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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Quando tudo circula ao mesmo tempo: por que checar fatos já não basta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Sep 2026 15:58:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[checagem de fatos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Ruthy Costa* No início de setembro de 2026, um vídeo que parecia mostrar o presidente argentino Javier Milei segurando uma motosserra e falando em português circulou nas redes sociais. Na gravação, ele atacava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e declarava apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro. O conteúdo havia sido produzido com [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Ruthy Costa*</strong></p>



<p>No início de setembro de 2026, um vídeo que parecia mostrar o presidente argentino <a href="https://noticias.uol.com.br/confere/ultimas-noticias/2026/09/02/desinformacao-ia-falso-video-milei-portugues-apoio-flavio-critica-lula.ghtm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Javier Milei segurando uma motosserra e falando em português circulou nas redes sociais</a>. Na gravação, ele atacava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e declarava apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro. O conteúdo havia sido produzido com inteligência artificial a partir de uma fotografia publicada pela revista Forbes Argentina em 2024. Quando foi verificado pelo UOL Confere, acumulava mais de 263 mil curtidas no Instagram.</p>



<p>Poucos meses antes, outro vídeo fabricado por inteligência artificial atribuía ao ministro Luiz Fux a falsa informação de que Jair Bolsonaro seria solto e poderia disputar as eleições de 2026. As publicações haviam sido visualizadas mais de 50 mil vezes. Em agosto, vídeos manipulados fizeram Tancredo Neves e Ulysses Guimarães pronunciarem críticas a Bolsonaro que nunca foram ditas por eles. Os exemplos envolvem personagens e interesses políticos diferentes, mas compartilham a mesma facilidade de produção, adaptação e circulação.</p>



<p>Cada um desses conteúdos pode ser submetido a uma checagem. Jornalistas podem localizar o registro original, comparar imagens, consultar documentos, ouvir especialistas e demonstrar que determinada fala ou cena foi fabricada. Esse trabalho é indispensável. Permite corrigir informações, oferecer evidências ao público e responsabilizar quem utiliza falsificações para interferir no debate político.</p>



<p>O problema é que a checagem começa depois que alguma coisa foi dita, publicada ou compartilhada. Enquanto uma equipe investiga um vídeo, novos áudios, imagens, textos e montagens continuam aparecendo. Alguns repetem alegações antigas com pequenas alterações. Outros combinam dados verdadeiros com conclusões enganosas, retiram falas de contexto ou apresentam opiniões como se fossem informações comprovadas. A desinformação não chega às redações em uma fila organizada. Ela circula simultaneamente por redes abertas, aplicativos de mensagens, transmissões ao vivo, canais de vídeo e perfis que podem desaparecer logo após uma publicação.</p>



<p>Por isso, o desafio contemporâneo não se restringe a determinar se uma afirmação é verdadeira ou falsa. Antes de verificar, alguém precisa decidir o que merece ser verificado. Essa escolha envolve avaliar alcance, dano potencial, relevância pública, possibilidade de comprovação, autoridade de quem fez a declaração e presença daquela narrativa em diferentes espaços. Depois da checagem, ainda é necessário decidir como apresentar o resultado, como fazê-lo alcançar as pessoas expostas ao conteúdo original e como acompanhar suas reformulações.</p>



<p>Dizer que checar não basta, portanto, não significa diminuir a importância do <em>fact-checking</em>. <a href="https://mediawell.ssrc.org/citations/fact-checking-a-meta-analysis-of-what-works-and-for-whom/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Uma metanálise de 30 estudos, com mais de 20 mil participantes, concluiu que a checagem produz um efeito positivo sobre a correção de crenças políticas</a>. A questão está nas condições em que esse resultado é produzido e distribuído. Uma verificação pode ser metodologicamente rigorosa e, mesmo assim, alcançar apenas uma parcela pequena do público que recebeu a informação falsa.</p>



<p>Um <a href="https://arxiv.org/abs/2412.13280" target="_blank" rel="noreferrer noopener">estudo de Morgan Wack, Kayla Duskin e Damian Hodel sobre as eleições legislativas de 2022 nos Estados Unidos</a> comparou a circulação de narrativas eleitorais enganosas com as checagens correspondentes. A pesquisa constatou que menos da metade das principais narrativas analisadas foi verificada. Entre as que receberam checagem, o tempo mediano entre o surgimento da alegação e a publicação da resposta foi de quatro dias. As verificações representaram menos de 1,2% das conversações relacionadas a essas narrativas e circularam principalmente dentro das mesmas comunidades políticas, com pouca passagem entre grupos partidários.</p>



<p>Os dados se referem ao contexto norte-americano e não devem ser automaticamente transferidos para o Brasil. Ainda assim, ajudam a compreender uma limitação estrutural. A desinformação opera com custos de produção menores, pode ser repetida por diferentes perfis e não precisa demonstrar como chegou a uma conclusão. O jornalismo trabalha com procedimentos mais demorados, porque precisa reunir documentos, consultar fontes, verificar a procedência dos materiais e tornar público o caminho da apuração.</p>



<p>A diferença de velocidade não pode ser resolvida com a simples exigência de que jornalistas chequem tudo mais rapidamente. A pressa pode comprometer a análise, produzir classificações equivocadas e reduzir a explicação necessária para que o público compreenda o problema. Também não é possível responder a todas as alegações. Equipes possuem tempo e recursos limitados, enquanto o fluxo de conteúdos é contínuo.</p>



<p>Além disso, nem toda falsidade deve receber a mesma atenção. Uma publicação com circulação restrita pode ganhar visibilidade justamente porque uma organização jornalística decidiu desmenti-la. A repetição de uma alegação, mesmo para corrigi-la, também pode reforçar os termos escolhidos por quem a produziu. Em outros casos, o silêncio permite que uma narrativa prejudicial cresça sem contestação. Decidir entre verificar imediatamente, monitorar, contextualizar ou não ampliar um conteúdo é uma escolha editorial que não pode ser orientada apenas pelo número de visualizações.</p>



<p>É nesse ponto que a curadoria jornalística se torna relevante. Curar informação não consiste somente em reunir links ou resumir conteúdos publicados por terceiros. Trata-se de selecionar, hierarquizar, relacionar e contextualizar informações de acordo com critérios jornalísticos e com as necessidades de um público. Diante da desinformação, a curadoria ajuda a identificar quais alegações fazem parte de uma narrativa mais ampla, quais grupos estão sendo atingidos, quais temas exigem resposta urgente e quais conteúdos podem ser acompanhados sem receber exposição adicional.</p>



<p>Esse trabalho também permite deslocar a cobertura de falsidades isoladas para os processos que lhes dão sustentação. Dez publicações diferentes podem repetir a mesma narrativa com palavras, imagens e personagens distintos. Se cada peça for tratada como um caso independente, a redação produzirá dez respostas semelhantes e continuará reagindo ao ritmo definido por quem desinforma. Quando os conteúdos são agrupados e analisados em conjunto, torna-se possível investigar quem os produz, quais interesses mobilizam, que canais utilizam e como se adaptam depois de uma checagem.</p>



<p>A curadoria também deve ser aplicada às informações verdadeiras. Em períodos eleitorais, a atenção pública pode ser ocupada por declarações falsas, conflitos fabricados e controvérsias de curta duração, enquanto propostas de governo, execução orçamentária, políticas públicas e relações entre candidatos e grupos econômicos recebem menos espaço. Se a imprensa utilizar apenas a viralidade para selecionar o que será verificado e noticiado, as estratégias de desinformação passam a influenciar a própria agenda jornalística.</p>



<p>Selecionar com base no interesse público significa considerar o que produz consequências para a vida coletiva, mesmo quando o assunto não aparece entre os conteúdos mais compartilhados. Para um veículo independente ou regional, esse critério inclui observar como narrativas nacionais chegam aos territórios, quais grupos locais são utilizados na sua circulação e que questões específicas ficam encobertas pelo volume da disputa política nas redes.</p>



<p>A inteligência artificial pode auxiliar nesse processo, principalmente em tarefas que envolvem grande quantidade de dados. Sistemas computacionais conseguem acompanhar discursos, transcrever entrevistas e transmissões, localizar afirmações verificáveis, agrupar conteúdos semelhantes e comparar novas declarações com checagens já publicadas. Também podem ajudar a reconhecer a repetição de uma narrativa em diferentes plataformas e indicar mudanças na forma como ela está sendo apresentada.</p>



<p>A organização britânica <a href="https://fullfact.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Full Fact</a> utiliza aprendizado de máquina desde 2016 para apoiar o monitoramento do debate público. <a href="https://www.poder360.com.br/nieman/com-meios-proprios-full-fact-combate-conteudos-eleitorais-feitos-com-ia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Suas ferramentas processam textos, áudios e vídeos</a>, separam frases que contêm alegações verificáveis e procuram correspondências com afirmações analisadas anteriormente. O objetivo é reduzir um conjunto muito amplo de informações a uma quantidade que possa ser examinada por profissionais. A decisão sobre o que investigar e a verificação das evidências permanecem sob responsabilidade humana.</p>



<p>Essa distinção é necessária. Um sistema pode localizar uma frase que contém números, mas não determina sozinho se ela possui relevância pública. Pode encontrar semelhanças entre duas declarações, mas não compreende necessariamente as diferenças de contexto. Pode indicar uma provável falsidade e, ainda assim, utilizar dados desatualizados, fontes inadequadas ou associações estatísticas que não constituem prova. A automação contribui para organizar o fluxo, mas não elimina a apuração.</p>



<p>Há também escolhas anteriores ao funcionamento da tecnologia. Alguém define quais fontes serão monitoradas, quais temas receberão prioridade, que palavras serão usadas nas buscas e que nível de circulação será considerado relevante. Se um sistema acompanha apenas perfis nacionais de grande audiência, pode ignorar desinformação dirigida a comunidades locais. Se foi treinado principalmente em outro idioma ou contexto político, pode ter dificuldade para reconhecer expressões regionais, ironias e referências compartilhadas por determinados grupos.</p>



<p>Por isso, a incorporação da inteligência artificial ao jornalismo precisa ser transparente e submetida a critérios editoriais. As redações devem saber que tarefas foram automatizadas, quais bases orientam os resultados, onde estão as possibilidades de erro e quem responde pela decisão final. A tecnologia pode ampliar a capacidade de observação, mas não deve assumir a função de definir sozinha o que é verdadeiro, relevante ou publicável. A seleção sem verificação pode organizar conteúdos pouco confiáveis. A checagem sem curadoria tende a atuar de forma reativa e fragmentada. A automação sem supervisão pode reproduzir erros em maior escala.</p>



<p>Na prática, uma atuação articulada começaria pelo monitoramento de temas de interesse público, não apenas de conteúdos virais. Ferramentas poderiam auxiliar na identificação e no agrupamento de alegações, enquanto jornalistas definiriam prioridades considerando danos, alcance, recorrência e impacto social. A verificação reuniria documentos, dados, fontes e registros originais. Depois da publicação, o acompanhamento permitiria observar se a narrativa reapareceu, mudou de formato ou passou a circular entre outros públicos.</p>



<p>O resultado da checagem também precisa circular em formatos compatíveis com os lugares em que a desinformação foi encontrada. Uma reportagem detalhada no site preserva a metodologia e as evidências, mas pode ser acompanhada por vídeos, cards, áudios ou mensagens que apresentem a conclusão sem eliminar o contexto. Isso não significa adaptar o jornalismo a qualquer lógica das plataformas. Significa reconhecer que a correção precisa alcançar o debate público e que diferentes formatos podem conduzir o leitor à apuração completa.</p>



<p>Essa abordagem exige investimento em formação, protocolos e cooperação. Veículos independentes não precisam desenvolver isoladamente sistemas complexos de inteligência artificial. Podem compartilhar bancos de checagens, estabelecer parcerias com universidades, acompanhar bases públicas e formar redes de monitoramento com outras organizações jornalísticas. A colaboração reduz a repetição de tarefas e permite que cada equipe concentre recursos nas dimensões locais e investigativas que conhece melhor.</p>



<p>Também é necessário preservar a autonomia das redações diante das plataformas e dos fornecedores de tecnologia. Se as ferramentas usadas para identificar tendências pertencem às mesmas empresas que organizam a visibilidade e lucram com a circulação dos conteúdos, seus critérios não podem ser aceitos sem questionamento. Dados de engajamento ajudam a perceber o alcance de uma narrativa, mas não substituem a avaliação sobre relevância, dano e interesse público.</p>



<p>Em 2026, o <em>Digital News Report</em> registrou que <a href="https://veja.abril.com.br/coluna/planeta-ia/redes-sociais-ultrapassam-imprensa-como-principal-fonte-de-informacao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">47% dos brasileiros evitam notícias algumas vezes ou com frequência e que a confiança geral no noticiário caiu para 36%</a>. Mais da metade da população utiliza redes sociais para se informar semanalmente. Esses dados não resultam apenas da desinformação ou do excesso de notícias, mas mostram um ambiente em que ampliar continuamente o volume de publicações não garante melhor informação.</p>



