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	<title>Arquivo de Clima - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 08 May 2026 14:26:49 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivo de Clima - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Uma jornalista em defesa das árvores do Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 May 2026 13:38:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[arborização urbana]]></category>
		<category><![CDATA[árvore]]></category>
		<category><![CDATA[clima]]></category>
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<p>Quando a jornalista Letícia Lins se mudou para uma casa antiga no bairro de Apipucos, tudo que ela via da janela da cozinha era de um verde profundo: árvores frondosas da Mata Atlântica no terreno do Seminário São João Paulo, à beira do rio Capibaribe. Hoje, 40 anos depois, muitas árvores se foram e não foram substituídas. A vista emoldurada pela janela é metade verde, metade céu. A vista da frente também mudou: não havia nenhuma planta na frente da residência. Hoje, há palmeiras e um Pau Brasil, tudo plantado por ela mesma. Apaixonada por árvores desde a tenra infância, há pelo menos dez anos Letícia Lins começou a dar status de notícia à erradicação de árvores no Recife – ou em qualquer outra cidade que avisem a ela. Nesta semana, o blog <a href="https://oxerecife.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Oxe Recife</a> chegou ao número de 1,5 mil arboricídios registrados somente no Recife.</p>



<p>“Meu critério não é científico, eu não sou bióloga, eu não sou botânica, eu não tenho financiamento para fazer esse trabalho. O que é que acontece? Eu caminho muito pela cidade, principalmente pela zona norte, e eu vou anotando as árvores que eu vou vendo derrubadas ou só o toco. É um trabalho de cidadã mesmo: as árvores não falam, alguém tem que falar por elas&#8221;, conta Letícia. O trabalho começou de forma não sistemática em 2017. “Eu fui botando uma árvore que tinha sido cortada, depois outra e mais outra. Aí decidi fazer uma série, &#8216;Parem de derrubar árvores&#8217;. Mas a série não terminava. Não termina. Estou com 526 postagens até agora”, contou a jornalista.</p>



<p>Uma postagem pode ter uma ou mais árvores cortadas. Por exemplo, um post de 2023 dava conta de 40 árvores erradicadas dentro de uma Unidade de Conservação da Natureza, no bairro da Imbiribeira. Com o passar do tempo, Letícia começou a receber ligações e mensagens de pessoas denunciando o corte de árvores em diversos lugares, inclusive fora de Pernambuco. Na mais recente postagem, foi uma denúncia que recebeu de corte na Estrada das Ubaias. Quando chegou lá, já havia outra árvore cortada. &#8220;Essa semana me avisaram de uma árvore na rua Marques de Amorim. Não foi assassinada. Ela caiu. Mas se cai, tem que botar outra no lugar”, avisa.</p>



<p>Já faz algum tempo que Letícia Lins busca informações sobre se Recife está plantando mais árvores do que cortando. &#8220;Em 2013, a prefeitura divulgou que 2.500 foram suprimidas. O mesmo número no ano seguinte. Mas em 2015 pararam de dizer a quantidade. Nesse período, eu já estive na Câmara Municipal, em uma audiência pública, eu já estive num seminário de botânica e arborização urbana e sempre pergunto quantas árvores são derrubadas no município por ano. Ninguém sabe, ninguém responde. Virou uma caixa preta&#8221;, conta Letícia.</p>



<p>Com base no último número oficial (2.500 supressões por ano, em 2013), Letícia estima que o Recife perdeu mais de 32.500 árvores entre 2013 e 2025. Mas, sem dados oficiais da prefeitura, não se sabe o número real. Um dia após nossa entrevista, a prefeitura do Recife respondeu para Letícia que em 2025 foram 1.562 árvores erradicadas, mas não deu os dados dos anos anteriores.</p>



<p>A prefeitura do Recife também não informa quantas árvores foram plantadas nestes últimos dez anos. “E o mais importante, não dizem mais o índice de sobrevivência”, diz Letícia. Esse índice indica quantas plantas sobreviveram após serem plantadas como mudas. “Já teve um tempo que 60% das mudas plantadas morriam. Na avenida Recife, de 100 mudas que eu contei, 40 viraram graveto. E isso é computado como árvore. Não é árvore. Não é muda. É um graveto”, reclama.</p>



<p>O silêncio sobre os cortes contrasta com os números que a prefeitura divulga. O município afirma ter 259.565 árvores, 660 áreas verdes e índice de 60,1 metros quadrados de área verde por habitante — cinco vezes acima do mínimo de 12 metros quadrados recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Letícia não acredita nesses dados. “É muito desigual a distribuição desse verde. Por exemplo, Boa Viagem já é uma ilha de calor&#8221;, diz.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Nem nos parques as árvores estão seguras</h2>



<p>Para uma cidade que figura entre as 16 mais vulneráveis do planeta às mudanças climáticas, nem nos parques urbanos as árvores estão a salvo do arboricídio. No Jardim do Poço, Letícia contou 40 tocos deixados pela prefeitura para fazer a obra. No Parque das Graças, <a href="https://marcozero.org/sucesso-de-publico-parque-das-gracas-tem-menos-mangue-do-que-no-projeto-original/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">uma reportagem da Marco Zero em 2023 mostrou que foram retiradas 99 árvores</a>, mais de 310 mil metros cúbicos de mangue e também vegetação rasteira. “O Recife é uma cidade que está em emergência climática, mas não tem uma política de arborização urbana&#8221;, queixa-se Letícia.</p>



<p>A jornalista lembra que, para a construção do parque Dona Lindu, na orla da praia de Boa Viagem, foi retirado o último coqueiral à beira-mar do bairro. Agora, ela fala que 41 árvores devem ser cortadas no Dona Lindu – hoje sob concessão privada da empresa Viva Parques – para dar espaço para atividades comerciais no local. A empresa, diz Letícia, se comprometeu a plantar o dobro do que será suprimido, mas não especificou onde. &#8220;O Recife é o único lugar que eu conheço que tira a árvore para plantar quiosque. Num parque&#8221;, alerta ela.</p>



<p>Na luta pelas árvores, uma crítica que Letícia Lins faz é sobre a mudança de responsabilidades pela liberação do corte das árvores. “Quem licencia o corte de árvores no Recife não é mais a Secretaria de Meio Ambiente e sim a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento. Há um conflito de interesses: quem quer cortar uma árvore de grande porte para construir um prédio vai para a secretaria que cuida das construções e não a do meio ambiente, que deveria ter técnicos para avaliar essas licenças”, diz.</p>



<p>Outro ponto que Letícia Lins costuma abordar no blog dela são as podas feitas no Recife pela Neoenergia, que deixa pela cidade um rastro de árvores desequilibradas, vulneráveis a tombamentos e adoecidas. &#8220;A Neoenergia não está preocupada com a saúde da árvore. Ela está preocupada com a saúde do fio e pronto. E é um absurdo a prefeitura permitir isso&#8221;, afirma.</p>



<p>Jornalista premiada, com longa e exitosa carreira em sucursais do Recife de jornais como O Globo e Jornal do Brasil, Letícia Lins encontrou no blog Oxe Recife uma forma de fazer o jornalismo mais conectado ao leitor, o jornalismo local. &#8220;A alma do jornal é a cidade. A espinha dorsal de um jornal tradicionalmente é a cidade, porque você tem a proximidade, você tem o interesse da comunidade. Se baixar um plano econômico, vai mexer no bolso das pessoas? Vai. As pessoas vão ter interesse? Vão. Mas a pessoa quer saber quanto é a passagem do ônibus amanhã. A pessoa quer saber como é que está a situação da cidade em que ela vive. E, se você for observar, os jornais do sul, pelo menos na minha época, dedicavam um grande espaço à cidade. Eu olhava a editoria de Grande Rio dos jornais cariocas e dizia que só queria fazer isso. Agora eu faço”, contou Letícia, que comemora neste ano uma década do blog Oxe Recife. E de uma voz atuante na luta pelas árvores.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/podas-mal-feitas-realizadas-pela-neonergia-podem-provocar-mais-quedas-de-arvores-no-recife/" class="titulo">Podas mal feitas realizadas pela Neonergia podem provocar mais quedas de árvores no Recife</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/bem-viver/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Bem viver</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

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		<title>Quando resolver não interessa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 May 2026 18:18:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas em Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[deslizamento de barreira]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[inundações]]></category>
		<category><![CDATA[João Campos]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[Raquel Lyra]]></category>
		<category><![CDATA[Victor Marques]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Igor Travassos* Um colete laranja da Defesa Civil, às vezes dentro de um helicóptero ou em um local de calamidade, fala para a câmera dizendo que conversou com fulano ou ciclano e que está à disposição para ajudar no que for necessário. É sempre assim, o roteiro é o mesmo. A ação, no entanto, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Igor Travassos*</strong></p>



<p>Um colete laranja da Defesa Civil, às vezes dentro de um helicóptero ou em um local de calamidade, fala para a câmera dizendo que conversou com fulano ou ciclano e que está à disposição para ajudar no que for necessário. É sempre assim, o roteiro é o mesmo. A ação, no entanto, nunca é efetiva, contínua ou definitiva.</p>



<p>Políticos usam tragédias como palco, mas essa é só a ponta do iceberg de uma indústria que produz o desastre e lucra com ele. O lucro, nesse caso, é financeiro e político. Mas tem mais uma camada nisso tudo. Porque não se trata apenas de explorar o desastre, trata-se também de encená-lo.</p>



<p>A imagem no helicóptero, o sobrevoo, o olhar grave, a fala protocolar: tudo isso não é só comunicação, é espetáculo. Não no sentido de algo grandioso, mas no sentido de algo mediado pela imagem, pensado para ser visto, consumido e compartilhado. A tragédia deixa de ser apenas uma crise concreta e passa a ser também um produto simbólico. E, quanto mais visível, mais útil politicamente.</p>



