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	<title>Arquivos Carnaval de Olinda - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 12 Feb 2026 21:07:47 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos Carnaval de Olinda - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>O regresso das multidões do Elefante de Olinda</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Feb 2026 20:06:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
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<p>Era domingo de Carnaval, há mais de dez anos, quando o minguado — porém, ainda vivo — Elefante de Olinda passou pouco aclamado pelo povo e sem nenhum ardor pela avenida Joaquim Nabuco, no Varadouro. Com quase nenhum esplendor, mas ainda exaltando suas tradições, a agremiação desfilava ao som de apenas dois clarins, uma faixa de tecido desgastado, uma orquestra de dez músicos, um pequeno grupo de foliões e desfilantes com fantasias velhas. Com no máximo 25 pessoas, aquele era o retrato do declínio do clube carnavalesco fundado em 1952 que, por muito tempo, arrastou multidões e cujo hino se confunde com o hino do Carnaval de Olinda.</p>



<p>Alguns anos depois dessa cena, o gigante acordou e, no Carnaval de 2026, e se prepara para, mais uma vez, arrastar uma multidão de 30 mil desfilando seu recorde: seis alas de fantasias, abre-alas, faixa, dois porta-estandartes, duas companhias de dança, vários clarins e duas orquestras. Nesta quinta-feira, 12 de fevereiro, o clube comemora 74 anos com uma nova diretoria que atuou para revibrar corações de amor a sonhar, numa Olinda sem igual. Atualmente o Elefante realiza quatro desfiles carnavalescos: o Trote, o Baile Encarnado, o Elefantinho e o desfile oficial, sempre aos domingos.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-12-at-16.18.50-2-1024x682.jpeg" alt="Essa imagem mostra uma celebração noturna de rua, provavelmente ligada ao carnaval ou a um festival cultural. No centro, há um grande estandarte bordado com a inscrição “Elefante de Olinda”, destacando os anos 1952 e 2023, em referência aos 71 anos desse grupo tradicional. O estandarte é colorido e ornamentado com desenhos de sol, palmeiras e paisagem. Abaixo dele, uma multidão de pessoas festeja com braços erguidos, enquanto confetes ou espuma caem sobre elas. As ruas estão enfeitadas com fitas coloridas e iluminadas, criando um ambiente alegre e vibrante de comemoração coletiva." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Elefante de Olinda desfila a frente de 30 mil pessoas no Carnaval de Olinda. Crédito: Hugo Muniz
</p>
	                
                                            <span>Crédito Hugo Muniz</span>
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                    </figure>

	


<p>“Estávamos na calçada, na casa da minha sogra, quando, de repente, vi a faixa ‘Elefante de Olinda’. Eu gritei &#8216;minha gente, corre, é o Elefante de Olinda&#8217;. E sai desfilando com meu companheiro, Anax Botelho”. Quem revive essa história em detalhes é Juliana Serretti, 36 anos, que hoje compõe a diretoria do clube.</p>



<p>“Como pode a gente passar o Carnaval todo cantando o hino do Elefante, que virou até um grande clichê, e a agremiação estar desse jeito? Precisamos fazer alguma coisa”, pensou Juliana. Foi quando ela e Anax — cujos pais se conheceram e se apaixonaram durante um desfile do Elefante — começaram a buscar quem estava à frente da agremiação.</p>



<p>“Aí conhecemos seu João, já falecido e um dos homenageados do Elefante no Carnaval 2026. Ele foi, por muitos anos, presidente e carregou o clube nas costas. É graças à teimosia de seu João que ainda estamos aqui”, relembra ela. O Elefante, mesmo à míngua, nunca deixou de desfilar um só Carnaval. “Depois começamos a chamar várias pessoas que sabíamos que têm amor pela folia e algum vínculo com o Elefante, sempre frisando para seu João que a gente não queria cachê nem tomar o poder dele. Nosso desejo era realmente levantar o clube”, detalha.</p>



<p>Uma dessas pessoas é Rafael Antônio, 36 anos, neto de Élcio, um dos fundadores da agremiação, e que hoje também faz parte da diretoria e é porta-estandarte. “Minha família sempre alugou casa em Olinda no Carnaval e, quando eu era pequeno e vinha uma troça muito grande, as pessoas lá de casa colocavam as crianças e as cadeiras para dentro. O Elefante, quando chegou uma vez, minha avó, ainda viva, ficou muito triste porque, na época, o clube passou já muito pequeno. Não passou gigante como era antes, quando as fantasias, inclusive, eram feitas na casa dela”, recorda ele, dizendo que, depois disso, nunca mais viu a agremiação passar novamente.</p>



<p>Rafael também relembra o motivo do nome “Elefante”: “Antigamente, havia as festas que o pessoal chamava de assustado. As pessoas entravam na casa dos outros, que ofereciam comes e bebes. Num desses assustados, Chuquinha, um dos fundadores, pegou um pequeno elefante de biscuit em cima da geladeira e guardou no bolso. A turma comeu, bebeu e foi embora. Quando chegaram nos Quatro Cantos de Olinda, Chuquinha colocou o elefantinho na cabeça e começou a dançar”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-12-at-16.18.50-1024x643.jpeg" alt="Essa imagem mostra uma festa popular realizada à noite em uma rua cheia de pessoas. A multidão veste roupas festivas, muitas em vermelho, e duas bandeiras grandes e ornamentadas se destacam no centro. Uma delas traz o nome “Cariri” com bordados em azul e dourado; a outra celebra os 70 anos do grupo “Elefante de Olinda”, com bordados coloridos e a figura de um elefante sob o sol. Acima da rua, há fitas verdes e amarelas penduradas, e também um letreiro em forma de coração com a palavra “Paz”. O clima é alegre, vibrante e transmite a energia de uma celebração cultural tradicional brasileira." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Elefante e Cariri juntos no Carnaval de Olinda. Crédito: Hugo Muniz
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Hugo Muniz</span>
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                    </figure>

	


<p>E as cores? “O Elefante usa vermelho e branco porque, no seu primeiro desfile, o grupo jogava no Bonfim Futebol Clube, em que meu tio era goleiro. As cores do time eram vermelho e branco e o pessoal saiu para desfilar vestindo as camisas do Bonfim”.</p>



<p>A reportagem também perguntou sobre a rivalidade com a Pitombeira dos Quatro Cantos, que já foi motivo de muita violência com brigas e facadas, mas hoje tornou-se mais um motivo de brincadeira. A dupla da diretoria conta, rindo, a origem dessa rivalidade. Num desfile, há muitas décadas, uma pessoa levou uma plaquinha escrita “A Pitombeira não morreu, está doente”, porque, naquele ano, a troça não saiu no Carnaval. No ano seguinte, ela também não desfilou e essa mesma pessoa exibiu a plaquinha “A Pitombeira morreu, aqui jaz”.</p>



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	                                        <p class="m-0">Juliana e Rafael, da diretoria do Elefante. Crédito: Arnaldo Sete/MZ</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading">O financiamento do regresso</h2>



<p>Rafael comenta que o ressurgimento do Elefante de Olinda manteve uma outra tradição: a de ser composto por amigos-foliões. O ano era 2017 quando o grupo conquistou totalmente a confiança de seu João e ele passou a diretoria para a nova geração.</p>



<p>“E aí o nosso grande orgulho foi quando as pessoas começaram a dizer novamente ‘recolhe que o Elefante vem aí’&#8221;, comemoram, explicando, em seguida, que as coisas não aconteceram de uma hora para outra. Foi através da venda de produtos como camisa, boné, bolsa e, este ano, meias (que esgotaram rapidamente) que a diretoria foi conseguindo mais verba, além do <a href="https://marcozero.org/a-farra-dos-caches-do-carnaval-de-olinda-na-gestao-de-mirella/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">cachê pequeno</a> pago pela Prefeitura de Olinda, este ano de apenas R$ 48 mil para três exibições.</p>



<p>Mesmo com pouca verba pública, o Elefante mantém o baile como um evento gratuito, em que só se toca frevo e nada além disso. O clube conta com um patrocínio de R$ 10 mil da Pitú e não aceita dinheiro das bets, apesar de algumas empresas já terem oferecido. O desfile do domingo de Carnaval, o maior de todos, não sai por menos de R$ 60 mil.</p>



<p>Quem também chegou junto com força nessa história foi o maestro Oséas Leão, da Furiosa: “Ele também é responsável por esse renascimento. Ter a orquestra de Oséas no Elefante foi uma grande conquista, no nosso primeiro Trote. Mas isso porque ele topou cobrar um cachê que conseguíamos pagar”, afirma Juliana.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-12-at-16.18.50-1-1024x682.jpeg" alt="Essa imagem mostra uma celebração de rua à noite, cheia de cores e detalhes festivos. No centro, há uma pessoa vestida com uma fantasia elaborada de elefante: cabeça grande com presas, coroa e roupas bordadas com pedras e enfeites brilhantes. Ao lado dela, aparece um estandarte ricamente decorado com bordados coloridos e franjas, trazendo a inscrição “Elefante de Olinda – 70 anos – 1952 2022”, além da figura de um elefante dourado sob o sol, cercado por palmeiras. Ao fundo, outras pessoas em trajes festivos participam da comemoração, reforçando o clima alegre e cultural de um carnaval ou festa tradicional brasileira." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Um dos estandartes do clube com o Elefante símbolo da agremiação. Crédito: Hugo Muniz
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Hugo Muniz</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading">O hino &#8220;Regresso do Elefante&#8221;</h3>



<p>Ao longo das décadas em que o Elefante esteve adormecido, muito da sua história se perdeu. Uma dessas perdas foi a partitura do hino <a href="https://www.youtube.com/watch?v=klKix-hvcCk" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Regresso do Elefante</a>, que era (e agora voltou a ser) tocado quando a orquestra recolhe, ao final dos desfiles. Tradicionalmente a agremiação encerra com esse frevo e inicia com o frevo <a href="https://www.youtube.com/watch?v=E5XuKm_PKhk" target="_blank" rel="noreferrer noopener">A chave de tudo é o segredo</a>. Isso faz parte da mística do Elefante, é quando Oséas faz, com as mãos, um sinal de que está girando uma chave.</p>



<p>“Mas ninguém sabia nem como era esse frevo, nunca tínhamos ouvido. Sabíamos apenas uns trechos da letra graças à Newtinho, do bloco Dez de Xarque e uma Latinha. Por sorte, Célio Gouveia, também da diretoria do Elefante, encontrou um vinil super antigo, num sebo, e lá estava o Regresso do Elefante&#8221;, conta Juliana. O grupo entregou o vinil à Lúcio, maestro da Orquestra Henrique Dias, que conseguiu refazer a partitura.</p>



<p>“Às vezes, estou varrendo a sala de casa quando ouço as orquestras, no Clube Vassourinhas, perto da minha casa, ensaiando e tocando novamente o Regresso do Elefante. É quando penso ‘ele está vivo’, compartilha.</p>



<p>Essa é uma das várias histórias sobre o ressurgimento do clube presentes no documentário recém-lançado Elefante Encarnado, de Juliana Beltrão, um filme da memória viva do Elefante e do amor de um povo que transforma tradição em alegria e resistência.</p>



<p>“A gente está no Elefante, mas a gente passa. O Elefante fica. O elefante veio antes, estamos aqui durante e ele vai continuar depois. Então o Elefante não é nosso, não é de ninguém, mas é de todo mundo junto”, declara Juliana ao final da entrevista.</p>



<p>Uma coisa é certa: mesmo nos anos mais difíceis, quem algum dia brincou o Carnaval nas ladeiras de Olinda cantou o hino do Elefante, talvez a música mais tocada da folia em Pernambuco e que se tornou quase um hino não oficial tanto da festa quanto da própria cidade.</p>



<p>Cliquei abaixo para escutar com arranjo e regência do maestro Duda.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="ratio ratio-16x9"><iframe title="Maestro Duda e Sua Orquestra - Elefante de Olinda" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/Bl_2eRGpsdQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
</div></figure>



<p><br><br></p>
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		<title>Empresários apagam vídeos das bandas da &#8220;farra dos cachês&#8221; no Carnaval de Olinda</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Feb 2026 18:45:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[a farra dos cachês]]></category>
		<category><![CDATA[cachês do carnaval]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vídeos que comprovam a realização dos shows das bandas e dos cantores de pouca expressão que receberam cachês de valores elevados no Carnaval de Olinda em 2025 já não estão disponíveis no YouTube. As peças começaram a ser retiradas do ar no início da tarde desta segunda-feira, 9 de fevereiro, horas após a reportagem sobre [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Vídeos que comprovam a realização dos shows das bandas e dos cantores de pouca expressão que receberam <a href="https://marcozero.org/a-farra-dos-caches-do-carnaval-de-olinda-na-gestao-de-mirella/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">cachês de valores elevados no Carnaval de Olinda em 2025</a> já não estão disponíveis no YouTube. As peças começaram a ser retiradas do ar no início da tarde desta segunda-feira, 9 de fevereiro, horas após a reportagem sobre a farra dos cachês, publicada pela <strong>Marco Zero</strong>. A <strong>MZ</strong>, no entanto, baixou e salvou a maioria dos filmes e fez um compilado dos &#8220;melhores momentos&#8221;. Confira:</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Compilado shows (Reportagem Farra dos Cachês)" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/IlYsLYhzT8U?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p><br><br>Os primeiros vídeos a serem retirados foram do cantor Maurinho e banda, que tinha as imagens de suas apresentações postadas na página da empresa M. Lira Produções. Maurinho recebeu R$ 120 mil em cachê por três shows em Rio Doce. Dois deles foram em festas promovidas por blocos e outro no polo oficial da prefeitura. Para efeitos de comparação, a tradicional Pitombeira dos Quatro Cantos recebeu R$ 123 mil por vários desfiles ao longo de todo o ano de 2025.</p>



