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	<title>Arquivos covid19 - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 22 Feb 2024 12:46:02 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos covid19 - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Guerra Visível: a luta das mulheres no auge da pandemia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Oct 2023 20:38:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[covid19]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres negras]]></category>
		<category><![CDATA[pessoas com deficiência]]></category>
		<category><![CDATA[Vacina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Yane Mendes*Natalia e Karla, moradoras de favelas no Recife, enfrentaram desafios brutais durante a pandemia. Além das preocupações com a saúde, elas equilibraram trabalhos coletivos e o cuidado das famílias.Em meio à crise da pandemia, Natália, moradora do Alto do Eucalipto e ativista pelos direitos das pessoas com deficiência, e Karla, uma liderança evangélica [&#8230;]</p>
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<p><strong>Por Yane Mendes*<br></strong><br><em>Natalia e Karla, moradoras de favelas no Recife, enfrentaram desafios brutais durante a pandemia. Além das preocupações com a saúde, elas equilibraram trabalhos coletivos e o cuidado das famílias.<br></em><br>Em meio à crise da pandemia, Natália, moradora do Alto do Eucalipto e ativista pelos direitos das pessoas com deficiência, e Karla, uma liderança evangélica e integrante do MTST (Movimento Trabalhadores Sem Teto), duas mulheres residentes em diferentes favelas na cidade do Recife, protagonizaram uma batalha cansativa e cotidiana. Para além das angústias relacionadas à saúde, elas enfrentaram o peso avassalador da sobrecarga, desdobrando-se entre o trabalho comunitário e a responsabilidade de cuidar de suas famílias.</p>



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<h2 class="wp-block-heading">Desigualdade na vacinação</h2>



<p>Os números revelam uma disparidade preocupante. Em Pernambuco, durante os anos de 2021 e 2022, 79,8% da população foi vacinada contra a Covid-19, sendo que a esmagadora maioria, 82,4%, eram mulheres. Esta estatística destaca a relevância das mulheres na busca pela proteção contra o vírus, mesmo enquanto enfrentavam desafios domésticos e sociais avassaladores.</p>



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	                                        <p class="m-0">Ana Karla, liderança evangélica e integrante do MTST. Crédito: Yane Mendes</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading">Precariedade no Sistema de Saúde</h2>



<p>A situação precária do sistema de saúde pública no Brasil também veio à tona. Um estudo realizado pelo Instituto Locomotiva em 5.569 cidades brasileiras, através de entrevistas com gestores municipais de saúde, apontou que:<br><br>● Apenas 60% das unidades de saúde do serviço público possuíam geladeiras com medição de alarme e temperatura em boas condições.<br><br>● Apenas 85% tinham disponíveis pias com água, sabonete, papel-toalha, lixeiras com pedal, caixas coletoras de perfurocortantes e sacos plásticos. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Mortalidade Alarmante</h2>



<p>Com alto índice de mortalidade, o Brasil se viu no segundo lugar mundial no número de mortes por Covid, evidenciando uma grave crise sanitária. Atualizando esses números no site do Ministério da Saúde, já somamos 705.775 óbitos acumulados. A vida do povo brasileiro está em risco, de múltiplas formas, e isso não pode ser ignorado.<br><br>A luta por sobrevivência não é uma opção, e isso se torna explicitamente visível na vida das mulheres moradoras de periferias em todo o Brasil, mostrando que isso é um reflexo da desigualdade sistêmica que assola o nosso país. É fundamental que a sociedade como um todo esteja atenta e que medidas sejam tomadas para enfrentar essa realidade. A guerra nas favelas é um alerta que não pode ser ignorado.<br><br><strong>* Essa video-reportagem faz parte da ação da Oxfam Brasil sobre desigualdade no acesso a vacinas. Mais informações em<br>www.oxfam.org.br/vacina-e-desigualdades.</strong></p>
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		<item>
		<title>Secretaria Estadual de Saúde deixa de publicizar boletins e imprensa não publica mais dados da covid-19</title>
		<link>https://marcozero.org/secretaria-estaduall-de-saude-deixa-de-publicizar-boletins-e-imprensa-nao-publica-mais-dados-da-covid-19/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Jan 2023 23:16:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[covid19]]></category>
		<category><![CDATA[Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[transparência]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Notou que os números sobre a covid-19 em Pernambuco sumiram do noticiário? Não é porque a pandemia acabou. Infelizmente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) não declarou ainda o fim da pandemia iniciada em março de 2020. Também não é porque os números em Pernambuco estão tão baixos que nem precisam mais ser divulgados. Foram [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Notou que os números sobre a covid-19 em Pernambuco sumiram do noticiário? Não é porque a pandemia acabou. Infelizmente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) não declarou ainda o fim da pandemia iniciada em março de 2020. Também não é porque os números em Pernambuco estão tão baixos que nem precisam mais ser divulgados. Foram 12.704 novos casos e 27 óbitos nestes 20 dias de 2023. Nas últimas duas semanas, Pernambuco é o estado do Nordeste com mais números de casos e o sétimo no Brasil.</p>



<p>A impressão de que a covid-19 sumiu do mapa por aqui pode ser porque desde o dia 30 de dezembro o Governo de Pernambuco, através da Secretaria Estadual de Saúde, não envia mais os resumos dos boletins para a imprensa. Também não faz mais a publicação dos boletins nas redes sociais, como fazia desde o início da pandemia. Com isso, as notas em sites locais de jornalismo e os posts nas redes sociais desses veículos pararam de falar sobre a situação da pandemia em Pernambuco.</p>



<p>A média móvel dos últimos sete dias no Brasil está hoje em 11 mil novos casos, bem abaixo dos 40 mil casos de um mês atrás. Mas é comum que haja uma queda nos dados e na divulgação em começos de ano. Isso aconteceu com as trocas de prefeituras em 2020/2021 e com o apagão de dados do SUS no começo de 2022. Mas os números baixos ou estáveis eram uma ilusão: em 2021, era a subida da onda da variante Gama, que causou a maior onda de mortes no Brasil, e no ano passado foi o tsunami da Ômicron, que cancelou o carnaval daquele ano, que antes era dado como certo.</p>



<p>No começo deste quarto ano de pandemia há algumas diferenças, mas o acompanhamento e a divulgação dos dados seguem imprescindíveis. Analisando desde março de 2020 os números da pandemia, Isaac Schrarstzhaupt, da Rede Análise, torce para que dessa vez essa relativa baixa seja mesmo um reflexo do mundo real. “Agora, o que estamos vendo é também uma queda nas testagens. Um dado que seria bom seria o da pesquisa dos sintomas da Universidade de Maryland com o Facebook, mas foi descontinuada. Óbitos e hospitalizações geralmente são dados sólidos, e o que estamos vendo hoje é também uma queda. Mas estamos em trocas de governo, com trocas de equipes, o que pode ter um impacto nos dados que estamos vendo”, adverte.</p>



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	                                        <p class="m-0">Gráfico do site https://covid19br.wcota.me com dados disponibilizados pelas secretarias de saúde </p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>O cientista Jones Albuquerque, do Instituto de Redução de Riscos e Desastres (IRRD), alerta para o fato de que o <a href="https://www.irrd.org/covid-19/ricci/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">risco pandêmico</a> &#8211; que alerta quando a situação pode sair de controle &#8211; não está baixo em Pernambuco. “O risco pandêmico estava em queda, fato, mas tanto mundialmente como em Pernambuco esse risco se acende novamente”, diz. “O que observamos no Brasil é que desde o dia 18 de outubro a quantidade de mortes por milhão está em crescimento. Também percebemos que nosso melhor momento em Pernambuco foi entre 7 e 13 de outubro, no qual chegamos ao menor índice de risco. Mas mesmo assim, ainda alto”, afirma.</p>



<p>As vacinas conseguiram derrubar as mortes por covid-19, o que garantiu um certo retorno à normalidade. Mas ainda não são eficazes em barrar a infecção, o que exige a adoção de outras medidas. “<a href="https://www.nature.com/articles/s41579-022-00846-2" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Um artigo publicado na Nature </a>mostra que pelo menos 65 milhões de pessoas estão com covid longa mundo afora. A pandemia, de fato, ainda é um problema. Se não adotarmos distanciamento, máscara em ambiente fechado, higienização e vacinação não vamos nos livrar da covid-19”, diz Jones.</p>



<p>O cientista também lamenta que a falta de relatórios diários é algo que está acontecendo em várias cidades, estados e países. O Cievs da Prefeitura do Recife, por exemplo, agora só divulga relatórios semanais. “Parece que a comunicação com a população sobre os riscos da covid-19 foi nosso grande erro durante esta pandemia. E isso é uma infelicidade, porque a população está cada vez mais acreditando que a pandemia acabou”.</p>



<p>Isaac Schrarstzhaupt afirma que os dados têm que ser “superdivulgados”. E faz uma analogia em que explica o porquê disso. “Pensa nos aplicativos sobre o tempo no celular. Não é bom saber que há, por exemplo, 40% de chuva em tal dia? Quando a gente vê esses dados sobre o clima, até por hora, a gente consegue tomar decisões melhores. Com os dados epidemiológicos de doenças é a mesma coisa. Se vamos fazer um evento, se vamos para um local fechado, a melhor coisa é entender efetivamente o que está acontecendo”, afirma.</p>



<p>Os boletins eram enviados diariamente para a imprensa e nas redes da SES-PE desde o início da pandemia. Nos últimos meses, passaram a ser em dias úteis. Com a mudança do governo de Paulo Câmara (PSB) para Raquel Lyra (PSDB) pararam de ser enviados. Não é algo transitório, mas uma decisão da SES-PE.</p>



<p>A Marco Zero questionou a assessoria de comunicação da Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco sobre o motivo do boletim não estar sendo mais enviado. Não houve resposta. O que a secretaria informou, sem explicar o motivo da mudança, foi que desde o dia 4 de janeiro (na verdade, o último boletim divulgado foi no dia 30/12/2022) o boletim passou a ser disponibilizado na plataforma do Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (Cievs), no link: <a href="https://www.cievspe.com/novo-coronavirus-2019-ncov" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.cievspe.com/novo-coronavirus-2019-ncov</a>.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Casos de covid-19 somem da imprensa pernambucana</h2>



<p>A falta dos boletins na mídia é um problema, claro, também do jornalismo. Há como conseguir essas informações diariamente, mas elas estão com o acesso mais complicado. Ao invés de receber os boletins mastigadinhos, os jornalistas (ou qualquer pessoa interessada) agora têm que entrar no <a href="https://www.cievspe.com/novo-coronavirus-2019-ncov" target="_blank" rel="noreferrer noopener">site do Cievs</a>, ir até uma longa lista de boletins e acessar o boletim epidemiológico do dia, algo feito para pessoas da área de saúde. Com a crise do jornalismo local, as redações estão cada vez menores e os boletins feitos para divulgação na imprensa facilitavam muito que essa informação chegasse até a população em geral.</p>



<p>Os perfis de instagram da Folha de Pernambuco, Diario de Pernambuco e Jornal do Commercio acumulam, juntos, quase 2,5 milhões de seguidores. Não há nenhuma postagem deste ano sobre covid-19 em Pernambuco. Nas poucas postagens sobre o assunto em dezembro, a maioria se baseava justamente nos boletins da SES-PE enviados à imprensa.</p>



<p>No painel de dados do Consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde, divulgado pelo G1, Pernambuco aparece como um estado sem informações disponíveis. Além de Pernambuco, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Maranhão, Piauí e Paraíba também aparecem como estados sem divulgação dos dados.</p>



<p>No instagram oficial da SES-PE, o último boletim divulgado foi no dia 30 de dezembro, mesmo dia que o último boletim foi enviado para a imprensa. Há alguns comentários cobrando os boletins atualizados: “Não nos deixem na ignorância. Mais transparência”, pede uma mulher.</p>



<p>A jornalista, pesquisadora e professora de Jornalismo e Direitos Humanos Andrea Trigueiro, que por dois mandatos presidiu a comissão de ética do Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco (Sinjope), acredita que os boletins ajudam a pautar a imprensa e, assim, levar a informação para a população.</p>



