Raquel Lyra: mulher branca de cabelos presos, usando blusa e calça lilás, com sorriso aberto, cumprimenta outras mulheres que carregam cartazes de sua campanha eleitoral no meio de uma rua.
Crédito: Instagram Raquel Lyra

A equipe da futura governadora Raquel Lyra parece ter entendido que 16 anos não são 16 dias, principalmente quando se trata de gestão pública e política. Na entrevista coletiva concedida no início da semana, a vice-governadora eleita, Priscila Krause, deixou claro que superar a herança de quatro mandatos consecutivos (de 2007 a 2022) do PSB em Pernambuco está sendo encarado como um dos desafios da aliança encabeçada pelo PSDB, de Raquel, e pelo Cidadania, do Cidadania.

Além de queixar-se dos indicadores econômicos e da situação financeira do estado, Krause foi enfática ao demonstrar preocupação com o volume de contratos assinados pelo governador Paulo Câmara após o resultado das eleições de outubro. Segundo a equipe de transição, foram R$ 328 milhões em contratos de obras firmados nos últimos dois meses, além de 31 novas licitações que comprometem mais R$ 249 milhões.

Para Priscila Krause, “a aceleração das contratações foi uma atitude pouco responsável diante do cenário de incerteza fiscal criado pelas leis complementares 192 e 193, que reduziram alíquotas de ICMS dos estados”.

Somados os valores desses novos contratos e das licitações recém iniciadas às obras já em andamento, de acordo com os dados apresentados por Krause e não refutados pela equipe de Paulo Câmara, são mais de R$ 3,1 bilhões em obras. No entanto, apenas R$ 1,8 bilhão estão previstos no orçamento de 2023.

Para um estado que reservou R$ 2 bilhões para investimentos no orçamento de 2023, Raquel Lyra começaria a governar com reduzida margem de manobra, tendo que administrar obras com a marca registrada do rival PSB. “É um valor muito alto contratado para um valor disponível insuficiente”, reclamou a futura vice-governadora. Ela também questionou os R$ 480 milhões para conclusão da dragagem que aumentará a profundidade do canal de acesso a Suape: “esse serviço se arrasta há 11 anos e, só agora, decidem desembolsar esse valor?”

A equipe de transição pediu a suspensão de novos atos administrativos que criem despesas para a futura gestão e informou ao Ministério Público (MP-PE) e Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Priscila Krause deverá ter papel ativo no futuro governo. Crédito: Instagram Priscila Krause

Educação e Saúde

A educação promete ser uma área em que Raquel Lyra terá de se esforçar para vencer a imagem positiva deixada pelo PSB e bastante explorada pela publicidade do governo que se encerra neste domingo, 1º de janeiro. De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a rede estadual de ensino de Pernambuco obteve o terceiro melhor resultado no Ideb 2021 com a nota 4,4, atrás apenas do Paraná (4,6) e do estado de Goiás (4,5). Além disso, o estado garantiu o piso salarial de R$ 3,9 mil para professoras e professores, lançando concurso público para contratar 4 mil professores, técnicos e profissionais de pedagogia.

Ao abordar esse assunto, Priscila Krause revelou qual será a possível estratégia da equipe a ser comandada pela secretária de Educação, Ivaneide Dantas: “Junto com os prefeitos e os municípios, nós vamos abrir 60 mil vagas de creches e investir em educação infantil. Vamos buscar essas crianças para que elas possam entrar no sistema de ensino”.
A fórmula, segundo ela, foi adotada com sucesso pelo estado do Ceará “há 20, 30 anos. Com atraso, Pernambuco vai começar a partir de 2023”. Krause disse que também será necessário garantir o fornecimento de água potável para todas as escolas da rede e dar atenção à qualidade de ensino e da aprendizagem, principalmente em português e matemática, disciplinas em que os estudantes pernambucanos alcançaram nota 4 no Ideb.

A nova governadora e sua companheira de chapa terão mais facilidade no quesito “saúde”.

As imagens do teto de diversos setores do Hospital da Restauração caindo a cada chuva um pouco mais forte, expuseram o fracasso do modelo adotado ainda na era Eduardo Campos (com o pai de Raquel Lyra como vice-governador), com a construção de hospitais e UPAs que, em seguida, eram entregues à gestão privada de fundações, principalmente aquelas ligadas ao Imip.

“Na saúde, os desafios são a má qualidade da infraestrutura das unidades, principalmente os seis grandes hospitais, uma fila de 78.324 pessoas esperando consultas ou cirurgias e a concentração da estrutura de atendimento concentrada aqui na Região Metropolitana”, explicou a vice-governadora.

Priscila Krause também citou como dificuldades a serem enfrentadas na segurança pública – aumento da violência armada e de feminicídios – e também no fornecimento de água potável para todas as regiões do estado. Nesse último caso, o aumento da dívida da Compesa e a redução do seu lucro operacional seriam ameaças na garantia da disponibilidade hídrica.

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