<p>A M. Lira pertence ao empresário Marcos Pinheiro de Lira Júnior. De acordo com o site <a href="https://tomeconta.tcepe.tc.br/fornecedor/?cpfCnpj=13444210000110&amp;nomeFornecedor=M%20LIRA%20PRODUCOES%20LTDA&amp;tipoCredorPessoa=2" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Tome Conta</a>, do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE), a produtora forneceu camisetas para um festival de teatro patrocinado pela prefeitura em 2012, mas só voltou a prestar serviços para o poder público em Pernambuco em 2024. A empresa participou de 17 licitações em Pernambuco, gerando em seu favor 24 empenhos municipais das prefeituras de Goiana, Gravatá, Jucati e Olinda, além de outros quatro empenhos emitidos pelo Governo do Estado.</p>



<p>Em 2025, a prefeitura de Olinda emitiu 11 empenhos em favor desse CNPJ, dos quais nove foram efetivamente pagos, todos direcionados para fazer pagamentos a atrações do Carnaval: Rabo da Gata, Pegada Prime e o já mencionado Maurinho.</p>



<p>À noite, foram retirados os vídeos da banda Arreda e Dance, que tocou cinco vezes no último Carnaval, a um cachê de R$ 50 mil para cada apresentação, totalizando R$ 250 mil pagos com verba pública. Todos os shows tinham comprovação publicada no Youtube. Em contato com o produtor da banda, a reportagem questionou quanto seria o cachê para uma suposta festa particular. Recebeu como resposta a informação que seria entre R$ 5 mil e R$ 6 mil.</p>



<p>De acordo com o <a href="https://tomeconta.tcepe.tc.br/fornecedor/?cpfCnpj=36486990000167&amp;nomeFornecedor=BRENO%20NASCIMENTO%20DE%20ANDRADE%20PRODUCOES&amp;tipoCredorPessoa=2">site do TCE</a>, a produtora da Arreda e Dance, a AO Produções, foi beneficiária de 25 empenhos de duas prefeituras, todos no ano de 2025. Desse total, 14 empenhos são da prefeitura de Goiana e 11, de Olinda. Entre os empenhos de Olinda, cinco foram pagos e seis deles acabaram sendo anulados e substituídos em seguida pelos outros que foram efetivamente pagos, tendo como objetivo o pagamento das bandas Amarula e Forrozão Arreda e Dance.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/a-farra-dos-caches-do-carnaval-de-olinda-na-gestao-de-mirella/" class="titulo">A farra dos cachês do Carnaval de Olinda na gestão de Mirella</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/cultura/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Cultura</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading">&#8220;Não tenho nada a ver com Mirella e Lupércio&#8221;</h2>



<p>A AO Produções, junto com outras três empresas cujas bandas foram beneficiadas por contratos com cachês no valor em torno de R$ 50 mil por apresentação, dividem o mesmo endereço, o número 1000 da rua Maria Luiza da Silva, em Igarassu, Região Metropolitana do Recife.</p>



<p>De acordo com o empresário Anderson Oliveira, pai do responsável jurídico pela produtora, o jovem Breno Nascimento de Andrade, as bandas Amarula e Arreda e Dance apenas cumpriram aquilo que dizia o edital da prefeitura. Segundo ele, seu maior desconforto com a publicação da reportagem &#8220;foi ver meu nome como se eu estivesse metido com Mirella e Lupércio, pois eu nem gosto desses dois, não tenho nada a ver com essa mulher e esse homem. Politicamente para mim é péssimo vocês terem me colocado junto com esses dois&#8221;. Anderson diz ser comunista, do PCdoB, há 25 anos.</p>



<p>Segundo o empresário, sua empresa ainda tem dinheiro a receber da prefeitura de Olinda. Realmente, de acordo com o Tome Conta, um empenho de R$ 50 mil relativo a um show da banda Amarula aparece como liquidado, mas com o pagamento ainda em aberto. Questionado diretamente pela <strong>MZ</strong> se teve de dividir o valor dos cachês com algum vereador ou gestor municipal de Olinda, ele negou: &#8220;não trabalho com isso, não&#8221;.</p>



<h3 class="wp-block-heading">&#8220;Trabalhismo e profissionalismo&#8221;</h3>



<p>A única artista citada na reportagem que entrou em contato com a <strong>Marco Zero</strong> foi a cantora Natália Rosa. Agenciada pela MSC Promoções, ela tem 24,5 mil seguidores em seu perfil de Instagram. Segundo o portal da transparência da Prefeitura de Olinda e o <a href="https://tomeconta.tcepe.tc.br/fornecedor/?cpfCnpj=47534968000161&amp;nomeFornecedor=MSC%20PROMOCOES%20LTDA&amp;tipoCredorPessoa=2">portal do TCE</a>, ela fez dois shows no Carnaval 2025 com cachês de R$ 70 mil cada, recebendo, portanto, R$ 140 mil da gestão. As apresentações foram nos blocos Rainha e Urso do Pote de Ouro.</p>



<p>De acordo com sua assessoria de imprensa, “o cachê atualmente praticado pela artista Natalia Rosa é fruto de um processo contínuo de construção de carreira, pautado pelo trabalho, profissionalismo e investimento em divulgação e posicionamento artístico”.</p>



<p>Com presença em programas de televisão em Pernambuco e na Paraíba, “além de citações e matérias publicadas na Folha de Pernambuco”, ela teria – sempre de acordo com a assessoria -, conquistado um “histórico de visibilidade, aliado ao crescimento do público e à consolidação de sua atuação no mercado musical, compõe critérios objetivos e legítimos para a definição de cachê, conforme as práticas adotadas no setor cultural”.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/empresarios-apagam-videos-das-bandas-da-farra-dos-caches-de-olinda/">Empresários apagam vídeos das bandas da &#8220;farra dos cachês&#8221; no Carnaval de Olinda</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>A farra dos cachês do Carnaval de Olinda na gestão de Mirella</title>
		<link>https://marcozero.org/a-farra-dos-caches-do-carnaval-de-olinda-na-gestao-de-mirella/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Feb 2026 09:33:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[a farra dos cachês]]></category>
		<category><![CDATA[cachês no carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval de Olinda]]></category>
		<category><![CDATA[Prefeitura de Olinda]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Enquanto dez das mais tradicionais agremiações de frevo de Olinda receberam, juntas (e com atraso), menos de R$ 500 mil em cachês no Carnaval do ano passado, a prefeitura de Mirella Almeida (PSD) empenhou quase R$ 3 milhões para aproximadamente 30 artistas e bandas de pequeno porte sem qualquer histórico na cena cultural do Estado. [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/a-farra-dos-caches-do-carnaval-de-olinda-na-gestao-de-mirella/">A farra dos cachês do Carnaval de Olinda na gestão de Mirella</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Enquanto dez das mais tradicionais agremiações de frevo de Olinda receberam, juntas <a href="https://marcozero.org/agremiacoes-de-frevo-temem-mais-um-carnaval-de-atrasos-apos-mirella-vetar-prazo-para-caches/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">(e com atraso)</a>, menos de R$ 500 mil em cachês no Carnaval do ano passado, a prefeitura de Mirella Almeida (PSD) empenhou quase R$ 3 milhões para aproximadamente 30 artistas e bandas de pequeno porte sem qualquer histórico na cena cultural do Estado.</p>



<p>A <strong>Marco Zero</strong> analisou, no portal da transparência do município e na ferramenta Tome Conta, do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE), os 407 contratos artísticos da festa de 2025 e encontrou um padrão: diversas contratações desse tipo por cachês bastante altos. Em sua maioria, no valor de R$ 50 mil — mas até de R$ 70 mil — para apresentações em polos descentralizados e blocos da periferia, vários ligados a políticos locais, incluindo o vereador Felipe Nascimento (PSD), marido de Mirella, e o ex-prefeito Lupércio Nascimento (PSD), tio de Felipe.</p>



<p>Além disso, a reportagem encontrou, ao longo da apuração, relações de parentesco entre os sócios de algumas das produtoras que mais receberam pagamento no Carnaval e que agenciaram esse tipo de show. Sendo que quatro dessas empresas estão cadastradas num mesmo endereço, uma rua sem asfalto em Igarassu, na Região Metropolitana do Recife (confira detalhes ao longo deste texto).</p>



<p>São grupos como o <a href="https://www.instagram.com/arredaedanceofc/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Forró Arreda e Dance</a>, que tocou cinco vezes no último Carnaval, a um cachê de R$ 50 mil, totalizando R$ 250 mil pagos com verba pública. Todos os shows têm comprovação publicada no Youtube. A <strong>MZ</strong> conseguiu o contato do produtor da banda e telefonou para saber quanto seria o cachê para uma suposta festa particular. A resposta: entre R$ 5 mil e R$ 6 mil.</p>



<p><em><strong>Após a publicação da reportagem, diversos vídeos foram apagados do Youtube.</strong></em></p>



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                                            <span>Crédito: Reprodução</span>
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<figure class="wp-block-embed aligncenter is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://www.youtube.com/watch?v=iSL6KFLedDU&#038;t=105s
</div></figure>



<p>Outra questão que chamou a atenção no levantamento da <strong>MZ</strong> é que, em sua maioria, os termos de autorização das contratações da folia de 2025 foram assinados pela secretária de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Tecnologia, Gabriela Campelo, à frente da pasta de Cultura na segunda gestão Lupércio (2021-2024). O orçamento da secretaria, no entanto, sequer menciona a palavra “Carnaval”, conforme pode ser verificado nas páginas 134 e 135 da<a href="https://www.olinda.pe.leg.br/institucional/projeto-de-lei/projetos-de-lei-2024/pl-69-2024-autor-poder-executivo-loa.pdf"> lei orçamentária de 2025</a>. Todo o orçamento da festa, pouco mais de R$ 13,6 milhões, está concentrado na Secretaria de Patrimônio, Cultura e Turismo.</p>



<p>As apresentações do Forró Arreda e Dance aconteceram no Polo Tabajara e em quatro blocos da periferia, todos bancados com verba pública pela atual gestão. Dois desses blocos estão ligados ao vereador Felipe Nascimento, com apoio cultural de Lupércio. Um desses dois blocos é o <a href="https://www.youtube.com/watch?v=iSL6KFLedDU&amp;t=105s" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Rouxinol</a>, em Rio Doce, reduto eleitoral dos Nascimento. O nome de Felipe e de Lupércio aparece em diversas postagens no <a href="https://www.instagram.com/p/DUJMInbkeQW/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Instagram</a>.</p>



<p>O outro bloco é o Priquitudas. Neste <a href="https://www.youtube.com/watch?v=vidCLSr_6oI" target="_blank" rel="noreferrer noopener">vídeo</a> do show do Arreda e Dance, o apresentador do palco menciona expressamente os apoios. Ele diz assim: “Com vocês, para vocês, um oferecimento da Prefeitura de Olinda, vereador Felipe Nascimento e Professor Lupércio no palco das Priquitudas”.</p>



<p>As outras duas apresentações do Arreda e Dance foram no bloco <a href="https://www.youtube.com/watch?v=CcNbJE9lR1Y&amp;list=RDCcNbJE9lR1Y&amp;start_radio=1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">O Tabacudo do Vizinho</a>, ligado ao vereador <a href="https://www.instagram.com/p/DP_hDbADWk4/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Ricardo Sousa</a> (Avante), pai da secretária de Comunicação de Olinda, Dandara Maryanna, jornalista recém-formada e nomeada para o cargo, no final do ano passado, com apenas 22 anos. E no bloco <a href="https://www.youtube.com/watch?v=jE8PEpx5tf0" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Os Chegados</a>, apoiado pelo vereador <a href="https://www.instagram.com/p/DGig1zCxa_p/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Milcon Rangel</a> (MDB).</p>



<p>Outra banda dentro desse padrão encontrado pela reportagem no portal da transparência de Olinda é a Farra Boa, que realizou quatro apresentações no último Carnaval, com cachês de R$ 40 mil cada, totalizando R$ 160 mil. A Farra Boa se apresentou na <a href="https://www.youtube.com/watch?v=XgLScs3He7M" target="_blank" rel="noreferrer noopener">TCM Acorda Tu</a>, apoiada pelo <a href="https://www.instagram.com/p/C3LRJ13gcjO/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">vereador Biai</a> (Avante), em seu nono mandato consecutivo; no <a href="https://www.youtube.com/watch?v=mlXb_WYDX8A" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Bloco Menina de Rio Doce</a>, apoiado pelo ex-vereador <a href="https://www.instagram.com/p/Co_EQMbsYUN/?img_index=1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Tonny Magalhães</a> (PSB); Os Papudinhos do Santa; e no <a href="https://www.youtube.com/watch?v=ST41o_X-bUc" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Polo de Rio Doce</a>.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Um negócio em família</h2>



<p>A empresa agenciadora da banda Arreda e Dance é a AO Produções, registrada em nome de Breno Nascimento de Andrade. Breno é um jovem dono de uma oficina de motos na Várzea, zona oeste do Recife, e filho de Anderson Oliveira, produtor cultural, cujas iniciais dão nome à produtora (AO). Somente em 2025, a Prefeitura de Olinda empenhou um total de R$ 600 mil e pagou R$ 302 mil à AO até a data de publicação desta reportagem.</p>