<p>Nesse contexto, a contribuição específica do jornalismo está menos na capacidade de acompanhar cada postagem e mais na oferta de critérios, evidências e relações que ajudem o público a compreender o que importa. Checar fatos permanece essencial, mas precisa integrar um processo mais amplo, capaz de escolher com responsabilidade, verificar com rigor, contextualizar e acompanhar a circulação das narrativas. A inteligência artificial pode ajudar a lidar com a escala desse trabalho. A definição das prioridades e a responsabilidade pelas conclusões continuam pertencendo aos jornalistas.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><span style="font-weight: 400;">*Graduada em Jornalismo e Relações Públicas, é professora efetiva do curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Piauí (UESPI), mestra em Comunicação pela Universidade Federal do Piauí (UFPI) e doutoranda em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Integra o Estopim, Laboratório de Tecnopolítica, Comunicação e Subjetividade, do PPGCOM/UFPE, o Núcleo de Pesquisas em Mídia, História e Tecnologias e o Grupo de Pesquisa Jornalismo e Convergência Midiática, ambos da UFPI.</span></p>
    </div>



<p></p>
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		<item>
		<title>Extrema-direita usa fake news para atacar novo programa de saúde para população trans</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Dec 2024 14:28:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Clarissa Tércio]]></category>
		<category><![CDATA[extrema-direita]]></category>
		<category><![CDATA[fake news]]></category>
		<category><![CDATA[ministerio da saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A extrema direita brasileira volta a atacar os direitos da população trans no país líder em transfeminicídios no mundo. Dessa vez, tentando barrar o Programa de Atenção à Saúde da População Trans, que amplia os atendimentos à comunidade, formada por mais de quatro milhões de pessoas no Brasil. Um marco na saúde pública, o projeto [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A extrema direita brasileira volta a atacar os direitos da população trans no país líder em transfeminicídios no mundo. Dessa vez, tentando barrar o Programa de Atenção à Saúde da População Trans, que amplia os atendimentos à comunidade, formada por mais de quatro milhões de pessoas no Brasil. Um marco na saúde pública, o projeto foi apresentado pelo Governo Lula no último dia 10, Dia Internacional dos Direitos Humanos. </p>



<p>O chamado Paes Pop Trans apresenta avanços significativos em relação às portarias que regulamentavam os serviços prestados pelo SUS. Mas políticos como os deputados federais Nikolas Ferreira (PL-MG) e Clarissa Tércio (PP-PE) e a ex-deputada federal Janaína Paschoal estão tentando barrar o programa espalhando mentiras e fake news. Para entrar em vigor, a portaria precisa ainda de publicação em Diário Oficial.</p>



<p>Na rede social X (antigo Twitter), acusando o governo federal de ser negacionista, Nikolas anunciou, no último dia 13, que iria protocolar um pedido de informação exigindo as bases científicas que embasam as decisões do Paes Pop Trans. Também antecipou que, quando a portaria for publicada, apresentará um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) para sustar o programa.</p>



<p>No Instagram, Clarissa atacou o projeto invertendo a narrativa ao dizer que ele é “parte da agenda de manipulação e erotização das nossas crianças e adolescentes”. E disparou: “Isso é brincar com a vida das nossas crianças e dos nossos adolescentes. Lula e essa ministra incompetente (Nísia Trindade, ministra da Saúde) querem transformar o Brasil num laboratório de experimentos ideológicos sacrificando as nossas crianças, mas nós não vamos aceitar essa loucura”.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>O que Clarissa Tércio e Nikolas Ferreira não dizem é que o novo programa governamental é uma adequação da política oficial às decisões tomadas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) &#8211; entidade conhecida pela sua postura conservadora &#8211; em 2019. A Resolução no 2.265 do CFM dispõe sobre o cuidado específico a pessoas transgênero. <a href="https://portal.cfm.org.br/noticias/cfm-atualiza-regras-para-aperfeicoar-o-atendimento-medico-as-pessoas-com-incongruencia-de-genero/?lang=en" target="_blank" rel="noreferrer noopener">A decisão foi anunciada em janeiro de 2020</a>, em pleno governo Bolsonaro. Por isso, as medidas previstas no Paes Pop Trans já são adotadas na prática dos serviços privados de saúde e nos serviços públicos de alguns estados.</p>
        </div>
    </div>



<p>A presidenta da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), Bruna Benevides, rebate: &#8220;A saúde trans não é uma ideologia, é um direito assegurado pela constituição para todas as pessoas, sem nenhum tipo de discriminação e atendendo às suas necessidades também específicas”. A Antra junto a outras associações e movimentos que lutam pela defesa da comunidade trans têm feito cobranças ao Ministério da Saúde pela publicação da portaria, articulado parlamentares em defesa da causa e acionado a Defensoria Pública da União e o Ministério Público Federal. </p>



<p>Bruna lembra que existe atualmente uma agenda política contra os direitos trans a nível internacional, capitaneada pela extrema direita em diversos países através de ataques e tentativas de negação de direitos. “Esse projeto político, jurídico, econômico e social passa exatamente pela tentativa de institucionalizar a transfobia e impedir que pessoas trans vivam plenamente a sua identidade”, critica.</p>



<p>A extrema direita lança mão de teorias conspiratórias através da disseminação de fake news e de mentiras — o que não é nenhuma novidade. Na época do projeto de identidade de gênero de Jean Wyllys, ex-deputado ameaçado que teve que deixar o Brasil, uma das fake news, ainda no início dos anos 2010, era que a luta da comunidade trans era por cirurgias em crianças.“É uma mentira desenfreada”, protesta Bruna, lembrando que essa onda conservadora utiliza de pseudo teorias, pânico moral, manipulação de dados e negacionismo científico para tentar emplacar uma narrativa.</p>



<p>“É importante dizer que menores de 18 anos não passam por nenhum tipo de intervenção cirúrgica. Diminuiu de 18 para 16 o acesso à hormonização, com o devido acompanhamento e consentimento dos pais e responsáveis”, evidencia. O Paes Pop Trans garante que o que já é feito em termos de supressão puberal, como é feito por indicação clínica para crianças que não são trans, também esteja acessível para as crianças trans, fora do caráter experimental ou de pesquisa, que já conta com bastante material, muitos artigos e está dentro dos padrões internacionais de segurança.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Médicos saem em defesa da política</h2>



<p>Dezenas de médicos e médicas se reuniram em uma carta destinada ao corpo editorial do Jornal Métropoles para esclarecer que o Ministério da Saúde não está fazendo redução de idades sem permissão, após publicação da matéria “Conservadores se revoltam com redução de idade para tratamento trans”.</p>





<p>O investimento previsto do governo federal para implementação do programa é de R$ 152 milhões até 2028, sendo R$ 68 milhões em 2025, o Ministério da Saúde pretende ampliar de 22 para 194 os serviços especializados no SUS.</p>



<p>O Paes Pop Trans, explica Bruna Benevides, é extremamente importante, pois atualiza uma política que já tem mais de 10 anos de existência na estrutura do SUS e passa a atender os padrões mais atuais de cuidado integral em saúde para pessoas trans em todos os ciclos de vida, desde a infância até pessoas trans mais velhas.</p>



<p>“Além disso, amplia a rede de ofertas de serviços, visto que o que temos hoje é insuficiente, o que gerou uma ação na Corte Interamericana de Direitos Humanos contra o Estado brasileiro por negar o acesso à cirurgia a uma mulher trans”, complementa. “Também houve a despatologização, a atualização do olhar sobre a transgeneridade. Enquanto o programa não for efetivamente publicado em sua portaria, o Brasil segue violando esses tratados, principalmente da Organização Mundial da Saúde (OMS), que reconheceu que a transgeneridade não é uma doença”, alerta Bruna.</p>



<p>Ela ressalta ainda que a transição de gênero, as modificações corporais e as demais demandas integrais da saúde “precisam estar na ordem do dia como uma medida essencial para assegurar qualidade de vida, dignidade, cidadania e principalmente enfrentar os altos índices de violência, automedicação e busca de clínicas clandestinas”. </p>



<p>Tudo isso terá, defende a presidenta da Antra, impacto na transfobia institucional ainda é muito presente no atendimento nas unidades de saúde brasileiras, onde ainda há muita resistência médica, o que acaba afastando a comunidade trans desses cuidados.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Alguns avanços do Paes Pop Trans</span>

		<p>&gt; Redução da idade mínima para:<br />
&#8211; Hormonização cruzada: 16 anos, com autorização dos responsáveis<br />
&#8211; Procedimentos cirúrgicos (como mastectomia e redesignação genital): 18 anos;<br />
&gt; Bloqueadores de puberdade disponíveis para crianças trans a partir dos primeiros sinais da puberdade;<br />
&gt; Inclusão de 20 novos procedimentos na tabela do SUS;<br />
&gt; Criação de linhas de cuidado específicas para crianças e adolescentes trans;<br />
&gt; Acompanhamento à população trans em todo o ciclo de vida, incluindo a garantia de cuidado a sua rede de apoio e a valorização do cuidado no território.</p>
	</div>
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			</item>
		<item>
		<title>Mentiras e desinformação ameaçam matar o Tatu-bola</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 May 2024 18:53:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[desinformação]]></category>
		<category><![CDATA[fake news]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Semiárido]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Felipe Melo* Pernambuco tem uma das maiores áreas protegidas da Caatinga, você sabia? Localizada nos município de Petrolina, Lagoa Grande e Santa Maria da Boa Vista, o Refúgio de Vida Silvestre Tatu-Bola abrange uma área de mais de 110 mil hectares com um trecho de Caatinga bem preservado e habitado tatu que inspirou o [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Felipe Melo*</strong></p>



<p>Pernambuco tem uma das maiores áreas protegidas da Caatinga, você sabia? Localizada nos município de Petrolina, Lagoa Grande e Santa Maria da Boa Vista, o<a href="https://www2.cprh.pe.gov.br/uc/rvs-tatu-bola/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Refúgio de Vida Silvestre Tatu-Bola</a> abrange uma área de mais de 110 mil hectares com um trecho de Caatinga bem preservado e habitado tatu que inspirou o Fuleco, nome do mascote da Copa do Mundo de 2014. É nesse espaço também que várias populações tradicionais humanas como quilombolas e outros pequenos agricultores vivem há séculos, manejando a Caatinga com suas suas roças e bodes. Seres humanos e Caatinga vivem juntos nessa região, por isso o RVS Tatu-Bola foi criado para garantir que essa convivência continuasse indefinidamente. </p>



<p>A criação do RVS Tatu-Bola foi uma demanda induzida em 2014 pela escolha da espécie de tatu endêmico da Caatinga como mascote da Copa do Mundo da FIFA em 2014. Muito dinheiro rolando no maior evento esportivo do mundo e nenhum centavo estava previsto para proteger a espécie que serviu de inspiração para os criadores do mascote da competição. Então um grupo de pesquisadores lançou o desafio ao governo brasileiro e à FIFA: proteger o <em>Tolypeutes tricinctus, </em>o tatu-bola-da-caatinga. Após meses de mobilização, abaixo assinados e repercussão mundial, a campanha para criar uma área protegida dedicada a salvaguardar a espécie e seu sistema socioecológico, foi finalmente reconhecida pelo governo de Pernambuco.</p>



<p>Fizemos um vídeo contando essa história:</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="O gol do Tatu-bola (The armadillo&#039;s goal)" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/rQHAgyrXims?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>Acontece que nos últimos meses, audiências públicas conduzidas reuniram um impressionante número de agricultores locais, todos favoráveis à revogação do Refúgio de Vida Silvestre Tatu-Bola (RVS Tatu-Bola). Uma busca rápida na internet devolve notícias alarmantes que mencionam desapropriações forçadas de terra e falência de agricultores, culminando com a criação de uma associação de afetados pelo RVS Tatu-Bola. Sobram queixas sobre os impactos da criação da unidade de conservação e sobram, ainda mais, desinformação e mentiras. Entre tantas, a mais cruel é que a existência do RVS Tatu-Bola implica em <a href="https://ricardobanana.com.br/direto-de-lagoa-grande-agricultores-nativos-ameacados-pela-reserva-do-tatu-bola-criam-associacao-para-defesa-suas-terras/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">desapropriações forçadas de terra</a>. Isso criou um pânico generalizado entre os moradores da região que, influenciados pela mentira, temem serem expulsos de suas terras. É preciso definitivamente afastar os fantasmas da sala para se ter uma conversa séria sobre o RVS Tatu-Bola.</p>



