Foto do pescoço para cima de mulher negra, jovem, de cabelos negros encaracolados e soltos, olha para a câmera insinuando um leve sorriso. Nos seus ombros, alças finas e brancas de uma vestido ou blusa leve.
Crédito: Acervo pessoal

Olhar para as eleições passadas pode ser como espiar pela brecha o quem vem em outubro. E uma das certezas que se antevê é de que a pauta moral, com lastro na religiosidade, vai continuar forte. Em 2020, as candidaturas com identidade religiosa foram mapeadas em oito capitais do Brasil em uma pesquisa do Instituto de Estudos da Religião (Iser). O Recife foi uma dessas capitais – e a cidade onde a carta da religiosidade foi mais usada pelos candidatos.

Coordenadora nacional do estudo “Religião e Voto: uma fotografia das candidaturas com identidade religiosa nas Eleições 2020“, a pesquisadora Lívia Reis, doutora em ciências sociais, diz que a expectativa é de que o conservadorismo esteja ainda mais presente nas estratégias dos políticos. “Os religiosos conservadores vão adotar a narrativa dos ataques à religião cristã e à família tanto pelos governos que consideram “comunistas” quanto pelo STF. E esse tipo de ataque também é uma corrosão da democracia. É um poder atacando o outro e não permitindo o diálogo, mas pedindo o aniquilamento. Esse tipo de narrativa, com cristofobia e cerceamento de liberdades, vem com força nas eleições de 2022”, diz.

Na entrevista abaixo, Lívia Reis destrincha como as pautas morais, ligadas ao cotidiano, são usadas pelas candidaturas conservadoras com identidade religiosa. E como essas narrativas estão corrompendo a democracia brasileira.

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Marco Zero Conteúdo – A pesquisa mostra que, apesar de representar 10% na eleição passada, candidaturas com identidade religiosa ocupam, em média, 51% das cadeiras nas câmaras municipais das oito capitais analisadas. É uma boa estratégia para ser eleito no Brasil?

Lívia Reis – Política e religião nunca foram uma coisa separada, sobretudo no Brasil. Temos a influência da Igreja Católica aqui, que acompanha a história da formação do Estado brasileiro. De novidade, não tem nada. O que está acontecendo é uma maior ênfase em pautas morais para a mobilização de candidaturas que, de alguma forma, apresentam certa identidade religiosa. Nessa pesquisa, tivemos o cuidado de avaliar mais especificamente como a religião é mobilizada pelas candidaturas. Não apenas no campo do que podemos chamar de conservador. A religião é mobilizada por progressistas também. Nesse campo, o mais comum é na religiosidade de matriz africana, com a pauta do fim da intolerância religiosa. Mas também pelos cristãos. Vimos nesta eleição da pesquisa, a de 2020, movimentos como Cristãos contra o fascismo e Bancada Evangélica Popular, que estavam ali também disputando o cristianismo durante a campanha eleitoral, dizendo “o cristianismo que a gente quer não é o do Bolsonaro, há outros tipos de cristianismo”. O que está acontecendo é que a pauta moral de base religiosa está ganhando mais espaço nas discussões eleitorais. Religião é uma variável importante na sociabilidade dos brasileiros, nunca esteve ausente da vida pública. Quando falo de pauta moral, não estou falando só de pautas como ideologia de gênero, como eles chamam, ou de aborto. Mas coisas mais cotidianas, como educação, violência contra a mulher, empreendedorismo, que são coisas que estão tematizadas dentro das igrejas. Então quando isso é trazido para o debate público durante as campanhas eleitorais, encontram uma certa equivalência de quem vai para as igrejas. Quando um candidato conservador está ali falando sobre cuidado, ele sabe que está falando para um público específico, que vai saber do que está sendo falado. Não precisa abertamente falar de religião para falar de religiosidade. Esse é um ponto. Por um lado, e nossa pesquisa mostra, isso é eficiente. Esse é um achado importante. Mas é importante pontuar que há diversas formas da mobilização da identidade religiosa. Então aquilo que chamamos de candidatura religiosa são aquelas pessoas que fizeram da religiosidade uma pauta central da campanha. Mas tem quem não usa como pauta central ou apenas é religioso. Tivemos o cuidado em separar essas candidaturas na pesquisa.