<p>O endereço de cadastro da empresa — rua Maria Luiza da Silva, 1000, em Igarassu — é o mesmo de outras três agenciadoras de bandas de pequeno porte e sem histórico na cena cultural do estado que fecharam contrato com a gestão Mirella no último Carnaval. São elas: P2 Produções, Argos e Bereshit.</p>



<p>A P2 Produções somou R$ 1,5 milhão em empenho e R$ 882 mil em valores pagos. Entre suas agenciadas, está a banda Farra Boa. Quem comanda a P2 é Leo Pimentel. A empresa está registrada no nome do pai dele, Aurides de Sousa Pimentel, falecido em julho de 2025. Já a mãe de Leo, Maria Linete Soares da Fonseca, é o nome que aparece no registro da Argos Produções, agenciadora da Brasil Nambuco, uma orquestra de seis integrantes.</p>



<p>A Brasil Nambuco fez três apresentações no Carnaval 2025, cada cachê foi R$ 50 mil: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=_YGiMVuALT4" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Bloco do Rouxinol</a>, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=B_GqAACQadI" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Bloco Cachorro Teimoso</a>, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ov63p45t_hg" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Bloco dos Churros</a> e <a href="https://www.youtube.com/watch?v=m2jj1UUdEjg" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Polo Guadalupe</a>. Ainda segundo o portal da transparência, a gestão Mirella empenhou R$ 863 mil para a Argos e pagou, até agora, R$ 341 mil.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://www.youtube.com/watch?v=_YGiMVuALT4
</div></figure>



<p>A quarta e última empresa com o mesmo endereço na rua sem asfalto na periferia de Igarassu é a Bereshit (nome hebraico), uma produtora especializada em eventos gospel. O registro da Bereshit está em nome de Paulo Luiz Correia do Carmo, barbeiro e fiel da igreja evangélica Embaixada da Comunhão, em Maranguape, município de Paulista, Região Metropolitana do Recife, cujo pastor sênior é Leonardo Martins, que aparece em posts <em>collab</em> com Leo Pimentel no Instagram.</p>



<p>Uma das bandas agenciadas pela Bereshit na festa do ano passado foi a Bregueço do Brasil, que somou três shows e um total de R$ 150 mil cachês. O grupo se apresentou nos blocos <a href="https://www.youtube.com/watch?v=AV3LvPRhwO8&amp;list=RDAV3LvPRhwO8&amp;start_radio=1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Menina de Rio Doce</a>, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=qvSiNZwKYTg" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Cachorras de Jatobá</a> e <a href="https://www.youtube.com/watch?v=i_NKVgJ5rpU&amp;list=RDi_NKVgJ5rpU&amp;start_radio=1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Gato Mia</a>.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="ratio ratio-16x9"><iframe title="Banda Bregueço  do Brasil no bloco Menina de Rio doce dia 04/03/2025" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/AV3LvPRhwO8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
</div></figure>



<p>A reportagem tentou contato com Leo Pimentel por telefone e WhatsApp, mas não teve retorno até o fechamento desta publicação.</p>



<p>Além das bandas que receberam seus cachês por meio de pagamentos feitos às quatro produtoras de Igarassu, os mais de 400 contratos analisados indicam que outras bandas e cantores pouco conhecidos receberam valores acima dos praticados no mercado. Foram os casos de um cantor chamado <a href="https://www.youtube.com/watch?v=z96X9KMqRS8">Maurinho</a>, das banda Rabo da Gata, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=ivKeojwcLu4" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Amarula</a>, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=RdcwYiTAeZY" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Furacão do Arrocha</a>, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=DTA2tHWmPO8" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Som Brasileiro</a>, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=H8HlHhCSbmw&amp;list=RDH8HlHhCSbmw&amp;start_radio=1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Espartilho</a>, além da autointitulada rainha do bregocha, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=JnItEIp9RbY&amp;list=RDJnItEIp9RbY&amp;start_radio=1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Natália Rosa</a>.</p>



<p>Todos com cachês acima de R$ 30 mil por cada apresentação em festas de blocos ou nos acanhados palcos de bairro. Outra cantora, Luanny Vital aparece como beneficiária de R$ 80 mil referentes a dois shows, mas os empenhos aparecem como anulados tanto no portal da transparência quanto no site do TCE.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Agremiações pedem mais investimento público</h3>



<p>Enquanto isso, agremiações tradicionais receberam, para realizar vários desfiles, cachês bem mais baixos do que a soma de muitas dessas bandas citadas pela reportagem, a exemplo de Elefante de Olinda (R$ 42 mil) — para três desfiles: Trote, abertura do Carnaval e desfile oficial —; Pitombeira (R$ 123 mil); Ceroula (R$ 54 mil); Cariri (R$ 40 mil); Boi da Macuca (R$ 27 mil); Homem da Meia Noite (R$ 80 mil por quatro apresentações em eventos oficiais); John Travolta (R$ 40 mil); Vassourinhas (R$ 43 mil); Menino da Tarde (R$ 12 mil); e Flor da Lira (R$ 12 mil).</p>





<p>Para uma agremiação ir para rua, é preciso mobilizar uma grande cadeia produtiva, que passa pelos clarins, carregadores de faixa, seguranças, passistas, porta-estandarte, orquestra e confecção de fantasias. Para além desses elementos unânimes em quase todas elas, existem custos operacionais durante o ano e atividades formativas que algumas agremiações assumem, como aulas e cursos. </p>



<p>A <strong>MZ</strong> apresentou dados do levantamento do Portal da Transparência à Associações das Agremiações de Frevo de Olinda (Afrevo), disse ter recebido as informações com “espanto”. “Nós recebemos com espanto esses dados, porém isso só comprova o nosso sentimento de que a maior fatia dos investimentos públicos em contratações durante o Carnaval já não era para as tradicionais agremiações de rua. Mesmo entendendo a importância dos polos descentralizados e das atrações dos mais variados gêneros durante o Carnaval, como forma de tornar plural e acessível o contato com a cultura em todas áreas da cidade, é preciso que a maior parte dos investimentos públicos sejam destinados para os fazedores de cultura tradicionais da nossa cidade”, afirmou em nota.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O que diz a Prefeitura de Olinda</strong></h3>



<p>Questionada, a gestão Mirella respondeu através de nota. Confira na íntegra:</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

		<p><!-- wp:paragraph --></p>
<p>A Prefeitura de Olinda esclarece que todas as contratações artísticas realizadas para o Carnaval seguem rigorosamente os princípios da legalidade, da transparência, da impessoalidade e do interesse público, por meio de convocatória pública amplamente divulgada, com regras, critérios técnicos e limites financeiros previamente estabelecidos.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Os valores pagos às atrações artísticas são definidos a partir de critérios objetivos previstos em edital público, que incluem a comprovação de preço de mercado, o detalhamento completo dos custos envolvidos, a quantidade de apresentações autorizadas e as características específicas de cada formato de evento.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>É fundamental destacar que não existe um valor único ou padronizado para apresentações artísticas, pois cada contratação considera variáveis como número de integrantes, equipe técnica envolvida, estrutura de produção, logística, tempo de apresentação e responsabilidades tributárias. Dessa forma, comparações diretas entre atrações de naturezas distintas, como bandas de palco, orquestras itinerantes e cortejos de cultura popular, não refletem adequadamente a complexidade de cada contratação.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Os valores divulgados nos contratos correspondem ao valor global da contratação, que engloba cachê artístico, pagamento de músicos, equipe técnica, produção, logística, impostos e encargos legais. Esse modelo assegura formalização, rastreabilidade dos recursos públicos e fiscalização administrativa de toda a cadeia produtiva envolvida.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Além disso, todas as propostas passam por análise técnica e administrativa, com possibilidade de negociação e adequação de valores, conforme previsão expressa no edital, sempre observando os valores praticados no mercado e a disponibilidade orçamentária.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Pernambuco, e Olinda, em especial, é reconhecido nacionalmente como um celeiro de talentos, com uma produção artística diversa, contínua e em permanente renovação. A política cultural do Carnaval de Olinda prioriza a valorização do artista pernambucano, diretriz expressa na convocatória pública, que estabelece que no mínimo 95% da programação seja composta por atrações do Estado.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Embora não exista qualquer obrigatoriedade de repetição de artistas entre um ano e outro, é natural que determinados nomes voltem a integrar a programação, especialmente nos polos descentralizados e eventos de bairro, pensados para ampliar oportunidades, fortalecer trajetórias locais e garantir circulação artística nos territórios.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>A eventual recorrência de atrações decorre exclusivamente da habilitação regular nos editais, do atendimento aos critérios técnicos e do interesse público, não havendo qualquer forma de indicação política, privilégio ou direcionamento, sendo vedada, inclusive, a contratação de artistas que afrontem as normas legais e os dispositivos de prevenção ao nepotismo.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>A Prefeitura de Olinda reconhece a centralidade histórica e cultural das agremiações de frevo para a identidade do Carnaval da cidade. Por esse motivo, após o Carnaval, a gestão municipal já alinhou com a Associação do Frevo a realização de um seminário específico, com o objetivo de avaliar, discutir e realinhar os parâmetros de cachês das agremiações, considerando suas particularidades, custos reais, sustentabilidade das entidades e a valorização do patrimônio cultural imaterial.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>A iniciativa reforça o compromisso da Prefeitura com o diálogo permanente com o setor cultural e com o aprimoramento contínuo dos instrumentos de fomento e contratação artística.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>A participação de artistas em edições posteriores do Carnaval de Olinda está sempre condicionada ao cumprimento integral das regras da convocatória vigente, à apresentação de documentação atualizada, à análise técnica e à negociação administrativa prevista nos instrumentos normativos.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Não há recondução automática de atrações, tampouco garantia prévia de contratação, sendo todas as participações submetidas aos critérios legais, técnicos e orçamentários da Administração Pública.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>No Carnaval de 2025, foi adotada uma organização administrativa integrada, com divisão de responsabilidades entre secretarias, visando garantir maior eficiência, controle e capacidade de execução de um evento de grande porte.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>A produção executiva dos palcos dos polos ficou sob responsabilidade da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo, Inovação e Tecnologia, enquanto a Secretaria de Patrimônio, Cultura e Turismo concentrou sua atuação nos cortejos de cultura popular, nas agremiações tradicionais e nas expressões diretamente vinculadas ao patrimônio cultural imaterial da cidade.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Essa divisão foi formalizada por decreto municipal, com abertura de crédito específico e definição clara das competências de cada pasta, não representando desvio de finalidade nem sobreposição de funções, mas sim uma estratégia administrativa de gestão integrada do evento.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>A Prefeitura de Olinda reafirma seu compromisso com a transparência, a valorização da cultura local, o fortalecimento da economia criativa e o uso responsável dos recursos públicos. Todas as contratações passam por controle documental, prestação de contas e fiscalização administrativa, estando disponíveis para consulta nos canais oficiais de transparência.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>A gestão municipal permanece à disposição para prestar esclarecimentos adicionais, sempre com base em dados oficiais, documentos públicos e nos instrumentos legais que orientam a política cultural do município.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --></p>
	</div>



<ul class="wp-block-list">
<li>A diretoria do Homem da Meia Noite informa que recebeu R$ 80 mil por quatro apresentações em eventos promovidos pela prefeitura de Olinda e não R$ 100 mil, conforme publicado originalmente. Por essa razão, o texto foi modificado às 15h45min do dia 9 de fevereiro de 2026.</li>
</ul>



<p><strong>*Colaborou Inácio França</strong></p>



<p><em>Reportagem atualizada em 10/02/2026, às 01h38</em></p>
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		<title>Carnaval de Olinda 2025: quando o interesse privado se sobrepõe ao interesse público</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Mar 2025 19:28:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval de Olinda]]></category>
		<category><![CDATA[Prefeitura de Olinda]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Eugênia Lima* O carnaval de Olinda chegou ao fim e, confesso, foi uma experiência que me deixou com sentimentos contraditórios. Amo o carnaval, amo a energia contagiante das pessoas que brincam ao meu lado, a riqueza cultural e a alegria que só essa festa e esse povo são capazes de proporcionar. No entanto, a [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Eugênia Lima*</strong></p>



<p>O carnaval de Olinda chegou ao fim e, confesso, foi uma experiência que me deixou com sentimentos contraditórios. Amo o carnaval, amo a energia contagiante das pessoas que brincam ao meu lado, a riqueza cultural e a alegria que só essa festa e esse povo são capazes de proporcionar. No entanto, a desorganização que presenciei este ano me fez questionar se estamos cuidando devidamente dessa manifestação popular tão importante. O que deveria ser a celebração máxima da nossa cultura, infelizmente, foi marcado por cenas de desordem e descaso, que não podem ser ignoradas.</p>



<p>Esses desafios, no entanto, não diminuem meu amor pela festa, mas reforçam a necessidade de uma reflexão séria e coletiva para que possamos preservar e melhorar o carnaval que tanto amamos.</p>



<p>A não efetivação da Comissão Permanente do Carnaval, prevista por lei, e o desenrolar das prévias já eram indícios claros da desordem que se instalaria. Olinda, cidade histórica e patrimônio cultural da humanidade, mostrou-se incapaz de oferecer um planejamento adequado. O resultado foi um cenário complicado, no qual as leis que deveriam reger o evento foram ignoradas ou desrespeitadas, evidenciando a falta de compromisso com o interesse público.</p>



