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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 11 Apr 2024 17:28:05 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<item>
		<title>Uma jornada por terras desérticas</title>
		<link>https://marcozero.org/uma-jornada-por-terras-deserticas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Arnaldo Sete]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Apr 2024 14:34:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[caatinga]]></category>
		<category><![CDATA[desertificação]]></category>
		<category><![CDATA[nordeste]]></category>
		<category><![CDATA[Seridó]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Todo o conteúdo da série “Os Desertos do Sertão”, realizada pela Marco Zero Conteúdo com apoio do projeto Report For The World e da Fundação Henrich Böll, está disponível em nosso site. Ao todo, foram publicadas sete reportagens sobre o avanço do processo de desertificação no Nordeste brasileiro e aqui você pode conferir o resumo [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Todo o conteúdo da série “Os Desertos do Sertão”, realizada pela Marco Zero Conteúdo com apoio do projeto <a href="https://reportfortheworld.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Report For The World</a> e da <a href="https://br.boell.org/pt-br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Fundação Henrich Böll</a>, está disponível em nosso site. Ao todo, foram publicadas sete reportagens sobre o avanço do processo de desertificação no Nordeste brasileiro e aqui você pode conferir o resumo de cada uma delas.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Os Desertos do Sertão</strong></li>
</ul>



<p>Na reportagem de abertura contamos como um projeto financiado pelo próprio Governo Federal foi responsável por degradar as terras de agricultores do Médio São Francisco, tornando-as improdutivas. Também contextualizamos e atualizamos os dados sobre as áreas áridas e semiáridas no Brasil.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/os-desertos-do-sertao/" class="titulo">Os desertos do sertão</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/clima/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Clima</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Gilbués, o deserto vermelho e produtivo do Piauí</strong></li>
</ul>



<p>Durante a nossa apuração encontramos o que parecia ser um milagre: um deserto produtivo com plantações de milho, feijão, hortaliças e tantos outros alimentos. Nesta reportagem você pode conhecer a singularidade da paisagem do deserto de Gilbués e entender como os agricultores da região conseguiram tornar produtiva uma terra antes sem valor nenhum.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/gilbues-o-deserto-vermelho-e-produtivo-do-piaui/" class="titulo">Gilbués, o deserto vermelho e produtivo do Piauí</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/clima/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Clima</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Lagoa seca e rio sem leito: os sinais da desertificação acelerada</strong></li>
</ul>



<p>Na terceira reportagem trazemos uma contextualização de como o processo de desertificação tem se intensificado nas últimas décadas em Pernambuco e na Bahia. Grandes áreas secas e com terras degradadas e lagoas que secaram completamente refletem os efeitos das mudanças climáticas nas regiões.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/lagoa-seca-e-rio-sem-leito-os-sinais-da-desertificacao-acelerada/" class="titulo">Lagoa seca e rio sem leito: os sinais da desertificação acelerada</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/clima/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Clima</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Um “caçador de água” nas terras áridas do norte da Bahia</strong></li>
</ul>



<p>Nesta reportagem você pode conhecer a história de Manoel Batista, mais conhecido Seu Né, um verdadeiro “bruxo” do sertão nordestino. Ele teria o dom da radiestesia, a suposta habilidade de perceber o campo eletromagnético dos depósitos subterrâneos de água, e por isso é responsável por indicar o local certo onde escavar os poços e garantir água.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/um-cacador-de-agua-nas-terras-aridas-do-norte-da-bahia/" class="titulo">Um &#8220;caçador de água&#8221; nas terras áridas do norte da Bahia</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/clima/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Clima</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Seridó desmatado</strong></li>
</ul>



<p>No sertão do Rio Grande do Norte, o agricultor Francisco das Chagas, que antes desmatava suas terras para produzir lenha, se reeducou graças ao incentivo de seus filhos e passou a preservar o solo, além de iniciar um projeto de plantio da caatinga. Nesta reportagem, mostramos a importância das ações de preservação do Seridó, como as realizadas por Chagas.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/serido-desmatado/" class="titulo">Seridó desmatado</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/clima/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Clima</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Ele tem um sonho: reflorestar a caatinga</strong></li>
</ul>



<p>No Seridó potiguar, o geógrafo e professor Josimar Araújo de Medeiros é responsável por formar voluntários para plantar faveleiras na caatinga. Com a falta de políticas públicas e sem nenhum incentivo financeiro, o professor tem o sonho de realizar o reflorestamento de terras desmatadas e degradadas. Nesta reportagem, você pode conhecer mais sobre o projeto.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/ele-tem-um-sonho-reflorestar-a-caatinga/" class="titulo">Ele tem um sonho: reflorestar a caatinga</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/clima/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Clima</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Falta orçamento para conter a desertificação</strong></li>
</ul>