<p>Por que o mesmo problema se repete tantas e tantas vezes e nunca é resolvido? Já fizemos essas perguntas inúmeras vezes e quase sempre caímos na resposta mais imediata: a culpa é dos políticos, que só estão interessados em si mesmos. Isso já é praticamente consenso. Se a gente se aprofunda, começa a perceber que essa inação não é falha, é método. Existe um <em>modus operandi</em>, um ciclo que se retroalimenta e que tem um resultado bastante claro, que é a manutenção do poder.</p>



<p>Pensemos o seguinte: uma tragédia acontece e é necessário dar uma resposta rápida. O dinheiro aparece. Precisa aparecer. Porque é preciso mostrar ação, presença, comando da situação. Só que esse dinheiro não pode ficar parado, ele precisa virar movimento, precisa virar imagem.</p>



<p>Resolver de forma definitiva leva tempo, planejamento, requer obras estruturantes. Mas o desastre exige urgência. E a urgência justifica atalhos. É como uma compra de última hora, em que você não pesquisa, não compara, não negocia. Você resolve. E aceita o prejuízo depois. Na política pública, a dispensa de licitação em situações de calamidade segue essa mesma lógica, mas com uma diferença fundamental: estamos falando de recursos públicos.</p>



<p>E, mais do que isso, estamos falando de tragédias que já não são mais imprevisíveis. Elas se repetem, com data, lugar e vítimas mais ou menos conhecidas, pessoas negras, periféricas, em sua maioria.</p>



<p>A exceção virou regra. Política de morte.</p>



<p>E, quando não há licitação, não há parâmetro claro de preço, de escolha, de critério. Quem decide onde comprar é quem está no poder. E isso abre margem para um tipo de escolha que não é exatamente técnica. Imagina comprar sempre na loja que te dá o maior <em>cashback</em>. O prejuízo, nesse caso, deixa de ser prejuízo.</p>



<p>Mas o retorno não é só financeiro, e talvez nem seja o mais importante. Ele também é simbólico: é o vídeo entregando cesta básica com dinheiro público, é a foto no meio da lama, é o discurso de prontidão, é a performance da presença.</p>



<p>Na lógica da sociedade do espetáculo, não basta agir, é preciso parecer agir. E, muitas vezes, parecer é mais eficiente do que resolver. Porque resolver encerra o problema, e encerrar o problema reduz a necessidade de novas aparições, novos discursos, novas demonstrações de poder.</p>



<p>Já o desastre contínuo garante palco permanente. E é assim que a desgraça se transforma em ativo político. São muitas as formas de transformar sofrimento em capital, seja ele eleitoral, financeiro ou de imagem. E, no fim, o que se consolida não é a solução do problema, mas a sua gestão contínua.</p>



<p>Porque, para alguns, o desastre não é uma falha do sistema.</p>



<p>É o funcionamento pleno dele.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*</strong>Comunicador e ativista socioambiental, integrante da Articulação Negra de Pernambuco e da Coalizão Negra por Direitos, atua junto a organizações com direito à cidade e enfrentamento ao racismo ambiental.</p>
    </div>



<p><br></p>
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		<title>Seis mortes confirmadas por causa das chuvas no Grande Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/seis-mortes-confirmadas-por-causa-das-chuvas-no-grande-recife/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 02 May 2026 19:45:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas em Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[deslizamento de barreira]]></category>
		<category><![CDATA[enchentes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Seis pessoas morreram por causa das chuvas na Região Metropolitana. Este era o balanço feito pelo Corpo de Bombeiros e pelas Defesa Civil estadual e municipais até o início da tarde de sábado, 2 de maio. A morte mais recente foi confirmado em São Lourenço da Mata, no Córrego do Azedinho, onde os bombeiros foram [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Seis pessoas morreram por causa das chuvas na Região Metropolitana. Este era o balanço feito pelo Corpo de Bombeiros e pelas Defesa Civil estadual e municipais até o início da tarde de sábado, 2 de maio. A morte mais recente foi confirmado em São Lourenço da Mata, no Córrego do Azedinho, onde os bombeiros foram chamados para retirar o corpo de um homem de 34 anos que, provavelmente, havia sido arrastado pelas águas.</p>



<p>Outras cinco pessoas morreram em deslizamentos de barreiras. Dois casos envolveram mães e os respectivos filhos. Em Olinda, uma moça de 20 anos e seu filho, um bebê de 6 meses, foram soterrados no bairro do Passarinho. Em Dois Unidos, zona norte do Recife, uma barreira caiu matando a mãe, o filho de 6 anos e a filha de um ano e seis meses morreu no hospital.</p>



<p>Pouco antes das 16h, a governadora <a href="https://www.instagram.com/reel/DX2PQbUoNKT/?igsh=MWtlemJsOGtyMmdqZA==">Raquel Lyra decretou situação de emergência</a> após sair de uma reunião com prefeitos das regiões atingidas. </p>



<p>De acordo com o Governo do Estado, 1.605 pessoas estão desabrigadas e outras 1.089 desalojadas em todo o estado. Os municípios mais afetado é Goiana, com 510 desabrigados e 994 desalojados. Ao todo, 29 abrigos foram ativados para acolher as famílias atingidas pelas chuvas.</p>



<p></p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>Desalojado é quem precisa sair de casa, mas tem para onde ir.</p>
<p>Desabrigado é quem não tem alternativa de moradia e depende de abrigo público.</p>
        </div>
    </div>



<p>A Defesa Civil de Pernambuco está entregando colchões, lençóis, kits de limpeza e de higiene. A cidade que mais requereu essa ajuda foi Olinda, onde foram disponibilizados 400 colchões, 400 lençóis, 200 kits de limpeza e 100 kits de higiene.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Recife</h2>



<p>Os dados fornecidos pelas autoridades estaduais não incluem os números do Recife. Na capital, a Prefeitura informou no final da manhã de sábado que ampliou para 17 o número de abrigos ativos na cidade, com capacidade total para cerca de 1.770 pessoas. Até o final da manhã, 1.141 recifenses tinham recebido nesses abrigos.</p>



<p>Os abrigos em funcionamentos são os pontos de apoio emergenciais no CSU Bidu Krause e de Cajueiro, além de unidades em escolas municipais e outros equipamentos públicos, como Igreja Batista Nacional (Coqueiral), Creche Municipal da Torre, União dos Moradores de Caranguejo Tabaiares (Ilha do Retiro) e Centro Social Dom Bosco (Várzea). Todas as informações e a listagem completa dos endereços estão disponíveis no <a href="https://acaoinverno.recife.pe.gov.br/">site da Ação Inverno</a>.</p>



<p>A Prefeitura do Recife anunciou ter formalizado pedido aos ministérios das Cidades e da Casa Civil de reavaliação para investir mais de R$ 475 milhões na construção de 35 obras de contenção definitiva de encostas no âmbito do Novo PAC (Programa de Aceleração de Crescimento). Ao todo, a capital pernambucana inscreveu 38 projetos executivos, com três propostas já aprovadas, num total de R$ 29,6 milhões nos bairros da Guabiraba, Cohab, Passarinho, Várzea, Água Fria.</p>



<p></p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

		<p>Em 48 horas (de quinta-feira 30 de abril até o início da tarde de sábado, 2 de maio), o acumulado de chuvas chegou a 185 mm no pluviômetro da Guabiraba, o que representa 64% do esperado para todo o mês de maio.</p>
	</div>
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			</item>
		<item>
		<title>Chuvas, enchentes e deslizamentos. De novo.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 May 2026 17:43:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas em Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[deslizamentos]]></category>
		<category><![CDATA[enchentes]]></category>
		<category><![CDATA[inundação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Região Metropolitana do Recife e a Zona da Mata Norte de Pernambuco estão em estado de alerta por conta das fortes chuvas que caem desde a noite de sexta-feira. Moradores da Região Metropolitana do Recife receberam alertas nos celulares avisando sobre o risco de inundação e deslizamentos. Nas últimas 24 horas, choveu uma média [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A Região Metropolitana do Recife e a Zona da Mata Norte de Pernambuco estão em estado de alerta por conta das fortes chuvas que caem desde a noite de sexta-feira. Moradores da Região Metropolitana do Recife receberam alertas nos celulares avisando sobre o risco de inundação e deslizamentos. Nas últimas 24 horas, choveu uma média de 149mm no Recife, o equivalente a metade da média histórica do mês de maio, que é de 294mm.</p>



<p>Às 13h, a prefeitura do Recife elevou o nível do alerta do laranja para vermelho, o grau máximo da escala de Defesa Civil. Pouco depois, o comandante-geral do Corpo de Bombeiro, Eduardo Araripe de Souza, informou que um casal de idosos estava desaparecido após a queda de uma barreira sobre a casa onde viviam no bairro do Passarinho, em Olinda. </p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/alerta-maximo.jpeg" alt="A imagem mostra um aviso oficial da Prefeitura do Recife. O fundo é vermelho e há um medidor com faixas coloridas (verde, amarelo, laranja e vermelho). O ponteiro está na faixa vermelha, indicando “Alerta Máximo”. O texto informa que, em 1º de maio de 2026 às 13h, a cidade está em nível máximo de alerta, orientando moradores a se manterem seguros e buscarem abrigo se necessário. Também aparecem os contatos de emergência: telefone 0800 081 3400 e o site conecta.recife.pe.gov.br" class="" loading="lazy" width="472">
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</p>
	                
                                            <span>Crédito: Reprodução</span>
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                    </figure>

	


<p>No Ibura, <a href="https://www.instagram.com/reels/DXzVIXsxBXy/">uma pessoa ficou ferida</a> por causa de um deslizamento na comunidade de Milagres, por trás da Escola Dom Sebastião Leme. Além disso, um imóvel abandonado desmoronou no Pilar, Recife Antigo, e outra queda de barreira foi registrada no Alto da Bondade, em Olinda, mas nesses dois casos não há informações sobre eventuais vítimas.</p>