<p>&#8220;No estado democrático de direito, a imprensa tem papel fundamental como o lugar que vai publicizar informações relevantes de interesse público. O que é diferente do interesse do público. É o que diz respeito a toda sociedade. Claro que o papel do jornalismo é ir atrás dessas informações, mas quando o governo não disponibiliza essas informações de forma acessível, a transparência fica comprometida”, afirma. “É a partir da real situação da moradia, da saúde, da educação, segurança etc que a sociedade pode monitorar as políticas públicas. Mesmo com os processos de descredibilização da imprensa, a população ainda confia e acredita na imprensa. Quando um problema não está mais na imprensa, é como se esse problema não existisse mais”.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Kraken em Pernambuco?</h2>



<p>Uma vez ao mês, os boletins com casos e óbitos diários de covid-19 eram acompanhados também da situação das variantes do Sars-cov2 no estado. Esse boletim dava visibilidade à parceria com o trabalho da Rede Genômica da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), um projeto ainda em andamento para monitorar as variantes no Brasil.</p>



<p>As amostras de sangue analisadas pela Fiocruz-PE para o sequenciamento genético e a identificação do tipo da variante são de um laboratório da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e do Laboratório Central de Saúde Pública de Pernambuco (Lacen-PE), órgão da SES-PE. Os dados mais recentes disponíveis na <a href="https://www.genomahcov.fiocruz.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">plataforma da Rede Genômica</a> são de dezembro de 2022, já que leva algum tempo para analisar e processar esses dados, que são divulgados uma vez por mês.</p>



<p>Na sexta-feira passada, dia 13, a Fiocruz emitiu uma nota alertando para uma mudança: um aumento considerável de amostras sem a mutação Spike_69/70del, comum nas linhagens anteriores, do que se concluiu que essas amostras correspondem à linhagem XBB.1. É ela que foi batizada de Kraken &#8211; um gigantesco monstro da mitologia nórdica &#8211; e é considerada a mais transmissível já encontrada até agora.</p>



<p>Mas não há motivo para pânico: a OMS não considera que essa linhagem possa gerar uma doença mais grave, ainda que apresente um escape maior do sistema imune, seja por vacinação e/ou infecção prévia. “A Kraken tem se espalhado e aumentado o número de casos majoritariamente nos Estados Unidos. No Brasil, temos algumas detecções, em alguns estados. Em Pernambuco não detectamos a Kraken em dezembro e já estamos fazendo o sequenciamento de algumas amostras do início de janeiro e até agora não temos evidência de detecção dessa subvariante”, afirmou o pesquisador da Fiocruz-PE Gabriel Wallau, coordenador da Rede Genômica da Fiocruz em Pernambuco.</p>



<p>Em Pernambuco são duas as linhagens dominantes, de acordo com levantamento de dezembro &#8211; que não veio nos boletins, inexistentes. “São a BQ1 e BQ1.1, que são muito parecidas, e a DL1, que provavelmente surgiu em Pernambuco. Também é uma subvariante da Ômicron, que aumentou bastante de frequência no estado e se espalhou pelo Nordeste e também um pouco no Sudeste”, explica Wallau.</p>



<p>Para ele, é importante, sim, divulgar amplamente os dados sobre a covid-19, mas talvez não da forma que estava sendo feito até pouco tempo atrás. “Atualmente eu acredito que a covid-19 deveria entrar na comunicação corriqueira que já era feita para outros agravos. Como deveremos ter um período de endemicidade, com o Sars-cov2 infectando a população de tempos em tempos, entraria como mais um agravo. Mas todos os agravos devem ser amplamente divulgados: para que a população consiga se precaver e agir de acordo”, afirma.</p>



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		<title>O que esperar da covid-19 no futuro?</title>
		<link>https://marcozero.org/o-que-esperar-da-covid-19-no-futuro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Mar 2022 17:40:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[coranavírus]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Passado o tsunami da ômicron na Europa, os países daquele continente passaram a mudar a forma que tratam o Sars-Cov-2. Em Portugal, os boletins com dados da covid-19 passaram a ser semanais. No Reino Unido, há quase dois meses não é exigido mais máscaras nem passaporte vacinal contra a doença. Em abril, não serão mais [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Passado o <em>tsunami</em> da ômicron na Europa, os países daquele continente passaram a mudar a forma que tratam o Sars-Cov-2. Em Portugal, os boletins com dados da covid-19 passaram a ser semanais. No Reino Unido, há quase dois meses não é exigido mais máscaras nem passaporte vacinal contra a doença. Em abril, não serão mais oferecidos testes gratuitos para a população. Aqui no Brasil, vários estados flexibilizaram o uso de máscaras, alguns até retirando a obrigatoriedade em espaços fechados. </p>



<p>Mas será que é hora de baixar a guarda contra a covid-19? </p>



<p>No mês em que se completa dois anos de pandemia, a Marco Zero perguntou a diversos profissionais, de várias áreas, o que podemos esperar para o futuro da covid-19. Confira as respostas. </p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<h2 class="wp-block-heading">As expectativas para o futuro da covid-19</h2>



<p>&#8220;O direito de imaginar futuros é ato de resistência. Na minha opinião é precipitado falar em endemia, minimizar efeitos ainda devastadores da doença abolindo precocemente uso de máscaras, medidas de proteção individual e coletiva com finalidades diversas que não a defesa da vida. Não temos tempo suficiente nem padrão único da ocorrência da doença para prever o que vai acontecer, mas podemos mudar aqui e agora. Mudar compondo projetos democráticos, apostar nas políticas públicas e na solidariedade. Ao mesmo tempo apostar na vontade e desejo das pessoas na mudança, uma aposta subjetiva portanto. Um duplo movimento de resistência a tudo que violenta e degrada a vida, causa dor e sofrimento, ao mesmo tempo a resistência alegre, criativa e cheia de vida das periferias, das pessoas comuns na diversidade brasileira.&#8221;</p>



<p><strong><em>Bernadete Peres, médica sanitarista, professora do Centro de Ciências Médicas da UFPE</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;Mudar o status de pandemia para endemia nesse momento não é algo bom. O vírus não vai desaparecer porque a situação mudou de status e, na verdade, pode até passar uma ideia errada para a população. Por exemplo, o Brasil é um país endêmico para dengue e nós sabemos o problema que esse vírus nos causa todo ano. É importante lembrar que o Sars-CoV-2 é um vírus altamente transmissível e que não podemos baixar a guarda agora. Ainda temos muita coisa para aprender sobre esse vírus e sobre a doença que ele causa. O futuro ainda é incerto, afinal ainda estamos tentando entender a dinâmica sazonal do vírus e as melhores medidas sanitárias no combate à covid-19.&#8221;</p>



<p><em><strong>Lorena Chaves, virologista e pesquisadora da Universidade Emory Atlanta (EUA)</strong></em></p>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-solid-color"><blockquote><p>O vírus não vai desaparecer porque a situação mudou de status e, na verdade, pode até passar uma ideia errada para a população.</p><cite>Lorena Chaves, virologista</cite></blockquote></figure>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;Estamos em um período de transição entre hiper pandêmico e pandêmico. Pandemia é a presença de várias epidemias causadas pelo mesmo organismo em vários continentes. E continuamos com uma pandemia de Sars-CoV-2, o causador da covid19. No entanto, podemos dizer que a cepa original, lá de 2019 agora é endêmica, mas pode voltar a ser epidêmica novamente. No entanto a pandemia da cepa ômicron, e outras cepas, continuam independentemente do que cada um acha. Ou seja a pandemia do Sars-CoV-2 continua, são 1,5 milhão de pessoas infectadas por dia e causando mais de seis mil mortes diariamente, no mundo. Não percebo o surgimento de um canal endêmico normal e acho que vai levar tempo para que o vírus se adapte por completo e entre em equilíbrio com o estado imunológico da população.&#8221;</p>



<p><em><strong>Ernesto Marques, médico virologista e professor da Universidade de Pittsburgh (EUA)</strong></em></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;A covid-19 caminha para ser endêmica, no Brasil e no mundo, mas reforço que ainda é precoce afirmar que entramos nessa fase. Os estudos mais recentes e, sobretudo, os dados de queda proporcional de mortes diante do aumento de casos, são indícios claros da importância da vacinação. No entanto, as coberturas vacinais ainda estão longe de serem consideradas as ideais e, atualmente, em particular no que tange ao universo infantil. Este é um problema que necessitaria enfrentamento urgente e coordenado, o que, sabemos, não partirá dos gestores nacionais. Caberia então, aos estados e munícios ampliarem campanhas de vacinação das crianças, e esclarecimento aos familiares acerca da comprovada segurança das vacinas.  Acredito que, assim como fazemos anualmente em relação à influenza, teremos que adotar doses anuais de reforços, adequadas às cepas preponderantes. Mas para que esta medida alcance sucesso, temos que retomar o que sabíamos fazer tão bem: campanhas de vacinação, ampla divulgação, capilarização de postos de aplicação das doses, etc. Outro hábito que deveria ser incorporado é o uso de máscaras diante do surgimento de sintomas respiratórios. Mas, reforço: ainda não podemos decretar o fim da pandemia, embora este seja o desejo de todos nós.&#8221;</p>



<p><strong><em>Tereza Maciel Lyra, professora da Universidade de Pernambuco (UPE) e médica sanitarista na Fiocruz-PE</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;A vacinação no Brasil começou lentamente, mas depois foi expandindo e hoje temos quase ¾ da população completamente imunizada e mais de 80% que receberam pelo menos uma dose. O novo coronavírus tem se mostrado como um vírus imprevisível e dinâmico. Assim, muita coisa pode mudar de uma semana para outra. Entretanto, acredito que haverá uma redução contínua do número de novos casos e o vírus vai continuar circulando de forma endêmica. Creio que será importante realizar a revacinação da população pelo menos uma vez ao ano e que as vacinas necessitarão ser atualizadas para refletir a variante mais prevalente em circulação.&#8221;</p>



<p><strong><em>Lindomar Pena, virologista e pesquisador na Fiocruz-PE</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;O avanço da vacinação está diretamente associado à redução dos casos de agravamento e óbito por covid-19, em todo o mundo. Por mais mórbido que pareça, o número de óbitos tende a cair ainda mais não só pelo avanço da vacinação, mas também pelo número cada vez menor de pessoas intencionalmente não-vacinadas… visto que são hoje as principais vítimas do Sars-Cov-2. Indivíduos completamente vacinados tem 17 vezes menos chances de ir à UTI, e 20 vezes menos chances de ir à óbito, em comparação com os indivíduos parcialmente vacinados ou sem vacinação (4 de cada 5 brasileiros que vão à UTI e ao óbito, estão parcialmente ou não-vacinados). </p>



<p>Um aspecto importante a ser considerado é que variantes de preocupação como a delta e a ômicron, por exemplo, conseguem escapar parcialmente dos anticorpos induzidos pelas vacinas contra Sars-Cov-2. O significado disso, é que mesmo pessoas completamente vacinadas, inclusive com a terceira dose, ainda podem se infectar e transmitir o vírus. Essa constatação é ainda mais relevante para indivíduos com a saúde fragilizada, como os imunosuprimidos, que já devem tomar a quarta dose de reforço, e os idosos que, por serem também grupo de risco devem continuar, mantendo rigorosamente os seus cuidados de prevenção. Em síntese, infelizmente o Sars-Cov-2 veio para ficar, portanto, temos que aprender a conviver com ele da forma mais segura possível, em relação ao impacto na saúde de nossa população. Isso significa dizer que temos de manter a nossa imunidade, indo se vacinar sempre que chegar a sua vez, e evitar situações maiores de exposição. Não é hora de baixar a guarda, e só com a ajuda de todos (governo, empresas e cidadãos) que conseguiremos sair dessa situação de emergência sanitária.&#8221;</p>



<p><em><strong>Rafael Dhalia, cientista e pesquisador da Fiocruz-PE</strong></em></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;Como estamos vendo nos dados epidemiológicos de vários países, e também nos estudos clínicos das vacinas, as vacinas reduzem muito o nível de óbitos e agravamento (hospitalizações), em um nível coletivo (após alta cobertura vacinal). Também vemos uma redução na quantidade de pessoas sintomáticas (o que ajuda a reduzir transmissão), mas essa redução é bem menor. Tendo isso em vista, é importante saber que, para termos um status endêmico e seguro, precisamos &#8220;ajudar&#8221; as vacinas com outras medidas de redução da transmissão. Se deixarmos o status endêmico da covid ser nesse nível, teremos um excesso de óbitos em vulneráveis muito maior do que tínhamos até então. É importante estabelecer essa diferença entre endêmico e seguro! Hoje, o futuro que se desenha, infelizmente, é esse de um alto nível de casos e, por consequência disso, um número absoluto de mortes muito além do esperado.&#8221;</p>