A candidatura com identidade religiosa acontece mais na direita? Por que?

A mobilização é diferente. Não é sobre a religião do candidato, é sobre quais pautas ele mobiliza durante o debate eleitoral. Isso, para quem está dentro das igrejas, comunica muito. Então você não precisa ficar batendo no seu peito e falando “olha, eu sou dessa tal igreja. Você fala assim: “Eu sou a favor do combate à intolerância religiosa porque os cristãos estão sendo perseguidos no mundo. Eu não quero que isso se torne uma realidade no Brasil”. Ou “eu defendo empreendedorismo, porque eu quero que as pessoas tenham liberdade e sejam incentivadas através de seus próprios méritos e seu esforço individual a alcançar a prosperidade”. Isso tem relevância dentro das igrejas. Ou quando o candidato fala que “eu não quero que educação sexual seja um tema dentro das escolas, porque eu acho que isso é um dever da família”. Então, quando o candidato levanta essas pautas no debate público durante as campanhas, ele está comunicando ao eleitor o tipo de cristianismo que ele pratica. Ele não precisa falar diretamente. Obviamente, alguns falam. As campanhas são feitas dentro das igrejas. O candidato da igreja Universal circula mais dentro dessas igrejas. A questão do cuidado, por exemplo. Isso foi o slogan de campanha do Crivella, o “vou cuidar das pessoas”. Aí você transfere essa coisa do cuidado, que tem uma equivalência muito importante nas igrejas, que estão ali fazendo ações de assistência social o tempo inteiro, incentivando que seus membros façam assistência social. As pessoas que estão vendo ali dentro das igrejas, aquelas práticas de cuidado, podem pensar “tira isso da mão do Estado e passa para a mão da igreja”. As pessoas fazem suas associações sem que seja necessariamente importante você falar sobre o seu pertencimento religioso. As candidaturas que têm essas pautas no centro da sua candidatura são consideradas pela nossa pesquisa como candidaturas religiosas e no, caso do Recife, as candidaturas que mobilizaram a religião diretamente correspondem a 65,71% do total de candidaturas com a identidade religiosa.

Foi a mais alta entre as oito capitais?

Sim, dentro tipo de candidatura que mobiliza diretamente. O que gente tira disso é que quem mobiliza diretamente as pautas morais ligadas à religião são mais eleitas. A pesquisa demonstra que esse tipo de abordagem atraiu o eleitorado.

Por que algumas candidaturas evangélicas usam o discurso de que são perseguidas?

Nos chamamos de retórica persecutória. A narrativa dos cristãos evangélicos para ingressarem na política – e estamos falando de 30, 40 anos atrás – é uma narrativa de perseguição. E que de fato existia. A narrativa de que os evangélicos não tinham espaço no debate público porque eles eram considerados uma minoria “burra” ou despolitizada foi um gancho muito utilizado para justificar a entrada dos evangélicos na política. Mas esse quadro mudou. Hoje, o que a gente vê é uma narrativa de cristofobia, que é diferente. Apesar dos evangélicos estarem cada vez mais presentes no espaço público, a narrativa que está em voga – e que está sendo disputada hoje – é a de que com as políticas progressistas do PT, como as ações afirmativas, eles foram perseguidos. Há um debate de raça muito intrínseco. A categoria raça virou uma disputa. Quando se diluiu aquele mito da igualdade racial, das três raças que convivem pacificamente, e se falou “não, as pessoas negras são discriminadas, por isso precisam de ações afirmativas”, essas políticas de integração para corrigir desigualdades não foram vistas com bons olhos.