<p>Ruas de inúmeros bairros da RMR estão alagadas e a previsão é de maré alta para às 15h49, com 2,26m, o que pode aumentar ainda mais os alagamentos. Em zonas de risco, as prefeituras têm recomendado que os moradores deixem suas casas e procurem abrigos. No Recife, a prefeitura disponibiliza oito abrigos e orienta a população a evitar deslocamentos.</p>



<p>De acordo com a prefeitura do Recife, desde a manhã de hoje foram disponibilizados os abrigos emergenciais do Cajueiro (Cajueiro) e do CSU Bidu Krause (Curado) para a população. Também estão sendo abertos outros espaços nas escolas municipais de Água Fria (Água Fria), Professor Florestan Fernandes (Ibura), Alto da Guabiraba (Brejo da Guabiraba), Diácono Abel Gueiros (Macaxeira), Célia Arraes (Várzea) e Jardim Uchôa (Areias).</p>



<p>Ao todo, são oferecidas cerca de 400 vagas para acomodar as pessoas, oferecendo alimentação, kits de higiene pessoal, acompanhamento psicossocial, entre outros serviços. Todos os endereços estão disponíveis no site da Ação Inverno (<a href="https://acaoinverno.recife.pe.gov.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://acaoinverno.recife.pe.gov.br/</a>).</p>



<p>A Defesa Civil do Recife recebeu 71 chamados durante a manhã, a maioria relacionada a pedidos de vistoria e colocação de lonas plásticas, sem gravidade. As equipes devem ser acionadas pelos telefones 0800-0813400 e 3036-4873, ou pelo Conecta Recife. O atendimento é gratuito e acontece 24h por dia.</p>



<p>Em Jaboatão dos Guararapes, a Defesa Civil emitiu alerta de severidade alta para risco de inundações e deslizamentos, devido ao acumulado de chuvas nas últimas horas. Os alertas têm validade até às 10h de sábado.<br><br>Os rios Jaboatão e Duas Unas atingiram a cota de atenção, elevando o risco de transbordamento. Os bairros em alerta de inundação são: Bulhões, Vila Rica, Centro, Vista Alegre, Engenho Velho, Santana, Socorro, Dois Carneiros, Marcos Freire e Muribeca. Moradores dessas áreas devem buscar lugares seguros imediatamente.</p>



<p>Também há risco de deslizamentos nos morros dos bairros Engenho Velho, Guararapes e Jardim Jordão, com solo em alto nível de saturação. Quatro deslizamentos sem vítimas já foram registrados em Sucupira, Curado II e Vila Rica. Em caso de emergência, a Defesa Civil do município deve ser acionada pelos números 0800 281 2099 e (81) 99195-6655.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Risco de inundação na Zona da Mata e Grande Recife</h2>



<p>A Agência Pernambucana de Águas e Clima (APAC) divulgou boletim hidrológico que afirma que o Rio Capibaribe alcançou nível de alerta em São Lourenço da Mata. Isso coloca em risco de inundação não apenas o município, mas também o Recife e Camaragibe.</p>



<p>De acordo com a Apac, em Timbaúba, o rio Capibaribe Mirim atingiu a cota de alerta, com possibilidade de inundação na região. Moradores devem permanecer atentos, já que o órgão responsável segue monitorando a situação e pode atualizar os avisos a qualquer momento.</p>



<p>Também foi divulgado boletim hidrológico informando que o rio Sirigi, em Vicência, atingiu a cota de inundação, afetando o município e Aliança, que sofre com o extravasamento do rio.</p>
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		<title>Biofobia: um mix de homofobia, misoginia e racismo, só que contra a natureza</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Apr 2026 14:48:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[APA Aldeia-Beberibe]]></category>
		<category><![CDATA[biofobia]]></category>
		<category><![CDATA[Escola de Sargentos]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Tiago Versalles* A humanidade não é apenas ecocida, ela é biofóbica. Essas duas características estão intimamente relacionadas. Assim como a homofobia é a repulsa ao que foge à norma heteropatriarcal, a biofobia é um mix irracional de nojo e medo da biodiversidade. O biofóbico sofre de um pânico diante da umidade da floresta, da [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Tiago Versalles*</strong></p>



<p>A humanidade não é apenas ecocida, ela é biofóbica. Essas duas características estão intimamente relacionadas. Assim como a homofobia é a repulsa ao que foge à norma heteropatriarcal, a biofobia é um mix irracional de nojo e medo da biodiversidade. O biofóbico sofre de um pânico diante da umidade da floresta, da inofensiva barata (e se ela voar, pior ainda), da raiz que racha a calçada, do rio que cheira a rio (e não a piscina) e dos animais silvestres que atravessam o seu quintal para voltar para a segurança daquilo que resta da floresta. Onde existe vida no seu estado mais puro e natural, a pessoa biofóbica enxerga, com seus olhos preconceituosos, algo primitivo, sujo e pecaminoso que deve ser execrado da existência.</p>



<p>Outro dia eu li uma frase, de autoria desconhecida, que dizia: &#8216;A homofobia é o medo de que outros homens te tratem da mesma forma como os homens tratam as mulheres&#8217;. Ou seja: o medo da objetificação, o medo de não ter seus gritos ouvidos nem socorridos. Não tem como deixar de sentir que essa frase também revela uma misoginia latente, pois transcreve claramente como as mulheres são tratadas em uma sociedade liderada por homens machistas.</p>



<p>Quando paro para pensar mais profundamente, me dou conta de que foram homens piores que os de hoje que chegaram para invadir Pindorama (a Terra das Palmeiras, o Brasil antes do Brasil) em 1500, saqueando um território habitado há milênios por milhares de indígenas que logo foram escravizadas, estupradas e mortas por homens brancos &#8216;de bem&#8217;. Então, adaptando a frase que li ao meu raciocínio nesse artigo, eu diria que a biofobia seria: o medo de que a natureza trate a humanidade da mesma forma que os homens tratavam (e tratam) as florestas, os rios e a biodiversidade&#8230; como objetos sem direitos de existir por si só, exceto se for para suprir às necessidades desumanas daqueles no poder</p>



<p>Dessa forma, eu arrisco dizer que esse pensamento biofóbico é uma figura paterna com uma linhagem muito bem estabelecida na história do Brasil. Ele é o Pai heteronormativo e eurocristão de todas as outras violências que conhecemos hoje no Brasil! Como por exemplo a transfobia, que agride e mata os corpos trans, só por serem trans. Da mesma forma classificaria a homofobia, a misoginia e a violência racista, todas, como filhas dos mesmos biofóbicos que usaram (e ainda usam) dessa mesma “lógica” para des(matar) corpos florestais, apenas por eles não serem um lote retilíneo, podado e dedetizado pronto para venda. É o que acontece diariamente em Aldeia (a 50 minutos do centro do Recife).</p>



<p>Aqui, a biofobia se materializa em atos ilógicos na tentativa de “curar” a natureza de sua essência naturalmente selvagem, substituindo a biodiversidade de milhares de espécies de uma Floresta Atlântica, como as da Área de Proteção Ambiental (APA Aldeia-Beberibe), pela “pureza” estéril do lote de um condomínio de luxo com um “jardim” com gramados e palmeiras exóticas. É a tentativa de converter violentamente o mundo natural em um produto enlatado, sem glúten e sem lactose, que sirva ao capital, dando lucro a poucos e prejuízos socioambientais a todos.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/04/biofobia-IA-1024x576.jpeg" alt="A imagem mostra uma cena artística surreal: no centro está a figura famosa de “O Grito”, com rosto pálido e mãos na cabeça, como se estivesse em choque. Em volta dela, há uma floresta tropical cheia de vida — aparecem bichos como preguiças, macacos, um felino pequeno parecido com um ocelote, além de aves coloridas e flores tropicais. O fundo mistura o céu ondulado da pintura original com a vegetação verde, criando um contraste entre a expressão de angústia da figura e a beleza calma da natureza." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Imagem criada por IA (Tiago Versalles/Gemini IA)</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Vivemos um <em>a</em><em>partheid</em> socioambiental no Brasil, mas vou pedir licença para focar na realidade que vivo e conheço: a biofobia recifense. Ela se manifesta em uma apatia silenciosa. Para quem vive, trabalha ou estuda no concreto da Agamenon Magalhães, da Conde da Boa Vista ou da Caxangá, a APA Aldeia-Beberibe é tratada como um terreno baldio cheio de “mato” a ser limpo para o “desenvolvimento” chegar, desmatar e construir. Essa segregação ecológica cria o álibi perfeito para o ecocídio em curso no maior território de Floresta Atlântica do estado de Pernambuco.</p>



<p>A sociedade do Recife, e da sua região metropolitana, assiste ao avanço dos tratores em Aldeia, ao retalhamento da floresta em lotes, ao aterramento das nascentes dos rios e à morte de uma biodiversidade riquíssima com o mesmo desdém de quem olha para um lixão. Entretanto, o que os biofóbicos da capital ignoram é que cada hectare de Floresta Atlântica derrubada em Aldeia é mais uma casa de família sem água na sua torneira. Isso porque, o rio Beberibe nasce dentro da APA Aldeia-Beberibe. Toda a água que ele carrega para Recife e Olinda vem graças a drenagem dessa região de importantes fragmentos de florestas. Se você desmata Aldeia, você mata o Beberibe na fonte. Não tem plano B para esse rio. Em pouco tempo essa falta de água vai se transformar em uma crise hídrica para mais de 1 milhão de pessoas na Região Metropolitana do Recife (RMR): na zona norte da capital, em bairros “nobres” como Casa Forte e Apipucos, em Olinda, Paulista, Abreu e Lima e também em Igarassu, segundo estudos do Fórum Socioambiental de Aldeia.</p>



<p>E agora, para acelerar ainda mais essa crise hídrica anunciada, bebendo da inesgotável fonte da biofobia, o Governo do Estado vai gastar R$ 150 milhões do bolso do povo pernambucano para derrubar 200 mil árvores na APA Aldeia-Beberibe, em cima da bacia hidrográfica do Catucá (que abastece o Sistema Botafogo), que também é uma das principais caixas d’água da RMR, prejudicando ainda mais o abastecimento hídrico e a qualidade de vida das pessoas que moram nas áreas citadas no parágrafo anterior.</p>



