiões atingidas. </p>



<p>De acordo com o Governo do Estado, 1.605 pessoas estão desabrigadas e outras 1.089 desalojadas em todo o estado. Os municípios mais afetado é Goiana, com 510 desabrigados e 994 desalojados. Ao todo, 29 abrigos foram ativados para acolher as famílias atingidas pelas chuvas.</p>



<p></p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>Desalojado é quem precisa sair de casa, mas tem para onde ir.</p>
<p>Desabrigado é quem não tem alternativa de moradia e depende de abrigo público.</p>
        </div>
    </div>



<p>A Defesa Civil de Pernambuco está entregando colchões, lençóis, kits de limpeza e de higiene. A cidade que mais requereu essa ajuda foi Olinda, onde foram disponibilizados 400 colchões, 400 lençóis, 200 kits de limpeza e 100 kits de higiene.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Recife</h2>



<p>Os dados fornecidos pelas autoridades estaduais não incluem os números do Recife. Na capital, a Prefeitura informou no final da manhã de sábado que ampliou para 17 o número de abrigos ativos na cidade, com capacidade total para cerca de 1.770 pessoas. Até o final da manhã, 1.141 recifenses tinham recebido nesses abrigos.</p>



<p>Os abrigos em funcionamentos são os pontos de apoio emergenciais no CSU Bidu Krause e de Cajueiro, além de unidades em escolas municipais e outros equipamentos públicos, como Igreja Batista Nacional (Coqueiral), Creche Municipal da Torre, União dos Moradores de Caranguejo Tabaiares (Ilha do Retiro) e Centro Social Dom Bosco (Várzea). Todas as informações e a listagem completa dos endereços estão disponíveis no <a href="https://acaoinverno.recife.pe.gov.br/">site da Ação Inverno</a>.</p>



<p>A Prefeitura do Recife anunciou ter formalizado pedido aos ministérios das Cidades e da Casa Civil de reavaliação para investir mais de R$ 475 milhões na construção de 35 obras de contenção definitiva de encostas no âmbito do Novo PAC (Programa de Aceleração de Crescimento). Ao todo, a capital pernambucana inscreveu 38 projetos executivos, com três propostas já aprovadas, num total de R$ 29,6 milhões nos bairros da Guabiraba, Cohab, Passarinho, Várzea, Água Fria.</p>



<p></p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

		<p>Em 48 horas (de quinta-feira 30 de abril até o início da tarde de sábado, 2 de maio), o acumulado de chuvas chegou a 185 mm no pluviômetro da Guabiraba, o que representa 64% do esperado para todo o mês de maio.</p>
	</div>
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		<title>Chuvas, enchentes e deslizamentos. De novo.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 May 2026 17:43:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas em Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[deslizamentos]]></category>
		<category><![CDATA[enchentes]]></category>
		<category><![CDATA[inundação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Região Metropolitana do Recife e a Zona da Mata Norte de Pernambuco estão em estado de alerta por conta das fortes chuvas que caem desde a noite de sexta-feira. Moradores da Região Metropolitana do Recife receberam alertas nos celulares avisando sobre o risco de inundação e deslizamentos. Nas últimas 24 horas, choveu uma média [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A Região Metropolitana do Recife e a Zona da Mata Norte de Pernambuco estão em estado de alerta por conta das fortes chuvas que caem desde a noite de sexta-feira. Moradores da Região Metropolitana do Recife receberam alertas nos celulares avisando sobre o risco de inundação e deslizamentos. Nas últimas 24 horas, choveu uma média de 149mm no Recife, o equivalente a metade da média histórica do mês de maio, que é de 294mm.</p>



<p>Às 13h, a prefeitura do Recife elevou o nível do alerta do laranja para vermelho, o grau máximo da escala de Defesa Civil. Pouco depois, o comandante-geral do Corpo de Bombeiro, Eduardo Araripe de Souza, informou que um casal de idosos estava desaparecido após a queda de uma barreira sobre a casa onde viviam no bairro do Passarinho, em Olinda. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/alerta-maximo.jpeg" alt="A imagem mostra um aviso oficial da Prefeitura do Recife. O fundo é vermelho e há um medidor com faixas coloridas (verde, amarelo, laranja e vermelho). O ponteiro está na faixa vermelha, indicando “Alerta Máximo”. O texto informa que, em 1º de maio de 2026 às 13h, a cidade está em nível máximo de alerta, orientando moradores a se manterem seguros e buscarem abrigo se necessário. Também aparecem os contatos de emergência: telefone 0800 081 3400 e o site conecta.recife.pe.gov.br" class="" loading="lazy" width="472">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Reprodução</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>No Ibura, <a href="https://www.instagram.com/reels/DXzVIXsxBXy/">uma pessoa ficou ferida</a> por causa de um deslizamento na comunidade de Milagres, por trás da Escola Dom Sebastião Leme. Além disso, um imóvel abandonado desmoronou no Pilar, Recife Antigo, e outra queda de barreira foi registrada no Alto da Bondade, em Olinda, mas nesses dois casos não há informações sobre eventuais vítimas.</p>