<p>Acontece que, legalmente, a categoria de ‘refúgio de vida silvestre’ não exige desapropriação, muito menos forçada. A desapropriação só é prevista nos casos onde não houver condições de conciliação entre proprietário privado e órgão gestor ambiental. Aliás, essa categoria foi escolhida por justamente permitir a produção sustentável na área regulada por um plano de manejo. <a href="https://legis.alepe.pe.gov.br/texto.aspx?tiponorma=1&amp;numero=13787&amp;complemento=0&amp;ano=2009&amp;tipo=&amp;url=" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Esta condição está escrita no SEUC (Sistema Estadual de Unidades de Conservação)</a>, lei estadual que rege a criação e gestão de UCs estaduais.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Veja o que diz a lei 13787 de 8 de junho de 2009:</span>

		<p>“Art. 13. O Refúgio de Vida Silvestre – RVS tem como objetivo proteger ambientes naturais onde se asseguram condições para a existência ou reprodução de espécies ou comunidades da flora local e da fauna residente ou migratória.</p>
<p>§ 1º O Refúgio de Vida Silvestre pode ser constituído por áreas particulares desde que seja possível compatibilizar os objetivos da unidade com a utilização da terra e dos recursos naturais do local pelos proprietários.</p>
<p>§ 2º Para viabilizar a gestão da unidade poderá ser estabelecida parceria entre o órgão gestor e o proprietário da terra.</p>
<p>§ 3º Havendo incompatibilidade entre os objetivos da área e as atividades privadas ou não havendo aquiescência do proprietário às condições propostas pelo órgão gestor da unidade para a coexistência do Refúgio de Vida Silvestre com o uso da propriedade, a área deve ser desapropriada na forma da lei vigente.</p>
<p>§ 4º A visitação pública está sujeita às normas e restrições estabelecidas no Plano de Manejo da unidade, às normas estabelecidas pelo órgão gestor, e àquelas previstas em regulamento.”</p>
	</div>



<p>Então, chegamos ao ponto chave do problema, que não é a área protegida em si, mas a ausência de seu documento mais importante para existir de fato para aléḿ do decreto de criação. O plano de manejo é um estudo de responsabilidade do órgão ambiental do estado, no caso a CPRH, que tem “esquecido” dele por quase 10 anos depois da criação da área. Este documento necessário, seria suficiente para resolver o conflito entre agricultores e o RVS Tatu-Bola. Explico: atualmente dizemos que um plano de manejo é construído em conjunto com os atores afetados e sua construção, por ser participativa, também passa por aprovação da população local em audiências. </p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Aspas novamente para a lei do SEUC, no seu artigo 33:</span>

		<p>“Art. 33. Todas as unidades de conservação devem dispor de um Plano de Manejo, que abrangerá:</p>
<p>I &#8211; área da unidade de conservação;</p>
<p>II &#8211; zona de amortecimento;</p>
<p>III &#8211; corredores ecológicos.</p>
<p>§ 1º O Plano de Manejo deverá contemplar medidas para promover a integração econômica e social das comunidades vizinhas à unidade conservação.</p>
<p>§ 2º Na elaboração, atualização e implementação do Plano de Manejo será assegurada a ampla participação da população local e da sociedade civil.</p>
<p>§ 3º O Plano de Manejo de uma unidade de conservação deve ser elaborado no prazo de até 05 (cinco) anos a partir da data de sua criação.</p>
<p>§ 4º O Plano de Manejo da Reserva de Desenvolvimento Sustentável e da Reserva Extrativista deverá ser submetido à aprovação do respectivo Conselho Deliberativo.</p>
	</div>



<p>Está cristalino que o plano de manejo do RVS Tatu-Bola deveria ser suficiente para regulamentar as práticas agropecuárias sustentáveis no local, assegurando tanto interesses ambientais quanto socioeconômicos da população local. Tem mais: outro instrumento valiosíssimo para a gestão da área é a formação de um conselho gestor. Novamente o SEUC prevê no seu artigo 35 prevê a criação deste instrumento de cogestão com participação dos proprietários de terra. Tudo isso feito, teríamos uma área conservada, sob gestão compartilhada com comunidades empoderadas e com potencial para ser um modelo nacional. Mas o Governo de Pernambuco parece ter um prazer sádico em assistir ao desespero dos agricultores e de ambientalistas ao mesmo tempo. </p>



<p>É verdade que o processo de criação do RVS Tatu-Bola foi rápido, mas seguiu todo o rito legal e muito rigor científico, sendo aprovado em diversas instâncias, desde audiências locais até órgãos colegiados como o Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema). Mas, não podemos fechar os olhos ao passado excludente das políticas de criação de áreas protegidas no Brasil e reconhecer que os modelos de conservação praticados historicamente geraram muitos prejuízos para populações locais menos favorecidas. Mas o SEUC mostra que aprendemos, e que os modelos foram aperfeiçoados e hoje se prevêem consultas, co-construção e co-gestão e amplo debate.</p>



<p>No caso do RVS Tatu-Bola, não foi a criação da área protegida, mas a desinformação, as <em>fake news</em> e a inação do estado de Pernambuco que causaram os prejuízos. No perfil do Instagram <a href="https://www.instagram.com/revogatatubola?igsh=Mjc0ejlvY2t0MTlx" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@revogatatubola</a> há uma publicação mostrando que a população não é contra a conservação da Caatinga e do ex-mascote da copa de 2014, mas está desesperada e temerosa pela existência da área protegida. Algo para eles está errado, pois não lhes foi entregue o prometido: uma área protegida onde sua vida poderia prosperar de maneira sustentável. Algo está errado para nós da área ambiental, que dedicamos um grande esforço para fornecer todos os estudos para a criação do RVS Tatu-Bola. Todos queríamos gente e Caatinga vivendo juntos, como sempre foi. </p>



<p>O Governo de Pernambuco ao longo de diferentes gestões preferiu deixar o pânico, a desinformação e o conflito prosperarem. Ou, simplesmente investir recursos em estratégias igualmente necessárias mas de maior apelo público como dedicar R$ 16 milhões para projetos de restauração da Caatinga. A ironia é dedicar esforços para recuperar enquanto não se protege o que está conservado. É como preferir tomar antibióticos para uma amigdalite enquanto deixamos uma cirrose avançar sem controle, consciente de tudo. Aliás, o que pensa a vice-governadora Priscilla Krause? O que pensará seu pai, um ex-ministro do meio-ambiente (1996-1999)? Todos vão assistir solenemente a morte do RVS Tatu-Bola ou vai agir para resolver o conflito sem prejudicar os agricultores e sem acabar com o RVS Tatu-Bola? </p>



<p>Já passou da hora desse falso dilema entre conservação e desenvolvimento ser resolvido. Povos da Caatinga são do mesmo time dos ambientalistas que insistem em defender o RVS Tatu-Bola. Que fique claro, não existe Caatinga sem caatingueiro. Alguém está ganhando com esse pânico e a divisão que ele gera e não são nem a Caatinga e muito menos os camponeses locais.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*Ecólogo, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Nottingham Trent University (Inglaterra).</strong></p>
    </div>
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		<title>Deputado bolsonarista mente na tribuna para desgastar o presidente Lula</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Cavalcanti]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 Mar 2024 19:12:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[alepe]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonarismo]]></category>
		<category><![CDATA[dengue]]></category>
		<category><![CDATA[fake news]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um dos representantes do bolsonarismo na Assembleia Legislativa de Pernambuco, o deputado Alberto Feitosa (PL) propagou, da tribuna da Casa, informação falsa sobre o número de mortes provocadas por dengue. O parlamentar sustentou que a doença mata 25 mil pessoas por dia no Brasil. No entanto, dados do boletim epidemiológico mais recente do Ministério da [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Um dos representantes do bolsonarismo na Assembleia Legislativa de Pernambuco, o deputado Alberto Feitosa (PL) propagou, da tribuna da Casa, informação falsa sobre o número de mortes provocadas por dengue. O parlamentar sustentou que a doença mata 25 mil pessoas por dia no Brasil. No entanto, dados do <a href="http://Informe Diário COE Dengue nº 18 | 21 de março de 2024 — Ministério da Saúde (www.gov.br)">boletim epidemiológico</a> mais recente do Ministério da Saúde, publicado em 21 de março, apontam que são 682 mortes pela doença confirmadas e outras 1.042 em investigação, até o momento.</p>



<p>A fake news de Alberto Feitosa já circula nas redes sociais; inclusive, nas do deputado, filiado ao mesmo partido do ex-presidente Jair Bolsonaro. Este repórter recebeu um corte do discurso em um grupo de homens que estudaram juntos no mesmo colégio. O emissor achou “engraçado” o vídeo e, por isso, o repassou aos colegas. O motivo da graça: a exposição de uma caricatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o uso do trocadilho &#8220;presidengue&#8221;. A encenação serviu de embalagem para o discurso em que Feitosa distorce dados oficiais.</p>



<p>“E eu pergunto: com quase 25 mil mortes por dia, deputado Cleiton Collins, com dois milhões de pessoas contaminadas, com quase 700 mil mortes no país por causa da dengue, o que faz o governo federal?”, discursou o deputado. Na verdade, são 714 mil casos confirmados da doença no mês de março no Brasil, e não óbitos, de acordo com o Ministério da Saúde.</p>



<p>O vídeo com a fala de Alberto Feitosa na íntegra está disponível <a href="https://www.youtube.com/live/MkixlUvvu3Q?si=jlVkboEYRHGQrdKb">no canal da Alepe no YouTube</a>. Por uma decisão editorial, não será aqui mostrado. O discurso foi proferido durante o pequeno expediente da sessão ordinária, formato que não permite a intervenção de parlamentares</p>



<p>A iniciativa do deputado pernambucano de ir à tribuna da Casa para propagar fake news forçou o Ministério da Saúde a publicar um alerta. “A situação da dengue no Brasil é coisa séria e não deve ser usada para disseminar informações falsas e apavorar a população”.</p>



<p><a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-com-ciencia/noticias/e-falso-que-25-mil-pessoas-morreram-por-dengue-no-brasil#:~:text=ATEN%C3%87%C3%83O!,Isso%20%C3%A9%20falso.">É falso que 25 mil pessoas morreram por dengue no Brasil — Ministério da Saúde (</a><a href="http://www.gov.br/">www.gov.br</a><a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-com-ciencia/noticias/e-falso-que-25-mil-pessoas-morreram-por-dengue-no-brasil#:~:text=ATEN%C3%87%C3%83O!,Isso%20%C3%A9%20falso.">)</a></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-twitter wp-block-embed-twitter"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="twitter-tweet" data-width="500" data-dnt="true"><p lang="pt" dir="ltr">Alerta fake news!<img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f6a8.png" alt="🚨" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" />É falso que a dengue mata mais de 25 mil brasileiros por dia. Ao contrário do que foi mencionado por um parlamentar ontem, de acordo com o último informe diário de dengue, de 21 de março, o Brasil registrou 682 óbitos em 2024, uma taxa de letalidade de 0,03%.</p>&mdash; Ministério da Saúde <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1fa75.png" alt="🩵" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> (@minsaude) <a href="https://twitter.com/minsaude/status/1771256069265748290?ref_src=twsrc%5Etfw">March 22, 2024</a></blockquote><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>
</div></figure>



<p>A reportagem procurou Alberto Feitosa, por meio da assessoria de imprensa, para saber qual foi a base dos números sustentados por ele na tribuna. Mas não obteve retorno, até a publicação deste texto.</p>



<p>Em dezembro passado, a <strong>Marco Zero</strong> publicou um perfil do deputado do PL, em função da decisão judicial que determinou medidas protetivas em relação a uma mulher que ele precisa cumprir.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/deputado-alberto-feitosa-responde-a-processo-de-violencia-domestica-e-tem-medida-protetiva-imposta-pela-justica/" class="titulo">Deputado Alberto Feitosa responde a processo de violência doméstica e tem medida protetiva imposta pela Justiça</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
            
		            </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Feitosa repete Eurico na performance na tribuna</strong></h2>



<p>O ano era 2005, o terceiro do primeiro governo Lula. O então deputado estadual Pedro Eurico (PSDB) performou na tribuna da mesma Assembleia Legislativa de Pernambuco, ainda no Palácio Joaquim Nabuco, antiga sede do Legislativo. Para criticar o valor da compra do avião presidencial, o “Aerolula”, ele exibiu pequenos aviões de plástico e, depois, os distribuiu a colegas de plenário.</p>



<p>“Isso corresponde à indignação da população brasileira com tamanho gasto de verba federal”. À época, Eurico já era um deputado veterano, estava no exercício do quinto mandato consecutivo e havia sido presidente da Assembleia. Feitosa viria a se eleger pela primeira vez só no ano seguinte (2006). De 2007 a 2010, o experiente Eurico e o estreante Feitosa foram colegas de parlamento.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Situação atual da dengue no Brasil</strong></h2>



<p>O Brasil vive um surto de dengue. Os números de agora relativos à doença já são os maiores registrados desde os anos 2000, início da série histórica da doença no território nacional. No país, foram mais de 2 milhões de casos da doença notificados ao longo de 11 semanas epidemiológicas.</p>