<p>Em entrevista à Marco Zero, o diretor do Departamento de Combate à Desertificação, Alexandre Pires, falou sobre o Plano Nacional de Combate à Desertificação e os desafios encontrados para efetivar as ações previstas pelo setor, sendo a falta de orçamento o maior deles. Na reportagem que finaliza a série, você pode saber mais sobre o plano do Governo Federal.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/falta-orcamento-para-conter-a-desertificacao/" class="titulo">Falta orçamento para conter a desertificação</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/clima/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Clima</a>
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	            </div>
        </div>

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			</item>
		<item>
		<title>Para &#8220;requalificar o entorno&#8221;, empresa espanhola corta 27 árvores na calçada do aeroporto</title>
		<link>https://marcozero.org/para-requalificar-o-entorno-empresa-espanhola-corta-27-arvores-na-calcada-do-aeroporto/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Arnaldo Sete]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Jan 2024 15:14:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Aena]]></category>
		<category><![CDATA[aeroporto]]></category>
		<category><![CDATA[direito à cidade]]></category>
		<category><![CDATA[direitos urbanos]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[privatização de aeroportos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Poucas semanas depois de entregar a reforma e ampliação do aeroporto dos Guararapes, a concessionária Aena, empresa espanhola que há cinco anos administra o terminal de passageiros, anunciou o início das obras de “requalificação do entorno do sítio aeroportuário, da praça Salgado Filho e do antigo terminal de passageiros”. No release distribuído à imprensa na [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Poucas semanas depois de entregar a reforma e ampliação do aeroporto dos Guararapes, a concessionária <a href="https://www.aenabrasil.com.br/pt/index.html">Aena</a>, empresa espanhola que há cinco anos administra o terminal de passageiros, anunciou o início das obras de “requalificação do entorno do sítio aeroportuário, da praça Salgado Filho e do antigo terminal de passageiros”. No release distribuído à imprensa na sexta-feira, 19 de janeiro, a empresa informa que a primeira etapa da requalificação acontecerá na “calçada da avenida Mascarenhas de Morais, no trecho que vai do antigo terminal à avenida Centenário Alberto Santos Dumont”.</p>



<p>Quase no final do texto, uma informação aparentemente sem muita importância: “algumas árvores situadas na calçada, no trecho que vai passar pelas intervenções, serão removidas e substituídas por outras espécies”.A realidade é que, em 24 horas, as motosserras da Aena cortaram nada menos que 27 árvores de grande porte saudáveis na calçada da Mascarenhas de Morais.</p>



<p>A justificativa dada pela empresa e aceita pela secretaria municipal de Meio Ambiente do Recife, que autorizou a erradicação das plantas, é que as árvores cortadas impediam “a requalificação do passeio público, quanto afetam a integridade do pavimento e do muro, devido ao tipo de crescimento de suas raízes”.</p>



<p>De acordo com a prefeitura do Recife, a autorização para a concessionária fazer o abate das árvores foi dada licença foi concedida, &#8220;sob condicionante do plantio compensatório, também de responsabilidade da concessionária, de 58 novas árvores nativas de grande porte &#8211; o dobro do que existia anteriormente&#8221;. De acordo com a gestão municipal, teriam sido cortadas 29 árvores, mas a equipe de reportagem contou 27 restos de troncos serrados ao longo da calçada.</p>



<p>Sem detalhar como e onde será feito a compensação ambiental, a empresa informou que novas árvores de espécies diferentes serão replantadas, além de prometer que “as intervenções vão melhorar ainda mais a experiência do passageiro no aeródromo da capital pernambucana, e da população de seu entorno”.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Na Espanha</strong>, <strong>a Aena fez pior</strong></h2>



<p>Em novembro de 2021, o jornal Diario de Sevilla publicou denúncia que a Aena cortou árvores centenárias de um parque vizinho ao aeroporto San Pablo, em Sevilha. A justificativa foi parecida com usada em Recife “as árvores impossibilitam a execução do referido recinto tal como se encontram no traçado do referido recinto”. Nos dois casos, as plantas sequer estavam dentro do aeroporto, mas junto ao muro.</p>