<p>Ruas de inúmeros bairros da RMR estão alagadas e a previsão é de maré alta para às 15h49, com 2,26m, o que pode aumentar ainda mais os alagamentos. Em zonas de risco, as prefeituras têm recomendado que os moradores deixem suas casas e procurem abrigos. No Recife, a prefeitura disponibiliza oito abrigos e orienta a população a evitar deslocamentos.</p>



<p>De acordo com a prefeitura do Recife, desde a manhã de hoje foram disponibilizados os abrigos emergenciais do Cajueiro (Cajueiro) e do CSU Bidu Krause (Curado) para a população. Também estão sendo abertos outros espaços nas escolas municipais de Água Fria (Água Fria), Professor Florestan Fernandes (Ibura), Alto da Guabiraba (Brejo da Guabiraba), Diácono Abel Gueiros (Macaxeira), Célia Arraes (Várzea) e Jardim Uchôa (Areias).</p>



<p>Ao todo, são oferecidas cerca de 400 vagas para acomodar as pessoas, oferecendo alimentação, kits de higiene pessoal, acompanhamento psicossocial, entre outros serviços. Todos os endereços estão disponíveis no site da Ação Inverno (<a href="https://acaoinverno.recife.pe.gov.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://acaoinverno.recife.pe.gov.br/</a>).</p>



<p>A Defesa Civil do Recife recebeu 71 chamados durante a manhã, a maioria relacionada a pedidos de vistoria e colocação de lonas plásticas, sem gravidade. As equipes devem ser acionadas pelos telefones 0800-0813400 e 3036-4873, ou pelo Conecta Recife. O atendimento é gratuito e acontece 24h por dia.</p>



<p>Em Jaboatão dos Guararapes, a Defesa Civil emitiu alerta de severidade alta para risco de inundações e deslizamentos, devido ao acumulado de chuvas nas últimas horas. Os alertas têm validade até às 10h de sábado.<br><br>Os rios Jaboatão e Duas Unas atingiram a cota de atenção, elevando o risco de transbordamento. Os bairros em alerta de inundação são: Bulhões, Vila Rica, Centro, Vista Alegre, Engenho Velho, Santana, Socorro, Dois Carneiros, Marcos Freire e Muribeca. Moradores dessas áreas devem buscar lugares seguros imediatamente.</p>



<p>Também há risco de deslizamentos nos morros dos bairros Engenho Velho, Guararapes e Jardim Jordão, com solo em alto nível de saturação. Quatro deslizamentos sem vítimas já foram registrados em Sucupira, Curado II e Vila Rica. Em caso de emergência, a Defesa Civil do município deve ser acionada pelos números 0800 281 2099 e (81) 99195-6655.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Risco de inundação na Zona da Mata e Grande Recife</h2>



<p>A Agência Pernambucana de Águas e Clima (APAC) divulgou boletim hidrológico que afirma que o Rio Capibaribe alcançou nível de alerta em São Lourenço da Mata. Isso coloca em risco de inundação não apenas o município, mas também o Recife e Camaragibe.</p>



<p>De acordo com a Apac, em Timbaúba, o rio Capibaribe Mirim atingiu a cota de alerta, com possibilidade de inundação na região. Moradores devem permanecer atentos, já que o órgão responsável segue monitorando a situação e pode atualizar os avisos a qualquer momento.</p>



