Apoie o jornalismo independente de Pernambuco

Ajude a MZ com um PIX de qualquer valor para a MZ: chave CNPJ 28.660.021/0001-52

Homem é preso na UFPE depois de assediar alunas e filmar mulher amamentando

Marco Zero Conteúdo / 28/03/2023
Dezenas de pessoas, em sua maioria jovens, aplaudem prisão em flagrante de assediador sexual na UFPE

Crédito: Dominyque Regison Tomaz dos Santos

por Dominyque Regison Tomaz dos Santos*

Às 14h desta terça-feira (28), foi preso em flagrante, no Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH) da UFPE, Carlos Eduardo Benites, de 50 anos, suspeito de assediar sexualmente duas estudantes da instituição e a filha de uma delas, uma menina de 3 anos. Após duas horas de protestos e ameaças de linchamento, a polícia militar precisou ser acionada e enviou quatro viaturas. Segundo uma das vítimas, o homem a gravou em momento íntimo de amamentação. 

Segundo um colega da Eliane, a primeira vítima, o suspeito, que se identificou com advogado, chegou na universidade ainda pela manhã. Em entrevista antes de a prisão acontecer, ele conta que estava sentado com sua amiga na frente do Centro de Educação, ao lado do prédio do CFCH, por volta das 11h, quando começaram os assédios. 

O estudante relata que nunca tinha visto o homem no campus e que estava conversando com a amiga no momento em que ela foi abordada com falas agressivas, sem fundamento e obscenas, incluindo perguntas como  “Elas podem me assediar e eu não posso assediar elas de volta?” e “Elas ficam com essas poses eróticas e eu que tenho que conter os meus desejos?”

Percebendo que começou a ser filmado, o suspeito fugiu em direção ao CFCH e se escondeu no auditório do terceiro andar, onde estava acontecendo o evento RecFil 2023, reunindo estudantes de Filosofia da UNICAP, UFPE e UFRPE. Foi lá que aconteceu o segundo assédio. Thayane*, estudante de Educação Física, conta que estava amamentando sua filha, de três anos, quando percebeu que estava sendo filmada pelo homem. 

Enquanto isso, por volta das 11h30, pelo menos cinco seguranças da TKS, empresa privada que presta serviços à UFPE, foram acionados e cercaram o prédio, mas não retiraram o homem do evento. Testemunhas contam que chegaram a avisar do ocorrido à organização, mas estes teriam optado por não interromper as palestras. Foi quando começaram os protestos. Os organizadores do evento postaram nota repudiando o acontecimento.

Ao meio dia, já haviam mais de 100 pessoas na entrada do prédio gritando pela prisão do suspeito, mas foi apenas às 13h30, quando acabou o evento, que ele foi escoltado para o térreo. Lá, ficou sentado por aproximadamente meia hora, enquanto se intensificavam os protestos pedindo sua prisão, além de ameaças de linchamento. Somente às 14h08, com a chegada de três advogados e dez policiais militares em quatro viaturas, o homem foi escoltado à delegacia. Os manifestantes permitiram a passagem dos policiais sem truculência.

Assédios e abusos na UFPE

O protesto desta terça-feira é reflexo de uma onda de assédios que já vinha acontecendo no campus da universidade. Com um total de 15 andares e poucas câmeras, a administração do CFCH já estava há quase um mês controlando a entrada de não-estudantes por causa da recorrência do problema. 

Receosas, duas estudantes do curso de Geografia contam já ser de conhecimento público crimes cometidos nos banheiros femininos do 11º andar por um estudante de História – que permanece impune. Karine*, uma das estudantes a frente do protesto, relata sentir-se insegura, revoltada e que também aconteceram outros casos recentes no Centro de Ciências da Saúde (CCS), a 800 metros do local do crime de hoje.

Em nota, o Diretório Central dos Estudantes da UFPE (DCE) informou já ter ciência dos casos e que está construindo um documento-síntese sobre os casos de assédio e violência para apresentar à reitoria. Já a Administração Central da Universidade informou que está acompanhando a situação, “repudia todo e qualquer caso de violência contra a mulher e permanece à disposição para colaborar com o que for solicitado”.

A primeira vítima foi encaminhada à Diretoria de Gestão em Operações de Segurança da UFPE para prestar um boletim interno. Já a segunda vítima foi com a família diretamente para a delegacia e deve processar o suspeito por posse e produção de pornografia infantil.

Momento da prisão de Carlos Benitez no CFCH. Crédito: Dominyque Regison Tomaz dos Santos

  • Os nomes dos estudantes foram alterados, a pedido deles, por medo de represálias.
  • Texto atualizado às 16h13min de quarta-feira, 29 de março.

*Esta reportagem foi produzida como trabalho acadêmico da disciplina Redação Jornalística 1 do curso de Jornalismo da UFPE, do qual Dominyque Regison é aluno.

AUTOR
Foto Marco Zero Conteúdo
Marco Zero Conteúdo

É um coletivo de jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.