<p><strong><em>Isaac Schrarstzhaupt, coordenador da Rede Análise Covid-19</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;Acho ainda muito temeroso tratar como uma endemia uma vez que tem várias coisas ainda incertas quanto ao Sars-Cov-2. Uma das coisas que se pensou lá no início é que o vírus realmente ia se tornar endêmico e ia ter um padrão sazonal como influenza. Mas até agora não temos visto esse padrão sazonal. Na verdade, isso representa mais o surgimento de novas linhagens e essas novas linhagens que têm uma característica diferente de escape imune ou de de maior transmissibilidade. E esse surgimento de linhagem está diretamente relacionado a uma transmissão muito alta, então quanto mais pessoas infectadas maior a chance do surgimento dessas linhagens.  Que podem acarretar uma nova onda de infecção, fugindo assim do padrão sazonal dos outros vírus respiratórios. Realmente ainda não entendemos a dinâmica do Sars-COv-2 a ponto de conseguir tratá-lo como os outros vírus respiratórios onde existem padrões muito claros. O Sars-Cov-2 ainda está nos pregando peças com o surgimento de novas linhagens. São aparecimentos imprevisíveis e o máximo que nós conseguimos fazer é detectá-las rapidamente e tentar tomar decisões baseada em fatos. Precisamos ainda ter cautela e manter determinadas medidas restritivas, como o uso da máscara, distanciamento para diminuir a transmissão, porque realmente com a transmissão alta sempre vamos ter uma maior probabilidade de do surgimento de novas linhagens com capacidade de causar ondas de infecção e novamente sobrecarregar o sistema de saúde.&#8221;</p>



<p><em><strong>Gabriel Wallau, biólogo e pesquisador da Fiocruz-PE</strong></em></p>



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<p>&#8220;É um processo natural da pandemia se tornar endemia, uma coisa que vai acontecer. Questão é querer fazer isso de forma forçada. Não é bem assim. Vai chegar o momento em que nós vamos passar dias sem ter mortes ou uma transmissibilidade muito baixa e, naturalmente, isso vai acontecer e vai ser definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), uma coisa importante também pra levar em consideração. A OMS vai avaliar os parâmetros no mundo para definir se acabou ou não a pandemia. Claro que os os países não são obrigados a aceitar, mas no geral aceitam.  Quando a gente vive uma endemia, não é essa situação de gerar um caos no sistema de saúde, além dos prejuízos principalmente humanos, de vidas, e também financeiro onde tudo é afetado. Uma endemia não chega a esse ponto, mas é uma forma também de mantermos a vigilância pra que não fique essa gangorra, esse vai e vem. Essa é uma vigilância contínua, vai chegar o momento que vai se tornar endemia, mas esse não é o momento. Temos muitas mortes diariamente, ainda temos o vírus circulando consideravelmente, a gente ainda precisa ter a vacinação de reforço, que hoje está na casa dos 30%. Ainda precisamos avançar na vacinação da segunda dose de crianças e adolescentes, ainda precisamos da vacinação de crianças de zero a quatro anos, que é o grupo de maior risco e de fatalidade entre crianças e adolescente. Não é simplesmente falar, &#8220;olha, acabou, agora é endemia&#8221;. Os números precisam mostrar isso, os casos precisam mostrar isso.&#8221;</p>



<p><strong><em>Gustavo Cabral, imunologista e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP)</em></strong></p>



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<figure class="wp-block-pullquote is-style-solid-color"><blockquote><p>Muitos políticos querem que a covid seja uma doença endêmica por questões meramente econômicas,</p><cite>Gauss Cordeiro, estatístico</cite></blockquote></figure>



<p>&#8220;Muitos políticos querem que a covid seja uma doença endêmica por questões meramente econômicas, tentando assim que a população possa ter uma vida normal. Por exemplo, o número total diário nesta semana de novos infectados na Europa supera 500 mil e os novos óbitos diários oscilam em torno de mil infectados. No Brasil, a média móvel de 7 dias de novos infectados supera atualmente 45 mil casos,mesmo sendo subestimada (não contempla os autotestes). E devemos saber que a eficácia da última dose daqueles que se vacinaram está sendo reduzida com o tempo. Entendo que seja um grande risco considerar a covid como uma doença endêmica, por conta de novas variantes atuais e futuras. Tenho convicção que o vírus persistirá evoluindo em certos lugares e medidas não farmacológicas mais efetivas deverão ser consideradas.&#8221;</p>



<p><strong><em>Gauss Cordeiro, estatístico e professor da UFPE</em></strong></p>



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<p>&#8220;Em relação a tratar com uma uma endemia eu acho precoce, ainda não é hora disso. Para caracterizar como endemia precisamos ter um um patamar de estabilidade, ter minimamente uma previsão sobre os próximos passos, ter valores &#8220;aceitáveis&#8221;, bem entre aspas, de mortos e de casos. E ainda estamos longe disso. Me parece que querer chamar de endemia é forçar o fim de uma pandemia que não acabou. A gente está tentando mudar os conceitos que já existiam antes da covid-19 para tentar adequar para dizer &#8216;pronto, agora voltou à normalidade&#8217;. É uma negação da realidade. Está melhorando, tem vacina, tem medicamento. Estamos caminhando para sair e pra virar uma endemia sim, mas eu ainda acho cedo dizer que, a partir de agora, é uma endemia. É um discurso conveniente no ano eleitoral, o que precisa ser levado em consideração. E o que esperar para o futuro da covid-19? Eu acredito que a covid-19 vai fazer parte das nossas infecções virais anuais. Assim como o vírus da influenza faz desde o surto lá de 1918. Acredito que o caminho que a covid vai tomar é parecido. Vai se transformar numa gripe e espero que caia a letalidade. Hoje a covid-19 mata duas, três vezes mais que a gripe, mesmo em locais onde a população está mais imunizada que no Brasil, então eu acho que a gente vai caminhar pra algo nesse cenário. Vamos entrar no equilíbrio com a existência do vírus na nossa sociedade. E resta saber se vamos ter picos de infecções anuais, assim como acontece com a influenza e, de tempos em tempos, vai ter um surto pior com uma uma variante mais letal, uma variante que escape minimamente das vacinas que existem. É difícil a gente fazer esses exercícios de futurologia, porque  estamos tentando prever um comportamento da natureza,de um evento completamente incerto.&#8221;</p>



<p><em><strong>Bruno Issao Matos Ishigami, médico infectologista</strong> <strong>do Hospital Universitário Oswaldo Cruz</strong></em><strong><em> (UPE)</em></strong></p>



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<p>&#8220;A imunidade coletiva, com as n-variantes em circulação, parece mesmo impossível de ser alcançada como publicado <a href="https://www.nature.com/articles/d41586-021-00728-2">há exatamente 1 ano</a> [mais precisamente, em 18 de mar de 2021]. Assim, seguimos avançando, mais ainda figuramos como um dos países que menos vacinou no mundo, considerando terceira dose e tamanho da população. O mais grave disso, e aqui no Brasil também, parece ter sido mesmo a ausência de comunicação sobre <a href="https://www.irrd.org/covid-19/ricci/, https://irrd.tech/interactive-risk-diagrams/">Risco Pandêmico</a> e a forma errônea de comunicar à população como as vacinas emergenciais funcionariam. Por isso, parece que estamos perdendo a efetividade das vacinas muito rapidamente,<a href="https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2119451" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> mesmo as doses de reforço</a>. Basta compararmos os dados de alguns dos países que hoje mais imunizaram suas populações, com suas respectivas taxas de ocupação de leitos. Assim, para o futuro, observando o risco mundial, que vinha em boa trajetória em direção à zona verde (baixo risco), mantém uma piora desde 2 de março de 2022, reapontando o risco [bolinha branca, ultimo dia medido] para zona vermelha (risco alto). sugere piora na pandemia, na infecção mundial, não endemia, não ainda.&#8221;</p>



<p class="has-text-align-center"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://lh6.googleusercontent.com/6JxbNSGXPsLNWvvtVMeFZPAi9t_pRmFrII27PfvNI02pP0rjrS-jFmpOezrUEq0isuztS-Hgv302DcK3wnrMbRg-aZ6VFfWeEB4ql6I-jroOSm-s0XxycF2iRKQJlQ0t95MUz47J" width="602" height="444"></p>



<p><strong><em>Jones Albuquerque, cientista do IRRD e do Laboratório de Imunopatologia Keizo Asami &#8211; UFPE e professor da UFRPE</em></strong></p>



<p>Também perguntamos aos especialistas quais teriam sido as principais lições aprendidas ao longo desses dois anos de pandemia. As respostas estão no link abaixo:</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/o-que-aprendemos-em-dois-anos-de-pandemia-de-covid-19/" class="titulo">O que aprendemos em dois anos de pandemia de covid-19?</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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		<title>Como se prevenir da covid nas manifestações de rua contra Bolsonaro</title>
		<link>https://marcozero.org/como-se-prevenir-da-covid-nas-manifestacoes-de-rua-contra-bolsonaro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 May 2021 15:49:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[covid19]]></category>
		<category><![CDATA[forabolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[manifestacao]]></category>
		<category><![CDATA[manifestação Recife]]></category>
		<category><![CDATA[protesto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É com sentimentos conflitantes que os brasileiros que são contra o governo Bolsonaro se deparam com os protestos marcados para este sábado. Movimentos estudantis, sindicais e sociais estão puxando manifestações Fora Bolsonaro em 139 cidades neste 29 de maio. Em Pernambuco, haverá protestos no Recife (concentração no Derby, às 9h), em Caruaru (Centro, às 9h) [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>É com sentimentos conflitantes que os brasileiros que são contra o governo Bolsonaro se deparam com os protestos marcados para este sábado. Movimentos estudantis, sindicais e sociais estão puxando manifestações Fora Bolsonaro em 139 cidades neste 29 de maio. Em Pernambuco, haverá protestos no Recife (concentração no Derby, às 9h), em Caruaru (Centro, às 9h) e em Garanhuns (Centro, às 9h).</p>



<p>Se não há dúvidas de que o Governo Federal é o principal responsável pelo descontrole da pandemia que o Brasil vive &#8211; já são quase 30 dias com média de mortes por covid acima de mil -, bem se sabe que aglomerações são terreno fértil para a propagação do vírus. Ainda mais neste momento. Pernambuco vive o pior cenário desde o início da pandemia: nesta semana, chegou a 60 mil casos ativos no estado. Ou seja, um a cada 160 pernambucanos está infectado.</p>



<p>Mas é a sensação de que não há mais nada a fazer que volta a colocar as ruas como palco de protestos. &#8220;A situação sanitária e política do Brasil é gravíssima e há um descontrole intencional. O ato é fundamental para mostrarmos que não suportamos mais esse sofrimento e mortes evitáveis, esse genocídio nacional&#8221;, diz a médica sanitarista e vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Bernadete Perez. &#8220;O risco do nosso silêncio tem sido muito grande. Quem puder ir com segurança, principalmente quem já está vacinado, vá&#8221;, chama a médica, que também faz parte da Rede Solidária em Defesa da Vida.</p>



<p>&#8220;Qualquer que seja a aglomeração enquanto o vírus da covid-19 circula é problemático e pode gerar mais contaminação. É importante que, se as pessoas vão fazer manifestação, que sigam as orientações e protocolos, que usem máscaras. O ideal era que não houvesse aglomerações, que houvesse medidas restritivas. O vírus não deixou de circular&#8221;, alerta a infectologista Sylvia Lemos Hinrichsen, professora do Departamento de Doenças Infecciosas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).</p>



<p>&#8220;É uma situação delicada, estamos no meio de várias narrativas. Mas também não dá para ficar só na internet ou batendo panela&#8221;, diz o físico Vitor Mori, pesquisador da Universidade de Vermont e membro do Observatório Covid-19 BR.</p>



