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UFPE apresenta detalhes das perseguições da ditadura a professores, técnicos e estudantes

Marco Zero Conteúdo / 26/03/2026
A imagem mostra uma carta oficial, digitada em português, endereçada ao reitor da Universidade Federal de Pernambuco. O documento é assinado por Francisco Balthar Peixoto, delegado do MEC em Pernambuco, e solicita dados pessoais e acadêmicos de estudantes da UFPE, como nome completo, data e local de nascimento, filiação e informações da carteira de identidade. O texto destaca a urgência do pedido e menciona que os nomes dos alunos estão em anexo. Ao final, há uma observação sobre a obrigação de manter sigilo conforme regulamentos de proteção de informações confidenciais.

Crédito: Reprodução

A Comissão da Verdade, Memória e Reparação da UFPE sobre a ditadura de 1964 apresentará, no próximo dia 31 de março, os resultados parciais de seu levantamento. Realizado desde junho de 2025, o trabalho identificou pelo menos 649 professores, estudantes e técnicos da universidade que foram alvo de práticas autoritárias do regime militar, que vão desde investigações sobre atividades “subversivas” até demissões, cancelamentos de bolsas e expulsões. Desse total, 132 pessoas foram presas ou detidas e, pelo menos, seis estudantes foram mortos pela repressão.

O evento A UFPE e o compromisso com as memórias acontece a partir das 9h, no auditório João Alfredo, na Reitoria, em uma data simbólica: os 62 anos do golpe militar. Além de detalhar os números e perfis das vítimas, a comissão anunciará as próximas etapas do trabalho de investigação e reconstrução histórica da repressão na instituição entre 1964 e 1985.

Como parte das atividades, serão remontadas exposições organizadas pelo Núcleo de Documentação sobre os Movimentos Sociais Dênis Bernardes (Nudoc) da UFPE: Lutas de Classes sob a ditadura de 1964-1985 e Tecendo memórias e lutas, com foco nos assassinatos políticos de Soledad Barret e padre Henrique. Também será lançado um conjunto de vídeos de três minutos sobre estudantes da UFPE mortos pela repressão, que passarão a ser exibidos como interprogramas na TVU a partir das 18h.

Os produtos de memória são resultado de uma experiência pedagógica que envolveu estudantes de jornalismo no semestre passado, sob orientação das professoras Paula Reis e Yvana Fechine. Alunos produziram os vídeos no Laboratório de Imagem e Som (LIS) e também realizaram 18 reportagens e entrevistas que serão disponibilizadas no site da comissão. O levantamento de dados, por sua vez, conta com a participação de estudantes voluntários e bolsistas, sob supervisão de especialistas.

A escolha do Auditório João Alfredo, no prédio da Reitoria, carrega simbolismo histórico. João Alfredo Costa Lima, reitor da então Universidade do Recife à época do golpe de 1964, foi vítima da repressão e acabou renunciando ao cargo poucos meses depois, sob pressão de militares e setores que o acusavam de abrigar “comunistas” na instituição.

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Foto Marco Zero Conteúdo
Marco Zero Conteúdo

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