Crédito: Caranguejo Uçá

Enquanto pescadores e pescadoras do Cabo de Santo Agostinho recorrem ao Supremo Tribunal Federal, a comunidade tradicional pesqueira da Ilha de Deus, na zona sul do Recife, quer manter a mobilização que atingiu seu ponto alto, entre os dias 22 e 26 de novembro, durante o Grito da Pesca Artesanal, em Brasília. Um dos mecanismos para isso será a realização de uma pesquisa em formato de extensão, na qual seis mulheres pescadoras passaram por capacitação para aplicar um questionário virtual no território.

A pesquisa sobre o impacto do derramamento de petróleo e da covid-19 nas comunidades pesqueiras do litoral pernambucano está sendo realizada pelo departamento de Sociologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e investigará impactos sociais, econômicos, ambientais e na saúde dos trabalhadores e trabalhadoras da pesca que vivem em 16 municípios costeiros do estado. Na Ilha de Deus, a pesquisa acontece em parceria com a Ação Comunitária Caranguejo Uçá.

De acordo com a organização, “pescadoras e pescadores Artesanais são muito mais do que meros objetos de estudo, pois são agentes contínuos e permanentes da manutenção de um modo de vida tradicional e da conservação ambiental. Essa identidade sociocultural é guardiã dos mares e dos rios, por isso, nada pode ser escrito sobre nós sem a nossa participação. Além disso, os processos que envolvem a educação devem tomar vários sentidos e diversos caminhos. Os espaços de troca de saberes são múltiplos, podendo acontecer dentro de uma sala de aula ou na beira da maré.”

Maria das Neves dos Santos, de Lagoa do Carro, foi uma das pescadoras que esteve presente no Grito da Pesca, ato político que reuniu pelo menos 600 pescadores de 15 estados de quatro regiões costeira brasileiras. “A pesca é nosso único meio de sobreviver, nós vivemos de pescar. O movimento do Grito nasceu de nós porque não nos sentíamos representados. Nossas carteiras [de pescador] não podem ser suspensas, somos tão importantes quanto qualquer outro profissional”, explica Maria das Neves.

Na palavras de Severino Antônio, do Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP), o Grito acontece “em defesa da vida, dos territórios pesqueiros tradicionais, da soberania alimentar e da democracia”. “Uma articulação nacional para dizer um ‘não’ ao recadastramento, para pedir inclusão social na participação para construir esse processo e também na defesa dos direitos gerais dos pescadores e de todo trabalhador brasileiro que está sendo massacrado pelo atual governo”, explica, dizendo “não à Proposta de Emenda à Constituição (PEC 32/2020)”, da reforma administrativa.

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