<p>Março ainda não acabou e já foram anotados 714 mil casos, quase o dobro do registrado no mesmo mês no ano passado (381 mil casos). Distrito Federal, oito estados e cinco capitais decretaram estado de emergência em saúde por conta da alta transmissão da doença no território.</p>



<p>Os estados são Acre, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina. Entre as capitais, Rio de Janeiro (RJ), Florianópolis (SC), Macapá (AP), Natal (RN) e Belo Horizonte (MG) também declararam emergência epidemiológica.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">O que é a dengue?</span>

		<p>Doença causada por um vírus transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti. Por isso, é uma arbovirose (vírus transmitido por artrópodes).</p>
<p><strong>Principais sintomas da doença: </strong>Febre alta, dores musculares, dor de cabeça intensa, náusea e vômito, dor atrás dos olhos e manchas vermelhas pelo corpo. A infecção também pode ser assintomática, que não apresenta sintomas.</p>
<p><strong>Sinais de gravidade: </strong>Sangramento da mucosa, acúmulo de líquidos, hemorragias, dores abdominais muito fortes e vômito persistente.</p>
	</div>
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			</item>
		<item>
		<title>Manifesto de apoio à democracia, ao TSE e à chapa Lula-Alckmin</title>
		<link>https://marcozero.org/manifesto-de-apoio-a-democracia-ao-tse-e-a-chapa-lula-alckmin/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Oct 2022 19:08:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Diálogos]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[fake news]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Liberdade de expressao]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Lula-alckmin]]></category>
		<category><![CDATA[manifesto jornalistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Como jornalistas com o compromisso ético de perseguir e publicar a verdade, estamos indignados com o grande fluxo de notícias falsas produzidas com o objetivo deliberado de fraudar a decisão livre do eleitor neste segundo turno da disputa presidencial. Repudiamos toda e qualquer forma de censura e não admitimos que a liberdade de expressão seja [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Como jornalistas com o compromisso ético de perseguir e publicar a verdade, estamos indignados com o grande fluxo de notícias falsas produzidas com o objetivo deliberado de fraudar a decisão livre do eleitor neste segundo turno da disputa presidencial.</p>



<p>Repudiamos toda e qualquer forma de censura e não admitimos que a liberdade de expressão seja distorcida para permitir a prevalência de mentiras na campanha eleitoral. Também vemos com apreensão que concessões públicas de rádio e TV sejam usadas em favor de uma candidatura. Por isso apoiamos o esforço do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para coibir a interferência danosa das fake news nas eleições, respeitados os limites da Constituição e da lei.</p>



<p>Bolsonaro tem uma trajetória associada à violência desde os anos 1980, com o plano de explodir bombas em quartéis que o levou à prisão. Ele e os filhos têm conexões com Adriano da Nóbrega, apontado como miliciano pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ). O clã foi acusado por ex-funcionários de obrigar servidores a lhes entregar grande parte dos salários. Desde os anos 1990 a família comprou 107 imóveis e pagou quase a metade em dinheiro vivo.</p>



<p>Bolsonaro defende a ditadura, a tortura e o assassinato de opositores. Ofende as cidadãs e os cidadãos negros, indígenas, nordestinos e LGBTQIA+. Acha natural sentir atração sexual por meninas de 14 anos. Mostrou-se desumano diante da dor dos brasileiros na pandemia. Foi incompetente na economia e a fome voltou. Desprezou a ciência, o meio ambiente, a cultura e a educação.</p>



<p>Bolsonaro destruiu instrumentos de transparência e de combate à corrupção. Comprou o apoio do Congresso com o orçamento secreto, elevando a níveis inéditos o desvio de recursos públicos. Com o uso ilegal da máquina pública Bolsonaro ilude muitos, mas não os jornalistas dignos desse nome. Daí sua fúria contra nós, dirigida sobretudo às colegas mulheres.</p>



<p>É um presidente que prega abertamente a desobediência a decisões da Justiça e que incentiva a população a se armar, contribuindo assim para enfraquecer as instituições republicanas e estimular a violência.</p>



<p>Nós, jornalistas que defendemos uma comunicação democrática inclusiva e que respeite os valores da diversidade e da igualdade étnico-racial, recomendamos o voto em Lula e Alckmin nesta eleição em que a nossa democracia está em jogo.</p>



<p>Lula já demonstrou suas qualidades como gestor e provou sua inocência após injusto massacre judicial. Nada tem de comunista, como alardeiam seus inimigos. É um conciliador, que conta com o apoio de trabalhadores e da parcela mais lúcida do empresariado e da intelectualidade do país.</p>



<p>Reiteramos o apoio ao TSE e cobramos das grandes plataformas digitais maior empenho no combate às fake news para termos eleições limpas, livres e seguras. Com a ampla aliança conduzida por Lula e Alckmin, reencontraremos a paz, o desenvolvimento e, fundamental para a sobrevivência do jornalismo, teremos a garantia de que a democracia sobreviverá!</p>



<p><strong><a href="https://www.change.org/p/manifesto-de-apoio-%C3%A0-democracia-ao-tse-e-%C3%A0-chapa-lula-alckmin"><em><u>Entre aqui e assine o #ManifestoDosJornalistas você também</u></em></a> </strong></p>



<p><strong>Assinam este Manifesto:</strong></p>



<p>Adélia Borges<br>Admar Branco<br>Adriana Caitano<br>Adriana Castelo Branco<br>Adriana Dória Matos<br>Adriana Mendes<br>AdrianaSantana<br>Adriana TigreLacerdaNilo<br>Adroaldo Bauer Corrêa<br>Affonso Henriques Nunes<br>Afonso Borges<br>Agostinho Vieira<br>Alaor Filho<br>Alberto César Araújo<br>Alceste Pinheiro<br>Alex Solnik<br>Alexandre Medeiros<br>Alexandre Noronha<br>Alexandre Palma<br>Aline Galvão Buarque Lira<br>Aline Vieira Costa<br>Alvaro Britto<br>Amanda Audi<br>Amauri Alfredo Eugênio Júnior<br>Amelia Gonzalez<br>Ana Alice Nogueira<br>Ana Cecília Americano<br>Ana Cláudia Peres<br>Ana Claudia Souza<br>Ana E L Vasconcelos<br>Ana Lúcia Magalhães<br>Ana Madureira de Pinho<br>Ana Magalhães<br>Ana Márcia Vainsencher<br>Ana Maria Mandim<br>Ana Maria Palma<br>Ana Tavares<br>Ana Veloso<br>Analea Rego<br>Anderson Cruz<br>André Lobão<br>André Motta Lima<br>Andréa Dantas de Andrade<br>Andrea Gouveia Vieira<br>Andrea Penna<br>Andrea Trigueiro<br>Andrei Meireles<br>Andréia Peres<br>Angela Marinho<br>Angélica Torres<br>Angelina Nunes<br>Anna Halley<br>Antônio Augusto de Queiroz<br>Antônio Barros<br>Antonio Batalha<br>Antônio Carlos Queiroz<br>Antonio Henrique Lago<br>Antônio Henrique P Junior<br>Antônio Reinaldo Silva Oliveira<br>Aparecido Araujo Lima<br>Aquiles Lopes de Oliveira<br>Armando Sobral Rollemberg<br>Arnaldo Ribeiro<br>Ascanio Seleme<br>Aydano André Motta<br>Ayoub Hanna Ayoub<br>Aziz Ahmed<br>Beatriz Bomfim<br>Beatriz Santacruz Chargel<br>Bepe Damasco<br>Berenice Otero<br>Bernardo Vianna<br>Bia Barbosa<br>Bianca Levy<br>Boanerges Lopes<br>Bob Fernandes<br>Braulio Neto<br>Breiller Pires<br>Bruno Formiga<br>Bruno Thys<br>Bruno Torturra<br>Cacalo Kfouri<br>CacildaSeabra<br>Camila Carvalho da Costa Freire<br>Camila Salmazio<br>Camila Shaw<br>Carla Seabra<br>Cárlida Emerim<br>Carlos Alberto Júnior<br>Carlos Augusto Setti<br>Carlos Conde<br>Carlos Eduardo Pestana Magalhães<br>Carlos Magno Almeida<br>Carlos Müller<br>Carlos Osório<br>CarlotaAraújo<br>Carmem Moretzohn<br>Carmen Pereira<br>Carol Monteiro<br>Carol Zappa<br>Carolina Fonseca<br>Carolina Mazzi<br>Carolina Oms<br>Carolina Trevisan<br>Catarina Barbosa<br>Cecília Queiroz<br>Celeste Cintra<br>Célia Costa<br>Celso Bacarji<br>Celso de Rocha Barros<br>Celso Schröder<br>Cély Leal<br>César Nogueira<br>Chico Bicudo<br>Chico Malfitani<br>Chico Pinheiro<br>Chico Santos<br>Christina Tavares<br>Christine Ajuz<br>Cícero Pedrosa Neto<br>Cid Benjamin<br>Cida Damasco<br>Cida Paiva<br>Ciro Câmara<br>Clara Glock<br>Clara Guimarães<br>Clara Torres<br>Cláudia Moretzson<br>Cláudia Bensimon<br>Cláudia Freitas<br>Cláudia Lima<br>Claudia Noronha<br>Claudia Regina Gabardo<br>Claudia Santiago Vieira Giannotti<br>Claudio Angelo<br>Claudio Arreguy<br>Cláudio Prudente<br>Cláudio Versiani<br>Cleyber Fintelman<br>Clóvis Marques<br>Clóvis Monteiro Neto<br>Clóvis Saint-Clair<br>Clóvis Victória Junior<br>Conceição Lemes<br>Cris Olivette<br>Cristiane Bonfim<br>Cristiane de Cássia<br>Cristiano Torres Lima<br>Cristina Amorim<br>Cristina Ávila<br>Cristina Borges<br>CristinaDuarte<br>Cristina Nabuco<br>Cristina Nunes<br>Cristina Piacsek<br>Cristina Rigitano<br>Cristina Serra<br>Cristina Velho<br>Cristine Gentil<br>Cynara Menezes<br>Dácio Malta<br>Dafne Aston<br>Daiene Mendes<br>Dal Marcondes<br>Dâmares FerreiraVaz<br>Daniel A. Rubio<br>Daniel Fonsêca<br>Daniela Schubnel<br>Daniella Sholl<br>Darlene Menconi<br>Dauro Veras<br>Débora Iankilevich<br>Débora Nascimento<br>Deborah Dumar<br>Denis Kuck<br>Denise Assis<br>Denise Mirás<br>Denise Pereira Caputo<br>Dennis de Oliveira<br>Dojival Vieira dos Santos<br>Dorivândia Ribeiro Torres<br>Dorrit Harazin<br>Edda Ribeiro<br>Edmilson Silva<br>Edna Dantas<br>Ednilson Valia<br>Edson Sardinha<br>Eduarda Nunes<br>Eduardo Diniz<br>Eduardo Matysiak<br>Eduardo Nunomura<br>Eduardo Reina<br>Eduardo Ribeiro<br>Eduardo Tironi<br>Eduardo Wendhausen<br>Elaíze Farias<br>Elane Maciel<br>Elenilce Bottari<br>Eleonora de Lucena<br>Eliane Bardanachvili<br>Eliane Brum<br>Eliane Faccion<br>Eliane Silveira<br>Elias Fajardo<br>Elias Santana<br>Elisa Andries<br>Elisa Mattos<br>Elson Faxina<br>Eric Nepomuceno<br>Érica Figueredo<br>Érica Lima<br>Érica Ribeiro<br>Érika Morth<br>Erika Werneck<br>Erothildes Medeiro<br>Esdras Gomes<br>Eumano Silva<br>Evandro Medeiros<br>Evanes Pache Martins<br>Everaldo d&#8217; Alverga<br>Everton Luis Almeida de Lima<br>Fabiana Moraes<br>Fabiano Angélico<br>Fábio Bispo<br>Fabio Bosquê<br>Fábio Costa Pinto<br>Fábio Iorio<br>Fábio Lau<br>Fabio Soares<br>Fátima Belchior<br>Fátima Lacerda<br>Fausto Salvadori<br>Felipe Barreto<br>Felipe Medeiros<br>Fernanda Carisio<br>Fernanda Rosário<br>Fernando Alvarus<br>Fernando Brito<br>Fernando Busian<br>Fernando Costa de Sousa<br>Fernando de Santis<br>Fernando Morais<br>Fernando Paulino<br>Fernando Rosa<br>Fernando Salles<br>Fichel Davit Chargel<br>Flamínio Araripe<br>Flávia Maria Lucena<br>Flavio de Mattos<br>Flávio Gomes<br>Flávio Wolf Aguiar<br>Florestan Fernandes Jr.<br>Francisco José Freire Ribeiro<br>Françoise Vernot<br>Franklin Siqueira<br>Franklin Valverde<br>Fred Melo Paiva<br>Gabriel Romeiro<br>Gabryella Garcia<br>George Marques<br>Geraldo Cantarino<br>Geraldo Hasse<br>Geraldo Mainenti<br>Gésio Passos<br>Gilberto Luiz<br>Gilson Fernandes de Sá<br>Gilvandro Filho<br>Gioconda Caputo<br>Giovana Girardi<br>Giovanna Carneiro<br>Gisele Federicce<br>Giuliano Cedroni<br>Glenda Mezarobba<br>Gloria Alvarez<br>Gloria Chediak<br>Gloria Santos<br>Graça Lago<br>Graça Neiva<br>Graça Ramos<br>Grace Perpétuo<br>Guto Pires<br>Heitor Peixoto Diniz<br>Heitor Rocha<br>Helena Chagas<br>Helena Martins<br>Hélio Alcântara<br>Hélio Campos Mello<br>Hélio Doyle<br>Helly Ellery<br>Hercilia Galindo Moreira<br>Hilton Viotti<br>Holanda Cavalcanti<br>Humberto Werneck<br>Iara Cruz<br>Ilimar Franco<br>Iluska Coutinho<br>Inácio França<br>Inês Campelo<br>Irany Tereza<br>Irene Cristina Gurgel do Amaral<br>Iris Brasil<br>Isa Colli<br>Isabel Christina Gonçalves Pacheco<br>Isabel Clavelin<br>Isabel Cristina Medeiros<br>Isabel Gonçalves<br>Isabela Abdala<br>Isabela Kassow Tavares<br>Isabela Reis<br>Isabelle Maciel<br>IvanBruno<br>Ivan Martinez Vargas<br>Ivânia Vieira<br>Jack de Carvalho<br>Jairo Malta<br>Jamil Chade<br>Jamile Santana<br>Jan Rocha<br>Jana Beserra de Sá<br>Jeanice Dias 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Costa Pinto<br>Luís Edmundo Araujo<br>Luís Nassif<br>Luís Sucupira<br>Luís Tajes<br>Luiz André do Prado<br>Luiz Carlos Duarte<br>Luiz Cláudio Cunha<br>Luiz Eduardo Rezende<br>Luiz Fernando Emediato<br>Luiz Guilhermino (Kaká)<br>Luiz Nascimento<br>Luiza Villaméa<br>Lygia Jobin<br>Madalena Ioneda<br>Madalena Rodrigues<br>Mair Pena Neto<br>Maíra Santafé<br>Malu Emediato Álvares<br>Malu Guilhermino<br>Manina Aguiar<br>Manuela Carta<br>Mara Cristina Ribeiro<br>Marcel Bezerra<br>Marcello Riella Benites<br>Marcellus Leitão<br>Marcelo Ahmed<br>Marcelo Auler<br>Marcelo Beraba<br>Marcelo Moutinho<br>Marcelo Oliveira<br>Marcelo Pontes<br>Marcelo Soares<br>Marceu Vieira<br>Márcia Catunda<br>Márcia Cristina Guenes Tavares<br>Márcia Gomes<br>Márcia Marques<br>Márcia Quintanilha<br>Marcio Antonio Von Kriiger<br>Marcio Camilo<br>Márcio Rodrigues<br>Marco Túlio Lustosa de Alencar<br>Marcos Emilio Santuario<br>Marcos Gomes<br>Marcos Tristão<br>Marcos Urupá<br>Maria Aparecida Torneros da Silva<br>Maria Carolina Santos<br>Maria Cristina Angelini<br>Maria Cristina Valent<br>Maria das Graças Pinto Coelho<br>Maria de Lourdes Marinho<br>Maria do Carmo Batiston<br>Maria Eduarda da Mota Rocha<br>Maria Inês Nassif<br>Maria Lúcia Martins<br>Maria Luiza Bernstorff Gualberto<br>Maria Luiza Franco Busse<br>Mariama Correia<br>Mariana Kotscho<br>Mariana Oliveira<br>Marilena Freitas<br>Marina Moraes<br>Marina Solon<br>Marina Valente<br>Mario Jorge Guimaraes<br>Mario Milani<br>Mario Sergio De Moraes<br>Mario Vitor Santos<br>Marisa Mello<br>Maristela Crispim<br>Maristela Mafei<br>Maristela Pastore<br>Marizilda Cruppe<br>Marli dos Santos<br>Martha Esteves<br>Martha Feldens<br>Martihene Oliveira<br>Maurício Corrêa da Silva<br>Mauro Lopes<br>Mauro Silveira<br>Mauro Ventura<br>Miguel Paiva<br>Milly Lacombe<br>Milton Alves<br>Milton Guran<br>Mino Carta<br>Miriam Gontijo de Moraes<br>Miriam Karam<br>Mirian Carvalho<br>Mirlene Frota<br>Moacir Assunção<br>Moacir de Souza José<br>Moacyr Oliveira 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Cagiano<br>Ronaldo Mattos<br>Roni Lima<br>Rosana Tonetti<br>Rosayne Macedo<br>Rossini Barreira<br>Rudolfo Lago<br>Rui Xavier<br>Ruth Barbosa Martins<br>Salomão de Castro<br>Samarone Lima<br>Samira de Castro Cunha<br>Samuel Pantoja Lima<br>Sandra Chaves<br>Sandra Martins<br>Sandracleia de Oliveira Silva<br>Semayat Oliveira<br>Sérgio Canova<br>Sérgio Gomes<br>Sergio Kalili<br>Sérgio Leo<br>Sergio Miguel Buarque<br>Sergio Ramalho d’Araújo<br>Sérgio Rodrigues<br>Sérgio Torres<br>Severino Francisco<br>Silvia Fernandes<br>Sílvia Fonseca<br>Sílvia Leite Bessa<br>Silvio Oricolli<br>Simone Lima<br>Simone Romero<br>Simone Teixeira Martins<br>Solange Nunes Pereira<br>Solon Neto<br>Sonia Aguiar<br>Sonia Carneiro<br>Sonia Lúcia Nunes Pinto<br>Sonia Pompeu<br>Sonia Regina Mele<br>Sonia Soares<br>Soraya Aggege<br>Suely Caldas<br>Sumaia Villela<br>Suzana Veríssimo<br>Sylvia Moretzsohn<br>Sylvio Costa<br>Tadeu Aguiar<br>Tania Coelho<br>Tania Malheiros<br>Tânia Rabello<br>Tarcísio José Aquino Oliveira 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		<title>Família Bolsonaro provocou 801 ataques à imprensa no Twitter, constata pesquisa da Abraji</title>
		<link>https://marcozero.org/familia-bolsonaro-provocou-801-ataques-a-imprensa-no-twitter-constata-pesquisa-da-abraji/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Jul 2022 20:41:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[desinformação]]></category>
		<category><![CDATA[Eduardo Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[fake news]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Bolsonaro]]></category>
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		<category><![CDATA[mentiras de Bolsonaro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em um ano e quatro meses, Jair Bolsonaro e seus filhos Flávio Bolsonaro (PP-RJ), Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Carlos Bolsonaro (Republicanos &#8211; RJ), incitaram ataques à imprensa 801 vezes por meio de publicações e interações no Twitter. O dado foi divulgado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) que, entre 1º de janeiro de 2021 [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em um ano e quatro meses, Jair Bolsonaro e seus filhos Flávio Bolsonaro (PP-RJ), Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Carlos Bolsonaro (Republicanos &#8211; RJ), incitaram ataques à imprensa 801 vezes por meio de publicações e interações no Twitter. O dado foi divulgado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) que, entre 1º de janeiro de 2021 e 5 de maio de 2022, analisou 14.918 tweets e retweets feitos pelo presidente da república e seus filhos com cargos eletivos.</p>