<p>Antes disso, em 2004, a empresa foi acusada de derrubar 191 árvores nas margens do rio Jarama, junto ao aeroporto internacional de Barajas, em Madri.</p>



<p>Para ler sobre esse caso em Sevilha, <a href="https://www.diariodesevilla.es/sevilla/Denuncian-Tala-tamarguillo-arboles-centenarios-junto-aeropuerto-Sevilla-ecologistas-accion-La-Fea-Aena_0_1628838010.html"><strong>clique aqui.</strong></a></p>



<p>Para ler sobre o caso de Madri, <a href="https://elpais.com/diario/2004/07/20/madrid/1090322667_850215.html"><strong>clique aqui.</strong></a></p>



<p>No caso recifense, não se tratavam de árvores centenárias, porém todas tinham pelo menos 30 anos. As imagens do Google Earth disponíveis antes disso não tem resolução suficiente para identificá-las.</p>



<p>A empresa, no entanto, desde janeiro de 2023 faz publicidade de que <a href="https://www.aena.es/es/prensa/aena-y-la-fundacion-saving-the-amazon-plantaran-mas-de-10.000-arboles---en-la-selva-amazonica-para-luchar-contra-el-cambio-climatico.html">ajuda a plantar 10 mil árvores na Amazônia</a>.</p>


<p>O post <a href="https://marcozero.org/para-requalificar-o-entorno-empresa-espanhola-corta-27-arvores-na-calcada-do-aeroporto/">Para &#8220;requalificar o entorno&#8221;, empresa espanhola corta 27 árvores na calçada do aeroporto</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Fraternidade, esperança e miséria moram juntas embaixo da ponte do Limoeiro</title>
		<link>https://marcozero.org/fraternidade-esperanca-e-miseria-moram-juntas-embaixo-da-ponte-do-limoeiro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Arnaldo Sete]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Dec 2021 02:33:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[direito à moradia]]></category>
		<category><![CDATA[habitação]]></category>
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		<category><![CDATA[rio Capibaribe]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Carlos não tem nada, nem endereço. Não há licença poética ou exagero nessa afirmação: há quase 30 anos ele mora debaixo das pontes do centro do Recife e sua lista de bens se resume a um colchão fico, uma manta, lençóis surrados, algumas bermudas, camisas velhas, chinelo de dedo, um ventilador de três velocidades, uma [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Carlos não tem nada, nem endereço. Não há licença poética ou exagero nessa afirmação: há quase 30 anos ele mora debaixo das pontes do centro do Recife e sua lista de bens se resume a um colchão fico, uma manta, lençóis surrados, algumas bermudas, camisas velhas, chinelo de dedo, um ventilador de três velocidades, uma cuscuzeira, uma traquitana com resistência elétrica para cozinhar e uma tv de tubo que queimou na véspera da entrevista. A rede e o barco que lhe garantem a sobrevivência são emprestados.</p>



<p>Aos 62 anos, o pescador Carlos Antônio Bezerra dos Santos não alimenta desejos de consumo ou de possuir algum patrimônio. E aqui está o que justifica a publicação deste perfil na véspera do Natal: ele não pára de sonhar com uma vida mais confortável, mas seus sonhos não são individuais. Tudo que ele pensa em vir a ter é para melhorar a vida dos quase 50 pescadores que convivem sob a ponte do Limoeiro, onde começa a avenida Norte.</p>



<p>Apesar de muitos pescadores deixarem seus barcos junto à ponte e guardarem redes e motores, Carlos é o único que realmente mora ali, numa espécie de palafita de madeira cujo teto é a ponte. Ele está ali há quatro anos, mas antes passou mais de duas décadas num barco sob outra ponte, a Maurício de Nassau, aquela que liga os bairros do Recife e Santo Antônio.</p>



<p>“Eu era segurança de posto de gasolina, mas sempre gostei mesmo foi de pescar. Pedi demissão, me separei e fui pra debaixo da ponte”. É assim que Carlos resume sua vida.</p>



<p>“Não é questão de preferência, não, é necessidade, mas pra mim, como eu vivo de pescaria, melhor ficar perto do rio, perto do mar, melhor do que uma favela longe de onde eu tiro o sustento”, adverte. Em 2017, ele esteve perto de ganhar um endereço, com direito a CEP e número na porta. Ou, pelo menos, achou que estava perto disso.</p>



