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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Superintendente do Iphan assinou ofício favorável a &#8220;zeppelin&#8221; um mês antes de parecer técnico</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Arthur Maciel]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Mar 2024 19:38:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[arquitetura e urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[patrimônio histórico]]></category>
		<category><![CDATA[Recife Antigo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A controversa decisão de liberar a construção de um restaurante em forma de zeppelin no alto de dois edifícios tombados é anterior ao próprio parecer emitido por três profissionais da coordenação técnica do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Pernambuco. É o que indica um ofício de 22 de setembro de 2023, [&#8230;]</p>
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<p>A controversa decisão de liberar a construção de um restaurante em forma de zeppelin no alto de dois edifícios tombados é anterior ao próprio parecer emitido por três profissionais da coordenação técnica do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Pernambuco. É o que indica um ofício de 22 de setembro de 2023, assinado pelo próprio superintendente do Iphan, Jacques Alberto Ribemboim, e enviado ao Centro de Integração Social José Cantarelli. Somente no dia 31 de outubro o parecer dos técnicos foi concluído.</p>



<p>O documento (ver PDF abaixo) faz parte do processo Pronac 236409, onde essa organização não-governamental busca captar <a href="https://versalic.cultura.gov.br/#/projetos/236409">R$ 30 milhões de reais por meio da Lei Rouanet</a>, para a execução do projeto REC Cultural. O <a href="https://ebrasilenergia.com.br/cisc-jose-cantarelli/">Centro de Integração Social José Cantarelli </a>é uma organização mantida pela Ebrasil Energia, empresa responsável pelo REC Cultural.</p>





<p>Textualmente, a íntegra do ofício de Ribemboim diz que “a Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional &#8211; IPHAN/PE declara que está ciente e de acordo com a apresentação do projeto em referência ao PRONAC, pela proponente CENTRO DE INTEGRAÇÃO SOCIAL JOSÉ CANTARELLI, para obter o benefício da Lei Federal de Incentivo à Cultura. No entendimento desta Superintendência, o projeto deverá proporcionar impactos fortemente positivos no âmbito cultural e social”.</p>



<p>O ofício favorável ao projeto sequer foi incorporado ao SEI-IPHAN, que é o sistema oficial de informações do instituto e só pôde ser encontrado pela reportagem nos documentos anexados ao processo da Lei Rouanet. Nem mesmo os técnicos da Iphan que assinaram o parecer, tinham conhecimento de sua existência.</p>



<p>A medida é criticada por diversas entidades de preservação de patrimônio arquitetônico e cultural de Pernambuco, pela construção de uma estrutura em forma de zeppelin no teto dos dois prédios, onde funcionariam uma lojinha, um café/lanchonete e um restaurante.</p>



<p>O parecer assinado pelos técnicos avalia que a obra se constitui em “uma intervenção descaracterizante do imóvel e do conjunto arquitetônico e urbanístico tombado”. Entretanto, o parecer técnico foi derrubado pelo superintende Jacques Ribemboim em 4 de março de 2024, sob a alegação de que “as instalações previstas no projeto do REC Cultural de loja, café/lanchonetee o restaurante no formato de Zeppelin configuram a intenção do particular em obter suporte, ainda que parcial, aos encargos financeiros do investimento e às despesas operacionais e de manutenção. Neste cenário, as características de autossustentabilidade vêm ao encontro das políticas públicas defendidas no âmbito do IPHAN”.</p>



<p>O superintendente ainda escreve que “trata-se de um investimento privado de interesse público, reforçando a vocação do bairro do Recife como um importante <em>cluster t</em>urístico e cultural, com geração de renda e emprego”. Mas apesar de se tratar um investimento privado, grande parte dos custos, senão a totalidade da obra, almeja dinheiro público, através do processo em tramitação no Ministério da Cultura, onde se solicita a captação de pouco mais de R$ 30 milhões via renúncia fiscal por meio da Lei Rouanet. O projeto já foi pré-aprovado pelo MinC e encontra-se em fase de avaliação pelo próprio Iphan, já que se trata de intervenções físicas em edificações tombadas.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/03/zeppelin-historia.jpeg" alt="Foto antiga em preto e branco de uma edifício do bairro do Recife com um zeppelin sobrevoando, dando a impressão de que o dirigível faz parte da estrutura do prédio em estilo clássico." class="" loading="lazy" width="272">
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	                                        <p class="m-0">Projeto é inspirado nesta imagem
</p>
	                
                                            <span>Wilson Carneiro da Cunha</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A decisão do superintendente provocou indignação em representantes de entidades como o Conselho de Arquitetos e Urbanistas em Pernambuco, Conselho Estadual de Preservação e Patrimônio Cultural, Instituto de Arquitetos do Brasil e o Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Urbano da UFPE. Todos se posicionaram contra a construção do restaurante Zeppelin e manifestaram apoio ao parecer assinado pelos técnicos do Iphan.</p>



<p>O projeto original previa a construção em alvenaria das instalações do Restaurante Zeppelin, o que resultaria no acréscimo, em definitivo, de dois andares ao prédio. Entretanto, uma alteração desse porte não é permitida em edificações tombadas pelo Iphan. A Prefeitura do Recife, no entanto, se posicionou favoravelmente em parecer assinado gestores que ocupam cargos comissionados, como é o caso do secretário de Políticas Públicas e Licenciamento, Carlos Eduardo Muniz Pacheco, a secretária executiva de Licenciamento, Taciana Maria Sotto-Mayor Porto Chagas, e a assessora Executiva de Planejamento, Emília Márcia Lapa Teixeira Avelino.<br><br>A decisão do superintendente de ignorar o parecer técnico da equipe do Iphan ainda pode ser revista pela presidência do órgão em Brasília, onde devem ser protocolados os recursos das entidades contrárias ao projeto.</p>



<p>Procurada pela equipe de reportagem, a coordenação-geral de comunicação do Iphan pediu prazo até a tarde desta quinta-feira para responder aos questionamentos sobre o ofício de 22 de setembro assinado por Ribemboim. O prazo solicitado foi atendido e respeitado. Caso a instituição se posicione, este texto será atualizado.</p>
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		<title>Prefeitura altera Parque da Tamarineira e ignora projeto original pelo qual já pagou R$ 2 milhões</title>
		<link>https://marcozero.org/prefeitura-altera-parque-da-tamarineira-e-ignora-projeto-original-pelo-qual-ja-pagou-r-2-milhoes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 Mar 2022 00:25:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[arquitetura e urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[parque da tamarineira]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[urbanismo Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Era um projeto sustentável com construções de baixo impacto ambiental e um conceito mais contemplativo do que esportivo”. É assim que a arquiteta Luciana Raposo descreve o projeto que desenvolveu, junto com outros profissionais, para o Parque da Tamarineira. Integrante da equipe vencedora do concurso público lançado em 2011, pelo então prefeito João da Costa, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>“Era um projeto sustentável com construções de baixo impacto ambiental e um conceito mais contemplativo do que esportivo”. É assim que a arquiteta Luciana Raposo descreve o projeto que desenvolveu, junto com outros profissionais, para o Parque da Tamarineira.</p>



<p>Integrante da equipe vencedora do concurso público lançado em 2011, pelo então prefeito João da Costa, para desenvolver um projeto que transformaria uma área de 9,6 hectares em um espaço público de lazer, saúde e cultura para os recifenses, Luciana foi surpreendida com o anúncio da publicação do edital para a licitação de estudos básicos para a construção de diversos equipamentos, em uma área de aproximadamente 98,9 mil metros quadrados, localizada entre a Rua Cônego Barata, Avenida Conselheiro Rosa e Silva e Rua Doutor José Maria, havia sido realizada pela Prefeitura do Recife.</p>



<p>A diferença entre o projeto desenvolvido há 11 anos e o atual, proposto pela gestão do prefeito João Campos, fez com que Luciana questionasse o motivo de todo o estudo realizado pela equipe vencedora do edital ter sido desconsiderado. “Queríamos fazer um museu a céu aberto. No nosso projeto, não enchemos o parque de quadra e elementos, nós deixamos um sítio, porque historicamente aquela área era conhecida como Sítio da Tamarineira e tinha um grande pomar. Nós fomos buscar conceitos e inspirações diferentes, pensamos em um jardim mais original sem muita intervenção, sem muita pavimentação, queríamos que fosse tudo de terra batida”, explicou a arquiteta.</p>



<p>O projeto proposto pela prefeitura em nada se parece com o que foi apresentado por Luciana, o que causou surpresa para a arquiteta, já que, segundo ela, no início deste ano a prefeitura fez contato com a equipe e solicitou o projeto desenvolvido por eles. “Inocentemente, eu achei que eles estavam licitando uma parte do nosso projeto”, afirmou.Na época, o projeto vencedor do concurso ganhou um prêmio de R$ 40 mil e, ao ser transformado em projeto executivo, custou mais R$ 2 milhões aos cofres do município.</p>



<p>Com equipamentos como ponto comercial gourmet, quiosques, piscina, obstáculo skate, tênis de mesa, quadra de golfe e parcão (espaço para cachorros), o planejamento solicitado na licitação prevê a diminuição da área verde e o aumento da pavimentação, além disso, toda a integração histórica que seria contemplada com o museu a céu aberto foi esquecida. De acordo com a publicação do Diário Oficial, a prefeitura vai pagar R$ 341 mil pelo novo projeto de estudos básicos da área, a empresa que ganhou a licitação foi a Colmeia.</p>



<p>Entramos em contato com a prefeitura para questionar os impactos ambientais que as obras podem causar. Em nota, a gestão respondeu assim: “A efetivação do Sítio da Tamarineira como parque público é de suma importância para o fortalecimento da cidadania e para garantir às futuras gerações espaços de convivência que mantenham significativos valores históricos, sentimental, cultural, paisagístico, patrimonial e ambiental. A preservação da vegetação composta de árvores centenárias também possibilita um microclima mais agradável, sendo abrigo de diversas espécies de pássaros silvestres e importante fator da manutenção de melhor qualidade ambiental para os moradores da cidade”.</p>





<h2 class="wp-block-heading"><strong>Impasse </strong>na doação do terreno </h2>



<p>A criação do Parque da Tamarineira é uma promessa antiga que segue se arrastando. Em fevereiro deste ano, a Santa Casa de Misericórdia, representada pelo arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido, desistiu da doação do terreno onde o equipamento seria construído. Ao mesmo tempo, a Prefeitura do Recife publicou o edital para realizar os estudos básicos de engenharia para a construção de um parque em uma pequena parte do total da área que seria doada pela Santa Casa.</p>



<p>Em nota, a prefeitura informou que “o município segue com o propósito de transformar o Sítio &#8211; área de 98,9 mil metros quadrados, localizada entre a Rua Cônego Barata, Avenida Conselheiro Rosa e Silva e Rua Doutor José Maria, onde fica localizado o Hospital Ulisses Pernambucano &#8211; em um parque público. É importante frisar que o que foi aprovado em fevereiro deste ano é um projeto básico de engenharia justamente para verificar a viabilidade da obra. A área é definida como Unidade de Conservação de Paisagem &#8211; UCP &#8211; Parque da Tamarineira, pela Lei Municipal nº17.802/2012, que proíbe, em seu artigo 3º, qualquer intervenção que comprometa o patrimônio ambiental e cultural hoje existente no seu perímetro e determina, em caráter exclusivo e permanente, o atendimento da função social de parque público”.</p>



<p>A Marco Zero procurou a Santa Casa de Misericórdia para saber se a instituição tinha conhecimento da licitação. Em nota, a Santa Casa afirmou desconhecer &#8220;a existência desta referida licitação, mas, de toda maneira, depreendemos que tenha sido aberta antes da oficialização da ‘revogação’ por parte da gestão da Santa Casa Recife”.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/possibilidade-de-construcao-de-predios-na-tamarineira-deixa-prefeitura-na-defensiva/" class="titulo">Possibilidade de construção de prédios na Tamarineira deixa prefeitura na defensiva</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/territorio/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Território</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Sobre o motivo da desistência da doação do terreno do Parque da Tamarineira, a instituição confirmou que desistiu de doar a área. “A Irmandade da Santa Casa de Misericórdia do Recife, como entidade religiosa ligada canonicamente à Arquidiocese de Olinda e Recife, precisou requerer autorização específica para a celebração da escritura. Exerceu o seu direito de revogar a doação após constatar que o projeto de lei que regulamenta a TDC deverá alterar substancialmente as premissas que serviram de base para a sua celebração. O direito de desistir estava previsto na escritura, exatamente em razão da incerteza de como seria regulamentada a TDC. A entidade filantrópica oficializou a “desistência” enviando ofício à PCR”, afirma a nota enviada pela Santa Casa</p>



