Foto: Raíssa Ebrahim / MZ Conteúdo

Um balanço nacional do Meu voto será feminista revela um aumento de cerca de 30% na eleição de mulheres inscritas na plataforma em 2020. O aumento, porém, ficou apenas nas câmaras municipais: foram eleitas 30 vereadoras, mas nenhum prefeita ou vice no primeiro turno.

Nove capitais contam com vereadoras feministas. No Recife, foram eleitas três: Cida Pedrosa (PCdoB), Dani Portela (Psol) e Liana Cirne Lins (PT). Outra na RMR foi Flávia Hellen (PT), eleita em Paulista e que em 2016 disputou um cargo de deputada federal.

Dez estados elegeram feministas e a única região do país sem feministas eleitas foi o Centro Oeste. Foram 287 candidaturas que geraram mais de 2,1 milhões de votos.

Leia a lista com todas as candidatas feministas eleitas

Em Pernambuco foram 29 candidaturas cadastradas, sendo seis candidaturas coletivas e 22 tradicionais. Apenas uma foi para o executivo, a de Kátia Cunha, em Goiânia. Kátia é uma das codeputadas das Juntas (Psol).

Para Bia Paes, uma das coordenadoras da plataforma Meu Voto Será Feminista, 2020 fica marcado pelo aumento da eleição de mulheres negras de luta. “Observamos um aumento na apresentação de candidatura das mulheres negras, tendo essas mulheres grande êxito na eleição. Elas foram 55% das mulheres da plataforma, com 159 candidaturas. E 20 delas foram eleitas, de um total de 30 eleitas da plataforma. Foi a maior conversão que tivemos”, conta.

Outro destaque foi a explosão de candidaturas coletivas. Se em 2016 foram duas – ambas eleitas, a Bancada Ativista (Psol) e a Juntas (Psol) – agora foram 16 candidaturas coletivas feministas no Brasil, com quatro sendo eleitas. “Aqui em Pernambuco tivemos candidaturas coletivas no Grande Recife e no interior, foi um método que se espalhou”, diz.

Em Pernambuco, uma candidatura coletiva e feminista foi eleita em Garanhuns, As Manas, que tiveram que mudar o nome da urna para Fany das Manas (PT). “Mas três outras coletivas ficaram na suplência: Laísa, da Ecocoletiva, no Recife; Divânia, do Agora que são elas, em Ouricuri; e as Pretas Juntas, do Recife. As três são do Psol”, comenta Bia.

Na plataforma, 46% das candidatas são mães, mas apenas 19% das eleitas são mães. “O funil da maternidade para as mulheres na política é um desafio muito grande. A maternidade se apresenta como um obstáculo muito violento na política”, lamenta Bia.

Ainda há duas candidatas feministas inscritas na plataforma e concorrendo no segundo turno: Luiza Erundina, vice de Guilherme Boulos, em São Paulo; e Margarida Salomão (PT)à prefeitura de Juiz de Fora (MG). Manuela D’ávila (PCdoB) e Marília Arraes (PT), que disputam segundos turnos em Porto Alegre e no Recife, se declaram feministas, mas não estão inscritas na plataforma.