Outra coisa foi o kit gay. Era, na verdade, um projeto de educação sexual nas escolas, muito diferente de um kit gay. Mas isso foi apropriado pela direita como sendo o kit gay. Diante dessa tentativa de redução de desigualdades e de ampliação do direito de minorias perseguidas — e estamos falando de combate à intolerância afro religiosa, de pessoas LGBTQIA+ — ,diante desses progressos na pauta dos direitos das minorias, veio colada uma narrativa de que existe uma perseguição aos cristãos. “Olha, se esse povo tá querendo falar de de ideologia de gênero nas escolas, isso é uma obra do demônio que precisa ser combatida” ou “eles vão transformar todos os nossos filhos em homossexuais”. Nisso, se propaga a ideia de que o avanço nos direitos das minorias é uma perseguição às moralidades cristãs. Outra coisa forte foi a equiparação da homofobia ao crime de racismo pelo STF. Isso tem uma ligação muito direta com a pauta da despatologização da homossexualidade, que já foi considerada doença, passível de cura. Então houve toda uma disputa, no Conselho Federal de Psicologia, para proibir os tratamentos de reversão sexual que eram praticados dentro das igrejas, por psicólogos. A partir do momento que o STF reconhece a homofobia como um crime, você não pode ficar dentro das igrejas falando que homossexualidade é uma doença. E isso também é considerado uma perseguição ao cristão. Essa narrativa de perseguição muda de configuração, mas ela vem de uma mesma linha. Quando o segmento religioso que hoje chamamos de evangélicos começa a crescer, lá na década de 1970, ele tem uma narrativa de perseguição: “A gente não tem o direito de professar nossa fé”. E isso vira a chave para entrada na política, porque também querem espaço e os direitos respeitados. Só que depois eles foram crescendo, cada vez mais, embora hoje tenhamos um cenário que indica uma estabilização, tanto da queda do catolicismo, quantos do crescimento do segmento evangélico. Essa narrativa de perseguição mudou de configuração e isso vai ser muito explorado nas próximas eleições. O Bolsonaro, quando leva isso para a abertura da assembleia geral da ONU, quando ele pede o combate à cristofobia, ele está falando disso, das pautas morais. O Brasil conseguiu avançar minimamente no que diz respeito à proteção dos direitos de minorias políticas e esse avanço foi usado para criar uma narrativa de perseguição às moralidades cristãs. Cristãs conservadoras, no caso, porque não é de todo o cristianismo que estamos falando.

Então podemos esperar que, mesmo com temas tão fortes no Brasil atual, a pauta moral também virá com força?

Com muita força. E vão muito além de aborto, ideologia de gênero e cristofobia. Agora em 2020, durante o auge da pandemia, isso foi muito explorado nas campanhas. Porque, entre as medidas sanitárias estava o fechamento das igrejas, que foi encarada como perseguição aos cristãos. Isso vira um argumento que corrobora o posicionamento do Governo Federal e dos seus atores. E qual que vai ser o argumento? Se o PT voltar, isso vai continuar acontecendo. E para isso deixar de acontecer, para as nossas liberdades individuais e de crença continuem sendo respeitadas, a gente não pode votar no PT. E quem é visto como o aliado dos “esquerdistas” nessa perseguição aos direitos dos cristãos? o Supremo Tribunal Federal (STF). Isso vai aparecer nas campanhas de uma forma muito articulada. A pauta moral é uma das chaves importantes da campanha das próximas eleições. Eu acho que essa pesquisa que fizemos já mostra muito como a pauta moral já está sendo articulada. O homeschooling, por exemplo, que já estava ali nas eleições de 2020 e vimos agora ser aprovado no Congresso.

Isso vai ser um dos trunfos dos conservadores nas próximas eleições?