<p>A TDC (Transferência do Direito de Construir) está regulamentada pelo decreto nº 34.113/2020 e determina parâmetros de uso e ocupação do solo a fim de garantir o que está assegurado em lei para a área, ela prevê a possibilidade de utilização do instrumento urbanístico para viabilizar a transferência de titularidade do imóvel, se houver o interesse do proprietário.</p>



<p>Apesar da desistência, a Santa Casa afirmou que continua em negociação com a Prefeitura do Recife e reiterou que cabe à gestão municipal conduzir os estudos e atender às demandas ambientais e sociais que envolvem a referida área.“A gestão segue estudando alternativas que garantam a preservação de conceitos da atual proposta, mas adequando-os a uma realidade financeira e orçamentária que não impossibilite ações estratégicas para a cidade”, declarou a prefeitura através de nota enviada à reportagem.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Como fica o Hospital </strong></h3>



<p>A construção do Parque da Tamarineira afetaria o dia a dia de médicos e pacientes do Hospital Ulysses Pernambucano. Localizado na Avenida Conselheiro Rosa e Silva, no Bairro da Tamarineira, a casa de saúde é referência no tratamento psiquiátrico em Pernambuco e no Brasil.</p>



<p>No projeto realizado em 2011 estava previsto a construção de uma nova ala para o hospital que, de acordo com a arquiteta Luciana Raposo, contaria com 80 leitos de enfermaria. Além de uma área de convivência para os pacientes.</p>



<p>“O hospital ainda tem uma função essencial no atendimento à saúde mental no estado e também na formação de profissionais de saúde. A gente entende que o hospital não pode sair dessa área, que historicamente é do Ulysses, então, para a construção do parque seria necessário a construção de um prédio para receber a emergência psiquiátrica e toda a reforma da área histórica que abrigaria, entre outras coisas, um museu da psiquiatria, que nós consideramos essencial”, declarou Ruth Bonow, diretora do Ulysses Pernambucano.</p>



<p>Ruth afirmou que não teve conhecimento prévio sobre a licitação realizada pela prefeitura “No início do ano passado a prefeitura entrou em contato conosco informando que as obras do Parque da Tamarineira seriam iniciadas. Naquela ocasião, fomos informados que haveriam algumas modificações no projeto inicial já que haviam se passado mais de dez anos e seriam necessárias algumas atualizações”, disse.</p>



<p>Agora, a diretora se preocupa com a estrutura do hospital, que, segundo ela, “está muito decadente e precisa de uma intervenção urgente&#8221;, e segue sem previsão de reforma.</p>



<p>“O Parque da Tamarineira não é uma praça, é um complexo de urbanismo e paisagismo que tem sua função ligada às necessidades da saúde mental, então, é preciso se debruçar sobre essa questão para poder propor alguma coisa”, afirmou Luciana Raposo.</p>



<p>“Essa proposta [licitada pela prefeitura] não é parte de um projeto maior que tende a funcionar para as próximas gestões, ele é algo imediato. A prefeitura está pulando uma parte importantíssima, que é o planejamento, o estudo de viabilidade, a escuta pública, o envolvimento das pessoas e dos órgãos, da cidade como um todo”, completou a arquiteta.</p>



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	                                        <p class="m-0">Página 8 do termo de referência publicado pela PCR
</p>
	                
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                    </figure>

	


<p><em><strong>Esta reportagem foi produzida com apoio do<a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do<a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project.</a></strong></em></p>



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		<title>Sociedade civil se mobiliza para derrubar decreto da Tamarineira</title>
		<link>https://marcozero.org/sociedade-civil-se-mobiliza-para-derrubar-decreto-da-tamarineira/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Nov 2020 23:15:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[arquitetura e urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[Desenvolvimento Urbano]]></category>
		<category><![CDATA[parque da tamarineira]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade civil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O coletivo Direitos Urbanos protocolou nas promotorias de Meio Ambiente e de Urbanismo do Ministério Público uma representação pedindo a suspensão imediata dos efeitos decreto sobre o parque da Tamarineira. As 33 entidades que formam a Articulação Recife de Luta deu inicio a uma campanha popular para que o mesmo decreto seja revogado. Na Câmara [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O coletivo Direitos Urbanos protocolou nas promotorias de Meio Ambiente e de Urbanismo do Ministério Público uma representação pedindo a suspensão imediata dos efeitos decreto sobre o parque da Tamarineira. </p>



<p>As 33 entidades que formam a Articulação Recife de Luta deu inicio a uma campanha popular para que o mesmo decreto seja revogado.</p>



<p>Na Câmara Municipal, dois vereadores de oposição se mobilizaram: um vereador, Jayme Asfora (Cidadania) cobrou explicações formais do prefeito. Outro, Ivan Moraes Filho (PSOL), apresentou um projeto de decreto legislativo para cancelar o decreto do poder executivo.</p>



<p>Em todos os casos, os protagonistas asseguram que o conteúdo do decreto 34.113, de 6 de novembro, é repleto de artigos que o tornam ilegal.</p>



<p>A maior parte dos argumentos contrários ao decreto concentra-se nos capítulos II, onde estão estabelecidos os potenciais construtivos para a área nos artigos 2º e 4º, e III, onde dos artigos 6º ao 10º, autorizaria para o terreno um instrumento jurídico chamado Transferência do Direito de Construir.</p>



<p>Já a equipe da prefeitura enfatiza que o ponto mais importante do decreto estaria no preâmbulo em que o objetivo é anunciado: “determinando, em caráter exclusivo e permanente o atendimento da função social de parque público”. O trecho foi retirado integralmente do artigo 3º da lei 17.802/2012, que criou – ao menos formalmente &#8211; o Parque da Tamarineira.</p>



<p>Vamos detalhar abaixo, os itens questionados pelos críticos e os principais argumentos de cada uma das partes:</p>



<h2 class="wp-block-heading">Capítulo II</h2>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                </figure>

	


<ul class="wp-block-list"><li><strong>O que diz a prefeitura</strong></li></ul>



<p>Os parâmetros urbanísticos foram incluídos no decreto para garantir a permanência dos prédios históricos que já existem no local, ou seja, para que as construções existentes não fiquem fora da lei. Para a assessoria do prefeito Geraldo Julio, o item mais importante desse capítulo é o artigo 5º: “Ficam proibidas na UCP Parque da Tamarineira qualquer intervenção que comprometa o patrimônio ambiental e cultural hoje existente no seu perímetro”.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>O que diz Rud Rafael, da organização não-governamental Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase), entidade que integra a Articulação Recife de Luta</strong>:</li></ul>



<p>“Estão atribuindo potencial construtivo para uma área tombada desde novembro de 1991. A destinação da área para ser um parque é desnecessária, já existe desde 2012. O que está no decreto autoriza a prefeitura a liberar a construção de edifícios com essas dimensões no terreno”.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>O que diz Leonardo Cisneiros, advogado e professor universitário do coletivo Direitos Urbanos, autor da representação ao Ministério Público:</strong></li></ul>



<p>“Pode ser que realmente a prefeitura não tenha interesse em construir edifícios no parque, mas, seja por erro de redação ou má técnica jurídica, os parâmetros urbanísticos utilizados no decreto liberam a construção de edifícios de até oito andares num setor do parque e de cinco andares no setor de proteção mais rigorosa”.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>O que diz Jayme Asfora, vereador que, em 2019, realizou audiência pública para cobrar prazos para implantação do parque</strong>:</li></ul>



<p>“Mencionar a lei 17.802 no cabeçalho do artigo foi para dourar a pílula. Um decreto do executivo não pode, jamais, ir além da lei ou inovar em relação ao que diz a lei. Ao estabelecer potenciais construtivos, o decreto fez exatamente isso. Daí, é flagrantemente ilegal. Ele vai contra o espírito da lei que foi aprovada no legislativo municipal. E quando proíbe, em outo artigo, qualquer intervenção que comprometa o patrimônio ambiental e cultural, dá a entender que é possível construir desde que não comprometa o patrimônio”.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Capítulo III</h2>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                </figure>

	


<ul class="wp-block-list"><li><strong>O que diz a prefeitura</strong></li></ul>



<p>Até o momento do fechamento dessa reportagem, a assessoria da Prefeitura do Recife não havia respondido ao pedido de esclarecimento da Marco Zero. Quando a resposta for enviada, esse item será imediatamente atualizado.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>O que diz Leonardo Cisneiros</strong></li></ul>



<p>“A Santa Casa ou a empresa que arrendou o terreno não têm direito a potencial construtivo desse terreno, pois ele é tombado desde 1991. E não existe direito adquirido ao potencial construtivo ou quando se fala em direito adquirido. Há pelo menos duas decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que estabeleceu a jurisprudência disso. Mesmo se existisse, não teria direito porque a área toda já é tombada. É uma coisa completamente sem sentido”.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>O que diz Rud Rafael</strong></li></ul>



<p>O tombamento da Tamarineira é do inicio dos anos 1990. A legislação do tombamento no Brasil vem dos anos 1930. A Transferência de Direito de Construir só aparece no ordenamento jurídico brasileiro em 2001. Se você for transferir potencial construtivo em todo imóvel tombado, o que vai acontecer? Vai desvirtuar o instrumento do tombamento, que é uma limitação do direito de propriedade para que este cumpra sua função social. O Sítio Histórico de Olinda todo teria potencial construtivo. Isso é invenção da prefeitura para atender ao mercado imobiliário e para compensar a Arquidiocese.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>O que diz Ivan Moraes Filho</strong></li></ul>



<p>“O instrumento assinado por Geraldo Julio extrapola os limites da delegação legislativa, ao usurpar competência da Câmara Municipal, regulamentando a Transferência do Direito de Construir, que ainda precisa de lei especifica a ser discutida com toda a sociedade”.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>O que diz Jayme Asfora</strong></li></ul>



<p>“O artigo 35 do Estatuto da Cidade, de 2001 é bem claro que a Transferência do Direito de Construir só pode ser criado pelo município por uma lei específica, aprovada na Câmara Municipal. Também precisa ser previsto no Plano Diretor, mas o plano vigente no Recife não menciona esse instrumento. O decreto do prefeito, aliás, desrespeita o legislativo, pois o novo plano diretor está em discussão e sequer foi votado. Criar esse instrumento por decreto é absurdo”.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><a href="https://dome.recife.pe.gov.br/dome/pdfviewer.php" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Link para o Diário Oficial do Recife com o decreto 34.113</a></p><p><a href="http://ARL reafirma: Decreto da Prefeitura cria risco de prédios na Tamarineira" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Link para nota da Articulação Recife de Luta</a></p><p><a href="https://leismunicipais.com.br/a1/pe/r/recife/lei-ordinaria/2012/1781/17802/lei-ordinaria-n-17802-2012-cria-a-unidade-de-conservacao-da-paisagem-parque-da-tamarineira-e-da-outras-providencias?q=17.802%2F2012" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Link para a lei 17.802/2012, que cria o Parque da Tamarineira</a></p><p><a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LEIS_2001/L10257.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Link para o Estatuto da Cidade</a></p><p>Links para decisões do STF que determina não existir direito de construir adquirido: <a href="https://www.google.com/url?sa=t&amp;rct=j&amp;q=&amp;esrc=s&amp;source=web&amp;cd=&amp;ved=2ahUKEwiT-o7ltoDtAhUDKLkGHXBkCJQQFjAAegQIBxAC&amp;url=http%3A%2F%2Fwww.stf.jus.br%2Fportal%2FdiarioJustica%2FverDecisao.asp%3FnumDj%3D93%26dataPublicacao%3D16%2F05%2F2014%26incidente%3D4531284%26capitulo%3D6%26codigoMateria%3D2%26numeroMateria%3D68%26texto%3D4960101&amp;usg=AOvVaw3na_urgGbBHTNEtJXETRoq" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Decisão 1</a> e <a href="http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&amp;docID=13627721&amp;pgI=1&amp;pgF=75" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Decisão 2</a></p></blockquote>