<p>Também foi divulgado boletim hidrológico informando que o rio Sirigi, em Vicência, atingiu a cota de inundação, afetando o município e Aliança, que sofre com o extravasamento do rio.</p>
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		<title>Biofobia: um mix de homofobia, misoginia e racismo, só que contra a natureza</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Apr 2026 14:48:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[APA Aldeia-Beberibe]]></category>
		<category><![CDATA[biofobia]]></category>
		<category><![CDATA[Escola de Sargentos]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Tiago Versalles* A humanidade não é apenas ecocida, ela é biofóbica. Essas duas características estão intimamente relacionadas. Assim como a homofobia é a repulsa ao que foge à norma heteropatriarcal, a biofobia é um mix irracional de nojo e medo da biodiversidade. O biofóbico sofre de um pânico diante da umidade da floresta, da [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Tiago Versalles*</strong></p>



<p>A humanidade não é apenas ecocida, ela é biofóbica. Essas duas características estão intimamente relacionadas. Assim como a homofobia é a repulsa ao que foge à norma heteropatriarcal, a biofobia é um mix irracional de nojo e medo da biodiversidade. O biofóbico sofre de um pânico diante da umidade da floresta, da inofensiva barata (e se ela voar, pior ainda), da raiz que racha a calçada, do rio que cheira a rio (e não a piscina) e dos animais silvestres que atravessam o seu quintal para voltar para a segurança daquilo que resta da floresta. Onde existe vida no seu estado mais puro e natural, a pessoa biofóbica enxerga, com seus olhos preconceituosos, algo primitivo, sujo e pecaminoso que deve ser execrado da existência.</p>



<p>Outro dia eu li uma frase, de autoria desconhecida, que dizia: &#8216;A homofobia é o medo de que outros homens te tratem da mesma forma como os homens tratam as mulheres&#8217;. Ou seja: o medo da objetificação, o medo de não ter seus gritos ouvidos nem socorridos. Não tem como deixar de sentir que essa frase também revela uma misoginia latente, pois transcreve claramente como as mulheres são tratadas em uma sociedade liderada por homens machistas.</p>



<p>Quando paro para pensar mais profundamente, me dou conta de que foram homens piores que os de hoje que chegaram para invadir Pindorama (a Terra das Palmeiras, o Brasil antes do Brasil) em 1500, saqueando um território habitado há milênios por milhares de indígenas que logo foram escravizadas, estupradas e mortas por homens brancos &#8216;de bem&#8217;. Então, adaptando a frase que li ao meu raciocínio nesse artigo, eu diria que a biofobia seria: o medo de que a natureza trate a humanidade da mesma forma que os homens tratavam (e tratam) as florestas, os rios e a biodiversidade&#8230; como objetos sem direitos de existir por si só, exceto se for para suprir às necessidades desumanas daqueles no poder</p>



<p>Dessa forma, eu arrisco dizer que esse pensamento biofóbico é uma figura paterna com uma linhagem muito bem estabelecida na história do Brasil. Ele é o Pai heteronormativo e eurocristão de todas as outras violências que conhecemos hoje no Brasil! Como por exemplo a transfobia, que agride e mata os corpos trans, só por serem trans. Da mesma forma classificaria a homofobia, a misoginia e a violência racista, todas, como filhas dos mesmos biofóbicos que usaram (e ainda usam) dessa mesma “lógica” para des(matar) corpos florestais, apenas por eles não serem um lote retilíneo, podado e dedetizado pronto para venda. É o que acontece diariamente em Aldeia (a 50 minutos do centro do Recife).</p>



<p>Aqui, a biofobia se materializa em atos ilógicos na tentativa de “curar” a natureza de sua essência naturalmente selvagem, substituindo a biodiversidade de milhares de espécies de uma Floresta Atlântica, como as da Área de Proteção Ambiental (APA Aldeia-Beberibe), pela “pureza” estéril do lote de um condomínio de luxo com um “jardim” com gramados e palmeiras exóticas. É a tentativa de converter violentamente o mundo natural em um produto enlatado, sem glúten e sem lactose, que sirva ao capital, dando lucro a poucos e prejuízos socioambientais a todos.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/04/biofobia-IA-1024x576.jpeg" alt="A imagem mostra uma cena artística surreal: no centro está a figura famosa de “O Grito”, com rosto pálido e mãos na cabeça, como se estivesse em choque. Em volta dela, há uma floresta tropical cheia de vida — aparecem bichos como preguiças, macacos, um felino pequeno parecido com um ocelote, além de aves coloridas e flores tropicais. O fundo mistura o céu ondulado da pintura original com a vegetação verde, criando um contraste entre a expressão de angústia da figura e a beleza calma da natureza." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Imagem criada por IA (Tiago Versalles/Gemini IA)</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Vivemos um <em>a</em><em>partheid</em> socioambiental no Brasil, mas vou pedir licença para focar na realidade que vivo e conheço: a biofobia recifense. Ela se manifesta em uma apatia silenciosa. Para quem vive, trabalha ou estuda no concreto da Agamenon Magalhães, da Conde da Boa Vista ou da Caxangá, a APA Aldeia-Beberibe é tratada como um terreno baldio cheio de “mato” a ser limpo para o “desenvolvimento” chegar, desmatar e construir. Essa segregação ecológica cria o álibi perfeito para o ecocídio em curso no maior território de Floresta Atlântica do estado de Pernambuco.</p>