<p>Faz tempo que se debate a necessidade de organizar os trabalhadores ambulantes, que, em condições subumanas, tentam garantir o sustento durante a festa. Barracas improvisadas, pessoas dormindo sob estruturas precárias, carrinhos de mão no meio dos blocos e uma falta de padronização foram apenas alguns dos problemas. Muitos trabalhadores pagaram uma taxa de uso do solo, que, em tese, deveria garantir estrutura mínima e dignidade. Enquanto alguns cumpriam as regras, outros burlavam os bloqueios com facilidade, sem qualquer fiscalização eficiente. Essa falta de organização não só prejudica os trabalhadores, mas também afeta a experiência dos foliões.</p>



<p>O caos no trânsito foi outro capítulo preocupante. Em pleno desfile dos blocos, carros, caminhões e motos transitavam livremente pelas ladeiras, sem qualquer controle. As barreiras de trânsito, que deveriam garantir a segurança e a fluidez do evento, mostraram-se ineficazes ou ausentes. Além disso, a proliferação de casas de camarote, que se apropriam indevidamente do espaço público, transformando áreas que deveriam ser de todos em enclaves privados, descaracteriza a festa como um bem comum. A arquitetura da cidade, com ruas estreitas e ainda ocupadas por alguns carros e comerciantes desordenados nas calçadas, agrava o problema, dificultando a circulação e comprometendo a segurança dos foliões. Especialmente nos grandes desfiles de agremiações que utilizam paredões de som e cordões de isolamento.</p>



<p>A decoração das ruas, ou melhor, a ausência dela, foi outro ponto que chamou a atenção. Em uma cidade conhecida por sua beleza e tradição cultural, era desolador ver ruas completamente desprovidas de qualquer referência ao carnaval ou ao bonito tema deste ano, assinado pelo artista Raoni Assis. As poucas ruas decoradas exibiam rafias que mais escondiam do que embelezavam, deixando a cidade ainda mais sombria. As ruas e becos estavam mal iluminados e sujos, pois não foram lavados como de costume. Outro ponto crítico foi a estrutura dos banheiros, que se mostrou insuficiente para atender à demanda do público. Pergunto-me onde estava o esplendor que deveria caracterizar o carnaval de Olinda.</p>



<p>A violência, que já demonstrou sua gravidade desde as prévias, também foi alarmante. No principal palco da cidade, sete pessoas foram baleadas, um episódio gravíssimo que mancha a imagem do nosso carnaval. Esse tipo de ocorrência não pode ser tratado como algo normal ou aceitável.</p>



<p>A prefeitura apresentou um balanço com números expressivos, tanto de público quanto de movimentação financeira. No entanto, o relatório divulgado tem lacunas na apresentação de dados, especialmente na avaliação de segurança, mobilidade e eficiência do uso de recursos públicos. O carnaval de Olinda não pode ser tratado pela gestão municipal como um festival qualquer. É nosso patrimônio cultural, um símbolo da identidade de um povo, e, como tal, deve ser tratado com o respeito e a seriedade que merece. Isso implica planejamento prévio, fiscalização, transparência, descentralização e, acima de tudo, respeito à cultura e à tradição.</p>



<p>É preciso garantir que os recursos arrecadados sejam usados de forma correta, que as leis sejam cumpridas e que a festa seja organizada de maneira a beneficiar todas e todos. Afinal, o cumprimento da lei não é discricionário e não pode ser regido por conveniência. Mas, infelizmente, foi isso que vimos. Que sirva de alerta. Um alerta para que possamos refletir sobre a importância do interesse público e sobre a necessidade de colocá-lo no centro de todas as decisões. Esse princípio, fundamental para o funcionamento de qualquer sociedade democrática, estabelece que o bem-estar coletivo deve sempre prevalecer sobre os interesses individuais ou de grupos específicos.</p>



<p>Fica agora o compromisso de pressionar politicamente para que os pagamentos dos cachês sejam feitos com a maior celeridade possível. Os artistas e trabalhadores que dedicam seu talento e esforço ao carnaval merecem respeito e agilidade na remuneração pelo seu trabalho. Além disso, é essencial que a Comissão Permanente do Carnaval seja efetivada com antecedência e funcione de fato, garantindo um planejamento contínuo ao longo do ano. E que os erros cometidos em 2025 não se repitam no próximo ano. Outro ponto crucial é uma maior descentralização da festa, levando o carnaval para outros bairros além do Sítio Histórico, de modo a democratizar o acesso e aliviar a pressão sobre as áreas centrais.</p>



<p>Enquanto parlamentar municipal, nosso mandato realizou uma série de escutas com agremiações, trabalhadores, foliões e moradores, que culminou em uma audiência pública no dia 19 de fevereiro. Acredito que é preciso pensar o Carnaval de Olinda ouvindo todos aqueles que participam e são afetados por ele. Só assim poderemos garantir que o nosso carnaval, e tantas outras manifestações culturais, continuem a existir não apenas como festas, mas como expressões legítimas da nossa identidade e da nossa cultura. O interesse público não pode ser negociável; ele deve ser a base de tudo.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*Vereadora de Olinda, advogada e mestra em desenvolvimento urbano.</strong></p>
    </div>



<p><br></p>
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		<title>O homem que estoura o cartão da esposa por causa de um boneco gigante</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Feb 2025 12:52:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[boneco gigante]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval de Olinda]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[Kakay]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Tá no couro, tem como fugir disso não”. É assim que o olindense Josemar Chaiarelli, conhecido como Kakay, explica seu vínculo com o carnaval, mais precisamente com o Clube de Bonecos Menino da Gráfica, um dos campeões das divisões de acesso no desfile de agremiações do Recife em 2024. Para sair às ladeiras de Olinda [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>“Tá no couro, tem como fugir disso não”. É assim que o olindense Josemar Chaiarelli, conhecido como Kakay, explica seu vínculo com o carnaval, mais precisamente com o Clube de Bonecos Menino da Gráfica, um dos campeões das divisões de acesso no desfile de agremiações do Recife em 2024.</p>



<p>Para sair às ladeiras de Olinda e fazer parte da programação oficial do carnaval do Recife, o boneco exige muito empenho e consome as economias da família. Kakay explica que trabalha o ano inteiro para colocar o Menino na rua, mas não conseguiria se não contasse com o apoio dos parentes e amigos. “As pessoas pensam que a gente lucra, mas, na verdade, a gente geralmente até se endivida para colocar o bloco na rua, eu mesmo já estourei o limite de vários cartões da minha esposa, mas a gente faz isso com o maior gosto”, conta o carnavalesco.</p>



<p>O compromisso com o boneco é tão intenso que, ao falar da história da agremiação, seus olhos marejam, mas o sorriso não sai do rosto. É com orgulho que Kakay fala sobre a formação e a trajetória de seu bloco de carnaval, que, em 2025, completa 38 anos de existência.</p>



<p>O Menino da Gráfica surgiu em fevereiro de 1987 quando o irmão mais novo de Kakay improvisou um boneco usando cabos de vassoura e o provocou a colocar um bloco na rua. O nome da agremiação também é uma herança da família, dona de uma gráfica há décadas, como conta seu Kakay: “meu bisavô, meu avô, meu pai, eu e agora meu filho também, todos eram ou são gráficos”.</p>



<p>A ideia inicial era que o bloco nascesse no dia 7 de fevereiro, data em que comemora-se o Dia Nacional do Profissional Gráfico, mas devido a dificuldades logísticas só foi possível fazer o desfile no dia 23. Mas representar e homenagear os profissionais da área segue sendo a razão de ser da agremiação.</p>



<p>O bloco nasceu no improviso, mas foi ganhando força e o boneco, antes feito com cabos de vassoura, ganhou uma primeira versão feita por um amigo de Kakay. Alguns anos depois, por insistência do carnavalesco, a família investiu e o Menino da Gráfica ganhou uma versão caprichada feita pelo renomado artista plástico Silvio Botelho.</p>



<p>A figura do boneco é uma representação jovem de Kakay, que conta como ela foi idealizada: “Silvio disse para mim ‘eu não posso fazer um boneco velho porque o nome do bloco é Menino da Gráfica, então o boneco tem que ser jovem’. Aí ele pediu uma foto minha mais novo, e eu entreguei uma foto de quando eu tinha 19 anos. Daí nasceu a escultura”.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>Neste ano, o bloco presta homenagem a Dodô Madeira, percussionista e músico olindense falecido em 2024. Kakay era amigo próximo de Dodô e se emociona ao lembrar do convívio com o músico: “ele merece ser homenageado porque ele era gente da gente e faz muita falta”. Dodô também é um dos homenageados pela Prefeitura de Olinda no Carnaval deste ano.</p>
        </div>
    </div>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>“Não tem satisfação maior do que ver as pessoas felizes”</strong></h2>



<p>A falta de apoio financeiro dos órgãos públicos e de patrocinadores nunca impediu que Kakay e sua família desfilassem com o Menino da Gráfica. O carnavalesco conta que o ajuda que recebe da Prefeitura de Olinda é a disponibilização de uma orquestra para acompanhar o desfile do bloco, que acontece no domingo de Carnaval, com saída na Igreja de Guadalupe.</p>



<p>“Aqui em Olinda a prefeitura nos dá duas opções: receber uma orquestra ou três mil reais. Mas a prestação de contas desse dinheiro é tão burocrática, muitas vezes o dinheiro demora tanto a sair, que eu prefiro receber a orquestra”, diz Kakay.</p>



<p>Anos atrás, a agremiação chegou a promover uma festa privada, com direito a <em>open bar</em> e <em>open food</em>, e com isso arrecadar recursos para a agremiação. Mas conta que mesmo assim era difícil obter lucro. “Eu gosto mesmo é de fartura, de ver o povo comendo e bebendo do melhor, aproveitando mesmo a festa porque Carnaval é só uma vez por ano. Para mim não tem satisfação maior do que ver as pessoas felizes, elogiando a festa e pedindo mais, não tem preço que pague a sensação. Por isso, o que eu ganhava com a vinda dos abadás da festa era quase tudo para gastar na organização do evento”, conta Kakay saudoso.</p>



<p>A festa não acontece mais porque ficou difícil para o gráfico conciliar a organização do evento com outras demandas pessoais e profissionais. Com isso, hoje o Clube de Bonecos depende da fidelidade dos amigos, familiares e foliões que, apaixonados pelo Menino da Gráfica, seguem participando do bloco. Há quem ajude fazendo contato pelo <a href="https://www.instagram.com/meninodagraficaoficial/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Instagram do bloco</a>.</p>





<h3 class="wp-block-heading">É brincadeira, mas é organizada</h3>



<p>Além do desfile do bloco em Olinda, o Menino da Gráfica participa do concurso de agremiações do Recife. A apresentação acontece na manhã de terça-feira de Carnaval, na avenida do Forte, zona oeste da capital. No ano passado, pela primeira vez, o clube de bonecos olindense foi campeão do Grupo 2.</p>



<p>De acordo com as regras do concurso, o clube de bonecos deve apresentar um enredo e desfilar por 25 minutos. A agremiação é composta por alas de passistas que devem vestir abadás e fantasias. A condução do boneco também é uma característica importante na avaliação do concurso e o responsável por carregar o Menino da Gráfica não e qualquer um: a tarefa cabe ao sobrinho de Kakay, conhecido por &#8220;Nelsinho Delícia&#8221;, que também é um dos carregadores do calunga do Homem da Meia-Noite.</p>



<p>Caso consiga ser campeão novamente, o Menino da Gráfica passará a ocupar o Grupo Especial. “Esse é o nosso maior desejo e eu estou muito esperançoso, porque chegar ao grupo especial é sinônimo de maior visibilidade, maior credibilidade, é uma oportunidade de conseguir mais parcerias e mais patrocinadores para continuar com nossas atividades”, revela Kakay.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
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            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">O boneco é uma representação de Kakay quando jovem
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Os campeões do Grupo Especial também recebem uma premiação maior, no valor de R$ 25 mil. Com isso, mirando a conquista, os integrantes do clube de bonecos estão dando mais atenção aos ensaios, coisa que acontecia com pouca ou nenhuma frequência. Afinal, como reforça o presidente do Menino da Gráfica: “todo mundo sabe que Carnaval é uma brincadeira, mas poucos sabem que para muitos ele é sinônimo de responsabilidade”.</p>



<p>Além da chegada ao grupo especial no concurso de agremiações, o gráfico que tem o Carnaval como propósito na vida, possui outro grande desejo: conseguir que alguém componha um frevo em homenagem ao Menino da Gráfica.</p>



<p>“Eu estou sempre correndo atrás disso, umas três pessoas já me prometeram, mas até agora nunca entregaram”, conta Kakay. Enquanto o desejo não se realiza, o carnavalesco segue festejando cada ano em que seu boneco ganha as ruas e avenidas e se contenta em garantir que outras pessoas compartilhem dessa alegria.</p>