<p></p>
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		<item>
		<title>Episódio #24: Até quando as mulheres serão mortas no Brasil?</title>
		<link>https://marcozero.org/episodio-24-ate-quando-as-mulheres-serao-mortas-no-brasil/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Oct 2020 23:10:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[arquitetura e urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[feminicídio]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra a mulher]]></category>
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<iframe title="Spotify Embed: Até quando as mulheres serão mortas no Brasil?" style="border-radius: 12px" width="100%" height="152" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/episode/1voTot2cKH05auzOTT7o1k?si=2zbW7dhzSaKqzk5ydAbybA&#038;utm_source=oembed"></iframe>
</div><figcaption>Episódio de hoje começa revelando que uma mulher foi assassinada a cada nove horas no Brasil durante a pandemia. O dado é de um monitoramento nacional do qual a Marco Zero fez parte junto com Amazônia Real, Agência Eco Nordeste, Projeto #Colabora, Portal Catarinas, Revista AzMina e Ponte Jornalismo, que levantou 497 casos de feminicídios cometidos por assassinos com quem as vítimas estavam confinadas durante os períodos mais agudos do isolamento social. Carol Monteiro e Joana Suarez comentam os dados desta reportagem e, no segundo bloco, Carol, Lula Pinto e Inácio França debatem a devastação do patrimônio arquitetônico do Recife, por causa da demolição às escondidas de mais uma casa modernista, no último final de semana, no bairro de Santana. As dicas da quarentena são especiais para quem gosta de podcast.</figcaption></figure>
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		<title>Mais uma casa modernista é demolida às escondidas no Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/mais-uma-casa-modernista-e-demolida-as-escondidas-em-recife/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2020 16:23:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[arquitetura e urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[CPRH]]></category>
		<category><![CDATA[Mercado Imobiliário]]></category>
		<category><![CDATA[patrimônio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Bastaram dois dias, sábado e domingo, para que uma das casas modernistas de maior valor arquitetônico de Pernambuco virasse um monte de metralha e ferros retorcidos. A casa na esquina das ruas Sant’anna e Astério Rufino Alves, no bairro de Santana, foi demolida numa ação rápida por operários que chegaram na manhã de sábado (3) [&#8230;]</p>
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<p>Bastaram dois dias, sábado e domingo, para que uma das casas modernistas de maior valor arquitetônico de Pernambuco virasse um monte de metralha e ferros retorcidos. A casa na esquina das ruas Sant’anna e Astério Rufino Alves, no bairro de Santana, foi demolida numa ação rápida por operários que chegaram na manhã de sábado (3) com retroescavadeiras e caminhões caçamba. À tarde já não havia quase nada e, no domingo, o único serviço a ser feito era a limpeza do terreno.</p>



<p>Durante 40 anos, a casa foi usada pelo governo estadual como sede da Agência Estadual de Meio Ambiente (que manteve a antiga sigla CPRH da Companhia Pernambucana de Recursos Hídricos), que, em janeiro de 2019, mudou-se de endereço para um condomínio empresarial no mesmo bairro. A transferência aconteceu porque os herdeiros do industrial Miguel Vita recusaram-se a renegociar o contrato de aluguel, priorizando a venda para uma construtora.</p>



<p>O nome da empreiteira que comprou o imóvel ainda não foi revelado, pois a demolição ocorreu sem que nenhuma placa com as informações da obra e do projeto tivesse sido afixada, o que contraria a legislação municipal, mas se tornou rotina no Recife.</p>



<p>Em 2015, um parecer favorável da Procuradoria Geral do Estado autorizava a compra do imóvel, avaliado oficialmente em R$ 15 milhões. Na época, a família proprietária pedia R$ 13,5 milhões e não ficou sabendo que o preço apontado pelos peritos contratados era maior do que sua oferta. Ao longo do ano seguinte, as negociações chegaram ao fim, ficando acertado o preço de R$ 9,5 milhões a serem pagos pelo Estado de uma única vez.</p>



<p>A confiança era tanta que o arquiteto Paulo Camarottti, diretor da CPRH, chegou a fazer o projeto para restauro da casa preservando os traços originais e prevendo um prédio administrativo de oito andares nos fundos do terreno. </p>



<p>A crise econômica e a queda na arrecadação em 2016 fizeram o governador Paulo Câmara (PSB) repensar a decisão. A compra não foi feita. O governo decidiu que a CPRH continuaria a pagar o aluguel de R$ 55 mil mensais. Perdeu-se naquele momento a oportunidade de preservar um dos marcos mais originais da arquitetura modernista.</p>



<p>A partir dali, o relacionamento com a família Vita degradou-se, com os herdeiros impondo condições mais duras para o aluguel enquanto buscavam um comprador no mercado imobiliário.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O talento e o dinheiro </h2>



<p>A casa destruída nesse final de semana é resultado do encontro do dinheiro de um dos mais importantes empresários pernambucanos do século XX e do talento de um imigrante português que fugia de um ditador. O projeto foi encomendado em 1958 por Miguel Vita, dono da fábrica de refrigerantes Fratelli Vita e ex-presidente da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe), ao arquiteto português Delfim Fernandes Amorim, que havia emigrado de Portugal sete anos antes. </p>



<p>De acordo com seu filho, Luiz Amorim, professor de arquitetura da Universidade Federal de Pernambuco e autor de um livro sobre a destruição do legado modernista no estado, o pai decidiu tentar a sorte em Recife já com 34 anos de idade para trabalhar e escapar da repressão da ditadura salazarista em sua terra natal.</p>



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	                                        <p class="m-0">Detalhe da fachada no projeto de Delfim Amorim</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Formado pela Escola de Belas Artes do Porto, Delfim foi professor na mesma instituição por um ano, até emigrar. Vários prédios modernistas da paisagem recifense foram projetados por ele, a exemplo dos edifícios Santa Rita, na avenida Conde da Boa Vista, e Barão de Rio Branco, na rua do Progresso, a Faculdade de Arquitetura, no Derby<em>,</em> o Seminário Regional do Nordeste, que viria a abrigar por mais de 40 anos a Faculdade de Odontologia de Pernambuco (FOP) e as lojas do Bompreço construídas entre 1966 e 1969<em>.</em></p>



<p>A casa, que tinha soluções arquitetônicas originais integradas ao quintal e ao jardim, fazia parte de uma lista de imóveis dignos de tombamento que a diretoria de Preservação do Patrimônio Cultural da prefeitura do Recife havia elaborado em 2013, mas que jamais foi confirmada pelo prefeito Geraldo Julio.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>“Nada excepcional”</strong></h3>



<p>Luiz Amorim não foi surpreendido pela rapidez com que a casa projetada por seu pai veio abaixo. “Não há nada excepcional em relação ao que vem acontecendo no Recife. Não há surpresas: essas demolições começam sempre aos sábados e são concluídas no domingo, numa verdadeira operação de guerra em que tratores arrastam as estruturas de sustentação com correntes”.</p>



<p>As construtoras têm que demolir por dois motivos. Para impedir que o tombamento aconteça e que os movimentos sociais que discutem o futuro da cidade consigam o embargo na Justiça. Geralmente, a derrubada tem início horas depois da liberação do alvará de demolição pela secretaria municipal de Mobilidade e Controle Urbano.</p>



<p>Luiz Amorim explica que os detentores do poder político no Recife têm usado a estratégia de fingir ser mediadores do embate entre diferentes visões de uso do solo da cidade. “Na verdade, o poder público não está mediando nada. Ele protege os interesses do capital imobiliário. O caso mais emblemático disso foi o Cais José Estelita, em que a prefeitura montou uma comissão para reelaborar o projeto, mas que <a href="https://marcozero.org/o-recife-tem-dono/">acabou sendo modificado para ficar do jeito que as construtoras queriam</a>”.</p>



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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Demolição aconteceu no final de semana e sem placa de obra afixada (Crédito: Fred Jordão)</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Em seu livro <em>Obituário Arquitetônico, </em>publicado em 2007, Amorim detalha que “dos 258 Imóveis Especiais de Preservação do Recife, apenas três são residências unifamiliares de arquitetura moderna. (&#8230;) É uma lacuna, sobretudo quando se considera que esse é um dos tipos mais expressivos da produção modernista local. Infelizmente, essa lacuna tem levado a um processo de demolição e descaracterização de imóveis da produção modernista local de qualidades únicas”.</p>



<p>Segundo o professor, o livro foi escrito “numa tentativa de dialogar com o grande público para tentar sensibilizar para a importância da preservação da história da cidade, afinal esse esforço não pode ficar restrito aos técnicos e funcionários dos órgãos públicos, que não têm como enfrentar o capital privado e o poder público”.</p>



<figure class="wp-block-embed-wordpress wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-marco-zero-conteudo"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="j9cmv6Pr9f"><a href="https://marcozero.org/o-recife-tem-dono/">O Recife tem dono?</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;O Recife tem dono?&#8221; &#8212; Marco Zero Conteúdo" src="https://marcozero.org/o-recife-tem-dono/embed/#?secret=i69GO8l0wT#?secret=j9cmv6Pr9f" data-secret="j9cmv6Pr9f" width="500" height="282" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>
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		<title>Quem manda nas avenidas do Recife?</title>
		<link>https://marcozero.org/quem-manda-nas-avenidas-do-recife/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 May 2018 19:25:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[arquitetura e urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[consultoria]]></category>
		<category><![CDATA[empresas de ônibus]]></category>
		<category><![CDATA[Fratar]]></category>
		<category><![CDATA[João Braga]]></category>
		<category><![CDATA[lobby]]></category>
		<category><![CDATA[metrópoles]]></category>
		<category><![CDATA[mobilidade urbana]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[urbanismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Fratar Engenharia Consultiva, empresa mineira de consultoria que está elaborando o projeto técnico da avenida Conde da Boa Vista, não tem qualquer tipo de contrato com a Prefeitura do Recife. Ela sequer foi licitada para isso. Quem está pagando a conta é o Sindicato das Empresas de Transporte Público de Pernambuco (Urbana-PE), ou seja, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[A Fratar Engenharia Consultiva, empresa mineira de consultoria que está elaborando o projeto técnico da avenida Conde da Boa Vista, não tem qualquer tipo de contrato com a Prefeitura do Recife. Ela sequer foi licitada para isso.

Quem está pagando a conta é o Sindicato das Empresas de Transporte Público de Pernambuco (Urbana-PE), ou seja, a entidade que representa 13 empresas beneficiárias de concessões do poder público para operar o transporte de passageiros na Região Metropolitana do Recife está financiando projetos urbanísticos nos quais têm interesse direto.

E isso está acontecendo sem transparência, provavelmente de maneira irregular. Não há, nas páginas do Diário Oficial do Recife, qualquer indício de processo legal que autorize a prefeitura do Recife a receber a “doação” das empresas de ônibus.

Depois de nove dias de inúteis tentativas de entender o processo de contratação da Fratar junto aos gestores da prefeitura, a própria Urbana-PE confirmou que a empresa de Belo Horizonte é sua contratada. A confirmação veio por e-mail de sua assessoria de Imprensa às 14h02min desta sexta-feira, 11 de maio:
<blockquote><i>A Urbana-PE tem buscado soluções para elevar a qualidade do serviço de transporte público na Região Metropolitana do Recife. O setor não apenas defende a implantação de corredores e faixas exclusivas para o transporte público, como tem contribuído com projetos e pesquisas. Como exemplo, em 2009 o sindicato trouxe o conceito de BRT com a contratação do escritório do urbanista Jaime Lerner para concepção do corredor Norte-Sul. Desde então, tem contribuído com estudos para priorização do transporte público e redução do tempo de deslocamento dos passageiros. Nesse sentido, a empresa Fratar Engenharia Consultiva foi contratada para elaborar um estudo para um programa de redução do tempo de viagem do transporte coletivo na Região Metropolitana do Recife envolvendo alguns dos principais corredores viários, dentre eles a Av. Cruz Cabugá, Av. Agamenon Magalhães, Av. Conde da Boa Vista, Av. Abdias de Carvalho, Av. José Rufino e Av. Presidente Kennedy.</i></blockquote>
A nota da Urbana se refere a “estudos para priorização do transporte público e redução do tempo de deslocamento dos passageiros”. Não há menção sobre o fato do sócio-diretor da Fratar, o engenheiro mineiro Eduardo Cândido Coelho, participar de reuniões se apresentando como “consultor da prefeitura” e a empresa ssumir os projetos técnicos de requalificação das avenidas Agamenon, Cruz Cabugá e Conde da Boa Vista assinados por Coelho.
<h2><b>O ignorado Plano Diretor Cicloviário</b></h2>
Os nomes da Fratar e de Coelho surgiram logo no início da apuração da <a href="http://marcozero.org/conde-da-boa-vista-vai-mudar-de-novo-sem-debate/">reportagem sobre a ausência de debates em torno da revitalização da Conde da Boa Vista</a>. Os técnicos ouvidos pela Marco Zero contaram, sem embaraços ou constrangimentos, que ele era o autor do projeto e acompanha Maria Eduarda Campos nas reuniões técnicas internas.