<p>A sociedade do Recife, e da sua região metropolitana, assiste ao avanço dos tratores em Aldeia, ao retalhamento da floresta em lotes, ao aterramento das nascentes dos rios e à morte de uma biodiversidade riquíssima com o mesmo desdém de quem olha para um lixão. Entretanto, o que os biofóbicos da capital ignoram é que cada hectare de Floresta Atlântica derrubada em Aldeia é mais uma casa de família sem água na sua torneira. Isso porque, o rio Beberibe nasce dentro da APA Aldeia-Beberibe. Toda a água que ele carrega para Recife e Olinda vem graças a drenagem dessa região de importantes fragmentos de florestas. Se você desmata Aldeia, você mata o Beberibe na fonte. Não tem plano B para esse rio. Em pouco tempo essa falta de água vai se transformar em uma crise hídrica para mais de 1 milhão de pessoas na Região Metropolitana do Recife (RMR): na zona norte da capital, em bairros “nobres” como Casa Forte e Apipucos, em Olinda, Paulista, Abreu e Lima e também em Igarassu, segundo estudos do Fórum Socioambiental de Aldeia.</p>



<p>E agora, para acelerar ainda mais essa crise hídrica anunciada, bebendo da inesgotável fonte da biofobia, o Governo do Estado vai gastar R$ 150 milhões do bolso do povo pernambucano para derrubar 200 mil árvores na APA Aldeia-Beberibe, em cima da bacia hidrográfica do Catucá (que abastece o Sistema Botafogo), que também é uma das principais caixas d’água da RMR, prejudicando ainda mais o abastecimento hídrico e a qualidade de vida das pessoas que moram nas áreas citadas no parágrafo anterior.</p>



<p>E tudo isso por quê? Para a construção do famigerado projeto da Escola de Sargentos do Exército, o maior complexo militar da América Latina! Mas não se engane, pois tamanho não é documento, ou melhor dizendo, nesse caso específico, é um senhor documento que atesta o monumental descaso ambiental do governo pernambucano com a maior e mais importante área de Floresta Atlântica do estado. Estão prestes a abrir uma ferida do tamanho de 100 campos de futebol em uma floresta insubstituível para transformá-la em área de treinamento militar com direito à explosões de obus (projéteis explosivos) disparados por tanques e tudo mais!</p>



<p>O aviso está sendo reiteradamente dado por especialistas, cientistas e ambientalistas: se deixarmos nossa humanidade biofóbica derrubar a última árvore e secar a última nascente da APA Aldeia-Beberibe, a RMR entrará em falência múltipla de órgãos por falta de água. Desse modo, o histórico de violência se repetirá mais uma vez e nunca haverá justiça nem reparação socioambiental nessas terras que em breve estarão secas e mortas por pura biofobia. A solução está em reconhecer que a segurança dos corpos humanos (LGBTQIAPN+, femininos, negros e indígenas) está intrinsecamente ligada ao respeito e à boa convivência com os corpos hídricos e florestais. Precisamos sair desse estado de Biofobia e migrar para uma fase de biofilia radical: o amor pela vida em toda a sua diversidade.</p>



<p>Ou aprendemos a conviver com o biodiverso (seja ele uma pessoa ou uma árvore), ou continuaremos a pavimentar o caminho para a nossa própria extinção, orgulhosos de quão “limpo” e morto deixamos o terreno que antes era uma floresta pulsante.</p>



