Simone interpreta errado dados da dívida pública

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Números do Banco Central citados pela candidata do PSTU não se referem ao que é pago pelo governo aos bancos

Por Raíssa Ebrahim

“Hoje (…) 80% do PIB é para pagamento da dívida pública” – sabatina Fora da Curva, na Rádio Universitária 99.9 FM, em 19 de setembro

A candidata ao governo de Pernambuco pelo PSTU, Simone Fontana, errou ao falar sobre o pagamento da dívida pública do Brasil. Ela abordou o assunto na intenção de criticar a relação entre governo e bancos e empresas. E complementou: “80% do que se produz de riqueza no país vai para as mãos dos banqueiros, vai para as mãos dos empresários”.

O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma, em valores monetários, da riqueza de um lugar, medida pelos bens e serviços finais produzidos num determinado período. É um indicador macroeconômico. O orçamento público é que estabelece o quanto se paga da dívida.

Questionada sobre a fonte da informação, Simone citou matérias veiculadas na imprensa nacional que apresentam o quanto a dívida equivale do PIB. Segundo o Banco Central, a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) – que compreende governo federal, INSS e governos estaduais e municipais – alcançou R$ 5,186 trilhões em julho (dado mais atualizado), equivalente a 77% do PIB.

Isso significa que, caso o Brasil fosse quitar essa dívida integralmente, de uma só vez, esse montante equivaleria a 77% das riquezas produzidas no País. Essa equivalência é feita para mostrar como anda o endividamento do governo. É “Falso”, portanto, o selo atribuído à candidata pelo Truco nos Estados – projeto de fact-checking da Agência Pública que em Pernambuco tem parceria com a Marco Zero Conteúdo.

Na proposta orçamentária de 2019, consta que, em 2020, a dívida bruta deve ultrapassar 80% do PIB. O Fundo Monetário Internacional (FMI) considera que a dívida bruta de países emergentes está em cerca de 50% do PIB. Já as agências de classificação de risco levam em consideração o patamar de 80% como referência. Acima disso, consideram que pode haver comprometimento da sustentabilidade da dívida do país.

Desde 2014, a dívida pública vem se acumulando uma vez que o país vive um cenário de déficit primário, isto é, as receitas não têm sido suficientes para bancar as despesas, sem contar aqui com os juros da dívida, então não sobra dinheiro para pagar a dívida.

Candidata diz que se expressou mal

Confira o retorno de Simone Fontana na íntegra:

“Acredito que eu tenha me expressado mal. O mecanismo de pagamento da dívida é extremamente perverso. O governo destinou em 2016 para pagamento de juros e amortizações da dívida 44,94% do orçamento, um verdadeiro absurdo. A relação com o PIB (80%)demonstra o quanto esta dívida compromete a soberania do país”.
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