Os integrantes da Associação Metropolitana de Ciclistas do Grande Recife (Ameciclo) contaram que, em muitas das reuniões sobre as mudanças na Agamenon, era ele quem representava a prefeitura. Partiu também da Ameciclo a informação de que o mesmo Eduardo Coelho, à época diretor da empresa Tectran, havia sido o responsável técnico do Plano Diretor Cicloviário.

Nos últimos meses do governo Eduardo Campos, a Tecran foi licitada e contratada pela secretaria estadual das Cidades que pagou R$ 632 mil pelos serviços de maneira legal e completamente regular.

O processo de elaboração do Plano teve ampla participação da sociedade e se tornou uma referência para ciclistas e urbanistas. Todavia, não saiu do papel.

O fato do mesmo profissional ser o responsável técnico pelo Plano Cicloviário de 2014 poderia ser um sinal de que, com a reforma da Conde da Boa Vista, ao menos um item indicado na página 206 seria transformado em realidade: a ciclovia de 2,8 quilômetros que começaria na esquina das avenidas Dantas Barreto e Guararapes, seguindo pela Conde da Boa Vista até encontrar-se com a Agamenon Magalhães.

Estranhamente, não vai haver ciclovia na Conde da Boa Vista. Eduardo Cândido Coelho chegou a conversar com o repórter por telefone e explicou porque ignorou o que assinou três anos antes: “Um plano é apenas um indicativo do que seria a situação ideal, mas quando se desce a nível de elaboração de um projeto específico é preciso conhecer os detalhes da realidade. E o fato é que a avenida possui restrições de espaço. Não há como conciliar pedestres, carros, ônibus, BRT e bicicletas naquele espaço”.

Esta semana, os ciclistas da Ameciclo foram informados que, depois de meses de diálogo com a prefeitura e a Fratar, o Plano Diretor Cicloviário também será letra morta na reforma da Agamenon.

Entre os ativistas da ONG Meu Recife, a informação que a Fratar não era contratada da prefeitura também causou espanto. “O Eduardo sempre se apresenta como consultor independente e dialoga conosco”, contou Camila Fernandes, uma das coordenadoras da entidade. Um vídeo em que o sócio da Fratar faz uma apresentação falando em nome da prefeitura chegou a ser postado na página da ONG: <a href="https://www.facebook.com/MeuRecife/videos/1695988450431967/">https://www.facebook.com/MeuRecife/videos/1695988450431967/</a>
<h2><b>Transparência zero</b></h2>
Ao constatar que o Plano Diretor Cicloviário havia custado R$ 632 mil, era necessário saber quanto estaria custando o projeto da Conde da Boa Vista. Surpresa: não havia nenhuma referência à Fratar no Diário Oficial do Recife ou no Portal da Transparência da prefeitura. No ‘Tome Conta’, ferramenta de transparência do Tribunal de Contas do Estado, também não consta nenhum contrato da Fratar com entes públicos em Pernambuco.

Como, em tese, existiria a possibilidade da Fratar ou do engenheiro e diretor terem sido terceirizados por alguma outra empresa vencedora da licitação, foram realizadas as buscas pelo processo licitatório. Mais uma vez, nada: a prefeitura não apresentou edital nem abriu qualquer modalidade de concorrência para contratação do projeto técnico da Conde da Boa Vista.

No site da Fratar, Emlurb e Prefeitura do Recife não aparecem em sua lista de clientes. A página, no entanto, fornecia pistas para compreender sua participação no projeto da avenida. A empresa tem quatro clientes em Pernambuco: o Grupo Fernandes Vieira (Hospitais Santa Joana e Memorial São José), Grupo Parvi (concessionárias Toyolex, América Veículos, Pateo Veículos e Fiori Jeep), grupo João Carlos Paes Mendonça e a Urbana-PE.

Aparentemente, os três primeiros não têm qualquer interesse em desembolsar recursos financeiros para definir modelo e parâmetros de intervenção na Conde da Boa Vista. Restou a Urbana-PE, o sindicato das empresas de transporte público, esta sim, diretamente interessada em garantir caminho livre para as centenas de ônibus que fazem mais de 5.800 viagens passando todos os dias pela avenida.

O assunto foi levado ao secretário de Infraestrutura Roberto Gusmão, engenheiro conhecido pela capacidade de realização e sua forma clara de lidar com os temas espinhosos. Apesar de ser o gestor escalado para falar oficialmente sobre o projeto, não soube responder a questão. “Pode ter certeza que todos os documentos serão apresentados no momento certo”, tangenciou o secretário e presidente da Emlurb. Segundo ele, antes do projeto se tornar público, os órgãos da prefeitura envolvidos no tema irão fazer um check-list das pendências, esquecendo que tal forma de proceder não está prevista em lei.

“É a Urbana quem está pagando o projeto?”. Diante dessa pergunta direta, Roberto Gusmão respondeu com sinceridade desconcertante: “Não sei”.

Diante da hipótese da Urbana ser a mecenas do projeto, Gusmão levantou a possibilidade do sindicato estar cumprindo algum acordo de mitigação e compensação por danos ambientais. Realmente, seria possível, desde que a Urbana e a prefeitura tivessem assinado um Termo de Compromisso de Compensação Ambiental devidamente publicado no Diário Oficial.

Mais uma vez, as buscas por um extrato de um termo de compromisso com tal conteúdo não geraram resultado algum.
<h2><b>Braga e o conflito de interesses</b></h2>
Em um segundo telefonema, imediatamente após a publicação da reportagem sobre a Conde da Boa Vista, o engenheiro Eduardo Coelho mostrou-se mais lacônico. O que é compreensível, aliás. Indagado a respeito de onde vinham seus pagamentos, ele recomendou que isso fosse perguntado &#8220;ao secretário&#8221;. Como Gusmão não tinha a resposta, o jeito era aguardar o secretário municipal de Mobilidade e Controle Urbano, João Braga.

De segunda-feira, 7 de maio, até sexta-feira, 11, Braga permaneceu em silêncio diante dos pedidos de entrevista, necessária para esclarecer essa questão e também explicar se a ausência de debates sobre o futuro da avenida estaria relacionada ao fato da Urbana-PE ser a contratante do projeto. Braga parecia ser a pessoa certa para esclarecer esses aspectos, pois em entrevista sobre a mudança nos tempos dos semáforos, ele citou a Fratar como a consultoria que elaborou a proposta. Em fevereiro, Braga e Coelho apresentaram juntos o projeto da Conde da Boa Vista na sede da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL).

No entanto, a confirmação de que a Fratar é contratada da Urbana-PE e não da prefeitura expõe um claro conflito de interesses no trato com a questão da mobilidade urbana da cidade. Braga foi consultor da Urbana até as vésperas de assumir a pasta municipal, logo no início do primeiro mandato de Geraldo Julio. Hoje, seu filho Bernardo Braga, é gerente de comunicação da Urbana-PE.
<h2><b>Prática é irregular e assemelha-se a lobby, segundo Ministério Público</b></h2>
O coordenador do centro de apoio às promotorias de Justiça do Patrimônio Público, promotor Maviael Souza Silva, concordou em comentar o caso, frisando que, por não conhecer os detalhes da questão, teria de falar de maneira mais geral e não ao caso específico da Fratar.

“Doação para o poder público tem que ter contrato. Em alguns casos, se faz necessário até mesmo a publicação de edital e abertura de concorrência. Se não tiver, poderão estar sendo desrespeitados os princípios de publicidade, interesse público, impessoalidade e transparência”, afirma o promotor.

E explica o porquê de tudo isso: “Por mais paradoxal que pareça, nem toda doação é grátis. Por melhor que seja a intenção, é preciso se ater à legalidade, afinal a sociedade precisa saber qual a finalidade da doação. Nesse ramo do qual estamos falando, não há atividade filantrópica.”.

Segundo ele, a oferta de um projeto por parte de um ente privado não significa corrupção. “Um grupo privado pode oferecer qualquer tipo de projeto, mas o Poder Municipal, Estadual ou Federal têm a preponderância do interesse público. Do contrário, assemelha-se a lobby”.

O promotor Maviael Silva também explicou as possível irregularidades cometidas pela prefeitura se a Fratar tivesse sido contratada pela prefeitura sem licitação, mas como isso não se confirmou, optamos por descartar seus comentários a esse respeito.
<h4>Leia também:</h4>
<h2 class="western" style="font-weight: normal;"><span style="color: #ff6600;"><a href="http://marcozero.org/conde-da-boa-vista-vai-mudar-de-novo-sem-debate/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: 'Roboto Slab', Georgia, serif;">Conde da Boa Vista vai mudar. De novo, sem debate</span></span></a></span></h2><p>O post <a href="https://marcozero.org/quem-manda-nas-avenidas-do-recife/">Quem manda nas avenidas do Recife?</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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			</item>
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		<title>Conde da Boa Vista vai mudar. De novo, sem debate</title>
		<link>https://marcozero.org/conde-da-boa-vista-vai-mudar-de-novo-sem-debate/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 May 2018 18:35:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[arquitetura e urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[avenida]]></category>
		<category><![CDATA[centro]]></category>
		<category><![CDATA[centro do Recife]]></category>
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		<category><![CDATA[mobilidade urbana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sem manchetes nem pompa, no dia 4 de dezembro de 2017 Maria Eduarda Andrade Lima Campos, filha do ex-governador Eduardo Campos, deixou seu cargo de gerente no Instituto Pelópidas Silveira para assumir a diretoria de Projetos Especiais da Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb). Mais do que duplicar o salário – passou [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[Sem manchetes nem pompa, no dia 4 de dezembro de 2017 Maria Eduarda Andrade Lima Campos, filha do ex-governador Eduardo Campos, deixou seu cargo de gerente no Instituto Pelópidas Silveira para assumir a diretoria de Projetos Especiais da Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb). Mais do que duplicar o salário – passou de R$ 5.036,00 para mais de R$ 10.300,00 -, a nomeação assinada pelo prefeito Geraldo Julio conferiu à jovem arquiteta de 25 anos a responsabilidade de coordenar o novo projeto de requalificação da avenida Conde da Boa Vista.

Não é fácil a tarefa de resolver os problemas da mais desastrosa intervenção urbana dos 12 anos de gestão petista no Recife e que as obras do BRT, iniciadas no governo do seu pai e ainda inacabadas, só agravaram.