<p></p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*</strong>Ecólogo, morador da APA Aldeia-beberibe, criador da Amatlântica, ecodesigner premiado internacionalmente com A’design Award Gold e historiador da arte</p>
    </div>
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		<item>
		<title>“Precisamos remover os riscos, não as pessoas”, defende urbanista Raquel Ludermir</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Apr 2026 19:18:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[áreas de risco]]></category>
		<category><![CDATA[emergência climática]]></category>
		<category><![CDATA[Habitat Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[moradia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As chuvas intensas que atingiram o Recife e a Região Metropolitana, nas últimas semanas, escancararam, mais uma vez, o que especialistas e moradores da periferia já denunciam há anos: a ausência de políticas públicas estruturais para enfrentar os efeitos dos eventos climáticos extremos nas cidades. Em poucos dias, episódios que poderiam ter sido evitados deixaram [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>As chuvas intensas que atingiram o Recife e a Região Metropolitana, nas últimas semanas, escancararam, mais uma vez, o que especialistas e moradores da periferia já denunciam há anos: a ausência de políticas públicas estruturais para enfrentar os efeitos dos eventos climáticos extremos nas cidades. Em poucos dias, episódios que poderiam ter sido evitados deixaram marcas profundas, como as duas mortes na comunidade do Pilar, no Recife, após o colapso de um edifício com problemas estruturais já conhecidos, e o deslizamento de uma barreira em Águas Compridas, em Olinda.</p>



<p>É nesse contexto que a <strong>Marco Zero</strong> entrevista a arquiteta e urbanista Raquel Ludermir, doutora e mestra em desenvolvimento urbano e gerente de incidência em políticas públicas da Habitat para a Humanidade Brasil, instituição fundada há mais de 30 anos e que, no último fim de semana, promoveu o encontro “Moradia e Justiça Climática nas Cidades”.</p>



<p>Ao longo da conversa, Raquel desmonta a lógica dominante de “adaptação” baseada em remoções e denuncia como essas políticas, em vez de proteger, aprofundam desigualdades e deslocam o problema para outros territórios igualmente vulnerabilizados. Para ela, o que tem sido chamado de solução pelo poder público, ao retirar famílias de áreas consideradas perigosas, muitas vezes ignora alternativas mais eficazes e justas, como a melhoria das condições de moradia e a gestão comunitária dos riscos.</p>



<p>Para a especialista, as chamadas “remoções verdes” muitas vezes são práticas que, sob o discurso ambiental, acabam expulsando populações inteiras sem garantir condições dignas de reassentamento. Raquel também chama a atenção para o papel limitado e, muitas vezes, perverso do auxílio-moradia, já que, com R$ 300, R$ 350, essas famílias não vão conseguir alugar uma moradia adequada, empurrando-as para novas situações de risco, criando assim um ciclo de vulnerabilidade.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/04/raquel-ludermir-1024x682.jpeg" alt="Na foto, vemos Raquel Lurdemir falando ao microfone, em um momento que transmite engajamento e firmeza. Ela veste uma camisa preta com dois broches vermelhos, um deles trazendo a frase “nós lutamos por inclusivas democráticas populares” e o outro parcialmente visível com o texto “missão denúncia”. Ao fundo, aparecem duas bandeiras penduradas na parede — uma vermelha e outra amarela — reforçando o ambiente de mobilização social e política. A cena sugere participação ativa em um espaço de discussão ou militância." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Raquel Lurdemir integra a equipe do Habitat para a Humanidade Brasil
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Vlademir Alexandre/Cortesia</span>
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<p>Confira os principais trechos da entrevista:</p>



<p>Marco Zero &#8211; <strong>Temos visto o poder público investir em políticas de remoções de famílias de seus territórios como se fossem políticas de adaptação climática. Como você enxerga essa prática e quais são as consequências desse tipo de estratégia?</strong></p>



<p><strong>Raquel Ludermir &#8211;</strong> O poder público tem promovido remoções e despejos forçados de áreas de risco socioambiental sob a justificativa de estar promovendo resiliência e adaptação às mudanças climáticas. Esse é um fenômeno que a sociedade civil vem acompanhando inclusive no âmbito da campanha Despejo Zero, que tem um mapeamento de mais de três mil casos de remoções e despejos forçados em todo o Brasil. Essa é justamente a narrativa que vem justificando os processos remocionistas, ou seja, de expulsão e remoção de pessoas e comunidades vulnerabilizadas do seu local de moradia, sobrevivência e redes de apoio. Essa é a narrativa da questão socioambiental, dos riscos e muitas vezes também até da preservação do meio ambiente.</p>