<p>Há mais de um ano dando recomendações sobre a prevenção do coronavírus em entrevistas e <a href="https://twitter.com/vitormori" target="_blank" rel="noreferrer noopener">posts no Twitter</a>, Mori lembra que não há risco zero de contaminação, ainda mais quando estamos falando de uma manifestação com milhares de pessoas. Mas o pesquisador coloca uma série de pontos que podem diminuir esses riscos.</p>



<p>Antes de tudo, é necessário reforçar como se dá a transmissão do novo coronavírus. &#8220;É essencialmente por aerossóis, que são partículas inaladas. É muito mais frequente se infectar por aerossóis do que por gotículas, por exemplo, que são partículas mais pesadas, que caem no chão rapidamente&#8221;, explica. Isso é importante para frisar a principal forma de se prevenir do vírus: uso de máscaras e ambientes abertos, bem ventilados. &#8220;Ao ar livre, essas partículas se diluem. É como uma pessoa fumando em um ambiente fechado e uma pessoa fumando na rua. A fumaça se dilui no ar&#8221;, compara Mori.</p>



<p>O pesquisador lembra que estudos de rastreamento de pessoas infectadas com o Sars-Cov-2 mostraram que menos de 1% contraiu o vírus em atividades ao ar livre. &#8220;Mas isso não significa que as chances de pegar covid ao ar livre seja de 1%&#8221;, alerta. &#8220;Isso é de uma pesquisa que olhou para trás e viu que cerca de 1% se infectou ao ar livre. Quanto à estimativa de risco, é muito difícil de prever, pois depende de muitos contextos&#8221;, diz.</p>



<p>O médico infectologista no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (UPE) e professor no curso de medicina da UFPE em Caruaru, Diego Guedes, atenta para o fato de que boa parte da população já está nas ruas. &#8220;Estamos há meses com UTIs lotadas, filas para leitos, com a pandemia descontrolada. E nada é feito para que haja uma restrição mais efetiva, que o auxilio emergencial seja ampliado e que as pessoas fiquem em casa. Há algumas medidas restritivas agora, mas a população está na rua, no trabalho, o auxílio diminuiu. Na prática, tudo parece estar funcionando&#8221;, reclama. &#8220;O risco de se estar em ônibus ou metrô lotados, com janelas fechadas, é maior do que estar em uma praça, em ambiente aberto&#8221;, diz.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Atenção aos pontos críticos</h2>



<p>Ficar ao ar livre, portanto, é relativamente seguro. Como os protestos deste sábado serão nas ruas, a preocupação dos manifestantes deve ser redobrada nos trajetos. &#8220;As pessoas não se teletransportam até o protesto. O que eu considero de maior risco é o antes e o depois da manifestação. O caminho de ir até até o local, se vai antes na casa de alguém, se vai dividir o carro, se vai usar o transporte público. Muitas vezes as pessoas vão em grupo ou na volta decidem ir para outo lugar, para a casa de alguém. É com muita gente em locais fechados que está o maior risco. Seria importante que os organizadores dos atos reforçassem a necessidade de alerta sobre o transporte, que são especialmente perigosos&#8221;, explica Vítor Mori.</p>



<p>Para se prevenir, é preciso redobrar os cuidados. Máscaras de boa qualidade, de preferência as PFF2/N95, devem ser usadas. A alternativa é usar uma máscara cirúrgica por baixo e uma de tecido, bem ajustada, por cima. &#8220;E não se deve tirar a máscara em momento algum. Evitar também falar alto, gritar, porque quanto mais alto você fala, mais partículas joga no ar&#8221;, detalha o físico, direto da Universidade de Vermont.</p>



<p>Mas quem já esteve em qualquer ato sabe que é impensável uma manifestação sem gritos. &#8220;O uso de megafone é indicado. É melhor falar normal usando um megafone do que gritar&#8221;, indica Mori. Sempre, claro, de máscara. É recomendado levar sua própria água de casa, para evitar entrar em bares ou lojas no trajeto. Quando for tomar água, se afastar dos demais manifestantes e beber ao ar livre. &#8220;Melhor ainda usar um garrafa com canudo e só levantar a máscara&#8221;, indica Mori.</p>



<p>Outra dica é não perder o foco. Provavelmente você vai encontrar amigos, amigas e conhecidos que não via há tempos. Nada de beijos, abraços ou tirar a máscara. &#8220;Estando com amigos é mais comum baixar a guarda&#8221;, alerta Mori. Neste mesma linha, Bernadete Perez alerta sobre o consumo de álcool. &#8220;As pessoas bebem e ficam mais relaxadas. Tem o fato também de que para beber vai precisar tirar a máscara, então é melhor evitar&#8221;, diz.</p>



<p>O infectologista Diego Guede avisa ainda que o distanciamento entre as pessoas deve ser seguido. &#8220;Reforçar também que quem está com algum sintoma compatível com covid-19 não vá, fique isolado em casa&#8221;, diz. &#8220;Se você é grupo de risco, também é melhor não ir. Mesmo quem tomou a primeira dose, mas não está com a vacinação completa, é melhor evitar&#8221;, recomenda.</p>



<p>Um receio tanto dos especialistas quanto da Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares, <a href="https://medicospopulares.org/como-participar-dos-atos-de-rua-com-protecao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">que criou um guia de prevenção</a>, é de que as manifestações neste sábado sejam usadas como bode expiatório para o já esperado novo pico da pandemia. O último <a href="https://agencia.fiocruz.br/observatorio-covid-19-alerta-para-intensificacao-da-pandemia" target="_blank" rel="noreferrer noopener">boletim do Observatório Covid-19 da Fiocruz</a>, por exemplo, alerta para o recrudescimento da de casos nas próximas semanas. Oito estados, incluindo Pernambuco, e o Distrito Federal estão hoje com taxas de ocupação de leitos iguais ou superiores a 90%. O que está péssimo tende a ficar ainda pior. &#8220;Analisando manifestações passadas, vemos que não foram responsáveis pelo aumento de casos no Brasil. É algo que pode acontecer independentemente da realização desses protestos&#8221;, acredita Mori.</p>



<p>Para quem não sente segurança de que os protocolos serão realmente seguidos ou acha que ainda não é o momento para manifestações de rua, pode participar dos protestos pelas redes sociais. Os organizadores estão divulgando as hashtags #forabolsonaro e #29m. Abaixo, as recomendações da Rede de Médicos Populares, que faz parte da organização dos protestos.</p>





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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>Seja mais que um leitor da Marco Zero</em></p><cite><em>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.</em><br><br><em>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.</em><br><br><em>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.</em><br><br><em>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.</em><br><br><em>É hora de assinar a Marco Zero</em><a target="_blank" href="https://marcozero.org/assine/" rel="noreferrer noopener">https://marcozero.org/assine/</a></cite></blockquote>



<p></p>
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		<title>Poucas propostas sobre saúde da mulher na eleição do Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/poucas-propostas-sobre-saude-da-mulher-na-eleicao-do-recife/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Nov 2020 13:02:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[adalgisas]]></category>
		<category><![CDATA[covid19]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma coisa é certa: o próximo prefeito ou prefeita do Recife vai ser o responsável por gerir uma grande crise na saúde. Além dos problemas causados pela pandemia da Covid-19, há consultas, cirurgias e exames que foram adiados e as consequências disso. A saúde da mulher nesse cenário foi o tema do programa Fora da [&#8230;]</p>
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<p>Uma coisa é certa: o próximo prefeito ou prefeita do Recife vai ser o responsável por gerir uma grande crise na saúde. Além dos problemas causados pela pandemia da Covid-19, há consultas, cirurgias e exames que foram adiados e as consequências disso. A saúde da mulher nesse cenário foi o tema do programa<strong> Fora da Curva</strong>, das rádios Universitária FM e Paulo Freire AM, em parceria com o projeto Adalgisas, SOS Corpo Instituto Feminista para a Democracia e Centro das Mulheres do Cabo.<br><br>&#8220;Temos que parar de reduzir a saúde da mulher à apenas útero, ovários e mama&#8221;, comentou a presidente do Sindicato dos Enfermeiros Ludmilla Outes, uma das convidadas do programa. Também participaram a professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e médica psiquiátrica Ana Carolina Pieretti e a enfermeira e arte terapeuta Paula Viana, do grupo Curumim.<br><br>Nos planos de governo dos quatro candidatos e candidatas mais bem posicionados nas pesquisas de intenção de voto no Recife, a questão da saúde da mulher, quando abordada, não foge do estereótipo criticado por Ludmilla. O de João Campos, do PSB, não cita a saúde da mulher ou ações específicas.<br><br>As propostas para a saúde do plano do candidato estão concentradas em um único parágrafo, em que elogia a atual gestão e promete dar mais cobertura à atenção básica, aumentar as equipes da saúde da família e desenvolver um portal de serviços e orientações voltado para saúde.</p>



<p>Marília Arraes, do PT, critica a tual gestão afirmando que &#8220;é visível em nosso município os descuidos com a saúde, especialmente a atenção básica&#8221;. É um plano de governo que faz mais uma análise da conjuntura, defendendo o SUS e afirmando que haverá mais desafios na área da saúde por conta das consequências da Covid-19. Não há citação de ações voltada para a saúde das mulheres.<br><br>A saúde aparece quase nada no plano de governo da candidata delegada Patrícia, do Podemos. É um plano que foca mais em desenvolvimento econômico, gestão e turismo. Não há menção a propostas, projetos ou ideias para a área de saúde. Diz apenas que há um &#8220;lapso&#8221; nos serviços públicos ofertados pelo munícipio, e aí incluí a saúde, ao lado de outros serviços. Nas sete páginas do plano, a palavra &#8220;mulher&#8221; aparece uma única vez, na listagem das secretarias: Secretaria de Políticas para a Mulher.<br><br>Já Mendonça Filho (DEM) tem o mais longo plano, com 50 páginas. Para a saúde, o plano fala que o SUS tem muita burocracia, longas filas e demora. E que o papel do município é a prevenção. A proposta de governo é bastante detalhada, com algumas ações voltadas exclusivamente para a saúde das mulheres, como &#8220;proporcionar às mulheres em situação de violência um atendimento humanizado na rede de saúde municipal&#8221; e os exames preventivos.<br><br>Confira abaixo a conversa do Fora da Curva/Projeto Adalgisas sobre a saúde das mulheres:</p>



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<div class="ratio ratio-16x9"><iframe title="Saúde pública: por que é uma pauta prioritária para as mulheres?" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/Y72uBBy_UgQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
</div></figure>



<p><br><br></p>
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		<title>Episódio #16: Quem Bolsonaro quer culpar pelas 100 mil mortes?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Aug 2020 17:20:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[100 mil mortes]]></category>
		<category><![CDATA[covid19]]></category>
		<category><![CDATA[futebol]]></category>
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<iframe title="Spotify Embed: Quem Bolsonaro quer culpar pelas 100 mil mortes?" style="border-radius: 12px" width="100%" height="152" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/episode/0ZvLdK80qGySSNgmI5b8GB?si=GOGMknbtTBmJiKxNaIkyEw&#038;utm_source=oembed"></iframe>
</div><figcaption>O Brasil ultrapassou as cem mil mortes e a narrativa que Bolsonaro e sua máquina de desinformação querem emplacar é a de que os culpados são prefeitos e governadores, ex-ministros da saúde, e o STF. Esta estratégia é mentirosa e criminosa e usa meios oficiais de comunicação do governo, além da ações do gabinete do ódio. Ainda nesta edição, Carol Monteiro, Inácio França e Laércio Portela comentam também a volta apressada dos jogos de futebol e os riscos para atletas, profissionais, dirigentes e outras pessoas em contato com as equipes. Este episódio tem comentários do professor da USP Renato Vicente.</figcaption></figure>
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		<title>Recuperados da Covid-19 contam histórias de dor e superação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inês Campelo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 May 2020 12:40:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[covid19]]></category>
		<category><![CDATA[recuperados]]></category>
		<category><![CDATA[saúde mental]]></category>
		<category><![CDATA[saúde pública]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nesta semana completa dois meses que os pernambucanos vivem assombrados pelo pior pesadelo da Covid-19. No dia 25 de março, o estado registrou a primeira morte e, até hoje, mais de duas mil pessoas perderam suas vidas. No mesmo período, outras 6.694 pessoas tiveram a doença e são consideradas recuperadas, segundo dados da Secretaria Estadual [&#8230;]</p>
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<p>Nesta semana completa dois meses que os pernambucanos vivem assombrados pelo pior pesadelo da Covid-19. No dia 25 de março, o estado registrou a primeira morte e, até hoje, mais de duas mil pessoas perderam suas vidas. No mesmo período, outras 6.694 pessoas tiveram a doença e são consideradas recuperadas, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde. Os números positivos, no entanto, devem ser muito maiores uma vez que as estatísticas oficiais só registram a cura dos pacientes atendidos e testados em hospitais.</p>