Sim, porque tem a ver com ideologia de gênero, tem a ver com o cristofobia: “Eu quero que o meu filho não aprenda essa coisas”. A escola é associada não como um espaço seguro, mas como um espaço de perigo. E aí, quando você convence as pessoas que a escola não é um espaço seguro, a educação em casa é uma forma de assegurar a integridade das crianças. Então a proteção à criança e o cuidado com a família apresentam essas sutilezas. E estamos falando de família num sentido mais amplo, de responsabilidade de vínculos, não só de crianças, mas dos idosos também. Nas últimas eleições de 2020 tinha muito, muito político conservador com essa pauta de proteção dos idosos. O Governo Federal tem uma Secretaria Nacional de Idosos, então essas coisas são muito articuladas. Tem essas pequenas sutilezas de cuidados com a família, que são muito bem exploradas por esses políticos conservadores e que ligam a vida cotidiana à religiosidade. E aí que mora o perigo para a democracia. Passa-se uma falsa impressão de que se o Bolsonaro não ganhar, essas coisas vão estar em perigo.

A pesquisa do Iser levantou 15 temas que são mais debatidos pelas candidaturas de identidade religiosa. E nessa lista tem o da segurança pública. Essa dupla arma e bíblia é algo historicamente ligado às candidaturas de identidade religiosa ou é algo que cresceu agora com Bolsonaro?

Eu acho que ganhou novos contornos. Vemos um aumento progressivo dessa associação de identidade religiosa com militar. Até em nomes de urnas. Salvador, por exemplo, tem um Pastor Sargento Isidório. Houve um aumento nas últimas eleições, foi mais acionado, e isso tem a ver com essas articulações feitas. Quem nem são feitas pelo Bolsonaro, mas por um movimento mais amplo que podemos chamar de bolsonarismo ou neoconservadorismo, que fala da proteção às liberdades individuais. E a lógica é que se o Estado não me protege, eu não vou mais cobrar do Estado essa proteção: eu quero ter o direito de proteger a minha família. Entra na chave da defesa da família.

Assim como o homeschooling, que também se pauta na defesa de uma “liberdade” individual. Processos que não passam pelo Estado, mas pelo núcleo familiar?

Sim, e a consequência mais direta é uma corrosão do Estado de bem-estar. Vai minando. O que esse tipo de política propõe é que o Estado não é capaz de gerir a vida das pessoas, então você vai individualizando cada vez mais. Isso é uma característica de sociedades neoliberais. Vai minando tudo o que for para para promover o bem social, os direitos sociais e coletivos, que vão sendo colocados de lado em nome dos direitos individuais, das liberdades individuais. E falando de liberdade em um sentido muito amplo. O nosso sistema é de contrapesos, em que nenhum poder deve se sobrepor ao outro (individuais e coletivos). O ideal é que esses direitos estejam balanceados. E o que a gente está vendo é um desbalanceamento, no sentido de uma de uma superposição das liberdades individuais. É o discurso de “dane-se que minorias estão sendo prejudicadas por esse discurso de ódio, é a sua liberdade”.

A pesquisa mostra que há poucos candidaturas religiosas de não cristãos e ainda menos eleitos. Em Recife, foram duas candidaturas, nenhuma eleita. É comum essa subrepresentação?

Sim, infelizmente. Apesar de que agora estamos vendo uma mudança nesse quadro. Candidaturas que se auto definem como afro religiosas e têm a pauta da intolerância e da defesa da cultura dos povos das culturas negros estão vendo que a representação na política institucional se tornou o requisito para a sobrevivência das religiosidades, que foi  justamente o que fizeram os evangélicos 30, 40 anos atrás. Não estamos falando de equivalência de poder, é uma religiosidade que ainda não compõe nem 5% da população brasileira. Católicos e cristãos compõem mais de 80% da população, então essa subrepresentação se dá também na sociedade. As afro religiões nunca fizeram política institucional, é outra dinâmica de ocupação e relação com o espaço público e com a natureza. Historicamente, há essa ocupação como cultura. Tem toda uma história no PDT, pro exemplo, que tem um histórico de candidaturas negras com uma pauta mais ligada à cultura. O PT concentra mais candidaturas de católicos por conta da ligação histórica do PT com as comunidades eclesiais de base, com as pastorais da juventude. Agora estamos vendo mais candidaturas afros ligadas à religião, porque a representação política está sendo entendida como importante para a manutenção e garantia dos seus direitos. Infelizmente, porque, teoricamente, a religião da pessoa não não deveria influenciar no tipo de direito que é reivindicado. Se você tem pessoas comprometidas com a democracia e com os direitos humanos, não precisa de um representante da sua religião para ter seus direitos garantidos.