<p>Mas esse pode ser um processo extremamente danoso, que a gente consegue ler a partir de um termo que chamamos de &#8220;remoções verdes ou expulsões verdes&#8221;; em inglês, &#8220;green evictions&#8221;. É quando os processos para supostamente promover a adaptação às mudanças climáticas resultam em remoção forçada de pessoas, e não na permanência dessaspessoas com segurança nos seus territórios e nas comunidades mais vulnerabilizadas. E a gente sabe que hoje já existem diversas soluções e estratégias.</p>



<p>Geralmente esses são processos de despejos administrativos, ou seja, eles não são judicializados como em outros conflitos por terra e moradia. Estão atrelados, algumas vezes, a obras públicas, como, por exemplo, aqui no Recife, o programa ProMorar. E outras vezes são simplesmente atrelados à pura e simples remoção. Então, a gente tem casas condenadas pela Defesa Civil que simplesmente não têm nenhuma perspectiva nem previsão de obra pública em determinadas áreas, daí as pessoas são simplesmente expulsas.</p>



<p>E quais são as consequências disso? A gente precisa entender que, quando estamos num cenário em que não há a menor perspectiva de intervenção em determinada área, estamos lidando com um processo remocionista e de inclusão dessas pessoas num auxílio-moradia. Quando isso acontece, o auxílio-moradia é basicamente uma produção de déficit habitacional. Porque a gente sabe que, com R$ 300, R$ 350, que é hoje o valor do auxílio, isso pode até ajudar famílias que tenham alguma renda, mas, para famílias que antes moravam em imóveis próprios, isso significa ter que passar a pagar um aluguel. Com esse valor, essas famílias não vão conseguir alugar uma moradia adequada.</p>



<p>Então, muitas vezes, estar no auxílio-moradia significa ter que recorrer a outras áreas de risco. Seja risco socioambiental ou outros riscos e outras vulnerabilidades. Então o auxílio-moradia hoje é um grande paliativo para essa negligência do poder público em relação ao direito à moradia. O Centro Popular de Direitos Humanos (CPDH) fez, há alguns anos, um pedido de informação em que já havia <a href="https://marcozero.org/sem-dialogo-com-a-comunidade-prefeitura-do-recife-confirma-remocao-de-casas-para-ponte-casa-forte-cordeiro/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">mais de oito mil famílias beneficiárias do auxílio-moradia no Recife</a> e pessoas que estavam nisso há mais de 20 anos.</p>



<p>Então é uma consequência muito nefasta. Além disso, tem uma outra questão: às vezes, as pessoas acham que, por estarem no auxílio-moradia, elas já estão na fila da moradia, mas são coisas completamente diferentes. Infelizmente, são políticas que estão hoje ainda dissociadas. Então você tem, por um lado, o auxílio-moradia, que é uma questão assistencial, e, por outro, você tem o cadastro habitacional em outra secretaria, manejada de uma forma completamente diferente. </p>



<p><strong>E como fica a situação das famílias num contexto em que há uma obra pública?</strong></p>



<p>Já quando temos um cenário em que existe um processo de obra pública, um investimento público em determinada área, esses processos remocionistas têm, pelo menos, duas problemáticas: a primeira delas é a falta de acesso à informação e a falta de participação popular para construir e entender minimamente o que está sendo pensado e planejado nas áreas dessas intervenções; a segunda questão é quais são as soluções, as alternativas de moradia que vão ser oferecidas para essas famílias.</p>



<p>A gente tem algumas vezes compra assistida ou então processos de espera pela construção de um conjunto habitacional e, durante essa espera, temos a inclusão dessas famílias em um programa de auxílio-moradia. E essa espera é muito longa. Em contextos favoráveis, temos aí pelo menos de cinco a sete anos de espera pela conclusão de um conjunto habitacional.</p>



<p>E sabemos que, nesse período, existem, inevitavelmente, mudanças de gestão, mudanças de prioridades e muitas vezes também mudanças nos critérios de alocação dos beneficiários desses programas habitacionais. Então o que a gente vê muitas vezes — e a gente que circula nos territórios e escuta muito — são famílias que foram removidas de uma determinada área da cidade na expectativa de serem realocadas quando o conjunto habitacional ficasse pronto no seu território, de onde elas saíram, e de repente o conjunto fica pronto, outras famílias são direcionadas para aquele território e essas pessoas permanecem sem serem beneficiadas pelo projeto e permanecem no auxílio-moradia.</p>