<p>“Eu quero mesmo é ganhar o concurso para festejar. Se a gente ganhar esse ano e subir pro grupo especial eu vou fazer uma grande festa com comida e bebida à vontade para o povo. A gente sempre consegue se organizar e fazer o desfile do ano seguinte porque temos o povo com a gente e cada vez mais pessoas chegam para somar com o Menino da Gráfica. Isso precisa ser comemorado”, concluiu Kakay.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>No ano em que foi campeão, o Menino da Gráfica homenageou Zenaide Bezerra, a passista mais antiga em atividade no Brasil, eleita Patrimônio Vivo da Cultura do Recife. Para este ano, a  agremiação prepara um enredo em homenagem à pesquisadora da Cultura Popular e referência no estudo sobre o Frevo Patrimônio, Carmem Lélis.</p>
        </div>
    </div>
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		<title>Carnaval foi em fevereiro, mas em Olinda orquestras e agremiações ainda não receberam cachês</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Jul 2024 21:54:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[cachês do carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[carnaval 2024]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval de Olinda]]></category>
		<category><![CDATA[Prefeitura de Olinda]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cinco meses após o carnaval, maestros, músicos de frevo, integrantes de afoxés, DJs e técnicos de som contratados pela Prefeitura de Olinda para participar e realizar a programação carnavalesca na cidade ainda não foram totalmente remunerados. De acordo com a gestão municipal, a empresa terceirizada responsável pelas contratações dos artistas efetuou 70% dos pagamentos e [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Cinco meses após o carnaval, maestros, músicos de frevo, integrantes de afoxés, DJs e técnicos de som contratados pela Prefeitura de Olinda para participar e realizar a programação carnavalesca na cidade ainda não foram totalmente remunerados. De acordo com a gestão municipal, a empresa terceirizada responsável pelas contratações dos artistas efetuou 70% dos pagamentos e os outros 30% só devem receber a partir do dia 12 de julho.</p>



<p>A empresa em questão é a MC Produções, Promoções e Eventos Culturais, que já havia sido contratada pela Prefeitura de Olinda em 2019 para realizar a produção e operação dos polos do carnaval olindense. À época, a gestão municipal também teve complicações nas contratações, como mostra a reportagem da Marco Zero:</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/olinda-corre-contra-o-tempo-para-pagar-o-carnaval/" class="titulo">Olinda corre contra o tempo para pagar o Carnaval</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/cultura/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Cultura</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>De acordo com informações do Portal da Transparência, a Prefeitura de Olinda realizou seis contratos de prestação de serviços com a MC Produções entre janeiro e fevereiro de 2024. O primeiro contrato, com execução no dia 26 de janeiro, no valor de R$ 399.570,65 e o último, no dia 1º de fevereiro, com o valor de R$ 1.026.960,00. Na soma final de todos os contratos, o valor total empenhado é de R$ 2.326.888,66.</p>



<p>Procuramos a MC Produções para saber porquê os pagamentos estão atrasados, mas até o momento não tivemos resposta. Em nota enviada à reportagem, a Prefeitura de Olinda afirmou que “o pagamento, acordado em reunião com os maestros, ficou definido que será efetuado a partir desta quarta-feira (10)” (leia a nota na íntegra ao final do texto). A reunião a qual se refere a prefeitura foi realizada na semana passada na sede da Secretaria da Fazenda, no Varadouro.</p>



<figure class="wp-block-embed is-provider-slideshare wp-block-embed-slideshare"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://pt.slideshare.net/slideshow/contrato-de-olinda-com-empresa-mc-producoes-pdf/270175131
</div></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Espera e protestos</strong></h2>



<p>À frente da Orquestra Henrique Dias, uma das mais antigas e tradicionais da cidade, o maestro Lulinha conversou por telefone com a reportagem. Dias antes, ele havia postado nas redes sociais à espera pelo recebimento das apresentações durante o carnaval.</p>



<p>“Prometeram pagar e já pagaram uma parte. Ficaram pendentes a apresentação de um palco e a da procissão de São Jorge, na quaresma”, conta ele, confiante de que verá o dinheiro na conta ainda essa semana. Com sede no Sítio Histórico, a Orquestra Henrique Dias existe desde 1954 e é também uma escola profissionalizante de músicos.</p>



<p>O maestro Júnior, da Orquestra Polivalente, também esteve na reunião na Fazenda. “Dia 10 começam a nos pagar”, diz ele, se referindo ao prazo dado pela gestão. A reportagem conversou também com outro maestro, que preferiu não comentar publicamente a questão, mas confirmou o não recebimento integral dos valores por parte da prefeitura.</p>



<p>Nas redes sociais, o técnico de palco Renato Fonseca publicou um vídeo em que cobra a gestão municipal e critica o atraso dos pagamentos. “A prefeitura fez contratação para o São João sem pagar o Carnaval [&#8230;] São cinco meses de uma verdadeira falta de respeito”, declarou o técnico.</p>





<p>O vereador e pré-candidato à Prefeitura de Olinda, Vinicius Castello (PT) também publicou um vídeo em suas redes sociais criticando o prefeito Lupércio (PSD). No vídeo, o vereador afirma que está protocolando na Câmara de Vereadores de Olinda uma CPI do Carnaval e da Cultura para ter acesso a uma prestação de contas da gestão municipal.</p>



<p>“A gente não sabe quanto foi investido, quem foi pago, quanto foi gasto, quais são os valores que foram direcionados para as agremiações, quem recebeu, quem falta receber”, disse Castello. De acordo com a assessoria do vereador olindense, o pedido de instalação da CPI &#8220;ainda aguarda apreciação&#8221; e &#8220;o Ministério Público não foi procurado por Castello, tendo as ações sendo restritas à atuação da Câmara de Olinda&#8221;. </p>





<p>Em um anexo disponível no site da Prefeitura de Olinda está a “relação de categorias e cachês sem comprovação”, que é referente aos valores dos cachês de artistas e grupos que não possuem comprovação do reconhecimento artístico ou a justificativa do preço do cachê. Porém, não é possível ter acesso aos cachês pagos a cada artista e agremiações que participaram dos diversos polos do Carnaval 2024. </p>





<p>Procuramos o Ministério Público de Pernambuco para saber se há denúncias contra a Prefeitura de Olinda e a empresa MC Produções, referente ao atraso do pagamento dos cachês do Carnaval 2024, mas até o fechamento da matéria não tivemos resposta.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Nota da Prefeitura de Olinda</span>

		<p><span style="font-weight: 400;">A Prefeitura de Olinda, através da Secretaria de Patrimônio e Cultura, informa que está honrando com o pagamento dos contratados e artistas do Carnaval 2024. A empresa terceirizada já efetuou o pagamento de 70% dos prestadores de serviço do Carnaval 2024. Os outros 30% devem receber o pagamento, já acordado entre eles, a partir do dia 12 de julho. Em relação aos músicos de orquestras, o pagamento, acordado em reunião com os maestros, ficou definido que será efetuado a partir desta quarta-feira (10). Cerca de 90% das agremiações e bandas contratadas já receberam, e a Gestão se compromete em efetuar o pagamento dos outros 10% restantes, também a partir do dia 12 de julho.</span></p>
	</div>



<p><strong>Atualização às 14h50 de quinta-feira, 11 de julho</strong>: em contato com a Marco Zero, o regente do Grêmio Musical Henrique Dias, Lúcio Henrique Vieira da Silva, informa que a Prefeitura de Olinda quitou todas as apresentações da orquestra realizadas no Carnaval.</p>
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		<title>Todos os carnavais de Alceu Valença</title>
		<link>https://marcozero.org/todos-os-carnavais-de-alceu-valenca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Feb 2024 23:02:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Alceu Valença]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval de Olinda]]></category>
		<category><![CDATA[carnaval de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Érika Muniz* Numa época intensa para muita gente, como é o carnaval, existem nomes de nossa cultura que dão vida a muitos símbolos que integram a imaginação dos foliões. Inclusive, o ano inteiro. Quando se pensa na música que habita o carnaval de Pernambuco, sobretudo no Recife – com suas noites inesquecíveis no Marco [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Érika Muniz*</strong></p>



<p>Numa época intensa para muita gente, como é o carnaval, existem nomes de nossa cultura que dão vida a muitos símbolos que integram a imaginação dos foliões. Inclusive, o ano inteiro. Quando se pensa na música que habita o carnaval de Pernambuco, sobretudo no Recife – com suas noites inesquecíveis no Marco Zero, que recebe diversos artistas nos quatro dias de folia – ou ainda pelo sobe e desce ladeiras de Olinda, é impossível não escutar a voz de Alceu Valença, cantando sucessos como <em>Diabo Louro</em>, o <em>Hino do Elefante,</em> <em>Caia por Cima de Mim</em>, e tantos outros.</p>



<p>Nascido em São Bento do Una, Alceu Valença sempre traz em suas falas memórias e algumas das referências que compõem sua criação artística desde a infância. Revisitando canções que fazem parte de muitos carnavais, ele acaba de lançar o álbum <em>Bicho Maluco Beleza: É Carnaval</em>, que convida artistas como Maria Bethânia, Lia de Itamaracá, Juba, Lenine e Ivete Sangalo para dividir os vocais de músicas que marcam o seu repertório. Numa tarde na semana anterior à folia que já está pegando fogo, a Marco Zero conversou com esse grande artista sobre o significado dessa tão importante festa para ele, algumas de suas lembranças dessa época do ano e como percebe a celebração na cultura brasileira. A entrevista, você lê a seguir:</p>



<p><br>Marco Zero &#8211; <strong>Alceu, o que o carnaval, essa época do ano que a gente tanto espera sua chegada, significa para você que é uma das nossas vozes e corpo do carnaval?</strong></p>



<p><strong>Alceu Valença &#8211; </strong>Carnaval? Significa lembranças de carnavais. Carnaval na rua dos Palmares, onde eu morei, onde eu absorvi toda essa cultura carnavalesca, porque na frente da minha casa um desfile passava e ia. Talvez para poder passar na frente da casa do Maestro Nelson Ferreira, que era do lado direito. Lá, eu ouvia maracatu tocando, ouvia caboclinhos tocando, blocos líricos desfilando. Tudo passava lá, orquestras de frevo também tocavam. Isso ficou dentro da minha cabeça. O carnaval me lembra momentos incríveis quando vivenciava o carnaval em Olinda e ia para a rua e brincava no Eu Acho É Pouco, que era o bloco que eu saía atrás, como qualquer outro folião. O Segura a Coisa eu também saía nele. Dá uma certa tristeza porque eu não posso mais fazer isso, porque se eu for participar, vão ser <em>selfies</em> demais e aí não dá. Tem uma história engraçadíssima, que é um dia em que eu arranjei uma namorada no carnaval. Eu estava com ela e, de repente, encontro uma mulher que pede um autógrafo para mim, com um disco meu. Dentro do carnaval. Ninguém tinha câmera no celular para fotografar. O que acontece? Dei o autógrafo e fui na casa de Manoel Messias. A gente brincava também. De repente, a moça não quis mais falar comigo de jeito nenhum e eu não entendia porquê. Na quarta-feira de cinzas, perguntei: “Por que você está dessa maneira comigo? Não estou entendendo, não fiz nada.” Ela fez: “Por causa da mulher do autógrafo.” Ciúme. O ciúme é a véspera do fracasso. Acabou logo ali. Na minha cabeça vem esse tempo que eu podia brincar, mas aí, tem a coisa que eu gosto mais no mundo é palco. Palco, para mim, é vitamina. A, da alegria, e E, da energia. Palco é demais. Hoje, a gente estava para ir para outro canto e, de repente, não fomos. Aí, eu já queria fazer show hoje. Amanhã tem dois, depois tem mais dois e mais dois e encerra o carnaval.</p>





<p><br><strong>Já que você falou em lembranças, quando a gente pensa em grandes artistas de nossa música brasileira, você é um dos nomes que vêm à cabeça. Quando você pensa na música, no que ela lhe dá e o que você troca com ela, ao estar no palco, gravando, cantando, o que você lembra?</strong><br>Com a música, eu mergulho. Como te falei, se eu estou cantando, por exemplo, <em>Bicho Maluco Beleza</em>, meu mergulho é quando a compus em Olinda, tinha um rapaz que era meu fã e fã de Raul Seixas. Ele era alagoano, o nome dele era Antônio da Sé. Eu estava na varanda lá de casa, quando vi Antônio da Sé, com duas moças e vestido de Raul Seixas. Bem, daí, diante daquela cena surreal, fez com que fizesse <em>Bicho Maluco Beleza,</em> porque Raul Seixas era chamado de Maluco Beleza. Ele estava fantasiado com aquelas botas de Raul Seixas. Eu penso nisso e vem na minha cabeça isso também, são lembranças. Acho que nós, seres humanos, vivemos de lembranças e projeções na cabeça. Ontem, foi maravilhoso o show em Olinda. Eu posso estar em Olinda, eu levei o carnaval de Pernambuco para São Paulo, com o bloco Bicho Maluco Beleza, se entrar nas redes sociais vai olhar aquelas imagens de drone, que é um absurdo do absurdo A gente começou vagarosamente e foi crescendo de uma maneira incrível.</p>



<p><strong>Alceu, a seu ver, por que festejar, celebrar é algo que faz parte da nossa cultura, no Brasil? Por que é importante esse processo de celebração, comemoração, festejo do carnaval?</strong></p>



