Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

por João Alberto Faria*

Em 2016 um tal deputado do mais rebaixado baixo clero do Congresso Nacional, desprovido de qualquer cerimônia, bradou uma frase chocante para justificar o voto “sim” ao impeachment de uma presidente da república: “… pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra…”

Concluiu o seu voto e ficou por isso mesmo, livre para prosseguir a sua caminhada de muito ódio, pela estrada pavimentada por ideias rasteiras e frases abjetas, recheadas de racismo, homofobia, misoginia e toda forma de preconceito.
Em cada frase um crime, sob o manto da tal imunidade parlamentar que tolera o pior uso dela, mesmo que seja para destruir a democracia que a criou.

Aqui estamos… esse tal deputado, que deveria ter sido imediatamente cassado após a homenagem a um torturador em plena sessão do Congresso Nacional, um inimigo da democracia, disputa a eleição e torna-se presidente do Brasil que ele odeia!

Depois de 981 dias de “governo”, o país chega ao 7 de setembro sob a mais clara ameaça de golpe à democracia desde o fim da ignominiosa ditadura de 21 anos iniciada em 1964.

São 981 dias de ataque ao Brasil. Desde que assumiu o poder, absolutamente nada foi feito em favor do país! O desmonte é geral. Da economia, das políticas públicas, da inclusão, do emprego, da saúde, da educação, da ciência, do meio ambiente, da democracia, do povo…

Na devastadora crise sanitária que se abateu sobre o mundo, esse presidente decidiu aliar-se ao vírus, certamente pelo ódio ao povo, especialmente os pobres!

O resultado é um extravagante número de mortes, quase 600 mil até agora, que poderiam ser evitadas em grande número se o “governo” fosse aliado da vida e da ciência.

Neste 7 de setembro, o Brasil assiste à explícita e barulhenta ameaça às instituições republicanas promovida por quem deveria garantir os fundamentos da democracia e da república presidencialista.

Triste dizer isso, mas que este dia passe logo para que no imediato amanhã de 8 de setembro sejam finalmente adotadas as medidas necessárias e urgentes para salvar o país daquele que não deveria ter sido sequer candidato após o brado em favor da tortura e da morte de brasileiros.

E viva o 8 de setembro!

*Economista, ex-presidente da Autarquia de Urbanização do Recife (URB)