Após o embate eleitoral contra João Paulo nas eleições de 2016, a Conde da Boa Vista tornou-se um desafio a ser superado pelo atual prefeito. Em janeiro e fevereiro deste ano, Geraldo Julio afirmou pelo menos duas vezes, em entrevistas para veículos distintos, que o projeto estava sendo “discutido com algumas representações da sociedade e pretendo apresentar o projeto nas próximas semanas, as obras devem começar ainda nesse semestre”.
<h5><span style="color: #ff6600;"><a href="https://radiojornal.ne10.uol.com.br/noticia/2018/02/05/nao-houve-discussao-diz-geraldo-julio-sobre-uber-no-carnaval-57074" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="color: #ff6600;">Escute a entrevista de Geraldo Julio falando sobre a Conde da Boa Vista (trecho a partir de 15’53&#8243;)</span></a></span></h5>
Se as palavras do prefeito estivessem corretas, a filha de Eduardo Campos estaria conduzindo dezenas de reuniões e fóruns de debates sobre a avenida. O fato é que, meses após as afirmações do prefeito e de Maria Eduarda assumir a coordenação do projeto, as “representações da sociedade” não participaram de qualquer discussão ou debate sobra a próxima intervenção na avenida. E só não desconhecem completamente o projeto porque fotos de vários fragmentos já circulam de celular em celular. A única exceção foi a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), cujos diretores foram contemplados com uma apresentação exclusiva.
<h2>Entidades de arquitetura querem contribuir</h2>
Se o debate anunciado pelo prefeito estivesse realmente ocorrendo, seria natural que dele estivesse participando o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU-PE), afinal uma das missões da entidade é promover “o aperfeiçoamento do exercício da Arquitetura e do Urbanismo”. O arquiteto e empresário Sandro Guedes, integrante do Conselho, da diretoria da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-PE) e do Conselho da Cidade do Recife assegura que não participou de nenhuma discussão “nem representando o CAU, Ademi ou como conselheiro da Cidade”.

Guedes acredita que o projeto tenha sido “elaborado internamente, não chegou para discussão pública”. Mesmo assim, ele o viu em uma reunião na prefeitura: “Não era ainda o projeto executivo, acredito que foi entregue para análise da acessibilidade. O CAU ainda tentará contribuir”.

O Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) solicitou à prefeitura, em março, que o projeto fosse apresentado aos seus integrantes. O presidente da seccional pernambucana, Roberto Ghione, contou que “a gente não conhece ainda o projeto. Foram apresentados ofícios na Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano e na Emlurb, solicitando divulgação e debate público do projeto”.

O presidente do IAB admitiu que ele e muitos dos diretores estão preocupados com o modo como a questão está sendo tratada pela prefeitura: “Defendemos que obra pública deve ser realizada através de concurso de projetos. Nesse caso, por sua significância, representatividade e operacionalidade deveria, no mínimo, ter um debate com a participação de profissionais especializados e da sociedade em geral. São intervenções muito sensíveis, que envolvem a vivência diária de muita gente. Por isso tem que ser intervenções bem pensadas e compartilhadas, que envolvem dinheiro público. Fazer entre quatro paredes, sem consultar todos os interessados, não é o caminho adequado”.
<h2>Universidades conveniadas nada sabem</h2>
Como a prefeitura mantêm convênios com duas universidades exatamente nessa área, havia a possibilidade dessas instituições estarem participando da elaboração do projeto. A hipótese não foi confirmada.

A assessoria de comunicação do grupo multidisciplinar de Pesquisa e Inovação para as Cidades (Inciti), da Universidade Federal de Pernambuco, informou que o grupo não foi convidado e não participou de nenhum debate sobre a qualificação da avenida Conde da Boa Vista. Essa rede de pesquisadores da UFPE desenvolveu, em convênio com a secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Recife, o projeto Parque Capibaribe.

Com a Universidade Católica de Pernambuco, a prefeitura mantém um projeto específico para planejar propostas e estratégias de revitalização para a área central da capital pernambucana. É o Plano Centro Cidadão. Apesar da Conde da Boa Vista integrar o objeto do convênio, os urbanistas da Unicap só conhecem o projeto da avenida “de ouvir falar”.

Uma das coordenadoras das ações do Plano, Clarissa Duarte, mantêm o otimismo: “Buscamos contactar a Secretaria responsável e nos foi informado que seremos convidado a participar em momento oportuno, uma vez que estão ainda amadurecendo e lapidando aspectos importantes da proposta que não podem ser apresentados à sociedade com certas indefinições”.

Em sua opinião, como a sociedade civil possui fóruns de mobilização e exige ser ouvida, o debate acontecerá. “O momento é de grande demanda por participação da sociedade, acho pouco provável que a gestão escolha o caminho da ‘imposição urbanística’. Temos o exemplo recente da colaboração entre Prefeitura e sociedade civil com o caso da humanização de trecho da Rua do Príncipe, que levou em consideração os trabalhos realizados pelo Centro Cidadão’.
<h2>Ciclistas não foram consultados</h2>
<div id="attachment_8692" style="width: 410px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/05/Amiciclo1.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-8692" class="wp-image-8692" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/05/Amiciclo1-300x233.jpg" alt="Amiciclo" width="400" height="312"></a><p id="caption-attachment-8692" class="wp-caption-text">Página do Plano Diretor Cicloviário apontando a necessidade de uma ciclovia na Conde da Boa Vista</p></div>

A Associação Metropolitana de Ciclistas do Grande Recife (Ameciclo) encaram o projeto da Conde da Boa Vista como a chance da prefeitura tirar do papel ao menos uma das ciclovias previstas no Plano Diretor Cicloviário da Região Metropolitana, elaborado de forma participativa em 2014 pelo governo de Pernambuco, ainda na gestão de Eduardo Campos. Por enquanto, isso deve ficar apenas no desejo dos ciclistas.

No início do ano, após as primeiras informações sobre o projeto e a entrevista do prefeito, a Ameciclo, protocolou um pedido para a Emlurb. A resposta foi decepcionante: “Disseram que a gente deveria passar lá para ver o projeto. Estranhei. Será que só existe no papel? Não tem um arquivo de Autocad para mandar por e-mail?”, espantou-se Cézar Martins, da Ameciclo.

Outro ativista da ONG, Daniel Valença, é mais taxativo: “A Ameciclo teve a oportunidade de opinar nas mudanças da Agamenon Magalhães, mas não foi consultada neste, que está sendo feito às escondidas, a gente não tem a mínima ideia do que vai acontecer por lá”.


<h2>Nem instâncias oficiaisdiscutiram</h2>
Em tese, elaborar o projeto de requalificação de uma avenida seria atribuição da Autarquia de Urbanização do Recife (URB), afinal seu papel institucional é, segundo o site oficial da prefeitura, “executar obras estruturadoras e serviços de engenharia com o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos cidadãos do Recife”. A assessoria da URB, no entanto, afirmou que suas equipes não participam da formatação do projeto.

O Conselho da Cidade, organismo do poder executivo municipal, também não irá convocar sessões para discutir a questão. Seu presidente, o secretário municipal de Planejamento Urbano, Antônio Alexandre, posicionou-se sem meias palavras: “Não é função do Conselho. Essa será apenas uma obra de requalificação, não irá abrir uma nova via, não terá impacto ambiental. Não tenho competência para falar sobre esse projeto, mas posso garantir que todas as equipes da prefeitura ligadas ao tema estão participando e contribuído com sua elaboração”.
Entre os conselheiros – o Conselho da Cidade é um órgão colegiado com participação da sociedade civil &#8211; há quem discorde do secretário. Advogado e professor de Filosofia da UFRPE, Leonardo Cisneiros solicitou oficialmente que o tema fosse incluído na pauta da próxima reunião do órgão. Antônio Alexandre negou o pedido.

Cisneiros rebate o secretário: “Se isso não for discutido no Conselho, será discutido onde? Estamos falado do principal corredor de transporte público da cidade”. Para justificar sua opinião, ele cita duas atribuições do Conselho previstas em sua página oficial: “Convocar audiências e consultas públicas sobre empreendimentos de impacto, planos urbanísticos, grandes obras públicas (&#8230;)” e “Requisitar, no exercício das suas atribuições, informações e documentos aos órgãos do Município do Recife, bem como convocar autoridades municipais quando necessário”.
<h2>Câmara ignora discussão</h2>
Presidente da recém criada Comissão de Mobilidade Urbana e Acessibilidade da Câmara Municipal do Recife, o vereador Gilberto Alves não possui nenhuma razão para criticar a opção da prefeitura em não abrir a questão da avenida para o debate. Afinal, ele foi líder do governo Geraldo Júlio na Câmara por quatro anos. Mesmo assim, ele admite sem hesitar: “Em relação à Conde da Boa Vista estou igual a você: só conheço de ouvir dizer”.

Na Comissão, ele coordena a discussão em torno do Plano de Mobilidade Urbana, que será transformado em lei municipal após ser debatido e aprovado pelo Legislativo. E faz um alerta: “Nenhuma intervenção na Conde da Boa Vista pode incluir parâmetros que contrariem o que fará parte do Plano”.
<h2>Empresários conheceram e gostaram</h2>
No dia 22 de fevereiro deste ano, os diretores da Câmara dos Dirigentes Lojistas assistiram em primeira mão a uma apresentação do projeto de requalificação da Conde da Boa Vista. Apesar de coordenar a ação, Maria Eduarda não compareceu. Quem representou a prefeitura foi João Braga, secretário de Mobilidade, e Taciana Ferreira, presidente da CTTU. As dúvidas técnicas foram esclarecidas pelo engenheiro Eduardo Cândido Coelho, sócio da Fratar Engenharia Consultiva e responsável técnico pelo projeto.

A atuação da Fratar no processo é tão intrigante que, em breve, merecerá um texto à parte.

Francisco Cunha, consultor da CDL pela TGI Consultoria, estava presente e gostou do que viu. Ele disse que a apresentação teve caráter consultivo para colher opiniões dos comerciantes do centro.

Segundo Cunha, a maioria das “observações feitas disseram respeito às paradas dos ônibus, à localização das estações do BRT e à circulação prevista dos automóveis. Creio que são corretas e adequadas as premissas que orientaram o estudo apresentado: a humanização da avenida e a priorização dos pedestres e dos usuários de transporte público. O desafio é conseguir adequar os fluxos intensos a uma calha limitada. Até onde pude perceber, o esforço feito estava sendo bem sucedido”.

Na ocasião, João Braga anunciou que as obras começariam no final de abril, conforme publicado na seção de notícias do site da CDL.
<h3>Linha do tempo
<iframe src="https://cdn.knightlab.com/libs/timeline3/latest/embed/index.html?source=1rkOtd8dAdHjID0vOTp6G43KxzeJpWTjBDMWPdMnmYX0&amp;font=Default&amp;lang=en&amp;initial_zoom=2&amp;height=650" allowfullscreen="allowfullscreen" width="100%" height="650" frameborder="0"></iframe></h3>
<h1><b>Secretário garante que a discussão vai acontecer</b></h1>
Sim, o projeto da Conde da Boa Vista será debatido, mas só quando acabar a fase de estudos e a Emlurb tiver algo mais definido para apresentar. Quem garante é o engenheiro Roberto Gusmão, que acumula os cargos de presidente da Autarquia e secretário municipal de Infraestrutura e Habitação.

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/05/Resposta-Roberto-Gusmão.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-8666 size-medium" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/05/Resposta-Roberto-Gusmão-215x300.jpg" alt="Resposta Roberto Gusmão" width="215" height="300"></a>

Apesar de Maria Eduarda ser a responsável técnica, ele é o único gestor destacado para falar oficialmente sobre o andamento do projeto, conforme seu colega, o secretário de Planejamento Urbano Antônio Alexandre, deixou claro logo no início da apuração desta reportagem.

Com ênfase e demonstrando segurança. Gusmão esclareceu que a Emlurb começou ouvindo a CDL por uma razão óbvia: “A avenida é uma via essencialmente comercial, com dezenas de lojas e até um shopping, então era preciso escutar os comerciantes para conhecer a razões de algumas lojas terem estacionamento e outras não, a dinâmica dos veículos de serviço, por exemplo”.

Chefe direto de Maria Eduarda Campos, o secretário assegura que, em breve, as entidades serão convidadas a opinar sobre o projeto. Enquanto isso não acontece, a equipe envolvida precisa “estudar para a prova”, ou seja, fundamentar tecnicamente cada item incorporado.

“Vamos ouvir todas as entidades, vamos ouvir as universidades, mas não basta querer mudar alguma coisa, vai ser preciso ter estudado para a prova também, vai ser preciso saber argumentar”, diz Gusmão, sempre bem humorado. Segundo ele, o projeto, apesar de “bem estudado” não será pétreo, “estaremos abertos a mudanças, desde que sejam apresentadas para o bem do pedestre e da cidade”.
<blockquote>
<h1>Detalhes de um projeto que já nasce problemático</h1>
Fragmentos do projeto apresentado por Maria Eduarda Campos e por Eduardo Cândido Coelho, diretor da empresa de consultoria responsável pela elaboração da proposta, a Fratar Engenharia Consultiva, em reuniões com técnicos da prefeitura circulam nos grupos de whatsapp de arquitetos e urbanistas pernambucanos. A Marco Zero teve acesso a algumas dessas imagens, no entanto elas não podem ser publicadas para não expor os autores das fotografias. Então, a partir do que foi exibido, sinalizamos algumas mudanças que constam nos trechos do projeto que estão circulando sem autorização oficial.