<p>Foi depois que <a href="https://twitter.com/profreporter/status/936936742891823104?s=20">Caco Barcellos</a> e estudantes de Jornalismo do programa Profissão Repórter o entrevistaram. “Depois que saiu a entrevista comigo na Globo, no outro dia o pessoal da prefeitura chegou lá me perguntando se eu queria sair dali, que eu não era obrigado sair, mas se quisesse eles me botavam pra receber aluguel social, me davam fogão, mesa, geladeira. E tudo que me ofereceram, me deram. E me botaram no aluguel social também, só que é o seguinte, onde tem aluguel social tem muita gente que é dependente químico. E eu não quero mais estragar a vida na cachaça, aí tive que sair da favela do Papelão e deixei de ganhar R$ 200 por mês”, conta.</p>



<p>Depois da entrevista, os filhos o procuraram para dizer que “não era nem pra ter feito porque a família ficou com vergonha porque eu disse que morava embaixo da ponte, mas eu moro, então não tô mentindo”. No entanto, o que fez a família se afastar dele foi o alcoolismo. “Quando bebia era muito violento. Quando fiquei sozinho, pronto, aí eu bebia direto mesmo. Então decidi parar de beber, mas ainda voltei a beber, parei novamente e voltei a beber de novo. Agora fazem nove meses, tenho fé em Deus que eu não bebo mais, não, que é pra ver se consigo alguma coisa, porque já tô no fim da velhice”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                                        <p class="m-0">Carlos tenta se manter longe da bebida para manter os sonhos. (Crédito: Arnaldo Sete/MZ conteúdo)</p>
	                
                                    </figcaption>
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Sonhos de consumo</strong></h2>



<p>E o que esse homem tão desapegado do dinheiro tanto quer?</p>



<p>“Se conseguisse um freezer velho, usado, botava ali [aponta para uma plataforma erguida sobre colunas de madeira ao lado do local onde dorme e cozinha], pra o pessoal daqui guardar os peixes, porque sem freezer, os pescadores têm que vender o pescado no mesmo dia e por qualquer preço”, explica. A lista de desejos de Carlos é modesta e todos os poucos itens estão associados à pesca.</p>



<p>O segundo maior desejo do pescador Carlos nasceu de uma ideia que lhe ocorreu quando viu uma balsa da prefeitura que recolhe lixo no rio Capibaribe. “Uma vez eu falei com o secretário do Meio Ambiente, nem sei o nome dele, mas eu falei com pra ele botar os pescadores para recolher o lixo e dar um troco que desse pra gente comprar, pelo menos, a gasolina. Rapaz, a gente ia tirar bem mais lixo do que essa barca que eles pagam. Tem dia que só os pescadores aqui da ponte do Limoeiro já trouxeram mais de 300 quilos na rede. Tem dia que a gente não pega nenhum peixe, mas pega muita porcaria”.</p>



<p>O pescador acredita que, se sua ideia fosse aceita, ele e seus colegas teriam como sobreviver durante os meses do ano em que não se pega nada do rio.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Os bichos do rio</strong> e do mangue</h3>



<p>O estuário do Capibaribe, aliás, é tanto um aliado quanto uma ameaça. “Tem noite que só tenho cuscuz e mais nada, aí jogo uma redinha e pesco umas saúnas [nome popular de um peixe miúdo]. Só isso e já tenho a mistura da janta”. Ao menos duas vezes por ano, o rio dá medo. As marés são tão altas que a linha d’água fica a um palmo de sua cama.</p>



<p>O lugar onde ele passa as noites sozinho está longe de ser agradável, porém o modo como ele lida com um espaço tão insalubre dá a sensação do seu cotidiano ser mais leve do que parece. “Tem muriçoca demais, mas tenho um ventilador pra espantar”. Sim, um lugar escuro úmido tem ratos e baratas, mas ele garante: “nunca me fizeram mal”.</p>



<p>Sob sua estranha palafita, que mais parece um tosco mezanino, proliferam centenas de aratus, um tipo de caranguejo de patas vermelhas, com elevado comercial, cujo carne é vendida por até R$ 55,00 a cada quilo (para efeitos de comparação, o quilo da tainha, o peixe mais comum na área sai por R$ 15) Nos aratus, porém, ninguém mexe. “Não deixo ninguém matar os bichinhos, são meus amigos, eu crio como se fosse meus cachorrinhos. Dou comida pra eles até ficarem com as patas bem vermelhas. Por quê? Porque eles são lindos, são a beleza desse lugar aqui”.</p>



<p><em><strong>Esta reportagem foi produzida com apoio do <a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do <a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project</a>.</strong></em></p>



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