<p>Para mim, Pernambuco é o local que mais é carnavalesco que eu já vi. Tem uma multiculturalidade dele mesmo, não é preciso você trazer uma banda da Inglaterra para tocar rock aqui. Que papo é esse? Não tem nada a ver com o nosso carnaval. Pode vir, não estou colocando… Uma banda americana ou inglesa, de rock, pode vir fazer uma semana, duas antes do carnaval. Mas não tem nada a ver. Eu primo em seguir as coisas da minha própria cultura. Não tem papo, não faço a menor concessão a nada. Por isso é que sempre fui uma pessoa que nunca participei de movimentos nenhum. Vou fazendo a minha, do jeito que eu quero e do jeito que meu coração manda. Não estou ligando. Mas estou colocando, para Pernambuco, a grande história é ficar em cima do diferencial, porque se não tudo o que é carnaval vai ser igual. Rimou! Um exemplo, você pode ter um carnaval no Acre, mas se, de repente, você começar botando tudo o que não é do carnaval do Acre, termina acabando com o dele. Você poderia, até, fazer uma coisa maravilhosa, que era pegar todas essas manifestações e botava uma semana antes do carnaval, um gênero, depois, duas semanas outro e três… Nesse caso, o nosso Recife passaria a ser um destino inacreditável porque você, que foi ver o carnaval pernambucano poderia ver até o rock’n roll da Inglaterra. A multiculturalidade acho uma coisa maravilhosa, tem que ter. Agora, em determinados momentos, ela tem que ter uma coisa que vai para o tradicional. </p>



<p>Eu, Alceu Valença, é o seguinte: quando estou no São João, não vou cantar carnaval; canto São João, pego uma música muito mais ligada às minhas raízes de São Bento do Una, às minhas raízes do sertão profundo, da cultura nossa, que é meridional, é agreste, mas é a cultura também do sertão profundo. Quando chega no carnaval, é carnaval. Se você pensar <em>La Belle du Jour</em> é um ijexá, por isso está dentro do roteiro que estou cantando. Tem uma outra coisa que é preciso a gente pensar de maneira de curadoria. Existem relações entre gêneros, por exemplo, você vai ter uma relação da marcha de São João com o frevo, aí, você pode chamar um maestro genial como Duda e ele vai fazer um arranjo. Então, você vai fazer: “Olha pro céu, meu amor! / Veja como ele está lindo” [Alceu solfeja batidas do frevo, mostrando a ligação entre um gênero musical e outro]. Isso não está ferindo absolutamente nada. Quando faço isso, eu me inspirei em Claudionor Germano. Ele pegou aquela música <em>Tropicana</em>, porque uma coisa tem conexão com a outra.<br><br><strong>Quando a gente lhe assiste no palco, a nossa energia também vai lá para cima. Qual é o mistério e o segredo, se é que existe, para levar esse público para cima, como você faz?</strong></p>



<p>Minha música pode vir a bater na alma, no inconsciente dessas pessoas. Uma pessoa está lá, ela teve um pai, um avô, um bisavô e, acho que existe dentro da cabeça da gente sabe o quê? HDs de memória, com as memórias da gente. As minhas são tão incríveis, vê só… Eu não sei cantar uma balada. Música brasileira, eu sei, canto, divido, brinco com ela. Se botar uma música maravilhosa dos Beatles ou dos Rolling Stones, não sei cantar, não. Não consigo cantar dentro daquele ritmo, talvez porque dentro do meu HD, fui tão acostumado a ouvir forró e, no carnaval, o frevo, na frente da minha casa, desde pequeno, em São Bento do Una, minha terra, onde tinha a banda Santa Cecília e aquela coisa entrou na minha cabeça e outras não fazem parte disso. Posso até ouvir e gostar, mas não está dentro do meu DNA.</p>



<p><strong>Em 2023, o movimento Manguebeat completou 30 anos. Você falou que nunca participou de nenhum movimento, como você percebe a importância desse e de outros movimentos para a cultura nordestina, outro exemplo, a Tropicália…</strong></p>



<p>Todos são maravilhosos, mas por um acaso, eu não participei de nenhum. Vou explicar porquê. Eu nunca morei no Recife. Em 1971, eu fui embora para o Rio de Janeiro e encontrei Geraldo Azevedo. Foi a única amizade que fiz com artista. Depois, claro, Moraes Moreira foi até meu amigo, mas muitos anos depois, perto da década de 1990. Então, Geraldinho Azevedo, que era daqui. Eu toco violão, mas nunca tive professor, tem coisas que eu não sei nem fazer. Vamos dizer, se você quer pegar uma música, eu posso até cantar, mas acompanhar numa música de Bossa Nova, eu não sei. Eu ficava lá e não vinha para Pernambuco, porque… primeiro, situação monetária difícil, e não dava para vir para cá, então, passei a minha década até 1980, sem vir para cá ou vir rapidamente e caía fora. Então, os movimentos maravilhosos que existiram aqui, não participei. Por exemplo, teve um movimento muito bom, que depois vi num disco, a turma do Ave Sangria. Naquele momento, tinham vários grupos que faziam parte porque estavam juntos. Um convivia com o outro e sabia o som. Eu, não sabia nada. Estava lá no Rio de Janeiro. Não tenho radiola, nunca tive radiola. Aliás, minha mulher me deu uma radiola e eu nunca ouvi. Só fui acostumado a ouvir música, no rádio porque o meu pai não queria que eu fosse artista. Ele achava que eu tinha um jeitinho e achava que se eu fosse incentivado, ia fazer música. Na minha casa, então, não tinha. Eu não participei, mas se eu estivesse aqui, na certa, poderia ter participado. Na certa, teria participado, mas eu não estava aqui, eu não vivia aqui. </p>



<p>Então, o movimento, quando ele acontece… Por exemplo, você falou do Tropicalismo. O Tropicalismo não aconteceu no Rio de Janeiro, aconteceu em São Paulo, quem morava lá? Gilberto Gil, Caetano Veloso, Tom Zé, Rogério Duprat, que fazia os arranjos. No Rio de Janeiro, eu conhecia uma pessoa, a única com quem eu convivia era Geraldo Azevedo e Paulo Guimarães, que era daqui e foi para lá, o outro era Carlos Fernando. Ninguém mais. Não conheci um artista no Rio de Janeiro, famoso. Quem conheci, já na década de 1980, na rua, foi Tom Jobim, porque ele saía de manhã da casa dele e ia na Banca Piauí, que era uma banca perto lá de casa. Então, não participei. É dessa maneira. Tiveram algumas pessoas daqui que foram e tocaram comigo, tocaram a minha música. Agora, o movimento Manguebeat, muito bom! E eu também estava longe, depois até o Chico Science foi à minha casa, no Rio, e a gente deu uma entrevista juntos. Eu e ele, na minha casa. Uma vez ele foi à minha casa em Olinda também. Eu o conheci dessa maneira. Quando eu estava no Rio de Janeiro, não existia internet, se tivesse, na certa, saberia.</p>





<p><br><strong>Para a gente terminar, queria que você falasse como você percebe a importância dessa alegria de uma festa como o carnaval no Brasil?</strong></p>



<p>Vejo como várias coisas. Vejo o carnaval como uma festa popular maravilhosa, que todo mundo brinca e vejo também por outro lado, vejo como uma coisa chamada economia criativa. O carnaval, o que ele traz de emprego é o absurdo do absurdo. É muito emprego e o que gera de imposto é muito grande. Então, antigamente, havia a demonização de artistas. Vou dizer uma coisa para você, por exemplo, quando eu canto, num show público, estou cantando, mas eu posso ganhar muito mais cantando sozinho, num evento privado. Comigo não fizeram, não, mas às vezes há a demonização sobre cultura. E o que acontece é o seguinte, a cultura é uma coisa que impulsiona os impostos, os empregos. Por exemplo, quanto gera um carnaval de Pernambuco para o Estado, para a prefeitura? Você vai ver uma coisa, a rede hoteleira cheia, você vai ter os bares lotados, os restaurantes lotados, o Airbnb alugado, casas alugadas, o homem da pipoca ganhando, o cara da carrocinha ganhando. É uma coisa impressionante. E esse tipo de economia vai cada vez mais crescer muito, então, é muito necessário para Pernambuco que ele foque no seu diferencial porque se não qualquer capital do Brasil vai fazer o carnaval. Aí, ela pega e contrata pessoas, porque não é obrigado um carnaval ser parecido com o outro. Aí, coloca o polo rock’n roll, o polo pagode, o polo nordestino, de forró, o polo funk, o polo frevo e pronto, as pessoas vão, beberão e será muito bom para a economia do Estado. </p>



<p>Outra coisa que estou alertando o tempo todo: o Brasil precisa ser divulgado lá fora, aproveitar determinadas coisas e que eu não vejo isso. Por exemplo, dois anos depois da pandemia, a gente fez turnês pela Europa toda, a gente foi para a Irlanda, Inglaterra, Alemanha, Holanda, uma ilha no Mediterrâneo, a gente fez Madri, Barcelona, fomos para Portugal, no Porto. O Brasil deveria ter uma coisa que vai acontecer, eu acredito, “destino Brasil”, porque, no Brasil, um turista quando ele vem, vai procurar algo prazeroso. Esse algo prazeroso é uma praia, que a gente tem praias inigualáveis. Você vai encontrar o turismo ecológico, que é para o paraense fazer isso. Você chega no nosso Pernambuco é um carnaval incrível. Se você divulgar o São João, vem gente para cá. É o turismo externo e o interno. Agora mesmo, vi um fluxo muito grande da Paraíba, de João Pessoa. Pelo fato do Recife estar fazendo o carnaval dele, e é muito forte, vem muita gente para cá, eles fazem na semana anterior.</p>



<p><strong>*Erika Muniz é jornalista, formada em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e em Comunicação Social pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). Pesquisa a área de cultura, assinando trabalhos na Revista Continente, Quatro Cinco Um, Revista O grito! e JornaldoCommercio.</strong></p>
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		<item>
		<title>Sobre o Galo, cachaça na ladeira e outras artes (ou artimanhas)</title>
		<link>https://marcozero.org/sobre-o-galo-cachaca-na-ladeira-e-outras-artes-ou-artimanhas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Feb 2024 18:36:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval de Olinda]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[Carvalheira na Ladeira]]></category>
		<category><![CDATA[Galo da Madrugada]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Fabio Atanásio de Morais* “.. Não deixem não, que o bloco campeão; / guarde no peito a dor de não cantar&#8230;”, diria que esse apelo do poeta não mais faria sentido nos dias atuais, frente àquilo que o Galo da Madrugada passou a ser, um “grandes eventos de massa”, como costumamos nominar. Não só [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Fabio Atanásio de Morais*</strong></p>



<p>“.. Não deixem não, que o bloco campeão; / guarde no peito a dor de não cantar&#8230;”, diria que esse apelo do poeta não mais faria sentido nos dias atuais, frente àquilo que o Galo da Madrugada passou a ser, um “grandes eventos de massa”, como costumamos nominar. Não só ele, outros mais recentes, a exemplo da Carvalheira na Ladeira, provavelmente também não deixarão de cantar.</p>



<p>Decorrido quase um ano desde que escrevi um breve artigo exteriorizando a minha indignação diante da apropriação indébita de espaço público para fins privados, mencionando na oportunidade a relação que classifico como “espúria”, evidenciando as benesses recebidas por iniciativas carnavalescas, exemplo do Galo da Madrugada, em Recife, e da Carvalheira na Ladeira, em Olinda, cá estamos mais uma vez “malhando em ferro frio”. No entanto, dou crédito ao dito popular “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”.</p>



<p>Pois bem, mais uma vez nos deparamos, desta feita mais grandiosa do que nunca, com o mirabolante carnaval realizado tanto pelo Galo de Madrugada quanto pela Carvalheira na Ladeira.</p>



<p>Em nome da honestidade, não posso abstrair do significado do Galo enquanto âncora do tão enaltecido Carnaval de Recife, esse ano chamado de “O maior em linha reta”, que, a bem da verdade, reconhecendo as minhas limitações intelectuais digo que não entendo muito bem o que significa tal slogan, ou melhor, me pergunto qual o valor agregado desse suposto fato para tornar o Carnaval do Recife ainda mais grandioso do que supostamente já é?</p>



<p>Como escrito no meu artigo anterior ,“o próprio Enéas Feire, nem nos seus melhores sonhos, teria imaginado na sua origem que essa agremiação carnavalesca se tornasse o que se tornou: mais do que ‘o maior bloco de carnaval do planeta’, um empreendimento altamente lucrativo”, que segue, talvez pela sua grandeza e importância, se locupletando das benesses do poder público, evidentemente que ao arrepio da lei, uma vez que a pergunta por mim arguida segue sem resposta: sob qual instrumento legal se privatiza o público em benéfico do Galo da Madrugada, inclusive para salvaguardar a mim próprio, ratifico que estou tão somente exercendo uma prorrogativa constitucional (Constituição Federal de 1988, no Art. 5º, Inciso XXXIV, Alínea “a”).</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/o-carnaval-comeca-muito-antes-do-galo-da-madrugada/" class="titulo">O carnaval começa muito antes do Galo da Madrugada</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
            
		            </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Ressalto que, quando me refiro ao Galo, me valho de uma figura de linguagem &#8211; não me ocorre diminuir a importância da alegoria -, para tentar entender sob qual pretexto poucas pessoas são “abençoadas” em detrimento do direito de muitas. Insisto: não sou contra o Galo, mas não me permito calar diante do descalabro aos cofres públicos sob a égide do Galo da Madrugada.</p>



<p>No que tange a Carvalheira na Ladeira, diria que é ainda mais escandaloso, visto que o apelo dessa iniciativa é tão somente maximizar os lucros dos seus titulares. O carnaval é tão somente a desculpa, oferecendo entretenimento exclusivo para os mais aquinhoados, e bota “aquinhoamento” nisso, considerando os valores cobrados aos que pertencem a suposta elite, sem deságio, pagam módicos R$ 1.000,00 por ingresso individual por cada dia de acesso as suas instalações.</p>