<p>Além disso, a compra assistida é outra coisa super problemática porque tem uma interferência da própria dinâmica do preço do mercado imobiliário e requer, inevitavelmente, imóveis que precisam ser regularizados e regularizáveis num preço acessível. </p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">Então resumindo, de uma forma geral, essas &#8220;remoções verdes&#8221; são uma grande contradição, é como se você tivesse mudando o problema de lugar.</p>
</div>


<p>Marco Zero &#8211; <strong>As reconstruções, após os eventos climáticos, são planejadas com morosidade, muitas vezes sem diálogo com os territórios e entregues com bastante atraso. Por que isso acontece e como prejudica as famílias mais vulneráveis e a dinâmica urbana?</strong></p>



<p><strong>Raquel Ludermir &#8211;</strong> Em relação à reconstrução, temos outra questão que é extremamente complexa. São atrasos em duas dimensões. Primeiro o atraso histórico, porque estamos tratando de uma questão que é um direito fundamental e que deveria ter um investimento na questão da moradia, da adequação e do fortalecimento dessas moradias. Não só da porta para fora, mas da porta para dentro, para construir a resiliência dessas unidades habitacionais e desses conjuntos habitacionais muito antes do desastre acontecer.</p>



<p>Então, se a gente tivesse construído sistemas de drenagem, de contenção e de gestão de risco a nível comunitário e também o fortalecimento e as melhorias habitacionais de alguns prédios, edifícios e unidades habitacionais, a gente não estaria, por exemplo, assistindo a episódios como o que aconteceu, na semana passada, na comunidade do Pilar, onde o prédio colapsou por questões estruturais. Estamos então diante de um atraso histórico, primeiramente.</p>



<p>O segundo atraso é o atraso da entrega em si. É um processo muito longo, desde a seleção do terreno até a viabilização de projetos específicos, a própria construção e o trabalho social necessário para designar e alocar essas unidades habitacionais. Deixa-se então essa população vulnerabilizada em um limbo, o que alguns teóricos chamam de &#8220;transitoriedade permanente&#8221;. É uma indefinição, uma suspensão da vida muito correlacionada à questão de onde e como essas pessoas moram.</p>



<p>Outro ponto sobre isso é que existe uma certa utopia, digamos assim, de achar que é possível reconstruir melhor. E aí, com base nisso, eu acho que vão sendo propostas algumas coisas que fogem um pouco de um processo que a gente pode chamar de verdadeiramente participativo. Essa reconstrução é feita sem a escuta da comunidade, sem a devida participação popular, sem as devidas leituras técnicas e geotécnicas de determinadas áreas. O que termina acontecendo, além do atraso, é uma, com muitas aspas, &#8220;perda de oportunidade&#8221;, de reconstruir melhor. Isso termina em aprofundamento dessas desigualdades. É importante entender que a reconstrução deveria vir junto de um processo de reparação histórica.</p>



<p>Quando olhamos para os levantamento sobre perdas e danos de eventos extremos, precisamos entender também que não estamos falando só de danos materiais individuais. </p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/recife-prefere-comprar-briga-com-a-favela-do-que-com-o-mercado-imobiliario-diz-urbanista-andre-araripe/" class="titulo">&#8220;Recife prefere comprar briga com a favela do que com o mercado imobiliário&#8221;, diz urbanista André Araripe</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/entrevista/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Entrevista</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/moradia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Moradia</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Marco Zero &#8211; <strong>Diante da emergência climática, como garantir a permanência dessas famílias nos territórios com segurança?</strong></p>



<p><strong>Raquel Ludermir &#8211;</strong> Quando visitamos os territórios em áreas onde existem organizações de base comunitária fortes, observamos que um dos elementos-chave para a permanência com segurança é justamente a existência dessas organizações fortalecidas para fazer a gestão comunitária do risco.</p>



<p>Não dá para imaginar um cenário onde exista uma gestão pública que vá remover 200 mil pessoas de áreas de risco no Recife hoje. Não estamos diante de um cenário de possibilidade de realocação adequada dessas famílias. Então precisamos, sim, construir e fortalecer soluções que já existem para permanência com segurança dessas famílias e dos grupos vulnerabilizados nos seus territórios, no sentido de reduzir o risco. </p>



<p>Isso se faz com gestão comunitária de risco, com fortalecimento de ações, de planos de contingência, de preparação das comunidades. É isso que chamamos de adaptação às mudanças climáticas, o que inclui desde tecnologias sociais, de planejamento comunitário, de preparação para a resposta a eventos extremos até efetivamente políticas de implantação de infraestrutura, como drenagem, melhoramento de calçamentos e outros serviços básicos, que precisam vir com a devida transparência, participação e gestão democrática desses processos.</p>