<p>E tudo isso por quê? Para a construção do famigerado projeto da Escola de Sargentos do Exército, o maior complexo militar da América Latina! Mas não se engane, pois tamanho não é documento, ou melhor dizendo, nesse caso específico, é um senhor documento que atesta o monumental descaso ambiental do governo pernambucano com a maior e mais importante área de Floresta Atlântica do estado. Estão prestes a abrir uma ferida do tamanho de 100 campos de futebol em uma floresta insubstituível para transformá-la em área de treinamento militar com direito à explosões de obus (projéteis explosivos) disparados por tanques e tudo mais!</p>



<p>O aviso está sendo reiteradamente dado por especialistas, cientistas e ambientalistas: se deixarmos nossa humanidade biofóbica derrubar a última árvore e secar a última nascente da APA Aldeia-Beberibe, a RMR entrará em falência múltipla de órgãos por falta de água. Desse modo, o histórico de violência se repetirá mais uma vez e nunca haverá justiça nem reparação socioambiental nessas terras que em breve estarão secas e mortas por pura biofobia. A solução está em reconhecer que a segurança dos corpos humanos (LGBTQIAPN+, femininos, negros e indígenas) está intrinsecamente ligada ao respeito e à boa convivência com os corpos hídricos e florestais. Precisamos sair desse estado de Biofobia e migrar para uma fase de biofilia radical: o amor pela vida em toda a sua diversidade.</p>



<p>Ou aprendemos a conviver com o biodiverso (seja ele uma pessoa ou uma árvore), ou continuaremos a pavimentar o caminho para a nossa própria extinção, orgulhosos de quão “limpo” e morto deixamos o terreno que antes era uma floresta pulsante.</p>



<p></p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*</strong>Ecólogo, morador da APA Aldeia-beberibe, criador da Amatlântica, ecodesigner premiado internacionalmente com A’design Award Gold e historiador da arte</p>
    </div>
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		<title>“Precisamos remover os riscos, não as pessoas”, defende urbanista Raquel Ludermir</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Apr 2026 19:18:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[áreas de risco]]></category>
		<category><![CDATA[emergência climática]]></category>
		<category><![CDATA[Habitat Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[moradia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As chuvas intensas que atingiram o Recife e a Região Metropolitana, nas últimas semanas, escancararam, mais uma vez, o que especialistas e moradores da periferia já denunciam há anos: a ausência de políticas públicas estruturais para enfrentar os efeitos dos eventos climáticos extremos nas cidades. Em poucos dias, episódios que poderiam ter sido evitados deixaram [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>As chuvas intensas que atingiram o Recife e a Região Metropolitana, nas últimas semanas, escancararam, mais uma vez, o que especialistas e moradores da periferia já denunciam há anos: a ausência de políticas públicas estruturais para enfrentar os efeitos dos eventos climáticos extremos nas cidades. Em poucos dias, episódios que poderiam ter sido evitados deixaram marcas profundas, como as duas mortes na comunidade do Pilar, no Recife, após o colapso de um edifício com problemas estruturais já conhecidos, e o deslizamento de uma barreira em Águas Compridas, em Olinda.</p>



<p>É nesse contexto que a <strong>Marco Zero</strong> entrevista a arquiteta e urbanista Raquel Ludermir, doutora e mestra em desenvolvimento urbano e gerente de incidência em políticas públicas da Habitat para a Humanidade Brasil, instituição fundada há mais de 30 anos e que, no último fim de semana, promoveu o encontro “Moradia e Justiça Climática nas Cidades”.</p>



<p>Ao longo da conversa, Raquel desmonta a lógica dominante de “adaptação” baseada em remoções e denuncia como essas políticas, em vez de proteger, aprofundam desigualdades e deslocam o problema para outros territórios igualmente vulnerabilizados. Para ela, o que tem sido chamado de solução pelo poder público, ao retirar famílias de áreas consideradas perigosas, muitas vezes ignora alternativas mais eficazes e justas, como a melhoria das condições de moradia e a gestão comunitária dos riscos.</p>



<p>Para a especialista, as chamadas “remoções verdes” muitas vezes são práticas que, sob o discurso ambiental, acabam expulsando populações inteiras sem garantir condições dignas de reassentamento. Raquel também chama a atenção para o papel limitado e, muitas vezes, perverso do auxílio-moradia, já que, com R$ 300, R$ 350, essas famílias não vão conseguir alugar uma moradia adequada, empurrando-as para novas situações de risco, criando assim um ciclo de vulnerabilidade.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/04/raquel-ludermir-1024x682.jpeg" alt="Na foto, vemos Raquel Lurdemir falando ao microfone, em um momento que transmite engajamento e firmeza. Ela veste uma camisa preta com dois broches vermelhos, um deles trazendo a frase “nós lutamos por inclusivas democráticas populares” e o outro parcialmente visível com o texto “missão denúncia”. Ao fundo, aparecem duas bandeiras penduradas na parede — uma vermelha e outra amarela — reforçando o ambiente de mobilização social e política. A cena sugere participação ativa em um espaço de discussão ou militância." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Raquel Lurdemir integra a equipe do Habitat para a Humanidade Brasil
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Vlademir Alexandre/Cortesia</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Confira os principais trechos da entrevista:</p>



<p>Marco Zero &#8211; <strong>Temos visto o poder público investir em políticas de remoções de famílias de seus territórios como se fossem políticas de adaptação climática. Como você enxerga essa prática e quais são as consequências desse tipo de estratégia?</strong></p>



<p><strong>Raquel Ludermir &#8211;</strong> O poder público tem promovido remoções e despejos forçados de áreas de risco socioambiental sob a justificativa de estar promovendo resiliência e adaptação às mudanças climáticas. Esse é um fenômeno que a sociedade civil vem acompanhando inclusive no âmbito da campanha Despejo Zero, que tem um mapeamento de mais de três mil casos de remoções e despejos forçados em todo o Brasil. Essa é justamente a narrativa que vem justificando os processos remocionistas, ou seja, de expulsão e remoção de pessoas e comunidades vulnerabilizadas do seu local de moradia, sobrevivência e redes de apoio. Essa é a narrativa da questão socioambiental, dos riscos e muitas vezes também até da preservação do meio ambiente.</p>



<p>Mas esse pode ser um processo extremamente danoso, que a gente consegue ler a partir de um termo que chamamos de &#8220;remoções verdes ou expulsões verdes&#8221;; em inglês, &#8220;green evictions&#8221;. É quando os processos para supostamente promover a adaptação às mudanças climáticas resultam em remoção forçada de pessoas, e não na permanência dessaspessoas com segurança nos seus territórios e nas comunidades mais vulnerabilizadas. E a gente sabe que hoje já existem diversas soluções e estratégias.</p>



<p>Geralmente esses são processos de despejos administrativos, ou seja, eles não são judicializados como em outros conflitos por terra e moradia. Estão atrelados, algumas vezes, a obras públicas, como, por exemplo, aqui no Recife, o programa ProMorar. E outras vezes são simplesmente atrelados à pura e simples remoção. Então, a gente tem casas condenadas pela Defesa Civil que simplesmente não têm nenhuma perspectiva nem previsão de obra pública em determinadas áreas, daí as pessoas são simplesmente expulsas.</p>



<p>E quais são as consequências disso? A gente precisa entender que, quando estamos num cenário em que não há a menor perspectiva de intervenção em determinada área, estamos lidando com um processo remocionista e de inclusão dessas pessoas num auxílio-moradia. Quando isso acontece, o auxílio-moradia é basicamente uma produção de déficit habitacional. Porque a gente sabe que, com R$ 300, R$ 350, que é hoje o valor do auxílio, isso pode até ajudar famílias que tenham alguma renda, mas, para famílias que antes moravam em imóveis próprios, isso significa ter que passar a pagar um aluguel. Com esse valor, essas famílias não vão conseguir alugar uma moradia adequada.</p>



<p>Então, muitas vezes, estar no auxílio-moradia significa ter que recorrer a outras áreas de risco. Seja risco socioambiental ou outros riscos e outras vulnerabilidades. Então o auxílio-moradia hoje é um grande paliativo para essa negligência do poder público em relação ao direito à moradia. O Centro Popular de Direitos Humanos (CPDH) fez, há alguns anos, um pedido de informação em que já havia <a href="https://marcozero.org/sem-dialogo-com-a-comunidade-prefeitura-do-recife-confirma-remocao-de-casas-para-ponte-casa-forte-cordeiro/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">mais de oito mil famílias beneficiárias do auxílio-moradia no Recife</a> e pessoas que estavam nisso há mais de 20 anos.</p>



<p>Então é uma consequência muito nefasta. Além disso, tem uma outra questão: às vezes, as pessoas acham que, por estarem no auxílio-moradia, elas já estão na fila da moradia, mas são coisas completamente diferentes. Infelizmente, são políticas que estão hoje ainda dissociadas. Então você tem, por um lado, o auxílio-moradia, que é uma questão assistencial, e, por outro, você tem o cadastro habitacional em outra secretaria, manejada de uma forma completamente diferente. </p>



<p><strong>E como fica a situação das famílias num contexto em que há uma obra pública?</strong></p>



<p>Já quando temos um cenário em que existe um processo de obra pública, um investimento público em determinada área, esses processos remocionistas têm, pelo menos, duas problemáticas: a primeira delas é a falta de acesso à informação e a falta de participação popular para construir e entender minimamente o que está sendo pensado e planejado nas áreas dessas intervenções; a segunda questão é quais são as soluções, as alternativas de moradia que vão ser oferecidas para essas famílias.</p>



<p>A gente tem algumas vezes compra assistida ou então processos de espera pela construção de um conjunto habitacional e, durante essa espera, temos a inclusão dessas famílias em um programa de auxílio-moradia. E essa espera é muito longa. Em contextos favoráveis, temos aí pelo menos de cinco a sete anos de espera pela conclusão de um conjunto habitacional.</p>