Entre os urbanistas, as maiores fontes de preocupação são as travessias. Na maior parte da avenida estão previstas travessias assimétricas (ou descontínuas), aquelas onde o pedestre atravessa a primeira metade da avenida, para no canteiro central em uma ilha protegida por gradil e espera o sinal abrir para completar a avenida numa faixa pouco mais à esquerda ou à direita.

Esse tipo de travessia foi uma das opções adotadas pela mesma empresa Fratar no projeto do cruzamento das avenidas Norte e Cruz Cabugá.

<div id="attachment_8681" style="width: 476px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/05/exemplo-de-travessia-descontínua-2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-8681" class="wp-image-8681 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/05/exemplo-de-travessia-descontínua-2.jpg" alt="Exemplo de faixa descontínua em Belo Horizonte (MG)" width="466" height="205"></a><p id="caption-attachment-8681" class="wp-caption-text">Exemplo de faixa descontínua em Belo Horizonte (MG)</p></div>

A travessia existente no trecho da rua Sete de Setembro é uma das mais arriscadas da avenida em razão do grande movimento de pedestres. Do jeito que está previsto, o canteiro central naquele trecho poderá chegar a 1,20 metro de largura. Não parece haver espaço para tanto. Hoje, o batente existente tem apenas 40 centímetros e não há espaço para dois ônibus em movimentos passarem ao mesmo tempo, em qualquer um dos lados da Conde da Boa Vista.
<h3 style="text-align: center;">Cruzamento da Conde da Boa Vista com a rua Sete de Setembro</h3>
<img loading="lazy" decoding="async" class="alwaysThinglink aligncenter" style="max-width: 100%;" src="//cdn.thinglink.me/api/image/1045794370256633859/1024/10/scaletowidth#tl-1045794370256633859;'" alt="" width="428" height="453"><script src="//cdn.thinglink.me/jse/embed.js" async="" charset="utf-8"></script>Coordenadora executiva do Plano Centro Cidadão, a urbanista Clarissa Duarte adverte para a importância das travessias, um dos principais problemas da Conde da Boa Vista: “É necessário que o pedestre tenha facilidade e conforto para a travessia, que não encontre obstáculos para atravessar a avenida em completa segurança”. Sob estes critérios, além dos gradis projetados para possibilitar a travessia em dois tempos, há mais um motivo para polêmica: em vários cruzamentos está desenhada uma faixa de pedestres bastante incomum, no mesmo sentido do fluxo dos ônibus e bem no meio da avenida. Assim, em locais como o cruzamento com a rua da Aurora, Hospício ou Gervário Pires, o pedestre poderá ficar exposto aos BRTs passando ao seu lado.
<h3 style="text-align: center;">Cruzamento com a ruado Hospício</h3>
<h3 style="text-align: center;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alwaysThinglink aligncenter" style="max-width: 100%;" src="//cdn.thinglink.me/api/image/1045796318003331075/1024/10/scaletowidth#tl-1045796318003331075;'" alt="" width="409" height="460"></h3>
<h3 style="text-align: center;">Cruzamento com a rua da Aurora</h3>
<h3 style="text-align: center;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alwaysThinglink aligncenter" style="max-width: 100%;" src="//cdn.thinglink.me/api/image/1045797845875032067/1024/10/scaletowidth#tl-1045797845875032067;'" alt="" width="549" height="465"><script src="//cdn.thinglink.me/jse/embed.js" async="" charset="utf-8"></script></h3>
As calçadas de ambos lados da avenida, da rua do Hospício à Dom Bosco, serão alargadas, transformando-se em calçadões para pedestres e pelo comércio informal, apesar do projeto não mencionar essa atividade. Apesar disso, não haverá ciclovia nem de um lado nem do outro. A atual faixa exclusiva para carros desaparecerá. Apesar de mais estreita, a Conde da Boa Vista estará aberta para carros de passeio, que dividirão espaço com os ônibus comuns, pois o BRT ocupará as duas faixas centrais.
<h3 style="text-align: center;">Cruzamento com a Gervásio Pires</h3>
<img loading="lazy" decoding="async" class="alwaysThinglink aligncenter" style="max-width: 100%;" src="//cdn.thinglink.me/api/image/1045790997092499459/1024/10/scaletowidth#tl-1045790997092499459;'" alt="" width="406" height="413"><script src="//cdn.thinglink.me/jse/embed.js" async="" charset="utf-8"></script>As estações do BRT, ainda intocadas e já deterioradas, serão deslocadas para o centro da avenida. Em alguns casos, como na altura da rua José de Alencar e das Ninfas, deixarão de obstruir os cruzamentos.
<h3 style="text-align: center;">Cruzamento com a rua José de Alencar</h3>
<img loading="lazy" decoding="async" class="alwaysThinglink aligncenter" style="max-width: 100%;" src="//cdn.thinglink.me/api/image/1045799220281344003/1024/10/scaletowidth#tl-1045799220281344003;'" alt="" width="1024" height="530"><script src="//cdn.thinglink.me/jse/embed.js" async="" charset="utf-8"></script>

O caótico cruzamento com a Soledade poderia render muita discussão caso a prefeitura não tivesse optado por obstruir o debate com especialistas. Hoje, atravessar esse trecho requer doses de paciência, perspicácia e sorte, principalmente para os muitos deficientes visuais que se deslocam todos os dias para a Fundação Altino Ventura, situada a 200 metros de distância.

Ao menos de acordo com as imagens que chegaram para os arquitetos, o que está prevista para esse trecho é uma confusa sequências de travessias descontínuas, incluindo uma delas em forma de letra ‘V’, que leva das duas calçadas da Soledade (do lado do Colégio São José e do ponto próximo ao prédio do consórcio Grande Recife) a uma ilha triangular chamada “hélice”.</blockquote>
<h2><b>Consensos e dissensos do projeto</b></h2>
Mesmo sem apresentar qualquer esboço, o secretário Roberto Gusmão, revelou alguns dos aspectos do projeto que estão quebrando a cabeça dos técnicos. De acordo com ele, apesar de vários itens terem sido incluídos no projeto cujas imagens circulam extra-oficialmente, não há consenso a respeito de:
<ul>
 	<li>Posição das paradas de ônibus comuns e dos BRTs</li>
 	<li>Trechos do canteiro central a serem usados pelos pedestres</li>
 	<li>Intervalos de tempo dos semáforos</li>
 	<li>Travessias de pedestres</li>
 	<li>Alternativa ao ar-condicionado para manter conforto nas estações de BRT</li>
</ul>
Já as obras consideradas de “engenharia” já podem ser dadas como definidas e devem custar aproximadamente R$ 6 milhões. Segundo o secretário, são consideradas como “simples”, que dificilmente mudarão até a finalização:
<ul>
 	<li>Alargamento das calçadas</li>
 	<li>Iluminação</li>
 	<li>Drenagem</li>
 	<li>Canteiro central para receber as estações do BRT</li>
</ul>
Além disso, o projeto contemplará o mobiliário urbano (principalmente lixeiras) e paisagismo, itens que foram esquecidos no projeto de 2008, quando o prefeito era João Paulo e o secretário de Planejamento, João da Costa – curiosamente a Emlurb, na época presidida pelo próprio Roberto Gusmão, executou a obra.<p>O post <a href="https://marcozero.org/conde-da-boa-vista-vai-mudar-de-novo-sem-debate/">Conde da Boa Vista vai mudar. De novo, sem debate</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Estudo confirma ociosidade de imóveis no bairro de Santo Antônio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luiz Carlos Pinto]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Apr 2018 09:20:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Um estudo inédito revela que há 42 imóveis desocupados ou menos da metade ocupados no bairro de Santo Antônio. O espaço disponível é correspondente a 2.106 unidades habitacionais. Para isso, seria necessário um investimento estimado de R$ 252.781.694,85. A área ociosa significa pouco mais de 14% do total de área construída em todo o bairro [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[Um estudo inédito revela que há 42 imóveis desocupados ou menos da metade ocupados no bairro de Santo Antônio. O espaço disponível é correspondente a 2.106 unidades habitacionais. Para isso, seria necessário um investimento estimado de R$ 252.781.694,85. A área ociosa significa pouco mais de 14% do total de área construída em todo o bairro – incluindo igrejas, conventos, palácios e sobrado.

O levantamento foi feito pela Organização não-governamental <a href="https://habitatbrasil.org.br/">Habitat para a Humanidade Brasil</a>, em parceria com a ONG FASE, o coletivo <a href="https://www.facebook.com/groups/1670804096527012/">A Cidade Somos Nós</a>, o MTST Brasil e o <a href="https://www.facebook.com/CAUSUFPE">Coletivo Arquitetura, Urbanismo e Sociedade (CAUS)</a>. O objetivo do trabalho foi identificar imóveis ociosos e vazios no centro do Recife.

O trabalho será divulgado hoje pela manhã, na sede da Habitat, e em seguida haverá um debate com a participação de Betina Guedes, Promotora de Habitação e Urbanismo; Antônio Alexandre, Secretário de Planejamento Urbano da Prefeitura de Recife, e o vereador Ivan Moraes, Vice-Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal do Recife.

&#8220;Nosso objetivo com esse levantamento é provocar o debate para promoção de habitação de interesse social em áreas centrais da cidade. Estamos em um momento essencial para essa discussão uma vez que o Plano Diretor da cidade está em processo de revisão e é justamente nele que estes mecanismos devem estar contemplados”, explica Mohema Rolim, Gerente de Programas da Habitat para a Humanidade Brasil e responsável pela coordenação do estudo.

<strong>Estudo</strong>

Desde 2016 o coletivo A Cidade Somos Nós vem realizando o que chamamos de Rolês da Função Social, um evento para observar e mapear de forma colaborativa a ociosidade de imóveis dos bairros do Centro do Recife”, afirma Leonardo Cisneiros, professor da UFRPE e integrante do coletivo A Cidade Somos Nós. “O objetivo, além de fazer esse levantamento, era o de realizar um debate ao vivo sobre soluções e sensibilizar as pessoas para o potencial de transformação da cidade que poderia vir de um aproveitamento desses imóveis para a moradia popular”, explica

Para o levantamento que será apresentado hoje, apenas edificações com 5 pavimentos ou mais foram analisadas. Essa estratégia foi usada para filtrar as edificações com maior potencial de reabilitação para habitação. Dos 1.002 lotes do bairro de Santo Antônio, cadastrados na base do <a href="http://www2.recife.pe.gov.br/servico/informacoes-geograficas-do-recife-esig">Sistema de Informações Geográficas (ESIG)</a>, 155 possuem edificações com 5 ou mais pavimentos.

Esta base inicial de 155 lotes foi atualizada após as idas a campo, essenciais para confirmar a informação e identificar distorções. A partir da análise de campo, um lote foi acrescido e outros 44 excluídos. Os edifícios foram excluídos pela diferença entre as informações contidas no cadastro da prefeitura e a observação em campo. Em alguns casos, o número de pavimentos do cadastro não correspondia com a realidade, ou eram imóveis históricos/institucionais em que não seria possível a produção de habitação, como no Teatro de Santa Isabel ou no Palácio da Justiça. Isso totalizou um número final de 112 lotes analisados.

<strong>Resultado</strong>

Dos 112 lotes, 42 estão totalmente desocupados ou com menos da metade de sua área ocupada. Isso quer dizer que 37,5% dos imóveis analisados estão ociosos. Dos 30 imóveis identificados como menos da metade da área ocupada, 26 concentravam a maioria da ocupação no térreo e/ou na sobreloja.

&#8220;É um número muito alto e pode ser ainda maior. A maior parte tem uma boa conservação”, afirma Mohema Rolim. Os imóveis foram classificados como Bom (74) e Regular (33), com apenas 4 apresentando conservação Ruim e 1 sem opção assinalada.