<p>Dados dos <a href="https://abraji.org.br/publicacoes/relatorio-monitoramento-de-ataques-a-jornalistas-no-brasil" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>monitoramentos de ataques</strong></a> e <a href="https://abraji.org.br/publicacoes/relatorio-violencia-de-genero-contra-jornalistas" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>violência de gênero contra jornalistas</strong></a> da Abraji demonstram que, nos últimos dois anos, o clã Bolsonaro, seguidos por aliados e apoiadores do governo, lideram como principais autores de ataques contra profissionais ou veículos da imprensa. O vereador Carlos Bolsonaro foi o integrante da família que mais atacou veículos de comunicação e jornalistas com 351 publicações, respostas e compartilhamentos de assuntos hostis no Twitter. Em seguida, estão o deputado federal Eduardo Bolsonaro, com 340 ataques e conteúdos ofensivos, e o senador Flávio Bolsonaro, com 76. Já o presidente Jair Bolsonaro somou 34 postagens e repostagens sobre a imprensa, com conteúdos que afirmaram uma postura agressiva contra a mídia e aos comunicadores.</p>



<p>Em relação ao conteúdo das postagens sobre a mídia feitas por membros da família Bolsonaro, ataques, críticas e tentativas de descredibilização da imprensa foram maioria e chegaram a ser mencionados em 73% dos tweets do presidente e seus filhos. Os discursos estigmatizantes proferidos por autoridades e as campanhas sistemáticas de intimidação a jornalistas despontam como os principais tipos de agressão contra a imprensa, chegando a 74,6% dos casos registrados em 2021 e 64,5% dos episódios identificados entre janeiro de 2022 até o momento.</p>



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	                                        <p class="m-0">Print de uma publicação do Twitter de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) </p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Uma rede formada por políticos e influenciadores</strong></h2>



<p>Os dados coletados pela Abraji evidenciam o potencial das redes sociais como ferramentas de ataques contra jornalistas e membros da imprensa, uma vez que 62,5% dos alertas realizados por profissionais de comunicação em 2021 e 60,1% em 2022 tiveram origem ou repercussão na internet. As informações revelam um padrão de violência contra a imprensa que cresce no ambiente online: atores políticos iniciam a hostilização e seus seguidores a amplificam. Com isso, uma rede de ataques é formada e espalhada de forma articulada.</p>



<p>A exemplo disso estão os casos das jornalistas Míriam Leitão e Vanessa Lippelt. Em abril de 2022, Eduardo Bolsonaro fez uma publicação no Twitter debochando da prisão e da tortura sofridas por Míriam Leitão no período da ditadura militar no Brasil, a agressão ecoou e a jornalista foi vítima de diversos ataques na internet. Já a editora do site Congresso em Foco, Vanessa Lippelt, passou a sofrer ataques e ameaças de violência &#8211; inclusive de estupro &#8211; após a <a href="https://www.abraji.org.br/abraji-repudia-ameacas-de-morte-a-jornalista-de-brasilia?utm_source=newsletter&amp;utm_medium=email&amp;utm_campaign=associados-abraji" target="_blank" rel="noreferrer noopener">publicação de um matéria que revelava a mobilização de um fórum anônimo para produzir conteúdo com desinformações em favor do presidente.</a></p>



<p>A análise dos tweets da família Bolsonaro sobre a imprensa revelou uma rede de conexões entre contas que são frequentemente respondidas e retweetadas pelo quatro políticos em seus ataques. Essa rede é majoritariamente formada por figuras políticas conhecidas nacionalmente e influenciadores que possuem milhares de seguidores no Twitter.</p>



<p>Um gráfico feito pela Abraji mostra as conexões entre os perfis da família Bolsonaro e contas no Twitter que receberam interações em ataques contra a imprensa.</p>



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<p>O vereador Carlos Bolsonaro interage frequentemente com as contas de Elisa Brom (@brom_elisa), que tem 125,3 mil seguidores na plataforma; Iara BG (@iaragb), com 74 mil seguidores; e Sarita Coelho (@saritacoelho), com 74,5 mil seguidores. Carlos também divide ataques com o influenciador Kim Paim (@kimpaim), que possui 678,2 mil seguidores no Twitter e 629 mil inscritos no YouTube, e com atores políticos como o ex-secretário especial de Cultura, Mário Frias (@mfriasoficial), o chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, General Heleno (@gen_heleno), o ex-secretário nacional de Incentivo e Fomento à Cultura, André Porciúncula (@andreporci), o comentarista político Rodrigo Constantino (@RConstantino) e o pastor Marco Feliciano (@marcofeliciano).</p>



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	                                        <p class="m-0">Print de publicações do Twitter do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos &#8211; RJ) </p>
	                
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<p>O deputado federal Eduardo Bolsonaro retweetou com frequência seus próprios conteúdos e, assim como o irmão, interagiu com Elisa Brom, André Porciuncula, General Heleno, Kim Paim e Rodrigo Constantino. Já o senador Flávio Bolsonaro deu visibilidade aos tweets de perfis da própria família, compartilhando com frequência conteúdos de Carlos e Jair Bolsonaro, e também de contas influentes na plataforma, como TeAtualizei (@taoquei1), com 1,1 milhões de seguidores, e do ministro das Comunicações, Fabio Faria (@fabiofaria), com 495,7 mil seguidores.</p>