<p>E sabemos que, nesse período, existem, inevitavelmente, mudanças de gestão, mudanças de prioridades e muitas vezes também mudanças nos critérios de alocação dos beneficiários desses programas habitacionais. Então o que a gente vê muitas vezes — e a gente que circula nos territórios e escuta muito — são famílias que foram removidas de uma determinada área da cidade na expectativa de serem realocadas quando o conjunto habitacional ficasse pronto no seu território, de onde elas saíram, e de repente o conjunto fica pronto, outras famílias são direcionadas para aquele território e essas pessoas permanecem sem serem beneficiadas pelo projeto e permanecem no auxílio-moradia.</p>



<p>Além disso, a compra assistida é outra coisa super problemática porque tem uma interferência da própria dinâmica do preço do mercado imobiliário e requer, inevitavelmente, imóveis que precisam ser regularizados e regularizáveis num preço acessível. </p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">Então resumindo, de uma forma geral, essas &#8220;remoções verdes&#8221; são uma grande contradição, é como se você tivesse mudando o problema de lugar.</p>
</div>


<p>Marco Zero &#8211; <strong>As reconstruções, após os eventos climáticos, são planejadas com morosidade, muitas vezes sem diálogo com os territórios e entregues com bastante atraso. Por que isso acontece e como prejudica as famílias mais vulneráveis e a dinâmica urbana?</strong></p>



<p><strong>Raquel Ludermir &#8211;</strong> Em relação à reconstrução, temos outra questão que é extremamente complexa. São atrasos em duas dimensões. Primeiro o atraso histórico, porque estamos tratando de uma questão que é um direito fundamental e que deveria ter um investimento na questão da moradia, da adequação e do fortalecimento dessas moradias. Não só da porta para fora, mas da porta para dentro, para construir a resiliência dessas unidades habitacionais e desses conjuntos habitacionais muito antes do desastre acontecer.</p>



<p>Então, se a gente tivesse construído sistemas de drenagem, de contenção e de gestão de risco a nível comunitário e também o fortalecimento e as melhorias habitacionais de alguns prédios, edifícios e unidades habitacionais, a gente não estaria, por exemplo, assistindo a episódios como o que aconteceu, na semana passada, na comunidade do Pilar, onde o prédio colapsou por questões estruturais. Estamos então diante de um atraso histórico, primeiramente.</p>



<p>O segundo atraso é o atraso da entrega em si. É um processo muito longo, desde a seleção do terreno até a viabilização de projetos específicos, a própria construção e o trabalho social necessário para designar e alocar essas unidades habitacionais. Deixa-se então essa população vulnerabilizada em um limbo, o que alguns teóricos chamam de &#8220;transitoriedade permanente&#8221;. É uma indefinição, uma suspensão da vida muito correlacionada à questão de onde e como essas pessoas moram.</p>



<p>Outro ponto sobre isso é que existe uma certa utopia, digamos assim, de achar que é possível reconstruir melhor. E aí, com base nisso, eu acho que vão sendo propostas algumas coisas que fogem um pouco de um processo que a gente pode chamar de verdadeiramente participativo. Essa reconstrução é feita sem a escuta da comunidade, sem a devida participação popular, sem as devidas leituras técnicas e geotécnicas de determinadas áreas. O que termina acontecendo, além do atraso, é uma, com muitas aspas, &#8220;perda de oportunidade&#8221;, de reconstruir melhor. Isso termina em aprofundamento dessas desigualdades. É importante entender que a reconstrução deveria vir junto de um processo de reparação histórica.</p>



<p>Quando olhamos para os levantamento sobre perdas e danos de eventos extremos, precisamos entender também que não estamos falando só de danos materiais individuais. </p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/recife-prefere-comprar-briga-com-a-favela-do-que-com-o-mercado-imobiliario-diz-urbanista-andre-araripe/" class="titulo">&#8220;Recife prefere comprar briga com a favela do que com o mercado imobiliário&#8221;, diz urbanista André Araripe</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/entrevista/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Entrevista</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/moradia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Moradia</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Marco Zero &#8211; <strong>Diante da emergência climática, como garantir a permanência dessas famílias nos territórios com segurança?</strong></p>



<p><strong>Raquel Ludermir &#8211;</strong> Quando visitamos os territórios em áreas onde existem organizações de base comunitária fortes, observamos que um dos elementos-chave para a permanência com segurança é justamente a existência dessas organizações fortalecidas para fazer a gestão comunitária do risco.</p>



<p>Não dá para imaginar um cenário onde exista uma gestão pública que vá remover 200 mil pessoas de áreas de risco no Recife hoje. Não estamos diante de um cenário de possibilidade de realocação adequada dessas famílias. Então precisamos, sim, construir e fortalecer soluções que já existem para permanência com segurança dessas famílias e dos grupos vulnerabilizados nos seus territórios, no sentido de reduzir o risco. </p>



<p>Isso se faz com gestão comunitária de risco, com fortalecimento de ações, de planos de contingência, de preparação das comunidades. É isso que chamamos de adaptação às mudanças climáticas, o que inclui desde tecnologias sociais, de planejamento comunitário, de preparação para a resposta a eventos extremos até efetivamente políticas de implantação de infraestrutura, como drenagem, melhoramento de calçamentos e outros serviços básicos, que precisam vir com a devida transparência, participação e gestão democrática desses processos.</p>



<p>Eu acho que a grande questão aqui é como fortalecer essa atuação comunitária, local, que já vem sendo um grande divisor de águas. Quando há um evento extremo, são essas comunidades e esses grupos comunitários que estão na linha de frente da resposta. Então nada mais justo e mais inteligente do que fortalecer esses processos comunitários de planejamento e de gestão de risco.</p>



<p>O que não exime o poder público de fazer a política pública de adaptação às mudanças climáticas, a implantação de infraestrutura básica, principalmente drenagem, água, saneamento, mas também de melhorias das estruturas físicas das moradias e de pensar nos planos de contingência, nos equipamentos e nos serviços e fluxos de contingência para o momento do evento extremo.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">Quem repara o dano de uma criança que vê sua casa sendo demolida com um trator?</p>
</div>


<p>Marco Zero &#8211; <strong>E quando as realocações são inevitáveis, como garantir que elas sejam feitas sem violações de direitos humanos?</strong></p>



<p><strong>Raquel Ludermir &#8211;</strong> Essa é a grande questão. Eu acho que existem algumas premissas. A primeira delas é a transparência para que as pessoas consigam minimamente entender o que está sendo pensado e proposto, e que possam também mobilizar assessoria técnica, seja assessoria jurídica, urbanística ou política também.</p>



<p>Uma segunda premissa é a participação popular. Não adianta ter transparência e as pessoas ficarem sabendo o que vai acontecer se não houver espaço para devida e efetiva participação popular. Porque estamos aqui lidando com cenários em que não existe uma solução única para tudo. Temos territórios com uma complexidade extremamente diversa, em diferentes contextos em que conseguimos observar o risco socioambiental.</p>



<p>As próprias comunidades e tecnologias sociais e a própria inteligência social, que vêm sendo construídas ao longo de décadas e séculos nos territórios, são essenciais para um projeto, para alternativas de construção bem-sucedidas e que possam ter aderência. Na realidade, na vida concreta desses territórios e dessas cidades, o terceiro elemento são as construções de fato, as alternativas de moradia que estão sendo pensadas.Ainda sobre essas alternativas, existem vários estudos que levantam processos de indenização que considerem não somente a benfeitoria em si, mas considerem as questões de danos e perdas não materiais.</p>



<p>Quais eram os laços que existiam ali? Quais eram as redes de confiança, as redes de clientela? Às vezes você tem determinados cenários em que a pessoa que está sendo removida tinha ali não só a casa, mas uma vendinha, um vizinho de onde ela podia comprar fiado, as redes de confiança, etc. Isso ela não vai construir numa nova comunidade nem tão cedo.</p>



<p>Então a gente precisa, em processos em que a realocação é inevitável, não considerar somente as benfeitorias, a questão material da casa que está sendo ali demolida. A gente precisa entender que existe toda uma rede, todo um processo social por trás dessas questões, com variáveis emocionais, psicológicas e intergeracionais.</p>



<p>Esse é um tema extremamente complexo, mas que requer justamente essa colaboração entre governos, população, sociedade civil e as organizações, que têm feito esse papel de assessoria, de traduzir um pouco os temas que são mais áridos, mais técnicos para as comunidades e para que elas possam, de fato, participar em pé de igualdade.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/04/raquel-ping.jpg" alt="Na foto, vemos um grupo de pessoas — entre socorristas e moradores — atuando em um terreno íngreme e cheio de lama, resultado de um deslizamento. Os socorristas usam capacetes e uniformes de proteção, alguns em bege e outros em vermelho, e trabalham com cordas e ferramentas para garantir segurança e buscar possíveis vítimas. O cenário mostra a dificuldade da operação: o solo está encharcado, há uma pequena construção parcialmente visível embaixo e casas ao fundo em áreas mais altas. A imagem transmite a intensidade e o esforço coletivo em uma situação de emergência." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0"> &#8220;Em um evento extremo, os grupos comunitários estão na linha de frente da resposta&#8221;
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/precisamos-remover-os-riscos-nao-as-pessoas-defende-urbanista-raquel-lurdemir/">“Precisamos remover os riscos, não as pessoas”, defende urbanista Raquel Ludermir</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>O diabo veste farda</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Apr 2026 18:48:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[APA Aldeia-Beberibe]]></category>
		<category><![CDATA[Escola de Sargentos]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Milton Tenório* É conhecido o histórico de sucessivos golpes, como o que levou à queda da monarquia (1889) em que o Exército brasileiro foi protagonista. O Exército foi o pilar da &#8220;Revolução &#8221; de 1930 (Getúlio Vargas ). No Governo Juscelino Kubitschek nos anos 1950 foram duas tentativas de golpe, ambas frustradas. Uma delas [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Milton Tenório*</strong></p>