<p>Eu acho que a grande questão aqui é como fortalecer essa atuação comunitária, local, que já vem sendo um grande divisor de águas. Quando há um evento extremo, são essas comunidades e esses grupos comunitários que estão na linha de frente da resposta. Então nada mais justo e mais inteligente do que fortalecer esses processos comunitários de planejamento e de gestão de risco.</p>



<p>O que não exime o poder público de fazer a política pública de adaptação às mudanças climáticas, a implantação de infraestrutura básica, principalmente drenagem, água, saneamento, mas também de melhorias das estruturas físicas das moradias e de pensar nos planos de contingência, nos equipamentos e nos serviços e fluxos de contingência para o momento do evento extremo.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">Quem repara o dano de uma criança que vê sua casa sendo demolida com um trator?</p>
</div>


<p>Marco Zero &#8211; <strong>E quando as realocações são inevitáveis, como garantir que elas sejam feitas sem violações de direitos humanos?</strong></p>



<p><strong>Raquel Ludermir &#8211;</strong> Essa é a grande questão. Eu acho que existem algumas premissas. A primeira delas é a transparência para que as pessoas consigam minimamente entender o que está sendo pensado e proposto, e que possam também mobilizar assessoria técnica, seja assessoria jurídica, urbanística ou política também.</p>



<p>Uma segunda premissa é a participação popular. Não adianta ter transparência e as pessoas ficarem sabendo o que vai acontecer se não houver espaço para devida e efetiva participação popular. Porque estamos aqui lidando com cenários em que não existe uma solução única para tudo. Temos territórios com uma complexidade extremamente diversa, em diferentes contextos em que conseguimos observar o risco socioambiental.</p>



<p>As próprias comunidades e tecnologias sociais e a própria inteligência social, que vêm sendo construídas ao longo de décadas e séculos nos territórios, são essenciais para um projeto, para alternativas de construção bem-sucedidas e que possam ter aderência. Na realidade, na vida concreta desses territórios e dessas cidades, o terceiro elemento são as construções de fato, as alternativas de moradia que estão sendo pensadas.Ainda sobre essas alternativas, existem vários estudos que levantam processos de indenização que considerem não somente a benfeitoria em si, mas considerem as questões de danos e perdas não materiais.</p>



<p>Quais eram os laços que existiam ali? Quais eram as redes de confiança, as redes de clientela? Às vezes você tem determinados cenários em que a pessoa que está sendo removida tinha ali não só a casa, mas uma vendinha, um vizinho de onde ela podia comprar fiado, as redes de confiança, etc. Isso ela não vai construir numa nova comunidade nem tão cedo.</p>



<p>Então a gente precisa, em processos em que a realocação é inevitável, não considerar somente as benfeitorias, a questão material da casa que está sendo ali demolida. A gente precisa entender que existe toda uma rede, todo um processo social por trás dessas questões, com variáveis emocionais, psicológicas e intergeracionais.</p>



<p>Esse é um tema extremamente complexo, mas que requer justamente essa colaboração entre governos, população, sociedade civil e as organizações, que têm feito esse papel de assessoria, de traduzir um pouco os temas que são mais áridos, mais técnicos para as comunidades e para que elas possam, de fato, participar em pé de igualdade.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/04/raquel-ping.jpg" alt="Na foto, vemos um grupo de pessoas — entre socorristas e moradores — atuando em um terreno íngreme e cheio de lama, resultado de um deslizamento. Os socorristas usam capacetes e uniformes de proteção, alguns em bege e outros em vermelho, e trabalham com cordas e ferramentas para garantir segurança e buscar possíveis vítimas. O cenário mostra a dificuldade da operação: o solo está encharcado, há uma pequena construção parcialmente visível embaixo e casas ao fundo em áreas mais altas. A imagem transmite a intensidade e o esforço coletivo em uma situação de emergência." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0"> &#8220;Em um evento extremo, os grupos comunitários estão na linha de frente da resposta&#8221;
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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<p></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/precisamos-remover-os-riscos-nao-as-pessoas-defende-urbanista-raquel-lurdemir/">“Precisamos remover os riscos, não as pessoas”, defende urbanista Raquel Ludermir</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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