Organizações sociais de 15 estados constroem agenda de segurança pública focada em direitos humanos

Fortaleza sedia 1ª Conferência Popular de Segurança Pública para debater violência policial

Marco Zero Conteúdo / 18/08/2026
Na foto, um grupo de pessoas participa de uma manifestação sob chuva, protegendo-se com guarda-chuvas enquanto seguram cartazes em português que pedem “pelo fim da violência policial”; os cartazes, em cores como vermelho e branco com letras destacadas, reforçam a mensagem de protesto e solidariedade, transmitindo o clima de mobilização coletiva contra abusos e em defesa dos direitos humanos.

Crédito: Paulo Pinto/Agência Brasil

De 19 a 21 de agosto de 2026, a cidade de Fortaleza (CE) sedia a 1ª Conferência Popular de Segurança Pública do Brasil. O evento reúne movimentos sociais, pesquisadores, organizações da sociedade civil e familiares de vítimas da violência institucional com o objetivo de formular uma agenda nacional de segurança pública voltada para a defesa dos direitos humanos.

A mobilização é organizada pelos Fóruns Populares de Segurança Pública e resulta de uma etapa preparatória que envolveu cerca de 50 pré-conferências em comunidades periféricas, universidades e associações de moradores. Ao todo, participam representantes de 15 unidades federativas das cinco regiões do país: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe.

Contexto de alta na violência letal

A realização do encontro coincide com a divulgação de dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026. De acordo com o balanço, os indicadores de feminicídios e de mortes decorrentes de intervenção policial atingiram os maiores patamares de suas respectivas séries históricas. Em 2025, as mortes por agentes do Estado somaram 6.602 ocorrências, o que representou 16% do total de mortes violentas intencionais registradas no país.

Edna Jatobá, coordenadora-executiva do Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop) — uma das entidades articuladoras —, aponta que os indicadores reforçam a necessidade de descentralizar o debate sobre o uso da força pública e ouvir as populações mais afetadas pelas políticas de repressão.

A conferência está estruturada a partir de grupos de trabalho que debaterão diferentes eixos temáticos vinculados à justiça criminal, à prevenção social do crime e aos direitos territoriais. As resoluções discutidas ao longo dos três dias serão consolidadas na Carta da 1ª Conferência Popular de Segurança Pública do Brasil.

O documento elencará 27 pontos considerados prioritários para o enfrentamento ao racismo estrutural, redução de desigualdades e reestruturação da segurança. A versão final da carta será entregue formalmente aos candidatos que disputam as eleições de 2026.

Programação e participação social

A abertura oficial da programação ocorre na noite de quarta-feira (19), com o lançamento da campanha “Vote Segura” e a divulgação de um relatório sobre o sistema socioeducativo. Na quinta-feira (20), as atividades se deslocam para o centro de convivência da Universidade Federal do Ceará (UFC), no campus do Pici. A solenidade de abertura contará com a participação do coletivo Mães do Curió — grupo de mulheres que atua pelo controle externo da atividade policial desde a Chacina do Curió, ocorrida em 2015, em Fortaleza.

Na sexta-feira (21), os debates serão encerrados com a plenária unificada para a leitura pública dos 27 pontos da Carta Política, além de oficinas culturais e atividades de formação abertas ao público.

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