<p>O evento Carvalheira na Ladeira, suntuosamente montado no Memorial Arcoverde, mostra de forma incontestável a competência que falta aos gestores públicos na promoção de dias de festas que, literalmente, embriaga e fascina os privilegiados.</p>



<p>A propósito, para não dizer que não falei das flores, chama atenção que os artistas, ou seja, aqueles que se autoproclamam comprometidos com a cultura e seus valores, e que costumam enaltecer as suas “competências críticas”, “compromisso social” e outros “blá, blá, blá”, sequer ruborizam diante de tamanho desmando, deixando claro que interessante mesmo é o “cachê” que recebem.</p>



<p>Sublinho que, sobretudo para não parecer indelicado, grosseiro, ou mesmo o tipo de sujeito que vive procurando “pelo em ovo” para esconder as suas decepções, frustrações – antecipando um argumento repetido por quem é avesso ao pensamento crítico &#8211; me dei ao trabalho de buscar nos portais da transparência, na imprensa e redes sociais uma única pista que fosse para entender ou mesmo tão somente conhecer quais ou qual instrumento legal autoriza essa suposta “parceria pública-privada”.</p>



<p>Não encontrei rigorosamente nada para além de informações sobre o evento. Significando dizer que a suposta cessão efetivada, até prova em contrário, se deu por discricionariedade da autoridade pública que teria o dever de cuidar do bem público, isto ao arrepio do que dispõe a lei <a href="http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%2014.133-2021?OpenDocument">nº 14.133, de 1º de abril de 2021</a> <strong>– </strong>que substituiu a<strong> </strong>Lei n<sup>o </sup>8666, de 21 de junho de 1993 -, e da lei nº 13.019 ,de 31 de julho de 2014, além de outras mais que também versam ou orientam sobre essa questão, significando dizer, como escrito em artigo anterior “essas relações não se estabelecem discricionariamente”, ou seja, a juízo e vontade do administrador público, mas mediante adoção de procedimentos que privilegiem o melhor interesse público e ofereça a possibilidade de estabelecimento de concorrência frente à finalidade então pretendida”.</p>



<p>Assim, mais uma vez me assento na esperança de que possa ser ouvido por alguma das autoridades que integram qualquer um dos órgãos de controle, quando nada para virem a público para assegurar que, ao menos as questões aqui arguidas se encontram na mais perfeita regularidade, portanto, não cabendo quaisquer elocubrações que versem em contrário.</p>



<p>Pelo dito, parece que no fazer contemporâneo restou tão somente o circo, haja vista que o pão vem sendo progressivamente negado. Fora isso, é esperar que os clarins do “bobo da corte”, ou melhor “os clarins de Momo” pelo povo aclamado com todo ardor possam, de fato, exaltar as tradições e o esplendor que habitavam a cabeça do saudoso Clídio Nigro.</p>



<p><strong>*Servidor público do município de Olinda, ex-coordenador do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), no Nordeste e na Amazônia; ex-presidente da Fundação de Cultura do Município de Belém (Fumbel)</strong></p>
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		<title>Fui vítima de violência sexual no Carnaval. O que fazer e para aonde ir no Recife e em Olinda?</title>
		<link>https://marcozero.org/fui-vitima-de-violencia-sexual-no-carnaval-o-que-fazer-e-para-aonde-ir-no-recife-e-em-olinda/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Feb 2024 19:02:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[carnaval 2024]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval de Olinda]]></category>
		<category><![CDATA[carnaval de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra a mulher]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A violência contra as mulheres historicamente cresce no período de Carnaval. Além dos mecanismos de defesa e proteção, é importante saber o que fazer para denunciar e também para cuidar das questões de saúde quando se é vítima ou ao tentar ajudar uma vítima. O que fazer e para onde ir? A Marco Zero reuniu [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A violência contra as mulheres historicamente cresce no período de Carnaval. Além dos mecanismos de defesa e proteção, é importante saber o que fazer para denunciar e também para cuidar das questões de saúde quando se é vítima ou ao tentar ajudar uma vítima. O que fazer e para onde ir? A <strong>Marco Zero</strong> reuniu informações do Governo de Pernambuco e das prefeituras do Recife e de Olinda sobre o assunto para quem vai curtir a folia nos polos das cidades irmãs. Confira mais abaixo.</p>



<p>A maioria das mulheres já foi vítima de importunação sexual, independente de época do ano, e é importante que se saiba que o ato configura crime previsto no Código Penal, com pena de um a cinco anos de prisão. Piadas, insistência e toque no corpo sem consentimento podem configurar assédio.</p>



<p>Em caso de violência sexual, é fundamental procurar o serviço o mais rápido possível, sendo os melhores resultados para a prevenção de gravidez indesejada e proteção contra IST/Aids se a assistência ocorrer em até 7 2horas após a agressão, conforme norma técnica do Ministério da Saúde. Após avaliação da equipe, poderá ser ofertado o uso de contraceptivo de emergência, o coquetel profilático para IST/HIV, e exames subsequentes.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Atenção!</strong></h4>



<p> O <strong>Ligue 180</strong>, serviço telefônico gratuito de orientação e encaminhamento de denúncias sobre violências contra as mulheres, passou a ter, desde 2023, também um canal de <strong>WhatsApp</strong>. Para adicionar, basta salvar na agenda o número <strong>(61) 9610-0180</strong>. Em caso de risco iminente, a orientação é ligar para o <strong>Disque 190</strong>, da polícia.</p>



<p>A greve deflagrada pela <strong>Polícia Civil de Pernambuco</strong> poderá impactar alguns dos serviços. A reportagem tentou contato com o Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol) para entender os detalhes da paralisação, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>RECIFE</strong></h2>



<p>Desta quarta-feira (7) até a terça-feira (13), a Secretaria da Mulher do Recife estará com um espaço na <strong>Praça do Arsenal</strong> para atender e orientar mulheres em situação de violência doméstica/sexista,vítimas de assédio, importunação sexual e outras formas de agressão. O stand funcionará das 16h às 2h e contará com uma equipe multidisciplinar formada por psicóloga, advogada e assistente social do Centro de Referência Clarice Lispector.</p>



<p>Além disso, a Brigada Maria da Penha estará no local, encaminhando mulheres à delegacia especializada ou a outro serviço da rede de enfrentamento, caso necessário.</p>



<p>A sede do <strong>Centro de Referência Clarice Lispector</strong> (rua Dr. Silva Ferreira, 122, Santo Amaro), de acolhimento e orientação de mulheres, vai funcionar 24 horas durante os festejos de Momo, em regime de plantão. O serviço telefônico gratuito do local também estará disponível sem pausa para orientação, via <strong>whatsapp: (81) 99488-6138</strong>.</p>



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	                                        <p class="m-0">O Centro de Referência Clarice Lispector, em Santo Amaro, vai funcionar 24h durante o Carnaval. Crédito: Rodolfo Loepert/PCR</p>
	                
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<p>O <strong>Serviço Especializado Regionalizado (SER) Clarice Lispector</strong> (avenida Recife, 700, Areias), também local de acolhimento e orientação, vai funcionar das 7h às 19h. A festa vai contar, ainda, com o serviço da Unidade Móvel de Atendimento à Mulher. O equipamento, que tem como objetivo ampliar a oferta de informação e garantia de acesso das mulheres às ações de prevenção e enfrentamento a violência, vai funcionar no polo Ibura, das 18h às 0h.</p>



<p>Outra opção de encaminhamento das vítimas é o <strong>Centro de Atenção à Mulher Vítima de Violência Sony Santos</strong>, no <strong>Hospital da Mulher do Recife</strong>, na BR-101, no bairro do Curado. Outras opções são os Compaz Eduardo Campos, no Alto Santa Terezinha; Ariano Suassuna, no Cordeiro; e Dom Hélder, na Ilha Joana Bezerra. O funcionamento é de segunda a sexta, das 8h às 17h.</p>



<p>Já nos <strong>polos descentralizados</strong>, equipes volantes da Secretaria da Mulher vão realizar ações de prevenção, reforçando as informações sobre os serviços de atendimento à mulher em situação de violência, além de distribuir exemplares do <em>Manual de Como Não Ser um Babaca no Carnaval</em>, que ajuda a desconstruir comportamentos machistas naturalizados na sociedade.</p>



<p>A <strong>Gerência da Livre Orientação Sexual (Glos)</strong> estará presente no Carnaval do Recife com a campanha<strong> Recife Sem Preconceito e Discriminação</strong>, com cartazes educativos em banheiros químicos de todos os polos carnavalescos (centralizados e descentralizados) e adesivos da campanha<strong> Banheiro Para Todos</strong>. O adesivo faz referência aos vários tipos de identidade de gênero, chamando a atenção para o uso do banheiro feminino por todas as mulheres e uso do banheiro masculino por todos os homens, sem discriminação e a partir da identidade de gênero da pessoa.</p>



<p>A Glos também fixará adesivos de divulgação das leis municipais que punem e proíbem atos discriminatórios no Recife (16.780/2002 e 17.025/2004), dos serviços do Centro Municipal de Referência em Cidadania LGBTI+ do Recife e da <a href="https://denunciaslgbt.recife.pe.gov.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">plataforma de denúncias do município</a>, que também está no aplicativo Conecta Recife.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>OLINDA</strong></h2>



<p>O <strong>Centro Especializado de Atendimento à Mulher (Ceam)</strong> estará presente no posto do <strong>Carmo</strong>, com uma equipe composta por advogados, assistente social e psicólogo, junto com a guarda feminina e a Delegacia da Mulher, aberto de sábado a terça de Carnaval, das 8h às 16h. Já o Ceam no <strong>Bairro Novo</strong> ficará aberto 24 horas (R. Maria Ramos, 131).</p>



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	                                        <p class="m-0">O Centro Especializado de Atendimento à Mulher (Ceam) estará presente no Carmo junto com a Delegacia da Mulher. Crédito: PMO</p>
	                
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<p>Durante todos os dias da folia, agentes sociais e arte-educadores estarão nas ruas promovendo a distribuição de materiais informativos sobre a <strong>população LGBTQIA+</strong>, incluindo folders, panfletos e adesivos, dotados de conteúdo de conscientização. Sob o tema <em>Que o Respeito Vença o Preconceito</em>, a iniciativa vai percorrer os principais corredores de trajeto das agremiações.</p>



<p>Para casos de irregularidades ou qualquer tipo de ameaça à integridade, os cidadãos serão orientados a acionar as forças de segurança presentes no local ou ainda contar com o atendimento do <strong>Disque Denúncia, pela central 190</strong>.</p>



<p>Haverá um espaço de acolhimento de possíveis vítimas de LGBTfobia, <strong>ao lado do Camarote de Acessibilidade</strong>. O atendimento será do Sábado de Zé Pereira até a Terça-feira de Carnaval, das 10h às 15h.</p>



<p>Equipes estarão disponíveis nos polos de saúde, que vão operar durante todo o período carnavalesco, com serviços de acolhimento às mulheres vítimas de violência. As equipes estarão disponíveis, incluindo exames, medicação e todos os direcionamentos necessários:</p>



<p>O ponto principal é na <strong>Policlínica Barros Barreto</strong>, entre a quinta (8) a (13), funcionando 24 horas com atendimento médico e de enfermagem, oferta da anticoncepção de emergência, Profilaxia Pós-Exposição ao HIV e à sífilis (PEP), sala de medicação, sala vermelha, sala de sutura, uma ambulância tipo básica e uma tipo UTI.</p>



<p>Já a rede de apoio funcionará com pronto atendimento em Peixinhos, também 24 horas, com clínica médica pediátrica, clínica médica adulto e de enfermagem, sala de medicação, sala vermelha, sala de sutura, vacina e soro antirrábico. E também na UPA Municipal Professor Germano Coelho, funcionando em período integral com os mesmos serviços, à exceção de vacina e soro antirrábico.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>PERNAMBUCO</strong></h2>



<p>Em relação a Polícia Civil, a novidade para este ano é a ativação do plantão da <strong>Delegacia Especializada da Mulher</strong>, nas proximidades da <strong>praça do Carmo</strong>, em Olinda, atuando em conjunto com a Secretaria da Mulher do município. O plantão da <strong>Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher de Olinda</strong> segue funcionando 24h. Também em regime de plantão há as <strong>Delegacias da Mulher do Recife (Santo Amaro), Cabo, Paulista, Jaboatão dos Guararapes (Prazeres), Caruaru e Petrolina</strong>.</p>



<p>No período de Momo, o <strong>Serviço de Apoio à Mulher Wilma Lessa (SAMWL)</strong>, sediado no <strong>Hospital Agamenon Magalhães (HAM)</strong>, permanecerá de portas abertas. A equipe multiprofissional do Wilma Lessa é formada por assistentes sociais, médicas(os), enfermeiras(os) e psicólogas(os).</p>



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	                                        <p class="m-0">O Serviço de Apoio à Mulher Wilma Lessa fica no Hospital Agamenon Magalhães, na zona norte do Recife. Crédito: Governo de PE</p>
	                
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<p>O serviço funciona 24h por dia, sete dias por semana atendendo e acolhendo as pessoas com útero/vagina (mulheres cis e homens trans) vítimas de violência, principalmente sexual, acima de 12 anos de idade. O acesso ao atendimento pode ser de forma espontânea ou por meio de encaminhamento de unidade de saúde ou serviço de proteção.</p>