<p>É conhecido o histórico de sucessivos golpes, como o que levou à queda da monarquia (1889) em que o Exército brasileiro foi protagonista.</p>



<p>O Exército foi o pilar da &#8220;Revolução &#8221; de 1930 (Getúlio Vargas ). No Governo Juscelino Kubitschek nos anos 1950 foram duas tentativas de golpe, ambas frustradas. Uma delas para impedir a posse de JK.</p>



<p>Em 1964, a deposição de João Goulart estabeleceu uma ditadura de 21 anos com repressão, perseguições, torturas e mortes.</p>



<p>A &#8220;permissão&#8221; silenciosa de acampamentos nas portas dos quartéis e a tentativa de golpe em 2023 trouxe novamente a discussão sobre a politização das tropas e a impunidade, levando à mobilização da sociedade civil e os poderes constituídos, um deles o STF, a prender medalhões das Forças Armadas e julgá-los exemplarmente.</p>



<p>O Caso da Escola de Sargentos do Exército na APA Aldeia Beberibe é, atualmente, um dos maiores pontos de conflito entre o Exército e a sociedade civil (especialmente ambientalistas e acadêmicos).</p>



<p>A área em questão é um dos últimos remanescentes contínuos de Mata Atlântica no Nordeste. O desmatamento para viabilizar a construção desse Complexo Militar, ameaça o Aquífero Beberibe, responsável pelo abastecimento de água da Região Metropolitana do Recife. Espécies endêmicas dependem daquele microclima.</p>



<p>A construção vai romper, destruir corredores ecológicos fundamentais.</p>



<p>O Exército Brasileiro por vezes age como um &#8220;Estado dentro do Estado&#8221;,priorizando projetos próprios em detrimento da preservação ambiental e da estabilidade democrática.</p>



<p>O Brasil precisa lutar para definir o lugar das Forças Armadas em uma democracia plena, onde elas devem ser subordinadas ao poder civil e às leis de proteção ao patrimônio natural do povo brasileiro.</p>



<p>Quando o Estado (ou o Exército, como no caso da Escola de Sargentos) propõe uma obra em área de Mata Atlântica sob o argumento de “segurança estratégica” ou “interesse público”, ele entra em rota de colisão direta com o espírito do artigo 225 da Constituição Brasileira de 1988.</p>



<p>O “interesse social” de uma escola militar é colocado na balança contra o “interesse difuso” (de todos os cidadãos) à preservação de um bioma do qual resta menos de 12% da sua cobertura original. Pela Constituição, a preservação da biodiversidade e das nascentes não é apenas um desejo ecológico, é um comando, é lei.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Ministério Público Federal</strong></h2>



<p>Por fim, trago uma atualização em relação ao processo n° 126.000.000690/2022-59 ação movida pelo Fórum Socioambiental de Aldeia. O procurador Fabio Holanda, do Ministério Público Federal da 5° Região, ainda não acatou a Ação Civil Pública diante de indícios suficientes de dano ambiental que deve ser julgado na Justiça Federal. Qualquer leigo entende que é um magistrado quem terá o poder de conceder, por exemplo, uma liminar para suspender as obras até que o mérito seja julgado, ou decidir se as compensações oferecidas são legalmente aceitáveis ou não.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*</strong>Profissional autônomo, ativista ambiental e fundador do Movimento Gato-Maracajá</p>
    </div>
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		<item>
		<title>Recife sedia seminário sobre alternativas para territórios semiáridos da América Latina</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Apr 2026 19:01:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Centro Sabiá]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Plataforma Semiáridos]]></category>
		<category><![CDATA[Semiárido]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Representantes de territórios indígenas, comunidades camponesas, organizações da sociedade civil e governos locais de regiões da América Latina estão no Recife para discutir alternativas para as regiões semiáridas do continente no seminário América Latina desde os Territórios: clima, sistemas alimentares e governança. O encontro acontecerá na sede da organização não governamental Habitat para a Humanidade [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Representantes de territórios indígenas, comunidades camponesas, organizações da sociedade civil e governos locais de regiões da América Latina estão no Recife para discutir alternativas para as regiões semiáridas do continente no seminário <em>América Latina desde os Territórios: clima, sistemas alimentares e governança.</em></p>



<p>O encontro acontecerá na sede da organização não governamental Habitat para a Humanidade Brasil, no centro do Recife, nesta quarta-feira, 8 de abril. De acordo com os organizadores, Centro Sabiá e Plataforma Semiáridos da América Latina, o objetivo do seminário é “ampliar perspectivas sobre os desafios e as respostas construídas nos territórios secos diante da crise climática, com atenção especial aos sistemas alimentares, à autonomia territorial e às formas de governança política emergentes”.</p>



<p>Entre as organizações confirmadas estão a <a href="https://www.instagram.com/fundapaz.arg/">Fundapaz</a> (Argentina), <a href="https://www.instagram.com/fundeorg/">Fundación Nacional para el Desarollo</a> (El Salvador), <a href="https://islaurbana.org/">Isla Urbana</a> (México) e as brasileiras <a href="https://cetra.org.br/">Cetra</a>, <a href="https://www.instagram.com/adessu.baixaverde/">Associação de Desenvolvimento Rural Sustentável da Serra da Baixa Verde</a>, <a href="https://www.instagram.com/patacagroecologia/">Patac Agroecologia</a> e Conselho Indígena Tremembé.</p>



<p>As discussões devem focar tanto no compartilhamento de experiências para reduzir os impactos da crise climática nos sistemas alimentares e vêm sendo afetados pela crise climática quanto em estratégias de fortalecimento das capacidades políticas e de governança dos territórios secos.</p>



<p>Para Carlos Magno Morais, coordenador do Centro Sabiá e integrante da mesa de governança da Plataforma Semiáridos América Latina, o encontro tem um papel estratégico não apenas pelo que mobiliza no presente, mas também pelo que projeta para o futuro. “Ele nos prepara para a <em>Caatinga Climate Week</em>, que acontecerá em julho, em Caruaru, e que vem se consolidando como um espaço fundamental para posicionar a Caatinga no centro do debate climático global. Mas, antes disso, Recife cumpre aqui uma função essencial: a de escuta das vozes dos semiáridos da América Latina, que historicamente foram tratadas como zonas de sacrifício, mas que hoje se afirmam como territórios de soluções”, pontua Morais.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>A <a href="https://www.semiaridos.org/pt-br/">Plataforma Semiáridos</a> é uma articulação com mais de 15 organizações sociais espalhadas por dez países que possuem regiões semiáridas que conectam países e povos da América Latina. Foi criada com objetivo de revelar e sistematizar as experiências vinculadas à utilização e à gestão dos territórios nas regiões, fortalecer a sociedade civil, gerar propostas e incidir nas políticas públicas. Busca atender os desafios das organizações indígenas e camponesas, em relação ao acesso, uso e gestão da terra, ao território e aos recursos naturais.</p>
        </div>
    </div>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Elevação do nível do mar é tema de seminário na UFPE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Mar 2026 13:55:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[aumento nível do mar]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Recife Cidade Parque]]></category>
		<category><![CDATA[UFPE]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na semana em que se comemora o Dia Mundial da Água, o &#8220;Seminário Recife e os desafios da elevação do nível do mar&#8221; será uma oportunidade para conhecer propostas elaboradas por pesquisadores do projeto de pesquisa Recife Cidade Parque e dos Países Baixos para tornar o Recife resiliente ao aumento do nível dos oceanos. O [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Na semana em que se comemora o Dia Mundial da Água, o &#8220;Seminário Recife e os desafios da elevação do nível do mar&#8221; será uma oportunidade para conhecer propostas elaboradas por pesquisadores do projeto de pesquisa <a href="https://www.instagram.com/recifecidadeparque/">Recife Cidade Parque</a> e dos Países Baixos para tornar o Recife resiliente ao aumento do nível dos oceanos. O evento é destinado a profissionais e estudantes universitários das áreas de oceanografia, arquitetura, geografia e ao público em geral e será realizado no dia 26 de março, das 13h30h às 17h30, no Auditório do Ceerma (em frente ao Centro de Tecnologia e Geociências) na Universidade Federal de Pernambuco.</p>



<p>As proposições foram desenvolvidas durante o <em>workshop</em> internacional <a href="https://recifeexchanges.com/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Recife Exchanges Netherlands</a> (RXN 2025), realizado ano passado, e agora estão sendo divulgadas no seminário. Na ocasião, foram elaborados desenhos de cenários futuros para os territórios mais vulneráveis da cidade, adotando ferramentas e metodologias inovadoras e interdisciplinares. No encontro desta semana, será lançado o relatório do workshop internacional, na versão digital.</p>



<p>A organização do Seminário ressalta que as sugestões levantadas pelos pesquisadores estão ainda no nível de hipóteses que precisam ser estudadas e aprofundadas. Entretanto, abrem caminhos em busca de soluções para o tema urgente que é a elevação do nível do mar no Recife, considerada uma das cidades mais vulneráveis do mundo às mudanças climáticas.</p>



<p>Na metodologia adotada, dividiu-se o território analisado em três escalas: a macro, que abrange a cidade do Recife, a escala meso (centro histórico) e da faixa costeira (Brasília Teimosa, Pina e Boa Viagem). Para cada uma delas foram desenvolvidas algumas estratégias.</p>
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		<title>Um escudo contra as mudanças climáticas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inês Campelo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Dec 2025 14:34:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura Familiar]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Rede Ater]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quem chega a Pé de Serra pela BA-233, principal via de acesso à cidade, é logo impactado pela beleza natural do local. Da janela do carro, dois maciços de rocha se impõem à paisagem, não deixando dúvidas sobre a origem do nome do município baiano. Mas a paisagem extremamente árida também traz, de imediato, outra [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quem chega a Pé de Serra pela BA-233, principal via de acesso à cidade, é logo impactado pela beleza natural do local. Da janela do carro, dois maciços de rocha se impõem à paisagem, não deixando dúvidas sobre a origem do nome do município baiano. Mas a paisagem extremamente árida também traz, de imediato, outra constatação: o município do centro-norte da Bahia, a aproximadamente 220 quilômetros de Salvador, enfrenta uma grande seca. Tanto é assim que, em 9 de setembro, a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil publicou uma portaria colocando o município em situação de emergência devido ao longo período de estiagem.</p>