<p>
A
dor da perda dos familiares e amigos dos que não resistiram é
imensa, mas a mesma intensidade tem a felicidade dos que se
recuperaram, alguns com memórias de sintomas leves e quase
imperceptíveis, outros com lembranças mais dolorosas dos incômodos
provocados pela Covid-19, mas todos com a certeza de que venceram a
maior batalha das suas vidas.</p>



<p>A Marco Zero conversou com quatro desses recuperados e ouviu relatos de medo, solidão e sofrimento físico, mas também de resiliência, fé e esperança. Hoje, estão em processo de recuperação e retomando suas atividades, mas são unânimes em pedir àqueles que podem: fiquem em casa.</p>



</br>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Senti medo de contaminar minha família, senti medo de morrer</strong></h2>



</br>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Crédito: Max Levay/Divulgação</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Foi durante uma live no dia 17 de abril que o músico Geraldinho Lins, 45 anos, desconfiou que estava contaminado. “Senti muita moleza e coriza durante o show que estava fazendo em casa. Quando terminei, já falei com um amigo médico que suspeitou ser Covid-19. Fiquei observando a evolução e, quando a febre começou, iniciei o tratamento com Azitromicina, orientado por ele”, explica.</p>



<p>O quadro clínico do cantor evoluiu para tosse, perda de paladar e olfato e muitas náuseas. “Fiquei acamado por quase 20 dias. A pessoa fica só a ´capa´, a sensação é que dentro não tem nada. Não sentia cheiro nem sabor, muitas dores. Se tocasse a música Cinco Sentidos, de Alceu Valença, eu seria menos três, porque até os olhos eram difíceis de abrir”, brinca.</p>



<p>A esposa e a filha de Geraldinho também tiveram a doença, numa forma mais leve. Para ele, a doença não é só física e provoca também sintomas psicológicos na forma de sentimentos assustadores. “Senti medo de contaminar minha família, senti medo de morrer. Desliguei o celular e não assisti mais noticiários. Fiz um esforço para pensar em coisas boas, rezei bastante e, nos dias que me sentia melhor, até conseguia ouvir uma música ou assistir a um filme para tentar não ficar tão baixo astral”, comenta.</p>



<p>Geraldinho não apresentou comprometimento pulmonar nem precisou de medicação após o período viral, mas perdeu amigos e se preocupa com o futuro. “Tenho medo, sim, de me contaminar novamente, não existem provas ainda que a pessoa que já teve a doença está imune. Continuamos com todos os cuidados como se ninguém tivesse tido aqui em casa”, explica.</p>



<p>Na volta à “vida normal”, o artista – um dos mais conhecidos nomes do forró pernambucano – tem retomado a agenda de shows através das redes sociais, mas expressa preocupação com o futuro da sua atividade profissional e, principalmente, com o sustento das 15 pessoas – entre músicos e técnicos – que o acompanham. “Sei que meu setor (shows e entretenimento) será um dos últimos a retomar as atividades mas tenho quebrado a cabeça diariamente para encontrar uma forma de manter o pagamento das pessoas”, garante. “O que mais dói é saber que tive e me recuperei, mas ver a tristeza que as pessoas estão passando nos hospitais e as que estão perdendo familiares e amigos, eu mesmo perdi um grande amigo. A gente está meio sem saída. É muito triste ver a falta de estrutura no Brasil, que não tem condições de acolher as pessoas por causa de um sistema de saúde falido”, comenta.  </p>



</br>



<h2 class="wp-block-heading"> <strong>Não parecia uma gripe e nunca tinha sentido nada parecido</strong></h2>



</br>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Aline Moura, jornalista. Crédito: Arquivo Pessoal</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A tosse foi o primeiro sintoma a aparecer na jornalista Aline Moura, 45 anos. Por ser alérgica e fumante não valorizou o que estava sentindo. Vieram então, febre e moleza, que após responder as perguntas de um aplicativo de classificação de risco para pacientes com Covid-19 a levaram a procurar um médico.</p>



<p>“Tenho plano de saúde e procurei o hospital credenciado. Emergência cheia, aguardei 4 horas, com muita tosse, dor para respirar e febre. Recebi antitérmico e uma bombinha para aliviar os pulmões. Não fiz exame de sangue nem teste para Covid. O Raio X de pulmão não mostrava alteração e não ouvi nenhuma menção da médica sobre suspeita de Covid. Saí do hospital com um atestado médico de gripe e orientação para ficar reclusa em casa”, conta. Na receita médica, Azitromicina e Duovente N, um antibiótico utilizado para o tratamento da Covid-19 e um remédio usado para asma e bronquite.</p>



<p>Morando
em um apartamento pequeno dividido com o companheiro, Antonio Viola,
e a sogra de 73 anos, Sebastiana de Vasconcelos, que se recuperava de
um AVC (Acidente Vascular Cerebral), permaneceu isolada por
orientação médica.</p>



<p>Da
porta do quarto, de onde enfrentava falta de ar, dores, febre e
tosse, e com diagnóstico de gripe, no
dia 25 de abril, quatro dias após ter estado na emergência, Aline
assistiu dona Sebastiana ter uma forte falta de ar e ser socorrida.
Horas depois, Viola retornou para casa sozinho. Sebastiana não
resistiu ao que no hospital chamaram de Síndrome Respiratória Aguda
Grave. Essa foi a última vez que viu a sogra. Até a data da
entrevista o resultado do exame de Sebastiana não havia saído.</p>



<p>Convencida de que era Covid, a jornalista resolveu pagar pelo exame RT-PCR (do inglês <em>reverse-transcriptase polymerase chain reaction</em>). “Fiz porque não parecia uma gripe e nunca tinha sentido nada parecido, eu tossia sem parar, não tinha trégua”. Quatro dias úteis após pagar R$ 400,00 saiu o resultado positivo.</p>



<p>Muito mais que os sintomas físicos, os traumas vividos levaram Aline a procurar ajuda psiquiátrica. “Ainda tenho muito medo de ter sequelas e me contaminar porque não sei se podemos pegar novamente. Choro quando lembro de tudo que passei. Continuamos mantendo todos os cuidados de higiene quando saímos de casa e voltamos porque posso não ser transmissora, mas posso transportar o vírus pelas roupas e objetos”, explica.</p>



<p>Pouco mais de um mês depois, a tosse e a dificuldade para respirar ainda preocupam. “Essa semana fui ao pneumologista, que passou novos remédios e uma tomografia dos pulmões. Por isso é tão importante que as pessoas fiquem em casa, precisamos diminuir a velocidade de contaminação para que menos pessoas sofram e morram dessa doença”, finaliza.</p>



</br>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Atendida na sala vermelha e encaminhada para UTI</strong></h2>



</br>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Maria José em casa se recuperando. Crédito: Sônia Nascimento</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Maria José Nascimento tem 87 anos e também enfrentou a Covid-19. Mantendo distanciamento social desde março, a moradora de Sirinhaém, litoral sul do estado, começou com uma fraqueza e falta de apetite. Levada ao médico em sua cidade, não houve desconfiança sobre Covid. Com o quadro complicando os filhos resolveram trazê-la para o Recife. “Ela reclamava de muita dor de cabeça e cansaço, estava com tosse e repetia que sentia uma coisa ruim, uma coisa seca por dentro”, conta a filha Sônia.</p>



<p>Com o agravo dos sintomas Sônia ligou para o SAMU na tentativa de levá-la a um hospital, mas a resposta foi negativa. Por orientação conseguida por atendimento através de um aplicativo, a família recorreu à UPA de Barra de Jangada. “Ela foi atendida rapidamente e levada para a sala vermelha, onde ficam os casos mais graves. A saturação já estava em 80 e pelo resultado do Raio X dos pulmões já iniciaram o tratamento com antibióticos. No dia seguinte, fui avisada que ela seria transferida para uma UTI, foi quando a ficha caiu”, lembra Sônia.</p>



<p>Dois dias após dar entrada na UPA, Maria José foi transferida para o Hospital Boa Viagem. Encaminhada direto para a UTI, ela não receberia visitas. O teste para Covid foi feito e a família foi orientada a ficar no isolamento e aguardar notícias pelo celular.</p>



<p>“Foi
das piores sensações que senti. Ficava pensando se ela ia achar que
nós tínhamos abandonado ela dentro de um hospital. Era só isso que
passava na minha cabeça. A cada vez que o telefone tocava era um
susto”, conta a filha. Mesmo com tantas angustias, as notícias que
iam chegando diariamente eram animadoras. A internação durou 10
dias, sendo oito em UTI, mas ela não precisou ser sedada e entubada.

</p>



<p>Nos dias em que ficou hospitalizada, Maria José assistiu muita coisa. “Tinha horas que começava um barulho, os médicos passavam correndo, ia tudo para cima de um doente. Depois, quando eu olhava, ele estava todo coberto pelo lençol. Levavam embora aquela pessoa que tinha morrido e depois chegava outra para o lugar. Mesmo assim não senti medo, sou evangélica e conheci uma irmã na UTI e a gente evangelizava e cantava para todos”, conta.</p>



<p>A relação família-hospital, segundo Sônia relata, foi a melhor possível. “O tratamento foi excelente, não poderia ter sido melhor mesmo sendo pelo SUS. Os médicos, sempre que possível, eram disponíveis e claros nas respostas das minhas perguntas. A única coisa que acho que poderia ter sido melhor orientado são os procedimentos pós alta. Como não temos contato com o médico, recebemos o prontuário do paciente e a receita para medicação posterior, mas sem orientações sobre período de uso. Vou precisar levá-la novamente à UPA para saber o que fazer agora”, explica Sônia.</p>



<p>Perguntada sobre o que gostaria de fazer depois de curada, dona Maria José responde que quer mesmo é voltar para a casinha dela no interior e seguir a vida.</p>



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<iframe loading="lazy" title="Maria José Nascimento" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/BA-bylu6Z_o?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption>Maria José cantando hino evangélico na UTI do Hospital Boa Viagem<br><br></figcaption></figure>



</br>



<h2 class="wp-block-heading">É algo surreal. Parece um filme</h2>



</br>



<p>As histórias de Geraldinho, Aline e Maria José &#8211; apesar do desfecho vitorioso &#8211; foram difíceis e deixaram más recordações nos ex-pacientes e em seus familiares, mas nenhuma batalha foi tão dura quanto a do comentarista esportivo Maciel Júnior, 52 anos, que há 33 dias trava uma guerra para se recuperar da doença. “Nunca fui sedentário e não tenho comorbidades, mesmo assim tive a doença na sua forma grave. Passei 24 dias no hospital, sendo 20 na UTI”, lembra.<br> <br>Maciel acredita ter se contaminado numa ida ao supermercado, mesmo mantendo os cuidados orientados pelas autoridades em saúde. &#8220;Me senti febril e tive também uma alta de pressão. Fui à emergência, recebi medicação para a pressão e receita de um anti-térmico e fui mandado de volta para casa. Poucos dias depois, senti falta de ar durante o banho, pedi ajuda ao meu filho e fui para o hospital. Neste dia, já fiquei internado”, conta.</p>



<p>Com o quadro clínico agravado, precisou ser entubado. Foram 11 dias em coma induzido, necessário para manter o paciente com a ventilação mecânica. “Minhas memórias desses dias em coma são como as de um sonho&#8221;,  conta. Em casa há nove dias, Maciel hoje está cercado do carinho dos familiares e dos vizinhos que prepararam uma grande recepção para sua volta para casa como mostra um vídeo emocionante que tem circulado nas redes sociais.<br> <br>As sequelas da doença até agora foram a perda de 16 quilos e muita massa muscular, além do comprometimento de cerca de 25% da capacidade pulmonar. Da rotina pós alta hospitalar permanecem os cuidados de higiene, a fisioterapia respiratória e física, a alimentação cuidadosa, a medicação e o dever de comunicar e orientar as pessoas para a gravidade da doença. <br> <br>“É uma doença que a gente só sabe o nome, não sabe o tratamento. O remédio que serve para mim pode não servir para outra pessoa. Então é fundamental que as pessoas fiquem em casa e não adoeçam ao mesmo tempo para não superlotar o sistema de saúde”, explica.</p>