<p>Entre os ataques à imprensa feitos pelo presidente Jair Bolsonaro, 5,9 são retweets e 50% são respostas &#8211; todas à própria conta. Bolsonaro só compartilhou publicações do filho Carlos e do comandante da Força Aérea Brasileira, Brigadeiro Baptista Jr (@CBaptistaJr).</p>



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	                                        <p class="m-0">Publicação de Jair Bolsonaro no Twitter em abril de 2021. Crédito: reprodução / Twitter</p>
	                
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<p></p>



<p><em><strong>Esta reportagem foi produzida com apoio do <a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do <a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project.</a></strong></em></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa<a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">página de doação</a>ou, se preferir, usar nosso<strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong>.<br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong>.</cite></blockquote>
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		<title>“Investidas como essas não vão nos parar, não vão nos calar”, diz Dani Portela após sofrer ameaças</title>
		<link>https://marcozero.org/investidas-como-essas-nao-vao-nos-parar-nao-vao-nos-calar-diz-dani-portela-apos-sofrer-ameacas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 Apr 2022 15:50:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonarismo]]></category>
		<category><![CDATA[fake news]]></category>
		<category><![CDATA[PSOL]]></category>
		<category><![CDATA[Violência Política]]></category>
		<category><![CDATA[Violência política de gênero]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A vereadora mais votada do Recife nas últimas eleições, em 2020, vem sofrendo uma série de ataques e até ameaças de morte após grupos conservadores espalharem fake news na internet. Dani Portela (PSOL), pré-candidata a deputada estadual, é a única mulher negra na atual legislatura, em que seu partido tem enfrentado dificuldades para aprovar projetos. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A vereadora mais votada do Recife nas últimas eleições, em 2020, vem sofrendo uma série de ataques e até ameaças de morte após grupos conservadores espalharem fake news na internet. Dani Portela (PSOL), pré-candidata a deputada estadual, é a única mulher negra na atual legislatura, em que seu partido tem enfrentado dificuldades para aprovar projetos.</p>



<p>A parlamentar chega ao fim desta semana de denúncias, registro de Boletim de Ocorrência e pedido de providências reafirmando a postura em defesa da democracia e contra as opressões. “Investidas como essas não vão nos parar, não vão nos calar”, disse à <strong>Marco Zero</strong> após desembarcar, no início da noite desta sexta-feira, 29 de abril, para compromissos em Salvador, onde participará do “Encontro de mulheres negras: radicalizando o imaginário coletivo e político de esquerda”.</p>



<p>Dani teve um requerimento rejeitado por maioria da câmara no último dia 19, dia do Exército Brasileiro. A proposta previa a remoção do busto do general-ditador Humberto Castello Branco do canteiro central da ponte Castello Branco, na Avenida Caxangá, bairro da Várzea, zona oeste da cidade (saiba mais ao longo da matéria). Blogs e perfis bolsonaristas espalharam mentiras sobre a proposta da parlamentar, gerando reação tão violenta quanto rápida, com ameaças, xingamentos e palavras de ódio até mesmo no e-mail institucional.</p>



<p>O mandato de Dani pretende acionar Justiça nos âmbitos penal e cível para que os responsáveis por espalhar mentiras sejam identificados e responsabilizados e os conteúdos sejam retirados do ar. Sua assessoria jurídica também irá pedir indenização por danos morais e à imagem da vereadora. A equipe já solicitou que o texto do BO seja corrigido, pois, na oitiva, não foi inserida a questão da ameaça. Ficaram registradas as denúncias de calúnia, difamação e injúria.</p>





<p>“Historicamente no Brasil, as mulheres são vítimas de violência política em todas as instâncias. Nossa representatividade é pequena e nossos corpos são atacados de diversas formas. Quando recebo ameaças como as que estamos denunciando esta semana, chegando ao ponto de utilizarem o e-mail institucional da câmara, é a confirmação de que ainda há um longo caminho para que as mulheres, e mais especificamente, as mulheres negras, sejam reconhecidas nos espaços de poder. Vejam só, o Brasil tem menos mulheres na política do que países como o Afeganistão! Somos maioria nas ruas, minoria nos plenários”, colocou Dani.</p>



<p>Ela lembrou Marielle Franco (PSOL), assassinada há quatro anos, “vítima desse sistema de silenciamento, em um crime que até hoje não foi solucionado”. Na avaliação da vereadora, “o desafio é a transformação desse modelo de opressão. E para modificar esse sistema, precisamos ser mais na política. Quando uma mulher negra cai, muitas outras se levantam”.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O requerimento</strong> e as discussões</h2>



<p>O tema do requerimento de Dani Portela não era novidade na Câmara de Vereadores do Recife. Ele já havia sido rejeitado na legislatura passada após proposta do vereador Ivan Moraes, também do PSOL. O assunto voltou ao debate na casa no último dia 19 e, após o vereador Renato Antunes (PSC), líder da oposição na casa, requerer votação nominal, a matéria foi rejeitada por 16 votos contra e apenas seis a favor, com uma ausência expressiva de um total de 16 parlamentares. O tema gerou discussões acaloradas que tomaram parte da <a href="https://e-processo.recife.pe.leg.br/consultas/sessao_plenaria/agenda_sessao_plen_mostrar_proc?cod_sessao_plen=461&amp;dat_sessao=19/04/2022">sessão ordinária</a> do dia.</p>



<p>Na justificativa do voto, Dani enfatizou que a iniciativa não era em favor do “vereador a ou b”, mas em defesa da democracia. “Essa não é uma disputa meramente ideológica, é uma disputa de que história a gente quer contar”, argumentou. “As duas décadas de ditadura militar brasileira são uma época de que nós não podemos esquecer. As instituições democráticas estão em constante ameaça. A democracia, que é uma palavra que nós falamos tanto, ela é jovem, ela é recente, ela é frágil e constantemente ela sofre ataques e ameaças”, defendeu ao dizer que esse “não é um tema qualquer”.</p>



<p>Dani disse respeitar a decisão democrática da câmara, mas lamentou: “A Casa José Mariano hoje (19 de abril de 2022) entra pela história não com revisionismo, mas defendendo torturadores, mas defendendo o pior período da história do Brasil.”</p>



<p>Por outro lado, vereadores que votaram contra o requerimento argumentaram pela questão legal da matéria. Renato Antunes (PSC) chegou a dizer que a proposta era de um “revisionismo histórico sem pé e sem cabeça”. É dele o <a href="https://e-processo.recife.pe.leg.br/consultas/materia/materia_mostrar_proc?cod_materia=OTgwMjU=">Projeto de Lei (PL) 139/2020</a>, aprovado pela câmara na semana anterior, que estabelece que “alteração, remoção e transposição de estátuas, bustos, monumentos históricos e outros símbolos tradicionais” sejam feitas apenas através de PLs.</p>



<p>“Não podemos fazer revisionismo histórico à base de requerimento, à base de decretos discricionários, à base do achismo de um grupo que sequer consultou o povo”, disse Renato. E emendou disparando: “Agora eu pergunto à vossa excelência, vai retirar o busto de Castello Branco e vai colocar o busto de quem lá? De Fidel Castro? Na Ponte Castello Branco?”.</p>



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		<title>Comissão de Saúde da Alepe promove audiência pública antivacina e YouTube retira vídeo do ar</title>
		<link>https://marcozero.org/comissao-de-saude-da-alepe-promove-audiencia-publica-antivacina-e-youtube-retira-video-do-ar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Dec 2021 18:11:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[alepe]]></category>
		<category><![CDATA[Clarissa Tércio]]></category>
		<category><![CDATA[covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[desinformação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na semana passada a Comissão de Saúde e Assistência Social da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) promoveu uma audiência pública contra as vacinas. Isso mesmo: em um estado em que mais de 20 mil pessoas já morreram de covid-19 e em que o percentual de vacinados é de 63,22%, abaixo da média nacional de 66,1%, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Na semana passada a Comissão de Saúde e Assistência Social da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) promoveu uma audiência pública contra as vacinas. Isso mesmo: em um estado em que mais de 20 mil pessoas já morreram de covid-19 e em que o percentual de vacinados é de 63,22%, abaixo da média nacional de 66,1%, dinheiro público e o trabalho de servidores públicos foram usados para uma audiência que contou com a participação de dez negacionistas e o relato de uma mulher que se apresenta como &#8220;mãe de uma vítima da vacina&#8221;.<br><br>Por mais de três horas, na quinta-feira, 9 de dezembro, os &#8220;especialistas&#8221; que palestraram na audiência presidida pela deputada Clarissa Tércio (PSC) desfilaram um rosário de mentiras, delírios e pseudociência. Seria necessário não uma reportagem, mas um veículo de notícias para desmentir todas as abobrinhas levadas ao público. Só um exemplo: a vacina vai deixar os soldados brasileiros das Forças Armadas inválidos, acabando com a soberania nacional e fazendo com que o Brasil seja invadido por forças comunistas.<br><br>Como a maioria do conteúdo foi desinformação amplamente compartilhadas no WhatsApp e outros aplicativos e sites, já foram em boa parte desmentidas pelos sites de checagem. Aqui, você confere quase todas elas, desmentidas pelo <a href="https://projetocomprova.com.br/?filter=saude">Projeto Comprova</a>, <a href="https://www.aosfatos.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Aos Fatos</a>, <a href="https://www.boatos.org/tag/coronavirus" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Boatos.org</a> e <a href="https://g1.globo.com/fato-ou-fake/coronavirus/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">G1</a>.<br><br>Apesar de ter sido presidida pela deputada Clarissa Tércio, notória negacionista da pandemia e apoiadora do presidente Jair Bolsonaro, não se tratou de uma audiência do mandato dela. Por unanimidade, os deputados que fazem parte da Comissão de Saúde e Assistência Social da Alepe aprovaram a realização da audiência, sabendo que seria um espaço para a divulgação de discurso antivacinas.<br><br>A Comissão de Saúde e Assistência Social é presidida pela deputada Roberta Arraes (PP) e conta com o líder do governo Isaltino Nascimento (PSB) na vice-presidência, além de Simone Santana (PSB), Cleiton Collins (PP) e a própria Clarissa Tércio. Na suplência, completam a comissão João Paulo (PCdoB), Laura Gomes (PSB), Alessandra Vieira (PSDB), Antônio Fernando (PSC), e Fabíola Cabral (PP).<br><br>Como isso aconteceu? O vice-presidente da Comissão, o deputado Isaltino Nascimento, afirma que foi uma decisão política dar o aval da Comissão de Saúde para a reunião antivax. &#8220;Não impedimos [a audiência] para ela [Clarissa] não vir com o discurso de ser contra uma audiência pública, entendeu? de ser censor, de censurar, né? Foram vários aspectos analisados e preferimos deixar o show particular dela, mas foi pensado politicamente&#8221;, afirmou, em entrevista à Marco Zero.<br><br>Ao mesmo tempo, Isaltino também afirma que foi estratégica a não participação na audiência da grande maioria dos integrantes da Comissão de Saúde. &#8220;A gente deixou ela ficar sozinha jogando com a plateia dela. Se participasse a gente iria colocar azeitona na empada dela. Então a gente fez a opção política, a maioria de esquerda preferiu deixar ela lá. Se qualquer um de nós fosse participar, a gente ia estar dando fôlego pra ela. Praticamente foi pra bolha dela, né? Foi tático não participar&#8221;, afirmou.<br><br>Mas não foi bem assim que aconteceu. Também integrante da Comissão, o deputado João Paulo (PCdoB) foi o único com juízo a entrar na audiência. Virou um alvo fácil de xingamentos nos comentários e dos palestrantes e foi destratado pela própria Clarissa Tércio. &#8220;Ela não queria me dar a palavra, dizendo que eu não havia sido convidado. Não só como integrante da comissão de saúde, mas como deputado, tenho direito à palavra nas audiências públicas&#8221;, disse, em entrevista à MZ.<br><br>A rápida participação de João Paulo serviu para dar face a um inimigo ali dentro daquela audiência e ajudou Clarissa Tércio a vender o discurso de censura e perseguição. Por diversas vezes ao longo da transmissão, ela citou que o YouTube iria tirar a audiência do ar e que havia protestos na Alepe contra a audiência. O deputado João Paulo ainda tentou entrar ao fim da reunião virtual, mas foi barrado pela deputada, segundo relatou a Marco Zero.<br><br>O deputado também enfatizou que a aprovação da comissão de Saúde à audiência pública foi para &#8220;ter um contraponto&#8221; e Clarissa Tércio não usar o discurso de perseguição. Como se vê, não adiantou. Além de propagar mentiras para milhares de pessoas que acompanharam a audiência, com a chancela da Alepe, ela conseguiu furar (além de ampliar) a bolha: houve matérias sobre a audiência na TV Alepe e no site. João Paulo afirmou que pretende convocar uma nova audiência pública para desmentir tudo que se passou nessa outra.<br><br>O deputado Alberto Feitosa foi outro deputado que participou da audiência, mas como apoiador da causa. Com uma cruz no peito onde se lia &#8220;não vacinado&#8221;, o ex-secretário de turismo da gestão de Geraldo Júlio (PSB) no Recife, apoiou discursos em que se comparava o holocausto dos judeus no 2º Guerra Mundial ao passaporte da vacina contra a covid-19.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Desinformação não pode ter o aval das instituições</h2>