O nível de ociosidade no bairro pode ser ainda maior. Dos 243 domicílios particulares permanentes recenseados pelo IBGE em 2010, 100 aparecem como não ocupados, totalizando 41,15% do total de domicílios do bairro. O número apresenta um crescimento considerável em relação aos 7,49% no censo anterior (2000), onde 20 dos 267 domicílios particulares permanentes recenseados estavam vagos.

Os dados do estudo confirmam informações da reportagem <a href="http://marcozero.org/dividas-de-r-346-milhoes-de-iptu-expoem-abandono-e-cobica-no-centro-do-recife/">Dívidas de R$ 346 milhões de IPTU expõem abandono e cobiça no Centro do Recife</a>, que publicamos recentemente. Em particular, a mancha da inadimplência em IPTU no bairro de Santo Antônio é mais densa, revelando por sua vez a relação entre abandono de imóveis, falta de politicas habitacionais e déficit habitacional.

Para a professora de arquitetura e urbanismo da Unicap, Clarissa Duarte, as políticas públicas precisam destinar recursos tanto&nbsp; para o fomento do uso habitacional quanto para a reabilitação das ruas de acesso às habitações. “Esse é um caminho para intensificar a densidade habitacional, que hoje no centro é insustentável”, afirma. “O ideal se aproxima de uma densidade entre 300 a 350 habitantes por hectare&nbsp; e temos na área trechos com menos de 20 habitantes por hectare ”, completa Clarissa.

“Nenhum lugar do mundo se sustenta sem ser habitada, nem economicamente, nem culturalmente, muito menos do ponto de vista da segurança e da cidadania”, afirma a professora. “Serviços complementares à habitação, como creches, supermercados, farmácias e mercadinhos precisam ser simultaneamente oferecidos. Habitar é muito mais do que ter uma habitação&#8221;, afirma.

Espera-se com ansiedade saber como o poder público em geral e a administração municipal atual podem sinalizar melhoras nesse sentido. O debate que ocorre na sede da Habitat, depois da apresentação do estudo, uma boa oportunidade para o representante da gestão atual indicar possíveis ações que beneficiem o bem público. A ver.

<strong>Veja o mapa com os 142 imóveis apontados no estudo. Clique sobre os pontos para informações detalhadas sobre as edificações
</strong>
<div class="embed-container"><small><a style="color: #0000ff; text-align: left;" href="//marcozero.maps.arcgis.com/apps/Embed/index.html?webmap=bf6fe6a902b347129e1afa8aefde4860&amp;extent=-34.8904,-8.0699,-34.868,-8.0587&amp;zoom=true&amp;scale=true&amp;disable_scroll=true&amp;theme=light" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Visualizar mapa grande</a></small>
<iframe loading="lazy" title="Predios desocupados" src="//marcozero.maps.arcgis.com/apps/Embed/index.html?webmap=bf6fe6a902b347129e1afa8aefde4860&amp;extent=-34.8904,-8.0699,-34.868,-8.0587&amp;zoom=true&amp;previewImage=false&amp;scale=true&amp;disable_scroll=true&amp;theme=light" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no" width="800" height="700" frameborder="0"></iframe></div>
<strong>Veja o mapa de calor com os resultados do mapa acima
</strong>
<div class="embed-container"><small><a style="color: #0000ff; text-align: left;" href="//marcozero.maps.arcgis.com/apps/Embed/index.html?webmap=d2f4c35d92c3437a83285d0427eb171b&amp;extent=-34.8904,-8.0699,-34.868,-8.0587&amp;zoom=true&amp;scale=true&amp;disable_scroll=true&amp;theme=light" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Visualizar mapa grande</a></small>
<iframe loading="lazy" title="Predios desocupados-Calor" src="//marcozero.maps.arcgis.com/apps/Embed/index.html?webmap=d2f4c35d92c3437a83285d0427eb171b&amp;extent=-34.8904,-8.0699,-34.868,-8.0587&amp;zoom=true&amp;previewImage=false&amp;scale=true&amp;disable_scroll=true&amp;theme=light" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no" width="800" height="700" frameborder="0"></iframe></div>
<blockquote><strong>Raio X da ociosidade dos espaços no Recife</strong>

<strong>62 mil</strong> unidades é o déficit habitacional do Recife

<strong>Universo da pesquisa:</strong> Bairro de Santo Antônio/1.002 lotes/

Edificações com 5 pavimentos ou mais: 112 lotes

<strong>Resultados:</strong>
<strong>42</strong> completamente desocupados
<strong>30</strong> com menos da metade da área ocupado

<strong>(37,5% dos imóveis analisados estão ociosos)</strong>

<strong>16</strong> com mais da metade da área ocupada
<strong>52</strong> com a maioria ou totalmente ocupado
<strong>2</strong> imóveis que não tiveram situação de ocupação assinalada
<strong>105.325,71</strong> m² de área construída desocupada
<strong>14,37%</strong> do total de área construída em todo o bairro
<strong>2.106</strong> unidades habitacionais

Para isso, seria necessário um investimento estimado de <strong>R$252.781.694,85</strong></blockquote><p>O post <a href="https://marcozero.org/estudo-confirma-ociosidade-de-imoveis-no-bairro-de-santo-antonio/">Estudo confirma ociosidade de imóveis no bairro de Santo Antônio</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Batalha Naval</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luiz Carlos Pinto]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2015 10:42:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[arquitetura e urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[marco zero conteudo]]></category>
		<category><![CDATA[recife tem dono?]]></category>
		<category><![CDATA[vila naval]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Tem sido comum afirmar que a Vila Naval, entre Olinda e Recife, é o novo Estelita. Há razões para se associar as duas disputas: por um lado, ambas são áreas nobres à beira da lâmina d&#8217;água, localizadas no centro da cidade, objetos de desejo do setor imobiliário, com boa localização e sem uso imediato. Por [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
				<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/09/0e6e94908cc2f582e3dffb6f9da396f3-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-medium wp-image-1186" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/09/0e6e94908cc2f582e3dffb6f9da396f3-1-300x198.jpg" alt="0e6e94908cc2f582e3dffb6f9da396f3 (1)" width="300" height="198" /></a>Tem sido comum afirmar que a Vila Naval, entre Olinda e Recife, é o novo Estelita. Há razões para se associar as duas disputas: por um lado, ambas são áreas nobres à beira da lâmina d&#8217;água, localizadas no centro da cidade, objetos de desejo do setor imobiliário, com boa localização e sem uso imediato. Por outro lado, são regiões cujas intervenções podem alterar a qualidade de vida (positiva ou negativamente) de uma grande massa da população da capital pernambucana, pois ambas possuem um alto potencial urbanístico. Mesmo sem um Plano Urbanístico consolidado para a área, o Comando do 3o. Distrito Naval admite que já possui projetos arquitetônicos desenvolvidos por escritórios civis da cidade: estão previstos as seguintes edificações para nova Vila Naval do Recife: dois prédios com 228 apartamentos para Praças e um prédio com 36 apartamentos para Oficiais.

O que mais tem preocupado urbanistas e movimentos sociais – entre eles, representantes dos moradores do bairro de Santo Amaro –, entretanto, é um conjunto de três elementos: primeiro, a falta de participação popular na elaboração da minuta do <a href="http://www2.recife.pe.gov.br/wp-content/uploads/Minuta-PL-ZEPH-19.pdf " target="_blank" rel="noopener noreferrer">Plano Urbanístico específico para a área</a>. É certo que o Plano não está pronto, mas <a href="http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cidades/geral/noticia/2014/11/11/plano-diretor-para-a-vila-naval-155498.php" target="_blank" rel="noopener noreferrer">foi apresentado</a>, em novembro de 2014 sem que tivesse sido discutido com representantes da comunidade que será mais imediatamente atingida: os moradores do bairro de Santo Amaro.

“Esse fator é preocupante, dado o histórico recente de falta de diálogo em relação à questão urbana que vem marcando a gestão atual da administração municipal”, afirma Rud Rafael, assistente social. Talvez não seja por acaso a inspiração que animou a elaboração da minuta do Plano Urbanístico para a área: o planejamento que atende a um modelo de cidade baseado no deslocamento automobilístico – com a consequente exclusão da população de mais baixo poder aquisitivo –, e a desconsideração do patrimônio histórico do entorno e da própria vila. Quando apresentado, a minuta do Plano também não tinha estudos de impacto do adensamento e valorização imobiliária; levantamento sobre o patrimônio preservável e sobre visibilidade do bem nem simulações e estudos com planos de massa.

Além disso, o referencial que se tem de proteção para o patrimônio histórico na área, o PPSH, de 1979, definia um gabarito de dois andares para Vila Naval. Mas a minuta do Plano apresentado pela prefeitura prevê que excepcionalmente se poderão construir edifícios com até 75 metros de altura.

“No âmbito de toda a discussão sobre a área que envolve a Vila e Santo Amaro pouco ou nada se falou acerca do projeto de alargamento da Cruz Cabugá, da lavra da Secretaria das Cidades e da CTTU. Este projeto manda pra estratosfera metade das quadras lindeiras da Vila”, afirma o arquiteto Noé do Rêgo Barros. “Não faz urbanismo, apenas sistema viário. Ignora o papel estruturador da via envolvendo toda complexidade e amplitude de modais e usuários, gente em suma”, complementa.

Um segundo aspecto preocupante é o desvio da finalidade da legislação concernente e que torna o benefício público não muito certo: o Plano Diretor da cidade prevê, via artigos 193 e 194, que a Vila Naval é uma das áreas que pode receber um plano urbanístico específico. Acontece que a Vila Naval integra uma área maior, que inclui ainda a ZEIS Santo Amaro e Tacaruna e o Plano deve contemplar essas áreas também.

Entretanto, a minuta do Plano, o único documento que indica oficialmente, até agora, a visão da atual administração para a área, só considera a Vila Naval – um filé, vamos dizer assim. O objetivo da legislação era garantir a integração entre essas áreas – coisa que a minuta do projeto até agora não o faz. Além de garantir essa integração, a legislação também procura criar compensações que beneficiem a área mais carente e que permita o equilíbrio ambiental, caso haja adensamento de construções na frente d&#8217;água – como parece ser inevitável nesse caso.

“O Plano Diretor diz que o projeto para a Vila Naval deve ser feito incluindo a ZEIS Santo Amaro e a área da Fábrica da Tacaruna. Certamente a intenção era evitar a segregação e a gentrificação e permitir que as contrapartidas de investimentos privados na área pudessem ser aplicadas nas áreas mais carentes do bairro. Do jeito que está sendo feito, a Prefeitura abre a área mais valorizada para o mercado imobiliário, sem garantir que, como determina o Estatuto da Cidade, o lucro adicional garantido pela nova lei seja em parte revertido para projetos sociais e ambientais. Além disso, a Lei de Uso do Solo diz que a área é de proteção do patrimônio histórico, com a finalidade de preservar a visibilidade e ambiência do Hospital Naval&#8221;, afirma o integrante do grupo Direitos Urbanos, Leonardo Cysneiros.

&#8220;A minuta claramente atropela essa determinação ao focar somente no adensamento e em liberar a área para o mercado imobiliário, garantindo inclusive um gabarito de mais de vinte andares completamente incompatível com a preservação da ambiência do patrimônio histórico”, complementa.  Antes de ser uma vila naval, no terreno existia a vila de operários da fábrica de tecidos Tacaruna, localizada lá perto. A vila era testemunho de uma época em que grandes indústrias interviam diretamente na conformação do território e na organização do espaço urbano.

“As vilas militares, de foram geral, são bastante representativas em termos urbanísticos e aquela é a única do Recife que se encontra em área de preservação”, afirma Rodrigo Cantarelli, arquiteto. “A Vila Naval possui edifícios neocoloniais e no estilo missões que são representativos e deveriam ser preservados, assim como o próprio parcelamento do solo e a estrutura urbana são importantes, elementos que foram desprezados nesse plano apresentado pela prefeitura, que, a meu ver, quis unicamente atender demandas de um mercado imobiliário, sem se preocupar com a preservação do lugar”, complementa Cantarelli.