<p> No vídeo abaixo, uma entrevista feita por videoconferência, onde Maciel fala sobre os traumas, solidariedade e cuidados. <br>  </p>



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<iframe loading="lazy" title="Entrevista  com Maciel Júnior" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/8NYOXjJxj7g?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p></p>



<p></p>



<p style="color:#ffffff" class="has-text-color">&lt;/br</p>



<p style="color:#ffffff" class="has-text-color"> br &gt;</p>



<p></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Entrevista com Fabiana Nascimento</strong> </h2>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Fabiana Nascimento é Psicóloga, Gestalt-terapeuta, especialista em casal e família</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p><strong>Você tem observado um número crescente de pessoas procurando terapia ou retornando ao processo após terem sido infectadas?</strong><br><br>Observo uma procura pelo processo terapêutico por pessoas com sintomas de ansiedade, angústia, ao perceberem mania de limpeza ou aceleração quando assistem a algum programa de TV e por estarem impressionadas com a doença. Muitas vezes a procura é pelo serviço de plantão. Também percebo o retorno à terapia daquelas pessoas infectadas e que haviam suspendido anteriormente as sessões na expectativa de que o distanciamento social fosse ser mais rápido e, com o passar do tempo e com a contaminação, retornaram, inclusive para trabalhar durante a doença o sentimento de muita insegurança, medo de morrer, de contaminar parentes, o que vem causando sofrimento maior.  </p>



<p><strong>Solidão por conta do isolamento e o medo de se contaminar novamente são sentimentos relevantes nesse momento pandêmico? Quais os impactos do distanciamento social nas pessoas em geral? </strong><br><br>Algumas pessoas que moravam só voltaram para a casa dos pais ou parentes, onde sentem-se mais seguros e menos sós. Já os idosos enfrentam a realidade de não poderem ir para a casa dos filhos e netos pelo aumento dos riscos de contaminação mas, ao mesmo tempo, eles têm uma capacidade de acomodação e compreensão da necessidade desse isolamento maior do que a dos mais jovens. Pessoas de humor muito instável, ou com histórico de vida mais denso, têm mais dificuldade porque o convívio social era sua fonte de energia, especialmente aqueles afastados da família e com poucas relações afetivas. O distanciamento social traz também os problemas de excesso de convivência. Antes, as pessoas se encontravam menos e, com todos em casa, começam a aflorar os atritos, as manias e a falta de privacidade. Isso gera os sintomas de instabilidade emocional, irritação, sufocamento, que são os aspectos negativos da convivência. É realmente um teste passar por esse distanciamento social, separados ou com todos em casa. Algumas famílias conseguem reorganizar e entender as necessidades individuais, outras não. Ao final desse processo assistiremos aproximações e afastamentos reais.<br><br><strong>Como você avalia o impacto emocional provocado pela Covid-19? Você acredita que pode evoluir para transtornos mais graves como depressão ou transtorno de ansiedade, por exemplo?</strong></p>



<p> Avalio que os impactos emocionais serão grandes, principalmente porque poderá levar muitas pessoas a processos depressivos e transtornos obsessivos. Muitas vezes os transtornos emocionais não são apenas dos que já passaram pela Covid-19, mas também daqueles que temem ter a doença. O medo de ser transmissor é muito grande e vem acontecendo dessas pessoas fantasiarem situações que não condizem com a realidade, provocando compulsões, obsessões, medos e uma ansiedade grande.  Essa somatização padece também o corpo e surgem sintomas de doenças psicossomáticas, baixando a imunidade, por exemplo.  Além da doença, ainda existem as preocupações com a perda da atividade laboral, pela crise financeira provocada pela pandemia que tem levado algumas pessoas a perderem o controle de si. Perceber que não se tem controle da situação, que é uma luta contra algo invisível e ter que encarar e se adaptar não é fácil, mexe com todo mundo. Pessoas que já tiveram a Covid-19 relatam, inclusive, que se sentiram nocivas ao outro, por não poderem ser tocadas ou acolhidas. Esse é um sentimento muito forte. Na nossa cultura, quando um filho adoece, a mãe cuida e vice-versa, mas dessa vez isso não pode acontecer. É tudo diferente do que estamos acostumados e desgastante para as relações humanas.<br><br><strong>Como tem sido a abordagem no atendimento a esses pacientes?</strong></p>



<p>Com suporte, apoio, escuta, acolhimento para os sentimentos virem à tona e podermos desmistificar algumas fantasias geradas e os excessos, uma vez que a pessoa ansiosa superdimensiona atitudes e sentimentos, por isso é tão importante uma boa escuta. Além de trabalhar para ampliação do campo de percepção da vida e do que realmente essa pessoa está vivendo, para que ela olhe para o contexto e reconheça a sua importância. Então, é uma atenção vigilante a cada passo, a cada sensação porque isso gera um estado de vulnerabilidade grande que, dependendo do histórico de cada um, não sabemos o que pode desencadear de mais grave.  <br><br><strong>Como as pessoas que tiveram a doença, ou mesmo as que não tiveram ainda, podem tentar manter a saúde mental nesse momento tão complicado?</strong><br><br>Não é tão simples manter a saúde mental em uma pandemia, afinal, é algo novo que a maioria nunca lidou. Vai depender muito do jeito de ser de cada pessoa, dos valores e princípios, dos suportes, da experiência de vida de cada indivíduo. Os mais maduros tendem a ter uma capacidade de resiliência maior e de criar formas de compreensão, percepção e adaptação mais facilmente. As mais imaturas, as mais sensíveis, precisam buscar esse equilíbrio através de algo que lhes dê suporte, que pode ser através de estímulos de pessoas do convívio, de leitura, buscando coisas que lhes deixem tranquilos, resgatando, inclusive, atividades que lhe faziam bem. A situação pede também aproveitar a tecnologia para manter-se em contato com os outros, utilizar jogos eletrônicos e assistir filmes, resgatar hábitos tradicionais ou desenvolvê-los, como cozinhar, todas essas coisas são importantes para que a pessoa sinta que está construindo algo, está sendo produtivo. O autocuidado também é importante. É você se olhar e perguntar o que queria mudar em si e por falta de tempo ou outras questões não tinha feito e aproveitar o momento para ser melhor, desenvolvendo a capacidade de autocrítica, autoconhecimento na intenção de buscar sentimentos melhores.<br><br><strong>E para os que perderam parentes e amigos?</strong></p>



<p>O processo de luto chega devagar. É um processo lento que requer passar por todas as datas no ano seguinte, rememorar, mas o luto de perder uma pessoa numa pandemia é diferente, porque não há o rito de passagem, não há despedida, não há a possibilidade de estar do lado do outro cuidando, não pode haver a despedida com a visualização do corpo. Isso quebra o ritual de luto e aceitação de que aquela pessoa morreu, principalmente por não poder ver o corpo. Na pandemia, recebe-se a notícia da morte, sem velório ou de forma muito rápida, mas sem receber o acolhimento dos amigos e familiares. É um momento em que até o rito do enterro ou cremação é solitário. Por isso tudo é indicado o acompanhamento psicológico e, algumas vezes, psiquiátrico. 

</p>



<p></p>
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		<title>Sem quarentena obrigatória, 6 mil pernambucanos podem morrer até fim de junho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 May 2020 19:20:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[covid19]]></category>
		<category><![CDATA[lockdown]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sem o lockdown ou quarentena obrigatória, como o governo vem chamando, não há projeções matemáticas boas para o estado de Pernambuco na pandemia do coronavírus. Com 1.157 mortes e 14.309 casos (nesta terça-feira, dia 12), com o sistema hospitalar já trabalhando além do limite, o governador Paulo Câmara decretou que a partir do sábado (16) [&#8230;]</p>
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<p>Sem o <em>lockdown</em> ou quarentena obrigatória, como o governo vem chamando, não há projeções matemáticas boas para o estado de Pernambuco na pandemia do coronavírus. Com 1.157 mortes e 14.309 casos (nesta terça-feira, dia 12), com o sistema hospitalar já trabalhando além do limite, o governador Paulo Câmara decretou  que a partir do sábado (16) haverá restrições no ir e vir das pessoas. Sem usar o termo <em>lockdown</em>, o decreto não prevê multas, mas cinco cidades do Grande Recife (Olinda, Jaboatão dos Guararapes, Camaragibe e São Lourenço da Mata, além da capital) irão passar por uma série de restrições até pelo menos o fim de maio.Os cinco municípios são responsáveis por 77% das mortes e mais de 70% dos casos de coronavírus em Pernambuco. </p>



<p>São três os pilares da quarentena:</p>



<p class="has-text-align-left">a) uso de máscara deixa de ser recomendado e passa a ser obrigatório; </p>



<p class="has-text-align-left">b) controle de circulação de pessoas: os moradores só poderão sair para atividades essenciais. Prestação de serviços essenciais foi mantido, como supermercados, padarias, farmácias e atendimentos médicos;</p>



<p class="has-text-align-left"> c) circulação de veículos: até três pessoas em carros particulares e rodízio, que vai funcionar com placas de números pares circulando em datas pares, e placas com final ímpares circulando nas datas ímpares. <br><br>A fiscalização, ponto crucial para que o<em> lockdown</em> ocorra, será feito tanto para pedestres quanto para pessoas em veículos. De acordo com o secretário de Defesa Social, Antônio de Pádua, guardas municipais e policiais poderão abordar os pedestres e solicitar identidade e comprovante de residência. Os moradores terão que justificar a presença na rua &#8211; ida a supermercado ou farmácia, por exemplo. &#8220;Se não houver motivo, as pessoas serão recomendadas a ir para casa. Nosso intuito não é usar poder de polícia, mas conscientizar a população&#8221;, disse em coletiva na segunda-feira (11), acrescentando que, casa haja desacato, pessoas na rua sem motivo poderão ser levadas à delegacia. <br><br>Na tarde de ontem, o governo enviou para Assembleia Legislativa de Pernambuco um projeto de lei com a única punição prevista no decreto: apreensão e remoção do veículo para quem desrespeitar o rodízio. <br><br><a href="http://www.sds.pe.gov.br/images/media/1589294559_086%20BGSDS%20DE%2012MAI2020.pdf"><strong>Confira aqui o decreto completo<br></strong></a><br>Coordenador do grupo BRCovid-19 Monitor, que reúne pesquisadores da UFPE e da Unicap, o professor Dalson Figueiredo afirma que é importante que o governo deixe claro que os efeitos da quarentena não serão sentidos imediatamente. &#8220;É mais ou menos como treino físico em academia de musculação. Não adianta passar um dia inteiro malhando e esperar ver resultado no mesmo dia. O efeito vem com o tempo. A experiência internacional (EUA, Irã e China) mostra que o lockdown reduz tanto o contágio (novos casos) quanto a mortalidade. A estimativa é que em 12 ou 14 dias já seja possível observar uma desaceleração dessas curvas&#8221;, diz. <br><br>Para ele, é essencial que a população entenda e tenha adesão à quarentena.  &#8220;A política de informação do governo deve ser muito transparente e explicar isso com antecedência para evitar que a população fique frustrada. Se a população desacreditar da intervenção, corremos o risco de ter um lockdown “café com leite” e isso vai custar vidas no futuro. Outro problema que o governo vai enfrentar é a pressão de grupos econômicos para minimizar a duração do lockdown. Por isso, é importante também garantir uma articulação institucional com o setor produtivo&#8221;, diz. <br><br>Na mesma coletiva em que o decreto da quarentena obrigatória foi explicado, o governo anunciou que o Instituto Materno-Infantil de Pernambuco (Imip) vai realizar 200 testes diários para o coronavírus. &#8220;A quantidade de testes é um outro elemento importante. Imagine, por exemplo, que durante esses 15 dias de <em>lockdown </em>o governo triplique o número de testes realizados. Pode dar a falsa sensação de que a doença ficou pior do que já estava. Então, o governo tem que investir muito em transparência e dialogar com a população (a Coreia do Sul fez isso)&#8221;, afirma Dalson. <br><br>O <a href="https://www.irrd.org/covid-19/">Instituto para Redução de Riscos e Desastres em Pernambuco (IRRD)</a> faz estudos epidemiológicos semanais sobre o coronavírus no estado. Desde o dia 20 de abril os pesquisadores notaram uma tendência de aceleração preocupante. <br><br>Membro do Instituto, o pesquisador da UFRPE Jones Albuquerque diz que a quarentena &#8220;recomendada&#8221; não segurou o vírus. &#8220;A curva tá mostrando uma acentuação, indo em direção ao colapso: que é uma pessoa adoecer, precisar de um respirador e não ter. Ela vai morrer asfixiada. Não pela doença em si, mas porque não tem um equipamento que poderia salvá-la&#8221;, diz. &#8220;E estou falando de falta não só no público, mas também no hospital privado&#8221;.  <br><br>Com a quarentena obrigatória, Pernambuco pode operar no limite do sistema de saúde. &#8220;Já estamos indo para o colapso. Com o <em>lockdown</em>, a gente não vai tanto. Se iriam morrer 4 mil, pode ser que morram 1 mil. Fernando de Noronha é um exemplo: entrou em <em>lockdown</em> e os números estabilizaram&#8221;, diz. <br><br>A taxa de contaminação atual em Pernambuco é de 1.4 &#8211; o que significa que dez pessoas transmitem o vírus para outras 14. Para que a curva pare de subir, é necessário que essa taxa fique abaixo de 1. &#8220;Dez pra 14 pode parecer baixo, mas é exponencial. É não linear e quando isso acontece pipocam os caos. Não estamos acostumados a trabalhar com matemática não-linear, mas  é assim que as epidemias funcionam&#8221;, diz. <br><br>Só daqui a duas semanas a partir de sábado é que será possível avaliar para qual caminho Pernambuco deverá seguir. &#8220;Com as pessoas em casa não significa que as mortes irão cair imediatamente, nem que os novos casos irão baixar logo. Esse tempo é de duas até sete semanas, pelo que se tem observado no mundo. Isso porque pessoas podem estar infectadas sem saber e apresentar sintomas depois de 15 dias. Mas, se em duas semanas já observarmos alguma queda, Pernambuco estará indo por um bom caminho&#8221;, diz.</p>



