fachada do Hotel Nassau, vista do nível da rua, em foto tirada de baixo para cima na rua de paralelpípedos Larga do Rosário. Em frente à fachada, estão penduradas bandeiras dos movimentos dos sem-teto.
Crédito: Arnaldo Sete/

Pelo menos 50 famílias estão ocupando, desde a madrugada de segunda-feira, 5 de dezembro, o imóvel onde funcionou o antigo Hotel Nassau, localizado no bairro de Santo Antônio, área central do Recife. A ocupação é coordenada por duas organizações que estão atuando conjuntamente, o Movimento de Luta e Resistência pelo Teto (MLRT) e Movimento de Luta nos Bairros e Favelas (MLB). 

A ocupação recebeu o nome de “Menino Miguel”, em homenagem a Miguel Otávio, criança negra e filho de Mirtes Renata, que morreu após cair de um prédio de luxo no centro do Recife, no dia 2 de junho de 2020. “A Ocupação Menino Miguel recebe esse nome em homenagem à nossa criança, vítima também da acentuação do processo de expulsão branca que tem nas duas torres um marco das novas casas grandes que se erguem sob o centro do Recife!”, defendeu o MLB em uma nota publicada nas redes sociais. 

O imóvel ocupado havia sido indicado, em um estudo elaborado em 2018 por organizações sociedade civil como um dos 42 imóveis localizados no bairro de Santo Antônio que se encontra abandonado e não cumpre sua função social, como determina a Constituição Federal e o Plano Diretor de Recife. O prédio do falido Hotel Nassau também foi reconhecido pelo Plano Diretor de 2021 como um dos imóveis prioritários para realização de estudos para reconhecimento como Imóvel Especial de Interesse Social. 

“O déficit habitacional aumenta diariamente no nosso país e no nosso estado, além disso, há um desmonte das políticas públicas voltadas às questões de moradia, por isso a garantia de moradia para o povo pobre nos grandes centros urbanos é a nossa principal pauta”, afirmou Kléber Santos, coordenador do MLB. 

Ainda de acordo com Santos, o imóvel onde funcionou o antigo Hotel Nassau está abandonado há mais de 20 anos e soma mais de 3,2 milhões de reais em dívidas de IPTU.  “Existem vários prédios como esse, que estão há anos abandonados sem cumprir nenhuma função social e devendo milhões de impostos, então, essa ocupação é uma maneira de fazermos uma denúncia e também de lutar para que o povo pobre e trabalhador possa ter direito à moradia digna e possa ocupar o centro da cidade”, concluiu. 

De acordo com os movimentos, as famílias já se encontram organizadas no prédio e garantiram o funcionamento imediato de uma creche e uma cozinha solidária. Nas redes sociais, os movimentos responsáveis pela ocupação pedem doações para assegurar a limpeza e manutenção do imóvel e a alimentação dos ocupantes.

A ocupação solicita doação de água e alimentos, materiais de limpeza, itens de higiene pessoal, colchões, roupas e demais mantimentos. As doações também podem ser feitas através de Pix (qualquer valor). Mais informações sobre os pontos de arrecadação e doações em dinheiro estão disponíveis no Instagram do MLB.

Hotel abandonado foi ocupado por 50 famílias na madrugada de segunda-feira. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo

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