O debate público, principalmente das esquerdas, ainda é muito voltado para o conservadorismo evangélico. Mas também existe um forte conservadorismo católico. Aqui no Recife, em 2020, teve um movimento das comunidades católicas que foi até a porta de um hospital público para tentar impedir o aborto legal em uma criança de dez anos. Como é esse conservadorismo católico nas eleições?

Não é à toa que o Recife elegeu sete candidatos católicos, com diferentes graus de envolvimento com a igreja. Como coordenadora dessa pesquisa, fiquei um pouco impressionada também com a relação da igreja católica em Recife e esse setor de conservadores da igreja católica. Existe um conservadorismo católico que passa pela renovação carismática, mas que já começa a ir além dela. Existem muitos setores conservadores católicos que estão se mobilizando junto também com evangélicos conservadores e cristãos conservadores. Tem muitos conservadores que se denominam cristãos e são católicos. Quando precisam, eles se juntam. Das 39 cadeiras da Câmara de Vereadores do Recife, 20 candidatos com identidade religiosas foram eleitos. Desses 20, nove eram ligados ao PSB. Outra coisa importante também é que os católicos eleitos são majoritariamente brancos. São dados importantes a se trabalhar. Como o catolicismo é muito naturalizado, porque ele tende a ser visto como a religião dos brasileiros, começa a passar batido com a emergência do debate público dos evangélicos. Mas não é que eles deixam de existir: eles só ficam apagados. Eles ainda têm muito poder, ainda são muito conservadores e ainda têm um papel muito importante na manutenção dessas estruturas autoritárias de poder. É importante mostrar essa dimensão porque no Recife ficou muito evidente. É uma maioria branca, ligada a partidos conservadores – não no caso do PSB, que é um partido mais de centro-direita. Recife também foi a capital com mais candidaturas com identidade religiosa identificada em relação às candidaturas totais. A média nacional foi 10%. Recife foi 12,56 %: de 836 candidatos, foram 105 com identidade religiosa.

O que podemos esperar das candidaturas com identidade religiosa para as eleições de 2022?

Está sendo muito importante ver um crescimento da disputa pelo cristianismo também por setores de esquerda. Eu acho que isso é uma tendência que vai aumentar. É importante pontuar isso, de que existem muitos tipos de cristianismo e não só o conservadorismo cristão, uma direita cristã. O que está mandando no país atualmente não é o único tipo de cristianismo e isso está sendo disputado no espaço público. Estamos vendo também uma organização maior de afro religiosos, em torno da ocupação desse espaço, que eu não acho é necessariamente um indicativo da nossa qualidade democrática. Acho que é o contrário, indica que a nossa democracia está tão fraca que essas pessoas estão precisando recorrer a esses espaços para ter seus direitos garantidos. Enquanto minorias que são, a não representação delas nesses espaços têm significado um ataque cada vez maior a essas religiosidades. A maioria não está protegendo a minoria, o que mostra uma piora da nossa democracia.

Os ataques de um poder sobre o outro também são outro importante fator de risco para a nossa democracia nessas eleições. E isso vai ser feito muito por meio dessa pauta da cristofobia. O discurso, por exemplo, de que os valores cristãos e a família cristã estarão sob ameaça se o PT voltar. Os religiosos conservadores vão adotar a narrativa dos ataques à religião cristã e à família tanto pelos governos que consideram “comunistas” quanto pelo STF. E esse tipo de ataque também é uma corrosão da democracia. Não comporta o diferente. Esse tipo de narrativa, com cristofobia e cerceamento de liberdades, vem com força nas eleições de 2022. Vai ser uma eleição muito mais suja. Cristãos conservadores, sobretudo católicos, têm uma rede internacional de articulações, então recebem muito dinheiro de fora para investir nas narrativas. É tudo muito bem articulado.

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