<p>A situação é grave, principalmente para a população da zona rural. Segundo Jorge Irineu, diretor de Meio Ambiente do município, algumas comunidades estão sendo abastecidas com carros-pipa desde outubro de 2024, portanto, há mais de um ano. Na quarta-feira (17), quando conversou com a reportagem, Jorge afirmou que, das 28 aguadas (mananciais que abastecem a zona rural), apenas duas ainda tinham água.<br></p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p><a href="https://cidades.ibge.gov.br/ranking-resumido/download.html?cod=2924058" target="_blank" rel="noopener">Pé de Serra</a> está localizado no Território de Identidade da Bacia do Jacuípe, no centro-norte da Bahia, fazendo divisa com os municípios de Riachão do Jacuípe, Ipirá, Capela do Alto Alegre e Nova Fátima. O município, com 13.243 habitantes, tem 596,7 km² de extensão territorial, situando-se integralmente no bioma Caatinga, característica que condiciona fortemente sua paisagem, uso do solo e formas de ocupação humana.</p>
        </div>
    </div>



<p>Os impactos da seca afetam principalmente as famílias de agricultores. E a situação poderia ser muito mais grave se não fossem uma série de ações e tecnologias de convivência com o semiárido implementadas com o apoio da sociedade civil organizada, muitas delas transformadas em políticas públicas. “Se não fossem essas políticas…”, suspira Jorge Irineu.</p>



<p>A família de Pascoal Pinto de Jesus, que tem uma pequena propriedade de dois hectares no povoado de Lagoa do Curral, uma das áreas mais afetadas pela estiagem no município, tem se desdobrado para manter a produção de caprinos com tão pouca água. Hoje, Pascoal e a esposa Maria de Lurdes, com quem está casado há 34 anos, criam 23 cabras e algumas galinhas. Já desistiu de plantar feijão e milho há, pelo menos, cinco anos. Cansou de perder a colheita. Para ele, a situação tem se agravado com o tempo. “Antigamente, a gente perdia uma colheita a cada dez. Hoje se perde dez para ganhar uma.”</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Pascoal-e-Maria-de-Lurdes-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Pascoal-e-Maria-de-Lurdes-1024x683.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Pascoal-e-Maria-de-Lurdes-1024x683.jpg" alt="Duas pessoas - uma mulher e um homem - estão em pé sobre um terreno seco e irregular, com sulcos profundos e pouca vegetação. O solo parece árido, com algumas árvores verdes ao fundo e o céu parcialmente nublado. Ambas estão vestidas de forma simples, apropriadas para clima quente, e uma delas segura um bastão de caminhada. A paisagem sugere uma área rural afetada por erosão ou seca." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Pascoal Pinto de Jesus e Maria de Lurdes, agricultores de Pé de Serra 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Inês Campelo/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Pascoal adora criar bode. Segundo ele, “é dinheiro na mão”, já que tem mais clientes para comprar a carne do que ele pode oferecer. É a famosa lei da oferta e da procura. “Mas quando chega a seca, o produtor já perde. Tem que gastar mais para produzir menos. A criação não evolui. É, praticamente, manter o rebanho e esperar que um dia vai melhorar.”</p>



<p>Enquanto espera as coisas melhorarem, ele segue trabalhando com capricho. “Bode tem que ter cuidado, tem que ter zelo. Tem que limpar o local onde eles dormem, colocar água sanitária, cal, para evitar vermes.” Pascoal, que mora em uma casa a poucos quilômetros da propriedade, instalou internet e câmeras de segurança para vigiar o rebanho quando está longe.</p>



<p>Em meio a mais de um ano sem chuva, Pascoal vai sobrevivendo com seu esforço e também acessando políticas públicas e tecnologias de convivência com o semiárido. Há 12 anos, por exemplo, ele foi beneficiado com a construção de um barreiro para armazenar água em sua propriedade, por meio de um programa coordenado pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA). O barreiro, com capacidade para 600 mil litros, quando cheio, garantiria água por dois anos. Mas não enche há quatro anos. Pascoal também recebe assistência técnica do Movimento de Organização Comunitária (MOC), por meio do programa Ater Biomas da Bahia.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">MOC e Rede ATER: políticas públicas que viraram resultados em Pé de Serra</span>

		<p><!-- wp:paragraph --></p>
<p>A presença continuada do Movimento de Organização Comunitária (MOC), articulado à Rede ATER Nordeste de Agroecologia, foi decisiva para transformar políticas públicas em resultados concretos no município de Pé de Serra, no Semiárido baiano. Desde os anos 2000, a assessoria técnica e o trabalho de organização social contribuíram para ampliar o acesso à água, com a implantação de centenas de cisternas para consumo humano e produção, reduzindo a vulnerabilidade das famílias rurais à seca e criando condições para a retomada da produção de alimentos.</p>
<p>Esse apoio técnico também impulsionou a diversificação produtiva e o fortalecimento da agricultura familiar, com estímulo a quintais produtivos, criação animal, manejo da palma forrageira e adoção de práticas agroecológicas. Ao mesmo tempo, agricultores e agricultoras passaram a acessar de forma mais consistente mercados institucionais, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), além de feiras locais, garantindo renda e escoamento da produção. O fortalecimento de cooperativas, grupos produtivos e espaços de participação social consolidou a atuação do MOC e da Rede ATER como um dos principais pilares do desenvolvimento rural e da convivência com o Semiárido em Pé de Serra.</p>
	</div>



<p>Apesar do esforço de Pascoal, o terreno onde ele cria seus animais possui pouquíssima vegetação, sem praticamente nenhum vestígio de que ali já foi uma área coberta por caatinga. Antes de avançar na reportagem, é preciso entender o que aconteceu em Pé de Serra do ponto de vista econômico e social.</p>



<p>Por conta do solo raso, pedregoso e de fertilidade limitada, ao longo do tempo a população foi derrubando áreas de vegetação nativa para a formação de roçados, pastagens e atividades extrativistas, em um contexto de baixa disponibilidade hídrica e alta vulnerabilidade climática.</p>



<p>A conversão de áreas de caatinga em pastagens, devido à expansão da pecuária, ocorreu de forma contínua ao longo das últimas décadas, com o uso de máquinas agrícolas e a substituição de sistemas produtivos diversificados por áreas abertas permanentes.</p>



<p>Além da pecuária, o desmatamento também esteve historicamente ligado a atividades extrativas, como a produção de carvão vegetal e a exploração de madeira nativa, bem como à mineração de pedra presente no município. Essas atividades provocaram impactos diretos sobre a vegetação e o solo, frequentemente associadas à ausência de fiscalização ambiental adequada e a condições precárias de trabalho, ampliando os passivos socioambientais no território.</p>



<p>Outro fator relevante foi a introdução e expansão do sisal, que romperam com práticas tradicionais de manejo e favoreceram a simplificação dos agroecossistemas. A substituição da vegetação nativa por cultivos homogêneos reduziu a biodiversidade local e aumentou a exposição do solo à erosão, especialmente em anos de seca prolongada.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O exemplo de Dona Dadá</h2>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Maria-do-Carmo-e-familia-no-sitio-300x200.jpg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Maria-do-Carmo-e-familia-no-sitio-1024x683.jpg" alt="Quatro pessoas estão em pé em uma área de cultivo ao ar livre, sob um céu parcialmente nublado. São três adultos e uma criança, todos segurando chapéus de palha. Um dos adultos também segura um pequeno ramo de plantas verdes. A pessoa ao centro veste uma camiseta com os dizeres “Feira da Economia Solidária”, indicando participação em uma atividade comunitária ligada à agricultura sustentável. Ao fundo, há plantas cultivadas e uma estrutura com tela, possivelmente usada para proteção ou sombreamento." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Maria do Carmo de Carvalho Silva, dona Dadá, e sua família
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Inês Campelo/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Em meio a uma paisagem seca e degradada, uma pequena área verde chama a atenção. Em aproximadamente cinco hectares, Maria do Carmo de Carvalho Silva, junto com sua família de agricultores, construiu uma espécie de oásis na zona rural de Pé de Serra. Pelo nome de batismo, pouca gente a conhece, mas, ao falar de Dona Dadá, todo mundo da redondeza sabe exatamente quem é. Aos 63 anos, Dadá mora na propriedade desde os anos 1980.</p>



<p>De lá para cá, conseguiu montar um sistema de produção bastante diversificado, com horta, criação de abelhas, vacas (20 cabeças), cabras (oito cabeças) e galinhas. A horta, orgulho de Dona Dadá, tem de tudo um pouco durante o ano inteiro. No período de chuva, ela planta uma roça com feijão, milho, batata-doce, maxixe, abóbora e mais o que consegue. Ainda tem a plantação de palma, que serve de alimento para o gado, e uma área de reserva, onde mantém a caatinga preservada.</p>



<p>Para manter tudo isso, além da assistência técnica do MOC, acessa vários programas e políticas públicas, como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), participa da feira agroecológica todos os sábados e tem uma cisterna calçadão onde coleta e armazena água. Recentemente, comprou umas cabras com financiamento do Banco do Nordeste. “Depois que comecei no banco, agora eu nado na terra seca”.</p>



<p>Maria da Paz, filha mais velha de Dadá, segue os passos da mãe e do pai, Gervásio da Silva, na paixão pela agricultura. Para Maria, a grande dificuldade é a falta d’água. “Porque força de vontade, carinho e conhecimento a gente tem para plantar”, complementa. Segundo ela, apesar de a cisterna ser importante, não é suficiente para dar conta da demanda de água, principalmente em períodos de estiagem como os que a população de Pé de Serra tem enfrentado.</p>