<p>O discurso usado pelos deputados pró-vacinas para votar a favor da audiência pública dos antivacinas não encontra espaço no debate público sobre desinformação. Ao falar em contraponto, os deputados estabelecem que há uma oposição justa. Não é o caso. Enquanto cientistas trabalham com pesquisas, incertezas e fatos, os negacionistas usam de falácias, verdades absolutas e distorções.<br><br>&#8220;Não, não há simetria alguma&#8221;, reclama o cientista e professor Jones Albuquerque, da Academia Pernambucana de Ciências (APC), pesquisador do Laboratório de Imunopatologia Keizo Asami (LIKA-UFPE) e à frente do Instituto para Redução de Riscos e Desastres (IRRD-PE). &#8220;Eu vejo [a audiência pública contra vacinas] como um absoluto desserviço ao bem-estar da população e da sociedade que os deputados, supostamente, deveriam representar e zelar pela saúde de todos&#8221;, diz. &#8220;A (revista) The Economist publicou um cenário mundial de países em combate a Ômicron. E o Brasil só está onde está (em terceiro lugar entre os países com maior proteção) por causa exatamente da vacina&#8221;, afirma.<br><br>Antes da pandemia, ainda em 2019, o cientista irlandês David Robert Grimes, demonstrava profunda preocupação com esse falso &#8220;outro lado&#8221;. No artigo <a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6680130/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Um ato de equilíbrio perigoso</a>, publicado na <em>EMBO Reports</em>, ele alertava que o falso equilíbrio é perigoso porque amplifica e dá credibilidade à desinformação e mentiras. &#8220;Se uma posição é apoiada por uma abundância de evidências enquanto outra está totalmente desprovida disso, é profundamente errado oferecer cobertura e tempo de transmissão iguais para ambas as posições”, escreveu.</p>



<h3 class="wp-block-heading">YouTube retira vídeo do ar</h3>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Print do YouTube</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>Não era para menos. Ao contar com uma galáxia de negacionistas e divulgação farta e irrestrita das mais paranoicas mentiras sobre vacinas e covid-9, era esperado que o YouTube retirasse o vídeo do ar. O que realmente aconteceu dois dias após a audiência. Enquanto a Marco Zero acompanhou ao vivo a audiência, em nenhum momento havia menos de 650 pessoas online.<br><br>Hoje, quem tenta <a href="https://www.youtube.com/watch?v=FRgfL1XsEjY&amp;feature=youtu.be">acessar o link da audiência pública </a>se depara com a mensagem padrão: &#8220;Este vídeo foi removido por violar as diretrizes da comunidade do YouTube&#8221;.<br><br>O mandato de Clarissa Tércio afirma que foram 12 mil visualizações no total e que foi o vídeo mais visto do canal da Alepe. Não custa repetir: serviço público usado para espalhar mentiras para milhares de pessoas com o aval da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Pernambuco.<br><br>Na última reunião da Comissão de Saúde do ano, nesta terça-feira (14), participaram apenas a presidente Roberta Arraes, o vice-presidente Isaltino Nascimento e a deputada Simone Santana. Nada se falou diretamente sobre a audiência antivacinas. Mas, ao final, a deputada Roberta Arraes, agradeceu o trabalho do secretário estadual de saúde André Longo e o comitê científico contra a covid-19. &#8220;Quero pedir que as que as pessoas continuem com o sentimento da vacinação . Não acredito na falsa ideologia de não se vacinar. Precisamos sim levantar a bandeira da imunização. Isso é importantíssimo. E não esquecer também das máscaras&#8221;, afirmou. </p>



<p>A Marco Zero entrou em contato com a assessoria de comunicação da Alepe para saber a razão oficial da realização da audiência pública contra vacinas, além de perguntar sobre a retirada do vídeo do YouTube e a realização de uma nova audiência pública sobre vacinas. Até a publicação dessa matéria, não obtivemos respostas. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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		<title>Governo Federal faz propaganda usando política criada por Temer em campus da UFPE construído por Lula</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 Oct 2021 20:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Caruaru]]></category>
		<category><![CDATA[desinformação]]></category>
		<category><![CDATA[fake news]]></category>
		<category><![CDATA[Internet]]></category>
		<category><![CDATA[mentira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É uma vinheta de apenas 15 segundos. &#8220;Não te contaram, mas o Governo Federal faz muito para melhorar a vida do nosso Nordeste&#8221;, começa a propaganda que faz parte de uma série de vinhetas para marcar os 1000 dias de Bolsonaro como presidente. O comercial segue mostrando imagens do Centro Acadêmico do Agreste (CAA) da [&#8230;]</p>
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<p>É uma vinheta de apenas 15 segundos. &#8220;Não te contaram, mas o Governo Federal faz muito para melhorar a vida do nosso Nordeste&#8221;, começa a propaganda que faz parte de uma série de vinhetas para marcar os 1000 dias de Bolsonaro como presidente. O comercial segue mostrando imagens do Centro Acadêmico do Agreste (CAA) da Universidade Federal de Pernambuco, em Caruaru. E aparece um professor de libras, identificado apenas como Cleyton, que faz elogios a um programa chamado Nordeste Conectado, no qual, diz a legenda do comercial, foram investidos R$ 55 milhões. &#8220;A vinda dessa internet para cá foi maravilhosa! (…) uma internet de qualidade traz uma verdadeira inclusão de qualidade&#8221;.<br><br>A propaganda de Bolsonaro causou espanto em alunos e funcionários do CAA: tudo que aparece nela é irreal.<br><br>O campus da UFPE em Caruaru foi inaugurado em 2006, dentro do programa de interiorização do ensino superior do Governo Lula. Já o programa Nordeste Conectado é cria do governo Temer e tinha como premissa levar internet de fibra ótica para universidades e escolas tendo como suporte as linhas de transmissão da Chesf. A operação do programa ficaria a cargo da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). O programa foi apresentado em junho de 2017, pelo então ministro da Educação, Mendonça Filho, no Porto Digital.<br><br>No relatório de gestão da RNP ainda do ano 2018 consta o campus Caruaru da UFPE como uma das instituições atendidas com o dobro de banda de internet, mas não cita o uso de fibra ótica. Em nota, a UFPE afirmou à Marco Zero que o &#8220;CAA não é beneficiário do programa Nordeste Conectado&#8221;. <br><br>A Marco Zero falou com diversos alunos e professores sobre a qualidade da internet no campus. A resposta foi unânime: não é uma boa internet. Um caso marcante aconteceu na semana passada, quando a propaganda do Nordeste Conectado já circulava nos perfis oficiais e nos sites do Governo Federal.<br><br>Para a abertura da Olimpíadas de Matemática dos Institutos Federais, o grupo de estudos Ayá Sankofa havia preparado um teatro de mamulengos, com transmissão ao vivo. Tentaram inicialmente a rede geral do campus, a <em>eduroam</em>, que não pegou. Em seguida, usaram a internet do laboratório de matemática. &#8220;Travou por várias vezes e não foi possível terminar a apresentação como queríamos. A sorte foi que o vídeo ficou salvo&#8221;, conta um aluno da graduação de matemática que participou do projeto. </p>



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	                                        <p class="m-0">O campus de Caruaru foi inaugurado no Governo Lula e não tem programa criado por Temer. Crédito: Reprodução UFPE</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading">Militante bolsonarista e dublê de professor</h2>



<p>A Marco Zero apurou que o homem que aparece na propaganda apenas como &#8220;Cleyton&#8221; é Cleyton Bueno Silva Costa, que concluiu a graduação em matemática, no mesmo centro em que ocorreu o caso relatado acima. Hoje, ele faz pós-graduação também em Caruaru. Em nota, a UFPE confirmou que Cleyton não é docente do campus Caruaru e &#8220;que o conteúdo das filmagens, embora realizadas nas dependências do Centro, não possuem vinculação com a instituição.&#8221;<br><br>Na época da graduação, Cleyton foi monitor da disciplina de libras. Apesar do vídeo governamental identificá-lo apenas como &#8220;professor de libras- Caruaru/PE&#8221; induz a acreditar que ele é professor do CAA, já que aparece no vídeo ministrando aula em uma das salas do campus.<br><br>Na última visita do presidente Bolsonaro a Pernambuco, na semana passada, Cleyton Bueno atuou como um dos intérpretes de libras da comitiva em Sertânia. Nas redes sociais, postou fotos ao lado do ministro do Turismo Gilson Machado (PSC), do influencer bolsonarista Maicon Sullivan, dos deputado federais pastor Eurico (Patriota) e André Ferreira (PSC) e dos deputados estaduais Alberto Feitosa (PSC) e Cleiton Collins (PP).<br><br>Também nas redes sociais, Cleyton se mostra um bolsonarista convicto. Apoiou o presidente nas eleições de 2018, defendeu o voto impresso e, ao se vacinar contra a covid-19, postou que &#8220;só há um &#8216;viva SUS&#8217; se vier junto de um Ministério da Saúde e Jair Messias Bolsonaro, que foram os responsáveis por essa vacina chegar até nós!&#8221;. Na foto, segurava uma plaquinha onde se lia que &#8220;genocida é quem desvia dinheiro da saúde, não quem envia&#8221;, com as hashtags #bolsonaro2022 e #votoauditaveljá.<br><br>Ou seja, nada na vinheta de 15 segundos &#8211; que conta com uma versão estendida de 30 segundos no site do Governo Federal &#8211; tem raiz na realidade. O CAA não faz parte do Nordeste Conectado, a internet no campus não é boa, a pessoa que aparece no vídeo não é professor da instituição.<br><br>Na manhã desta segunda-feira (01), dois professores de libras do CAA emitiram uma nota de repúdio conjunta. &#8220;O vídeo do  Governo Federal recentemente divulgado acerca de uma internet de qualidade e com ensino para surdos não reflete a realidade do nosso Campus do Agreste-UFPE. Desta forma, os professores de Libras do CAA e também coordenadores do Laboratório de Libras do Agreste informam que não receberam nenhum apoio desse programa do governo veiculado no vídeo, como também a internet é de péssima qualidade. Deste modo, repudiamos o discurso do vídeo e afirmamos que a opinião do estudante não reflete a opinião dos profissionais de Língua de Sinais do campus&#8221;, diz a nota assinada pelos professores Laerte Pereira e Thiago Albuquerque.</p>



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<p></p>
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		<title>Cientistas apontam erros em estudo contra lockdown de professor da UFPE publicado em sites bolsonaristas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Mar 2021 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[estudo]]></category>
		<category><![CDATA[fake news]]></category>
		<category><![CDATA[lockdown]]></category>
		<category><![CDATA[Pernambuco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nas última semanas, um estudo realizado por dois professores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) sugerindo que medidas como lockdown e quarentena aumentariam a mortalidade por covid-19, foi publicado por sites bolsonaristas e está sendo compartilhado freneticamente em grupos e redes de apoiadores do presidente da República, um estudo. A divulgação dos resultados da pesquisa [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nas última semanas, um estudo realizado por dois professores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) sugerindo que medidas como lockdown e quarentena aumentariam a mortalidade por covid-19, foi publicado por sites bolsonaristas e está sendo compartilhado freneticamente em grupos e redes de apoiadores do presidente da República, um estudo. A divulgação dos resultados da pesquisa do professor de psicologia cognitiva Bruno Campello de Souza e do seu pai, Fernando Menezes Campello de Souza, doutor em Engenharia Elétrica e professor do centro de Tecnologia, causou incômodo na universidade, principalmente por se tratar de um <em>preprint</em>, ou seja, ainda não foi concluído e revisado por outros pesquisadores.</p>



<p>Assim que o conteúdo começou a viralizar, a UFPE emitiu uma nota na tentativa de descolar sua imagem dos argumentos utilizados pelo bolsonarismo. Inicialmente a nota afirma que a instituição respeita &#8220;a liberdade de cátedra e a diversidade de pensamentos na comunidade acadêmica&#8221;, mas sem seguida faz referência aos &#8220;mais de 100 estudos da Universidade sobre o enfrentamento da pandemia, há publicações em periódicos consolidados, revisados por pares, que destacam a importância do isolamento social para reduzir a disseminação do coronavírus&#8221;. </p>



<p>Após a nota oficial, o site da universidade publicou uma matéria cujo título enfatiza o quanto o quanto a instituição deseja desvincular-se do estudo alinhado às teses de Jair Bolsonaro: <a href="https://www.ufpe.br/agencia/noticias/-/asset_publisher/dlhi8nsrz4hK/content/pesquisadores-da-ufpe-comprovam-eficacia-do-isolamento-social-no-combate-a-transmissao-do-coronavirus/40615" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Pesquisadores da UFPE comprovam eficácia do isolamento social no combate à transmissão do coronavírus</a>. </p>



