Crédito: Antonio Cruz/Agência Brasil

por Jair Pereira*

Mais de 33 milhões de brasileiras e brasileiros passam fome neste momento. Destes, cerca de 4 milhões estão nestas condições em Pernambuco. No Agreste, onde fica a “Caruarulândia” da candidata Raquel Lyra, os números são ainda mais graves: a maior concentração de pobres de todo Estado: 59,62%. Ou seja, de cada 10 pessoas nesta Região, seis estão abaixo da linha da pobreza.

Bolsonaro não inaugurou uma só universidade, nem escola técnica. Não criou nenhuma escola de ensino fundamental. Mas o país assistiu à fundação de – pasmem! -, cerca de um Clube de Tiro por dia nos quatros anos do atual governo.

O Brasil deve atingir 700 mil mortos de covid-19 até o final do ano. A previsão orçamentária é um corte de 45% nos recursos destinados ao tratamento de pessoas com câncer em 2023, a segunda doença que mais mata no país. O Programa Farmácia Popular, de atendimento de remédios a quem sofre de hipertensão, diabetes, asma, assim como distribuição de fraldas geriátricas, dentre outras necessidades para os que mais precisam, sofrerá redução de 59%. E outros 50% de tesoura nas verbas do Mais Médicos.

É nesse cenário que encontramos a justificativa da candidata Raquel Lyra (PSDB) para não declarar o seu lado. Para não declarar o seu voto. É natural que ela não tenha condições políticas de se assumir de que lado ela vai sambar no próximo dia 30.

A tucana incorporou a personagem de uma entidade híbrida que, a um só tempo, quer carregar virtudes de Bolsonaro (como se houvesse alguma…) e de Lula (para atrair o voto dos derrotados ressentidos do primeiro turno e dos que vacilam na hora quando se mais precisa deles pra derrotar o fascismo).

Mas, no fundo, o motivo desse comportamento de “Pôncio Pilatos”, é um só: todas essas distorções de prioridades públicas, todos esses cortes previstos para os mais pobres serão revertidos para atender ao escândalo do Bolsolão (o chamado Orçamento Secreto), cuja base de sustentação política está toda entricheirada no palanque da candidata tucana e de sua vice, bolsonarista de carteirinha, Priscila Krause.

Na luta contra as desigualdades humanas, sociais, culturais e econômicas, as chances de possibilidades de neutralidade não existem. É zero. O homem é um ser social. Seu pensamento, suas ações, atitudes, comportamentos e valores são reflexos das contradições de classes existentes. A neutralidade, frequentemente defendida equivocadamente, só desequilibra para o lado dos opressores.

Portanto, nas circunstâncias que estão colocadas, a disputa eleitoral em Pernambuco entre Lula e Marília Arraes, de um lado; contra Bolsonaro e Raquel Lyra, do outro lado, a neutralidade política é uma soma de mito, ilusão, ingenuidade e que resulta, inexoravelmente, em farsa.

*Jornalista, ex-secretário de Imprensa do governo Miguel Arraes (1995-1998).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Marco Zero Conteúdo