<p>Para complementar a cisterna, eles têm comprado cerca de quatro caminhões-pipa de dez mil litros cada por mês. “Pagamos R$ 100 por caminhão porque somos clientes antigos. O preço normal é R$ 250.” Para cobrir os custos, ela faz um cálculo rápido. “Uma semana de trabalho na roça paga um mês de caminhão-pipa. As outras três semanas de trabalho são para tirar todo o resto.”</p>



<p>Mateus Jonnei, coordenador de projetos do MOC, explica que está havendo um desequilíbrio de chuvas dentro do próprio município. Já começou a chover em algumas partes e em outras não. “Antes não era assim”, relembra. Talvez Dona Dadá tenha a explicação para esse fenômeno recente. “Quando eu era criança, isso tudo aqui era mato. O homem veio e desmatou tudo. Depois de velha, ter que ver uma estiagem dessa.”</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Agrofloresta como projeto de vida</strong></h2>



<p>A pouco mais de 50 quilômetros de Pé de Serra, no distrito de Barreiras, no município vizinho de Riachão do Jacuípe, está um exemplo importante de como enfrentar as mudanças climáticas. Em uma pequena propriedade, Eduardo Emídio e sua esposa, Cristina Queiroz, transformaram a terra árida e degradada em uma vibrante e lucrativa agrofloresta. Uma história de relação com a terra que começou a ser construída há mais de duas décadas a partir de uma ruptura. No início dos anos 2000, ele e Cristina deixaram o emprego na cidade e retornaram à propriedade herdada da família, movidos pela ideia de preservar o pouco de caatinga que ainda existia na área. “No começo era pensamento, era ideia”, resume.</p>



<p>A ruptura não foi apenas do ponto de vista profissional. Era romper também com a maneira como o pai, o avô e os tios entendiam a relação com a terra. Era fazer tudo de outro jeito. “A diferença era que a gente vinha de uma cultura do desmatamento para produção de alimentos, para a criação de animais. E a gente passou a ver que, em toda seca, morria metade dos animais. Toda seca as famílias passavam fome e necessidade por conta de não ter segurança alimentar. Então a gente passou a entender que áreas que eram muito produtivas, com o tempo deixavam de ser. Foi aí que passamos a ter o entendimento de que a caatinga era importante para manter a fertilidade do solo e a produção.”</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Vista-aerea-do-terreno-de-Eduardo-300x169.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Vista-aerea-do-terreno-de-Eduardo-1024x576.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Vista-aerea-do-terreno-de-Eduardo-1024x576.jpg" alt="A imagem mostra uma vista aérea de uma propriedade rural cercada por vegetação densa. No centro, há uma casa com telhado de cerâmica vermelha e painéis solares instalados. Ao lado da casa, vê-se uma estrutura circular com cobertura vermelha, parecida com um quiosque, e uma espécie de trampolim ao redor. Há também um pequeno galpão com telhado de telha e um reservatório de água redondo. Uma estrada de terra passa na parte inferior da imagem, onde está estacionado um carro. A área ao redor combina vegetação nativa com partes cultivadas, delimitadas por cercas." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Eduardo Emídio recaatingou seu terreno e hoje lida de forma mais tranquila com a estiagem.
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Inês Campelo/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A decisão de viver da terra, no entanto, não foi imediata. Até 2005, Eduardo ainda conciliou o trabalho na indústria cerâmica com o manejo da propriedade. A virada veio com o acesso ao Pronaf, em 2005. Com um financiamento de R$ 8.500, eles investiram em um galpão para armazenar capim seco, uma máquina forrageira, o plantio de palma e a compra de caprinos e ovinos &#8211; escolhas consideradas “loucuras” à época. “Galpão era visto como casa para morar, não para guardar capim”, lembra. Do recurso ainda sobrou dinheiro para a compra de uma vaca, que acabou se tornando central na sustentabilidade financeira do projeto: ao longo dos anos, a venda de bezerros e do leite permitiu quitar integralmente o financiamento. Ao final, a vaca foi vendida para pagar a última prestação, e o restante da estrutura permaneceu.</p>



<p>A partir de 2010, o sistema produtivo já estava consolidado em bases agroflorestais e de sustentabilidade, atraindo visitas de entidades e organizações interessadas em conhecer a experiência. Foi também nesse período que surgiram conflitos. Eduardo relata perseguições políticas e tentativas de interferência no projeto, incluindo disputas envolvendo despejo de resíduos de esgoto e interesses ligados à indústria cerâmica. “A ameaça não era a gente, era o que a gente indicava: que dava para manter a caatinga de pé”, afirma. A disputa se estendeu por oito anos e só foi resolvida em 2018, quando a família obteve segurança jurídica para seguir com o trabalho.</p>



<p>Durante esse período, a relação com a comunidade também exigiu estratégias de diálogo. Eduardo conta que levou escolas e crianças para dentro da propriedade, apostando na educação ambiental como forma de reduzir resistências. “A criança voltava para casa contando o que viu: o peixe, a galinha, o cabrito, o passarinho. Isso ajudou os pais a entenderem que não éramos uma ameaça”, diz.</p>



<p>Hoje, a propriedade funciona com base na convivência com o semiárido. Não há poços artesianos nem rios permanentes, mas o sistema de captação de água da chuva garante abastecimento durante todo o ano. São quatro cisternas, dois barreiros subterrâneos, três barreiros convencionais e uma mandala produtiva. Mesmo após longos períodos de estiagem, Eduardo afirma não enfrentar falta de água nem perda de animais. “A gente não compra alimento, não perde animal e consegue manter a produção”.</p>



<p>A caatinga deixou de ser vista como obstáculo e passou a ser tratada como ativo produtivo. Em uma área de 24 hectares, quase 95% permanecem cobertos por vegetação nativa, com 40% de reserva legal. A propriedade abriga aproximadamente 40 bovinos, 90 caprinos, além de galinhas, peixes e abelhas. Segundo Eduardo, a recuperação ambiental atraiu a fauna silvestre: um levantamento recente identificou cerca de 130 espécies de animais vivendo na área. Em alguns pontos da propriedade, a temperatura chega a ficar 8 graus abaixo da média local.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Eduardo-Emidio-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Eduardo-Emidio-1024x683.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Eduardo-Emidio-1024x683.jpg" alt="Eduardo Emídio está em pé em uma área de mata verde, sob um céu azul claro. Ele veste uma camisa verde de mangas compridas com um emblema circular no peito e usa um chapéu de palha de aba larga. Ao redor, há capim alto e árvores finas com poucas folhas, indicando um ambiente natural, possivelmente reflorestado. A luz do sol é suave, sugerindo que a foto foi tirada pela manhã ou no fim da tarde." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Ao tirar o sustento da caatinga em pé, Eduardo chegou a ser visto como ameaça
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Inês Campelo/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A diversificação produtiva levou à criação de uma queijaria certificada, hoje a única da Bahia a industrializar laticínios a partir de produtos da caatinga. A produção inclui queijos, iogurtes, manteigas e doces feitos com frutas nativas como umbu, mandacaru, palma, licuri e maracujá-do-mato (diferente daquele que geralmente encontramos nos supermercados). Parte significativa da renda vem desses produtos, vendidos principalmente na loja da própria propriedade e em feiras agroecológicas da região.</p>



<p>Além de Eduardo e Cristina, mais duas pessoas trabalham na propriedade. O filho do casal, Fábio Queiroz, de 22 anos, cada vez mais tem assumido os negócios da família. Eles também contam com a ajuda de um profissional que cuida do curral. Atualmente, são produzidos 200 litros de leite por dia, que são transformados integralmente em queijo e iogurte.</p>



<p>Eduardo destaca que a lógica do projeto sempre foi de longo prazo. Planejado em 2000 para ser concluído em 2020, o processo de “recatingamento” só terminou em 2021. Para ele, o diferencial não está em ensinar técnicas, mas em promover entendimento. “Não é aprendizado, é entendimento. Entender que armazenar água da chuva é melhor do que furar poço; que a caatinga é produtiva; que o sistema define o animal, e não o contrário.”</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Terrenos-de-Eduardo-e-Pascoal-300x83.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Terrenos-de-Eduardo-e-Pascoal-1024x284.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Terrenos-de-Eduardo-e-Pascoal-1024x284.jpg" alt="A imagem apresenta duas paisagens aéreas lado a lado, formando um contraste marcante. À esquerda, vê-se uma floresta densa e verde, com árvores variadas e vegetação abundante, transmitindo a ideia de um ecossistema saudável e preservado. À direita, o cenário é seco e árido, com pouca vegetação, um pequeno reservatório de água e uma estrada de terra sinuosa cortando o terreno. A diferença entre os dois lados evidencia os impactos da degradação ambiental, como desmatamento ou uso inadequado do solo, em oposição à conservação da natureza. Essa comparação visual destaca a importância da proteção dos ambientes naturais para manter o equilíbrio ecológico." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Duas propriedades, uma com agrofloresta preservada outra degradada. Mais de 8 graus de diferença na temperatura entre uma e outra.
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Inês Campelo/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	

    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>Esta reportagem foi produzida em parceria com a <a href="https://redeaterne.org.br/">Rede Ater Nordeste</a>.</p>
    </div>



<h2 class="wp-block-heading">Leia também:</h2>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/em-valente-ba-a-seguranca-alimentar-comeca-na-escola/" class="titulo">Em Valente (BA), a segurança alimentar começa na escola</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/semiarido/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Semiárido</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/articulacao-entre-ong-e-prefeitura-eliminou-ultraprocessados-da-merenda-escolar-em-cumaru/" class="titulo">Articulação entre ONG e prefeitura eliminou ultraprocessados da merenda escolar em Cumaru</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/educacao/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Educação</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/a-peleja-da-agricultura-familiar-contra-os-salgadinhos-e-sucos-de-caixinha/" class="titulo">A peleja da agricultura familiar contra os salgadinhos e sucos de caixinha</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/educacao/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Educação</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

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