<h3 class="wp-block-heading">3% dos pernambucanos infectados</h3>



<p>Doença imprevisível, sem tratamento específico e altamente transmissível, a única forma eficaz de controle conhecida para a covid-19 é o distanciamento social. Foi só assim que Itália, Alemanha, Espanha e China, entre outros, conseguiram controlar a disseminação e dar um respiro ao sistema de saúde.<br><br> Para que as transmissão caia, o isolamento deve atingir cerca de 70% da população. Na Lombardia, região italiana mais atingida, a ida a supermercados caiu em 75% com a quarentena. Isso ajudou para que a taxa média de transmissibilidade (Rt) caísse para 0,58%. Em São Paulo, sem <em>lockdown</em>, a quarentena recomendada reduziu em apenas 18% as idas a supermercados &#8211; mantendo um Rt alto, de 1.58 (ou seja: 10 pessoas infectam outras 15,8). <br><br>Apesar do coronavírus ter se espalhado por todos os estados, e estar com altas taxas de transmissibilidade, o Brasil está extremamente longe de ter uma &#8220;imunidade de rebanho&#8221; &#8211; quando pelo menos 70% de uma população fica imune e a circulação do vírus é naturalmente restrita.<br> <br>Considerando que os dados de mortes por coronavírus não estejam subnotificados, apenas 3% da população pernambucana foi ou está infectada, segundo estudo do Imperial College divulgado na semana passada. Se a subnotificação for de 33%, o percentual sobe para 4,5%. Se a subnotificação chegar a até 67%, a taxa de infecção da população sobe para 8,86%. É um percentual baixo, mas que bastou para colapsar o sistema de saúde. &#8220;Nossos resultados sugerem que se não houver medidas de controle mais fortes, o Brasil vai enfrentar uma epidemia que continuará a crescer exponencialmente&#8221;, diz o estudo.<br><br>&#8220;Tecnicamente, o procedimento mais confiável (que o governo deveria fazer) é realizar uma pesquisa sorológica, tal qual uma sondagem de intenção de voto. A partir de uma amostra aleatória e representativa da população pernambucana, os recenseadores deveriam ir nas casas das pessoas, coletar material biológico (saliva, escarro, sangue) e examinar laboratorialmente esse material. A partir dessas informações seria possível calcular a prevalência da doença na população.  O Rio Grande do Sul já iniciou essa abordagem. O Piauí também. A segunda melhor estratégia é fazer alguma estimativa, tal como o grupo do Imperial College&#8221;, afirma Dalson. <br><br>No Brasil já existem estudos dentro dessa perspectiva. &#8220;O pessoal da FACE/CEDEPLAR/UFMG, por exemplo, estimou uma taxa de correção de 7,7. Assim, para cada caso detectado, você poderia multiplicar por 8. Os resultados de prevalência do Rio Grande do Sul indicam que para cada caso positivo existem outros 10. Assim, o número de casos detectados deve ser multiplicado por 10. O que vemos é apenas uma parte pequena do que realmente existe. Agora em que medida a prevalência do Rio Grande é a mesma em Pernambuco? Não tem como saber. Os modelos epidemiológicos existentes não foram pensados para explicar a propagação da doença em localidades extremamente vulneráveis (falta de água, falta de saneamento básico, etc). A população mais vulnerável será mais vitimizada&#8221;, acredita. <br><br>A projeção de letalidade do coronavírus em Pernambuco feita pelo Imperial College  levou em conta índices de desenvolvimento humano e de rede hospitalar. O estudo prevê que entre 0,58% e 1,07% da população pernambucana pode morrer por conta do coronavírus. É a sexta maior letalidade prevista para o Brasil.<br><br>Para o pesquisador Jones Albuquerque, os números do Imperial College fazem sentido, mas ele prefere trabalhar com projeções mais curtas, de no máximo cinco dias. &#8220;Não conseguimos olhar muito para frente. Se esse decreto não pegar, se a população não aderir, os números vão para a estratosfera e as 80 mil mortes nos Estados Unidos não serão nada perto do número de mortes daqui. No Rio de Janeiro, as ambulâncias já não conseguem recolher os corpos nas comunidades. Imagina como vai ser no Morro da Conceição? O que vai acontecer depende muito do comportamento da população&#8221;, afirma.</p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Entrevista, Dalson Figueiredo:</strong><em> &#8220;Em nossa projeção mais pessimista, podemos perder mais de 6 mil pernambucanos até final de junho &#8220;</em></h3>



<p><br><strong>Como está o crescimento da curva de novos casos e de mortes em Pernambuco antes do <em>lockdown</em> anunciado hoje pelo governo? É maior do que a brasileira? Como ela fica comparada a outros países, como EUA, Itália e Espanha? </strong><br><br>O Brasil já ocupa a sexta posição no ranking absoluto de óbitos. Devemos passar a França (+ 26 mil) ainda em maio. Pernambuco e Ceará lideram o ranking de mortalidade no Nordeste. Mas melhor do que eu ficar falando aqui é você ver com seus próprios olhos. Os gráficos abaixo ilustram a evolução da mortalidade em Pernambuco em perspectiva comparada. </p>



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	                </figure>

	


<p>Como pode ser observado, as curvas de mortalidade no Brasil, no Nordeste e em Pernambuco, infelizmente, exibem tendência positiva. Veja que o movimento é muito parecido, a diferença é apenas de nível. Outra forma de dizer: não importa onde você olha (Brasil, Nordeste ou Pernambuco), o ritmo de crescimento da mortalidade é acelerado. A única intervenção não farmacêutica capaz de derrubar essas curvas é reduzir o contágio. E a única forma de reduzir o contágio é aumentar o distanciamento social (e garantir níveis altos de distanciamento por alguns dias). Basta afrouxar a mão, que o vírus volta. Não tem jeito. Nesse meio tempo (quarentena ou <em>lockdown</em>), o contágio tende a cair, o que dá um pouco mais de fôlego para o sistema de saúde. Quer saber se o ritmo de contágio está caindo, converse com um coveiro. A vivência diária com mortes permite que o coveiro tenha um bom palpite sobre a direção da tendência (positiva ou negativa). Veja a situação de Pernambuco em relação aos Estados Unidos, Espanha e Itália. <br></p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                </figure>

	


<p><br>Observe que as curvas de Espanha e Itália já exibem sinais de desaceleração, formando um platô. Isso vai ficar estabilizado, mesmo com o controle do ritmo de infecção de novos casos. Os Estados Unidos, linha verde, ainda exibe tendência positiva. E Pernambuco é o mais acelerado. Precisamos literalmente de um freio de mão antes que seja tarde demais. As pessoas precisam entender, de uma vez por todas, que é mais fácil criar empregos do que ressuscitar mortos.  <br><br>Outro indicador importante, mas que pouca se fala é a relação entre novos casos e total de óbitos. Observamos o seguinte padrão: mesmo depois de estabilizar o contágio, a mortalidade continua crescendo. Isso aconteceu na Itália, na Espanha e na Alemanha. Na verdade, mesmo países que exibem queda contínua no contágio (como a Itália), a mortalidade continua crescendo.<br><br>Então, Pernambuco ainda está subindo a ladeira. Depois disso, chegaremos no pico. Depois, ainda passaremos um tempo no platô para apenas depois disso começar a reduzir o nível de contágio. Esse percurso vai demorar meses e custará muitas vidas. Estamos caminhando para um dos maiores desastres sanitários da história contemporânea. De acordo estimativas recentes, a cada morte por coronavírus, seis a dez pessoas são impactadas.<br><br>Em nossa projeção mais pessimista, podemos perder mais de 6 mil pernambucanos até final de junho (se o distanciamento social continuar caindo). Isso significa entre 36 mil e 60 mil pessoas impactadas pela dor do luto. A capacidade máxima do estádio do Arruda é de 60.044 torcedores. Deu para visualizar o tamanho do problema? <br><br><strong>O Brasil tem feito poucos testes, se comparado a outros países. Como isso influencia as projeções?  </strong><br><br>O nível de testagem no Brasil é, literalmente, sofrível. Para se ter uma ideia, proporcionalmente, o Brasil testa menos do que Benin (que é um país que não consegue garantir o funcionamento continuado de postos de gasolina). O Brasil tenta menos que o Iraque, que passou por guerras recentemente e teve boa parte da sua infraestrutura devastada por bombardeios. O Brasil testa menos que Botsuana, que é um país colapsado economicamente. <br><br>Por fim, o Brasil testa menos que Gana, país que originou o meme da dança do caixão e que exibe níveis alarmantes de pobreza e desigualdade social. <a href="https://www.worldometers.info/coronavirus/">Os dados podem ser verificados aqui</a>.  Em síntese, <strong>assumindo que os testes servem como lanterna dentro de uma caverna, o Brasil não tem sequer um fósforo</strong>. O efeito disso é informação de baixa qualidade, subnotificação e impossibilidade de elaborar políticas efetivas. Não se formula política pública de qualidade sem informação confiável.</p>
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			</item>
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		<title>Além dos respiradores e EPIs, também faltam profissionais para enfrentar a Covid-19</title>
		<link>https://marcozero.org/alem-dos-respiradores-e-epis-faltam-profissionais-para-enfrentar-a-covid-19/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Apr 2020 09:41:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[covid19]]></category>
		<category><![CDATA[Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Instalado para servir de isolamento temporário para vítimas do coronavírus, o hospital de campanha construído nos fundos da maternidade Barros Lima tem 30 leitos comuns e três respiradores para os casos mais graves. Até o sábado, 25 de abril, os equipamentos para ventilação mecânica permaneciam desmontados, a espera da chegada dos fisioterapeutas anunciados pela prefeitura. [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Instalado para servir de isolamento temporário para vítimas
do coronavírus, o hospital de campanha construído nos fundos da maternidade
Barros Lima tem 30 leitos comuns e três respiradores para os casos mais graves.
Até o sábado, 25 de abril, os equipamentos para ventilação mecânica permaneciam
desmontados, a espera da chegada dos fisioterapeutas anunciados pela
prefeitura. </p>