Por fim, outra fonte de preocupações e incertezas reside na negociação com a Marinha, mais especificamente com o Comando do 3o. Distrito Naval, sediado em Alagoas, a quem as operações da corporação em Pernambuco são subordinadas. Uma decisão do mês de julho do Tribunal Regional Federal tornou sem validade o decreto da prefeitura que criava o Parque dos Manguezais, o nó górdio e razão de ser do acordo entre prefeitura e a corporação.

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/10/Mapa_lotes_Vila_Naval.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-1239" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/10/Mapa_lotes_Vila_Naval.jpg" alt="Mapa_lotes_Vila_Naval" width="620" height="465" /></a>
<h2>Começando pelo começo</h2>
Corria o ano de 2010. O Comando do 3o. Distrito Naval publica o edital de licitação No 0001/2010, através do qual anuncia o interesse em negociar a área de 2.477.583,20 m² que possui na Avenida Domingos Ferreira, no Pina, mais conhecido como o terreno da ex-Estação Rádio Pina. Avaliado em R$ 51 milhões, o terreno não é (exatamente) colocado à venda: a corporação pretende obter ofertas de permutas por serviços de construção. Ou seja, pretendia trocar o maior mangue urbano do país por oito prédios, que totalizavam 70 apartamentos, para Suboficiais e Sargentos na Vila Naval que existe em Natal, mas também em Maceió, Fortaleza e Recife. <a href="http://www2.recife.pe.gov.br/wp-content/uploads/Minuta-PL-ZEPH-19.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Você pode acessar o edital nesse link.</a> A Marinha ainda incluía entre os itens de seu interesse como condição para a permuta a demolição 59 residências existentes na vila militar de Natal.

Foi então que o prefeito em exercício, Milton Coelho, assinou decreto regulamentando a área como parque municipal, logo depois da publicação da licitação da Marinha. Com isso, se estabeleceu um impasse entre a Prefeitura e a corporação militar. A PCR pretende criar no local o Parque Natural Municipal dos Manguezais Josué de Castro &#8211; uma justa homenagem ao médico pernambucano. O decreto da Prefeitura estabelecia que somente construções de apoio ao estudo científico e estacionamento em áreas já aterradas seriam permitidas. A medida paralisou os planos da Marinha de fazer valer sua propriedade e precisa ser entendida como uma atitude louvável, positiva da administração municipal.

A forma de solução do impasse é que é problemática. O Comando do 3o. Distrito Naval da Marinha propôs um acordo com a Prefeitura da Cidade do Recife e cujos termos não implicam, necessariamente, em benefícios para a população: por esse acordo, a Prefeitura se compromete a elaborar um Plano Urbanístico que aumente a capacidade construtiva na Vila Naval. Consequentemente, o valor do terreno. E por decorrência a margem de negociação da Marinha com a iniciativa privada. E por sucessão, a possibilidade de compensar a &#8216;perda&#8217; da área do mangue de modo a financiar a necessidades imobiliárias da corporação militar. Para movimentos sociais que atuam com a questão urbana, a negociação em si também subverte o Plano Diretor da Cidade, na medida em que procura solucionar prioritariamente demandas da prefeitura e da corporação militar e não da população.

O que alguns urbanistas e grupos que discutem a questão urbana argumentam é que qualquer decisão de aumentar o potencial construtivo na área precisaria ser precedida de estudos que garantiriam que isso é possível sem prejuízo para a cidade. Mas a Prefeitura não apresentou (ainda) nenhum estudo de mobilidade, de valorização econômica, nenhum levantamento sobre o patrimônio histórico dentro da Vila.

“Essa negociação entre Prefeitura e Marinha em torno da Vila Naval como forma de &#8216;compensação&#8217; pela proteção do Parque dos Manguezais, apesar de discutida tão publicamente, é um absurdo completo. Ela subverte a finalidade do poder do município de ordenar o uso do solo &#8211; definida nas diretrizes do Estatuto da Cidade &#8211; e confessadamente usa esse poder somente para gerar renda imobiliária para um ente público que está agindo como se fosse um proprietário privado qualquer”, afirma Leonardo Cysneiros, professor substituto da UFPE e integrante do grupo Direitos Urbanos.

“O que a Prefeitura está fazendo perverte o planejamento da cidade: parte-se da premissa da geração de mais-valia urbana e aí qualquer outra consideração urbanística ou ambiental fica em segundo plano, relegada a ajustes no plano que tem como foco só o lucro. Ao meu ver, só isso invalida o plano, inclusive por violação do princípio da impessoalidade”, complementa.

Inicialmente, o edital de permuta que a Marinha havia publicado (e que disparou o decreto de Milton Coelho) tomava por base que o terreno no Pina valia R$ 51 milhões e que a permuta deveria tornar possível a construção de edifícios em Natal e unidades residenciais unifamiliares nas cidades de Maceió, Fortaleza e Recife. Quando avaliava a forma de sair do impasse, a Marinha pediu uma indenização de R$ 20 milhões pela área à PCR, que por sua vez, alegou que não dispunha do montante.

Como e porque o valor inicial do terreno do Pina caiu de R$ 51 milhões para 20 milhões? Enviamos essa dúvida ao Comando do 3o. Distrito Naval da Marinha, que respondeu o seguinte. “o Prefeito da Cidade do Recife manifestou interesse em adquirir a ex-Estação Rádio Pina por intermédio do Ofício nº 638/2010 ao Comando do 3º Distrito Naval, solicitando que o Edital fosse revogado. Este fato foi levado ao Comandante da Marinha (CM) que resolveu cobrar o valor que a MB havia investido na compra da área, corrigido para DEZ2010, pelas seguintes razões: &#8211; por se tratar de uma operação entre entes federativos; &#8211; por interesse em colaborar com o crescimento da Cidade do Recife;-não ter cunho comercial, diferentemente da iniciativa privada; e &#8211; por ser da competência do CM essa decisão, amparado pela Lei 5658/71”.

E foi assim que nasceu o acordo. Diante da necessidade de construir residências em Recife para abrigar militares, o Comando do 3o. Distrito Naval da Marinha propôs à PCR que elaborasse um Plano Urbanístico específico para a Vila Naval do Recife de tal modo que aumentasse o valor da área e assim a Marinha possa permutar parte da Vila Naval com a inciativa privada, de maneira a compensar a “perda” de certas propriedades – dentre as quais, uma faixa de doze metros na extensão da VNRe, para alargamento da Avenida Cruz Cabugá.

Essa arrumação está registrada no seguinte documento do Ministério Público Federal.
<div class="issuuembed" style="width: 525px; height: 600px;" data-configid="18964291/30491095"></div>
<script src="//e.issuu.com/embed.js" async="true"></script>

Estão incluídas entre as áreas da Marinha que serão cedidas à área da antiga Estação Rádio Pina para implantação do Parque dos Manguezais a área para implantação Via Expressa lindeira junto a Bacia dos Rios Beberibe e Capibaribe, a área para alargamento da Avenida Cruz Cabugá, e a área para implantação de uma Estação de Barcas do Projeto de Navegabilidade do Recife.

Depois do aumento do potencial construtivo, a ser promulgado por lei específica municipal, a Marinha do Brasil assinará um acordo, que será encaminhado para aprovação da Advocacia-Geral da União e do Ministério Público Federal – PE. A partir daí, a Marinha do Brasil lançará edital de concorrência pública, para alienar por permuta parte da VNRe por construção de Próprios Nacionais Residenciais (PNR) e obras de interesse da MB, com valores compatíveis ao mercado.
<h2>Embolando o meio de campo</h2>
Sucede que, apesar do acordo, a Marinha recorreu à Justiça ainda em 2011 contra a Prefeitura, requerendo que o decreto que cria o Parque dos Manguezais fosse invalidado. E ganhou. Em julho, o Tribunal Regional Federal invalidou o decreto municipal. Cabe recurso junto ao STF. Em relação à Vila Naval, a questão que se impõe é: como isso altera o jogo de forças em torno da área e o próprio acordo estabelecido lá atrás? Enviamos esse questionamento à administração municipal, que não respondeu até o momento da publicação desse texto. Aliás, enviamos diversos questionamentos à administração municipal sobre diversos aspectos dessa reportagem, mas eles não foram respondidos.

Já assessoria de imprensa do 3o. Comando o 3o. Distrito Naval da Marinha respondeu o e-mail informando que:
<blockquote>“A questão do Parque dos Manguezais é da Prefeitura. O recurso da Marinha residia no fato de que a propriedade pertence a Marinha do Brasil. Assim sendo, a Prefeitura do Recife não pode legislar em cima de um bem que pertença à União.

A Marinha continua buscando um acordo com a prefeitura de forma que possa ajudar a prefeitura e a cidade do Recife.

A questão é simples:

1 &#8211; Como a Marinha investiu para comprar a área do Pina, deseja uma contrapartida para cedê-la à prefeitura.

2 &#8211; Como a prefeitura tem interesse na área da vila naval, e para a realização dos seus projetos há a necessidade de demolição de algumas casas, a Marinha deseja, como contrapartida, a construção de novas moradias para os militares ali residentes”.</blockquote>
Ou seja, a resposta da corporação confirma a continuidade da negociação, mas não explicita os termos nem como isso pode impactar o Plano Urbanístico para a área. Também procuramos saber se a Marinha já tem algum estudo de viabilidade que indique ser interessante a troca por imóveis com o setor privado. O 3o. Comando respondeu, por meio de sua assessoria de imprensa que “elaborou um Estudo de Necessidade baseado no Plano de Articulação e Equipagem da MB (PAEMB), cumprindo a Estratégia Nacional de Defesa (END) que prevê o crescimento da MB. Para sua informação está previsto aumentar o número de formandos da Escola de Aprendizes-Marinheiros de Pernambuco de 550 alunos para 1.000 alunos/ano.

“Eu vejo a Vila Naval como uma área de preservação e se você acompanhar as legislações que tiveram ali desde que a ZEPH foi criada você percebe que ouve um crescimento dos limites da zona de preservação com um intenção clara de inserir a vila como um todo, inclusive havendo mudança no nome, que passou de &#8220;Hospital de Santo Amaro&#8221; para &#8220;Hospital de Santo Amaro/Vila Naval&#8221;, Rodrigo Cantarelli. “É interessante ver que, no histórico das leis de preservação que incidiram sobre a área, os índices de ocupação e gabarito autorizado pra lá sempre foram bem baixos, agora a prefeitura esta desconsiderando isso e liberando tudo”, completa Rodrigo Cantarelli.
<h2>Um respiro no meio do caminho</h2>
Se há semelhanças em relação à disputa pelo uso público do Cais Estelita, há também várias dessemelhanças. Uma das principais diferenças tem sido a participação popular, desde que a Prefeitura apresentou a minuta do Plano urbanístico. A associação dos moradores de Santo Amaro se posicionou de imediato, reivindicando uma audiência pública e para isso chegaram a invadir a prefeitura em junho de 2015 – depois de ter entregue quatro ofícios sobre o assunto desde dezembro em que se solicitava audiência para discutir a minuta do Plano que a PCR havia apresentado em Novembro de 2014. Foi essa articulação que contribuiu para que a minuta do Plano pudesse ser barrado no Conselho da Cidade, durante a reunião ainda em Novembro de 2014 para discutir a proposta da prefeitura.

Atualmente, alguns sinais indicam que a disputa por um uso mais humanizado do terreno da Vila implicará ainda mais fronts do que no caso do Estelita. Está em curso a auspiciosoa experiência do <a href="http://centrocidadao.org" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Plano Centro Cidadão</a>, quem vem desenvolvendo estudos e diagnósticos urbanísticos para os bairros de Santo Amaro, Boa Vista, Soledade, Ilha do Leite, Coelhos e Paissandu. Também estão sendo desenvolvidos Diretrizes Urbanísticas e Cadernos de Planejamento Integrado, que ajudarão futuros estudos e projetos de espaços públicos e privados. Esses levantamentos poderão basear um Plano Urbanístico específico para a Vila Naval que priorize um uso humanizado e a preservação histórico e ambiental do entorno.

O trabalho foi demandado pelo Instituto Pelópidas da Silveira, da Prefeitura da Cidade do Recife e, embora não haja uma segurança legal que obrigue a incorporação desses estudos ao Plano, cria-se uma importante base argumentativa para os destinos da Vila com um caráter menos segregacionista para a área.		<p>O post <a href="https://marcozero.org/batalha-naval/">Batalha Naval</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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