<p>A ouvidora da universidade, a professora do departamento de Psicologia, Wedna Cristina Marinho Galindo, já havia reagido quando o Terça Livre, uma dos portais investigados no inquérito das fake news em andamento no STF, postou os resultados do tal estudo. Usando sua conta pessoal do twitter, a ouvidora disse que &#8220;trabalho científico sem avaliação de pares não atende exigência de rigor para publicação. Não entendo como o arquivo com suposto relatório de pesquisa está em circulação&#8221;. Em entrevista, Wedna Galindo confirmou e endossou o conteúdo do tuíte.</p>



<p>Para comentar o estudo, a Marco Zero ouviu três respeitados e reconhecidos pesquisadores pernambucanos que atuam em áreas distintas, mas que se completam: um estatístico, um epidemiologista e um virologista, todos trabalhando ativamente no combate à Covid-19. Todos defendem o lockdown.</p>



<h3 class="wp-block-heading">&#8220;Premissas falhas, dados falhos, análise falha&#8221;</h3>



<p>O médico virologista Ernesto Marques, pesquisador em saúde pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e professor de doenças infecciosas na Universidade de Pittsburgh (EUA), ficou indignado ao tomar conhecimento do conteúdo. &#8220;Esse artigo é absurdo. Não é um artigo científic, porém, está sendo divulgado como tal. Não é uma questão de diferença de opinião acadêmica, pois as premissas são falhas, os dados são falhos e a análise é falha&#8221;, analisa.<br><br>De acordo com ele, os autores cometem vários &#8220;erros seletivos visando propositadamente confundir a comunidade leiga, criando uma ilusão de evidência supostamente cientifica&#8221;. Tem mais: &#8220;O pior é que eles não consideram que entre o dia do início dos sintomas e o dia do óbito há uma variação de 30 a 80 dias. Ou seja, a maioria das mortes dos primeiros 50 dias são relacionadas a infecções anteriores às medidas de distanciamento social&#8221;, observa.<br><br>Ele afirma que os autores não têm calibre para discutir com os pares. &#8220;E querem fazer um debate acadêmico em público, dando uma impressão de que o que apresentam tem mérito igual a mais de 100 anos de experiência com quarentenas&#8221;, reclama.<br><br>Marques escreveu uma carta pedindo que o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) apure quais as motivações para a divulgação do artigo durante a maior crise de saúde pública já registrada no Brasil. &#8220;Os autores tentam derivar a uma relação causal a partir de um estudo puramente observacional, sem nenhum controle e sem um mecanismo plausível que possa explicar o efeito observado. É uma lógica idêntica a se observar que o galo canta e que em seguida o sol nasce, e concluir que o sol nasce porque o galo canta&#8221;, afirma.</p>



<h3 class="wp-block-heading">&#8220;Efeitos positivos maiores que os negativos&#8221;</h3>



<p>O estatístico Gauss Moutinho Cordeiro, professor titular da UFPE e doutor em estatística pelo Imperial College de Londres, não quis tecer comentários específicos sobre o estudo por se tratar de um &#8220;artigo ainda não publicado&#8221; e por ser amigo de um dos autores, Fernando Campello, há mais de 30 anos.<br><br>O professor, contudo, fez uma ampla defesa do lockdown como medida eficaz para o combate da disseminação do novo coronavírus. &#8220;É claro como o Teorema de Pitágoras: o lockdown reduz o número de contatos entre as pessoas durante o período de sua aplicação e, assim nunca poderá aumentar o número de infectados neste período e nem mesmo no curto prazo a posteriori, supondo que as demais condições persistam constantes&#8221;, afirmou. &#8220;Todo lockdown é uma medida paliativa, mas necessária para reduzir a sobrecarga nos hospitais (públicos e privados). Sem esse mecanismo, muitas pessoas irão morrer de imediato nas filas de espera por leitos hospitalares quando o sistema está colapsado. Os efeitos positivos do lockdown sempre são maiores que os negativos&#8221;, diz.<br><br>Eleito um dos cientistas mas influentes do mundo pela revista científica Pos Biology, Gauss lembra que o lockdown sempre foi usado por pesquisadores do mundo inteiro. &#8220;Por que almejar que a roda brasileira de combate à pandemia fique ainda mais quadrada?&#8221;, questiona.<br><br>O estatístico cita Portugal como bom exemplo para a importância do lockdown. &#8220;É um país que tem uma população próxima a de Pernambuco, de pouco mais de 10 milhões de habitantes. Portugal entrou em regime de lockdown completo a partir de 15 de janeiro por conta das aglomerações natalinas e da rápida disseminação da cepa britânica do vírus. Tanto a média móvel de 7 dias de casos confirmados quanto a correspondente de óbitos começaram a decair rapidamente desde o início de fevereiro devido exclusivamente ao lockdown que deve ser prolongado até o final de março. Aqui em Pernambuco, acredito que só teremos êxito com um lockdown até a metade de abril possibilitando depois a abertura do comércio, desde que com um policiamento ostensivo para evitar aglomerações&#8221;, calcula.<br><br>Para Gauss, o lockdown só tem efeito negativo quando se vai para os aspectos econômicos. &#8220;Principalmente em populações mais vulneráveis, decorrentes da perda salarial. Para evitar esse aumento relativo de infecções, o Governo deve disponibilizar auxílios emergenciais de valor considerável enquanto durar o lockdown&#8221;, sugere. &#8220;Nunca houve um lockdown rigoroso em Pernambuco. Gostaria de salientar que aquele período de quarentena entre 18 e 28 de março do ano passado, decretado pelo Governo de Pernambuco, foi desastroso com aglomerações de pessoas sem máscaras em praças e ruas. Todo lockdown deve ser feito com fiscalização e medidas punitivas&#8221;, afirma.</p>



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	                                        <p class="m-0">Gauss Cordeiro explica que nunca houve lockdwon para valer em Recife. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p>
	                
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<p><br>Além da disseminação das novas variantes, que são muito mais transmissíveis, o professor da UFPE credita o novo pico da Covid-19 a um relaxamento do distanciamento social que começou ainda lá em setembro. &#8220;Praias e finais de semana sem controle em setembro, campanhas eleitorais em outubro e novembro, comemorações de final de ano e férias em janeiro e fevereiro, deram início ao caos que estamos vivenciando. As médias móveis de 7 dias de casos confirmados e de óbitos em Pernambuco cresceram linearmente desde a 1ª semana de novembro, só que a média móvel de óbitos mudou para um crescimento rápido (quadrático) a partir da 1ª semana de março deste ano. De forma similar, no Brasil, o crescimento linear dos casos e de óbitos começou na 2ª semana de novembro, só que a evolução de óbitos passou a ser exponencial (média móvel atual de 2.349) a partir da última semana de fevereiro. A pandemia funciona como um grande incêndio. Só que no Brasil, não se combate os focos&#8221;, diz.</p>



<h3 class="wp-block-heading">&#8220;Pesquisador tem de ser responsável pelos seus atos&#8221;</h3>



<p>O epidemiologista Onício Leal, que é pesquisador de pós-doutorado no departamento de economia da Universidade de Zurich, na Suíça, afirma que primeiro de tudo é preciso deixar bem claro que não se trata de um artigo científico. Mas de um material que não foi oficialmente publicado em canto nenhum. &#8220;É um preprint. E qual a diferença disso para um artigo revisado por pares? é que, além da contribuição do editor do períodico científico, além da aprovação do editor chefe do periódico, um artigo científico para ser publicado precisa passar por um escrutínio, uma crítica, que às vezes é feita por cinco, seis pesquisadores. Isso serve para confrontar se os achados que foram encontrados de fato fazem sentido. Ou se foram situações espúrias. Até chegar nesse processo, um preprint nada mais é que um relatório, estruturado no formato de um artigo científico, mas que expressa exclusivamente a visão dos pesquisadores, que podem estar errados&#8221;, esclarece, afirmando que preprints não deveriam receber tamanha atenção.<br><br>Com a experiência de quem trabalha há 11 anos com tecnologias para combate de epidemias e já foi consultor do fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Organização Panamericana da Saúde (OPAS), Banco Interamericano de Desenvolvimento, Ministério da Saúde e secretaria estadual e municipal de Saúde, Onício levanta dois pontos que põem em xeque o artigo.<br><br>O primeiro é base de dados que ele usa, o índice de distanciamento social desenvolvido pela empresa In Loco. &#8220;Esse índice no ano passado levantou muita polêmica entre os epidemiologistas. A metodologia de como esse índice é elaborado nunca foi revelada. Isso não gera credibilidade. O epidemiologista Jones Albuquerque afirma que é um índice de isolamento tecnológico, e não social. Se há uma pessoa saindo e que volta para casa e infecta os familiares, isso não é coberto por esse índice&#8221;, afirma, lembrando que há outras empresas que fazem levantamentos semelhantes, mas com metodologias distintas.</p>



<p>&#8220;Uma delas é Cuebiq, que fez parceria com várias instituições os Estados Unidos. A Cuebiq traz esses estudos de mobilidade de uma outra maneira, com uma transparência gigante e trabalhando junto com pesquisadores de sistemas complexos, de epidemiologistas, de físicos, que entendem a dinâmica envolvida em uma pandemia como a da Covid-19. Essa associação de diversos agentes, instituições e pesquisadores significa que os interesses de aproveitar o momento para alavancar um diferencial tecnológico se perdem e o que sobressai é de fato a ciência. Se você não utiliza um dado que está muito claro de como ele é levantado, fica difícil você achar que aqueles resultados são de fato consistentes&#8221;.<br><br>O segundo ponto levantado pelo pesquisador é a ausência dos contrafatuais. &#8220;Sem o contrafatual, fica muito difícil de se ter certezas. Um bom exemplo é a discussão sobre a abertura e fechamento de escolas. Muitos estudos falam que reabrir escolas aumenta a transmissão, mas há poucos estudos mostrando como a pandemia se comportou com as escolas fechadas. E aí quando você coloca isso na balança, essa ausência de contrafatual é sempre prejudicial nesse tipo de estudo que eles fizeram. Não vou nem entrar na questão de domínio de conhecimento, porque nenhum dos dois é da área de epidemiologia ou de sistemas complexos, que são os profissionais que mais se dedicam ao estudo de transmissão de doenças infecciosas. Se fossem, por exemplo, economistas olhando para esse estudo, iriam falar também da ausência do contrafatual. É uma fragilidade muito grande para o tipo de conclusão que fizeram com isso&#8221;, aponta.<br><br>Para Onício Leal, a ciência precisa sim estar livre, mas uma vez em que uma pesquisa quer transformar um achado em impacto na sociedade, ainda mais no contexto de pandemia que estamos vivendo, o pesquisador precisa ter responsabilidade para entender o impacto daquilo que ele propõe. &#8220;Não estou dizendo que os pesquisadores foram irresponsáveis, mas se eles de fato querem provar isso, então se submetam à revisão por pares. Submetam o preprint a um periódico que vai olhar com detalhes e vai fazer o escrutínio e as críticas. Da mesma maneira que esse preprint é um absurdo, no sentido de querer ganhar espaço como uma via alternativa, existem vários outros preprints no Brasil e no mundo que vão de encontro ao que vem sendo estabelecido no combate à Covid. O problema é que quando esses preprints se submetem a uma avaliação científica, não sobrevivem às críticas dos revisores e editores. O pesquisador precisa ser muito responsável dos seus atos, sobretudo nesse momento que estamos vivendo. &#8220;</p>



<h4 class="wp-block-heading">O que diz o autor do estudo</h4>



<p>Bruno Campello de Souza rebate as críticas ao seu trabalho. Antes de participar de uma audiência na comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Pernambuco, onde teve 10 minutos para contestar as medidas de isolamento social, ele disse que &#8220;adoraria um debate amplo com todos os pesquisadores mencionados&#8221;. Segundo ele, &#8220;os críticos se sentem incomodados com os resultados obtidos, geralmente as críticas que recebo são baseadas na conclusão ser contra a opinião de alguma pessoa ou instituição. Adoraria abordar a  metodologia&#8221;. Nenhuma das críticas dos cientistas ouvidos pela Marco Zero é baseada em opiniões pessoais. </p>



<p>Com uma retórica ofensiva, Souza defende seu trabalho recorrendo ao que ele chama de &#8220;falácia lógica a serem evitadas na ciência&#8221;. Em resumo, ele acredita estar sendo vítima de ataques ou preconceitos por pessoas que &#8220;negam a validade de uma proposição por meio de ataque pessoal ao proponente; sustentam a validade de uma proposição com base no fato de que muitas pessoas (ou a maioria delas) a aceitam; e aceitam uma ideia com base na autoridade do proponente&#8221;. </p>



<p>Bruno diz que irá publicar seu artigo em revista científica, com revisão de pares, mas não informou em qual, nem quando.</p>



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