<p>Finalmente, na manhã de sábado, um enfermeiro com
especialização em UTI, aprovado no concurso de 2018 e recém-convocado para
assumir seu posto de trabalho, cansou de esperar e montou dois respiradores. O
terceiro continua sem uso, pois foi entregue com peças defeituosas.</p>



<p>No plantão anterior, dois pacientes que precisavam de ventilação
tinham morrido. “Eram mortes evitáveis. O enfermeiro usou seus dias de folga
entre um plantão e outro para estudar como montar, ligar e calibrar os
respiradores. Não fosse ele, as máquinas continuariam desligadas”, contou um
médico que presenciou a cena, mas pediu para não ter o nome publicado, pois
também acabou de ser contratado e não tem estabilidade no emprego.</p>



<p>A situação vivida pela Barros Lima repete-se, envolvendo profissionais
de outras especialidades, nos demais hospitais – convencionais ou de campanha –
de Pernambuco. </p>



<p>De acordo com a secretaria municipal de Saúde do Recife, a
capital conta com “33 fisioterapeutas para os leitos que já estão em funcionamento.
Os profissionais foram contratados para atuar nos regimes de plantonistas e
diaristas, nos leitos de enfermaria e UTI”. </p>



<p>O presidente do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Crefito) para os estados de Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Rio Grande do Norte, Silano Barros, confirmou que situações como a que ocorreu na maternidade da Zona Norte recifense devem tornar-se mais raras nos próximos dias. </p>



<p>“Dos quatro estados sob nossa jurisdição, Pernambuco e Paraíba foram os que mais contrataram fisioterapeutas. Pelo que ficamos sabendo, os profissionais contratados em Pernambuco por concurso público ou seleção simplificada começaram a ser distribuídos nas várias unidades de saúde”, afirmou Barros.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Desistências e contaminações</strong></h2>



<p>As contratações até que acontecem, porém muitos profissionais
estão abrindo mão da vaga por medo de adoecer e desistem antes mesmo de começar
a trabalhar.</p>



<p>O fato de, até o momento do fechamento deste texto, 1.885
profissionais de saúde terem sido contaminados não ajuda a seduzir os novos
contratados.</p>



<p>Em nota, a prefeitura do Recife admite a dificuldade: “Assim
como outras cidades brasileiras e de outros países, o Recife tem enfrentado
algumas dificuldades na contratação de profissionais qualificados para atuar na
assistência aos pacientes com suspeita ou confirmação de covid-19. Mesmo assim,
desde o início da pandemia, a Prefeitura do Recife contratou 1.346
profissionais como reforço para o enfrentamento do novo coronavírus”.</p>



<p>Não é o bastante. Desde 14 de abril, a secretaria municipal
de saúde abriu seleção temporária para contratar mais 40 médicos. Apenas 14
tiveram suas inscrições homologadas para começar a trabalhar durante essa
semana.</p>



<p>Além dos quase dois mil infectados, outros 1.198 casos de
profissionais de saúde fizeram o teste e aguardam resultado. Nos relatórios diários
da secretaria estadual de Saúde, aparecem sob a rubrica “casos sob investigação”.
</p>



<p>Um desses casos é o de um enfermeiro de 54 anos lotado no
Hospital Pelópidas da Silveira. Afastado do trabalho desde o domingo, 19 de abril,
ele submeteu-se ao teste no dia seguinte, segunda-feira, dia 20. Até a noite de
terça-feira, 28, o resultado sequer havia saído. “Recebi a orientação de ficar
em casa por sete dias. Se o resultado desse negativo, deveria ter voltado ao
trabalho, mas permaneço na incerteza”, afirmou o enfermeiro da área de
cardiologia clínica.</p>



<p>Desde então, ele tem recebido telefonemas eventuais do serviço de atendimento remoto da prefeitura. Nas ligações, ele relata que seus sintomas são leves, apesar de ter apresentado um pouco de arritmia e saturação de oxigênio. “Tive episódios eventuais de febre que cedem com facilidade ao paracetamol , dores no corpo, perda de olfato e tosse nos últimos quatro dias”, contou.</p>



<h3 class="wp-block-heading">O gargalo dos testes</h3>



<p> A questão que o enfermeiro do Pelópidas da Silveira traz à tona está no centro do embate entre profissionais, seus sindicatos, Governo do Estado e prefeituras. Os sindicatos de profissionais da saúde estão cobrando uma série de medidas ao Governo. Uma delas é a realização de mais testes entre os profissionais. </p>



<p> &#8220;No Hospital da Restauração, por exemplo, estão sendo feitos dez testes diários, incluindo pacientes que estão lá internados. Os trabalhadores têm que entrar nessa mesma fila. A Prefeitura do Recife está disponibilizando mais testes, mas, mesmo assim, os técnicos e enfermeiros estão encontrando dificuldade para fazer, mesmo com sintomas&#8221;, reclama Ludmilla Outes, presidente do Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Pernambuco. </p>



<p> Após denúncias, o Governo de Pernambuco abriu dois centros, um em Olinda e outro no Recife, para testagem apenas de profissionais de saúde e de segurança, incluindo familiares.</p>



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<p>Presidente do Sindicato Profissional dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem (Satenpe), Francis Herbert defende mais abrangência: que haja testes para todos os profissionais da saúde a cada 15 dias. &#8220;É importante que os assintomáticos sejam testados também porque podem estar espalhando o vírus sem saber&#8221;, diz. <br><br> Há outro aspecto que vem afastando profissionais da saúde: o medo e a angústia que afetam a saúde mental. Após ver duas colegas falecerem por conta da covid-19, uma técnica do Hospital Getúlio Vargas sentiu palpitações e falta de ar por ansiedade. </p>



<p> &#8220;Fiquei muito angustiada, depressiva, sem conseguir me alimentar direito. Há muitas queixas, muitas arbitrariedades… estamos sendo condenados à morte. Você trabalhar sem EPIs adequados isso para mim é inadmissível&#8221;, diz Luiza*. &#8220;Comecei a não me sentir bem e a não ir trabalhar. O pior é que o Sassepe (o plano de saúde dos servidores do estado) fechou o ambulatório e ficamos sem acesso a médicos. Rodei atrás de psiquiatras e foi difícil encontrar. O médico me afastou por 60 dias por depressão e ansiedade. Só faço chorar. Você imaginar que você vai sair para salvar e vidas e acabar morrendo&#8221;, diz. Não há números de quantos profissionais estão afastados por doenças mentais. <br><br> Para que o gargalo da falta de profissionais não fique ainda pior, a sugestão dos sindicatos é que a os aprovados no cadastro reserva do concurso de 2018 da Secretaria Estadual de Saúde sejam convocados. &#8220;Estão chamando em seleção simplificada, porque dizem que é mais rápido. Mas de 650 aprovados, só assumiram 200. O salário é muito baixo (cerca de R$ 1.049) e muitos assumem e depois saem. É um risco que não querem correr. O salário do contratado pelo estado é mais alto (cerca de R$ 2,6 mil) e o profissional tem estabilidade e mais garantias&#8221;, diz Érico Alves do Sindicato dos Servidores da Universidade de Pernambuco (Sindupe).</p>



<p>O Satenpe ainda pede ao governo que afaste do trabalho &#8211; e não somente mude de setor &#8211; os profissionais que têm comorbidades que os deixam mais vulneráveis à covid-19. </p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A batalha por EPIs</strong></h2>



<p> Numa noite de sexta-feira, técnicos de enfermagem e enfermeiros do Hospital Oswaldo Cruz receberam capas de chuva no lugar dos aventais. O mesmo aconteceu com profissionais do Hospital Regional de Arcoverde, no Sertão, há uma semana. Apesar de capas de chuva terem sido usadas em condições extremas em outros países que enfrentam o coronavírus &#8211; como na Itália e na Inglaterra &#8211; ele não é adequado: os punhos não fecham e há abertura nos botões. Os sindicatos entraram em campo e o material, que veio de doações, foi retirado &#8211; e guardado.  </p>



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	                                        <p class="m-0">Capa de chuva entregue &#8211; e depois recolhida &#8211; aos técnicos do Hospital Oswaldo Cruz, referência no atendimento à covid-19</p>
	                
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<p>No Oswaldo Cruz, hospital de referência para a covid-19, foram
entregues 25 mil itens de proteção individual na semana passada. Dá para passar
cerca de 45 dias, segundo avaliação do Sindicato da Universidade de Pernambuco
(SindUpe). Mas, mesmo assim, técnicos de enfermagem denunciam que há pressão
para se fazer racionamento de alguns itens. Há o receio de que falte material
para as semanas futuras. 

&#8220;Querem
que a uma máscara N95 seja reutilizada por sete dias nos setores que não
atendem covid-19. Mas a gente circula pelo hospital, tem contato com pessoas
que trabalham no isolamento, na UTI&#8221;, reclama uma técnica do hospital, sem
querer se identificar. Após a denúncia, foi determinado o uso de apenas uma
máscara N95 por plantão.



</p>



<p>A falta ou o racionamento de EPIs estão diretamente ligados ao
afastamento dos profissionais de saúde de suas funções. No setor de isolamento
do Hospital Agamenon Magalhães, 12 de um total de 30 técnicos estão afastados
por conta do coronavírus, segundo o Satenpe. Na UPA Engenho Velho, em Jaboatão
dos Guararapes, são 17 afastados entre 40 profissionais.</p>



<p>&#8220;Não temos os números fechados, mas acreditamos que já está perto de 30% o percentual de auxiliares e técnicos que estão afastados&#8221;, diz o presidente do sindicato, Francis Herbert. No dia 22 de abril, os sindicatos conseguiram uma liminar judicial que autoriza que auxiliares e técnicos de enfermagem não trabalhem caso não haja EPIs adequados. O governo estadual tem até o próximo sábado para regularizar a situação. Mas não basta apenas ter EPIs.</p>



<p>Sindicatos reclamam que falta estrutura física para paramentação e desparamentação, falta treinamento para as equipes de como colocar e tirar os EPIs sem que haja risco de contaminação.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Máscara para médicos</h4>



<p>Até o Conselho Regional de Enfermagem (Coren), instituição cuja
função é fiscalizar o exercício profissional, também entrou na briga para assegurar
o fornecimento de EPIs, atividade considerada de natureza trabalhista, ou seja,
da competência dos sindicatos.</p>



<p>De acordo com Fernanda Cerqueira, chefe de fiscalização do Coren, a
entidade está recebendo pouco mais de 60 denúncias semanais com esse foco. “Todas
as demandas estão sendo encaminhadas semanalmente para o Ministério Público do
Trabalho, secretaria estadual de Saúde, Ministério Público e Agência Estadual
de Vigilância Sanitária (Apevisa).</p>



<p>Fernanda Cerqueira revela que algumas das denúncias sugerem discriminação
de classe na distribuição das máscaras: “Recebemos vários informes que, em algumas
unidades do Recife, os médicos recebem a máscara mais segura, a N95 ou a
similar PFF-2, enquanto enfermeiros e técnicos de enfermagem ficariam com as máscaras
cirúrgicas simples. Isso não pode acontecer, pois enfermeiros realizam
procedimentos complexos e arriscados, como, por exemplo, aspirar pacientes”.</p>



<p>A Marco Zero questionou a prefeitura do Recife, que negou a existência
da prioridade aos médicos.</p>



<p>“Cada profissional que presta assistência ou precisa entrar em contato a menos de um metro dos pacientes suspeitos ou confirmados de infecção pelo novo coronavírus recebe equipamentos de acordo com o tipo de procedimento que realiza no paciente, conforme recomendação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). De acordo com as normas da Anvisa, as máscaras respiratórias tipo N95, assim como toucas, devem ser utilizados exclusivamente por profissionais de saúde que necessitem realizar procedimentos como intubação, ventilação, ressuscitação cardiopulmonar ou outros procedimentos geradores de aerossóis em pacientes com suspeita ou confirmação da covid”, informou a equipe da secretaria municipal de saúde.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/alem-dos-respiradores-e-epis-faltam-profissionais-para-enfrentar-a-covid-19/">Além dos respiradores e EPIs, também faltam profissionais para enfrentar a Covid-19</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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