<p>Além do SAMWL, há outras unidades de referência que realizam o atendimento integral às vítimas de violência sexual. São elas:</p>



<p><strong>I GERES:</strong> Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam – Pró-Marias) – Recife; Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip) – Recife; Hospital da Mulher do Recife (Centro de Atenção à Mulher Vítima de Violência Sony Santos) – Recife; Hospital Agamenon Magalhães (Serviço de Apoio à Mulher Wilma Lessa) – Recife; Policlínica e Maternidade Arnaldo Marques &#8211; Recife; Maternidade Bandeira Filho – Recife; Unidade Mista Prof Barros Lima – Recife; Hospital Geral de Camaragibe Aristeu Chaves &#8211; Camaragibe;<br><strong>IV GERES:</strong> Hospital Jesus Nazareno – Caruaru;<br><strong>VII GERES:</strong> Hospital Regional Inácio de Sá – Salgueiro;<br><strong>VIII GERES:</strong> Hospital Dom Malan – Petrolina;<br><strong>XI GERES:</strong> Hospital Professor Agamenon Magalhães – Serra Talhada.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/fui-vitima-de-violencia-sexual-no-carnaval-o-que-fazer-e-para-aonde-ir-no-recife-e-em-olinda/">Fui vítima de violência sexual no Carnaval. O que fazer e para aonde ir no Recife e em Olinda?</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Preconceito e desinformação levam espaço de redução de danos a virar caso de polícia no Carnaval</title>
		<link>https://marcozero.org/preconceito-e-desinformacao-levam-espaco-de-reducao-danos-a-virar-caso-de-policia-no-carnaval/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Feb 2023 20:24:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval de Olinda]]></category>
		<category><![CDATA[evangélicos]]></category>
		<category><![CDATA[política de drogas]]></category>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A fim de implementar a política de redução de danos em Pernambuco, um grupo de profissionais e ativistas se uniram para formar a Escola Livre de Redução de Danos, uma iniciativa que, desde de 2019, realiza formações pedagógicas, eventos, ações nas ruas e produção de pesquisas sobre o tema. Entre as atividades há também a ação “Fique Suave no Carnaval”, com uma casa de acolhimento no Centro Histórico de Olinda para garantir segurança e apoio aos usuários de drogas que participam do Carnaval. O espaço conta com uma área para descanso, além de distribuição gratuita de água e kits de prevenção.</p>



<p>No entanto, a casa da Escola Livre de Redução de Danos, que estava prevista para funcionar durante todos os dias de Carnaval, foi fechada pela Polícia Civil de Pernambuco na segunda-feira, dia 20 de fevereiro. A operação foi montada a partir de uma denúncia anônimade apologia ao uso de drogas no espaço de redução de danos. Os policiais interditaram o local e levaram a coordenadora da Escola Livre, Ingrid Farias, até a delegacia para prestar esclarecimentos.</p>



<p>De acordo com os responsáveis pela casa de Redução de Danos, o local já havia sido inspecionado pela Guarda Municipal de Olinda e, durante as revistas, não foram encontradas nenhuma substância ilícita ou material de incentivo ou promoção de uso de drogas. “A Casa da Redução de Danos tem como objetivo prestar assistência, prevenir e acolher usuários de drogas durante os dias de carnaval, distribuindo folhetos informativos, água e insumos”, afirmaram os responsáveis pela iniciativa em nota divulgada à imprensa.</p>



<p>Procuramos a Polícia Civil de Pernambuco para saber por quais motivos a casa havia sido fechada já que a política de redução de danos é uma prática de interesse público reconhecida pelo Ministério da Saúde. Em nota, a PCPE afirmou que “não há, por parte das forças policiais e órgãos do Governo de Pernambuco, qualquer intenção no sentido de criminalizar campanhas educativas ou impedir a livre manifestação do pensamento”, porém, “como a campanha não estava vinculada ao Estado nem à Prefeitura de Olinda, que também enviou equipe de fiscalização ao local, alguns materiais foram apreendidos”.</p>



<p>Confira a nota da PCPE na íntegra:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><strong><em>NOTA PCPE</em></strong></p>



<p>A Polícia Civil informa que não há, por parte das forças policiais e órgãos do Governo de Pernambuco, qualquer intenção no sentido de criminalizar campanhas educativas ou impedir a livre manifestação do pensamento. Ao contrário, o diálogo entre as entidades que trabalham a temática está estabelecido junto às secretarias estaduais de Defesa Social, Saúde e de Desenvolvimento Social, Criança, Juventude e Prevenção às Drogas, de modo a fortalecer ações integradas voltadas à prevenção, proteção, apoio, cuidado e assistência aos usuários e à população pernambucana como um todo.</p>



<p>Na segunda-feira, 20 de fevereiro, após ter recebido um informe, a Polícia Civil deslocou uma equipe para o endereço na rua Treze de Maio, Carmo, Olinda, a fim de apurar os fatos. Conforme divulgado nas mídias, tratava-se de uma campanha sobre a redução de danos para o uso de entorpecentes. Como a campanha não estava vinculada ao Estado nem à Prefeitura de Olinda, que também enviou equipe de fiscalização ao local, alguns materiais foram apreendidos, assim como depoimentos foram colhidos a fim de esclarecer o funcionamento da estrutura.</p>
</blockquote>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/escola-livre-de-reducao-de-danos-oferecera-espaco-de-acolhimento-no-carnaval-de-olinda/" class="titulo">Escola Livre de Redução de Danos oferecerá espaço de acolhimento no Carnaval de Olinda</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que é e como funciona a política de redução de danos</strong></h2>



<p>A redução de danos é uma estratégia de saúde pública que promove o bem-estar social e busca controlar consequências adversas causadas pelo consumo de psicoativos através de uma abordagem antiproibicionista, que busca a inclusão social dos usuários de drogas.</p>



<p>No Brasil, a política de redução de danos passou a integrar os serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) e foi regulamentada pelo Ministério da Saúde através da Portaria 1028, de julho de 2005. No mesmo ano, a Política Nacional Sobre Drogas, que contém diretrizes sobre a redução de danos, foi aprovada pelo Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas.</p>



<p>Entre as medidas indicadas pelo Ministério da Saúde para a promoção da política de redução de danos, estão a distribuição de materiais informativos sobre o consumo de drogas; disponibilização de insumos de proteção à saúde e de prevenção ao HIV/Aids e Hepatites; orientação sobre prevenção e conduta em caso de intoxicação aguda; e desestímulo ao compartilhamento de instrumentos utilizados para consumo de produtos, substâncias ou drogas que causem dependência.</p>



<p>Ainda de acordo com uma cartilha de orientação do Ministério da Saúde, a troca e o fornecimento de material de prevenção para usuários de drogas injetáveis é política de saúde pública no Brasil desde 1994, uma medida que surgiu para diminuir a infecção pelo HIV e surtiu efeito positivo, uma vez que, em países onde a redução de danos foi implantada precocemente, como a Austrália, a taxa de infecção pelo vírus se manteve em menos de 5%.<br><br>Assim, as atividades desenvolvidas pela organização não governamental Escola Livre de Redução de Danos são preconizadas pelas autoridades de Saúde, não apenas no Brasil.</p>



<h3 class="wp-block-heading">&#8220;Proibicionismo não deu certo em lugar nenhum&#8221;</h3>



<p>Apesar do reconhecimento da política de redução de danos como prática fundamental e positiva para a saúde pública e coletiva pelo Ministério da Saúde e sua integração ao SUS, o estigma sobre os usuários de drogas ainda é uma questão que dificulta as ações efetivas por agentes de saúde e assistentes sociais. A<strong> </strong>Marco Zero Conteúdo entrevistou a assistente social do Centro de Prevenção Tratamento e Reabilitação de Alcoolismo (CPTRA) e do Hospital das Clínicas da UFPE, Luciana Espíndola, para esclarecer a importância da abordagem em redução de danos:</p>



<p>Marco Zero<strong> &#8211; O que é a política de drogas baseada na redução de danos e quais resultados positivos ela pode gerar?</strong></p>



<p><strong>Luciana Espíndola</strong> &#8211; A política de drogas baseada na redução de danos é uma política que consegue enxergar o sujeito de forma mais global, é uma política de drogas que consegue dar conta do conceito amplo de saúde a partir do momento que a gente não limita o sujeito e não diz a ele o que é estar adoecido nem impõe formas de viver. A política de redução de danos no uso de drogas prevê que o sujeito pode viver bem usando drogas, desde que queira dessa forma, desde que tenha acesso às políticas públicas, à informação e aos serviços que consigam dar a ele o aparato que ele precisa para viver bem, com saúde.</p>



<p><strong>Qual a importância da política de redução de danos para os usuários de drogas e para a saúde pública no Brasil?</strong></p>



<p>A política proibicionista nunca deu certo na história do Brasil nem do mundo. Por isso, o Brasil acolheu as experiências de alguns países europeus no trabalho de minimizar os danos oriundos do uso de álcool e outras drogas. Principalmente a partir da década de 90, programas e projetos na área de redução de danos começaram a ser criados aqui no Brasil, com o protagonismo de redutores de danos de usuários e familiares. A Associação Brasileira de Redução de Danos, a Rede Brasileira de Redução de Danos e a Rede Latino Americana de Redução de Danos foram instituições fundamentais para a implementação da redução de danos no Brasil, porque só em 2003 o Ministério da Saúde lançou a política de atenção integral ao usuário de álcool e outras drogas. Só então a gente começa a admitir institucionalmente que pessoas que fazem uso de álcool e outras drogas tem o direito de continuar usando essas drogas e, ainda assim, acessar os serviços de saúde que precisam. A partir dessa decisão do Ministério da Saúde a gente consegue entender que a abstinência não pode ser o único objetivo a ser alcançado quando se trata em cuidar da vida humana, a gente precisa lidar com as singularidades dos sujeitos e ser compreensivo com aqueles que não querem parar de usar drogas, e que não conseguem parar, essas pessoas também precisam ter o direito à saúde assegurado.</p>



<p><strong>Muitas pessoas, inclusive autoridades de segurança, ainda têm preconceito e perseguem a política de redução de danos por achar que ela incentiva os usuários de drogas. Você poderia explicar porque esse estigma é errado?</strong></p>



<p>Essa afirmação é baseada exclusivamente em desinformação, pouco acesso e até má vontade mesmo. Quando a gente fala em redução de danos, a gente fala sobre acesso à informação e garantia de direitos, a gente fala sobre a pessoa ter condições de entender como determinada droga funciona dentro do organismo e, assim, poder escolher se tem condições de fazer uso daquela substância ou não. A redução de danos diz respeito à saúde de toda uma população, inclusive, porque ela diminui o contágio das doenças. Por exemplo, quando a gente olha os índices de pessoas que precisam se tratar de tuberculose, a gente percebe que se a gente conseguisse acessar o grupo de usuários de crack que fazem uso em local confinado e compartilham as latas que usam no momento do consumo da droga, a gente certamente conseguiria diminuir o número de infectados pela tuberculose. Então, quando alguém afirma que redução de danos é apologia a drogas é um grande desserviço para a sociedade, e essa pessoa está contribuindo para o adoecimento da população.</p>



<p><strong>Como é possível, no atual contexto, fortalecer a política de redução de danos no Brasil?</strong></p>



<p>A gente precisa fortalecer o movimento de usuários e familiares, trabalhar com educação permanente em saúde para os trabalhadores e trabalhadoras da área que precisam sempre estar atualizados sobre o que é a política de redução de danos e os efeitos de cada droga. Também é preciso fortalecer o processo de reinserção social e fortalecimento dos vínculos territoriais e familiares dos usuários de drogas. Outro grande passo é conseguir integrar os usuários de álcool e outras drogas e seus familiares aos espaços políticos de saúde pública, para que todos possam ficar atentos e possam garantir os direitos que já foram conquistados, porque no governo Bolsonaro nós tivemos muitos retrocessos e isso precisa mudar.</p>



<p><strong>E em Pernambuco, o que o governo estadual pode e deve fazer para fortalecer a política de redução de danos?</strong></p>



<p>A gente tem um grande desafio agora que é colocar a frente da pasta que trata sobre as políticas de drogas uma pessoa que seja mais comprometida com o direito dos usuários, que precisam acessar os serviços públicos de saúde, do que com a bancada evangélica com seus padrões morais e moralizantes que maltratam e agridem os usuários. Eu afirmo isso baseada em relatórios do Ministério Público que apontam que diversas comunidades terapêuticas, que hoje são financiadas por grande parte da bancada evangélica, foram notificadas a mudar suas abordagens após denúncias de maus tratos. Então, acredito que o primeiro passo para fortalecer a redução de danos em Pernambuco é colocar uma pessoa comprometida com a saúde dos usuários na pasta que trate sobre as políticas de drogas. A gente consegue fortalecer a estratégia de redução de danos quando a gente consegue fortalecer os espaços de tomada de decisões com pessoas que estão realmente preocupadas com a saúde pública e não com o proibicionismo e também fortalecendo iniciativas da sociedade civil como a Escola Livre de Redução de Danos, que levam informações de prevenção à saúde.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><strong>Uma questão importante!</strong></p>
<cite><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa</em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a></strong><em>ou, se preferir, usar nosso</em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em><br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong><em>.</em></cite></blockquote>
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